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AFA 2006

Academia da Força Aérea

Edição 2006 · Prova de Física, código 21 · aplicada em 04/09/2005 · Resolução Método TEF.

Q01
Mecânica — Cinemática — Gráficos de velocidade

O gráfico abaixo mostra como variou a velocidade de um atleta durante uma disputa de 100 m rasos. Sendo de 8,0 m/s a velocidade média deste atleta, pode-se afirmar que a velocidade v no instante em que ele cruzou a linha de chegada era, em m/s,

Figura original da questão 01 da AFA 2006
A)5,0
B)3,5
C)8,5
D)10

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

A estratégia é combinar a área sob o gráfico $v\times t$, que fornece o deslocamento, com a definição de velocidade média.

Os $100\ \text{m}$ e a velocidade média $8{,}0\ \text{m/s}$ dão o tempo total $t=100/8=12{,}5\ \text{s}$. As áreas inicial e intermediária são $S_1=12\cdot5{,}5/2=33\ \text{m}$ e $S_2=12(8{,}5-5{,}5)=36\ \text{m}$.

No trecho final, de $8{,}5$ a $12{,}5\ \text{s}$, a velocidade cai linearmente de $12$ para $v$. Assim, $100=33+36+(12+v)\cdot4/2$, donde $v=3{,}5\ \text{m/s}$. Alternativa B.

O valor obtido para a velocidade final é menor que o patamar intermediário, coerente com a desaceleração observada no trecho derradeiro do gráfico.

Cuidado, armadilha! Não confunda velocidade média com média aritmética das velocidades dos trechos: é preciso ponderar pelos intervalos de tempo, ou calcular a área total.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q02
Mecânica — Cinemática — Rolamento sem deslizamento

Um operário puxa a extremidade de um cabo que está enrolado num cilindro. À medida que o operário puxa o cabo o cilindro vai rolando sem escorregar. Quando a distância entre o operário e o cilindro for igual a 2 m (ver figura abaixo), o deslocamento do operário em relação ao solo será de

Figura original da questão 02 da AFA 2006
A)$1\ \text{m}$
B)$2\ \text{m}$
C)$4\ \text{m}$
D)$6\ \text{m}$

Gabarito provisório — Método TEF

C
Resolução

O cilindro rola sem escorregar enquanto o cabo é desenrolado de seu topo. O movimento da extremidade livre do cabo deve ser comparado ao movimento do eixo.

No rolamento puro, o ponto superior da borda do cilindro tem velocidade em relação ao solo igual ao dobro da velocidade de seu centro: $v_{topo}=2v_C$. O operário, que puxa o cabo sem deslizamento, avança com esse mesmo fator: $\Delta x_O=2\Delta x_C$.

Inicialmente, operário e cilindro estão lado a lado. A distância entre eles ao final é $\Delta x_O-\Delta x_C=2\ \text{m}$. Logo $\Delta x_C=2\ \text{m}$ e $\Delta x_O=4\ \text{m}$, alternativa C.

O operário deve puxar o cabo mais que o deslocamento do centro, pois uma parcela é utilizada no desenrolamento associado à rotação.

Cuidado, armadilha! A velocidade do ponto superior é $2v_C$, mas a do centro é só $v_C$; usar o mesmo deslocamento para ambos erra a razão.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q03
Mecânica — Cinemática — Movimento circular uniforme

Analise as afirmativas abaixo sobre movimento circular uniforme: I - A velocidade vetorial tem direção variável. II - A resultante das forças que atuam num corpo que descreve esse tipo de movimento não é nula. III - O módulo da aceleração tangencial é nulo. Está(ão) correta(s)

A)I apenas.
B)I e III apenas.
C)II e III apenas.
D)I, II e III.

Gabarito provisório — Método TEF

D
Resolução

No movimento circular uniforme, o módulo da velocidade permanece constante, mas sua direção varia continuamente.

A aceleração centrípeta tem módulo $a_c=v^2/R$, aponta para o centro e decorre de uma força resultante não nula. A aceleração tangencial, por sua vez, mede a variação do módulo da velocidade; portanto é nula no MCU.

As proposições I, II e III são verdadeiras. Logo a alternativa correta é D.

No MCU, rapidez constante não equivale a velocidade vetorial constante: há aceleração radial mesmo sem aceleração tangencial.

Cuidado, armadilha! “Uniforme” significa rapidez constante, não vetor velocidade constante. A aceleração vetorial pode ser diferente de zero.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q04
Mecânica — Cinemática — Transmissão por engrenagens

O movimento da coroa dentada ( A) de uma bicicleta é transmitido a uma catraca (B) localizada no eixo da roda traseira ( C) por meio de uma corrente. A opção que representa a bicicleta mais veloz para o mesmo número de pedaladas do ciclista é

A)
Questão 04: gráfico da alternativa A
B)
Questão 04: gráfico da alternativa B
C)
Questão 04: gráfico da alternativa C
D)
Questão 04: gráfico da alternativa D

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

O número de pedaladas determina quantas voltas a coroa dianteira completa. A corrente transmite a mesma velocidade tangencial à catraca traseira.

Sem deslizamento, $\omega_A r_A=\omega_B r_B$. Como a catraca B gira solidária à roda C, $\omega_C=\omega_B$, e a velocidade da bicicleta é $v=\omega_C r_C=\omega_A r_A r_C/r_B$.

Para o mesmo número de pedaladas, a maior velocidade corresponde à maior razão $r_A r_C/r_B$. Comparando os desenhos, a configuração A favorece essa razão; gabarito A.

A razão de transmissão aumenta com uma coroa dianteira maior e uma catraca traseira menor, sem modificar o número de pedaladas imposto.

