EFOMM 2022 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2021/2022 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Eletricidade — Eletrostática — Força Elétrica e MUV na Queda Livre

Considere que uma pequena esfera de massa 0,5 kg e carga elétrica desconhecida é solta de uma certa altura, a partir do repouso, em uma região de campo elétrico uniforme com intensidade de $3{,}75 \times 10^5\text{ N/C}$ apontando para cima. Nessa situação, a esfera leva o dobro do tempo que levaria sem o campo elétrico para atingir o solo. Desconsiderando quaisquer efeitos devido à resistência do ar, qual é a carga elétrica da esfera? Considere $g = 10\text{ m/s}^2$.

A)37,5 $\mu$C
B)10,0 $\mu$C
C)-10,0 $\mu$C
D)-20,0 $\mu$C
E)-37,5 $\mu$C

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

B
Resolução

Uma esfera de 0,5 kg cai do repouso num campo elétrico uniforme de $3{,}75\times10^5\text{ N/C}$, apontando para cima. O dado decisivo é que, com o campo, a queda leva o dobro do tempo. Pede-se a carga, com sinal.

A altura é a mesma nos dois casos, então o tempo dobrado revela a aceleração efetiva de queda. Com ela, a segunda lei de Newton dá a força elétrica, e a força dividida pelo campo dá a carga. O sinal vem do sentido da força em relação ao campo.

Sem campo, $h=\tfrac12 g t_0^2$; com campo, $h=\tfrac12 a(2t_0)^2$. Igualando: \[\tfrac12 g=2a\;\Rightarrow\;a=\dfrac{g}{4}=2{,}5\text{ m/s}^2\] Como cai mais devagar, a força elétrica aponta para cima: \[F_e=m(g-a)=0{,}5\,(10-2{,}5)=3{,}75\text{ N}\;\Rightarrow\;q=\dfrac{F_e}{E}=10^{-5}\text{ C}\]

Força e campo apontam para cima, logo $q=+10{,}0\ \mu\text{C}$. Só para conferir: $F_e=3{,}75\text{ N}$ é menor que o peso de 5 N, coerente com uma esfera que ainda cai.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é acertar o módulo e errar o sinal, caindo nas alternativas negativas. O sinal não vem da conta, e sim da física: carga positiva sofre força no sentido do campo, negativa no sentido oposto. Como a força precisa apontar para cima, igual ao campo, a carga é positiva.

Alternativa correta: B

Q22
Eletricidade — Eletrodinâmica — Efeito Joule e Mudança de Fase

Considere um aquecedor constituído por um circuito contendo um resistor de $1{,}0\,\Omega$ ligado a um gerador ideal de força eletromotriz (fem) ajustável. Deseja-se utilizar o efeito Joule para vaporizar, em 30 minutos, 2,0 dos 5,0 litros de água contidos em um recipiente isolado termicamente e à temperatura de $10^\circ\text{C}$. Supondo que não existam perdas para o meio, para o recipiente e para o próprio circuito, qual é, aproximadamente, a fem necessária para que o objetivo seja cumprido?

(Considere: calor específico da água $4{,}0\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$; calor latente de vaporização da água $2230\text{ kJ/kg}$; densidade da água $1\text{ kg/l}$)

A)8 V
B)16 V
C)59 V
D)72 V
E)110 V

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

C
Resolução

Um resistor de $1{,}0\ \Omega$ ligado a um gerador ideal dissipa energia por efeito Joule, e toda essa energia vai para a água, sem perdas. Estão em 5,0 L (5,0 kg) de água a 10 °C, mas o objetivo é vaporizar apenas 2,0 kg deles em 30 minutos. A incógnita é a fem. Repare que a massa que se aquece (5 kg) é diferente da massa que vaporiza (2 kg).

A ideia central é o balanço de energia: a energia elétrica dissipada no resistor durante 30 min precisa igualar o calor sensível mais o calor latente. Como o recipiente é isolado e a água está toda junta, os 5 kg sobem até 100 °C antes de qualquer vaporização, e só então 2 kg mudam de fase. Com a energia total e o tempo, obtemos a potência, e com a potência e a resistência obtemos a fem.

Aquecimento de toda a massa até 100 °C: \[Q_1=m\,c\,\Delta T=5\cdot4{,}0\cdot(100-10)=1800\text{ kJ}\] Vaporização de 2 kg: \[Q_2=m_v L=2\cdot2230=4460\text{ kJ}\] Energia total e potência, com $\Delta t=1800\text{ s}$: \[P=\dfrac{Q_1+Q_2}{\Delta t}=\dfrac{6{,}26\times10^{6}}{1800}\approx3478\text{ W}\] Como $P=\mathcal{E}^2/R$ com $R=1{,}0\ \Omega$: \[\mathcal{E}=\sqrt{P\,R}=\sqrt{3478}\approx59\text{ V}\]

A fem necessária é cerca de 59 V. Uma checagem rápida: a potência de quase 3,5 kW é típica de aquecedores potentes, e com apenas 1 ohm isso exige dezenas de volts, o que combina com 59 V. Ignorar o calor sensível daria cerca de 50 V, valor que não aparece entre as opções, o que já denuncia o descuido.

Cuidado, armadilha! O aluno apressado vaporiza os 2 kg direto, usando só $mL$, e esquece que a água está a 10 °C. Antes de qualquer mudança de fase é preciso levar a água ao ponto de ebulição. E aqui está a sacada mais sutil: quem esquenta até 100 °C é a massa inteira de 5 kg, não só os 2 kg que vão evaporar, porque o restante da água esquenta junto no recipiente. Monte sempre a linha do tempo da energia, etapa por etapa, antes de somar.

Alternativa correta: C

Q23
Mecânica — Cinemática — Queda Livre e Rotação Angular

Uma longa barra metálica, fina e retilínea está em repouso na vertical, paralela ao eixo Z, com sua extremidade inferior localizada no ponto de coordenadas $(1,1,5)\text{ m}$. No momento em que a barra é solta e começa a cair sem sofrer resistência do ar, uma hélice em formato de cruz, formada por 2 hastes retilíneas longas que repousam sobre os eixos horizontais X e Y e que se interceptam em $(0,0,0)$, começa a girar sobre o plano XY com aceleração angular constante de módulo $\dfrac{2\pi}{3}\text{ rad/s}^2$. A que distância de sua extremidade inferior, medida em metros, a barra é atingida pela hélice? Considere $g = 10\text{ m/s}^2$.

