EFOMM 2024 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Esc. de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2023/2024 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Mecânica — Cinemática — Trajetória Cicloide e Rolamento sem Deslizamento

Uma roda circular de trator rola em linha reta sobre o chão horizontal sem escorregar. Uma partícula A da extremidade da roda descreve uma curva (chamada cicloide) cuja equação cartesiana é

$x = \arccos(1-y) - \sqrt{2y-y^2}$

com x e y medidos em metros em um sistema de coordenadas cuja origem está sobre o solo, com eixo x paralelo ao solo. Enquanto a partícula se desloca desde o contato com o solo até o ponto mais alto da roda, sua coordenada y varia desde o mínimo até o máximo valor para os quais a expressão para x é real. A razão entre o módulo da velocidade de A (em relação ao solo) e sua componente horizontal no instante em que A possui coordenada $y = 1{,}62$ vale:

A)3/2
B)4/3
C)6/5
D)9/8
E)10/9

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

E
Resolução

O enunciado entrega a trajetória do ponto A já escrita em coordenadas cartesianas e pede a razão entre o módulo da velocidade de A e a sua componente horizontal quando y = 1,62 m. Note que y vai de 0 a um máximo de 2 m, então essa altura fica na metade de cima da roda, perto do topo. O que importa é reconhecer a curva; não precisamos calcular x em nenhum momento.

Um ponto da borda de uma roda que rola sem deslizar descreve uma cicloide, cujas equações paramétricas em função do ângulo girado $\theta$ são $x = R(\theta - \sin\theta)$ e $y = R(1-\cos\theta)$. Comparando com a expressão dada, $\arccos(1-y)$ é o próprio $\theta$ e $\sqrt{2y-y^2}$ é $\sin\theta$, o que revela $R = 1$ m. Aqui está a sacada: derivando no tempo, com $\omega$ constante, as duas componentes da velocidade dependem apenas de $\theta$, e a razão pedida cancela $R\omega$.

Derivando as paramétricas em relação ao tempo: \[v_x = R\omega\,(1-\cos\theta), \qquad v_y = R\omega\,\sin\theta\] O módulo fica \[v = R\omega\sqrt{(1-\cos\theta)^2+\sin^2\theta} = R\omega\sqrt{2(1-\cos\theta)}\] Como $y = R(1-\cos\theta)$ e $R = 1$ m, temos $1-\cos\theta = 1{,}62$. A razão é então \[\dfrac{v}{v_x} = \dfrac{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}{1-\cos\theta} = \sqrt{\dfrac{2}{1{,}62}} = \sqrt{\dfrac{100}{81}} = \dfrac{10}{9}\]

A razão vale 10/9. Uma checagem rápida: no topo da roda (y = 2 m) a velocidade é toda horizontal e a razão vale 1; no contato com o solo (y = 0) a componente horizontal se anula e a razão diverge. Com y = 1,62 m, próximo do topo, um valor ligeiramente acima de 1 é exatamente o esperado.

Cuidado, armadilha! O erro típico é olhar x e y como simples coordenadas e tentar derivar a equação dada sem enxergar o ângulo de rolamento, o que trava a conta logo no início. Outro deslize comum é escrever $\cos\theta = 1{,}62$, esquecendo que o dado é $1-\cos\theta$. Antes de qualquer cálculo, reconheça a cicloide, identifique $\theta$ e $R$ e só depois derive; a razão não depende da velocidade do centro da roda.

Alternativa correta: E

Q22
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Campo Magnético de Fios Retilhões Paralelos

Dois fios longos, fixos e retilhões, 1 e 2, estão no vácuo e paralelos entre si, numa direção perpendicular ao plano desse papel, conforme mostra a figura. Inicialmente, somente o fio 1 é percorrido por uma corrente constante $i_1 = 3\text{ A}$, entrando no plano do papel. Nessa condição, o módulo do vetor indução magnética no ponto P vale $0{,}3\,\mu\text{T}$. Uma corrente $i_2 = 1\text{ A}$ começa a percorrer o fio 2 com o mesmo sentido de $i_1$, resultando num vetor indução magnética total no ponto P de módulo $\dfrac{\sqrt{10}}{10}\,\mu\text{T}$. Qual é a distância d, em metros, entre os fios?

Fios 1 e 2 perpendiculares ao papel e ponto P forming um triângulo com distância d entre os fios

Dado: $\mu_0 = 4\pi \times 10^{-7}\text{ T}\cdot\text{m/A}$.

A)$\dfrac{\sqrt{2}}{2}$
B)$\sqrt{3}$
C)$2\sqrt{3}$
D)$2\sqrt{2}$
E)2

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D
Resolução

Há duas situações. Na primeira, só o fio 1 age e o campo em P vale 0,3 μT, o que permite descobrir a distância de P ao fio 1. Na segunda, o fio 2 entra com 1 A no mesmo sentido e o campo total passa a $\sqrt{10}/10\ \mu\text{T}$. A pergunta é a distância d entre os fios, que forma um triângulo com P. Os sentidos das correntes só interessam porque definem a direção dos campos.

O campo de um fio longo é $B = \mu_0 i/(2\pi r)$ e é perpendicular ao segmento que liga o fio ao ponto. Como o campo é vetor, o total em P vem de uma soma vetorial. Repare que, comparando $B_T^2$ com $B_1^2$, podemos testar se os dois campos formam um ângulo reto: se $B_T^2 = B_1^2 + B_2^2$, os campos são ortogonais e, como cada um é perpendicular ao seu raio, os raios também formam 90° em P. Aí d é a hipotenusa do triângulo.

Com o fio 1 sozinho: \[r_1 = \dfrac{\mu_0 i_1}{2\pi B_1} = \dfrac{2\times10^{-7}\cdot 3}{0{,}3\times10^{-6}} = 2\text{ m}\] No campo total, $B_T^2 = 0{,}1\ (\mu\text{T})^2$ e $B_1^2 = 0{,}09\ (\mu\text{T})^2$. A diferença é exatamente o quadrado de um campo menor: \[B_2^2 = 0{,}1 - 0{,}09 = 0{,}01 \implies B_2 = 0{,}1\ \mu\text{T}\] \[r_2 = \dfrac{2\times10^{-7}\cdot 1}{0{,}1\times10^{-6}} = 2\text{ m}\] Com os raios ortogonais em P: \[d = \sqrt{r_1^2 + r_2^2} = \sqrt{4+4} = 2\sqrt{2}\text{ m}\]

A distância vale $2\sqrt{2}\ \text{m} \approx 2{,}83$ m. Para fechar com segurança: 1 A a 2 m gera 0,1 μT, ordem de grandeza correta para fios longos; d é maior que cada cateto e menor que a soma deles (4 m), como deve ser em um triângulo.

Cuidado, armadilha! Quem soma os módulos, 0,3 + B₂ = 0,316, obtém um campo B₂ de cerca de 0,016 μT e uma distância r₂ perto de 12 m, valor que destoa de tudo no problema. Campo magnético é vetor: a direção conta tanto quanto o módulo. Sempre que a soma dos quadrados fechar tão redonda como aqui, desconfie de um ângulo reto e use Pitágoras.

Alternativa correta: D

Q23
Mecânica — Quantidade de Movimento — Conservação de Energia e Quantidade de Movimento

Uma partícula de massa m desce, deslizando sem atrito sobre uma pista de massa M desde o seu ponto mais alto. A pista tem formato de um quarto de círculo de raio R e pode se mover horizontalmente (sem girar) sobre o solo sem atrito, como mostra a figura abaixo. No início do movimento, pista e partícula estão em repouso em relação ao solo. Dado que g é a aceleração da gravidade local, o módulo de sua velocidade em relação ao solo, quando a partícula estiver a uma altura h em relação ao solo, será:

Partícula m deslizando sobre rampa circular M que pode mover-se sobre o solo
A)$\left[\dfrac{2g(R-h)}{1 + \dfrac{m/M}{1 + \left[\dfrac{2Rh-h^2}{(R-h)^2}\right]\left(1 + \dfrac{m}{M}\right)^2}}\right]^{1/2}$
B)$\left[\dfrac{2g(R-h)}{\dfrac{m}{M} + \dfrac{R^2}{(R-h)^2}\left(1 + \dfrac{m}{M}\right)^2}\right]^{1/2}$
C)$\left[\dfrac{2g(R-h)}{1 + \left[\dfrac{2Rh-h^2}{(R-h)^2}\right]\left(1 + \dfrac{m}{M}\right)^2}\right]^{1/2}$
D)$\left[\dfrac{2g(R-h)}{1 + \dfrac{m}{M}\dfrac{R}{R-h}}\right]^{1/2}$
E)$\left[\dfrac{2g(R-h)}{1 + \dfrac{2Rh-h^2}{(R-h)^2}}\right]^{1/2}$

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A
Resolução

Uma partícula desce por uma pista em quarto de círculo que também pode deslizar sem atrito sobre o solo. Tudo parte do repouso, a partícula começa no ponto mais alto (altura R) e queremos o módulo da velocidade dela em relação ao solo quando estiver à altura h. As alternativas parecem assustadoras, mas todas nascem de duas leis e de um vínculo geométrico; não é preciso decorar nada.

