EFOMM 2021 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2020/2021 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Mecânica — Cinemática — Rolamento sem Derrapagem

Um carro parte do repouso e se desloca em linha reta com aceleração constante de módulo $2\text{ m/s}^2$, sem que ocorra derrapagem. Considere o momento em que o veículo está a uma distância de 25 m do seu ponto de partida. Nesse instante, o ponto mais veloz de qualquer pneu do carro, em relação ao solo, tem velocidade de módulo igual a:

A)10 m/s
B)15 m/s
C)20 m/s
D)28 m/s
E)31 m/s

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

C
Resolução

O carro parte do repouso, acelera com $2\text{ m/s}^2$ e não derrapa. Pede-se a velocidade do ponto mais veloz de um pneu, em relação ao solo, quando o carro percorreu 25 m. A massa e o raio do pneu não aparecem: o resultado não depende deles.

Primeiro achamos a velocidade do centro da roda, que é a do carro, pela cinemática. Depois usamos que, sem derrapagem, o pneu faz translação mais rotação. A ideia central é esta: o ponto de contato com o chão está parado, e o ponto do topo soma a velocidade de translação com a de rotação, que tem o mesmo módulo.

Com aceleração constante e partida do repouso, Torricelli resolve: \[v_{cm}^2 = 2a\,\Delta x = 2\cdot 2\cdot 25 = 100 \implies v_{cm}=10\text{ m/s}\] No rolamento puro, $\omega R = v_{cm}$. No topo os dois efeitos apontam no mesmo sentido: \[v_{topo}=v_{cm}+\omega R = 2v_{cm}=20\text{ m/s}\]

O ponto mais veloz tem 20 m/s. Para fechar com segurança: o ponto de baixo vale 0 e o centro vale 10 m/s, então 20 m/s é o máximo possível no pneu.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é parar em 10 m/s, a velocidade do carro, e marcar esse valor. A pergunta é sobre o ponto mais veloz do pneu, não sobre o centro. Desenhe a roda e some os vetores: no topo eles se somam, no chão se anulam.

Alternativa correta: C

Q22
Mecânica — Estática — Estrutura de Tensegridade

A tensegridade (ou integridade tensional) é uma característica de uma classe de estruturas mecânicas cuja sustentação está baseada quase que exclusivamente na tensão de seus elementos conectores. Estruturas com essa propriedade, exemplificadas nas imagens abaixo, parecem desafiar a gravidade, justamente por prescindirem de elementos rígidos sob compressão, como vigas e colunas:

Banco de tensegridade suspenso exclusivamente por cordas flexíveis comuns

Banco de tensegridade suspenso exclusivamente por cordas flexíveis comuns
Fonte: https://www.instagram.com/p/B_d0qmmJxtk/

A figura abaixo representa uma estrutura de tensegridade formada por uma porção suspensa (as duas tábuas horizontais junto da coluna vertical à esquerda), de peso P e com centro de massa no ponto A, que se liga a uma parede fixa e ao chão através de 2 cordas tensionadas:

Esquema da estrutura de tensegridade com indicação das cordas 1 e 2 e dimensões d1, d2, h1, h2
  • $d_1$: distância horizontal entre o ponto A e a corda 1
  • $d_2$: distância horizontal entre o ponto A e a corda 2
  • $h_1$: distância vertical entre o ponto A e o ponto de contato da corda 1 na porção suspensa
  • $h_2$: distância vertical entre o ponto A e o ponto de contato da corda 2 na porção suspensa

Se a estrutura está em equilíbrio, então a tensão na corda 2 vale:

A)$\dfrac{P d_1 d_2}{h_1(d_2 - d_1)}$
B)$\dfrac{P d_2 h_1}{d_2(d_2 - d_1)}$
C)$\dfrac{P d_2}{d_2 - d_1}$
D)$\dfrac{P d_2 h_2}{h_1(d_2 - d_1)}$
E)$\dfrac{P d_1}{d_2 - d_1}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

E
Resolução

Temos uma porção suspensa de peso $P$, com centro de massa em A, presa por duas cordas: a corda 1 puxa a estrutura para cima e a corda 2 a puxa para baixo. O enunciado dá as distâncias horizontais $d_1$ e $d_2$ de cada corda ao ponto A e pede a tensão na corda 2. Repare que as alturas $h_1$ e $h_2$ aparecem nos dados, mas não na expressão da resposta correta: elas funcionam como distração neste caminho.

Há duas incógnitas, $T_1$ e $T_2$, e portanto precisamos de duas equações de equilíbrio. A primeira vem da soma das forças verticais. A segunda vem dos torques, e aqui está a escolha que decide a questão: tomando o eixo no ponto A, o peso não produz torque, porque está aplicado no próprio A. Isso deixa uma equação limpa, só com as tensões e as distâncias horizontais.

Na vertical, a corda 1 sustenta o peso e ainda equilibra a corda 2, que puxa para baixo: \[T_1 = P + T_2\] Torques em relação ao ponto A, com as duas cordas girando a estrutura em sentidos opostos: \[T_1 d_1 = T_2 d_2 \implies (P+T_2)\,d_1 = T_2\, d_2\] Isolando $T_2$: \[T_2\,(d_2-d_1)=P\,d_1 \implies T_2=\dfrac{P\,d_1}{d_2-d_1}\]

O resultado corresponde à essa configuração. Vale um teste de bom senso: se $d_2$ tende a $d_1$, o denominador tende a zero e a tensão explode, o que faz sentido, pois as duas cordas teriam a mesma linha de ação e não conseguiriam equilibrar o torque. Se $d_1 \to 0$, a tensão vai a zero, coerente com o peso passando pela corda 1.

Cuidado, armadilha! Muitos alunos escolhem como eixo um ponto onde uma das cordas está presa e ficam com as duas tensões desconhecidas na mesma equação, sem conseguir fechar a conta. Antes de escrever os torques, pergunte: qual ponto elimina o maior número de incógnitas? Aqui é o centro de massa, que elimina o peso, e a equação das forças verticais completa o sistema. Cuidado também para não misturar $d$ com $h$ nos braços de alavanca.

Alternativa correta: E

Q23
Mecânica — Gravitação — Aceleração da Gravidade em Altitude

Um planeta perfeitamente esférico e de raio R tem aceleração da gravidade g em sua superfície. A aceleração da gravidade, em um ponto que está a uma altura h da superfície desse planeta, vale:

A)g
B)$\dfrac{g R^2}{(R+h)^2}$
C)$\dfrac{g R}{R+h}$
D)$\dfrac{g(R-h)^2}{R^2}$
E)$\dfrac{g(R-h)}{R}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

B
Resolução

O planeta é esférico, de raio $R$, com gravidade $g$ na superfície. Pede-se a gravidade a uma altura $h$ acima da superfície. Note que $h$ é medido a partir da superfície, e não do centro.

A gravidade vem da lei da gravitação: depende da massa do planeta e do inverso do quadrado da distância ao centro. Como não conhecemos $G$ nem a massa, usamos a superfície para eliminar o produto $GM$. Repare no ponto-chave: escrever a gravidade nos dois pontos.

