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AFA 2017 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Academia da Força Aérea

Edição 2017 · Versão A · Física — resolução comentada Método TEF.

Q49
Mecânica — Movimento Circular — Ruptura de Corda

Uma partícula de massa m, presa na extremidade de uma corda ideal, descreve um movimento circular acelerado, de raio R, contido em um plano vertical, conforme figura a seguir.

AFA 2017, questão 49: Ruptura de Corda, figura 1

Quando essa partícula atinge determinado valor de velocidade, a corda também atinge um valor máximo de tensão e se rompe. Nesse momento, a partícula é lançada horizontalmente, de uma altura 2R, indo atingir uma distância horizontal igual a 4R. Considerando a aceleração da gravidade no local igual a g, a tensão máxima experimentada pela corda foi de

A)$mg$
B)$2mg$
C)$3mg$
D)$4mg$

Gabarito oficial — versão A

C
Resolução

A corda rompe no ponto superior, onde a partícula é lançada horizontalmente de altura $2R$. Use o lançamento para descobrir sua rapidez.

Na queda, $2R=gt^2/2$, então $t=2\sqrt{R/g}$. Como o alcance é $4R$, \[v=\frac{4R}{t}=2\sqrt{gR},\qquad v^2=4gR.\]

No topo, peso e tensão apontam para o centro: \[T+mg=\frac{mv^2}{R}=4mg.\] Portanto, \[\boxed{T=3mg}.\]

Cuidado, armadilha! No topo, o peso ajuda a fornecer a força centrípeta; não subtraia seu efeito na equação radial.

Alternativa correta: C

Q50
Mecânica — Movimento Circular — Pêndulos Cônicos

Dois pequenos corpos A e B são ligados a uma haste rígida através de fios ideais de comprimentos $\ell_A$ e $\ell_B$, respectivamente, conforme figura a seguir.

AFA 2017, questão 50: Pêndulos Cônicos, figura 1

A e B giram em sincronia com a haste, com velocidades escalares constantes $v_A$ e $v_B$, e fazem com a direção horizontal ângulos $\theta_A$ e $\theta_B$, respectivamente. Considerando $\ell_A=4\ell_B$, a razão $v_A/v_B$, em função de $\theta_A$ e $\theta_B$, é igual a

A)$2\dfrac{\cos\theta_A}{\cos\theta_B}\sqrt{\dfrac{\sin\theta_B}{\sin\theta_A}}$
B)$\dfrac{\cos\theta_A}{\cos\theta_B}\dfrac{\sin\theta_A}{\sin\theta_B}$
C)$\dfrac{\sin\theta_A}{\sin\theta_B}\sqrt{\dfrac{\cos\theta_A}{\cos\theta_B}}$
D)$4\dfrac{\cos\theta_A}{\sin\theta_A}\dfrac{\cos\theta_B}{\sin\theta_B}$

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

Os ângulos são medidos em relação à horizontal. Para cada corpo, o raio da trajetória é $r=\ell\cos\theta$.

As componentes da tensão satisfazem \[T\sin\theta=mg,\qquad T\cos\theta=\frac{mv^2}{\ell\cos\theta}.\] Eliminando $T$, \[v^2=g\ell\frac{\cos^2\theta}{\sin\theta}.\]

Como $\ell_A=4\ell_B$, \[\frac{v_A}{v_B}=\sqrt{\frac{\ell_A}{\ell_B}}\frac{\cos\theta_A}{\cos\theta_B}\sqrt{\frac{\sin\theta_B}{\sin\theta_A}}=\boxed{2\frac{\cos\theta_A}{\cos\theta_B}\sqrt{\frac{\sin\theta_B}{\sin\theta_A}}}.\]

Cuidado, armadilha! O ângulo é dado com a horizontal: a componente vertical da tensão usa seno.