A)1,25
B)3,75
C)4,15
D)5,45
E)6,25

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E
Resolução

Temos dois movimentos que começam juntos: uma barra vertical em queda livre, cuja extremidade inferior parte de $z=5\text{ m}$ sobre o ponto $(1,1)$, e uma hélice em cruz que gira no plano $XY$ (em $z=0$) com aceleração angular constante de $2\pi/3\text{ rad/s}^2$, partindo do repouso com as hastes sobre os eixos. Pergunta-se a que distância da extremidade inferior a barra é atingida. Note que o ponto $(1,1)$ está a $45^\circ$ do eixo $X$.

A sacada é ligar os dois movimentos pelo tempo. Uma haste só pode atingir a barra quando passar pelo ângulo de $45^\circ$, e isso acontece em instantes bem definidos, pois a rotação é um MCUV. Para cada instante possível, vemos onde a barra está: se a extremidade inferior ainda não chegou ao plano, a haste passa sem tocar; se a barra já atravessou o plano, a haste bate num ponto mais alto dela. A primeira passagem que de fato encontra a barra no plano define a resposta.

A primeira haste (a do eixo $X$) precisa girar $\pi/4$: \[\dfrac{\pi}{4}=\dfrac12\cdot\dfrac{2\pi}{3}\,t_1^2\;\Rightarrow\;t_1^2=0{,}75\text{ s}^2\] Nesse tempo a barra caiu $\tfrac12 g t_1^2=3{,}75\text{ m}$, então a extremidade inferior está em $z=1{,}25\text{ m}$, ainda acima do plano. A haste passa sem tocar. A próxima haste chega ao mesmo ângulo depois de girar $3\pi/4$: \[\dfrac{3\pi}{4}=\dfrac12\cdot\dfrac{2\pi}{3}\,t_2^2\;\Rightarrow\;t_2^2=2{,}25\text{ s}^2\] A barra caiu \[\Delta z=\tfrac12 g t_2^2=5\cdot2{,}25=11{,}25\text{ m}\]

A extremidade inferior desceu de $z=5$ para $z=-6{,}25\text{ m}$, isto é, já atravessou o plano da hélice. O ponto atingido está em $z=0$, portanto a $6{,}25\text{ m}$ da extremidade inferior: essa configuração. Para fechar com segurança: a extremidade inferior cruza o plano em $t=1\text{ s}$, entre $t_1\approx0{,}87\text{ s}$ e $t_2=1{,}5\text{ s}$, o que explica por que a primeira haste falha e a segunda acerta.

Cuidado, armadilha! O erro típico é não relacionar o tempo de queda com a posição angular da hélice, e um erro vizinho é aceitar a primeira haste como a que atinge a barra, o que daria $3{,}75\text{ m}$ (alternativa B) e ignoraria que a extremidade inferior nem chegou ao plano. Sempre verifique se a haste encontra material da barra naquele instante. Pergunte também qual é a medida pedida: aqui é a distância medida ao longo da barra, a partir da extremidade inferior, e não a altura de onde ela partiu.

Alternativa correta: E

Q24
Óptica — Refração — Dioptro Plano

Durante a inspeção de rotina em uma planta industrial, acidentalmente um funcionário deixa cair sua lanterna acesa em um tanque de $5{,}0\text{ m}$ de profundidade cheio de um fluido transparente. No fundo do tanque, a sua lanterna emite um feixe luminoso formando um pequeno ângulo $\theta$ com a vertical. O funcionário tem a impressão de que a profundidade em que se encontra a lanterna é de $3{,}4\text{ m}$. Considerando as informações do texto e a aproximação de pequenos ângulos ($\sin\theta = \tan\theta = \theta$), o índice de refração do fluido no tanque é de:

A)1,05
B)1,21
C)1,28
D)1,39
E)1,47

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E
Resolução

Uma lanterna está no fundo de um tanque de 5,0 m de profundidade. Quem olha quase na vertical vê a lanterna a 3,4 m. A aproximação de ângulos pequenos permite tratar a superfície como dioptro plano. A incógnita é o índice do fluido.

Para ângulos pequenos, seno e tangente se confundem, e a geometria dos raios que chegam ao olho leva a uma relação simples entre profundidade real, aparente e índices. Quanto mais refringente o fluido, mais o fundo parece subir.

Com o observador no ar ($n_{ar}=1$): \[\dfrac{h_{ap}}{h_{real}}=\dfrac{n_{ar}}{n_{fluido}}\;\Rightarrow\;\dfrac{3{,}4}{5{,}0}=\dfrac{1}{n_{fluido}}\;\Rightarrow\;n_{fluido}=\dfrac{5{,}0}{3{,}4}\approx1{,}47\]

O índice vale cerca de 1,47. Vale um teste de bom senso: é maior que 1, e o fundo parece mais raso que o real, o que só ocorre se o fluido for mais refringente que o ar.

Cuidado, armadilha! Muita gente tenta aplicar Snell com o seno sem perceber que a profundidade aparente vem de razões de tangentes. A aproximação $\sin\theta\approx\tan\theta$ é o que junta as duas coisas. Outro deslize é inverter a fração e obter 0,68, um índice menor que 1, fisicamente impossível. Sempre confira se ele ficou maior que 1.

Alternativa correta: E

Q25
Termologia — Termodinâmica — Rendimento e Ciclo de Carnot

Uma máquina térmica opera em um ciclo termodinâmico, retirando 1000 J da fonte quente, que se encontra a $600^\circ\text{C}$, e produzindo 400 J de trabalho. Se o rendimento dessa máquina é 70% do rendimento de um ciclo de Carnot nas mesmas condições, a temperatura da fonte fria, em $^\circ\text{C}$, é:

A)101
B)141
C)180
D)219
E)258

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A
Resolução

A máquina recebe 1000 J da fonte quente a 600 °C e entrega 400 J de trabalho. Seu rendimento é 70% do de Carnot entre as mesmas fontes. Pede-se a temperatura da fonte fria em °C.

O rendimento real sai da definição. Como é 70% do de Carnot, recuperamos o de Carnot, e este depende só das temperaturas absolutas, do que extraímos a temperatura fria. A conversão para Kelvin é obrigatória em toda razão $T_F/T_Q$.

Rendimentos: \[\eta=\dfrac{400}{1000}=0{,}40,\qquad\eta_C=\dfrac{0{,}40}{0{,}70}=\dfrac47\] Com $T_Q=873\text{ K}$: \[1-\dfrac{T_F}{873}=\dfrac47\;\Rightarrow\;T_F=873\cdot\dfrac37\approx374\text{ K}\approx101\,^\circ\text{C}\]

A fonte fria está a cerca de 101 °C. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o rendimento de Carnot (57%) supera o real (40%), como deve ser, e $T_F\lt T_Q$.

