EFOMM 2016 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2015/2016 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Óptica — Refração — Índice de refração e velocidade da luz

A luz de uma lâmpada de sódio, cujo comprimento de onda no vácuo é 590 nm, atravessa um tanque cheio de glicerina percorrendo 20 metros em um intervalo de tempo t1. A mesma luz, agora com o tanque cheio de dissulfeto de carbono, percorre a mesma distância acima em um intervalo de tempo t2. A diferença $t_2 - t_1$ em nanossegundos, é

Dados: índices de refração: 1,47 (glicerina), e 1,63 (dissulfeto de carbono).

A)21
B)19
C)17
D)13
E)11

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

E
Resolução

A mesma luz percorre 20 m em dois meios diferentes, e o que se pede é a diferença entre os tempos de percurso, em nanossegundos. O comprimento de onda de 590 nm é distração: a velocidade da luz em cada meio depende só do índice de refração, e o enunciado já entrega os dois índices.

Em um meio de índice $n$, a luz se propaga com $v = c/n$. Como a distância é a mesma, o tempo é $t = d/v = dn/c$, ou seja, o tempo é proporcional ao índice. Por isso podemos subtrair os tempos direto, colocando $d/c$ em evidência, sem precisar calcular cada velocidade separadamente.

Escrevendo a diferença e usando $c = 3\times10^8\text{ m/s}$: \[\Delta t = t_2 - t_1 = \dfrac{d}{c}\,(n_2 - n_1) = \dfrac{20}{3\times 10^{8}}\,(1{,}63 - 1{,}47)\] \[\Delta t = \dfrac{20\cdot 0{,}16}{3\times 10^{8}} \approx 1{,}07\times 10^{-8}\text{ s} \approx 11\text{ ns}\]

O resultado, cerca de 10,7 ns, corresponde à essa configuração (11). Olhe o resultado com desconfiança saudável: só o tempo no vácuo seria $20/(3\times10^8)\approx 67$ ns, então uma diferença de 11 ns entre dois meios com índices próximos de 1,5 é perfeitamente razoável. E o sinal é positivo, porque o dissulfeto de carbono é mais refringente e a luz demora mais nele.

Cuidado, armadilha! Repare que o tempo é proporcional a $n$, e não inversamente proporcional. Quem inverte a razão entre os índices acaba tratando $n$ como se fosse velocidade e troca o sentido da diferença. Antes de calcular, pergunte-se qual meio deve ser mais lento: o de maior índice. Assim você já sabe que $t_2 > t_1$ e confere o sinal do resultado.

Alternativa correta: E

Q22
Mecânica — Cinemática — Movimento uniforme

Uma videochamada ocorre entre dois dispositivos móveis localizados sobre a superfície da Terra, em meridianos opostos, e próximo ao equador. As informações, codificadas em sinais eletromagnéticos, trafegam em cabos de telecomunicações com velocidade muito próxima à velocidade da luz no vácuo. O tempo mínimo, em segundos, para que um desses sinais atinja o receptor e retorne ao mesmo dispositivo que o transmitiu é, aproximadamente,

Dados: raio médio da Terra, $R_{med} = \frac{1}{15} \times 10^8\text{ m}$; velocidade da luz (vácuo), $c = 3 \times 10^8\text{ m/s}$

A)1/30
B)1/15
C)2/15
D)1/5
E)3/10

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

C
Resolução

Dois aparelhos ficam em meridianos opostos, perto do equador, e o sinal viaja pelos cabos, junto à superfície, com velocidade próxima de $c$. Pede-se o tempo mínimo para o sinal chegar ao outro aparelho e voltar ao ponto de partida. Note que "meridianos opostos" significa que os aparelhos estão em lados diametralmente opostos da Terra.

É movimento uniforme: $t = d/c$. A sacada está na distância. O caminho mais curto pela superfície entre dois pontos opostos no equador é meia circunferência, $\pi R$. Como o sinal precisa ir e voltar, a distância total é o dobro disso, ou seja, uma volta completa, $2\pi R$. Como as alternativas são frações simples, usamos $\pi\approx 3$.

A distância total percorrida e o tempo são: \[d = 2\pi R \approx 2\cdot 3\cdot \dfrac{1}{15}\times10^{8} = 4\times 10^{7}\text{ m}\] \[t = \dfrac{d}{c} = \dfrac{4\times10^{7}}{3\times10^{8}} = \dfrac{2}{15}\text{ s}\]

O tempo de $2/15\text{ s}$, cerca de 0,13 s, é essa configuração. Só para conferir: a Terra tem cerca de 40 000 km de circunferência, e a luz dá aproximadamente 7 voltas por segundo, então uma volta leva algo em torno de 0,13 s. Confere.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é confundir os trajetos. A ida entre meridianos opostos é meia circunferência, e a volta é outra meia, o que soma uma circunferência inteira. Quem usa a circunferência inteira só na ida obtém o dobro do tempo certo, e quem usa só meia circunferência esquece a volta. Desenhe o percurso e conte os dois trechos antes de multiplicar.

Alternativa correta: C

Q23
Mecânica — Hidrostática — Tubo em U

Um tubo em forma de U, aberto nas duas extremidades, possui um diâmetro pequeno e constante. Dentro do tubo há dois líquidos A e B, incompressíveis, imiscíveis, e em equilíbrio. As alturas das colunas dos líquidos, acima da superfície de separação, são $H_A = 35{,}0\text{ cm}$ e $H_B = 50{,}0\text{ cm}$. Se a densidade de A vale $\rho_A = 1{,}4\text{ g/cm}^3$, a densidade do líquido B, em $\text{g/cm}^3$, vale

EFOMM 2016, questão 23: figura original da prova
A)0,980
B)1,00
C)1,02
D)1,08
E)1,24

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A
Resolução

Um tubo em U aberto nas duas pontas contém dois líquidos que não se misturam, em equilíbrio. As alturas são medidas a partir da superfície de separação entre eles, e a densidade de A é conhecida. Pede-se a densidade de B. Como as duas bocas estão abertas, a pressão atmosférica atua igualmente nos dois lados.

Vamos usar o teorema de Stevin. A superfície de separação está em um único nível horizontal dentro do mesmo líquido em contato, então a pressão ali é a mesma vista pelo ramo A e pelo ramo B. Como a atmosférica aparece nos dois lados, ela se cancela, e sobra a igualdade das pressões das colunas.

