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AFA 2027 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Academia da Força Aérea

Edição 2027 · 1ª Fase — resolução comentada Método TEF.

Q49
Mecânica — Cinemática — Classificação de Movimentos

Ao analisar o movimento de uma partícula é possível classificá-lo em função de sua velocidade (progressivo ou retrógrado) e aceleração (uniforme, acelerada ou retardada). Os gráficos, a seguir, representam o movimento de três partículas distintas A, B e C, respectivamente.

Gráfico espaço x tempo da partícula A

Gráfico velocidade x tempo da partícula B

Gráfico aceleração x tempo da partícula C

Nessas condições, é correto afirmar que, para instantes de tempo de 0 a t, o movimento de:

A)A é acelerado e retrógrado.
B)B é acelerado e retrógrado.
C)B é retardado e progressivo.
D)C é, necessariamente, uniforme e progressivo.

Gabarito comentado Método TEF

A
Resolução

Cada gráfico apresenta uma grandeza diferente no eixo vertical. Por isso, uma curva crescente não pode ser interpretada da mesma maneira nos três casos. O sentido do movimento depende do sinal da velocidade; ser acelerado ou retardado depende de o módulo dessa velocidade aumentar ou diminuir.

Em A, o gráfico é de posição por tempo. A velocidade corresponde à inclinação da tangente à curva. Entre 0 e $t$, a posição diminui e a inclinação é negativa: a partícula se move no sentido retrógrado. Além disso, a curva fica cada vez mais inclinada para baixo, indicando que o módulo da velocidade aumenta. Assim, o movimento de A é retrógrado e acelerado.

Em B, o eixo vertical já representa a velocidade. Ela é positiva e cresce depois do instante inicial. Portanto, a partícula se move no sentido progressivo e ganha rapidez. O fato de a reta subir não indica posição crescente de forma linear, mas velocidade crescente.

Em C, o gráfico informa aceleração nula. Isso garante velocidade constante, mas não informa seu sinal: a partícula pode ter velocidade positiva, negativa ou nula. Logo, não podemos concluir que seu movimento seja necessariamente progressivo.

Cuidado, armadilha! Aceleração negativa não significa sempre movimento retardado. Se velocidade e aceleração forem negativas, o módulo da velocidade aumenta e o movimento é acelerado. Leia primeiro os eixos.

Alternativa correta: A

Q50
Mecânica — Dinâmica — Sistema Massa-Mola, Lançamento e Colisão Inelástica

Uma mola ideal, de constante elástica k = 100 N/m, está inicialmente travada e comprimida de um valor x = 20 cm. Uma esfera de chumbo, de dimensões desprezíveis e massa m = 1,0 g, está encostada nessa mola. Quando a mola é destravada a esfera sobe, sem atrito, o plano inclinado de 45° e é lançada, ao fim desse plano, descrevendo uma trajetória parabólica, conforme figura a seguir.

Esfera lançada por mola sobe plano inclinado de 45° e descreve trajetória parabólica até colidir com bloco de madeira

Observe que, após o lançamento, ao atingir a altura máxima de sua trajetória, a esfera terá percorrido horizontalmente uma distância 1,5 vezes a altura do ponto de lançamento da esfera no plano inclinado.

Ao chegar no ponto mais alto de sua trajetória parabólica, a esfera colide com um bloco de madeira. A colisão deforma, aquece e para a esfera. Considere que metade da energia cinética que a esfera possuía, imediatamente antes da colisão, seja utilizada no aumento de sua temperatura.

Nessas condições, a variação de temperatura, em °C, que vai ocorrer na esfera devido à colisão com o bloco de madeira será igual a:

A)9,6
B)4,8
C)2,4
D)1,2

Gabarito comentado Método TEF

C
Resolução

Há três processos ligados: a mola lança a esfera pela rampa, a esfera descreve um movimento parabólico e, na colisão, parte de sua energia cinética se transforma em aquecimento. Precisamos descobrir a velocidade no instante do impacto, que ocorre no ponto mais alto da trajetória.

A energia inicial da mola é \[E_{el}=\frac12kx^2=\frac12\cdot100\cdot(0{,}20)^2=2\,\text{J}.\] Até o fim da rampa, não há dissipação: \[2=\frac12mv_0^2+mgh,\] com $m=0{,}001\,\text{kg}$. O termo $mgh$ não pode ser descartado, pois a esfera já sobe antes de abandonar a rampa.

