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AFA 2024

Academia da Força Aérea

Exame de Admissão aos CFOAV/CFOINT/CFOINF 2024 · Prova de Física (Q49-64) — resolução comentada Método TEF.

Q49
Cinemática — Classificação de Movimentos (Gráficos)

Um veículo se desloca ao longo de uma estrada reta e plana, em um movimento retrógrado e uniformemente acelerado. Nessas condições, assinale a alternativa que contém o diagrama horário que melhor representa esse movimento, sabendo que S indica posição, v velocidade e a aceleração.

a)
Gráfico (a): S×tempo, parábola que sobe e desce a partir da origem
b)
Gráfico (b): a×tempo, reta crescente partindo de um valor positivo
c)
Gráfico (c): v×tempo, reta decrescente partindo da origem para valores negativos
d)
Gráfico (d): v×tempo, reta crescente partindo de valor negativo para valores positivos

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C
Resolução

"Retrógrado" significa velocidade negativa; "uniformemente acelerado" significa aceleração constante e de mesmo sinal da velocidade (o módulo da velocidade cresce). O gráfico (c) mostra exatamente isso: $v=0$ em $t=0$ e a velocidade torna-se cada vez mais negativa, com inclinação constante (aceleração constante e negativa). O gráfico (a) mistura um trecho progressivo com um retrógrado; (b) mostra aceleração crescente (não uniforme); (d) mostra velocidade positiva crescente (progressivo e acelerado, não retrógrado).

Q50
Dinâmica — Atrito, Colisão com Restituição e MUV

Duas partículas, A e B, de massas 4m e m, respectivamente, movimentam-se sobre uma superfície plana e horizontal, ao longo de uma mesma trajetória. O coeficiente de atrito cinético entre essa superfície e cada partícula é o mesmo e igual a $\mu_A=\mu_B=0{,}1$. A figura abaixo indica as posições das partículas no instante $t_0=0$, quando as velocidades de A e B valem, respectivamente, $40\,m/s$ e $-10\,m/s$.

Reta S(m) horizontal com a partícula A na posição -100 m e a partícula B na posição +125 m

A partir desse instante as duas partículas estão sujeitas, na direção de seus movimentos, apenas à ação da força de atrito com a superfície. Em dado momento elas colidem, sofrendo um choque parcialmente elástico, de coeficiente de restituição $e=0{,}25$. Durante essa rápida colisão, o sistema é considerado isolado e, logo após, as partículas novamente voltam a ter sobre elas, na direção do movimento, a ação exclusiva da força de atrito, permanecendo em movimento uniformemente variado até pararem.

Nessas condições, ao atingir o repouso, a partícula A estará na posição $S_A$, em metros, igual a

a)87,50
b)200,0
c)312,5
d)400,0

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D
Resolução

O atrito desacelera ambas com $a=\mu g=1\,m/s^2$ (mesmo módulo, independente da massa). Posições: $S_A(t)=-100+40t-0{,}5t^2$; $S_B(t)=125-10t+0{,}5t^2$. Igualando, $t^2-50t+225=0 \Rightarrow t=5\,s$ (raiz fisicamente válida, antes de qualquer uma parar). Nesse instante: $v_A=40-5=35\,m/s$; $v_B=-10+5=-5\,m/s$; posição do encontro $S=87{,}5\,m$.

Colisão (conservação de momento + restituição): $4m(35)+m(-5)=4mv_A'+mv_B' \Rightarrow 135=4v_A'+v_B'$. Restituição: $v_B'-v_A'=0{,}25(35-(-5))=10$. Resolvendo: $v_A'=25\,m/s$. Após a colisão, A desacelera a $1\,m/s^2$ até parar, percorrendo $d=v_A'^2/2=312{,}5\,m$. Posição final: $S_A=87{,}5+312{,}5=400{,}0\,m$.

