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AFA 2005 — 30 questões de Física comentadas — Método TEF

Academia da Força Aérea — Concurso de Admissão

Edição 2005 · Prova aplicada em 22/08/2004 · Código 21 · Física Q01–Q30.

Q01
Mecânica — Cinemática — Queda livre e movimento uniforme

Uma equipe de resgate se encontra num helicóptero, parado em relação ao solo, a $305\ \text{m}$ de altura. Um paraquedista abandona o helicóptero e cai livremente durante $1{,}0\ \text{s}$, quando abre o paraquedas. A partir desse instante, mantendo-se constante sua velocidade, o paraquedista atingirá o solo em

A)$15\ \text{s}$
B)$28\ \text{s}$
C)$30\ \text{s}$
D)$60\ \text{s}$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

A queda tem duas fases físicas diferentes. Nos primeiros $1{,}0\ \text{s}$, o movimento é uniformemente acelerado pela gravidade; depois da abertura do paraquedas, o enunciado estabelece velocidade constante. Primeiro encontramos a velocidade e a distância ao término da queda livre.

Partindo do repouso, $v=gt=10\cdot1=10\ \text{m/s}$. Nesse primeiro segundo, a distância percorrida é $\Delta s=\frac12gt^2=\frac12\cdot10\cdot1^2=5\ \text{m}$.

A altura restante é $305-5=300\ \text{m}$. Na segunda etapa, a rapidez já não varia: $\Delta t=\frac{300}{10}=30\ \text{s}$.

Conferência: somar as duas distâncias dá $5+300=305\ \text{m}$, exatamente a altura inicial. O intervalo total desde o abandono seria $31\ \text{s}$, mas a questão pergunta pelo tempo a partir da abertura.

Cuidado, armadilha! Não aplicar a fórmula da queda livre aos $305\ \text{m}$ inteiros: ela deixa de valer quando a velocidade passa a ser constante.

Alternativa correta: C

Q02
Mecânica — Cinemática — Queda livre e intervalos iguais

Certa mãe, ao administrar um medicamento para o seu filho, utiliza um conta-gotas pingando em intervalos de tempo iguais. A figura mostra a situação no instante em que uma das gotas está se soltando. Considerando que cada pingo abandone o conta-gotas com velocidade nula e desprezando a resistência do ar, pode-se afirmar que a razão $X/Y$, entre as distâncias $X$ e $Y$ mostradas na figura, vale

Questão 02: diagrama original da prova AFA 2005
A)$2$
B)$\dfrac12$
C)$\dfrac14$
D)$4$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

D
Resolução

As gotas saem do repouso em intervalos constantes $\tau$. A gota que acaba de se desprender está na altura inicial; a gota imediatamente abaixo cai há $\tau$; a gota inferior, há $2\tau$. É crucial ler $X$ e $Y$ como indicados pelas setas da figura.

Para um corpo solto do repouso, $s=\frac12gt^2$. Assim, a queda da gota intermediária é $Y=\frac12g\tau^2$. A gota inferior percorreu $X=\frac12g(2\tau)^2=4\left(\frac12g\tau^2\right)$.

Dividindo os dois deslocamentos, $\dfrac XY=\dfrac{4(\frac12g\tau^2)}{\frac12g\tau^2}=4$. Os fatores $g$ e $\tau$ desaparecem da razão.

Conferência: dobrar o tempo de queda quadruplica o deslocamento, comportamento característico da queda livre partindo do repouso. A alternativa correspondente é D.

Cuidado, armadilha! A distância $X$ vai desde o nível de soltura até a gota inferior, e não da gota intermediária até a inferior. Esta última distância seria $3Y$.

Alternativa correta: D

Q03
Mecânica — Cinemática — Velocidade média e gráficos

Os gráficos a seguir referem-se a movimentos unidimensionais de um corpo em três situações diversas, representando a posição como função do tempo. Nas três situações, são iguais as velocidades

Questão 03: diagrama original da prova AFA 2005
A)iniciais.
B)finais.
C)instantâneas.
D)médias.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

D
Resolução

Os três gráficos são de posição em função do tempo. A velocidade média depende do deslocamento total e da duração, não da inclinação de um trecho isolado: $v_m=\dfrac{x_f-x_i}{\Delta t}$.

Em cada situação, o movimento começa na posição $x_i=0$, alcança a posição $a$ e termina na posição $x_f=a/2$. O tempo final é o mesmo, $\Delta t=b$.

Logo, nas três situações, $v_m=\dfrac{a/2-0}{b}=\dfrac{a}{2b}$. A forma do percurso entre os extremos não altera esse resultado.

Os trechos ascendentes e descendentes têm inclinações distintas nos três desenhos, de modo que as velocidades instantâneas, iniciais ou finais, em geral são diferentes. Só a velocidade média coincide.

Cuidado, armadilha! Não concluir que a velocidade média é zero: a posição final indicada é $a/2$, e não a posição inicial $0$.

Alternativa correta: D

Q04
Mecânica — Cinemática — Movimento circular uniforme

Observe os pontos A e B marcados nas pás de um ventilador que gira com frequência constante, conforme a figura. É INCORRETO afirmar que em A

Questão 04: diagrama original da prova AFA 2005
A)a velocidade escalar é maior que em B.
B)a velocidade angular é a mesma que em B.
C)o período é o mesmo que em B.
D)a aceleração é menor que em B.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

D
Resolução

O ventilador gira como um corpo rígido em torno de um mesmo eixo. Portanto, os pontos A e B completam cada volta simultaneamente: compartilham o período $T$, a frequência $f$ e a velocidade angular $\omega=2\pi f$.

O ponto A está mais distante do centro de rotação que B, isto é, $r_A>r_B$. Pela relação $v=\omega r$, conclui-se que $v_A>v_B$. Assim, a alternativa A está correta.

O módulo da aceleração centrípeta é $a_c=\omega^2r$, portanto $a_A>a_B$. A alternativa D diz exatamente o contrário, sendo a afirmação incorreta pedida no enunciado.

As alternativas B e C também são verdadeiras: $\omega_A=\omega_B$ e $T_A=T_B$. A única incorreta é D.

Cuidado, armadilha! As grandezas angulares são iguais em pontos do mesmo rotor, mas as grandezas lineares crescem com a distância ao eixo.