Cuidado, armadilha! Não basta escolher a bicicleta com a maior roda. O tamanho relativo da coroa dianteira e da catraca traseira também altera a transmissão.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q05
Mecânica — Dinâmica — Impulso e propulsão

Um avião a jato, cuja massa é de 40 toneladas, ejeta, durante 5 segundos, 100 kg de gás e esse gás sofre uma variação de velocidade de 500 m/s. Com base nessas informações, analise as seguintes afirmativas: I - A variação da velocidade do avião é de 1,25 m/s. II - A força aplicada no avião é de 10 4 N. III - O impulso sofrido pelo avião vale 5.10 4 kg.m/s. Está(ão) correta(s)

A)apenas I.
B)apenas I e II.
C)apenas I e III.
D)I, II e III.

Gabarito provisório — Método TEF

D
Resolução

A ejeção de gases transfere quantidade de movimento ao avião. A ação é igual, em módulo, à reação, desconsideradas outras forças para o impulso analisado.

A massa ejetada é $100\ \text{kg}$, com variação de velocidade de $500\ \text{m/s}$: $|\Delta p|=100\cdot500=5{,}0\cdot10^4\ \text{kg\ m/s}$. Em $5\ \text{s}$, a força média vale $F=\Delta p/\Delta t=1{,}0\cdot10^4\ \text{N}$.

A massa do avião vale $40\ \text{t}=4{,}0\cdot10^4\ \text{kg}$; sua variação de velocidade é $\Delta v=5{,}0\cdot10^4/(4{,}0\cdot10^4)=1{,}25\ \text{m/s}$. As três afirmações são verdadeiras: alternativa D.

Como o gás é expelido para trás, a propulsão sobre o avião aponta para a frente, de acordo com o sentido da variação de momento.

Cuidado, armadilha! Não utilize $100\ \text{kg}$ como massa do avião e não esqueça o intervalo de $5\ \text{s}$ no cálculo da força média.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q06
Mecânica — Gravitação — Satélites geoestacionários

Os satélites de comunicação são operados normalmente em órbitas cuja velocidade angular ω é igual à da Terra, de modo a permanecerem imóveis em relação às antenas receptoras. Na figura abaixo, estão representados dois destes satélites, A e B, em órbitas geoestacionárias e em diferentes alturas. Sendo a massa de A maior que a de B, pode-se afirmar que as relações entre os módulos das velocidades vA e vB e os períodos de rotação T A e TB dos satélites A e B estão representados corretamente na alternativa

Figura original da questão 06 da AFA 2006
A)vA = vB e T A = T B
B)vA < vB e T A < T B
C)vA > vB e TA = T B
D)vA > vB e TA > T B

Gabarito provisório — Método TEF

C
Resolução

A condição cinemática de um satélite geoestacionário é compartilhar a velocidade angular da rotação terrestre.

Como $T=2\pi/\omega$, satélites com o mesmo $\omega$ têm períodos iguais. Pela relação $v=\omega r$, o satélite representado com maior raio orbital tem maior velocidade linear. No desenho, A é mais distante do centro terrestre que B.

Portanto, na leitura cinemática pretendida pelo item, $v_A>v_B$ e $T_A=T_B$, alternativa C. A massa própria dos satélites não determina essas relações.

A cinemática de mesma velocidade angular torna o período necessariamente comum; sob gravitação newtoniana, órbitas realmente geoestacionárias não podem ter alturas distintas.

Cuidado, armadilha! Ressalva física: órbitas circulares gravitacionais geoestacionárias em torno da mesma Terra devem ter o mesmo raio $r=(GM/\omega^2)^{1/3}$. Duas órbitas geoestacionárias de alturas distintas não são dinamicamente possíveis no modelo usual.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q07
Mecânica — Energia mecânica — Conservação e tempo de percurso

Duas partículas são lançadas nos pontos A e B com a mesma velocidade $v_0$, conforme a figura. Enquanto a partícula de massa $m$ passa por um trecho em elevação, a outra, de massa $M$, passa por uma depressão com a mesma forma e profundidade $h$. Desprezando quaisquer forças dissipativas, pode-se afirmar que a razão $t_A/t_B$, entre os tempos gastos pelas partículas para atingir os pontos D e C, é:

Figura original da questão 07 da AFA 2006
A)menor que 1, se m > M.
B)maior que 1, independentemente da razão m/M.
C)igual a 1, independentemente da razão m/M.
D)pode ser igual a 1, se m < M.

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

As duas partículas partem com a mesma rapidez e não perdem energia por atrito; suas massas desaparecem da equação de conservação de energia.

Para um deslocamento vertical de altura $y$, $\tfrac12mv^2+mgy=\tfrac12mv_0^2$ fornece $v^2=v_0^2-2gy$. Na elevação, $y>0$ e a rapidez diminui; na depressão de igual módulo, $y<0$ e a rapidez aumenta.

Como os percursos geométricos têm a mesma forma e extensão, o trajeto superior é feito com rapidez menor em cada ponto correspondente. Assim, $t_A>t_B$, logo $t_A/t_B>1$, independentemente das massas: alternativa B.

Como a energia mecânica é conservada, no ponto final da depressão a velocidade de B volta ao valor de entrada, sem determinar tempo de percurso igual.

Cuidado, armadilha! Uma partícula mais pesada não desce necessariamente mais rápido: o termo $m$ cancela na conservação de energia sem dissipação.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q08
Mecânica — Lançamento oblíquo — Quantidade de movimento no ápice

Uma partícula de massa m é lançada obliquamente com velocidade v0 próxima à superfície terrestre, conforme indica a figura abaixo. A quantidade de movimento adquirida pela partícula no ponto Q, de altura máxima, é

Figura original da questão 08 da AFA 2006
A)$mv_0$
B)$m\sqrt{v_0^2-2gh}$
C)$m\sqrt{2gh}$
D)$m\sqrt{v_0^2/2-gh}$

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

No ponto mais alto de um lançamento oblíquo, a componente vertical da velocidade é nula; resta somente a horizontal.