Q51
Dinâmica — Energia em Sistema Massa-Mola em Plano Inclinado

O sistema representado na figura seguinte é composto por um bloco de dimensões desprezíveis e de massa m apoiado em um plano inclinado, que forma um ângulo $\alpha$ com a direção horizontal. O sistema possui uma mola ideal de constante elástica k e comprimento natural $x_0$.

Plano inclinado de ângulo α com mola na base; bloco parte da posição A (altura yA) e percorre a distância d até a posição B (altura yB)

O bloco se encontra apenas encostado na mola e em equilíbrio, na posição A, a uma altura $y_A$. Nesse momento, a mola está travada e comprimida de um valor x. Quando a mola é destravada, o bloco, pela ação da força elástica, percorre a distância d, sem atrito, indicada na figura, até atingir o ponto B, a uma altura $y_B$, onde ocorre a inversão do sentido de seu deslocamento.

Considerando g o módulo da aceleração da gravidade, a distância d percorrida pelo bloco é dada na alternativa

a)$\dfrac{kx_0^2}{mg\,sen\,\alpha}$
b)$\dfrac{kx^2}{2mg\,sen\,\alpha}$
c)$\dfrac{k(y_B-y_A)^2}{mg\,sen\,\alpha}$
d)$\dfrac{k(y_B-y_A)^2}{2mg\,sen\,\alpha}$

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B
Resolução

O bloco está em repouso em A (mola travada) e novamente em repouso em B (ponto de inversão) — toda a energia elástica vira energia potencial gravitacional: $\tfrac12kx^2=mg(y_B-y_A)$. Como $d\,sen\,\alpha=y_B-y_A$: $d=\dfrac{y_B-y_A}{sen\,\alpha}=\dfrac{kx^2}{2mg\,sen\,\alpha}$.

Q52
Dinâmica — Impulso e Quantidade de Movimento

Uma partícula de massa 2 kg desloca-se em uma trajetória horizontal, sem atrito, com velocidade escalar de 10 m/s, quando uma força $\vec F$, de intensidade constante na direção do deslocamento, passa a agir sobre ela durante um intervalo de tempo $\Delta t$. Dado que o impulso dessa força é igual a $-28\,N\cdot s$, a velocidade escalar da partícula no instante em que cessa a ação da força $\vec F$, em m/s, é

a)3
b)0
c)−2
d)−4

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D
Resolução

Teorema do impulso: $J=\Delta p=m(v_f-v_0) \Rightarrow -28=2(v_f-10) \Rightarrow v_f-10=-14 \Rightarrow v_f=-4\,m/s$.

Q53
Termologia — Condução Térmica em Casca Cilíndrica

Um Cadete acaba de ser selecionado para estagiar em um laboratório e tem a missão de caracterizar um novo material. Para iniciar essa caracterização, foi montado um aparato experimental, representado pelo esquema abaixo, com o objetivo de determinar sua condutibilidade térmica.

Tubo cilíndrico de comprimento L e raio externo r, com resistor R em seu interior (vácuo), ligado a uma bateria

O experimento consiste em um tubo feito desse novo material, de comprimento $L=20\,cm$, raio externo $r=10\,cm$, espessura $\varepsilon=3\,mm$ e possui as duas extremidades fechadas com material isolante. No seu interior, onde foi feito vácuo, é colocado um resistor R para aquecer o sistema internamente com uma quantidade de calor conhecida e constante igual a $1000\,cal$. Após estabelecido regime permanente, o Cadete aferiu durante 5,0 minutos as temperaturas interna e externa, obtendo respectivamente, $T_i=50\,°C$ e $T_e=25\,°C$.

