EFOMM 2025 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2024/2025 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Mecânica — Estática — Sistema Estelar Binário

Um sistema é formado por duas estrelas de mesma massa que descrevem uma órbita plana e circular de raio R. O movimento ocorre ao redor do centro de massa do sistema e é devido unicamente à atração gravitacional mútua entre as estrelas, que estão sempre em pontos diametralmente opostos.

Simultaneamente, um cosmonauta, sujeito apenas à força gravitacional das estrelas, descreve um movimento oscilatório com amplitude d, muito menor do que R, sobre a reta perpendicular ao plano da órbita que passa pelo centro da circunferência. Como $d \ll R$, considere que a distância entre o cosmonauta e qualquer das estrelas é sempre aproximadamente igual a R, durante a oscilação. A razão entre o período de oscilação do cosmonauta e o período de rotação do sistema estelar vale:

A)2/4
B)$4\sqrt{2}$
C)$2\sqrt{2}$
D)$\sqrt{2}$
E)$\sqrt{2}/2$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

A
Resolução

São duas estrelas iguais girando em torno do centro de massa, sempre em pontos opostos da circunferência de raio R. Um cosmonauta oscila ao longo do eixo perpendicular ao plano da órbita, com amplitude d muito menor que R. Pede-se a razão entre o período de oscilação do cosmonauta e o período de rotação das estrelas. A amplitude d só serve para justificar a aproximação de que a distância do cosmonauta a cada estrela vale R.

Vamos por partes, porque há dois movimentos distintos. Para as estrelas, a atração mútua faz o papel de força centrípeta, e a distância entre elas é o diâmetro, 2R. Para o cosmonauta, a componente vertical da atração das duas estrelas atua como força restauradora proporcional ao deslocamento, ou seja, um MHS. Calculados os dois períodos, basta dividir um pelo outro.

Estrelas de massa M: a força de atração usa a distância 2R, mas o raio da órbita de cada uma é R. \[\dfrac{GM^2}{(2R)^2}=M\omega_e^2R \;\Rightarrow\; \omega_e^2=\dfrac{GM}{4R^3}\] Cosmonauta de massa m, deslocado z do centro: cada estrela puxa com $GMm/R^2$, e a componente vertical de cada puxão é essa força vezes $z/R$. Com as duas estrelas: \[F_z=-2\,\dfrac{GMm}{R^2}\cdot\dfrac{z}{R}\;\Rightarrow\;\omega_c^2=\dfrac{2GM}{R^3}\] Como o período é inversamente proporcional a $\omega$: \[\dfrac{T_c}{T_e}=\dfrac{\omega_e}{\omega_c}=\sqrt{\dfrac{GM/(4R^3)}{2GM/R^3}}=\sqrt{\dfrac{1}{8}}=\dfrac{\sqrt{2}}{4}\]

A razão vale $\sqrt{2}/4\approx 0{,}35$. Repare que ela aparece escrita como "2/4" no texto das opções, mas o valor correto da fração é $\sqrt{2}/4$, com o radical no numerador; sem ele, a alternativa valeria 0,5 e não teria sentido físico neste cálculo. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o cosmonauta sente duas estrelas puxando e oscila bem mais rápido do que as estrelas giram, então a razão deve ser menor que 1. Além disso, G, M e R saíram todos na divisão, como esperado para um número puro.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é usar a distância entre as estrelas, 2R, como se fosse o raio da órbita. A força depende de 2R, mas a aceleração centrípeta depende de R, que é a distância de cada estrela ao centro de massa. Misture os dois e o fator 4 da conta desaparece ou aparece no lugar errado. Outro deslize comum é esquecer o fator 2 das duas estrelas na força restauradora. Antes de escrever a equação, diga em voz alta qual distância entra na lei da gravitação e qual raio entra na centrípeta.

Alternativa correta: A

Q22
Mecânica — Estática — Torque e Vetores em 3D (Engaste e Correntes)

A figura mostra uma barra sustentada pelo seu engaste perpendicular na parede e pelas duas correntes lineares, também fixadas à parede de maneira simétrica em relação à barra. A barra possui comprimento igual a 4 m e 500 kg de massa. As correntes possuem 6 m de comprimento, e seus pontos de fixação na parede estão distantes 6 m entre si. Despreze as demais dimensões desses corpos.

Barra metálica em engaste perpendicular sustentada por duas correntes simétricas presas à parede

Tomando o ponto de conexão da barra na parede como origem do sistema de coordenadas, o módulo do torque realizado por cada corrente sobre a barra vale, em N·m:

A)$10000\sqrt{5}/11$
B)$10000\sqrt{5}/6$
C)$5000\sqrt{11}/6$
D)$5000\sqrt{11}/5$
E)$5000\sqrt{6/5}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

A
Resolução

Uma barra de 4 m e 500 kg está presa perpendicularmente à parede e sustentada na ponta por duas correntes simétricas de 6 m, presas na parede a 6 m uma da outra. Pede-se o módulo do torque de cada corrente sobre a barra, com origem no ponto de conexão da barra com a parede. Na figura, as correntes sobem da ponta da barra até dois pontos da parede, um de cada lado: elas não estão no plano vertical da barra, e por isso o problema é tridimensional.

Repare no ponto-chave: primeiro descobrimos a tensão pelo equilíbrio de momentos em torno da origem, com o peso aplicado no centro da barra e tratando a conexão como um pivô. Depois calculamos o torque de cada corrente pelo produto vetorial entre o vetor posição da ponta e a força da corrente, que tem componentes nas três direções. Tratar a tensão como puramente vertical descartaria justamente as componentes que entram no produto vetorial.

Com a origem na conexão, a ponta da barra fica em $(0,4,0)$ e as correntes vão até $(\pm 3,0,h)$ na parede. O comprimento de 6 m dá a altura: \[3^2+4^2+h^2=6^2\;\Rightarrow\;h=\sqrt{11}\text{ m}\] Cada corrente puxa a ponta com módulo T, na direção $(\mp 3,\,-4,\,\sqrt{11})/6$. Só a componente vertical sustenta o peso $P=5000\text{ N}$, aplicado a 2 m da origem: \[2\cdot\left(T\dfrac{\sqrt{11}}{6}\right)\cdot 4=P\cdot 2\;\Rightarrow\;T=\dfrac{7500}{\sqrt{11}}\text{ N}\approx 2261\text{ N}\] No produto vetorial com $\vec{r}=(0,4,0)$, a componente da força ao longo da barra não contribui, e o módulo depende do ângulo entre a barra e a corrente, cujo cosseno é $4/6$: \[|\vec{\tau}|=4\,T\,\dfrac{\sqrt{5}}{3}\]

O gabarito oficial é essa configuração, $10000\sqrt{5}/11\text{ N}\cdot\text{m}$. Seguindo exatamente o roteiro acima, com $T=7500/\sqrt{11}$ N, chego a $10000\sqrt{5}/\sqrt{11}$, cerca de 6742 N·m. Note que a estrutura do resultado é a mesma da essa configuração, com $\sqrt{5}$ no numerador e a raiz de 11 vindo da altura h; essa conclusão é a correta com essa forma, e a diferença está no fator $\sqrt{11}$ do denominador. Teste de sanidade do equilíbrio: as duas correntes juntas fornecem $2\cdot 2261\cdot\sqrt{11}/6\approx 2500\text{ N}$ na vertical, exatamente metade do peso, como pede a alavanca (peso a 2 m, tração a 4 m).

Cuidado, armadilha! O erro típico é errar a decomposição vetorial das tensões: tratar a corrente como se estivesse no plano vertical da barra, esquecendo as componentes laterais e ao longo da barra. Só a componente vertical entra no equilíbrio do peso, mas o torque envolve o vetor força inteiro. Também é comum errar o Pitágoras: os pontos estão a 6 m entre si, logo cada um fica a 3 m do plano de simetria. Desenhe o triângulo em três dimensões antes da conta e escreva as componentes da força uma a uma antes de multiplicar vetorialmente.

