← Voltar às Provas da AFA

AFA 2015 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Academia da Força Aérea

Edição 2015 · Versão A · Física — resolução comentada Método TEF.

Q49
Cinemática e Ondulatória — MRUV — Efeito Doppler

Um caminhão de $20\,\mathrm m$ de comprimento se movimenta ao longo de uma estrada retilínea e o registro de sua posição $x$, em quilômetros, em função do tempo $t$, em segundos, é apresentado no gráfico abaixo.

AFA 2015, questão 49: Efeito Doppler, figura 1

Do instante inicial do movimento, $t=0$, até o tempo $t_1$, o caminhão, partindo do repouso, desloca-se em movimento retilíneo uniformemente variado. A partir desse tempo $t_1$, no entanto, o caminhão inicia a travessia de uma ponte retilínea de $380$ metros de extensão mantendo velocidade constante até que a atravesse completamente no tempo $t_2=120\,\mathrm s$.

Considere que, durante a travessia, o caminhão emita um sinal sonoro de frequência constante igual a $160\,\mathrm{Hz}$ e que esse sinal se propague com velocidade de $340\,\mathrm{m/s}$ pelo ar, o qual se encontra em repouso em relação à Terra. Nessas condições, um observador parado no final da ponte ouvirá o sinal sonoro emitido pelo caminhão que se aproxima com uma frequência, em hertz, dada por

A)170
B)180
C)190
D)200

Gabarito oficial — versão A

ANULADA
Resolução

O gabarito definitivo registra a questão como anulada. Podemos, ainda assim, resolver a interpretação usual: a velocidade é contínua na mudança de MRUV para MU, e a posição marcada no gráfico representa a frente do caminhão.

No primeiro trecho, o caminhão sai do repouso e percorre $1000\,\mathrm m$: \[1000=\frac{v t_1}{2}\quad\Rightarrow\quad vt_1=2000.\] Para atravessar totalmente a ponte, a frente percorre $380+20=400\,\mathrm m$: \[v(120-t_1)=400.\]

Somando, $120v=2400$, de modo que $v=20\,\mathrm{m/s}$ e $t_1=100\,\mathrm s$. Para a fonte que se aproxima de observador parado, \[f'=f\frac{v_\mathrm{som}}{v_\mathrm{som}-v_\mathrm{fonte}}=160\frac{340}{320}=170\,\mathrm{Hz}.\]

Essa interpretação leva a A, mas a resposta oficial final é <strong>anulada</strong>. O documento de gabarito não informa o motivo, portanto não atribuímos uma justificativa oficial não documentada.

Cuidado, armadilha! A travessia completa inclui o comprimento do caminhão. Preserve a anulação oficial, mesmo ao apresentar uma interpretação resolvida.

Questão anulada no gabarito oficial: ANULADA

Q50
Mecânica — Movimento Circular — Limite do Atrito

Uma determinada caixa é transportada em um caminhão que percorre, com velocidade escalar constante, uma estrada plana e horizontal. Em um determinado instante, o caminhão entra em uma curva circular de raio igual a 51,2 m, mantendo a mesma velocidade escalar. Sabendo-se que os coeficientes de atrito cinético e estático entre a caixa e o assoalho horizontal são, respectivamente, 0,4 e 0,5 e considerando que as dimensões do caminhão, em relação ao raio da curva, são desprezíveis e que a caixa esteja apoiada apenas no assoalho da carroceria, pode-se afirmar que a máxima velocidade, em m/s, que o caminhão poderá desenvolver, sem que a caixa escorregue é

A)14,3
B)16,0
C)18,0
D)21,5

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

A caixa acompanha a curva graças ao atrito estático, que fornece a força centrípeta. Na iminência de deslizar, \[\frac{mv^2}{R}=\mu_eN=\mu_emg.\]

A massa se cancela: \[v_{\max}=\sqrt{\mu_egR}=\sqrt{0{,}5\cdot10\cdot51{,}2}=\sqrt{256}=\boxed{16\,\mathrm{m/s}}.\]

O coeficiente cinético não é utilizado, pois a condição pedida é que a caixa ainda não escorregue.