Cuidado, armadilha! Usar Celsius na razão $T_F/T_Q$ é o erro clássico, pois a fórmula de Carnot exige temperaturas absolutas. Com 600 no lugar de 873, você obteria cerca de 257 °C, número próximo de uma alternativa falsa. Converta para Kelvin no início e volte para Celsius só no fim, como a pergunta pede.

Alternativa correta: A

Q26
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Difração, Reflexão e Refração de Ondas

Com relação às propriedades das ondas mecânicas, julgue os itens abaixo e marque a opção correta.

I- O fenômeno de difração é observado quando o comprimento de onda é ligeiramente maior que as dimensões de um obstáculo com o qual a onda interage.

II- A reflexão de um pulso de onda em uma extremidade fixa de um fio ou corda ocorre sem a inversão de fase desse pulso.

III- Durante o fenômeno de refração de uma onda, ao se passar de um meio material para outro, a frequência original da onda não se altera.

Das afirmações feitas, pode-se dizer que:

A)Somente I e II são verdadeiras.
B)Somente I e III são verdadeiras.
C)Somente II e III são verdadeiras.
D)Somente I é verdadeira.
E)Somente II é verdadeira.

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B
Resolução

Três afirmações sobre difração, reflexão em extremidade fixa e refração. Sem números, cada item se julga por um conceito.

Difração: comparar o comprimento de onda com o obstáculo. Reflexão: a extremidade prende ou solta a corda. Refração: o que muda e o que permanece ao trocar de meio.

Item I: verdadeiro, pois a difração é bem visível quando $\lambda$ é comparável ou maior que o obstáculo. Item II: falso, porque numa extremidade fixa o pulso volta com inversão de fase. Item III: verdadeiro, pois velocidade e comprimento de onda mudam na refração, mas a frequência é imposta pela fonte.

Só I e III são verdadeiras. Só para conferir: quem inclui o item II nega a inversão de fase na extremidade fixa.

Cuidado, armadilha! O item I costuma ser rejeitado por quem decorou que a difração exige onda "muito maior" que o obstáculo. Repare que a difração sempre ocorre; ela só fica mais evidente quanto mais o comprimento de onda se aproxima do obstáculo ou o supera.

Alternativa correta: B

Q27
Eletricidade — Eletrodinâmica — Diferença de Potencial e Curto-Circuito

Quando pousam em um fio de alta tensão, os pássaros não morrem porque:

A)instintivamente só pousam em fios onde não há corrente.
B)suportam altas diferenças de potencial sem sofrer qualquer dano.
C)só pousam agrupados, induzindo que a corrente seja dividida por todos eles.
D)ao pousarem com as patas num mesmo fio, a corrente não flui pelo seu corpo.
E)pousam no fio somente em dias ensolarados.

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D
Resolução

Por que um pássaro pousado num fio de alta tensão não morre? Note que as duas patas tocam o mesmo fio, sem ligação com a terra.

Corrente num corpo exige diferença de potencial entre dois pontos dele, não potencial alto. Um trecho de fio metálico é praticamente equipotencial.

A ddp entre as patas é a corrente do fio vezes a resistência do curto trecho entre elas, algo minúsculo. Com ddp quase nula, a corrente no corpo, dada por Ohm, também é quase nula: \[I_{corpo}=\dfrac{\Delta V_{patas}}{R_{corpo}}\approx0\]

Com as patas no mesmo fio, não há corrente significativa pelo corpo: essa configuração. Uma checagem rápida: com uma pata num poste aterrado, a ddp seria enorme.

Cuidado, armadilha! O erro comum é atribuir a segurança à baixa tensão do fio ou à resistência do pássaro. O que salva o animal é a ddp praticamente nula entre as patas. O perigo está na diferença de potencial aplicada ao corpo, não no potencial absoluto.

Alternativa correta: D

Q28
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão Perfeitamente Inelástica e MHS

Em um laboratório de Balística, a fim de serem testadas as características de um novo tipo de munição, parte de um dos testes consiste em disparar o projétil de massa m contra um bloco de madeira de massa M, o qual está sobre uma superfície lisa e preso a uma mola com constante elástica K. Supondo que o projétil tenha uma velocidade v ao colidir com o bloco em uma colisão totalmente inelástica, a amplitude do movimento de oscilação subsequente é de:

A)$\dfrac{(M+m)v}{\sqrt{K(M+m)}}$
B)$\dfrac{Mv}{\sqrt{2MK}}$
C)$\dfrac{mv}{\sqrt{K(M+m)}}$
D)$\dfrac{Mv}{\sqrt{Km}}$
E)$\dfrac{Mv}{\sqrt{K(M+m)}}$

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C
Resolução

Um projétil de massa $m$ e velocidade $v$ atinge um bloco de massa $M$ preso a uma mola de constante $K$, sobre superfície lisa, e fica cravado nele. A pergunta é a amplitude da oscilação depois do choque. Dois momentos bem distintos: a colisão, muito rápida, e a oscilação, que vem depois.

Na colisão totalmente inelástica, a energia mecânica não se conserva (parte vira calor e deformação), mas a quantidade de movimento do sistema se conserva, porque a mola não tem tempo de agir. Depois do choque, sem atrito, a energia mecânica do conjunto massa-mola se conserva: a energia cinética logo após o choque vira energia elástica na amplitude máxima.

Conservação do momento no choque: \[mv=(M+m)V\;\Rightarrow\;V=\dfrac{mv}{M+m}\] Conservação da energia na oscilação, com a velocidade $V$ na posição de equilíbrio e velocidade nula na amplitude: \[\dfrac12(M+m)V^2=\dfrac12 K A^2\] Substituindo $V$ e isolando $A$: \[A=\dfrac{mv}{\sqrt{K(M+m)}}\]

A expressão obtida corresponde à essa configuração. Para fechar com segurança: se $m\to0$, o projétil não transfere nada e $A\to0$; se $K$ aumenta, a mola é mais dura e a amplitude diminui. As dimensões também fecham, pois $mv/\sqrt{KM}$ tem unidade de metro.

Cuidado, armadilha! O erro típico é conservar energia na colisão, igualando $\tfrac12mv^2$ à energia elástica, o que ignora a dissipação do choque inelástico. Cada princípio tem o seu momento: momento linear no choque, energia mecânica na oscilação. Outro descuido é esquecer que, depois do choque, a massa que oscila é $M+m$ e não apenas $M$, o que muda o denominador da resposta.

