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AFA 2008

Academia da Força Aérea

Edição 2008 · Prova de Física, código 21 · aplicada em 02/09/2007 · Resolução Método TEF.

Q01
Mecânica — Cinemática — Mudança de sentido da velocidade

Uma partícula move-se com velocidade de $50\ \text{m/s}$. Sob a ação de aceleração de módulo $0{,}2\ \text{m/s}^2$, ela chega a atingir a mesma velocidade no sentido contrário. O tempo necessário para essa inversão de sentido, em segundos, é:

A)500
B)250
C)100
D)50

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

A partícula passa de uma velocidade em certo sentido para uma velocidade de mesmo módulo, mas sentido contrário.

Adotando o sentido inicial como positivo, $v_i=+50\ \text{m/s}$ e $v_f=-50\ \text{m/s}$. Portanto, $\Delta v=v_f-v_i=-100\ \text{m/s}$. A aceleração contrária ao movimento tem módulo $0{,}2\ \text{m/s}^2$.

Pela relação $|a|=|\Delta v|/\Delta t$, $\Delta t=100/0{,}2=500\ \text{s}$. Alternativa A.

O corpo percorre variação vetorial total de velocidade $100\ \text{m/s}$, e não apenas os $50\ \text{m/s}$ iniciais.

Cuidado, armadilha! O intervalo abrange frear até o repouso e acelerar no sentido oposto. Calcular apenas $50/0{,}2$ dá metade do tempo.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q02
Mecânica — Lançamento vertical — Encontro em mesma altura

Um corpo é abandonado do repouso de uma altura $h$ acima do solo. No mesmo instante, outro é lançado para cima, a partir do solo e segundo a mesma vertical, com velocidade inicial $v$. Sabendo que os corpos se encontram na metade da altura de descida do primeiro, o valor de $h$ é:

A)$\dfrac vg$
B)$\dfrac{v^2}g$
C)$\sqrt{\dfrac vg}$
D)$\left(\dfrac vg\right)^2$

Gabarito oficial — Método TEF

B
Resolução

Os dois corpos partem simultaneamente, submetidos à mesma aceleração gravitacional para baixo. O encontro ocorre quando ambos estão à altura $h/2$ do solo.

Para o corpo abandonado de $h$, $h/2=h-gt^2/2$, então $gt^2=h$. Para o corpo lançado verticalmente do chão, $h/2=vt-gt^2/2$. Como $gt^2=h$, resulta $h/2=vt-h/2$, isto é, $vt=h$.

Com $t=\sqrt{h/g}$, a condição $v\sqrt{h/g}=h$ fornece $h=v^2/g$. Alternativa B.

A altura encontrada tem dimensão de comprimento, $v^2/g$, e a altura de encontro é $h/2$ para ambas as partículas.

Cuidado, armadilha! Não use tempos distintos para as duas partículas: o instante do encontro é o mesmo para ambas.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q03
Mecânica — Cinemática — Composição de velocidade com vento

Um pequeno avião voa em trajetória retilínea e velocidade constante: (1) a favor do vento; (2) perpendicularmente ao vento. Sabe-se que a velocidade do vento é $75\%$ da velocidade do avião. Para a mesma distância percorrida, a razão entre os intervalos de tempo $t_1/t_2$ é:

A)$\dfrac13$
B)$\dfrac35$
C)$\dfrac57$
D)$\dfrac79$

Gabarito oficial — Método TEF

C
Resolução

Para percorrer distâncias iguais, os tempos são inversamente proporcionais às velocidades resultantes em cada situação indicada.

Se $v$ é o módulo da velocidade do avião em relação ao ar, o vento vale $0{,}75v=3v/4$. A favor do vento, $v_1=v+3v/4=7v/4$. Quando o avião voa perpendicularmente ao vento, os vetores somam-se pitagoricamente: $v_2=\sqrt{v^2+(3v/4)^2}=5v/4$.

Logo $t_1/t_2=(d/v_1)/(d/v_2)=v_2/v_1=(5v/4)/(7v/4)=5/7$, alternativa C.

A razão $5/7$ é menor que um, como deve ser: viajar a favor do vento leva menos tempo para a mesma distância.

Cuidado, armadilha! Não tome a velocidade resultante perpendicular igual à própria velocidade do avião; o vento adiciona uma componente perpendicular.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q04
Mecânica — Dinâmica — Pêndulo cônico

Um corpo de massa $m$, preso à extremidade de um fio, constituindo um pêndulo cônico, gira num círculo horizontal de raio $R$, como mostra a figura. Sendo $g$ a aceleração local da gravidade e $\theta$ o ângulo do fio com a vertical, a velocidade do corpo pode ser calculada por:

Figura original da questão 04 da AFA 2008
A)$\sqrt{Rg}$
B)$\sqrt{2Rg}$
C)$\sqrt{Rg\sin\theta}$
D)$\sqrt{Rg\operatorname{tg}\theta}$

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

A tração no fio fornece simultaneamente sustentação vertical e força resultante radial para o movimento circular.

Com ângulo $\theta$ em relação à vertical, $T\cos\theta=mg$ e $T\sin\theta=mv^2/R$. Dividindo membro a membro, $\tan\theta=(mv^2/R)/(mg)=v^2/(Rg)$.

Portanto, $v=\sqrt{Rg\tan\theta}$, alternativa D.

Quando $\theta$ cresce, cresce a velocidade exigida para sustentar um círculo do mesmo raio, coerente com $\tan\theta$.