Cuidado, armadilha! Use o coeficiente estático, não o cinético.

Alternativa correta: B

Q51
Mecânica — Gravitação — Satélite Geoestacionário

Na cidade de Macapá, no Amapá, Fernando envia uma mensagem via satélite para Maria na mesma cidade. A mensagem é intermediada por um satélite geoestacionário, em órbita circular cujo centro coincide com o centro geométrico da Terra, e por uma operadora local de telecomunicação da seguinte forma: o sinal de informação parte do celular de Fernando direto para o satélite que instantaneamente retransmite para a operadora, que, da mesma forma, transmite para o satélite mais uma vez e, por fim, é retransmitido para o celular de Maria.

Considere que esse sinal percorra todo trajeto em linha reta e na velocidade da luz, $c$; que as dimensões da cidade sejam desprezíveis em relação à distância que separa o satélite da Terra, que este satélite esteja alinhado perpendicularmente à cidade que se encontra ao nível do mar e na linha do equador. Sendo $M$ a massa da Terra, $T$ o período de rotação da Terra, $R_T$ o raio da Terra e $G$ a constante de gravitação universal, o intervalo de tempo entre a emissão do sinal no celular de Fernando e a recepção no celular de Maria, em função de $c$, $M$, $T$, $G$ e $R_T$, é

A)$\dfrac4c\left(\sqrt[3]{\dfrac{T^2GM}{4\pi^2}}-R_T\right)$
B)$\dfrac2c\left(\sqrt{\dfrac{2TGM}{4\pi}}+R_T\right)$
C)$\dfrac4c\left(\sqrt[3]{\dfrac{TGM}{4\pi^2}}-R_T\right)$
D)$\dfrac1c\left(\sqrt{\dfrac{TGM}{2\pi}}+R_T\right)$

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

O satélite geoestacionário tem período orbital igual ao período de rotação da Terra. A gravidade fornece a força centrípeta.

Se $r$ é o raio orbital, \[\frac{GMm}{r^2}=m\frac{4\pi^2r}{T^2}\quad\Rightarrow\quad r=\sqrt[3]{\frac{GMT^2}{4\pi^2}}.\] A altura sobre a cidade é $h=r-R_T$.

A informação percorre quatro trechos de altura $h$: celular–satélite, satélite–operadora, operadora–satélite e satélite–celular. Logo, \[\boxed{\Delta t=\frac{4h}{c}=\frac4c\left(\sqrt[3]{\frac{GMT^2}{4\pi^2}}-R_T\right)}.\]

Cuidado, armadilha! O raio orbital é medido desde o centro da Terra; o caminho do sinal utiliza a altura sobre a superfície.

Alternativa correta: A

Q52
Mecânica — Energia e Momento — Rampas Móveis

Considere duas rampas A e B, respectivamente de massas $1\,\mathrm{kg}$ e $2\,\mathrm{kg}$, em forma de quadrantes de circunferência de raios iguais a $10\,\mathrm m$, apoiadas em um plano horizontal e sem atrito. Duas esferas 1 e 2 se encontram, respectivamente, no topo das rampas A e B e são abandonadas, do repouso, em um dado instante, conforme figura abaixo.

AFA 2015, questão 52: Rampas Móveis, figura 1

Quando as esferas perdem contato com as rampas, estas se movimentam conforme os gráficos de suas posições $x$, em metros, em função do tempo $t$, em segundos, abaixo representados.

AFA 2015, questão 52: Rampas Móveis, figura 2

Desprezando qualquer tipo de atrito, a razão $m_1/m_2$ das massas $m_1$ e $m_2$ das esferas 1 e 2, respectivamente, é

A)$1/2$
B)1
C)2
D)$3/2$

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

Não há força externa horizontal, portanto o momento horizontal de cada conjunto esfera–rampa se conserva. Também se conserva a energia mecânica.

Os gráficos têm inclinações de mesmo módulo: as duas rampas saem com a mesma rapidez $U=5/(\sqrt3/2)=10/\sqrt3\,\mathrm{m/s}$. Se M é a massa da rampa e m a da esfera, $mu=MU$.