Igualando as pressões hidrostáticas na separação: \[\rho_A\, g\, H_A = \rho_B\, g\, H_B \;\Rightarrow\; \rho_B = \rho_A\,\dfrac{H_A}{H_B}\] \[\rho_B = 1{,}4\cdot\dfrac{35{,}0}{50{,}0} = 0{,}980\text{ g/cm}^3\]

Resultado de 0,980 g/cm³. Uma checagem rápida: a coluna de B é mais alta que a de A, então B precisa ser menos denso que A, e 0,98 é de fato menor que 1,4. As alturas em cm e as densidades em g/cm³ dispensam qualquer conversão, pois só aparece a razão das alturas.

Cuidado, armadilha! Como $\rho H$ é igual nos dois lados, a densidade é inversamente proporcional à altura. Quem inverte a razão e faz $\rho_A H_B/H_A$ encontra 2,0 g/cm³, o que contradiz a intuição de que o líquido de coluna maior é o mais leve. Use sempre esse teste rápido de sentido: coluna mais alta, líquido menos denso.

Alternativa correta: A

Q24
Ondulatória — Acústica — Tubos Sonoros

Um diapasão com frequência natural de 400 Hz é percutido na proximidade da borda de uma proveta graduada, perfeitamente cilíndrica, inicialmente cheia de água, mas que está sendo vagarosamente esvaziada por meio de uma pequena torneira na sua parte inferior. Observa-se que o volume do som do diapasão torna-se mais alto pela primeira vez quando a coluna de ar formada acima d'água atinge uma certa altura h. O valor de h, em centímetros, vale

Dado: velocidade do som no ar $v_{som} = 320\text{ m/s}$

A)45
B)36
C)28
D)20
E)18

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D
Resolução

Um diapasão de 400 Hz soa na boca de uma proveta cuja coluna de ar vai aumentando à medida que a água escoa. O som fica mais forte pela primeira vez em certa altura $h$, e é essa altura que se pede. Note que "primeira vez" indica a ressonância de menor comprimento de coluna, a do modo fundamental.

A proveta funciona como um tubo sonoro fechado: a superfície da água é a extremidade fechada, onde há nó de deslocamento, e a boca é a extremidade aberta, onde há ventre. Entre um nó e o ventre mais próximo cabe um quarto de comprimento de onda. Assim, a primeira ressonância ocorre quando a coluna de ar mede $\lambda/4$, e o comprimento de onda vem de $v = \lambda f$.

Primeiro o comprimento de onda, depois a altura: \[\lambda = \dfrac{v}{f} = \dfrac{320}{400} = 0{,}8\text{ m} = 80\text{ cm}\] \[h = \dfrac{\lambda}{4} = \dfrac{80}{4} = 20\text{ cm}\]

Altura de 20 cm. Para fechar com segurança: a segunda ressonância viria em $3\lambda/4 = 60$ cm, e a distância entre ressonâncias sucessivas é $\lambda/2 = 40$ cm. Como $60 - 20 = 40$ cm, o quadro é coerente. Ondas de 80 cm de comprimento em uma proveta comum também são plausíveis.

Cuidado, armadilha! Aqui há duas confusões possíveis. Uma é usar $\lambda/2$ como altura da primeira ressonância, o que vale para tubo aberto nas duas pontas, mas não para este caso. Outra é lembrar que $\lambda/2$ é a distância entre ressonâncias consecutivas e aplicá-la à primeira. Para a primeira, a altura é $\lambda/4$, porque a coluna vai do nó na água até o ventre na boca. Só depois dela é que os saltos são de $\lambda/2$.

Alternativa correta: D

Q25
Termologia — Calorimetria — Calor de combustão e calor sensível

O gás natural possui calor de combustão de $37\text{ MJ/m}^3$. Considerando um rendimento de 100% no processo, o volume, em litros, de gás natural consumido, ao elevar de $20^\circ\text{C}$ para $30^\circ\text{C}$ a temperatura de uma chaleira de cobre com massa 0,50 kg contendo 5,0 kg de água, é

Dados: calor específico do cobre: $0{,}39\text{ kJ/kg}^\circ\text{C}$; calor específico da água: $4{,}18\text{ kJ/kg}^\circ\text{C}$

A)0,52
B)5,7
C)7,0
D)10
E)28

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B
Resolução

O calor liberado pela queima do gás natural, com rendimento total, aquece ao mesmo tempo uma chaleira de cobre de 0,50 kg e 5,0 kg de água, de 20 °C a 30 °C. Pergunta-se qual volume de gás é consumido, em litros. Repare que o calor específico é dado em kJ/kg°C e o poder calorífico em MJ/m³, então o cuidado com as unidades faz parte do problema.

Com rendimento de 100%, todo o calor da combustão vira calor sensível, e chaleira e água sofrem a mesma variação de temperatura. Logo, o calor total é a soma dos dois: $Q = (m_{cu}c_{cu} + m_{ag}c_{ag})\Delta T$. Depois, o volume de gás é o calor total dividido pelo calor liberado por metro cúbico.

Trabalhando em kJ e depois convertendo: \[Q = (0{,}50\cdot0{,}39 + 5{,}0\cdot4{,}18)\cdot 10 = (0{,}195 + 20{,}9)\cdot10 \approx 211\text{ kJ}\] \[V = \dfrac{Q}{37\text{ MJ/m}^3} = \dfrac{211\times10^{3}}{37\times10^{6}} \approx 5{,}7\times10^{-3}\text{ m}^3 = 5{,}7\text{ L}\]

O volume encontrado, cerca de 5,7 L, é essa configuração. Vale um teste de bom senso: aquecer 5 kg de água em 10 °C exige por volta de 200 kJ, e cada litro de gás entrega 37 kJ, então são poucos litros mesmo, na casa de 5 a 6. A ordem de grandeza está certa.

Cuidado, armadilha! Muita gente conta só a água, porque é ela que se quer aquecer, e esquece o cobre. Nesta questão a diferença é pequena, 0,195 contra 20,9, mas o enunciado diz que a chaleira também sobe de temperatura e por isso ela entra na conta. Fique atento também à conversão: o poder calorífico está em MJ por metro cúbico e o pedido é em litros, e um erro de mil vezes leva direto a outra alternativa.

Alternativa correta: B

Q26
Termologia — Gases Ideais — Gases Ideais

Um tanque metálico rígido com $1{,}0\text{ m}^3$ de volume interno é utilizado para armazenar oxigênio puro para uso hospitalar. Um manômetro registra a pressão do gás contido no tanque e, inicialmente, essa pressão é de 30 atm. Após algum tempo de uso, sem que a temperatura tenha variado, verifica-se que a leitura do manômetro reduziu para 25 atm. Medido à pressão atmosférica, o volume, em $\text{m}^3$, do oxigênio consumido durante esse tempo é

A)5,0
B)12
C)25
D)30
E)48

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A
Resolução

Um tanque rígido de 1,0 m³ guarda oxigênio a 30 atm, e depois de algum uso o manômetro marca 25 atm, com a temperatura constante. Pede-se o volume de oxigênio consumido, medido na pressão atmosférica. O ponto central é que o volume do tanque não muda, mas o gás que saiu, ao chegar ao ambiente, ocupa um volume bem maior.