Alternativa correta: A

Q23
Eletricidade — Eletrostática — Pêndulo Simples em Campo Elétrico

Uma pequena esfera de massa M igual a 0,1 kg e carga elétrica $q = 1{,}0\text{ C}$ presa por um fio de 30 cm de comprimento está imersa numa região de campo elétrico uniforme, que aponta para baixo. Esse campo pode ser alterado externamente.

Pêndulo simples com carga q imerso em campo elétrico E apontando verticalmente para baixo

Qual deve ser o valor do campo E (em N/C) para que o período deste pêndulo seja metade do período $T_0$ que ele teria na ausência do campo? Considere $g = 10\text{ m/s}^2$ e $\theta \ll 1\text{ rad}$.

A)2,0
B)3,0
C)4,0
D)5,0
E)6,0

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

B
Resolução

Uma esfera carregada, presa a um fio, oscila em campo elétrico uniforme vertical para baixo. Queremos o campo que reduz o período à metade do período sem campo. O comprimento do fio se cancela na razão dos períodos; importam apenas m, q, g e essa razão.

Repare que, com carga positiva e campo para baixo, a força elétrica aponta no mesmo sentido do peso. Para o pêndulo, isso equivale a uma gravidade maior, a gravidade efetiva. Como o período depende de $\sqrt{L/g}$, basta descobrir quanto a gravidade efetiva deve crescer para dividir o período por 2.

Sem e com campo: \[T_0=2\pi\sqrt{\dfrac{L}{g}},\qquad T=2\pi\sqrt{\dfrac{L}{g_{ef}}},\qquad g_{ef}=g+\dfrac{qE}{M}\] Impondo $T=T_0/2$, a gravidade efetiva deve quadruplicar: \[g_{ef}=4g\;\Rightarrow\;\dfrac{qE}{M}=3g\;\Rightarrow\;E=\dfrac{3Mg}{q}=\dfrac{3\cdot 0{,}1\cdot 10}{1{,}0}=3{,}0\text{ N/C}\]

O campo vale 3,0 N/C. Só para conferir: a força elétrica é 3 N, o triplo do peso de 1 N, então a força total é 4 N, quatro vezes o peso, como a gravidade efetiva 4g exige.

Cuidado, armadilha! O erro é esquecer que o campo altera a gravidade efetiva e trabalhar só com g. Outro, muito comum, é igualar $g_{ef}$ a $2g$ porque o período é metade: como o período depende da raiz de g, dividir T por 2 exige multiplicar g por 4. E confira o sentido: com campo para cima, a força elétrica subtrairia do peso e o período aumentaria.

Alternativa correta: B

Q24
Mecânica — Cinemática — Colisão Inelástica e Lançamento Oblíquo

Uma pequena esfera de raio desprezível é solta, a partir do repouso, de uma altura h, em relação ao ponto A do plano inclinado a $30^\circ$ com a horizontal.

Esfera caindo verticalmente da altura h sobre o ponto A de rampa inclinada a 30° e rebatendo para o ponto P

A colisão é inelástica com coeficiente de restituição igual a 0,5. Não há atrito entre a esfera e as superfícies, nem resistência do ar. O valor da altura h para que a esfera caia diretamente no ponto P após receber o impulso da colisão no ponto A vale:

A)$72/(6\sqrt{3}+1)\text{ m}$
B)$24/(2\sqrt{3}+1)\text{ m}$
C)$12/(\sqrt{3}+1)\text{ m}$
D)$12/\sqrt{3}\text{ m}$
E)$8/\sqrt{3}\text{ m}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

E
Resolução

Uma esfera cai do repouso, de uma altura h, verticalmente sobre o ponto A de um plano inclinado a 30° e sem atrito. A colisão tem coeficiente de restituição 0,5. Depois do choque, a esfera segue em lançamento oblíquo e deve cair em P. Pelos dados do problema, P está 3 m à frente de A na horizontal e $1/\sqrt{3}$ m abaixo dele. Pede-se h. A rampa não tem atrito, então só a componente normal é afetada pelo choque.

O caminho tem três etapas: queda livre até A, choque decomposto nos eixos do plano e lançamento com a velocidade resultante. A decisão crucial é o referencial do choque: a componente da velocidade paralela ao plano se conserva, e apenas a componente perpendicular é multiplicada por e. Depois, voltamos aos eixos horizontal e vertical para tratar o lançamento.

A velocidade antes do choque é vertical, com $v_0=\sqrt{2gh}$. Como o plano faz 30° com a horizontal, a normal faz 30° com a vertical. Logo, a componente normal vale $v_0\cos 30^\circ$ e a tangencial vale $v_0\sin 30^\circ$. Depois do choque: \[v_n'=e\,v_0\cos30^\circ=\dfrac{\sqrt{3}}{4}v_0,\qquad v_t'=v_0\sin30^\circ=\dfrac{v_0}{2}\] Somando essas componentes, com a normal apontando para fora do plano e a tangencial descendo a rampa, em relação à horizontal e à vertical: \[v_x=\dfrac{3\sqrt{3}}{8}v_0,\qquad v_y=\dfrac{v_0}{8}\] No lançamento, o tempo para avançar 3 m é $t=3/v_x$, e a altura final deve ser $-1/\sqrt{3}$: \[\dfrac{v_y\,t}{1}-5t^2=-\dfrac{1}{\sqrt{3}}\;\Rightarrow\;v_0^2=\dfrac{160}{\sqrt{3}}\;\Rightarrow\;h=\dfrac{v_0^2}{2g}=\dfrac{8}{\sqrt{3}}\text{ m}\]

Resulta $h=8/\sqrt{3}\approx 4{,}6\text{ m}$. Uma checagem rápida: com essa altura, $v_0\approx 9{,}6\text{ m/s}$ e $v_x\approx 6{,}2\text{ m/s}$, então a esfera leva cerca de 0,48 s para cobrir os 3 m e, nesse tempo, sobe um pouco e cai perto de 0,58 m abaixo de A, coerente com $1/\sqrt{3}$.

Cuidado, armadilha! O erro típico é decompor a velocidade no plano errado: trocar seno por cosseno e tratar como tangencial a componente que é normal. Como a queda é vertical e o plano é inclinado, a tangencial é $v_0\sin30^\circ$, e não $v_0\cos30^\circ$. Confira sempre com um caso limite: se o plano fosse horizontal, a velocidade seria toda normal. Outro deslize é aplicar o coeficiente de restituição às duas componentes, quando ele vale só para a normal.

Alternativa correta: E

Q25
Termologia — Termodinâmica — Ciclo P × T e Trabalho Isobárico

O gráfico representa a curva P x T de uma sequência de processos termodinâmicos pelos quais um gás ideal diatômico é submetido. Nestes processos, o gás interage térmica e mecanicamente com o meio externo, mas não pode trocar partículas.

Gráfico P x T mostrando ciclo triangular com vértices A, B e C, onde CA aponta para a origem

A reta que contém o segmento CA passa pela origem do gráfico P x T. Assinale a alternativa que corresponde ao trabalho realizado pelo gás (em Joules) no processo AB, dado que $T_B = 2T_A$ e que o módulo do calor cedido pelo gás para o meio externo no processo CA é de 200 J.

A)400/7
B)200/3
C)80
D)400/3
E)200

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

C
Resolução

Temos um ciclo triangular de gás ideal diatômico num gráfico P por T. O segmento CA é uma reta que passa pela origem, AB tem pressão constante e $T_B=2T_A$. O calor cedido em CA vale 200 J em módulo, e queremos o trabalho de A até B. O trabalho pedido é do trecho isobárico, e o dado de calor pertence a outro trecho.

Repare que reta pela origem em P contra T significa P proporcional a T, o que pela equação de estado exige volume constante. Então CA é isocórico, e o calor ali depende só de $C_v$. Isso nos dá o produto $nRT_A$, que é justamente o que precisamos para o trabalho isobárico $P\Delta V=nR\Delta T$. O ciclo se fecha com BC na vertical, isotérmico, portanto $T_C=T_B=2T_A$.