Nessas condições, a condutibilidade térmica, em $W\cdot m^{-1}\cdot K^{-1}$, medida pelo Cadete, vale

a)$1{,}2\times10^{-2}$
b)$1{,}4\times10^{-2}$
c)$1{,}6\times10^{-2}$
d)$2{,}0\times10^{-2}$

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B
Resolução

Calor em Joules: $Q=1000\times4{,}2=4200\,J$. Potência: $\Phi=Q/t=4200/300=14\,W$. Área lateral do cilindro (aproximação de parede fina, $\varepsilon\ll r$): $A=2\pi rL=2\times3{,}0\times0{,}1\times0{,}2=0{,}12\,m^2$. Pela lei de Fourier: $\Phi=\dfrac{kA\Delta T}{\varepsilon} \Rightarrow k=\dfrac{\Phi\varepsilon}{A\Delta T}=\dfrac{14\times0{,}003}{0{,}12\times25}=1{,}4\times10^{-2}\,W\cdot m^{-1}\cdot K^{-1}$.

Q54
Termodinâmica — Máquina Térmica e Ciclo de Carnot

A figura a seguir representa trocas de calor e realização de trabalho em uma máquina térmica. Nela estão indicados os valores da temperatura $T_1$ e da quantidade de calor cedido $Q_1$, relativos à fonte quente, e do trabalho $\tau$ realizado por essa máquina. Além disso, tem-se que $T_2$ e $Q_2$ correspondem, respectivamente, à temperatura e à quantidade de calor rejeitada para a fonte fria.

Máquina térmica recebendo T1=127°C e Q1=4000J da fonte quente, realizando trabalho τ=1200J e rejeitando Q2 à fonte fria de temperatura T2

Seu rendimento corresponde a 75% do rendimento da máquina de Carnot, em regime de funcionamento entre as temperaturas $T_1$ e $T_2$. Nessas condições, a temperatura $T_2$, da fonte fria, é, em kelvin,

a)100
b)240
c)513
d)613

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B
Resolução

$T_1=127+273=400\,K$. Rendimento real: $\eta=\tau/Q_1=1200/4000=0{,}3$. Como $\eta=0{,}75\,\eta_{Carnot}$: $\eta_{Carnot}=0{,}3/0{,}75=0{,}4$. Pela fórmula de Carnot: $\eta_{Carnot}=1-T_2/T_1 \Rightarrow 0{,}4=1-T_2/400 \Rightarrow T_2=0{,}6\times400=240\,K$.

Q55
Óptica — Lente Imersa em Meios Distintos (Gauss)

Considere um sistema óptico constituído de um tubo cilíndrico opaco no qual foi acoplado internamente uma lente esférica gaussiana plano-convexa, de índice de refração $n=1{,}5$ e raio de curvatura $R=0{,}5\,m$ para a face convexa. A face plana da lente está voltada para o meio $n_1$ (lado de entrada da luz) e a face convexa está voltada para o meio $n_2$ (lado de saída).

Tubo cilíndrico com lente plano-convexa acoplada, face plana voltada para n1 e face convexa para n2

Figura 1 — montagem da lente

Feixe paralelo incide pela esquerda com n1 e converge no ponto focal P

Figura 2 — foco P com n1

Feixe paralelo incide pela esquerda com n3 e converge no ponto focal P'

Figura 3 — foco P' com n3

Nessa disposição, a lente divide o tubo em duas partes que são preenchidas com materiais homogêneos, transparentes e isotrópicos de índices de refração $n_1=2$ e $n_2=1$, tal que $n_1>n>n_2$. A partir dessa configuração, faz-se incidir um feixe de luz paralelo ao eixo do cilindro e ao eixo óptico principal da lente, que, após refratar-se, converge para o ponto focal P.

Posteriormente, utilizando o mesmo sistema óptico, porém trocando-se o material de índice de refração $n_1$ por um outro, também homogêneo, transparente e isotrópico, de índice de refração $n_3=3$, e incidindo o mesmo feixe de luz paralelo ao eixo do cilindro sobre a lente, obtêm-se o ponto focal P'.

