EFOMM 2020 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2019/2020 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Termologia — Dilatação Térmica — Dilatação Térmica Relativa

Uma haste metálica, a $0^\circ\text{C}$, mede $1{,}0\text{ m}$, conforme indicação de uma régua de vidro na mesma temperatura. Quando a haste e a régua são aquecidas a $300^\circ\text{C}$, o comprimento da haste medido pela régua passa a ser de $1{,}006\text{ m}$. Com base nessas informações, o coeficiente de dilatação linear do material que constitui a haste é:

Dado: coeficiente de dilatação linear do vidro: $9{,}0 \times 10^{-6}\text{ }^\circ\text{C}^{-1}$

A)$2{,}0 \times 10^{-5}\text{ }^\circ\text{C}^{-1}$
B)$2{,}9 \times 10^{-5}\text{ }^\circ\text{C}^{-1}$
C)$3{,}6 \times 10^{-5}\text{ }^\circ\text{C}^{-1}$
D)$4{,}5 \times 10^{-5}\text{ }^\circ\text{C}^{-1}$
E)$6{,}0 \times 10^{-5}\text{ }^\circ\text{C}^{-1}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

B
Resolução

Haste e régua são aquecidas de 0 °C a 300 °C. A leitura de 1,006 m não é o comprimento real da haste: é quantas divisões da régua a haste cobre, e a própria régua cresceu. O coeficiente do vidro está no enunciado para corrigir essa leitura.

Primeiro vemos quanto vale cada "metro" da régua a 300 °C. Depois convertemos a leitura em comprimento real e só então aplicamos a dilatação linear da haste. Aqui está a sacada: a régua esticada subestima o comprimento, então a dilatação real é maior que os 0,006 m lidos.

Cada metro da régua passa a valer \[L_{vidro}=1{,}0\,(1+9{,}0\times10^{-6}\cdot300)=1{,}0027\text{ m}\] O comprimento real da haste é \[L_{haste}=1{,}006\cdot1{,}0027\approx1{,}00872\text{ m}\] Assim $\Delta L\approx0{,}00872\text{ m}$ e \[\alpha=\dfrac{\Delta L}{L_0\,\Delta T}=\dfrac{0{,}00872}{300}\approx2{,}9\times10^{-5}\text{ }^\circ\text{C}^{-1}\]

O resultado é essa configuração. Vale um teste de bom senso: sem corrigir a régua, $0{,}006/300=2{,}0\times10^{-5}$, e somando o coeficiente do vidro, $0{,}9\times10^{-5}$, chegamos a $2{,}9\times10^{-5}$.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é tratar 1,006 m como comprimento real e obter $2{,}0\times10^{-5}$, alternativa A. Isso ignora que o instrumento de medida também dilata. Quando o enunciado fala em medida feita por régua e dá o coeficiente dela, pergunte-se se o valor lido é real ou aparente e desconte o efeito do instrumento.

Alternativa correta: B

Q22
Termologia — Calorimetria — Calorimetria e Troca de Calor

Em um recipiente termicamente isolado, 100 g de gelo, a $-20^\circ\text{C}$, e 300 g de água, a $65^\circ\text{C}$, são misturados. Após se alcançar o equilíbrio térmico, a temperatura da mistura é de aproximadamente:

Dados: calor específico da água: $1{,}0\text{ cal/g}\cdot\text{K}$; calor específico do gelo: $0{,}53\text{ cal/g}\cdot\text{K}$; calor de fusão da água: $79{,}5\text{ cal/g}$.

A)$0^\circ\text{C}$
B)$13^\circ\text{C}$
C)$20^\circ\text{C}$
D)$26^\circ\text{C}$
E)$32^\circ\text{C}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

D
Resolução

Gelo abaixo de zero é misturado com água quente em recipiente isolado, e pede-se a temperatura final. Todos os dados servem. O ponto delicado é que não sabemos de antemão se o gelo derrete por inteiro.

Em sistema isolado, a soma dos calores é zero. Mas antes de montar a equação testamos o cenário: a água tem energia para levar o gelo a 0 °C e ainda fundi-lo? Se tiver, a temperatura final é positiva. Se não, o equilíbrio ocorre a 0 °C com gelo e água coexistindo.

Aquecer e fundir o gelo exige \[Q=100\cdot0{,}53\cdot20+100\cdot79{,}5=1060+7950=9010\text{ cal}\] A água, ao resfriar até 0 °C, cede $300\cdot65=19500\text{ cal}$, mais que o necessário. Logo tudo derrete e \[9010+100\,T=300\,(65-T)\] \[400\,T=10490\;\Rightarrow\;T\approx26{,}2^\circ\text{C}\]

Aproximadamente 26 °C. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o valor está entre 0 e 65 °C e fica mais perto de 0 °C, pois o gelo gasta muita energia só para fundir.

Cuidado, armadilha! Supor de saída que todo o gelo derrete acerta aqui, mas por sorte: em outra questão o gelo poderia não derreter todo e a resposta seria 0 °C. Faça sempre o teste de energia primeiro. Outro deslize comum é esquecer o trecho de −20 °C a 0 °C, que usa o calor específico do gelo, não o da água.

Alternativa correta: D

Q23
Termologia — Termodinâmica — Máquina de Carnot

Uma máquina de Carnot é projetada para operar com 200 W de potência entre fontes de calor de $200^\circ\text{C}$ e $100^\circ\text{C}$. Com base nas características descritas, a quantidade de calor absorvida por essa máquina, a cada segundo, é de aproximadamente:

A)400 J
B)550 J
C)670 J
D)800 J
E)950 J

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

E
Resolução

A máquina entrega 200 W, ou seja, 200 J de trabalho por segundo, entre 200 °C e 100 °C. Pede-se o calor absorvido da fonte quente por segundo.

O rendimento de Carnot depende só das temperaturas das fontes, desde que em kelvin. Com o rendimento, a definição $\eta=W/Q_Q$ dá o calor absorvido. Caminho direto: temperaturas absolutas, rendimento, calor.

Com $T_Q=473\text{ K}$ e $T_F=373\text{ K}$, \[\eta=1-\dfrac{373}{473}=\dfrac{100}{473}\approx0{,}211\] \[Q_Q=\dfrac{W}{\eta}=200\cdot\dfrac{473}{100}=946\text{ J}\]

Cerca de 950 J por segundo. Só para conferir: rendimento de 21% significa calor absorvido perto de cinco vezes o trabalho, e $5\times200=1000$ está na mesma ordem.

