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AFA 2021

Academia da Força Aérea

Exame de Admissão aos CFOAV/CFOINT/CFOINF 2021 · Prova de Física (Q17-32) — resolução comentada Método TEF.

Q17
Cinemática — Velocidade Média em Movimento com Duas Fases de Aceleração

A partir do instante $t_0=0$, uma partícula com velocidade inicial $v_0$ é uniformemente acelerada. No instante t, a aceleração cessa e a partícula passa a se movimentar com velocidade constante v. Do instante 2t ao instante 4t, uma nova aceleração constante atua sobre a partícula, de tal forma que, ao final desse intervalo, sua velocidade vale $-v$. Nessas condições, a velocidade média da partícula, no intervalo de 0 a 4t, é igual a

a)$5v+v_0$
b)$\dfrac{3v+v_0}{8}$
c)$\dfrac{2v+4v_0}{3}$
d)$v+2v_0$

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B

Fase 1 (0 a t, de $v_0$ a v, MUV): deslocamento $d_1=\dfrac{v_0+v}{2}t$. Fase 2 (t a 2t, velocidade constante v): $d_2=vt$. Fase 3 (2t a 4t, de v a $-v$, MUV, duração 2t): $d_3=\dfrac{v+(-v)}{2}(2t)=0$.

Deslocamento total: $d=\dfrac{v_0+v}{2}t+vt+0=t\left(\dfrac{v_0+3v}{2}\right)$. Velocidade média: $\bar v=\dfrac{d}{4t}=\dfrac{v_0+3v}{8}=\dfrac{3v+v_0}{8}$.

Q18
Dinâmica — Impulso em Colisão com a Fita da Rede (Vôlei)

Numa partida de vôlei, certo atleta dá um mergulho na quadra, a uma distância x = 2,5 m da rede, defendendo um ataque adversário, conforme figura a seguir.

Figura: jogador prostrado defende a bola, lançando-a a 45° com velocidade v0; a bola sobe, toca a fita da rede (a uma altura h, com velocidade horizontal), e cai do outro lado a uma distância x' da rede, com x' = h/2.

Após essa defesa, considere que a bola é lançada de uma altura desprezível em relação ao chão, de forma que sua velocidade faz um ângulo de 45° com a direção horizontal. Ao longo de sua trajetória, essa bola toca a fita da rede caindo, posteriormente, do outro lado da quadra. Imediatamente antes e imediatamente após tocar a fita, a velocidade da bola tem direção horizontal. A distância x', onde a bola cai na quadra, é igual à metade da altura h da fita. Despreze a resistência do ar e considere a bola uma partícula de massa 200 g, cujo movimento se dá no plano da figura. O módulo do impulso, aplicado pela fita sobre a bola, em N·s, vale

a)0,50
b)0,75
c)1,00
d)1,25

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B

Como a velocidade é horizontal exatamente ao tocar a fita, esse ponto é o ápice da trajetória (lançamento a 45°): $x=x_{pico}=\dfrac{v_0^2}{2g} \Rightarrow v_0^2=2g\,x=2(10)(2{,}5)=50$.

Altura h: $h=\dfrac{v_0^2sen^2 45°}{2g}=\dfrac{50\times0{,}5}{20}=1{,}25\,m$. Velocidade horizontal antes de tocar a fita: $v_1=v_0\cos45°=\sqrt{50}\times\dfrac{\sqrt2}{2}=5\,m/s$.

Após tocar a fita, a bola cai de h=1,25 m com velocidade vertical inicial nula: $h=\tfrac12gt^2 \Rightarrow 1{,}25=5t^2 \Rightarrow t=0{,}5\,s$. Como $x'=h/2=0{,}625\,m$: $v_2=x'/t=0{,}625/0{,}5=1{,}25\,m/s$.

A velocidade permanece horizontal antes e depois (impulso vertical nulo). Impulso horizontal: $|I|=m|v_2-v_1|=0{,}2\times|1{,}25-5|=0{,}2\times3{,}75=0{,}75\,N\cdot s$.

Q19
Dinâmica — Lançamento Oblíquo e Pêndulo Balístico

Uma partícula de massa M é lançada obliquamente com sua velocidade inicial $\vec v_0$ fazendo um ângulo de 30° com a direção horizontal, conforme indica figura a seguir.

