EFOMM 2017 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Esc. de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2017 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Óptica — Refração — Refração e reflexão total

O aquário da figura abaixo apresenta bordas bem espessas de um material cujo índice de refração é igual a $\sqrt{3}$. Um observador curioso aponta uma lanterna de forma que seu feixe de luz forme um ângulo de incidência de $60^\circ$, atravessando a borda do aquário e percorrendo a trajetória AB. Em seguida, o feixe de luz passa para a região que contém o líquido, sem sofrer desvio, seguindo a trajetória BC. Considere o índice de refração do ar igual a $1{,}0$. O feixe de luz emergirá do líquido para o ar no ponto C?

Figura da questão 21 da EFOMM 2017
A)Sim, e o seno do ângulo refratado será $\dfrac{\sqrt3}{3}$.
B)Sim, e o seno do ângulo refratado será $\dfrac{3}{2}$.
C)Não, e o seno do ângulo limite será $\dfrac{\sqrt3}{2}$.
D)Não, pois o seno do ângulo refratado é menor que o seno do ângulo limite.
E)Não, pois o seno do ângulo refratado é maior que o seno do ângulo limite.

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

E
Resolução

O feixe entra na borda do aquário com incidência de $60^\circ$, segue por AB, passa ao líquido em B sem desvio e chega a C, na superfície líquido-ar. A pergunta é se ele sai em C, e isso depende do ângulo com que chega ali. Os dados úteis são $n_{ar}=1{,}0$ e $n=\sqrt3$.

Snell na entrada dá o ângulo dentro da borda. Sem desvio em B, os dois meios têm o mesmo índice, então o líquido tem $n_L=\sqrt3$. Em C o raio vai de um meio mais refringente para o ar, e aí pode haver reflexão total; por isso precisamos comparar o ângulo de incidência com o ângulo limite.

Na entrada: \[1\cdot\sin60^\circ=\sqrt3\,\sin r\ \Rightarrow\ \sin r=\dfrac12,\quad r=30^\circ.\] O raio faz $30^\circ$ com a normal da parede (horizontal), portanto $60^\circ$ com a normal da superfície do líquido, e $i=60^\circ$ em C. O limite é \[\sin L=\dfrac{n_{ar}}{n_L}=\dfrac{1}{\sqrt3}=\dfrac{\sqrt3}{3}.\]

Como $\sin60^\circ=\dfrac{\sqrt3}{2}\approx0{,}87$ é maior que $\dfrac{\sqrt3}{3}\approx0{,}58$, há reflexão total e o feixe não emerge em C. É essa configuração. Note que A e B falam em seno refratado, que nem existe nesse caso.

Cuidado, armadilha! O erro típico é aplicar Snell só na primeira face, achar $30^\circ$ e concluir que o raio sai tranquilamente. Ao chegar à saída, pergunte de novo: qual é o ângulo de incidência e qual é o limite? Sempre que a luz vai do meio mais refringente para o menos refringente, calcule o ângulo limite antes de aplicar Snell.

Alternativa correta: E

Q22
Eletromagnetismo — Força Magnética — Movimento circular de carga em campo

Uma partícula com carga elétrica de $5{,}0\times10^{-6}$ C é acelerada entre duas placas planas e paralelas, entre as quais existe uma diferença de potencial de $100$ V. Por um orifício na placa, a partícula escapa e penetra em um campo magnético de indução magnética uniforme de valor igual a $2{,}0\times10^{-2}$ T, descrevendo uma trajetória circular de raio igual a $20$ cm. Admitindo que a partícula parte do repouso de uma das placas e que a força gravitacional seja desprezível, qual é a massa da partícula?

A)$1{,}4\times10^{-14}$ kg
B)$2{,}0\times10^{-14}$ kg
C)$4{,}0\times10^{-14}$ kg
D)$2{,}0\times10^{-13}$ kg
E)$4{,}0\times10^{-13}$ kg

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

E
Resolução

A partícula parte do repouso, é acelerada por uma diferença de potencial de $100$ V e depois entra num campo magnético uniforme de $2{,}0\times10^{-2}$ T, onde faz uma circunferência de raio $20$ cm. Pede-se a massa. A velocidade não é dada, e nem precisa ser: ela é só a ponte entre as duas etapas. A força gravitacional é desprezada.

São dois fenômenos encadeados. Na aceleração, o trabalho da força elétrica vira energia cinética. No campo magnético, a força magnética faz o papel de resultante centrípeta. O pulo do gato é este: as duas equações têm $v$ e $m$, então basta eliminar $v$ entre elas e isolar $m$. Vale mais a pena eliminar $v$ do que calculá-la, porque o caminho fica algébrico e com menos arredondamento.

Energia na aceleração e força centrípeta no campo: \[qU=\dfrac12mv^2,\qquad qvB=\dfrac{mv^2}{r}\ \Rightarrow\ v=\dfrac{qBr}{m}.\] Substituindo $v$ na primeira equação e isolando a massa: \[m=\dfrac{qB^2r^2}{2U}=\dfrac{(5{,}0\times10^{-6})(2{,}0\times10^{-2})^2(0{,}20)^2}{2\cdot100}.\] Numerador: $5\times10^{-6}\cdot4\times10^{-4}\cdot4\times10^{-2}=8\times10^{-11}$. Dividindo por $200$: \[m=4{,}0\times10^{-13}\text{ kg}.\]

O resultado, $4{,}0\times10^{-13}$ kg, é essa configuração. Como teste, a velocidade sai de $v=qBr/m=\dfrac{5\times10^{-6}\cdot2\times10^{-2}\cdot0{,}2}{4\times10^{-13}}=5\times10^{4}$ m/s, e $\tfrac12mv^2=5\times10^{-4}$ J, igual a $qU=5\times10^{-6}\cdot100$. As duas etapas fecham.

Cuidado, armadilha! O aluno costuma travar porque não tem $v$ e tenta uma equação de cada vez, ficando com duas incógnitas. Combine as duas relações para eliminar $v$. Outro deslize comum é esquecer que o raio está em centímetros: $20$ cm são $0{,}20$ m, e como $r$ aparece ao quadrado, o erro de unidade sai multiplicado por $10^4$.

Alternativa correta: E

Q23
Óptica — Lentes — Lentes

Um estudante decidiu fotografar um poste de $2{,}7$ m de altura em uma praça pública. A distância focal da lente de sua câmera é de $8{,}0$ cm e ele deseja que a altura da imagem em sua fotografia tenha $4{,}0$ cm. A que distância do poste o estudante deve se posicionar?

A)$-540$ cm
B)$-548$ cm
C)$532$ cm
D)$542$ cm
E)$548$ cm

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

E
Resolução

O poste tem $2{,}7$ m, a lente da câmera tem distância focal de $8{,}0$ cm e a imagem deve ter $4{,}0$ cm. Queremos a distância do objeto à lente. Repare que os dados estão em unidades diferentes: converta tudo para centímetros.