Não há força externa horizontal sobre o sistema partícula mais pista: o peso e a normal do solo são verticais. Logo, a quantidade de movimento horizontal se conserva. Também não há atrito, então a energia mecânica total se conserva. O vínculo é que a velocidade da partícula em relação à pista é sempre tangente ao arco. Essas três informações fecham o problema.

Sejam $\vec u$ a velocidade da partícula em relação à pista e $V$ a velocidade da pista em relação ao solo. A velocidade horizontal da partícula no solo é $u_x + V$ e a vertical é $u_y$. Conservando o momento horizontal: \[m(u_x+V)+MV=0 \implies V=-\dfrac{m}{m+M}\,u_x\] Na altura h, o raio que liga o centro do arco à partícula tem componentes $\sqrt{2Rh-h^2}$ (horizontal) e $R-h$ (vertical), e a tangente é perpendicular a ele: \[\dfrac{u_y}{u_x}=\dfrac{\sqrt{2Rh-h^2}}{R-h}\] A energia mecânica do conjunto dá \[mg(R-h)=\dfrac12 m\left[(u_x+V)^2+u_y^2\right]+\dfrac12 MV^2\] Eliminando $V$ e $u_y$ em função de $u_x$, e formando $v^2=(u_x+V)^2+u_y^2$, chega-se a \[v^2=\dfrac{2g(R-h)}{1+\dfrac{m/M}{1+\left[\dfrac{2Rh-h^2}{(R-h)^2}\right]\left(1+\dfrac{m}{M}\right)^2}}\]

A expressão é a da essa configuração. Dois testes de sanidade rápidos: se a pista fosse muito pesada ($m/M \to 0$), a fração some e sobra $v^2=2g(R-h)$, a queda livre da altura $R-h$, como esperado para uma pista praticamente fixa; e, em h = R, o numerador zera e a partícula está parada.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é conservar momento também na vertical. Não dá: o solo empurra o sistema para cima com a normal, uma força externa vertical que muda o momento vertical. Só a componente horizontal se conserva. Outro tropeço é usar a velocidade relativa à pista como se fosse a do solo na energia e esquecer a energia cinética da própria pista, que também ganha movimento.

Alternativa correta: A

Q24
Mecânica — Dinâmica — Ângulo de Inclinação Constante

Na figura abaixo, a caixa grande de massa M pode deslizar horizontalmente (sem girar) sobre o piso sem atrito, e a roldana acoplada a ela tem massa desprezível. No início da observação do movimento, o objeto de massa m se encontra na posição indicada na figura. O fio é inextensível, e sua porção que se estende desde a roldana à parede (onde está preso) é horizontal. Determine o valor do cosseno de $\theta$ para que esse ângulo se mantenha constante durante a queda do objeto de massa m.

Caixa M com roldana presa por fio à parede e massa m suspensa em ângulo theta
A)$1 + \dfrac{M}{m} - \sqrt{\left(1 + \dfrac{M}{m}\right)^2 - 1}$
B)$1 + \dfrac{2M}{m} + \sqrt{\left(1 + \dfrac{2M}{m}\right)^2 - 1}$
C)$1 + \dfrac{M}{2m} - \sqrt{\left(1 + \dfrac{M}{2m}\right)^2 - 1}$
D)$1 + \dfrac{2M}{m} - \sqrt{\left(1 + \dfrac{2M}{m}\right)^2 - 1}$
E)$1 + \dfrac{M}{2m} + \sqrt{\left(1 + \dfrac{M}{2m}\right)^2 - 1}$

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C
Resolução

A caixa M desliza sem atrito e carrega uma roldana de massa desprezível. O fio sai da parede na horizontal, passa pela roldana e desce inclinado até o objeto m. Queremos o cosseno do ângulo $\theta$ do trecho inclinado com a horizontal para que esse ângulo não mude durante a queda. Repare que g e a tração não aparecem nas alternativas: só importam m, M e a geometria.

Como a roldana não tem massa, a força do fio sobre a caixa é a soma de duas trações iguais, uma horizontal e outra inclinada. O fio inextensível liga as duas partes do sistema: se a caixa avança com aceleração $b$ em direção à parede, o trecho inclinado se alonga com aceleração $b$. Com $\theta$ constante, a aceleração de m fica totalmente determinada por $b$ e por $\theta$. O pulo do gato é este: não trate a caixa como parada, pois ela acelera e arrasta o objeto junto.

Para a caixa, a componente horizontal da força resultante é \[Mb = T(1-\cos\theta)\] Para o objeto m, a aceleração horizontal, composta do movimento da caixa com o alongamento do fio, tem módulo $b(1-\cos\theta)$, e a única força horizontal é $T\cos\theta$: \[m\,b\,(1-\cos\theta)=T\cos\theta\] Substituindo $T = Mb/(1-\cos\theta)$, o $b$ se cancela: \[m(1-\cos\theta)^2 = M\cos\theta \implies \cos^2\theta-\left(2+\dfrac{M}{m}\right)\cos\theta+1=0\] \[\cos\theta=\left(1+\dfrac{M}{2m}\right)\pm\sqrt{\left(1+\dfrac{M}{2m}\right)^2-1}\]

O produto das duas raízes é 1 e ambas são positivas, então uma é maior que 1 e a outra fica entre 0 e 1. Como $\cos\theta \le 1$, vale o sinal negativo. Vale um teste de bom senso: se M tende a zero, o cosseno tende a 1 (ângulo nulo); se M cresce muito, o cosseno cai para perto de 0.

Cuidado, armadilha! Muita gente equilibra o objeto m como se a caixa estivesse parada, igualando componentes de tração e peso. Isso ignora que a caixa acelera e que, para o ângulo se manter, o objeto precisa acompanhar essa aceleração. Outro deslize é contar apenas uma tração sobre a caixa; com a roldana ideal, o fio a puxa nos dois trechos. Escreva a segunda lei de Newton para os dois corpos e use o vínculo do fio.

Alternativa correta: C

Q25
Mecânica — Estática — Equilíbrio com Atrito entre Duas Barras Articuladas

As duas barras homogêneas com comprimentos $L_1$ e $L_2$ possuem massas $m_1$ e $m_2$, respectivamente, e podem girar sem atrito em torno das articulações no solo. O sistema é colocado em repouso, conforme a imagem, e o equilíbrio se mantém devido ao atrito no contato entre as duas barras, cujo coeficiente de atrito estático vale $\mu$.