No lançamento a 45°, o tempo para atingir o ponto mais alto é $t_s=v_0\sin45^\circ/g$. Nesse tempo, a distância horizontal percorrida vale \[d=v_0\cos45^\circ\,t_s=\frac{v_0^2}{2g}.\] Como $d=1{,}5h$, temos $v_0^2=3gh$. Substituindo no balanço de energia e usando $g=10\,\text{m/s}^2$, \[2=\frac52mgh\quad\Rightarrow\quad h=80\,\text{m},\qquad v_0^2=2.400\,\text{m}^2/\text{s}^2.\]

No ponto mais alto, a componente vertical da velocidade se anula, mas a horizontal permanece. Então \[E_c=\frac12m(v_0\cos45^\circ)^2=\frac14mv_0^2=0{,}60\,\text{J}.\] Metade aquece a esfera: $Q=0{,}30\,\text{J}$. Com o calor específico fornecido, \[\Delta T=\frac{Q}{mc}=\frac{0{,}30}{0{,}001\cdot125}=2{,}4\,{}^\circ\text{C}.\]

Cuidado, armadilha! No topo de uma trajetória parabólica, a velocidade não é zero: resta sua componente horizontal. Também não se pode transformar toda a energia inicial da mola em calor, pois parte virou energia potencial gravitacional e apenas metade da energia cinética do impacto aquece a esfera.

Alternativa correta: C

Q51
Ondulatória — MHS — Sistema Massa-Mola Vertical (MHS)

Em um experimento, uma mola ideal é fixada verticalmente no teto do laboratório e apresenta comprimento natural igual a 100 cm. Uma partícula é então presa na extremidade inferior da mola e abandonada a partir do repouso. Através de um sensor, mediu-se a velocidade dessa partícula e plotou-se o gráfico de sua energia cinética (Ec) em função do comprimento (L) da mola, conforme ilustrado a seguir.

Gráfico da energia cinética Ec em função do comprimento L da mola, com Ec máxima de 0,5 J em L=110cm e zero em L=100cm e L=120cm

Desprezando quaisquer forças dissipativas e analisando o gráfico, pode-se afirmar que o período de oscilação do sistema massa-mola é, em s, igual a:

A)0,1
B)0,3
C)0,6
D)0,8

Gabarito comentado Método TEF

C
Resolução

O gráfico fornece a energia cinética em função do comprimento da mola. Nos pontos em que $E_c=0$, a partícula para instantaneamente e inverte o sentido do movimento. Esses extremos estão em 100 cm e 120 cm; o equilíbrio fica no ponto médio, em 110 cm, onde a energia cinética é máxima.

O comprimento natural é 100 cm. Portanto, a deformação de equilíbrio é \[e=110-100=10\,\text{cm}=0{,}10\,\text{m}.\] A amplitude do movimento também é 0,10 m, pois essa é a distância entre o equilíbrio e cada extremo da oscilação.

No equilíbrio, a força elástica compensa o peso: \[ke=mg\quad\Rightarrow\quad\frac{m}{k}=\frac{e}{g}.\] O período do oscilador é $T=2\pi\sqrt{m/k}$. Substituindo a razão encontrada, \[T=2\pi\sqrt{\frac{0{,}10}{10}}=0{,}20\pi\,\text{s}.\] Com $\pi=3{,}0$, conforme os dados da prova, obtemos $T=0{,}60\,\text{s}$.

Também podemos conferir com o valor máximo de energia: $E_{c,\max}=kA^2/2=0{,}5\,\text{J}$ fornece $k=100\,\text{N/m}$; em seguida, $m=ke/g=1\,\text{kg}$. Esses valores reproduzem o mesmo período.

Cuidado, armadilha! Os 20 cm entre os extremos representam o dobro da amplitude. Já os 100 cm são o comprimento natural, não a deformação que entra em $ke=mg$.

Alternativa correta: C

Q52
Mecânica — Cinemática — Rolamento e Velocidade Angular

Um trator trabalha em ciclos, acelerando, movendo-se com velocidade constante e desacelerando várias vezes, ao longo do seu serviço diário. Em um desses ciclos, ao plotar o gráfico de sua velocidade escalar pelo tempo, verifica-se que o trator acelera uniformemente até o instante t₁, quando então atinge uma velocidade v, que permanece constante até o instante t₂, e, finalmente, desacelera uniformemente até o instante t₃.

