EFOMM 2000 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2000 · Prova de Física (Q01-25) — resolução comentada Método TEF.

Q1
Mecânica — Dinâmica — Trabalho e Energia

Uma carga de massa 1,0 kg parte do repouso e sobe uma rampa, mediante a aplicação da força variável "F", cujo gráfico em função do deslocamento "x" está abaixo representado. Calcule a velocidade da carga ao atingir o ponto "A" (extremidade da rampa), sabendo que o trabalho correspondente da força de atrito de "O" a "A" é de 10 joules ($g=10\text{ m/s}^2$).

EFOMM 2000, questão 1: figura original da prova
A)7 m/s
B)10 m/s
C)18 m/s
D)6 m/s
E)5 m/s

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

B
Resolução

Uma carga de 1,0 kg parte do repouso e sobe uma rampa de 4 m de altura e 5 m de comprimento, puxada por uma força que vale 25 N até x = 3 m e cai linearmente a zero em x = 5 m. O atrito realiza −10 J. Queremos a velocidade no topo.

A força varia, então o trabalho é a área sob o gráfico F × x. Aqui está a sacada: com todos os trabalhos em mãos, o Teorema da Energia Cinética dá a velocidade direto, sem aceleração nem tempo.

Área do trapézio para F e trabalho do peso, que depende só da altura: \[W_F=\dfrac{(5+3)\cdot 25}{2}=100\text{ J}\qquad W_P=-mgh=-40\text{ J}\] Teorema da energia cinética, partindo do repouso: \[100-40-10=\dfrac{1}{2}(1{,}0)v^2\;\Rightarrow\; v=10\text{ m/s}\]

A velocidade é 10 m/s. Só para conferir: sobram 50 J de energia cinética para 1 kg, e ½·1·10² = 50 J.

Cuidado, armadilha! O erro típico é esquecer de descontar o trabalho do peso e ficar com 90 J. Note que o gráfico usa o deslocamento ao longo da rampa (0 a 5 m), mas o peso só depende da altura (4 m). Liste todas as forças e o sinal do trabalho de cada uma antes de somar.

Alternativa correta: B

Q2
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão Elástica

As esferas "A" e "B" da figura abaixo têm massas e raios iguais. A esfera "A" é solta a partir do repouso, da posição indicada. A altura de "A" é de 5 cm. Supondo perfeitamente elástico o choque entre as esferas, determine o módulo da velocidade adquirida por "B" logo após o choque. Considere a aceleração local da gravidade $10\text{ m/s}^2$.

EFOMM 2000, questão 2: figura original da prova
A)1 m/s
B)40 m/s
C)3 m/s
D)10 m/s
E)2 m/s

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

A
Resolução

Duas esferas idênticas em pêndulos. A esfera A é solta do repouso a 5 cm de altura e bate elasticamente em B, parada. Pede-se a velocidade de B logo após o choque.

Vamos por partes: na descida vale a conservação da energia mecânica; no choque valem a quantidade de movimento e a energia cinética, por ser elástico. Com massas iguais, isso resulta em troca de velocidades.

Velocidade de A na base, com h = 0,05 m: \[mgh=\dfrac{1}{2}mv^2\;\Rightarrow\; v=\sqrt{2\cdot 10\cdot 0{,}05}=1\text{ m/s}\] No choque elástico frontal de massas iguais, A para e B sai com a velocidade de A: \[v_B=v_A=1\text{ m/s}\]

A velocidade de B é 1 m/s. Uma checagem rápida: B ganha toda a energia cinética que A tinha, sem perda.

Cuidado, armadilha! Não divida a velocidade entre as esferas nem deixe A continuar andando: na elástica de massas iguais com alvo parado, as velocidades trocam. E converta 5 cm em 0,05 m antes da raiz.

Alternativa correta: A

Q3
Mecânica — Dinâmica — Conservação da Quantidade de Movimento

No desenho a seguir, os blocos de massas $m_A = 2\text{ kg}$ e $m_B = 3\text{ kg}$ encontram-se inicialmente em repouso. Imediatamente após a liberação da mola existente entre ambos, o corpo "A" adquire velocidade de $6\text{ m/s}$. Calcule o módulo da velocidade imprimida ao bloco "B" no instante em que a mola é liberada.

EFOMM 2000, questão 3: figura original da prova
A)3 m/s
B)4 m/s
C)5 m/s
D)2 m/s
E)6 m/s

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

B
Resolução

Blocos de 2 kg e 3 kg em repouso, com uma mola entre eles. Ao liberá-la, A sai com 6 m/s. Queremos o módulo da velocidade de B. A energia da mola não é dada e não é necessária.

A mola exerce forças internas, e não há forças externas horizontais. A quantidade de movimento total se conserva e vale zero, pois o sistema partiu do repouso. Os blocos saem em sentidos opostos com momentos de mesmo módulo.

Com o sentido de A positivo: \[0=m_Av_A-m_Bv_B\;\Rightarrow\; 2\cdot 6=3\cdot v_B\;\Rightarrow\; v_B=4\text{ m/s}\]

B sai com 4 m/s. Para fechar com segurança: B é mais pesado, então é mais lento que A, e os dois momentos valem 12 kg·m/s.

Cuidado, armadilha! Esquecer que B vai no sentido oposto e somar os momentos como se fossem do mesmo lado impede que a soma dê zero. Desenhe os vetores antes de escrever a equação.

Alternativa correta: B

Q4
Mecânica — Estática — Estática do Ponto Material

Uma carga de material de construção que pesa 300 N é içada do solo, como se vê na figura onde fica suspensa a 20 metros abaixo da polia. Admitindo-se que é constante o comprimento da corda, a força horizontal "F" que é necessário para desviá-la de uma distância horizontal de 6 m na direção horizontal e a tração na corda são aproximadamente e respectivamente iguais a:

EFOMM 2000, questão 4: figura original da prova
A)56 N e 215 N
B)102 N e 516 N
C)12 N e 353 N
D)94 N e 313 N
E)24 N e 220 N

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

D
Resolução

Uma carga de 300 N pende de uma corda de 20 m, e uma força horizontal F a desvia 6 m para o lado. Pedem-se F e a tração T. O comprimento constante da corda fixa o ângulo.