Na superfície a distância ao centro é $R$: \[g=\dfrac{GM}{R^2}\implies GM=gR^2\] Na altura $h$ a distância é $R+h$: \[g'=\dfrac{GM}{(R+h)^2}=\dfrac{g\,R^2}{(R+h)^2}\]

É essa configuração. Teste pelos limites: com $h=0$ recuperamos $g'=g$, e com $h$ muito grande $g'$ tende a zero.

Cuidado, armadilha! O erro típico é escrever $R-h$ no lugar de $R+h$, o que descreve um ponto dentro do planeta. Lembre que a lei da gravitação sempre usa a distância até o centro: subiu $h$, a distância vira $R+h$.

Alternativa correta: B

Q24
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão Oblíqua entre Esferas

Uma bola de bilhar de raio R tem velocidade de módulo v, enquanto se desloca em linha reta sobre uma mesa horizontal sem atrito. Em algum momento, esse objeto atinge uma segunda bola em repouso, com mesmo raio e massa muito maior, cujo centro se localiza a uma distância R da reta que descreve sua trajetória. A situação é representada na figura abaixo:

Duas esferas de raio R com parâmetro de impacto igual a R

Após o impacto, a primeira esfera retorna para a esquerda em uma linha reta que faz $75^\circ$ (para baixo) com relação à trajetória horizontal inicial. Suponha que a força que atua em cada esfera durante a colisão é perpendicular à sua superfície e pode ser considerada constante, durante o curto intervalo de tempo em que age. A razão entre os módulos da velocidade final e da velocidade inicial da primeira esfera vale:

A)$\dfrac{\sqrt{6}-\sqrt{2}}{4}$
B)$\dfrac{\sqrt{6}+\sqrt{2}}{4}$
C)$\dfrac{\sqrt{6}}{2}$
D)$\dfrac{\sqrt{2}}{4}$
E)$\dfrac{\sqrt{2}}{2}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

E
Resolução

Uma bola leve, de raio $R$ e velocidade $v$, atinge uma segunda bola em repouso, de mesmo raio e massa muito maior, de modo que o centro dela fica a uma distância $R$ da reta da trajetória. A primeira bola volta para a esquerda, numa direção que faz $75^\circ$ com a horizontal inicial, e pede-se a razão entre as velocidades final e inicial. A massa muito maior indica que a bola pesada praticamente não se move. A pista mais importante é a frase sobre a força: ela é perpendicular à superfície, ou seja, atua ao longo da linha que une os centros.

Primeiro a geometria: no instante do contato os centros estão a $2R$ um do outro, e a trajetória passa a $R$ do centro da bola alvo, o que fixa o ângulo da linha de impacto. Depois a física: uma força só ao longo dessa linha não altera a componente da velocidade perpendicular a ela. Essa componente tangencial se conserva, e a componente normal é a que inverte e muda de módulo. Com o ângulo final dado, fechamos as duas componentes.

O ângulo $\phi$ entre a linha dos centros e a horizontal cumpre \[\sin\phi=\dfrac{R}{2R}=\dfrac12 \implies \phi=30^\circ\] A componente da velocidade perpendicular à linha dos centros é conservada: \[v_t=v\sin 30^\circ=\dfrac{v}{2}\] A tangente ao ponto de contato faz $60^\circ$ com a horizontal. Como a velocidade final faz $75^\circ$ com a horizontal, voltando para a esquerda, ela forma $45^\circ$ com a direção tangente. Logo a componente normal final é igual à tangencial, e \[v_f=\dfrac{v_t}{\cos 45^\circ}=\dfrac{v/2}{\sqrt2/2}=\dfrac{\sqrt2}{2}\,v\]

A razão vale $\sqrt2/2\approx 0{,}71$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: a bola perdeu velocidade na colisão, o que é esperado, e a razão é maior que o piso de $1/2$ dado pela parte tangencial, que nunca é perdida.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é tirar o ângulo da linha de impacto da figura ao olho, ou tomar $R$ como se fosse a distância entre os centros. A distância entre os centros no contato é $2R$, e é daí que sai o seno de $1/2$. Outro deslize é conservar a componente na direção errada: o que se conserva é a perpendicular à força, não a horizontal. Desenhe a linha dos centros antes de decompor qualquer velocidade.

Alternativa correta: E

Q25
Ondulatória — MHS — Pêndulo Cônico e Período de Rotação

Um objeto de massa m é preso ao teto por um fio inextensível, sem massa e com comprimento L. De forma adequada, a massa é posta a girar com velocidade de módulo constante, descrevendo uma trajetória circular de raio $L/3$ no plano horizontal. Se g é o módulo da aceleração da gravidade, o período de rotação do pêndulo é:

A)$\left(\dfrac{8\sqrt{2}\pi^2 L}{3g}\right)^{1/2}$
B)$\left(\dfrac{2\pi^2 L}{g}\right)^{1/2}$
C)$\left(\dfrac{3\sqrt{2}\pi^2 L}{g}\right)^{1/2}$
D)$\left(\dfrac{4\pi^2 L}{g}\right)^{1/2}$
E)$\left(\dfrac{\sqrt{3}\pi^2 L}{g}\right)^{1/2}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

A
Resolução

Uma massa presa a um fio de comprimento $L$ gira num plano horizontal, com velocidade constante, em uma circunferência de raio $L/3$. Pede-se o período de rotação em função de $L$ e $g$. É um pêndulo cônico: o fio desenha um cone e a massa é a ponta que gira. A massa $m$ é distração, pois deve cancelar no final.

Sobre a massa agem só o peso e a tração do fio. A componente vertical da tração equilibra o peso, e a componente horizontal é a resultante centrípeta. Dividindo uma equação pela outra eliminamos a tração e a massa e ficamos com a tangente do ângulo do fio com a vertical. A geometria do triângulo formado por fio, raio e vertical nos dá esse ângulo.

O ângulo $\theta$ com a vertical cumpre \[\sin\theta=\dfrac{L/3}{L}=\dfrac13 \implies \cos\theta=\dfrac{2\sqrt2}{3},\quad \tan\theta=\dfrac{1}{2\sqrt2}\] As equações da dinâmica dão $T\cos\theta=mg$ e $T\sin\theta=m\omega^2 r$, e portanto \[\omega^2=\dfrac{g\tan\theta}{r}=\dfrac{g/(2\sqrt2)}{L/3}=\dfrac{3g}{2\sqrt2\,L}\] O período vem de $T=2\pi/\omega$: \[T^2=\dfrac{4\pi^2}{\omega^2}=\dfrac{8\sqrt2\,\pi^2 L}{3g}\]

Extraindo a raiz, $T=\left(\dfrac{8\sqrt2\,\pi^2L}{3g}\right)^{1/2}$. Só para conferir: a unidade de $L/g$ é segundo ao quadrado, então a raiz dá segundos. O valor numérico do fator, $8\sqrt2/3\approx 3{,}8$, fica próximo de $4$, o que reproduz a ordem de grandeza do pêndulo simples $T=2\pi\sqrt{L/g}$.

