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EFOMM 2026 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2025/2026 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Ondulatória — MHS — Analogia com MHS

A Figura 1 mostra um instante qualquer do movimento de 2 (dois) blocos idênticos com massas iguais e formato cúbico. Eles se ajustam sem folga na guia e podem se mover em linha reta sem atrito.

Dois blocos cúbicos idênticos encaixados em uma guia em ângulo reto, conectados por uma barra rígida articulada

Figura 1

Os blocos são conectados por uma barra rígida com 1 m de comprimento e massa desprezível. As conexões no topo de cada bloco são articuladas, o que permite a rotação da barra durante o movimento. O sistema é inicialmente colocado em repouso na configuração ilustrada em vista superior na Figura 2.

Vista superior: bloco da direita no eixo y na origem, bloco da esquerda no eixo x a 1 m da origem, ligados pela barra

Figura 2

O bloco da direita é lançado na direção y com velocidade inicial de 2 m/s, movimentando o outro bloco ao longo da direção x.

Escrevendo as equações da conservação de energia mecânica e do vínculo geométrico do problema, é possível fazer uma analogia entre o movimento dos blocos e outro tipo de movimento bem conhecido. Assinale a alternativa que mais se aproxima do tempo necessário para que o bloco da esquerda chegue à extremidade direita.

A)0,79 s
B)0,84 s
C)0,93 s
D)1,15 s
E)1,26 s

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

Dois blocos idênticos deslizam sem atrito em guias perpendiculares, ligados por uma barra rígida de 1 m e massa desprezível. O bloco que anda em y parte com 2 m/s, e o outro, em x, começa parado, a 1 m da origem. Pede-se o tempo para o bloco da esquerda chegar à origem. Repare que o enunciado já avisa que existe uma analogia com um movimento conhecido: é ela que evita uma integral difícil.

Sem atrito, e com a barra sem massa e articulada, nenhuma força externa realiza trabalho, então a energia cinética total se conserva. Como as massas são iguais, isso significa que a soma dos quadrados das velocidades dos dois blocos é constante. Já o vínculo geométrico amarra as posições: a barra mantém as extremidades sempre a distância L. Aqui está a sacada: se você descreve o sistema pelo ângulo $\varphi$ da barra com o eixo x, a conservação da energia entrega uma velocidade angular constante, e uma coordenada que depende do cosseno de um ângulo que cresce linearmente no tempo é, por definição, um MHS.

O vínculo dá $x = L\cos\varphi$ e $y = L\,\text{sen}\,\varphi$. Derivando e somando os quadrados: \[\dot{x}^2+\dot{y}^2 = L^2\dot{\varphi}^2 = v_0^2 \implies \dot{\varphi}=\dfrac{v_0}{L}=2\text{ rad/s}\] Logo $x(t)=L\cos(\omega t)$, com $\omega = 2\text{ rad/s}$. O bloco da esquerda vai de $x=L$ ($\varphi=0$) até $x=0$ ($\varphi=\pi/2$), ou seja, um quarto de período: \[\Delta t=\dfrac{\pi/2}{\omega}=\dfrac{\pi}{4}\approx 0{,}79\text{ s}\]

O resultado é cerca de 0,79 s, que corresponde à essa configuração. Para fechar com segurança: se o bloco da esquerda andasse sempre com a velocidade média do da direita, o tempo seria de ordem 1 m dividido por 2 m/s, ou seja, meio segundo a um segundo. O valor encontrado cai nessa faixa, e o tempo é maior que 0,5 s porque o bloco da esquerda começa parado e só ganha velocidade aos poucos.

Cuidado, armadilha! O erro típico é não reconhecer a oscilação harmônica e tentar tratar cada bloco como se tivesse aceleração constante, usando as equações do MUV. Isso não funciona: a velocidade do bloco da esquerda varia com o seno do ângulo, e sua aceleração muda o tempo todo. Outro deslize comum é achar que a velocidade de 2 m/s do bloco da direita se mantém e dividir a distância por ela. Sempre que o vínculo geométrico e a conservação da energia forem escritos juntos, procure uma grandeza que gire com velocidade angular constante: é o sinal de que a projeção dela é um MHS, e o tempo pedido é uma fração do período.