Duas barras apoiadas entre si com ângulos theta e phi em relação ao solo

A largura das barras é desprezível. A extremidade da barra menor possui formato de semicírculo (com raio desprezível). O centro de massa das barras se encontra abaixo do ponto de contato entre elas. Os ângulos são tais que $0 < \theta < \pi/2$ e $0 < \phi < \pi/2$. Para que o sistema permaneça em equilíbrio ao ser solto nessa posição, é preciso que a razão $m_2/m_1$ esteja contida no intervalo real $[a, b]$, com:

A)$a = \dfrac{L_1 \sin 3\theta}{L_2 \sin 3\phi}[\tan(\theta+\phi) - \mu]; \quad b = \dfrac{L_1 \sin 3\theta}{L_2 \sin 3\phi}[\tan(\theta+\phi) + \mu]$
B)$a = L_1 \sin\theta\cos\theta - L_2 \sin\phi\cos\phi; \quad b = L_1 \sin\theta\cos\theta + L_2 \sin\phi\cos\phi$
C)$a = \dfrac{L_1 \sin\theta}{L_2 \sin\phi}[\cos\theta\sin(\theta+\phi) - \mu\sin\theta\sin(\theta-\phi)]; \quad b = \dfrac{L_1 \sin\theta}{L_2 \sin\phi}[\cos\theta\sin(\theta+\phi) + \mu\sin\theta\sin(\theta-\phi)]$
D)$a = \dfrac{L_1 \sin 2\theta}{L_2 \sin 2\phi}[-\cos(\theta+\phi) - \mu\sin(\theta+\phi)]; \quad b = \dfrac{L_1 \sin 2\theta}{L_2 \sin 2\phi}[-\cos(\theta+\phi) + \mu\sin(\theta+\phi)]$
E)$a = \dfrac{L_1 \sin 3\theta}{L_2 \sin 3\phi}[\sin(\theta+\phi) - \mu\sin(\theta+\phi)]; \quad b = \dfrac{L_1 \sin 3\theta}{L_2 \sin 3\phi}[\sin(\theta+\phi) + \mu\sin(\theta+\phi)]$

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D
Resolução

Duas barras homogêneas, articuladas no solo, se apoiam uma na outra, e só o atrito estático no contato impede que caiam. Pede-se o intervalo $[a, b]$ de valores da razão $m_2/m_1$ para o qual o equilíbrio se mantém. Na figura, a barra 1 faz $\theta$ com o solo, a barra 2 faz $\varphi$, e o topo arredondado da barra 2 toca a barra 1. Como o raio é desprezível, o contato é pontual: a normal é perpendicular à barra 1 e o atrito é paralelo a ela. Note que as duas articulações e o ponto de contato formam um triângulo.

Cada barra deve estar em equilíbrio de rotação por si só. Na barra 1, tome torques em torno da sua articulação: o atrito passa por ela e não entra na conta, e assim sai a normal $N$. Na barra 2, use a mesma força de contato, em sentido oposto, e obtenha $m_2$. O atrito estático varia entre $-\mu N$ e $+\mu N$, e é isso que abre o intervalo entre $a$ e $b$.

Pela lei dos senos no triângulo, o contato está a uma distância $s = L_2\sin\varphi/\sin\theta$ da articulação da barra 1. O torque em torno dela: \[m_1 g\,\dfrac{L_1}{2}\cos\theta = N\,s \;\Rightarrow\; N=\dfrac{m_1 g L_1\sin 2\theta}{4L_2\sin\varphi}\] Na barra 2, o contato está a $L_2$ da articulação. O peso e a normal produzem torques no mesmo sentido, e o atrito, de intensidade $f$, faz o contrapeso: \[m_2 g\,\dfrac{L_2}{2}\cos\varphi = L_2\left[-N\cos(\theta+\varphi) \pm f\sin(\theta+\varphi)\right]\] Impondo $f = \mu N$ nos dois sentidos e isolando a razão: \[\dfrac{m_2}{m_1}=\dfrac{L_1\sin 2\theta}{L_2\sin 2\varphi}\left[-\cos(\theta+\varphi)\pm\mu\sin(\theta+\varphi)\right]\]

O sinal negativo dá o extremo $a$ e o positivo dá o extremo $b$, exatamente como na essa configuração. Olhe o resultado com desconfiança saudável: com $\mu = 0$ os dois extremos coincidem e só um valor de $m_2/m_1$ equilibra o sistema; com atrito o intervalo se abre simetricamente em torno dele. Além disso, $-\cos(\theta+\varphi)$ só é positivo se $\theta+\varphi \gt 90^\circ$, o que combina com a figura, na qual o ângulo do topo do triângulo é agudo.

Cuidado, armadilha! Tomar torque em torno de uma única articulação para o conjunto trava a conta: a reação da articulação tem duas componentes desconhecidas e você não separa $N$ de $f$. Isole as duas barras e use o mesmo par de forças de contato, em sentidos opostos, nas duas. Cuidado ainda com a direção da normal, perpendicular à barra 1 e não vertical, e com o sinal do atrito, que se inverte de um extremo do intervalo para o outro.

Alternativa correta: D

Q26
Mecânica — Gravitação — Lançamento Orbital em Planeta em Rotação

O planeta X, esférico e com densidade homogênea, possui a mesma massa da Terra, metade do raio terrestre e período de rotação de 2 horas. Deseja-se colocar um objeto em órbita circular ao redor de X. Para tal, escolhe-se como local de lançamento um ponto desse planeta onde se utilize a menor quantidade possível de energia nessa tarefa. O lançamento é feito em uma direção paralela à superfície, a partir de uma pequena elevação de terra cuja altitude em relação ao nível do mar é muito pequena em comparação ao raio do planeta. Dessa forma, podemos fazer a aproximação de que o raio da órbita é igual ao raio de X.

Empregando a mínima energia possível no lançamento, assinale a alternativa que corresponde ao intervalo que contém o módulo da velocidade em relação ao solo com que o objeto deve ser lançado.

Dados: velocidade de escape da Terra: $11{,}2\text{ km/s}$; velocidade de um ponto no equador da Terra em relação ao seu centro: $460\text{ m/s}$.

A)7 km/s e 8 km/s
B)8 km/s e 9 km/s
C)9 km/s e 10 km/s
D)10 km/s e 11 km/s
E)11 km/s e 12 km/s

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B
Resolução

O planeta X tem a massa da Terra, metade do raio e gira com período de 2 h. Queremos pôr um objeto em órbita rasante gastando a menor energia possível e saber a velocidade de lançamento em relação ao solo. Repare que não precisamos de G nem da massa: os dados da Terra (escape de 11,2 km/s e 460 m/s no equador) bastam para escalar tudo.

Para uma órbita circular rasante, $v_{orb}=\sqrt{GM/R}$, que é a velocidade de escape dividida por $\sqrt{2}$. Se o raio cai à metade com a mesma massa, a velocidade orbital aumenta por $\sqrt{2}$. A menor energia exige aproveitar a rotação do planeta: lançar no equador, no mesmo sentido da rotação. O solo já se move, então a velocidade em relação ao solo é a orbital menos a de rotação.

Na Terra: \[v_{orb,T}=\dfrac{11{,}2}{\sqrt2}\approx 7{,}92\text{ km/s}\] No planeta X, com raio $R_T/2$: \[v_{orb,X}=\sqrt2\,v_{orb,T}=11{,}2\text{ km/s}\] A rotação de X: o raio é metade e o período é 2 h, ou seja, 1/12 do dia terrestre de 24 h. Logo a velocidade do equador é \[v_{eq,X}=\dfrac{2\pi (R_T/2)}{T_T/12}=6\,v_{eq,T}=6\times0{,}46=2{,}76\text{ km/s}\] E a velocidade de lançamento em relação ao solo é \[v_{solo}=v_{orb,X}-v_{eq,X}=11{,}2-2{,}76=8{,}44\text{ km/s}\]

O valor de 8,44 km/s está entre 8 e 9 km/s. Só para conferir: precisa ser maior que a órbita rasante da Terra (7,9 km/s), pois X é mais compacto, e menor que 11,2 km/s, pois a rotação ajuda.

Cuidado, armadilha! O erro típico é somar a velocidade de rotação em vez de subtraí-la: 11,2 mais 2,76 daria quase 14 km/s, resultado que nem consta nas alternativas. A rotação só ajuda se o lançamento for para leste, no equador. Lançar de um polo, sem ajuda alguma, daria 11,2 km/s. Pergunte-se sempre: o solo já me entrega velocidade ou está me tirando velocidade?