Com queda vertical $h=10\,\mathrm m$, \[mgh=\frac12mu^2+\frac12MU^2.\] Usando $u=(M/m)U$ e dividindo por m, \[\frac{2gh}{U^2}=\left(\frac Mm\right)^2+\frac Mm=6.\]

A raiz física é $M/m=2$, de modo que $m=M/2$. Para as rampas de $1$ e $2\,\mathrm{kg}$, $m_1=0{,}5\,\mathrm{kg}$ e $m_2=1\,\mathrm{kg}$: \[\boxed{m_1/m_2=1/2}.\]

Cuidado, armadilha! A rampa também ganha energia cinética. Não trate sua base como fixa.

Alternativa correta: A

Q53
Mecânica — Hidrostática — Prensa Hidráulica

A figura abaixo representa um macaco hidráulico constituído de dois pistões A e B de raios $R_A=60\,\mathrm{cm}$ e $R_B=240\,\mathrm{cm}$, respectivamente. Esse dispositivo será utilizado para elevar a uma altura de $2\,\mathrm m$, em relação à posição inicial, um veículo de massa igual a 1 tonelada devido à aplicação de uma força $\vec F$. Despreze as massas dos pistões, todos os atritos e considere que o líquido seja incompressível.

AFA 2015, questão 53: Prensa Hidráulica, figura 1

Nessas condições, o fator de multiplicação de força deste macaco hidráulico e o trabalho, em joules, realizado pela força $\vec F$, aplicada sobre o pistão de menor área, ao levantar o veículo bem lentamente e com velocidade constante, são, respectivamente,

A)$4$ e $2{,}0\times10^4$
B)$4$ e $5{,}0\times10^3$
C)$16$ e $2{,}0\times10^4$
D)$16$ e $125\times10^3$

Gabarito oficial — versão A

C
Resolução

Pelo princípio de Pascal, a pressão adicional é a mesma nos dois pistões. O fator de força é a razão das áreas.

Como $R_B/R_A=240/60=4$, \[\frac{F_B}{F_A}=\frac{\pi R_B^2}{\pi R_A^2}=4^2=\boxed{16}.\]

Sem perdas e com velocidade constante, o trabalho de entrada é o aumento da energia potencial do veículo: \[W=mgh=1000\cdot10\cdot2=\boxed{2{,}0\times10^4\,\mathrm J}.\]

Cuidado, armadilha! A prensa multiplica força, mas exige maior deslocamento no pistão menor; ela não multiplica energia.

Alternativa correta: C

Q54
Termologia — Dilatação — Propriedades de Sólidos e Água

Com relação à dilatação dos sólidos e líquidos isotrópicos, analise as proposições a seguir e dê como resposta a soma dos números associados às afirmações corretas.

(01) Um recipiente com dilatação desprezível contém certa massa de água na temperatura de $1\,{}^\circ\mathrm C$, quando é, então, aquecido lentamente, sofrendo uma variação de temperatura de $6\,{}^\circ\mathrm C$. Nesse caso, o volume da água primeiro aumenta e depois diminui.

(02) Quando se aquece uma placa metálica que apresenta um orifício, verifica-se que, com a dilatação da placa, a área do orifício aumenta.

(03) Quando um frasco completamente cheio de líquido é aquecido, este transborda um pouco. O volume de líquido transbordado mede a dilatação absoluta do líquido.

(04) O vidro pirex apresenta maior resistência ao choque térmico do que o vidro comum porque tem menor coeficiente de dilatação térmica do que o vidro comum.

(05) Sob pressão normal, quando uma massa de água é aquecida de $0\,{}^\circ\mathrm C$ até $100\,{}^\circ\mathrm C$ sua densidade sempre aumenta.

(06) Ao se elevar a temperatura de um sistema constituído por três barras retas e idênticas de ferro interligadas de modo a formarem um triângulo isósceles, os ângulos internos desse triângulo não se alteram.

A)07
B)10
C)11
D)12

Gabarito oficial — versão A

D
Resolução

Analise cada afirmação. (01) é falsa: de $1$ a $4\,{}^\circ\mathrm C$, a água se contrai; depois se dilata. (02) é verdadeira: o orifício se dilata como se estivesse preenchido pelo material da placa.