Alternativa correta: D

Q05
Mecânica — Cinemática — Lançamentos simultâneos

Considere uma partícula M lançada verticalmente para cima com velocidade de $30\ \text{m/s}$. No mesmo instante, uma outra partícula N é lançada horizontalmente de um ponto situado a $120\ \text{m}$ do solo. Sabe-se que elas irão se chocar em um ponto Q, conforme a figura. Desprezando os efeitos do ar, a altura do ponto Q é

Questão 05: diagrama original da prova AFA 2005
A)$80\ \text{m}$
B)$60\ \text{m}$
C)$40\ \text{m}$
D)$15\ \text{m}$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

Os movimentos começam ao mesmo tempo e se encontram no ponto Q. A componente horizontal da velocidade de N não é fornecida nem necessária: basta igualar as alturas das duas partículas no instante do choque.

Adotando o solo como origem vertical, a partícula M sobe com $y_M=30t-\frac12gt^2=30t-5t^2$. A partícula N parte de $120\ \text{m}$ com velocidade vertical inicial nula: $y_N=120-5t^2$.

No choque, $y_M=y_N$, logo $30t-5t^2=120-5t^2$, de onde $30t=120$ e $t=4\ \text{s}$. Substituindo na altura de M: $y_Q=30\cdot4-5\cdot16=40\ \text{m}$.

Pela trajetória de N, a queda vertical em quatro segundos é $5\cdot16=80\ \text{m}$; saindo de $120\ \text{m}$, resta $40\ \text{m}$. Os dois cálculos conferem.

Cuidado, armadilha! A velocidade horizontal de N muda somente sua posição horizontal, não o instante obtido pela coincidência vertical.

Alternativa correta: C

Q06
Mecânica — Dinâmica — Plano inclinado acelerado

Um bloco encontra-se em repouso sobre um plano inclinado que se move com aceleração horizontal de intensidade $a$, como indica a figura. Desprezando-se o atrito entre quaisquer superfícies, o valor de $a$ é proporcional a

Questão 06: diagrama original da prova AFA 2005
A)$\cos\theta$
B)$\operatorname{cossec}\theta$
C)$\operatorname{cotg}\theta$
D)$\operatorname{tg}\theta$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

D
Resolução

O bloco permanece em repouso em relação à rampa acelerada e o contato não tem atrito. Isso exige que sua aceleração horizontal seja a mesma do plano. Na direção perpendicular à superfície atua a normal; a decomposição correta pode ser feita no referencial do solo ou da rampa.

No referencial acelerado com a rampa, atuam a força peso $mg$ e a força inercial horizontal de módulo $ma$, voltada em sentido oposto à aceleração da rampa. O equilíbrio da componente paralela à rampa fornece $mg\operatorname{sen}\theta=ma\cos\theta$.

Cancelando a massa, $a=g\dfrac{\operatorname{sen}\theta}{\cos\theta}=g\operatorname{tg}\theta$. Como $g$ é constante, $a$ é proporcional a $\operatorname{tg}\theta$.

A proporcionalidade passa por uma verificação física: para um plano quase horizontal, $\theta\to0$ e $a\to0$. Para inclinações mais acentuadas, a aceleração horizontal necessária cresce.

Cuidado, armadilha! A aceleração pedida é horizontal e a condição é de repouso relativo; não usar simplesmente $a=g\operatorname{sen}\theta$, que corresponderia a um bloco escorregando em uma rampa fixa.

Alternativa correta: D

Q07
Mecânica — Dinâmica — Sistema de massas e polia ideal

O conjunto abaixo, constituído de fio e polia ideais, é abandonado do repouso no instante $t=0$ e a velocidade do corpo A varia em função do tempo segundo o gráfico dado. Desprezando o atrito, a razão entre a massa de A e a massa de B é

Questão 07: diagrama original da prova AFA 2005
A)$\dfrac12$
B)$\dfrac23$
C)$\dfrac32$
D)$2$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

Começamos pelo gráfico de velocidade de A. A inclinação de uma reta $v\times t$ é a aceleração: nos primeiros $6\ \text{s}$, a velocidade cresce de zero para $24\ \text{m/s}$.

Logo $a=\Delta v/\Delta t=24/6=4\ \text{m/s}^2$. Sobre A, horizontalmente, a única força não compensada é a tração: $T=m_Aa$. Sobre B, verticalmente, $m_Bg-T=m_Ba$.

Substituindo a tração obtida para A na equação de B: $m_Bg-m_Aa=m_Ba$. Assim, $\dfrac{m_A}{m_B}=\dfrac{g-a}{a}=\dfrac{10-4}{4}=\dfrac32$.

Conferência: a massa de A é maior que a de B, mas apenas B tem peso motor na direção do fio, o que produz aceleração menor que $g$. O resultado é a alternativa C.

Cuidado, armadilha! A tração não é igual ao peso de B porque B está acelerado. A inclinação do gráfico é $4$, e não $24$.

Alternativa correta: C

Q08
Mecânica — Dinâmica — Força centrípeta e vetores

Uma partícula descreve trajetória circular com movimento uniforme, no sentido horário, como mostra a figura. O conjunto de vetores que melhor representa a força resultante $\vec F$, a velocidade $\vec v$ e a aceleração $\vec a$ da partícula, no ponto P indicado na figura, é

Questão 08: diagrama original da prova AFA 2005
A)
Questão 08: alternativa A — diagrama original
B)
Questão 08: alternativa B — diagrama original
C)
Questão 08: alternativa C — diagrama original
D)
Questão 08: alternativa D — diagrama original

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

B
Resolução

Em movimento circular uniforme, o módulo da velocidade é constante, mas sua direção muda. Por isso existe aceleração centrípeta, e a força resultante que a produz nunca é nula.

A partícula está no ponto P, à direita do centro da trajetória. A aceleração centrípeta $\vec a$ e a força resultante $\vec F=m\vec a$ apontam ambas para a esquerda, isto é, para o centro.

Como o movimento é horário, a velocidade tangencial $\vec v$ no ponto mais à direita aponta verticalmente para baixo. Precisamos, portanto, da figura com $\vec F$ à esquerda, $\vec a$ à esquerda e $\vec v$ para baixo.