Cuidado, armadilha! Usar 200 °C e 100 °C direto dá $\eta=0{,}5$ e $Q=400\text{ J}$, a alternativa A, colocada ali para quem esquece a conversão. O rendimento de Carnot só vale com temperatura absoluta. Ao ver "Carnot", converta para kelvin antes de qualquer outra coisa.

Alternativa correta: E

Q24
Eletricidade — Eletrostática — Equilíbrio de Cargas Suspensas

Duas esferas condutoras idênticas de carga $q = 2{,}0\,\mu\text{C}$ estão penduradas em fios não condutores de comprimento $D = 30{,}0\text{ cm}$, conforme apresentado na figura abaixo. Se o ângulo entre os fios vale $\theta = 90^\circ$, qual é o valor das massas das esferas?

Esferas carregadas suspensas por fios em ângulo reto

Dado: constante $k = 9{,}0 \times 10^9\text{ N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$; aceleração da gravidade $g = 10{,}0\text{ m/s}^2$.

A)20 g
B)40 g
C)60 g
D)80 g
E)100 g

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

A
Resolução

Duas esferas iguais e igualmente carregadas pendem de fios de 30 cm que formam 90° entre si. Elas se repelem, em equilíbrio, e queremos a massa de cada uma.

Cada esfera está em equilíbrio sob peso, tração e repulsão elétrica horizontal. Com 90° entre os fios, cada fio faz 45° com a vertical, e o triângulo de forças é isósceles: força elétrica e peso têm o mesmo módulo. O trabalho está em achar a distância entre as esferas pela geometria.

Os fios e a reta entre as esferas formam um triângulo retângulo isósceles de catetos $D=0{,}30\text{ m}$, então \[d=0{,}30\sqrt{2}\text{ m},\qquad d^2=0{,}18\text{ m}^2\] \[F_e=k\dfrac{q^2}{d^2}=\dfrac{9\times10^9\cdot(2\times10^{-6})^2}{0{,}18}=0{,}20\text{ N}\] Como $\tan45^\circ=F_e/P=1$, temos $P=0{,}20\text{ N}$ e \[m=\dfrac{0{,}20}{10}=0{,}020\text{ kg}\]

São 20 g. Uma checagem rápida: repulsão de 0,2 N entre microcoulombs a cerca de 42 cm é plausível, e esferas de dezenas de gramas combinam com esse peso.

Cuidado, armadilha! O erro frequente é usar $d=30\text{ cm}$ como distância entre as cargas, ou confundir o ângulo total entre os fios com o de cada fio com a vertical. Desenhe o triângulo: a distância é $D\sqrt{2}$. Como a força depende de $1/d^2$, errar $d$ muda a massa por um fator 2.

Alternativa correta: A

Q25
Eletricidade — Eletrostática — Associação de Capacitores

A professora Ana Clara, com intuito de determinar a capacitância de um capacitor que estava com suas especificações ilegíveis, realizou o seguinte procedimento: carregou um segundo capacitor de 150 pF com uma tensão de 100 V, utilizando uma fonte de alimentação. Em seguida, desligou o capacitor da fonte e o conectou em paralelo com o capacitor de valor desconhecido. Nessas condições, ela observou que os capacitores apresentavam uma tensão de 60 V. Com esse procedimento, a professora pôde calcular o valor do capacitor desconhecido, que é de:

A)45 pF
B)70 pF
C)100 pF
D)150 pF
E)180 pF

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C
Resolução

Um capacitor de 150 pF é carregado com 100 V, desligado da fonte e depois ligado em paralelo a outro, desconhecido. A tensão final comum é 60 V.

Desligado da fonte, o capacitor está isolado, e ao conectá-lo ao outro nenhuma carga entra nem sai do conjunto. Repare que a tensão cai justamente porque a mesma carga passa a se distribuir por placas maiores. A lei é a conservação da carga.

A carga inicial é $Q=150\cdot100=15000\text{ pC}$. Em paralelo as capacitâncias se somam: \[15000=(150+C)\cdot60\;\Rightarrow\;150+C=250\] \[C=100\text{ pF}\]

Resultado de 100 pF. Para fechar com segurança: a tensão caiu por um fator $100/60\approx1{,}67$, e $150\cdot1{,}67=250\text{ pF}$, coerente com $150+100$.

Cuidado, armadilha! Quem esquece a conservação da carga supõe que os 100 V da fonte continuam aplicados, o que não faz sentido, pois a fonte foi desligada. Também não vale conservar a energia: parte dela se dissipa no reequilíbrio. Capacitores isolados e depois conectados conservam carga, não tensão nem energia.

Alternativa correta: C

Q26
Eletricidade — Eletrodinâmica — Leis de Kirchhoff

O valor da força eletromotriz E e da resistência R no circuito da figura apresentado abaixo, são, respectivamente:

Circuito de duas malhas com baterias de 10 V e E e resistores R, 1.0 ohm e 2.0 ohm
A)$E = 4{,}0\text{ V}$ e $R = 4{,}0\,\Omega$
B)$E = 4{,}0\text{ V}$ e $R = 16{,}0\,\Omega$
C)$E = 8{,}0\text{ V}$ e $R = 4{,}0\,\Omega$
D)$E = 8{,}0\text{ V}$ e $R = 12{,}0\,\Omega$
E)$E = 8{,}0\text{ V}$ e $R = 16{,}0\,\Omega$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

C
Resolução

O circuito tem duas malhas, uma bateria de 10 V, outra de fem $E$ desconhecida, uma resistência $R$ desconhecida e resistores de 1,0 Ω e 2,0 Ω. As correntes conhecidas nos ramos, 1,0 A e 2,0 A, permitem achar as incógnitas.

A lei dos nós dá a corrente no ramo comum, o que fixa a tensão entre os nós. Depois a lei das malhas em cada ramo com incógnita produz equações de uma variável só.

No ramo inferior passa $I=1{,}0+2{,}0=3{,}0\text{ A}$, logo \[U=2{,}0\cdot3{,}0=6{,}0\text{ V}\] No ramo do meio: \[6{,}0=E-2{,}0\cdot1{,}0\;\Rightarrow\;E=8{,}0\text{ V}\] No ramo superior: \[6{,}0=10{,}0-1{,}0\cdot R\;\Rightarrow\;R=4{,}0\,\Omega\]

Temos $E=8{,}0\text{ V}$ e $R=4{,}0\,\Omega$. Vale um teste de bom senso: os dois ramos superiores entregam corrente ao nó, e a soma delas atravessa o resistor de 2,0 Ω, como a lei dos nós exige.

Cuidado, armadilha! O erro típico é de sinal. Ao percorrer a malha, a fem soma se você atravessa a bateria do polo negativo para o positivo e subtrai no sentido contrário; a queda $RI$ subtrai quando você segue o sentido da corrente. Fixe o sentido de percurso antes e marque os sinais elemento a elemento. Um resultado negativo só indica sentido arbitrado ao contrário.