Figura: partícula lançada a 30° atinge o ponto mais alto de sua trajetória, onde colide com um bloco de massa 5M, preso ao teto por um fio de 1,2 m formando um pêndulo balístico inicialmente vertical.

Ao atingir a altura máxima de sua trajetória parabólica, essa partícula colide inelasticamente com um bloco de massa 5M. Esse bloco, de dimensões desprezíveis, está preso ao teto por um fio ideal, de comprimento 1,2 m, formando um pêndulo balístico. Inicialmente o fio do pêndulo está na vertical. Após a colisão, o pêndulo atinge uma altura máxima, na qual o fio tem uma inclinação de 30° em relação à direção horizontal. Desprezando a resistência do ar, o módulo da velocidade inicial da partícula, $v_0$, em m/s, é igual a

a)5,0
b)10
c)15
d)24

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D

Fio a 30° da horizontal ⇒ 60° da vertical. Altura de subida do pêndulo: $h=L(1-\cos60°)=1{,}2(1-0{,}5)=0{,}6\,m$. Velocidade do conjunto logo após a colisão: $v=\sqrt{2gh}=\sqrt{2(10)(0{,}6)}=\sqrt{12}=2\sqrt3\,m/s$.

No ápice da trajetória, a velocidade da partícula é puramente horizontal: $v_{0x}=v_0\cos30°$. Conservação do momento linear na colisão inelástica: $M(v_0\cos30°)=6M(2\sqrt3) \Rightarrow v_0\dfrac{\sqrt3}{2}=12\sqrt3 \Rightarrow v_0=24\,m/s$.

Q20
Dinâmica — Sistema de Três Blocos com Duas Roldanas

O sistema ilustrado na figura abaixo é composto de três blocos, A, B e C, de dimensões desprezíveis e de mesma massa, duas roldanas e dois fios, todos ideais.

Figura: bloco A sobre uma mesa; um fio liga A, por uma roldana na borda da mesa, ao bloco C (que pode se apoiar sobre uma cadeira); outro fio liga A, por uma segunda roldana fixada na parede, ao bloco B, hipoteticamente em paralelo, ambos B e C pendurados e descendo na vertical.

Quando o sistema é abandonado, a partir da configuração indicada na figura, o bloco A passa, então, a deslizar sobre o plano horizontal da mesa, enquanto os blocos B e C descem na vertical e a tração estabelecida no fio que liga os blocos A e B vale $T_B$. Em determinado instante, o bloco C se apoia sobre uma cadeira, enquanto B continua descendo e puxando A, agora através de uma tração $T'_B$. Desprezando quaisquer resistências durante o movimento dos blocos, pode-se afirmar que a razão $\dfrac{T'_B}{T_B}$ vale

a)$\dfrac13$
b)1
c)$\dfrac32$
d)2

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C

Antes de C se apoiar na cadeira, A é puxado simultaneamente por dois fios (um ligado a B via uma roldana, outro ligado a C via a outra roldana). Por simetria de massas, as trações valem $T_B=T_C=T$: para B (ou C): $mg-T=ma$; para A: $2T=ma$ (as duas trações somam-se sobre A).

Substituindo: $2m(g-a)=ma \Rightarrow 2mg=3ma \Rightarrow a=\dfrac{2g}{3}$, e $T_B=m\left(g-\dfrac{2g}{3}\right)=\dfrac{mg}{3}$.

Com C apoiado na cadeira, resta apenas o par A-B: $mg-T'_B=ma' $ e $T'_B=ma' \Rightarrow a'=\dfrac{g}{2}$, $T'_B=\dfrac{mg}{2}$.

$\dfrac{T'_B}{T_B}=\dfrac{mg/2}{mg/3}=\dfrac32$.

Q21
Dinâmica — Colisão Parcialmente Elástica com Coeficiente de Restituição

Duas partículas idênticas, A e B, se movimentam ao longo de uma mesma trajetória x, sendo suas posições, em função do tempo, dadas por $x_A=2t$ e $x_B=4+t$, respectivamente, com x em metros e t em segundos. Em determinado instante, as partículas, que formam um sistema isolado, sofrem uma colisão parcialmente elástica, com coeficiente de restituição e = 0,5. Nessas condições e desprezando o deslocamento dessas partículas durante a colisão, quando a partícula A estiver na posição 28 m, a partícula B estará na posição, em m,

a)18
b)28
c)36
d)46

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C

Velocidades antes da colisão: $v_A=2\,m/s$, $v_B=1\,m/s$ (ambas constantes). Encontro (colisão): $2t=4+t \Rightarrow t=4\,s$, na posição $x=8\,m$.