Entre os quatro diagramas oferecidos, apenas a alternativa B representa simultaneamente essas três direções.

Cuidado, armadilha! O termo “uniforme” significa rapidez constante, não aceleração nula. Direção variável implica aceleração centrípeta.

Alternativa correta: B

Q09
Mecânica — Dinâmica — Pêndulo cônico

O pêndulo da figura gira apresentando um ângulo $\theta$ de abertura em relação à vertical. Afirma-se que:

I — a força centrípeta é a força resultante.
II — variando a velocidade, o período permanece inalterado.
III — a tensão no fio diminui com o aumento de $\theta$.

Estão corretas as afirmativas

Questão 09: diagrama original da prova AFA 2005
A)I e II apenas.
B)I e III apenas.
C)II e III apenas.
D)I, II e III.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A

Atenção: a alternativa A não concorda com a análise física; item sob ressalva.

Resolução

Para um pêndulo cônico ideal em regime circular uniforme, a tração $T$ no fio possui componente vertical que equilibra o peso e componente horizontal que fornece a resultante centrípeta. Afirmativa I: verdadeira.

No equilíbrio vertical, $T\cos\theta=mg$, portanto $T=mg/\cos\theta$. Se $\theta$ aumenta, $\cos\theta$ diminui e a tração aumenta. A afirmativa III é falsa.

Com comprimento do fio $\ell$, o raio do círculo é $r=\ell\operatorname{sen}\theta$. Na horizontal, $T\operatorname{sen}\theta=m\omega^2r$, de onde $\omega^2=g/(\ell\cos\theta)$ e $T_{\text{período}}=2\pi\sqrt{\ell\cos\theta/g}$. Portanto o período varia com $\theta$ (e com a velocidade). A afirmativa II também é falsa.

Conclusão física independente: somente I é verdadeira. O gabarito provisório código 21 indica A (I e II), mas não há alternativa “I apenas”. É uma inconsistência do item/gabarito que precisa ser tratada editorialmente antes de publicação como questão validada.

Cuidado, armadilha! A letra A do gabarito provisório não torna verdadeira a afirmativa II. Não atribuir um resultado fictício para forçar concordância com o documento oficial.

Gabarito provisório (com ressalva): A

Q10
Mecânica — Energia — Energia mecânica na queda livre

Um corpo é abandonado em queda livre, a partir do repouso, sob ação da gravidade. Se sua velocidade, depois de perder uma quantidade $E$ de energia potencial gravitacional, é $v$, pode-se concluir que a massa do corpo é dada por

A)$2Ev$
B)$\dfrac{2E}{v^2}$
C)$2Ev^2$
D)$\dfrac{2v^2}{E}$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

B
Resolução

Na queda livre sem resistência do ar, a energia potencial gravitacional perdida transforma-se integralmente em energia cinética. Como o corpo é abandonado do repouso, sua energia cinética inicial vale zero.

A perda de energia potencial é $E$, logo $E=\Delta E_c=\frac12mv^2$. A velocidade indicada é a velocidade depois de perder essa energia.

Isolando a massa, $m=\dfrac{2E}{v^2}$. A alternativa correspondente é B.

Conferência dimensional: $\text{J}/(\text{m}^2/\text{s}^2)=\text{kg}$, como exige uma expressão para massa.

Cuidado, armadilha! Não confundir energia com potência e não esquecer que a velocidade aparece ao quadrado na energia cinética.

Alternativa correta: B

Q11
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão inelástica com projétil

Um atirador utiliza alvos móveis. Em um treinamento, deixa cair um bloco de massa $M$, a partir de uma altura $h$. Ao final do primeiro segundo de queda, o bloco é atingido horizontalmente por uma bala de massa $m$ e velocidade $v$. A bala se aloja no bloco e observa-se um desvio horizontal $x$ na sua trajetória em relação ao ponto que tocaria o chão, caso não houvesse acontecido a colisão. O valor de $x$ é dado por

A)$\sqrt{\dfrac{2h}{g}}(M+m)v$
B)$\sqrt{\dfrac{2h}{g}}\dfrac{m}{M+m}v$
C)$(\sqrt{\dfrac{2h}{g}}-1)\dfrac{M+m}{m}v$
D)$(\sqrt{\dfrac{2h}{g}}-1)\dfrac{m}{M+m}v$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

D
Resolução

A bala acerta o bloco quando este já caiu por um segundo. A colisão fornece velocidade horizontal ao conjunto, mas não muda instantaneamente o movimento vertical. Precisamos primeiro determinar quanto tempo de queda ainda falta após o impacto.

Sem a bala, a duração total da queda a partir do repouso seria $t_f=\sqrt{2h/g}$. Como o choque acontece em $t=1\ \text{s}$, resta $\Delta t=\sqrt{2h/g}-1\ \text{s}$. No eixo horizontal, o momento se conserva durante o choque inelástico: $mv=(M+m)V_x$.

Portanto $V_x=\dfrac{m}{M+m}v$. Depois da colisão, essa velocidade horizontal mantém-se constante e produz desvio $x=V_x\Delta t$, isto é, $x=\left(\sqrt{\dfrac{2h}{g}}-1\right)\dfrac{m}{M+m}v$.

A alternativa D contém exatamente esse produto. As dimensões são consistentes: o termo entre parênteses é um tempo e $\dfrac{m}{M+m}v$ é uma velocidade.

Cuidado, armadilha! O movimento horizontal só começa após o primeiro segundo; usar o tempo total da queda superestima o desvio.

Alternativa correta: D

Q12
Mecânica — Quantidade de Movimento — Força de reação do jato

Um lavador de carros segura uma mangueira do modo que aparece na figura. Qual a força necessária para manter o bico da mangueira estacionário na horizontal, sabendo que a vazão da água é de $0{,}60\ \text{kg/s}$, com velocidade de saída na mangueira de $25\ \text{m/s}$?

Questão 12: diagrama original da prova AFA 2005
A)$5{,}0\ \text{N}$
B)$10{,}0\ \text{N}$
C)$15{,}0\ \text{N}$
D)$20{,}0\ \text{N}$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

A água sai horizontalmente pelo bico da mangueira e carrega quantidade de movimento. Para mantê-lo em repouso, o lavador precisa compensar a força de reação do jato.

