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Acervo FUVEST · Método TEF

FUVEST 2025 | 1ª Fase

10 questões oficiais de Física (Caderno V1), com gabarito oficial e resolução comentada pelo Método TEF.

Q18
Mecânica — Impulso e Quantidade de Movimento

No dia 26 de março de 2024, à 1h29min, aproximadamente, o navio cargueiro MV Dali colidiu com a ponte Francis Scott Key em Baltimore, EUA. O impacto causou o colapso da ponte, tornando-se um dos maiores acidentes marítimos da história norte-americana.

A figura a seguir mostra os dados da velocidade do navio em função da hora local. A colisão ocorreu no intervalo de 38 segundos, marcado por linhas pontilhadas no gráfico.

Gráfico da velocidade do navio MV Dali (em milhas por hora) em função da hora local, mostrando desaceleração de 7,82 mph para 2,5 mph ao longo do intervalo de 38 segundos da colisão

Disponível em https://www.nytimes.com/ (Adaptado).

Assumindo que a massa do navio no momento do impacto seja de 100 mil toneladas e, tendo por base os dados do gráfico, a magnitude da força média atuando sobre o navio durante a colisão é de, aproximadamente,

A)$7 \times 10^{-2}$ N.
B)$7 \times 10^{0}$ N.
C)$7 \times 10^{2}$ N.
D)$7 \times 10^{4}$ N.
E)$7 \times 10^{6}$ N.
Note e adote: Considere que a força atuando sobre o navio durante a colisão seja constante e igual à força média.
Utilize 1 m.p.h. = 0,5 m/s.

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

E
Gabarito comentado Método TEF

Pelo gráfico, a velocidade do navio no início do intervalo de 38 s é $7,82\,\text{m.p.h.}$ e, ao final, $2,5\,\text{m.p.h.}$. Convertendo para m/s (com $1\,\text{m.p.h.}=0,5\,\text{m/s}$):

$v_1 = 7,82 \times 0,5 = 3,91\,\text{m/s}$ e $v_2 = 2,5 \times 0,5 = 1,25\,\text{m/s}$

$\Delta v = v_1 - v_2 = 3,91 - 1,25 = 2,66\,\text{m/s}$

Massa do navio: $m = 100\,\text{mil toneladas} = 10^5 \times 10^3\,\text{kg} = 10^8\,\text{kg}$

Pelo teorema do impulso ($F_{méd}\,\Delta t = \Delta p = m\,\Delta v$):

$F_{méd} = \dfrac{m\,\Delta v}{\Delta t} = \dfrac{10^8 \times 2,66}{38} \approx 7 \times 10^6\,\text{N}$

Resposta: E

Q19
Física Moderna — Efeito Compton

O efeito Compton, descoberto na década de 1920, é hoje amplamente utilizado durante tratamentos radioterápicos. O efeito relaciona-se à mudança no comprimento de onda de fótons de raios X quando interagem com partículas como elétrons ou prótons, conforme ilustrado na figura a seguir.

Diagrama do efeito Compton: um fóton de comprimento de onda lambda-zero incide sobre uma partícula em repouso; após a interação, o fóton emerge com comprimento de onda lambda-linha formando um ângulo theta com a direção inicial, e a partícula é espalhada formando um ângulo phi

Quando um fóton com comprimento de onda $\lambda_0$ incide sobre uma partícula, ele emerge dessa interação formando um ângulo $\theta$ com sua direção inicial de movimento, e seu novo comprimento de onda $\lambda'$ é dado pela relação:

\[\lambda' = \lambda_0 + \frac{\alpha}{m}(1 - \cos\theta)\]

em que $\alpha$ é uma constante positiva e $m$ é a massa da partícula.

Com base nessas informações e em seus conhecimentos sobre a propagação das ondas eletromagnéticas, assinale a alternativa correta.