Alternativa correta: A

Q22
Mecânica — Estática — Corda com Massa e Trabalho

A corda AC é inextensível, possui 4,5 m de comprimento e 3 kg de massa uniformemente distribuída. Um fio de massa desprezível é amarrado à corda em B, e se estende horizontalmente até uma roldana fixa. A porção AB da corda mede 2,5 m.

Corda AC pendurada verticalmente do teto, com fio horizontal amarrado em B até uma roldana

O fio é puxado lentamente para baixo em sua extremidade livre até que AB forme um ângulo com a vertical cuja tangente vale 3/4. As porções AB e BC podem ser consideradas sempre retilíneas. A corda fica em repouso quando atinge a posição final mostrada na figura abaixo.

Posição final: AB inclinada formando ângulo com a vertical, BC pendurada verticalmente de B

O trabalho realizado pela força que puxa o fio vale:

A)25/6 J
B)55/6 J
C)65/6 J
D)75/12 J
E)85/12 J

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

C
Resolução

Uma corda de 4,5 m e 3 kg pende do teto pelo ponto A. Um fio horizontal amarrado em B, a 2,5 m de A, é puxado lentamente para baixo até que o trecho AB forme com a vertical um ângulo de tangente 3/4. O trecho BC permanece vertical. Pede-se o trabalho da força que puxa o fio. Os dados que interessam são as massas dos trechos e as alturas dos seus centros de massa, antes e depois.

Note que o processo é lento, então a energia cinética é desprezível o tempo todo. Pelo teorema do trabalho e energia, o trabalho da força que puxa mais o trabalho do peso é zero, e o trabalho do peso é menos a variação da energia potencial. Portanto, o trabalho da força externa é exatamente a variação da energia potencial gravitacional da corda. Como a corda é uniforme, basta dividi-la em AB e BC e tratar cada pedaço como uma partícula no seu centro de massa, que fica no ponto médio do trecho.

A densidade linear é $\lambda = 3/4{,}5 = 2/3\text{ kg/m}$, então AB tem $5/3\text{ kg}$ e BC tem $4/3\text{ kg}$. Com o teto em $y=0$ e o sentido para baixo negativo, no estado inicial os centros de massa estão em $-1{,}25\text{ m}$ (AB) e $-3{,}5\text{ m}$ (BC): \[\sum m_iy_i=\dfrac53(-1{,}25)+\dfrac43(-3{,}5)=-\dfrac{81}{12}\] No estado final, $\cos\theta=4/5$, então B fica a $2{,}5\cdot\frac45=2\text{ m}$ de profundidade. O centro de AB está a $-1\text{ m}$ e o de BC, que tem 2 m e pende de B, está a $-2-1=-3\text{ m}$: \[\sum m_iy_i=\dfrac53(-1)+\dfrac43(-3)=-\dfrac{68}{12}\] \[W=g\,\Delta\!\left(\sum m_iy_i\right)=10\left(-\dfrac{68}{12}+\dfrac{81}{12}\right)=\dfrac{130}{12}=\dfrac{65}{6}\text{ J}\]

O trabalho vale $65/6\text{ J}$, cerca de 10,8 J. Vale um teste de bom senso: o sinal é positivo, como deve ser, porque a corda como um todo sobe. O centro de massa geral passa de $-6{,}75/3=-2{,}25\text{ m}$ para $-68/36\approx-1{,}89\text{ m}$, uma subida de cerca de $0{,}36\text{ m}$, e $mg\,\Delta h=30\cdot0{,}36\approx10{,}8\text{ J}$, o mesmo valor.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é colocar o centro de massa no lugar errado. Duas falhas aparecem muito: usar o centro de massa da corda inteira como se ela continuasse reta (depois de dobrada em B, ela não é mais um segmento único) e medir o centro do trecho BC a partir de A em vez de a partir de B. Lembre que BC continua vertical, mas agora começa em um ponto mais alto que antes. Para não errar, divida a corda sempre nos mesmos trechos, calcule a altura de cada centro em relação a uma referência única (aqui, o teto) e só então subtraia final menos inicial.