Nessas condições, a razão $\left(\dfrac{P}{P'}\right)$ entre as distâncias P e P' é dada por

a)1/2
b)1
c)2
d)4

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B
Resolução

O feixe incidente é rigorosamente paralelo ao eixo óptico, e a primeira face da lente (voltada para $n_1$) é plana, perpendicular ao eixo. Um raio paralelo ao eixo incide sobre essa face plana com ângulo de incidência exatamente nulo (incidência normal) — logo, não sofre nenhum desvio ali, independentemente de qual seja o valor de $n_1$ (2 ou 3). Toda a convergência do feixe ocorre apenas na segunda face (a convexa, entre a lente e $n_2$), cujo comportamento depende só de $n$, $n_2$ e $R$ — não de $n_1$.

Como o ponto focal não depende de $n_1$, trocar $n_1$ por $n_3$ não altera a posição do foco: $P=P'$, logo $P/P'=1$.

Q56
Dinâmica — Looping + Oscilações (MHS)

Considere que, sob a ação da gravidade $\vec g$, dois blocos pontuais de massas $m_1$ e $m_2$ são colocados em movimento ao serem abandonados de altitudes $h_1$ e $h_2$, respectivamente, das rampas apresentadas nas figuras 1 e 2.

Figura 1: bloco m1 desce de h1, passa pelo looping de diâmetro d e chega à mola em C. Figura 2: bloco m2 desce de h2, passa pelo looping de diâmetro 2d e chega à mola em C'

As alturas $h_1$ e $h_2$ são tais que as massas $m_1$ e $m_2$ passam pelos pontos A e A' dos loopings de diâmetros d e 2d, na iminência de destacamento das rampas. Ao chegarem nos pontos B e B', nos quais existem duas molas ideais idênticas de constantes elásticas k e sem deformação, os blocos $m_1$ e $m_2$ se acoplam elasticamente às molas e passam a oscilar em movimento harmônico simples de amplitudes $A_1$ e $A_2$, respectivamente.

Nessas condições, a razão, $\left(\dfrac{A_1}{A_2}\right)$, entre as amplitudes de oscilação das massas $m_1$ e $m_2$ é dada por

a)$\sqrt{\dfrac{m_1}{2m_2}}$
b)$\sqrt{\dfrac{2h_1}{5h_2}}$
c)$\sqrt{\dfrac{5m_2}{2m_1}}$
d)$\sqrt{\dfrac{2h_2}{h_1}}$

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A
Resolução

Na iminência de destacamento no topo do looping (raio $d/2$): $mg=mv_A^2/(d/2) \Rightarrow v_A^2=gd/2$. Da altura de lançamento ao topo do looping (altura $d$): $gh_1=gd+v_A^2/2=gd+gd/4=5gd/4$. Da altura de lançamento até B (altura 0): $v_B^2=2gh_1=5gd/2$.

Para o looping de diâmetro $2d$ (raio $d$): $v_{A'}^2=gd$; $gh_2=g(2d)+v_{A'}^2/2=2gd+gd/2=5gd/2$; $v_{B'}^2=2gh_2=5gd$.

No acoplamento à mola: $\tfrac12kA_1^2=\tfrac12m_1v_B^2 \Rightarrow A_1=v_B\sqrt{m_1/k}$; analogamente $A_2=v_{B'}\sqrt{m_2/k}$. Razão: $\dfrac{A_1}{A_2}=\dfrac{v_B}{v_{B'}}\sqrt{\dfrac{m_1}{m_2}}=\sqrt{\dfrac{5gd/2}{5gd}}\sqrt{\dfrac{m_1}{m_2}}=\sqrt{\dfrac12}\sqrt{\dfrac{m_1}{m_2}}=\sqrt{\dfrac{m_1}{2m_2}}$.

Q57
Ondulatória — Superposição de Ondas e Onda Estacionária

Duas ondas periódicas harmônicas dadas pelas equações de onda $y_1$ e $y_2$, em unidades do sistema internacional, apresentadas abaixo, propagam-se em uma corda homogênea de comprimento $L=1\,m$.

$y_1(x,t) = -(0{,}10)\cos[2\pi x+1600\pi t]$
$y_2(x,t) = +(0{,}10)\cos[2\pi x-1600\pi t]$

Corda de comprimento L com extremidades fixas nos pontos A (esquerda) e B (direita)

A corda possui duas extremidades fixas em paredes rígidas nos pontos A e B. A superposição dessas ondas estabelece o fenômeno de interferência conhecido como ondas estacionárias.