Alternativa correta: C

Q29
Ondulatória — Acústica — Cordas Vibrantes (Questão Anulada)

A corda de um violão de $60{,}0\text{ cm}$ de comprimento e massa de $0{,}52\text{ g}$ é colocada junto a um alto-falante acoplado a um gerador de frequência variável. Ao variar continuamente o gerador, observa-se que a corda vibra com 1300 Hz e volta a vibrar novamente apenas quando o gerador produz ondas com frequência de 1500 Hz. Nessas condições é possível afirmar que a tensão na corda é, em Newtons, de:

A)30
B)40
C)50
D)60
E)70

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QUESTÃO ANULADA
Resolução

Uma corda de 60,0 cm e 0,52 g ressoa em 1300 Hz e só volta a ressoar em 1500 Hz. Pede-se a tensão. A ideia é que essas seriam ressonâncias consecutivas, e a diferença entre elas daria o fundamental.

Numa corda presa nas duas pontas, $f_n=nf_1$, e harmônicos consecutivos diferem de $f_1$. Com $f_1$ obtemos $v=2Lf_1$ e depois a tensão por $v=\sqrt{T/\mu}$. O passo que merece cuidado é conferir se os dados são consistentes com esse modelo.

A diferença dá $f_1=1500-1300=200\text{ Hz}$. Mas então o harmônico de 1300 Hz teria índice $$n=\dfrac{1300}{200}=6{,}5$$ que não é inteiro. Os dados não são compatíveis com uma corda fixa nas duas extremidades. Seguindo mesmo assim o procedimento padrão, $v=2Lf_1=240\text{ m/s}$ e $T=\mu v^2\approx50\text{ N}$, mas esse número repousa numa premissa inconsistente.

A banca anulou oficialmente o item, e a incoerência dos dados é uma explicação plausível. Por isso não indicamos alternativa como correta. O exercício vale como treino do método e do hábito de testar a consistência dos dados.

Cuidado, armadilha! Numa questão assim, o aluno aplica a fórmula de cabeça e marca o número que "parece certo". Na prova real, calcule, mas confira se os dados obedecem ao modelo, por exemplo se as frequências são múltiplas inteiras do fundamental. Se houver inconsistência, não gaste tempo demais e siga adiante: a anulação é decisão da banca, e o tempo é seu recurso mais escasso.

Questão anulada — os dados fornecidos (1300 Hz e 1500 Hz como harmônicos consecutivos) levam a $n=6{,}5$, um índice de harmônico não inteiro, o que é fisicamente impossível para uma corda vibrante presa nas duas extremidades.

Q30
Termologia — Transmissão de Calor — Lei de Fourier

Na sala dessa residência há uma janela de vidro de área $100{,}0\text{ cm}^2$ e $1{,}0\text{ cm}$ de espessura. Então, para se manter constante a temperatura de $25^\circ\text{C}$ no interior da sala, deve ser produzida por uma fonte de calor, a cada segundo, a quantidade de calor de:

(considere a condutividade térmica do vidro como $2{,}0 \times 10^{-3}\text{ cal/s}\cdot\text{cm}\cdot{}^\circ\text{C}$ e a temperatura exterior $8^\circ\text{C}$)

A)3,4 cal
B)3,9 cal
C)18,0 cal
D)34,0 cal
E)39,0 cal

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

A
Resolução

Uma janela de vidro de $100{,}0\text{ cm}^2$ e $1{,}0\text{ cm}$ de espessura separa a sala, a 25 °C, do exterior a 8 °C. A fonte deve repor a cada segundo o calor que escapa pela janela. A condutividade está em $\text{cal/s}\cdot\text{cm}\cdot{}^\circ\text{C}$.

É a Lei de Fourier em regime estacionário: o fluxo é proporcional à área e à diferença de temperatura, e inversamente proporcional à espessura. Temperatura constante na sala significa calor fornecido igual ao fluxo pelo vidro.

Mantendo tudo em centímetros, coerente com a unidade de $k$: \[\Phi=k\,A\,\dfrac{\Delta T}{e}=2{,}0\times10^{-3}\cdot100{,}0\cdot\dfrac{25-8}{1{,}0}=3{,}4\text{ cal/s}\] Em 1 s, $Q=3{,}4\text{ cal}$.

O calor vale 3,4 cal a cada segundo. Vale um teste de bom senso: área pequena de vidro, fluxo de poucas calorias por segundo, ordem de grandeza razoável.

Cuidado, armadilha! O risco é converter cm e cm² para metros por hábito e esquecer de converter também a condutividade, misturando sistemas. A regra é usar unidades coerentes com o dado de $k$: como está em cm, mantenha tudo em cm, e o resultado sai em cal/s sem conversão.

Alternativa correta: A

Q31
Termologia — Calorimetria — Aquecimento de Água em Chuveiro

Se a potência do chuveiro dessa residência é de 14 kW e sua vazão é de $15\text{ l/min}$, qual é a máxima temperatura da água ao sair do chuveiro considerando-se que ela se encontra, inicialmente, em equilíbrio térmico com a temperatura exterior ($8^\circ\text{C}$)?

(considere: densidade da água igual a $1000\text{ g/l}$; calor específico da água igual a $1\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}$; 1 caloria é igual a 4 J)

A)$14^\circ\text{C}$
B)$17^\circ\text{C}$
C)$19^\circ\text{C}$
D)$22^\circ\text{C}$
E)$25^\circ\text{C}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

D
Resolução

Um chuveiro de 14 kW com vazão de 15 L/min recebe água a 8 °C, a temperatura do exterior. Pergunta-se a máxima temperatura de saída. "Máxima" significa que toda a potência elétrica vira calor na água, sem perdas.

Potência é energia por segundo, então precisamos saber quanta água passa a cada segundo. Com essa vazão em massa, a potência térmica que a água absorve é $\dot m\,c\,\Delta T$, e igualando à potência do chuveiro obtemos o aquecimento. Tudo isso exige unidades coerentes: litros por minuto viram gramas por segundo, e calorias viram joules.

Vazão em massa, com densidade de 1000 g/L: \[\dot m=\dfrac{15\text{ L}\cdot1000\text{ g/L}}{60\text{ s}}=250\text{ g/s}\] A potência absorvida pela água, com $c=1\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}=4\text{ J/g}\cdot{}^\circ\text{C}$: \[P=\dot m\,c\,\Delta T=250\cdot4\cdot\Delta T=1000\,\Delta T\text{ W}\] Igualando a 14000 W: \[1000\,\Delta T=14000\;\Rightarrow\;\Delta T=14\,^\circ\text{C}\] Portanto $T_f=8+14=22\,^\circ\text{C}$.