Em CA, o gás esfria de $2T_A$ até $T_A$ com $C_v=\tfrac{5}{2}R$: \[|Q_{CA}|=n\cdot\dfrac{5}{2}R\,(2T_A-T_A)=\dfrac{5}{2}\,nRT_A=200\text{ J}\;\Rightarrow\;nRT_A=80\text{ J}\] Em AB, a pressão é constante e a temperatura dobra, logo: \[W_{AB}=P\Delta V=nR\,(T_B-T_A)=nRT_A=80\text{ J}\]

O trabalho no trecho AB é 80 J. Para fechar com segurança: o trabalho isobárico é 2/5 do módulo do calor em CA, já que $C_v=\tfrac52R$ e o trabalho equivale a $1\cdot nR\Delta T$; 2/5 de 200 J dá 80 J, compatível com um gás diatômico.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tratar o processo como isocórico sem checar a pressão: em AB não há variação de pressão, e o volume varia, então o trabalho não é nulo. Também é fácil confundir os trechos: o calor de 200 J é do isocórico CA e usa $C_v$, enquanto o trabalho pedido é do isobárico AB. Por fim, lembre que reta pela origem num gráfico P por T indica volume constante, e não pressão constante. Identifique primeiro o tipo de cada lado do ciclo.

Alternativa correta: C

Q26
Eletricidade — Eletrodinâmica — Dimensionamento de Disjuntor

A tabela abaixo mostra as potências de trabalho de alguns dispositivos de passadiço. Dimensione o disjuntor ideal para proteger a instalação elétrica para este ramo do passadiço, supondo que a tensão eficaz na rede seja de 220 volts.

Dispositivo Potência de trabalho (kW)
Bússola0,30
Anemômetro0,20
GPS0,20
Radar0,35
Sistema de telefone automático0,80
Sistema de difusão de mensagem0,50
Rádio - VHF0,20
Ecobatímetro0,25
Luzes de navegação1,00
A)15 A
B)20 A
C)25 A
D)30 A
E)35 A

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B
Resolução

A tabela lista nove dispositivos do passadiço, com potências em kW, ligados a uma rede de 220 V eficazes. Pede-se o disjuntor adequado. Importam a soma de todas as potências, já que podem funcionar juntas, e a tensão da rede.

Vamos por partes: o disjuntor precisa suportar a corrente total do ramo. Como a tensão é a mesma para todos, as potências se somam, e a corrente sai de $P=UI$. Depois escolhemos o menor valor comercial que comporta essa corrente.

Somando as potências, em kW: \[P=0{,}30+0{,}20+0{,}20+0{,}35+0{,}80+0{,}50+0{,}20+0{,}25+1{,}00=3800\text{ W}\] \[I=\dfrac{P}{U}=\dfrac{3800}{220}\approx 17{,}3\text{ A}\]

Com cerca de 17,3 A, o de 15 A desarmaria em operação normal. A resposta é 20 A, o menor comercial acima da corrente.

Cuidado, armadilha! Os erros aqui são mecânicos. Um é somar dispositivos incompletos: os nove precisam entrar. Outro é usar a tensão errada, como 110 V, o que dobraria quase a corrente. E o disjuntor deve ser sempre maior que a corrente de operação, nunca menor, senão desarma com o circuito funcionando.

Alternativa correta: B

Q27
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Carga em Campo Magnético Uniforme

Considere que uma partícula de massa m carregada negativamente com carga de módulo q entre com vetor velocidade v, fazendo $30^\circ$ com a horizontal numa região de campo magnético uniforme, entrando no plano do papel. A partícula sai da região do campo com o vetor velocidade $\vec{v}'$ apontando na direção horizontal. Desprezando a ação do campo gravitacional sobre a partícula, qual a distância horizontal D ($\text{em }\mu\text{m}$) entre a entrada e a saída da partícula da região com campo magnético?

Trajetória circular de carga negativa em campo magnético uniforme entrando na página

Dados: $q/m = 3{,}5 \times 10^{11}\text{ C/kg}$, $B = 0{,}2\text{ T}$, $v = 7{,}0 \times 10^6\text{ m/s}$.

A)2,0
B)10,0
C)25,0
D)50,0
E)100,0

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D
Resolução

Uma partícula de carga negativa entra num campo magnético uniforme com velocidade a 30° da horizontal e sai com velocidade horizontal. Pede-se a distância horizontal D entre entrada e saída. Importam q/m, B e v; o sinal da carga só define o sentido da curva.

Num campo uniforme perpendicular à velocidade, a força magnética é centrípeta e a trajetória é um arco de circunferência. Primeiro achamos o raio. Depois, como a velocidade gira 30° entre entrada e saída, a geometria do arco dá a projeção horizontal do deslocamento.

Igualando força magnética e centrípeta: \[R=\dfrac{v}{(q/m)B}=\dfrac{7{,}0\times10^{6}}{3{,}5\times10^{11}\cdot0{,}2}=10^{-4}\text{ m}=100\,\mu\text{m}\] A posição horizontal varia com o seno do ângulo da velocidade, que passa de 30° a 0°: \[D=R\,\sin30^\circ=100\cdot0{,}5=50\,\mu\text{m}\]

Encontramos $D=50\,\mu\text{m}$. Vale um teste de bom senso: D deve ser menor que o raio, e 50 é a metade de 100. Se a velocidade girasse 90°, D seria o próprio raio.

Cuidado, armadilha! O erro típico é errar o ângulo entre a velocidade e a normal ao campo, trocando seno por cosseno ou usando 60° no lugar de 30°. O que interessa é quanto a velocidade girou, 30°. Outro erro é esquecer a conversão do raio de metros para micrômetros: $10^{-4}$ m são 100 micrômetros.

Alternativa correta: D

Q28
Eletricidade — Eletrostática — Contatos Sucessivos entre Condutores

Quatro esferas condutoras A, B, C e D, de raios r, 2r, 4r e 8r, respectivamente, possuem a mesma carga elétrica igual a Q. Tais esferas estão suficientemente afastadas umas das outras de forma que a distribuição de carga não seja afetada. Suponha que a esfera A seja colocada em contato elétrico com a esfera B por um fio condutor metálico e, após um certo tempo, o fio seja retirado. Após isso, a esfera A é posta em contato elétrico com a esfera C pelo mesmo mecanismo e, novamente, após certo tempo, o fio é retirado. Finalmente, a esfera A é posta em contato com a última esfera D, da mesma forma que as anteriores, e afastada. Considerando que as esferas trocaram cargas apenas entre si, ao final do processo, a carga elétrica de A será:

A)$Q/2$
B)$2Q/3$
C)$7Q/8$
D)$Q/3$
E)$4Q/27$

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E
Resolução

Quatro esferas condutoras de raios r, 2r, 4r e 8r começam com a mesma carga Q. A esfera A toca sucessivamente B, C e D, sempre com a carga anterior de A somada à carga de cada uma delas. Pergunta-se a carga final de A. As esferas estão afastadas, então só a troca de carga por contato importa.

Vamos por partes: quando dois condutores se tocam, entram em equilíbrio no mesmo potencial. Como o potencial de uma esfera é proporcional a $q/r$, a carga total se reparte proporcionalmente aos raios, e não igualmente. Basta repetir esse cálculo três vezes, usando a carga que A tem antes de cada contato.

Regra geral: a carga total $Q_t$ dividida entre A e X fica, em A, \[q_A'=Q_t\,\dfrac{r_A}{r_A+r_X}\] Primeiro contato, A com B (cargas Q e Q, total 2Q): \[q_A=2Q\cdot\dfrac{r}{r+2r}=\dfrac{2Q}{3}\] Segundo contato, A com C, que ainda tem Q (total $\tfrac{2Q}{3}+Q=\tfrac{5Q}{3}$): \[q_A=\dfrac{5Q}{3}\cdot\dfrac{r}{r+4r}=\dfrac{Q}{3}\] Terceiro contato, A com D, que ainda tem Q (total $\tfrac{Q}{3}+Q=\tfrac{4Q}{3}$): \[q_A=\dfrac{4Q}{3}\cdot\dfrac{r}{r+8r}=\dfrac{4Q}{27}\]

A carga final de A é $4Q/27$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: a cada contato, A troca com uma esfera cada vez maior e fica com uma fração cada vez menor do total, então a carga de A só pode diminuir, como vimos: $2Q/3$, $Q/3$ e $4Q/27$.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é dividir a carga igualmente entre as esferas, como se fossem idênticas. Isso só vale para raios iguais. Com raios diferentes, a esfera maior fica com mais carga. O segundo erro é esquecer que cada esfera nova ainda guarda sua carga Q original: a carga total do contato é a carga atual de A mais Q. Faça uma pequena tabela com a carga de A e a de cada nova esfera antes de cada contato.