A)A maior variação no comprimento de onda do fóton ocorre quando o ângulo $\theta$ é igual a 90°.
B)Se o ângulo $\theta$ é igual a 30°, o fóton emergente tem frequência menor do que a frequência inicial.
C)Quando $\theta = 0$, a velocidade do fóton emergente é menor do que a do fóton incidente, devido à conservação da quantidade de movimento.
D)Se o ângulo $\theta$ é igual a 60°, a variação no comprimento de onda do fóton é menor se a partícula for um elétron do que se a partícula for um próton.
E)Um fóton que emergiu perpendicularmente à sua direção inicial não sofreu mudança em sua frequência.

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

B
Gabarito comentado Método TEF

A variação do comprimento de onda é $\Delta\lambda = \lambda'-\lambda_0 = \dfrac{\alpha}{m}(1-\cos\theta)$, sempre $\ge 0$, pois $1-\cos\theta\ge0$ para qualquer $\theta$.

(A) Falsa. $1-\cos\theta$ é máximo quando $\cos\theta=-1$, ou seja, $\theta=180°$ (não $90°$).

(B) Correta. Para $\theta=30°$: $1-\cos30°>0$, logo $\lambda'>\lambda_0$. Como $f=c/\lambda$, um aumento no comprimento de onda implica uma frequência menor no fóton emergente.

(C) Falsa. Fótons sempre viajam à velocidade da luz $c$ no vácuo — o que muda na interação é a frequência/comprimento de onda (e portanto a energia), não a velocidade.

(D) Falsa. Como $\Delta\lambda=\dfrac{\alpha}{m}(1-\cos\theta)$ é inversamente proporcional à massa $m$, e o elétron tem massa muito menor que o próton, a variação $\Delta\lambda$ é maior para o elétron, não menor.

(E) Falsa. Em $\theta=90°$: $1-\cos90°=1\ne0$, logo $\Delta\lambda=\alpha/m\ne0$ — há, sim, mudança de frequência.

Q22
Óptica — Reflexão Interna Total

Uma das possíveis tecnologias para a produção de telas sensíveis ao toque aproveita a reflexão interna total da luz. Esse tipo de reflexão ocorre quando um raio luminoso viaja do interior de um meio 1, com índice de refração $n_1$, em direção a um meio 2, com índice de refração $n_2$, formando com a direção perpendicular à interface entre os meios um ângulo $\theta$ maior do que um certo valor limite $\theta_L$, tal que $\text{sen}\,\theta_L = n_2/n_1$.

Diagrama de uma tela sensível ao toque: raios de luz partindo de uma fonte F na borda sofrem reflexão total dentro da tela até que um dedo toque a superfície, ponto em que a luz é espalhada para fora

Quando um objeto (como um dedo) se aproxima da interface entre os meios, a reflexão total não ocorre, o que é captado por sensores, revelando a posição do objeto. Suponha que se deseje projetar uma tela sensível ao toque que, conforme mostra a figura, funcione com uma fonte luminosa $F$ fixa na borda.

Diagrama mostrando a interface entre os meios 1 e 2: para ângulos maiores que o ângulo limite theta-L ocorre reflexão total (raio vermelho), enquanto para ângulos menores que theta-L o raio se refrata e escapa (linha tracejada verde)

A tabela a seguir indica os índices de refração de alguns materiais candidatos à utilização no meio 1.

MaterialÍndice de refração $n_1$
A1,0002
B1,0003
C1,1503
D1,3204
E1,4889

Tratando o meio 2 sempre como tendo índice de refração $n_2=1,0003$, o material que permite o maior intervalo de ângulos de incidência que produzem reflexão total é:

A)Material A.
B)Material B.
C)Material C.
D)Material D.
E)Material E.

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

E
Gabarito comentado Método TEF

A reflexão total ocorre para ângulos $\theta > \theta_L$, ou seja, dentro do intervalo $(\theta_L, 90°]$. Quanto menor for $\theta_L$, maior é esse intervalo de ângulos que produzem reflexão total.

Como $\text{sen}\,\theta_L = \dfrac{n_2}{n_1}$ e $n_2=1,0003$ é fixo, minimizar $\theta_L$ significa minimizar $\text{sen}\,\theta_L$, ou seja, maximizar $n_1$.