Alternativa correta: A

Q51
Mecânica — Oscilações — Atrito entre Blocos

Na situação da figura a seguir, os blocos A e B têm massas $m_A=3{,}0\,\mathrm{kg}$ e $m_B=1{,}0\,\mathrm{kg}$. O atrito entre o bloco A e o plano horizontal de apoio é desprezível, e o coeficiente de atrito estático entre B e A vale $\mu_e=0{,}4$. O bloco A está preso numa mola ideal, inicialmente não deformada, de constante elástica $K=160\,\mathrm{N/m}$ que, por sua vez, está presa ao suporte S.

AFA 2017, questão 51: Atrito entre Blocos, figura 1

O conjunto formado pelos dois blocos pode ser movimentado produzindo uma deformação na mola e, quando solto, a mola produzirá uma certa aceleração nesse conjunto. Desconsiderando a resistência do ar, para que B não escorregue sobre A, a deformação máxima que a mola pode experimentar, em cm, vale

A)3,0
B)4,0
C)10
D)16

Gabarito oficial — versão A

C
Resolução

O atrito estático é a força que acelera B. Para não escorregar, $m_Ba\le\mu_em_Bg$, portanto $a_{\max}=\mu_eg=4\,\mathrm{m/s^2}$.

A mola acelera o conjunto de massa $m_A+m_B=4{,}0\,\mathrm{kg}$. No extremo da oscilação, \[a_{\max}=\frac{Kx_{\max}}{m_A+m_B}.\]

Logo, \[x_{\max}=\frac{4{,}0\cdot4}{160}=0{,}10\,\mathrm m=\boxed{10\,\mathrm{cm}}.\]

Cuidado, armadilha! O atrito acelera B, enquanto a mola acelera o conjunto. Converta metros para centímetros com cuidado.

Alternativa correta: C

Q52
Mecânica — Energia — Atrito em Plano Inclinado

Um bloco escorrega, livre de resistência do ar, sobre um plano inclinado de $30^\circ$, conforme a figura (sem escala) a seguir.

AFA 2017, questão 52: Atrito em Plano Inclinado, figura 1

No trecho AB não existe atrito e no trecho BC o coeficiente de atrito vale $\mu=\sqrt3/2$. O bloco é abandonado, do repouso em relação ao plano inclinado, no ponto A e chega ao ponto C com velocidade nula. A altura do ponto A, em relação ao ponto B, é $h_1$, e a altura do ponto B, em relação ao ponto C, é $h_2$. A razão $h_1/h_2$ vale

A)$1/2$
B)$3/2$
C)$\sqrt3$
D)$2$

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

O bloco parte e chega em repouso. Toda a energia potencial perdida nos dois trechos é dissipada pelo atrito em BC.

A distância em BC é $s=h_2/\sin30^\circ=2h_2$. A normal é $N=mg\cos30^\circ$. Logo, \[W_{at}=-\mu N s=-\frac{\sqrt3}{2}mg\frac{\sqrt3}{2}(2h_2)=-\frac32mgh_2.\]

Pelo balanço de energia, \[mg(h_1+h_2)=\frac32mgh_2\quad\Rightarrow\quad h_1=\frac12h_2.\] Portanto, \[\boxed{\frac{h_1}{h_2}=\frac12}.\]

Cuidado, armadilha! O trabalho do atrito usa a distância percorrida sobre a rampa, não apenas sua altura.

Alternativa correta: A

Q53
Mecânica — Estática — Balança de Braços

Em feiras livres ainda é comum encontrar balanças mecânicas, cujo funcionamento é baseado no equilíbrio de corpos extensos. Na figura a seguir tem-se a representação de uma dessas balanças, constituída basicamente de uma régua metálica homogênea de massa desprezível, um ponto de apoio, um prato fixo em uma extremidade da régua e um cursor que pode se movimentar desde o ponto de apoio até a outra extremidade da régua. A distância do centro do prato ao ponto de apoio é de 10 cm. O cursor tem massa igual a 0,5 kg. Quando o prato está vazio, a régua fica em equilíbrio na horizontal com o cursor a 4 cm do apoio.

