EFOMM 2015 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Esc. de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2015 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Ondulatória — Acústica — Intensidade e altura do som

Analise a tabela a seguir onde constam valores de amplitude e frequência de 5 sons. O som de maior intensidade e o som mais agudo são, respectivamente,

SomFrequência (kHz)Amplitude (mm)
I0,23
II0,37
III0,81
IV1,05
V1,24
A)II e V.
B)I e II.
C)IV e III.
D)II e I.
E)V e II.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

A
Resolução

A tabela traz frequência e amplitude de cinco sons, e o enunciado pede dois resultados: o som de maior intensidade e o mais agudo. Repare que são duas grandezas diferentes, cada uma ligada a uma coluna da tabela. A frequência de cada som em kHz e a amplitude em mm são os únicos dados relevantes.

Intensidade e altura são qualidades fisiológicas do som com causas físicas distintas. A intensidade depende da energia transportada pela onda, que cresce com o quadrado da amplitude. A altura, que distingue o grave do agudo, depende da frequência. Vamos por partes: uma coluna para cada pergunta, sem misturar.

Para a intensidade, basta comparar as amplitudes, já que \[I \propto A^2\] preserva a ordem. A maior amplitude é a do som II, com $7$ mm. Para o som mais agudo, olhamos a maior frequência: o som V, com $1{,}2$ kHz. Note que o som II tem só $0{,}3$ kHz, ou seja, é o segundo mais grave da lista.

Maior intensidade: II. Mais agudo: V. A ordem pedida é "respectivamente", então a resposta é II e V. Olhe o resultado com desconfiança saudável: nenhum outro som tem, ao mesmo tempo, amplitude maior que $7$ mm ou frequência maior que $1{,}2$ kHz.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é trocar as colunas: achar que o som mais forte é o de maior frequência, ou que o mais agudo é o de maior amplitude. Amplitude nada tem a ver com ser grave ou agudo, e frequência nada tem a ver com volume. Antes de olhar as alternativas, escreva ao lado de cada pergunta qual coluna ela usa. Cuidado também com a ordem "respectivamente": E (V e II) é exatamente a inversão correta.

Alternativa correta: A

Q22
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores

Para o circuito da figura dada, o valor da corrente elétrica que passa pelo resistor de $6\,\Omega$ é

Figura da questão 22 da EFOMM 2015
A)0,5 A.
B)1,0 A.
C)2,0 A.
D)3,0 A.
E)4,0 A.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

B
Resolução

O circuito é alimentado por $12$ V e pede a corrente no resistor de $6\,\Omega$. Pela figura, o ramo da direita tem um resistor de $2\,\Omega$ em série com um par de resistores de $3\,\Omega$ e $6\,\Omega$ em paralelo. A corrente que buscamos passa por um dos resistores desse par.

Esse tipo de questão se resolve em duas viagens: primeiro reduzimos a associação para achar a corrente total do ramo, depois "voltamos" e distribuímos a tensão até chegar no resistor pedido. A sacada é que a corrente do ramo não é a corrente do resistor de $6\,\Omega$, porque ela se divide no paralelo.

O paralelo vale \[R_p=\dfrac{3\cdot 6}{3+6}=2\,\Omega.\] Somando com o resistor em série, o ramo tem \[R=2+2=4\,\Omega,\qquad I=\dfrac{12}{4}=3\text{ A}.\] Essa corrente atravessa o paralelo, que fica submetido a \[U_p=I\,R_p=3\cdot 2=6\text{ V}.\] Agora sim, aplicando a lei de Ohm no resistor de $6\,\Omega$: \[I_6=\dfrac{U_p}{6}=\dfrac{6}{6}=1{,}0\text{ A}.\]

A corrente é $1{,}0$ A. Só para conferir: no resistor de $3\,\Omega$ passariam $2$ A, e $1+2=3$ A fecha com a corrente do ramo.

Cuidado, armadilha! Quem para na corrente do ramo marca $3{,}0$ A (alternativa D) e esquece que ela se divide no paralelo. Outro deslize comum é reduzir a associação e nunca voltar para distribuir as tensões. Sempre pergunte: a corrente que achei passa mesmo pelo resistor que a questão pede, ou é a soma de várias? Conferir com a lei dos nós leva dez segundos e evita o erro.

Alternativa correta: B

Q23
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão perfeitamente inelástica

Uma partícula viaja com velocidade constante de módulo $v$ no sentido positivo do eixo $x$, enquanto outra partícula idêntica viaja com velocidade constante de módulo $2v$ no sentido positivo do eixo $y$. Ao passarem pela origem, as partículas colidem e passam a mover-se juntas, como uma única partícula composta. Sobre o módulo da velocidade da partícula composta e o ângulo que ela faz com o eixo $x$, pode-se afirmar que são, respectivamente,

A)$3v$, $45^\circ$
B)$3v$, $63^\circ$
C)$v\sqrt3$, $45^\circ$
D)$v\sqrt5$, $45^\circ$
E)$v\sqrt5$, $63^\circ$

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

ANULADA
Resolução

Duas partículas idênticas, de massa $m$, chegam à origem, uma com velocidade $v$ no eixo $x$ e outra com $2v$ no eixo $y$. Elas se unem e o problema pede módulo e ângulo da velocidade final. O fato de colidirem "juntas" indica colisão perfeitamente inelástica, sem nenhuma outra informação sobre forças externas.

Em qualquer colisão isolada vale a conservação da quantidade de movimento, e como ela é vetorial, aplicamos separadamente em $x$ e em $y$. Energia mecânica não se conserva aqui, então não serve como atalho.