Restituição: $e=\dfrac{v'_B-v'_A}{v_A-v_B}=0{,}5 \Rightarrow v'_B-v'_A=0{,}5(2-1)=0{,}5$. Conservação do momento (massas iguais): $v'_A+v'_B=v_A+v_B=3$.

Resolvendo: $v'_A=1{,}25\,m/s$, $v'_B=1{,}75\,m/s$. A partir de x=8 m (instante da colisão): $x_A=8+1{,}25t'$, $x_B=8+1{,}75t'$. Quando $x_A=28$: $t'=\dfrac{20}{1{,}25}=16\,s$.

$x_B=8+1{,}75(16)=8+28=36\,m$.

Q22
Estática — Torque em Barra Dobrada

Considere uma barra homogênea, retilínea e horizontal fixa em uma de suas extremidades pelo ponto O, e submetida à ação de uma força $\vec F$ na outra extremidade, no ponto P, conforme mostra a Figura 1.

Figura 1: barra reta horizontal, de O a P, comprimento x, com força F vertical em P. Figura 2: barra dobrada em formato de "Z": trecho horizontal x/2 a partir de O, trecho vertical x/4 descendo, trecho horizontal x/4 até P, com força F vertical em P.

A distância entre os pontos O e P vale x, e a ação da força $\vec F$ gera um torque $M_1$ na barra, em relação ao ponto de fixação. Dobrando-se a barra, de acordo com a Figura 2, e aplicando-se novamente a mesma força $\vec F$ no ponto P, um novo torque $M_2$ é gerado em relação ao ponto O. Considere que a barra não possa ser deformada por ação da força $\vec F$. Nestas condições, a razão $\dfrac{M_1}{M_2}$ entre os torques gerados pela força $\vec F$, nas duas configurações apresentadas, é

a)$\dfrac34$
b)$\dfrac13$
c)$\dfrac23$
d)$\dfrac43$

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D

Como F é vertical, o torque em relação a O depende apenas da distância horizontal entre O e o ponto de aplicação P. Figura 1: $M_1=Fx$ (distância horizontal total x).

Figura 2: a distância horizontal de O até P é a soma dos dois trechos horizontais, $\dfrac{x}{2}+\dfrac{x}{4}=\dfrac{3x}{4}$ (o trecho vertical x/4 não contribui, pois é paralelo a F). $M_2=F\left(\dfrac{3x}{4}\right)$.

$\dfrac{M_1}{M_2}=\dfrac{Fx}{F(3x/4)}=\dfrac{4}{3}$.

Q23
Oscilações — Sistema Massa-Mola com Líquido e Pêndulo Simples

Um sistema massa-mola é composto de uma mola ideal de constante elástica k e de um recipiente, de volume interno V e massa desprezível, que é totalmente preenchido com um líquido homogêneo X de densidade constante e desconhecida. Verifica-se que, ao se colocar esse primeiro sistema para oscilar, seu período de oscilação se iguala ao período de oscilação de um segundo sistema, formado de um pêndulo simples de comprimento L e massa m. Considere que os dois sistemas oscilam em movimento harmônico simples em um local em que a aceleração gravitacional vale g; e que o recipiente preenchido pelo líquido comporte-se como uma massa pontual. Nessas condições, a densidade do líquido X pode ser expressa por

a)$\dfrac{VL}{gk}$
b)$\dfrac{kL}{gV}$
c)$\dfrac{gk}{LV}$
d)$\dfrac{Vk}{gL}$

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B

Massa oscilante do sistema mola-recipiente: $m_{ef}=\rho V$ (densidade × volume). Período do sistema massa-mola: $T_1=2\pi\sqrt{\dfrac{\rho V}{k}}$. Período do pêndulo: $T_2=2\pi\sqrt{\dfrac{L}{g}}$.

Igualando: $\dfrac{\rho V}{k}=\dfrac{L}{g} \Rightarrow \rho=\dfrac{kL}{gV}$.

Q24
Termodinâmica — Trabalho em Três Transformações Cíclicas

Considere uma dada massa gasosa de um gás perfeito que pode ser submetida a três transformações cíclicas diferentes I, II e III, como mostram os respectivos diagramas abaixo.