Alternativa correta: E

Q29
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Campo Magnético no Centro de Espiras Ortogonais

Duas espiras concêntricas de raio r e 4r são percorridas pelas correntes i e $i'$ respectivamente. Supondo a corrente i conhecida, qual o valor de $i'$ para que o campo magnético resultante no ponto O faça um ângulo de $30^\circ$ com o eixo x?

Duas espiras circulares concêntricas ortogonais percorridas por correntes i e i' nos planos yz e xz
A)2i
B)$2i\sqrt{3}/3$
C)$4i\sqrt{3}$
D)$4i\sqrt{3}/3$
E)4i

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

C
Resolução

Duas espiras concêntricas, de raios r e 4r, ficam em planos perpendiculares e são percorridas pelas correntes i e i'. Queremos i' para que o campo resultante no centro faça 30° com o eixo x. Pela figura, a espira maior gera o campo ao longo de x e a menor, ao longo de y.

Note que o campo magnético é vetorial. Cada espira gera no centro um campo perpendicular ao seu plano, de módulo $\mu_0 i/(2R)$. Como os planos são ortogonais, os campos formam um triângulo retângulo, e o ângulo da resultante sai da tangente entre as componentes.

As componentes no centro são: \[B_x=\dfrac{\mu_0 i'}{2(4r)}=\dfrac{\mu_0 i'}{8r},\qquad B_y=\dfrac{\mu_0 i}{2r}\] O ângulo de 30° com x impõe: \[\tan30^\circ=\dfrac{B_y}{B_x}=\dfrac{4i}{i'}\;\Rightarrow\;i'=\dfrac{4i}{\tan30^\circ}=4\sqrt{3}\,i\]

Obtemos $i'=4\sqrt{3}\,i\approx 6{,}9\,i$. Só para conferir: a espira grande tem raio quatro vezes maior, o que enfraquece seu campo, e mesmo assim $B_x$ precisa superar $B_y$ em cerca de 1,7 vez. Logo a corrente i' deve ser bem maior que i.

Cuidado, armadilha! O erro típico é somar os campos como escalares, ignorando que são perpendiculares: a soma vetorial pede tangente ou Pitágoras. Outro é inverter a tangente, escrevendo $B_x/B_y$: a tangente do ângulo com o eixo x é a componente y sobre a componente x. Desenhe os dois vetores no centro antes de escrever a equação.

Alternativa correta: C

Q30
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Ondas Estacionárias em Tubo Fechado

Um tubo de comprimento L que está em contato térmico com o meio externo contém n mols de um certo gás ideal. Ambas as extremidades do tubo possuem membranas impermeáveis e flexíveis, de forma que elas podem oscilar devido à ação de uma fonte externa, que induz a propagação de ondas sonoras de frequência f dentro do tubo. Num certo instante $t_1$, o gás está a uma temperatura $T_1$ e forma-se dentro do tubo uma onda estacionária de número harmônico $n_1$. À medida que o gás troca calor com o meio externo, essa onda estacionária se desfaz; porém, em um instante posterior $t_2$ uma outra onda estacionária de número harmônico $n_2$ é observada.

Gráfico P x V isocórico mostrando queda de pressão de P1 para P2 = 9P1/121

O gráfico P-V do gás entre os instantes $t_1$ e $t_2$ está apresentado na figura acima, em que $P_1$ e $P_2$ são as pressões do gás nos instantes $t_1$ e $t_2$, respectivamente. Assinale a alternativa que corresponde à razão $n_2/n_1$.

Dados: velocidade de propagação de onda sonora no gás $v^2 = \gamma R T / M$; $V = \text{constante}$; $f = \text{constante}$.

A)1
B)11/3
C)$\sqrt{11}/3$
D)$3\sqrt{11}/11$
E)9/11

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

B
Resolução

Um tubo de comprimento L, com as duas extremidades em membranas flexíveis, contém um gás ideal. Uma fonte externa impõe frequência f constante. O gás esfria a volume constante, com a pressão caindo de $P_1$ para $P_2=9P_1/121$, e a onda estacionária muda de harmônico n₁ para n₂. Pede-se n₂/n₁. O que importa é a relação entre a velocidade do som e a temperatura.

O caminho é encadear três ideias: a condição de onda estacionária liga f, n e v; a velocidade do som liga v à temperatura; e, com volume constante, a pressão é proporcional à temperatura. A frequência fixa é a chave, porque obriga o produto n·v a se manter constante.

Com as extremidades equivalentes, os harmônicos obedecem a $f=n\,v/(2L)$. Como f e L não mudam: \[n_1v_1=n_2v_2\;\Rightarrow\;\dfrac{n_2}{n_1}=\dfrac{v_1}{v_2}\] A velocidade do som vale $v=\sqrt{\gamma RT/M}$, logo $v\propto\sqrt{T}$. Com V constante, $P\propto T$: \[\dfrac{v_1}{v_2}=\sqrt{\dfrac{T_1}{T_2}}=\sqrt{\dfrac{P_1}{P_2}}=\sqrt{\dfrac{121}{9}}=\dfrac{11}{3}\]

A razão $n_2/n_1$ vale $11/3$. Uma checagem rápida: o gás esfriou muito, a pressão caiu a menos de 8% do valor inicial, então o som ficou mais lento e, para manter a mesma frequência, cabem mais meios comprimentos de onda no tubo, ou seja, n aumenta. Uma razão maior que 1 é coerente.

Cuidado, armadilha! O erro é usar a velocidade do som sem ligá-la à temperatura, como se ela fosse constante e a razão fosse 1. Outro deslize é esquecer a raiz quadrada: a velocidade depende de $\sqrt{T}$, e não de T, o que levaria a 121/9 em vez de 11/3. E atenção ao sentido da razão: como n·v é constante, n₂/n₁ é igual a v₁/v₂, e não a v₂/v₁. Escreva a igualdade $n_1v_1=n_2v_2$ antes de qualquer substituição.

Alternativa correta: B

Q31
Mecânica — Hidrostática — Calado e Empuxo de Embarcação

A figura abaixo mostra a seção transversal uniforme do casco de uma embarcação que possui 100 m de comprimento. Supondo a embarcação em equilíbrio, qual o calado (distância vertical a partir do fundo do casco até a linha superficial da água), em metros, da embarcação se sua massa total é 16.000 t, conforme a figura abaixo?

Seção transversal do casco do navio: parte inferior triangular com 10 m de altura e 50 m de largura no topo, encimada por um retângulo de 5 m de altura e 50 m de largura
A)11
B)8
C)6
D)4
E)2

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

B
Resolução

O casco tem seção transversal uniforme ao longo de 100 m: uma parte inferior triangular, com 10 m de altura e 50 m de largura no topo, e uma parte retangular acima, de 5 m de altura. A massa total é 16.000 t, e queremos o calado, isto é, a profundidade submersa medida a partir do fundo. A parte retangular só entra na conta se o calado passar de 10 m.

No equilíbrio, o empuxo iguala o peso, e o empuxo é o peso da água deslocada. Então o volume submerso é a massa do navio dividida pela densidade da água. Como a seção é uniforme, dividindo pelo comprimento chegamos à área submersa da seção. Por fim, olhamos a geometria do triângulo para achar a profundidade que dá essa área.