AFA 2017, questão 53: Balança de Braços, figura 1

Colocando 1 kg sobre o prato, a régua ficará em equilíbrio na horizontal se o cursor estiver a uma distância do apoio, em cm, igual a

A)18
B)20
C)22
D)24

Gabarito oficial — versão A

D
Resolução

A régua fica em equilíbrio quando os momentos dos pesos em torno do apoio são iguais.

Sem carga no prato, \[m_p g(10)=0{,}5g(4)\quad\Rightarrow\quad m_p=0{,}2\,\mathrm{kg}.\]

Com $1\,\mathrm{kg}$ adicional, a massa do lado do prato é $1{,}2\,\mathrm{kg}$: \[1{,}2g(10)=0{,}5g x\quad\Rightarrow\quad\boxed{x=24\,\mathrm{cm}}.\]

Cuidado, armadilha! O prato tem massa: seu efeito já aparece na posição inicial de 4 cm.

Alternativa correta: D

Q54
Termologia — Dilatação — Termômetro de Líquido

Em um laboratório de física é proposta uma experiência onde os alunos deverão construir um termômetro, o qual deverá ser constituído de um bulbo, um tubo muito fino e uniforme, ambos de vidro, além de álcool colorido, conforme a figura abaixo. O bulbo tem capacidade de $2{,}0\,\mathrm{cm^3}$, o tubo tem área de secção transversal de $1{,}0\times10^{-2}\,\mathrm{cm^2}$ e comprimento de $25\,\mathrm{cm}$.

AFA 2017, questão 54: Termômetro de Líquido, figura 1

No momento da experiência, a temperatura no laboratório é $30\,{}^\circ\mathrm C$, e o bulbo é totalmente preenchido com álcool até a base do tubo. Sabendo-se que o coeficiente de dilatação do álcool é $11\times10^{-4}\,{}^\circ\mathrm C^{-1}$ e que o coeficiente de dilatação do vidro utilizado é desprezível comparado ao do álcool, a altura h, em cm, atingida pelo líquido no tubo, quando o termômetro for utilizado em um experimento a $80\,{}^\circ\mathrm C$, é

A)5,50
B)11,0
C)16,5
D)22,0

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

O álcool dilatado sobe no tubo. Como a dilatação do vidro é desprezível, o volume que sobe é o aumento de volume do álcool.

Com $\Delta T=80-30=50\,{}^\circ\mathrm C$, \[\Delta V=\gamma V_0\Delta T=11\times10^{-4}\cdot2{,}0\cdot50=0{,}11\,\mathrm{cm^3}.\]

O tubo possui área $S=1{,}0\times10^{-2}\,\mathrm{cm^2}$: \[h=\frac{\Delta V}{S}=\frac{0{,}11}{0{,}01}=\boxed{11{,}0\,\mathrm{cm}}.\]

Cuidado, armadilha! Use a variação de temperatura e a área transversal do tubo; não confunda volume com altura.

Alternativa correta: B

Q55
Termologia — Termodinâmica — Trabalho em Ciclo

Um sistema termodinâmico constituído de n mols de um gás perfeito monoatômico desenvolve uma transformação cíclica ABCDA representada no diagrama a seguir.

AFA 2017, questão 55: Trabalho em Ciclo, figura 1

De acordo com o apresentado pode-se afirmar que

A)o trabalho em cada ciclo é de 800 J e é realizado pelo sistema.
B)o sistema termodinâmico não pode representar o ciclo de uma máquina frigorífica uma vez que o mesmo está orientado no sentido anti-horário.
C)a energia interna do sistema é máxima no ponto D e mínima no ponto B.
D)em cada ciclo o sistema libera 800 J de calor para o meio ambiente.

Gabarito oficial — versão A

D
Resolução

Em um ciclo, a energia interna retorna ao valor inicial: $\Delta U_\mathrm{ciclo}=0$. O trabalho é a área orientada no diagrama pressão × volume.