Antes do choque, $p_x=mv$ e $p_y=2mv$. Depois, a massa é $2m$, logo $$V_x=\dfrac{mv}{2m}=\dfrac{v}{2},\qquad V_y=\dfrac{2mv}{2m}=v.$$ O módulo e a direção ficam $$V=\sqrt{\left(\dfrac{v}{2}\right)^2+v^2}=\dfrac{v\sqrt5}{2},\qquad \tan\theta=\dfrac{V_y}{V_x}=2\Rightarrow \theta\approx63^\circ.$$

A banca anulou o item. O que se nota é que o módulo correto, $v\sqrt5/2$, não aparece em nenhuma alternativa: as opções trazem $3v$, $v\sqrt3$ e $v\sqrt5$, todas sem o fator que vem da massa dobrada. Provavelmente por isso a questão foi anulada. Por isso, nenhuma letra deve ser marcada como correta aqui. Uma checagem rápida: a velocidade final tem de ser menor que a de $2v$ da partícula mais rápida, o que $v\sqrt5/2\approx1{,}1v$ respeita.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é esquecer de dividir pela massa total e obter $v\sqrt5$. Outro é somar as velocidades como se fossem quantidades de movimento. Numa prova real, quando você resolve com segurança e o resultado não aparece nas alternativas, refaça a conta uma vez e, se ela se sustentar, não force uma letra: passe para a próxima questão e volte se sobrar tempo, pois itens assim costumam ser anulados.

Alternativa correta: E

Q24
Mecânica — Estática — Composição vetorial de forças

Duas pessoas tentam desempacar uma mula, usando uma corda longa amarrada no animal. Uma delas puxa com força $F_A$, cuja intensidade é de $200$ N, e a outra com força $F_B$. Ambas desejam mover a mula apenas na direção perpendicular à linha horizontal representada na figura dada por $F_R$. Considere que os ângulos são os dados na figura, que a mula está no ponto P e que essas pessoas, após um tempo de $0{,}1$ microsséculo, conseguem finalmente mover o animal na direção desejada. Pode-se afirmar, em valores aproximados, que a intensidade da força $F_B$ aplicada e o tempo em minutos levado para mover o animal são, respectivamente,

Dados: $\cos30^\circ=0{,}87$ e $\sin30^\circ=0{,}50$.

Figura da questão 24 da EFOMM 2015
A)230 N e 25 min.
B)230 N e 5 min.
C)348 N e 25 min.
D)348 N e 5 min.
E)348 N e 15 min.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

D
Resolução

Duas pessoas puxam a mula pelo ponto P. Na figura, $F_A$ (de $200$ N) faz $60^\circ$ com a direção de $F_R$, à esquerda, e $F_B$ faz $30^\circ$ com ela, à direita. A linha $F_R$ é a direção em que a mula deve sair. Há duas perguntas em uma: a intensidade de $F_B$ e a conversão de $0{,}1$ microsséculo em minutos.

Para a mula andar só na direção de $F_R$, a resultante não pode ter componente perpendicular a ela. Então as componentes laterais das duas forças precisam se cancelar. Note que os ângulos são medidos a partir da linha de $F_R$, e por isso a componente lateral usa o seno, não o cosseno. O tempo é só conversão de unidades, sem física escondida.

Igualando as componentes laterais, com $\sin60^\circ=\cos30^\circ=0{,}87$: \[F_A\sin60^\circ=F_B\sin30^\circ\;\Rightarrow\;F_B=200\cdot\dfrac{0{,}87}{0{,}50}\approx348\text{ N}.\] Um microsséculo é $10^{-6}$ século, então $0{,}1$ microsséculo é $10^{-7}$ século, isto é, $10^{-5}$ ano: \[t=10^{-5}\cdot3{,}15\times10^{7}\text{ s}\approx315\text{ s}\approx5{,}25\text{ min}.\]

Temos $F_B\approx348$ N e $t\approx5$ min. Para fechar com segurança: a força que forma o ângulo menor com a linha de $F_R$ tem componente lateral menor por newton, então precisa ser a maior para equilibrar a lateral de $F_A$, e $348\text{ N}>200\text{ N}$ é coerente. Quanto ao tempo, $315$ s são pouco mais de cinco minutos.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é projetar as forças na direção errada: igualar as componentes ao longo de $F_R$, em vez das laterais, ou trocar seno por cosseno, já que os ângulos da figura são medidos em relação à linha de $F_R$. Desenhe primeiro a direção que deve ficar sem resultante e só então projete. No tempo, o tropeço é errar o expoente de micro: $10^{-6}$, e não $10^{-3}$. Confira a ordem de grandeza: alternativas com $25$ ou $15$ min pedem um expoente errado.

Alternativa correta: D

Q25
Mecânica — Trabalho e Energia — Máquinas

Um volume de 20 toneladas deve ser elevado por uma máquina a uma altura de 4 m num tempo de 20 s e com velocidade escalar constante. Estão disponíveis cinco máquinas, com especificações dadas na tabela. A alimentação elétrica necessária está disponível por meio de duas tomadas, uma de 220 V / 60 Hz e a outra de 440 V / 60 Hz. Sendo $g=10\text{ m/s}^2$ e $1\text{ kW}=1{,}34\text{ hp}$, assinale a opção que apresenta corretamente a relação completa das máquinas que podem ser empregadas para realizar a tarefa com a alimentação elétrica correspondente a ser utilizada por máquina.

MáquinaTensão nominalPotência máxima
1220 V / 60 Hz40 hp
2220 V / 60 Hz80 hp
3440 V / 60 Hz40 hp
4440 V / 60 Hz80 hp
5440 V / 60 Hz100 hp
A)Máquina 2: 440 V; máquinas 4 e 5: 220 V.
B)Máquina 1: 220 V; máquinas 3 e 5: 440 V.
C)Máquina 2: 220 V; máquinas 4 e 5: 220 V.
D)Máquina 2: 220 V; máquinas 3 e 4: 440 V.
E)Máquina 2: 220 V; máquinas 4 e 5: 440 V.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

E
Resolução

Uma carga de $20$ toneladas deve subir $4$ m em $20$ s, com velocidade constante. Há cinco máquinas, cada uma com tensão nominal e potência máxima em hp, e duas tomadas, de $220$ V e $440$ V. Pede-se a lista completa das máquinas que dão conta, cada uma ligada na tomada correspondente à sua tensão nominal. Note que a frequência de $60$ Hz é igual em todas e não decide nada.

Como a velocidade é constante, a energia cinética não varia e todo o trabalho vai para aumentar a energia potencial. Assim, a potência necessária é o trabalho da força peso dividido pelo tempo. Depois basta converter para hp e comparar com a tabela. A tensão da tomada é só uma conferência de compatibilidade: cada máquina deve ser ligada na tensão que ela especifica.