O aumento linear liga os tamanhos às distâncias, e a equação de Gauss liga as distâncias à focal. O aumento dá $q$ em função de $p$, e Gauss fecha o problema com uma só incógnita.

Em módulo, com $o=270$ cm: \[\dfrac{i}{o}=\dfrac{q}{p}=\dfrac{4}{270}=\dfrac{2}{135}\ \Rightarrow\ q=\dfrac{2p}{135}.\] \[\dfrac{1}{8}=\dfrac1p+\dfrac{135}{2p}=\dfrac{137}{2p}\ \Rightarrow\ p=548\text{ cm}.\]

Temos $p=548$ cm. A imagem fica em $q\approx8{,}1$ cm, logo além da focal, como esperado para objeto distante.

Cuidado, armadilha! Aqui o problema é o sinal. A imagem real de uma câmera tem $q>0$ e o objeto real tem $p>0$, então a distância pedida é positiva, e as opções negativas são isca para quem mistura a inversão da imagem com o sinal da distância. Use módulos no aumento e $p$, $q$ positivos em Gauss.

Alternativa correta: E

Q24
Termologia — Calorimetria — Potência e calor sensível

Um painel coletor de energia solar para aquecimento residencial de água, com $60\%$ de eficiência, tem superfície coletora com área útil de $20\text{ m}^2$. A água circula em tubos fixados sob a superfície coletora. Suponha que a intensidade da energia solar incidente seja de $2{,}0\times10^3\text{ W/m}^2$ e que a vazão de suprimento de água aquecida seja de $6{,}0$ litros por minuto. Assinale a opção que indica aproximadamente a variação da temperatura da água.

Dados: $c_{água}=1{,}0\text{ cal/(g}^\circ\text{C)}$ e $1\text{ cal}=4{,}2\text{ J}$.

A)$12{,}2^\circ$C
B)$22{,}7^\circ$C
C)$37{,}3^\circ$C
D)$45{,}6^\circ$C
E)$57{,}1^\circ$C

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

E
Resolução

O painel recebe $2{,}0\times10^3$ W por metro quadrado numa área de $20\text{ m}^2$, mas só $60\%$ dessa energia vira calor útil para a água. A água passa por ele a $6{,}0$ litros por minuto, e queremos a elevação de temperatura. O calor específico vem em cal, enquanto a potência vem em watts, então será preciso converter usando $1\text{ cal}=4{,}2\text{ J}$.

Como a água está sempre passando, o mais natural é raciocinar em potência, e não em energia total. A potência útil do painel é o calor recebido pela água por segundo. Esse calor por segundo é a vazão de massa vezes o calor específico vezes a variação de temperatura. Igualando as duas expressões, sai a variação de temperatura sem precisar de nenhum tempo específico.

Potência útil, já com a eficiência: \[P_u=0{,}60\cdot20\cdot2{,}0\times10^3=2{,}4\times10^4\text{ W}.\] A vazão de $6{,}0$ L/min é $6000$ g em $60$ s, ou seja, $100$ g/s. Com $c=4{,}2\text{ J/(g}\cdot^\circ\text{C)}$: \[P_u=\dot m\,c\,\Delta T\ \Rightarrow\ \Delta T=\dfrac{2{,}4\times10^4}{100\cdot4{,}2}\approx57{,}1^\circ\text{C}.\]

O resultado é $\Delta T\approx57{,}1^\circ$C. Dá para desconfiar do valor: $24$ kW aquecendo $0{,}1$ kg por segundo é muita potência para pouca água, então um salto de dezenas de graus é plausível. A unidade também fecha: W dividido por (g/s vezes J/(g°C)) resulta em °C.

Cuidado, armadilha! O erro mais frequente é esquecer o rendimento de $60\%$ e usar toda a potência incidente, $4{,}0\times10^4$ W, o que daria cerca de $95^\circ$C, valor que nem está nas opções. Também ocorre mistura de unidades: usar $c=1{,}0$ com potência em watts, sem converter caloria em joule. Escreva sempre a potência útil antes de igualar a $\dot m c\Delta T$.

Alternativa correta: E

Q25
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Corda e ressonância

Uma corda ideal está atada a um diapasão que vibra com frequência $f_1$ e presa a um corpo de massa $m=2{,}5$ kg, conforme a figura 1. A onda estacionária que se forma possui 6 ventres que formam $3{,}0$ m de comprimento. Um diapasão de frequência $f_2$ é posto a vibrar na borda de um tubo com água, conforme a figura 2. O nível da água vai diminuindo e, na altura de $42{,}5$ cm, ocorre o primeiro aumento da intensidade sonora. Desprezando os atritos e considerando a roldana ideal, a razão entre as frequências $f_2$ e $f_1$ é de aproximadamente:

Dado: densidade linear da corda $=250\text{ g/m}$.

Figura 1 da questão 25 da EFOMM 2017
Figura 2 da questão 25 da EFOMM 2017
A)$2{,}0$
B)$4{,}0$
C)$20{,}0$
D)$40{,}0$
E)$60{,}0$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

C
Resolução

São dois sistemas independentes ligados só pela razão pedida. Na corda, presa a um corpo de $2{,}5$ kg e com densidade linear de $250$ g/m, forma-se uma onda estacionária com $6$ ventres ocupando $3{,}0$ m, vibrando na frequência $f_1$. No tubo com água, o primeiro reforço sonoro aparece com a coluna de ar de $42{,}5$ cm, e isso define $f_2$. Queremos $f_2/f_1$. A velocidade do som no ar não é dada, então adota-se o valor usual de cerca de $340$ m/s.

Para a corda, a tração é o peso do corpo pendurado, a velocidade da onda vem de $\sqrt{T/\mu}$ e o número de ventres dá o comprimento de onda. Para o tubo, que é fechado numa extremidade pela água, o primeiro reforço ocorre quando a coluna de ar vale um quarto do comprimento de onda. Com o comprimento de onda e a velocidade do som, achamos $f_2$. A razão sai da divisão das duas frequências.

Na corda, $T=mg=25$ N e $\mu=0{,}250$ kg/m: \[v_1=\sqrt{\dfrac{T}{\mu}}=\sqrt{100}=10\text{ m/s}.\] Cada ventre vale meio comprimento de onda, então seis ventres em $3{,}0$ m dão \[6\cdot\dfrac{\lambda_1}{2}=3{,}0\ \Rightarrow\ \lambda_1=1{,}0\text{ m},\qquad f_1=\dfrac{v_1}{\lambda_1}=10\text{ Hz}.\] No tubo, $L=\dfrac{\lambda_2}{4}$, logo $\lambda_2=1{,}70$ m e \[f_2=\dfrac{340}{1{,}70}=200\text{ Hz}\ \Rightarrow\ \dfrac{f_2}{f_1}=\dfrac{200}{10}=20.\]

A razão é $20$. Como teste de ordem de grandeza, $10$ Hz na corda é uma vibração lenta e $200$ Hz é um som grave audível, então uma razão de dezenas é razoável. Se a velocidade do som adotada mudar um pouco, a razão continua próxima de $20$, e por isso a questão diz “aproximadamente”.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é tratar cada ventre como um comprimento de onda inteiro. Um ventre é apenas meio comprimento de onda, entre dois nós. Se o aluno fizer $\lambda_1=3{,}0/6\cdot2$ corretamente obtém $1{,}0$ m; se contar ventre como $\lambda$, chega a $0{,}5$ m e uma frequência dobrada. Outra falha é usar $L=\lambda/2$ no tubo, esquecendo que a extremidade da água é fechada, o que dá $\lambda/4$ no primeiro reforço. Faça sempre o desenho do padrão de nós e ventres antes de escrever a equação.