O ciclo é anti-horário, portanto o trabalho realizado pelo gás é negativo: \[W=-(3-1)10^5(6-2)10^{-3}=-800\,\mathrm J.\]

Pela primeira lei, $\Delta U=Q-W$, de modo que $Q=W=-800\,\mathrm J$. O gás libera $800\,\mathrm J$ por ciclo: D. A energia interna, proporcional a $pV$, é máxima em C e mínima em A, e não em D e B.

Cuidado, armadilha! Converta litros em metros cúbicos e atribua sinal negativo ao trabalho de um ciclo anti-horário.

Alternativa correta: D

Q56
Mecânica — Oscilações — Condições do MHS

Uma partícula de massa m pode ser colocada a oscilar em quatro experimentos diferentes, como mostra a Figura 1 abaixo.

AFA 2017, questão 56: Condições do MHS, figura 1

Para apenas duas dessas situações, tem-se o registro do gráfico senoidal da posição da partícula em função do tempo, apresentado na Figura 2.

AFA 2017, questão 56: Condições do MHS, figura 2

Considere que não existam forças dissipativas nos quatro experimentos; que, nos experimentos II e IV , as molas sejam ideais e que as massas oscilem em trajetórias perfeitamente retilíneas; que no experimento III o fio conectado à massa seja ideal e inextensível; e que nos experimentos I e III a massa descreva uma trajetória que é um arco de circunferência.

Nessas condições, os experimentos em que a partícula oscila certamente em movimento harmônico simples são, apenas

A)I e III
B)II e III
C)III e IV
D)II e IV

Gabarito oficial — versão A

D
Resolução

Um MHS exige força restauradora proporcional ao deslocamento na coordenada considerada: $F=-kx$.

II e IV têm molas ideais e trajetórias retilíneas. Suas forças restauradoras são lineares, garantindo movimento senoidal na ausência de dissipação.

Em I e III, a trajetória é um arco. A componente tangencial do peso envolve $\sin\theta$, de forma que o MHS só pode ser aproximado para ângulos pequenos, condição não fornecida. Assim, apenas II e IV são certamente MHS.

Cuidado, armadilha! Um pêndulo simples não executa MHS exato para amplitudes arbitrárias.

Alternativa correta: D

Q57
Ondulatória — Efeito Doppler — Fontes em Movimento

Duas fontes sonoras 1 e 2, de massas desprezíveis, que f1 = 570 Hz emitem sons, respectivamente, de frequências f2 = 390 Hz e são colocadas em um sistema, em repouso, constituído por dois blocos, A e B, unidos por um fio ideal e inextensível, de tal forma que uma mola ideal se encontra comprimida entre eles, como mostra a figura abaixo.

AFA 2017, questão 57: Fontes em Movimento, figura 1

A fonte sonora 1 está acoplada ao bloco A, de massa 2m, e a fonte sonora 2 ao bloco B, de massa m. Um observador O, estacionário em relação ao solo, dispara um mecanismo que rompe o fio. Os blocos passam, então, a se mover, separados da mola, com velocidades constantes em relação ao solo, sendo que a velocidade do bloco B é de 80 m/s. Considere que não existam forças dissipativas, que a velocidade do som no local é constante e igual a 340 m/s, que o ar se encontra em repouso em relação ao solo. Nessas condições, a razão entre as frequências sonoras percebidas pelo observador, devido ao movimento das fontes 2 e 1, respectivamente, é

A)1
B)2
C)3
D)4

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

Antes da liberação, o momento total é zero. As velocidades posteriores dos blocos têm sentidos opostos: \[2m v_A=m v_B\quad\Rightarrow\quad v_A=40\,\mathrm{m/s},\] pois $v_B=80\,\mathrm{m/s}$.

O observador está à direita: A se afasta dele e B se aproxima. Para uma fonte móvel e observador parado, \[f'_1=570\frac{340}{340+40}=510\,\mathrm{Hz},\] \[f'_2=390\frac{340}{340-80}=510\,\mathrm{Hz}.\]

Logo, \[\boxed{\frac{f'_2}{f'_1}=1}.\]

Cuidado, armadilha! Use sinais diferentes no Doppler: uma fonte se aproxima do observador e a outra se afasta.