Cuidado, armadilha! Na expressão da componente centrípeta entra $T\sin\theta$, mas a velocidade resulta de $\tan\theta$, e não de $\sin\theta$ isoladamente.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q05
Mecânica — Dinâmica — Queda com resistência do ar

A figura mostra uma bola de isopor caindo a partir do repouso sob efeito da resistência do ar e outra bola idêntica, abandonada no vácuo no instante $t_1$ em que a primeira atinge a velocidade limite. Qual opção pode representar os gráficos de altura $h$ em função do tempo $t$ para as duas situações?

Figura original da questão 05 da AFA 2008
A)
Questão 05: gráfico da alternativa A
B)
Questão 05: gráfico da alternativa B
C)
Questão 05: gráfico da alternativa C
D)
Questão 05: gráfico da alternativa D

Gabarito oficial — Método TEF

B
Resolução

Na situação 1, a bola de isopor já atingiu a velocidade limite no instante marcado. Na situação 2, uma bola idêntica inicia queda no vácuo, sem resistência.

A partir do instante indicado, a bola 1 percorre distâncias iguais em tempos iguais, pois $v=v_{lim}$ constante; sua altura varia linearmente. A bola 2, largada do repouso, segue $h(t)=h_0-gt^2/2$, uma parábola de concavidade para baixo.

A comparação dos perfis e das alturas representadas no desenho corresponde ao gráfico B, conforme o gabarito oficial.

O gráfico com resistência tende a reta após o regime terminal, enquanto no vácuo a altura cai como função quadrática do tempo.

Cuidado, armadilha! A bola no vácuo não possui velocidade terminal: sua rapidez cresce enquanto o modelo de queda livre continuar válido.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q06
Mecânica — Energia mecânica — Energia dissipada pelo ar

Na questão anterior, considere que a bola da situação 2 atinge o solo com uma velocidade duas vezes maior que a velocidade limite alcançada pela bola na situação 1. Nessas condições, o percentual de energia dissipada na situação 1 foi:

A)10%
B)25%
C)50%
D)75% EA CFrOAV/CFOINT/CFOINF 2006 | PROVAS DE FISICA E LINGUA

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

As bolas começam na mesma altura, mas a que sofre resistência do ar converte parte da energia mecânica em energia interna do meio.

No vácuo, $mgh=mv_2^2/2$. A velocidade de impacto no vácuo é $v_2=2v_{lim}$, portanto $mgh=m(2v_{lim})^2/2=2mv_{lim}^2$. Na situação 1, ao impactar com rapidez limite, a energia cinética restante é $mv_{lim}^2/2$.

A fração dissipada é $1-(mv_{lim}^2/2)/(2mv_{lim}^2)=1-1/4=3/4=75\%$. Alternativa D.

Como a energia cinética final da bola com ar é um quarto da correspondente no vácuo, restam três quartos dissipados.

Cuidado, armadilha! A razão de energias cinéticas é o quadrado da razão de velocidades. Dobrar a velocidade quadruplica a energia.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q07
Mecânica — Dinâmica — Tração em trajetórias circulares

Dois corpos idênticos giram horizontalmente em movimento circular uniforme, presos a fios ideais 1 e 2, como representa a figura. Se as velocidades lineares são $v_1$ e $v_2$, a razão entre as intensidades das trações $T_1/T_2$ é:

Figura original da questão 07 da AFA 2008
A)$\dfrac{2v_1^2+v_2^2}{v_2^2}$
B)$\dfrac{v_1^2+v_2^2}{v_2^2}$
C)$\dfrac{v_1^2-v_2^2}{v_2^2}$
D)$\dfrac{v_2^2}{v_1^2}$

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

Os dois corpos idênticos giram no mesmo plano com raios de trajetória distintos: o corpo 1 está à distância $R$ do centro e o corpo 2 à distância $2R$. A tração do fio 1 sustenta o movimento dos dois, enquanto a do fio 2 age radialmente sobre o corpo externo.

Para o corpo externo, a única força radial é $T_2=mv_2^2/(2R)$. Para o interno, atuam a tração interna $T_1$ em direção ao centro e a tração externa $T_2$ no sentido oposto. Assim, $T_1-T_2=mv_1^2/R$, donde $T_1=mv_1^2/R+mv_2^2/(2R)$.

Dividindo as trações, $\dfrac{T_1}{T_2}=\dfrac{mv_1^2/R+mv_2^2/(2R)}{mv_2^2/(2R)}=\dfrac{2v_1^2+v_2^2}{v_2^2}$. Essa relação corresponde à alternativa A.

Substituindo as forças $T_2=mv_2^2/(2R)$ e $T_1=T_2+mv_1^2/R$, confirma-se a razão $(2v_1^2+v_2^2)/v_2^2$.

Cuidado, armadilha! Não atribua ao corpo interno somente a força centrípeta $T_1$: a tração do segundo fio puxa esse corpo radialmente para fora e precisa ser subtraída no balanço radial.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q08
Mecânica — Energia e potência — Rendimento hidrelétrico

O volume de água necessário para acionar cada turbina de uma determinada central hidrelétrica é cerca de 700 m³ por segundo, "guiado" através de um conduto forçado de queda nominal igual a 112 m. Considere a densidade da água igual a 1 kg/L. Se cada turbina geradora assegura uma potência de 700 MW, a perda de energia nesse processo de transformação mecânica em elétrica é, aproximadamente, igual a

A)5%
B)10%
C)15%
D)20%

Gabarito oficial — Método TEF

B
Resolução

A água fornece energia gravitacional à turbina, e apenas parte dessa energia é convertida em potência elétrica.

A vazão volumétrica é $700\ \text{m}^3/\text{s}$, e a densidade $1000\ \text{kg/m}^3$. Assim, a vazão mássica vale $7\cdot10^5\ \text{kg/s}$. A potência hidráulica disponível é $P_h=\dot mgh=7\cdot10^5\cdot10\cdot112=7{,}84\cdot10^8\ \text{W}$, ou $784\ \text{MW}$.