Alternativa correta: C

Q27
Eletromagnetismo — Força Magnética — Força de Lorentz

Uma partícula de massa $m = 1{,}0 \times 10^{-26}\text{ kg}$ e carga $q = 1{,}0\text{ nC}$, com energia cinética de $1{,}25\text{ keV}$, movendo-se na direção positiva do eixo x, penetra em uma região do espaço onde existe um campo elétrico uniforme de módulo $1{,}0\text{ kV/m}$ orientado no sentido positivo do eixo y. Para que não ocorra nenhum desvio da partícula nessa região, é necessária a existência de um campo magnético de intensidade:

Dado: $1\text{ eV} = 1{,}6 \times 10^{-19}\text{ J}$.

A)1,0 mT
B)2,0 mT
C)3,0 mT
D)4,0 mT
E)5,0 mT

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

E
Resolução

Uma partícula com carga positiva entra em uma região com campo elétrico vertical e não sofre desvio. Isso só ocorre se existir um campo magnético que gere uma força de mesma intensidade e sentido oposto à elétrica. O dado da partícula que falta é a velocidade, e ela vem da energia cinética. A carga aparece nos dois lados da equação e não influencia o resultado.

A trajetória retilínea e uniforme exige força resultante nula, portanto a força elétrica $qE$ tem de igualar a magnética $qvB$. Assim $B=E/v$, o princípio do seletor de velocidades. Como a energia vem em keV e a massa em kg, a chave do problema é converter a energia para joules antes de extrair $v$.

A energia cinética em joules é \[E_c=1{,}25\times10^{3}\cdot1{,}6\times10^{-19}=2{,}0\times10^{-16}\text{ J}\] Da energia cinética sai a velocidade: \[\dfrac{1}{2}mv^2=E_c\;\Rightarrow\;v=\sqrt{\dfrac{2\cdot2{,}0\times10^{-16}}{1{,}0\times10^{-26}}}=2{,}0\times10^{5}\text{ m/s}\] Igualando as forças, \[B=\dfrac{E}{v}=\dfrac{1{,}0\times10^{3}}{2{,}0\times10^{5}}=5{,}0\times10^{-3}\text{ T}\]

Temos $B=5{,}0\text{ mT}$. Sanidade de unidades: $\text{V/m}$ dividido por $\text{m/s}$ dá $\text{V}\cdot\text{s/m}^2$, que é o tesla. A ordem de grandeza também é razoável para um seletor de laboratório.

Cuidado, armadilha! Usar 1,25 keV como se fossem 1,25 joule, ou esquecer o fator $10^3$ do "k", leva a uma velocidade absurda e a um campo fora de qualquer alternativa. Note também que a massa é dada em kg e a energia em elétron-volt: as unidades precisam ser do mesmo sistema. Antes de substituir, converta tudo para o SI e confira se a velocidade obtida é bem menor que a da luz, o que valida a mecânica clássica usada.

Alternativa correta: E

Q28
Óptica — Óptica Física — Difração da Luz

Um papel com um pequeno orifício é colocado no trajeto de um feixe de laser. O resultado que se observa no anteparo sobre o qual a luz incide após passar pelo orifício mostra um padrão de máximos e mínimos de intensidade luminosa. O fenômeno responsável por esse padrão é chamado de:

A)refração.
B)difração.
C)dispersão.
D)interferência.
E)reflexão.

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B
Resolução

Um laser atravessa um pequeno orifício e, no anteparo, surgem máximos e mínimos de intensidade. Pergunta-se o fenômeno responsável. O que importa é o orifício pequeno e único.

Quando uma onda encontra uma abertura de dimensões próximas ao seu comprimento de onda, ela se espalha além da direção original: é a difração. Cada ponto da abertura age como fonte de ondas secundárias, cuja superposição gera as franjas.

Não há cálculo, e sim eliminação. Refração e dispersão exigem mudança de meio, o que não ocorre. Reflexão pediria uma superfície refletora. Interferência, no sentido clássico, precisa de duas ou mais fontes coerentes, e aqui há uma abertura só.

Difração. Olhe o resultado com desconfiança saudável: com orifício muito maior que o comprimento de onda, não haveria franjas.

Cuidado, armadilha! Por haver máximos e mínimos, muitos marcam interferência de imediato. Toda difração produz seu padrão por superposição, mas, com uma única fenda ou orifício, o nome do fenômeno é difração. Reserve "interferência" para duas ou mais fontes ou fendas, como no experimento de Young.

Alternativa correta: B

Q29
Ondulatória — MHS — MHS e Atrito Estático

Um bloco está sobre uma mesa horizontal que oscila para a esquerda e para a direita em um Movimento Harmônico Simples (MHS) com amplitude de 10 cm. Determine a máxima frequência com que a oscilação pode ocorrer sem que o bloco deslize sabendo que o coeficiente de atrito estático entre o bloco e a mesa vale 0,6. Considere $g = 10\text{ m/s}^2$.

A)2 Hz
B)$\sqrt{3}\pi\text{ Hz}$
C)$5\pi\text{ Hz}$
D)$\dfrac{\sqrt{15}}{\pi}\text{ Hz}$
E)$\sqrt{15}\text{ Hz}$

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D
Resolução

Uma mesa oscila horizontalmente em MHS com amplitude de 10 cm, e um bloco repousa sobre ela com atrito estático de coeficiente 0,6. Queremos a maior frequência que ainda impede o bloco de deslizar. A massa do bloco não é dada, e não precisa ser.

A única força horizontal sobre o bloco é o atrito estático, e é ele que dá ao bloco a aceleração da mesa. Essa aceleração muda ao longo do movimento e é máxima nas extremidades, com módulo $\omega^2A$. Se o atrito máximo $\mu mg$ suportar essa aceleração máxima, o bloco acompanha a mesa o tempo todo. O limite é a igualdade.

Na condição limite, \[m\,\omega^2A=\mu\,m\,g\;\Rightarrow\;\omega^2=\dfrac{\mu g}{A}=\dfrac{0{,}6\cdot10}{0{,}10}=60\] \[\omega=2\sqrt{15}\text{ rad/s}\] A frequência é \[f=\dfrac{\omega}{2\pi}=\dfrac{\sqrt{15}}{\pi}\text{ Hz}\]

O resultado é $\sqrt{15}/\pi\text{ Hz}$, cerca de 1,2 Hz. Só para conferir: a massa se cancela, como esperado para atrito, e 1,2 Hz com 10 cm de amplitude dá aceleração máxima de 6 m/s², igual a $\mu g$.