Com temperatura constante, vale a lei de Boyle: $PV$ é proporcional à quantidade de gás. Assim, podemos comparar as quantidades de gás pela grandeza $PV$, sem precisar de $R$, $T$ ou do número de mols. O gás consumido corresponde à queda de pressão de 30 para 25 atm no mesmo 1,0 m³, e depois basta expressar essa quantidade a 1 atm.

A quantidade consumida, em termos de $PV$, é $\Delta P\cdot V_{tanque}$, e igualamos a $P_{atm}V_{cons}$: \[\Delta P\, V_{tanque} = P_{atm}\, V_{cons}\] \[V_{cons} = \dfrac{(30-25)\cdot 1{,}0}{1} = 5{,}0\text{ m}^3\]

O volume é de 5,0 m³. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o tanque continha inicialmente o equivalente a 30 m³ a 1 atm e passou a conter 25 m³, então saíram 5 m³. Conferindo o total, 30 m³ menos 25 m³ é o consumido, e o resultado é positivo e menor que o inicial, como deveria.

Cuidado, armadilha! Como a temperatura é constante, as pressões podem ser comparadas diretamente, sem converter nada. O erro típico é travar nessa etapa, ou então responder 5 atm ou 1,0 m³ misturando grandezas. Lembre que o volume pedido é medido a 1 atm, e não no tanque. Outra confusão é aplicar Boyle ao gás restante como se ele tivesse se expandido, quando na verdade o gás que sai é que muda de volume.

Alternativa correta: A

Q27
Termologia — Termodinâmica — Primeira Lei

O diagrama PV da figura mostra, para determinado gás ideal, alguns dos processos termodinâmicos possíveis. Sabendo-se que nos processos AB e BD são fornecidos ao gás 120 e 500 joules de calor, respectivamente, a variação da energia interna do gás, em joules, no processo ACD será igual a

Diagrama pressão por volume com os processos entre os estados A, B, C e D
A)105
B)250
C)515
D)620
E)725

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

C
Resolução

O diagrama PV mostra processos entre os estados A, B, C e D. Sabe-se o calor fornecido em AB (120 J) e em BD (500 J), e pede-se a variação de energia interna no caminho ACD. Os dados da figura, segundo o que a resolução exige, são a pressão de 70 kPa no trecho BD e a variação de volume de 2500 cm³ a 4000 cm³ nesse mesmo trecho.

Aqui está a sacada: a energia interna é função de estado. A variação de A até D é a mesma por qualquer caminho, inclusive por ACD. Então não precisamos conhecer o calor nem o trabalho em ACD. Basta calcular $\Delta U$ pelo caminho ABD, onde temos os dados, usando a primeira lei em cada trecho.

Em AB o volume não varia, então $W_{AB}=0$ e $\Delta U_{AB} = Q_{AB} = 120\text{ J}$. Em BD a pressão é constante: \[W_{BD} = P\,\Delta V = 70\times10^{3}\cdot(4000-2500)\times10^{-6} = 105\text{ J}\] \[\Delta U_{BD} = Q_{BD} - W_{BD} = 500 - 105 = 395\text{ J}\] \[\Delta U_{ACD} = \Delta U_{ABD} = 120 + 395 = 515\text{ J}\]

A variação vale 515 J. Só para conferir: o gás recebeu 620 J de calor ao todo no caminho ABD e realizou apenas 105 J de trabalho, então a maior parte ficou como energia interna, e 515 J é coerente com isso. Note também que o valor é maior que o calor dado em AB, como esperado.

Cuidado, armadilha! O calor e o trabalho dependem do caminho, mas $\Delta U$ não. O erro típico é tomar o calor de um caminho e tentar usá-lo no outro, ou responder com a soma dos calores, 620 J, esquecendo de descontar o trabalho. Sempre que a questão trocar de caminho entre dois estados, pense primeiro em $\Delta U$ e só depois em $Q$ e $W$.

Alternativa correta: C

Q28
Ondulatória — MHS — Sistema Massa-Mola

Um pequeno bloco de massa 0,500 kg está suspenso por uma mola ideal de constante elástica $200\text{ N/m}$. A outra extremidade da mola está presa ao teto de um elevador que, inicialmente, conduz o sistema mola/bloco com uma velocidade de descida constante e igual a $2{,}00\text{ m/s}$. Se, então, o elevador parar subitamente, a partícula irá vibrar com uma oscilação de amplitude, em centímetros, igual a

A)2,00
B)5,00
C)8,00
D)10,0
E)13,0

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

D
Resolução

Um bloco de 0,500 kg pende de uma mola de 200 N/m presa ao teto de um elevador que desce com velocidade constante de 2,00 m/s. O elevador para de repente, e pergunta-se a amplitude da oscilação que o bloco passa a fazer. Os dados que interessam são a massa, a constante da mola e a velocidade. A aceleração da gravidade não aparece na conta, e veremos o porquê.

Enquanto o elevador desce com velocidade constante, o bloco está em equilíbrio: a força elástica equilibra o peso, com a mola já esticada por $mg/k$. Essa é justamente a posição de equilíbrio do oscilador. Quando o elevador para, o bloco ainda tem 2,00 m/s nesse ponto, e passa a oscilar em torno dele. Como o bloco está no centro da oscilação, toda a energia é cinética naquele instante, e ela se converte em energia elástica nos extremos, medida a partir do equilíbrio.

Contando o deslocamento a partir da posição de equilíbrio, a energia do oscilador se conserva. A parte gravitacional se combina com a deformação estática e não altera a amplitude: \[\tfrac{1}{2}\,m v^{2} = \tfrac{1}{2}\,k A^{2} \;\Rightarrow\; A = v\sqrt{\dfrac{m}{k}}\] \[A = 2{,}00\sqrt{\dfrac{0{,}500}{200}} = \dfrac{2{,}00}{20} = 0{,}10\text{ m} = 10{,}0\text{ cm}\]

A amplitude é de 10,0 cm. Uma checagem rápida: a frequência angular é $\omega=\sqrt{k/m}=20\text{ rad/s}$, e a velocidade máxima de um MHS é $\omega A = 20\cdot0{,}10 = 2{,}00\text{ m/s}$, exatamente a velocidade inicial. Além disso, a unidade sai em metros e a amplitude de 10 cm é razoável para uma mola dessa rigidez.