Esse trator tem suas rodas traseiras com raios duas vezes maiores que os raios das rodas dianteiras. Considerando que não há escorregamento das rodas com o solo, o gráfico que melhor representa as velocidades angulares das rodas dianteiras (ωD) e traseiras (ωT) desse trator ao longo do tempo (t) é:

A)
Alternativa A — gráfico com ωT no dobro de ωD
B)
Alternativa B — gráfico com ωD igual a ωT
C)
Alternativa C — gráfico com ωT no dobro de ωD, escala menor
D)
Alternativa D — gráfico com ωD no dobro de ωT

Gabarito comentado Método TEF

D
Resolução

Sem escorregamento, o avanço do trator e a rotação de cada roda estão relacionados por $v=\omega r$. As rodas dianteiras e traseiras acompanham o mesmo veículo, então seus centros possuem a mesma velocidade de translação em cada instante.

Se o raio dianteiro é $r_D$, o traseiro é $r_T=2r_D$. Logo, \[\omega_D=\frac{v}{r_D},\qquad\omega_T=\frac{v}{2r_D},\] e, portanto, \[\omega_D=2\omega_T.\] A roda menor precisa completar mais voltas para percorrer a mesma distância.

Como os raios são constantes, as velocidades angulares reproduzem as três etapas do gráfico da velocidade do trator: crescimento linear até $t_1$, valor constante entre $t_1$ e $t_2$ e queda linear até $t_3$. As mudanças de etapa acontecem simultaneamente para as duas rodas. Durante o movimento, a curva dianteira deve estar acima da traseira, com valores duas vezes maiores.

O gráfico procurado combina, portanto, o mesmo perfil trapezoidal para as duas curvas e a proporção 2 para 1 entre suas alturas. Quando o trator para, ambas as velocidades angulares se anulam.

Cuidado, armadilha! A roda maior não gira mais depressa por ser maior. Para a mesma velocidade de translação, o raio maior exige menor velocidade angular. Não confunda velocidade do centro da roda com velocidade angular.

Alternativa correta: D

Q53
Mecânica — Hidrodinâmica — Princípio de Bernoulli (Sustentação de Asas)

Considere o escoamento do ar ao redor das asas de um avião em voo, modelado como incompressível, invíscido e estacionário. Considerando o Princípio de Bernoulli, a força de sustentação pode ser corretamente interpretada como resultado da:

A)separação das partículas do ar no bordo de ataque e seus reencontros simultâneos no bordo de fuga, o que implica maior velocidade na parte superior e, portanto, menor pressão.
B)conversão direta de energia cinética em energia potencial gravitacional do ar, na parte superior das asas, reduzindo a pressão nessa região.
C)diferença de pressão hidrostática do ar, sendo maior na parte inferior da asa que na parte superior, devido à sua espessura.
D)diferença de pressão entre as superfícies inferior e superior das asas, decorrente da variação da velocidade de escoamento do ar, sendo a pressão menor na superfície onde a velocidade é maior.

Gabarito comentado Método TEF

D
Resolução

A sustentação resulta das forças de pressão exercidas pelo ar sobre a asa. No modelo indicado pelo enunciado, o ar é tratado como incompressível, sem viscosidade e em escoamento estacionário. Nessas condições, a equação de Bernoulli relaciona pressão, velocidade e altura ao longo de uma linha de corrente: \[P+\frac12\rho v^2+\rho gz=\text{constante}.\]

Na comparação usual entre as regiões próximas às duas faces da asa, a diferença de altura tem contribuição pequena. Para linhas de corrente provenientes do mesmo escoamento não perturbado, uma região de maior velocidade fica associada a menor pressão. Na situação de sustentação para cima, a pressão na face inferior é, em média, maior que na superior.

A diferença de pressão gera uma força resultante sobre a asa. Em uma aproximação com diferença uniforme sobre uma área $A$, seu módulo seria $F\approx\Delta P\,A$; em uma asa real, essa diferença varia de ponto para ponto. O elemento essencial é reconhecer a relação entre distribuição de velocidades e distribuição de pressões.

Não é necessário supor que duas parcelas de ar separadas na frente da asa se reencontrem ao mesmo tempo atrás dela. Bernoulli também não atribui a sustentação apenas à pequena diferença de pressão hidrostática entre as faces.

Cuidado, armadilha! Bernoulli relaciona velocidade e pressão, mas não impõe “tempos de percurso iguais” acima e abaixo da asa. Essa suposição não faz parte do princípio físico usado na questão.

Alternativa correta: D

Q54
Termologia — Mudanças de Fase — Pressão de Vapor

Considere um balão de vidro pirex aberto e preenchido com água até metade do seu volume total. A água é aquecida pela chama de um bico de Bunsen e, ao entrar em ebulição, o balão é retirado da chama e tampado com uma rolha.