(03) é falsa: o transbordamento mede a dilatação aparente, diferença entre a dilatação do líquido e a do recipiente. (04) é verdadeira: o menor coeficiente do pirex reduz tensões provocadas por aquecimento desigual.

(05) é falsa: a densidade da água aumenta até $4\,{}^\circ\mathrm C$ e diminui depois. (06) é verdadeira: barras idênticas se dilatam na mesma proporção, mantendo a semelhança e os ângulos do triângulo.

A soma é \[02+04+06=\boxed{12}.\]

Cuidado, armadilha! A dilatação anômala da água impede generalizações de 0 a 100 °C; o líquido transbordado mede dilatação aparente.

Alternativa correta: D

Q55
Termologia — Calorimetria — Gelo e Equilíbrio Térmico

Em um recipiente termicamente isolado de capacidade térmica $40{,}0\,\mathrm{cal/{}^\circ C}$ e na temperatura de $25\,{}^\circ\mathrm C$ são colocados $600\,\mathrm g$ de gelo a $-10\,{}^\circ\mathrm C$ e uma garrafa parcialmente cheia, contendo $2{,}0\,\mathrm L$ de refrigerante também a $25\,{}^\circ\mathrm C$, sob pressão normal.

Considerando a garrafa com capacidade térmica desprezível e o refrigerante com características semelhantes às da água, isto é, calor específico na fase líquida $1{,}0\,\mathrm{cal/(g\,{}^\circ C)}$ e na fase sólida $0{,}5\,\mathrm{cal/(g\,{}^\circ C)}$, calor latente de fusão de $80{,}0\,\mathrm{cal/g}$ bem como densidade absoluta na fase líquida igual a $1{,}0\,\mathrm{g/cm^3}$, a temperatura final de equilíbrio térmico do sistema, em °C, é

A)−3,0
B)0,0
C)3,0
D)5,0

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

Verifique quanto calor está disponível ao levar o refrigerante e o recipiente a $0\,{}^\circ\mathrm C$. Os $2{,}0\,\mathrm L$ de refrigerante têm massa $2000\,\mathrm g$.

O calor cedido é \[Q_\mathrm{cedido}=(2000\cdot1+40)(25-0)=51000\,\mathrm{cal}.\]

Para aquecer os $600\,\mathrm g$ de gelo de $-10$ a $0\,{}^\circ\mathrm C$ e fundi-los, \[Q_\mathrm{necessário}=600(0{,}5)(10)+600(80)=3000+48000=51000\,\mathrm{cal}.\]

Os valores são exatamente iguais: todo o gelo chega a fundir, mas não sobra calor para elevar a temperatura. Portanto, \[\boxed{T_f=0\,{}^\circ\mathrm C}.\]

Cuidado, armadilha! Inclua a capacidade térmica do recipiente e o calor latente de fusão do gelo.

Alternativa correta: B

Q56
Termologia — Gases Ideais — Estados e Transformações

Uma amostra de n mols de gás ideal sofre as transformações AB (isovolumétrica), BC (isobárica) e CD (isotérmica) conforme representação no diagrama pressão (p) x volume (V), mostrado a seguir.

AFA 2015, questão 56: Estados e Transformações, figura 1

Sabendo-se que a temperatura do gás no estado A é $27\,{}^\circ\mathrm C$, pode-se afirmar que a temperatura dele, em °C, no estado D é

A)108
B)327
C)628
D)927

Gabarito oficial — versão A

D
Resolução

Para uma quantidade fixa de gás, $pV/T$ é constante, com T em kelvin. No estado A, $p_AV_A=2\cdot4=8\,\mathrm{atm\,L}$ e $T_A=27+273=300\,\mathrm K$.

Em C, $p_CV_C=4\cdot8=32\,\mathrm{atm\,L}$: \[T_C=T_A\frac{p_CV_C}{p_AV_A}=300\frac{32}{8}=1200\,\mathrm K.\]

CD é isotérmica, portanto $T_D=T_C$. Em Celsius, \[\boxed{T_D=1200-273=927\,{}^\circ\mathrm C}.\]

Cuidado, armadilha! Use kelvin nas relações entre estados e converta para Celsius apenas no final.

