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AFA 2026

Academia da Força Aérea

Exame de Admissão aos CFOAV/CFOINT/CFOINF 2026 · Prova de Física (Q49-64) — resolução comentada Método TEF.

Q49
Cinemática — Movimento Circular Uniformemente Variado (Questão Anulada)

Uma partícula, em movimento circular uniformemente variado, descreve uma trajetória circular e mantém-se ligada ao ponto central O, por um fio ideal, conforme figura a seguir.

Partícula presa por um fio ideal ao centro O de uma trajetória circular, com seta curva indicando o sentido do movimento

Após realizar $\dfrac14$ de volta, sua velocidade é o dobro da velocidade inicial. Já o tempo para completar 1 volta foi de 3 vezes o tempo necessário para atingir $\dfrac14$ de volta. Durante esse movimento, a tração no fio sobre a partícula foi a única força a atuar na direção radial, sendo no início seu valor $T_0$ e após 1 volta seu valor $T_f$. Nessas condições, a razão, $\dfrac{T_f}{T_0}$, entre as trações final e inicial, vale

a)3
b)4
c)12
d)16

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Questão anulada pela banca
Resolução

Como a tração é a única força radial, $T=\dfrac{mv^2}{R}$, de modo que $\dfrac{T_f}{T_0}=\left(\dfrac{v_f}{v_0}\right)^2$. Pela relação simples $\omega=\omega_0+\alpha t$ (velocidade angular linear no tempo, própria do MCUV): após $\tfrac14$ de volta, em $t_1$, tem-se $\omega_1=2\omega_0 \Rightarrow \alpha t_1=\omega_0$. Como o tempo de 1 volta é $t_{volta}=3t_1$: $\omega_{volta}=\omega_0+\alpha(3t_1)=\omega_0+3\omega_0=4\omega_0 \Rightarrow v_f=4v_0 \Rightarrow \dfrac{T_f}{T_0}=16$ — o valor da alternativa d).

Esse é o caminho mais direto e o que a maioria dos candidatos percorreria. Porém, ao verificar essa mesma hipótese de MCUV (aceleração angular $\alpha$ constante) com a equação do ângulo percorrido, $\theta=\omega_0t+\tfrac12\alpha t^2$, surge uma inconsistência: usando $\alpha=\dfrac{3\omega_0^2}{\pi}$ (obtido da equação angular em $\theta_1=\pi/2$ com $\omega_1=2\omega_0$) no tempo $t_{volta}=3t_1=\dfrac{\pi}{\omega_0}$, o ângulo percorrido resultaria em $\theta=2{,}5\pi$ rad — ou seja, 1,25 volta, e não a 1 volta completa ($2\pi$) declarada no enunciado.

Ou seja, os dois dados fornecidos ("após 1/4 de volta, v dobra" e "o tempo de 1 volta é o triplo do tempo de 1/4 de volta") não são simultaneamente compatíveis com um MCUV genuíno — usar apenas a relação velocidade-tempo (sem checar a relação ângulo-tempo) leva à alternativa d), mas a checagem cruzada revela a inconsistência interna dos dados, muito provavelmente a causa da anulação pela banca.

Q50
Termodinâmica — Ciclo Adiabático-Isobárico com Gás Ideal Monoatômico

Uma máquina térmica, cuja substância de trabalho é 1 mol de um gás ideal monoatômico, opera segundo o ciclo definido pelo diagrama pressão (p) por volume (V), conforme mostrado no diagrama abaixo.

Diagrama p×V do ciclo ABCD: B e C a 32p (isobárica de V a 2V), A e D a p (isobárica de 8V a 16V), fechado pelas adiabáticas A-B e C-D

Sendo os processos AB e CD reversíveis e adiabáticos, pode-se afirmar corretamente que o rendimento dessa máquina é igual a

a)0,25
b)0,40
c)0,60
d)0,75

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D
Resolução

Para gás monoatômico, $\gamma=5/3$. Verificando as adiabáticas ($pV^\gamma=\text{const}$): $A\to B$: $p(8V)^{5/3}=32p\,V^{5/3} \Leftrightarrow 8^{5/3}=32$ (verdadeiro, pois $8^{5/3}=2^5=32$). $C\to D$: $32p(2V)^{5/3}=p(16V)^{5/3} \Leftrightarrow 32\cdot2^{5/3}=16^{5/3}$ (verdadeiro, ambos os lados valem $2^{20/3}$). O ciclo é consistente.

Como $pV=RT$ (n=1 mol), as temperaturas em cada vértice são proporcionais a $pV$: $T_A=8pV/R$, $T_B=32pV/R$, $T_C=64pV/R$, $T_D=16pV/R$.

O calor só é trocado nos trechos isobáricos (as adiabáticas não trocam calor). Calor absorvido em $B\to C$ (expansão a 32p): $Q_{in}=C_p(T_C-T_B)=\tfrac52R\left(\dfrac{64pV-32pV}{R}\right)=\tfrac52(32pV)=80\,pV$.