Nessas condições, a equação da onda estacionária resultante na corda, $y_R(x,t)$, é melhor apresentada na opção

a)$y_R(x,t)=(0{,}1)\,sen[2\pi x]\cos[2\pi x-1600\pi t]$
Padrão de onda estacionária com 1 laço entre A e B
b)$y_R(x,t)=(0{,}2)\,sen[4\pi x]\,sen[1600\pi t]$
Padrão de onda estacionária com 2 laços entre A e B
c)$y_R(x,t)=(0{,}1)\,sen[1600\pi t]\,sen[4\pi x]$
Padrão de onda estacionária com 1 laço entre A e B
d)$y_R(x,t)=(0{,}2)\,sen[2\pi x]\,sen[1600\pi t]$
Padrão de onda estacionária com 2 laços entre A e B

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D
Resolução

Somando as duas ondas: $y_R=y_1+y_2=0{,}10[\cos(2\pi x-1600\pi t)-\cos(2\pi x+1600\pi t)]$. Usando $\cos(A-B)-\cos(A+B)=2\,senA\,senB$, com $A=2\pi x$ e $B=1600\pi t$: $y_R=0{,}20\,sen(2\pi x)\,sen(1600\pi t)$ — exatamente a alternativa D.

Com $k=2\pi$ (logo $\lambda=1\,m$) e $L=1\,m$, os nós de $sen(2\pi x)$ ocorrem em $x=0$; $0{,}5$ e $1\,m$ — um padrão de 2 "laços" (2º harmônico), coerente com o desenho da alternativa D.

Q58
Eletrostática — Equilíbrio Elétrico em Plano Inclinado

Sobre um plano inclinado, perfeitamente liso e que não interage eletricamente com outros corpos, está fixada uma partícula A, eletrizada com carga $+Q_A$. Inicialmente, uma outra partícula B, eletrizada com carga $+Q_B$, é abandonada na posição indicada na figura a seguir.

Plano inclinado de ângulo θ com a partícula A fixa mais abaixo, o ponto P entre A e B, e a partícula B mais acima na posição inicial

Nessa condição inicial tem-se que o campo elétrico no ponto P, entre as partículas A e B, é nulo; a distância de B a P é 4 vezes a distância de A até P; a massa de B é $m_B$; $\theta$ é o ângulo de inclinação do plano inclinado em relação à horizontal; K é a constante eletrostática do meio; e g é a aceleração da gravidade.

Após esse instante inicial, observa-se que a partícula B se move lentamente ao longo do plano inclinado, atingindo uma posição de equilíbrio estático, de forma que a distância final entre as partículas A e B fique igual a

a)$\dfrac12 Q_A\sqrt{\dfrac{K}{m_B\cdot g\cdot sen\theta}}$
b)$\dfrac14 Q_A\sqrt{\dfrac{K}{m_B\cdot g\cdot\cos\theta}}$
c)$\dfrac14 Q_B\sqrt{\dfrac{K}{m_B\cdot g\cdot sen\theta}}$
d)$\dfrac12\sqrt{\dfrac{K\cdot Q_A\cdot Q_B}{m_B\cdot g\cdot\cos\theta}}$

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C
Resolução

Campo nulo em P (com $d_B=4d_A$): $\dfrac{KQ_A}{d_A^2}=\dfrac{KQ_B}{(4d_A)^2}=\dfrac{KQ_B}{16d_A^2} \Rightarrow Q_B=16\,Q_A$.

No equilíbrio final (distância $r$ entre A e B), a repulsão elétrica equilibra a componente do peso de B ao longo do plano: $\dfrac{KQ_AQ_B}{r^2}=m_Bg\,sen\theta \Rightarrow r^2=\dfrac{K\cdot16Q_A^2}{m_Bg\,sen\theta} \Rightarrow r=4Q_A\sqrt{\dfrac{K}{m_Bg\,sen\theta}}$.