Alternativa correta: A

Q58
Óptica — Lentes — Vergência e Meio Externo

Considere uma lente esférica delgada S, de bordas finas, feita de material de índice de refração n maior do que o índice de refração do ar. Com esta lente podem-se realizar dois experimentos. No primeiro, a lente é imersa em um meio ideal, de índice de refração $n_1$, e o seu comportamento óptico, quando um feixe de luz paralela passa por ela, é o mesmo de uma lente côncavo-convexa de índice de refração n imersa no ar. No segundo, a lente S é imersa em um outro meio ideal, de índice de refração $n_2$, e o seu comportamento óptico é o mesmo de uma lente convexo-côncava de índice de refração n imersa no ar.

Nessas condições, são feitas as seguintes afirmativas:

I. $n_2>n>n_1$.

II. A lente S, quando imersa no ar, pode ser uma lente plano-côncava.

III. A razão entre as vergências da lente S nos dois experimentos não pode ser 1.

IV. As distâncias focais da lente S, nos dois experimentos, são sempre as mesmas.

São corretas, apenas

A)I e II
B)II e III
C)I e III
D)II e IV

Gabarito oficial — versão A

C
Resolução

Uma lente de bordas finas é convergente quando seu índice é maior que o do meio. Ela se torna divergente se o meio tiver índice maior.

No primeiro experimento, o comportamento côncavo-convexo é convergente, exigindo $n>n_1$. No segundo, o comportamento convexo-côncavo é divergente, exigindo $n_2>n$. Logo, I é verdadeira: $n_2>n>n_1$.

II é falsa, pois uma plano-côncava tem bordas grossas. III é verdadeira: as vergências têm sinais opostos, e sua razão não pode ser $+1$. IV é falsa: os focos têm sinais diferentes. Portanto, I e III.

Cuidado, armadilha! A mudança do meio pode inverter o sinal da vergência, mesmo sem mudar a forma da lente.

Alternativa correta: C

Q59
Eletricidade — Eletrostática — Equilíbrio em Aro

Uma pequena esfera C, com carga elétrica de $+5\times10^{-4}\,\mathrm C$, é guiada por um aro isolante e semicircular de raio R igual a $2{,}5\,\mathrm m$, situado num plano horizontal, com extremidades A e B, como indica a figura abaixo.

AFA 2017, questão 59: Equilíbrio em Aro, figura 1

A esfera pode se deslocar sem atrito tendo o aro como guia. Nas extremidades A e B deste aro são fixadas duas cargas elétricas puntiformes de $+8\times10^{-6}\,\mathrm C$ e $+1\times10^{-6}\,\mathrm C$, respectivamente. Sendo a constante eletrostática do meio igual a $4\sqrt5\times10^9\,\mathrm{N\,m^2/C^2}$, na posição de equilíbrio da esfera C, a reação normal do aro sobre a esfera, em N, tem módulo igual a

A)1
B)2
C)4
D)5

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

No equilíbrio, a componente tangencial da resultante elétrica é nula; o aro fornece a reação normal. Seja $AC=a$ e $BC=b$. Pelo teorema de Tales, os segmentos são perpendiculares e $a^2+b^2=(2R)^2=25$.

A condição tangencial dá $Q_A/a^3=Q_B/b^3$. Como $Q_A/Q_B=8$, \[a=2b,\qquad b=\sqrt5\,\mathrm m,\qquad a=2\sqrt5\,\mathrm m.\]

Os módulos das forças são \[F_A=\frac{kqQ_A}{a^2}=0{,}8\sqrt5\,\mathrm N,\qquad F_B=\frac{kqQ_B}{b^2}=0{,}4\sqrt5\,\mathrm N.\]

Como são perpendiculares, a reação equilibra a resultante: \[N=\sqrt{F_A^2+F_B^2}=\sqrt{3{,}2+0{,}8}=\boxed{2\,\mathrm N}.\]

Cuidado, armadilha! As forças agem ao longo das cordas AC e BC. Não as some como se fossem colineares.