A temperatura máxima na saída é 22 °C. Olhe o resultado com desconfiança saudável: um chuveiro de 14 kW com vazão alta de 15 L/min esquenta pouco a água, algo como 14 graus acima da entrada, o que é coerente com um banho morno num dia frio.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é não converter L/min em massa por segundo, misturando minutos com segundos, o que erra a conta por um fator 60. Outro erro clássico é esquecer que $\Delta T$ é o aumento, e não a temperatura final: some os 14 °C aos 8 °C iniciais, ou você marcaria a alternativa A. Escreva as unidades ao longo da conta.

Alternativa correta: D

Q32
Eletromagnetismo — Força Magnética — Campo Magnético de Carga em Movimento

Considere que uma esfera de massa 1,0 kg e carga $2{,}0 \times 10^3\text{ C}$ seja liberada, a partir do repouso, de uma altura de $20{,}0\text{ m}$ em uma região controlada na qual se fez vácuo. Qual é o módulo do campo magnético observado em um ponto P do solo situado a $1{,}0\text{ m}$ do ponto de impacto da esfera no instante imediatamente anterior ao da sua chegada ao solo? (Desconsidere emissões de radiação devido à aceleração da esfera.)

Dados: permeabilidade magnética do vácuo: $4\pi \times 10^{-7}\text{ T}\cdot\text{m/A}$.

A)$2{,}0 \times 10^{-5}\text{ T}$
B)$4{,}0 \times 10^{-5}\text{ T}$
C)$4{,}0 \times 10^{-4}\text{ T}$
D)$2{,}0 \times 10^{-3}\text{ T}$
E)$4{,}0 \times 10^{-3}\text{ T}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

E
Resolução

Uma esfera de 1,0 kg e carga $2{,}0\times10^3\text{ C}$ cai do repouso de 20,0 m no vácuo. Quer-se o campo magnético num ponto do solo a 1,0 m do impacto, no instante imediatamente anterior ao choque. A massa serve só para a queda.

Carga em movimento cria campo magnético proporcional à velocidade. Primeiro achamos a velocidade na chegada, pela queda livre. Depois usamos o campo de carga pontual, $qv\sin\theta/r^2$. A velocidade é vertical e a linha até o ponto é horizontal, então o seno vale 1.

Velocidade e campo: \[v=\sqrt{2gh}=20\text{ m/s},\qquad B=\dfrac{\mu_0}{4\pi}\dfrac{q\,v\sin\theta}{r^{2}}=10^{-7}\cdot\dfrac{(2{,}0\times10^{3})(20)}{(1{,}0)^{2}}=4{,}0\times10^{-3}\text{ T}\]

O campo vale $4{,}0\times10^{-3}\text{ T}$. Só para conferir: a carga de $2\times10^3$ C é gigantesca, o que explica milésimos de tesla a 1 m.

Cuidado, armadilha! O aluno que olha a esfera parada no alto pensa em campo nulo, ou esquece de calcular a velocidade adquirida na queda. Sem velocidade não há campo magnético, e vale a velocidade do instante pedido. Note ainda que $g$ e a massa só servem para achar $v$.

Alternativa correta: E

Q33
Mecânica — Trabalho e Energia — Energia Potencial Elástica e Lançamento Vertical

Uma tira elástica possui comprimento natural de $10\text{ cm}$ e constante elástica de $200\text{ N/m}$. Essa tira é esticada e presa pelas extremidades aos pontos fixos A e B, distantes $20\text{ cm}$ entre si. Uma pequena esfera com $10\text{ g}$ de massa e dimensões desprezíveis é colocada no ponto médio da tira, que é puxada por $5\text{ cm}$ na direção transversal à do segmento AB.

Tira elástica puxada no meio por 5 cm lançando esfera verticalmente

Ao ser solta, a esfera é arremessada exatamente na vertical pela tira, e o contato entre ambas é perdido assim que a última atinge novamente seu formato horizontal. Que distância vertical, medida em metros, a esfera percorre desde o ponto mais baixo até o ponto mais alto? Despreze o atrito com o ar e considere $g = 10\text{ m/s}^2$.

A)2,5
B)$50 - 20\sqrt{5}$
C)$60 - 20\sqrt{5}$
D)$60 - 40\sqrt{5}$
E)$90 - 40\sqrt{5}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

B
Resolução

Uma tira elástica de comprimento natural 10 cm e constante 200 N/m está presa a dois pontos A e B, afastados de 20 cm. Uma esfera de 10 g é posta no meio e a tira é puxada 5 cm na transversal. Ao ser solta, a esfera sobe na vertical e perde contato com a tira quando ela volta à forma horizontal. Pergunta-se o deslocamento vertical entre o ponto mais baixo e o mais alto. Repare que a tira já estava esticada antes de ser puxada, pois 20 cm superam os 10 cm naturais.

A ideia central é a conservação da energia mecânica, sem atrito. A energia elástica armazenada na posição mais baixa se divide em duas partes no instante em que a tira fica reta: uma parte continua na tira, que ainda está esticada, e a outra passou para a esfera. No ponto mais alto, a esfera está parada, e toda a energia que ela recebeu virou potencial gravitacional. A dificuldade está em calcular corretamente as duas deformações da tira.

Puxada, cada metade da tira vai de A ao ponto de apoio da esfera, com comprimento $\sqrt{10^2+5^2}=5\sqrt5\text{ cm}$, então o comprimento total é $10\sqrt5\text{ cm}$. A deformação vale \[x_1=0{,}10\sqrt5-0{,}10\text{ m}\] Na posição horizontal, a tira mede 20 cm, e a deformação é $x_2=0{,}20-0{,}10=0{,}10\text{ m}$. A energia cedida à esfera é a diferença das energias elásticas: \[\dfrac12k\,x_1^2-\dfrac12k\,x_2^2=100\left[(0{,}10\sqrt5-0{,}10)^2-(0{,}10)^2\right]=5-2\sqrt5\text{ J}\] Toda ela vira energia potencial gravitacional entre o ponto mais baixo e o mais alto: \[mgH=5-2\sqrt5\;\Rightarrow\;0{,}1\,H=5-2\sqrt5\;\Rightarrow\;H=50-20\sqrt5\text{ m}\]

O deslocamento vertical vale $50-20\sqrt5\approx5{,}3\text{ m}$. Uma checagem rápida: a energia cedida é cerca de 0,53 J, e com $mg=0{,}1\text{ N}$ cada joule sobe 10 m, então 0,53 J leva a mais ou menos 5 m, o que confere com o valor obtido.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tomar a deformação da tira a partir da distância AB como se a tira estivesse relaxada, esquecendo que 20 cm já é o dobro do comprimento natural. Se você ignora a deformação inicial de 10 cm na posição reta, a energia que sobra na tira some da conta e o resultado erra. Faça sempre a lista: comprimento natural, comprimento na posição puxada, comprimento na posição reta, e a deformação de cada estado é o comprimento menos o natural.