Alternativa correta: B

Q27
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão Inelástica e Profundidade Máxima

Uma embarcação em formato de paralelepípedo possui base com área de $4\text{ m}^2$ e altura de 1 m e flutua em equilíbrio. Um pacote com massa de 100 kg é solto de uma altura de 20 m em relação à superfície da embarcação e cai sem sofrer resistência do ar, colidindo com essa de forma perfeitamente inelástica. Se a densidade da água é de $1000\text{ kg/m}^3$ e a densidade da embarcação é de $100\text{ kg/m}^3$, a profundidade máxima atingida pelo fundo da embarcação em relação à água após o impacto tem o valor, em metros, de:

A)$\dfrac{5+\sqrt{293}}{40}$
B)$\dfrac{5+\sqrt{307}}{40}$
C)$\dfrac{5+\sqrt{309}}{40}$
D)$\dfrac{5+\sqrt{321}}{40}$
E)$\dfrac{5+\sqrt{345}}{40}$

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D
Resolução

Um barco em forma de caixa, com base de 4 m² e 1 m de altura, flutua em equilíbrio. Um pacote de 100 kg cai de 20 m sobre ele, sem resistência do ar, e fica preso ao barco (choque perfeitamente inelástico). Queremos a profundidade máxima do fundo do barco abaixo da superfície da água. A altura de 1 m serve para a massa do barco e para conferir, no fim, que ele não afunda por inteiro.

Vamos por partes, porque há três fases com leis diferentes. Na queda, vale a energia. No choque, que é rápido e inelástico, vale a conservação da quantidade de movimento, e a energia mecânica não se conserva. Depois do choque, como o barco tem seção constante, o empuxo varia linearmente com a profundidade e age como uma mola: o conjunto oscila em torno de um novo equilíbrio, mais fundo por causa da massa extra. A profundidade máxima é a posição do novo equilíbrio mais a amplitude.

A massa do barco é $M = 100\cdot 4 = 400$ kg. A velocidade do pacote ao chegar e a velocidade do conjunto logo após o choque são \[v_0=\sqrt{2gH}=20\text{ m/s}, \qquad V=\dfrac{m v_0}{m+M}=\dfrac{100\cdot 20}{500}=4\text{ m/s}\] O calado inicial e o novo calado de equilíbrio (com 500 kg no total): \[h_0=\dfrac{M}{\rho A}=0{,}1\text{ m}, \qquad h_{eq}=\dfrac{M+m}{\rho A}=0{,}125\text{ m}\] A "mola" do empuxo e a frequência angular: \[k=\rho g A=4\times10^{4}\text{ N/m}, \qquad \omega^2=\dfrac{k}{M+m}=80\text{ s}^{-2}\] Logo após o choque, o fundo está em $y_0 = h_0-h_{eq} = -0{,}025$ m em relação ao novo equilíbrio, com velocidade de 4 m/s. A amplitude vem da energia do MHS: \[A^2=y_0^2+\dfrac{V^2}{\omega^2}=0{,}000625+0{,}2=\dfrac{321}{1600}\] \[h_{max}=h_{eq}+A=\dfrac{5}{40}+\dfrac{\sqrt{321}}{40}=\dfrac{5+\sqrt{321}}{40}\text{ m}\]

Resultado: $(5+\sqrt{321})/40 \approx 0{,}57$ m. Uma checagem rápida: é maior que o novo calado de equilíbrio (0,125 m), como deve ser no ponto mais fundo da oscilação, e menor que 1 m, então o barco não afunda por inteiro e o modelo linear do empuxo continua válido.

Cuidado, armadilha! Conservar energia mecânica no choque é o erro que mais derruba esta questão: o choque é inelástico e parte da energia se dissipa, então só o momento vale (por isso V é 4 m/s, e não um número obtido igualando energias). Cuidado também para não medir a oscilação a partir do calado antigo, esquecendo que o equilíbrio mudou, e para não esquecer que o pacote fica no barco, elevando a massa oscilante para 500 kg.

Alternativa correta: D

Q28
Eletromagnetismo — Força Magnética — Trabalho da força magnética

Analise as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a opção correta.

I- Por ser sempre perpendicular à trajetória, a força magnética nunca realiza trabalho.

II- É possível manter uma carga elétrica em equilíbrio estável, desde que ela esteja no centro geométrico de uma configuração de cargas elétricas estáticas.

III- Uma partícula sujeita a uma força restauradora sempre realizará um Movimento Harmônico Simples.

IV- A força normal atuando num objeto só será igual a reação à força peso se esse objeto se encontrar sobre uma superfície plana horizontal.

A)Apenas a alternativa I é verdadeira.
B)As alternativas I e III são verdadeiras.
C)Apenas a alternativa IV é verdadeira.
D)As alternativas II e IV são verdadeiras.
E)As alternativas I, III e IV são verdadeiras.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

A
Resolução

São quatro afirmativas independentes, de assuntos diferentes: trabalho da força magnética, equilíbrio de cargas, MHS e força normal. Não há contas. Basta uma palavra absoluta, como "sempre" ou "só", para a afirmativa cair.

Vamos afirmativa por afirmativa, procurando o conceito que decide cada uma e testando com um contraexemplo quando a frase usa palavras absolutas.

Item I: verdadeira. A força $q\vec{v}\times\vec{B}$ é sempre perpendicular à velocidade, logo $\vec F\cdot d\vec r=0$ e o trabalho é nulo, embora ela mude a direção do movimento. Item II: falsa. Pelo teorema de Earnshaw, cargas estáticas não sustentam uma carga em equilíbrio estável; no centro de uma configuração simétrica o equilíbrio até existe, mas é instável em alguma direção. Item III: falsa. Restauradora só produz MHS se for proporcional ao deslocamento, como $F=-kx$. Item IV: falsa. Normal e peso atuam no mesmo corpo, então nunca formam par ação e reação, seja a superfície horizontal ou não.

Só o item I é verdadeiro. Para fechar com segurança: toda alternativa que inclui II, III ou IV depende de um item falso, então todas as outras caem.

Cuidado, armadilha! O item II seduz porque o centro de uma configuração simétrica parece um ponto de repouso natural. A força ali pode ser nula, mas um pequeno deslocamento basta para a carga ser empurrada para longe: o equilíbrio existe, porém não é estável. Em afirmativas com "sempre", "nunca" ou "só", procure logo um contraexemplo.

Alternativa correta: A

Q29
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Ondas Estacionárias e Tensão na Corda

Em um laboratório de física, um cordão de comprimento L está com uma das extremidades presa a um motor oscilador, enquanto a outra está fixada a um gancho por meio do qual é possível medir a tensão no fio. Ajustando o motor para oscilar na sua frequência máxima permitida ($f_{máx}$), e submetendo o fio a uma tensão $T_1$, observa-se a formação de uma onda estacionária, cujo padrão de oscilação (harmônico) está representado na figura abaixo.

Onda estacionária em corda fixa em ambas as extremidades com 2 ventres

Para obter uma onda estacionária que exiba 9 nós, utilizando o mesmo cordão de comprimento L, de maneira que o 1º e o 9º nós estejam localizados nas extremidades do fio, e mantendo a oscilação do motor na mesma frequência $f_{máx}$, a tensão do fio deverá ser ajustada para um novo valor $T_2$ igual a:

A)$(1/16) T_1$
B)$(1/9) T_1$
C)$(1/4) T_1$
D)$4 T_1$
E)$16 T_1$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

A
Resolução

Uma corda de comprimento L, presa nas duas pontas, é excitada por um motor na frequência máxima $f_{máx}$. Com tensão $T_1$, a figura mostra um padrão com 2 ventres. Depois, mantendo motor e corda, queremos um padrão com 9 nós, com um nó em cada extremidade, e perguntamos qual tensão $T_2$ é necessária. Repare que o dado essencial está na contagem de ventres, não na de nós.

Em uma corda fixa nas duas pontas, o harmônico de ordem n tem n ventres e frequência $f=\dfrac{n}{2L}\sqrt{\dfrac{T}{\mu}}$. Como a frequência do motor, o comprimento e a densidade linear da corda permanecem os mesmos, o produto $n\sqrt{T}$ tem de ser o mesmo nas duas situações. Quem muda de padrão sem mudar a frequência precisa mudar a velocidade da onda, e isso se faz pela tensão.

No primeiro caso, $n_1 = 2$. No segundo, 9 nós com dois deles nas pontas deixam 8 intervalos entre nós vizinhos, ou seja, 8 ventres: $n_2 = 8$. Igualando as frequências: \[n_1\sqrt{T_1}=n_2\sqrt{T_2} \implies 2\sqrt{T_1}=8\sqrt{T_2} \implies \sqrt{T_2}=\dfrac{1}{4}\sqrt{T_1}\] Elevando ao quadrado: \[T_2=\dfrac{1}{16}\,T_1\]

A tensão cai a 1/16 do valor inicial. Vale um teste de bom senso: com a mesma frequência, mais ventres significam comprimento de onda menor e, portanto, onda mais lenta, o que pede menos tensão. Quadruplicar o número de ventres reduz a tensão pelo quadrado desse fator, 16.