Cuidado, armadilha! O erro típico é medir o ângulo em relação à horizontal e trocar seno por cosseno, ou usar $\tan\theta$ com o ângulo errado. Aqui o ângulo é sempre o do fio com a vertical, porque é ele que liga a tração ao peso. Confira o resultado com um caso limite: para raio pequeno, o pêndulo se comporta como um pêndulo simples e o período deve se aproximar de $2\pi\sqrt{L/g}$.

Alternativa correta: A

Q26
Termologia — Termodinâmica — Equilíbrio e Empuxo de Balão de Hélio

Um balão de volume $V = 50\text{ l}$ está cheio de gás hélio e amarrado por uma corda de massa desprezível a um pequeno objeto de massa m. Esse balão encontra-se em um ambiente onde a temperatura é de $27^\circ\text{C}$ e a pressão vale $1\text{ atm}$. Considerando-se que a pressão no interior do balão seja de $2\text{ atm}$ e que o gás está em equilíbrio térmico com o exterior, qual deve ser o menor valor possível da massa m, para que o balão permaneça em repouso?

(Dados: Massa molar do ar = $29{,}0\text{ g/mol}$; massa molar do hélio = $4{,}0\text{ g/mol}$; constante $R = 0{,}082\text{ atm}\cdot\text{l/mol}\cdot\text{K}$; massa do invólucro do balão desprezível)

A)16 g
B)22 g
C)29 g
D)37 g
E)43 g

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

E
Resolução

Um balão de 50 litros com hélio a 2 atm está preso por uma corda a um pequeno objeto de massa $m$. Fora dele, o ar está a 1 atm e 27 graus Celsius, e o hélio está na mesma temperatura. Pede-se o menor valor de $m$ para que o conjunto fique em repouso. A massa do invólucro é desprezível, então só contam o hélio, o objeto e o ar deslocado.

Aqui está a sacada: o balão sobe porque o empuxo, que é o peso do ar deslocado, supera o peso do hélio. O objeto preso serve de lastro para compensar essa diferença. No limite do repouso, o empuxo iguala o peso do hélio somado ao peso do objeto. Para as massas de gás usamos a equação de Clapeyron, com a pressão certa em cada caso: 2 atm para o hélio interno e 1 atm para o ar que o balão desloca.

Com $T=300\text{ K}$, a quantidade de hélio é \[n_{He}=\dfrac{2\cdot 50}{0{,}082\cdot 300}\approx 4{,}07\text{ mol}\implies m_{He}\approx 4{,}07\cdot 4{,}0\approx 16{,}3\text{ g}\] O ar deslocado, no volume de 50 litros à pressão externa de 1 atm, tem massa \[m_{ar}=\dfrac{1\cdot 50}{0{,}082\cdot 300}\cdot 29{,}0\approx 58{,}9\text{ g}\] No limite do repouso, empuxo igual a peso total: \[m_{ar}=m_{He}+m \implies m\approx 58{,}9-16{,}3\approx 42{,}7\text{ g}\]

O valor mínimo é cerca de 43 g. Uma checagem rápida: 50 litros de ar a 1 atm pesam quase 60 g, e o hélio, bem mais leve, mesmo comprimido a 2 atm, carrega só uma fração disso. Uma massa da ordem de dezenas de gramas é coerente.

Cuidado, armadilha! O erro comum é tratar o empuxo como toda a força que precisa ser equilibrada e esquecer que o hélio também tem peso, o que dá 59 g e leva a uma alternativa maior. Outro erro é usar 2 atm no cálculo do ar deslocado: o ar de fora está a 1 atm. Sempre escreva o diagrama de forças antes: empuxo para cima, peso do hélio e peso do objeto para baixo.

Alternativa correta: E

Q27
Mecânica — Quantidade de Movimento — Conservação de Energia Elástica e Quantidade de Movimento

Uma mola de massa desprezível e de constante elástica $k = 100\text{ N/m}$ tem um tamanho natural de 1 m e é comprimida para que se acomode num espaço de 60 cm entre duas caixas de massas 1 kg e 2 kg. O piso horizontal não tem atrito, e o sistema é mantido em repouso por um agente externo não representado na figura.

Mola comprimida entre duas caixas sobre piso horizontal

Assim que o sistema é liberado, a mola se expande e empurra as caixas até atingir novamente seu tamanho natural, momento em que o contato entre os três objetos é perdido. A partir desse instante, a caixa de massa 1 kg segue com velocidade constante de módulo:

A)$2\sqrt{2}\text{ m/s}$
B)$\dfrac{3}{2}\sqrt{2}\text{ m/s}$
C)4 m/s
D)$4\sqrt{\dfrac{2}{3}}\text{ m/s}$
E)5 m/s

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

D
Resolução

Uma mola de constante $k=100\text{ N/m}$ e tamanho natural de 1 m foi comprimida até 60 cm entre duas caixas de 1 kg e 2 kg, sobre um piso sem atrito. Ao ser liberado, o sistema empurra as caixas até a mola voltar ao tamanho natural, e o contato se perde. Pede-se a velocidade final da caixa de 1 kg. O que importa é a compressão de $0{,}4\text{ m}$, e não o comprimento total.

Não há forças externas horizontais, então a quantidade de movimento total, inicialmente nula, se conserva. Não há atrito, então a energia elástica se converte integralmente em energia cinética das duas caixas. Duas equações, duas velocidades: é o caminho direto. Note que a energia não se divide igualmente, e sim de acordo com as massas.

A energia armazenada é \[E_{el}=\dfrac12 k x^2=\dfrac12\cdot 100\cdot(0{,}4)^2=8\text{ J}\] A conservação da quantidade de movimento dá $1\cdot v_1=2\cdot v_2$, isto é, $v_2=v_1/2$. Na energia: \[\dfrac12(1)v_1^2+\dfrac12(2)\left(\dfrac{v_1}{2}\right)^2=8\implies \dfrac34 v_1^2=8\implies v_1^2=\dfrac{32}{3}\] \[v_1=4\sqrt{\dfrac23}\text{ m/s}\approx 3{,}3\text{ m/s}\]

O resultado é essa configuração. Para fechar com segurança: a caixa leve deve ficar com a maior parte da energia. Ela leva $\tfrac12\cdot 1\cdot\tfrac{32}{3}=\tfrac{16}{3}\approx 5{,}3\text{ J}$ e a pesada leva $\tfrac{8}{3}\approx 2{,}7\text{ J}$, somando os 8 J iniciais.

Cuidado, armadilha! A tentação é dividir os 8 J igualmente, 4 J para cada caixa, e obter $v=2\sqrt2\text{ m/s}$. Isso ignora que as forças são iguais e opostas, mas as acelerações não, porque as massas são diferentes. Quem impõe a divisão é a conservação da quantidade de movimento. Sempre a use primeiro para relacionar as velocidades e só depois entre com a energia.