Substituindo $Q_A=Q_B/16$: $r=4\left(\dfrac{Q_B}{16}\right)\sqrt{\dfrac{K}{m_Bg\,sen\theta}}=\dfrac14Q_B\sqrt{\dfrac{K}{m_Bg\,sen\theta}}$ — alternativa C.

Q59
Eletrodinâmica — Gerador Real e Máxima Transferência de Potência

Na Figura 1 a seguir, tem-se a representação esquemática de um circuito simples, constituído por um gerador de força eletromotriz $\varepsilon$ e resistência interna r, que alimenta um reostato de resistência variável R. O gráfico da Figura 2 descreve o comportamento da potência útil, $P_U$, do gerador em função da corrente i, onde $i_1$ é a medida da corrente elétrica no circuito quando o gerador entrega a esse a máxima potência.

Gerador ε com resistência interna r ligado a um reostato R, percorrido por corrente i

Figura 1 — circuito

Gráfico Pu×i em forma de parábola côncava para baixo, com máximo em i=i1

Figura 2 — gráfico Pu×i

Com base nas informações fornecidas, avalie as afirmações abaixo.

I. Da simetria do gráfico, pode-se concluir que a corrente $i_1$ é a metade da corrente de curto-circuito do gerador.
II. No regime de máxima transferência de potência, a diferença de potencial nos terminais do gerador é igual à força eletromotriz $\varepsilon$.
III. A área do gráfico fornece a diferença de potencial do circuito.
IV. A resistência elétrica do reostato será $R=r$ quando o gerador transferir máxima potência ao circuito.

Estão corretas apenas as afirmações

a)I e II.
b)II e III.
c)I e IV.
d)III e IV.

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C
Resolução

$P_U=i^2R=i(\varepsilon-ir)=\varepsilon i-ri^2$ — uma parábola em i, com raízes em $i=0$ e $i=\varepsilon/r$ (corrente de curto-circuito). Por simetria da parábola, o máximo ocorre exatamente no ponto médio: $i_1=\varepsilon/(2r)$, metade da corrente de curto-circuito — I é correta.

Em $i_1$, a tensão nos terminais é $U=\varepsilon-i_1r=\varepsilon-\varepsilon/2=\varepsilon/2$ (metade da f.e.m., não igual a ela) — II é falsa. A área sob o gráfico $P_U\times i$ tem dimensão de $P\times i$ (não de tensão) — III é falsa. Maximizando $P_U=i^2R$ com $i=\varepsilon/(R+r)$ em função de R, obtém-se o resultado clássico $R=r$ — IV é correta. Corretas: I e IV.

Q60
Eletromagnetismo — Histerese Magnética (Conceitual)

Alguns materiais, quando submetidos a campos magnéticos, exibem uma espécie de efeito memória, que nada mais é do que uma imantação residual que persiste no material mesmo após a retirada do campo magnético externo que a gerou. É essa propriedade que permite a fabricação de ímãs permanentes, como os de neodímio. O gráfico abaixo representa genericamente um comportamento desse tipo, onde $B_{ext}$ é a intensidade do campo magnético aplicado e M é a intensidade da magnetização no material.

Curva de magnetização M × Bext em forma de laço fechado (ciclo de histerese), com curva inicial partindo da origem

De posse dessas informações, avalie as afirmações abaixo.

I. Apenas materiais caracterizados como ferromagnéticos exibem esse comportamento.
II. O fenômeno descrito é conhecido como histerese magnética.
III. Quanto mais estreito o ciclo representado nesse gráfico, menor é o magnetismo residual adquirido pelo material.
IV. A principal vantagem observada nesse processo é o fato de não haver dissipação de energia no sistema.

Estão corretas apenas as afirmações

a)I, III e IV.
b)II, III e IV.
c)I, II e III.
d)I, II e IV.