Dentre os materiais da tabela, o de maior índice de refração é o Material E ($n_1=1,4889$), que portanto minimiza $\theta_L$ e maximiza o intervalo de ângulos que resultam em reflexão total.

Q23
Eletromagnetismo — Campo Magnético e Luz Polarizada

Considere o texto a seguir.

Imagem do buraco negro Sagittarius A*, no centro da Via Láctea, capturada em luz polarizada pelo Event Horizon Telescope, mostrando um padrão espiralado de campo magnético

The Event Horizon Telescope Collaboration.

"Com observações feitas pela primeira vez em luz polarizada, a nova imagem do buraco negro que se esconde no coração da Via Láctea revelou um campo magnético com uma estrutura muito semelhante à de outro buraco negro situado no centro da galáxia M87, sugerindo que campos magnéticos intensos podem ser comuns a todos os buracos negros.

A luz é uma onda eletromagnética que nos permite ver objetos. Por vezes, os campos elétrico e magnético associados à onda oscilam em direções preferenciais, definindo o que chamamos de luz polarizada. Apesar de estarmos rodeados por luz polarizada, aos olhos humanos essa luz é indistinguível da luz dita 'normal'. No plasma que rodeia estes buracos negros, as partículas que giram em torno das linhas de campo magnético conferem-lhe um padrão de polarização com orientação na direção perpendicular ao campo magnético do buraco negro, o que permite aos astrônomos ver com muitos detalhes o que se passa nas regiões dos buracos negros e mapear as suas linhas de campo magnético."

"Astrônomos descobrem campos magnéticos em espiral nas bordas de buraco negro da Via Láctea", Jornal da USP 29/03/2024 (Adaptado).

Com base no texto e em seus conhecimentos, é correto afirmar:

A)A medida do padrão de polarização da luz mencionada no texto permite somente o mapeamento das linhas de campos magnéticos na direção paralela à direção da polarização.
B)O olho humano pode discriminar as diferentes direções da luz polarizada dos buracos negros, mapeando suas linhas de campo.
C)Campos magnéticos como os mencionados no texto são criados apenas por cargas elétricas em repouso no plasma que rodeia os buracos negros.
D)O plasma é formado por partículas eletricamente carregadas, dado que essas partículas exibem um movimento circular perpendicular à direção do campo magnético.
E)O processo de mapeamento das linhas de campo magnético mencionado no texto pode ser realizado por meio da detecção de qualquer tipo de onda eletromagnética gerada em buracos negros.

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

D
Gabarito comentado Método TEF

(A) Falsa. O texto afirma que a polarização se orienta na direção perpendicular ao campo magnético — logo, medir a polarização informa sobre a direção perpendicular a ela (a direção do próprio campo), não a paralela.

(B) Falsa. O próprio texto afirma que "aos olhos humanos essa luz é indistinguível da luz dita 'normal'".

(C) Falsa. Campos magnéticos são gerados por cargas elétricas em movimento (correntes), não em repouso — e o texto descreve justamente partículas girando em torno das linhas de campo, ou seja, em movimento.

(D) Correta. Um campo magnético só exerce força sobre cargas em movimento ($\vec{F}=q\vec{v}\times\vec{B}$), e essa força é sempre perpendicular à velocidade, produzindo uma trajetória circular no plano perpendicular a $\vec{B}$ — exatamente o comportamento descrito no texto ("partículas que giram em torno das linhas de campo magnético"). Isso só é possível se as partículas do plasma forem eletricamente carregadas.

(E) Falsa. É necessário especificamente detectar a polarização da luz (não qualquer onda eletromagnética) para inferir a orientação do campo magnético.

Q32
Óptica — Interferência e Reflexão

O fenômeno físico conhecido como iridescência ocorre nas asas de certas espécies de borboletas e caracteriza-se pela variação das cores de acordo com o ângulo de observação. A existência de faixas coloridas na superfície das asas das borboletas ocorre devido a diferentes formas de superposição entre raios luminosos refletidos por uma fina camada de substância transparente existente na superfície das asas.

Fotografia de uma borboleta com asas iridescentes, exibindo tons de azul e verde que variam conforme o ângulo de observação

Disponível em https://www.pbs.org/wgbh/.