O rendimento vale $700/784\approx0{,}893$, e a perda percentual é aproximadamente $10{,}7\%$, mais próxima de $10\%$: alternativa B.

A potência potencial $\rho Qgh$ supera os $700\ \text{MW}$ elétricos, e a diferença relativa fica perto de $11\%$.

Cuidado, armadilha! Não compare energia com potência sem levar em conta o fluxo de massa por segundo.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q09
Mecânica — Dinâmica — Forças reais e referenciais

Um brinquedo de parque de diversões mantém pessoas encostadas apenas na parede vertical de um cilindro que gira em torno de seu eixo. Após o piso ser retirado, as pessoas permanecem presas à parede, como representa a figura. A alternativa que representa corretamente as forças relevantes para a pessoa é:

Figura original da questão 09 da AFA 2008
A)
Questão 09: gráfico da alternativa A
B)
Questão 09: gráfico da alternativa B
C)
Questão 09: gráfico da alternativa C
D)
Questão 09: gráfico da alternativa D

Gabarito anulado — Método TEF

ANULADA
Resolução

O brinquedo mantém a pessoa contra a parede vertical de um cilindro em rotação. Para um referencial inercial externo, a força normal da parede aponta radialmente para o eixo.

A força de atrito estático aponta para cima e compensa o peso, que aponta para baixo. A resultante radial é $N=mv^2/R$. Portanto, “força centrípeta” não constitui uma força extra além da normal: é o nome da resultante radial, enquanto a força centrífuga é fictícia no referencial externo.

O gabarito oficial de 2008 declara **QUESTÃO ANULADA**. Sem o ato da banca que fundamentou a anulação, não se deve atribuir motivo específico ou indicar uma alternativa definitiva.

Na análise inercial, peso, normal e atrito são forças reais; a banca anulou a questão, que não deve receber alternativa oficial única.

Cuidado, armadilha! Em referenciais inerciais, não acrescente uma força centrífuga real; tampouco conte a força centrípeta duas vezes somando-a à normal.

Questão anulada pela banca.

Q10
Mecânica — Dinâmica — Looping e reação do assento

Durante apresentação da Esquadrilha da Fumaça, um avião executa um *loop* na trajetória circular da figura. Ao passar pelo ponto mais baixo da trajetória, a força que o assento do avião exerce sobre o piloto é:

Figura original da questão 10 da AFA 2008
A)maior que o peso do piloto.
B)igual ao peso do piloto.
C)menor que o peso do piloto.
D)nula. EA CFrOAV/CFOINT/CFOINF 2006 | PROVAS DE FISICA E LINGUA

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

No ponto mais baixo de uma trajetória circular vertical, o centro do círculo está acima do piloto e a aceleração centrípeta aponta para cima.

As forças verticais sobre o piloto são a normal $N$ do assento, para cima, e o peso $mg$, para baixo. Pela segunda lei, $N-mg=mv^2/R$.

Daí $N=mg+mv^2/R>mg$ para $v>0$. Portanto a reação do assento supera o peso, alternativa A.

Na parte inferior do círculo a aceleração é para cima: portanto a força normal supera o peso exatamente pela parcela centrípeta.

Cuidado, armadilha! Não imponha $N=mg$ porque o piloto não está em equilíbrio: ele possui aceleração centrípeta.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q11
Mecânica — Colisões — Choque elástico entre esferas iguais

Três esferas idênticas A, B e C estão suspensas por fios ideais, como mostra a figura. Se a esfera A for afastada da posição de equilíbrio e abandonada, atingirá velocidade $v$ e colidirá frontalmente com as outras duas, inicialmente estacionárias. Considerando perfeitamente elásticos os choques, as velocidades de A, B e C imediatamente após as colisões serão:

Figura original da questão 11 da AFA 2008
A)$v_A=v_B=v_C=v$
B)$v_A=v_B=0\ \text{e}\ v_C=v$
C)$v_A=0\ \text{e}\ v_B=v_C=v/2$
D)$v_A=v_B=v_C=v/3$

Gabarito oficial — Método TEF

B
Resolução

O sistema é análogo ao pêndulo de Newton, com esferas idênticas e colisões centrais idealmente elásticas.

Em uma colisão elástica frontal entre massas iguais, a esfera que chega com velocidade $v$ transfere sua velocidade à esfera inicialmente parada. Repetindo o processo ao longo das duas colisões sucessivas, a velocidade passa da esfera A para B e depois para C.

Após as colisões, $v_A=0$, $v_B=0$ e $v_C=v$. Alternativa B. Conservam-se a quantidade de movimento horizontal e a energia cinética do sistema ideal.

A última esfera transporta a velocidade idealizada da primeira, enquanto as duas anteriores ficam instantaneamente em repouso.

Cuidado, armadilha! Dividir a velocidade por três não conserva simultaneamente momento e energia cinética em choques elásticos de massas iguais.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q12
Mecânica — Gravitação — Satélite geoestacionário

A respeito de um satélite artificial estacionário em órbita sobre um ponto do equador terrestre, afirma-se que:

I — A força gravitacional terrestre é a resultante centrípeta responsável por mantê-lo em órbita.
II — Seu período de translação é de 24 horas.
III — Objetos soltos em seu interior ficam flutuando devido à ausência de gravidade.

Está(ão) correta(s):

A)apenas I.
B)apenas I e II.
C)apenas II e III.
D)I, II e III.

Gabarito oficial — Método TEF

B
Resolução

Um satélite geoestacionário orbita acima do equador, com velocidade angular igual à da Terra e período correspondente à sua rotação.