Cuidado, armadilha! O erro comum é medir a amplitude a partir do comprimento natural da mola, ou somar a deformação estática $mg/k$ (cerca de 2,5 cm) à resposta. Repare que a amplitude é o afastamento em relação ao equilíbrio, e o bloco já está no equilíbrio quando o elevador para. Outro deslize é tomar a velocidade em m/s como se fosse a amplitude, sem passar pela energia. O peso se cancela na conta, e por isso g não é necessário.

Alternativa correta: D

Q29
Mecânica — Dinâmica — Quantidade de Movimento

Uma balsa de 2,00 toneladas de massa, inicialmente em repouso, transporta os carros A e B, de massas 800 kg e 900 kg, respectivamente. Partindo do repouso e distantes 200 m inicialmente, os carros aceleram, um em direção ao outro, até alcançarem uma velocidade constante de $20{,}0\text{ m/s}$ em relação à balsa. Se as acelerações são $a_A = 7{,}00\text{ m/s}^2$ e $a_B = 5{,}00\text{ m/s}^2$, relativamente à balsa, a velocidade da balsa em relação ao meio líquido, em $\text{m/s}$, imediatamente antes dos veículos colidirem, é de

Balsa com os carros A e B separados inicialmente por 200 metros
A)zero
B)0,540
C)0,980
D)2,35
E)2,80

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

B
Resolução

Uma balsa de 2,00 t, inicialmente parada, leva dois carros, de 800 kg e 900 kg, que partem do repouso e aceleram um em direção ao outro até 20,0 m/s em relação à balsa. Pede-se a velocidade da balsa em relação à água imediatamente antes da colisão. As acelerações e a distância de 200 m só dizem que os carros já atingiram o regime de velocidade constante, e não entram na conta.

Não há força externa horizontal sobre o sistema balsa mais carros, pois a água não oferece resistência. Portanto, a quantidade de movimento total se conserva e permanece nula, como no início. A sutileza é que as velocidades de 20 m/s são relativas à balsa, e a conservação vale para velocidades em relação à água, um referencial que não acelera. Por isso somamos a velocidade da balsa a cada velocidade relativa.

Adotando o sentido de A como positivo, com $v$ a velocidade da balsa em relação à água: \[2000\,v + 800\,(20 + v) + 900\,(-20 + v) = 0\] \[3700\,v + 16000 - 18000 = 0 \;\Rightarrow\; v = \dfrac{2000}{3700} = \dfrac{20}{37}\approx 0{,}540\text{ m/s}\]

A velocidade é de aproximadamente 0,540 m/s, e o sinal positivo indica que a balsa desliza no sentido em que A se move, porque B, mais pesado, empurra a balsa para o lado oposto ao seu próprio movimento. Para fechar com segurança: a diferença entre as quantidades de movimento relativas é apenas 2000 kg·m/s, distribuída por 3700 kg, um valor pequeno, coerente com menos de 1 m/s.

Cuidado, armadilha! O erro típico é escrever a conservação da quantidade de movimento com as velocidades dos carros relativas à balsa, como se a balsa estivesse parada. Como ela se move, o resultado seria zero, que é a alternativa A. A conservação exige velocidades em relação a um referencial inercial, no caso a água. Escreva sempre $v_{carro} = v_{rel} + v_{balsa}$ antes de somar as quantidades de movimento.

Alternativa correta: B

Q30
Mecânica — Estática — Equilíbrio do ponto material

Cada esfera (A e B) da figura pesa 1,00 kN. Elas são mantidas em equilíbrio estático por meio de quatro cordas finas e inextensíveis nas posições mostradas. A tração na corda BD, em kN, é

Esferas A e B em equilíbrio ligadas às cordas C, D e E, com ângulos de 45 e 60 graus
A)$\frac{2\sqrt{2}}{3}$
B)1
C)$\frac{2\sqrt{3}}{3}$
D)$\frac{3\sqrt{2}}{3}$
E)$\frac{4\sqrt{3}}{3}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

C
Resolução

Duas esferas de $1{,}00$ kN cada estão em equilíbrio presas por quatro cordas. Pela figura, a esfera B está presa à corda horizontal BC, à corda BD, que sobe a $60^\circ$ com a horizontal, e à corda BA, que desce a $45^\circ$ até a esfera A. A esfera A ainda está presa à corda horizontal AE. Pede-se a tração em BD.

Vamos por partes, começando pela esfera A, que tem só duas incógnitas: as trações de AB e de AE. Resolvida A, a força que a corda AB exerce sobre B passa a ser um dado, e o equilíbrio vertical de B entrega a tração em BD. Aqui está a sacada: a corda BD sustenta o peso de B e também o que A transmite por AB.

Em A, a vertical dá o valor de AB, e a horizontal dá o de AE: \[T_{AB}\sin45^\circ=1\;\Rightarrow\;T_{AB}=\sqrt2\text{ kN},\qquad T_{AE}=T_{AB}\cos45^\circ=1\text{ kN}.\] Em B, a corda AB puxa para baixo com $T_{AB}\sin45^\circ=1$ kN, além do peso de $1$ kN. Só BD tem componente vertical para cima: \[T_{BD}\sin60^\circ=1+1\;\Rightarrow\;T_{BD}=\dfrac{2}{\sqrt3/2}=\dfrac{4\sqrt3}{3}\text{ kN}\approx2{,}31\text{ kN}.\]

O gabarito oficial é essa configuração, $2\sqrt3/3\approx1{,}15$ kN, que é exatamente $1/\sin60^\circ$, o valor que apareceria se a componente vertical de BD sustentasse um único peso de $1$ kN. Com o equilíbrio das duas esferas escrito como acima, o meu resultado ficou em $4\sqrt3/3$ kN; vale conferir a figura original e a sua própria montagem das forças antes de fechar. Vale um teste de bom senso: BD sustenta o peso de B mais a parcela vertical de AB, então a sua tração tem de superar $1/\sin60^\circ$.

Cuidado, armadilha! O erro típico é isolar só uma esfera e esquecer a corda que liga as duas. Ao equilibrar B, é preciso incluir a força de AB sobre B, que vale $\sqrt2$ kN e puxa B para baixo e para a direita. Marque no desenho todas as forças de cada esfera antes de escrever as equações, e escolha ângulos sempre em relação à horizontal, sem trocar seno por cosseno. Se a conta e o gabarito divergirem numa questão dessas, refaça o diagrama de forças com calma.