Como a subida ocorre sem resistência do ar, $\tfrac12mv_0^2=\tfrac12mv_Q^2+mgh$. Portanto $v_Q^2=v_0^2-2gh$ e $v_Q=\sqrt{v_0^2-2gh}$.

O módulo da quantidade de movimento no ápice é $p_Q=mv_Q=m\sqrt{v_0^2-2gh}$, alternativa B. A condição $v_0^2\ge 2gh$ garante a possibilidade de atingir a altura fornecida.

Se a altura máxima fosse zero, a expressão reduziria a $mv_0$; aumentando a altura, diminui o módulo do momento no ápice.

Cuidado, armadilha! No ápice a velocidade vertical é zero, mas a velocidade total não é necessariamente zero.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q09
Mecânica — Dinâmica — Atrito em dois blocos

Os blocos A e B, de massas $2\ \text{kg}$ e $3\ \text{kg}$, respectivamente, estão ligados por um fio ideal. O sistema é submetido a força constante $F=15\ \text{N}$, deslocando-se com aceleração de $1\ \text{m/s}^2$, conforme a figura. Se a tração no fio é $9\ \text{N}$, a razão entre os coeficientes de atrito dos blocos A e B com a superfície é:

Figura original da questão 09 da AFA 2006
A)$\dfrac13$
B)$\dfrac32$
C)$\dfrac23$
D)$1$

Gabarito provisório — Método TEF

D
Resolução

O conjunto tem aceleração conhecida, e a tração no fio permite estudar cada bloco separadamente.

No bloco B ($3\ \text{kg}$), $T-f_B=m_Ba$, logo $f_B=9-3\cdot1=6\ \text{N}$ e $\mu_B=6/(3\cdot10)=0{,}20$. No bloco A ($2\ \text{kg}$), $F-T-f_A=m_Aa$, logo $f_A=15-9-2=4\ \text{N}$.

Assim, $\mu_A=4/(2\cdot10)=0{,}20$, de modo que $\mu_A/\mu_B=1$. Alternativa D.

Os coeficientes encontrados são não negativos e reproduzem o mesmo movimento acelerado quando reinseridos nas duas equações de força.

Cuidado, armadilha! A tração é força interna para o sistema completo, mas é indispensável quando se aplica a segunda lei a cada bloco.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q10
Mecânica — Estática — Equilíbrio de barra em dois apoios

Uma barra rígida homogênea de comprimento 2 L e massa m está apoiada em dois suportes A e B, como mostra a figura abaixo. O gráfico que melhor indica a intensidade NA da reação que o apoio A exerce sobre a barra, em função da intensidade da r força F aplicada na extremidade é

Figura original da questão 10 da AFA 2006
A)
Questão 10: gráfico da alternativa A
B)
Questão 10: gráfico da alternativa B
C)
Questão 10: gráfico da alternativa C
D)
Questão 10: gráfico da alternativa D

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

Uma barra rígida em equilíbrio satisfaz as condições de força resultante vertical nula e torque resultante nulo.

Os apoios estão em $x=L/2$ e $x=3L/2$, o centro de massa em $x=L$ e a força externa aplicada em $x=2L$. Tomando momentos em B, $-N_A L+mg(L/2)-F(L/2)=0$, logo $N_A=(mg-F)/2$.

A reação em A diminui linearmente com $F$ e zera quando $F=mg$; o gráfico retilíneo correspondente no quadro original é o da alternativa A, conforme gabarito da edição.

O limite $F=mg$ representa perda de contato no apoio A. O intercepto e o sentido da inclinação conferem a forma do gráfico escolhido.

Cuidado, armadilha! O apoio não pode exercer reação normal negativa. Após o ponto de perda de contato, o modelo com dois apoios deixa de valer.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q11
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e flutuação

Uma pessoa deita-se sobre uma prancha de madeira que flutua mantendo sua face superior no mesmo nível da superfície da água. A pranc ha tem 2 m de comprimento, 50 cm de largura e 15 cm de espessura. As densidades da água e da madeira são, respectivamente, 1000 kg/m 3 e 600 kg/m 3. Considerando g = 10 m/s 2, pode-se afirmar que o peso da pessoa é

Figura original da questão 11 da AFA 2006
A)600 N
B)700 N
C)400 N
D)500 N

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

A face superior da prancha fica no nível da água: o volume inteiro da madeira encontra-se submerso, e o empuxo sustenta a prancha e a pessoa.

O volume é $V=2\cdot0{,}50\cdot0{,}15=0{,}15\ \text{m}^3$. O empuxo máximo é $E=1000\cdot10\cdot0{,}15=1500\ \text{N}$ e o peso da prancha é $P_m=600\cdot10\cdot0{,}15=900\ \text{N}$.

No equilíbrio, $E=P_m+P_p$, logo $P_p=1500-900=600\ \text{N}$. Alternativa A.

O peso total suportado pelo empuxo é $1500\ \text{N}$; subtrair o peso da própria madeira deixa exatamente o peso da pessoa.