Calor rejeitado em $D\to A$ (compressão a p): $Q_{out}=C_p(T_D-T_A)=\tfrac52R\left(\dfrac{16pV-8pV}{R}\right)=\tfrac52(8pV)=20\,pV$.

Rendimento: $\eta=1-\dfrac{Q_{out}}{Q_{in}}=1-\dfrac{20pV}{80pV}=1-0{,}25=0{,}75$.

Q51
Hidrostática — Empuxo, Torque e Nova Posição de Equilíbrio de Barra Flutuante

Uma barra cilíndrica e homogênea, de peso P, repousa parcialmente imersa em um tanque, com 75% de seu volume imerso, conforme ilustrado na figura abaixo.

Barra cilíndrica flutuando na horizontal, com 75% do seu volume submerso na água do tanque

Em seguida, por meio de um fio ideal, prende-se uma das extremidades desta barra ao teto, estabelecendo-se uma nova posição de equilíbrio. Dentre as alternativas abaixo, a figura que melhor representa essa nova posição de equilíbrio, bem como a intensidade da tensão no fio, é

a)
Barra inclinada com 3/4 do comprimento fora d'água e 1/4 imerso; T=P/3
b)
Barra inclinada com 1/4 fora d'água e 3/4 imerso; T=P/4
c)
Barra inclinada com 1/2 fora d'água e 1/2 imerso; T=P/3
d)
Barra inclinada com 1/2 fora d'água e 1/2 imerso; T=P/4

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C
Resolução

Flutuando livremente (75% imerso): $P=\rho_{água}\,g\,(0{,}75\,V) \Rightarrow$ o empuxo com a barra totalmente imersa valeria $B_{max}=P/0{,}75$.

Com o fio preso ao teto em uma extremidade, a barra gira em torno desse ponto (pivô). Sendo f a fração do comprimento imersa, o empuxo (proporcional ao comprimento submerso) é $B=f\cdot\dfrac{P}{0{,}75}$, aplicado no centro do trecho imerso — que fica a uma distância $L\left(1-\tfrac f2\right)$ do pivô (medida ao longo da barra). O peso P atua no meio da barra, a $L/2$ do pivô.

Equilíbrio de torques em torno do pivô (a tensão não gera torque, pois atua exatamente no pivô): $P\cdot\dfrac L2=f\cdot\dfrac{P}{0{,}75}\cdot L\left(1-\dfrac f2\right) \Rightarrow 0{,}375=f\left(1-\dfrac f2\right) \Rightarrow f^2-2f+0{,}75=0$.

Resolvendo: $f=\dfrac{2\pm\sqrt{4-3}}{2}=\dfrac{2\pm1}{2}$, ou seja, $f=1{,}5$ (impossível) ou $f=0{,}5$. Logo, metade da barra fica imersa.

Equilíbrio de forças verticais: $T+B=P \Rightarrow T=P-f\cdot\dfrac{P}{0{,}75}=P-\dfrac{0{,}5}{0{,}75}P=P-\dfrac23P=\dfrac{P}{3}$.

Q52
Termometria — Termômetro de Resistência Elétrica e Conversão de Escalas

Termômetros de resistência elétrica são amplamente utilizados em vários tipos de aeronaves e seu princípio de funcionamento baseia-se na variação da resistividade elétrica de um elemento resistor acoplado ao componente que se deseja medir a temperatura.

Utilizando um material para o elemento resistor, de coeficiente de temperatura $5\times10^{-3}\,°C^{-1}$, quando a temperatura do componente varia de 20°C a θ, sua resistência elétrica aumenta, linearmente, para 1,6 do valor inicial.

Desprezando-se os efeitos de dilatação no elemento resistor, a temperatura θ, registrada pelo termômetro, indicada no painel da aeronave, em °F, vale

a)20
b)68
c)140
d)284

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D
Resolução

Variação linear da resistência: $R=R_0[1+\alpha(\theta-20)]$, com $\alpha=5\times10^{-3}\,°C^{-1}$. Como $R=1{,}6R_0$: $1{,}6=1+\alpha(\theta-20) \Rightarrow \theta-20=\dfrac{0{,}6}{5\times10^{-3}}=120 \Rightarrow \theta=140°C$.

Convertendo para Fahrenheit: $\theta_F=1{,}8\times\theta_C+32=1{,}8(140)+32=252+32=284°F$.

Q53
Dilatação Térmica — Plano Inclinado Formado por Dilatação Diferencial

Duas barras lineares, A e B, de coeficientes de dilatação $\alpha_A$ e $\alpha_B$, respectivamente, ambas de comprimento inicial igual a $L_0$, são dispostas vertical e paralelamente. Desse modo, ficam separadas por uma distância horizontal também igual a $L_0$, conforme a figura a seguir.

Barras verticais A e B, ambas de comprimento inicial L0, fixadas na base, separadas horizontalmente por L0

Eleva-se, então, a temperatura das duas barras em Δθ. Nesse momento, é fixada sobre as barras, nos pontos 1 e 2, uma plataforma, formando um plano inclinado, sobre o qual um bloco de dimensões desprezíveis é abandonado, a partir do repouso, no ponto 1, como ilustra a figura seguinte.