Alternativa correta: D

Q28
Eletricidade — Eletrostática — Equilíbrio de Cargas e Potencial em Esferas Condutoras

Considere que duas esferas metálicas de raios $R_1$ e $R_2$ (com $R_1 > R_2$) estão, em princípio, isoladas e no vácuo. Considere ainda que elas foram eletrizadas com cargas elétricas positivas e iguais. Num dado momento, elas são postas em contato e, logo em seguida, afastadas. Pode-se afirmar, então, em relação às cargas $Q_1$ e $Q_2$ e potenciais $V_1$ e $V_2$ das esferas 1 e 2, respectivamente, que:

A)$V_1 \lt V_2$ e $Q_1 = Q_2$
B)$V_1 = V_2$ e $Q_1 = Q_2$
C)$V_1 > V_2$ e $Q_1 > Q_2$
D)$V_1 = V_2$ e $Q_1 > Q_2$
E)$V_1 > V_2$ e $Q_1 = Q_2$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

D
Resolução

Duas esferas metálicas de raios diferentes, com $R_1 \gt R_2$, começam com cargas positivas iguais. Elas são colocadas em contato e depois afastadas. A pergunta é como ficam as cargas e os potenciais ao final. Repare que o enunciado dá as cargas iniciais iguais, mas isso não vale mais depois do contato.

Durante o contato, as duas esferas formam um único condutor. Em um condutor em equilíbrio eletrostático, o potencial é o mesmo em todos os pontos. Então, cessado o fluxo de cargas, os potenciais se igualam. A partir disso, a relação entre carga e raio decide como a carga total se reparte.

Vamos comentar as duas grandezas. Os potenciais: as cargas escoam do condutor de maior potencial para o de menor até que \[V_1=V_2\] As cargas: o potencial de uma esfera condutora é $V=\dfrac{kQ}{R}$, logo \[\dfrac{kQ_1}{R_1}=\dfrac{kQ_2}{R_2}\implies \dfrac{Q_1}{Q_2}=\dfrac{R_1}{R_2}\gt 1\] Como $R_1 \gt R_2$, concluímos que $Q_1 \gt Q_2$.

Potenciais iguais e carga maior na esfera maior: essa configuração. Vale um teste de bom senso: a soma das cargas se conserva, e a esfera maior, que "comporta" mais carga para o mesmo potencial, fica com a maior parte.

Cuidado, armadilha! Quem lembra do exemplo de esferas idênticas em contato, em que a carga se divide ao meio, tende a supor cargas iguais no final. Isso só vale quando os raios são iguais. Com raios diferentes, o que se iguala é o potencial, e não a carga. Guarde a regra: em contato, iguala-se $V$, e a carga fica proporcional ao raio.

Alternativa correta: D

Q29
Mecânica — Hidrostática — Manômetro em U e Pressão Efetiva de Gás

A figura mostra um recipiente que contém gás (porção à esquerda) em equilíbrio com um fluido de densidade $10^4\text{ kg/m}^3$ (porção à direita). As alturas ocupadas pelo fluido nas colunas do recipiente são $h_1 = 10\text{ cm}$ e $h_2 = 30\text{ cm}$. A coluna da direita está em contato com a atmosfera.

Manômetro em U com coluna de fluido h1 e h2 ligado a recipiente com gás

Sabendo-se que a aceleração da gravidade é de $10\text{ m/s}^2$ podemos afirmar que a diferença entre o valor da pressão do gás no compartimento e o valor da pressão atmosférica é de:

A)$2{,}1 \times 10^6\text{ N/m}^2$
B)$2{,}0 \times 10^6\text{ N/m}^2$
C)$1{,}2 \times 10^5\text{ N/m}^2$
D)$3{,}0 \times 10^4\text{ N/m}^2$
E)$2{,}0 \times 10^4\text{ N/m}^2$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

E
Resolução

Um recipiente com gás, à esquerda, está em equilíbrio com um fluido de densidade $10^4\text{ kg/m}^3$ à direita, cuja coluna está aberta para a atmosfera. As alturas do fluido nas duas colunas são $h_1=10\text{ cm}$ e $h_2=30\text{ cm}$. Pede-se a diferença entre a pressão do gás e a pressão atmosférica, isto é, a pressão efetiva do gás. Lembre de converter os centímetros para metros.

Vamos usar a lei de Stevin: em um mesmo fluido em equilíbrio, a pressão só muda com a profundidade, na razão $\rho g$ por metro. Quem importa, então, é o desnível entre as duas superfícies do fluido, e não as alturas medidas separadamente a partir do fundo. Esse desnível faz a ponte entre a pressão do gás e a da atmosfera.

O desnível entre as superfícies é \[\Delta h=h_2-h_1=0{,}30-0{,}10=0{,}20\text{ m}\] Pela lei de Stevin, com o gás em um lado e a atmosfera no outro: \[P_{gás}-P_{atm}=\rho g\,\Delta h=10^4\cdot 10\cdot 0{,}20=2{,}0\times 10^4\text{ N/m}^2\]

A diferença é $2{,}0\times10^4\text{ N/m}^2$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: esse valor é da ordem de um quinto da pressão atmosférica, que é cerca de $10^5\text{ N/m}^2$, plausível para 20 cm de um fluido dez vezes mais denso que a água.

Cuidado, armadilha! O erro é usar $h_1$ ou $h_2$ sozinhos, ou somá-los, quando o que vale é a diferença. A pressão do fluido depende do desnível entre duas superfícies, não da altura total. Outro deslize comum é esquecer a conversão de 20 cm para 0,20 m, o que muda o resultado por um fator de cem.

Alternativa correta: E

Q30
Ondulatória — MHS — Movimento Harmônico Simples e Constante Elástica

Um bloco de massa 200 g, preso a uma mola de massa desprezível, realiza um movimento harmônico simples de amplitude 20 cm sobre uma superfície horizontal, conforme apresentado na figura. Mede-se que o tempo decorrido entre a primeira passagem pelo ponto $X = -10\text{ cm}$, com sentido para a esquerda, e a segunda passagem por X ao voltar, é de 1 s. Com base nessas observações, é possível afirmar que a constante elástica da mola, dada em N/m, é (considere $\pi = 3$):

Oscilador MHS horizontal de massa m e amplitude A com indicação do ponto X
A)0,1
B)0,4
C)0,8
D)1,0
E)2,0

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

C
Resolução

Um bloco de 200 g, preso a uma mola, oscila em MHS com amplitude de 20 cm. O tempo entre a primeira passagem por $X=-10\text{ cm}$, indo para a esquerda, e a segunda passagem pelo mesmo ponto, na volta, vale 1 s. Pede-se a constante elástica $k$, com $\pi=3$. Note que o enunciado não dá o período direto: ele dá um intervalo entre duas passagens, e é preciso traduzi-lo em fase.

Primeiro achamos $\omega$ a partir desse intervalo, usando a função horária $x=A\cos\phi$ e os ângulos de fase em que $x=-A/2$. Depois usamos $\omega^2=k/m$. A sacada é que o bloco vai até a extremidade esquerda e volta, então o intervalo de 1 s inclui o "passeio" até $-A$ e o retorno, e corresponde a uma variação de fase bem definida, que não é linear no deslocamento.