Em equilíbrio, atuam o peso, a força horizontal e a tração inclinada. A geometria dá o ângulo com a vertical, e a decomposição da tração em vertical e horizontal fecha as duas equações de equilíbrio.

Ângulo com a vertical: \[\sin\theta=\dfrac{6}{20}=0{,}30\qquad \cos\theta=\sqrt{1-0{,}09}\approx 0{,}954\] Vertical e horizontal: \[T\cos\theta=300\;\Rightarrow\; T\approx 314\text{ N}\qquad F=T\sin\theta\approx 94\text{ N}\]

F ≈ 94 N e T ≈ 313 N (a diferença vem de arredondamentos). Vale um teste de bom senso: com ângulo pequeno, T fica pouco acima do peso e F bem abaixo.

Cuidado, armadilha! Não troque seno e cosseno: medido a partir da vertical, o cosseno sustenta o peso e o seno equilibra F. Também não tome a tração igual ao peso, pois a corda inclinada precisa de mais tração.

Alternativa correta: D

Q5
Mecânica — Estática — Estática e Atrito

A figura abaixo representa um banco de madeira de peso 25 N. O coeficiente de atrito de escorregamento é 0,20. A força "F" que arrastará o banco com velocidade constante sobre a superfície horizontal é de aproximadamente:

Dados: $\sin 30^\circ = 0{,}500$; $\cos 30^\circ = 0{,}866$.

EFOMM 2000, questão 5: figura original da prova
A)2,35 N
B)5,18 N
C)10,85 N
D)25,89 N
E)9,83 N

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

B
Resolução

Um banco de 25 N é arrastado com velocidade constante por uma força F inclinada de 30° acima da horizontal, com coeficiente de atrito 0,20. Velocidade constante significa resultante nula nos dois eixos. Pede-se o módulo de F.

O pulo do gato é este: como F puxa para cima, ela alivia parte do peso, então a normal é menor que 25 N e o atrito também. Por isso montamos o equilíbrio nos dois eixos e resolvemos o sistema, em vez de usar a normal igual ao peso.

No eixo vertical, a normal vale o peso menos a componente vertical de F. No horizontal, a componente horizontal de F iguala o atrito: \[N=25-0{,}500F\qquad 0{,}866F=0{,}20\,(25-0{,}500F)\] Desenvolvendo: \[0{,}866F=5-0{,}100F\;\Rightarrow\; 0{,}966F=5\;\Rightarrow\; F\approx 5{,}18\text{ N}\]

F ≈ 5,18 N. Olhe o resultado com desconfiança saudável: se N fosse 25 N, o atrito seria 5 N e F seria 5/0,866 ≈ 5,8 N. Nosso valor é um pouco menor, exatamente porque a normal diminuiu.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é escrever N = P e calcular o atrito com 25 N, obtendo cerca de 5,77 N, que engana quem para na primeira conta. Sempre que a força aplicada tiver componente vertical, refaça a normal com o equilíbrio no eixo perpendicular à superfície.

Alternativa correta: B

Q6
Mecânica — Hidrostática — Propriedades dos Fluidos

Qual dos gráficos abaixo melhor representa, em termos gerais, para um mesmo elemento, a relação entre seu peso específico ($\delta$) e sua massa específica ($\mu$), em um determinado local?

A)Gráfico aEFOMM 2000, questão 6, alternativa A: figura original da prova
B)Gráfico bEFOMM 2000, questão 6, alternativa B: figura original da prova
C)Gráfico cEFOMM 2000, questão 6, alternativa C: figura original da prova
D)Gráfico dEFOMM 2000, questão 6, alternativa D: figura original da prova
E)Gráfico eEFOMM 2000, questão 6, alternativa E: figura original da prova

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

E
Resolução

Qual gráfico representa, para um mesmo elemento em um mesmo local, o peso específico δ (eixo vertical) em função da massa específica μ (horizontal)? Aqui g é constante.

Peso específico é peso por volume e massa específica é massa por volume. Como peso é massa vezes g, as duas grandezas são diretamente proporcionais, e basta lembrar o gráfico de uma proporção.

Partindo das definições: \[\delta=\dfrac{P}{V}=\dfrac{m\,g}{V}=\mu\,g\] Com g constante, δ é função linear de μ, com coeficiente angular g e sem termo independente: uma reta inclinada pela origem.

Reta crescente pela origem é o gráfico e. Só para conferir: sem matéria, μ = 0 e δ = 0; dobrando μ, δ dobra.

Cuidado, armadilha! Muitos escolhem o gráfico c (horizontal), achando que g constante torna δ constante. Mas g é o coeficiente angular da reta, não o valor de δ. Identifique a variável, a constante e reconheça y = a·x.

Alternativa correta: E

Q7
Mecânica — Hidrostática — Pressão Hidrostática

Um tubo "A-B" (veja desenho) contém água. Sua extremidade "B" é aberta e a "A" fechada. Se o tubo for preenchido completamente, qual será a pressão efetiva na sua base? Considere que, para cada 10 metros de altura de água, tem-se aproximadamente uma atmosfera de pressão.

Dados: $\sin 30^\circ = 0{,}500$; $\cos 30^\circ = 0{,}866$.

EFOMM 2000, questão 7: figura original da prova
A)6 atm
B)3 atm
C)1 atm
D)2 atm
E)9 atm

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

B
Resolução

Um tubo inclinado de 30° e 60 m de comprimento está cheio de água, com A fechada na base e B aberta. Qual a pressão efetiva em A, sabendo que cada 10 m de água valem 1 atm? Os dados do cosseno são distração.

A pressão hidrostática depende só do desnível vertical até a superfície livre, não do comprimento nem da forma do tubo. Primeiro achamos a altura vertical, depois convertemos com os 10 m por atmosfera.

O desnível é o cateto oposto ao ângulo de 30°: \[h=L\sin 30^\circ=60\cdot 0{,}500=30\text{ m}\qquad p_{ef}=\dfrac{30}{10}=3\text{ atm}\]

A pressão efetiva é 3 atm. Uma checagem rápida: na vertical seriam 6 atm e na horizontal zero; 30° dá exatamente a metade.