A atração gravitacional terrestre fornece a resultante centrípeta: $GMm/r^2=mv^2/r$, então a assertiva I é verdadeira. O período é aproximadamente um dia sideral, cerca de $24\ \text{h}$ na aproximação do enunciado: II também verdadeira.

Os objetos no interior flutuam por estarem em queda livre orbital junto com o satélite, não porque a gravidade desapareceu. Logo III é falsa. Alternativa B.

Uma órbita geoestacionária tem período compatível com a rotação da Terra, mas o fenômeno de flutuação resulta de queda livre e não de campo nulo.

Cuidado, armadilha! Peso aparente pequeno ou nulo não significa campo gravitacional nulo.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q13
Mecânica — Estática — Trações e deformação geométrica

Dois corpos de massa $m$ estão suspensos por fios ideais que passam por polias ideais. Um terceiro corpo, também de massa $m$, é suspenso no ponto médio $M$ do fio e abaixado até o equilíbrio. Conforme a figura, o deslocamento vertical do ponto $M$ em relação à posição inicial vale:

Figura original da questão 13 da AFA 2008
A)$\dfrac{d\sqrt3}{2}$
B)$\dfrac{d\sqrt3}{3}$
C)$\dfrac{d\sqrt3}{4}$
D)$\dfrac{d\sqrt3}{6}$

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

Os dois corpos laterais têm massa $m$, e cada fio ideal exerce tração $T=mg$ no trecho que chega à polia correspondente.

O corpo central, também de massa $m$, é sustentado pelas componentes verticais de duas trações simétricas: $2T\sin\theta=mg$. Portanto $\sin\theta=1/2$, $\theta=30^\circ$ e $\tan\theta=1/\sqrt3$.

A distância horizontal entre os suportes extremos é $d$. O deslocamento para baixo do ponto médio é $h=(d/2)\tan30^\circ=d/(2\sqrt3)=d\sqrt3/6$. Alternativa D.

O deslocamento obtido $d\sqrt3/6$ é menor que metade de $d$, como exige a inclinação de $30^\circ$ do fio.

Cuidado, armadilha! O ângulo de $30^\circ$ é medido em relação à horizontal dos trechos de fio; usar a tangente do complementar duplica ou triplica indevidamente o resultado.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q14
Mecânica — Estática — Viga em duas suspensões

Uma viga homogênea é suspensa horizontalmente por dois fios verticais, A e B, como mostra a figura. A razão entre as trações dos fios A e B é:

Figura original da questão 14 da AFA 2008
A)$\dfrac12$
B)$\dfrac23$
C)$\dfrac34$
D)$\dfrac56$

Gabarito anulado — Método TEF

ANULADA
Resolução

As trações verticais nos dois fios equilibram o peso da viga homogênea, aplicado em seu centro de massa.

Para o arranjo, devem-se impor $T_A+T_B=mg$ e o equilíbrio de torques em torno de um dos pontos de suspensão, utilizando os braços indicados na figura: $\ell/6$ até A e $\ell/4$ desde B à extremidade direita.

O gabarito oficial de 2008 registra **QUESTÃO ANULADA**. As relações de equilíbrio podem ser estudadas, mas não se deve apresentar uma das quatro alternativas como resposta oficialmente válida.

A resultante vertical e o equilíbrio dos torques fornecem condições matemáticas, porém a anulação documental impede gabarito homologado.

Cuidado, armadilha! Não confunda as distâncias dos fios até as extremidades com as distâncias de cada fio ao centro de massa.

Questão anulada pela banca.

Q15
Mecânica — Hidrostática — Empuxo do ar em balança

Uma balança está em equilíbrio, no ar, tendo bolinhas de ferro num prato e rolhas de cortiça no outro. Se esta balança for levada para o vácuo, pode-se afirmar que ela

A)penderia para o lado das bolinhas de ferro, pois a densidade do mesmo é maior que a densidade da cortiça.
B)não penderia para nenhum lado, porque o peso das bolinhas de ferro é igual ao peso das rolhas de cortiça.
C)penderia para o lado das rolhas de cortiça, pois enquanto estava no ar o empuxo sobre a cortiça é maior que o empuxo sobre o ferro.
D)não penderia para nenhum lado, porque no vácuo não tem empuxo.

Gabarito oficial — Método TEF

C
Resolução

Uma balança em equilíbrio no ar compara pesos aparentes, isto é, pesos reais reduzidos pelo empuxo do ar sobre os corpos.

As rolhas de cortiça ocupam muito mais volume para massas comparáveis. Portanto, o empuxo do ar sobre a cortiça é maior. Se os pesos aparentes são iguais no ar, as rolhas possuem maior peso real que as esferas de ferro.

No vácuo desaparece o empuxo e a balança passa a pender para o lado das rolhas. Alternativa C.

Ao retirar o ar, desaparece um empuxo maior no material de maior volume; como a cortiça ocupa mais volume, seu lado ganha peso aparente relativamente.

Cuidado, armadilha! Equilíbrio da balança no ar não garante igualdade das massas reais quando os volumes deslocados de ar são muito diferentes.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q16
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e tração em esferas

Duas esferas A e B de mesmo volume, de materiais diferentes e presas por fios ideais, estão em equilíbrio no interior de um líquido, como indica a figura. Considerando seus pesos ($P_A$, $P_B$), empuxos ($E_A$, $E_B$) e tensões nos fios ($T_A$, $T_B$), é INCORRETO afirmar que:

Figura original da questão 16 da AFA 2008
A)$P_A>P_B$
B)$E_A=E_B$
C)$T_A+T_B=P_A-P_B$
D)$T_A<T_B$

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

As esferas têm o mesmo volume e estão totalmente imersas no mesmo líquido; pelo princípio de Arquimedes, os empuxos são iguais: $E_A=E_B=E$.