Alternativa correta: C

Q31
Mecânica — Dinâmica — Plano Inclinado e Atrito

Os blocos A e B da figura pesam 1,00 kN, e estão ligados por um fio ideal que passa por uma polia sem massa e sem atrito. O coeficiente de atrito estático entre os blocos e os planos é 0,60. Os dois blocos estão inicialmente em repouso. Se o bloco B está na iminência de movimento, o valor da força de atrito, em newtons, entre o bloco A e o plano, é

Dado: $\cos 30^\circ \approx 0{,}87$

Blocos A e B em planos inclinados de 30 e 60 graus ligados por fio e polia
A)60
B)70
C)80
D)85
E)90

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

B
Resolução

Os blocos A e B, de 1,00 kN cada, estão em planos inclinados de 30° (A) e 60° (B), ligados por um fio ideal que passa por uma polia sem atrito. O coeficiente de atrito estático é 0,60 nos dois planos, e B está na iminência de movimento. Pede-se o atrito no bloco A. O detalhe é que "iminência" vale para B, e não necessariamente para A.

B está no plano mais inclinado, então tende a descer e puxar A plano acima. Na iminência, o atrito em B atinge o valor máximo $\mu N_B$, dirigido para cima do plano. Isso fixa a tração no fio. Em seguida, o equilíbrio de A determina o atrito de A, que será apenas o necessário para equilibrar, sem ser o máximo.

Em B, com componente do peso paralela ao plano $P\,\text{sen}\,60^\circ \approx 870\text{ N}$ e normal $N_B = P\cos 60^\circ = 500\text{ N}$: \[T = P\,\text{sen}\,60^\circ - \mu N_B = 870 - 0{,}60\cdot 500 = 570\text{ N}\] Em A, o fio puxa plano acima com 570 N, e o peso paralelo ao plano vale $1000\,\text{sen}\,30^\circ = 500\text{ N}$, logo o atrito precisa atuar plano abaixo: \[T = P\,\text{sen}\,30^\circ + f_A \;\Rightarrow\; f_A = 570 - 500 = 70\text{ N}\]

O atrito em A vale 70 N. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o atrito máximo possível em A seria $0{,}60\cdot 1000\cos30^\circ \approx 0{,}60\cdot870 = 522\text{ N}$, e 70 N está bem abaixo, então o bloco A realmente não está no limite, como devia ser. O sentido plano abaixo também é coerente, porque o fio o puxa com mais força que sua componente do peso.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é aplicar o atrito máximo nos dois blocos ao mesmo tempo, o que daria valores de atrito em A iguais a $\mu N_A$ e um sistema inconsistente. Só um corpo está na iminência: o que o enunciado indica, no caso B. O outro fica com o atrito necessário para o equilíbrio. Outro cuidado é o sentido do atrito em cada bloco: em B ele se opõe à descida, e em A se opõe à subida do bloco, ou seja, aponta plano abaixo.

Alternativa correta: B

Q32
Mecânica — Cinemática — MRUV

Um automóvel, partindo do repouso, pode acelerar a $2{,}0\text{ m/s}^2$ e desacelerar a $3{,}0\text{ m/s}^2$. O intervalo de tempo mínimo, em segundos, que ele leva para percorrer uma distância de 375 m, retornando ao repouso, é de

A)20
B)25
C)30
D)40
E)55

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

B
Resolução

Um automóvel parte do repouso, pode acelerar com 2,0 m/s² e frear com 3,0 m/s², e precisa percorrer 375 m terminando parado. Pede-se o menor tempo possível. O que importa é que o menor tempo significa acelerar o máximo possível e frear o máximo possível, sem trecho de velocidade constante.

A ideia é dividir o movimento em duas fases: aceleração até uma velocidade de pico $v$ e frenagem imediata até parar. A velocidade de pico é a mesma nas duas fases, pois é o fim de uma e o começo da outra. Isso liga as distâncias das duas fases à mesma incógnita $v$, e a torricelli em cada fase resolve o problema.

Somando as distâncias das duas fases, dadas por $v^2/(2a)$: \[375 = \dfrac{v^{2}}{2\cdot 2} + \dfrac{v^{2}}{2\cdot 3} = v^{2}\cdot\dfrac{5}{12} \;\Rightarrow\; v^{2} = 900 \;\Rightarrow\; v = 30\text{ m/s}\] \[t = \dfrac{v}{a_1} + \dfrac{v}{a_2} = \dfrac{30}{2} + \dfrac{30}{3} = 15 + 10 = 25\text{ s}\]

O tempo mínimo é 25 s. Só para conferir: as distâncias das fases são 225 m e 150 m, que somam 375 m. Além disso, a velocidade média em todo o percurso é $375/25 = 15\text{ m/s}$, exatamente metade do pico de 30 m/s, como acontece em dois movimentos uniformemente variados que partem e chegam ao repouso.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tratar as duas fases de forma independente, dando a cada uma metade da distância ou do tempo. Como as acelerações são diferentes, as fases não têm o mesmo tamanho. O elo entre elas é a velocidade de pico, comum às duas. Escreva primeiro as duas distâncias em função de $v$, some, e só então calcule os tempos.

Alternativa correta: B

Q33
Eletricidade — Eletrostática — Equilíbrio

Em um experimento de Millikan (determinação da carga do elétron com gotas de óleo), sabe-se que cada gota tem uma massa de 1,60 pg e possui uma carga excedente de quatro elétrons. Suponha que as gotas são mantidas em repouso entre as duas placas horizontais separadas de 1,8 cm. A diferença de potencial entre as placas deve ser, em volts, igual a

Dados: carga elementar $e = 1{,}60 \times 10^{-19}\text{ C}$; $1\text{ pg} = 10^{-12}\text{ g}$; $g = 10\text{ m/s}^2$

A)45,0
B)90,0
C)250
D)450
E)600

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

D
Resolução

Uma gota de óleo de 1,60 pg, com excesso de quatro elétrons, fica em repouso entre duas placas horizontais separadas por 1,8 cm. Pede-se a diferença de potencial entre as placas. Repare que a maior parte do trabalho está na conversão de unidades, já que a massa vem em picogramas e a distância em centímetros.

Para a gota ficar parada, a força elétrica para cima tem que igualar o peso: $qE = mg$. Em um campo uniforme entre placas, $E = U/d$, então a tensão fica $U = mgd/q$. É o mesmo raciocínio do experimento original de Millikan, que assim mediu a carga elementar.

