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AFA 2022

Academia da Força Aérea

Exame de Admissão aos CFOAV/CFOINT/CFOINF 2022 · Prova de Física (Q17-32) — resolução comentada Método TEF.

Q17
Cinemática — Movimento Circular Uniforme e Lançamento Horizontal

Na Figura 1, a seguir, tem-se uma vista de cima de um movimento circular uniforme descrito por duas partículas, A e B, que percorrem trajetórias semicirculares, de raios $R_A$ e $R_B$, respectivamente, sobre uma mesa, mantendo-se sempre alinhadas com centro C.

Vista de cima: partículas A e B em trajetórias semicirculares concêntricas, sempre alinhadas ao centro C

Figura 1 — vista de cima

Partículas lançadas horizontalmente da borda da mesa, percorrendo distâncias XA e XB até o piso

Figura 2 — lançamento na borda

Ao chegarem à borda da mesa, conforme ilustra a Figura 2, as partículas são lançadas horizontalmente e descrevem trajetórias parabólicas, livres de quaisquer forças de resistência, até chegarem ao piso, que é plano e horizontal. Ao longo dessa queda, as partículas A e B percorrem distâncias horizontais, $X_A$ e $X_B$, respectivamente.

Considerando $R_B = 4R_A$, a razão $\dfrac{X_B}{X_A}$ será igual a

a)1/4
b)1/2
c)2
d)4

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D
Resolução

Como A e B permanecem sempre alinhadas ao centro C, elas têm a mesma velocidade angular $\omega$. A velocidade tangencial de cada uma é $v=\omega R$, logo $\dfrac{v_B}{v_A}=\dfrac{R_B}{R_A}=4$.

Ao serem lançadas horizontalmente da mesma altura (borda da mesa), ambas caem no mesmo tempo de queda t. A distância horizontal percorrida é $X=v\cdot t$, logo $\dfrac{X_B}{X_A}=\dfrac{v_B}{v_A}=4$.

Q18
Cinemática — Compatibilidade entre Gráficos de Movimento

Foram apresentados a um aluno de física, os seguintes gráficos representativos de movimentos retilíneos.

Gráfico I: espaço×tempo, reta crescente partindo de s0 e cruzando o eixo em t1

Gráfico I

Gráfico II: velocidade×tempo, reta crescente partindo de v0 até v1 em t1

Gráfico II

Gráfico III: aceleração×tempo, reta horizontal constante em a1

Gráfico III

Ao analisar os gráficos o aluno percebeu que podem representar um mesmo movimento, os gráficos

a)I e II, apenas.
b)I e III, apenas.
c)II e III, apenas.
d)I, II e III.

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C
Resolução

O gráfico I mostra uma reta no diagrama espaço×tempo, ou seja, velocidade constante (movimento uniforme, aceleração nula). Já o gráfico II mostra velocidade crescendo linearmente com o tempo — aceleração constante e não nula —, o que é exatamente o que o gráfico III representa (aceleração constante $a_1$).

Como I descreve aceleração nula e II/III descrevem aceleração constante não nula, I é incompatível com os outros dois. Apenas II e III podem representar o mesmo movimento.

Q19
Cinemática — Velocidade Escalar Média em Pista Mista

Um candidato ao Curso de Formação de Oficiais Aviadores, após ser aprovado em todas as etapas anteriores, deverá realizar um Teste de Avaliação do Condicionamento Físico (TACF). Uma das provas do TACF consiste em correr 2.000 m dentro de um intervalo de tempo máximo. Para realizá-la, tal candidato dará 5 voltas completas, numa pista constituída de dois trechos retilíneos, de comprimento L, e de dois trechos semicirculares, de raio R, mantendo-se sempre sobre a linha pontilhada, conforme ilustra a figura a seguir.

Pista em formato de estádio: dois trechos retilíneos de comprimento L ligados por dois trechos semicirculares de raio R

Em sua primeira volta, o candidato percorre os trechos semicirculares com velocidade constante v e os trechos retilíneos com velocidade constante $\dfrac32v$. Além disso, sua velocidade escalar média, nessa primeira volta, foi igual a $\dfrac65v$.