Cuidado, armadilha! Usar os 60 m como altura leva a 6 atm, isca presente nas alternativas. Trocar seno por cosseno também engana. Desenhe o triângulo e pergunte qual lado é vertical.

Alternativa correta: B

Q8
Eletricidade — Eletrostática — Campo Elétrico Uniforme

Seja um capacitor de placas paralelas, separadas por 5 cm, carregado de modo a apresentar os potenciais conforme especificados no desenho: placa positiva a $+195\text{ V}$ e placa negativa a $-55\text{ V}$. Uma partícula de massa $5 \times 10^{-5}\text{ kg}$ e carga $-0{,}4 \times 10^{-6}\text{ C}$ é lançada perpendicularmente ao campo uniforme criado dentro do capacitor, rente à sua placa negativa. Supondo a extensão da placa positiva suficiente e desprezando a resistência do dielétrico ao deslocamento, bem como o peso da partícula, calcule o tempo e a energia cinética dessa partícula, ao se chocar contra a placa positiva.

EFOMM 2000, questão 8: figura original da prova
A)$2{,}0 \times 10^{-1}\text{ s}$ e $1{,}7 \times 10^{-3}\text{ J}$
B)$5{,}0 \times 10^{-3}\text{ s}$ e $2{,}1 \times 10^{-4}\text{ J}$
C)$5{,}0 \times 10^{-4}\text{ s}$ e $1{,}3 \times 10^{-5}\text{ J}$
D)$5{,}0 \times 10^{-2}\text{ s}$ e $1{,}0 \times 10^{-4}\text{ J}$
E)$1{,}0 \times 10^{-1}\text{ s}$ e $1{,}5 \times 10^{-1}\text{ J}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

D
Resolução

Um capacitor de placas paralelas, separadas por 5 cm, tem potenciais de +195 V e −55 V. Uma partícula de massa 5·10⁻⁵ kg e carga −0,4·10⁻⁶ C parte rente à placa negativa e é lançada perpendicularmente ao campo. Pede-se o tempo até atingir a placa positiva e a energia cinética ganha. O peso é desprezado.

Note que a partícula é negativa, então é atraída pela placa positiva: a força elétrica a empurra em sentido oposto ao campo, com aceleração constante, e a componente paralela às placas não influi no tempo de travessia. A energia ganha vem do trabalho da força elétrica, que é a carga vezes a ddp.

A ddp é a diferença dos potenciais e o campo é uniforme: \[U=195-(-55)=250\text{ V}\qquad E=\dfrac{U}{d}=\dfrac{250}{0{,}05}=5000\text{ V/m}\] Força e aceleração: \[F=|q|E=0{,}4\cdot 10^{-6}\cdot 5000=2{,}0\cdot 10^{-3}\text{ N}\qquad a=\dfrac{F}{m}=\dfrac{2{,}0\cdot 10^{-3}}{5\cdot 10^{-5}}=40\text{ m/s}^2\] Tempo para percorrer d com aceleração constante, partindo sem velocidade nessa direção: \[0{,}05=\dfrac{1}{2}\cdot 40\cdot t^2\;\Rightarrow\; t=5{,}0\cdot 10^{-2}\text{ s}\] Energia cinética ganha pelo campo: \[E_c=|q|U=0{,}4\cdot 10^{-6}\cdot 250=1{,}0\cdot 10^{-4}\text{ J}\]

Tempo de 5,0·10⁻² s e energia de 1,0·10⁻⁴ J. Para fechar com segurança: a energia também sai de F·d = 2,0·10⁻³ · 0,05 = 1,0·10⁻⁴ J, o mesmo número por outro caminho.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar um dos potenciais isolados, 195 V ou 55 V, como se fosse a ddp, ou esquecer que o campo se calcula com a diferença entre os potenciais. Além disso, com a massa em kg e a distância em metros, a conta fecha; qualquer unidade misturada quebra o resultado. Sempre converta cm em m antes de dividir.

Alternativa correta: D

Q9
Mecânica — Cinemática — MRUV no Plano Inclinado

Considere o movimento de uma esfera abandonada no instante $t=0$ em um plano inclinado. Analise, a seguir, a sequência de gráficos, abaixo do diagrama:

EFOMM 2000, questão 9: figura original da prova

O par de gráficos que melhor representa, respectivamente a velocidade (em módulo) e a distância percorrida está na opção:

A)III e II
B)I e IV
C)IV e III
D)II e IV
E)I e II

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

C
Resolução

Uma esfera é abandonada em um plano inclinado. Quatro gráficos são dados: reta decrescente (I), reta horizontal (II), parábola crescente (III) e reta crescente pela origem (IV). Qual par representa o módulo da velocidade e a distância percorrida?

A componente do peso ao longo do plano é constante, logo a aceleração é constante: MRUV a partir do repouso. Basta escrever as funções horárias e reconhecer os gráficos.

Com velocidade inicial nula: \[v=a\,t\qquad d=\dfrac{1}{2}\,a\,t^2\] A primeira é reta crescente pela origem (gráfico IV); a segunda é do segundo grau, um arco de parábola (gráfico III).

O par é IV e III. Vale um teste de bom senso: a inclinação da parábola em cada instante é a velocidade, que cresce com o tempo.

Cuidado, armadilha! Não associe posição a uma reta só porque a velocidade é uma reta: a velocidade é linear em t, mas a distância é quadrática. O gráfico I descreveria uma velocidade que diminui.

Alternativa correta: C

Q10
Eletricidade — Eletrodinâmica — Leis de Kirchhoff

Considere o circuito abaixo no qual as fontes são ideais:

EFOMM 2000, questão 10: figura original da prova

Calcule a potência dissipada na resistência $R_3$. OBS: Aproxime os valores das correntes para uma casa decimal.

A)7,35 W
B)4,32 W
C)9,12 W
D)15,16 W
E)2,21 W

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

D
Resolução

O circuito tem três ramos em paralelo entre dois nós: $R_1 = 4\ \Omega$ com $V_1 = 7\text{ V}$, $R_2 = 3\ \Omega$ com $4\text{ V}$ e $R_3 = 2\ \Omega$ com $5\text{ V}$, esta última com polaridade invertida. As fontes são ideais. Pede-se a potência dissipada em $R_3$, com as correntes aproximadas para uma casa decimal.