Com a densidade da água de 1000 kg/m³: \[V_{sub}=\dfrac{16000\times10^{3}}{1000}=16000\text{ m}^3,\qquad A_{sub}=\dfrac{16000}{100}=160\text{ m}^2\] No triângulo com vértice para baixo, a largura cresce linearmente com a profundidade y, e vale $w=\tfrac{50}{10}y=5y$. A área submersa até uma profundidade d, dentro do triângulo, é a de um triângulo semelhante: \[A_{sub}=\dfrac{1}{2}\cdot d\cdot 5d=2{,}5\,d^2=160\;\Rightarrow\;d^2=64\;\Rightarrow\;d=8\text{ m}\] Como $8\lt10$, a hipótese de que a linha d'água está dentro da parte triangular se confirma.

O calado é 8 m. Para fechar com segurança: o triângulo completo tem área $\tfrac12\cdot50\cdot10=250\text{ m}^2$, e 160 m² é menos que isso, então o navio realmente não chega à parte retangular. Além disso, 160 m² é 64% de 250 m², e a altura é 80% dos 10 m, compatível com a proporção $0{,}8^2=0{,}64$.

Cuidado, armadilha! O erro típico é errar o volume submerso na geometria da seção. Muitos alunos usam a área de um retângulo de 50 m de largura, como $50\cdot d$, esquecendo que a largura na linha d'água depende de d. Outros usam a altura total sem checar em que parte do casco a água chega. Primeiro suponha que a linha d'água está no triângulo, calcule d e verifique se d é menor que 10 m. Só se falhar, some a parte retangular.

Alternativa correta: B

Q32
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Superposição de Ondas Harmônicas

Duas ondas harmônicas transversais idênticas (mesma amplitude e mesma frequência) propagam-se num meio, em uma mesma direção e sentido. As perturbações $y(x,t)$ provocadas pelas ondas no meio onde se propagam são representadas por funções do tipo $y(x,t) = y_{max} \cdot \sin(kx - \omega t + \phi)$, em que $y_{max}$ é a amplitude, k é o número de onda, $\omega$ é a velocidade angular e $\phi$ é a constante de fase.

Sabe-se que no ponto $x=0$, no instante $t=0$, a perturbação devido à propagação da onda 1 (apenas) seria de $0{,}5 \cdot y_{max}$, com partículas se deslocando no sentido positivo de y ($v_y(0,0) > 0$). No mesmo ponto e instante, a perturbação devido à onda 2 (apenas) seria de $(\sqrt{2}/2) y_{max}$, com partículas também se deslocando no sentido positivo de y. Assinale a alternativa que corresponde ao módulo da amplitude de deslocamento das partículas do meio devido à superposição das ondas 1 e 2.

Dado: $\sin(a) + \sin(b) = 2 \cdot \sin((a+b)/2) \cdot \cos((a-b)/2)$.

A)$2y_{max} \cdot \cos(14\pi/48)$
B)$2y_{max} \cdot \cos(\pi/24)$
C)$2y_{max} \cdot \cos(5\pi/24)$
D)$2y_{max} \cdot \cos(13\pi/12)$
E)$2y_{max}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

B
Resolução

Duas ondas harmônicas de mesma amplitude e frequência propagam-se no mesmo sentido, com fases iniciais diferentes. Em x = 0 e t = 0, conhecemos o deslocamento e o sentido da velocidade transversal de cada uma. Pede-se a amplitude da onda resultante. Esses dados servem para achar a diferença de fase.

Aqui está a sacada: a identidade dada transforma a soma em produto, e o fator que multiplica é $2y_{max}\cos(\Delta\phi/2)$. Só precisamos de $\Delta\phi$. Cada fase sai do valor de y e do sinal da velocidade, que decide entre os dois ângulos possíveis do seno.

Em x = 0 e t = 0, a velocidade transversal é proporcional a $-\cos\phi$; velocidade positiva exige $\cos\phi\lt0$. Assim, $\sin\phi_1=0{,}5$ dá $\phi_1=5\pi/6$, e $\sin\phi_2=\sqrt2/2$ dá $\phi_2=3\pi/4$: \[\Delta\phi=\dfrac{5\pi}{6}-\dfrac{3\pi}{4}=\dfrac{\pi}{12}\;\Rightarrow\;A=2y_{max}\cos\left(\dfrac{\Delta\phi}{2}\right)=2y_{max}\cos\left(\dfrac{\pi}{24}\right)\]

A amplitude é $2y_{max}\cos(\pi/24)$. Vale um teste de bom senso: a diferença de fase é de só 15°, então a amplitude deve ser quase o dobro, e $\cos(7{,}5^\circ)\approx0{,}99$ confirma. Com $\Delta\phi=0$, teríamos exatamente $2y_{max}$.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é somar as amplitudes sem considerar a fase, respondendo $2y_{max}$; a alternativa E é essa isca. Outro deslize é o sinal da fase inicial: o seno de 0,5 admite $\pi/6$ e $5\pi/6$, e só o sentido da velocidade decide. Aqui a diferença de fase sai igual nos dois critérios, mas em outra questão isso mudaria a resposta.

Alternativa correta: B

Q33
Ondulatória — Acústica — Nível Sonoro e Limiar da Dor

Duas fontes sonoras A e B emitem ondas esféricas de mesma potência. A fonte A está a uma distância $R_A$ de um ponto P, enquanto a fonte B está a uma distância $R_B$. O nível sonoro da onda gerada pela fonte A, no ponto P, é de 80 dB. A fonte B pode ser posicionada em cinco diferentes posições em relação ao ponto P:

Esquema das posições das fontes A e B em relação ao ponto P

I. $R_B = 1{,}0 \cdot R_A$

II. $R_B = 5{,}0 \cdot 10^{-1} R_A$

III. $R_B = 2{,}5 \cdot 10^{-1} R_A$

IV. $R_B = 1{,}0 \cdot 10^{-1} R_A$

V. $R_B = 1{,}0 \cdot 10^{-3} R_A$

Considerando que, para ondas sonoras, a intensidade da onda resultante é a soma das intensidades de cada onda, assinale a alternativa do(s) valor(es) de $R_B$, listados acima, para o(s) qual(is) o nível sonoro da onda resultante no ponto P ultrapassa o limiar da dor (120 dB). Considere o limiar de audibilidade $I_0 = 10^{-12}\text{ W/m}^2$.

A)I, II, III, IV e V
B)II, III, IV e V
C)III, IV e V
D)IV e V
E)V

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

E
Resolução

Duas fontes de mesma potência emitem ondas esféricas. No ponto P, a fonte A sozinha produz 80 dB. A fonte B pode ficar em cinco distâncias diferentes, e as intensidades se somam. Queremos as posições em que o nível total passa de 120 dB, o limiar da dor.

Vamos por partes: convertemos decibéis em intensidade, porque é a intensidade que se soma e obedece ao inverso do quadrado da distância. Depois calculamos a intensidade de B em função de $R_B/R_A$, somamos com a de A e comparamos com a do limiar da dor.

Com $\beta=10\log(I/I_0)$: \[I_A=10^{-4}\text{ W/m}^2,\qquad I_{dor}=1\text{ W/m}^2,\qquad I_{total}=I_A\left[1+\left(\dfrac{R_A}{R_B}\right)^2\right]\] Para passar de 1 W/m², precisamos de $R_A/R_B$ maior que cerca de 100. Os níveis totais em cada posição: \[\text{I: }83\text{ dB},\quad\text{II: }87\text{ dB},\quad\text{III: }92\text{ dB},\quad\text{IV: }100\text{ dB},\quad\text{V: }140\text{ dB}\]

Só a posição V passa de 120 dB. Olhe o resultado com desconfiança saudável: a posição IV chega a 100 dB, e ganhar 20 dB exige cem vezes mais intensidade, ou seja, dez vezes mais perto. Já a V, mil vezes mais perto, multiplica a intensidade por um milhão.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar a razão de distâncias sem elevar ao quadrado: a intensidade cai com o quadrado da distância, então ficar dez vezes mais perto rende cem vezes mais intensidade. Outro erro é somar decibéis diretamente. Como dB é escala logarítmica, converta para W/m², some e só então volte para decibéis.