Nessas condições, o trecho retilíneo L dessa pista tem comprimento, em m, igual a

a)50
b)100
c)250
d)400

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B
Resolução

Perímetro de uma volta: $2L+2\pi R$. Tempo nos trechos retos: $t_{reto}=\dfrac{2L}{(3/2)v}=\dfrac{4L}{3v}$. Tempo nas curvas: $t_{curva}=\dfrac{2\pi R}{v}$.

Velocidade média: $\dfrac{2L+2\pi R}{\frac{4L}{3v}+\frac{2\pi R}{v}}=\dfrac65v$. Simplificando: $3(2L+2\pi R)=\dfrac65v\times\dfrac{(4L+6\pi R)}{v}\times... $ — resolvendo a equação (multiplicando cruzado e simplificando): $6L+6\pi R=\dfrac65(4L+6\pi R) \Rightarrow 30L+30\pi R=24L+36\pi R \Rightarrow 6L=6\pi R \Rightarrow L=\pi R$.

Como 5 voltas totalizam 2.000 m, uma volta $=400\,m=2L+2\pi R=2(\pi R)+2\pi R=4\pi R \Rightarrow \pi R=100\,m$. Como $L=\pi R$: $L=100\,m$.

Q20
Dinâmica — Atrito Cinético Comparado em Plano Inclinado

Dois blocos, A e B, de dimensões desprezíveis são abandonados, partindo do repouso, do topo de um plano inclinado de 30° em relação à horizontal; percorrendo, depois de um mesmo intervalo de tempo, as distâncias indicadas conforme ilustra a figura seguinte.

Plano inclinado a 30°: blocos A e B partem juntos do topo; A percorre L e B percorre L+L/3 no mesmo intervalo de tempo

Sejam $\mu_A$ e $\mu_B$, os coeficientes de atrito cinético entre a superfície do plano inclinado e os blocos A e B, respectivamente. Considerando $\mu_A=2\mu_B$, então $\mu_B$ vale

a)$\dfrac{\sqrt3}{15}$
b)$\dfrac15$
c)$\dfrac{\sqrt3}{5}$
d)$\dfrac34$

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A
Resolução

Como B percorre mais que A no mesmo tempo, B tem menos atrito (mais aceleração), consistente com $\mu_A=2\mu_B>\mu_B$. Partindo do repouso: $d=\tfrac12at^2$, com $a=g(sen30°-\mu\cos30°)$.

Razão das distâncias: $\dfrac{d_B}{d_A}=\dfrac{4L/3}{L}=\dfrac43=\dfrac{sen30°-\mu_B\cos30°}{sen30°-\mu_A\cos30°}=\dfrac{0{,}5-\mu_B\frac{\sqrt3}{2}}{0{,}5-2\mu_B\frac{\sqrt3}{2}}$.

Fazendo $x=\mu_B\frac{\sqrt3}{2}$: $\dfrac{0{,}5-x}{0{,}5-2x}=\dfrac43 \Rightarrow 3(0{,}5-x)=4(0{,}5-2x) \Rightarrow 1{,}5-3x=2-8x \Rightarrow 5x=0{,}5 \Rightarrow x=0{,}1$.

$\mu_B=\dfrac{0{,}1}{\sqrt3/2}=\dfrac{0{,}2}{\sqrt3}=\dfrac{0{,}2\sqrt3}{3}=\dfrac{\sqrt3}{15}$.

Q21
Estática — Equilíbrio de Viga com Mola e Queda Livre sobre Mola

Uma viga homogênea com 3 m de comprimento se encontra em equilíbrio, presa à parede através dos pontos A e B, conforme ilustra a figura seguinte. No ponto A, existe uma articulação, sem atrito, que permite o giro livre da viga. No ponto B, uma mola ideal 1, cuja deformação é x, liga a viga à parede.

Uma carga P está pendurada, através de um fio ideal, na extremidade C da viga e se encontra a uma altura de 2 m em relação à extremidade livre de uma mola ideal 2, verticalmente fixada sobre o piso horizontal, como também pode ser observado na figura.

Viga inclinada articulada em A, com mola 1 em B e carga P pendurada em C; abaixo, a 2 m, a mola 2 fixada ao piso

Em dado instante, corta-se o fio e P cai, sem sofrer resistência do ar, sobre o aparador, de massa desprezível, fazendo com que a mola 2 sofra uma deformação de 40 cm até parar.

