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EFOMM 2026

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2025/2026 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Mecânica — Vínculo Geométrico (Analogia com MHS)

A Figura 1 mostra um instante qualquer do movimento de 2 (dois) blocos idênticos com massas iguais e formato cúbico. Eles se ajustam sem folga na guia e podem se mover em linha reta sem atrito.

Dois blocos cúbicos idênticos encaixados em uma guia em ângulo reto, conectados por uma barra rígida articulada

Figura 1

Os blocos são conectados por uma barra rígida com 1 m de comprimento e massa desprezível. As conexões no topo de cada bloco são articuladas, o que permite a rotação da barra durante o movimento. O sistema é inicialmente colocado em repouso na configuração ilustrada em vista superior na Figura 2.

Vista superior: bloco da direita no eixo y na origem, bloco da esquerda no eixo x a 1 m da origem, ligados pela barra

Figura 2

O bloco da direita é lançado na direção y com velocidade inicial de 2 m/s, movimentando o outro bloco ao longo da direção x.

Escrevendo as equações da conservação de energia mecânica e do vínculo geométrico do problema, é possível fazer uma analogia entre o movimento dos blocos e outro tipo de movimento bem conhecido. Assinale a alternativa que mais se aproxima do tempo necessário para que o bloco da esquerda chegue à extremidade direita.

A)0,79 s
B)0,84 s
C)0,93 s
D)1,15 s
E)1,26 s

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

O vínculo geométrico da barra de comprimento $L$ define a posição dos blocos como $x = L\cos\varphi$ e $y = L\,\text{sen}\,\varphi$. Pela conservação da energia cinética (já que as massas são idênticas), temos $\dot{x}^2 + \dot{y}^2 = v_0^2$. Substituindo as derivadas, obtemos $L^2\dot{\varphi}^2 = v_0^2 \implies \dot{\varphi} = v_0/L$.

Como a velocidade angular $\dot{\varphi}$ é constante, a coordenada $x$ oscila conforme $x(t) = L\cos(\omega t)$, caracterizando um Movimento Harmônico Simples (MHS) de pulsação $\omega = 2/1 = 2\text{ rad/s}$.

O bloco esquerdo parte de $x=L$ ($\varphi = 0$) e atinge a outra extremidade em $x=0$ ($\varphi = \pi/2$). O tempo gasto nesse percurso é $\Delta t = \frac{\pi/2}{\omega} = \frac{\pi}{4} \approx 0{,}79\text{ s}$.

Alternativa correta: A

Q22
Estática — Corda com Massa e Trabalho

A corda AC é inextensível, possui 4,5 m de comprimento e 3 kg de massa uniformemente distribuída. Um fio de massa desprezível é amarrado à corda em B, e se estende horizontalmente até uma roldana fixa. A porção AB da corda mede 2,5 m.

Corda AC pendurada verticalmente do teto, com fio horizontal amarrado em B até uma roldana

O fio é puxado lentamente para baixo em sua extremidade livre até que AB forme um ângulo com a vertical cuja tangente vale 3/4. As porções AB e BC podem ser consideradas sempre retilíneas. A corda fica em repouso quando atinge a posição final mostrada na figura abaixo.

Posição final: AB inclinada formando ângulo com a vertical, BC pendurada verticalmente de B

O trabalho realizado pela força que puxa o fio vale:

A)25/6 J
B)55/6 J
C)65/6 J
D)75/12 J
E)85/12 J

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

C
Resolução

Sendo o processo lento, o trabalho realizado é idêntico à variação da energia potencial gravitacional do sistema: $W = \Delta E_p = g \cdot (\sum m_i y_{if} - \sum m_i y_{ii})$. Adotamos o teto como $y=0$ e o sentido para baixo como negativo. A densidade linear da corda é $\lambda = 3/4{,}5 = 2/3\text{ kg/m}$.

Na situação inicial, a corda pende verticalmente. Dividindo nos mesmos trechos para facilitar, a porção superior (2,5 m) tem centro de massa em $y_i = -1{,}25\text{ m}$. A porção inferior (2,0 m) tem centro de massa em $y_i = -3{,}5\text{ m}$. O somatório das posições dos centros de massa ponderados é: $(5/3)(-1{,}25) + (4/3)(-3{,}5) = -81/12$.

Na situação final, o trecho AB inclina-se ($\tan\theta = 3/4 \implies \cos\theta = 4/5$). A profundidade do ponto B passa a ser $2{,}5 \times (4/5) = 2\text{ m}$. O centro de massa de AB fica na metade dessa altura: $y_{f,AB} = -1\text{ m}$. O trecho BC pende verticalmente a partir de B, logo seu centro de massa desce 1 m além de B: $y_{f,BC} = -3\text{ m}$. O novo somatório ponderado será: $(5/3)(-1) + (4/3)(-3) = -68/12$.

O trabalho será $W = 10 \cdot \left(-\dfrac{68}{12} - \left(-\dfrac{81}{12}\right)\right) = 10 \cdot \dfrac{13}{12} = \dfrac{130}{12} = \dfrac{65}{6}\text{ J}$.

Alternativa correta: C

Q23
Eletromagnetismo — Lei de Faraday (Fluxo Variável)

Uma espira condutora circular está inserida em um campo magnético uniforme que varia linearmente com o tempo, dado por $\vec{B}(t)=(B_0+\alpha^2t)\hat{k}$, em que $B_0<0$ e $\alpha$ são constantes, e $\hat{k}$ é o vetor unitário na direção do eixo z. A espira está contida no plano $z=0$. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.