Alternativa correta: B

Q34
Mecânica — Quantidade de Movimento — Conservação da Quantidade de Movimento e Energia

Uma esfera com massa $m = 2\text{ kg}$ e raio muito pequeno é colocada no ponto mais alto de uma pista com superfície curva e massa $M = 10\text{ kg}$. Inicialmente, esfera e pista estão em repouso em relação ao solo. Não há atrito entre o objeto e a pista, bem como entre a pista e o chão.

Esfera de 2 kg em pista curva móvel de 10 kg sem atrito

Após deslizar sobre a superfície, a esfera chega ao chão possuindo velocidade relativa à pista de módulo $3\text{ m/s}$. Quanto mede a altura da pista em metros?

A)3/8
B)5/16
C)7/8
D)7/20
E)27/32

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

A
Resolução

Uma esfera de 2 kg parte do repouso do alto de uma pista curva de 10 kg, que está apoiada sobre um chão sem atrito. Não há atrito entre esfera e pista. Ao chegar ao chão, a esfera tem velocidade de 3 m/s em relação à pista. Pergunta-se a altura da pista. Como a pista também é livre para se mover, ela recua enquanto a esfera desce, e esse detalhe muda tudo.

Na horizontal não há força externa sobre o sistema esfera mais pista, então o momento linear horizontal se conserva, começando em zero. E, sem atrito em nenhuma superfície, a energia mecânica total também se conserva. A velocidade que o enunciado fornece é relativa à pista, então precisamos convertê-la em velocidades em relação ao solo antes de usar a energia.

Sejam $v$ a velocidade da esfera e $V$ a da pista, ambas em módulo e em sentidos opostos. A velocidade relativa é a soma, e o momento total é nulo: \[v+V=3,\qquad mv=MV\;\Rightarrow\;2(3-V)=10V\;\Rightarrow\;V=0{,}5\text{ m/s},\; v=2{,}5\text{ m/s}\] Agora a energia, com a perda de altura $h$ da esfera indo para as duas energias cinéticas: \[mgh=\dfrac12mv^2+\dfrac12MV^2\] Substituindo: \[20\,h=\dfrac12\cdot2\cdot(2{,}5)^2+\dfrac12\cdot10\cdot(0{,}5)^2=6{,}25+1{,}25=7{,}5\] \[h=\dfrac{7{,}5}{20}=\dfrac38\text{ m}\]

A altura da pista é $3/8\text{ m}=0{,}375\text{ m}$. Para fechar com segurança: se a pista fosse fixa, uma esfera com 3 m/s no fim exigiria $h=v^2/2g=0{,}45\text{ m}$. Como parte da energia vai para a pista, que se move, a altura necessária é um pouco menor, o que é coerente com 0,375 m.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar a velocidade de 3 m/s direto na energia, como se a pista estivesse parada, ou conservar o momento na direção errada. Aqui o momento se conserva só na horizontal, a única direção sem força externa, pois na vertical o chão exerce a normal. Note também que 3 m/s é velocidade relativa, e as velocidades em relação ao solo são 2,5 m/s e 0,5 m/s. Converta antes de aplicar qualquer princípio de conservação.

Alternativa correta: A

Q35
Mecânica — Hidrostática — Vasos Comunicantes (Lei de Stevin)

Um líquido $L_1$ com densidade $d_1$ é colocado em um recipiente com dois ramos comunicantes de iguais dimensões. Dois outros líquidos, $L_2$ e $L_3$, com densidades $d_2 = 4\text{ g/cm}^3$ e $d_3 = 2\text{ g/cm}^3$ são, respectivamente, colocados nos ramos direito e esquerdo em quantidades que os fazem atingir o mesmo nível no recipiente.

Vasos comunicantes contendo três líquidos imiscíveis em equilíbrio

Nota-se que a consequente elevação do nível de $L_1$ no lado esquerdo é igual a $1/3$ da altura da coluna de $L_3$. Podemos concluir que a densidade $d_1$ vale, em $\text{g/cm}^3$:

A)5,0
B)6,0
C)7,0
D)8,0
E)9,0

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

C
Resolução

Um recipiente de dois ramos iguais contém o líquido $L_1$ na base, e os líquidos $L_2$ (4 g/cm³, ramo direito) e $L_3$ (2 g/cm³, ramo esquerdo) são colocados de modo que seus topos ficam no mesmo nível. O dado numérico é que a elevação do nível de $L_1$ no ramo esquerdo vale um terço da altura da coluna de $L_3$. A incógnita é a densidade $d_1$. Os dados da figura se resumem, na prática, a essas relações entre alturas.

A ferramenta é a lei de Stevin: num mesmo líquido em equilíbrio, pontos no mesmo nível têm a mesma pressão. O truque é escolher dois pontos na mesma altura e ligados pelo mesmo líquido, e a pressão atmosférica cancela nos dois lados. Para escrever as alturas de cada coluna, usamos a incógnita $\Delta h$ e a geometria dos ramos iguais.

Como os ramos têm a mesma seção, o nível de $L_1$ sobe $\Delta h$ de um lado e desce $\Delta h$ do outro, e a diferença de nível de $L_1$ entre os ramos é $2\Delta h$. Do dado, a coluna de $L_3$ vale $h_3=3\Delta h$. Como os topos de $L_2$ e $L_3$ estão no mesmo nível, a coluna de $L_2$ soma as alturas do lado esquerdo acima do nível de $L_1$ do lado direito, ou seja, $h_2=2\Delta h+3\Delta h=5\Delta h$. Igualando as pressões no nível da interface mais baixa, no lado direito: \[d_3\,g\,h_3+d_1\,g\,(2\Delta h)=d_2\,g\,h_2\] Cancelando $g$ e dividindo por $\Delta h$: \[2\cdot3+2\,d_1=4\cdot5\;\Rightarrow\;2\,d_1=14\;\Rightarrow\;d_1=7{,}0\text{ g/cm}^3\]

A densidade vale 7,0 g/cm³. Vale um teste de bom senso: $L_1$ precisa ficar na base e sustentar as duas colunas, então deve ser o mais denso dos três, mais que 4 g/cm³, e 7 atende a isso.

Cuidado, armadilha! O erro típico é igualar pressões em pontos de alturas diferentes, como comparar a base de um ramo com a interface do outro. A lei de Stevin só liga pontos no mesmo nível e no mesmo líquido contínuo. Outro deslize é esquecer que o desnível de $L_1$ é $2\Delta h$, e não $\Delta h$, porque um lado sobe e o outro desce. Marque o nível de referência antes de escrever qualquer pressão.