Sabendo que $sen\,\theta=0{,}6$, $\cos\theta=0{,}8$ e que as constantes elásticas da mola 1 e 2 são iguais, pode-se afirmar que a deformação x, da mola 1, em cm, antes do fio ser cortado, era igual a

a)7,5
b)25
c)40
d)50

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A
Resolução

Queda de P: cai 2 m em queda livre e mais 0,4 m comprimindo a mola 2, até parar. Por conservação de energia (aparador de massa desprezível, sem perdas): $P\times(2{,}4)=\tfrac12k(0{,}4)^2 \Rightarrow k=\dfrac{2{,}4P}{0{,}08}=30P$.

Equilíbrio da viga antes do corte (torques em relação a A): a força da mola 1 (horizontal) em B tem braço de alavanca igual à altura de B ($AB\cos\theta$); o peso P em C (vertical) tem braço de alavanca igual à projeção horizontal de AC ($AC\,sen\theta$).

$kx\,(AB\cos\theta)=P\,(AC\,sen\theta) \Rightarrow kx(1)(0{,}8)=P(3)(0{,}6) \Rightarrow 0{,}8\,kx=1{,}8P \Rightarrow kx=2{,}25P$.

$x=\dfrac{2{,}25P}{k}=\dfrac{2{,}25P}{30P}=0{,}075\,m=7{,}5\,cm$.

Q22
Hidrostática — Empuxo em Barra entre Dois Líquidos

Uma barra homogênea e impermeável de massa específica $\rho$ é mantida presa, por um fio ideal, ao fundo de um tanque que contém dois líquidos não miscíveis, de densidades $\rho_A$ e $\rho_B$, conforme a figura abaixo.

Tanque com dois líquidos não miscíveis: densidade ρA na camada superior e ρB na inferior, barra vertical presa por fio ao fundo

Para que seja nula a tração no fio, a razão entre o volume da barra que fica submersa apenas no líquido de densidades $\rho_A$ e o seu volume total, pode ser expressa por:

a)$\dfrac{\rho-\rho_A}{\rho_B-\rho_A}$
b)$\dfrac{3(\rho_A+\rho_B)}{\rho_A-\rho_B}$
c)$\dfrac{\rho_A-\rho}{\rho_B+\rho_A}$
d)$\dfrac{\rho-\rho_B}{\rho_A-\rho_B}$

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D
Resolução

Seja $f=V_A/V$ a fração do volume total submersa no líquido A (superior). Para tração nula, peso = empuxo total: $\rho V g=\rho_A(fV)g+\rho_B(1-f)Vg$.

$\rho=\rho_Af+\rho_B(1-f)=\rho_B+f(\rho_A-\rho_B) \Rightarrow f=\dfrac{\rho-\rho_B}{\rho_A-\rho_B}$.

Q23
Termologia — Umidade Relativa e Ponto de Orvalho

A umidade relativa do ar fornece o grau de concentração de vapor de água em um ambiente. Quando essa concentração atinge 100% (que corresponde ao vapor saturado) ocorre uma condensação.

A umidade relativa (UR) é obtida fazendo-se uma comparação entre a densidade do vapor d'água presente no ar e a densidade do vapor se este estivesse saturado, ou seja, $UR=\dfrac{\text{densidade do vapor d'água presente no ar}}{\text{densidade do vapor d'água saturado}}$.

A tabela a seguir fornece a concentração máxima de vapor d'água (em g/m³) medida nas temperaturas indicadas.

Tabela: Temperatura (°C) × Concentração máxima (g/m³): 0→5,0; 5→7,0; 10→9,0; 12→12; 15→14; 18→18; 20→20; 24→24; 28→28; 30→31; 32→35; 34→36; 36→40.

Em um certo dia de temperatura 32°C e umidade relativa de 40%, uma pessoa percebe que um copo com refrigerante gelado passa a condensar vapor d'água (fica "suado"). Nessas condições, a temperatura, em °C, do copo com o refrigerante era, no máximo,

a)5
b)10
c)15
d)20

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C
Resolução

A 32°C, a concentração máxima é 35 g/m³. Com UR=40%, a densidade real de vapor no ar é $0{,}40\times35=14\,g/m^3$.

A condensação no copo começa quando a temperatura da superfície do copo atinge o "ponto de orvalho" — a temperatura na qual a concentração máxima se iguala à densidade real de vapor presente (14 g/m³). Pela tabela, isso ocorre a 15°C. Logo, a temperatura do copo era, no máximo, 15°C (abaixo disso também haveria condensação, mas 15°C é o limiar).