Alternativa correta: C

Q26
Mecânica — Dinâmica — Atrito

Na situação apresentada no esquema abaixo, o bloco B cai a partir do repouso de uma altura $y$, e o bloco A percorre uma distância total $y+d$. Considere a polia ideal e que existe atrito entre o corpo A e a superfície de contato. Sendo as massas dos corpos A e B iguais a $m$, determine o coeficiente de atrito cinético $\mu$.

Figura da questão 26 da EFOMM 2017
A)$\mu=\dfrac{y}{y+2d}$
B)$\mu=\dfrac{2d}{y+2d}$
C)$\mu=\dfrac{2d+y}{y}$
D)$\mu=\dfrac{y}{2d}$
E)$\mu=\dfrac{d}{2d+y}$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

A
Resolução

Dois blocos de mesma massa $m$ estão ligados por um fio e uma polia ideal: A sobre a superfície, com atrito, e B pendurado. B cai $y$ a partir do repouso e chega ao chão, e A percorre ao todo $y+d$ até parar. Queremos $\mu$. Só há distâncias como dados, então a resposta é uma expressão.

O movimento tem duas fases. Na primeira, B desce e o sistema acelera com o atrito atuando. Na segunda, B já parou, o fio afrouxa e A desliza sozinho, freado só pelo atrito, por mais $d$. A velocidade no fim da primeira fase é a do início da segunda, e é essa ligação que dá $\mu$.

Fase 1, com massa total $2m$: \[mg-\mu mg=2ma\ \Rightarrow\ a=\dfrac{g(1-\mu)}{2},\qquad v^2=2ay=gy(1-\mu).\] Fase 2, com desaceleração $\mu g$ ao longo de $d$: \[v^2=2\mu g\,d.\] Igualando e cancelando $g$: \[y(1-\mu)=2\mu d\ \Rightarrow\ \mu=\dfrac{y}{y+2d}.\]

É essa configuração. Nos limites: se $d\to0$, A para junto com B e $\mu\to1$; se $y\to0$, não há energia para A deslizar e $\mu\to0$. Ambos coerentes.

Cuidado, armadilha! O erro típico é olhar só a fase em que B cai e esquecer o trecho de desaceleração de A depois que B para; sem ele a conta não fecha. Também é comum usar $m$ em vez de $2m$ na primeira fase. Separe o problema em duas etapas e escreva a velocidade que as conecta.

Alternativa correta: A

Q27
Mecânica — Cinemática — Movimento uniformemente variado

Um trem deve partir de uma estação A e parar na estação B, distante $4$ km de A. A aceleração e a desaceleração podem ser, no máximo, de $5{,}0\text{ m/s}^2$, e a maior velocidade que o trem atinge é de $72$ km/h. O tempo mínimo para o trem completar o percurso de A a B é, em minutos, de:

A)$1{,}7$
B)$2{,}0$
C)$2{,}5$
D)$3{,}0$
E)$3{,}4$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

E
Resolução

O trem vai de A a B, distantes $4$ km, com aceleração e desaceleração de no máximo $5{,}0\text{ m/s}^2$ e velocidade máxima de $72$ km/h. Queremos o menor tempo. Passe para o SI: $72$ km/h são $20$ m/s e $4$ km são $4000$ m.

O menor tempo vem de acelerar o máximo, manter a velocidade máxima e frear o máximo, formando um trapézio no gráfico $v\times t$. Mas isso só vale se o trem atingir os $20$ m/s antes de precisar frear, então o primeiro passo é conferir isso.

Para chegar a $20$ m/s: \[t_a=\dfrac{20}{5}=4\text{ s},\qquad \Delta s_a=\dfrac{0+20}{2}\cdot4=40\text{ m}.\] A frenagem gasta os mesmos $4$ s e $40$ m. Como $80\text{ m}\ll4000\text{ m}$, a velocidade máxima é atingida, e o resto é a $20$ m/s: \[t_c=\dfrac{4000-80}{20}=196\text{ s},\qquad t=4+196+4=204\text{ s}=3{,}4\text{ min}.\]

O tempo mínimo é $3{,}4$ min. A velocidade média, $4000/204\approx19{,}6$ m/s, fica um pouco abaixo de $20$ m/s, como esperado.

Cuidado, armadilha! O erro é supor sem verificar que o trem atinge a velocidade máxima. Com uma distância curta, o perfil seria triangular e ele nem chegaria a $72$ km/h. Calcule antes a distância necessária para acelerar e frear e compare com o percurso. E lembre que a resposta pede minutos, não segundos.

Alternativa correta: E

Q28
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisões

Dois móveis P e T com massas de $15{,}0$ kg e $13{,}0$ kg, respectivamente, movem-se em sentidos opostos com velocidades $V_P=5{,}0$ m/s e $V_T=3{,}0$ m/s, até sofrerem uma colisão unidimensional, parcialmente elástica de coeficiente de restituição $e=3/4$. Determine a intensidade de suas velocidades após o choque.

A)$V_T=5$ m/s e $V_P=3{,}0$ m/s
B)$V_T=4{,}5$ m/s e $V_P=1{,}5$ m/s
C)$V_T=3{,}0$ m/s e $V_P=1{,}5$ m/s
D)$V_T=1{,}5$ m/s e $V_P=4{,}5$ m/s
E)$V_T=1{,}5$ m/s e $V_P=3{,}0$ m/s

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

B
Resolução

Dois móveis de $15{,}0$ kg e $13{,}0$ kg se aproximam em sentidos opostos, com $5{,}0$ m/s e $3{,}0$ m/s, e colidem de frente com $e=3/4$. Pedem-se as intensidades das velocidades após o choque. Sendo parcialmente elástico, a energia cinética não se conserva, mas a quantidade de movimento sim.

A conservação da quantidade de movimento dá uma equação, e o coeficiente de restituição, que compara afastamento e aproximação, dá a outra. O ponto delicado é escolher um sentido positivo e respeitar os sinais.