Cuidado, armadilha! Não use apenas a diferença de densidades: é necessário multiplicá-la pelo volume total e por $g$.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q12
Termologia — Dilatação térmica — Líquido em recipiente

Um líquido é colocado em um recipiente ocupando $75\%$ de seu volume. Ao aquecer o conjunto (líquido + recipiente), verifica-se que o volume da parte vazia não se altera. A razão entre os coeficientes de dilatação volumétrica do material do recipiente e do líquido, $\gamma_M/\gamma_L$, é:

A)$1$
B)$\dfrac34$
C)$\dfrac43$
D)$\dfrac14$

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

A parte vazia deve manter seu volume inalterado quando líquido e recipiente se dilatam. Isso só acontece quando o acréscimo de capacidade é igual ao acréscimo de volume do líquido.

$\Delta V_{rec}=\gamma_M V_{rec}\Delta T$ e $\Delta V_{liq}=\gamma_L V_{liq}\Delta T$. Igualando, $\gamma_M/\gamma_L=V_{liq}/V_{rec}=0{,}75$.

Portanto, $\gamma_M/\gamma_L=3/4$, alternativa B. O resultado é adimensional e reflete a fração inicialmente ocupada.

Com $\gamma_M/\gamma_L=0{,}75$, a dilatação da capacidade do recipiente compensa precisamente a dilatação dos $75\%$ preenchidos.

Cuidado, armadilha! A fração vazia de $25\%$ não é a razão procurada: interessa o volume inicialmente preenchido.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q13
Termologia — Densidade — Anomalia da água

Dispõe-se de uma balança de braços iguais e recipientes idênticos contendo água cuja temperatura está indicada na figura de cada alternativa. Aquela que mostra corretamente a situação de equilíbrio é

A)
Questão 13: gráfico da alternativa A
B)
Questão 13: gráfico da alternativa B
C)
Questão 13: gráfico da alternativa C
D)
Questão 13: gráfico da alternativa D

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

Para massas iguais de água em recipientes idênticos, a indicação depende da relação entre densidade, temperatura e volume.

A densidade da água atinge seu máximo por volta de $4\ ^\circ\text{C}$. Para igual volume, o lado com água a $4\ ^\circ\text{C}$ tem maior massa que o com água a $10\ ^\circ\text{C}$, e a balança tende a baixar daquele lado.

O desenho compatível com a comparação física da prova é a alternativa B. A análise das demais figuras também exige respeitar o caráter não monotônico da densidade da água perto de $4\ ^\circ\text{C}$.

A água a $4\ ^\circ\text{C}$ possui densidade maior que a água a $10\ ^\circ\text{C}$; a posição do fiel deve refletir essa comparação.

Cuidado, armadilha! A água apresenta comportamento anômalo entre $0$ e $4\ ^\circ\text{C}$; não se deve supor que sua densidade sempre diminua com a temperatura.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q14
Termologia — Calorimetria — Calor específico variável

Entre $5\ ^\circ\text{C}$ e $50\ ^\circ\text{C}$, o calor específico de determinada substância varia com a temperatura segundo $c=\dfrac{t}{60}+\dfrac{2}{15}$, sendo $c$ dado em $\text{cal}/(\text{g}\cdot{}^\circ\text{C})$ e $t$ em graus Celsius. A quantidade de calor necessária para aquecer $60\ \text{g}$ de $10\ ^\circ\text{C}$ até $22\ ^\circ\text{C}$ é:

A)350 cal
B)120 cal
C)480 cal
D)288 cal

Gabarito provisório — Método TEF

D
Resolução

O calor específico varia com a temperatura: a energia necessária não é obtida tomando um único valor arbitrário de $c$.

Na faixa considerada, $c(T)=T/60+2/15$, em $\text{cal}/(\text{g}\ ^\circ\text{C})$. A função é linear, por isso o valor médio é a média dos extremos: $c(10)=0{,}30$ e $c(22)=0{,}50$, logo $c_{m}=0{,}40$.

Para $m=60\ \text{g}$ e $\Delta T=22-10=12\ ^\circ\text{C}$, $Q=mc_m\Delta T=60\cdot0{,}40\cdot12=288\ \text{cal}$. Alternativa D.

O calor específico médio $0{,}40$ está entre os valores inicial e final, e o calor fornecido é positivo, coerente com aquecimento.

Cuidado, armadilha! A média do calor específico pelos valores extremos só funciona diretamente porque a dependência indicada é linear.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q15
Termologia — Transmissão de calor — Condução estacionária

A figura mostra uma barra metálica de secção reta constante sendo aquecida por uma chama de um fogareiro. Quando se estabelece o regime estacionário de condução do calor, os termômetros A e C registram 200 °C e 80 °C, respectivamente. Assim, a leitura no termômetro B será de

Figura original da questão 15 da AFA 2006
A)100 °C
B)125 °C
C)140 °C
D)155 °C A B C 50 cm 80 cm 3

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

Em uma barra homogênea e de seção constante, sem perdas laterais, o fluxo de calor estacionário impõe um gradiente de temperatura linear ao longo do comprimento.

Entre A e C, há diferença de $200-80=120\ ^\circ\text{C}$ em $80\ \text{cm}$. Entre A e B a distância é $50\ \text{cm}$, de modo que $\Delta T_{AB}=120(50/80)=75\ ^\circ\text{C}$.

A temperatura em B vale $T_B=200-75=125\ ^\circ\text{C}$, alternativa B.

O resultado $125\ ^\circ\text{C}$ está entre $200$ e $80\ ^\circ\text{C}$ e corresponde à proporção geométrica $50/80$.