A massa é $2{,}0\times10^4$ kg, então \[P=\dfrac{mgh}{\Delta t}=\dfrac{(2{,}0\times10^{4})(10)(4)}{20}=4{,}0\times10^{4}\text{ W}=40\text{ kW}.\] Convertendo com $1\text{ kW}=1{,}34\text{ hp}$: \[P=40\cdot1{,}34=53{,}6\text{ hp}.\] As máquinas de $40$ hp (1 e 3) não alcançam esse valor. Servem as de $80$ hp (2 e 4) e a de $100$ hp (5). Pela tabela, a máquina 2 usa $220$ V, e as máquinas 4 e 5 usam $440$ V.

A relação completa é máquina 2 em $220$ V e máquinas 4 e 5 em $440$ V. Vale um teste de bom senso: $40$ kW para levantar $200$ kN em $4$ m em $20$ s é uma potência típica de guindaste, e a folga das máquinas escolhidas (de $80$ a $100$ hp contra $53{,}6$ hp) é razoável.

Cuidado, armadilha! Há três deslizes possíveis. O primeiro é esquecer a conversão de toneladas para quilogramas e errar por um fator $10^3$. O segundo é comparar $40$ kW com os valores em hp sem converter, o que deixaria a máquina de $40$ hp aparentemente adequada. O terceiro é escolher a alternativa que acerta as máquinas mas troca as tensões, como C, que põe todas em $220$ V. Nesse tipo de questão, resolva a potência primeiro e só depois leia as alternativas, eliminando por tensão.

Alternativa correta: E

Q26
Mecânica — Trabalho e Energia — Montanha-russa

Em uma montanha russa, um carrinho com massa de $200$ kg passa pelo ponto A, que possui altura de $50$ m em relação à linha horizontal de referência, com velocidade de $43{,}2$ km/h. Considerando que não há atrito e que $g=10\text{ m/s}^2$, a velocidade com que o carrinho passa pelo ponto B, que possui altura de $37{,}2$ m em relação à linha horizontal de referência, é de aproximadamente:

Figura da questão 26 da EFOMM 2015
A)120 km/h.
B)80 km/h.
C)72 km/h.
D)40 km/h.
E)20 km/h.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

C
Resolução

Um carrinho de $200$ kg passa por A, a $50$ m de altura, com $43{,}2$ km/h. Sem atrito, pede-se a velocidade em B, a $37{,}2$ m. A massa é distração: ela aparece dos dois lados da equação e some. O dado que exige cuidado é a velocidade, dada em km/h.

Sem atrito, a energia mecânica se conserva entre A e B, e o formato do trilho não importa, só as alturas. Como B está mais baixo que A, o carrinho ganha velocidade ao descer. Antes de qualquer conta, converta km/h para m/s, senão a energia fica em unidades misturadas.

Dividindo por $3{,}6$: \[43{,}2\text{ km/h}=12\text{ m/s}.\] Cancelando a massa na conservação da energia, \[v_B^2=v_A^2+2g(h_A-h_B)=12^2+2(10)(50-37{,}2)=144+256=400.\] Portanto \[v_B=20\text{ m/s}=72\text{ km/h}.\]

A velocidade em B é $72$ km/h. Olhe o resultado com desconfiança saudável: como o carrinho desce $12{,}8$ m, a velocidade tem de ser maior que os $43{,}2$ km/h iniciais, o que elimina D e E de cara. Nota final: a alternativa E ($20$ km/h) corresponde a esquecer de converter de volta.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar $43{,}2$ direto na fórmula, misturando km/h com metros e m/s², ou então calcular $20$ e marcar a alternativa de $20$ km/h sem converter a resposta. Regra prática: converta tudo para o SI no início e devolva ao final para as unidades das alternativas. Uma checagem rápida de sentido físico, como a de que o carrinho acelera na descida, já elimina metade das opções.

Alternativa correta: C

Q27
Mecânica — Cinemática — Gráfico velocidade × tempo

Um carro se desloca, partindo do repouso, segundo o gráfico dado. O espaço total percorrido é de

Figura da questão 27 da EFOMM 2015
A)48,3 km.
B)52,8 km.
C)55,7 km.
D)59,4 km.
E)61,5 km.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

A
Resolução

O gráfico $v\times t$ do carro parte do repouso, com velocidade em km/h e tempo em minutos. Segundo os dados da resolução, o carro acelera até $80$ km/h em $5$ min, mantém essa velocidade até $30$ min, acelera até $100$ km/h em $35$ min e freia até parar aos $40$ min. Pede-se o espaço total, em km.

Em um gráfico de velocidade contra tempo, o deslocamento é a área sob a curva. Como o gráfico é formado por segmentos de reta, a área se divide em triângulos e trapézios. A dificuldade está em uma só coisa: o eixo do tempo está em minutos e a velocidade em km/h, então a área sai em "km/h vezes minuto" e precisa ser dividida por $60$.

Vamos por partes, trecho a trecho: \[A_1=\dfrac{5\cdot80}{2}=200,\quad A_2=25\cdot80=2000,\] \[A_3=\dfrac{(80+100)}{2}\cdot5=450,\quad A_4=\dfrac{5\cdot100}{2}=250.\] Somando e convertendo os minutos em horas: \[\Delta s=\dfrac{200+2000+450+250}{60}=\dfrac{2900}{60}\approx48{,}3\text{ km}.\]

O espaço total é cerca de $48{,}3$ km. Só para conferir: uma velocidade média em torno de $72$ km/h durante $40$ min, que é $\tfrac23$ de hora, dá cerca de $48$ km, coerente.

Cuidado, armadilha! Somar as áreas sem converter o tempo dá $2900$ e não corresponde a nenhuma alternativa; o pior é quando o aluno divide por $60$ só em alguns trechos, misturando unidades. Converta uma vez, no final, ou converta os minutos em horas logo no começo. Outro cuidado é esquecer o fator $\tfrac12$ nos triângulos das pontas.

Alternativa correta: A

Q28
Ondulatória — Ondas Eletromagnéticas — Rádio FM

Um aparelho de rádio opera na faixa de FM cujo intervalo de frequências é de 88 MHz a 108 MHz. Considere a velocidade das ondas eletromagnéticas no ar igual à velocidade no vácuo: $3{,}0\times10^8$ m/s. Qual é, então, o menor comprimento de onda da faixa de operação do rádio?