Sentido positivo: o inicial de P, então $V_T=-3{,}0$ m/s antes do choque. \[15(5)+13(-3)=15v_P+13v_T\ \Rightarrow\ 15v_P+13v_T=36,\] \[\dfrac{v_T-v_P}{5-(-3)}=\dfrac34\ \Rightarrow\ v_T-v_P=6.\] Com $v_T=v_P+6$: $28v_P+78=36$, logo \[v_P=-1{,}5\text{ m/s},\qquad v_T=4{,}5\text{ m/s}.\]

As intensidades são $4{,}5$ m/s (T) e $1{,}5$ m/s (P). O sinal negativo mostra que P inverteu o sentido. Teste: $15(-1{,}5)+13(4{,}5)=36$, o momento inicial.

Cuidado, armadilha! Em sentidos opostos, uma velocidade entra com sinal negativo. Esquecer isso dá momento total $114$ em vez de $36$ e velocidade de aproximação $2$ em vez de $8$. Defina o sentido positivo antes de qualquer conta e use a mesma convenção nas duas equações.

Alternativa correta: B

Q29
Ondulatória — MHS — Pêndulo em referencial acelerado

Um pêndulo simples de comprimento $L$ está fixo ao teto de um vagão de um trem que se move horizontalmente com aceleração $a$. Assinale a opção que indica o período de oscilações do pêndulo.

A)$\left(\dfrac{4\pi^2L^2}{\sqrt{a^2/g^2-1}}\right)^{1/2}$
B)$2\pi\sqrt{\dfrac{L}{2g}}$
C)$2\pi\sqrt{\dfrac{2L}{\sqrt{g^2+a^2}}}$
D)$2\pi\sqrt{\left(\dfrac{L^2}{g^2+a^2}\right)^{1/2}}$
E)$\pi\sqrt{\dfrac{L}{2g}}$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

D
Resolução

Um pêndulo simples de comprimento $L$ está pendurado no teto de um vagão que acelera horizontalmente com aceleração $a$. Queremos o período de pequenas oscilações. O enunciado não dá números, então a resposta é uma expressão, e as alternativas diferem pela forma como $g$ e $a$ aparecem juntos. Note que só interessa o que o pêndulo “sente” dentro do vagão.

A ideia central é usar o referencial do vagão. Nele, além do peso, surge uma força de inércia horizontal, $-ma$, que se soma ao peso. O resultado é uma gravidade efetiva inclinada, e o pêndulo oscila em torno da nova direção de equilíbrio, exatamente como um pêndulo comum numa gravidade diferente. Assim reaproveitamos a fórmula do período, trocando $g$ por $g_{ef}$. Por que esse caminho e não outro? Porque resolver as equações no referencial da estação seria bem mais trabalhoso.

As duas acelerações, vertical $g$ e horizontal $a$, são perpendiculares, e por isso se combinam por Pitágoras: \[g_{ef}=\sqrt{g^2+a^2}.\] O período de pequenas oscilações é \[T=2\pi\sqrt{\dfrac{L}{g_{ef}}}=2\pi\sqrt{\dfrac{L}{\sqrt{g^2+a^2}}}.\] Levando $L$ para dentro da raiz interna, $\dfrac{L}{\sqrt{g^2+a^2}}=\left(\dfrac{L^2}{g^2+a^2}\right)^{1/2}$, então \[T=2\pi\sqrt{\left(\dfrac{L^2}{g^2+a^2}\right)^{1/2}}.\]

Essa é a forma da essa configuração. Sanidade nos limites: com $a=0$, obtemos $T=2\pi\sqrt{L/g}$, o pêndulo comum. Com $a$ crescendo, $g_{ef}$ aumenta e o período diminui, o que faz sentido, pois a gravidade aparente ficou maior. A alternativa C traz um fator $2L$ que não existe na dedução, e A tem uma expressão que nem reproduz o caso $a=0$.

Cuidado, armadilha! O erro típico é somar $g$ e $a$ aritmeticamente, escrevendo $g+a$. Isso só vale se as duas acelerações tiverem a mesma direção, como num elevador. Aqui elas são perpendiculares, então entra a soma vetorial, com raiz quadrada da soma dos quadrados. Outro cuidado é a álgebra na hora de comparar com as alternativas: a forma com potência $1/2$ dentro da raiz é só a mesma expressão reescrita, e o teste de limite $a=0$ ajuda a descartar as demais.

Alternativa correta: D

Q30
Termologia — Calorimetria — Mistura com gelo

Em um dia muito quente, em que a temperatura ambiente era de $30^\circ$C, Sr. Aldemir pegou um copo com volume de $194\text{ cm}^3$ de suco à temperatura ambiente e mergulhou nele dois cubos de gelo de massa $15$ g cada. O gelo estava a $-4^\circ$C e fundiu-se por completo. Supondo que o suco tem o mesmo calor específico e densidade que a água e que a troca de calor ocorra somente entre o gelo e suco, qual a temperatura final do suco do Sr. Aldemir? Assinale a alternativa CORRETA.

Dados: $c_{água}=1{,}0\text{ cal/(g}^\circ\text{C)}$; $c_{gelo}=0{,}5\text{ cal/(g}^\circ\text{C)}$; $L_{gelo}=80\text{ cal/g}$.

A)$0^\circ$C
B)$2^\circ$C
C)$12^\circ$C
D)$15^\circ$C
E)$26^\circ$C

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

D
Resolução

O suco, com $194\text{ cm}^3$ a $30^\circ$C, recebe dois cubos de gelo de $15$ g cada, a $-4^\circ$C. O gelo derrete por completo, e só há troca de calor entre gelo e suco. Como o suco tem densidade e calor específico da água, seus $194\text{ cm}^3$ valem $194$ g. Queremos a temperatura final de equilíbrio. Repare que o enunciado já garante a fusão total, então não precisamos testar se sobra gelo.

Vale a conservação da energia: o calor que o suco perde é o calor que o gelo ganha. Só que o gelo passa por três etapas antes de virar água na temperatura final: aquece de $-4^\circ$C até $0^\circ$C, funde a $0^\circ$C e, já como água, aquece de $0^\circ$C até $T$. Somando as três parcelas, igualamos ao calor cedido pelo suco. Somar calor sensível e calor latente numa só equação é a sacada aqui.

Com a massa total de gelo de $30$ g: \[Q_1=30\cdot0{,}5\cdot4=60\text{ cal},\qquad Q_2=30\cdot80=2400\text{ cal},\qquad Q_3=30\cdot1\cdot T.\] O suco cede $Q_s=194\,(30-T)$. Somando o que o gelo recebe e igualando: \[194(30-T)=60+2400+30T.\] Desenvolvendo, $5820-194T=2460+30T$, logo $224T=3360$ e \[T=15^\circ\text{C}.\]

A temperatura final é $15^\circ$C. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o resultado está entre $0^\circ$C e $30^\circ$C, como precisa estar, e o suco esfriou $15^\circ$C, cedendo $194\cdot15=2910$ cal, valor que confere com $60+2400+450=2910$ cal recebidos pelo gelo. Se o gelo não derretesse por inteiro, a resposta seria $0^\circ$C, mas aqui o suco tem calor de sobra.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é esquecer a etapa de aquecer o gelo de $-4^\circ$C até $0^\circ$C, que parece pequena ($60$ cal), mas muda o resultado final. Sem ela, a conta daria uma temperatura um pouco maior que $15^\circ$C. O segundo erro é esquecer que a água do gelo derretido também precisa aquecer de $0^\circ$C até $T$, deixando o termo $30T$ de fora. Liste todas as etapas do gelo antes de escrever a equação e confira que o sinal do calor de cada parte está coerente.