Cuidado, armadilha! Não assuma B no ponto médio: o desenho fornece $AB=50\ \text{cm}$ e $AC=80\ \text{cm}$.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q16
Termologia — Transmissão de calor — Tela metálica condutora

Uma das aplicações do fenômeno da condução térmica é o uso de telas metálicas. Sabe-se que, colocando um recipiente de vidro comum diretamente numa chama, ele se rompe. No entanto, interpondo uma tela metálica entre a chama e o recipiente, a ruptura não acontece porque

A)os gases não queimam na região logo acima da tela, pois ali a temperatura não alcança valores suficientemente elevados.
B)há uma diferença entre os coeficientes de dilatação linear da tela e do recipiente.
C)a tela, por ser boa condutora, transmite rapidamente o calor para todos os pontos de sua própria extensão.
D)como são dois corpos, o aumento da temperatura não é suficiente para que seja verificada uma dilatação aparente.

Gabarito provisório — Método TEF

C
Resolução

A tela metálica possui alta condutividade térmica, que facilita a redistribuição do calor da chama ao longo da própria malha.

Sem a tela, a chama pode aquecer de modo muito localizado o vidro comum, produzindo dilatações desiguais e tensões térmicas capazes de romper o recipiente. A tela distribui parte da energia por uma área maior, reduzindo a intensidade de gradientes locais.

A alternativa compatível com esse mecanismo é C. Não se trata de impedir toda transferência de calor, mas de evitar um aquecimento demasiadamente localizado.

O propósito da tela é distribuir o fluxo térmico; se isolasse totalmente a chama, não haveria aquecimento útil do recipiente.

Cuidado, armadilha! A presença da tela não elimina a dilatação térmica do vidro; ela atenua diferenças locais de temperatura.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q17
Termologia — Gases ideais — Êmbolo entre reservatórios

Um sistema é formado por dois reservatórios, A e B, de mesmo volume, ligados por um tubo longo, com área de secção transversal constante e igual a S, conforme indica o esquema abaixo: Enche-se os reservatórios com dois tipos de gases ideais, à mesma temperatura absoluta T0 e mesmo volume V0, que ficam separados por um êmbolo que pode deslizar sem atrito. O êmbolo permanece no interior do tubo durante uma transformação em que a temperatura do gás do reservatório A é duplicada, enquanto o gás do reservatório B é mantido sob temperatura constante T 0. Assim, o deslocamento do êmbolo foi de

Figura original da questão 17 da AFA 2006
A)$\dfrac{2V_0}{S}$
B)$\dfrac{V_0}{3S}$
C)$3SV_0$
D)$\dfrac{4V_0}{3S}$

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

O êmbolo é livre e sem atrito, logo a pressão final deve ser a mesma nos dois reservatórios. As quantidades de matéria são inicialmente iguais pelas condições dadas.

Se ele se desloca $x$ para o lado B, $V_A=V_0+Sx$ e $V_B=V_0-Sx$. Pela lei dos gases, $p_A\propto 2T_0/(V_0+Sx)$ e $p_B\propto T_0/(V_0-Sx)$. Igualando as pressões: $2(V_0-Sx)=V_0+Sx$.

Daí $3Sx=V_0$ e $x=V_0/(3S)$, alternativa B. O deslocamento reduz o volume do lado que permanece mais frio.

O deslocamento obtido é menor que $V_0/S$, preservando volumes positivos de ambos os lados e permitindo equilíbrio de pressões.

Cuidado, armadilha! A pressão final é igual nos dois lados, mas os volumes finais não precisam ser iguais, porque as temperaturas são diferentes.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q18
Termologia — Termodinâmica — Rendimento máximo de Carnot

Com recursos naturais cada vez mais escassos, urge-se pensar em novas fontes alternativas de energia. Uma das idéias sugeridas consiste em se aproveitar a energia térmica dos oceanos, cuja água pode apresentar em uma superfície uma temperatura de 20 °C e no fundo temperatura em torno de 5,0 °C. Um motor térmico operando neste intervalo de temperatura po deria ter um rendimento de

A)3,0%
B)7,5%
C)9,0%
D)27%

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

A máxima eficiência de uma máquina térmica que trabalha entre duas temperaturas é a de Carnot: $\eta_{max}=1-T_f/T_q$, com temperaturas absolutas.

$T_q=20+273=293\ \text{K}$ e $T_f=5+273=278\ \text{K}$. Portanto $\eta_{max}=1-278/293=15/293\approx0{,}0512$, ou aproximadamente $5{,}1\%$.

Dentre os rendimentos propostos, somente $3{,}0\%$ não ultrapassa esse limite; alternativa A. A máquina real necessariamente apresenta rendimento inferior ao máximo ideal.

O limite de Carnot é próximo de $5\%$; a opção de $3\%$ é a única compatível com uma máquina real operando nessas temperaturas.

Cuidado, armadilha! Não use $20$ e $5$ diretamente na fórmula: as temperaturas precisam estar em kelvin.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q19
Termologia — Gases ideais — Transformação isobárica

A figura mostra um cilindro que contém um gás ideal, com um êmbolo livre para se mover sem atrito. À temperatura de 27 °C, a altura h na qual o êmbolo se encontra em equilíbrio vale 20 cm. Aquecendo-se o cilindro à temperatura de 39 °C e mantendo-se inalteradas as demais características da mistura, a nova altura h será, em cm,

Figura original da questão 19 da AFA 2006
A)10,8
B)20,4
C)20,8
D)10,4

Gabarito provisório — Método TEF

C
Resolução

O êmbolo livre, submetido às mesmas condições externas, mantém a pressão do gás constante enquanto ele é aquecido.

Pela lei de Charles, $V/T$ é constante; como a área do cilindro é fixa, $h/T$ também é constante. Convertendo: $T_1=27+273=300\ \text{K}$ e $T_2=39+273=312\ \text{K}$.

$h_2=h_1T_2/T_1=20(312/300)=20{,}8\ \text{cm}$, alternativa C.