Alternativa correta: C

Q36
Mecânica — Estática — Centro de Massa e Equilíbrio de Semicírculo

Um objeto em forma de semicírculo de raio R e com distribuição homogênea de massa está em repouso sobre uma superfície com atrito. É sabido que o centro de massa de tal semicírculo fica localizado a uma distância $h = \dfrac{4R}{3\pi}$ da sua borda reta, conforme mostra a figura 1.

Semicírculo em repouso sobre plano horizontal, com indicação do centro de massa

Figura 1

Uma corda amarrada a uma das extremidades do semicírculo pode exercer, sobre ele, uma força horizontal, representada pelo vetor na figura 2, deixando-o inclinado de um ângulo $\theta$ em relação à sua posição original.

Semicírculo inclinado por força horizontal, com indicação do ângulo theta

Figura 2

Se o coeficiente de atrito estático entre o objeto e a superfície vale $\mu = 1/\pi$, o seno do máximo ângulo com o qual o semicírculo pode permanecer inclinado em repouso, sem escorregar sobre a superfície, vale:

A)1/2
B)1/3
C)2/5
D)3/7
E)5/11

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

D
Resolução

Um semicírculo homogêneo de raio $R$ repousa sobre um plano com atrito, e o centro de massa está a $h=4R/(3\pi)$ da borda reta. Uma corda amarrada numa extremidade puxa horizontalmente e o inclina de um ângulo $\theta$. O coeficiente de atrito estático é $\mu=1/\pi$. Pede-se o seno do maior ângulo em que ele permanece em repouso sem escorregar. Note que aparecem duas condições ao mesmo tempo: não deslizar e ficar em equilíbrio de rotação.

Primeiro a translação: na horizontal, a tração é equilibrada pelo atrito, e na vertical, a normal iguala o peso. Na iminência de escorregar, o atrito vale $\mu N$. Depois a rotação: escolhemos o ponto de contato com o solo como eixo, para que atrito e normal não gerem torque. Sobram o torque do peso, que tenta desfazer a inclinação, e o torque da tração, que tenta aumentá-la.

Na iminência de deslizamento: \[T=f_{at}=\mu N=\mu P=\dfrac{P}{\pi}\] O braço do peso em relação ao ponto de contato é $h\sin\theta$, e o braço da tração horizontal, aplicada na extremidade que está a uma altura $R(1-\sin\theta)$ do solo, é essa altura. Igualando os torques: \[\dfrac{P}{\pi}\,R\,(1-\sin\theta)=P\,\dfrac{4R}{3\pi}\,\sin\theta\] Simplificando $P$, $R$ e $\pi$: \[1-\sin\theta=\dfrac43\sin\theta\;\Rightarrow\;\sin\theta=\dfrac37\]

O seno do ângulo máximo é $3/7$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: $3/7\approx0{,}43$ corresponde a cerca de $25^\circ$, um ângulo razoável, e o resultado é menor que 1, como deve ser. Se o atrito fosse maior, a tração admissível aumentaria e o ângulo máximo também.

Cuidado, armadilha! O erro típico é errar o braço de alavanca, tomando distâncias que não são perpendiculares às forças ou medindo a partir do centro do semicírculo em vez do ponto de contato. O braço de uma força horizontal é a altura do ponto de aplicação, e o braço do peso é a distância horizontal entre o centro de massa e o contato. Escolher o ponto de contato como eixo elimina duas incógnitas de uma vez, e é a decisão que torna a conta curta.

Alternativa correta: D

Q37
Eletricidade — Eletrostática — Equilíbrio de Forças Eletrostáticas

A figura abaixo mostra um pêndulo em equilíbrio com outra pequena esfera carregada B. Suponha que a esfera B tenha, em módulo, o dobro de carga que a esfera A, e que a esfera A possua massa $180\sqrt{3} \times 10^{-3}\text{ kg}$. Qual é a carga da esfera A?

Pêndulo A em equilíbrio elétrico repulsivo com esfera B a 10 cm

Dados: $k = 9 \times 10^9\text{ N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$; $g = 10\text{ m/s}^2$; $\tan 30^\circ = \dfrac{\sqrt{3}}{3}$.

A)1 $\mu$C
B)2 $\mu$C
C)4 $\mu$C
D)6 $\mu$C
E)8 $\mu$C

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

A
Resolução

Um pêndulo com a esfera A fica inclinado de $30^\circ$ com a vertical pela repulsão de uma esfera B a 10 cm. A carga de B é o dobro da de A, e a massa de A é $180\sqrt3\times10^{-3}\text{ kg}$. Pede-se a carga de A.

Em A atuam peso, tração e força elétrica horizontal. Na vertical a tração equilibra o peso, na horizontal equilibra a força elétrica. Dividindo as equações, a tração some e sobra $\tan\theta=F_e/P$. Com a força, a lei de Coulomb entrega a carga.

O peso é $P=1{,}8\sqrt3\text{ N}$. Então \[F_e=P\tan30^\circ=1{,}8\text{ N}\] Por Coulomb, com $q_B=2q_A$ e $d=0{,}10\text{ m}$: \[1{,}8=9\times10^{9}\cdot\dfrac{2\,q_A^{2}}{0{,}01}\;\Rightarrow\;q_A^{2}=10^{-12}\;\Rightarrow\;q_A=10^{-6}\text{ C}\]

A carga de A vale $1\ \mu\text{C}$. Só para conferir: microcoulombs a 10 cm dão forças de poucos newtons, compatíveis com 1,8 N diante de um peso de cerca de 3 N.

Cuidado, armadilha! O erro comum é trocar seno por cosseno na projeção, ou escrever $\tan\theta=P/F_e$. O ângulo é medido com a vertical, então a tração horizontal é $T\sin\theta$ e a vertical é $T\cos\theta$, e a razão é a tangente, com a força elétrica no numerador. Confira: ângulo pequeno significa força pequena diante do peso.

Alternativa correta: A

Q38
Eletricidade — Eletrostática — Gerador Real e Carga do Capacitor

No circuito mostrado na figura abaixo, a força eletromotriz vale $\mathcal{E} = 10\text{ V}$, a resistência interna vale $r = 1{,}0\,\Omega$ e o capacitor tem capacitância $C = 2{,}0\,\mu\text{F}$. Sabendo-se que o capacitor encontra-se totalmente carregado, possuindo $16\,\mu\text{C}$ de carga, qual é o valor da resistência R, em ohms?