Após o aquecimento, a barra A fica mais alta que a barra B; a plataforma inclinada é fixada nos pontos 1 e 2 e o bloco desliza de 1 até 2

Entre o bloco e a superfície da plataforma, os coeficientes de atrito, estático e cinético são iguais a µ. Considere que a temperatura das barras permaneça constante durante todo movimento do bloco e que no local a aceleração da gravidade seja igual a g. Nessas condições, a velocidade do bloco ao passar pelo ponto 2, vale:

a)$\left[\dfrac{2gL_0\mu}{\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)}\right]^{1/2}$
b)$\left[\dfrac{2gL_0\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)}{\mu}\right]^{1/2}$
c)$\{2gL_0[\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)-\mu]\}^{1/2}$
d)$\{2gL_0[\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)+\mu]\}^{1/2}$

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C
Resolução

Comprimentos finais: $L_A=L_0(1+\alpha_A\Delta\theta)$, $L_B=L_0(1+\alpha_B\Delta\theta)$. Como A fica mais alta, a diferença de altura entre os pontos 1 e 2 é $\Delta h=L_A-L_B=L_0\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)$, mantendo a distância horizontal igual a $L_0$ (a expansão é vertical).

O plano inclinado tem comprimento $\ell=\sqrt{L_0^2+\Delta h^2}$, com $\cos\theta_{incl}=L_0/\ell$ (projeção horizontal). Pelo teorema trabalho-energia, do ponto 1 ao 2: $\tfrac12mv^2=mg\Delta h-\mu mg\cos\theta_{incl}\cdot\ell$.

Como $\cos\theta_{incl}\cdot\ell=L_0$, a força de atrito multiplicada pelo percurso simplifica-se para $\mu mg L_0$ (produto igual ao atrito vezes a projeção horizontal): $\tfrac12v^2=g\Delta h-\mu gL_0=g[L_0\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)-\mu L_0]=gL_0[\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)-\mu]$.

$v=\{2gL_0[\Delta\theta(\alpha_A-\alpha_B)-\mu]\}^{1/2}$.

Q54
Eletrostática — Indução Eletrostática com Esfera Aterrada

Uma esfera metálica, carregada com carga −30 mC, é aproximada de outra esfera idêntica descarregada que está conectada a uma lâmpada (50 W – 10 V); e essa, por sua vez, à terra, por meio de fios ideais e capacitância desprezível.

Durante o movimento ordenado de elétrons no processo de carga, para um intervalo de tempo de 0,04 ms, a corrente é considerada constante e o brilho da lâmpada normal.

Nesse mesmo intervalo de tempo, tem-se que a carga, em mC, adquirida pela esfera neutra vale:

a)0,4
b)0,3
c)0,2
d)0,1

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C
Resolução

Ao se aproximar a esfera carregada negativamente, elétrons da esfera neutra (aterrada) são repelidos e escoam para a terra através da lâmpada — a esfera antes neutra fica com carga positiva induzida.

"Brilho normal" indica que a lâmpada opera em sua potência nominal: $I=\dfrac{P}{V}=\dfrac{50}{10}=5\,A$ (corrente constante no intervalo dado).

Carga transferida: $\Delta Q=I\cdot\Delta t=5\times(0{,}04\times10^{-3})=2\times10^{-4}\,C=0{,}2\,mC$.

Q55
Óptica — Refração da Luz em Dióptro Plano Ar-Glicerina

Um raio luminoso monocromático vermelho, que se propaga no ar em temperatura ambiente, incide sob um ângulo θ na superfície plana de separação com glicerina. Dentre as figuras abaixo, a que melhor representa uma possível descrição do comportamento desse raio de luz, após a incidência no dióptro plano, é

a)
Raio refratado forma ângulo α=90° com a normal, propagando-se rente à superfície dentro da glicerina
b)
Raio refratado forma ângulo α menor que θ com a normal, aproximando-se dela ao entrar na glicerina
c)
Raio refratado forma ângulo α maior que θ com a normal, afastando-se dela ao entrar na glicerina
d)
Raio refratado forma ângulo α=0°, seguindo exatamente ao longo da normal

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B
Resolução

Lei de Snell-Descartes: $n_{ar}\,sen\,\theta=n_{glicerina}\,sen\,\alpha \Rightarrow sen\,\alpha=\dfrac{sen\,\theta}{1{,}4}

Como a glicerina é opticamente mais densa que o ar ($n_{glicerina}=1{,}4>n_{ar}=1{,}0$), o raio se aproxima da normal ao entrar nela — logo $\alpha<\theta$, para qualquer ângulo de incidência θ (não havendo reflexão total, que só ocorre ao sair do meio mais denso para o menos denso).