O pequeno crescimento de temperatura absoluta, de $300$ a $312\ \text{K}$, justifica um aumento da altura de apenas $4\%$.

Cuidado, armadilha! A variação de $12\ ^\circ\text{C}$ não corresponde a crescimento de $12/27$ do volume; use temperaturas absolutas.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q20
Óptica — Refração — Luz e som na interface ar–água

Considere uma superfície de separação plana e horizontal entre o ar e a água. Se uma onda luminosa (L) e uma onda sonora (S) incidem sobre essa superfície, com um ângulo de incidência θ, a opção que MELHOR ilustra a configuração física das ondas luminosa e sonora, que se refratam é

A)
Questão 20: gráfico da alternativa A
B)
Questão 20: gráfico da alternativa B
C)
Questão 20: gráfico da alternativa C
D)
Questão 20: gráfico da alternativa D

Gabarito provisório — Método TEF

B
Resolução

A luz e o som sofrem refração ao passar do ar para a água, mas suas velocidades se alteram de maneira diferente.

Para a luz, o índice de refração da água é maior, logo a velocidade diminui e o raio refratado aproxima-se da normal. Para o som, a velocidade de propagação é maior na água que no ar; pela refração de ondas, o raio se afasta da normal, quando a transmissão é possível.

O par de trajetórias que mostra essas duas tendências é o da alternativa B.

A refração depende da razão entre velocidades de propagação nos meios, e não de o fenômeno ser sempre chamado de “refração”.

Cuidado, armadilha! Não aplique à onda sonora a regra visual memorizada para raios luminosos: compare primeiro as velocidades em cada meio.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q21
Óptica — Lentes — Lente com dois índices de refração

Considere um objeto AB colocado sobre o eixo óptico de uma lente delgada biconvexa de raio de curvatura R, composta por dois meios transparentes com índices de refração n1 = 2 e n2 = 4, como mostra a figura abaixo: A imagem que se obterá com essa lente será

A)
Questão 21: gráfico da alternativa A
B)
Questão 21: gráfico da alternativa B
C)
Questão 21: gráfico da alternativa C
D)
Questão 21: gráfico da alternativa D

Gabarito provisório — Método TEF

D
Resolução

As duas partes da lente têm curvaturas iguais, mas índices de refração distintos. Cada parte atua como lente convergente de distância focal própria.

Pela relação dos fabricantes de lentes no ar, $1/f=(n-1)(1/R_1-1/R_2)$, com $R_1=R$ e $R_2=-R$. Assim, $f=R/[2(n-1)]$: a região com $n=4$ tem menor distância focal que aquela com $n=2$.

As duas regiões formam imagens distintas do objeto, com distâncias e ampliações diferentes, mantendo a orientação prevista pela equação de Gauss para o objeto representado. O desenho correspondente é D.

Os índices $n_1$ e $n_2$ alteram as distâncias focais: não se pode identificar uma única distância de conjugação para as duas regiões da lente.

Cuidado, armadilha! Tratar a lente composta como se tivesse um único índice apaga a diferença entre as duas imagens.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q22
Ondulatória — MHS — Associação de molas e massas

Três molas ideais iguais, em paralelo, sustentam por uma haste sem massa dois corpos $M$ e $m$, com $M=2m$. O conjunto oscila verticalmente em MHS de frequência $f_1$. Se forem cortados simultaneamente o fio que une a massa $m$ ao sistema e a mola central, o conjunto passará a oscilar com frequência $f_2$. A razão $f_2/f_1$ será:

Figura original da questão 22 da AFA 2006
A)$1$
B)$\dfrac12$
C)$2$
D)$\dfrac23$

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

A frequência de um oscilador massa-mola é $f=(1/2\pi)\sqrt{k_{eq}/M_{eq}}$. Mudar simultaneamente o número de molas e a massa exige comparar as duas razões.

Inicialmente, as três molas em paralelo dão $k_1=3k$, e as massas $M+m=3m$, pois $M=2m$. Após o corte, restam duas molas: $k_2=2k$, e somente a massa $M=2m$.

Logo $f_2/f_1=\sqrt{(2k/2m)/(3k/3m)}=1$. Alternativa A. O novo equilíbrio vertical pode mudar, mas a frequência não.

A nova razão entre constante elástica total e massa oscilante permanece $k/m$, razão por que a frequência não muda.

Cuidado, armadilha! Não use a elongação estática para calcular a frequência sem considerar a alteração simultânea da massa total.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q23
Eletricidade — Eletrostática — Estabilidade de equilíbrio

Duas pequenas esferas eletrizadas com cargas positivas iguais estão fixas nos pontos A e B, como mostra a figura abaixo: Considerando apenas a influência de forças elétricas sobre uma carga q de prova em equilíbrio no ponto P, afirma-se que I - se q é positiva, então está em equilíbrio estável em relação ao segmento AB. II - se q é negativa, então está em equilíbrio instável em relação à mediatriz do segmento AB. III - se q é negativa, então está em equilíbrio instável em relação ao segmento AB. IV - se q é positiva, então está em equilíbrio estável em relação à mediatriz do segmento AB. Estão corretas apenas

Figura original da questão 23 da AFA 2006
A)I e II.
B)II e III.
C)III e IV.
D)I e III.

Gabarito provisório — Método TEF

D
Resolução

No ponto médio entre cargas fixas positivas iguais, o campo elétrico resultante é nulo. A estabilidade precisa ser verificada para perturbações em direções diferentes.

Ao longo do segmento AB, uma carga de prova positiva deslocada ligeiramente para perto de A recebe repulsão maior de A e tende a retornar ao meio; equilíbrio estável. Para carga de prova negativa, a força aponta para o lado da perturbação; equilíbrio instável.