A)Há um momento em que a corrente induzida na espira é nula.
B)A f.e.m. induzida na espira é constante.
C)Um observador em um ponto de coordenada z positiva vê uma corrente induzida percorrer a espira no sentido anti-horário.
D)A f.e.m. induzida depende apenas de α, e não do raio da espira.
E)Se a constante α for multiplicada por 2, a f.e.m. induzida será dobrada.

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

O fluxo magnético através da espira é $\Phi(t) = B(t) \cdot A = (B_0 + \alpha^2 t) \pi r^2$. Pela Lei de Faraday, a força eletromotriz (f.e.m.) induzida é dada pela taxa de variação do fluxo: $\varepsilon = -\dfrac{d\Phi}{dt} = -\alpha^2 \pi r^2$.

Como $\alpha$ e $r$ são constantes, a f.e.m. e a respectiva corrente induzida não dependem do tempo, permanecendo constantes e não-nulas. O módulo depende diretamente de $\alpha^2$ e da área $\pi r^2$. Caso $\alpha$ dobre, a f.e.m. é quadruplicada. Finalmente, como o campo aumenta na direção $+z$, a Lei de Lenz determina que a corrente induzida gerará um campo em $-z$, ou seja, girará no sentido horário para um observador em $z > 0$.

Alternativa correta: B

Q24
Ondulatória — Pulso em Corda com Tensão Variável

Um fio inextensível possui densidade linear de $0{,}4\times10^{-3}\,\text{kg/m}$ e peso desprezível. Ele é fixado na parede em uma de suas extremidades e suporta uma massa de $0{,}1\,\text{kg}$ na outra, passando por uma roldana ideal.

Fio preso na parede, horizontal até uma roldana ideal, e então vertical até um bloco suspenso

A porção horizontal do fio que vai desde sua conexão na parede até a roldana ideal mede 10 m. No instante $t=0$, uma força externa variável no tempo, com intensidade $F=0{,}01t^2+0{,}2t$ em unidades do S.I., e direcionada verticalmente para baixo, começa a agir sobre o bloco, que se mantém em repouso. Nesse mesmo instante, um pulso é propagado na corda a partir do ponto de contato com a roldana. O intervalo de tempo para que o pulso chegue à extremidade da corda presa na parede vale:

A)$\sqrt{108}-10\,\text{s}$
B)$\sqrt{107}-10\,\text{s}$
C)$\sqrt{106}-10\,\text{s}$
D)$\sqrt{105}-10\,\text{s}$
E)$\sqrt{104}-10\,\text{s}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

A tensão na corda é governada pela soma do peso com a força variável: $T(t) = mg + F(t) = 1 + 0{,}01t^2 + 0{,}2t$. Reagrupando os termos, obtemos $T(t) = 0{,}01(t^2 + 20t + 100) = 0{,}01(t+10)^2$.

Pela equação de Taylor, a velocidade de propagação mecânica do pulso é $v(t) = \sqrt{\frac{T(t)}{\mu}} = \sqrt{\frac{0{,}01(t+10)^2}{0{,}4 \times 10^{-3}}} = \sqrt{25(t+10)^2} = 5(t+10)\text{ m/s}$.

Para determinar o instante T em que o pulso percorre a distância $d = 10\text{ m}$, aplicamos a integral cinemática sobre a velocidade temporal: $d = \int_0^T v(t) dt \implies 10 = \int_0^T (5t + 50) dt = 2{,}5T^2 + 50T$.

Simplificando a equação do 2º grau: $T^2 + 20T - 4 = 0$. Extraindo as raízes, obtemos $T = \frac{-20 \pm \sqrt{400 + 16}}{2} = -10 \pm \sqrt{104}$. Escolhendo a raiz física positiva, o tempo de travessia do pulso é $\sqrt{104} - 10\text{ s}$.

Alternativa correta: E

Q25
Hidrostática — Tubo em U com Volumes Iguais

Dois líquidos A e B, respectivamente com densidades $\rho_A$ e $\rho_B$, estão em repouso no tubo em forma de U, de seção transversal uniforme e muito pequena, representado na imagem.

Tubo em U com fluido A ocupando a base até a posição x e subindo no ramo esquerdo, e fluido B do ponto x até o ramo direito

Ambos os líquidos possuem o mesmo volume, que é igual ao volume da base do tubo, cujo comprimento vale L. O comprimento x, que mede a posição do contato entre os dois líquidos a partir da extremidade esquerda, vale:

A)$\dfrac{(\rho_A+\rho_B)^2}{8\rho_A\rho_B}L$
B)$\dfrac{\rho_A}{\rho_A+\rho_B}L$
C)$\dfrac{\rho_B}{\rho_A+\rho_B}L$
D)$\dfrac{2\rho_A\rho_B}{(\rho_A+\rho_B)^2}L$
E)$\dfrac{2\rho_A^2}{(\rho_A+\rho_B)^2}L$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

Sabendo que o volume de cada líquido preenche exatamente a capacidade da base horizontal ($V = S \cdot L$), o líquido A, ocupando a distância horizontal $x$, avança pela coluna esquerda numa altura respectiva de $h_A = L - x$. Paralelamente, o líquido B ocupa o comprimento complementar $L - x$ da base, subindo pela coluna direita uma altura exata de $h_B = L - (L - x) = x$.

O equilíbrio hidrostático aferido na extremidade inferior da interface dita que a pressão das colunas deve ser igual: $\rho_A g (L - x) = \rho_B g x$.