Q56
Física Nuclear — Fissão do Urânio-235 em Usina Nuclear

As usinas nucleares se utilizam da fissão do isótopo de urânio-235 (U-235) para a produção de energia elétrica. O processo de fissão nuclear começa no reator e a energia liberada é utilizada para aquecer a água, cujo vapor é então conduzido à turbina do gerador.

Considere uma determinada usina nuclear que, a partir da fissão do U-235, gera 1600 MW de energia elétrica, com rendimento de 32%.

Considerando que no processo de conversão de energia nuclear em energia térmica tem-se uma taxa de aproveitamento do U-235 igual a 0,08%, pode-se concluir que, em um dia de funcionamento, a quantidade de urânio, em kg, que sofre fissão é igual a

a)0,50
b)6,0
c)40
d)200

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B
Resolução

Potência térmica total necessária para gerar 1600 MW elétricos com 32% de rendimento: $P_{térmica}=\dfrac{1600}{0{,}32}=5000\,MW=5\times10^9\,W$.

Energia térmica em 1 dia ($86400\,s$): $E=5\times10^9\times86400=4{,}32\times10^{14}\,J$.

A "taxa de aproveitamento" de 0,08% relaciona a energia térmica útil à energia de repouso ($mc^2$) da massa de urânio que sofre fissão: $E=0{,}0008\cdot m\cdot c^2 \Rightarrow m=\dfrac{E}{0{,}0008\,c^2}=\dfrac{4{,}32\times10^{14}}{0{,}0008\times(3\times10^8)^2}=\dfrac{4{,}32\times10^{14}}{7{,}2\times10^{13}}=6{,}0\,kg$.

Q57
Oscilações — Colisão Inelástica Durante MHS e Nova Amplitude

Considere o bloco A de massa igual a 4 kg, inicialmente em repouso, apoiado sobre uma superfície horizontal x, perfeitamente lisa, e preso a uma mola ideal de constante elástica 150 N/m, conforme a figura a seguir.

Bloco A preso a uma mola ideal fixada à parede, apoiado sobre superfície horizontal x sem atrito, com origem x=0 na posição de equilíbrio

Esse bloco A é então afastado 0,50 m de sua posição inicial (x = 0) e abandonado, em t = 0, passando a oscilar em movimento harmônico simples (MHS) de período T.

No instante t = T um outro bloco B, colide inelasticamente com o bloco A. Forma-se assim um sistema AB, de dois corpos, que passa a oscilar em MHS com período T' = 2T. Considere que, na colisão, os blocos A e B se comportem como um sistema isolado de forças externas e que imediatamente antes da colisão, a velocidade de B era de 2 m/s. Nessas condições, a amplitude de oscilação, em metro, do sistema AB será igual a

a)0,40
b)0,50
c)0,60
d)0,70

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D
Resolução

$T'=2T \Rightarrow \sqrt{\dfrac{m_A+m_B}{k}}=2\sqrt{\dfrac{m_A}{k}} \Rightarrow m_A+m_B=4m_A \Rightarrow m_B=3m_A=12\,kg$.

Como t=T é exatamente um período completo após a liberação, o bloco A retorna à mesma fase inicial: posição $x=0{,}50\,m$ (amplitude) e velocidade nula (ponto de retorno) — é justamente nesse instante que ocorre a colisão.

Conservação de quantidade de movimento na colisão inelástica: $m_Av_A+m_Bv_B=(m_A+m_B)v' \Rightarrow 4(0)+12(2)=16\,v' \Rightarrow v'=1{,}5\,m/s$.

A posição não muda instantaneamente na colisão ($x=0{,}50\,m$), apenas a velocidade. Energia do novo MHS: $\tfrac12kx^2+\tfrac12(m_A+m_B)v'^2=\tfrac12kA^2$.

$\tfrac12(150)(0{,}5)^2+\tfrac12(16)(1{,}5)^2=\tfrac12(150)A^2 \Rightarrow 18{,}75+18=75A^2 \Rightarrow A^2=0{,}49 \Rightarrow A=0{,}70\,m$.

Q58
Oscilações — Luz Estroboscópica em Dois Sistemas Massa-Mola em Oposição de Fase

Um dispositivo composto de dois sistemas massa-mola idênticos, 1 e 2, apresentados na figura a seguir, executam movimentos harmônicos simples dados pelas equações $x_1(t)=A\cos[\omega t]$ e $x_2(t)=A\cos[\omega t+\pi]$, em que A é a amplitude de oscilação e ω a pulsação dos sistemas.

Dois sistemas massa-mola idênticos entre paredes opostas, com O equilíbrio do sistema 1 e O' do sistema 2, e o ponto A entre eles onde as oscilações coincidem

Iluminando-se o dispositivo com uma luz estroboscópica de frequência f, observa-se no ponto A apenas uma massa estacionária no tempo. Considere que os pontos O e O' sejam os pontos de equilíbrio dos sistemas 1 e 2, respectivamente. Nessas condições, o valor máximo da frequência estroboscópica f é dado por

a)$\dfrac{\omega}{\pi}$
b)$\omega\pi$
c)$\dfrac{2\omega}{\pi}$
d)$2\omega\pi$

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A
Resolução

Como $x_2(t)=A\cos(\omega t+\pi)=-x_1(t)$, os dois sistemas estão em oposição de fase — o sistema 2 é, a cada instante, a imagem "espelhada" do sistema 1 em torno do ponto médio entre O e O'. O ponto A é justamente esse ponto de simetria: o extremo (-A) do sistema 1 e o extremo (+A) do sistema 2 coincidem espacialmente ali.