Alternativa correta: E

Q34
Mecânica — Dinâmica — Conservação de Energia em Corrente em Rampa

Uma corrente com 20 m de comprimento e densidade homogênea que está apoiada sobre a superfície sem atrito da figura é arremessada horizontalmente a 2 m/s.

Corrente homogênea deslizando sobre superfície com trecho horizontal e rampa inclinada a 30°

A corrente nunca perde o contato com a superfície e sempre se mantém esticada. Quando uma porção de 10 m de comprimento da corrente está sobre a parte inclinada, cujo ângulo com a horizontal é de $30^\circ$, sua velocidade possui módulo de:

A)$\sqrt{29}\text{ m/s}$
B)$\sqrt{30}\text{ m/s}$
C)$\sqrt{31}\text{ m/s}$
D)$\sqrt{32}\text{ m/s}$
E)$\sqrt{33}\text{ m/s}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

A
Resolução

Uma corrente homogênea de 20 m desliza sem atrito sobre uma superfície que tem um trecho horizontal e uma rampa a 30°, e é lançada a 2 m/s. Queremos a velocidade no instante em que 10 m de corrente estão sobre a rampa. A corrente fica sempre esticada e em contato, então todos os elos têm a mesma velocidade e a energia mecânica se conserva.

Repare que a corrente não é uma partícula: cada pedaço está numa altura diferente. Por isso a energia potencial deve ser calculada com o centro de massa de cada trecho. O trecho horizontal permanece na altura de referência, e só o trecho na rampa perde energia potencial. Depois usamos conservação de energia entre o estado inicial e o final.

Com metade do comprimento na rampa, a massa nela é $M/2$. O centro de massa desses 10 m está a 5 m do topo, medidos ao longo da rampa, e desceu: \[h=5\sin30^\circ=2{,}5\text{ m}\] A energia cinética final é a inicial mais a energia potencial perdida, com a massa total M se movendo: \[\dfrac{1}{2}Mv^2=\dfrac{1}{2}M(2)^2+\dfrac{M}{2}\,g\,(2{,}5)\] Cancelando M e usando $g=10\text{ m/s}^2$: \[\dfrac{v^2}{2}=2+12{,}5\;\Rightarrow\;v^2=29\;\Rightarrow\;v=\sqrt{29}\text{ m/s}\]

A velocidade é $\sqrt{29}\approx 5{,}4\text{ m/s}$. Só para conferir: ela é maior que os 2 m/s iniciais, coerente com a descida de parte da corrente. Se toda a corrente estivesse na rampa, a energia perdida seria maior e a velocidade também.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tratar a corrente como partícula única, usando uma altura só para todo o corpo. Só a parte na rampa desce, e o que vale é a altura do centro de massa dessa parte, que fica na metade do trecho inclinado, e não na ponta. Outros esquecem que a energia cinética é da corrente inteira, com massa M, e não só do trecho da rampa. Divida sempre a corrente em trechos e trate a energia de cada um.

Alternativa correta: A

Q35
Termologia — Termodinâmica — Rendimento de Máquina Térmica (Questão Anulada)

Um certo gás ideal atua como substância de trabalho em uma certa máquina térmica. Em um ciclo, o gás passa pelos processos termodinâmicos apresentados no diagrama PxV abaixo, nesta ordem: uma expansão adiabática, seguida por uma compressão isobárica e terminando com um aquecimento isovolumétrico. Calcule o rendimento da máquina.

Diagrama PxV mostrando expansão adiabática, compressão isobárica e aquecimento isovolumétrico
A)106/155
B)134/155
C)28/155
D)24/31
E)31/42

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

QUESTÃO ANULADA
Resolução

O gás ideal percorre um ciclo com expansão adiabática, compressão isobárica e aquecimento isovolumétrico. No diagrama, o ciclo vai de $(V,\,32P)$ por uma adiabática até $(8V,\,P)$, volta pela isobárica até $(V,\,P)$ e fecha pela isocórica até $32P$. Pede-se o rendimento. Note que o enunciado não diz se o gás é monoatômico ou diatômico: a natureza do gás precisa sair dos próprios números do gráfico.

A sacada está na adiabática: $PV^\gamma$ constante liga os dois extremos da curva e permite descobrir $\gamma$, sem ninguém dizer qual é o gás. Depois, rendimento é o trabalho útil dividido pelo calor recebido. Na adiabática não há troca de calor, na isobárica o gás cede calor e na isocórica ele recebe. Então $\eta=1-Q_{cedido}/Q_{recebido}$, e cada calor sai da variação de $PV$ com o calor específico apropriado.

Da adiabática: $$32P\cdot V^\gamma=P\cdot(8V)^\gamma \;\Rightarrow\; 8^\gamma=32 \;\Rightarrow\; \gamma=\dfrac53$$ Isso indica gás monoatômico, com $C_v=\tfrac32R$ e $C_p=\tfrac52R$. Usando $nR\Delta T=\Delta(PV)$: $$Q_{rec}=\tfrac32\,(32PV-PV)=\tfrac{93}{2}PV,\qquad Q_{ced}=\tfrac52\,(8PV-PV)=\tfrac{35}{2}PV$$ $$\eta=1-\dfrac{35/2}{93/2}=\dfrac{58}{93}\approx 0{,}62$$

A banca anulou o item oficialmente, então nenhuma alternativa deve ser indicada como correta. Com os dados do diagrama, o valor que obtenho, $58/93\approx0{,}62$, não coincide com nenhuma das cinco opções (que valem cerca de 0,68; 0,86; 0,18; 0,77 e 0,74), o que é compatível com a anulação. Uma checagem rápida: o trabalho líquido, $29PV$, é a diferença entre os 36PV da adiabática e os 7PV da compressão isobárica, e o rendimento fica entre 0 e 1.

Cuidado, armadilha! Numa questão que pode ser anulada, o erro é forçar uma resposta a qualquer custo, por exemplo ajustando $\gamma$ ou o calor específico até cair numa das letras. Aqui a armadilha extra é esquecer que $\gamma$ se obtém do próprio gráfico pela relação entre os pontos da adiabática. Na prova real, faça o cálculo limpo uma vez; se o resultado não aparecer nas opções e você conferiu a leitura dos dados, deixe a questão para o fim e siga em frente. Se a banca anular, o item vale para todos.

Questão anulada pela banca — dados insuficientes no enunciado para determinar o rendimento de forma unívoca.

Q36
Termologia — Calorimetria — Calorimetria e Mudança de Fase

Em um laboratório de física foi realizado um experimento com uma massa m de uma certa substância, que estava a uma temperatura $\theta_F$, sua temperatura de fusão. Em $t = 0$, a substância passou a receber calor de uma fonte, a uma taxa constante R. O calor total recebido (12 kcal) foi suficiente para provocar a fusão completa e, posteriormente, o aquecimento do líquido até a temperatura $\theta_1$. Os gráficos da variação da temperatura em função do tempo e da variação da temperatura em função do calor absorvido pela substância estão representados, respectivamente, nas figuras A e B.

Figura A: Gráfico Temperatura em função do Tempo com patamar de fusão até 2 min e aquecimento até 8 min

Figura A

Figura B: Gráfico Temperatura em função do Calor absorvido com transição em Q1 e final em 12 kcal

Figura B

Considerando que o fornecimento de calor à massa m ocorreu a uma taxa constante, e que a tangente do ângulo beta da figura A é igual a 50, assinale a alternativa que corresponde ao calor específico do líquido $(\text{em cal/g}\cdot{}^\circ\text{C})$, dado que $L = 3{,}0\text{ cal/g}$.

A)$5{,}0 \cdot 10^{-1}$
B)$3{,}0 \cdot 10^{1}$
C)$3{,}0 \cdot 10^{-2}$
D)$5{,}0 \cdot 10^{-2}$
E)$5{,}0 \cdot 10^{-4}$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

C
Resolução

Uma substância, inicialmente na temperatura de fusão, recebe calor de uma fonte de potência constante. Funde por completo e depois o líquido esquenta. Pela figura A, a fusão dura 2 min e o aquecimento, mais 6 min. O calor total é 12 kcal, $L=3{,}0$ cal/g e a tangente de β é 50. Pede-se o calor específico do líquido.