Alternativa correta: C

Q23
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Fluxo Variável

Uma espira condutora circular está inserida em um campo magnético uniforme que varia linearmente com o tempo, dado por $\vec{B}(t)=(B_0+\alpha^2t)\hat{k}$, em que $B_0\lt 0$ e $\alpha$ são constantes, e $\hat{k}$ é o vetor unitário na direção do eixo z. A espira está contida no plano $z=0$. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.

A)Há um momento em que a corrente induzida na espira é nula.
B)A f.e.m. induzida na espira é constante.
C)Um observador em um ponto de coordenada z positiva vê uma corrente induzida percorrer a espira no sentido anti-horário.
D)A f.e.m. induzida depende apenas de α, e não do raio da espira.
E)Se a constante α for multiplicada por 2, a f.e.m. induzida será dobrada.

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

Uma espira circular fica no plano $z=0$, em um campo uniforme $\vec{B}=(B_0+\alpha^2t)\hat{k}$ com $B_0\lt 0$. Trata-se de uma questão de afirmativas: é preciso testar cada alternativa contra a lei de Faraday. Note que o valor de $B_0$ só desloca o campo, não interfere na taxa de variação.

A f.e.m. induzida depende da taxa de variação do fluxo, e não do valor do fluxo. O fluxo é campo vezes área, e a área é fixa. Como o campo cresce linearmente, sua taxa de variação é constante, logo a f.e.m. é constante. O sentido vem da lei de Lenz: a corrente se opõe à variação do fluxo.

Com raio $r$ da espira: \[\Phi=(B_0+\alpha^2t)\,\pi r^2 \implies \varepsilon=-\dfrac{d\Phi}{dt}=-\alpha^2\pi r^2\] Agora cada afirmativa. A) falsa: a f.e.m. é constante e diferente de zero, então nunca há instante de corrente nula. B) verdadeira: nada em $\varepsilon$ depende de $t$. C) falsa: o fluxo na direção $+z$ está aumentando (o campo vai ficando menos negativo e depois positivo), então a corrente cria campo em $-z$, o que é sentido horário para quem olha de $z\gt0$. D) falsa: aparece o fator $\pi r^2$, e o raio importa. E) falsa: a f.e.m. depende de $\alpha^2$, então dobrar $\alpha$ quadruplica a f.e.m.

Só a afirmativa B resiste ao teste, então a resposta é essa configuração. Como sanidade dimensional, $\alpha^2$ tem unidade de tesla por segundo, e multiplicado por uma área dá volt, como deve ser para uma f.e.m.

Cuidado, armadilha! O aluno confunde f.e.m. constante com corrente constante, ou pior, acha que campo variável implica f.e.m. variável. Aqui o campo varia, mas a taxa de variação não, e é a taxa que manda. Repare também que dizer que a f.e.m. é constante é diferente de dizer que ela é nula: fluxo que muda de sinal (de negativo para positivo) não zera a f.e.m. no instante em que o fluxo se anula. Outra falha frequente é errar o sentido da corrente por olhar para o sinal de $B_0$ em vez de olhar para o sinal de $dB/dt$. Pergunte sempre: o fluxo está aumentando ou diminuindo em $+z$?

Alternativa correta: B

Q24
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Pulso em Corda com Tensão Variável

Um fio inextensível possui densidade linear de $0{,}4\times10^{-3}\,\text{kg/m}$ e peso desprezível. Ele é fixado na parede em uma de suas extremidades e suporta uma massa de $0{,}1\,\text{kg}$ na outra, passando por uma roldana ideal.