Cuidado, armadilha! Confundir aceleração máxima com velocidade máxima, escrevendo $\omega A=\mu g$, é um erro de análise dimensional: a condição de deslizamento é sobre força, então envolve aceleração, $\omega^2A$. Outro deslize é esquecer de dividir $\omega$ por $2\pi$ no final e responder em rad/s: a questão pede frequência em hertz, e as alternativas com $\pi$ no denominador ou numerador denunciam a conversão.

Alternativa correta: D

Q30
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Pulso em Corda Suspensa sob Ação da Gravidade

Uma corda homogênea de massa não desprezível e comprimento L é pendurada no teto, sendo mantida na vertical, sustentando apenas seu próprio peso. Se uma perturbação é feita em sua extremidade inferior, o tempo que leva para que essa perturbação se propague até a extremidade superior vale:

A)$\sqrt{\dfrac{L}{2g}}$
B)$\sqrt{\dfrac{2L}{g}}$
C)$2\sqrt{\dfrac{L}{g}}$
D)$\sqrt{\dfrac{7L}{g}}$
E)$3\sqrt{\dfrac{L}{g}}$

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C
Resolução

Uma corda uniforme e pesada pende do teto, sustentando apenas o próprio peso. Uma perturbação é feita na extremidade de baixo e queremos o tempo que ela leva para chegar ao teto. Não há números: a resposta é uma expressão em $L$ e $g$. O detalhe físico central é que a massa da corda não é desprezível.

A velocidade de um pulso em corda é $v=\sqrt{T/\mu}$, e aqui a tração varia ao longo da corda: em cada ponto ela sustenta o trecho que está abaixo. Portanto a velocidade não é constante, e usar $t=L/v$ com um único $v$ seria incorreto. O pulo do gato é este: escrevemos $v$ em função da altura $x$ medida a partir da extremidade livre e integramos $dt=dx/v$.

A uma distância $x$ da extremidade livre, a tração é o peso do trecho abaixo, $T=\mu x g$, com $\mu$ a densidade linear. A velocidade local é \[v(x)=\sqrt{\dfrac{T}{\mu}}=\sqrt{g\,x}\] Como $v=dx/dt$, o tempo total é \[t=\int_0^L\dfrac{dx}{\sqrt{g\,x}}=\dfrac{1}{\sqrt{g}}\Big[2\sqrt{x}\Big]_0^L=2\sqrt{\dfrac{L}{g}}\] Note que $\mu$ desaparece: a densidade da corda não importa, só o comprimento e a gravidade.

O tempo $2\sqrt{L/g}$ corresponde à essa configuração. Uma checagem rápida: a velocidade cresce de zero até $\sqrt{gL}$, então a velocidade média é $\sqrt{gL}/2$ e $t=L/\bar v=2\sqrt{L/g}$, igual ao resultado. A unidade também fecha, pois $\sqrt{\text{m}/(\text{m/s}^2)}=\text{s}$.

Cuidado, armadilha! A tentação é pegar a velocidade máxima, $\sqrt{gL}$, no topo da corda e dividir $L$ por ela, obtendo $\sqrt{L/g}$, que não está entre as alternativas (a resposta correta é o dobro). Esse resultado erra porque a velocidade começa em zero na ponta livre, onde a tração é nula. Sempre que o meio muda ponto a ponto, a velocidade também muda, e o tempo sai de uma integral, não de uma divisão. A média correta é metade do valor máximo.

Alternativa correta: C

Q31
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Superposição de Ondas Harmônicas

Duas ondas senoidais propagam-se em uma corda horizontal. As equações das duas ondas são $y_1 = A \cos(2x - 3t)$ e $y_2 = A \cos(2x + 3t)$, onde y representa o deslocamento vertical de um ponto x da corda (medido em metros) no tempo t (medido em segundos). Da sobreposição dessas duas ondas resulta:

A)o cancelamento completo do movimento oscilatório.
B)uma onda progressiva com amplitude A e frequência angular $3\text{ rad/s}$.
C)uma onda progressiva com amplitude 2A e frequência angular $3\text{ rad/s}$.
D)uma onda progressiva com amplitude 2A e frequência angular $0\text{ rad/s}$.
E)uma onda estacionária.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

E
Resolução

Duas ondas de mesma amplitude e mesma frequência, uma com fase $2x-3t$ e outra com $2x+3t$, se sobrepõem. O sinal diante de $t$ mostra que elas viajam em sentidos opostos. Pergunta-se o que resulta da soma.

Uma onda progressiva depende de $x$ e $t$ apenas pela combinação $kx\mp\omega t$. Já uma estacionária tem o deslocamento fatorado em uma função só de $x$ vezes outra só de $t$. Então o caminho é somar os cossenos com a identidade da soma e olhar a forma do resultado.

Usando $\cos a+\cos b=2\cos\dfrac{a+b}{2}\cos\dfrac{a-b}{2}$: \[y=A\left[\cos(2x-3t)+\cos(2x+3t)\right]=2A\cos(2x)\cos(3t)\] Vamos comentar as afirmações uma a uma. Não há cancelamento completo, pois a amplitude $2A\cos 2x$ só se anula em pontos isolados. Não é onda progressiva, porque $x$ e $t$ aparecem separados. A frequência angular vale 3 rad/s, mas não como onda viajante; e ela não é 0 rad/s, pois o fator $\cos 3t$ oscila. Sobra a opção da onda estacionária.

A soma descreve uma onda estacionária. Para fechar com segurança: existem nós fixos onde $\cos 2x=0$, e nesses pontos a corda nunca se move; nos ventres a amplitude chega a $2A$.

Cuidado, armadilha! Como a amplitude máxima $2A$ e a frequência 3 rad/s aparecem no resultado, as alternativas C e D atraem quem lê só os números. O que define o tipo de onda é a estrutura da função: se há um produto de uma parte espacial por uma parte temporal, não há propagação. Duas ondas idênticas em sentidos opostos sempre formam padrão estacionário.

Alternativa correta: E

Q32
Mecânica — Cinemática — Movimento Uniforme em Circuito

O campeão em 2018 do GP de Monza foi Lewis Hamilton, levando um tempo total de 1h 16m 54s, para percorrer as 53 voltas do circuito que tem 5,79 km de extensão. A corrida é finalizada quando uma das duas situações ocorre antes: ou o número estipulado de voltas é alcançado, ou a duração da corrida chega a 2 horas. Suponha que o regulamento seja alterado, e agora a corrida é finalizada apenas pelo tempo de prova. Considere ainda que Hamilton tenha mantido a velocidade escalar média. Quantas voltas a mais o piloto completará até que a prova seja finalizada pelo tempo?