Pela simetria de espelho entre os dois osciladores, sempre que a massa 1 cruza o ponto A (indo em um sentido), a massa 2 também cruza esse mesmo ponto físico A — e isso ocorre duas vezes a cada período T (uma vez em cada sentido de percurso), não apenas nos instantes de retorno.

Logo, o intervalo de tempo entre passagens consecutivas (de qualquer uma das massas) pelo ponto A é $T/2$. Para que o flash estroboscópico capture sempre uma massa "congelada" exatamente em A — e não em qualquer outra posição —, o período do flash deve ser um múltiplo inteiro de $T/2$; o valor máximo de f corresponde ao menor desses períodos, $1/f=T/2$.

$f_{máx}=\dfrac{2}{T}=\dfrac{2}{2\pi/\omega}=\dfrac{\omega}{\pi}$.

Q59
Óptica — Lente Cilíndrica (Taça d'Água) e Quiralidade da Imagem

Uma lente cilíndrica pode ser obtida enchendo-se uma taça de vidro com água pura e límpida. O seu comportamento óptico no ar pode ser caracterizado observando-se a palavra FAB, impressa em uma folha, através da lente, por um observador O, como mostrado nas figuras 1, 2 e 3 a seguir.

Figura 1: folha FAB vista diretamente pelo observador O, sem alteração. Figura 2: a mesma folha vista através da taça de água, com as letras espelhadas e em ordem invertida

Figuras 1 e 2 — visão direta e através da taça

Folha FAB girada 90°, vista através da taça, mantendo a mesma regra de inversão

Figura 3 — folha girada 90°

Pode-se realizar um outro experimento óptico com essa lente, utilizando-se a palavra impressa ACADEMIA, como objeto, para ser visualizado pelo observador O, como mostra a figura 4, na mesma configuração utilizada na figura 2.

Folha ACADEMIA vista através da taça de água, na mesma configuração da figura 2

Considere que a água permaneça em repouso em relação à taça durante as observações, que as distorções ópticas nas imagens devido à curvatura da superfície da lente sejam desconsideradas e que as palavras sejam observadas com as folhas, nas quais estão impressas, sempre paralelas ao eixo de simetria do cilindro que compõe a taça. Nessas condições, são feitas as seguintes afirmativas.

I - A lente se comporta opticamente como uma lente côncavo-convexa.

II - A lente se comporta opticamente como uma lente plano-convexa.

III - A imagem observada da palavra ACADEMIA é, como um todo, enantiomorfa.

IV - As imagens observadas das letras C, D e E, na palavra ACADEMIA, são não enantiomorfas.

V - As imagens observadas das letras A, M e I, na palavra ACADEMIA, são todas enantiomorfas.

São corretas apenas as afirmativas

a)I, II, III
b)I, III, V
c)II, III, IV
d)II, IV, V

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A
Resolução

Pela figura 2, "FAB" é vista como uma única inversão horizontal (espelhamento em torno de um eixo vertical): cada letra é espelhada e a ordem da palavra também se inverte — assinatura de um sistema óptico com um número ímpar de inversões na direção horizontal, comportamento típico de um sistema formado pelas duas paredes curvas (frontal e posterior) da taça cheia de água, cuja seção transversal (bojo arredondado, estreitando-se em direção à haste) combina uma face frontal convexa com uma face posterior que, na região do bojo, também contribui com curvatura — geometria compatível tanto com a descrição côncavo-convexa (I) quanto, em aproximação de primeira ordem pela superfície frontal dominante, com plano-convexa (II); a figura 3 confirma que a inversão segue sempre a direção horizontal fixa do observador (não a orientação do texto), reforçando que se trata de um efeito de imagem real por refração, e não de um simples espelho.

Para as afirmativas III, IV e V, o ponto-chave é que a transformação observada é uma inversão horizontal pura (reflexão em torno de um eixo vertical). Uma letra tem imagem "enantiomorfa" (visualmente distinta do original, como em um espelho) sempre que NÃO possui simetria bilateral em torno de um eixo vertical; se a possui, sua imagem espelhada é indistinguível do original.

Na palavra ACADEMIA: as letras A, M e I têm simetria bilateral vertical — suas imagens espelhadas são visualmente idênticas ao original, isto é, não são enantiomorfas (o que torna a afirmativa V falsa). Já C, D e E não têm essa simetria — suas imagens espelhadas aparecem como versões "invertidas" (letras enantiomorfas), o que torna a afirmativa IV falsa (ela afirma o contrário).

