Uma roda circular de trator rola em linha reta sobre o chão horizontal sem escorregar. Uma partícula A da extremidade da roda descreve uma curva (chamada cicloide) cuja equação cartesiana é
$x = \arccos(1-y) - \sqrt{2y-y^2}$
com x e y medidos em metros em um sistema de coordenadas cuja origem está sobre o solo, com eixo x paralelo ao solo. Enquanto a partícula se desloca desde o contato com o solo até o ponto mais alto da roda, sua coordenada y varia desde o mínimo até o máximo valor para os quais a expressão para x é real. A razão entre o módulo da velocidade de A (em relação ao solo) e sua componente horizontal no instante em que A possui coordenada $y = 1{,}62$ vale:
O enunciado entrega a trajetória do ponto A já escrita em coordenadas cartesianas e pede a razão entre o módulo da velocidade de A e a sua componente horizontal quando y = 1,62 m. Note que y vai de 0 a um máximo de 2 m, então essa altura fica na metade de cima da roda, perto do topo. O que importa é reconhecer a curva; não precisamos calcular x em nenhum momento.
Um ponto da borda de uma roda que rola sem deslizar descreve uma cicloide, cujas equações paramétricas em função do ângulo girado $\theta$ são $x = R(\theta - \sin\theta)$ e $y = R(1-\cos\theta)$. Comparando com a expressão dada, $\arccos(1-y)$ é o próprio $\theta$ e $\sqrt{2y-y^2}$ é $\sin\theta$, o que revela $R = 1$ m. Aqui está a sacada: derivando no tempo, com $\omega$ constante, as duas componentes da velocidade dependem apenas de $\theta$, e a razão pedida cancela $R\omega$.
Derivando as paramétricas em relação ao tempo: \[v_x = R\omega\,(1-\cos\theta), \qquad v_y = R\omega\,\sin\theta\] O módulo fica \[v = R\omega\sqrt{(1-\cos\theta)^2+\sin^2\theta} = R\omega\sqrt{2(1-\cos\theta)}\] Como $y = R(1-\cos\theta)$ e $R = 1$ m, temos $1-\cos\theta = 1{,}62$. A razão é então \[\dfrac{v}{v_x} = \dfrac{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}{1-\cos\theta} = \sqrt{\dfrac{2}{1{,}62}} = \sqrt{\dfrac{100}{81}} = \dfrac{10}{9}\]
A razão vale 10/9. Uma checagem rápida: no topo da roda (y = 2 m) a velocidade é toda horizontal e a razão vale 1; no contato com o solo (y = 0) a componente horizontal se anula e a razão diverge. Com y = 1,62 m, próximo do topo, um valor ligeiramente acima de 1 é exatamente o esperado.
Alternativa correta: E