Alternativa correta: D

Q57
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Equivalência com MHS

Uma onda estacionária é estabelecida em uma corda homogênea de comprimento $2\pi\,\mathrm m$, presa pelas extremidades A e B, conforme figura abaixo.

AFA 2015, questão 57: Equivalência com MHS, figura 1

Considere que a corda esteja submetida a uma tensão de $10\,\mathrm N$ e que sua densidade linear de massa seja igual a $0{,}1\,\mathrm{kg/m}$. Nessas condições, a opção que apresenta um sistema massa-mola ideal, de constante elástica $k$, em N/m, e massa $m$, em kg, que oscila em movimento harmônico simples na vertical com a mesma frequência da onda estacionária considerada é

A)
Alternativa A da questão 57: Equivalência com MHS
B)
Alternativa B da questão 57: Equivalência com MHS
C)
Alternativa C da questão 57: Equivalência com MHS
D)
Alternativa D da questão 57: Equivalência com MHS

Gabarito oficial — versão A

D
Resolução

A corda tem dois ventres, portanto está no segundo harmônico. Sua velocidade de propagação é \[v=\sqrt{\frac{F}{\mu}}=\sqrt{\frac{10}{0{,}1}}=10\,\mathrm{m/s}.\]

Com $L=2\pi\,\mathrm m$, \[f=\frac{2v}{2L}=\frac5\pi\,\mathrm{Hz}.\] Para uma massa presa a uma mola, \[f=\frac1{2\pi}\sqrt{\frac km}.\]

Igualando, $\sqrt{k/m}=10$, ou $k/m=100\,\mathrm{s^{-2}}$. Apenas D tem essa razão: $200/2=100$.

Cuidado, armadilha! A frequência depende da razão k/m, e o desenho da corda indica o segundo harmônico.

Alternativa correta: D

Q58
Óptica e Oscilações — MHS — Lente e Espelho

Um corpo luminoso de massa 1 kg é acoplado a uma mola 100 N/m e colocado à meia ideal de constante elástica distância entre uma lente esférica delgada convergente L e um espelho esférico côncavo gaussiano E, de distâncias focais respectivamente iguais a 10 cm e 60 cm, como mostra a figura abaixo.

AFA 2015, questão 58: Lente e Espelho, figura 1

Considere que o corpo luminoso seja puxado verticalmente para baixo 1 cm a partir da posição em que ele se encontra em equilíbrio sobre o eixo óptico do sistema e, então, abandonado, passa a oscilar em movimento harmônico simples exclusivamente na vertical. A distância entre o centro de curvatura do espelho e o centro óptico da lente é 40 cm. Dessa forma, o corpo luminoso serve de objeto real para a lente e para o espelho que conjugam, cada um, apenas uma única imagem desse objeto luminoso oscilante. Nessas condições, as funções horárias, no Sistema Internacional de Unidades (SI), que melhor descrevem os movimentos das imagens do corpo luminoso, respectivamente, conjugadas pela lente L e pelo espelho E, são

A)$2\cos(10t+\pi)$ e $1{,}5\cos(10t+\pi)$
B)$\cos(10t+\pi)$ e $\cos(10t)$
C)$\cos(10t)$ e $1{,}5\cos(10t+\pi)$
D)$1{,}5\cos(10t+\pi)$ e $1{,}5\cos(10t+\pi)$

Gabarito oficial — versão A

ANULADA
Resolução

O gabarito oficial registra a questão como anulada. A parte oscilatória permite obter com segurança \[\omega=\sqrt{k/m}=\sqrt{100/1}=10\,\mathrm{rad/s}.\] Como o objeto é solto $1\,\mathrm{cm}$ abaixo do equilíbrio, sua função, em SI, é $y=-0{,}01\cos(10t)$.