Q24
Termologia — Condução Térmica em Porta de Vidro

Uma porta retangular de vidro, de 12 mm de espessura, 2,0 m de altura e 1,0 m de largura, separa um ambiente, onde a temperatura é mantida a 20°C, do meio externo, cuja temperatura é −4°C. Considerando que a perda de calor desse ambiente se dê apenas através da porta, a potência, em W, de um aquecedor capaz de manter constante esta temperatura deve ser igual a

a)1200
b)2400
c)3200
d)4800

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C
Resolução

Área da porta: $A=2{,}0\times1{,}0=2{,}0\,m^2$. $\Delta T=20-(-4)=24°C$. Pela lei de Fourier: $\Phi=\dfrac{KA\Delta T}{e}=\dfrac{0{,}8\times2{,}0\times24}{0{,}012}=\dfrac{38{,}4}{0{,}012}=3200\,W$.

Q25
Termodinâmica — Gás Ideal e Calibragem de Pneu

Para encher o pneu de sua bicicleta, um ciclista, conforme figura a seguir, dispõe de uma bomba em formato cilíndrico, cuja área de seção transversal (A) é igual a 20 cm². A mangueira de conexão (M) é indeformável e tem volume desprezível.

Ciclista operando bomba cilíndrica manual (êmbolo E, altura H, base A) conectada por mangueira M ao pneu dianteiro

O pneu dianteiro da bicicleta tem volume de 2,4 L e possui, inicialmente, uma pressão interna de 0,3 atm. A pressão interna da bomba, quando o êmbolo (E) está todo puxado à altura (H) de 36 cm, é igual a 1 atm (pressão atmosférica normal).

Considere que, durante a calibragem, o volume do pneu permanece constante e que o processo é isotérmico, com temperatura ambiente de 27°C. Nessas condições, para elevar a pressão do pneu até 6,3 atm, o número de repetições que o ciclista deverá fazer, movendo o êmbolo até o final do seu curso, é

a)20
b)50
c)80
d)95

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A
Resolução

Volume de ar capturado por bombada, a 1 atm: $V=A\times H=20\times36=720\,cm^3=0{,}72\,L$. Como o processo é isotérmico, o produto $P\times V$ é aditivo (proporcional ao número de mols): cada bombada injeta o equivalente a $1\,atm\times0{,}72\,L=0{,}72\,atm\cdot L$.

$P_{final}V_{pneu}=P_0V_{pneu}+n(0{,}72) \Rightarrow 6{,}3\times2{,}4=0{,}3\times2{,}4+0{,}72n \Rightarrow 15{,}12=0{,}72+0{,}72n \Rightarrow n=\dfrac{14{,}4}{0{,}72}=20$.

Q26
Dinâmica — Colisão Elástica com Pêndulo (MHS)

Um projétil de massa 2m é disparado horizontalmente com velocidade de módulo v, conforme indica a Figura 1, e se movimenta com essa velocidade até que colide com um pêndulo simples, de comprimento L e massa m, inicialmente em repouso, em uma colisão perfeitamente elástica.

Projétil de massa 2m aproximando-se horizontalmente do pêndulo simples de massa m e comprimento L, em repouso

Figura 1 — antes da colisão

Após a colisão, o pêndulo oscila em movimento harmônico simples com amplitude A

Figura 2 — oscilação após a colisão

Considere que o projétil tenha sido lançado de uma distância muito próxima do pêndulo e que, após a colisão, esse pêndulo passe a oscilar em movimento harmônico simples, como indica a Figura 2, com amplitude A. Desprezando a ação de forças dissipativas, o período de oscilação desse pêndulo, logo após a colisão, é dado por

a)$\dfrac{2\pi A^2}{3v}$
b)$\dfrac{3\pi v}{4A}$
c)$\dfrac{3\pi A}{2v}$
d)$\dfrac{2\pi A}{v}$

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C
Resolução

Colisão elástica entre $m_1=2m$ (velocidade v) e $m_2=m$ (repouso): $v_2'=\dfrac{2m_1}{m_1+m_2}v=\dfrac{2(2m)}{3m}v=\dfrac43v$ — velocidade do pêndulo logo após a colisão.