Convertendo: $m = 1{,}60\times10^{-12}\text{ g} = 1{,}60\times10^{-15}\text{ kg}$, $d = 1{,}8\times10^{-2}\text{ m}$ e $q = 4e = 6{,}4\times10^{-19}\text{ C}$. Então: \[U = \dfrac{m g d}{q} = \dfrac{1{,}60\times10^{-15}\cdot 10\cdot 1{,}8\times10^{-2}}{6{,}4\times10^{-19}}\] \[U = \dfrac{28{,}8\times10^{-17}}{6{,}4\times10^{-19}} = 4{,}5\times10^{2}\text{ V} = 450\text{ V}\]

A tensão é de 450 V. Uma checagem rápida: o campo necessário é $E = U/d = 450/0{,}018 = 2{,}5\times10^{4}\text{ V/m}$, e a força $qE = 6{,}4\times10^{-19}\cdot2{,}5\times10^{4} = 1{,}6\times10^{-14}\text{ N}$ é igual ao peso $mg = 1{,}6\times10^{-14}\text{ N}$. Fecha.

Cuidado, armadilha! Há duas armadilhas de unidade. A primeira é o picograma: $1\text{ pg} = 10^{-12}\text{ g} = 10^{-15}\text{ kg}$, e quem esquece de passar de gramas para quilogramas erra por mil. A segunda é a carga: são quatro elétrons, então $q = 4e$, e não $e$. Errar qualquer uma leva a alternativas como 45 ou 1800 V. Anote as conversões antes de substituir os valores.

Alternativa correta: D

Q34
Mecânica — Cinemática — Lançamento Projétil

Uma bola é lançada do topo de uma torre de 85 m de altura com uma velocidade horizontal de $5{,}0\text{ m/s}$ (ver figura). A distância horizontal D, em metros, entre a torre e o ponto onde a bola atinge o barranco (plano inclinado), vale

Dado: $g = 10\text{ m/s}^2$

Lançamento horizontal de uma torre de 85 metros em direção a um barranco inclinado
A)15
B)17
C)20
D)25
E)28

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

A
Resolução

Uma bola é lançada horizontalmente, a 5,0 m/s, do topo de uma torre de 85 m, e atinge um barranco inclinado. Pede-se a distância horizontal $D$ entre a torre e o ponto de impacto. Como a bola não cai no chão plano, mas no barranco, o instante do impacto não é conhecido de antemão, e é isso que torna a questão mais rica do que um lançamento comum.

A trajetória é uma parábola, $y(x)$, e o barranco é uma reta. O impacto acontece onde as duas se cruzam. Então o plano é escrever a equação da parábola eliminando o tempo, escrever a reta a partir da geometria da figura e igualar as duas alturas no mesmo $x$. Resolvendo a equação do segundo grau, ficamos com a raiz positiva e fisicamente possível.

Com origem no pé da torre, $x = 5t$ e $y = 85 - 5t^{2}$, de modo que $y = 85 - x^{2}/5$. Segundo os dados da figura, o barranco começa em $x = 10\text{ m}$ com declividade 8, portanto $y = 8x - 80$. Igualando: \[85 - \dfrac{x^{2}}{5} = 8x - 80 \;\Rightarrow\; x^{2} + 40x - 825 = 0\] \[x = \dfrac{-40 + \sqrt{1600 + 3300}}{2} = \dfrac{-40 + 70}{2} = 15\text{ m}\]

A distância horizontal é $D = 15\text{ m}$. Para fechar com segurança: o tempo de voo é $t = 15/5 = 3\text{ s}$, a altura nesse instante é $85 - 45 = 40\text{ m}$, e a reta do barranco em $x=15$ dá $8\cdot15-80 = 40\text{ m}$. As duas alturas coincidem, e o impacto ocorre depois do início do barranco, em $x = 10$ m, como precisa ser.

Cuidado, armadilha! O erro é achar que o tempo de queda é o de cair os 85 m inteiros, $t=\sqrt{2\cdot85/10}\approx4{,}1\text{ s}$, e daí calcular $x = 5t\approx 20{,}6\text{ m}$. Isso só valeria para chão plano na base da torre. Aqui a bola encontra o barranco antes de descer tudo, então é preciso relacionar $x$ e $y$ pela geometria do barranco. Sem essa relação, uma única equação não fecha o problema. Descarte também a raiz negativa da quadrática.

Alternativa correta: A

Q35
Mecânica — Hidrostática — Empuxo

Uma pessoa de massa corporal igual a 100 kg, quando imersa em ar na temperatura de $20^\circ\text{C}$ e à pressão atmosférica (1 atm), recebe uma força de empuxo igual a 0,900 N. Já ao mergulhar em determinado lago, permanecendo imóvel, a mesma pessoa consegue flutuar completamente submersa. A densidade relativa desse lago, em relação à densidade da água ($4^\circ\text{C}$) é

Dados: densidade do ar (1atm, $20^\circ\text{C}$) = $1{,}20\text{ kg/m}^3$; densidade da água ($4^\circ\text{C}$) = $1{,}00\text{ g/cm}^3$

A)1,50
B)1,45
C)1,33
D)1,20
E)1,00

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

C
Resolução

Uma pessoa de 100 kg recebe empuxo de 0,900 N do ar, cuja densidade é 1,20 kg/m³. Em um lago, ela fica em repouso totalmente submersa. Pede-se a densidade relativa da água do lago em relação à água pura a 4 °C. O empuxo no ar, aparentemente desprezível, é a chave para descobrir o volume do corpo.

Vamos em duas etapas. Primeiro, o empuxo do ar $E = \rho_{ar}Vg$ dá o volume da pessoa. Depois, a pessoa em repouso totalmente submersa tem empuxo igual ao peso, o que significa que a densidade do lago é igual à densidade média do corpo, $m/V$. A densidade relativa é essa densidade dividida por 1000 kg/m³.

Do empuxo no ar: \[V = \dfrac{E_{ar}}{\rho_{ar}\,g} = \dfrac{0{,}900}{1{,}20\cdot10} = 0{,}075\text{ m}^3\] \[\rho_{lago} = \dfrac{m}{V} = \dfrac{100}{0{,}075} \approx 1333\text{ kg/m}^3 \;\Rightarrow\; d_r = \dfrac{1333}{1000} \approx 1{,}33\]

A densidade relativa é aproximadamente 1,33. Vale um teste de bom senso: uma pessoa comum tem densidade próxima de 1000 kg/m³, então 1333 kg/m³ é alta e exigiria um lago muito salgado, mas o exercício é numérico e o resultado segue rigorosamente dos dados. O volume de 75 litros já é bem menor que o de uma pessoa real, o que explica o valor elevado.

Cuidado, armadilha! O erro típico é desprezar o empuxo do ar, pensando que ele não existe, e assim ficar sem o volume da pessoa. O enunciado dá o empuxo justamente para que você o use. Outro deslize é misturar unidades, como a água em g/cm³ e o ar em kg/m³. Passe tudo para kg/m³ antes de dividir, lembrando que $1{,}00\text{ g/cm}^3 = 1000\text{ kg/m}^3$.