Diagramas P-V, todos com vértices em 1(v,p), 2(v,4p), 3(4v,4p), 4(4v,p). Transformação I: retângulo 1→2→3→4→1 (sentido horário). Transformação II: triângulo 1→3 (diagonal)→4→1 (sentido horário). Transformação III: triângulo 1→4→2 (diagonal)→1 (sentido anti-horário).

O gás realiza trabalhos totais $\tau_I$, $\tau_{II}$ e $\tau_{III}$ respectivamente nas transformações I, II e III. Nessas condições, é correto afirmar que

a)nas transformações I e II, há conversão de calor em trabalho pelo gás e $\tau_I>\tau_{II}$.
b)na transformação III, há conversão de trabalho em calor pelo gás e $\tau_{III}>\tau_I>\tau_{II}$.
c)as quantidades de calor trocadas pelo gás com o meio externo nas transformações I, II e III são iguais.
d)o trabalho total $\tau_I$ é positivo enquanto que $\tau_{III}$ e $\tau_{II}$ são negativos.

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A

Ciclo percorrido no sentido horário ⇒ trabalho líquido positivo (gás converte calor em trabalho); sentido anti-horário ⇒ trabalho líquido negativo (trabalho convertido em calor rejeitado).

Transformação I (retângulo, horário): $\tau_I=(4v-v)(4p-p)=9vp$. Transformação II (triângulo 1-3-4, horário — metade do retângulo): $\tau_{II}=4{,}5vp$. Ambos positivos, com $\tau_I>\tau_{II}$ — confirma (a).

Transformação III (triângulo 1-4-2, percorrido em sentido anti-horário): $\tau_{III}=-4{,}5vp$ (negativo). Logo (b) é falsa numericamente ($\tau_{III}<\tau_{II}<\tau_I$), (c) é falsa (os três trabalhos, e portanto os três calores trocados, são diferentes) e (d) é falsa (apenas $\tau_{III}$ é negativo; $\tau_{II}$ é positivo).

Q25
Óptica — Periscópio com Dois Espelhos Planos

Um observador O visualiza uma placa com a inscrição AFA através de um periscópio rudimentar construído com dois espelhos planos $E_1$ e $E_2$ paralelos e inclinados de 45° em relação ao eixo de um tubo opaco, conforme figura abaixo.

Figura: tubo opaco em formato de "Z"; a placa AFA é vista horizontalmente, reflete no espelho E1 (45°) que redireciona o raio para baixo dentro do tubo vertical, e reflete novamente no espelho E2 (45°, paralelo a E1) que redireciona o raio horizontalmente até o observador O.

Nessas condições, a opção que melhor representa, respectivamente, a imagem da palavra AFA conjugada pelo espelho $E_1$ e a imagem final que o observador O visualiza através do espelho $E_2$ é

a)imagem de AFA girada 90° (letras empilhadas verticalmente); imagem final AFA normal.
b)imagem de AFA espelhada como um único bloco invertido; imagem final também espelhada e girada.
c)imagem de AFA espelhada e girada; imagem final também espelhada e girada.
d)imagem de AFA invertida horizontalmente (como um "F" ao contrário, tipo espelho); imagem final AFA normal, como a placa original.

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D

Cada reflexão em espelho plano inverte a imagem (efeito especular). Após a primeira reflexão, em $E_1$, a imagem da palavra AFA aparece invertida lateralmente — como se a placa fosse vista "ao contrário", tipo um "F" espelhado.

Como o periscópio usa dois espelhos paralelos (um efeito de dupla reflexão, típico de periscópios), a segunda reflexão em $E_2$ desfaz exatamente a inversão da primeira. O observador O enxerga, portanto, a palavra AFA na orientação normal, exatamente como está escrita na placa original — este é o princípio de funcionamento de qualquer periscópio.

Q26
Óptica — Dioptro Plano e Deslocamento de Imagens

Considere um dioptro plano constituído de dois meios homogêneos e transparentes de índices de refração $n_1=1$ e $n_2=\dfrac43$, separados por uma superfície S perfeitamente plana. No meio de índice de refração $n_1$ encontra-se um objeto pontual B, distante d, da superfície S, assim como, no outro meio encontra-se um objeto idêntico A, também distante d, da superfície do dioptro, como mostra a figura abaixo.