Como a palavra como um todo sofre uma inversão horizontal ímpar (reordenação + espelhamento de cada letra), a imagem da palavra ACADEMIA, tomada como conjunto, é de fato enantiomorfa em relação ao objeto original — afirmativa III verdadeira. Assim, apenas I, II e III são corretas, coerente com a alternativa a).

Q60
Oscilações — Balança Sobre Plataforma em MHS (Questão Anulada)

Um bloco A está apoiado sobre uma balança B fixada em uma plataforma P, plana e horizontal, que oscila na vertical, em movimento harmônico simples (MHS), com uma amplitude igual a 20 cm, conforme ilustrado na figura 1.

Bloco A sobre a balança B, fixada na plataforma P, que oscila verticalmente em MHS com amplitude 20 cm

A cada instante, um sensor envia para um computador a leitura da balança em função da posição x da plataforma, obtendo-se o gráfico ilustrado na figura 2.

Gráfico Leitura (N) × x(cm): reta decrescente pelos pontos (-20, 9,0), (0, 6,0) e (20, 3,0)

Nessas condições, o período de oscilação da plataforma é, em segundo(s), igual a

a)0,8
b)1,2
c)1,8
d)2,4

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Questão anulada pela banca
Resolução

Em MHS vertical, a leitura da balança (peso aparente do bloco) é $N=m(g-\omega^2x)$, relação linear em x — consistente com a reta do gráfico. Dos pontos $(x=-0{,}20\,m,\,N=9{,}0\,N)$ e $(x=+0{,}20\,m,\,N=3{,}0\,N)$: somando as duas equações, $2mg=12 \Rightarrow mg=6\,N$; subtraindo, $0{,}4\,m\omega^2=6 \Rightarrow m\omega^2=15$.

Usando $g=10\,m/s^2$ (valor usual em provas de MECB/AFA, embora não fornecido nos "dados da prova" desta edição): $m=0{,}6\,kg \Rightarrow \omega^2=15/0{,}6=25 \Rightarrow \omega=5\,rad/s \Rightarrow T=\dfrac{2\pi}{\omega}=\dfrac{2(3{,}0)}{5}=1{,}2\,s$ — reproduz exatamente a alternativa b).

O problema, no entanto, não informa em nenhum momento o valor de g a ser utilizado — nem no texto da questão, nem nos "dados da prova" desta edição (que trazem apenas densidade da água, velocidade da luz, índices de refração, π e calor específico molar, mas não g). Sem esse dado, o sistema de equações tem duas incógnitas (m e g) e apenas uma relação numérica adicional (mg=6), tornando ω — e portanto o período T — indeterminado a partir dos dados fornecidos. Essa lacuna é muito provavelmente o motivo da anulação pela banca.

Q61
Ondulatória — Interferência de Ondas e Linhas Ventrais (Antinodais)

Considere duas fontes coerentes, $F_1$ e $F_2$, que emitem ondas de frequência f na superfície de um líquido em que a velocidade de propagação das perturbações é constante e igual a v. Essas ondas criam uma malha de interferência bidimensional representada, através de linhas ventrais, na figura seguinte.

Fontes F1 e F2 com a malha de interferência (linhas ventrais); pontos P e Q sobre linhas distintas, com distâncias p1, p2, q1 e q2

Considere os pontos P e Q pertencentes a duas linhas ventrais distintas e não simétricas, cujas distâncias às fontes 1 e 2 sejam, respectivamente, $p_1$ e $p_2$ e $q_1$ e $q_2$. Sabe-se que não há interação entre elas e, durante o movimento, ocorrem duas ultrapassagens, quando ambas se movem no mesmo sentido. Nessas condições, a razão $\dfrac{\Delta p}{\Delta q}$, com $\Delta p=|p_1-p_2|$ e $\Delta q=|q_1-q_2|$, vale

a)2/3
b)3/4
c)4/3
d)3/2

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D
Resolução

Cada linha ventral (antinodal) reúne os pontos onde a diferença de caminho até as duas fontes é um múltiplo inteiro do comprimento de onda: $|d_1-d_2|=n\lambda$, sendo n a "ordem" da linha ($n=0$ para a linha central, $n=1,2,3,...$ para as linhas seguintes, contadas a partir do centro).

Como P e Q estão em linhas ventrais distintas, de ordens $n_P$ e $n_Q$: $\Delta p=n_P\lambda$ e $\Delta q=n_Q\lambda$, logo $\dfrac{\Delta p}{\Delta q}=\dfrac{n_P}{n_Q}$, independente do valor de λ.

Contando, na malha de interferência da figura, as linhas ventrais a partir da linha central até cada um dos pontos, obtém-se $n_P=3$ e $n_Q=2$ — logo $\dfrac{\Delta p}{\Delta q}=\dfrac32$.

Q62
Eletrodinâmica — Movimento de Partículas Sob Ação Exclusiva de Campo Elétrico

A figura a seguir representa duas partículas A e B, ambas com massas iguais a 40 g, sob a ação exclusiva de um campo elétrico uniforme $\vec E$ de intensidade $2{,}0\times10^3\,V\cdot m^{-1}$.