A lente e o espelho conjugam imagens do mesmo objeto, separadamente. Para cada um, a amplitude deve ser multiplicada pelo aumento $A=-p'/p$, calculado com $1/f=1/p+1/p'$. A frequência permanece $10\,\mathrm{rad/s}$.

A indicação de $40\,\mathrm{cm}$ entre o centro de curvatura do espelho e a lente não explicita de que lado desse centro a lente está. Por exemplo, colocando a lente entre o vértice e o centro, a separação lente–espelho seria $80\,\mathrm{cm}$ e o objeto teria $p=40\,\mathrm{cm}$ para ambos. Então $A_L=-1/3$ e $A_E=+3$, gerando $y_L=(0{,}01/3)\cos(10t)$ e $y_E=-0{,}03\cos(10t)$, sem correspondência com as opções em SI.

Não se deve escolher uma alternativa apenas porque contém a pulsação correta. Mantemos a anulação oficial; o gabarito não documenta seu motivo específico.

Cuidado, armadilha! Converta a amplitude de centímetros para metros e acompanhe o sinal do aumento de cada sistema óptico.

Questão anulada no gabarito oficial: ANULADA

Q59
Eletricidade — Eletrostática — Movimento em Aro Vertical

Uma pequenina esfera vazada, no ar, com carga elétrica igual a $1\,\mu\mathrm C$ e massa $10\,\mathrm g$, é perpassada por um aro semicircular isolante, de extremidades A e B, situado num plano vertical. Uma partícula carregada eletricamente com carga igual a $4\,\mu\mathrm C$ é fixada por meio de um suporte isolante, no centro C do aro, que tem raio $R=60\,\mathrm{cm}$, conforme ilustra a figura abaixo.

AFA 2015, questão 59: Movimento em Aro Vertical, figura 1

Despreze quaisquer forças dissipativas e considere a aceleração da gravidade constante. Ao abandonar a esfera, a partir do repouso, na extremidade A, pode-se afirmar que a intensidade da reação normal, em newtons, exercida pelo aro sobre ela no ponto mais baixo (ponto D) de sua trajetória é igual a

A)0,20
B)0,40
C)0,50
D)0,60

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

A distância entre as cargas permanece igual a R, portanto a força elétrica não realiza trabalho no percurso circular. A gravidade fornece a energia cinética na descida.

De A a D, a queda é $R$: \[mgR=\frac12mv_D^2\quad\Rightarrow\quad v_D^2=2gR.\] A força centrípeta necessária em D é $mv_D^2/R=2mg=0{,}20\,\mathrm N$.

O peso e a repulsão elétrica apontam para baixo. Com $k=9\times10^9\,\mathrm{N\,m^2/C^2}$, \[F_e=\frac{kqQ}{R^2}=\frac{9\times10^9\cdot10^{-6}\cdot4\times10^{-6}}{0{,}60^2}=0{,}10\,\mathrm N.\]

Logo, $N-mg-F_e=2mg$, de modo que \[\boxed{N=0{,}20+0{,}10+0{,}10=0{,}40\,\mathrm N}.\]

Cuidado, armadilha! A força elétrica não muda a energia cinética, mas entra no balanço radial para calcular a normal.

Alternativa correta: B

Q60
Eletricidade — Circuitos — Aquecimento de Água

Em um chuveiro elétrico, submetido a uma tensão elétrica constante de 110 V, são dispostas quatro resistências ôhmicas, conforme figura abaixo.

AFA 2015, questão 60: Aquecimento de Água, figura 1

Faz-se passar pelas resistências um fluxo de água, a uma mesma temperatura, com uma vazão constante de $1{,}32$ litros por minuto. Considere que a água tenha densidade de $1{,}0\,\mathrm{g/cm^3}$ e calor específico de $1{,}0\,\mathrm{cal/(g\,{}^\circ C)}$, que $1\,\mathrm{cal}=4\,\mathrm J$ e que toda energia elétrica fornecida ao chuveiro seja convertida em calor para aquecer, homogeneamente, a água. Nessas condições, a variação de temperatura da água, em °C, ao passar pelas resistências é

A)25
B)28
C)30
D)35

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

O fio diagonal conecta dois vértices do circuito no mesmo potencial. Os resistores da direita e de baixo não recebem diferença de potencial efetiva; os outros dois de $11\,\Omega$ ficam em paralelo.