Com três ramos entre dois nós, o caminho mais curto é a análise nodal: descobrir a tensão $V_A$ entre os nós e, com ela, a corrente em cada ramo. Essa é a lei dos nós combinada com a lei de Ohm em cada ramo, e evita resolver um sistema de malhas. Repare que a fonte de 5 V entra com sinal oposto às outras duas, e é isso que muda o resultado.

Tomando o nó inferior como referência e somando as correntes que chegam ao nó superior: \[V_A = \dfrac{\frac{7}{4} + \frac{4}{3} - \frac{5}{2}}{\frac14 + \frac13 + \frac12} = \dfrac{0{,}583}{1{,}083} \approx 0{,}54\text{ V}\] As correntes saem de $i = (V_{fonte} - V_A)/R$: $i_1 \approx 1{,}6\text{ A}$ e $i_2 \approx 1{,}2\text{ A}$, e em $R_3$ chega $i_3 = i_1 + i_2 \approx 2{,}8\text{ A}$, pois a fonte de 5 V também soma. Assim: \[P_3 = R_3\, i_3^2 = 2 \cdot (2{,}77)^2 \approx 15{,}3\text{ W}\]

A alternativa oficial é a D, 15,16 W. O resultado calculado, cerca de 15,3 W, aproxima-se dela (com a corrente arredondada em 2,8 A sairiam 15,7 W); as outras alternativas ficam bem longe, entre 2 W e 9 W. Olhe o resultado com desconfiança saudável: a corrente em $R_3$ é a soma das outras duas, como pede a lei dos nós, e a potência na resistência de 2 ohms deve ser a maior do circuito.

Cuidado, armadilha! O sentido da fonte invertida é o ponto que derruba a maioria. Se você tratar os 5 V como as outras fontes, o numerador muda e $R_3$ passa a receber uma corrente muito menor. Antes de somar, escreva o sinal de cada termo pela polaridade em relação ao nó. E lembre-se de que a potência usa o quadrado da corrente: um pequeno erro de arredondamento na corrente se amplifica na potência.

Alternativa correta: D

Q11
Eletricidade — Eletrostática — Lei de Coulomb

Seja uma carga elétrica pontual de $+5 \times 10^{-6}\text{ C}$ e um ponto do espaço à sua volta, situado a 30 cm de distância. Calcule o módulo da carga negativa, de massa 0,002 gramas, que, ao ser posicionada neste ponto (livre para se locomover), sofra aceleração de $1{,}8 \times 10^5\text{ m/s}^2$. (Despreze a resistência do meio à locomoção da partícula e o peso da partícula negativamente carregada). Dado: Constante $k = 9 \times 10^9\text{ N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$.

A)$1{,}02 \times 10^{-6}\text{ C}$
B)$0{,}56 \times 10^{-6}\text{ C}$
C)$0{,}72 \times 10^{-6}\text{ C}$
D)$1{,}44 \times 10^{-6}\text{ C}$
E)$9{,}73 \times 10^{-6}\text{ C}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

C
Resolução

Uma carga pontual de +5·10⁻⁶ C cria força sobre uma carga negativa de massa 0,002 g colocada a 30 cm dela. Essa carga, livre, adquire aceleração de 1,8·10⁵ m/s². Pede-se o módulo dessa carga. O peso e o meio são desprezados, então a única força é a de Coulomb.

A força elétrica é a resultante, então a segunda lei de Newton dá o valor da força a partir da massa e da aceleração. Essa mesma força, escrita pela lei de Coulomb, permite isolar a carga desconhecida. O cuidado central está nas unidades: a massa vem em gramas.

Passando a massa para o SI, 0,002 g é 2·10⁻⁶ kg. Então: \[F=ma=2\cdot 10^{-6}\cdot 1{,}8\cdot 10^{5}=0{,}36\text{ N}\] Igualando à lei de Coulomb com r = 0,30 m: \[0{,}36=\dfrac{9\cdot 10^{9}\cdot 5\cdot 10^{-6}\cdot |q|}{0{,}09}=5\cdot 10^{5}\,|q|\;\Rightarrow\; |q|=0{,}72\cdot 10^{-6}\text{ C}\]

A carga vale 0,72·10⁻⁶ C. Só para conferir: um campo de 9·10⁹·5·10⁻⁶/0,09 = 5·10⁵ N/C sobre 0,72 µC dá 0,36 N, a mesma força de antes.

Cuidado, armadilha! Quem usa a massa em gramas, 0,002, em vez de quilogramas, erra por um fator de mil e cai em alternativas de outra ordem de grandeza. Outro deslize é usar 30 em vez de 0,30 m, ou esquecer de elevar a distância ao quadrado. Converta tudo para o SI antes da primeira multiplicação.

Alternativa correta: C

Q12
Mecânica — Cinemática — Movimento Circular Uniforme

O diâmetro do "leque" de uma bomba que gira a 4000 rpm e que possui velocidade tangencial de 62,8 m/s é:

Dado: Considere $\pi \approx 3{,}14$.

A)0,5 m
B)0,3 m
C)0,4 m
D)0,6 m
E)0,1 m

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

B
Resolução

O leque gira a 4000 rpm e a ponta tem velocidade tangencial de 62,8 m/s. Pede-se o diâmetro, com π ≈ 3,14.

No movimento circular uniforme, v = ωR. A rotação está em rpm, então convertemos para rad/s antes de aplicar a fórmula, e no fim dobramos o raio.

Frequência, velocidade angular, raio e diâmetro: \[f=\dfrac{4000}{60}=\dfrac{200}{3}\text{ Hz}\qquad \omega=2\pi f\approx 418{,}7\text{ rad/s}\] \[R=\dfrac{62{,}8}{418{,}7}=0{,}15\text{ m}\qquad D=2R=0{,}3\text{ m}\]

O diâmetro é 0,3 m. Uma checagem rápida: o perímetro é cerca de 0,94 m e 66,7 voltas por segundo dão 62,8 m/s.

Cuidado, armadilha! Usar 4000 direto como ω, esquecer o 2π ou entregar o raio (0,15 m) no lugar do diâmetro são os erros comuns. Converta rpm antes de tudo e releia o que se pede.