Figura: superfície plana S horizontal separando os meios n1 (acima) e n2 (abaixo); objeto B no meio n1, a uma distância d acima de S; objeto A no meio n2, a uma distância d abaixo de S; observador O1 no meio n1 (à direita de B), observador O2 no meio n2 (à direita de A).

A imagem $A_1$ de A é vista por um observador $O_1$ que se encontra no meio $n_1$; por sua vez, a imagem $B_1$ de B é vista por um observador $O_2$ que se encontra no meio $n_2$. O dioptro plano é considerado perfeitamente estigmático e os raios que saem de A e B são pouco inclinados em relação à vertical que passa pelos dois objetos. Considere que A e B sejam aproximados verticalmente da superfície S de uma distância $\dfrac{d}{2}$ e suas novas imagens, $A_2$ e $B_2$, respectivamente, sejam vistas pelos observadores $O_1$ e $O_2$. Nessas condições, a razão $\dfrac{d_A}{d_B}$ entre as distâncias, $d_A$ e $d_B$, percorridas pelas imagens dos objetos A e B, é

a)$\dfrac{9}{16}$
b)$\dfrac{3}{8}$
c)$\dfrac{3}{4}$
d)$\dfrac{8}{3}$

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A

Profundidade aparente em dioptro plano: $d'=d\cdot\dfrac{n_{observador}}{n_{objeto}}$. Objeto A está em $n_2$, observado de $n_1$: $d'_A=d\cdot\dfrac{n_1}{n_2}=\dfrac{3d}{4}$. Objeto B está em $n_1$, observado de $n_2$: $d'_B=d\cdot\dfrac{n_2}{n_1}=\dfrac{4d}{3}$.

Aproximando os objetos de d/2 (nova profundidade real d/2): $d'_{A2}=\dfrac{d}{2}\cdot\dfrac34=\dfrac{3d}{8}$; $d'_{B2}=\dfrac{d}{2}\cdot\dfrac43=\dfrac{2d}{3}$.

Deslocamento das imagens: $d_A=d'_A-d'_{A2}=\dfrac{3d}{4}-\dfrac{3d}{8}=\dfrac{3d}{8}$; $d_B=d'_B-d'_{B2}=\dfrac{4d}{3}-\dfrac{2d}{3}=\dfrac{2d}{3}$.

$\dfrac{d_A}{d_B}=\dfrac{3d/8}{2d/3}=\dfrac{9}{16}$.

Q27
Eletrostática — Força Máxima de Interação Coulombiana via Energia

Uma partícula eletrizada positivamente com uma carga igual a 5 µC é lançada com energia cinética de 3 J, no vácuo, de um ponto muito distante e em direção a uma outra partícula fixa com a mesma carga elétrica. Considerando apenas interações elétricas entre estas duas partículas, o módulo máximo da força elétrica de interação entre elas é, em N, igual a

a)15
b)25
c)40
d)85

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C

A força é máxima na aproximação mínima, quando toda a energia cinética inicial se converteu em energia potencial elétrica (repulsão entre cargas de mesmo sinal): $KE=\dfrac{kq^2}{r_{min}} \Rightarrow r_{min}=\dfrac{kq^2}{3}$.

$kq^2=9\times10^9\times(5\times10^{-6})^2=9\times10^9\times25\times10^{-12}=0{,}225$. Força máxima: $F_{max}=\dfrac{kq^2}{r_{min}^2}=\dfrac{kq^2}{(kq^2/3)^2}=\dfrac{9}{kq^2}=\dfrac{9}{0{,}225}=40\,N$.

Q28
Eletrodinâmica — Lâmpada em Paralelo com Reostato Variável

No circuito abaixo, a bateria possui fem igual a ε e resistência interna r constante e a lâmpada incandescente L apresenta resistência elétrica ôhmica igual a 2r. O reostato R tem resistência elétrica variável entre os valores 2r e 4r.

Figura: bateria (fem ε, resistência interna r); a lâmpada L e o reostato R estão ligados em paralelo entre si, essa associação em série com a bateria; cursor C do reostato desliza de A (resistência 2r) até B (resistência 4r).

Ao deslocar o cursor C do reostato de A até B, verifica-se que o brilho de L

a)aumenta enquanto a potência dissipada por R diminui.
b)fica constante enquanto a potência dissipada por R aumenta.
c)diminui e a potência dissipada por R diminuem.
d)aumenta e a potência dissipada por R aumentam.