Na esfera A, o fio preso ao teto puxa para cima, de modo que $P_A=E+T_A$. Na esfera B, o fio preso ao fundo puxa para baixo, de modo que $E=P_B+T_B$. Assim, $T_A=P_A-E$ e $T_B=E-P_B$.

As primeiras relações implicam $P_A>P_B$ e $T_A+T_B=P_A-P_B$. Entretanto, não garantem $T_A<T_B$; portanto a afirmação incorreta, como conclusão necessária, é D.

Os dois empuxos são iguais porque os volumes deslocados são iguais, mas as trações precisam ser consideradas com sinais verticais opostos.

Cuidado, armadilha! Fios sempre puxam o corpo ao qual estão presos. Em uma esfera, a tração aponta para cima; na outra, para baixo.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q17
Termologia — Mudanças de fase — Diagrama de fases hipotético

O diagrama de fases apresentado pertence a uma substância hipotética. Com relação a essa substância, pode-se afirmar que:

Figura original da questão 17 da AFA 2008
A)nas condições normais de temperatura e pressão, a referida substância se encontra no estado sólido.
B)se certa massa de vapor da substância à temperatura de 300 ºC for comprimida lentamente, não poderá sofrer condensação pois está abaixo da temperatura crítica.
C)para a temperatura de 0 °C e pressão de 0,5 atm, a substância se encontra no estado de vapor.
D)se aumentarmos gradativamente a temperatura da substância, quando ela se encontra a 70 “ºC e sob pressão de 3 atm, ocorrerá sublimação da mesma.

Gabarito oficial — Método TEF

C
Resolução

A região ocupada por uma substância no diagrama pressão-temperatura é definida pela posição do ponto em relação às curvas de mudança de fase.

Na temperatura de $0\ ^\circ\text{C}$ e pressão de $0{,}5\ \text{atm}$, o ponto fica na região correspondente ao vapor. A curva de sublimação separa o sólido e o vapor abaixo da região de coexistência tripla.

A alternativa C é, portanto, a compatível com o gráfico. As demais exigem leituras incorretas de fronteiras, temperatura crítica ou efeito de aquecimento a pressão fixa.

No ponto indicado por $0\ ^\circ\text{C}$ e $0{,}5\ \text{atm}$, a localização no diagrama corresponde à região de vapor.

Cuidado, armadilha! Não use apenas a temperatura para classificar o estado físico: a pressão também desloca as fronteiras de fase.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q18
Termologia — Termodinâmica — Ciclo de Carnot

A figura representa o ciclo de Carnot realizado por um gás ideal que opera como máquina térmica. Sabendo que o trabalho útil em cada ciclo é $1500\ \text{J}$, $T_1=600\ \text{K}$ e $T_2=300\ \text{K}$, é INCORRETO afirmar que:

Figura original da questão 18 da AFA 2008
A)a quantidade de calor retirada da fonte quente é de 3000 J.
B)de A até Bo gás se expande isotermicamente.
C)de D até A o gás é comprimido sem trocar calor com o meio externo.
D)de Baté C o gás expande devido ao calor recebido do meio externo.

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

Um ciclo de Carnot contém duas transformações isotérmicas e duas adiabáticas, e seu rendimento depende apenas das temperaturas absolutas das fontes.

Com $T_q=600\ \text{K}$ e $T_f=300\ \text{K}$, $\eta=1-T_f/T_q=1/2$. Se a máquina realiza $W=1500\ \text{J}$ por ciclo, então recebe $Q_q=W/\eta=3000\ \text{J}$ da fonte quente; a opção A é verdadeira.

A expansão de B para C, conforme o ciclo representado, é adiabática, portanto não ocorre recebimento de calor do meio nessa etapa. A afirmação **incorreta** é D.

A expansão isotérmica recebe calor; já a expansão adiabática de B a C não o recebe, contrariando a alternativa D.

Cuidado, armadilha! Uma expansão pode ocorrer sem troca de calor, à custa da redução da energia interna do gás. Não confunda expansão com recebimento obrigatório de calor.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q19
Termologia — Gases ideais — Pressão e massa a volume constante

Um cilindro de volume constante contém gás ideal inicialmente à temperatura $T_0$ e pressão $p_0$. Mantida a temperatura, introduz-se lentamente uma quantidade adicional do mesmo gás. O gráfico fornece a massa $m$ de gás no cilindro em função do tempo $t$. Nessas condições, para $t=a$, a pressão do gás é:

Figura original da questão 19 da AFA 2008
A)$1{,}5p_0$
B)$2p_0$
C)$2{,}5p_0$
D)$4p_0$

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

No cilindro de volume constante, com temperatura constante, a pressão do gás ideal é diretamente proporcional à quantidade de matéria, e portanto à massa do mesmo gás.

O gráfico mostra massa inicial $b$ e massa $2b$ no tempo $2a$, com crescimento linear. Logo, no tempo $a$, a massa é $m=3b/2$. Pela equação $pV=nRT$, $p/p_0=m/m_0=3/2$.

Assim, $p=1{,}5p_0$, alternativa A.

A curva de massa é uma reta: na metade do intervalo temporal a massa está exatamente na média aritmética de $b$ e $2b$.

Cuidado, armadilha! Não confunda o instante médio $t=a$ com duplicação da massa: o dobro só é atingido em $t=2a$.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q20
Óptica — Espelhos planos — Trajeto mínimo do raio refletido

A figura mostra um objeto A, a $8\ \text{m}$ de um espelho plano, e um observador O, a $4\ \text{m}$ do espelho. Os pontos encontram-se em alturas diferentes, conforme o desenho. Um raio de luz que parte de A e alcança O por reflexão no espelho percorrerá, em metros:

Figura original da questão 20 da AFA 2008
A)10m
B)12m
C)15m
D)18m

Gabarito oficial — Método TEF

C
Resolução

O raio de luz refletido obedece ao princípio de reversibilidade e à igualdade dos ângulos de incidência e reflexão.