Cuidado, armadilha! Trocar nós por ventres é o erro mais comum: com 9 nós, o harmônico é o 8º, e não o 9º; usar n = 9 leva a 4/81 de $T_1$, valor que não está nas alternativas. Outro erro é pensar que mais tensão gera mais ventres. É o contrário: para a frequência fixa, mais ventres exigem onda mais lenta e menos tensão. Lembre também que a relação é com a raiz da tensão, não com a tensão.

Alternativa correta: A

Q30
Ondulatória — MHS — MHS e Determinação de Massa na Ausência de Gravidade

Na ausência de gravidade, um astronauta mede a sua própria massa utilizando uma cadeira ligada a uma mola de constante k. Os gráficos de posição por tempo obtidos durante a missão correspondem às oscilações do astronauta no 1º dia, no 100º dia e de uma massa padrão de $6{,}0\text{ kg}$.

Gráficos de oscilação senoidal de posição x tempo para o 1º dia, 100º dia e massa padrão de 6 kg

Com base nesses gráficos, é correto afirmar que a variação da massa do astronauta foi, com precisão de uma casa decimal:

A)1,2 kg a menos.
B)3,5 kg a menos.
C)12,0 kg a menos.
D)3,5 kg a mais.
E)12,0 kg a mais.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

B
Resolução

Na ausência de gravidade, o peso não serve para pesar ninguém. O astronauta se prende a uma cadeira presa a uma mola e mede o período de oscilação. Os gráficos trazem três registros: a massa padrão de 6,0 kg, que completa 12 oscilações em 12 s; o 1º dia, com 4 oscilações em 12 s; e o 100º dia, com 4 oscilações em 11,6 s. Pede-se a variação da massa do astronauta.

Para massa-mola, $T=2\pi\sqrt{m/k}$, então $m\propto T^2$. Como a mola é a mesma nas três medições, a massa padrão calibra o sistema e dispensa o cálculo de k: basta comparar quadrados dos períodos. O período de cada registro sai de dividir o tempo total pelo número de oscilações.

Massa padrão: $T_p = 12/12 = 1{,}0$ s. Como $m = 6{,}0\,T^2$ (com T em segundos), calculamos os dois dias. No 1º dia, $T_1 = 12/4 = 3{,}0$ s e \[m_1 = 6{,}0\cdot 3{,}0^2 = 54{,}0\text{ kg}\] No 100º dia, $T_2 = 11{,}6/4 = 2{,}9$ s e \[m_2 = 6{,}0\cdot 2{,}9^2 = 50{,}46\text{ kg}\] A variação é \[\Delta m = 50{,}46-54{,}0 \approx -3{,}5\text{ kg}\]

O astronauta perdeu cerca de 3,5 kg. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o período caiu uns 3%, e como a massa depende do quadrado, a queda esperada é perto de 6,5% de 54 kg, isto é, uns 3,5 kg. O sinal negativo também é coerente com um período menor.

Cuidado, armadilha! Aqui não existe g: quem pensa em peso, ou em usar g de algum jeito, se perde. O que mede a massa é a inércia, via período. Fique atento também a dois deslizes de conta: usar $m\propto T$ em vez de $m\propto T^2$ e esquecer de dividir o tempo pelo número de oscilações antes de obter o período.

Alternativa correta: B

Q31
Ondulatória — Acústica — Batimentos e Efeito Doppler com Observador em Movimento

Dois alto-falantes A e B estão separados por uma certa distância e emitem ondas sonoras a 510 Hz. Um carrinho com estudantes se move entre eles com velocidade v. O ouvido humano percebe batimentos de até 15 Hz. Qual é a velocidade limite em que o carrinho pode se movimentar entre os alto-falantes para que os batimentos possam ser percebidos? Considere $v_{som} = 340\text{ m/s}$.

A)5,0 km/h
B)10,0 km/h
C)3,0 m/s
D)5,0 m/s
E)10,0 m/s

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

D
Resolução

Dois alto-falantes idênticos emitem 510 Hz e o carrinho passa entre eles. O carrinho se aproxima de um e se afasta do outro ao mesmo tempo, então ouve duas frequências ligeiramente diferentes, que produzem batimentos. O ouvido só percebe batimentos até 15 Hz e queremos a velocidade limite do carrinho, com o som a 340 m/s. Distração: as distâncias não importam, e as alternativas em km/h são armadilha de unidade.

Observador em movimento com fonte parada percebe $f=f_0\dfrac{v_{som}\pm v}{v_{som}}$, com sinal positivo na aproximação e negativo no afastamento. A frequência de batimento é a diferença entre as duas frequências recebidas. Portanto, cada fonte contribui com um deslocamento Doppler de sinal oposto, e é o dobro que aparece nos batimentos.

As duas frequências são \[f_1=f_0\left(1+\dfrac{v}{v_{som}}\right), \qquad f_2=f_0\left(1-\dfrac{v}{v_{som}}\right)\] e o batimento vale \[f_{bat}=f_1-f_2=\dfrac{2f_0\,v}{v_{som}}\] Impondo o limite de 15 Hz: \[15=\dfrac{2\cdot 510\cdot v}{340}=3v \implies v=5\text{ m/s}\]

A velocidade limite é 5,0 m/s (18 km/h). Só para conferir: 5 m/s é bem menor que 340 m/s, então o deslocamento de cada fonte é de uns 1,5% de 510 Hz, perto de 7,5 Hz; os dois somam 15 Hz, como pedido.

Cuidado, armadilha! Se você comparar o som de uma só fonte com a frequência original de 510 Hz, vai achar que o batimento é $f_0 v/v_{som}$ e chegará a 10 m/s, que está entre as alternativas. Mas o batimento se forma entre as duas fontes, então a diferença é o dobro do deslocamento de uma delas. Preste atenção também às unidades: 5 km/h é só 1,4 m/s.

Alternativa correta: D

Q32
Termologia — Transmissão de Calor — Radiação Térmica e Lei de Stefan-Boltzmann

A temperatura da pele humana é $33{,}2^\circ\text{C}$ e a temperatura ambiente é $20^\circ\text{C}$. Assinale a alternativa que corresponde ao módulo do fluxo líquido de energia por dia por uma pessoa em unidades de caloria alimentar ($1\text{ caloria alimentar} = 4 \times 10^3\text{ J}$).

Dados: Área da pele: $1{,}5\text{ m}^2$; Poder emissivo do corpo negro a $33{,}2^\circ\text{C}$: $498\text{ W/m}^2$; Poder emissivo do corpo negro a $20^\circ\text{C}$: $418\text{ W/m}^2$; Emissividade da pele: 0,98. Tempo: 1 dia ($86400\text{ s}$).

A)$2{,}5 \times 10^3$
B)$2{,}5 \times 10^4$
C)$2{,}5 \times 10^5$
D)$2{,}5 \times 10^6$
E)$2{,}5 \times 10^7$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

A
Resolução

A pele emite radiação e o ambiente devolve parte dela; o que interessa é o fluxo líquido, a diferença entre o que sai e o que volta. O enunciado já entrega os poderes emissivos de corpo negro às duas temperaturas (498 e 418 W/m²), então não precisamos elevar temperaturas à quarta potência. Faltam a emissividade (0,98), a área (1,5 m²) e o tempo de um dia, com conversão final para caloria alimentar de 4000 J.

A potência líquida irradiada por uma superfície com emissividade $\epsilon$ é $P=\epsilon A(E_{pele}-E_{amb})$. Multiplicando pelo intervalo de tempo temos a energia perdida em um dia, e dividindo por 4000 J obtemos a resposta em calorias alimentares.

A potência líquida: \[P=0{,}98\cdot1{,}5\cdot(498-418)=1{,}47\cdot80=117{,}6\text{ W}\] A energia em um dia: \[E=P\,\Delta t=117{,}6\cdot86400\approx1{,}02\times10^{7}\text{ J}\] Convertendo: \[\dfrac{1{,}02\times10^{7}}{4\times10^{3}}\approx2{,}5\times10^{3}\text{ cal alimentar}\]

O resultado é cerca de $2{,}5\times10^{3}$. Uma checagem rápida: 2500 calorias alimentares por dia é justamente a ordem de grandeza da ingestão diária de energia de uma pessoa, o que faz sentido para um corpo em repouso.