Alternativa correta: D

Q31
Mecânica — Hidrostática — Manômetro

O tipo de manômetro mais simples é o de tubo aberto, conforme a figura abaixo. Uma das extremidades do tubo está conectada ao recipiente que contém um gás a uma pressão $p_{gás}$, e a outra extremidade está aberta para a atmosfera. O líquido dentro do tubo em forma de U é o mercúrio, cuja densidade é $13{,}6\times10^3\text{ kg/m}^3$. Considere as alturas $h_1=5{,}0$ cm e $h_2=8{,}0$ cm. Qual é o valor da pressão manométrica do gás em pascal?

Dado: $g=10\text{ m/s}^2$.

Figura da questão 31 da EFOMM 2017
A)$4{,}01\times10^3$
B)$4{,}08\times10^3$
C)$40{,}87\times10^2$
D)$4{,}9\times10^4$
E)$48{,}2\times10^2$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

B
Resolução

Um manômetro de tubo aberto tem mercúrio num tubo em U, com um ramo ligado ao gás e o outro aberto para a atmosfera. Os níveis estão em $h_1=5{,}0$ cm e $h_2=8{,}0$ cm. Pede-se a pressão manométrica, isto é, em relação à atmosfera.

Pontos de um mesmo líquido em equilíbrio, no mesmo nível, têm a mesma pressão. Assim, a diferença entre a pressão do gás e a atmosférica é a pressão de uma coluna de mercúrio com altura igual à diferença de níveis. A atmosfera se cancela.

Com os dados da figura: \[\Delta h=h_2-h_1=3{,}0\text{ cm}=0{,}030\text{ m},\] \[p_{man}=\rho g\,\Delta h=(13{,}6\times10^3)(10)(0{,}030)=4{,}08\times10^3\text{ Pa}.\]

O valor é $4{,}08\times10^3$ Pa. Só para conferir: $3$ cm de mercúrio são cerca de $30$ mmHg, e $760$ mmHg valem cerca de $10^5$ Pa, o que dá perto de $4\times10^3$ Pa.

Cuidado, armadilha! A confusão é entre pressão manométrica e absoluta. Somar a atmosfera, cerca de $10^5$ Pa, dá a pressão absoluta, que não é a pedida. Outro erro é usar $h_1$ ou $h_2$ sozinho em vez da diferença entre eles.

Alternativa correta: B

Q32
Mecânica — Hidrostática — Corpo flutuante

Um cubo de $25{,}0$ kg e $5{,}0$ m de lado flutua na água. O cubo é, então, afundado ligeiramente para baixo por Dona Marize e, quando liberado, oscila em um movimento harmônico simples com uma certa frequência angular. Desprezando-se as forças de atrito, essa frequência angular é igual a:

A)$50$ rad/s
B)$100$ rad/s
C)$150$ rad/s
D)$200$ rad/s
E)$250$ rad/s

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

B
Resolução

Um cubo de $25{,}0$ kg e $5{,}0$ m de lado flutua na água. Ao ser empurrado ligeiramente para baixo e solto, ele oscila verticalmente em movimento harmônico simples, sem atrito. Pede-se a frequência angular. Note que o lado do cubo só entra pela área da face horizontal, que é o que muda o volume submerso, e que a densidade da água é a usual, $1000\text{ kg/m}^3$.

A ideia é reconhecer que a força restauradora é a variação do empuxo. Na posição de equilíbrio, empuxo e peso se anulam. Deslocando o cubo de um pequeno $x$ para baixo, o volume submerso extra é a área da base vezes $x$, e o empuxo extra, sempre para cima, é proporcional a $x$. Uma força proporcional ao deslocamento e de sentido contrário é a assinatura de uma mola, então o cubo se comporta como massa presa a uma mola de constante $k=\rho g A$. Daí é só aplicar $\omega=\sqrt{k/m}$.

A área da base é $A=L^2=25\text{ m}^2$. A força restauradora e a constante equivalente valem \[F=-\rho gAx\ \Rightarrow\ k=\rho gA=1000\cdot10\cdot25=2{,}5\times10^5\text{ N/m}.\] Com a massa do cubo, $m=25$ kg: \[\omega=\sqrt{\dfrac{k}{m}}=\sqrt{\dfrac{2{,}5\times10^5}{25}}=\sqrt{10^4}=100\text{ rad/s}.\]

A frequência angular é $100$ rad/s. Como teste de unidade, $\rho g A/m$ tem unidade de $\text{(kg/m}^3)(\text{m/s}^2)\text{m}^2/\text{kg}=1/\text{s}^2$, portanto a raiz dá rad/s. Note também que a resposta independe da altura submersa: só contam a área da base, a massa e a densidade da água.

Cuidado, armadilha! O erro típico é montar a constante equivalente com a área errada, por exemplo usando o volume do cubo, $125\text{ m}^3$, ou a área lateral, em vez da área da base, $25\text{ m}^2$. Como a resposta vai com a raiz da razão, um deslize na área muda a resposta por um fator $\sqrt5$ ou similar e leva a outra alternativa. Também é comum tentar usar o peso do cubo como se fosse a força restauradora. O peso não muda, quem muda é o empuxo, e é só essa variação que age como força de restituição.

Alternativa correta: B

Q33
Mecânica — Gravitação — Órbita elíptica

A energia mecânica de um satélite (S) de massa igual a $3\times10^5$ g que descreve uma órbita elíptica em torno da Terra (T) é igual a $-2{,}0\times10^{10}$ J. O semieixo maior da elipse vale $16\times10^3$ km e o menor $9\times10^3$ km. Determine a energia cinética do satélite no perigeu em função da constante gravitacional $G$.

Dado: $M_{Terra}=6\times10^{24}\text{ kg}$.

Figura da questão 33 da EFOMM 2017
A)$2\times10^{10}(10^{10}G-1)$
B)$2\times10^{10}(G-10^{10})$
C)$2\times10^{10}(10^2G-1)$
D)$2\times10^2(G-10^2)$
E)$2\times10^2(10^2G-1)$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

ANULADA
Resolução

Um satélite de $3\times10^5$ g, ou seja, $300$ kg, tem energia mecânica de $-2{,}0\times10^{10}$ J numa órbita elíptica com semieixos de $16\times10^3$ km e $9\times10^3$ km. Pede-se a energia cinética no perigeu em função de $G$. Converta massa e distâncias para o SI.