Fio preso na parede, horizontal até uma roldana ideal, e então vertical até um bloco suspenso

A porção horizontal do fio que vai desde sua conexão na parede até a roldana ideal mede 10 m. No instante $t=0$, uma força externa variável no tempo, com intensidade $F=0{,}01t^2+0{,}2t$ em unidades do S.I., e direcionada verticalmente para baixo, começa a agir sobre o bloco, que se mantém em repouso. Nesse mesmo instante, um pulso é propagado na corda a partir do ponto de contato com a roldana. O intervalo de tempo para que o pulso chegue à extremidade da corda presa na parede vale:

A)$\sqrt{108}-10\,\text{s}$
B)$\sqrt{107}-10\,\text{s}$
C)$\sqrt{106}-10\,\text{s}$
D)$\sqrt{105}-10\,\text{s}$
E)$\sqrt{104}-10\,\text{s}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

Um fio de densidade linear $0{,}4\times10^{-3}\text{ kg/m}$ prende-se na parede, corre 10 m na horizontal, passa por uma roldana ideal e sustenta um bloco de 0,1 kg. A partir de $t=0$, uma força $F=0{,}01t^2+0{,}2t$, para baixo, age sobre o bloco. No mesmo instante um pulso sai da roldana rumo à parede. Pede-se o tempo de chegada. O detalhe decisivo: a tensão muda com o tempo, e portanto a velocidade do pulso também muda.

A velocidade de um pulso em corda é dada pela relação de Taylor, $v=\sqrt{T/\mu}$. Como o bloco fica em repouso, a tensão no fio equilibra o peso mais a força extra em cada instante. Então a tensão é uma função do tempo, e a distância percorrida pelo pulso é a integral da velocidade no tempo, não um simples produto velocidade vezes tempo.

Com $g=10\text{ m/s}^2$, o peso é $mg=1\text{ N}$, então \[T(t)=1+0{,}01t^2+0{,}2t=0{,}01(t+10)^2\] O pulo do gato é este: o trinômio é um quadrado perfeito, então a raiz sai limpa: \[v(t)=\sqrt{\dfrac{0{,}01(t+10)^2}{0{,}4\times10^{-3}}}=5(t+10)\text{ m/s}\] O pulso percorre 10 m no intervalo de 0 a $\tau$: \[10=\int_0^{\tau}5(t+10)\,dt=2{,}5\tau^2+50\tau \implies \tau^2+20\tau-4=0\] \[\tau=-10+\sqrt{104}\text{ s}\] Descartamos a raiz negativa, que não tem sentido físico.

O tempo é $\sqrt{104}-10\text{ s}$. Numericamente, $\sqrt{104}\approx10{,}2$, então $\tau\approx0{,}2\text{ s}$. Olhe o resultado com desconfiança saudável: em $t=0$ a velocidade já vale $50\text{ m/s}$, então 10 m levam cerca de $0{,}2\text{ s}$, e a velocidade cresce só um pouco nesse intervalo curto. Bate com o resultado.

Cuidado, armadilha! O erro típico é calcular a velocidade só em $t=0$ (ou só com a tensão do peso) e dividir 10 m por ela, como se o fio inteiro tivesse a mesma velocidade de propagação. Isso daria um tempo em torno de $0{,}2\text{ s}$ e uma expressão que não aparece nas alternativas; as opções diferem justamente na raiz. Como a tensão cresce com o tempo, a velocidade cresce junto, e é preciso integrar. Antes de resolver a equação, confira se a tensão realmente se fatora num quadrado perfeito: se sim, o problema foi desenhado para isso.

Alternativa correta: E

Q25
Mecânica — Hidrostática — Tubo em U com Volumes Iguais

Dois líquidos A e B, respectivamente com densidades $\rho_A$ e $\rho_B$, estão em repouso no tubo em forma de U, de seção transversal uniforme e muito pequena, representado na imagem.