Substituímos a reflexão pelo segmento reto ligando o observador à imagem virtual de A atrás do espelho. As distâncias perpendiculares ao espelho são $8\ \text{m}$ e $4\ \text{m}$; a separação horizontal entre objeto e observador indicada no desenho é $9\ \text{m}$.

O comprimento óptico geométrico é $d=\sqrt{(8+4)^2+9^2}=\sqrt{144+81}=15\ \text{m}$, alternativa C.

O espelho plano equivale a substituir o objeto por sua imagem virtual: o percurso horizontal total é $8+4=12\ \text{m}$.

Cuidado, armadilha! Não some simplesmente $8+4+9$: a trajetória efetiva obedece à geometria de um triângulo retângulo após o espelhamento.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q21
Óptica — Sistemas ópticos — Espelho associado a lente convergente

Um espelho esférico $E$ de distância focal $f$ e uma lente convergente $L$ estão dispostos coaxialmente. Uma fonte pontual de luz que emite para a direita é colocada em $P$. Os raios luminosos concentrados em $Q$ acendem um palito de fósforo, como mostra a figura. Considerando as distâncias indicadas, a distância focal da lente é:

Figura original da questão 21 da AFA 2008
A)$f$
B)$\dfrac f2$
C)$\dfrac f3$
D)$\dfrac{2f}3$

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

Os raios emitidos pela fonte passam inicialmente pela lente e incidem no espelho, que os devolve para a lente. O fósforo se acende no ponto onde convergem após o retorno.

A imagem produzida pelo espelho torna-se objeto para a lente no segundo trajeto. Usam-se as distâncias $d$ e $d/2$ indicadas no desenho, a focal $f$ do espelho e a equação de Gauss em sequência: $1/f=1/p+1/p^{\prime}$.

As condições geométricas de conjugação impostas pelo percurso determinam uma lente convergente com $f_L=2f/3$, que corresponde à alternativa D do gabarito oficial.

A lente modifica a convergência no trajeto de ida e no de volta; só as relações de conjugação respeitam o encontro em Q.

Cuidado, armadilha! É necessário acompanhar os sentidos de incidência em cada elemento; não se deve somar diretamente as distâncias focais de elementos ópticos distintos.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q22
Óptica — Interferência — Película fina por reflexão

Uma película transparente de faces paralelas e índice de refração $n$ recebe luz monocromática de comprimento de onda no ar $\lambda$, com incidência pouco inclinada. A espessura mínima da película para que um observador a veja brilhante pela luz refletida é:

Figura original da questão 22 da AFA 2008
A)$\dfrac{\lambda}{n}$
B)$\dfrac{\lambda}{2n}$
C)$\dfrac{\lambda}{4n}$
D)$\dfrac{\lambda}{5n}$

Gabarito oficial — Método TEF

C
Resolução

A luz refletida nas duas interfaces da película interfere, e a diferença de caminho óptico depende da espessura do filme.

Para incidência quase normal e película de índice $n$ maior que o do ar, ocorre uma inversão de fase na reflexão na primeira interface, mas não na segunda. A diferença de fase adicional introduz meia onda; para brilho máximo refletido na primeira condição não trivial, exige-se $2ne=\lambda/2$.

Logo a espessura mínima é $e=\lambda/(4n)$, alternativa C.

Uma inversão de fase em apenas uma das reflexões transforma o primeiro máximo refletido na condição de quarto de onda óptica.

Cuidado, armadilha! Não utilize diretamente a condição de máximo sem considerar a inversão de fase numa única reflexão.

Alternativa indicada no gabarito: C

Q23
Ondulatória — MHS — Colisão inelástica e oscilador massa-mola

Um projétil de massa $m$ e velocidade $v$ atinge horizontalmente um bloco de massa $M$ acoplado a uma mola de constante elástica $K$. O projétil aloja-se no bloco, e o sistema passa a realizar MHS com amplitude $a$. Não há atrito. Na expressão $x=a\cos(\omega t+\varphi_0)$, os valores de $a$ e $\omega$, respectivamente, são:

Figura original da questão 23 da AFA 2008
A)$\dfrac{mv}{M+m}\sqrt{\dfrac{M+m}K}\ \text{e}\ \sqrt{\dfrac{K}{M+m}}$
B)$\sqrt{\dfrac{(M+m)v}{K}}\ \text{e}\ \sqrt{\dfrac{K}{M+m}}$
C)$\sqrt{\dfrac{K}{M+m}}\ \text{e}\ \sqrt{\dfrac{M+m}{K}}$
D)$\dfrac{M+m}{mv}\sqrt{\dfrac{K}{M+m}}\ \text{e}\ \sqrt{\dfrac{M+m}{K}}$

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

O projétil fica alojado no bloco, de modo que o choque é totalmente inelástico. Conserva-se o momento horizontal durante o breve impacto, mas não a energia cinética.

Após o choque, a velocidade comum é $V=mv/(M+m)$. O sistema então oscila com massa total $M+m$ e frequência angular $\omega=\sqrt{K/(M+m)}$. A energia mecânica posterior ao choque obedece a $\tfrac12(M+m)V^2=\tfrac12Ka^2$.

Daí $a=V\sqrt{(M+m)/K}=mv/\sqrt{K(M+m)}$ e $\omega=\sqrt{K/(M+m)}$. Alternativa A.

A amplitude tem dimensão de comprimento, e a frequência angular de inverso do tempo, confirmando as expressões da alternativa A.