Alternativa correta: B

Q60
Eletricidade — Eletrostática — Campo e Potencial

Um sistema é composto por quatro cargas elétricas puntiformes fixadas nos vértices de um quadrado, conforme ilustrado na figura abaixo.

AFA 2017, questão 60: Campo e Potencial, figura 1

As cargas $q_1$ e $q_2$ são desconhecidas. No centro O do quadrado, o vetor campo elétrico $\vec E$, devido às quatro cargas, tem a direção e o sentido indicados na figura. A partir da análise deste campo elétrico, pode-se afirmar que o potencial elétrico em O

A)é positivo.
B)é negativo.
C)é nulo.
D)pode ser positivo.

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

As quatro cargas estão à mesma distância $r$ de O. O potencial total é \[V_O=\frac{k}{r}(Q-Q+q_1+q_2)=\frac{k}{r}(q_1+q_2).\]

Para determinar o sinal dessa soma, examine a componente horizontal do campo. As contribuições de $+Q$ e $-Q$ se cancelam nessa direção. As cargas do lado direito dão uma componente proporcional a $-(q_1+q_2)$.

O campo indicado aponta para a direita, portanto $-(q_1+q_2)>0$: a soma é negativa. Consequentemente, $\boxed{V_O<0}$, alternativa B.

Cuidado, armadilha! Campo elétrico é vetorial; potencial é escalar. Use a direção do campo para determinar o sinal da soma das cargas.

Alternativa correta: B

Q61
Eletricidade — Circuitos — Potência Máxima em Resistores

A figura a seguir representa um circuito elétrico constituído por duas baterias de resistências internas desprezíveis e sete resistores ôhmicos.

AFA 2017, questão 61: Potência Máxima em Resistores, figura 1

Sendo que a máxima potência dissipada em cada resistor não poderá ultrapassar 10 W, a fem ε máxima que as baterias poderão apresentar é, em V,

A)9
B)12
C)18
D)36

Gabarito oficial — versão A

C
Resolução

A ponte formada pelos resistores externos é equilibrada, pois $10/20=5/10$. Não passa corrente pelo resistor de $15\,\Omega$. Os caminhos restantes têm $15\,\Omega$ e $30\,\Omega$ em paralelo, equivalentes a $10\,\Omega$.

Os dois ramos idênticos com bateria e resistor de $4\,\Omega$ equivalem a uma fem $\varepsilon$ em série com $2\,\Omega$. A corrente total é $I=\varepsilon/12$. No caminho externo de $15\,\Omega$, passa $2I/3=\varepsilon/18$.

O resistor de $10\,\Omega$ desse caminho é o primeiro a atingir o limite: \[P=10(\varepsilon/18)^2\le10\quad\Rightarrow\quad\boxed{\varepsilon_{\max}=18\,\mathrm V}.\]

Nesse valor, as potências dos demais resistores são $5$, $5$, $2{,}5$, $2{,}25$, $2{,}25$ e $0\,\mathrm W$, todas abaixo do limite.

Cuidado, armadilha! A potência de cada resistor precisa respeitar 10 W; não imponha o limite somente à potência total.

Alternativa correta: C

Q62
Eletromagnetismo — Campo de Fios — Superposição

Dois longos fios paralelos estão dispostos a uma distância $\ell$ um do outro e transportam correntes elétricas de mesma intensidade i em sentidos opostos, como ilustra a figura abaixo.

AFA 2017, questão 62: Superposição, figura 1

Nessa figura, o ponto P é equidistante dos fios. Assim, o gráfico que melhor representa a intensidade do campo magnético resultante B, no ponto P, em função da abscissa x, é

A)
Alternativa A da questão 62: Superposição
B)
Alternativa B da questão 62: Superposição
C)
Alternativa C da questão 62: Superposição
D)
Alternativa D da questão 62: Superposição

Gabarito oficial — versão A

A
Resolução

Os campos dos dois fios devem ser somados vetorialmente. Em P, equidistante deles, uma componente se cancela e a outra se soma.