Na direção perpendicular (mediatriz), o sinal do comportamento inverte: uma prova positiva é afastada do ponto médio, e uma negativa tende a retornar. Assim, as assertivas I e III são verdadeiras, alternativa D.

No ponto central, a força resultante é nula para qualquer sinal de $q$, mas o caráter de estabilidade depende da direção do deslocamento.

Cuidado, armadilha! Um ponto de campo elétrico nulo pode ser estável numa direção e instável noutra; não atribua estabilidade global sem verificar as direções.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q24
Eletricidade — Eletrostática — Deflexão em placas paralelas

Uma partícula de carga $q$ e massa $m$ penetra perpendicularmente às linhas de força de um campo elétrico uniforme $\vec E$ com a menor velocidade suficiente para sair sem tocar as placas, como mostra a figura. A velocidade com que ela deixa o campo elétrico é:

Figura original da questão 24 da AFA 2006
A)$\sqrt{\dfrac{EqL^2}{2md}}$
B)$\sqrt{\dfrac{2Eq d}{m}}$
C)$\sqrt{\dfrac{Eq}{m}\left(\dfrac{L^2+4d^2}{2d}\right)}$
D)$\sqrt{\dfrac{Eq}{m}\left(\dfrac{L+d}{L^2}\right)}$

Gabarito provisório — Método TEF

C
Resolução

No campo elétrico uniforme, a partícula apresenta movimento horizontal uniforme e movimento vertical uniformemente acelerado.

Partindo da linha média, ela precisa subir $d/2$ no comprimento horizontal $L$. Com $a_y=qE/m$, $d/2=a_yt^2/2$, logo $t^2=md/(qE)$. A menor velocidade horizontal de entrada é $v_x=L/t$, enquanto a componente vertical na saída vale $v_y=a_yt$.

A rapidez de saída obedece $v_s^2=v_x^2+v_y^2=(qE/m)(L^2/d+d)$, isto é, $v_s=\sqrt{qE(L^2+d^2)/(md)}$. Deve-se comparar a expressão com as formas algébricas impressas no PDF; o gabarito fornecido marca C.

A velocidade de saída deve reunir a componente inicial horizontal e a componente vertical adquirida; a comparação com as expressões impressas permanece sob ressalva matemática.

Cuidado, armadilha! Não suponha velocidade constante: a componente horizontal é constante, mas o campo aumenta continuamente a componente vertical.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q25
Eletricidade — Eletrostática — Indução em casca condutora

Uma casca metálica esférica e não eletrizada envolve uma partícula eletrizada. Afirma-se que I - a casca esférica não interfere no campo elétrico gerado pela partícula. II - em pontos exteriores à casca o campo elétrico é nulo. III - qualquer ponto interior à casca apresenta o mesmo potencial elétrico. Está(ão) correta(s) apenas

A)I.
B)II e III.
C)III.
D)I e II.

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

A partícula interna polariza a casca condutora inicialmente neutra: surgem cargas induzidas na superfície interna e na externa, e o campo no metal deve ser nulo.

No modelo esfericamente simétrico implícito no gabarito, a casca não altera o campo radial da carga situada no centro da cavidade. Contudo, fora do metal existe campo, porque a carga total do conjunto permanece igual à da partícula; logo II é falsa.

O potencial elétrico é constante no próprio material condutor, não necessariamente em cada ponto da cavidade. A afirmação III, lida literalmente, é falsa. O gabarito provisório indica I, alternativa A, sob a hipótese de simetria.

Uma superfície equipotencial do metal não é sinônimo de todo o interior vazio equipotencial; é essencial distinguir condutor e cavidade.

Cuidado, armadilha! Ressalva de precisão: se a carga não estiver centrada, a casca altera o campo dentro da cavidade. A redação não explicita essa hipótese; requer auditoria conceitual.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q26
Eletricidade — Eletrodinâmica — Reostato e potência dissipada

Uma bateria fornece tensão constante U e está ligada a um fio homogêneo AB de seção transversal constante e comprimento L, conforme mostra o circuito esquematizado abaixo: Variando a posição do cursor C, a potência dissipada pelo fio AB será 4 L x =

Figura original da questão 26 da AFA 2006
A)máxima em $x=L/4$
B)máxima em $x=L/2$
C)mínima em $x=L/2$
D)mínima em $x=L/4$

Gabarito provisório — Método TEF

C
Resolução

O cursor divide o fio homogêneo AB em dois trechos de resistências proporcionais aos comprimentos $x$ e $L-x$. O circuito os coloca em paralelo entre o cursor e o nó de potencial comum das extremidades.

Se $R_0$ é a resistência total, $R_1=R_0x/L$ e $R_2=R_0(L-x)/L$. O equivalente vale $R_{eq}=R_1R_2/(R_1+R_2)=R_0x(L-x)/L^2$.

Como a bateria mantém $U$ constante, $P=U^2/R_{eq}$ é mínima quando $R_{eq}$ é máxima. O produto $x(L-x)$ atinge máximo em $x=L/2$. Portanto a potência é mínima no centro, alternativa C.

O equivalente é simétrico em $x$ e $L-x$, de modo que a potência possui mesmo valor em posições equidistantes do centro.

Cuidado, armadilha! Buscar o mínimo da potência não é buscar o mínimo da resistência: sob tensão fixa, $P=U^2/R$ decresce quando $R$ aumenta.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q27
Eletricidade — Eletrodinâmica — Gerador funcionando como receptor

No circuito abaixo, para que a bateria de f.e.m. ε1 e resistência interna r 1 funcione como receptor, o valor da resistência R poderá ser igual a

Figura original da questão 27 da AFA 2006
A)15
B)20
C)25
D)30

Gabarito provisório — Método TEF

D
Resolução

Para uma bateria funcionar como receptor, a corrente deve entrar por seu terminal positivo; isso ocorre quando o potencial nos terminais imposto pelo circuito excede sua f.e.m.