Alternativa correta: B

Q13
Física Geral — Grandezas e Unidades — Grandezas escalares e vetoriais

Marque a opção na qual aparece uma grandeza física que não é vetorial (escalar):

A)velocidade
B)aceleração
C)corrente elétrica
D)campo elétrico
E)trabalho

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

E
Resolução

Pede-se a grandeza escalar entre velocidade, aceleração, corrente elétrica, campo elétrico e trabalho.

Uma grandeza é vetorial quando exige direção e sentido. Testamos cada opção perguntando se faz sentido dizer para onde ela aponta.

Velocidade tem direção e sentido, logo é vetorial. Aceleração também, por ser variação da velocidade. Campo elétrico é vetor, definido como força por carga. Trabalho vem do produto escalar entre força e deslocamento: \[W=\vec F\cdot\vec d=F\,d\cos\theta\] O resultado é um número, sem direção.

A grandeza escalar pedida é o trabalho. Para fechar com segurança: energia não tem direção, e 10 J não apontam para lugar algum.

Cuidado, armadilha! A corrente elétrica também é escalar, apesar da seta nos circuitos, que indica só o sentido de percurso no fio. Numa questão assim, escolha a opção que a banca tem como resposta e não se prenda a exceções de nomenclatura.

Alternativa correta: E

Q14
Mecânica — Cinemática — Movimento Uniformemente Variado

Um navio, em certo trecho de sua rota, se desloca em movimento uniformemente variado, segundo a equação horária: $S = 3 + 2t - t^2$ (S.I).

Calcule, respectivamente, os instantes nos quais:

• Este navio passa pela origem dos espaços;
• O seu deslocamento inverte o sentido.

A)1 e 2 segundos
B)3 e 2 segundos
C)4 e 3 segundos
D)3 e 1 segundos
E)2 e 1 segundos

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

D
Resolução

A posição do navio é S = 3 + 2t − t² (SI). Pedem-se o instante em que passa pela origem e o instante em que inverte o sentido.

Passar pela origem é S = 0. Inverter o sentido é a velocidade se anular, e a velocidade é a derivada da posição.

Origem: \[t^2-2t-3=0\;\Rightarrow\;(t-3)(t+1)=0\;\Rightarrow\; t=3\text{ s}\] A raiz negativa não serve. Inversão: \[v=2-2t=0\;\Rightarrow\; t=1\text{ s}\]

Os instantes são 3 s e 1 s. Vale um teste de bom senso: em t = 1 s o navio está em S = 4 m, o ponto mais afastado, e depois volta cruzando a origem em t = 3 s.

Cuidado, armadilha! Inverter o sentido não é a posição se anular, e sim a velocidade se anular. Confundir as duas condições leva a responder 3 s duas vezes. E descarte t = −1 s, anterior ao início.

Alternativa correta: D

Q15
Termologia — Termometria — Escalas Termométricas

Considere uma escala arbitrária de temperatura "Y", na qual, ao ponto de ebulição da água seja atribuído o valor $+160^\circ$ e ao ponto de congelamento da água, o valor $-20^\circ$. Determine, aproximadamente, a quantos graus CELSIUS correspondem $-4^\circ\text{Y}$.

A)$-13{,}4^\circ\text{C}$
B)$-0{,}44^\circ\text{C}$
C)$-2{,}1^\circ\text{C}$
D)$32{,}5^\circ\text{C}$
E)$8{,}9^\circ\text{C}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

E
Resolução

A escala Y dá −20° ao gelo e +160° à ebulição da água. Qual a temperatura em Celsius que corresponde a −4 °Y?

Em escalas lineares, a fração do intervalo entre os pontos fixos é a mesma nas duas. Montamos a proporção entre Celsius (0 a 100) e Y (−20 a 160).

Proporção e substituição de Y = −4: \[\dfrac{C}{100}=\dfrac{Y+20}{180}\;\Rightarrow\;\dfrac{C}{100}=\dfrac{16}{180}\;\Rightarrow\; C\approx 8{,}9\,^\circ\text{C}\]

A temperatura é cerca de 8,9 °C. Olhe o resultado com desconfiança saudável: cada grau Y vale 100/180 ≈ 0,556 °C, e 16 · 0,556 ≈ 8,9.

Cuidado, armadilha! Não trate o zero de Y como ponto de gelo: o gelo está em −20 °Y, e a distância deve ser contada a partir dele. Escreva sempre a proporção com os dois pontos fixos.

Alternativa correta: E

Q16
Eletricidade — Eletrodinâmica — Consumo de Energia Elétrica

Você comprou um aparelho de ar condicionado que consome, em média, 10 ampères, ao ser alimentado por rede de 120 volts, e pretende, durante o verão, deixá-lo ligado sete horas por dia. Supondo que 1 quilowatt-hora custe R\$ 0,60, calcule o acréscimo aproximado em sua conta de luz mensal, considerando um mês de 30 dias.

A)R\$ 199,40
B)R\$ 267,30
C)R\$ 77,20
D)R\$ 151,20
E)R\$ 208,60

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

D
Resolução

Um ar-condicionado consome em média 10 A em 120 V e fica ligado 7 horas por dia, por 30 dias. O quilowatt-hora custa R$ 0,60. Pede-se o acréscimo mensal na conta.

A conta de luz cobra energia, em quilowatt-hora, e não potência. Então o caminho é: potência pela tensão e corrente, energia pela potência vezes o tempo, e custo pela energia vezes o preço da tarifa.

Potência, tempo total e energia mensal: \[P=V\,i=120\cdot 10=1200\text{ W}=1{,}2\text{ kW}\qquad \Delta t=7\cdot 30=210\text{ h}\] \[E=P\,\Delta t=1{,}2\cdot 210=252\text{ kWh}\] Custo: \[C=252\cdot 0{,}60=151{,}20 ext{ reais}\]

O acréscimo é de R$ 151,20. Só para conferir: 1,2 kW por hora custa R$ 0,72, e 7 horas dão R$ 5,04 por dia; em 30 dias, R$ 151,20.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar a potência em watts com o preço por quilowatt-hora, inflando o resultado por mil, ou esquecer de multiplicar pelos 30 dias e responder o custo diário. Converta W em kW antes de multiplicar pelo número de horas.