A)29
B)46
C)55
D)61
E)70

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

A
Resolução

Hamilton fez 53 voltas em 1 h 16 min 54 s, a 5,79 km cada. Pelo novo regulamento, a corrida só acaba quando o tempo de 2 horas chega ao fim, e o piloto mantém a velocidade média. Pergunta-se quantas voltas a mais ele completa em relação às 53. A extensão de 5,79 km é distração, pois o número de voltas depende só de tempos.

Se a velocidade média é constante, cada volta leva o mesmo tempo. Basta calcular esse tempo por volta e ver quantas voltas completas cabem em 2 horas. Vamos trabalhar tudo em segundos para evitar erros com a mistura de horas, minutos e segundos.

O tempo das 53 voltas é \[1\text{ h }16\text{ min }54\text{ s}=3600+960+54=4614\text{ s}\] O tempo médio por volta é \[t_{volta}=\dfrac{4614}{53}\approx87{,}1\text{ s}\] Em 2 horas, ou seja, 7200 s, cabem \[N=\dfrac{7200}{87{,}1}\approx82{,}7\text{ voltas}\] Só contam voltas completas, então são 82 voltas, e a diferença é $82-53=29$.

São 29 voltas a mais. Vale um teste de bom senso: 2 h é cerca de 1,56 vez o tempo de 1 h 17 min, e $53\times1{,}56\approx82{,}7$, o que confirma a conta.

Cuidado, armadilha! Há dois deslizes típicos. O primeiro é responder 82 ou 83, esquecendo de subtrair as 53 voltas que a pergunta manda descontar. O segundo é arredondar 82,7 para 83: uma volta só vale se for completada antes do fim, então se trunca, não se arredonda. Leia sempre o que a pergunta pede, "voltas a mais", e não o total.

Alternativa correta: A

Q33
Mecânica — Estática — Equilíbrio de Roldanas e Alavanca

A figura abaixo mostra uma barra de massa desprezível apoiada sobre o vértice do triângulo. $L_1$ e $L_2$ são as distâncias das extremidades esquerda e direita da barra até seu centro. Os blocos de massas $m_1$ e $m_2$ estão ligado por um fio inextensível de massa desprezível suspenso por uma roldana, também com massa desprezível. Para que a barra permaneça equilibrada, é necessário que a massa $m_3$ seja igual a:

Barra em alavanca apoiada com massa m3 à esquerda e roldana móvel com m1 e m2 à direita
A)$\dfrac{4 m_1 m_2}{m_1 + m_2} \dfrac{L_2}{L_1}$
B)$\dfrac{2 m_1 m_2}{m_1 + m_2} \dfrac{L_2}{L_1}$
C)$(m_1 + m_2) \dfrac{L_2}{L_1}$
D)$\dfrac{4 m_1 m_2}{m_1 - m_2} \dfrac{L_2}{L_1}$
E)$\dfrac{4 m_1 m_2}{m_1 - m_2} \dfrac{L_1}{L_2}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

A
Resolução

Uma barra de massa desprezível está apoiada no meio. De um lado pende a massa $m_3$, a uma distância $L_1$ do apoio. Do outro lado, a uma distância $L_2$, está uma roldana que sustenta dois blocos, $m_1$ e $m_2$, ligados por um fio que passa por ela. Queremos a massa $m_3$ que equilibra o conjunto. Pelo enunciado, o conjunto roldana mais fio tem massa desprezível.

O equilíbrio da barra é uma questão de momentos em relação ao apoio. O ponto sutil está na força que a roldana exerce sobre a barra: como os blocos não estão em repouso relativo (se $m_1\neq m_2$ eles aceleram), a força sobre a roldana não é $(m_1+m_2)g$. É a soma das duas trações, e a tração vem da dinâmica da máquina de Atwood. Vamos por partes: primeiro a tração, depois o torque.

Para dois blocos ligados por fio ideal, a aceleração é $a=\dfrac{(m_1-m_2)g}{m_1+m_2}$ e a tração resulta em \[T=\dfrac{2m_1m_2}{m_1+m_2}\,g\] A roldana, de massa desprezível, é puxada para baixo pelo fio nos dois lados, então a força que ela transmite à barra é \[F=2T=\dfrac{4m_1m_2}{m_1+m_2}\,g\] Anulando o momento em relação ao apoio, \[m_3\,g\,L_1=F\,L_2\;\Rightarrow\;m_3=\dfrac{4m_1m_2}{m_1+m_2}\,\dfrac{L_2}{L_1}\]

A expressão corresponde à essa configuração. Olhe o resultado com desconfiança saudável: se $m_1=m_2=m$, o sistema fica em repouso, $F=2mg$ e $m_3=2m\,L_2/L_1$; a fórmula dá $4m^2/(2m)=2m$, como deveria. Além disso, o resultado não se anula nem diverge quando $m_1=m_2$, ao contrário das alternativas D e E.

Cuidado, armadilha! A saída fácil é pendurar o peso total $(m_1+m_2)g$ na barra, o que só vale se o sistema estiver parado, isto é, se $m_1=m_2$. Quando as massas diferem, elas aceleram, e a força sobre a roldana é menor que o peso total. Sempre que houver blocos em movimento pendurados, calcule a tração pela segunda lei de Newton antes de usá-la no equilíbrio da estrutura.

Alternativa correta: A

Q34
Mecânica — Dinâmica — Movimento Circular Acelerado e Atrito

Um bloco de massa m é colocado sobre um disco que começa girar a partir do repouso em torno de seu centro geométrico com aceleração angular constante igual a $\alpha$. Se o bloco está a uma distância d do centro, e o coeficiente de atrito estático entre o objeto e a superfície vale $\mu$, considerando a aceleração da gravidade igual a g, quanto tempo levará até que o bloco comece a deslizar sobre o disco?

A)$\dfrac{\mu g}{\alpha^2 d}$
B)$\sqrt{\dfrac{\mu g}{\alpha^2 d}}$
C)$\sqrt{\dfrac{\mu g}{\alpha d}}$
D)$\left[ \left(\dfrac{\mu g}{\alpha^2 d}\right)^2 - \dfrac{1}{\alpha^2} \right]^{1/4}$
E)$\left[ \dfrac{1}{\alpha^2} + \left(\dfrac{\mu g}{\alpha^2 d}\right)^2 \right]^{1/4}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

D
Resolução

Um disco parte do repouso com aceleração angular constante $\alpha$ e leva consigo um bloco a uma distância $d$ do centro. Pergunta-se em que instante o bloco começa a deslizar. A massa do bloco não aparece nas alternativas, o que já indica que ela se cancela. Os dados são $\alpha$, $d$, $\mu$ e $g$.