A posição $x=-10\text{ cm}$ com $A=20\text{ cm}$ cumpre \[\cos\phi=\dfrac{-10}{20}=-\dfrac12\] Isso dá $\phi_1=2\pi/3$ na passagem para a esquerda e $\phi_2=4\pi/3$ no retorno. A variação de fase no intervalo de 1 s é \[\Delta\phi=\dfrac{4\pi}{3}-\dfrac{2\pi}{3}=\dfrac{2\pi}{3}\implies \omega=\dfrac{2\pi}{3}\text{ rad/s}=2\text{ rad/s}\quad(\pi=3)\] Com $m=0{,}20\text{ kg}$: \[k=m\omega^2=0{,}20\cdot 2^2=0{,}8\text{ N/m}\]

O valor obtido é $0{,}8\text{ N/m}$. Só para conferir: com $\omega=2\text{ rad/s}$, o período é cerca de $3\text{ s}$, e o tempo de 1 s entre as passagens é um terço do período, coerente com $2\pi/3$ de fase em $2\pi$. A massa em quilogramas, e não em gramas, dá uma constante pequena, como a de uma mola macia.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tratar a fase como proporcional à posição, por exemplo achar que ir de $-10\text{ cm}$ até $-20\text{ cm}$ e voltar equivale a uma fração simples do período pelo deslocamento. O MHS é um cosseno: a relação entre posição e fase passa por $\cos\phi=-1/2$, e é isso que dá os ângulos de $120^\circ$ e $240^\circ$. Outro cuidado é converter 200 g para $0{,}2\text{ kg}$.

Alternativa correta: C

Q31
Ondulatória — Acústica — Efeito Doppler em Onda Refletida

Uma fonte de ondas sonoras emite uma onda com 440 Hz de frequência em direção a um objeto que dela se afasta. A onda, após ser refletida pelo objeto, retorna à fonte, que mede o novo valor de 272 Hz para sua frequência. Considere que o objeto e a fonte estão sempre em uma mesma reta e que a velocidade do som no ar vale $340\text{ m/s}$. Quanto vale, em m/s, o módulo da velocidade do objeto?

A)60
B)64
C)72
D)80
E)88

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

D
Resolução

Uma fonte emite 440 Hz em direção a um objeto que se afasta. O som reflete e volta à fonte, que mede 272 Hz. Com $v_{som}=340\text{ m/s}$, pede-se a velocidade do objeto. Repare que a fonte fica parada e o objeto é quem se move, e que o som sofre efeito Doppler duas vezes no trajeto.

Na ida, o objeto é um observador que se afasta da fonte, e ouve uma frequência menor. Na volta, o objeto é uma fonte que se afasta do detector e reemite o que recebeu, então a frequência cai de novo. Compondo as duas etapas, obtemos uma equação só para a velocidade do objeto, e a sacada é que a frequência intermediária se cancela.

Na ida e na volta: \[f'=f_0\,\dfrac{v_{som}-v}{v_{som}},\qquad f''=f'\,\dfrac{v_{som}}{v_{som}+v}=f_0\,\dfrac{v_{som}-v}{v_{som}+v}\] Substituindo os dados: \[\dfrac{340-v}{340+v}=\dfrac{272}{440}=\dfrac{34}{55}\implies 55(340-v)=34(340+v)\] \[89\,v=21\cdot 340=7140\implies v\approx 80\text{ m/s}\]

O resultado, cerca de 80 m/s, é essa configuração. Uma checagem rápida: com $v=80$, a razão $(340-80)/(340+80)=260/420\approx 0{,}62$ leva 440 Hz a cerca de 272 Hz, e o objeto é subsônico, como deve ser para que a análise valha.

Cuidado, armadilha! O erro é aplicar o efeito Doppler uma única vez, como se o objeto fosse apenas um ouvinte, ou usar o mesmo sinal nas duas etapas. Há duas trocas de referencial: primeiro o objeto é receptor em afastamento, depois é emissor em afastamento. Monte as duas frações com atenção ao sinal: nas duas o objeto se afasta, então o numerador diminui na ida e o denominador aumenta na volta.

Alternativa correta: D

Q32
Óptica — Refração — Refração e Profundidade Real

Ana Clara está brincando à beira de uma piscina cheia de água, quando acidentalmente sua boneca cai na piscina, a uma distância horizontal de 1,9 m da borda, e afunda. Embora Ana Clara seja uma menina muito inteligente, ela ainda não teve aulas de Física e desconhece as leis da refração da luz. Por essa razão, ela estima que sua boneca está a 0,95 m de profundidade. Sabe-se que Ana Clara está exatamente na borda da piscina, conforme figura abaixo, e que a distância vertical entre seus olhos e a superfície da água é de 0,95 m. Então, pode-se afirmar que a real profundidade da piscina, em metros, é de aproximadamente:

Ana Clara na borda da piscina observando imagem aparente da boneca no fundo

(Dados: índice de refração do ar: 1,0; índice de refração da água: 1,33; $\sin 32^\circ = 0{,}53$; $\cos 32^\circ = 0{,}85$)

A)0,95 m
B)1,15 m
C)1,30 m
D)1,40 m
E)1,50 m

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

E
Resolução

A boneca caiu na piscina a 1,9 m da borda, e Ana Clara, na borda, com os olhos a 0,95 m acima da água, a vê a 0,95 m de profundidade. Essa é a profundidade aparente, e a pergunta é a real. Os dados de $\sin 32^\circ$ e $\cos 32^\circ$ mostram que o ângulo de refração será de $32^\circ$, e o índice da água é 1,33.

Primeiro, a menina enxerga a boneca na direção da linha reta que vai dos olhos até a imagem aparente. Essa linha define o ângulo de incidência no ar. Depois, usamos a lei de Snell na superfície para obter o ângulo do raio dentro da água. Por fim, a geometria do triângulo na água liga a distância horizontal percorrida à profundidade real. Aqui está a sacada: o raio real é mais vertical que o aparente, e por isso a boneca está mais funda do que parece.

A linha de visada tem cateto vertical $0{,}95+0{,}95=1{,}90\text{ m}$ e cateto horizontal $1{,}90\text{ m}$, então a incidência é de $45^\circ$. Ela corta a superfície a $0{,}95\text{ m}$ da borda, sobrando na água um deslocamento horizontal de $1{,}90-0{,}95=0{,}95\text{ m}$. Snell: \[1{,}33\,\sin r=1{,}0\cdot\sin45^\circ\approx0{,}707\implies \sin r\approx0{,}53\implies r=32^\circ\] Na água, o raio percorre $0{,}95\text{ m}$ na horizontal, com ângulo $r$ em relação à vertical: \[H=\dfrac{0{,}95}{\tan32^\circ}=\dfrac{0{,}95}{0{,}53/0{,}85}\approx1{,}5\text{ m}\]

A profundidade real fica em torno de $1{,}5\text{ m}$. Para fechar com segurança: a profundidade real deve superar a aparente de $0{,}95\text{ m}$, e a razão entre as duas, cerca de 1,6, é da ordem do índice de refração da água, como se espera de uma observação inclinada.