Tubo em U com fluido A ocupando a base até a posição x e subindo no ramo esquerdo, e fluido B do ponto x até o ramo direito

Ambos os líquidos possuem o mesmo volume, que é igual ao volume da base do tubo, cujo comprimento vale L. O comprimento x, que mede a posição do contato entre os dois líquidos a partir da extremidade esquerda, vale:

A)$\dfrac{(\rho_A+\rho_B)^2}{8\rho_A\rho_B}L$
B)$\dfrac{\rho_A}{\rho_A+\rho_B}L$
C)$\dfrac{\rho_B}{\rho_A+\rho_B}L$
D)$\dfrac{2\rho_A\rho_B}{(\rho_A+\rho_B)^2}L$
E)$\dfrac{2\rho_A^2}{(\rho_A+\rho_B)^2}L$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

Dois líquidos imiscíveis, A e B, estão em um tubo em U de seção uniforme e muito fina. Cada um ocupa um volume igual ao da base horizontal, de comprimento L. Pede-se a posição x da interface, contada a partir da extremidade esquerda. Note que o dado de volumes iguais é o que fixa as alturas das colunas, e a seção do tubo se cancela na conta.

A ideia é o equilíbrio hidrostático: na altura da interface, a pressão vinda do lado de A precisa ser igual à pressão vinda do lado de B. Cada coluna vertical contribui com $\rho g h$. Portanto, o problema se resume a descobrir as alturas das colunas usando a conservação do volume de cada líquido, e depois igualar as pressões.

O líquido A ocupa um comprimento $x$ da base, e como o volume total dele equivale a um comprimento L de tubo, o que sobra vai para a coluna esquerda: $h_A=L-x$. O líquido B ocupa o restante da base, de comprimento $L-x$, e o que falta para completar L sobe pela coluna direita: $h_B=L-(L-x)=x$. Igualando as pressões: \[\rho_A\,g\,(L-x)=\rho_B\,g\,x\] \[\rho_AL=(\rho_A+\rho_B)\,x \implies x=\dfrac{\rho_A}{\rho_A+\rho_B}\,L\]

O resultado é $x=\dfrac{\rho_A}{\rho_A+\rho_B}L$. Teste de sanidade com os limites: se $\rho_A=\rho_B$, então $x=L/2$, a interface fica no meio da base, como a simetria exige. Se A for muito mais denso que B, $x$ tende a $L$: a coluna de A fica curta e A ocupa quase toda a base, coerente com o fato de que o líquido mais denso precisa de menos altura para equilibrar o outro.

Cuidado, armadilha! O erro típico é igualar as alturas das colunas em vez de igualar as pressões. Em um tubo em U com líquidos diferentes, colunas de mesma altura só equilibram se as densidades forem iguais. Note ainda que a igualdade de volumes serve para achar $h_A$ e $h_B$, e não para dizer que as alturas são iguais. Se você notar que sua resposta não muda quando $\rho_A$ e $\rho_B$ trocam de valor, algo saiu errado: o resultado precisa favorecer o lado do líquido mais denso, que ocupa mais base.

Alternativa correta: B

Q26
Eletricidade — Eletrostática — Capacitor com Múltiplos Dielétricos

Um capacitor plano de placas paralelas, com área A e distância entre placas d, está completamente preenchido com 8 camadas de materiais dielétricos, todas com área A e espessura d/8. A constante dielétrica da primeira camada (próxima à placa inferior) é $K_1=10$, e cada constante dielétrica seguinte é metade da anterior. Se $C_0$ é a capacitância do capacitor no vácuo, qual é a capacitância total C do capacitor com os dielétricos?

A)$\dfrac{120}{255}C_0$
B)$\dfrac{100}{133}C_0$
C)$\dfrac{25}{254}C_0$
D)$\dfrac{2}{51}C_0$
E)$\dfrac{1}{50}C_0$

Revisão comentada Método TEF

Sem alternativa correta
Resolução

Um capacitor plano, de área A e distância d, é preenchido por 8 camadas de dielétrico, todas com espessura $d/8$. A primeira tem $K_1=10$ e cada seguinte tem a metade da constante da anterior. Pede-se a capacitância total em função de $C_0$, a capacitância no vácuo. Os dados úteis são a razão 1/2 entre constantes e a espessura igual de todas as camadas.

As camadas estão empilhadas na direção do campo elétrico, uma sobre a outra, e cada uma ocupa toda a área das placas. Isso é uma associação em série de oito capacitores. Em série, somam-se os inversos das capacitâncias, por isso a constante dielétrica que domina é a menor, e não a maior.