O bloco descreve um círculo com velocidade crescente, então tem duas componentes de aceleração: a centrípeta, que aponta para o centro e cresce com o quadrado da velocidade, e a tangencial, constante. Ambas precisam ser fornecidas pelo atrito estático, e a força de atrito é a soma vetorial das duas. Como as componentes são perpendiculares, a resultante sai por Pitágoras, e o deslizamento começa quando ela atinge $\mu m g$.

Com $\omega=\alpha t$, as componentes são \[a_t=\alpha d,\qquad a_c=\omega^2d=\alpha^2t^2d\] A condição de início do deslizamento é \[\sqrt{a_t^2+a_c^2}=\mu g\;\Rightarrow\;(\alpha d)^2+\alpha^4t^4d^2=(\mu g)^2\] Isolando $t^4$: \[t^4=\left(\dfrac{\mu g}{\alpha^2d}\right)^2-\dfrac{1}{\alpha^2}\] Extraindo a raiz quarta, \[t=\left[\left(\dfrac{\mu g}{\alpha^2d}\right)^2-\dfrac{1}{\alpha^2}\right]^{1/4}\]

Esse resultado é o da essa configuração. Só para conferir: se a componente tangencial fosse desprezada, teríamos $t^4=(\mu g/\alpha^2d)^2$, e o termo subtraído $1/\alpha^2$ representa o "gasto" de atrito com a parte tangencial, que reduz o tempo até o deslizamento, como esperado. Dimensionalmente, $\mu g/(\alpha^2d)$ tem unidade de $\text{s}^2$, e $1/\alpha^2$ também, então a subtração é legítima.

Cuidado, armadilha! Usar apenas a aceleração centrípeta, $\omega^2d=\mu g$, dá $t=\sqrt{\mu g/(\alpha^2d)}$, que é exatamente a alternativa B,, mas ignora que o disco também está acelerando, com o bloco sendo empurrado ao longo da trajetória. Usar só a tangencial não faz sentido, pois ela é constante e nunca causaria um instante crítico. Em movimento circular acelerado, a força de atrito tem sempre duas componentes que se compõem em quadratura.

Alternativa correta: D

Q35
Ondulatória — Acústica — Efeito Doppler com Movimento Relativo

Ana brinca em um balanço, enquanto segura um diapasão vibrando a 520 Hz. O ponto mais alto de sua trajetória pendular está a 1,25 metros de altura em relação ao ponto mais baixo. Enquanto isso, Beatriz, de altura semelhante a Ana e localizada em um ponto distante à frente do brinquedo, corre em direção à amiga com velocidade constante de $2\text{ m/s}$. Supondo que o movimento oscilatório de Ana ocorre sem perda de energia, qual valor mais se aproxima da maior frequência que Beatriz irá ouvir durante sua trajetória? Considere $g = 10\text{ m/s}^2$ e $v_{som} = 343\text{ m/s}$.

A)531 Hz
B)533 Hz
C)535 Hz
D)536 Hz
E)538 Hz

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

A
Resolução

Ana balança segurando um diapasão de 520 Hz, e Beatriz corre em direção a ela a 2 m/s. A pergunta é pela maior frequência que Beatriz ouve. A altura de 1,25 m entre o ponto mais alto e o mais baixo é o dado que fornece a velocidade da fonte. O som se propaga a 343 m/s.

O efeito Doppler aumenta a frequência quando fonte e observador se aproximam, e o aumento é maior quanto mais rápida for a fonte. Como a energia mecânica do balanço se conserva, a velocidade da fonte é máxima no ponto mais baixo, e é ali que a frequência ouvida é máxima. Então precisamos de duas coisas: a velocidade no ponto mais baixo, pela energia, e a fórmula de Doppler com aproximação mútua.

Convertendo a energia potencial em cinética, \[\dfrac{1}{2}mv^2=mgh\;\Rightarrow\;v=\sqrt{2\cdot10\cdot1{,}25}=5\text{ m/s}\] Para observador e fonte se aproximando, o numerador soma e o denominador subtrai: \[f'=f_0\,\dfrac{v_{som}+v_{obs}}{v_{som}-v_{fonte}}=520\cdot\dfrac{343+2}{343-5}=520\cdot\dfrac{345}{338}\approx530{,}8\text{ Hz}\]

O valor mais próximo é 531 Hz. Uma checagem rápida: a razão $345/338\approx1{,}021$ indica aumento de apenas 2%, coerente com velocidades de poucos metros por segundo comparadas com a do som, e o resultado fica pouco acima de 520 Hz.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é esquecer que a velocidade da fonte muda ao longo do balanço e usar um valor qualquer, ou até zero, no ponto mais alto, onde a fonte para momentaneamente. A máxima frequência exige a máxima velocidade, no ponto mais baixo, obtida por energia e não por cinemática. Outro cuidado é a posição dos sinais: aproximação soma no observador e subtrai na fonte. Trocar um sinal leva a alternativas como 535 Hz ou 538 Hz.

Alternativa correta: A

Q36
Mecânica — Gravitação — Energia Mecânica de Órbitas Circulares

O fenômeno das marés ocorre devido à diferença da atração gravitacional com a Lua em diferentes pontos da Terra. Uma consequência direta desse fenômeno é a dissipação da energia mecânica do sistema Terra-Lua resultando no aumento da distância da órbita da Lua em torno do nosso planeta. Considere a órbita circular e que esse aumento seja de 4,0 cm ao ano. Que percentual da energia mecânica do sistema Terra-Lua foi dissipada, ao longo de 1.000.000.000 anos, quando a distância inicial entre os centros da Terra e da Lua era de 400.000 Km?

A)0,9%
B)1,8%
C)5,4%
D)9,1%
E)18,2%

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

D
Resolução

A Lua se afasta da Terra 4,0 cm por ano, em órbita circular, durante um bilhão de anos, a partir de 400.000 km. Pergunta-se que percentual da energia mecânica do sistema foi dissipado. O ponto é ver a energia mecânica da órbita como função só do raio, e depois comparar o valor inicial com o final.

Em órbita circular, a energia cinética vale metade do módulo da potencial, e a soma dá $E=-GMm/(2R)$, então a energia mecânica é inversamente proporcional ao raio. Como o raio aumenta, $E$ fica menos negativa, ou seja, sobe em valor algébrico, e o módulo da energia de ligação cai. É essa queda relativa que a questão chama de dissipação. Vamos calcular o novo raio e comparar as razões.