Alternativa correta: D

Q17
Eletricidade — Eletrodinâmica — Efeito Joule no aquecimento da água

Em aproximadamente quanto tempo uma resistência elétrica de $4\,\Omega$, ligada à rede elétrica de 120 volts, elevaria a temperatura de 2,5 litros de água pura, desde $15^\circ\text{C}$ até $95^\circ\text{C}$? Suponha que a experiência tenha sido realizada no Rio de Janeiro e que tenha sido ideal a transferência de energia. Dado: Calor específico da água $c = 1\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}$.

A)29 segundos
B)1221 segundos
C)232 segundos
D)69 segundos
E)820 segundos

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

C
Resolução

Um resistor de 4 Ω ligado a 120 V aquece 2,5 L de água de 15 °C a 95 °C, com toda a energia indo para a água. O calor específico é dado em cal/g·°C. Pede-se o tempo aproximado.

A potência do resistor ligado a uma tensão fixa é V²/R, e o calor necessário sai de mQ = m·c·ΔT. Como a transferência é ideal, a energia elétrica dissipada iguala o calor recebido. O ponto delicado é que o calor está em calorias e a potência em watts, então é preciso converter, usando 1 cal ≈ 4,184 J.

Potência, massa (2,5 L de água pura pesam 2500 g) e calor: \[P=\dfrac{V^2}{R}=\dfrac{120^2}{4}=3600\text{ W}\qquad Q=mc\,\Delta T=2500\cdot 1\cdot 80=200\,000\text{ cal}\] Em joules e depois em tempo: \[Q\approx 200\,000\cdot 4{,}184=836\,800\text{ J}\qquad t=\dfrac{Q}{P}=\dfrac{836\,800}{3600}\approx 232\text{ s}\]

O tempo é cerca de 232 s. Uma checagem rápida: um aquecedor de 3,6 kW aquecendo 2,5 kg de água por 80 °C leva alguns minutos, e 232 s é pouco menos de 4 minutos, uma ordem de grandeza razoável.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é igualar V²t/R diretamente a m·c·ΔT sem converter calorias em joules. Como 1 cal vale cerca de 4,18 J, o tempo sairia umas quatro vezes menor, perto de 55 s, e não bateria com o valor correto. Outro deslize é usar 2,5 g em vez de 2500 g. Confira sempre as unidades dos dois lados da igualdade.

Alternativa correta: C

Q18
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Propriedades gerais das ondas

Analise as assertivas abaixo:

I. "Os comprimentos de onda da luz em meios de propagação diferentes são independentes das suas velocidade de propagação nesses mesmos meios".
II. "Em um dado instante, todos os pontos sobre uma frente de ondas servem como fontes pontuais para a emissão de ondas secundárias. Após um intervalo de tempo t, a nova posição da frente de ondas será aquela definida pela superfície tangente a essas frentes secundárias".
III. "O índice de refração da luz em um certo meio é a razão entre a velocidade da luz nesse próprio meio e a velocidade da luz no vácuo".
IV. "Um elemento de fibra óptica consegue "guiar" os raios luminosos, graças ao fenômeno da reflexão total, associado às baixas perdas laterais através do meio".

A sequência correta de assertivas certas (C) e erradas (E), de I para IV, é:

A)ECEC
B)CCCC
C)EECC
D)EEEC
E)ECCC

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

A
Resolução

Quatro assertivas sobre ondas e luz devem ser classificadas como certas ou erradas, e a resposta é a sequência de I a IV. Cada uma mistura conceitos vizinhos, então é preciso avaliar uma a uma.

Vamos separar as ideias: relação entre λ, v e f, princípio de Huygens, definição de índice de refração e guiamento de luz em fibras. Cada afirmação testa uma dessas relações, e um detalhe trocado a torna falsa.

A afirmativa I é errada: como λ = v/f e a frequência da luz não muda ao mudar de meio, o comprimento de onda varia com a velocidade. A II é certa e descreve o princípio de Huygens. A III é errada: o índice de refração é a razão entre a velocidade no vácuo e a velocidade no meio, e a assertiva inverteu a razão: \[n=\dfrac{c}{v}\] A IV é certa, pois a fibra óptica guia a luz por reflexão total interna, com pouca perda lateral.

A sequência é E, C, E, C. Para fechar com segurança: como n é sempre maior ou igual a 1 e c é a maior velocidade possível, a razão c/v é maior que 1, coerente com a definição correta.

Cuidado, armadilha! A armadilha aqui é a inversão sutil na afirmativa III, que troca numerador e denominador do índice de refração e passa facilmente na leitura rápida. Em questões de certo e errado, releia cada afirmativa procurando a palavra ou razão trocada, e lembre que a frequência é a grandeza que se mantém na refração.

Alternativa correta: A

Q19
Ondulatória — Acústica — Eco e sonar

Leia cuidadosamente o texto: "O ecobatímetro é um instrumento extremamente útil, pois permite monitorar a profundidade abaixo da quilha de uma embarcação. Basicamente uma frente de ondas cuja velocidade de propagação é conhecida no meio, é transmitida, reflete-se no fundo, e o tempo medido permite estimar a profundidade...".

Supondo que a propagação seja transversal à lâmina d'água, que a frequência do sinal transmitido seja de $25 \times 10^3\text{ Hz}$, e que o comprimento de onda seja de 0,06 m, calcule o tempo que o instrumento levaria para registrar a profundidade de 18 metros abaixo da quilha da embarcação.

A)$2{,}40 \times 10^{-2}\text{ s}$
B)$0{,}40 \times 10^{-2}\text{ s}$
C)$2{,}03 \times 10^{-2}\text{ s}$
D)$1{,}18 \times 10^{-2}\text{ s}$
E)$3{,}60 \times 10^{-2}\text{ s}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

A
Resolução

Um ecobatímetro emite sinal de 25·10³ Hz e comprimento de onda 0,06 m na água. Em quanto tempo registra uma profundidade de 18 m? O sinal vai até o fundo e volta.

A equação fundamental dá a velocidade. Como o registro só ocorre quando o eco retorna, a distância percorrida é o dobro da profundidade.