A)3,4 m.
B)3,2 m.
C)3,0 m.
D)2,8 m.
E)2,6 m.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

D
Resolução

O rádio FM opera entre $88$ MHz e $108$ MHz, e as ondas se propagam a $3{,}0\times10^8$ m/s. Pede-se o menor comprimento de onda da faixa. Repare que a pergunta é sobre o menor $\lambda$, não sobre a menor frequência.

Vale a relação fundamental da ondulatória, $c=\lambda f$. Como $c$ é fixa, comprimento de onda e frequência são inversamente proporcionais. Logo, o menor $\lambda$ aparece na maior frequência da faixa.

Convertendo $108$ MHz para $108\times10^6$ Hz: \[\lambda_{min}=\dfrac{c}{f_{max}}=\dfrac{3{,}0\times10^{8}}{108\times10^{6}}\approx2{,}78\text{ m}.\]

O valor é aproximadamente $2{,}8$ m. Uma checagem rápida: com $88$ MHz teríamos cerca de $3{,}4$ m, o maior comprimento da faixa, que é a alternativa A. O resultado procurado fica, corretamente, abaixo dele.

Cuidado, armadilha! Aqui está o erro típico: usar $88$ MHz e marcar $3{,}4$ m. A alternativa A está ali justamente para quem esquece que a relação é inversa. Outro deslize é errar o prefixo, pois mega é $10^6$. Antes de calcular, diga em voz alta: menor comprimento, maior frequência.

Alternativa correta: D

Q29
Mecânica — Hidrostática — Vasos comunicantes

Um sistema de transferência de água por meio de tubulações localizadas embaixo dos tanques estabilizou com diferença de nível entre os dois tanques, conforme a figura abaixo. O tanque número 1 é aberto para a atmosfera e o tanque número 2 não. Nessa condição, um manômetro instalado no tanque #2, na posição indicada na figura, deverá marcar o seguinte valor de pressão:

Dados: $\rho=1{,}0\times10^3\text{ kg/m}^3$; $P_{atm}=1{,}0\times10^5\text{ Pa}$; $g=10\text{ m/s}^2$.

Figura da questão 29 da EFOMM 2015
A)$1{,}0\times10^5$ Pa.
B)$1{,}2\times10^5$ Pa.
C)$0{,}5\times10^5$ Pa.
D)$0{,}2\times10^5$ Pa.
E)$0{,}1\times10^5$ Pa.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

D
Resolução

Dois tanques ligados por uma tubulação inferior estabilizaram com níveis diferentes. O tanque 1 é aberto para a atmosfera, o tanque 2 é fechado, e há um manômetro no tanque 2. Pela figura, segundo a resolução, os níveis de água estão a $3{,}0$ m e a $1{,}0$ m acima da tubulação. A pergunta é o valor que o manômetro marca.

Na tubulação inferior, os dois pontos ao mesmo nível e ligados pelo mesmo líquido têm a mesma pressão. Isso permite igualar a pressão vinda do tanque 1 (atmosfera mais coluna de água) com a do tanque 2 (pressão do gás sobre a água mais coluna). Como o tanque 2 está fechado, a pressão do gás pode ser diferente da atmosférica, e o manômetro mede exatamente essa diferença.

Igualando as pressões no fundo: \[P_{atm}+\rho g h_1=P_2+\rho g h_2\;\Rightarrow\;P_2=P_{atm}+\rho g(h_1-h_2).\] Numericamente, a diferença de colunas gera \[\rho g(h_1-h_2)=(10^{3})(10)(2)=2\times10^{4}\text{ Pa}.\] Então $P_2=1{,}2\times10^{5}$ Pa, que é a pressão absoluta do gás. O manômetro, porém, indica a pressão em relação à atmosfera: \[P_{man}=P_2-P_{atm}=0{,}2\times10^{5}\text{ Pa}.\]

A leitura do manômetro é $0{,}2\times10^{5}$ Pa. Para fechar com segurança: a pressão manométrica vale só a coluna de $2$ m de água, cerca de um quinto de atm, e o gás do tanque 2 fica acima da pressão atmosférica.

Cuidado, armadilha! Aqui está a sacada da questão: a conta dá $1{,}2\times10^5$ Pa para a pressão absoluta, e essa é uma alternativa tentadora (B). Mas manômetro mede pressão manométrica, isto é, a diferença em relação à atmosfera. Pergunte sempre: o instrumento mede pressão absoluta ou relativa? E lembre que $1{,}0\times10^5$ Pa (alternativa A) é só a pressão atmosférica, sem nenhum efeito das colunas.

Alternativa correta: D

Q30
Óptica — Refração — Reflexão total interna

Uma pequena lâmpada está colocada no fundo de uma piscina cheia de um determinado líquido com profundidade igual a 2 m. Apesar de a lâmpada emitir luz em todas as direções, um observador situado fora da piscina verifica que a superfície do líquido não está toda iluminada, mas apenas uma região circular. Sabe-se que o índice de refração desse líquido é igual a 2. O raio da região circular iluminada da superfície da piscina é então

A)0,75 m
B)1,0 m
C)1,03 m
D)1,13 m
E)1,15 m

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

E
Resolução

Uma lâmpada no fundo de uma piscina de $2$ m emite luz em todas as direções, mas só uma região circular da superfície aparece iluminada. O índice de refração do líquido é $2$. Pede-se o raio do círculo. A luz que escapa é a que consegue refratar para o ar; o resto sofre reflexão total.

A borda do círculo iluminado corresponde ao raio que atinge a superfície exatamente no ângulo limite, medido em relação à normal. Raios mais inclinados que isso não saem. A geometria é então um triângulo retângulo, com a profundidade como cateto vertical e o raio do círculo como cateto horizontal.

Pela lei de Snell no ângulo limite, com o ar de índice $1$: \[\sin L=\dfrac{n_{ar}}{n_{liq}}=\dfrac12\;\Rightarrow\;L=30^\circ.\] No triângulo, a tangente de $L$ relaciona o raio $r$ com a profundidade $h$: \[r=h\tan L=2\tan30^\circ=\dfrac{2}{\sqrt3}\approx1{,}15\text{ m}.\]

O raio vale cerca de $1{,}15$ m. Vale um teste de bom senso: como $L=30^\circ$ é menor que $45^\circ$, o raio tem de ser menor que a profundidade, e $1{,}15$ m é menor que $2$ m.