Isolando x da igualdade $\rho_A L - \rho_A x = \rho_B x$, encontramos a posição de repouso: $x = \dfrac{\rho_A}{\rho_A + \rho_B} L$.

Alternativa correta: B

Q26
Eletrostática — Capacitor com Múltiplos Dielétricos

Um capacitor plano de placas paralelas, com área A e distância entre placas d, está completamente preenchido com 8 camadas de materiais dielétricos, todas com área A e espessura d/8. A constante dielétrica da primeira camada (próxima à placa inferior) é $K_1=10$, e cada constante dielétrica seguinte é metade da anterior. Se $C_0$ é a capacitância do capacitor no vácuo, qual é a capacitância total C do capacitor com os dielétricos?

A)$\dfrac{120}{255}C_0$
B)$\dfrac{100}{133}C_0$
C)$\dfrac{25}{254}C_0$
D)$\dfrac{2}{51}C_0$
E)$\dfrac{1}{50}C_0$

Revisão comentada Método TEF

Sem alternativa correta
Resolução

Como as camadas estão empilhadas na direção do campo elétrico, elas equivalem a oito capacitores associados em série. Para o capacitor vazio, $C_0=\dfrac{\varepsilon_0A}{d}$.

Cada camada possui espessura $d/8$. Portanto, a capacitância da camada de constante dielétrica $K_i$ é $C_i=K_i\dfrac{\varepsilon_0A}{d/8}=8K_iC_0$.

Na associação em série, $\dfrac{1}{C}=\sum_{i=1}^{8}\dfrac{1}{C_i}=\dfrac{1}{8C_0}\sum_{i=1}^{8}\dfrac{1}{K_i}$. Como $K_1=10$ e cada constante seguinte é a metade da anterior, temos $\dfrac{1}{K_i}=\dfrac{2^{i-1}}{10}$. Assim, $\sum_{i=1}^{8}\dfrac{1}{K_i}=\dfrac{1}{10}(1+2+4+\cdots+128)=\dfrac{255}{10}$.

Logo, $\dfrac{1}{C}=\dfrac{255}{80C_0}$ e $C=\dfrac{80}{255}C_0=\dfrac{16}{51}C_0$.

Conclusão: o resultado correto é $\dfrac{16}{51}C_0$, que não aparece entre as alternativas. Portanto, a questão não possui alternativa correta com a definição de $C_0$ apresentada no enunciado.

Sem alternativa correta — o valor obtido ($16C_0/51$) não corresponde a nenhuma das opções listadas.

Q27
Termodinâmica — Trabalho com Pressão Linear em V

Um recipiente cilíndrico contém gás ideal e é vedado com um êmbolo móvel de massa desprezível. O êmbolo está sujeito à força elástica de uma mola ideal, e à pressão constante do ar exterior.

Recipiente cilíndrico com gás e êmbolo móvel preso por uma mola ideal fixada no teto

Inicialmente, o gás ocupa 5 m³, e sua pressão vale 100 kPa. Enquanto passa a receber calor de uma fonte externa, expande-se de forma lenta o suficiente para que o êmbolo esteja sempre em equilíbrio de forças. Calcule o trabalho realizado pelo gás sabendo que o volume final no interior do cilindro é 15 m³ e a pressão final do gás é 200 kPa. Despreze a massa do êmbolo.

A)1500 kJ
B)3000 kJ
C)4500 kJ
D)6000 kJ
E)7500 kJ

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

Para um sistema onde a expansão ocorre sob o equilíbrio dinâmico e contínuo da pressão atmosférica fixa combinada com a força de uma mola linear, a pressão do gás cresce com dependência linear do volume: $P(V) = P_{atm} + \frac{k}{A^2}(V - V_0)$.

Em um gráfico Pressão versus Volume (P-V), a transformação projeta um traçado reto conectando os estados termodinâmicos inicial e final. O trabalho transferido corresponde analiticamente à área do trapézio sob essa curva.

$W = \dfrac{P_1 + P_2}{2} (V_2 - V_1) = \dfrac{100\text{ kPa} + 200\text{ kPa}}{2} \times (15\text{ m}^3 - 5\text{ m}^3) = 150 \times 10 = 1500\text{ kJ}$.

Alternativa correta: A

Q28
Termodinâmica — Ciclo Misto (Diagrama P-V)

O ar contido no interior de um arranjo cilindro-pistão é considerado um gás ideal, e executa o ciclo descrito pelos processos reversíveis 1-2-3-4-5-1 em sistema fechado, conforme diagrama P × V (pressão-volume) mostrado abaixo.

Diagrama P-V do ciclo 1-2-3-4-5-1: 1-2 adiabático, 2-3 isovolumétrico, 3-4 isobárico, 4-5 adiabático, 5-1 isovolumétrico

Se m é a massa de ar contida no interior do cilindro e $c_p$ e $c_v$ são, respectivamente, os calores específicos a pressão e a volume constante durante todo o ciclo, analise as afirmativas abaixo.

I. A eficiência termodinâmica (η) dessa máquina térmica é $\eta=1-\dfrac{T_L}{T_H}$, em que $T_L$ é a temperatura mais baixa do ciclo e $T_H$ é a temperatura mais elevada.

II. O calor rejeitado pelo ar ocorre no processo 5-1, e o calor total recebido pelo sistema ocorre nos processos 2-3 e 3-4.

III. A variação de energia interna do ar no processo 3-4 é dada por $mc_p(T_4-T_3)$, em que $T_4$ é a temperatura no estado 4 e $T_3$ é a temperatura no estado 3.