Cada camada tem capacitância $$C_i=K_i\dfrac{\varepsilon_0A}{d/8}=8K_iC_0$$ Como $K_i=10/2^{i-1}$, vale $1/K_i=2^{i-1}/10$, e a soma é uma progressão geométrica: $$\sum_{i=1}^{8}\dfrac{1}{K_i}=\dfrac{1+2+4+\cdots+128}{10}=\dfrac{255}{10}$$ $$\dfrac1C=\dfrac{1}{8C_0}\cdot\dfrac{255}{10}=\dfrac{255}{80\,C_0} \implies C=\dfrac{80}{255}C_0=\dfrac{16}{51}C_0\approx0{,}31\,C_0$$

O valor obtido, $16C_0/51\approx0{,}31\,C_0$, não coincide com nenhuma das cinco alternativas (elas valem cerca de 0,47; 0,75; 0,10; 0,04 e 0,02 vezes $C_0$). Por isso a revisão comentada registra que a questão não tem alternativa correta, e nenhuma letra deve ser marcada. Repare que a alternativa D, $2C_0/51$, é exatamente 1/8 do valor correto: é o que sai se a espessura $d/8$ de cada camada for esquecida e cada capacitância for tomada como $K_iC_0$. Só para conferir: a capacitância total em série tem de ser menor que a da menor das camadas, a oitava, que vale $8K_8C_0=0{,}625\,C_0$; e $0{,}31\,C_0$ cumpre isso.

Cuidado, armadilha! O erro típico é somar as constantes dielétricas, ou tirar a média delas, em vez de inverter e somar os inversos. Em série, a camada de menor K é o gargalo. O segundo erro, que leva direto à alternativa D, é esquecer que cada camada tem espessura $d/8$ e, portanto, capacitância oito vezes maior que $K_iC_0$. Outro cuidado: não force a conta para cair em uma alternativa. Se você refez o cálculo com atenção e o resultado não aparece, na prova real confira apenas a leitura dos dados (constante de cada camada, espessura) e, estando tudo certo, siga em frente sem perder tempo: nunca ajuste um número para caber numa letra.

Sem alternativa correta — o valor obtido ($16C_0/51$) não corresponde a nenhuma das opções listadas.

Q27
Termologia — Termodinâmica — Trabalho com Pressão Linear em V

Um recipiente cilíndrico contém gás ideal e é vedado com um êmbolo móvel de massa desprezível. O êmbolo está sujeito à força elástica de uma mola ideal, e à pressão constante do ar exterior.

Recipiente cilíndrico com gás e êmbolo móvel preso por uma mola ideal fixada no teto

Inicialmente, o gás ocupa 5 m³, e sua pressão vale 100 kPa. Enquanto passa a receber calor de uma fonte externa, expande-se de forma lenta o suficiente para que o êmbolo esteja sempre em equilíbrio de forças. Calcule o trabalho realizado pelo gás sabendo que o volume final no interior do cilindro é 15 m³ e a pressão final do gás é 200 kPa. Despreze a massa do êmbolo.

A)1500 kJ
B)3000 kJ
C)4500 kJ
D)6000 kJ
E)7500 kJ

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

Um gás ideal está num cilindro com êmbolo de massa desprezível, sustentado por uma mola ideal e pela pressão do ar externo. O gás passa de 5 m³ e 100 kPa para 15 m³ e 200 kPa, em expansão lenta. Pede-se o trabalho realizado pelo gás. A temperatura e o calor recebido não são necessários: são distrações.

O trabalho do gás é a área sob a curva no diagrama P-V. Então a pergunta central é: que curva liga os dois estados? O êmbolo está sempre em equilíbrio, então a pressão do gás é a pressão atmosférica somada (ou subtraída) da pressão devida à mola. A força da mola varia linearmente com a posição do êmbolo, e a posição é proporcional ao volume, logo a pressão varia linearmente com o volume. O gráfico é um segmento de reta, e a área é a de um trapézio.