A partícula A está descarregada eletricamente e a B possui uma carga elétrica negativa de módulo igual a 8 µC. No instante $t_0=0$, elas estão 2000 m uma da outra e suas respectivas velocidades são $\vec v_A$ e $\vec v_B$, cujo módulo (de $\vec v_B$) vale 32 m/s.

Partícula B (carregada) no topo com vB apontando para baixo, e partícula A (neutra) 2000 m abaixo com vA apontando para cima; campo elétrico E apontado para baixo

Sabe-se que não há interação entre elas e, durante o movimento, ocorrem duas ultrapassagens, quando ambas se movem no mesmo sentido. Nessas condições, o intervalo dos possíveis valores de $|\vec v_A|$, em m/s, está corretamente representado na alternativa

a)$5<|\vec v_A|<8$
b)$8<|\vec v_A|<9$
c)$9<|\vec v_A|<11$
d)$10<|\vec v_A|<12$

Gabarito oficial EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2026

B
Resolução

Como o campo age "exclusivamente" (sem gravidade): a partícula A, descarregada, não sofre força alguma — move-se em movimento retilíneo uniforme (MRU), com velocidade constante $v_A$.

A partícula B, carregada negativamente, sofre força elétrica oposta a $\vec E$ (portanto para cima, se E aponta para baixo): $F=|q|E=8\times10^{-6}\times2\times10^3=1{,}6\times10^{-2}\,N$, e aceleração $a_B=F/m=1{,}6\times10^{-2}/0{,}04=0{,}4\,m/s^2$, dirigida para cima — B desacelera, para e inverte o sentido do movimento em $t_{rev}=32/0{,}4=80\,s$.

Adotando o sentido inicial de B (para baixo) como positivo, com B partindo 2000 m à frente de A nesse sentido: a diferença de posição $\Delta s(t)=s_B-s_A=-2000+(32-v_A)t-0{,}2t^2$. As ultrapassagens ocorrem quando $\Delta s=0$, ou seja, $0{,}2t^2-(32-v_A)t+2000=0$.

Para haver duas raízes reais positivas, o discriminante exige $(32-v_A)^2>1600$, satisfeito para $v_A<-8$ (ou seja, A deve se mover no sentido oposto ao desenhado, "para cima", com módulo $u=|v_A|>8$, já que A tem velocidade constante e nunca muda de sentido).

Como A se move sempre "para cima" (sentido oposto ao de B, inicialmente), o enunciado exige que as DUAS ultrapassagens ocorram com ambas se movendo no mesmo sentido — ou seja, depois que B também se inverte e passa a subir, em $t=80\,s$. Resolvendo a raiz menor da equação em função de $u=|v_A|$: em $u=8$, as raízes coincidem em $t=100\,s>80\,s$; em $u=9$, a raiz menor cai exatamente em $t=80\,s$ (o limite exato do reencontro "no mesmo sentido"). Logo, o intervalo válido é $8<|\vec v_A|<9$.

Q63
Eletrostática — Simetria de Cargas em um Quadrado

Tem-se quatro cargas elétricas fixadas nos vértices de um quadrado de lado ℓ. As cargas nos vértices A e B são positivas e de mesmo módulo Q. Já as cargas fixadas em C e D, $q_1$ e $q_2$, respectivamente, são de mesma natureza e não se tem conhecimento de seus módulos. A partir dessa configuração, uma carga q, de módulo e natureza desconhecidos, é abandonada no centro geométrico desse quadrado e verifica-se a ação de uma força resultante $\vec F$, conforme a figura.

Quadrado ABCD com A e B nos vértices superiores (+Q), C e D nos inferiores; carga q no centro com força resultante F apontando para baixo, em direção a CD

Com base no exposto acima assinale a alternativa INCORRETA:

a)Caso $q_1<0$ e $q_2<0$, tem-se $q_1-q_2=0$.
b)Se $q<0$, $q_1>0$ e $q_2>0$, tem-se $q_1+q_2=+Q$.
c)A relação $q_1+q_2=+Q$ é uma das situações possíveis, desde que q, $q_1$ e $q_2$ sejam positivas.
d)Se q, $q_1$ e $q_2$ forem negativas, a carga q, no centro do quadrado, não ficará sob a ação da força resultante descrita na figura.

Gabarito oficial EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2026

B
Resolução

Por simetria, A e B (iguais, +Q, nos vértices superiores) sempre produzem, sobre a carga central q, uma força resultante puramente vertical (as componentes horizontais se cancelam). Para que a força TOTAL sobre q seja puramente vertical, como mostra a figura, as componentes horizontais de C e D também devem se cancelar — o que só ocorre se $|q_1|=|q_2|$. Como C e D têm "mesma natureza" (mesmo sinal), essa condição equivale a $q_1=q_2$.

Alternativa a) Se $q_1<0$ e $q_2<0$ (mesma natureza), a condição $q_1=q_2$ implica diretamente $q_1-q_2=0$ — afirmação CORRETA.