Circuito contendo bateria com resistência interna r, resistor R e capacitor C em paralelo
A)4
B)2
C)1
D)0,5
E)0,1

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

A
Resolução

Uma bateria de fem 10 V e resistência interna 1,0 Ω alimenta um resistor $R$ em paralelo com um capacitor de 2,0 μF. O capacitor está totalmente carregado, com 16 μC. Pede-se $R$. "Totalmente carregado" é o dado que decide o funcionamento do circuito.

Em corrente contínua, um capacitor carregado bloqueia a corrente no seu ramo, então toda a corrente do gerador passa por $R$. A tensão em $R$ é a do capacitor, $Q/C$, e é também a tensão nos terminais do gerador real, $U=\mathcal{E}-rI$.

Tensão, corrente e resistência: \[U=\dfrac{Q}{C}=8\text{ V},\qquad 8=10-1{,}0\,I\;\Rightarrow\;I=2\text{ A},\qquad R=\dfrac{U}{I}=4\ \Omega\]

A resistência vale 4 Ω. Uma checagem rápida: $R+r=5\ \Omega$ com 10 V dá 2 A, a mesma corrente encontrada, e a queda de 2 V na resistência interna explica os 8 V úteis.

Cuidado, armadilha! O aluno que supõe corrente de curto-circuito, $\mathcal{E}/r=10\text{ A}$, ou tensão nos terminais igual à fem, esquece a resistência interna. Em regime a corrente existe e passa por $R$, mas não pelo capacitor. Lembre que a tensão nos terminais de um gerador real é menor que a fem quando há corrente.

Alternativa correta: A

Q39
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Lei de Faraday-Lenz e Corrente Induzida

Considere uma região do espaço em que a intensidade do campo magnético, apontando para cima, esteja variando em função do tempo como mostrado no gráfico abaixo. Uma espira quadrada condutora de lado $20{,}0\text{ cm}$ e resistência $R = 10{,}0\text{ m}\Omega$ é mergulhada nessa região de tal forma que as linhas de campo sejam perpendiculares ao seu plano. Quando a espira é vista por cima, o módulo e o sentido da corrente nela induzida são:

Gráfico da variação do campo magnético B(mT) em função do tempo t(s)
A)12,0 A, no sentido horário.
B)12,0 A, no sentido anti-horário.
C)12,0 mA, no sentido horário.
D)12,0 mA, no sentido anti-horário.
E)3,0 mA, no sentido anti-horário.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

C
Resolução

Um campo magnético para cima cresce com o tempo, com taxa de 3,0 mT/s segundo o gráfico. Uma espira quadrada de 20,0 cm de lado e resistência de 10,0 mΩ tem o plano perpendicular ao campo. Pede-se módulo e sentido da corrente induzida, vista por cima.

Pela lei de Faraday, a fem é a taxa de variação do fluxo. Área e orientação são fixas, então a fem é a área vezes a taxa de variação de $B$. A corrente sai de Ohm, e o sentido vem da lei de Lenz: a corrente cria um campo que se opõe à variação do fluxo.

Com $A=0{,}04\text{ m}^2$: \[\mathcal{E}=A\dfrac{\Delta B}{\Delta t}=0{,}04\cdot3{,}0\times10^{-3}=1{,}2\times10^{-4}\text{ V},\qquad I=\dfrac{\mathcal{E}}{R}=\dfrac{1{,}2\times10^{-4}}{10{,}0\times10^{-3}}=12{,}0\text{ mA}\] Sentido: o campo para cima aumenta, então a corrente cria campo induzido para baixo, o que pela regra da mão direita é sentido horário, visto por cima.

A corrente é 12,0 mA, horária. Para fechar com segurança: décimos de milivolt divididos por centésimos de ohm dão miliampères, o que descarta as opções com 12 A.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é errar o sentido: a corrente induzida se opõe à variação do fluxo, não ao campo em si. Como o campo cresce, o induzido tem sentido oposto ao externo; se decrescesse, o sentido inverteria. Outro deslize é converter mal 10,0 mΩ e 20 cm, o que erra a resposta por fatores de mil.

Alternativa correta: C

Q40
Mecânica — Trabalho e Energia — Teorema da Energia Cinética e Trabalho de Força Restritiva

Um barco com 1000 kg de massa se desloca na água com velocidade constante de $10\text{ m/s}$. Ao desligar os motores, esse barco fica sujeito apenas (na direção horizontal) à força de arrasto exercida pela água, proporcional à velocidade e dada por $\vec{F} = -200\vec{v}$, com v em metros por segundo e F em Newtons. Quanto vale, em Joules, o trabalho exercido pela força de arrasto desde o momento do desligamento do motor até que o módulo da velocidade do barco seja de $2\text{ m/s}$?

A)-48.000
B)-50.000
C)-52.000
D)-54.000
E)-56.000

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2022

A
Resolução

Um barco de 1000 kg, a 10 m/s, desliga os motores. Na horizontal passa a atuar somente o arrasto da água, proporcional à velocidade, $F=-200v$. Pergunta-se o trabalho realizado pelo arrasto desde o desligamento até a velocidade cair a 2 m/s. Note que a lei do arrasto e o valor 200 são detalhes que parecem importantes, mas não serão usados numericamente.

A ideia central é esta: o arrasto varia com a velocidade, então o trabalho não é simplesmente força vezes deslocamento, e calcular o deslocamento exigiria uma equação diferencial. Mas o teorema da energia cinética dispensa tudo isso. O trabalho da força resultante é igual à variação da energia cinética, seja a força constante ou não. Como o arrasto é a única força horizontal que atua, o trabalho dele é o trabalho total.

Aplicando o teorema entre as duas velocidades: \[W_{arrasto}=\Delta E_c=\dfrac12m\,v_f^{2}-\dfrac12m\,v_i^{2}=\dfrac12\cdot1000\cdot(2^{2}-10^{2})\] Efetuando: \[W_{arrasto}=500\cdot(4-100)=-48\,000\text{ J}\]

O trabalho do arrasto vale $-48\,000\text{ J}$. Vale um teste de bom senso: o sinal negativo é coerente, pois o arrasto se opõe ao movimento e tira energia do barco. A energia cinética inicial era 50 000 J e a final é 2 000 J, e a diferença é justamente 48 000 J.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tratar o arrasto como força constante e tentar $W=F\,d$, usando 200 vezes uma velocidade qualquer e um deslocamento que você nem conhece. Como a força diminui à medida que o barco desacelera, isso não funciona. Quando a força varia de forma complicada mas o enunciado dá as velocidades inicial e final, pense em energia. Aqui também vale conferir o sinal: trabalho de força de resistência é sempre negativo.

Alternativa correta: A

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