Cuidado, armadilha! Não iguale a energia cinética inicial do projétil à energia da mola; há perda de energia mecânica no choque inelástico.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q24
Ondulatória — Ondas em cordas — Reflexão e transmissão de pulsos

Duas cordas de densidades lineares distintas, $\mu_1$ e $\mu_2$, com $\mu_1>\mu_2$, transmitem pulsos idênticos que se aproximam da junção, conforme a figura. A alternativa que melhor representa a configuração resultante depois que os pulsos atravessam a junção é:

Figura original da questão 24 da AFA 2008
A)
Questão 24: gráfico da alternativa A
B)
Questão 24: gráfico da alternativa B
C)
Questão 24: gráfico da alternativa C
D)
Questão 24: gráfico da alternativa D

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

A rapidez de uma onda numa corda sob tração $T$ é $v=\sqrt{T/\mu}$. Como $\mu_1>\mu_2$, o segundo meio é menos denso e admite maior rapidez.

Um pulso que vai do meio mais denso para o menos denso sofre reflexão sem inversão de fase. O pulso refletido mantém seu sinal e retorna pelo primeiro meio; o transmitido segue pelo segundo. Para um pulso inicialmente positivo e outro negativo vindos de lados opostos, é necessário aplicar essa regra a cada onda.

O quadro que representa as polaridades e sentidos após a passagem pelos contatos é o da alternativa A, conforme o gabarito oficial.

A onda transmitida mantém o sentido da perturbação; a reflexão na corda de menor impedância não introduz a inversão de pulso de uma extremidade fixa.

Cuidado, armadilha! A regra de inversão do pulso refletido depende da impedância do meio de destino; não é a mesma para passagem de corda leve para pesada e vice-versa.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q25
Eletricidade — Eletrostática — Carga elétrica e mola em plano inclinado

Um corpo B, de massa $4\ \text{kg}$ e carga $+6\ \mu\text{C}$, está a $30\ \text{mm}$ de um corpo A fixo, com carga $-1\ \mu\text{C}$. O corpo B está preso a fio ideal e a mola de comprimento natural $L_0=1{,}2\ \text{m}$, que se distende até $L=1{,}6\ \text{m}$ em equilíbrio. Considere $k_0=9\cdot10^9\ \text{N.m}^2/\text{C}^2$ e despreze atritos. A constante elástica da mola, em $\text{N/m}$, vale:

Figura original da questão 25 da AFA 2008
A)200
B)320
C)600
D)800

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

Os corpos têm cargas opostas e se atraem ao longo da rampa. O corpo B está em equilíbrio porque a tração do fio, associada à mola, equilibra a atração elétrica e a componente do peso ao longo do plano.

A distância é $30\ \text{mm}=0{,}030\ \text{m}$; com $|q_A|=1\ \mu\text{C}$ e $q_B=6\ \mu\text{C}$, pela lei de Coulomb $F_e=9\cdot10^9(6\cdot10^{-12})/(0{,}03)^2=60\ \text{N}$. A rampa faz $30^\circ$ com a horizontal, pois está marcada com $60^\circ$ em relação à vertical. A componente do peso é $mg\sin30^\circ=4\cdot10\cdot1/2=20\ \text{N}$.

No equilíbrio, $k\Delta L=F_e+mg\sin30^\circ=80\ \text{N}$ e $\Delta L=1{,}6-1{,}2=0{,}4\ \text{m}$. Assim $k=80/0{,}4=200\ \text{N/m}$, alternativa A.

A mola alonga $0{,}4\ \text{m}$ e exerce força de $80\ \text{N}$ no equilíbrio; $k=80/0{,}4=200\ \text{N/m}$.

Cuidado, armadilha! Não use $\sin60^\circ$ para a componente do peso ao longo da rampa: $60^\circ$ é o ângulo com a vertical.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q26
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência máxima em resistor alimentado por fonte real

Uma quantidade de líquido é aquecida por um gerador de força eletromotriz $\mathcal E=50\ \text{V}$ e resistência interna $r=3\ \Omega$, ligado a um resistor de resistência $R$. Se o calor fornecido pelo resistor ao líquido foi de $2\cdot10^5\ \text{J}$, pode-se afirmar que o tempo de aquecimento foi:

A)inferior a 5 minutos.
B)entre 6 e 10 minutos.
C)entre 12 e 15 minutos.
D)superior a 15 minutos.

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

A fonte tem resistência interna $r=3\ \Omega$ e resistência externa $R$. A potência dissipada na carga é limitada, mesmo variando $R$.

$P_R=\varepsilon^2R/(R+r)^2$. A potência máxima ocorre em $R=r$ e vale $P_{max}=\varepsilon^2/(4r)=50^2/(4\cdot3)=2500/12\approx208{,}3\ \text{W}$.

Para fornecer $Q=2\cdot10^5\ \text{J}$ ao líquido, o menor tempo possível é $t_{min}=Q/P_{max}\approx960\ \text{s}=16\ \text{min}$. Logo o tempo necessário é superior a 15 minutos, alternativa D.

O cálculo emprega a maior potência elétrica possível no resistor; qualquer outro ajuste aumenta ainda mais o tempo mínimo obtido.

Cuidado, armadilha! Não suponha que a potência da carga seja $\varepsilon^2/R$ em uma fonte real: a resistência interna limita a transferência de potência.

Alternativa indicada no gabarito: D

Q27
Eletricidade — Eletrodinâmica — Ponte de geradores e potência nula

No circuito representado, os geradores $G_1$ e $G_2$ são ideais e os resistores têm a mesma resistência $R$. Sabendo que a potência dissipada por $R_3$ é nula, a razão entre as forças eletromotrizes dos geradores $G_1$ e $G_2$ é:

Figura original da questão 27 da AFA 2008
A)$\dfrac14$
B)$\dfrac12$
C)$2$
D)$4$

Gabarito oficial — Método TEF

B
Resolução

A condição de potência dissipada nula em $R_2$ significa corrente nula nesse resistor: $P_2=R_2I_2^2=0\Rightarrow I_2=0$.