Velocidade e tempo de ida e volta: \[v=\lambda f=0{,}06\cdot 25\cdot 10^{3}=1500\text{ m/s}\qquad t=\dfrac{2\cdot 18}{1500}=2{,}40\cdot 10^{-2}\text{ s}\]

O tempo é 2,40·10⁻² s. Vale um teste de bom senso: 1500 m/s é típico do som na água, e 36 m em 24 ms é coerente.

Cuidado, armadilha! Dividir só 18 m pela velocidade dá 1,2·10⁻² s, a isca da alternativa D. O instrumento mede o tempo total, da emissão ao eco, então o percurso é 2h.

Alternativa correta: A

Q20
Ondulatória — Acústica — Ondas Estacionárias em Cordas

Seja uma corda de violão esticada, forçada a oscilar de modo que o padrão seja de três LOOPS, ou seja, em terceiro harmônico. A relação entre a distância que separa os pontos fixos (L) e o comprimento de onda do sinal de áudio gerado ($\lambda$) pode ser definida pela expressão:

A)$2L = 5\lambda / 4$
B)$L = \lambda / 3$
C)$L = 3\lambda / 2$
D)$\lambda = 2L$
E)$L = 3\lambda$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

C
Resolução

Uma corda fixa nas duas pontas, com separação L, oscila com três ventres (terceiro harmônico). Qual a relação entre L e λ?

As pontas fixas são nós, e cada ventre ocupa meio comprimento de onda. Contar os ventres dá o número de meios comprimentos de onda que cabem na corda.

Com n ventres, n = 3: \[L=n\,\dfrac{\lambda}{2}\;\Rightarrow\; L=\dfrac{3\lambda}{2}\]

A relação é L = 3λ/2. Olhe o resultado com desconfiança saudável: no fundamental seria L = λ/2, e cada harmônico acrescenta meio comprimento de onda.

Cuidado, armadilha! Escrever L = 3λ esquece que cada ventre vale λ/2. Não confunda com tubos fechados, que usam λ/4. Desenhe a corda e conte os meios comprimentos de onda.

Alternativa correta: C

Q21
Termologia — Gases Ideais — Trabalho em Transformação Gasosa

Supondo que, em certa transformação gasosa, a pressão permaneça constante em torno de $0{,}4\text{ N/m}^2$, enquanto o volume varia segundo a função $v = 8 \sin(t)$. Calcule o trabalho diferencial executado pelo gás durante o deslocamento no tempo de $\pi/4$ segundos.

A)$2{,}4\sqrt{3}\text{ J}$
B)$1{,}3\sqrt{3}\text{ J}$
C)$6{,}3\sqrt{2}\text{ J}$
D)$8{,}2\sqrt{2}\text{ J}$
E)$1{,}6\sqrt{2}\text{ J}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

E
Resolução

Um gás sofre transformação a pressão constante de 0,4 N/m², enquanto o volume varia como V = 8 sen(t). Pede-se o trabalho realizado pelo gás no intervalo de t = 0 até t = π/4 s. O termo "diferencial" se refere ao trabalho associado à variação do volume nesse intervalo, e o dado da função seno é o que exige atenção.

Com pressão constante, o trabalho é a pressão vezes a variação de volume, sem integrar curva pressão-volume nem derivar coisa alguma. O que muda no tempo é só o volume, então basta avaliá-lo nos instantes inicial e final e subtrair. Repare que a função seno faz o trabalho depender apenas dos extremos do intervalo, não do caminho intermediário, já que P é constante.

Volume inicial e volume final, usando sen(π/4) = √2/2: \[V(0)=8\sin 0=0\qquad V\!\left(\dfrac{\pi}{4}\right)=8\cdot\dfrac{\sqrt{2}}{2}=4\sqrt{2}\text{ m}^3\] Trabalho a pressão constante: \[W=P\,\Delta V=0{,}4\cdot 4\sqrt{2}=1{,}6\sqrt{2}\text{ J}\]

O trabalho é 1,6√2 J. Só para conferir: o volume aumenta, então o gás se expande e o trabalho é positivo, cerca de 2,3 J, coerente com uma pressão muito baixa de 0,4 N/m². Como as unidades são N/m² vezes m³, o resultado sai em joules.

Cuidado, armadilha! O termo "diferencial" pode levar você a derivar V(t) e avaliar em π/4, o que dá 8 cos(π/4) = 4√2, um número que coincide em valor com o volume final mas não é o trabalho: falta multiplicar pela pressão e pela lógica da variação total. Como P é constante, o trabalho é P·ΔV entre o início e o fim. Cuide também do valor de sen(π/4), que é √2/2 e não 1/2, e não esqueça que a função começa em zero.

Alternativa correta: E

Q22
Eletromagnetismo — Força Magnética — Força Magnética e Raio da Trajetória

Seja uma partícula carregada $q = -2 \times 10^{-3}\text{ C}$, de massa $m = 3 \times 10^{-6}\text{ kg}$, movendo-se com velocidade $v = 800\text{ m/s}$, perpendicularmente a um campo magnético $B = 12\text{ T}$. Calcule o raio do círculo de sua trajetória.

A)0,1 m
B)0,6 m
C)0,8 m
D)0,4 m
E)2,4 m

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

A
Resolução

Uma partícula de carga −2·10⁻³ C e massa 3·10⁻⁶ kg entra a 800 m/s perpendicularmente em um campo magnético de 12 T. Pede-se o raio da trajetória circular. O sinal negativo da carga só afeta o sentido da curva.

Com velocidade perpendicular ao campo, a força magnética é sempre perpendicular à velocidade e funciona como resultante centrípeta. Igualando a força magnética à força centrípeta, isolamos o raio.

Igualando, com o módulo da carga: \[|q|vB=\dfrac{mv^2}{R}\;\Rightarrow\; R=\dfrac{mv}{|q|B}\] Substituindo os valores: \[R=\dfrac{3\cdot 10^{-6}\cdot 800}{2\cdot 10^{-3}\cdot 12}=\dfrac{2{,}4\cdot 10^{-3}}{24\cdot 10^{-3}}=0{,}1\text{ m}\]

O raio é 0,1 m. Uma checagem rápida: um campo forte e uma partícula leve dão raio pequeno, e as unidades fecham em metros.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar a carga com sinal negativo e encontrar um raio negativo, ou errar as potências de dez na divisão. O raio é uma distância, então use o módulo da carga. Organize as potências de dez separadamente dos coeficientes.