Em seguida, o balão é virado com a rolha para baixo e o fundo é coberto por um pano molhado. À medida que o balão esfria, observa-se, até certa temperatura, a formação de bolhas no interior de todo o líquido, caracterizando que a água volta a ferver, embora discretamente.

Isso ocorre porque:

A)a rolha retém o calor dentro do balão resfriado, permitindo que a energia térmica seja novamente absorvida pela água, provocando nova ebulição.
B)as moléculas de maior energia cinética do vapor retornam para a água aumentando a temperatura da fase líquida até o ponto de ebulição.
C)o vapor contido no balão torna-se saturado, como consequência do resfriamento, possibilitando o retorno de moléculas energéticas para o líquido, fazendo com que volte a ferver.
D)o vapor contido no balão condensa, devido à troca de calor com o pano molhado, diminuindo a pressão de vapor e, como a água permanece a uma temperatura considerável, ela volta a ferver.

Gabarito comentado Método TEF

D
Resolução

A água volta a ferver enquanto o recipiente esfria porque a temperatura de ebulição depende da pressão. Não é necessário aquecer o líquido novamente: reduzir suficientemente a pressão acima dele pode permitir a formação de bolhas mesmo a uma temperatura menor.

Depois da fervura inicial, há vapor de água no espaço acima do líquido. Ao fechar o balão e resfriar a região ocupada pelo vapor com o pano molhado, parte desse vapor se condensa. Com menos moléculas na fase gasosa, a pressão interna diminui.

A ebulição ocorre quando a pressão de vapor do líquido, na temperatura em que ele se encontra, permite que as bolhas se mantenham contra a pressão ao redor. A água ainda está quente; após a queda da pressão interna, ela pode atingir a condição de ebulição correspondente à nova pressão, mesmo tendo esfriado em relação ao início.

O processo não prossegue indefinidamente: a vaporização consome energia do líquido, que esfria, e as condições de pressão e temperatura continuam mudando. Isso explica por que o enunciado limita o fenômeno a certa faixa de temperatura.

Cuidado, armadilha! A água não ferve obrigatoriamente a 100 °C. Esse valor é associado à pressão atmosférica usual ao nível do mar. A rolha não cria calor, e o pano não aquece a água: o mecanismo decisivo é a redução de pressão causada pela condensação.

Alternativa correta: D

Q55
Termologia — Dilatação Térmica — Plano Inclinado

Uma partícula é abandonada no topo de uma calha metálica linear, homogênea e perfeitamente lisa. Para chegar à base da calha inclinada, conforme figura a seguir, essa partícula gasta um intervalo de tempo t.

Calha inclinada com partícula abandonada no topo, descendo até a base

Posteriormente, essa calha, que possui coeficiente de dilatação linear α, constante, é aquecida, sofrendo uma variação de temperatura Δθ. Abandona-se novamente a partícula, agora no topo dessa calha aquecida.

Nessas condições, e considerando que a calha continua com a mesma inclinação em relação à horizontal, o tempo gasto pela partícula para chegar à base da calha será igual a:

A)$t \cdot \alpha \cdot \Delta\theta$
B)$t \cdot (1+\alpha\cdot\Delta\theta)^{1/2}$
C)$t \cdot (1+\alpha\cdot\Delta\theta)$
D)$t \cdot (1+\alpha\cdot\Delta\theta)^2$

Gabarito comentado Método TEF

B
Resolução

O aquecimento aumenta o comprimento da calha, mas o enunciado mantém sua inclinação. Como a superfície é lisa, a componente do peso paralela à calha é a única responsável pela aceleração ao longo dela: \[a=g\sin\beta,\] em que $\beta$ é o ângulo de inclinação. Essa aceleração é a mesma antes e depois do aquecimento.

Na primeira descida, a partícula parte do repouso e percorre o comprimento $L_0$ em um tempo $t$: \[L_0=\frac12at^2.\] Depois da dilatação linear, o comprimento passa a \[L'=L_0(1+\alpha\Delta\theta).\] Na segunda descida, também a partir do repouso, \[L'=\frac12at'^2.\]

Dividindo as duas equações de movimento, eliminamos a aceleração: \[\frac{L'}{L_0}=\frac{t'^2}{t^2}=1+\alpha\Delta\theta.\] Tomando a raiz positiva, pois o tempo é positivo, \[\boxed{t'=t\sqrt{1+\alpha\Delta\theta}}.\]

Se não houver variação de temperatura, o fator dentro da raiz será 1 e recuperaremos $t'=t$. Para uma dilatação positiva, a distância aumenta e o tempo também aumenta, mas segundo uma raiz quadrada, pois a velocidade cresce ao longo da descida.