Cuidado, armadilha! Se você recalcular os poderes emissivos com $\sigma T^4$, use temperatura em kelvin, jamais em graus Celsius: a lei de Stefan-Boltzmann vale só com escala absoluta. Aqui os valores já vêm prontos, então o risco é outro: esquecer a emissividade da pele ou a área, ou errar a ordem de grandeza na conversão de segundos para dias e de joules para calorias alimentares.

Alternativa correta: A

Q33
Termologia — Calorimetria — Calorimetria e Curva de Aquecimento da Água

A figura apresenta parte da curva de aquecimento de uma massa m de água. No eixo do tempo, $t_f = 10\text{ s}$ corresponde ao último instante em que toda a massa m estava no estado sólido (fim da fusão do gelo a $0^\circ\text{C}$). A fonte fornece $7500\text{ cal/min}$ constante. Determine o instante $t_e$ em que a temperatura atinge $60^\circ\text{C}$.

Curva de aquecimento mostrando trecho de fusão de tf até tf+160s e aquecimento até te

Dados: $c_{água} = 1\text{ cal/g}^\circ\text{C}$; $L_{fusão} = 80\text{ cal/g}$.

A)6 minutos e 10 segundos.
B)6 minutos.
C)4 minutos e 50 segundos.
D)3 minutos e 20 segundos.
E)2 minutos.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

C
Resolução

Uma fonte de potência constante, 7500 cal/min, derrete gelo e depois aquece a água resultante até 60 °C. O gráfico mostra que o patamar de fusão dura 160 s a partir de $t_f = 10$ s, e queremos o instante $t_e$ em que a água chega a 60 °C. A massa não é dada, mas o patamar de fusão a revela.

A potência é constante, então energia é potência vezes tempo. No patamar, todo o calor vai para a fusão, $Q=mL$, o que permite achar a massa. Depois, essa mesma massa de água sobe de 0 °C a 60 °C, com $Q=mc\Delta T$, e o tempo desse trecho sai de novo da potência. O instante final é a soma de todos os trechos, incluindo os 10 s iniciais.

Primeiro converta a potência para segundos: 7500 cal/min = 125 cal/s. No patamar de 160 s: \[Q_{fus}=125\cdot160=20000\text{ cal}=m\cdot80 \implies m=250\text{ g}\] Aquecendo essa massa de 0 °C a 60 °C: \[Q=250\cdot1\cdot60=15000\text{ cal} \implies \Delta t=\dfrac{15000}{125}=120\text{ s}\] O instante final: \[t_e=10+160+120=290\text{ s}=4\text{ min }50\text{ s}\]

O instante é 4 min 50 s. Para fechar com segurança: aquecer 60 °C custa 60 cal/g e fundir custa 80 cal/g, então o aquecimento deve durar 3/4 do patamar, isto é, 120 s em 160 s. Confere com a conta.

Cuidado, armadilha! Misturar minutos e segundos é o erro campeão: a potência vem em cal/min e os tempos do gráfico em segundos, então converta antes de qualquer conta. Também não esqueça o tempo $t_f = 10$ s anterior à fusão, o que muda a resposta para 4 min 40 s se ignorado. E lembre que a água só vai até 60 °C; não some o calor até 100 °C nem qualquer calor latente de vaporização.

Alternativa correta: C

Q34
Termologia — Termodinâmica — Diagrama de Fases da Água

A figura abaixo é uma representação (fora de escala) do diagrama de fases da água. O ponto correspondente à pressão $P_C$ e temperatura $T_C$ é o ponto triplo. A partir da análise desse diagrama, é correto afirmar que:

Diagrama de fases da água PxT com curvatura anômala do gelo e indicação de ponto triplo
A)a uma pressão igual a $P_B$, e temperatura igual ou inferior a $T_C$, o único estado possível é o estado sólido.
B)a uma pressão P, tal que $P_A \le P \le P_B$, e temperatura T, tal que $T_A \le T \le T_B$, os possíveis estados são: sólido, líquido, ou em uma mistura de fases sólido-líquido.
C)a linha que contém o estado representado pelos pares $(P_A, T_A)$ e $(P_B, T_B)$ é uma linha de coexistência de fases sólido-vapor.
D)para uma pressão igual a $P_C$ e temperatura acima de $T_C$ e abaixo $T_B$, o único estado possível é água no estado líquido.
E)a uma temperatura T maior que $T_A$ e menor que $T_B$ e pressão igual a $P_A$, o único estado possível é o de vapor.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

E
Resolução

O diagrama $P\times T$ tem três curvas que se encontram no ponto triplo $(T_C,P_C)$. A curva que sobe para a direita, passando por $(T_A,P_A)$ e $(T_B,P_B)$, é a de vaporização. A curva quase vertical, inclinada para a esquerda, é a de fusão. A curva curta abaixo do ponto triplo é a de sublimação. Sólido fica à esquerda, líquido entre a fusão e a vaporização, e vapor à direita e abaixo.

Em cada afirmativa, fixe a pressão, caminhe na horizontal variando a temperatura e veja quais curvas você cruza e em que região cai o estado descrito.

Item A: em $P_B$, a curva de fusão está em uma temperatura menor que $T_C$; entre essa temperatura e $T_C$ a água é líquida, então não é o único estado sólido, e A é falsa. Item B: a caixa com $T_A\le T\le T_B$ fica toda à direita de $T_C$, longe da região sólida, então não há sólido ali, e B é falsa. Item C: a linha por $(T_A,P_A)$ e $(T_B,P_B)$ é de coexistência líquido-vapor, e não sólido-vapor, então C é falsa. Item D: em $P_C$, acima de $T_C$ o ponto está abaixo da curva de vaporização, na região de vapor, e não de líquido, então D é falsa. Item E: em $P_A$ e $T\gt T_A$ cruzamos a curva de vaporização e entramos na região de vapor, então E é verdadeira.

Fica essa configuração. Vale um teste de bom senso: aquecendo a pressão constante e já em vapor, não há como voltar a líquido.

Cuidado, armadilha! Muita gente desenha na cabeça o diagrama de uma substância comum, com a fusão inclinada para a direita. Na água ela tem inclinação negativa, e por isso o gelo derrete sob pressão; em $P_B$ isso deixa uma faixa de líquido à esquerda de $T_C$, e a afirmativa A cai nessa faixa. Identifique cada curva e cada região antes de julgar.

Alternativa correta: E

Q35
Termologia — Termodinâmica — Ciclo Brayton em Refrigeração

O ciclo Brayton é um ciclo termodinâmico bastante empregado em refrigeração. Nele, a substância de trabalho passa por 4 processos: AB (expansão isobárica), BC (compressão adiabática), CD (compressão isobárica) e DA (expansão adiabática). Suponha um gás ideal diatômico com número constante de mols. Analise as afirmativas:

I- O gás absorve calor durante o processo AB.

II- A temperatura do gás no estado C é igual à do gás no estado B.

III- Durante o processo CD, a energia interna do gás aumenta.

IV- O coeficiente de desempenho do refrigerador é igual a $(T_D + T_A - T_C - T_B)/(T_D - T_C)$.

A)Apenas a alternativa I é verdadeira.
B)As alternativas I e III são verdadeiras.
C)Apenas a alternativa IV é verdadeira.
D)As alternativas II e IV são verdadeiras.
E)As alternativas I, III e IV são verdadeiras.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

A
Resolução

O ciclo tem quatro etapas: AB, expansão isobárica; BC, compressão adiabática; CD, compressão isobárica; DA, expansão adiabática. O gás é ideal e diatômico, e há quatro afirmativas para julgar. O truque é identificar, em cada etapa, o que fica constante e para onde a temperatura vai.

Em processo isobárico, volume e temperatura andam juntos: se o volume aumenta, a temperatura aumenta. Em processo adiabático não há troca de calor, e o trabalho realizado sobre o gás vira variação de energia interna. Além disso, para gás ideal a energia interna só depende da temperatura. Com essas duas ideias julgamos todos os itens.