IV. O processo 4-5 é de expansão e o processo 1-2 é de compressão.

Assinale a opção correta:

A)Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
B)Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
C)Apenas as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
D)Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras.
E)Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

D
Resolução

I é falsa: A relação $\eta = 1 - T_L/T_H$ rege exclusivamente o ciclo ideal de Carnot, que transita unicamente por transformações isotérmicas e adiabáticas. O ciclo misto fornecido no problema possui processos isocóricos e isobáricos.

II é verdadeira: O calor é absorvido exclusivamente nos trechos 2-3 (isocórico, pressão aumenta) e 3-4 (isobárico, volume aumenta), elevando a temperatura do gás. O descarte de calor ao ambiente ocorre no processo 5-1, onde a pressão cai a volume fixo.

III é falsa: A variação de energia interna para um gás ideal é universalmente calculada por $\Delta U = m c_v \Delta T$, mesmo para processos operando à pressão constante.

IV é verdadeira: No diagrama P-V, o processo 4-5 avança para volumes maiores (expansão), enquanto o processo 1-2 retrocede para volumes menores (compressão).

Alternativa correta: D

Q29
Eletricidade — Motor Elétrico e Rendimento

Em uma praça de máquinas de um navio mercante, uma bateria de tensão constante igual a 120 V alimenta o circuito responsável pelo acionamento de uma bomba centrífuga acoplada a um motor elétrico. O motor elétrico é representado por uma resistência $R_m=5\,\Omega$. É necessário que o eixo do motor gire a uma rotação angular ω para acionar a bomba. O motor tem rendimento de 80% e fornece uma potência mecânica relacionada ao torque τ e à rotação angular ω dada por $P_m=\tau\omega$. Sabendo que o torque exigido é constante e igual a $2{,}0\,N\cdot m$, determine a rotação angular ω do eixo do motor em rad/s.

A)1440
B)1324
C)1267
D)1198
E)1152

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

A potência elétrica injetada pela bateria no circuito do motor é $P_{el} = U^2/R_m = 120^2/5 = 14400/5 = 2880\text{ W}$.

Como o rendimento do sistema é de 80%, a potência útil convertida em trabalho mecânico para o eixo da bomba vale $P_m = 0{,}8 \times 2880 = 2304\text{ W}$.

Conhecendo a relação entre potência rotacional e torque ($P_m = \tau \omega$), a rotação angular requerida é $\omega = P_m/\tau = 2304 / 2{,}0 = 1152\text{ rad/s}$.

Alternativa correta: E

Q30
Estática — Atrito em Plano Inclinado (Intervalo de Equilíbrio)

O coeficiente de atrito estático entre o bloco de massa $m_A$ e a superfície do plano inclinado é $\sqrt3/4$. Para qual intervalo de valores da razão $m_B/m_A$ o sistema fica em equilíbrio?

Bloco mA sobre plano inclinado de 30°, ligado por corda e roldana a massa mB suspensa
A)$\left(0,\dfrac34\right]$
B)$\left[\dfrac{\sqrt3}{4},\dfrac34\right]$
C)$\left[\dfrac18,\dfrac38\right]$
D)$\left[\dfrac18,\dfrac{\sqrt3}{8}\right]$
E)$\left[\dfrac18,\dfrac78\right]$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

O equilíbrio do bloco no plano inclinado de $\theta=30^\circ$ está sujeito ao peso tangencial $P_x = m_A g \sin 30^\circ = \frac{1}{2} m_A g$ e à força de atrito estático máxima $f_{at,max} = \mu m_A g \cos 30^\circ = (\frac{\sqrt{3}}{4}) m_A g (\frac{\sqrt{3}}{2}) = \frac{3}{8} m_A g$.

O limite superior do intervalo ocorre quando a massa suspensa $m_B$ é máxima e ameaça puxar o sistema para cima, sendo contida pelo atrito agindo para baixo da rampa: $m_B g \le m_A g \sin 30^\circ + f_{at,max} \implies m_B/m_A \le 1/2 + 3/8 = 7/8$.

O limite inferior ocorre quando a massa suspensa $m_B$ é pequena e ameaça permitir que o bloco desça, sendo escorada pelo atrito agindo para cima: $m_B g \ge m_A g \sin 30^\circ - f_{at,max} \implies m_B/m_A \ge 1/2 - 3/8 = 1/8$.

Logo, o intervalo de equilíbrio seguro da proporção de massas é $[1/8, 7/8]$.

Alternativa correta: E

Q31
Hidrostática — Flutuação de Sólido Composto

Um cubo maciço é fixado no ponto A da esfera maciça de raio r da figura. Ambos possuem distribuição homogênea de massa. O sistema flutua em equilíbrio em um fluido de densidade $\rho_1$, ficando exposto à atmosfera apenas o volume da calota esférica determinada pelo ângulo $\alpha=C\hat{B}D=120^\circ$.

Esfera com cubo fixado no polo A; calota esférica delimitada pelos pontos C e D com ângulo alfa no centro B

Em seguida, o conjunto é rotacionado de 180° em torno do eixo y e é colocado em equilíbrio em outro fluido de densidade $\rho_2$, situação na qual o cubo e a mesma calota esférica de ângulo α ficam, agora, submersos.

Marque a opção que corresponde à razão $\rho_2/\rho_1$, sabendo que a razão entre o volume do cubo e o volume da esfera é 1/8, e que o volume do setor esférico BCAD é $\tfrac43\pi r^3\,\text{sen}^2(\alpha/4)$.