Em um intervalo $\Delta t$, sai a massa $\Delta m=\dot m\Delta t$, com momento horizontal $\Delta p=\Delta m\cdot v$. A força média correspondente é $F=\Delta p/\Delta t=\dot m v$.

Com $\dot m=0{,}60\ \text{kg/s}$ e $v=25\ \text{m/s}$, temos $F=0{,}60\cdot25=15\ \text{N}$. A força exercida pela água sobre a mangueira tem módulo igual e sentido contrário à força sobre o jato.

Conferência dimensional: $(\text{kg/s})(\text{m/s})=\text{kg}\cdot\text{m/s}^2=\text{N}$. Resposta C.

Cuidado, armadilha! A vazão já foi fornecida em massa por segundo, não em volume por segundo. Não há necessidade de usar a densidade da água.

Alternativa correta: C

Q13
Óptica — Reflexão — Espelhos planos associados

A figura abaixo mostra uma vista superior de dois espelhos planos $E_1$ e $E_2$ que formam entre si um ângulo $\beta$. Sobre o espelho $E_1$ incide um raio de luz horizontal e que forma com este espelho um ângulo $\theta$. Após reflexão nos dois espelhos, o raio emerge formando um ângulo $\alpha$ com a normal ao espelho $E_2$. O ângulo $\alpha$ vale

Questão 13: diagrama original da prova AFA 2005
A)$\beta+\theta$
B)$\beta+\theta-90^\circ$
C)$\beta+\theta+90^\circ$
D)$\beta-\theta$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

B
Resolução

A figura mostra duas reflexões sucessivas, primeiro em $E_1$ e depois em $E_2$. Em cada reflexão, o ângulo medido em relação à normal é conservado; para converter ângulos entre raio e superfície, devemos considerar complementos de $90^\circ$.

O raio faz ângulo $\theta$ com o primeiro espelho. Após refletir em $E_1$, continua fazendo $\theta$ com a superfície $E_1$, porém do lado oposto da normal. Entre as superfícies dos espelhos há ângulo $\beta$.

Pela configuração geométrica desenhada, o raio que chega a $E_2$ faz ângulo $\beta+\theta$ com a direção de referência da superfície. O ângulo agudo associado à normal do segundo espelho fica $\alpha=\beta+\theta-90^\circ$.

A expressão coincide com a alternativa B. O resultado depende da configuração indicada (raio que efetivamente se reflete nos dois espelhos).

Cuidado, armadilha! A questão pergunta o ângulo com a normal de $E_2$, não com a superfície de $E_2$. Confundir os dois introduz diferença de $90^\circ$.

Alternativa correta: B

Q14
Óptica — Refração — Reflexão total e cone de escape

Uma fonte pontual de luz monocromática está imersa numa piscina de profundidade $h$. Para que a luz emitida por essa fonte não atravesse a superfície da água para o ar, coloca-se na superfície um anteparo opaco circular cujo centro encontra-se na mesma vertical da fonte. O raio mínimo desse anteparo é. Considere $n_{\text{AR}}$ — índice de refração do ar; $n_{\text{ÁGUA}}$ — índice de refração da água.

A)$h\cdot\operatorname{tg}\!\left[\arcsin\!\left(\dfrac{n_{\text{AR}}}{n_{\text{ÁGUA}}}\right)\right]$
B)$\dfrac{\operatorname{tg}(n_{\text{AR}}/n_{\text{ÁGUA}})}{h}$
C)$h\cdot\operatorname{sen}(n_{\text{AR}}/n_{\text{ÁGUA}})$
D)$h\cdot\arctan[\operatorname{sen}(n_{\text{AR}}/n_{\text{ÁGUA}})]$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A
Resolução

A fonte submersa envia raios em todas as direções. Só escapam para o ar os que chegam à superfície com ângulo de incidência menor ou igual ao ângulo crítico. A abertura de saída é um círculo centrado na vertical da fonte.

Pela lei de Snell no limite de refração tangencial, $n_{\text{ÁGUA}}\operatorname{sen}\theta_c=n_{\text{AR}}$. Assim, $\theta_c=\arcsin\left(\dfrac{n_{\text{AR}}}{n_{\text{ÁGUA}}}\right)$.

O raio extremo percorre a profundidade vertical $h$ até a superfície. No triângulo retângulo formado, $\operatorname{tg}\theta_c=r/h$. Portanto $r=h\operatorname{tg}\left[\arcsin\left(\dfrac{n_{\text{AR}}}{n_{\text{ÁGUA}}}\right)\right]$.

O anteparo circular com esse raio cobre toda a região da superfície pela qual poderiam escapar raios vindos da fonte. A alternativa correta é A.

Cuidado, armadilha! O raio do círculo é um cateto horizontal: a função trigonométrica correta é a tangente do ângulo crítico, não o seno.

Alternativa correta: A

Q15
Óptica — Instrumentos Ópticos — Acomodação visual

Para que os raios luminosos sempre convirjam na retina, os músculos ciliares, que garantem também sustentação mecânica ao globo ocular, podem contrair-se variando a curvatura das faces do cristalino. Quando um objeto se aproxima do olho, o cristalino

A)atua como lente convergente e os músculos ciliares vão se contraindo, diminuindo a distância focal do cristalino.
B)atua como lente convergente e os músculos ciliares ficam relaxados.
C)atua como lente divergente e os músculos ciliares vão se contraindo, diminuindo a distância focal do cristalino.
D)atua como lente divergente e os músculos ciliares ficam relaxados.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A
Resolução

O cristalino trabalha como uma lente convergente que adapta sua curvatura para projetar imagens nítidas sobre a retina. A distância entre o cristalino e a retina varia muito pouco, mesmo quando a distância do objeto muda.

Pela relação das lentes $1/f=1/p+1/p^{\prime}$, ao aproximar o objeto, $p$ diminui e $1/p$ aumenta. Mantido aproximadamente fixo $p^{\prime}$, o valor de $1/f$ aumenta: a distância focal $f$ diminui.

A contração dos músculos ciliares permite que o cristalino fique mais convexo, aumentando seu poder de convergência. Isso corresponde à alternativa A.

A retina permanece na mesma região do olho; é o poder refrativo do cristalino que se ajusta para manter a imagem sobre ela.