Cuidado, armadilha! A partícula não percorre a calha com velocidade constante. Por isso, o tempo não é diretamente proporcional ao comprimento; com aceleração constante e partida do repouso, $L$ é proporcional a $t^2$.

Alternativa correta: B

Q56
Eletromagnetismo — Força Magnética — Seletor de velocidades

Uma partícula carregada eletricamente se desloca com velocidade constante, numa trajetória horizontal e perpendicular a um espelho plano fixo. O conjunto partícula-espelho encontra-se em uma região na qual atuam, simultaneamente, dois campos uniformes perpendiculares entre si, um elétrico e outro magnético, cujas intensidades são 4,0 N/C e 2,0·10⁻¹ T.

À medida que a partícula se aproxima do espelho, desprezando a ação gravitacional e a resistência do ar, a imagem também se aproxima do espelho com uma velocidade, em m/s, de:

A)10
B)20
C)40
D)80

Gabarito comentado Método TEF

B
Resolução

A partícula se move em linha reta com velocidade constante, de modo que sua aceleração e a força resultante são nulas. Desprezando peso e resistência do ar, as forças elétrica e magnética devem se cancelar. Na configuração de campos cruzados considerada, suas intensidades são $|q|E$ e $|q|vB$.

Igualando os módulos, \[|q|E=|q|vB\quad\Rightarrow\quad v=\frac{E}{B}.\] O módulo da carga cancela: para essa condição de equilíbrio, a rapidez depende apenas da razão entre os campos. Com os dados fornecidos, \[v=\frac{4{,}0}{2{,}0\times10^{-1}}=20\,\text{m/s}.\]

Agora aplicamos a propriedade do espelho plano. A imagem fica atrás do espelho à mesma distância que a partícula está à sua frente. Como o espelho permanece fixo, a redução da distância do objeto ao espelho é acompanhada por igual redução da distância da imagem ao espelho. Assim, a imagem também se aproxima do espelho com rapidez de 20 m/s.

A distância entre partícula e imagem diminui a 40 m/s, mas essa é outra grandeza: corresponde à soma das duas velocidades de aproximação em relação ao espelho.

Cuidado, armadilha! A questão pergunta pela velocidade da imagem em relação ao espelho. Dobrar o resultado confundiria essa velocidade com a rapidez de aproximação entre objeto e imagem.

Alternativa correta: B

Q57
Termologia — Calorimetria — Chuveiro Elétrico

Em períodos frios, é comum, entre usuários de chuveiros elétricos, a redução da vazão de água com o propósito de elevar sua temperatura.

Considerando um dia em que a temperatura da água, antes de passar pelo chuveiro, é de 11 °C, uma pessoa, no seu banho, abre a torneira de forma que a vazão é de 182 mL/s e verifica que a água está saindo do chuveiro com uma temperatura de 31 °C, abaixo do que lhe seria agradável. Então, buscando aumentar a temperatura de seu banho, a pessoa fecha parcialmente a torneira, fazendo com que a vazão de água no chuveiro diminua para 130 mL/s.

Nessa nova condição, considerando desprezíveis as influências da temperatura na resistividade elétrica e no calor específico dos elementos envolvidos, e, sem fazer qualquer alteração no sistema elétrico do chuveiro, tem-se que a temperatura, em °C, com que a água sairá do chuveiro será igual a:

A)38
B)39
C)40
D)41

Gabarito comentado Método TEF

B
Resolução

Ao fechar parcialmente a torneira, a pessoa reduz a quantidade de água aquecida por segundo. Como não altera a parte elétrica e a resistência é considerada constante, a potência do chuveiro permanece a mesma. A mesma energia por segundo passa a aquecer uma massa menor de água.

Chamando de $\dot V$ a vazão volumétrica, a massa que passa por segundo é $\rho\dot V$. O balanço de energia usado na questão é \[P=\rho\dot Vc(T_s-T_e),\] em que $T_e$ é a temperatura de entrada e $T_s$, a de saída. Com $P$, $\rho$ e $c$ constantes, o produto da vazão pelo aumento de temperatura permanece constante.

Na primeira condição, o aumento é $31-11=20\,{}^\circ\text{C}$. Na segunda, ele é $T_s-11$. Igualando os produtos, \[182\cdot20=130(T_s-11).\] Portanto, \[T_s-11=\frac{3.640}{130}=28\,{}^\circ\text{C}\quad\Rightarrow\quad\boxed{T_s=39\,{}^\circ\text{C}}.\]

O resultado é coerente: diminuir a vazão aumenta a elevação de temperatura de 20 para 28 °C. A proporção pode ser calculada com mL/s porque as duas vazões estão na mesma unidade e seus fatores de conversão se cancelam.