O aumento do raio em $10^9$ anos é \[\Delta R=4{,}0\times10^{-2}\cdot10^{9}=4{,}0\times10^{7}\text{ m}=40.000\text{ km}\] Logo $R_i=400.000\text{ km}$ e $R_f=440.000\text{ km}$. Como $|E|\propto1/R$, a fração perdida do módulo inicial é \[\dfrac{|E_i|-|E_f|}{|E_i|}=1-\dfrac{R_i}{R_f}=1-\dfrac{400}{440}=\dfrac{1}{11}\approx9{,}1\%\]

O percentual é 9,1%. Para fechar com segurança: o raio aumenta 10%, então a variação de $1/R$ deve ser um pouco menor que 10% (aqui, $1/1{,}1\approx0{,}909$), e a resposta é ligeiramente inferior a 10%, o que fecha a conta. Dividir por $R_f$ em vez de $R_i$ daria 10%, que nem é alternativa.

Cuidado, armadilha! Usar somente a energia potencial, $-GMm/R$, é tentador: como $E\propto1/R$ nos dois casos, a razão percentual até coincide, mas o aluno que não percebe isso acaba misturando energias e errando as contas. O perigo maior é tomar a variação relativa em relação ao valor final, e não ao inicial. Também cuidado com unidades: 4 cm por ano durante $10^9$ anos são $4\times10^7$ m, ou seja, 40.000 km, e não 4.000 km.

Alternativa correta: D

Q37
Mecânica — Quantidade de Movimento — Impulso e Força Média Vetorial

Um jogador de futebol cobra uma falta frontal e acerta o canto superior esquerdo da baliza, marcando o gol do título. Suponha que a bola, com massa de 400 g, tenha seguido uma trajetória parabólica e levado 1,0 s para atingir a meta. Se a falta foi cobrada a 20 m de distância da linha de fundo e a bola atingiu o gol à altura de 2,0 m, qual é o vetor força média que o jogador imprimiu à bola durante o chute? Considere que o tempo de interação entre o pé do jogador e a bola foi de 0,1 s e que não há resistência do ar. Considere ainda $g = 10\text{ m/s}^2$ e os vetores unitários $\hat{i}$ e $\hat{j}$ ao longo das direções horizontal e vertical, respectivamente.

A)$20{,}0\text{ N}\hat{i} - 7{,}0\text{ N}\hat{j}$
B)$80{,}0\text{ N}\hat{i} - 12{,}0\text{ N}\hat{j}$
C)$40{,}0\text{ N}\hat{i} + 14{,}0\text{ N}\hat{j}$
D)$8{,}0\text{ N}\hat{i} + 2{,}8\text{ N}\hat{j}$
E)$80{,}0\text{ N}\hat{i} + 28{,}0\text{ N}\hat{j}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

E
Resolução

Uma bola de 400 g, chutada de 20 m da linha de fundo, chega ao gol 1,0 s depois, a 2,0 m de altura, sem resistência do ar. O chute dura 0,1 s. Queremos o vetor força média do pé sobre a bola. Os 20 m e os 2,0 m no fim da trajetória permitem obter a velocidade inicial do lançamento; os dados do chute (massa e 0,1 s) permitem passar da velocidade à força.

O teorema do impulso diz que a força média vezes o tempo de contato é a variação da quantidade de movimento. Como a bola parte do repouso, essa variação é a própria quantidade de movimento com que ela sai do pé. Então o problema se divide em cinemática de lançamento oblíquo, para achar as duas componentes da velocidade inicial, e depois em impulso. Vamos tratar cada componente separadamente, pois o resultado é vetorial.

Na horizontal o movimento é uniforme: \[v_{0x}=\dfrac{20}{1{,}0}=20\text{ m/s}\] Na vertical, $y=v_{0y}t-5t^2$ com $y=2{,}0\text{ m}$ e $t=1{,}0\text{ s}$: \[2{,}0=v_{0y}-5\;\Rightarrow\;v_{0y}=7\text{ m/s}\] O impulso do chute é $\vec I=m\vec v_0=0{,}4\,(20\,\hat i+7\,\hat j)$, então \[\vec F_m=\dfrac{\vec I}{\Delta t}=\dfrac{8{,}0\,\hat i+2{,}8\,\hat j}{0{,}1}=80{,}0\,\hat i+28{,}0\,\hat j\text{ N}\]

A força média é $80{,}0\text{ N}\,\hat i+28{,}0\text{ N}\,\hat j$. Vale um teste de bom senso: uma força de cerca de 85 N sobre uma bola de 0,4 kg por um décimo de segundo é típica de um chute forte, muito maior que o peso da bola (4 N), o que justifica desprezá-lo durante o contato.

Cuidado, armadilha! Esquecer a componente vertical, ou tratar o problema como escalar, com $F=mv/\Delta t$ e $v=20\text{ m/s}$, dá só 80 N. A alternativa D, $8{,}0\,\hat i+2{,}8\,\hat j$, é o impulso e não a força: falta dividir por 0,1 s. Sempre confira a unidade da grandeza pedida: newton é força, newton-segundo é impulso. Lembre também de que a velocidade vertical de saída não é 2 m/s, porque a bola sobe e desce durante o voo.

Alternativa correta: E

Q38
Mecânica — Estática — Força Resultante da Parede em Barra Suspensa

A figura mostra uma barra homogênea de massa m em equilíbrio. Ela está sustentada por um fio em uma de suas extremidades e é impedida de cair devido ao atrito com a parede na outra extremidade. A aceleração da gravidade vale g. A força total exercida pela parede sobre a barra vale:

Barra em equilíbrio presa à parede e sustentada por fio de ângulo theta
A)$\dfrac{m g \cos\theta}{2}$
B)$\dfrac{m g \sin\theta}{2}$
C)$\dfrac{m g \tan^2\theta}{\sin\theta + 1}$
D)$\dfrac{m g}{2 \sin\theta}$
E)$\dfrac{m g \tan^2\theta}{\cos\theta + \sin\theta}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

D
Resolução

Uma barra homogênea de massa $m$ está presa a uma parede por atrito em uma extremidade e sustentada por um fio inclinado, com ângulo $\theta$, na outra. Pede-se a força total que a parede exerce sobre a barra, isto é, normal e atrito compostos. Os dados são $m$, $g$ e $\theta$, extraídos da figura. O comprimento da barra se cancela.

Escolhemos o ponto de contato com a parede como eixo, pois nele agem duas forças desconhecidas (normal e atrito) que então não geram torque. Sobram o peso e a tração, e obtemos a tração. Depois, o equilíbrio de forças nas direções horizontal e vertical dá a normal e o atrito. A força total da parede é a soma vetorial das duas, e vamos compor por Pitágoras.