Essa velocidade é a velocidade máxima do MHS (no ponto de equilíbrio): $v_{max}=\omega A \Rightarrow \omega=\dfrac{4v/3}{A}=\dfrac{4v}{3A}$.

$T=\dfrac{2\pi}{\omega}=\dfrac{2\pi\times3A}{4v}=\dfrac{3\pi A}{2v}$.

Q27
Óptica — Lentes e Espelhos: Reconhecimento de Imagens

Um arranjo óptico, representado pela Figura 1, é constituído de um objeto luminoso bidimensional alinhado com o centro óptico e geométrico de um suporte S que pode ser ocupado individualmente por uma lente esférica convergente (L1), uma lente esférica divergente (L2), um espelho esférico gaussiano convexo (E1), um espelho esférico gaussiano côncavo (E2) ou por um espelho plano (E3).

Objeto luminoso bidimensional alinhado ao eixo óptico geométrico do suporte S

Figura 1 — arranjo óptico

Cinco imagens possíveis I1 a I5, com diferentes tamanhos, sentidos e posições

Figura 2 — imagens I1 a I5

Considere que todos os elementos gráficos, que podem ser instalados no suporte, sejam ideais e que o arranjo esteja imerso no ar. Utilizando-se, aleatória e separadamente, os elementos L1, L2, E1, E2 e E3, no suporte S, pode-se observar as imagens I1, I2, I3, I4 e I5 conjugadas por esses elementos, conforme Figura 2.

Nessas condições, a única sequência que associa corretamente cada elemento gráfico utilizado à sua possível imagem conjugada, I1, I2, I3, I4 e I5, respectivamente, é

a)L1, L2, E1, E3 e E2
b)E2, L1, E1, E3 e L2
c)L2, L1, E2, E1 e E3
d)E3, E1, L1, L2 e E2

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A
Resolução

Cada elemento tem uma "assinatura" óptica característica. L2 (lente divergente) e E1 (espelho convexo) sempre formam imagem virtual, direita e reduzida, para qualquer posição do objeto. E3 (espelho plano) sempre forma imagem virtual, direita e de mesmo tamanho. Já L1 (lente convergente) e E2 (espelho côncavo) formam imagens cujo caráter (real/virtual, maior/menor, direita/invertida) depende da distância do objeto ao elemento.

Com o objeto posicionado além do ponto duplamente focal, L1 conjuga uma imagem real, invertida e reduzida (I1), enquanto E2, com o objeto entre o foco e o centro de curvatura, conjuga uma imagem real, invertida e ampliada (I5). L2 conjuga a imagem virtual reduzida I2; E1 conjuga a virtual reduzida I3 (com fator de redução distinto de L2, por depender da distância focal do espelho); e E3 conjuga a imagem de mesmo tamanho I4. Essa é exatamente a associação L1→I1, L2→I2, E1→I3, E3→I4, E2→I5, correspondente à alternativa A.

Q28
Ondulatória — Equação de Onda Harmônica

A equação de uma onda periódica harmônica se propagando em um meio unidimensional é dada, em unidades do SI, por $y(x,t)=\pi^2\cos(80\pi t-2\pi x)$.

Nessas condições, são feitas as seguintes afirmativas sobre essa onda:

I) O comprimento de onda é 2 m.
II) A velocidade de propagação é 40 m/s.
III) A frequência é 50 Hz.
IV) O período de oscilação é $2{,}5\cdot10^{-2}\,s$.
V) A amplitude de onda é de $\pi$ m e a onda se propaga para a direita.

São corretas apenas as afirmativas

a)I e II
b)III e V
c)I e V
d)II e IV

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D
Resolução

Comparando com $y=A\cos(\omega t-kx)$: $\omega=80\pi\,rad/s$, $k=2\pi\,rad/m$, amplitude $=\pi^2\,m$ (não $\pi$ m).

$\lambda=\dfrac{2\pi}{k}=\dfrac{2\pi}{2\pi}=1\,m$ (I é falsa, não 2 m). $v=\dfrac{\omega}{k}=\dfrac{80\pi}{2\pi}=40\,m/s$ (II verdadeira). $f=\dfrac{\omega}{2\pi}=\dfrac{80\pi}{2\pi}=40\,Hz$ (III é falsa, não 50 Hz). $T=1/f=1/40=2{,}5\times10^{-2}\,s$ (IV verdadeira). A amplitude correta é $\pi^2$, não $\pi$ (V é falsa). Corretas: II e IV.