Cuidado, armadilha! A grandeza inversamente proporcional à vazão é a elevação de temperatura, não a temperatura de saída em graus Celsius. Use $T_s-11$, e só depois some a temperatura inicial.

Alternativa correta: B

Q58
Eletromagnetismo — Força Magnética — Força Magnética sobre Condutor + Estática

Uma barra metálica homogênea AC, de massa m e comprimento L, está totalmente imersa numa região na qual atua um campo magnético uniforme, de intensidade B, e dirigido perpendicularmente para dentro da folha. A barra é sustentada em uma de suas extremidades por um fio ideal e isolante, que forma um ângulo θ com a vertical e, na outra extremidade, é apoiada sobre um suporte de borracha, cujo coeficiente de atrito estático entre as superfícies é μ.

Figura da questao 58 da AFA 2027: barra AC em campo magnetico uniforme

Ao ser percorrida por uma corrente elétrica i, de C para A, verifica-se que a barra fica na iminência de se movimentar.

Considerando g o módulo do vetor aceleração da gravidade, a intensidade da tração no fio pode ser expressa por:

A)$\dfrac{\mu}{2\text{sen}\theta}\cdot(mg-BiL)$
B)$\dfrac{\mu}{2\cos\theta}\cdot(mg+BiL)$
C)$\dfrac{\mu}{\mu\cos\theta+\text{sen}\theta}\cdot(mg+BiL)$
D)$\dfrac{\mu\text{sen}\theta+\cos\theta}{\mu}\cdot(mg-BiL)$

Gabarito comentado Método TEF

C
Resolução

A barra está na iminência de deslizar, portanto a força de atrito estático alcança o limite $f=\mu N$. Precisamos combinar essa condição com o equilíbrio das forças horizontais e verticais. O ângulo do fio é medido com a vertical, de modo que as componentes da tração são $T\sin\theta$ na horizontal e $T\cos\theta$ na vertical.

A corrente vai de C para A, para a esquerda no desenho, e o campo magnético aponta para dentro da folha. Pela direção de $\vec F_m=i\vec L\times\vec B$, a força magnética aponta para baixo, no mesmo sentido do peso. Como a barra está perpendicular ao campo, seu módulo é $F_m=BiL$.

Na horizontal, o atrito equilibra a componente da tração: \[T\sin\theta=f=\mu N\quad\Rightarrow\quad N=\frac{T\sin\theta}{\mu}.\] Na vertical, a normal e a componente vertical da tração equilibram peso e força magnética: \[T\cos\theta+N=mg+BiL.\]

Substituindo a expressão da normal, \[T\cos\theta+\frac{T\sin\theta}{\mu}=mg+BiL.\] Multiplicando por $\mu$ e colocando $T$ em evidência, \[T(\mu\cos\theta+\sin\theta)=\mu(mg+BiL),\] logo \[\boxed{T=\frac{\mu(mg+BiL)}{\mu\cos\theta+\sin\theta}}.\]

Cuidado, armadilha! Determine o sentido da força magnética antes de escrever o equilíbrio: inverter a corrente trocaria esse sentido. Também não use $f=\mu N$ em qualquer situação de repouso; a igualdade vale aqui porque o movimento é iminente.

Alternativa correta: C

Q59
Física Moderna — Física Nuclear — Aniquilação de pares

A tomografia por emissão de pósitrons (PET) é um exame de diagnóstico por imagem, utilizado na medicina nuclear, para estudar a atividade metabólica de tecidos e órgãos. Nesse procedimento, o paciente recebe um radiofármaco que emite pósitrons. Quando um desses pósitrons encontra um elétron presente nos tecidos do corpo, ocorre um processo de aniquilação entre matéria e antimatéria. Nesse processo, as duas partículas (pósitron e elétron) desaparecem e suas massas de repouso são convertidas em energia, originando dois fótons que têm momentos de mesmos módulos e sentidos opostos, sendo detectados pelos sensores do equipamento e usados para formar a imagem do exame.

A ordem de grandeza da frequência mínima de cada fóton criado é, em Hz, igual a:

A)10¹²
B)10¹⁵
C)10²⁰
D)10²⁴

Gabarito comentado Método TEF

C
Resolução

A frequência mínima corresponde à menor energia possível dos fótons produzidos. No modelo apresentado, isso acontece quando não há energia cinética adicional a converter: consideramos apenas a energia de repouso do elétron e do pósitron.