Alternativa correta: C

Q36
Óptica — Reflexão e Espelhos — Espelhos Planos

Um espelho plano vertical reflete, sob um ângulo de incidência de $10^\circ$, o topo de uma árvore de altura H, para um observador O, cujos olhos estão a 1,50 m de altura e distantes 2,00 m do espelho. Se a base da árvore está situada 18,0 m atrás do observador, a altura H, em metros, vale

Dados: $\text{sen}(10^\circ)=0{,}17; \cos(10^\circ)=0{,}98; \text{tg}(10^\circ)=0{,}18$

Árvore, observador e espelho plano com as distâncias e o raio refletido
A)4,0
B)4,5
C)5,5
D)6,0
E)6,5

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

C
Resolução

Um observador com os olhos a 1,50 m de altura, a 2,00 m de um espelho plano vertical, vê no espelho o topo de uma árvore de altura $H$, cuja base fica 18,0 m atrás dele. O raio incide no espelho sob 10° em relação à normal. A tabela trigonométrica dada indica que o dado importante é $\text{tg}\,10^\circ = 0{,}18$.

A normal a um espelho vertical é horizontal. Então o raio incidente e o refletido fazem 10° com a horizontal. O raio que chega aos olhos desce 10° em relação à horizontal, vindo do ponto do espelho, e o raio que vem do topo da árvore desce com o mesmo ângulo até esse ponto. Assim, a altura de cada trecho é a distância horizontal vezes a tangente de 10°.

O ponto de reflexão fica acima dos olhos por $2{,}00\cdot\text{tg}\,10^\circ$. A árvore está a $2{,}00 + 18{,}0 = 20{,}0\text{ m}$ do espelho, e o topo está acima do ponto de reflexão por $20{,}0\cdot\text{tg}\,10^\circ$: \[H = 1{,}50 + 2{,}00\cdot 0{,}18 + 20{,}0\cdot 0{,}18\] \[H = 1{,}50 + 0{,}36 + 3{,}60 = 5{,}46\text{ m} \approx 5{,}5\text{ m}\]

A altura vale cerca de 5,5 m. Olhe o resultado com desconfiança saudável: uma árvore de 5,5 m é plausível, e o valor é bem maior que a altura dos olhos, como precisa ser, já que o raio precisa subir para chegar ao topo. O ângulo de 10° é pequeno, e por isso uma altura de poucos metros a 20 m de distância é a ordem de grandeza esperada.

Cuidado, armadilha! Em óptica geométrica os ângulos são medidos em relação à normal, e não à superfície do espelho. Se você usar 10° com a superfície, a inclinação dos raios em relação à horizontal seria 80° e as contas explodiriam. Desenhe a normal, que aqui é horizontal, e marque o ângulo entre ela e o raio. Outra atenção: a distância da árvore ao espelho é 2,00 + 18,0 m, e não somente 18,0 m.

Alternativa correta: C

Q37
Eletricidade — Eletrostática — Capacitores

Os capacitores planos $C_1$ e $C_2$ mostrados na figura têm a mesma distância $d$ e o mesmo dielétrico (ar) entre suas placas. Suas cargas iniciais eram $Q_1$ e $Q_2$, respectivamente, quando a chave CH1 foi fechada. Atingido o equilíbrio eletrostático, observou-se que a tensão $V_1$ mostrada na figura não sofreu nenhuma variação com o fechamento da chave. Podemos afirmar que os dois capacitores possuem

Capacitores C1 e C2 ligados por uma chave CH1, com tensão V1
A)a mesma energia potencial elétrica armazenada.
B)a mesma carga elétrica positiva na placa superior.
C)a mesma carga elétrica, em módulo, na placa superior.
D)a mesma capacitância.
E)o mesmo valor do campo elétrico uniforme presente entre as placas.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

E
Resolução

Dois capacitores planos, com a mesma distância $d$ entre placas e ar como dielétrico, estão inicialmente com cargas $Q_1$ e $Q_2$. Ao fechar a chave que os liga, a tensão $V_1$ não muda. Pergunta-se qual afirmação vale para os dois capacitores. O dado decisivo é justamente essa tensão não mudar com a ligação.

Se ao fechar a chave nada mudou, é porque os capacitores já estavam à mesma diferença de potencial, ou seja, $V_1 = V_2$. Não há redistribuição de carga quando se ligam terminais no mesmo potencial. Com a tensão comum e a mesma distância entre placas, o que se conclui sobre as demais grandezas depende de fórmulas diferentes, e cabe avaliar cada alternativa.

Comentando cada alternativa, com $V$ igual e $d$ igual: A) a energia é $\tfrac12CV^2$ e depende de $C$, que depende da área das placas, então nada garante energias iguais. B) e C) a carga é $Q = CV$, também dependente da área, então as cargas podem ser diferentes. D) a capacitância $C=\varepsilon A/d$ depende da área, que o enunciado não iguala. E) o campo é \[E = \dfrac{V}{d}\] e, com $V$ e $d$ iguais, os campos são necessariamente iguais.

Somente a afirmação da essa configuração decorre dos dados: o campo elétrico uniforme é o mesmo nos dois capacitores. Só para conferir: o campo depende só de $V$ e $d$, e as duas grandezas são iguais, sem nenhuma hipótese sobre as áreas.

Cuidado, armadilha! O erro típico é supor cargas iguais, pensando que a ligação faz as cargas se igualarem. Na verdade, ligados em paralelo os capacitores igualam a tensão, e as cargas se dividem conforme as capacitâncias. Aqui nem houve redistribuição. Ao ler uma questão de capacitores, pergunte primeiro qual grandeza é comum: tensão em paralelo, carga em série. Depois use $Q=CV$ para o resto.

Alternativa correta: E

Q38
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Força Eletromotriz Induzida

Uma espira condutora retangular rígida move-se, com velocidade vetorial $\vec{v}$ constante, totalmente imersa numa região na qual existe um campo de indução magnética $\vec{B}$, uniforme, constante no tempo, e perpendicular ao plano que contém tanto a espira como seu vetor velocidade. Observa-se que a corrente induzida na espira é nula. Podemos afirmar que tal fenômeno ocorre em razão de o

A)fluxo de $\vec{B}$ ser nulo através da espira.
B)vetor $\vec{B}$ ser uniforme e constante no tempo.
C)vetor $\vec{B}$ ser perpendicular ao plano da espira.
D)vetor $\vec{B}$ ser perpendicular a $\vec{v}$.
E)vetor $\vec{v}$ ser constante.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

B
Resolução

Uma espira retangular rígida se move com velocidade constante, toda ela dentro de uma região de campo magnético uniforme, constante no tempo e perpendicular ao plano da espira. A corrente induzida é nula, e pede-se a razão. Repare que o movimento da espira, que parece ser o ponto central, não é o que decide a resposta.