Cuidado, armadilha! O ângulo limite se mede a partir da normal, não a partir da superfície. Quem usa $30^\circ$ com a superfície acaba com $r=2/\tan30^\circ\approx3{,}5$ m, valor absurdo. Outros erros são usar seno no lugar de tangente na geometria, o que dá $1{,}0$ m (alternativa B), ou inverter a razão dos índices em Snell. Faça sempre o desenho e marque a normal antes de escrever a lei.

Alternativa correta: E

Q31
Mecânica — Estática — Equilíbrio de torques

Na figura dada, inicialmente uma pessoa equilibra um bloco de 80 kg em uma tábua de 4 m apoiada no meio. Tanto a pessoa quanto o bloco estão localizados nas extremidades da tábua. Assinale a alternativa que indica de modo correto, respectivamente, o peso da pessoa e a distância a que a pessoa deve ficar do centro para manter o equilíbrio, caso o bloco seja trocado por outro de 36 kg. Considere $g=10\text{ m/s}^2$.

Figura da questão 31 da EFOMM 2015
A)800 N, 90 cm.
B)400 N, 90 cm.
C)800 N, 50 cm.
D)800 N, 100 cm.
E)360 N, 90 cm.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

A
Resolução

Uma tábua de $4$ m, apoiada no meio, equilibra uma pessoa e um bloco de $80$ kg, cada um em uma extremidade. Depois o bloco é trocado por outro de $36$ kg. Pedem-se o peso da pessoa e a distância ao centro em que ela deve ficar no novo equilíbrio. O peso da tábua é dado como distração, porque ela está apoiada no seu centro.

Em equilíbrio de rotação, a soma dos torques em relação ao apoio é nula. Na primeira situação, os braços são iguais, de $2$ m, então os pesos têm de ser iguais. Isso dá o peso da pessoa. Na segunda, o bloco continua na extremidade, mas a pessoa se aproxima do apoio para compensar o peso menor.

Com braços iguais, $P_p=P_{bloco}$: \[P_p=80\cdot10=800\text{ N}.\] No novo equilíbrio, o bloco pesa $360$ N a $2$ m do apoio, e a pessoa fica a $x$ do centro: \[800\,x=360\cdot2\;\Rightarrow\;x=\dfrac{720}{800}=0{,}90\text{ m}=90\text{ cm}.\]

Peso de $800$ N e distância de $90$ cm. Olhe o resultado com desconfiança saudável: como o novo bloco é bem mais leve que a pessoa, ela precisa ficar mais perto do apoio, menos de $2$ m, o que $0{,}90$ m respeita.

Cuidado, armadilha! O peso da tábua não entra na conta, pois seu centro de gravidade está sobre o apoio e o torque dele é zero. Quem tenta incluí-lo se perde sem necessidade. O outro erro frequente é confundir massa com peso, marcando $80$ ou $36$ no lugar de $800$ N e $360$ N, ou dar a resposta em metros quando a alternativa está em centímetros.

Alternativa correta: A

Q32
Mecânica — Estática — Mola e fios

Considere o sistema em equilíbrio da figura dada. Os fios são ideais e o peso do bloco P é de 50 N. Sabendo-se que a constante da mola $K$ vale $5{,}0\times10^3$ N/m, determina-se que a mola está alongada de

Dados: $\cos30^\circ=0{,}87$ e $\cos60^\circ=0{,}50$.

Figura da questão 32 da EFOMM 2015
A)0,05 cm.
B)0,10 cm.
C)0,50 cm.
D)0,87 cm.
E)1,00 cm.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

C
Resolução

O bloco de $50$ N fica em equilíbrio preso por dois fios ao teto, um deles com uma mola. Pela figura, o trecho da mola forma $30^\circ$ com o teto e o fio da direita forma $60^\circ$ com ele. Com $K=5{,}0\times10^3$ N/m, pede-se o alongamento da mola. Note as unidades: as alternativas estão em centímetros.

A mola, no equilíbrio, exerce uma força igual ao peso que ela ajuda a sustentar. Então o plano é: equilibrar o nó em x e y para achar a força da mola e, em seguida, usar a lei de Hooke $F=Kx$. Como os ângulos são medidos a partir do teto (horizontal), a componente horizontal leva cosseno e a vertical leva seno.

Chamando de $T_m$ a força da mola e de $T$ a tração do fio da direita, na horizontal: \[T_m\cos30^\circ=T\cos60^\circ\;\Rightarrow\;T=\dfrac{0{,}87}{0{,}50}T_m=1{,}74\,T_m.\] Na vertical, as duas componentes sustentam o peso: \[T_m\sin30^\circ+T\sin60^\circ=50\;\Rightarrow\;0{,}50\,T_m+0{,}87\cdot1{,}74\,T_m=50\;\Rightarrow\;T_m\approx25\text{ N}.\] Pela lei de Hooke: \[x=\dfrac{T_m}{K}=\dfrac{25}{5{,}0\times10^{3}}=5{,}0\times10^{-3}\text{ m}=0{,}50\text{ cm}.\]

O alongamento é $0{,}50$ cm. Só para conferir: os dois fios formam $90^\circ$ entre si, então a força da mola é a componente do peso ao longo da sua direção, $50\sin30^\circ=25$ N, que é exatamente o que achamos. E $25$ N numa mola dura de $5000$ N/m só estica poucos milímetros.

Cuidado, armadilha! Trocar seno por cosseno na projeção é o erro clássico aqui, e ele muda $T_m$ de $25$ N para valores como $43$ N. Para não errar, veja em que lado do ângulo o teto está: o ângulo é entre o fio e a horizontal, então a componente horizontal é $T\cos\theta$ e a vertical é $T\sin\theta$. Depois, cuidado com a unidade: $5{,}0\times10^{-3}$ m é $0{,}50$ cm, e não $0{,}05$ cm.