Item I: verdadeira. Em AB o volume cresce a pressão constante, logo $T_B>T_A$ e $Q_{AB}=nC_p(T_B-T_A)>0$: o gás absorve calor, que é a retirada de calor do ambiente frio. Item II: falsa. Em BC a compressão adiabática realiza trabalho sobre o gás sem perda de calor, então a temperatura sobe e $T_C>T_B$. Item III: falsa. Em CD, compressão isobárica, o volume diminui e a temperatura cai, então a energia interna diminui, e o gás cede calor. Item IV: falsa. O desempenho do refrigerador é o calor retirado, $nC_p(T_B-T_A)$, dividido pelo trabalho líquido; como as duas isobáricas têm o mesmo $C_p$, resulta $\dfrac{T_B-T_A}{(T_C-T_D)-(T_B-T_A)}$, que não coincide com a expressão do enunciado, a qual equivale a $1+\dfrac{T_B-T_A}{T_C-T_D}$.

Só o item I é verdadeiro. Olhe o resultado com desconfiança saudável: em um refrigerador o gás precisa absorver calor na parte fria do ciclo, e é justamente isso que AB faz, com o gás mais frio que a fonte fria.

Cuidado, armadilha! Confundir isobárico com adiabático é fatal aqui. No adiabático não há calor trocado, mas a temperatura muda por causa do trabalho. No isobárico o calor é trocado e a temperatura acompanha o volume. Não caia também no erro de achar que "compressão" sempre aquece: na compressão isobárica CD, o gás esfria, pois cede calor. Sempre pergunte qual variável está fixa.

Alternativa correta: A

Q36
Termologia — Termodinâmica — Expansão Isobárica com Aquecimento Elétrico

Considere um resistor no interior de um cilindro contendo um gás ideal monoatômico. O resistor está ligado a uma fonte de tensão contínua. Inicialmente, quando a tensão fornecida era de 20 V, o êmbolo de massa $m_c = 1\text{ kg}$ se deslocou a uma velocidade constante devido à expansão isobárica. Depois, um bloco de massa 5 kg é posto sobre o êmbolo. Qual deve ser a nova tensão fornecida, para que o êmbolo se mova à mesma taxa da situação anterior?

Cilindro com gás, resistor elétrico e êmbolo com bloco adicional sobre ele
A)30 V
B)60 V
C)120 V
D)240 V
E)300 V

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

C
Resolução

Um resistor mergulhado no gás monoatômico, ligado a uma bateria, aquece o gás dentro de um cilindro com êmbolo, como mostra a figura. Com o êmbolo de 1 kg e tensão de 20 V, ele sobe com velocidade constante. Depois, um bloco de 5 kg é posto sobre o êmbolo, e pergunta-se a nova tensão para que o êmbolo suba com a mesma velocidade. A figura não traz mais dados numéricos. Velocidade constante significa pressão constante, e mesma velocidade significa mesma taxa $dV/dt$.

Toda a energia elétrica dissipada vira calor para o gás, e a pressão constante esse calor vai para a energia interna e também para o trabalho de expansão. Por isso entra $C_p = \tfrac52R$, e não $C_v$. Assim a potência elétrica é $\tfrac52\,P\,\dfrac{dV}{dt}$, e a única coisa que muda entre as situações é a pressão, que depende da massa apoiada no gás.

Desprezando a pressão externa, $P = Mg/A$, e com $dV/dt = A\,v$: \[P_{el}=\dfrac52\,P\,\dfrac{dV}{dt}=\dfrac52\,Mg\,v\] A potência é proporcional à massa total: $M_1 = 1\text{ kg}$ e $M_2 = 1+5 = 6\text{ kg}$, logo a potência precisa ficar 6 vezes maior. Com um resistor ôhmico de resistência fixa, $P_{el}=U^2/R$, e então \[U_2 = U_1\sqrt{6} = 20\sqrt6\approx 49\text{ V}\] Se a tensão fosse simplesmente proporcional à massa total, teríamos \[U_2 = 6\cdot 20 = 120\text{ V}\]

O gabarito oficial é essa configuração, 120 V, que corresponde a tomar a tensão proporcional à massa total. Com $P_{el}=U^2/R$ e $R$ constante, a minha conta dá cerca de 49 V, e não consegui reproduzir os 120 V só com os dados do enunciado e da figura. Em ambos os modelos, a tensão precisa subir, e o fator 6 na massa total é o ponto central.

Cuidado, armadilha! Usar $C_v$ em vez de $C_p$ é o erro típico: a pressão constante o gás também realiza trabalho, então o calor é $\tfrac52 P\,dV$, e não $\tfrac32 P\,dV$. Conte também o êmbolo junto com o bloco, 6 kg no total, e não só os 5 kg acrescentados. Por fim, deixe explícita a relação entre potência e tensão que você está usando, porque ela decide o resultado numérico.

Questão inconsistente — pela relação física correta ($P_{el} \propto M_{total}$, logo $U \propto \sqrt{M_{total}}$), a tensão necessária seria $U_2 = 20\sqrt{6} \approx 49\text{ V}$, valor que não figura entre as alternativas. Para reproduzir o gabarito oficial (C, 120 V) seria necessário assumir $U \propto M_{total}$ diretamente (proporcionalidade linear, sem o quadrado), o que não decorre da física do problema com os dados fornecidos no enunciado disponível.

Q37
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Disco de Faraday

A figura mostra um gerador homopolar, no qual o eixo metálico de um motor faz um disco metálico girar. As duas escovas mostradas na figura ligam esse sistema a um circuito elétrico. Considere um campo magnético de 40,0 mT, uniforme e perpendicular ao plano do disco, que tem raio $R = 0{,}20\text{ m}$ e gira com velocidade angular $\omega$. Com que frequência, em rad/s, o disco deve girar para produzir uma diferença de potencial de 12 V entre seus terminais?

Gerador homopolar com disco metálico de raio R girando em campo magnético B
A)15000
B)20000
C)25000
D)30000
E)40000

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

A
Resolução

Um disco metálico de raio 0,20 m gira em um campo magnético uniforme de 40,0 mT perpendicular a ele, e escovas ligam centro e borda a um circuito. Queremos a velocidade angular (a pergunta diz "frequência em rad/s") que gera 12 V. Atenção à unidade: 40,0 mT são 0,040 T.

Cada pedacinho do raio do disco se move com velocidade $v=\omega r$, que cresce linearmente do centro até a borda. A força eletromotriz de movimento em um elemento é $B\,v\,dr$, e a soma ao longo do raio dá uma integral simples. A ideia central é esta: como a velocidade cresce de zero até $\omega R$ de forma linear, tudo se passa como se o raio inteiro se movesse com a velocidade média, $\omega R/2$.

A força eletromotriz é \[\mathcal{E}=\int_0^R B\,\omega\,r\,dr=\dfrac12\,B\,\omega\,R^2\] Isolando $\omega$ e substituindo os valores: \[\omega=\dfrac{2\mathcal{E}}{BR^2}=\dfrac{2\cdot12}{0{,}040\cdot(0{,}20)^2}=\dfrac{24}{0{,}0016}=15000\text{ rad/s}\]

A velocidade angular vale 15000 rad/s. Só para conferir: o número é grande, cerca de 2400 rotações por segundo, porque o campo e o raio são pequenos e 12 V é muito para um disco desse tamanho; os dados do exercício é que impõem esse valor.

Cuidado, armadilha! Se você usar a velocidade linear da borda, $\omega R$, no lugar da velocidade média, perde o fator 1/2 e chega a 7500 rad/s, que nem aparece nas alternativas. Cuidado também com o prefixo: esquecer que 40 mT são 0,040 T muda o resultado por um fator mil. Antes de aplicar a fórmula, converta as unidades.

Alternativa correta: A

Q38
Eletricidade — Eletrostática — Potencial Elétrico de Distribuições Arqueadas de Carga

Três arcos de circunferência (1, 2 e 3), fixos, de raios 5 cm, 10 cm e 15 cm, respectivamente, estão centrados na origem. Os arcos 1 e 2 estão uniformemente carregados com cargas $4{,}0\,\mu\text{C}$ e $-12{,}0\,\mu\text{C}$. O arco 3 possui uma distribuição de carga uniforme Q. Uma carga pontual positiva $q = 2\text{ nC}$ localizada na origem tem energia potencial eletrostática de $28{,}8 \times 10^{-4}\text{ J}$. Qual é o valor da carga Q?