Cuidado, armadilha! A aproximação do objeto não torna o cristalino divergente; o aumento da curvatura aumenta sua convergência.

Alternativa correta: A

Q16
Óptica — Lentes — Lupa e construção de imagens

Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas abaixo.

Um objeto é observado através de uma lupa. Para que se consiga observar seus mínimos detalhes, é necessário que o objeto esteja localizado ................... e, neste caso, a imagem conjugada é ....................

A)entre a lente e seu foco / virtual e direita em relação ao objeto.
B)entre a lente e seu foco / real e invertida em relação ao objeto.
C)além do foco / virtual e invertida em relação ao objeto.
D)além do foco / real e direita em relação ao objeto.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A
Resolução

Uma lupa é uma lente convergente utilizada para observar uma imagem ampliada de um objeto próximo. A condição típica de ampliação é colocar o objeto mais perto da lente do que o foco.

Quando $0virtual.

Nessa disposição, o aumento linear é positivo e de módulo maior que 1: a imagem é direita e ampliada. A alternativa A reúne a posição do objeto e a natureza correta da imagem.

Uma lupa funcionando como instrumento de observação não projeta uma imagem real sobre uma tela; quem a observa é o olho, que prolonga mentalmente os raios emergentes.

Cuidado, armadilha! Se o objeto ultrapassar o foco, uma lente convergente poderá formar imagem real e invertida, diferente da condição solicitada.

Alternativa correta: A

Q17
Ondulatória — Oscilações — MHS em sistema massa-mola vertical

Uma mola, de massa desprezível, se distende de $b$ quando equilibra um bloco de massa $m$. Sabe-se que no instante $t=0$, o bloco foi abandonado do repouso a uma distância $\ell$ abaixo de sua posição de equilíbrio. Considerando $g$ a aceleração da gravidade e desprezando os atritos, a equação do movimento resultante em função do tempo $t$ é

A)$x=\ell\cos(\sqrt{gb}\ t)$
B)$x=\ell\cos\!\left(\sqrt{\dfrac gb}\ t\right)$
C)$x=\ell\operatorname{sen}\!\left(\sqrt{\dfrac bg}\ t\right)$
D)$x=\ell\operatorname{tg}(\sqrt{gb}\ t)$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

B
Resolução

A massa oscila verticalmente em torno da posição de equilíbrio. O alongamento estático $b$ serve para determinar a constante da mola em função da massa: $kb=mg$. A distância inicial $\ell$ é medida em relação ao equilíbrio.

Da igualdade estática, $k/m=g/b$. Para pequenas oscilações de mola ideal, a frequência angular satisfaz $\omega^2=k/m$, logo $\omega=\sqrt{g/b}$.

A lei horária de MHS é $x(t)=A\cos(\omega t+\varphi)$. O corpo foi abandonado do repouso na posição de elongação máxima inferior: $x(0)=\ell$ e $v(0)=0$. Portanto $A=\ell$ e $\varphi=0$, dando $x(t)=\ell\cos\left(\sqrt{g/b}\ t\right)$.

Conferência: para $t=0$, o cosseno vale 1 e $x=\ell$, em conformidade com a condição inicial. A frequência tem unidade $1/\text{s}$, pois $g/b$ tem unidade $1/\text{s}^2$.

Cuidado, armadilha! Usar $g$ no lugar de $g/b$ no argumento do cosseno tornaria a expressão dimensionalmente incorreta.

Alternativa correta: B

Q18
Ondulatória — Oscilações — Energia cinética no MHS

Um bloco ligado a uma mola presa a uma parede oscila em torno de O, sobre uma superfície sem atrito, como mostra a figura. O gráfico que MELHOR representa a energia cinética $E_C$ em função de $x$ é:

Questão 18: diagrama original da prova AFA 2005
A)
Questão 18: alternativa A — diagrama original
B)
Questão 18: alternativa B — diagrama original
C)
Questão 18: alternativa C — diagrama original
D)
Questão 18: alternativa D — diagrama original

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A
Resolução

O bloco executa MHS sem atrito. Sua energia mecânica permanece constante e se distribui entre a energia potencial elástica e a energia cinética.

Em relação à posição de equilíbrio $x=0$, $E=\frac12kA^2$ e $E_{pe}=\frac12kx^2$. Por conservação, $E_c(x)=E-E_{pe}=\frac12k(A^2-x^2)$.

Essa função é uma parábola com concavidade para baixo: o valor máximo ocorre em $x=0$ e os zeros em $x=\pm A$, onde o bloco inverte o sentido do movimento.

O único gráfico que apresenta energia cinética não negativa, máxima no equilíbrio e nula nos dois extremos é o da alternativa A.

Cuidado, armadilha! O gráfico da energia potencial elástica abre para cima; o da energia cinética abre para baixo. Não confundir as duas funções.

Alternativa correta: A

Q19
Ondulatória — Ondas — Ondas estacionárias e nós

Uma onda transversal é aplicada sobre um fio preso pelas extremidades, usando-se um vibrador de frequência $f=60\ \text{Hz}$. A distância média entre os pontos que praticamente não se movem é $40\ \text{cm}$. A velocidade das ondas nesse fio é, em $\text{m/s}$, igual a

A)$80$
B)$60$
C)$48$
D)$20$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

Pontos do fio que permanecem praticamente parados são os nós da onda estacionária. A separação entre dois nós consecutivos não é um comprimento de onda completo: vale $\lambda/2$.

Sendo a distância entre nós $d=40\ \text{cm}=0{,}40\ \text{m}$, temos $\lambda=2d=0{,}80\ \text{m}$.

A velocidade da onda é $v=\lambda f=0{,}80\cdot60=48\ \text{m/s}$. Esse valor corresponde à alternativa C.

Conferência: com frequência fixa, duplicar a distância entre nós duplicaria a velocidade; a expressão respeita essa proporcionalidade.

Cuidado, armadilha! O espaçamento entre nós vizinhos é meia onda. Usar $\lambda=0{,}40\ \text{m}$ faria o resultado ficar pela metade.