A energia mecânica, soma da cinética com a potencial gravitacional, se conserva. No perigeu basta achar a distância ao centro da Terra, que está num foco, e isolar $K=E_m-U$. Essa distância vem da geometria da elipse: $r_p=a-c$, com $c=\sqrt{a^2-b^2}$.

$$c=\sqrt{16^2-9^2}\times10^3\text{ km}=5\sqrt7\times10^3\text{ km},\qquad r_p=(16-5\sqrt7)\times10^6\text{ m}.$$ Como $E_m=K_p-\dfrac{GM_Tm}{r_p}$, $$K_p=-2\times10^{10}+\dfrac{G(6\times10^{24})(300)}{(16-5\sqrt7)\times10^6}.$$

A expressão obtida não coincide com nenhuma das alternativas, e a banca anulou oficialmente a questão, então nenhuma letra deve ser marcada como correta. A estrutura, porém, é a esperada: uma parcela negativa somada a outra proporcional a $G$.

Cuidado, armadilha! Numa questão assim, o aluno precisa saber como agir na prova real. Confira unidades e geometria; se o seu resultado limpo não aparecer entre as opções, não force a letra mais parecida. Marque para revisão, siga adiante e volte se sobrar tempo. Aqui, o deslize mais provável é esquecer que $3\times10^5$ g são $300$ kg.

Questão anulada no gabarito definitivo.

Q34
Termologia — Gases Ideais — Vaporização e gás ideal

Em um cilindro isolado termicamente por um pistão de peso desprezível encontra-se $m=30$ g de água a uma temperatura de $0^\circ$C. A área do pistão é $S=512\text{ cm}^2$, a pressão externa é $p=1$ atm. Determine a que altura, aproximadamente, eleva-se o pistão, se o aquecedor elétrico, que se encontra no cilindro, desprende $Q=24\,200$ J.

Dados: despreze a variação do volume de água; $1\text{ cal}=4{,}2\text{ J}$; $R=0{,}082\text{ atm}\cdot\text{L/(mol}\cdot\text{K)}$; $M_{H_2O}=18\text{ g/mol}$; $c_{água}=1{,}0\text{ cal/(g}^\circ\text{C)}$; $L_{vapor}=540\text{ cal/g}$.

A)$1{,}6$ cm
B)$8{,}0$ cm
C)$17{,}0$ cm
D)$25{,}0$ cm
E)$32{,}0$ cm

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

C
Resolução

Um cilindro com pistão leve contém $30$ g de água a $0^\circ$C, sob $1$ atm. Um aquecedor fornece $24\,200$ J, e pede-se a altura da subida do pistão. O volume da água líquida é desprezado. Os dados misturam J e cal, g e mol, atm e litros, então escolha um sistema coerente.

A energia primeiro aquece a água até $100^\circ$C e o que sobra vaporiza. Esse vapor, a $1$ atm e $373$ K, ocupa um volume dado pela equação dos gases, e o pistão sobe até acomodá-lo sobre a área da base.

$Q=24200/4{,}2\approx5762$ cal. Aquecer custa $30\cdot100=3000$ cal, sobrando $2762$ cal: \[m_v=\dfrac{2762}{540}\approx5{,}11\text{ g},\qquad n=\dfrac{5{,}11}{18}\approx0{,}284\text{ mol}.\] \[V=nRT=0{,}284\cdot0{,}082\cdot373\approx8{,}69\text{ L}=8690\text{ cm}^3,\qquad h=\dfrac{V}{S}=\dfrac{8690}{512}\approx17\text{ cm}.\]

A altura é cerca de $17$ cm. Cerca de $5$ g de vapor a $1$ atm ocupam algo como $9$ litros, e uma base de $512\text{ cm}^2$ leva a dezenas de centímetros, plausível.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é usar a temperatura em Celsius na equação dos gases, com $T=100$ em vez de $373$ K, o que reduz o volume a menos de um terço. Outro é supor que os $30$ g vaporizam por inteiro, esquecendo a energia gasta para aquecer o líquido.

Alternativa correta: C

Q35
Eletromagnetismo — Força Magnética — Indução e força magnética

Um fio de resistência $5\,\Omega$ e $2{,}4$ m de comprimento forma um quadrado de $60$ cm de lado. Esse quadrado é inserido por completo, com velocidade constante, durante $0{,}90$ segundos em um campo magnético constante de $10{,}0$ T (de forma que a área do quadrado seja perpendicular às linhas do campo magnético). A intensidade de corrente que se forma no fio é $i_1$. Outro fio reto de $2{,}0$ m de comprimento possui uma intensidade de corrente $i_2$, quando imerso em um campo magnético constante de módulo $10{,}0$ T. A força magnética que atua no fio possui módulo $8{,}0$ N. A direção da força é perpendicular à do fio e à direção do campo magnético. A razão entre os módulos de $i_1$ e $i_2$ é:

A)$0{,}2$
B)$0{,}4$
C)$0{,}5$
D)$2{,}0$
E)$4{,}0$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

D
Resolução

Há duas situações independentes ligadas pela razão pedida. Na primeira, um fio de $5\,\Omega$ e $2{,}4$ m forma um quadrado de $60$ cm de lado, que entra por completo em $0{,}90$ s num campo de $10{,}0$ T, perpendicular ao plano da espira. Isso gera uma corrente $i_1$. Na segunda, um fio reto de $2{,}0$ m, no mesmo campo, sofre uma força de $8{,}0$ N e por ele passa $i_2$. Queremos $i_1/i_2$. O perímetro do quadrado, $4\cdot0{,}60=2{,}4$ m, só confirma que o fio dá exatamente um quadrado.

Para $i_1$, usamos a lei de Faraday: enquanto a espira entra no campo, o fluxo cresce de zero até $BA$, e isso induz uma fem média, da qual a lei de Ohm tira a corrente. Para $i_2$, a força magnética sobre um fio reto perpendicular ao campo vale $F=BiL$. Depois é só dividir. Repare que a velocidade de entrada não precisa ser calculada, porque $v=L/\Delta t$ está embutida na variação do fluxo por unidade de tempo, e o tempo de $0{,}90$ s já a contém.

A área da espira é $A=(0{,}60)^2=0{,}36\text{ m}^2$, e a variação de fluxo é $\Delta\Phi=BA=10\cdot0{,}36=3{,}6$ Wb. Então \[\mathcal E=\dfrac{\Delta\Phi}{\Delta t}=\dfrac{3{,}6}{0{,}90}=4\text{ V},\qquad i_1=\dfrac{\mathcal E}{R}=\dfrac{4}{5}=0{,}8\text{ A}.\] No fio reto: \[F=B\,i_2\,L\ \Rightarrow\ 8=10\cdot i_2\cdot2\ \Rightarrow\ i_2=0{,}4\text{ A}.\] Logo \[\dfrac{i_1}{i_2}=\dfrac{0{,}8}{0{,}4}=2{,}0.\]

A razão é $2{,}0$. Teste de unidades: weber por segundo é volt, e volt por ohm é ampère; newton dividido por tesla e metro também é ampère. As duas correntes são da ordem de décimos de ampère, plausíveis para esses dados.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é tentar achar a velocidade da espira e usar $\mathcal E=BLv$ de forma confusa, ou trocar o tempo de entrada pela velocidade sem usar $v=L/\Delta t$. Aqui, o caminho mais limpo é a variação do fluxo pelo tempo, e ela só existe enquanto a espira entra. Depois de totalmente dentro do campo uniforme, o fluxo não varia mais e a corrente cessa. Outro erro é esquecer que a razão pedida é $i_1/i_2$ e não o inverso, o que levaria à alternativa C.