Assim, \[R_\mathrm{eq}=11/2=5{,}5\,\Omega,\qquad P=U^2/R_\mathrm{eq}=110^2/5{,}5=2200\,\mathrm W.\]

A vazão mássica é $1{,}32\,\mathrm{kg/min}=22\,\mathrm{g/s}$. Como $c=4\,\mathrm{J/(g\,{}^\circ C)}$, \[P=\dot mc\Delta T\quad\Rightarrow\quad\Delta T=\frac{2200}{22\cdot4}=\boxed{25\,{}^\circ\mathrm C}.\]

Cuidado, armadilha! Simplifique as conexões elétricas antes de somar resistências; converta a vazão para massa por segundo.

Alternativa correta: A

Q61
Eletricidade — Capacitores — Movimento de Placas Isoladas

Duas grandes placas metálicas idênticas, P1 e P2, são fixadas na face dianteira de dois carrinhos, de mesma massa, A e B. Essas duas placas são carregadas eletricamente, constituindo, assim, um capacitor plano de placas paralelas. Lançam-se, simultaneamente, em sentidos opostos, os carrinhos A e B, conforme indicado na figura abaixo.

AFA 2015, questão 61: Movimento de Placas Isoladas, figura 1

Desprezadas quaisquer resistências ao movimento do sistema e considerando que as placas estão eletricamente isoladas, o gráfico que melhor representa a ddp, U, no capacitor, em função do tempo t, contado a partir do lançamento é

A)
Alternativa A da questão 61: Movimento de Placas Isoladas
B)
Alternativa B da questão 61: Movimento de Placas Isoladas
C)
Alternativa C da questão 61: Movimento de Placas Isoladas
D)
Alternativa D da questão 61: Movimento de Placas Isoladas

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

As placas isoladas conservam suas cargas. Desprezando bordas, o campo entre elas é constante, e a força de atração também é constante.

Os carrinhos são lançados afastando-se um do outro. A atração produz acelerações em sentidos contrários às velocidades iniciais, portanto a separação segue \[d(t)=d_0+2v_0t-at^2.\]

Como $C=\varepsilon_0A/d$ e Q é constante, \[U=Q/C=\frac{Qd}{\varepsilon_0A}.\] Logo, U acompanha a separação: cresce inicialmente, com concavidade para baixo. Esse comportamento é A.

Cuidado, armadilha! As placas estão isoladas: a carga permanece constante, e não a tensão.

Alternativa correta: A

Q62
Eletromagnetismo — Força Magnética — Balança com Espira

Desejando-se determinar a intensidade do campo magnético no interior de um solenoide longo percorrido por uma corrente elétrica constante, um professor de física construiu um aparato experimental que consistia, além do solenoide, de uma balança de braços isolantes e iguais a $d_1$ e $d_2$, sendo que o prato em uma das extremidades foi substituído por uma espira quadrada de lado $\ell$, conforme indicado na figura abaixo.

AFA 2015, questão 62: Balança com Espira, figura 1

Quando não circula corrente na espira, a balança se encontra em equilíbrio e o plano da espira está na horizontal. Ao fazer passar pela espira uma corrente elétrica constante $i$, o equilíbrio da balança é restabelecido ao colocar no prato uma massa $m$. Sendo $g$ o módulo do campo gravitacional local, o campo magnético no interior do solenoide é dado pela expressão

A)$\dfrac{mgd_1+i(\ell+d_2)}{\ell+d_2}$
B)$\dfrac{mgd_1i}{\ell(d_2+\ell)}$
C)$\dfrac{mg(d_1+d_2)}{i\ell^2d_2}$
D)$\dfrac{mgd_1}{i\ell^2}$

Gabarito oficial — versão A

D
Resolução

No campo uniforme do solenoide, dois lados da espira paralelos ao campo não recebem força. Os outros dois sofrem forças opostas, formando um binário.