Assim, o potencial do nó inferior ligado a $R_2$ coincide com o terminal inferior de $G_1$. Usando a igualdade de tensões dos geradores ideais e aplicando a lei dos nós no circuito com quatro resistores iguais, obtém-se uma condição de equilíbrio para a corrente do ramo central.

A razão entre as forças eletromotrizes exigida por essa condição é $\varepsilon_1/\varepsilon_2=1/2$, alternativa B.

O resistor sem corrente cria dois nós equipotenciais, permitindo resolver o circuito sem tratar a ponte como série simples.

Cuidado, armadilha! Potência nula em um único resistor não significa ausência de corrente em todo o circuito. Identifique os nós equipotenciais antes de aplicar Ohm.

Alternativa indicada no gabarito: B

Q28
Eletricidade — Capacitores — Carga em capacitor e reostato

No circuito da figura, $C$ é um capacitor, $G$ um gerador de f.e.m. $\mathcal E$ e resistência interna $r$, e AB é um reostato. O gráfico que melhor representa a carga $Q$ acumulada no capacitor em função da resistência $R$ do reostato é:

Figura original da questão 28 da AFA 2008
A)
Questão 28: gráfico da alternativa A
B)
Questão 28: gráfico da alternativa B
C)
Questão 28: gráfico da alternativa C
D)
Questão 28: gráfico da alternativa D

Gabarito oficial — Método TEF

A
Resolução

Após o regime permanente em corrente contínua, o capacitor não conduz corrente, mas mantém carga $Q=CU_C$, proporcional à diferença de potencial entre suas placas.

O circuito possui gerador real com resistência interna $r$ e reostato de resistência $R$. A tensão nos terminais do reostato e do capacitor é $U_C=\varepsilon R/(R+r)$, portanto $Q=C\varepsilon R/(R+r)$.

Com $R$ aumentando, a carga cresce a partir de zero e tende assintoticamente ao limite $C\varepsilon$, correspondendo à curva crescente e côncava para baixo da alternativa A.

A tensão no capacitor aumenta com a resistência do reostato, mas permanece menor que a força eletromotriz por causa de $r$.

Cuidado, armadilha! Em corrente contínua, depois da carga, a corrente do capacitor é zero; isso não implica carga elétrica nula.

Alternativa indicada no gabarito: A

Q29
Eletromagnetismo — Força magnética — Tempo de voo semicircular de carga

Em uma região de campo magnético uniforme $\vec B$, uma partícula de massa $m$ e carga positiva $q$ é lançada no ponto A com velocidade perpendicular às linhas de campo. Conforme a figura, o tempo para alcançar o ponto B é:

Figura original da questão 29 da AFA 2008
A)$\dfrac{\pi Bq}{m}$
B)$\dfrac{\pi m}{Bq}$
C)$\dfrac{2\pi m}{Bq}$
D)$\dfrac{\pi Bq}{2m}$

Gabarito anulado — Método TEF

ANULADA
Resolução

Uma partícula carregada entrando perpendicularmente num campo magnético uniforme move-se em arco circular de raio $r=mv/(|q|B)$.

A frequência angular ciclotrônica é $\omega=|q|B/m$; assim, um arco semicircular é percorrido em $\Delta t=\pi/\omega=\pi m/(|q|B)$, independentemente do módulo da rapidez inicial.

Entretanto, o **gabarito oficial de 2008 anula a Q29**. A figura e a identificação de A e B precisam ser avaliadas antes de atribuir um arco específico e uma alternativa; o cálculo apresentado vale apenas sob a hipótese de semicircunferência.

O tempo de movimento circular depende do ângulo efetivamente percorrido, e a anulação impede tomar o semicírculo como dado oficial conclusivo.

Cuidado, armadilha! O tempo depende do ângulo efetivamente percorrido entre A e B. Identificar um semicírculo onde o desenho não o estabelece pode levar a uma resposta sem fundamento.

Questão anulada pela banca.

Q30
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Fluxo magnético em espira próxima de fio

Uma espira condutora é colocada no mesmo plano e ao lado de um circuito constituído de uma pilha, uma lâmpada e um interruptor. As alternativas apresentam situações nas quais, depois de ligado o interruptor, o condutor AB gera corrente induzida na espira, EXCETO:

Figura original da questão 30 da AFA 2008
A)desligar o interruptor.
B)"queimar" a lâmpada.
C)mover a espira na direção x.
D)mover a espira na direção y.

Gabarito oficial — Método TEF

D
Resolução

Uma espira próxima de um fio percorrido por corrente pode sofrer corrente induzida se o fluxo magnético através de sua área variar no tempo.

Desligar o circuito ou queimar a lâmpada muda a corrente do fio AB e, consequentemente, o campo magnético próximo à espira. Mover a espira na direção x modifica sua distância ao condutor, alterando também o fluxo magnético.

Mover a espira paralelamente ao fio, na direção y indicada, não altera a distância de seus pontos ao fio ideal retilíneo; nessa aproximação o fluxo é constante e não há indução. A alternativa de exceção é D.

Mover a espira paralelamente ao fio conserva o fluxo do campo do fio ideal, enquanto abrir a chave ou mudar a distância altera o fluxo.

Cuidado, armadilha! A lei de Faraday requer $\Delta\Phi_B\ne0$: movimento de uma espira não garante indução se sua posição relativa ao campo não modifica o fluxo.

Alternativa indicada no gabarito: D

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