Se $a=\ell/2$, a distância de P a cada fio é $r=\sqrt{x^2+a^2}$. A componente que soma tem fator $a/r$. Logo, \[B=2\frac{\mu_0i}{2\pi r}\frac ar=\frac{\mu_0 i a}{\pi(x^2+a^2)}.\]

Essa intensidade é positiva, simétrica em $x$, máxima em $x=0$ e tende a zero para grandes $|x|$. O gráfico compatível é A.

Cuidado, armadilha! A pergunta pede a intensidade do campo, não uma componente com sinal.

Alternativa correta: A

Q63
Física Moderna — Espectros — Transições Atômicas

A Figura 1 abaixo representa um arranjo experimental para a obtenção do espectro de emissão da luz emitida por uma lâmpada de gás de hidrogênio.

AFA 2017, questão 63: Transições Atômicas, figura 1

Ao passar pelo prisma, a luz divide-se em quatro feixes de cores distintas: violeta, anil, azul e vermelho. Projetando-se esses feixes em um anteparo, eles ficam espalhados, como ilustrado na Figura 1. Considere, agora, a Figura 2, que ilustra esquematicamente alguns níveis de energia do átomo de hidrogênio, onde as setas I, II, III e IV mostram transições possíveis para esse átomo.

AFA 2017, questão 63: Transições Atômicas, figura 2

Relacionando as informações contidas na Figura 2 com as cores da luz emitida pela lâmpada de gás de hidrogênio mostrada na Figura 1, é correto afirmar que a cor anil corresponde à transição

A)I
B)II
C)III
D)IV

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

Cada fóton emitido tem energia igual à diferença entre o nível inicial e o final: \[E_\gamma=hf=\frac{hc}{\lambda}=\Delta E.\]

As quatro transições terminam no mesmo nível inferior. Quanto maior a queda de energia, menor o comprimento de onda. Entre as cores indicadas, a ordem de energia é violeta, anil, azul e vermelho.

A transição de maior energia é I, seguida por II, III e IV. Portanto, o anil, segundo nessa ordem, corresponde a II: alternativa B.

Cuidado, armadilha! Associe a cor à diferença de energia entre níveis, não à energia de um nível isolado.

Alternativa correta: B

Q64
Eletromagnetismo — Indução — Cancelamento do Fluxo

A Figura 1 mostra uma espira quadrada, feita de material condutor, contida num plano zy, e um fio condutor retilíneo e muito longo, paralelo ao eixo z, sendo percorrido por uma corrente elétrica de intensidade i, dada pelo gráfico da Figura 2.

AFA 2017, questão 64: Cancelamento do Fluxo, figura 1
AFA 2017, questão 64: Cancelamento do Fluxo, figura 2

A partir da análise das Figuras 1 e 2, pode-se afirmar que o gráfico que melhor representa a fem induzida ε entre os pontos A e B é

A)
Alternativa A da questão 64: Cancelamento do Fluxo
B)
Alternativa B da questão 64: Cancelamento do Fluxo
C)
Alternativa C da questão 64: Cancelamento do Fluxo
D)
Alternativa D da questão 64: Cancelamento do Fluxo

Gabarito oficial — versão A

B
Resolução

Antes de derivar a corrente, verifique o fluxo resultante através da espira. O fio está em $(x,y)=(2,2)$, e a espira no plano $x=0$ se estende de $y=1$ a $y=3$: ela é simétrica em relação a $y=2$.

A componente do campo perpendicular à espira tem sinais opostos nas metades $y<2$ e $y>2$. Para pontos igualmente afastados de $y=2$, os módulos são iguais. As contribuições para o fluxo se cancelam: \[\Phi_B=\int\vec B\cdot d\vec A=0.\]

Esse cancelamento vale para qualquer intensidade $i(t)$. Assim, \[\varepsilon=-\frac{d\Phi_B}{dt}=0.\] O gráfico é a linha horizontal da alternativa B.

Cuidado, armadilha! Uma corrente variável não garante fem não nula: o fluxo total pode ser zero por simetria.

Alternativa correta: B

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