Alternativa correta: C

Q20
Eletricidade — Eletrostática — Equilíbrio de cargas em arco circular

Uma esfera A, com carga positiva, é mantida em uma região plana e horizontal através de um anteparo semicircular, com extremidades B e C, como mostra a figura. A esfera pode se deslocar sem atrito. Nos pontos B e C são fixadas pequenas esferas com cargas de $8\ \mu\text{C}$ e $64\ \mu\text{C}$, respectivamente. A tangente do ângulo $\alpha$, para o qual a esfera A permanece em equilíbrio, é

Questão 20: diagrama original da prova AFA 2005
A)$0{,}30$
B)$0{,}40$
C)$0{,}50$
D)$0{,}60$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

A esfera A pode se deslocar sobre o arco semicircular sem atrito. As forças elétricas atuam sobre A ao longo de AB e AC; para ela permanecer em equilíbrio na posição indicada, a soma das componentes tangenciais dessas forças deve ser zero. A reação normal do anteparo compensa a componente radial.

Como BC é diâmetro de uma semicircunferência de raio $R$, o triângulo BAC é retângulo em A. Pelo ângulo $\alpha$ em C, $AB=2R\operatorname{sen}\alpha$ e $AC=2R\cos\alpha$. Os módulos das repulsões elétricas são $F_B=\dfrac{kq(8\ \mu\text{C})}{(2R\operatorname{sen}\alpha)^2}$ e $F_C=\dfrac{kq(64\ \mu\text{C})}{(2R\cos\alpha)^2}$.

A geometria da tangente ao arco fornece os fatores $\cos\alpha$ para a componente tangencial de $F_B$ e $\operatorname{sen}\alpha$ para a de $F_C$. O equilíbrio requer $F_B\cos\alpha=F_C\operatorname{sen}\alpha$. Substituindo as expressões anteriores e eliminando os fatores comuns: $\dfrac{8\cos\alpha}{\operatorname{sen}^2\alpha}=\dfrac{64\operatorname{sen}\alpha}{\cos^2\alpha}$.

Assim, $8\cos^3\alpha=64\operatorname{sen}^3\alpha$, isto é, $\operatorname{tg}^3\alpha=1/8$. Como $\alpha$ é agudo, $\operatorname{tg}\alpha=1/2=0{,}50$. Resultado obtido independentemente, de acordo com a alternativa C.

Cuidado, armadilha! Não iguale simplesmente os módulos das forças elétricas: seus sentidos são diferentes. Equilibram-se apenas as componentes tangenciais.

Alternativa correta: C

Q21
Eletricidade — Eletrostática — Desvio de carga em campo uniforme

Uma partícula de carga $q$ e massa $m$ é lançada com velocidade $v$, perpendicularmente ao campo elétrico uniforme produzido por placas paralelas de comprimento $L$ e separadas por uma distância $D$. A partícula penetra no campo num ponto equidistante das placas e sai tangenciando a borda da placa superior, conforme representado na figura. Desprezando ações gravitacionais, a intensidade do campo elétrico pode ser calculada por

Questão 21: diagrama original da prova AFA 2005
A)$\dfrac{mLv^2}{qD^2}$
B)$\dfrac{mv^2}{qLD}$
C)$\dfrac{2mDv}{qL}$
D)$\dfrac{mDv^2}{qL^2}$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

D
Resolução

Entre as placas, o campo elétrico atua perpendicularmente à velocidade inicial. Portanto, a velocidade horizontal mantém módulo $v$, enquanto o movimento vertical é uniformemente acelerado pela força elétrica.

O tempo para percorrer o comprimento $L$ é $t=L/v$. A aceleração vertical tem módulo $a_y=|q|E/m$. Como a partícula entra no plano médio das placas e sai na borda superior, o deslocamento vertical é $\Delta y=D/2$.

Usando $\Delta y=\frac12a_yt^2$, obtemos $\dfrac D2=\dfrac12\dfrac{|q|E}{m}\dfrac{L^2}{v^2}$. Multiplicando por 2 e isolando o campo: $E=\dfrac{mDv^2}{|q|L^2}$. A alternativa D apresenta a expressão (considerando $q$ como módulo da carga).

Conferência dimensional: $mDv^2/(qL^2)$ tem unidades de força por carga, $\text{N/C}$, como deve ser para campo elétrico.

Cuidado, armadilha! O deslocamento vertical é $D/2$, e não $D$. Além disso, não há aceleração horizontal no modelo.

Alternativa correta: D

Q22
Eletricidade — Eletrostática — Capacitor com lâmina metálica

As placas de um capacitor a ar estão separadas entre si por uma distância igual a $D$. Ao se introduzir entre as placas, simetricamente em relação a elas, uma chapa metálica de espessura $D/2$ (figura abaixo), a capacitância do capacitor

Questão 22: diagrama original da prova AFA 2005
A)triplica.
B)dobra.
C)reduz à terça parte.
D)reduz à metade.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

B
Resolução

Uma chapa metálica introduzida entre as placas pode ser tratada como um condutor em equilíbrio eletrostático. Seu campo elétrico interno é nulo, e a diferença de potencial fica concentrada nas regiões de ar restantes.

A separação original é $D$. A chapa tem espessura $D/2$ e está centralizada; assim, a soma das espessuras dos dois vãos de ar é $D-D/2=D/2$.

O capacitor original tem $C_0=\varepsilon_0A/D$. Com a chapa, o sistema equivale a dois capacitores em série cuja espessura efetiva total de ar é $D/2$. Consequentemente, $C^{\prime}=\varepsilon_0A/(D/2)=2C_0$.

A capacitância dobra, alternativa B. O resultado é independente de como a espessura restante é dividida entre os dois vãos, desde que a chapa não toque as placas.

Cuidado, armadilha! Não tratar a chapa metálica como um dielétrico comum: no condutor ideal o campo é nulo, removendo sua espessura da distância efetiva.

Alternativa correta: B

Q23
Eletricidade — Eletrodinâmica — Corrente elétrica média

Na figura, temos o gráfico da intensidade em função do tempo para uma corrente elétrica que percorre um fio. A intensidade média da corrente que passa por uma seção reta do fio entre os instantes $0$ e $6{,}0\ \text{s}$ é, em ampères,

Questão 23: diagrama original da prova AFA 2005
A)$1{,}0$
B)$1{,}5$
C)$2{,}0$
D)$2{,}5$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

A corrente média em um intervalo é a carga total que atravessa o fio dividida pelo tempo. Em um gráfico $i\times t$, a carga corresponde geometricamente à área compreendida entre a curva e o eixo do tempo.