As duas fontes indicadas possuem f.e.m. de $27$ e $28\ \text{V}$, ambas com resistência interna $1\ \Omega$, em paralelo com o ramo de resistência $R$. Tomando $V$ como a tensão comum, a lei dos nós fornece $V=(27+28)/(2+1/R)$.

Para a fonte de $27\ \text{V}$ receber corrente, exigimos $V>27$. Assim, $55>54+27/R$, logo $R>27\ \Omega$. Entre as opções, $30\ \Omega$ serve: alternativa D.

Um dispositivo receptor absorve potência elétrica; a corrente deve atravessar seus terminais no sentido oposto ao de funcionamento gerador.

Cuidado, armadilha! Uma fonte pode funcionar como gerador ou receptor no mesmo circuito conforme o sentido real da corrente que a atravessa.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q28
Eletricidade — Eletrodinâmica — Ponte resistiva e voltímetro ideal

Considere o circuito da figura. A leitura do voltímetro ideal $V$ é:

Figura original da questão 28 da AFA 2006
A)$\dfrac E2$
B)$\dfrac E3$
C)$\dfrac{2E}3$
D)$\dfrac{3E}4$

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

Um voltímetro ideal não conduz corrente. Portanto os dois ramos da ponte podem ser examinados isoladamente para calcular os potenciais de seus pontos médios.

Os ramos superiores e inferiores têm resistência $3R$ cada, associados em paralelo: $R_p=3R/2$. O resistor de $R/2$ do ramo da bateria fica em série, dando $R_{total}=2R$. A tensão na ponte é $U_p=(3R/2)/(2R)\,E=3E/4$.

Em cada ramo, a divisão de tensão nas razões $R:2R$ e $2R:R$ coloca os pontos médios separados por $U_p/3=E/4$. Essa leitura direta do diagrama requer confronto com as alternativas: o gabarito provisório marca A, enquanto o valor calculado não aparece explicitamente entre as opções transcritas. Questão sinalizada para revisão do desenho/contatos.

O cálculo entre os pontos médios da ponte resulta $E/4$, valor ausente nas alternativas: registrar a divergência evita homologar uma resposta física não sustentada.

Cuidado, armadilha! Não confunda diferença de potencial entre os pontos médios com a tensão total da ponte; verifique também se o resistor inferior está realmente em série com a fonte.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q29
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Espira em rotação

A figura abaixo mostra uma espira condutora quadrada, de lado l = 0,1 m, que gira com velocidade angular ω constante em torno do eixo z num campo magnético uniforme de intensidade B = 1T, na direção do eixo x. A velocidade angular da espira para que seja induzida uma f.e.m. de, no máximo, 10 V é

Figura original da questão 29 da AFA 2006
A)100 rad/s
B)200 rad/s
C)1000 rad/s
D)2000 rad/s

Gabarito provisório — Método TEF

C
Resolução

A espira quadrada gira em campo uniforme, fazendo variar o fluxo magnético e produzindo f.e.m. induzida senoidal.

O fluxo é $\Phi=BA\cos(\omega t)$, e a lei de Faraday fornece amplitude $\mathcal E_{max}=BA\omega$. Com $B=1\ \text{T}$ e lado $\ell=0{,}10\ \text{m}$, a área é $A=\ell^2=0{,}01\ \text{m}^2$.

Exigindo $10\ \text{V}=1\cdot0{,}01\cdot\omega$, obtemos $\omega=1000\ \text{rad/s}$, alternativa C.

A expressão da f.e.m. máxima tem dimensões de volt e cresce proporcionalmente à velocidade angular, como previsto pela lei de Faraday.

Cuidado, armadilha! O fluxo tem amplitude $BA$, mas a f.e.m. tem amplitude $BA\omega$. Não confunda as unidades de fluxo e tensão.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q30
Eletromagnetismo — Força magnética — Espectrômetro de massas

O esquema representa um espectrômetro de massa. Um íon de carga $+q$, inicialmente praticamente em repouso, é acelerado por uma diferença de potencial $U$ e entra num campo magnético uniforme $B$. Ali, percorre uma semicircunferência de raio $r$ e impressiona uma placa fotográfica. Qual expressão fornece a massa do íon?

Figura original da questão 30 da AFA 2006
A)$\dfrac{B^2r^2|q|}{2U}$
B)$\dfrac{2B^2r^2}{U|q|}$
C)$\dfrac{B^2r^2}{2U|q|}$
D)$\dfrac{2B^2r^2|q|}{U}$

Gabarito provisório — Método TEF

A
Resolução

O íon é acelerado por diferença de potencial e depois curva em campo magnético uniforme, que altera sua direção sem alterar sua rapidez.

O trabalho elétrico vira energia cinética: $|q|U=mv^2/2$. Na região magnética, $|q|vB=mv^2/r$, logo $v=|q|Br/m$. Substituindo na energia: $|q|U=|q|^2B^2r^2/(2m)$.

Isolando, $m=|q|B^2r^2/(2U)$, alternativa A. Um íon mais massivo, submetido aos mesmos $U$, $B$ e $q$, descreve trajetória de raio maior.

A substituição da massa calculada nas equações $qU=mv^2/2$ e $qvB=mv^2/r$ reproduz simultaneamente energia e raio.

Cuidado, armadilha! Não introduza trabalho da força magnética: a força é perpendicular à velocidade e não altera a energia cinética.

Alternativa indicada no gabarito: A

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