A)1/3
B)1
C)3
D)9
E)27

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

C
Resolução

Para $\alpha=120^\circ$, o setor esférico fornecido no enunciado possui volume $V_{set}=\dfrac{4}{3}\pi r^3\,\text{sen}^2(30^\circ)=\dfrac{1}{3}\pi r^3$.

O cone interno tem raio $r\,\text{sen}\,60^\circ$ e altura $r\cos60^\circ$. Logo, $V_{cone}=\dfrac{1}{3}\pi(r\,\text{sen}\,60^\circ)^2(r\cos60^\circ)=\dfrac{1}{8}\pi r^3$. O volume da calota é, portanto, $V_{cal}=V_{set}-V_{cone}=\dfrac{5}{24}\pi r^3$.

O volume da esfera é $V_{esf}=\dfrac{4}{3}\pi r^3=\dfrac{32}{24}\pi r^3$. Como o volume do cubo corresponde a $1/8$ do volume da esfera, $V_{cubo}=\dfrac{1}{6}\pi r^3=\dfrac{4}{24}\pi r^3$.

Na primeira configuração, conforme a figura, o cubo está fora do fluido e apenas a calota da esfera permanece exposta. Assim, $V_{sub,1}=V_{esf}-V_{cal}=\dfrac{27}{24}\pi r^3=\dfrac{9}{8}\pi r^3$.

Após a rotação, ficam submersos o cubo e a mesma calota esférica: $V_{sub,2}=V_{cubo}+V_{cal}=\dfrac{9}{24}\pi r^3=\dfrac{3}{8}\pi r^3$.

Como o peso do conjunto é o mesmo nas duas situações, $\rho_1gV_{sub,1}=\rho_2gV_{sub,2}$. Portanto, $\dfrac{\rho_2}{\rho_1}=\dfrac{V_{sub,1}}{V_{sub,2}}=\dfrac{9/8}{3/8}=3$.

Alternativa correta: C

Q32
Oscilações — Sistema de Molas Simétrico

Quatro partículas de massa m estão em repouso nos vértices de um quadrado de lado L e são conectadas por molas de constante elástica k e de comprimento natural L.

Quatro partículas nos vértices de um quadrado, conectadas por molas ao longo dos quatro lados

As partículas são simultaneamente arremessadas em direção ao centro do quadrado com a mesma velocidade. Supondo que as partículas não colidam entre si, quanto valerá a frequência angular de oscilação do sistema?

A)$2\sqrt{k/m}$
B)$4\sqrt{k/m}$
C)$\sqrt{2k/m}$
D)$\sqrt{k/2m}$
E)$\tfrac12\sqrt{2k/m}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

C
Resolução

Pela simetria, as quatro partículas permanecem nos vértices de um quadrado e se movem ao longo das diagonais. Considere que cada partícula se desloque uma distância $x$ em direção ao centro.

A projeção desse deslocamento sobre cada lado do quadrado é $x/\sqrt{2}$ para cada extremidade da mola. Assim, cada mola é comprimida de $\Delta\ell=2\dfrac{x}{\sqrt{2}}=\sqrt{2}x$.

Cada uma das duas molas ligadas à partícula exerce força de módulo $k\sqrt{2}x$. Como essas forças são perpendiculares e têm o mesmo módulo, a resultante na direção da diagonal vale $F_R=\sqrt{2}(k\sqrt{2}x)=2kx$, dirigida para a posição de equilíbrio.

Logo, $m\ddot{x}=-2kx$, que é a equação de um MHS com $\omega^2=2k/m$. Portanto, $\omega=\sqrt{\dfrac{2k}{m}}$.

Alternativa correta: C

Q33
Gravitação — Sistema Binário (Centro de Massa)

Duas estrelas de massas $M_1$ e $M_2$ se movem apenas devido à atração gravitacional mútua, e descrevem órbitas circulares em torno do centro de massa do sistema. A distância entre elas vale D. Se G é a constante da gravitação universal, o módulo da quantidade de movimento de cada estrela para um observador no referencial do centro de massa vale:

A)$\sqrt{\dfrac{G(M_1+M_2)^3}{D}}$
B)$\sqrt{\dfrac{G}{D(M_1+M_2)}}\,M_1M_2$
C)$\sqrt{\dfrac{GM_1M_2(M_1+M_2)}{D}}$
D)$\sqrt{\dfrac{GM_1M_2}{D(M_1+M_2)}\left(M_1^2+M_2^2\right)}$
E)$\sqrt{\dfrac{GM_1M_2}{D}\left(\dfrac{M_1^2}{M_2}+\dfrac{M_2^2}{M_1}\right)}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

No referencial do centro de massa, as estrelas descrevem circunferências de raios $r_1$ e $r_2$, com $r_1+r_2=D$. Pela condição do centro de massa, $M_1r_1=M_2r_2$, de modo que $r_1=\dfrac{M_2}{M_1+M_2}D$.

A velocidade angular comum do sistema binário é obtida pela dinâmica orbital: $\omega^2=\dfrac{G(M_1+M_2)}{D^3}$.

Para a estrela de massa $M_1$, $p=M_1v_1=M_1\omega r_1$. Substituindo $\omega$ e $r_1$, obtemos $p=M_1M_2\sqrt{\dfrac{G}{D(M_1+M_2)}}$.

A outra estrela possui quantidade de movimento de mesmo módulo e sentido oposto, pois o momento linear total no referencial do centro de massa é nulo.