Cada força tem módulo $F=Bi\ell$, e a distância entre suas linhas de ação é $\ell$. Assim, o torque magnético é \[\tau_B=F\ell=Bi\ell^2.\]

O peso adicional no prato produz torque $mgd_1$. Para restabelecer o equilíbrio, \[Bi\ell^2=mgd_1\quad\Rightarrow\quad\boxed{B=\frac{mgd_1}{i\ell^2}}.\]

Cuidado, armadilha! O torque de um binário não depende da distância d₂ até o apoio.

Alternativa correta: D

Q63
Eletromagnetismo — Indução — Gerador e Transmissão por Polia

A figura a seguir representa um dispositivo usado para medir a velocidade angular ω de uma roda, constituída de material eletricamente isolante.

AFA 2015, questão 63: Gerador e Transmissão por Polia, figura 1

Este dispositivo é constituído por uma espira condutora de área $0{,}5\,\mathrm{m^2}$ e imersa dentro de um campo magnético uniforme de intensidade $1{,}0\,\mathrm T$. A espira gira devido ao contato da polia P com a roda em que se deseja medir a velocidade angular $\omega$. A espira é ligada a um voltímetro ideal V que indica, em cada instante $t$, a voltagem nos terminais dela. Considerando que não há deslizamento entre a roda e a polia P e sabendo-se que o voltímetro indica uma tensão eficaz igual a $10\,\mathrm V$ e que a razão entre o raio da roda R e o raio da polia r é $R/r=\sqrt2$, pode-se afirmar que $\omega$, em rad/s, é igual a

A)5
B)15
C)20
D)25

Gabarito oficial — versão A

C
Resolução

Uma espira que gira em campo uniforme produz $\varepsilon(t)=BA\omega_p\sin(\omega_pt)$, com valor eficaz \[\varepsilon_\mathrm{ef}=\frac{BA\omega_p}{\sqrt2}.\]

Com $A=0{,}5\,\mathrm{m^2}$, $B=1\,\mathrm T$ e $\varepsilon_\mathrm{ef}=10\,\mathrm V$, \[\omega_p=\frac{10\sqrt2}{0{,}5}=20\sqrt2\,\mathrm{rad/s}.\]

Sem deslizamento, as velocidades tangenciais são iguais: $\omega R=\omega_pr$. Como $R/r=\sqrt2$, \[\boxed{\omega=\omega_p/\sqrt2=20\,\mathrm{rad/s}}.\]

Cuidado, armadilha! O voltímetro indica valor eficaz, não amplitude; a roda maior gira mais lentamente que a polia.

Alternativa correta: C

Q64
Física Moderna — Espectros — Comprimentos de Onda

O diagrama a seguir mostra os níveis de energia permitidos para elétrons de um certo elemento químico.

AFA 2015, questão 64: Comprimentos de Onda, figura 1

Durante a emissão de radiação por este elemento, são observados três comprimentos de onda: $\lambda_A$, $\lambda_B$ e $\lambda_C$. Sabendo-se que $\lambda_A<\lambda_B<\lambda_C$, pode-se afirmar que $\lambda_A/\lambda_C$ é igual a

A)$E_3/E_1$
B)$\dfrac{E_3-E_2}{E_3}$
C)$\dfrac{E_3-E_2}{E_3-E_1}$
D)$E_2/E_1$

Gabarito oficial — versão A

C
Resolução

A energia do fóton é a diferença entre níveis: $hc/\lambda=\Delta E$. Quanto maior a diferença, menor o comprimento de onda.

O maior salto é de $E_3$ para $E_1$, associado ao menor comprimento $\lambda_A$. O menor salto mostrado é de $E_3$ para $E_2$, associado ao maior comprimento $\lambda_C$.

Assim, \[\lambda_A=\frac{hc}{E_3-E_1},\qquad\lambda_C=\frac{hc}{E_3-E_2}.\] Dividindo, \[\boxed{\frac{\lambda_A}{\lambda_C}=\frac{E_3-E_2}{E_3-E_1}}.\]

Cuidado, armadilha! A razão entre comprimentos de onda é a razão inversa entre as energias dos fótons.

Alternativa correta: C

↑ Voltar ao topo