Os fenômenos físicos diretamente relacionados com a iridescência são

A)dilatação e reflexão.
B)interferência e dilatação.
C)dissipação e difração.
D)convecção e dispersão.
E)reflexão e interferência.

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

E
Gabarito comentado Método TEF

O enunciado descreve explicitamente "raios luminosos refletidos" e "superposição" (interferência) que geram as cores. Reflexão e interferência são os dois fenômenos envolvidos na iridescência das asas de borboleta — alternativa E.

Q33
Mecânica — Cinemática (Desaceleração)

Em um estudo relatado no periódico Physics Today, cientistas belgas mostraram que os pica-paus não dispõem de mecanismos de absorção de choques em seus ossos do crânio, ao contrário do que se acreditava anteriormente. Nos experimentos realizados, verificou-se que o cérebro de um pica-pau pode experimentar desacelerações instantâneas de até 400 $g$, sendo $g$ o módulo da aceleração da gravidade.

Suponha que, durante uma batida em um tronco de árvore, o crânio do pica-pau, suposto perfeitamente rígido, sofra uma desaceleração constante de 200 $g$ ao longo de um tempo de 2,0 milissegundos. Qual é a distância percorrida pelo crânio do pica-pau durante esse tempo, até atingir momentaneamente o repouso?

A)2,0 mm
B)4,0 mm
C)8,0 mm
D)16 mm
E)32 mm
Note e adote: Aceleração da gravidade: $g = 10\,\text{m/s}^2$.

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

B
Gabarito comentado Método TEF

Desaceleração: $a = 200g = 200\times10 = 2000\,\text{m/s}^2$. Tempo até parar: $\Delta t = 2,0\,\text{ms} = 2,0\times10^{-3}\,\text{s}$.

Primeiro, encontramos a velocidade inicial $v_0$ usando $v=v_0-a\Delta t$, com $v=0$ (repouso momentâneo):

$v_0 = a\,\Delta t = 2000 \times 2,0\times10^{-3} = 4,0\,\text{m/s}$

A distância percorrida é dada por $d = v_0\Delta t - \dfrac{1}{2}a\Delta t^2$:

$d = 4,0\times2,0\times10^{-3} - \dfrac{1}{2}\times2000\times(2,0\times10^{-3})^2 = 8,0\times10^{-3} - 4,0\times10^{-3} = 4,0\times10^{-3}\,\text{m} = 4,0\,\text{mm}$

Resposta: B

Q59
Termologia — Expansão Térmica

Quando uma barra de um certo material é aquecida até uma temperatura $T$ a partir de uma temperatura inicial $T_0$, seu comprimento inicial $L_0$ sofre um aumento $\Delta L$ dado por $\Delta L = \alpha L_0 (T-T_0)$, sendo $\alpha$ o coeficiente de expansão linear, que depende do material. O gráfico a seguir mostra curvas de expansão linear para barras feitas de três materiais distintos.

Gráfico do comprimento em metros em função da temperatura em graus Celsius para três materiais: polietileno (reta mais inclinada, de 10,0 m a 0°C até 10,4 m a 200°C), cobre (reta intermediária, até cerca de 10,1 m a 200°C) e alumínio (reta menos inclinada, até cerca de 10,05 m a 200°C), todas partindo de 10,0 m em 0°C

Com base no gráfico e nas informações apresentadas, é correto afirmar:

A)O gráfico mostra curvas para três barras que possuem o mesmo comprimento à temperatura de 30°C.
B)Em um processo de aquecimento entre 100°C e 200°C, o comprimento da barra de cobre aumenta em 0,1 m.
C)O coeficiente de expansão linear do alumínio é maior do que o do cobre.
D)Partindo de 0°C, aumentar em 10 cm o comprimento da barra de polietileno requer elevar sua temperatura até 50°C.
E)Duas barras de comprimentos 5 m e 10 m a 0°C, feitas do mesmo material, sofrem iguais incrementos de comprimento quando levadas de 0°C a 100°C.