Alternativa correta: B

Q34
Termologia — Calorimetria com Volume Composto

Uma banheira contém água fria e um brinquedo esférico de raio r, ambos à temperatura $T_f$. Uma mãe cuidadosa que prepara o banho de seu filho deseja ajustar a temperatura da água para um valor desejado $T_d$. Para fazê-lo, acrescenta água quente à temperatura $T_q$ à banheira. Os calores específicos e as densidades da água e do brinquedo são, respectivamente, $c_A$ e $c_B$, e $\rho_A$ e $\rho_B$.

Banheira formada por um paralelepípedo de dimensões L, h, D com uma extremidade em semicilindro de altura h e diâmetro D; brinquedo esférico no interior

Determine o volume $V_q$ da água quente que deve ser acrescentada ao sistema de modo que, após atingido equilíbrio térmico, a banheira esteja completamente cheia. Desconsidere perdas de energia via calor para o ambiente e suponha que a capacidade térmica da banheira é desprezível. A banheira é formada por dois sólidos: (i) um paralelepípedo de dimensões L, h e D; e (ii) um semicilindro de altura h e diâmetro D, conforme mostrado na figura.

A)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{32\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right]$
B)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(4L+\pi D)}{16\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right]$
C)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{32\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}\right]$
D)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(4L+\pi D)}{16\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}\right]$
E)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{16\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}\right]$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

O volume interno da banheira é a soma do paralelepípedo com o semicilindro: $V_{ban}=LhD+\dfrac{1}{2}\pi\left(\dfrac{D}{2}\right)^2h=\dfrac{hD(8L+\pi D)}{8}$.

O brinquedo possui volume $V_B=\dfrac{4}{3}\pi r^3$. Como a banheira fica completamente cheia, o volume inicial de água fria é $V_f=V_{ban}-V_B-V_q$.

No equilíbrio térmico, o calor cedido pela água quente é igual ao calor recebido pela água fria e pelo brinquedo: $\rho_Ac_AV_q(T_q-T_d)=\rho_Ac_AV_f(T_d-T_f)+\rho_Bc_BV_B(T_d-T_f)$.

Substituindo $V_f$ e isolando $V_q$, resulta $V_q=\dfrac{T_d-T_f}{T_q-T_f}\left[V_{ban}+V_B\left(\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right)\right]$.

Finalmente, substituindo $V_{ban}$ e $V_B$, obtemos $V_q=\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{32\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right]$.

Alternativa correta: A

Q35
Ondulatória — Efeito Doppler (Fontes Circulares)

Duas fontes sonoras pontuais se movem em trajetórias circulares concêntricas de raios $R_1$ e $R_2$, com $R_2>R_1$, e emitem ondas com potência constante e de mesma frequência. Suas velocidades angulares constantes valem $\omega_1$ e $\omega_2$, com $\omega_2=1{,}01\,\omega_1$. Um observador no centro das circunferências percebe:

A)um som de volume oscilante com frequência de batimentos proporcional a $\dfrac{\omega_1+\omega_2}{2}$.
B)um som de volume oscilante com frequência de batimentos proporcional a $\dfrac{|\omega_1-\omega_2|}{2}$.
C)um som de volume oscilante, cuja frequência depende da relação entre $R_1,R_2,\omega_1$ e $\omega_2$.
D)um som com intensidade sonora constante e frequência igual à das fontes.
E)um som com intensidade sonora constante e frequência que pode ser maior ou menor do que a frequência das fontes.

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

D
Resolução

Para o observador localizado no centro, a velocidade de cada fonte é sempre tangente à sua trajetória circular. A linha que liga a fonte ao observador é radial; portanto, a componente radial da velocidade da fonte é nula.

Sem componente radial, não há efeito Doppler. Assim, o observador recebe de ambas as fontes a mesma frequência emitida, independentemente dos valores de $\omega_1$ e $\omega_2$.

Além disso, a distância de cada fonte ao observador permanece constante, igual ao raio de sua trajetória. Como as potências emitidas são constantes, as intensidades recebidas também não variam com o tempo.

Logo, o observador percebe um som de intensidade constante e com frequência igual à frequência das fontes.

Alternativa correta: D

Q36
Cinemática — Movimento em Três Trechos (Remo)

A análise cinemática de barcos em uma competição a remo pode ser realizada tratando-os como partículas que partem do repouso e se deslocam sobre a água em linha reta. Sabe-se que os alunos da EFOMM utilizam a estratégia de acelerar uniformemente o barco até atingir 54 km/h nos 10 s iniciais da competição; em seguida, manter a velocidade constante até atingir 3/4 da distância total do trajeto, instante em que passam a acelerar uniformemente até o final do trajeto, atingindo a velocidade final de 72 km/h. Sabendo que a velocidade média do barco é de 15 m/s, marque a opção que corresponde à distância total percorrida pelo barco.

A)2100 m
B)2200 m
C)2300 m
D)2400 m
E)2500 m

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

Convertendo as velocidades: $54\text{ km/h}=15\text{ m/s}$ e $72\text{ km/h}=20\text{ m/s}$.

No primeiro trecho, o barco parte do repouso e atinge $15\text{ m/s}$ em $10\text{ s}$. Logo, $d_1=\dfrac{0+15}{2}\cdot10=75\text{ m}$.

Ao final do segundo trecho, o barco completou $3S/4$. Portanto, $d_2=\dfrac{3S}{4}-75$ e $t_2=\dfrac{d_2}{15}=\dfrac{S}{20}-5$.