Pela lei de Faraday, só há força eletromotriz induzida se o fluxo magnético através da espira variar no tempo: $\varepsilon = -\Delta\Phi/\Delta t$. O fluxo é $\Phi = BA\cos\theta$. Então a pergunta se reduz a: por que o fluxo não varia? Vamos verificar cada afirmativa.

Alternativa A: o fluxo não é nulo, pois o campo é perpendicular ao plano e atravessa a espira, então ela é falsa. Essa configuração: se $B$ é uniforme e constante no tempo, e a espira está toda dentro da região, o fluxo $BA$ não muda ao se deslocar, e isso explica a corrente nula. Alternativa C: a perpendicularidade dá fluxo máximo, mas não garante que ele seja constante. Alternativa D: ser perpendicular à velocidade também não impede variação de fluxo. Alternativa E: com velocidade constante, mas em um campo não uniforme, o fluxo variaria. \[\Phi = B\,A = \text{constante} \;\Rightarrow\; \varepsilon = 0\]

A causa da corrente nula é o campo ser uniforme e constante no tempo. Uma checagem rápida: se a espira estivesse entrando ou saindo da região, a área imersa variaria, o fluxo mudaria e haveria corrente, mesmo com a velocidade constante. O que impede isso aqui é a uniformidade do campo sobre toda a espira.

Cuidado, armadilha! O erro típico é associar movimento da espira a variação de fluxo, como se mover fosse suficiente para induzir corrente. O que induz é a variação do fluxo, e mover uma espira dentro de um campo uniforme não altera o número de linhas que a atravessam. Antes de escolher, pergunte-se sempre qual das grandezas $B$, $A$ ou $\theta$ está mudando. Se nenhuma muda, não há corrente.

Alternativa correta: B

Q39
Eletricidade — Eletrostática — Potencial em Condutores

Considere que o Gerador de Van de Graaff da figura está em funcionamento, mantendo constante o potencial elétrico de sua cúpula esférica de raio $R_0$ metros. Quando, então, é fechada a chave CH1, uma esfera condutora de raio $R_1 = R_0/4$ metros, inicialmente descarregada, conecta-se à cúpula por meio de fios de capacidade desprezível (também é desprezível a indução eletrostática). Atingido o equilíbrio eletrostático, a razão $\sigma_1/\sigma_0$, entre as densidades superficiais de carga elétrica da esfera e da cúpula, vale

Gerador de Van de Graaff ligado por chave CH1 a uma esfera condutora
A)4
B)2
C)1
D)1/2
E)1/4

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

A
Resolução

Uma esfera condutora descarregada, de raio $R_1 = R_0/4$, é ligada por fio à cúpula esférica de um gerador de Van de Graaff, de raio $R_0$, mantida em potencial constante. Pede-se a razão entre as densidades superficiais de carga da esfera e da cúpula, no equilíbrio. Desprezam-se a indução e a capacitância dos fios.

Condutores ligados por fio atingem o mesmo potencial. O potencial de uma esfera condutora carregada é $V = kQ/R$, então cargas e raios são proporcionais, $Q\propto R$. Já a densidade superficial é a carga dividida pela área, $\sigma = Q/(4\pi R^2)$. Combinando as duas ideias, $\sigma\propto R/R^2 = 1/R$, e a esfera menor terá densidade maior.

Igualando os potenciais: \[k\dfrac{Q_0}{R_0} = k\dfrac{Q_1}{R_1} \;\Rightarrow\; \dfrac{Q_1}{Q_0} = \dfrac{R_1}{R_0} = \dfrac{1}{4}\] \[\dfrac{\sigma_1}{\sigma_0} = \dfrac{Q_1}{Q_0}\cdot\left(\dfrac{R_0}{R_1}\right)^{2} = \dfrac{1}{4}\cdot 4^{2} = 4\]

A razão vale 4. Para fechar com segurança: o resultado também sai direto de $\sigma\propto 1/R$, já que a esfera tem um quarto do raio e, portanto, densidade quatro vezes maior. É o poder das pontas: quanto menor o raio de curvatura, mais concentrada a carga e mais intenso o campo na superfície.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é supor que as duas esferas ficam com cargas iguais ao se ligarem. O que se iguala é o potencial, e não a carga. A esfera maior fica com mais carga, porém a menor fica com maior densidade superficial. Outro deslize é parar em $Q_1/Q_0 = 1/4$ e responder 1/4, esquecendo que a pergunta é sobre densidade, que exige dividir pela área.

Alternativa correta: A

Q40
Eletricidade — Eletrodinâmica — Corrente elétrica média

Por uma seção transversal de um fio cilíndrico de cobre passam, a cada hora, $9{,}00 \times 10^{22}$ elétrons. O valor aproximado da corrente elétrica média no fio, em amperes, é

Dado: carga elementar $e = 1{,}60 \times 10^{-19}\text{ C}$

A)14,4
B)12,0
C)9,00
D)4,00
E)1,20

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2016

D
Resolução

Por uma seção de um fio de cobre passam $9{,}00\times10^{22}$ elétrons a cada hora, e o pedido é a corrente média em amperes. Os dados úteis são o número de elétrons, a carga elementar e o intervalo de tempo, que precisa ser expresso em segundos para dar ampères.

Corrente média é carga por unidade de tempo, $i = \Delta Q/\Delta t$. A carga total que atravessa a seção é o número de elétrons vezes a carga de cada um, $\Delta Q = n e$. O ampère é coulomb por segundo, então o tempo de uma hora tem de virar 3600 s antes da divisão.

Calculando a carga e depois a corrente: \[\Delta Q = n\,e = 9{,}00\times10^{22}\cdot1{,}60\times10^{-19} = 1{,}44\times10^{4}\text{ C}\] \[i = \dfrac{\Delta Q}{\Delta t} = \dfrac{1{,}44\times10^{4}}{3600} = 4{,}00\text{ A}\]

A corrente média é de 4,00 A. Vale um teste de bom senso: 4 A é um valor típico de aparelhos domésticos de potência média, e 14 400 C em uma hora é da ordem esperada. Se você tivesse esquecido de converter a hora, encontraria 14,4 A, que é a alternativa A e não bate com o cálculo correto.

Cuidado, armadilha! Dividir a carga por 1, tomando "1 hora" como se fosse a unidade de tempo, leva ao valor 14,4, que aparece justamente como alternativa A. A unidade do ampère é o coulomb por segundo, então a hora precisa virar 3600 s. Antes de dividir, confira sempre se as unidades de tempo e de carga estão no sistema internacional.

Alternativa correta: D

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