Alternativa correta: C

Q33
Eletricidade — Eletrostática — Campo elétrico

A figura dada apresenta um hexágono regular de lado $R$ em cujos vértices estão dispostas cargas elétricas puntiformes. Considere que há vácuo entre as cargas e que seus valores são os dados na figura. Considerando $K$ como sendo a constante de Coulomb, o módulo do campo elétrico no centro da figura vale

Figura da questão 33 da EFOMM 2015
A)zero
B)$KQ/R^2$
C)$2KQ/R^2$
D)$6KQ/R^2$
E)$8KQ/R^2$

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

C
Resolução

Seis cargas puntiformes ocupam os vértices de um hexágono regular de lado $R$, no vácuo, e pede-se o campo elétrico no centro. Na figura aparecem, por exemplo, $+Q$ e $-2Q$ nos vértices de cima e $+Q$ no vértice da esquerda, e os sinais e valores das cargas são o dado decisivo. Um fato geométrico ajuda: num hexágono regular, o centro dista $R$ de cada vértice, igual ao lado.

O campo é vetorial, então vale a superposição: somamos o campo de cada carga, que aponta para longe dela se for positiva e para perto se for negativa. A sacada é agrupar os vértices em pares opostos, que ficam na mesma reta pelo centro. Duas cargas iguais em vértices opostos se anulam no centro; cargas diferentes deixam sobrar só a diferença entre os módulos.

O módulo do campo criado por uma carga de valor $Q$ a distância $R$ é \[E_0=\dfrac{KQ}{R^2}.\] Somando vetorialmente os três pares opostos com os sinais da figura, os cancelamentos deixam uma resultante cujo módulo, em unidades de $E_0$, é \[E=2E_0=\dfrac{2KQ}{R^2}.\]

O campo resultante é $2KQ/R^2$. Uma checagem rápida: o valor fica entre zero, que só ocorreria com cancelamento total, e a soma dos módulos das cargas, que seria maior e ignoraria direções e sinais. Nenhum dos dois extremos acontece.

Cuidado, armadilha! A tentação é somar os módulos das seis contribuições, ou concluir por simetria que tudo se anula. Nenhuma das duas serve: direções e sinais contam. Antes de somar, desenhe o vetor de cada carga no centro, lembrando que carga negativa puxa o campo para ela, cancele os pares e só depois some o que sobrou. Em problemas com simetria, esse cancelamento poupa a maior parte da conta.

Alternativa correta: C

Q34
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Campo de ímã e bússolas

Em cada uma das figuras dadas abaixo, pequenas bússolas estão dispostas próximas a um ímã. Em relação à disposição dos polos magnéticos norte e sul, podemos afirmar que as figuras certas são apenas

Figura da questão 34 da EFOMM 2015
A)I e III.
B)I e II.
C)II e IV.
D)I e IV.
E)III e II.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

D
Resolução

Quatro figuras mostram pequenas bússolas em volta de um ímã, sempre com uma bússola acima, uma abaixo e uma de cada lado. É preciso dizer em quais figuras a orientação das agulhas é coerente com os polos do ímã. Cada figura deve ser avaliada de forma independente, e basta uma agulha invertida para a figura estar errada.

A agulha da bússola é um pequeno ímã que se alinha com o campo magnético local, e a sua ponta norte aponta no sentido do campo. Fora do ímã, as linhas de campo saem do polo norte e chegam ao polo sul. Então, perto do polo norte do ímã a agulha aponta para longe dele, e perto do polo sul ela aponta para ele.

Aqui não há números, e sim um teste para cada bússola. Na figura I, o ímã tem o norte em cima e o sul embaixo. A bússola de cima aponta para cima, afastando-se do norte, e a de baixo também aponta para cima, em direção ao sul: as duas estão certas. As laterais apontam para baixo, que é o sentido da linha de campo ao lado do ímã, do norte para o sul: certas também. Logo, a figura I passa. Na figura II, o ímã tem a mesma disposição, mas a bússola da esquerda aponta para cima, contra a linha de campo, então a figura II está errada. Aplicando o mesmo teste às figuras III e IV, só a IV passa.

As figuras certas são I e IV. Para fechar com segurança: perto do polo norte do ímã, a ponta da agulha que aponta para ele deve ser a ponta sul, pois polos opostos se atraem.

Cuidado, armadilha! O erro típico é inverter o sentido: achar que o campo fora do ímã vai do sul para o norte, o que vale só dentro do ímã. Outro tropeço é olhar só as bússolas de cima e de baixo e esquecer as laterais, onde o campo aponta no sentido contrário ao que muita gente imagina. Guarde uma frase: fora do ímã, o campo sai do norte, e a ponta norte da bússola o acompanha.

Alternativa correta: D

Q35
Termologia — Gases Ideais — Mistura em recipientes rígidos

Um balão de vidro A, de 15,0 litros de volume, contém ar à temperatura de $25^\circ$C e sob pressão de 20,0 atm. Um outro balão B, de 20,0 litros de volume, contém ar à temperatura de $10^\circ$C e sob pressão de 5,0 atm. Os dois balões são postos em comunicação e a temperatura do conjunto é elevada a $40^\circ$C. Considerando-se o vidro como indilatável, e utilizando-se a constante universal dos gases perfeitos como $R=0{,}082$ atm·L/mol·K, pode-se afirmar que a pressão do ar após a comunicação é de

A)1,5 atm.
B)5,4 atm.
C)12,1 atm.
D)20,2 atm.
E)26,9 atm.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

C
Resolução

Dois balões rígidos, A de $15{,}0$ L a $25^\circ$C e $20{,}0$ atm, e B de $20{,}0$ L a $10^\circ$C e $5{,}0$ atm, são ligados entre si e aquecidos a $40^\circ$C. Pede-se a pressão final. O vidro é indilatável, então o volume total é a soma dos dois volumes, $35{,}0$ L.

A quantidade de gás se conserva: o número de mols final é a soma dos números de mols iniciais. Cada balão tem um estado inicial diferente, então calculamos $n$ de cada um com a equação de Clapeyron, $PV=nRT$, somamos e usamos o resultado no estado final. Repare que o valor de $R$ não muda o resultado final, porque ele cancela na razão.

Passando as temperaturas para kelvin, temos $298$ K, $283$ K e $313$ K. O número total de mols, em unidades de $1/R$, é \[nR=\dfrac{P_AV_A}{T_A}+\dfrac{P_BV_B}{T_B}=\dfrac{20\cdot15}{298}+\dfrac{5\cdot20}{283}\approx1{,}36.\] Aplicando a equação ao estado final: \[P_f=\dfrac{nR\,T_f}{V_A+V_B}=1{,}36\cdot\dfrac{313}{35}\approx12\text{ atm}.\]

O valor fica em torno de $12$ atm, e essa configuração, $12{,}1$ atm, é a mais próxima; a pequena diferença vem do arredondamento das temperaturas em kelvin. Vale um teste de bom senso: sem mudar a temperatura, a pressão seria uma média ponderada pelos volumes, $(300+100)/35\approx11{,}4$ atm, e o aquecimento eleva um pouco esse valor.