As partículas possuem a mesma massa de repouso, $m_e$, portanto a energia total disponível é $2m_ec^2$. Os dois fótons possuem momentos de mesmo módulo e, como $E=pc$ para um fóton, recebem energias iguais. Assim, cada fóton fica com metade da energia total: \[E_\gamma=m_ec^2.\]

Usando os valores fornecidos, \[E_\gamma=9{,}0\times10^{-31}(3{,}0\times10^8)^2=8{,}1\times10^{-14}\,\text{J}.\] Pela relação de Planck, $E_\gamma=hf$, \[f=\frac{8{,}1\times10^{-14}}{6{,}6\times10^{-34}}\approx1{,}2\times10^{20}\,\text{Hz}.\]

A ordem de grandeza é a potência de dez mais próxima. Como o coeficiente 1,2 é menor que $\sqrt{10}$, a ordem de grandeza permanece $10^{20}\,\text{Hz}$. A energia cinética das partículas, se presente, elevaria a energia disponível além desse valor mínimo.

Cuidado, armadilha! $2m_ec^2$ é a energia dos dois fótons juntos, não de cada um. Primeiro reparta a energia igualmente e depois use $E=hf$.

Alternativa correta: C

Q60
Eletricidade — Eletrostática — Lei de Coulomb (Sistema de Cargas)

Considere o sistema eletricamente isolado, representado na figura a seguir, onde três cargas elétricas puntiformes, QA, QB e QC, encontram-se fixas nos vértices de um triângulo equilátero.

Triângulo equilátero com cargas QA, QB e QC nos vértices; força resultante F sobre QB perpendicular ao lado AB, apontando para baixo

As únicas interações relevantes entre as cargas são as de origem elétrica, e o módulo de QA é igual a 1 μC, mas não se conhece seu sinal e nada se sabe a respeito da carga QC. Já a carga QB vale −3 μC e está submetida a uma força eletrostática resultante F devido à interação eletrostática com as demais cargas do sistema.

Assim, a soma das cargas elétricas, em μC, nesse sistema, vale:

A)−4,0
B)−1,5
C)0
D)+6,0

Gabarito comentado Método TEF

A
Resolução

A resultante sobre $Q_B$ aponta verticalmente para baixo. Como as forças elétricas entre cargas puntiformes atuam ao longo das retas que as unem, a força produzida por $Q_A$ é horizontal, enquanto a produzida por $Q_C$ atua ao longo do lado inclinado do triângulo.

Para a resultante apontar para baixo, a força de C sobre B deve ter componente vertical para baixo. Isso exige repulsão: $Q_C$ tem o mesmo sinal de $Q_B$, portanto é negativa. Essa repulsão também empurra B para a direita. Para cancelar a componente horizontal, A deve atrair B para a esquerda; logo, $Q_A=+1\,\mu\text{C}$.

O triângulo é equilátero, então as distâncias AB e BC são iguais a um mesmo lado $\ell$. A direção BC faz 60° com a horizontal. No equilíbrio das componentes horizontais, \[F_{AB}=F_{CB}\cos60^\circ=\frac12F_{CB}.\] Aplicando Coulomb, \[\frac{k|Q_AQ_B|}{\ell^2}=\frac12\frac{k|Q_CQ_B|}{\ell^2}\quad\Rightarrow\quad|Q_C|=2|Q_A|=2\,\mu\text{C}.\]

Com os sinais já determinados, $Q_C=-2\,\mu\text{C}$. A soma algébrica das cargas é \[Q_{total}=+1-3-2=-4\,\mu\text{C}.\]

Cuidado, armadilha! Não some os módulos das cargas. O desenho da força resultante permite determinar os sinais antes de calcular. Além disso, as forças não têm módulos iguais: uma delas precisa ser decomposta na horizontal.

Alternativa correta: A

Q61
Física Moderna — Relatividade — Relatividade + De Broglie

Quando raios cósmicos interagem com as altas camadas da atmosfera terrestre produzem partículas instáveis, denominadas múons, com energia cinética igual a K, medida no referencial da Terra. Sendo h a constante de Planck, c a velocidade da luz no vácuo e m₀ a massa de repouso dos múons, pode-se afirmar que, no referencial de um observador em repouso na Terra, o comprimento de onda de De Broglie vale:

A)$\dfrac{h}{\sqrt{2m_0K+\frac{K^2}{c^2}}}$
B)$\dfrac{h}{\sqrt{\frac{K^2}{c^2}-2m_0K}}$
C)$\dfrac{h}{\sqrt{2m_0K+\frac{K}{c}}}$
D)$\dfrac{h}{\sqrt{\frac{K}{c}-2m_0K}}$

Gabarito comentado Método TEF

A
Resolução

O comprimento de onda de De Broglie é $\lambda=h/p$, em que $p$ é o módulo do momento linear. Como o problema envolve partículas de alta energia e fornece a massa de repouso, devemos expressar o momento pela relação relativística entre energia e momento, em vez de usar diretamente $K=p^2/(2m_0)$.