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A

L (2r) e R estão em paralelo; essa associação está em série com r. Resistência do paralelo: $R_p=\dfrac{2rR}{2r+R}$. Com $R=2r$: $R_p=r$. Com $R=4r$: $R_p=\dfrac{8r^2}{6r}=\dfrac{4r}{3}$ — $R_p$ aumenta quando R aumenta de 2r a 4r.

A tensão no paralelo é $V_p=\dfrac{\varepsilon R_p}{r+R_p}$, uma função crescente de $R_p$ (derivada positiva). Logo $V_p$ aumenta, e como L tem resistência fixa, sua potência ($V_p^2/2r$) e seu brilho aumentam.

Potência em R ($P_R=V_p^2/R$): em $R=2r$, $V_p=\varepsilon/2$, $P_R=\dfrac{(\varepsilon/2)^2}{2r}=\dfrac{\varepsilon^2}{8r}$. Em $R=4r$, $V_p=4\varepsilon/7$, $P_R=\dfrac{(4\varepsilon/7)^2}{4r}=\dfrac{4\varepsilon^2}{49r}\approx0{,}082\dfrac{\varepsilon^2}{r}<0{,}125\dfrac{\varepsilon^2}{r}$ — a potência em R diminui.

Q29
Eletrodinâmica e Calorimetria — Máxima Transferência de Potência (Geradores em Série e Paralelo)

A figura abaixo ilustra dois resistores de imersão dentro de recipientes termicamente isolados e com capacidades térmicas desprezíveis, contendo as mesmas quantidades de água. Os resistores $R_1$ e $R_2$ estão ligados, respectivamente, a uma associação de geradores em série e em paralelo.

Figura: Recipiente 1, com dois geradores idênticos em série, conectados via chave Ch1 ao resistor de imersão R1. Recipiente 2, com dois geradores idênticos em paralelo, conectados via chave Ch2 ao resistor de imersão R2. Ambos os recipientes contêm a mesma quantidade de água.

Os valores das resistências elétricas de $R_1$ e $R_2$ foram ajustados adequadamente de tal forma que cada associação de geradores transfere a máxima potência a cada um dos resistores. Despreze a influência da temperatura na resistência elétrica e no calor específico da água e considere que todos os geradores apresentem a mesma fem e a mesma resistência interna. Fecha-se simultaneamente as chaves $Ch_1$ e $Ch_2$ e, após 5 min, verifica-se que a variação de temperatura da água no recipiente 1 foi de 20 °C. Nesse mesmo intervalo, a água no recipiente 2 apresenta uma variação de temperatura, em °C, igual a

a)5
b)10
c)15
d)20

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D

Para n geradores idênticos (fem ε, resistência interna r) em série: fem equivalente $n\varepsilon$, resistência interna $nr$. Casamento de impedância: $R_1=nr$, com potência máxima $P_1=\dfrac{(n\varepsilon)^2}{4(nr)}=\dfrac{n\varepsilon^2}{4r}$.

Em paralelo: fem equivalente ε, resistência interna $r/n$. Casamento: $R_2=r/n$, com potência máxima $P_2=\dfrac{\varepsilon^2}{4(r/n)}=\dfrac{n\varepsilon^2}{4r}$.

Ou seja, $P_1=P_2$ — a potência máxima transferida é a mesma, independentemente de n, na condição de casamento de impedância. Como as massas de água, os calores específicos e o tempo são iguais nos dois recipientes, $Q=P\cdot t$ é igual, logo $\Delta T_2=\Delta T_1=20°C$.

Q30
Eletromagnetismo — Corrente Induzida a partir do Gráfico B×t

Considere um circuito ôhmico com capacitância e auto-indução desprezíveis. Através de uma superfície fixa delimitada por este circuito (Figura 1) aplica-se um campo magnético $\vec B$ cuja intensidade varia no tempo t de acordo com o gráfico mostrado na Figura 2.

Figura 1: espira plana fixa, atravessada perpendicularmente por um campo magnético B variável no tempo.

Figura 2: gráfico B(t): parte de um valor positivo em t=0, cresce até um pico, decresce passando por zero até um vale negativo, depois cresce novamente até um patamar positivo constante.