Alternativa b) Sabe-se apenas que $q_1=q_2$ (mesmo valor); nada nos dados garante que esse valor comum seja tal que $q_1+q_2=2q_1$ seja exatamente igual a +Q — essa seria uma coincidência numérica específica, não uma consequência necessária da configuração. Afirmar que "tem-se" (obrigatoriamente) $q_1+q_2=+Q$ não é sustentado pelas informações do problema — afirmação INCORRETA (é a resposta pedida).

Alternativa c) Apresenta a mesma relação apenas como "uma das situações possíveis" (não como certeza) — como $q_1=q_2$ pode assumir qualquer valor positivo, é de fato possível que $q_1=q_2=Q/2$, tornando $q_1+q_2=Q$. Afirmação CORRETA.

Alternativa d) Se q, $q_1$, $q_2$ forem todas negativas: A e B (positivas) atraem q para cima (em direção ao lado AB); C e D (negativas, iguais) repelem q também para cima (para longe do lado CD). Ambas as contribuições apontam para cima — o oposto da força para baixo mostrada na figura. Logo, nessas condições, a força resultante realmente não pode ser a descrita na figura — afirmação CORRETA.

Q64
Eletromagnetismo — Dínamo de Bicicleta e Indução Eletromagnética

Os dínamos são geradores de corrente elétrica utilizados em bicicletas para acender uma pequena lâmpada. Para isso é necessário que a parte móvel (rotor) esteja em contato com o pneu da bicicleta por meio de uma pequena polia, conforme ilustrado na figura 1.

Roda de bicicleta com dínamo cuja polia de contato encosta no pneu, acionando a lâmpada

O movimento do pneu é transmitido à pequena polia de contato convertendo energia mecânica em elétrica. A cada volta do rotor os polos norte e sul do ímã passam em frente a cada uma das duas bobinas, alterando o fluxo de indução magnética através delas, conforme esquematizado na figura 2.

Rotor do dínamo com ímã (polos N e S) girando por ação da polia, entre duas bobinas ligadas à lâmpada

Para determinada velocidade da bicicleta tem-se que o comportamento do fluxo de indução magnética (Φ), em função do tempo (t), pode ser descrito pelo gráfico seguinte.

Gráfico Φ×t: onda triangular entre +18 e -18 mWb, com período 4π ms

A partir da análise das figuras 1 e 2 e do gráfico acima, examine as assertivas seguintes:

I - Considerando o raio da polia de contato igual a 2 cm e não havendo deslizamento da roda e nem da polia, pode-se afirmar que a velocidade da bicicleta é de 36 km/h.

II - A força eletromotriz máxima disponível nos terminais da lâmpada é 12 V.

III - O módulo da carga elétrica transportada pela corrente elétrica, em cada ciclo, é igual a 0,15 µC, considerando-se a resistência elétrica da lâmpada igual a 2,4 Ω.

São verdadeiras as assertivas

a)I e II, somente.
b)I e III, somente.
c)II e III, somente.
d)I, II e III.

Gabarito oficial EA CFOAV/CFOINT/CFOINF 2026

A
Resolução

I) Um ciclo completo do fluxo (um pico positivo e um vale negativo) corresponde a uma volta completa do rotor: $T_{rotor}=4\pi\,ms=4\pi\times10^{-3}\,s$. Velocidade angular: $\omega=\dfrac{2\pi}{T_{rotor}}=\dfrac{2\pi}{4\pi\times10^{-3}}=500\,rad/s$. Sem deslizamento, a velocidade da polia (e do pneu) é $v=\omega r=500\times0{,}02=10\,m/s=36\,km/h$. Verdadeira.

II) Durante cada trecho do gráfico, $\left|\dfrac{d\Phi}{dt}\right|=\dfrac{18\times10^{-3}}{\pi\times10^{-3}}=\dfrac{18}{\pi}\approx6{,}0\,V$ por bobina (usando $\pi=3{,}0$, dado da prova: $18/3=6{,}0\,V$). Com as duas bobinas em série e somando fems (defasadas de meio ciclo, portanto sempre reforçando o mesmo sentido instantâneo): $\varepsilon_{máx}=2\times6{,}0=12\,V$. Verdadeira.

III) A fem induzida tem módulo constante por trecho (6,0 V por bobina, 12 V total), logo a corrente também é constante em módulo: $i=\varepsilon/R=12/2{,}4=5{,}0\,A$. A carga que passaria pela lâmpada em um único trecho de duração $\pi\,ms=3{,}0\times10^{-3}\,s$ seria $q=i\Delta t=5{,}0\times3{,}0\times10^{-3}=15\times10^{-3}\,C=15\,mC$ — muitas ordens de grandeza maior que os $0{,}15\,\mu C$ afirmados (diferença de aproximadamente $10^5$). Falsa, incompatível com qualquer combinação razoável dos dados do problema.

São verdadeiras apenas I e II — alternativa a).

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