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

D
Gabarito comentado Método TEF

(A) Falsa. As três curvas só coincidem (10,0 m) em $T=0°$C; em $30°$C já apresentam comprimentos diferentes.

(B) Falsa. Pelo gráfico, o cobre vai de aproximadamente 10,05 m (100°C) a 10,10 m (200°C), um aumento de apenas 0,05 m, não 0,1 m.

(C) Falsa. A reta do alumínio é menos inclinada que a do cobre (chega a um comprimento final menor em 200°C), logo o alumínio tem coeficiente de expansão menor, não maior.

(D) Correta. No gráfico, a reta do polietileno passa por $(50°\text{C}; 10,1\,\text{m})$, ou seja, um aumento de $10,1-10,0=0,1\,\text{m}=10\,\text{cm}$ ocorre já a $50°$C.

(E) Falsa. Como $\Delta L=\alpha L_0\Delta T$, o incremento é proporcional a $L_0$: a barra de 10 m dobra o incremento da barra de 5 m, não são iguais.

Q62
Mecânica — Energia (Potencial e Cinética)

Um brinquedo bastante comum em parques de diversões, a montanha-russa, utiliza-se da transformação parcial de energia potencial em energia cinética (e vice-versa) como princípio de funcionamento. Uma das montanhas-russas mais famosas do mundo, a Takabisha, cuja pista possui mais de 1 km de extensão, localiza-se no Japão e tem vista para o Monte Fuji. Nela, a subida inicial até o ponto mais alto, situado a uma altura aproximada de 50 m do solo, é feita sob ângulo de aproximadamente 90 graus, seguida de uma descida vertiginosa, cuja velocidade, no ponto mais baixo desse trecho, atinge cerca de 30 m/s em poucos segundos.

Fotografia da montanha-russa Takabisha, no Japão, mostrando os trilhos com voltas verticais e o Monte Fuji ao fundo

Montanha-russa Takabisha.

Considerando um carrinho ocupado com massa total de 300 kg em repouso na posição de altura máxima, a energia mecânica perdida durante a descida inicial é, aproximadamente,

A)1.200 J
B)2.500 J
C)5.000 J
D)15.000 J
E)20.000 J
Note e adote: Aceleração da gravidade: $g = 10\,\text{m/s}^2$

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

D
Gabarito comentado Método TEF

Energia no topo: $E_{pot} = mgh = 300 \times 10 \times 50 = 150.000\,\text{J}$

Energia na base: $E_{cin} = \dfrac{1}{2}mv^2 = \dfrac{1}{2} \times 300 \times 30^2 = 150 \times 900 = 135.000\,\text{J}$

Energia perdida: $\Delta E = 150.000 - 135.000 = 15.000\,\text{J}$

Esta perda é devida ao atrito entre o carrinho e os trilhos, além da resistência do ar.

Q73
Termodinâmica — Gases Ideais
Texto para as questões 73 e 74: Um artigo publicado em 2018, na Revista Brasileira de Ensino de Física, reporta um curioso estudo sobre a pressão interna de "foguetes de garrafa PET", propulsionados a partir da reação química entre ácido acético e bicarbonato de sódio. Uma mistura de vinagre (que contém ácido acético, $CH_3COOH$) com bicarbonato de sódio ($NaHCO_3$) produz gás carbônico ($CO_2$) por meio da reação química representada pela seguinte equação:

$CH_3COOH + NaHCO_3 \rightarrow CH_3COONa + CO_2 + H_2O$

A reação ocorre no interior de uma garrafa PET de 2 L de volume útil total, da qual foi retirado todo o ar. Insere-se na garrafa um volume inicial $V_{vin}$ de vinagre líquido e bicarbonato de sódio, sendo a garrafa posteriormente selada com uma tampa acoplada a um manômetro. A reação produzirá gás carbônico que ocupará um volume $V_{CO_2}$ e exercerá uma pressão $P_{CO_2}$ sobre a tampa da garrafa, medida pelo manômetro, como mostra a figura.
Diagrama de uma garrafa PET selada com manômetro no topo, mostrando o volume de gás carbônico VCO2 na parte superior e o volume de líquido remanescente Vvin na parte inferior