De $0$ a $2\ \text{s}$, a corrente é $3\ \text{A}$. A área retangular é $Q_1=3\cdot2=6\ \text{C}$. De $2$ a $6\ \text{s}$, a corrente cai linearmente até zero e a área triangular é $Q_2=\frac12\cdot4\cdot3=6\ \text{C}$.

A carga total vale $Q=Q_1+Q_2=12\ \text{C}$. Logo $i_m=Q/\Delta t=12/6=2\ \text{A}$.

A corrente média corresponde à alternativa C. A área total é de dois blocos de mesma carga, mas com intervalos temporais diferentes.

Cuidado, armadilha! A média dos valores inicial e final não representa a média temporal da curva completa, pois o primeiro trecho é constante.

Alternativa correta: C

Q24
Eletricidade — Eletrodinâmica — Lâmpadas ligadas em paralelo

Três lâmpadas 1, 2 e 3 são conectadas a uma bateria, com tensão constante $U$, conforme a figura. Se a lâmpada 2 queimar, então

Questão 24: diagrama original da prova AFA 2005
A)a potência lançada pela bateria diminui.
B)as potências dissipadas pelas lâmpadas 1 e 3 aumentam.
C)a resistência equivalente do circuito diminui.
D)a corrente total do circuito permanece constante.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A
Resolução

A figura mostra três lâmpadas em paralelo conectadas à mesma bateria de tensão constante $U$. Portanto, a diferença de potencial em cada ramo é igual a $U$.

Se a lâmpada 2 queimar, seu ramo fica aberto. Os ramos das lâmpadas 1 e 3 continuam recebendo a tensão $U$, logo suas potências $P_1=U^2/R_1$ e $P_3=U^2/R_3$ não se alteram.

A corrente total diminui, pois a contribuição $I_2$ desaparece: $I_{tot}^{\prime}=I_1+I_3

A alternativa A está correta. A resistência equivalente aumenta quando se remove um dos ramos paralelos, sem mudar os outros ramos.

Cuidado, armadilha! Em paralelo, queimar uma lâmpada não implica aumento da potência das demais quando a bateria mantém tensão constante.

Alternativa correta: A

Q25
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência de fonte com reostato

No circuito abaixo, F é uma fonte de resistência interna desprezível, L uma lâmpada de resistência elétrica constante e R um reostato cuja resistência varia de $r_1$ até $r_2$. Dentre os gráficos apresentados abaixo, o que MELHOR representa a potência $P$ lançada pela fonte em função da resistência $R$ do reostato é o da alternativa

Questão 25: diagrama original da prova AFA 2005
A)
Questão 25: alternativa A — diagrama original
B)
Questão 25: alternativa B — diagrama original
C)
Questão 25: alternativa C — diagrama original
D)
Questão 25: alternativa D — diagrama original

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A
Resolução

A fonte F é ideal e aplica uma tensão constante $U$ aos dois ramos em paralelo: um contém o reostato de resistência $R$ e o outro contém a lâmpada de resistência fixa $R_L$.

As correntes são $I_R=U/R$ e $I_L=U/R_L$. A corrente total é $I=U/R+U/R_L$, e a potência entregue pela fonte vale $P=UI=U^2/R+U^2/R_L$.

Quando $R$ aumenta de $r_1$ para $r_2$, o termo $U^2/R$ diminui, enquanto o termo $U^2/R_L$ permanece constante. A curva decresce de forma não linear, tornando-se menos inclinada em módulo para valores maiores de $R$.

O gráfico compatível é o da alternativa A. A potência não cai até zero: mesmo para $R$ muito grande, a lâmpada continua consumindo energia.

Cuidado, armadilha! Esta não é uma aplicação da condição de máxima transferência de potência: a fonte tem resistência interna desprezível e sua tensão é fixa.

Alternativa correta: A

Q26
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Superposição de campos de espiras

A figura seguinte representa duas espiras circulares, concêntricas e coplanares, percorridas por correntes elétricas contínuas cujo sentido está indicado. O campo magnético gerado por estas duas espiras poderá ser nulo

Questão 26: diagrama original da prova AFA 2005
A)apenas em C.
B)apenas em D.
C)em C ou D.
D)em nenhum deles.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

C
Resolução

As duas espiras estão no mesmo plano e carregam correntes de sentidos opostos, como indicam as setas. A regra da mão direita determina a direção do campo de cada espira ao longo do eixo perpendicular ao plano.

No ponto C, que está na região central de ambas, cada espira produz campo perpendicular ao plano com sentido dado pela respectiva corrente. Como as correntes circulam em sentidos opostos, os dois campos em C também se opõem; para valores apropriados de $i_1$ e $i_2$, seus módulos podem ser iguais.

No ponto D, externo às duas espiras, a orientação do campo de cada uma é oposta à orientação correspondente na região central do seu próprio círculo. Como as correntes continuam opostas, as contribuições em D também têm sentidos contrários, possibilitando cancelamento para outra relação apropriada entre as correntes.

O verbo “poderá” indica possibilidade, não anulação simultânea em C e D. Portanto o campo resultante pode ser nulo em C ou D, alternativa C.

Cuidado, armadilha! Para pontos externos ao anel de corrente, não extrapole sem análise o sentido do campo encontrado no centro. Também não confunda “pode” com “necessariamente”.

Alternativa correta: C

Q27
Eletromagnetismo — Força Magnética — Elétron em campo magnético uniforme

Um campo magnético uniforme $\vec B$ é aplicado na direção e sentido do eixo $y$, onde um elétron é lançado no sentido positivo do eixo $z$. A trajetória descrita pelo elétron é

Questão 27: diagrama original da prova AFA 2005
A)retilínea, na direção do eixo Ox.
B)circular, situada no plano xz.
C)parabólica, situada no plano yz.
D)hélice cilíndrica, com eixo Oz.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

B
Resolução

O campo magnético aponta na direção $+y$ e a velocidade inicial do elétron aponta na direção $+z$. São direções perpendiculares; por isso a força magnética tem módulo $F=|q|vB$ e é perpendicular à velocidade em todos os instantes.