No terceiro trecho, percorre $S/4$ com velocidade variando uniformemente de $15\text{ m/s}$ a $20\text{ m/s}$. Sua velocidade média nesse trecho é $17{,}5\text{ m/s}$, de modo que $t_3=\dfrac{S/4}{17{,}5}=\dfrac{S}{70}$.

O tempo total é $T=10+t_2+t_3=5+\dfrac{9S}{140}$. Como a velocidade média da prova é $15\text{ m/s}$, $T=S/15$. Assim, $\dfrac{S}{15}=5+\dfrac{9S}{140}$, resultando em $S=2.100\text{ m}$.

Alternativa correta: A

Q37
Estática/Dinâmica — Chave de Roda como Torniquete

Uma aluna da EFOMM utiliza uma chave de roda de massa desprezível, composta por duas barras cilíndricas entrecruzadas, e uma corda ideal para criar uma alavanca e puxar um carro quebrado. A corda é amarrada na árvore, passa pela parte inferior da barra horizontal, é enrolada algumas vezes entre as duas barras, sai pela parte superior da barra horizontal, e é presa ao carro. A chave é girada com velocidade angular constante de 3 rad/s e vai sendo enrolada na porção da corda que vai para a árvore, ao mesmo tempo em que puxa a outra porção da corda, que também se enrola sobre ela, e reboca o carro. O diâmetro das barras vale 2 cm, a distância entre o centro da barra horizontal e a extremidade superior da barra vertical vale 50 cm e não há deslizamento entre a corda e a chave de roda.

Visão geral: corda amarrada em uma árvore, passando pela chave de roda em formato de cruz, até o carro quebrado

No instante representado, exibindo uma vista lateral da chave de roda, a força que gira a barra é paralela à corda, vai em direção à árvore e está sendo aplicada na extremidade superior da barra vertical. A corda está na horizontal.

Vista lateral esquemática da chave de roda: barra vertical com força aplicada no topo, barra horizontal com a corda entrando à esquerda (árvore) e saindo à direita (carro)

Como a massa da barra é desprezível, a soma das forças e dos torques que agem sobre ela é nula. Se a tensão na porção da corda que se prende à árvore vale 2940 N, a potência que a força externa transmite para o carro vale:

A)88,2 W
B)91,8 W
C)180,0 W
D)176,4 W
E)183,6 W

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

O raio das barras é $r=1\text{ cm}=0{,}01\text{ m}$ e a força externa é aplicada a uma distância $R=0{,}50\text{ m}$ do centro. Seja $T_1=2.940\text{ N}$ a tensão do lado da árvore, $T_2$ a tensão do lado do carro e $F$ a força externa.

Como a chave possui massa desprezível e gira com velocidade angular constante, a resultante das forças e a resultante dos torques são nulas. No eixo horizontal, $T_2=T_1+F$. Em relação ao centro da chave, $FR=r(T_1+T_2)$.

Substituindo $F=T_2-T_1$ na equação dos torques, $R(T_2-T_1)=r(T_1+T_2)$. Portanto, $T_2=T_1\dfrac{R+r}{R-r}=2.940\dfrac{0{,}51}{0{,}49}=3.060\text{ N}$.

Como não há deslizamento, o enrolamento do lado da árvore faz a chave avançar com velocidade $\omega r$, enquanto o lado do carro é recolhido em relação à chave também com velocidade $\omega r$. Logo, $v_{carro}=2\omega r=2\cdot3\cdot0{,}01=0{,}06\text{ m/s}$.

A potência transmitida ao carro é $P=T_2v_{carro}=3.060\cdot0{,}06=183{,}6\text{ W}$.

Alternativa correta: E

Q38
Cinemática Angular — Efeito Estroboscópico (Roda de Carro)

Um observador parado em um ponto de ônibus vê um veículo se movimentar em um sentido na via, porém tem a sensação de que sua roda gira em sentido contrário ao do movimento. Este fenômeno deve-se ao fato de que a visão humana atualiza a imagem captada em intervalos de tempo discretos de aproximadamente 1/20 s em vez de perceber um movimento contínuo ao longo do tempo. O observador, ao voltar sua atenção a um ponto da superfície externa do pneu, o percebe em uma nova posição angular após um intervalo de tempo de 1/20 s, como se houvesse realizado um deslocamento de π/9 rad no sentido contrário ao real. O raio do pneu externo é de 18 cm e o veículo está em movimento retilíneo uniforme dentro do limite de velocidade $v_{máx}=108\,\text{km/h}$ da via. Utilize π=3 e marque a opção que corresponde à velocidade do veículo.

A)14,64 km/h
B)25,24 km/h
C)54,00 km/h
D)73,44 km/h
E)92,50 km/h

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

D
Resolução

Entre duas imagens sucessivas, separadas por $\Delta t=1/20\text{ s}$, o ponto parece ter girado $\pi/9$ no sentido contrário ao movimento real. Portanto, o deslocamento angular real deve ser $\Delta\varphi=2\pi n-\dfrac{\pi}{9}$, em que $n$ é um inteiro positivo.

Como $\omega=\Delta\varphi/\Delta t$, temos $\omega=20\left(2\pi n-\dfrac{\pi}{9}\right)$. Usando $\pi=3$, $\omega=120n-\dfrac{20}{3}$.

Para $n=1$, $\omega=\dfrac{340}{3}\text{ rad/s}$. Como o pneu rola sem deslizar e possui raio $R=0{,}18\text{ m}$, $v=\omega R=\dfrac{340}{3}\cdot0{,}18=20{,}4\text{ m/s}$.