Cuidado, armadilha! O erro é tratar os $0{,}95\text{ m}$ como se fossem a profundidade real, ou seja, marcar a alternativa A, quando esse número é justamente a ilusão que o problema quer desfazer. Cuidado também com a geometria: o triângulo da água não usa os $1{,}9\text{ m}$ inteiros, e sim só o trecho depois do ponto onde o raio cruza a superfície. Faça o desenho separando o que está acima e abaixo da água.

Alternativa correta: E

Q33
Termologia — Calorimetria — Troca de Calor com Aquecimento Elétrico

Um calorímetro está acoplado a um circuito elétrico composto por uma bateria que fornece uma tensão $V = 10\text{ V}$, uma chave S e um resistor de resistência $R = 1{,}0\,\Omega$ capaz de fornecer energia térmica a seu interior. Um termômetro T também está no interior do calorímetro, conforme figura abaixo.

Circuito colorido com fonte V, chave S, termômetro T e resistor R no interior de um calorímetro com água e gelo

Utilizando esse equipamento, foi feito o seguinte procedimento experimental:

  1. colocou-se 100 g de água a $10^\circ\text{C}$ e 50 g de gelo com temperatura de $-10^\circ\text{C}$ no calorímetro;
  2. ligou-se a chave S por 220 s e desligou-se em seguida;
  3. esperou-se que o termômetro T indicasse que o sistema (água + gelo) alcançara o equilíbrio térmico e, então, foi feita a leitura da temperatura interna.

Considerando-se que o termômetro e o calorímetro têm capacidade térmica desprezível e toda energia dissipada pelo resistor se converteu em calor, espera-se que a temperatura indicada no termômetro T seja de:

(Dados: calor específico do gelo = $0{,}5\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}$; calor específico da água = $1{,}0\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}$; calor latente de fusão do gelo = $80\text{ cal/g}$; $1\text{ cal} = 4\text{ J}$)

A)$15^\circ\text{C}$
B)$20^\circ\text{C}$
C)$25^\circ\text{C}$
D)$30^\circ\text{C}$
E)$35^\circ\text{C}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

A
Resolução

Em um calorímetro há 100 g de água a $10^\circ\text{C}$ e 50 g de gelo a $-10^\circ\text{C}$. Um resistor de $1{,}0\ \Omega$, ligado a 10 V, dissipa energia por 220 s. Depois se espera o equilíbrio e lê-se a temperatura. O enunciado diz que o calorímetro e o termômetro têm capacidade térmica desprezível e que toda a energia elétrica vira calor, então não há perdas a considerar.

Primeiro, a energia elétrica entregue em joules e convertida em calorias. Depois, um balanço de energia: a energia do resistor mais o calor cedido pela água quente deve cobrir o aquecimento do gelo, a fusão completa e o aquecimento da água resultante. Antes de igualar, é preciso checar se o gelo derrete totalmente, e a energia é grande o bastante para isso.

A energia do resistor é \[E=\dfrac{V^2}{R}\,\Delta t=\dfrac{10^2}{1{,}0}\cdot220=22\,000\text{ J}=5500\text{ cal}\] O gelo precisa de $50\cdot0{,}5\cdot10=250\text{ cal}$ para chegar a $0^\circ\text{C}$ e de $50\cdot80=4000\text{ cal}$ para derreter. A água inicial, ao resfriar até $0^\circ\text{C}$, libera $100\cdot1\cdot10=1000\text{ cal}$. Como $5500+1000\gt4250$, o gelo derrete todo e sobra energia para aquecer os 150 g de água: \[5500+1000-250-4000=150\cdot1\cdot T_f\implies T_f=\dfrac{2250}{150}=15^\circ\text{C}\]

A temperatura final é de $15^\circ\text{C}$. Vale um teste de bom senso: sem o resistor, o sistema ficaria em $0^\circ\text{C}$ com gelo sobrando, e os 5500 cal extras elevam, no total, apenas 15 graus porque quase 4000 cal vão só para a fusão.

Cuidado, armadilha! Neste tipo de questão o aluno costuma errar o balanço, esquecendo uma das parcelas: o aquecimento do gelo até zero, a fusão ou o esfriamento da água inicial. Aqui a capacidade térmica do calorímetro foi dada como desprezível, então não entra, mas em outras provas ela aparece e deve entrar no balanço. Outro deslize é esquecer a conversão de joules para calorias, com $1\text{ cal}=4\text{ J}$.

Alternativa correta: A

Q34
Termologia — Termodinâmica — Ciclo de Carnot em Refrigeração

Um refrigerador que opera sob o ciclo de Carnot tem potência de 200 W e devolve 1400 J de calor ao exterior a cada segundo. Em um dia de verão, em que a temperatura ambiente é de $27^\circ\text{C}$, a mínima temperatura que se pode obter no interior do refrigerador é de:

A)$-20^\circ\text{C}$
B)$-16^\circ\text{C}$
C)$-10^\circ\text{C}$
D)$0^\circ\text{C}$
E)$2^\circ\text{C}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

B
Resolução

Um refrigerador de Carnot tem potência de 200 W e rejeita 1400 J de calor por segundo para o ambiente, a $27^\circ\text{C}$. Pede-se a menor temperatura possível no interior. A potência é o trabalho por segundo, e os 1400 J por segundo são o calor lançado na fonte quente.

No refrigerador, trabalho mais calor retirado da fonte fria dá o calor rejeitado na fonte quente. Como o ciclo é de Carnot, a razão entre os calores é a razão entre as temperaturas absolutas. Dois passos: achar o calor retirado do interior e aplicar a proporção em kelvin.

Por segundo, o calor retirado do interior é \[Q_C=Q_H-W=1400-200=1200\text{ J}\] Com $T_H=27+273=300\text{ K}$: \[\dfrac{Q_C}{Q_H}=\dfrac{T_C}{T_H}\implies T_C=300\cdot\dfrac{1200}{1400}\approx257\text{ K}\implies t_C\approx-16^\circ\text{C}\]

A menor temperatura é cerca de $-16^\circ\text{C}$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o interior é mais frio que o ambiente, e a razão $12/14$ é próxima de 1, então a queda é modesta, como numa geladeira comum.

Cuidado, armadilha! Em toda razão de temperaturas de Carnot, use kelvin. Com graus Celsius o resultado sai fora de escala. Outro erro é trocar os calores: os 1400 J são o rejeitado, vão para $Q_H$, e não são o retirado do interior.

Alternativa correta: B

Q35
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Espira Suspenso em Campos Magnéticos (Questão Anulada)

Suponha uma espira condutora retangular, homogênea e rígida, de massa 200 g, comprimento horizontal de 1 m e vertical de 0,5 m, pela qual passa uma corrente de 4 A no sentido anti-horário. Essa espira está presa ao teto por dois fios isolantes, considerados ideais, de mesmo comprimento. Adicionalmente, suponha que existam dois campos magnéticos uniformes, em duas regiões limitadas pela linha tracejada que corta a espira ao meio e de módulo B na região I e 2B na região II, apontando para dentro do papel e atravessando a espira perpendicularmente, conforme demonstrado na figura. Supondo a gravidade $g = 10\text{ m/s}^2$ e que cada fio suporte 0,5 N, qual deve ser o valor do módulo de B para que os fios não se rompam?