Três arcos circulares concêntricos centrados na origem

Dado: $k = 9{,}0 \times 10^9\text{ N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$.

A)5 $\mu$C
B)10 $\mu$C
C)15 $\mu$C
D)20 $\mu$C
E)30 $\mu$C

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

E
Resolução

Três arcos concêntricos, centrados na origem, têm raios de 5, 10 e 15 cm. Os dois primeiros têm cargas 4,0 μC e −12,0 μC; o terceiro tem carga Q desconhecida. Uma carga de prova de 2 nC, colocada na origem, tem energia potencial de $28{,}8\times10^{-4}$ J. Queremos Q.

Como energia potencial é $E_p = qV$, o potencial no centro sai direto do dado. Além disso, o potencial é uma grandeza escalar, e todos os pontos de um arco carregado estão à mesma distância do centro, então cada arco contribui como uma carga pontual a essa distância, sem depender da abertura do arco. O potencial total é a soma escalar $k\,q_i/r_i$, com os sinais das cargas.

O potencial na origem: \[V=\dfrac{E_p}{q}=\dfrac{28{,}8\times10^{-4}}{2\times10^{-9}}=1{,}44\times10^{6}\text{ V}\] As contribuições dos arcos conhecidos: \[V_1=\dfrac{9\times10^{9}\cdot4\times10^{-6}}{0{,}05}=7{,}2\times10^{5}\text{ V}, \qquad V_2=\dfrac{9\times10^{9}\cdot(-12\times10^{-6})}{0{,}10}=-1{,}08\times10^{6}\text{ V}\] O arco 3 precisa completar o total: \[V_3=V-V_1-V_2=1{,}44\times10^{6}-7{,}2\times10^{5}+1{,}08\times10^{6}=1{,}8\times10^{6}\text{ V}\] \[Q=\dfrac{V_3\,r_3}{k}=\dfrac{1{,}8\times10^{6}\cdot0{,}15}{9\times10^{9}}=3\times10^{-5}\text{ C}\]

A carga é 30 μC. Uma checagem rápida: os arcos 1 e 2 juntos dão potencial negativo, $-3{,}6\times10^{5}$ V, e o total é positivo, então Q precisa ser positiva e grande o bastante para vencer o negativo, como o resultado mostra.

Cuidado, armadilha! Alguns alunos tentam tratar o problema como campo elétrico, decompondo vetores e pensando na forma dos arcos. Para o potencial, só importa a distância ao ponto e o sinal da carga. Cuidado com os sinais (o arco 2 é negativo), com a conversão de centímetros para metros e com a relação $E_p = qV$, que é fácil de inverter na pressa.

Alternativa correta: E

Q39
Eletricidade — Eletrostática — Deflexão Vertical em Campo Elétrico Uniforme

Uma gota de tinta com $m = 2{,}0 \times 10^{-10}\text{ kg}$ e $q = -3{,}0 \times 10^{-13}\text{ C}$ entra com velocidade horizontal $v_x = 20\text{ m/s}$ entre duas placas paralelas de comprimento $L = 2{,}0\text{ cm}$. A deflexão esperada era $y_1 = 0{,}50\text{ mm}$, mas devido à dilatação das placas, a deflexão efetiva foi de $y_2 = 2{,}00\text{ mm}$. Qual o valor da dilatação $\Delta L$ das placas?

Gota de tinta atravessando campo elétrico uniforme entre duas placas com deflexão vertical y
A)1,0 cm
B)2,0 cm
C)3,0 cm
D)4,0 cm
E)4,5 cm

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

B
Resolução

Uma gota de tinta com carga negativa entra horizontalmente, a 20 m/s, entre placas de comprimento 2,0 cm e é desviada. O desvio previsto era 0,50 mm, mas, com a dilatação das placas, foi 2,00 mm. Queremos a dilatação $\Delta L$. Repare que massa, carga e campo não precisam ser calculados: o que muda entre os dois casos é só o tempo dentro do campo.

No sentido horizontal o movimento é uniforme, então o tempo de travessia é $t=L/v_x$. No vertical, a força elétrica constante gera aceleração constante $a=qE/m$, e o desvio é $y=\tfrac12 a t^2$. Como m, q, E e $v_x$ ficam iguais, o desvio é proporcional a $L^2$.

Em forma de razão: \[\dfrac{y_2}{y_1}=\left(\dfrac{L'}{L}\right)^2 \implies \dfrac{2{,}00}{0{,}50}=4=\left(\dfrac{L'}{L}\right)^2 \implies \dfrac{L'}{L}=2\] \[L'=2\cdot2{,}0=4{,}0\text{ cm} \implies \Delta L=L'-L=2{,}0\text{ cm}\]

A dilatação é 2,0 cm. Para fechar com segurança: com L = 2 cm, o tempo é 1 ms e o desvio de 0,5 mm exige aceleração de 1000 m/s². Com L' = 4 cm, o tempo é 2 ms e $y=\tfrac12\cdot1000\cdot(2\times10^{-3})^2=2$ mm, exatamente o valor dado.

Cuidado, armadilha! Há dois erros comuns. O primeiro é achar que o desvio é proporcional a L, o que daria $L'=4L$ e uma dilatação de 6 cm. O desvio cresce com o quadrado do tempo, e o tempo cresce com L. O segundo é responder com o comprimento final, 4,0 cm, que também está entre as alternativas, quando a pergunta é pela dilatação, a diferença. Leia o que a questão pede.

Alternativa correta: B

Q40
Eletricidade — Eletrostática — Rigidez Dielétrica e Capacitância

Inicialmente, um capacitor ligado a uma bateria possuía ar entre as placas com rigidez dielétrica de $3{,}0\text{ kV/mm}$. O potencial entre as placas foi de $2 V_{máx}$ deste capacitor, produzindo ruptura. O técnico trocou o capacitor por outro com um dado material dielétrico, cujo potencial máximo $V'_{máx}$ é tal que suas placas ficam submetidas a uma ddp de $V_{máx}/2$ quando ligadas à mesma fonte. Qual é a rigidez dielétrica do novo material?

A)3 kV/mm
B)6 kV/mm
C)9 kV/mm
D)12 kV/mm
E)15 kV/mm

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2024

D
Resolução

A rigidez dielétrica é o campo elétrico máximo que o isolante suporta antes de romper. O capacitor com ar (3,0 kV/mm) rompeu porque a fonte aplicou o dobro do potencial máximo dele, $2V_{máx}$. O novo capacitor, ligado à mesma fonte, trabalha com essa tensão igual à metade do limite dele, ou seja, $V'_{máx}/2 = 2V_{máx}$. Supomos a mesma distância entre as placas nos dois.

Se a distância entre as placas d é a mesma, a rigidez dielétrica, $E_{rig}=V_{máx}/d$, é diretamente proporcional ao potencial máximo suportado. Assim, basta comparar os potenciais máximos dos dois capacitores. Repare que não precisamos da capacitância nem da constante dielétrica do material.

A tensão da fonte vale $2V_{máx}$ e, para o novo capacitor, ela é metade do limite dele: \[2V_{máx}=\dfrac{V'_{máx}}{2} \implies V'_{máx}=4V_{máx}\] Como $d$ não mudou: \[E'_{rig}=\dfrac{V'_{máx}}{d}=4\cdot\dfrac{V_{máx}}{d}=4\cdot3{,}0=12\text{ kV/mm}\]

A rigidez do novo material é 12 kV/mm. Vale um teste de bom senso: o novo isolante suporta quatro vezes mais campo que o ar, então faz sentido que resista a uma tensão que rompeu o capacitor antigo; e 12 kV/mm é ordem de grandeza plausível para isolantes sólidos.

Cuidado, armadilha! Não confunda rigidez dielétrica com constante dielétrica. A constante dielétrica altera a capacitância, enquanto a rigidez diz quanto campo o material aguenta antes de romper. Outro deslize é tomar $V_{máx}/2$ como o limite do novo material, o que daria uma rigidez menor que a do ar. Escreva quem é a tensão da fonte, quem é o limite de cada capacitor e só então compare.

Alternativa correta: D

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