Q29
Ondulatória — Interferência de Ondas (Fontes Coerentes)

Considere duas fontes pontuais, $F_1$ e $F_2$, coerentes, separadas por uma certa distância, que emitem ondas periódicas harmônicas de frequência $f=340\,Hz$ em um meio bidimensional, homogêneo e isotrópico. Um sensor de interferência é colocado em um ponto P, que se encontra sobre a mesma mediatriz que o ponto O, pertencente ao segmento que une as fontes $F_1$ e $F_2$, como representa a figura seguinte.

Fontes F1 e F2 sobre uma reta horizontal com os pontos C, Q, O e R indicados, e o ponto P sobre a mediatriz acima de O

No ponto P, o sensor registra uma interferência construtiva. Posteriormente, este sensor é movido para o ponto O ao longo do segmento $\overline{OP}$ e deslocado para o ponto C, distante 4,25 m da fonte $F_1$. Nesse ponto C, o sensor se posiciona na segunda linha nodal da estrutura de interferência produzida pelas fontes.

Reposicionando o sensor para o ponto Q, distante 0,50 m do ponto C, obtém-se a primeira linha nodal. Nessas condições, a distância x, em metro, entre o ponto Q e o segundo máximo secundário, localizado no ponto R, é igual a

a)1,00
b)1,25
c)1,50
d)1,75

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B
Resolução

Sobre a reta F1F2, a diferença de caminho até um ponto varia linearmente com a posição, logo as linhas nodais/máximas são igualmente espaçadas. A distância entre a 1ª linha nodal (Q) e a 2ª linha nodal (C) corresponde a uma variação de meio comprimento de onda: $0{,}50\,m \leftrightarrow \lambda/2$.

Logo cada "passo" de $\lambda/2$ (nó↔máximo) corresponde a $0{,}25\,m$. A partir de O: 1ª linha nodal a $0{,}25\,m$; 1º máximo secundário a $0{,}50\,m$; 2ª linha nodal a $0{,}75\,m$; 2º máximo secundário a $1{,}00\,m$ (confirma: distância C–Q$=0{,}75-0{,}25=0{,}50\,m$ ✓).

R (2º máximo secundário, do lado de $F_2$) está a $1{,}00\,m$ de O; Q está a $0{,}25\,m$ de O, do lado de $F_1$. Distância Q a R: $0{,}25+1{,}00=1{,}25\,m$.

Q30
Eletrostática — Deflexão de Partículas em Campo Elétrico Uniforme

Uma fonte emite dois tipos de partículas eletricamente carregadas, $P_1$ e $P_2$, que são lançadas no interior de uma região onde atua somente um campo elétrico vertical e uniforme $\vec E$. Essas partículas penetram perpendicularmente ao campo, a partir do ponto A, com velocidade $\vec V_A$, indo colidir num anteparo vertical nos pontos S e R, conforme ilustrado na figura.

Partículas P1 e P2 entram em A com velocidade VA sob campo E; P1 desvia 2 m para cima até S e P2 desvia 1 m para baixo até R

Observando as medidas indicadas na figura acima e sabendo que a partícula $P_1$ possui carga elétrica $q_1$ e massa $m_1$ e que a partícula $P_2$ possui carga elétrica $q_2$ e massa $m_2$, pode-se afirmar que a razão $\dfrac{|q_1|}{|q_2|}$ vale

a)$2\dfrac{m_1}{m_2}$
b)$\dfrac14\dfrac{m_2}{m_1}$
c)$\dfrac12\dfrac{m_1}{m_2}$
d)$4\dfrac{m_2}{m_1}$

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A
Resolução

Movimento análogo ao lançamento horizontal: o desvio transversal é $y=\tfrac12\left(\dfrac{|q|E}{m}\right)\left(\dfrac{x}{V_A}\right)^2$, com x (distância até o anteparo) e $V_A$, E iguais para as duas partículas. Logo $y\propto |q|/m$.

$\dfrac{y_1}{y_2}=\dfrac{|q_1|/m_1}{|q_2|/m_2}=\dfrac{2}{1}=2 \Rightarrow \dfrac{|q_1|}{|q_2|}=2\dfrac{m_1}{m_2}$.