Espira retangular suspensa no teto por fios imersa em regiões com campos B e 2B
A)0,25 T
B)0,50 T
C)0,75 T
D)1,00 T
E)1,25 T

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

QUESTÃO ANULADA
Resolução

Uma espira retangular de 200 g, com lados de 1 m e $0{,}5\text{ m}$ e corrente de 4 A, está presa ao teto por dois fios, cada um suportando 0,5 N. Uma linha tracejada a divide em duas regiões, com campo $B$ de um lado e $2B$ do outro. Pergunta-se o valor de $B$ para que os fios não rompam.

O caminho normal seria somar as forças magnéticas nos ramos da espira e comparar com o limite dos fios. Mas, antes de investir na conta, vamos verificar o que os fios suportam sem nenhuma força magnética.

O peso da espira, com $g=10\text{ m/s}^2$, e o limite dos dois fios valem $$P=mg=0{,}200\cdot10=2\text{ N},\qquad 2\cdot0{,}5=1\text{ N}$$ Repare que o peso sozinho é o dobro do que os fios aguentam.

A banca anulou o item oficialmente, então nenhuma alternativa deve ser indicada como correta. Pelos dados, o limite dos fios é menor que o peso da espira, o que deixa o enunciado inconsistente, e isso provavelmente pesou na anulação.

Cuidado, armadilha! O erro aqui é gastar dez minutos com as forças magnéticas e escolher uma alternativa com convicção. Numa prova real, se os dados parecerem contraditórios, faça uma verificação rápida de coerência, como a que fizemos entre peso e tração máxima, e não force uma resposta. Marque a questão, avance e volte só se sobrar tempo.

Questão anulada pelo gabarito oficial — inconsistência entre as direções das forças magnéticas nos ramos da espira e a tração máxima suportada pelos fios (o peso da espira já excede o limite dado).

Q36
Eletricidade — Eletrostática — Campo Elétrico Resultante em Hexágono Regular

Considere um hexágono regular, de lado r, com partículas carregadas mantidas fixas sobre seus vértices, conforme mostra a figura. Uma sétima carga q é posicionada a uma distância $r/2$ das cargas vizinhas. Qual deve ser o módulo da carga q, para que o campo elétrico no ponto P, no centro do hexágono, seja nulo?

Hexágono regular com cargas nos vértices e carga q intermediária

Considere $\cos 60^\circ = 1/2$.

A)$q_1$
B)$\sqrt{3}q_1$
C)$2\sqrt{2}q_1$
D)$\dfrac{3\sqrt{3}q_1}{2}$
E)$4\sqrt{3}q_1$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

D
Resolução

Seis cargas fixas estão nos vértices de um hexágono regular de lado $r$, e uma sétima carga $q$ fica no ponto médio de um dos lados, a $r/2$ das cargas vizinhas. Pede-se o valor de $q$ para que o campo elétrico no centro P seja nulo. Como os vértices e o ponto médio de um lado ficam a distâncias diferentes do centro, é preciso comparar as distâncias com cuidado: os vértices estão a $r$ de P, e o ponto médio do lado está a $r\sqrt3/2$.

O campo no centro é a soma vetorial dos campos das seis cargas dos vértices, e explorando a simetria muitos termos se cancelam ou se agrupam. O que sobra pode ser reduzido a um único vetor. Para anulá-lo, a carga $q$ precisa produzir um campo de mesmo módulo, mesma direção e sentido contrário. O pulo do gato é este: a carga $q$ está sobre a mesma direção desse vetor resultante, e só falta igualar os módulos.

Depois de combinar as cargas dos vértices por simetria, restam duas resultantes de módulo $\dfrac{2kq_1}{r^2}$ cada, que formam entre si um ângulo de $60^\circ$. Seu total é \[E_{vert}=2\cdot\dfrac{2kq_1}{r^2}\cos30^\circ=\dfrac{2\sqrt3\,kq_1}{r^2}\] A carga $q$ está a $d=\dfrac{r\sqrt3}{2}$ do centro, então $d^2=\dfrac{3r^2}{4}$ e \[E_q=\dfrac{kq}{d^2}=\dfrac{4kq}{3r^2}\] Igualando os módulos: \[\dfrac{4kq}{3r^2}=\dfrac{2\sqrt3\,kq_1}{r^2}\implies q=\dfrac{6\sqrt3}{4}\,q_1=\dfrac{3\sqrt3}{2}\,q_1\]

O valor de $q$ é $\dfrac{3\sqrt3}{2}q_1\approx2{,}6\,q_1$. Só para conferir: o resultado é um múltiplo de $q_1$ de ordem de grandeza razoável, e a proporção $\dfrac{4}{3}$ vem de a carga estar mais perto do centro que os vértices, o que exige uma carga maior para o mesmo campo.

Cuidado, armadilha! O erro típico é somar os módulos dos campos como se fossem números, sem decompor em direções, ou usar $r/2$ como distância da carga $q$ ao centro. O $r/2$ é a distância até os vértices vizinhos, e não até P. A distância ao centro é a altura do triângulo, $r\sqrt3/2$. Desenhe os vetores, use a simetria para reduzir as contas e só então iguale os módulos.

Alternativa correta: D

Q37
Eletromagnetismo — Força Magnética — Motor Elétrico e Resistência Interna

Um motor elétrico ligado a uma rede com ddp de 127 V dissipa 40% da potência que recebe. Se por essa rede passa uma corrente de 2 A, qual é a resistência interna do motor?

A)10,1 $\Omega$
B)16,4 $\Omega$
C)25,4 $\Omega$
D)30,2 $\Omega$
E)50,1 $\Omega$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

C
Resolução

Um motor ligado a 127 V é percorrido por 2 A e dissipa 40% da potência que recebe. Pede-se a resistência interna. A parte dissipada é a que vira calor na resistência interna, e o resto é a potência útil.

A potência recebida é tensão vezes corrente. Dela, 40% se perde por efeito Joule. A sacada é aplicar $r\,i^2$ apenas à parte perdida, e não à potência total recebida.

A potência recebida e a dissipada valem \[P_{rec}=U\,i=127\cdot2=254\text{ W},\qquad P_{diss}=0{,}40\cdot254=101{,}6\text{ W}\] Como essa potência vem do efeito Joule: \[P_{diss}=r\,i^2\implies r=\dfrac{101{,}6}{2^2}=25{,}4\ \Omega\]

A resistência interna é $25{,}4\ \Omega$. Uma checagem rápida: se toda a potência fosse dissipada, teríamos $127/2=63{,}5\ \Omega$, e 40% disso dá $25{,}4\ \Omega$.

Cuidado, armadilha! O erro é calcular $U/i=63{,}5\ \Omega$, tratando o motor como resistor puro. Num motor, parte da tensão corresponde ao trabalho útil, e não cai na resistência interna. Separe primeiro a potência dissipada e depois use $r\,i^2$.