A energia total da partícula é a soma da energia cinética com a energia de repouso: \[E=K+m_0c^2.\] A relação relativística é \[E^2=p^2c^2+m_0^2c^4.\] Substituindo a energia total e isolando o termo do momento, \[p^2c^2=(K+m_0c^2)^2-m_0^2c^4.\]

Ao desenvolver o quadrado, os termos de energia de repouso ao quadrado se cancelam: \[p^2c^2=K^2+2Km_0c^2\quad\Rightarrow\quad p=\sqrt{2m_0K+\frac{K^2}{c^2}}.\] Portanto, \[\boxed{\lambda=\frac{h}{\sqrt{2m_0K+K^2/c^2}}}.\]

Como conferência, se $K$ for muito menor que $m_0c^2$, o termo $K^2/c^2$ será pequeno diante de $2m_0K$. Nesse limite, recuperamos a expressão não relativística $\lambda\approx h/\sqrt{2m_0K}$.

Cuidado, armadilha! A energia $E$ da relação relativística é a energia total, não apenas a cinética. Substituir $E$ por $K$ apagaria a contribuição da energia de repouso e alteraria o sinal do resultado.

Alternativa correta: A

Q62
Óptica — Reflexão e Espelhos — Espelhos Esféricos Associados

Um espelho côncavo e um espelho convexo estão associados, coaxialmente, com suas superfícies refletoras voltadas uma para outra, cuja distância entre seus vértices vale 2R, em que R é o raio de curvatura de ambos, em módulo.

Um objeto extenso é colocado a uma distância 0,75R do espelho côncavo. Aponte as características da imagem conjugada pelo espelho convexo, devido aos raios de luz que emanam do objeto, incidem no espelho côncavo e, finalmente, refletem-se no convexo.

A)Virtual, direita em relação à imagem fornecida pelo espelho côncavo e com metade da altura do objeto.
B)Real, direita em relação à imagem fornecida pelo espelho côncavo e do mesmo tamanho do objeto.
C)Real, invertida em relação ao objeto e do mesmo tamanho da imagem fornecida pelo espelho côncavo.
D)Virtual, invertida em relação ao objeto e com metade da altura da imagem fornecida pelo espelho côncavo.

Gabarito comentado Método TEF

D
Resolução

A imagem formada pelo primeiro espelho servirá como objeto para o segundo. Precisamos resolver as duas reflexões em sequência e manter claro a qual objeto cada orientação e cada aumento se referem. Usaremos $1/f=1/p+1/p'$ e $A=-p'/p$.

No espelho côncavo, $f_1=R/2$ e $p_1=0{,}75R=3R/4$. Assim, \[\frac1{p'_1}=\frac2R-\frac4{3R}=\frac2{3R}\quad\Rightarrow\quad p'_1=\frac{3R}{2}.\] A imagem é real e seu aumento é \[A_1=-\frac{3R/2}{3R/4}=-2.\] Portanto, ela é invertida e tem o dobro da altura do objeto original.

Os vértices dos espelhos estão separados por $2R$. A primeira imagem fica a $2R-1{,}5R=0{,}5R$ à frente do convexo, funcionando como objeto real para ele. Com $f_2=-R/2$ e $p_2=R/2$, \[\frac1{p'_2}=-\frac2R-\frac2R=-\frac4R\quad\Rightarrow\quad p'_2=-\frac R4.\] O sinal negativo indica imagem virtual, e \[A_2=-\frac{-R/4}{R/2}=\frac12.\]

A imagem final tem metade da altura da imagem intermediária e é direita em relação a ela. Em relação ao objeto original, o aumento total é $A_1A_2=-1$: a imagem final é invertida e tem a mesma altura do objeto. Reunindo as referências pedidas, ela é virtual, invertida em relação ao objeto original e tem metade da altura da imagem do côncavo.

Cuidado, armadilha! A palavra “direita” na segunda reflexão compara a imagem final com a intermediária. Para compará-la ao objeto original, multiplique os aumentos das duas reflexões.

Alternativa correta: D

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