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C
Resolução

A imantação residual (magnetismo remanente) é uma marca registrada dos materiais ferromagnéticos — I correta. O fenômeno do "atraso" entre M e $B_{ext}$, formando o laço fechado, é exatamente a histerese magnética — II correta. Materiais magneticamente "moles" (baixa coercividade) tendem a apresentar também menor magnetismo residual, de modo que um ciclo mais estreito está associado a menor remanência — III correta (nessa comparação qualitativa entre materiais "duros" e "moles"). A afirmação IV é falsa: a área do laço de histerese representa justamente energia dissipada (na forma de calor) a cada ciclo, não ausência de dissipação.

Q61
Eletromagnetismo — Efeito Hall

O circuito elétrico, mostrado na figura a seguir, é composto por uma placa metálica retangular ôhmica, de largura L, conectada por meio de fios ideais a um gerador, de força eletromotriz $\varepsilon$ e resistência interna r, e que está imersa numa região onde atua um campo magnético uniforme de intensidade B.

Circuito com gerador (ε, r) ligado a placa metálica retangular de largura L, imersa em campo B perpendicular ao plano; pontos M e N nas bordas opostas, separados pela largura L

Ao ser estabelecida uma corrente elétrica no circuito, surge uma diferença de potencial $V_{MN}$ na placa metálica, entre os pontos M e N. Nessas condições, sendo $U_G$ a diferença de potencial nos terminais do gerador, a velocidade dos portadores de carga e a intensidade da corrente elétrica são, respectivamente,

a)$\dfrac{V_{MN}}{BL}$ , $\dfrac{\varepsilon-U_G}{r}$
b)$\dfrac{V_{MN}}{L}$ , $\dfrac{\varepsilon}{r}$
c)$\dfrac{V_{MN}}{L}$ , $\dfrac{\varepsilon-U_G}{r}$
d)$\dfrac{V_{MN}}{BL}$ , $\dfrac{\varepsilon}{r}$

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A
Resolução

Efeito Hall: no equilíbrio, a força elétrica transversal equilibra a força magnética sobre os portadores: $qE_H=qv_dB \Rightarrow v_d=E_H/B$. Como $E_H=V_{MN}/L$: $v_d=\dfrac{V_{MN}}{BL}$.

Da tensão terminal do gerador, $U_G=\varepsilon-ir \Rightarrow i=\dfrac{\varepsilon-U_G}{r}$.

Q62
Eletromagnetismo — Força Magnética, Hidrostática e Equilíbrio

O bloco maciço e homogêneo, representado na figura a seguir, de volume $V_c$ e densidade $d_c$, totalmente imerso em um líquido (em repouso e de densidade $d_L$), está em equilíbrio quando suspenso por um fio inextensível que o prende a uma barra homogênea ôhmica condutora, de resistência elétrica R e comprimento L, percorrida por uma corrente elétrica i fornecida pelo gerador ideal de força eletromotriz $\varepsilon$.

Gerador ε ligado a barra condutora horizontal (resistência R, comprimento L), imersa em campo B; a barra sustenta por um fio um bloco totalmente submerso em líquido

Essa barra condutora está em equilíbrio, na direção horizontal, em uma região em que atua o campo magnético uniforme, perpendicular ao plano da folha, de magnitude B. Sendo g o módulo da aceleração da gravidade e desconsiderando as massas das molas, da barra condutora e dos fios, a resistência elétrica da barra vale

a)$\dfrac{B\varepsilon L}{V_cgd_c}$
b)$\dfrac{B\varepsilon L}{V_cg(d_L-d_c)}$
c)$\dfrac{B\varepsilon L}{V_cgd_L}$
d)$\dfrac{B\varepsilon L}{V_cg(d_c-d_L)}$

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D
Resolução

Como o gerador é ideal e a barra é a única resistência do circuito, $i=\varepsilon/R$. A força magnética sobre a barra, $F=BiL$, sustenta o bloco através do fio. Como o bloco está totalmente imerso e precisa ser sustentado (não flutua sozinho), seu peso excede o empuxo: $F=Peso-Empuxo=V_cd_cg-V_cd_Lg=V_cg(d_c-d_L)$.