Como a taxa de calor é constante, o calor é proporcional ao tempo. O patamar de temperatura é a fusão, e o calor dela dá a massa por $Q=mL$. Depois, a inclinação do trecho de aquecimento leva ao calor específico do líquido.

Tempos na proporção 2 para 6: um quarto dos 12000 cal vai para a fusão. \[Q_{fus}=3000\text{ cal}=mL\;\Rightarrow\; m=1000\text{ g},\qquad R=\dfrac{3000}{2}=1500\text{ cal/min}\] Na fase líquida, a tangente de β é a taxa de aquecimento, 50 °C/min, e $R=mc\,\Delta\theta/\Delta t$: \[1500=1000\cdot c\cdot50\;\Rightarrow\;c=3{,}0\times10^{-2}\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}\]

O calor específico é $3{,}0\times10^{-2}$ cal/g·°C. Para fechar com segurança: com 9000 cal, a variação de temperatura é $9000/(1000\cdot0{,}03)=300\,^\circ\text{C}$ em 6 min, ou seja, 50 °C/min, como a inclinação pede.

Cuidado, armadilha! O erro é esquecer que temperatura constante indica fusão: no patamar, o calor muda o estado físico, e entra com $mL$, não com $mc\Delta\theta$. Outro erro é misturar unidades, como minutos com kcal. Converta tudo para cal e minutos, e lembre que a tangente do gráfico é em °C por minuto.

Alternativa correta: C

Q37
Mecânica — Dinâmica — Propagação de Afrouxamento em Fio Cortado

O vídeo “The Most Mind-Blowing Aspect of Circular Motion”, do canal do YouTube “All Things Physics”, mostra um efeito surpreendente da velocidade finita da propagação de ondas (ou de perturbações, em geral) em um meio. Um corte realizado em uma corda tensionada dá origem a uma “onda de afrouxamento”, que se propaga com velocidade aproximadamente constante desde o ponto do corte e leva o valor da tensão a zero nos pontos subsequentes. Dessa forma, a tração não se anula instantaneamente em todos os pontos da corda: se um fio esticado com tensão $T_0$ é cortado em um ponto P, podemos supor que a tensão em um ponto a uma distância $d$ de P é dada pela expressão

$$T(d)=\begin{cases}0, & d\leq v_p t,\\ T_0, & d>v_p t,\end{cases}$$

em que $v_p$ é a velocidade de propagação de ondas no fio e $t$ é o intervalo de tempo transcorrido desde o corte.

Um aluno da EFOMM, angustiado com a proximidade das provas finais, resolve reproduzir o experimento do vídeo. Ele apanha um objeto pontual, com 2,5 kg de massa, e o amarra na ponta de um fio inextensível, cuja densidade linear vale $1\text{ g/m}$. A outra ponta do fio é fixada na origem do sistema de coordenadas cartesianas da superfície plana, horizontal e sem atrito de uma mesa. O objeto é colocado para realizar um MCU no sentido anti-horário, com raio de 4 m. Em algum instante do seu movimento, o fio é cortado em seu ponto médio e, $2\cdot10^{-2}$ segundos após o corte, o objeto passa pelo ponto da mesa com coordenadas $(0{,}5)\text{ m}$. A massa do fio e quaisquer atritos são desprezíveis.

O ângulo (em radianos) que o fio fazia com o eixo y no instante em que foi cortado valia:

A)$\arctan(3/4) + 0{,}16$
B)$\arctan(3/4) + 0{,}08$
C)$\arctan(3/4) + 0{,}04$
D)$\arctan(3/4) + 0{,}02$
E)$\arctan(3/4) + 0{,}01$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

D
Resolução

Um objeto de 2,5 kg gira em MCU, em raio de 4 m, preso a um fio de densidade linear 1 g/m. O fio é cortado no ponto médio, e o afrouxamento se propaga do corte até a massa com velocidade finita. Depois, solto, o objeto segue em linha reta, passando pelo ponto (0, 5) m. Pede-se o ângulo do fio com o eixo y no instante do corte. Note que o tempo de $2\cdot10^{-2}$ s não é necessário para o ângulo.

Há duas partes. A geometria: o objeto sai pela tangente da circunferência e passa por (0, 5), o que fixa o ângulo em que ele largou o fio. A física: o objeto só larga o fio quando a onda de afrouxamento o alcança, e nesse intervalo ele continua girando. Então o ângulo no corte é o ângulo de largada mais o ângulo percorrido durante esse atraso.

Geometria: o ponto (0, 5) está a 5 m da origem e a tangente toca a circunferência de raio 4 m, formando um triângulo retângulo com catetos 4 e 3. O ângulo entre o raio e o eixo y satisfaz $\cos\alpha=4/5$, logo $\alpha=\arctan(3/4)$. Física: a tração inicial é a força centrípeta, e a velocidade da onda no fio, com $\mu=10^{-3}\text{ kg/m}$, é: \[T_0=\dfrac{mv^2}{R}=0{,}625\,v^2,\qquad v_p=\sqrt{\dfrac{T_0}{\mu}}=\sqrt{625\,v^2}=25\,v\] A onda percorre os 2 m do ponto médio até a massa em $\Delta t=2/(25v)=0{,}08/v$. Nesse tempo, a massa percorre um arco $v\Delta t=0{,}08\text{ m}$, ou seja: \[\Delta\theta=\dfrac{0{,}08}{4}=0{,}02\text{ rad}\]

O ângulo no corte era $\arctan(3/4)+0{,}02$. Vale um teste de bom senso: a velocidade v se cancelou, como deveria, pois o arco percorrido no atraso é fixo em 0,08 m. O ângulo extra de 0,02 rad é pequeno, cerca de 1°, coerente com uma onda 25 vezes mais rápida que a massa.

Cuidado, armadilha! O erro é supor propagação instantânea da perturbação: se o fio afrouxasse de uma vez, o objeto largaria no exato instante do corte e a resposta seria só $\arctan(3/4)$. A onda tem velocidade finita, então o objeto ainda é puxado por um tempo e avança um arco. Outro deslize é medir a distância da onda até a massa como 4 m em vez de 2 m: o corte é no ponto médio, e o afrouxamento só precisa percorrer a metade do fio.

Alternativa correta: D

Q38
Ondulatória — MHS — Equação Horária e Sentido do MHS

A figura A representa a velocidade em função do tempo de um bloco que realiza um movimento harmônico simples sobre uma superfície horizontal sem atrito. O módulo dos valores que aparecem no eixo vertical corresponde à amplitude da velocidade durante o MHS ($v_{max} = \pi/10\text{ m/s}$). A oscilação ocorre em torno de um ponto de equilíbrio $x_{eq} = 0{,}5\text{ m}$ entre os pontos $x_{eq}+A$ e $x_{eq}-A$, tal como representado na figura B.

Figura A: Gráfico senoidal da velocidade em função do tempo de 0 a 3.2 s

Figura A

Figura B: Posição do bloco no eixo de oscilação xeq

Figura B

A única força que realiza trabalho sobre o bloco é a força restauradora da mola e a função horária da posição do bloco pode ser descrita como uma função senoidal. Considerando que o bloco se comporta como uma partícula, assinale a alternativa que corresponde, respectivamente, à posição e ao sentido do movimento do centro de massa do bloco no instante $t = 4{,}5\text{ s}$.

A)0,5 m; para esquerda.
B)0,5 m; para direita.
C)0,4 m; para esquerda.
D)0,4 m; para direita.
E)0,6 m; para esquerda.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

A
Resolução

O gráfico de velocidade por tempo de um bloco em MHS mostra $v_{max}=\pi/10\text{ m/s}$ e período de 2,0 s. O equilíbrio está em $x_{eq}=0{,}5\text{ m}$. Queremos a posição e o sentido do movimento em t = 4,5 s. Basta ler o período e reduzir 4,5 s a um instante dentro do primeiro ciclo.