Nessas condições, a corrente induzida i no circuito esquematizado na Figura 1, em função do tempo t, é melhor representada pelo gráfico

a)i(t) inicia positivo, decresce a um vale, cresce a um pico positivo, e finaliza em um patamar positivo constante.
b)i(t) inicia positivo, decresce a um vale, e finaliza em um patamar positivo constante (não nulo).
c)i(t) inicia negativo, cresce passando por zero até um pico positivo, decresce passando por zero a um vale negativo raso, e finaliza em um patamar nulo (zero).
d)i(t) inicia positivo, decresce a um vale, cresce a um patamar positivo constante (não nulo).

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C

Pela lei de Faraday-Lenz, $i\propto-\dfrac{d\Phi}{dt}\propto-\dfrac{dB}{dt}$: a corrente induzida é proporcional ao negativo da inclinação da curva B(t).

Enquanto B cresce (do início até o primeiro pico), $dB/dt>0$, logo i é negativo. No pico de B, $dB/dt=0$, i cruza zero. Enquanto B decresce (do pico ao vale), $dB/dt<0$, logo i é positivo (fase de maior inclinação, gerando o maior valor de i em módulo).

No vale de B, $dB/dt=0$ novamente, i cruza zero. Enquanto B cresce do vale até o patamar final, $dB/dt>0$, logo i é novamente negativo (um vale raso). Quando B se torna constante, $dB/dt=0$ e i permanece nulo. Esse padrão — negativo, positivo, negativo raso, nulo — corresponde ao gráfico (c).

Q31
Física Moderna — Fusão Nuclear no Sol e Equivalência Massa-Energia

No interior do Sol, reações nucleares transformam quantidades enormes de núcleos de átomos de hidrogênio (H), que se combinam e produzem núcleos de átomos de hélio (He), liberando energia. A cada segundo ocorrem $10^{38}$ reações de fusão onde quatro átomos de hidrogênio se fundem para formar um átomo de hélio, conforme esquematizado abaixo: $4H \to He + Energia$. A energia liberada pelo Sol, a cada segundo, seria capaz de manter acesas um certo número de lâmpadas de 100 W. Nessas condições, a ordem de grandeza desse número de lâmpadas é igual a

a)$10^{12}$
b)$10^{18}$
c)$10^{24}$
d)$10^{56}$

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C

Defeito de massa por reação: $\Delta m=4m_H-m_{He}=4(1{,}67\times10^{-27})-6{,}65\times10^{-27}=6{,}68\times10^{-27}-6{,}65\times10^{-27}=0{,}03\times10^{-27}=3\times10^{-29}\,kg$.

Energia por reação: $E=\Delta mc^2=3\times10^{-29}\times(3\times10^8)^2=3\times10^{-29}\times9\times10^{16}=2{,}7\times10^{-12}\,J$.

Potência total: $P=10^{38}\times2{,}7\times10^{-12}=2{,}7\times10^{26}\,W$. Número de lâmpadas: $N=P/100=2{,}7\times10^{24}$ — ordem de grandeza $10^{24}$.

Q32
Física Moderna — Efeito Fotoelétrico Molecular: Comprimento de Onda da Radiação

O ozônio ($O_3$) é naturalmente destruído na estratosfera superior pela radiação proveniente do Sol. Para cada molécula de ozônio que é destruída, um átomo de oxigênio (O) e uma molécula de oxigênio ($O_2$) são formadas, conforme representado abaixo: $O_3 \xrightarrow{radiação} O_2+O$. Sabendo-se que a energia de ligação entre o átomo de oxigênio e a molécula $O_2$ tem módulo igual a 3,75 eV, então o comprimento de onda dos fótons da radiação necessária para quebrar uma ligação do ozônio e formar uma molécula $O_2$ e um átomo de oxigênio vale, em nm,

a)50
b)100
c)150
d)300

Gabarito oficial EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2021

D

Energia do fóton: $E=3{,}75\,eV=3{,}75\times1{,}6\times10^{-19}=6\times10^{-19}\,J$.

$E=\dfrac{hc}{\lambda} \Rightarrow \lambda=\dfrac{hc}{E}=\dfrac{6\times10^{-34}\times3\times10^8}{6\times10^{-19}}=\dfrac{18\times10^{-26}}{6\times10^{-19}}=3\times10^{-7}\,m=300\,nm$.

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