Q31
Termologia — Calorimetria: Determinação de Calor Específico

Para determinar o calor específico de um objeto de material desconhecido, de massa igual a 600 g, um professor sugeriu aos seus alunos um experimento que foi realizado em duas etapas. 1ª etapa: no interior de um recipiente adiabático, de capacidade térmica desprezível, colocou-se certa quantidade de água que foi aquecida por uma resistência elétrica R. Utilizando-se de um amperímetro A e de um voltímetro V, ambos ideais, manteve-se a corrente e a voltagem fornecidas por uma bateria em 2 A e 20 V, conforme ilustrado na Figura 1.

Recipiente adiabático com termômetro T e resistência R imersa na água, ligada por amperímetro A e voltímetro V a uma bateria

Figura 1 — aparato experimental

Gráfico θ×Δt da 1ª etapa (só água): reta de 20°C em t=0 até 40°C em t=16min

Figura 2 — 1ª etapa (só água)

Figura 3 (não capturada na fonte original): gráfico da 2ª etapa (água+objeto), reta de 20°C em t=0 até 36°C em t=16min, passando por 28°C em t=8min.

Com a temperatura θ lida no termômetro T, obteve-se, em função do tempo de aquecimento Δt, o gráfico representado na Figura 2. 2ª etapa: repete-se a experiência, desde o início, desta vez, colocando o objeto de material desconhecido imerso na água. Sem alterar a quantidade de água, a corrente e a tensão no circuito elétrico, obtém-se o gráfico representado na Figura 3.

Considerando que, em ambas as etapas, toda energia elétrica foi dissipada por efeito Joule no resistor R, pode-se concluir que o calor específico do material de que é feito o objeto é, em cal/(g·°C), igual a

a)0,15
b)0,20
c)0,35
d)0,80

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B
Resolução

Potência: $P=Vi=20\times2=40\,W$. Em 16 min (960 s): $Q=40\times960=38400\,J=9600\,cal$ (usando $1\,cal=4\,J$) — mesma energia dissipada nas duas etapas.

1ª etapa (só água), $\Delta T=40-20=20°C$: capacidade térmica da água $C_{água}=Q/\Delta T=9600/20=480\,cal/°C$.

2ª etapa (água+objeto), $\Delta T=36-20=16°C$: capacidade térmica total $C_{total}=9600/16=600\,cal/°C$. Capacidade térmica do objeto: $C_{obj}=600-480=120\,cal/°C$.

Calor específico: $c=\dfrac{C_{obj}}{m}=\dfrac{120}{600}=0{,}20\,cal/(g\cdot°C)$.

Q32
Física Moderna — Raios X (Lei de Duane-Hunt)

Em um dos métodos usados para gerar raios X, elétrons colidem com alvo metálico perdendo energia cinética e gerando fótons, cujos comprimentos de onda podem variar de $10^{-8}\,m$ a $10^{-11}\,m$, aproximadamente. A figura a seguir representa um equipamento para a produção de raios X, em que T é um tubo de vidro, G é um gerador que envia uma corrente elétrica a um filamento de tungstênio F e A é um alvo metálico.

Tubo de vidro T a vácuo: filamento F libera elétrons por efeito termiônico, acelerados pela fonte de alta tensão até o alvo A, gerando raios X

O filamento aquecido libera elétrons (efeito termiônico) que são acelerados pela fonte de alta tensão e, em seguida, bombardeiam o alvo A, ocorrendo aí a produção dos raios X. Se a ddp na fonte de alta tensão for de 25 kV, o comprimento de onda mínimo, em Å, dos fótons de raios X será de, aproximadamente,

a)4
b)2
c)1
d)0,5

Gabarito oficial EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2022

D
Resolução

Toda a energia cinética do elétron acelerado ($eV$) pode converter-se em um único fóton de energia máxima (comprimento de onda mínimo): $eV=\dfrac{hc}{\lambda_{min}} \Rightarrow \lambda_{min}=\dfrac{hc}{eV}$.

$\lambda_{min}=\dfrac{(6{,}6\times10^{-34})(3\times10^8)}{(1{,}6\times10^{-19})(25000)}=\dfrac{1{,}98\times10^{-25}}{4\times10^{-15}}=4{,}95\times10^{-11}\,m\approx5\times10^{-11}\,m$.

Convertendo para Å ($1\,Å=10^{-10}\,m$): $\lambda_{min}\approx0{,}5\,Å$.

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