Uma força sempre perpendicular à velocidade não realiza trabalho e mantém o módulo da rapidez. Ela atua como força centrípeta, produzindo movimento circular uniforme.

O plano da órbita é perpendicular ao campo magnético: como $\vec B$ está no eixo $y$, a trajetória circular fica no plano $xz$. Isso corresponde à alternativa B.

O elétron tem carga negativa, o que inverte o sentido do vetor $\vec v\times\vec B$, mas não modifica o plano nem a forma da órbita.

Cuidado, armadilha! Órbita helicoidal ocorre quando há componente de velocidade paralela ao campo. Aqui a velocidade inicial é totalmente perpendicular a $\vec B$.

Alternativa correta: B

Q28
Eletromagnetismo — Força Magnética — Espectrômetro de massas

Espectrômetros de massa são aparelhos utilizados para determinar a quantidade relativa de isótopos dos elementos químicos. A figura mostra o esquema de um espectrômetro e a trajetória descrita por um íon de massa $m$ e carga $2e$. Esse íon é acelerado a partir do repouso, na região I, por um campo elétrico uniforme de intensidade $E$. Ao penetrar na região II, descreve uma trajetória circular sob efeito de um campo magnético de intensidade $B$. Desprezando-se as ações gravitacionais, a massa $m$ do íon pode ser calculada por

Questão 28: diagrama original da prova AFA 2005
A)$\dfrac{RB^2e}{2E}$
B)$\dfrac{REe}{B^2}$
C)$\dfrac{RB^2}{Ee}$
D)$\dfrac{eB^2}{2RE}$

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

A
Resolução

No espectrômetro, o íon sai do repouso, ganha energia cinética pela ação do campo elétrico e depois descreve uma semicircunferência no campo magnético. Devemos combinar trabalho elétrico e força magnética centrípeta.

O íon tem carga $q=2e$ e percorre, na região I, a distância $2R$ ao longo do campo. O trabalho elétrico é $W=qE(2R)=4eER$, igual à energia cinética de entrada na região II: $\frac12mv^2=4eER$.

Na região II, a força magnética é centrípeta: $qvB=mv^2/R$. Portanto $2evB=mv^2/R$, o que fornece $v=2eBR/m$. Substituindo na expressão da energia: $\frac12m\left(\frac{2eBR}{m}\right)^2=4eER$.

Simplificando, $\frac{2e^2B^2R^2}{m}=4eER$ e $m=\dfrac{eB^2R}{2E}$. O resultado coincide com a alternativa A.

Cuidado, armadilha! Cuidado com os dois fatores 2: a carga é $2e$ e o percurso de aceleração elétrica é $2R$. O campo magnético muda a direção da velocidade, mas não sua energia cinética.

Alternativa correta: A

Q29
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Lei de Faraday-Lenz e rotação

A figura a seguir mostra uma espira retangular $abcd$ imersa num campo magnético uniforme $\vec B$, que a atravessa perpendicularmente. Se metade da espira for girada no sentido anti-horário, como mostra a ilustração acima, pode-se afirmar que, durante este processo, a corrente elétrica induzida

Questão 29: diagrama original da prova AFA 2005
A)é constante.
B)varia linearmente com o tempo.
C)independe da velocidade de giro.
D)tem o sentido de b para a.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

D
Resolução

No arranjo da figura, a espira é inicialmente atravessada por um campo magnético uniforme, perpendicular à sua superfície. O giro de metade da espira altera a área efetiva perpendicular ao campo e, portanto, o fluxo magnético.

Pela lei de Faraday, a força eletromotriz induzida está associada à variação do fluxo: em intervalos finitos, o módulo médio é $|\mathcal E_m|=|\Delta\Phi|/\Delta t$. O fluxo inicial é máximo; durante o giro representado, sua contribuição da parte móvel diminui.

Pela lei de Lenz, a corrente induzida cria efeito magnético que se opõe a essa diminuição de fluxo. Aplicando a regra da mão direita à orientação da espira e ao sentido de giro representados, a corrente no segmento indicado circula de b para a.

Essa é a alternativa D. A intensidade da corrente não pode ser considerada constante, linear no tempo ou independente da velocidade do giro sem informações adicionais.

Cuidado, armadilha! A lei de Lenz determina a orientação da corrente em função da variação do fluxo. Sua intensidade depende da rapidez dessa variação e da resistência da espira.

Alternativa correta: D

Q30
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Espira atravessando uma região magnética

Uma espira metálica é abandonada, a partir do repouso, de uma altura $h$ acima do solo. Em determinado trecho, ela passa por uma região onde existe um campo magnético uniforme $\vec B$, conforme mostra a figura. Pode-se afirmar que

Questão 30: diagrama original da prova AFA 2005
A)há conservação da energia mecânica durante toda a queda.
B)sua velocidade final é menor que $\sqrt{2gh}$.
C)sua velocidade é constante quando totalmente imersa em $\vec B$.
D)sua aceleração diminui ao penetrar em $\vec B$ e aumenta ao abandonar a região de $\vec B$.

Gabarito provisório AFA 2005 — código 21

B
Resolução

Uma espira condutora cai atravessando uma região de campo magnético. Quando apenas parte dela atravessa a fronteira do campo, o fluxo magnético através de sua área varia e surgem corrente induzida e força magnética que se opõem ao movimento.

Na entrada, o fluxo aumenta; a indução produz efeito que dificulta a penetração, reduzindo a aceleração em comparação com $g$. Quando a espira fica inteiramente dentro de uma região de campo uniforme, o fluxo é constante e, idealmente, a corrente induzida cessa. Nesse trecho, a aceleração volta a $g$.

Na saída, o fluxo diminui, reaparece corrente induzida e ocorre nova força de oposição ao movimento. Há dissipação elétrica por efeito Joule durante as passagens pelas fronteiras: parte da energia potencial inicial é transformada em energia interna, não em energia cinética.

Assim, a energia cinética ao chegar ao solo é menor que $mgh$: $\frac12mv_f^2

Cuidado, armadilha! Uma espira inteiramente imersa em campo uniforme e estacionário não sofre necessariamente indução; o efeito aparece quando o fluxo varia nas fronteiras.

Alternativa correta: B

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