Suponha que a reação produza 2 mols de $CO_2$ para cada 3 litros de vinagre. Nas condições do experimento, em que o volume de líquido é 1/3 de litro à temperatura $T=300\,\text{K}$, a pressão $P_{CO_2}$ medida pelo manômetro será por volta de

A)3,2 atm.
B)4,1 atm.
C)6,2 atm.
D)9,0 atm.
E)12 atm.
Note e adote: Considere o $CO_2$ como um gás ideal.
Constante dos gases ideais: $R=0,08\,\text{atm}\cdot\text{L}/(\text{K}\cdot\text{mol})$.
Assuma que todo o ácido acético do vinagre reagiu com o bicarbonato de sódio e que o líquido resultante da reação ocupa aproximadamente o mesmo volume do vinagre antes da reação ($V_{vin}$).

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

A
Gabarito comentado Método TEF

Mols de $CO_2$ produzidos: como a proporção é 2 mols de $CO_2$ para cada 3 L de vinagre, e $V_{vin}=1/3\,\text{L}$:

$n_{CO_2} = \dfrac{2}{3}\,\text{mol/L} \times \dfrac{1}{3}\,\text{L} = \dfrac{2}{9}\,\text{mol}$

Volume ocupado pelo $CO_2$: como o líquido remanescente ocupa aproximadamente o mesmo volume do vinagre inicial ($V_{vin}=1/3\,\text{L}$), e a garrafa tem 2 L de volume útil total:

$V_{CO_2} = 2 - \dfrac{1}{3} = \dfrac{5}{3}\,\text{L}$

Pela lei dos gases ideais, $P_{CO_2}V_{CO_2}=n_{CO_2}RT$:

$P_{CO_2} = \dfrac{n_{CO_2}RT}{V_{CO_2}} = \dfrac{\frac{2}{9}\times0,08\times300}{\frac{5}{3}} = \dfrac{5,333}{1,667} \approx 3,2\,\text{atm}$

Resposta: A

Q74
Mecânica — Força e Aceleração
Texto para as questões 73 e 74 (ver contexto completo na Q73): experimento com "foguetes de garrafa PET" pressurizados pela reação entre vinagre e bicarbonato de sódio.
Diagrama de uma garrafa PET selada com manômetro no topo, mostrando o volume de gás carbônico VCO2 na parte superior e o volume de líquido remanescente Vvin na parte inferior

Considere um experimento com uma garrafa PET de 2 L de volume útil total, preparada previamente com vinagre e bicarbonato de sódio. A reação produz gás carbônico que aumenta a pressão interna. Sem que a pressão se altere, substitui-se o manômetro por uma rolha de 10 g de massa e 2 cm de diâmetro (igual ao diâmetro interno do bocal). Logo após a rolha ser encaixada, ela é expelida devido à pressão interna ser maior que a atmosférica.

Sabe-se que o manômetro indicava uma pressão de 5 atm no interior da garrafa. A aceleração da rolha no momento em que ela é expelida é de, aproximadamente,

A)12 m/s²
B)120 m/s²
C)1.200 m/s²
D)12.000 m/s²
E)120.000 m/s²
Note e adote: Pressão atmosférica: 1 atm = $10^5$ Pa
Utilize $\pi = 3$

Gabarito oficial FUVEST 2025 — 1ª Fase (Caderno V1)

D
Gabarito comentado Método TEF

Diferença de pressão: $\Delta P = (5 - 1) \times 10^5 = 4 \times 10^5\,\text{Pa}$

Área da rolha: $A = \pi r^2 = 3 \times (0,01)^2 = 3 \times 10^{-4}\,\text{m}^2$

Força resultante: $F = \Delta P \times A = 4 \times 10^5 \times 3 \times 10^{-4} = 120\,\text{N}$

Massa em kg: $m = 10\,\text{g} = 0,01\,\text{kg}$

Aceleração: $a = \dfrac{F}{m} = \dfrac{120}{0,01} = 12.000\,\text{m/s}^2$

Resposta: D

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