Logo $B\left(\dfrac{\varepsilon}{R}\right)L=V_cg(d_c-d_L) \Rightarrow R=\dfrac{B\varepsilon L}{V_cg(d_c-d_L)}$.

Q63
Física Moderna — Modelos Atômicos Clássicos

A consolidação definitiva da ideia do átomo veio ao final do século XIX, quando o avanço nos estudos da estrutura corpuscular da matéria trouxe evidências experimentais de resultados até então teóricos, surgindo à época alguns modelos que tentavam representar o átomo. Em relação a esses modelos atômicos clássicos são feitas as seguintes afirmações:

I. No modelo atômico de Bohr, a frequência da radiação eletromagnética assume valores discretizados, a qual está relacionada com a diferença entre as energias correspondentes a dois estados.
II. Considerando o modelo atômico de Rutherford, para o átomo de hidrogênio, podemos afirmar que a aceleração do elétron pode ser calculada por meio da expressão $a=K\cdot q^2\cdot m_e^{-1}$, em que K é a constante eletrostática do meio, q é a carga elementar, e $m_e$ é a massa do elétron.
III. No modelo atômico de Bohr, quando se analisa os níveis de energia, o estado estacionário é menos energético que o estado fundamental e que os estados excitados.
IV. A energia emitida pela radiação eletromagnética no modelo atômico de Rutherford é proporcional a hf, em que h é a constante de Planck e f é a frequência da radiação eletromagnética.

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmação(ões)

a)I.
b)I e II.
c)II e III.
d)I, III e IV.

Gabarito oficial EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2024

A
Resolução

I é exatamente o postulado de Bohr para as transições eletrônicas: $\Delta E=hf$, com frequências discretas — correta. II está incompleta/incorreta: pela força de Coulomb como centrípeta, $a=Kq^2/(m_er^2)$ — falta o termo $r^2$ no denominador. III é autocontraditória: o "estado fundamental" já É um estado estacionário (o de menor energia entre eles), não pode ser simultaneamente "mais energético" que os estados estacionários em geral. IV está errada: a emissão de energia proporcional a $hf$ (quantizada) é uma característica do modelo de Bohr, não do modelo clássico de Rutherford (que, ao contrário, previa emissão contínua — um dos problemas que o modelo de Bohr veio resolver). Apenas I é correta.

Q64
Física Moderna — Dilatação do Tempo (Relatividade Especial)

Em alguns filmes de ficção científica é comum a estória sobre expedições interplanetárias em busca de um planeta potencialmente habitável e no qual seja possível reconstruir a civilização humana. Considere uma nave com o objetivo de chegar em um ponto P, situado numa região do Universo onde parece existir um planeta com condições similares às da Terra. Quando essa nave partiu da Terra, Fabinho, filho do Comandante da tripulação, tinha 10 anos e 4 meses de idade. Para o Comandante, que viajou em sua nave a uma velocidade de $0{,}80$ da velocidade da luz no vácuo, passou-se 12 meses até chegar ao ponto P.

Nesse intervalo de tempo, Fabinho, que se encontra na Terra, terá uma idade, em anos, aproximadamente igual a

a)11
b)12
c)13
d)14

Gabarito oficial EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2024

B
Resolução

Os 12 meses são o tempo próprio medido pelo Comandante (a bordo da nave). Na Terra, passa-se um tempo maior, dilatado pelo fator $\gamma$: $\gamma=\dfrac{1}{\sqrt{1-v^2/c^2}}=\dfrac{1}{\sqrt{1-0{,}64}}=\dfrac{1}{\sqrt{0{,}36}}=\dfrac{1}{0{,}6}=\dfrac53$.

$\Delta t_{Terra}=\gamma\times12=\dfrac53\times12=20$ meses $=1$ ano e 8 meses. Idade final de Fabinho: $10a4m+1a8m=12$ anos.

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