Alternativa correta: C

Q38
Mecânica — Hidrostática — Equilíbrio com Empuxo e Campo Elétrico

Considere um corpo cúbico de lado 20 cm, massa de 20 g e uniformemente carregado, localizado nas proximidades da superfície terrestre. Não despreze o ar, mas considere sua densidade igual a $1{,}2\text{ kg/m}^3$. Se na região existe um campo elétrico uniforme, voltado para cima, de módulo 52 N/C, qual deve ser a carga para que o corpo fique suspenso em equilíbrio no ar? Dado: $g = 10{,}0\text{ m/s}^2$.

A)1,0 mC
B)2,0 mC
C)4,0 mC
D)6,0 mC
E)8,0 mC

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

B
Resolução

Um cubo de 20 cm de lado e 20 g, uniformemente carregado, deve ficar suspenso no ar sob um campo elétrico de 52 N/C apontando para cima. A densidade do ar é $1{,}2\text{ kg/m}^3$ e o enunciado manda não a desprezar. O cubo é volumoso e leve, então o empuxo do ar é comparável ao peso.

Sobre o cubo agem o peso para baixo, o empuxo do ar para cima e a força elétrica, que aponta para cima se a carga for positiva. Em equilíbrio, as forças para cima igualam o peso. O empuxo é o peso do ar deslocado, e é ele que muda o resultado em relação a um cálculo ingênuo.

Volume, peso e empuxo: \[V=(0{,}20)^3=0{,}008\text{ m}^3,\quad P=0{,}200\text{ N},\quad E=\rho_{ar}Vg=1{,}2\cdot0{,}008\cdot10=0{,}096\text{ N}\] Equilíbrio vertical, com $E_c=52\text{ N/C}$ o campo: \[qE_c=P-E=0{,}104\text{ N}\implies q=\dfrac{0{,}104}{52}=2{,}0\times10^{-3}\text{ C}\]

A carga é $2{,}0\text{ mC}$. Para fechar com segurança: sem o empuxo teríamos cerca de $3{,}8\text{ mC}$, e com ele a carga necessária diminui, pois o ar ajuda a sustentar o cubo.

Cuidado, armadilha! O erro é desprezar o empuxo do ar, como na maioria dos exercícios, e cair perto de 4 mC. Aqui o volume é grande e o empuxo pesa quase metade do peso. Quando o enunciado diz "não despreze", a força entra no diagrama.

Alternativa correta: B

Q39
Eletricidade — Eletrostática — Energia Armazenada em Capacitor com Dielétrico

Suponha que um capacitor de placas paralelas, com ar entre as placas, em princípio descarregado, seja carregado por uma bateria durante um certo tempo. Verifica-se (de algum modo) que os valores do potencial e da carga elétrica em uma das placas estão relacionados conforme mostra a figura abaixo. Em seguida, insere-se um dielétrico de constante dielétrica $K = 2$ entre as placas do capacitor carregado. Qual é a energia armazenada entre as placas do capacitor com o dielétrico?

Gráfico ddp (V) x Carga Q (10^-9 C) linear de (0,0) a (4V, 10nC)
A)$4{,}0 \times 10^{-9}\text{ J}$
B)$0{,}5 \times 10^{-8}\text{ J}$
C)$1{,}0 \times 10^{-8}\text{ J}$
D)$2{,}0 \times 10^{-8}\text{ J}$
E)$4{,}0 \times 10^{-8}\text{ J}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

E
Resolução

Um capacitor de placas paralelas com ar é carregado por uma bateria, e o gráfico da ddp em função da carga é uma reta que vai da origem até $4\text{ V}$ para $10\times10^{-9}\text{ C}$. Depois, insere-se um dielétrico de constante $K=2$ entre as placas, e pede-se a energia armazenada com ele. A leitura adotada é que o capacitor continua ligado à bateria, de modo que a tensão se mantém em 4 V.

Primeiro, o gráfico dá a energia inicial: a área sob a reta é um triângulo, e representa a energia armazenada. Depois, o dielétrico multiplica a capacitância por $K$. Como a tensão fixada pela bateria não muda, a energia $\tfrac12CV^2$ é multiplicada por $K$.

A energia inicial é a área do triângulo: \[U_0=\dfrac12\,Q\,V=\dfrac12\cdot(10\times10^{-9})\cdot4=2{,}0\times10^{-8}\text{ J}\] Com o dielétrico, $C=2C_0$ e $V$ continua em 4 V: \[U=\dfrac12\,(2C_0)\,V^2=2U_0=4{,}0\times10^{-8}\text{ J}\]

A energia final é $4{,}0\times10^{-8}\text{ J}$. Vale um teste de bom senso: a energia dobrou, como é esperado com a tensão mantida e $K=2$, e o valor inicial de $2\times10^{-8}\text{ J}$ tem a ordem de grandeza certa para nanocoulombs e volts.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é usar $QV$ em vez de $QV/2$ para a energia, o que dá o dobro do valor correto já no início. Como a área sob a reta é um triângulo, o fator um meio é obrigatório. Outro cuidado é decidir o que se mantém constante ao inserir o dielétrico: com a bateria ligada, é $V$, e a energia aumenta; desligada, seria $Q$, e a energia diminuiria.

Alternativa correta: E

Q40
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Campo Magnético de Espiras Concêntricas

Considere duas espiras circulares, coplanares e concêntricas. Uma espira, de raio $R_1$, é percorrida por uma corrente $i_1$ e a segunda espira, de raio $R_2 = 4R_1/9$, por uma corrente $i_2$. Nessas condições, o campo magnético no centro das espiras é nulo. Pode-se afirmar que a razão entre as correntes $i_1$ e $i_2$ é:

A)4/9
B)3/2
C)9/4
D)2/3
E)0

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2021

C
Resolução

Duas espiras circulares, coplanares e concêntricas, têm raios $R_1$ e $R_2=4R_1/9$, com correntes $i_1$ e $i_2$. O campo resultante no centro é nulo, e pede-se $i_1/i_2$. O campo nulo obriga os dois campos a terem o mesmo módulo.

O campo no centro de uma espira é perpendicular ao plano e depende da corrente e do raio. Para dois campos de mesma direção se anularem, os módulos são iguais e os sentidos opostos, o que exige correntes em sentidos contrários. Fixado isso, basta igualar os módulos.

O campo no centro vale $B=\dfrac{\mu_0\,i}{2R}$. Igualando: \[\dfrac{\mu_0\,i_1}{2R_1}=\dfrac{\mu_0\,i_2}{2R_2}\implies\dfrac{i_1}{i_2}=\dfrac{R_1}{R_2}=\dfrac{R_1}{\tfrac49R_1}=\dfrac94\]

A razão é $9/4$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: a espira maior produz menos campo por ampere, então precisa de mais corrente, e $i_1 \gt i_2$ combina com $R_1 \gt R_2$.

Cuidado, armadilha! O erro é esquecer que as correntes têm sentidos opostos, ou inverter a razão e marcar $4/9$. A pergunta é $i_1/i_2$, e a corrente maior é a da espira de maior raio.

Alternativa correta: C

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