Equilíbrio dos torques em relação ao ponto na parede, com a componente da tração perpendicular à barra: \[T\sin\theta\cdot L=mg\cdot\dfrac{L}{2}\;\Rightarrow\;T=\dfrac{mg}{2\sin\theta}\] Na horizontal, a normal equilibra a componente horizontal da tração; na vertical, o atrito completa o que a tração não sustenta do peso: \[N=T\cos\theta=\dfrac{mg\cos\theta}{2\sin\theta},\qquad f=mg-T\sin\theta=\dfrac{mg}{2}\] Compondo os dois, \[F=\sqrt{N^2+f^2}=\dfrac{mg}{2}\sqrt{\dfrac{\cos^2\theta}{\sin^2\theta}+1}=\dfrac{mg}{2\sin\theta}\]

A força total é $\dfrac{mg}{2\sin\theta}$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: para $\theta=90^\circ$ o fio fica vertical, a normal se anula e a parede apenas sustenta metade do peso por atrito, $mg/2$, valor que a fórmula reproduz.

Cuidado, armadilha! Somar normal e atrito como números, $N+f$, ignora que essas forças são perpendiculares entre si. A força total exercida pela parede é a resultante vetorial, e seu módulo sai por Pitágoras. Outro erro é escolher um eixo de torques ruim e ficar com três incógnitas na mesma equação: o ponto de contato com a parede elimina duas delas de uma só vez.

Alternativa correta: D

Q39
Mecânica — Estática — Torque e Alongamento de Alavanca

Um motorista de 80 kg notou que o pneu de seu carro estava furado. Para trocá-lo, utilizou uma chave de 40 cm de comprimento e o peso de seu corpo, atuando perpendicularmente à extremidade da chave, para soltar os parafusos. Devido à oxidação dos parafusos, o rapaz não conseguiu afrouxá-los. Felizmente, havia um pedaço de barra de aço no porta-malas que pôde ser usada como alavanca. Suponha que fosse possível soltá-los com a chave original, caso o motorista pesasse 100 kg. Qual deve ser o comprimento mínimo da barra de aço, para que ele consiga trocar os pneus do carro? Considere $g = 10\text{ m/s}^2$.

EFOMM 2020, questão 39: figura original da prova
A)5,0 cm
B)10,0 cm
C)15,0 cm
D)20,0 cm
E)25,0 cm

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

B
Resolução

Com 80 kg o motorista não solta o parafuso usando a chave de 40 cm, mas com 100 kg soltaria. Logo, o torque mínimo é o de 100 kg na chave de 40 cm. Pede-se o comprimento da barra que prolonga a chave.

O que solta o parafuso é o torque, força vezes braço. Como o peso é menor que o necessário, aumentamos o braço até atingir o torque mínimo. Vamos achar o braço total e ver quanto falta em relação à chave.

\[\tau=(100\cdot10)\cdot0{,}40=400\text{ N}\cdot\text{m}\] \[L=\dfrac{400}{800}=0{,}50\text{ m}=50\text{ cm}\] O acréscimo é $\Delta L=50-40=10\text{ cm}$.

Prolongamento de 10,0 cm. Só para conferir: a razão $100/80=1{,}25$ pede braço 25% maior, e 25% de 40 cm são 10 cm.

Cuidado, armadilha! O braço total necessário é 50 cm, mas a pergunta pede o acréscimo sobre a chave de 40 cm. Quem responde 50 cm não acha alternativa, e quem confunde a razão com comprimento chega a 25 cm. Releia o que se pede: braço total ou apenas o alongamento.

Alternativa correta: B

Q40
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e Movimento Acelerado em Fluido

Uma esfera de densidade $\rho_{esf}$ está próxima à superfície de um lago calmo e totalmente submersa quando é solta, demorando 4,0 s para atingir a profundidade de $h = 40{,}0\text{ m}$. Suponha que a densidade do lago seja $\rho_{H_2O} = 10^3\text{ kg/m}^3$. Qual é, então, a densidade da esfera? Considere $g = 10{,}0\text{ m/s}^2$.

A)$0{,}5 \times 10^3\text{ kg/m}^3$
B)$1{,}0 \times 10^3\text{ kg/m}^3$
C)$2{,}0 \times 10^3\text{ kg/m}^3$
D)$4{,}0 \times 10^3\text{ kg/m}^3$
E)$8{,}0 \times 10^3\text{ kg/m}^3$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2020

C
Resolução

Uma esfera totalmente submersa é solta e leva 4,0 s para descer 40 m no lago. Conhecendo a densidade da água, queremos a densidade da esfera. O tempo e a profundidade dão a aceleração, e a aceleração, comparada com $g$, dá a relação entre as densidades. Note que o volume e a massa não são dados e se cancelam.

Na descida agem o peso, para baixo, e o empuxo, para cima, e a resultante é $ma$. Como a aceleração medida é 5 m/s², menor que $g$, o empuxo está freando parte da queda. A cinemática de aceleração constante fornece $a$, a segunda lei de Newton relaciona $a$ às densidades e a álgebra fecha o resultado.

Partindo do repouso, \[h=\dfrac{1}{2}at^2\;\Rightarrow\;40=\dfrac{1}{2}\,a\,(4)^2\;\Rightarrow\;a=5{,}0\text{ m/s}^2\] Segunda lei de Newton, com peso e empuxo escritos pelas densidades: \[\rho_{esf}Vg-\rho_{H_2O}Vg=\rho_{esf}V\,a\] Cancelando $V$ e isolando $\rho_{esf}$, \[\rho_{esf}\,(g-a)=\rho_{H_2O}\,g\;\Rightarrow\;\rho_{esf}=\dfrac{10^3\cdot10}{10-5}=2{,}0\times10^{3}\text{ kg/m}^3\]

A densidade da esfera é $2{,}0\times10^3\text{ kg/m}^3$. Uma checagem rápida: a esfera afunda, então precisa ser mais densa que a água, e o dobro da densidade dá empuxo igual à metade do peso, portanto aceleração $g/2=5\text{ m/s}^2$, exatamente o que a cinemática indicou.

Cuidado, armadilha! Usar só o peso, ou seja, tratar a queda como livre, daria $a=g$ e tempo de cerca de 2,8 s para os 40 m, incompatível com os 4,0 s do enunciado. O tempo maior denuncia a presença do empuxo. Outro deslize é escrever a resultante como $\rho_{H_2O}V\,a$ em vez de usar a massa da esfera, $\rho_{esf}V$: a inércia é sempre a do corpo que acelera.

Alternativa correta: C

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