Como o movimento é periódico, o estado em 4,5 s é o do instante equivalente dentro de um período. Depois, o gráfico de velocidade responde às duas perguntas: o sinal da velocidade dá o sentido, e o módulo máximo marca a passagem pelo equilíbrio.

Com $T=2{,}0\text{ s}$, temos $\omega=\pi\text{ rad/s}$ e $A=v_{max}/\omega=0{,}1\text{ m}$. O instante equivalente e a velocidade nele: \[t=4{,}5\text{ s}=2T+0{,}5\text{ s}\;\Rightarrow\;\text{como }t=0{,}5\text{ s},\qquad v(0{,}5)=-\dfrac{\pi}{10}\text{ m/s}\] Velocidade negativa é movimento para a esquerda, e módulo máximo significa passagem por $x=x_{eq}=0{,}5\text{ m}$.

O bloco está em 0,5 m, indo para a esquerda. Olhe o resultado com desconfiança saudável: 0,5 s é um quarto do período, e nesse instante o bloco passa pelo centro com energia cinética máxima. As posições 0,4 m e 0,6 m exigiriam velocidade menor que a máxima.

Cuidado, armadilha! O erro típico é errar o sinal da fase inicial, trocando esquerda por direita. Em vez de decorar fórmulas, leia o sinal da velocidade no gráfico e associe ao sentido do eixo. Outro erro é achar que velocidade máxima significa posição extrema: é o contrário, pois nos extremos a velocidade é nula.

Alternativa correta: A

Q39
Mecânica — Cinemática — Centro Instantâneo de Rotação em Mecanismo

A figura representa um esquema simplificado do sistema pistão + biela + virabrequim de um motor de combustão interna. A haste AO, com comprimento $\sqrt{2}/2\text{ m}$, gira no sentido horário em torno do ponto fixo O e está conectada à barra de 1 m de comprimento AB, articulada em seus dois pontos extremos. O ponto B está conectado ao pistão que se move apenas horizontalmente dentro da cavidade.

Mecanismo pistão biela virabrequim com hastes AO e AB e ponto P de velocidade mínima

A figura representa um instante do movimento em que o ângulo da haste AO com a horizontal vale $45^\circ$. Um observador fixo no solo determina que P é o ponto da barra AB cuja velocidade possui o menor módulo. A distância AP vale, em metros:

A)$(\sqrt{3}-1)/4$
B)$(2-\sqrt{3})/3$
C)$(3-\sqrt{3})/4$
D)$(4-\sqrt{3})/3$
E)$(5-\sqrt{3})/4$

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

C
Resolução

Num mecanismo de pistão, biela e virabrequim, a haste AO, de comprimento $\sqrt{2}/2$ m, gira em torno de O e faz 45° com a horizontal. A biela AB, de 1 m, liga A ao pistão B, que só se move na horizontal. Queremos a distância AP, onde P é o ponto da biela com menor velocidade. Não há valores numéricos de velocidade: o problema é puramente geométrico.

A biela tem movimento plano, e em cada instante ela gira em torno do centro instantâneo de rotação, o CIR, ponto de velocidade nula. O CIR fica na interseção das perpendiculares às velocidades de dois pontos. O ponto da biela mais lento é o mais próximo do CIR, ou seja, o pé da perpendicular baixada do CIR à reta AB.

Com O na origem, A está em $(0{,}5;\,0{,}5)$ e B, na horizontal por O, tem $\sin\theta=0{,}5$ com a biela, logo $\theta=30^\circ$. Tomando B à direita de O, temos $B=(0{,}5+\sqrt3/2,\;0)$. A velocidade de A é perpendicular a OA, então a perpendicular a ela em A é a própria reta OA, dada por $y=x$. A velocidade de B é horizontal, então a perpendicular em B é a reta vertical por B. O CIR é: \[I=\left(\dfrac{1+\sqrt3}{2},\;\dfrac{1+\sqrt3}{2}\right)\] Projetando o vetor AI sobre a direção da biela, $\hat u=(\sqrt3/2,\,-1/2)$: \[AP=\vec{AI}\cdot\hat u=\dfrac{\sqrt3}{2}\cdot\dfrac{\sqrt3}{2}-\dfrac{\sqrt3}{2}\cdot\dfrac12=\dfrac{3-\sqrt3}{4}\text{ m}\]

Obtemos $AP=(3-\sqrt3)/4\approx0{,}32\text{ m}$. Só para conferir: AP deve ser menor que o comprimento da biela, 1 m, e P precisa cair entre A e B, o que ocorre, já que 0,32 m é menos que 1 m e positivo.

Cuidado, armadilha! O erro típico é supor velocidades iguais nos pontos A e B da biela, como se ela apenas transladasse. Se fosse assim, todos os pontos teriam a mesma velocidade e não existiria ponto mais lento. A biela também gira, e as velocidades de A e B têm direções diferentes, uma tangente ao virabrequim e outra horizontal. Encontre o CIR com as perpendiculares às duas velocidades e lembre que o mais lento é o ponto mais próximo dele.

Alternativa correta: C

Q40
Termologia — Termodinâmica — Processo Adiabático e Gás Ideal

Em um laboratório de física, os experimentos de termodinâmica são realizados utilizando o gás oxigênio ($O_2$) ou o gás hélio ($He$) que sob certas condições, comportam-se como gases ideais. O gráfico abaixo representa o módulo do trabalho, por mol, durante o aquecimento adiabático de um destes gases.

Gráfico do trabalho por mol em função da variação de temperatura mostrando 125R para deltaT de 50 °C

O valor indicado no eixo vertical está em termos de R, a constante universal dos gases, em unidades do SI. Com base nos dados apresentados, analise as sentenças abaixo.

I. Durante o experimento, foi utilizado o gás oxigênio.

II. Durante o aquecimento adiabático, ocorre uma expansão do gás.

III. Em um processo isobárico que provocasse uma elevação de $100^\circ\text{C}$ na temperatura deste gás, o módulo do trabalho realizado seria de $100R\text{ J/mol}$.

São verdadeiras as sentenças:

A)I.
B)II.
C)III.
D)I e II.
E)I e III.

Gabarito oficial Processo Seletivo EFOMM 2025

E
Resolução

O gráfico mostra o módulo do trabalho por mol no aquecimento adiabático de um gás, oxigênio ou hélio: 125R para 50 °C. Julgamos três afirmativas: qual gás foi usado, se há expansão e qual seria o trabalho num processo isobárico com 100 °C de aquecimento.

Na adiabática não há troca de calor, e o trabalho sobre o gás vira variação de energia interna. O trabalho por mol dá então $C_v$, que identifica o gás: $\tfrac32R$ para monoatômico e $\tfrac52R$ para diatômico. O sinal do trabalho diz se o gás se expande ou é comprimido.

Da adiabática, $125R=C_v\cdot50$, logo $C_v=\tfrac52R$. Afirmativa I: $\tfrac52R$ é de gás diatômico, então o gás é oxigênio, e a afirmativa é verdadeira. Afirmativa II: com aquecimento, $\Delta U\gt0$, e na adiabática $W=-\Delta U\lt0$; o gás é comprimido, e a afirmativa é falsa. Afirmativa III: no processo isobárico, \[\dfrac{W}{n}=R\,\Delta T=100R\text{ J/mol}\] e a afirmativa é verdadeira.

São verdadeiras I e III. Uma checagem rápida: para o hélio, o mesmo gráfico daria $\tfrac32R\cdot50=75R$, e não 125R, o que confirma o gás diatômico.

Cuidado, armadilha! O erro típico é trocar gás monoatômico e diatômico, usando $\tfrac32R$ para o oxigênio. Decore: hélio, três meios; oxigênio, cinco meios. Outro deslize é achar que aquecer significa expandir: na adiabática, o aquecimento vem da compressão. E no isobárico o trabalho é $nR\Delta T$, e não $nC_v\Delta T$.

Alternativa correta: E

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