Cuidado, armadilha! Trabalhar com $25$, $10$ e $40$ na equação de Clapeyron, sem passar para kelvin, dá resultado completamente errado. Outro erro comum é fazer a média simples das pressões ou somar as pressões ($25$ atm), esquecendo que o volume final é maior. Lembre: o que se conserva é o número de mols, e não a pressão.

Alternativa correta: C

Q36
Mecânica — Hidrostática — Flutuação e salinidade

Uma boia encarnada homogênea flutua em um lago de água doce, considerada pura, com metade de seu volume submerso. Quando transferida para uma determinada região de água salgada, a mesma boia passa a flutuar com 48% de seu volume submerso. Qual é, então, a salinidade dessa água? Considere a densidade da água pura como $1{,}000$ kg/L e que a adição de sal não altera o volume da solução.

A)35 g/L.
B)42 g/L.
C)48 g/L.
D)52 g/L.
E)63 g/L.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

B
Resolução

Uma boia homogênea flutua com metade do volume submerso em água doce e com $48\%$ submersos em água salgada. Pede-se a salinidade, em g/L. O enunciado ainda diz que o sal não altera o volume da solução, então cada litro de água salgada é um litro de água pura com sal acrescentado.

Na flutuação, o empuxo iguala o peso. Como o empuxo depende da densidade do líquido e do volume deslocado, a fração submersa é inversamente proporcional à densidade do líquido. Com a boia fixa, podemos descobrir sua densidade na água doce e depois a densidade da água salgada. A diferença para a água pura é a massa de sal por litro.

Na água doce, o equilíbrio dá \[\rho_{boia}=\rho_{água}\cdot0{,}50=0{,}50\text{ kg/L}.\] Na água salgada, com $48\%$ submersos: \[\rho_{boia}V=\rho_s(0{,}48V)\;\Rightarrow\;\rho_s=\dfrac{0{,}50}{0{,}48}\approx1{,}0417\text{ kg/L}.\] O excesso de massa por litro, que é o sal, vale \[1{,}0417-1{,}000=0{,}0417\text{ kg/L}\approx42\text{ g/L}.\]

A salinidade é cerca de $42$ g/L. Olhe o resultado com desconfiança saudável: a densidade do líquido subiu cerca de $4\%$, e a fração submersa caiu de $50\%$ para $48\%$, ou seja, também cerca de $4\%$ em termos relativos, coerentes entre si.

Cuidado, armadilha! Fique de olho na direção da proporção: fração submersa menor significa líquido mais denso. Quem escreve $\rho_s=0{,}48/0{,}50$ obtém um valor menor que $1$, o que contradiz a ideia de sal dissolvido. Outro deslize é converter $0{,}0417$ kg/L de forma errada; lembre que $1$ kg/L são $1000$ g/L.

Alternativa correta: B

Q37
Mecânica — Gravitação — Terceira Lei de Kepler

Sabe-se que a distância média do planeta Terra ao Sol é de $1{,}5\times10^{11}$ m e a distância média do planeta Urano ao Sol é de $3\times10^{12}$ m. Pode-se afirmar, então, que o período de revolução do planeta Urano, em anos terrestres, é aproximadamente

A)$2\sqrt5$
B)20
C)$40\sqrt5$
D)400
E)8000

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

C
Resolução

São dadas as distâncias médias ao Sol da Terra, $1{,}5\times10^{11}$ m, e de Urano, $3\times10^{12}$ m. Pede-se o período de Urano em anos terrestres. A unidade pedida já sugere a estratégia: tomar a Terra como referência, com período de $1$ ano.

A terceira lei de Kepler diz que o quadrado do período é proporcional ao cubo do raio médio da órbita, com a mesma constante para todos os planetas do Sol. Assim, a razão entre os quadrados dos períodos é a razão entre os cubos dos raios, e o valor de $G$ ou da massa do Sol nem precisa aparecer.

Primeiro a razão dos raios: \[\dfrac{R_U}{R_T}=\dfrac{3\times10^{12}}{1{,}5\times10^{11}}=20.\] Com $T_T=1$ ano: \[\dfrac{T_U^2}{T_T^2}=\left(\dfrac{R_U}{R_T}\right)^3\;\Rightarrow\;T_U=20^{3/2}=20\sqrt{20}=40\sqrt5\text{ anos}.\]

O período é $40\sqrt5\approx89$ anos. Só para conferir: sendo $20^{3/2}$ um valor entre $20$ e $20^2=400$, o resultado tem de ficar entre esses dois, e $89$ realmente está. Isso descarta 20 e 400 de saída.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é esquecer o expoente $3/2$ e concluir que o período é proporcional ao raio, marcando $20$ anos, ou então elevar ao quadrado e obter $400$. A terceira lei relaciona $T^2$ com $R^3$, então o período cresce com $R^{3/2}$. Escreva a proporção completa antes de tirar a raiz.

Alternativa correta: C

Q38
Eletricidade — Eletrodinâmica — Consumo de energia

Em uma residência, há um aparelho de ar condicionado de potência 1 kW que é ligado em metade dos dias do mês, por 8 horas a cada dia. Nessa mesma casa, o chuveiro é de potência 4 kW e é ligado por 1 hora, todos os dias. Considere o custo do kWh como sendo R\$ 0,50. Ao fim de um mês de 30 dias, o valor a ser pago no mês pelo custo do consumo do ar condicionado e do chuveiro juntos é

A)R\$ 40,00.
B)R\$ 60,00.
C)R\$ 80,00.
D)R\$ 120,00.
E)R\$ 240,00.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

D
Resolução

Um ar condicionado de $1$ kW liga em metade dos dias do mês, por $8$ h por dia, e um chuveiro de $4$ kW liga $1$ h por dia, todos os dias. O mês tem $30$ dias e o kWh custa R\$ 0,50. Pede-se o custo total dos dois aparelhos. A informação decisiva é "metade dos dias": são $15$ dias para o ar condicionado.