Alternativa correta: A

Q23
Ondulatória — Conceitos Básicos — Propagação de Ondas Luminosas

Se o coeficiente de refração da luz no meio é de 1,5 e a frequência da portadora luminosa de $0{,}5 \times 10^{14}\text{ Hz}$, calcule o valor aproximado de seu comprimento de onda. (A velocidade da luz no vácuo é de $3{,}0 \times 10^8\text{ m/s}$).

A)$4{,}0 \times 10^{-6}\text{ m}$
B)$2{,}0 \times 10^{-7}\text{ m}$
C)$8{,}0 \times 10^{-8}\text{ m}$
D)$5{,}0 \times 10^{-3}\text{ m}$
E)$3{,}0 \times 10^{-4}\text{ m}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

A
Resolução

A luz tem frequência de 0,5·10¹⁴ Hz e atravessa um meio de índice de refração 1,5. Pede-se o comprimento de onda nesse meio, dado c = 3,0·10⁸ m/s.

Ao mudar de meio, a frequência da luz permanece e a velocidade muda. Então primeiro achamos a velocidade no meio pelo índice de refração, e depois o comprimento de onda pela relação fundamental.

Velocidade no meio e comprimento de onda: \[v=\dfrac{c}{n}=\dfrac{3{,}0\cdot 10^{8}}{1{,}5}=2{,}0\cdot 10^{8}\text{ m/s}\] \[\lambda=\dfrac{v}{f}=\dfrac{2{,}0\cdot 10^{8}}{0{,}5\cdot 10^{14}}=4{,}0\cdot 10^{-6}\text{ m}\]

O comprimento de onda é 4,0·10⁻⁶ m. Para fechar com segurança: no vácuo seria 3,0·10⁸/0,5·10¹⁴ = 6,0·10⁻⁶ m, e no meio é menor por um fator 1,5, o que dá 4,0·10⁻⁶ m.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar c no lugar de v e obter o comprimento de onda no vácuo, 6,0·10⁻⁶ m. O enunciado pergunta o comprimento de onda no meio, então a velocidade correta é c/n. Lembre que n multiplica a velocidade para baixo, e λ diminui na mesma proporção.

Alternativa correta: A

Q24
Mecânica — Dinâmica — Equação de Torricelli

Um avião de peso 10.000 N voa com velocidade constante de 1900 km/h. Aumenta-se a força das turbinas em 5000 N. Considerando que a resistência do ar permaneça constante, determine o valor aproximado da distância horizontal que deverá ser percorrida pela aeronave, para que sua velocidade atinja 2400 km/h. Considere a aceleração local da gravidade igual a $10\text{ m/s}^2$.

A)5,6 km
B)16,6 km
C)8,7 km
D)10,8 km
E)25,3 km

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

B
Resolução

Um avião de peso 10 000 N voa a 1900 km/h em velocidade constante. Aumenta-se o empuxo das turbinas em 5000 N, com a resistência do ar constante, e pergunta-se que distância ele percorre até atingir 2400 km/h.

Em velocidade constante, o empuxo equilibrava a resistência do ar. Ao acrescentar 5000 N, sobra uma resultante de 5000 N, constante, que produz aceleração constante. Com aceleração constante e sem o tempo envolvido, a ferramenta certa é a equação de Torricelli. As velocidades precisam estar em m/s.

Massa e aceleração: \[m=\dfrac{P}{g}=\dfrac{10\,000}{10}=1000\text{ kg}\qquad a=\dfrac{5000}{1000}=5\text{ m/s}^2\] Velocidades em m/s: 1900/3,6 ≈ 527,8 e 2400/3,6 ≈ 666,7. Por Torricelli: \[\Delta s=\dfrac{v^2-v_0^2}{2a}=\dfrac{666{,}7^2-527{,}8^2}{10}\approx 16\,590\text{ m}\approx 16{,}6\text{ km}\]

A distância é cerca de 16,6 km. Vale um teste de bom senso: a velocidade cresce em cerca de 139 m/s com aceleração de 5 m/s², o que leva quase 28 s, e a velocidade média de 597 m/s nesse tempo dá aproximadamente 16,6 km.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar as velocidades em km/h na equação de Torricelli com a em m/s², o que mistura unidades e dá um número sem sentido. Outro é somar a resistência do ar à conta, quando ela já estava equilibrada pelo empuxo original. Converta com o fator 3,6 e use só o empuxo adicional como resultante.

Alternativa correta: B

Q25
Mecânica — Estática — Equilíbrio Translacional

Forças de módulos diferentes atuam sobre uma partícula. Se essa partícula está em movimento retilíneo uniforme, você pode afirmar que o número dessas forças atuando sobre ela é, de pelo menos:

A)5
B)2
C)3
D)1
E)4

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2000

C
Resolução

Forças de módulos diferentes atuam sobre uma partícula em movimento retilíneo uniforme. Pergunta-se o número mínimo de forças possível. A expressão-chave é "módulos diferentes".

Em MRU, a aceleração é nula, então a resultante das forças é nula. O problema vira este: quantas forças de módulos todos distintos podem somar zero? Vamos testar o menor número possível de forças.

Com uma força só, a resultante é a própria força, não nula. Com duas forças, para somarem zero elas teriam de ter o mesmo módulo e sentidos opostos, o que contraria a condição de módulos diferentes. Com três forças de módulos distintos, é possível que os vetores formem um triângulo fechado, e a soma vetorial se anula: \[\vec F_1+\vec F_2+\vec F_3=\vec 0\]

O número mínimo é 3. Olhe o resultado com desconfiança saudável: três segmentos de comprimentos distintos podem formar um triângulo (desde que cada um seja menor que a soma dos outros dois), e isso é o polígono de forças fechado.

Cuidado, armadilha! O erro típico é responder 2, pensando em ação e reação ou em duas forças que se cancelam, sem reparar que os módulos são diferentes. Repare também que uma única força não nula nunca dá equilíbrio. Sempre releia as condições do enunciado e teste o caso mais simples que as satisfaz.

Alternativa correta: C

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