Convertendo, $v=20{,}4\cdot3{,}6=73{,}44\text{ km/h}$. Para $n=2$, a velocidade ultrapassaria $108\text{ km/h}$; portanto, $n=1$ é a única possibilidade compatível com o enunciado.

Alternativa correta: D

Q39
Eletrostática + Energia — Carga Subindo Rampa

Um condutor esférico de raio desprezível, carregado positivamente com carga Q, está fixado ao solo horizontal em um ponto O, sendo considerado uma carga puntiforme. Uma carga de prova $q>0$, de massa m, é inicialmente colocada em repouso no ponto A do solo, localizado a uma distância d do ponto O. A partir do ponto A, inicia-se uma rampa retilínea cujo menor ângulo com a horizontal vale θ. Seja B um ponto da rampa também situado à distância d de A. A carga q é liberada e sobe pela rampa sob a ação da força elétrica repulsiva proveniente de Q e da força gravitacional.

Desprezando qualquer tipo de atrito ou dissipação, determine o módulo da velocidade da carga q ao chegar ao ponto B em função dos dados do problema. Dados: constante eletrostática k, aceleração da gravidade g.

A)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1+\dfrac{1}{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$
B)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}\right)+2gd\,\text{sen}\,\theta}$
C)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$
D)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1+\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$
E)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1+\dfrac{1}{\sqrt{2(1+\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$

Gabarito comentado Método TEF

D
Resolução

Adotando o nível do ponto A como referência para a energia potencial gravitacional, a energia mecânica inicial é $E_A=\dfrac{kQq}{d}$.

No triângulo OAB, temos $OA=AB=d$ e o ângulo interno em A é $180^\circ-\theta$. Pela lei dos cossenos, $OB^2=d^2+d^2-2d^2\cos(180^\circ-\theta)=2d^2(1+\cos\theta)$. Assim, $OB=d\sqrt{2(1+\cos\theta)}$.

A altura atingida em B é $h_B=d\,\text{sen}\,\theta$. Portanto, a energia mecânica final é $E_B=\dfrac{1}{2}mv^2+\dfrac{kQq}{d\sqrt{2(1+\cos\theta)}}+mgd\,\text{sen}\,\theta$.

Pela conservação da energia mecânica, $E_A=E_B$. Isolando a velocidade, obtemos $v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1+\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$.

O sinal negativo entre os termos elétricos é coerente com o afastamento entre as cargas: a energia potencial elétrica diminui e parte dessa redução é convertida em energia cinética e em energia potencial gravitacional.

Alternativa correta: D

Q40
Dinâmica — Barra Articulada Empurrando Bloco

Uma esfera de raio desprezível, considerada uma partícula, está grudada na extremidade de uma barra rígida e articulada, de comprimento L e de massa desprezível, que se encontra na posição vertical. Um bloco está encostado na partícula, e o sistema está inicialmente em repouso. A aceleração da gravidade vale g, e a força que a barra exerce sobre a partícula tem sempre a mesma direção da barra.

Barra articulada na vertical com partícula esférica no topo, encostada em um bloco retangular

O sistema é retirado do equilíbrio por um ínfimo deslocamento angular da partícula para a direita, que é, em seguida, solta para se mover sob ação da gravidade. O bloco passa a ser empurrado para a direita pela partícula, transladando sem girar. No instante em que o contato entre a partícula e o bloco é perdido, a barra faz um ângulo θ com a horizontal. A velocidade do bloco nesse momento vale:

A)$\sqrt{Lg\,\text{sen}\,\theta}$
B)$\sqrt{Lg\,\text{sen}^3\theta}$
C)$\sqrt{Lg\cos\theta}$
D)$\sqrt{Lg\cos(2\theta)}$
E)$\sqrt{Lg\,\text{sen}(2\theta)}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

Seja $\varphi$ o ângulo da barra com a vertical. Como, no instante considerado, a barra faz ângulo $\theta$ com a horizontal, temos $\varphi=90^\circ-\theta$.

Enquanto há contato, o bloco e a partícula possuem a mesma coordenada horizontal: $x=L\,\text{sen}\,\varphi$. Assim, $v=\dot{x}=L\cos\varphi\,\dot{\varphi}$ e $\ddot{x}=L(\cos\varphi\,\ddot{\varphi}-\text{sen}\,\varphi\,\dot{\varphi}^{2})$.

A única força horizontal sobre o bloco é a normal exercida pela partícula. No instante em que o contato é perdido, essa normal se anula; portanto, a aceleração horizontal do bloco é nula. Como o vínculo de contato ainda vale nesse instante-limite, $\ddot{x}=0$ e $\ddot{\varphi}=\tan\varphi\,\dot{\varphi}^{2}$.

Também nesse instante, a partícula não recebe força normal do bloco. Na direção tangencial, somente a componente do peso atua, de modo que $\ddot{\varphi}=\dfrac{g}{L}\,\text{sen}\,\varphi$.

Igualando as duas expressões, $\dfrac{g}{L}\,\text{sen}\,\varphi=\tan\varphi\,\dot{\varphi}^{2}$, portanto $\dot{\varphi}^{2}=\dfrac{g}{L}\cos\varphi$.

Logo, $v^2=L^2\cos^2\varphi\,\dot{\varphi}^{2}=Lg\cos^3\varphi$. Como $\cos\varphi=\text{sen}\,\theta$, resulta $v=\sqrt{Lg\,\text{sen}^3\theta}$.

Alternativa correta: B

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