Alternativa correta: D

Q36
Mecânica — Estática — Equilíbrio de corpo extenso

Uma haste homogênea de peso $P$ repousa em equilíbrio, apoiada em uma parede e nos degraus de uma escada, conforme ilustra a figura abaixo. A haste forma um ângulo $\theta$ com a reta perpendicular à parede. A distância entre a escada e a parede é $L$. A haste toca a escada nos pontos A e B da figura. Utilizando as informações contidas na figura acima, determine o peso $P$ da haste, admitindo que $F_A$ é a força que a escada faz na haste no ponto A e $F_B$ é a força que a escada faz na haste no ponto B.

Figura da questão 36 da EFOMM 2017
A)$P=\dfrac{2}{3\cos\theta}(F_A+F_B)$
B)$P=\dfrac{2}{3\cos\theta}(F_A+2F_B)$
C)$P=\dfrac{3}{2\cos\theta}(F_A+F_B)$
D)$P=\dfrac{2}{3\cos\theta}(F_A+F_B)$
E)$P=\dfrac{3}{2\cos\theta}(F_A+2F_B)$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

B
Resolução

Uma haste homogênea de peso $P$ está em equilíbrio, apoiada na parede e em dois degraus de uma escada, nos pontos A e B. Ela forma um ângulo $\theta$ com a perpendicular à parede, e a distância entre a escada e a parede é $L$. As forças que a escada faz na haste são $F_A$ e $F_B$, e queremos o peso $P$ em função delas e de $\theta$. Os dados geométricos vêm da figura: os pontos de apoio ficam a distâncias horizontais proporcionais a $L$ e $2L$ do contato com a parede, e o centro de massa da haste a $3L/2$.

Equilíbrio de corpo extenso pede a soma dos torques nula. A escolha do eixo é a sacada: tomando o ponto de contato da haste com a parede, a força que a parede faz na haste e qualquer outra incógnita ali aplicada ficam com braço nulo e somem da equação, restando só $F_A$, $F_B$ e o peso. Como os apoios em degraus são pontuais, as forças de contato $F_A$ e $F_B$ são perpendiculares à haste, e seus braços são as distâncias medidas ao longo dela. Já o peso é vertical, e seu braço é a distância horizontal.

Ao longo da haste, as distâncias de A, de B e do centro de massa ao ponto da parede são, respectivamente, $\dfrac{L}{\cos\theta}$, $\dfrac{2L}{\cos\theta}$ e $\dfrac{3L}{2\cos\theta}$. O braço do peso, na horizontal, é $\dfrac{3L}{2\cos\theta}\cos\theta=\dfrac{3L}{2}$. Equilíbrio de torques em relação ao ponto da parede: \[F_A\dfrac{L}{\cos\theta}+F_B\dfrac{2L}{\cos\theta}=P\,\dfrac{3L}{2}.\] Cancelando $L$ e isolando $P$: \[P=\dfrac{2}{3\cos\theta}\left(F_A+2F_B\right).\]

O resultado corresponde à essa configuração. Note que as alternativas A e D são iguais entre si e não distinguem o peso maior do apoio B, o que já as torna suspeitas. Uma checagem rápida: o apoio B, mais distante do ponto da parede, tem braço maior, então cada unidade de $F_B$ pesa o dobro de $F_A$ no balanço de torques, como mostra o fator $2$.

Cuidado, armadilha! Se você escolher o eixo num dos degraus, as forças desconhecidas do outro degrau e da parede ficam na equação, e o problema se enche de incógnitas. Escolher bem o eixo é metade da questão. O segundo tropeço é misturar braço horizontal com distância ao longo da haste: cada força precisa do seu braço perpendicular à sua própria linha de ação, e o fator $\cos\theta$ da resposta vem justamente dessa diferença.

Alternativa correta: B

Q37
Mecânica — Cinemática — Corpo rígido

Considere uma polia girando em torno de seu eixo central, conforme figura abaixo. A velocidade dos pontos A e B são, respectivamente, $60$ cm/s e $0{,}3$ m/s. A distância AB vale $10$ cm. O diâmetro e a velocidade angular da polia, respectivamente, valem:

Figura da questão 37 da EFOMM 2017
A)$10$ cm e $1{,}0$ rad/s
B)$20$ cm e $1{,}5$ rad/s
C)$40$ cm e $3{,}0$ rad/s
D)$50$ cm e $0{,}5$ rad/s
E)$60$ cm e $2{,}0$ rad/s

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

C
Resolução

Uma polia gira em torno do eixo central. Os pontos A e B, no mesmo raio, têm velocidades de $60$ cm/s e $0{,}3$ m/s, e distam $10$ cm entre si. Pedem-se o diâmetro e a velocidade angular. Converta antes: $0{,}3$ m/s são $30$ cm/s.

Num corpo rígido em rotação, todos os pontos têm o mesmo $\omega$ e $v=\omega r$. Logo, a razão das velocidades é a razão dos raios. Com a diferença $r_A-r_B=10$ cm, temos duas equações para dois raios.

\[\dfrac{r_A}{r_B}=\dfrac{60}{30}=2,\qquad r_A-r_B=10\text{ cm}\ \Rightarrow\ r_B=10\text{ cm},\ r_A=20\text{ cm}.\] Como A está na borda, o diâmetro é $40$ cm e \[\omega=\dfrac{v_A}{r_A}=\dfrac{60}{20}=3{,}0\text{ rad/s}.\]

Diâmetro de $40$ cm e $3{,}0$ rad/s formam essa configuração. Teste: $\omega r_B=3\cdot10=30$ cm/s, o dado de B.

Cuidado, armadilha! O erro típico é somar as distâncias em vez de subtrair os raios, tratando os $10$ cm como $r_A+r_B$. Isso só valeria se A e B estivessem em lados opostos do eixo. Aqui estão do mesmo lado, então a separação é $r_A-r_B$.

Alternativa correta: C

Q38
Mecânica — Dinâmica — Empuxo e tração

Considere uma bolinha de gude de volume igual a $10\text{ cm}^3$ e densidade $2{,}5\text{ g/cm}^3$ presa a um fio inextensível de comprimento $12$ cm, com volume e massa desprezíveis. Esse conjunto é colocado no interior de um recipiente com água. Num instante $t_0$, a bolinha de gude é abandonada de uma posição (1) cuja direção faz um ângulo $\theta=45^\circ$ com a vertical conforme mostra a figura a seguir. O módulo da tração no fio, quando a bolinha passa pela posição mais baixa (2) a primeira vez, vale $0{,}25$ N. Determine a energia cinética nessa posição anterior.