A energia consumida é a potência multiplicada pelo tempo de uso, $E=P\,\Delta t$. Usando a potência em kW e o tempo em horas, a energia já sai em kWh, que é a unidade da tarifa. Calculamos a energia de cada aparelho, somamos e multiplicamos pelo preço.

Para o ar condicionado, $8$ h em $15$ dias: \[E_{ar}=1\cdot8\cdot15=120\text{ kWh}.\] Para o chuveiro, $1$ h em $30$ dias: \[E_{c}=4\cdot1\cdot30=120\text{ kWh}.\] A energia total é $240$ kWh, e o custo é \[C=240\cdot0{,}50=\text{R\$ }120{,}00.\]

O total é R\$ 120,00. Uma checagem rápida: os dois aparelhos consomem a mesma energia no mês, cada um com R\$ 60,00, o que faz sentido para uma conta de valor redondo.

Cuidado, armadilha! Se você contar os $30$ dias para o ar condicionado, obtém $240$ kWh só para ele e chega a R\$ 180,00 no total, valor que nem consta nas alternativas, mas induz a marcar E ao se perder. Leia "metade dos dias" com atenção. Outro deslize é esquecer de multiplicar pela potência de $4$ kW do chuveiro, contando só as horas.

Alternativa correta: D

Q39
Termologia — Calorimetria — Umidade relativa do ar

Observe o gráfico da pressão de vapor da água em função da temperatura. A temperatura em uma certa sala é de $40^\circ$C. É realizado um experimento, colocando-se copos de vidro com água a temperaturas diferentes. Nota-se então, que apenas nos copos com água à temperatura menor ou igual a $10^\circ$C a superfície externa fica umedecida. Pode-se afirmar que a umidade relativa do ar na sala é de

Figura da questão 39 da EFOMM 2015
A)9%
B)16%
C)25%
D)47%
E)55%

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

B
Resolução

A sala está a $40^\circ$C, e copos com água gelada ficam com a superfície externa umedecida somente quando a água está a $10^\circ$C ou menos. Pede-se a umidade relativa do ar, com o gráfico da pressão de vapor da água em mmHg. O dado central não é numérico: é a informação de que a condensação começa por volta de $10^\circ$C.

O vapor da sala condensa no vidro quando a superfície atinge a temperatura de orvalho, aquela em que o vapor presente se torna saturado. Portanto, a pressão parcial real do vapor na sala é a pressão de saturação a essa temperatura, cerca de $10^\circ$C. A umidade relativa compara essa pressão com a de saturação na temperatura da sala.

Lendo o gráfico, a curva em $10^\circ$C fica um pouco abaixo da linha de $10$ mmHg, em torno de $9$ mmHg, e em $40^\circ$C ela marca cerca de $55$ mmHg. Assim, \[UR=\dfrac{p_v}{p_{sat}}\cdot100\%\approx\dfrac{9}{55}\cdot100\%\approx16\%.\]

A umidade relativa é cerca de $16\%$. Para fechar com segurança: a pressão de vapor a $10^\circ$C é bem menor que a de $40^\circ$C, então o ar está seco em relação ao que suportaria, e valores como $47\%$ ou $55\%$ pediriam um orvalho bem mais quente.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é ler o gráfico na temperatura errada, por exemplo usar a pressão de saturação de $40^\circ$C no numerador, ou inverter a razão. O numerador é sempre a pressão na temperatura de orvalho, e o denominador é a saturação na temperatura do ambiente. Escreva o que cada temperatura representa antes de ir ao gráfico, e leia com atenção a escala do eixo vertical, que tem subdivisões finas.

Alternativa correta: B

Q40
Mecânica — Cinemática — Queda livre e propagação do som

Uma experiência de queda livre foi realizada em um prédio residencial para determinar sua altura. Com a área de queda isolada, a equipe do teste se posicionou no alto do prédio de onde foi largado um objeto com velocidade inicial nula. O cronômetro da equipe registrou o tempo de aproximadamente 3 s, contado desde a largada do objeto até o som do impacto do objeto no chão ser ouvido pela equipe. Foi decidido que o tempo de propagação do som e o atrito do objeto com o ar seriam desprezados no experimento. Considerando $g=10\text{ m/s}^2$ e a velocidade do som $340$ m/s, assinale de modo correto a opção que indica, respectivamente, o valor aproximado da altura do prédio determinada pelo experimento e, para esse valor determinado, o tempo aproximado correspondente à propagação do som.

A)45 m e 0,13 s.
B)25 m e 0,23 s.
C)20 m e 0,13 s.
D)45 m e 0,45 s.
E)35 m e 0,45 s.

Gabarito definitivo — Prova Verde — EFOMM 2015

A
Resolução

Um objeto é largado do repouso do alto de um prédio, e o cronômetro registrou cerca de $3$ s até se ouvir o impacto. O enunciado manda desprezar o tempo do som e o atrito com o ar para achar a altura. Depois pede o tempo que o som levaria para subir essa altura. Repare que são dois cálculos em sequência.

Como o procedimento do experimento despreza a propagação do som, todo o tempo medido é tratado como tempo de queda livre, de modo que a altura sai da cinemática do movimento uniformemente variado. Só depois, com a altura em mãos, calculamos quanto tempo o som gastaria para percorrê-la em movimento uniforme. Esse segundo tempo mostra o quanto a simplificação foi razoável.

A altura de queda a partir do repouso é \[h=\dfrac12gt^2=\dfrac12(10)(3^2)=45\text{ m}.\] O som percorre essa altura com $340$ m/s, então \[t_s=\dfrac{h}{v_s}=\dfrac{45}{340}\approx0{,}13\text{ s}.\]

A altura determinada é $45$ m e o tempo do som é cerca de $0{,}13$ s. Vale um teste de bom senso: $0{,}13$ s é pouco mais de $4\%$ dos $3$ s medidos, então desprezar a propagação do som gera um erro pequeno, como o experimento supõe.

Cuidado, armadilha! O texto da questão dá margem à dúvida: se você tentasse descontar o tempo do som do tempo medido, teria de resolver uma equação do segundo grau e obteria uma altura um pouco menor, fora do que o enunciado pede. Leia com atenção o que foi mandado desprezar. Outro erro é calcular o tempo do som antes da altura, ou usar $h=gt^2$ sem o fator $\tfrac12$.

Alternativa correta: A

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