Dados: $\rho_{água}=1000\text{ kg/m}^3$ e $g=10\text{ m/s}^2$.

Figura da questão 38 da EFOMM 2017
A)$0{,}0006$ J
B)$0{,}006$ J
C)$0{,}06$ J
D)$0{,}6$ J
E)$6{,}0$ J

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

B
Resolução

Uma bolinha de $10\text{ cm}^3$ e densidade $2{,}5\text{ g/cm}^3$, presa a um fio de $12$ cm, está imersa em água e é solta de $45^\circ$. No ponto mais baixo a tração vale $0{,}25$ N, e pede-se a energia cinética ali. O ângulo inicial é só cenário: o que resolve é a tração combinada com as forças naquele ponto.

No ponto mais baixo o movimento é circular, e a resultante radial, para cima, é a força centrípeta. Tração e empuxo apontam para cima, e o peso para baixo. A segunda lei de Newton na radial dá $v^2$, e daí a energia cinética.

A massa é $0{,}025$ kg, então $P=0{,}25$ N, e $E=1000\cdot10\cdot10^{-5}=0{,}10$ N. Então \[T+E-P=\dfrac{mv^2}{L}\ \Rightarrow\ 0{,}10=\dfrac{0{,}025\,v^2}{0{,}12}\ \Rightarrow\ v^2=0{,}48,\] \[K=\dfrac12mv^2=\dfrac12(0{,}025)(0{,}48)=0{,}006\text{ J}.\]

A energia cinética é $0{,}006$ J. Como ordem de grandeza, a bolinha desce cerca de $3$ cm sob força efetiva $P-E=0{,}15$ N, o que dá algo da casa de $10^{-3}$ J, longe de $0{,}06$ J.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é esquecer o empuxo e fazer $T-P=mv^2/L$, o que dá $v^2$ negativo, sinal de que faltou uma força. Também é comum misturar gramas e cm$^3$ com $g=10\text{ m/s}^2$. Converta tudo para o SI e defina o sentido positivo antes de somar as forças.

Alternativa correta: B

Q39
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e balança

O esquema a seguir mostra duas esferas presas por um fio fino aos braços de uma balança. A esfera 2 tem massa $m_2=2{,}0$ g, volume $V_2=1{,}2\text{ cm}^3$ e encontra-se totalmente mergulhada em um recipiente com água. Considerando a balança em equilíbrio, qual é o valor da massa $m_1$ da esfera 1, em gramas?

Dados: $\rho_{água}=1000\text{ kg/m}^3$ e $g=10\text{ m/s}^2$.

Figura da questão 39 da EFOMM 2017
A)$0{,}02$
B)$0{,}08$
C)$0{,}2$
D)$0{,}8$
E)$0{,}82$

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

D
Resolução

Duas esferas pendem de fios nos braços de uma balança em equilíbrio. A esfera 2, de $2{,}0$ g e $1{,}2\text{ cm}^3$, está totalmente mergulhada na água. Queremos $m_1$. Como os braços são iguais, os fios devem puxar com forças iguais.

Na água, a esfera 2 sofre empuxo, e o fio dela puxa com o peso aparente, menor que o real. A esfera 1, no ar, puxa com o peso inteiro. Igualando, achamos $m_1$. Como a água tem $1\text{ g/cm}^3$, o empuxo em gramas-força é numericamente o volume em cm$^3$.

\[T_2=m_2g-\rho_{água}gV_2\ \Rightarrow\ m_{ap}=2{,}0-1{,}2=0{,}8\text{ g}.\] Com braços iguais, $m_1g=T_2$, logo \[m_1=0{,}8\text{ g}.\]

A massa é $0{,}8$ g. Para fechar com segurança: a esfera 2 tem densidade de cerca de $1{,}7\text{ g/cm}^3$, afunda, e seu peso aparente deve ser positivo e menor que $2{,}0$ g.

Cuidado, armadilha! O erro comum é usar o peso da esfera 2 sem o empuxo, chegando a $2{,}0$ g. O empuxo só entra do lado da esfera 2, porque só ela está na água. Desenhe as forças em cada fio antes de igualar.

Alternativa correta: D

Q40
Eletricidade — Eletrostática — Capacitores em circuito RC

O circuito da figura é composto de duas resistências, $R_1=2{,}5\times10^3\,\Omega$ e $R_2=1{,}5\times10^3\,\Omega$, e de dois capacitores, de capacitâncias $C_1=2{,}0\times10^{-9}$ F e $C_2=4{,}5\times10^{-9}$ F. Sendo fechada a chave S, a variação de carga $\Delta Q$ no capacitor $C_1$, após determinado período, é de:

Figura da questão 40 da EFOMM 2017
A)$-15$ nC
B)$-10$ nC
C)$-5$ nC
D)$0$ nC
E)$5$ nC

Gabarito definitivo — Prova Amarela — EFOMM 2017

ANULADA
Resolução

O circuito tem $R_1=2{,}5\times10^3\,\Omega$, $R_2=1{,}5\times10^3\,\Omega$, $C_1=2{,}0$ nF, $C_2=4{,}5$ nF e uma chave S. Pergunta-se a variação da carga em $C_1$ depois de fechar a chave e atingir o novo regime. O que interessa é comparar a carga de $C_1$ antes e depois, em regime estacionário.

Em regime estacionário, um capacitor se comporta como circuito aberto, e a corrente circula só pelos resistores. Basta achar a tensão em $C_1$ nos dois regimes e multiplicar por $C_1$. O potencial do nó entre os resistores sai de um divisor de tensão, com fonte de $10$ V.

Com a chave aberta, não há corrente em $R_2$ e $Q_i=2{,}0\text{ nF}\cdot10\text{ V}=20$ nC. Fechada, $$V_M=10\,\dfrac{R_2}{R_1+R_2}=3{,}75\text{ V},\qquad V_{C_1}=10-3{,}75=6{,}25\text{ V},$$ $$Q_f=2{,}0\cdot6{,}25=12{,}5\text{ nC},\qquad \Delta Q=12{,}5-20=-7{,}5\text{ nC}.$$

O valor $-7{,}5$ nC não aparece entre as alternativas, o que é coerente com a anulação oficial do item. Por isso nenhuma letra deve ser indicada como correta. O sinal faz sentido: a tensão em $C_1$ caiu de $10$ V para $6{,}25$ V.

Cuidado, armadilha! Numa questão anulada, o aluno deve agir com método. Resolva com calma e, se o seu resultado não aparecer nas opções, não adivinhe a letra mais próxima: marque para revisão, siga adiante e volte se sobrar tempo. Em circuitos com capacitores, a causa mais frequente de erro é misturar o regime antes e depois de fechar a chave.

Questão anulada no gabarito definitivo.

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