Com a pressão como função linear do volume, o trabalho é a média das pressões vezes a variação de volume: \[W=\dfrac{P_1+P_2}{2}\,(V_2-V_1)=\dfrac{100+200}{2}\,\text{kPa}\cdot(15-5)\,\text{m}^3\] \[W=150\cdot10=1500\text{ kJ}\] Lembre que kPa vezes m³ dá diretamente quilojoule.

O trabalho vale 1500 kJ. Uma checagem rápida: o trabalho tem de ficar entre o retângulo mínimo, $100\cdot10=1000\text{ kJ}$, e o máximo, $200\cdot10=2000\text{ kJ}$, e 1500 kJ está exatamente no meio, como esperado para uma reta.

Cuidado, armadilha! O erro típico é calcular a área como um retângulo, usando a pressão inicial ou a final ao longo de todo o processo. Isso vale só para pressão constante, e aqui a mola faz a pressão crescer. Se você usar $P_2\Delta V$ chega a 2000 kJ, e com $P_1\Delta V$, a 1000 kJ; nenhum dos dois é alternativa, o que já serve de alerta. A regra prática: sempre que o enunciado falar em mola no êmbolo, pense em pressão linear em V, trace a reta e calcule a área do trapézio.

Alternativa correta: A

Q28
Termologia — Termodinâmica — Ciclo Misto (Diagrama P-V)

O ar contido no interior de um arranjo cilindro-pistão é considerado um gás ideal, e executa o ciclo descrito pelos processos reversíveis 1-2-3-4-5-1 em sistema fechado, conforme diagrama P × V (pressão-volume) mostrado abaixo.

Diagrama P-V do ciclo 1-2-3-4-5-1: 1-2 adiabático, 2-3 isovolumétrico, 3-4 isobárico, 4-5 adiabático, 5-1 isovolumétrico

Se m é a massa de ar contida no interior do cilindro e $c_p$ e $c_v$ são, respectivamente, os calores específicos a pressão e a volume constante durante todo o ciclo, analise as afirmativas abaixo.

I. A eficiência termodinâmica (η) dessa máquina térmica é $\eta=1-\dfrac{T_L}{T_H}$, em que $T_L$ é a temperatura mais baixa do ciclo e $T_H$ é a temperatura mais elevada.

II. O calor rejeitado pelo ar ocorre no processo 5-1, e o calor total recebido pelo sistema ocorre nos processos 2-3 e 3-4.

III. A variação de energia interna do ar no processo 3-4 é dada por $mc_p(T_4-T_3)$, em que $T_4$ é a temperatura no estado 4 e $T_3$ é a temperatura no estado 3.

IV. O processo 4-5 é de expansão e o processo 1-2 é de compressão.

Assinale a opção correta:

A)Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
B)Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
C)Apenas as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
D)Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras.
E)Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

D
Resolução

Um ciclo com cinco processos reversíveis em ar tratado como gás ideal: 1-2 adiabático, 2-3 isovolumétrico, 3-4 isobárico, 4-5 adiabático e 5-1 isovolumétrico. São quatro afirmativas, e é preciso dizer quais são verdadeiras. Os dados sobre massa e calores específicos servem para julgar a afirmativa III.

Vamos por partes, afirmativa por afirmativa, usando a primeira lei e o significado de cada processo. Em adiabática não há troca de calor. Em isovolumétrica, o trabalho é nulo e o calor vira variação de energia interna. E a fórmula de rendimento $1-T_L/T_H$ só vale para um ciclo que troca calor exclusivamente em duas isotermas, o ciclo de Carnot.

Afirmativa I: falsa. Este ciclo troca calor em processos a volume constante e a pressão constante, e não em isotermas, então o rendimento é menor que o de Carnot entre as mesmas temperaturas extremas. Afirmativa II: verdadeira. A pressão sobe em 2-3 a volume fixo e o volume cresce em 3-4 a pressão fixa, ambos com aumento de temperatura, portanto com entrada de calor; em 5-1 a pressão cai a volume fixo, então o gás cede calor. Afirmativa III: falsa. Para gás ideal, $\Delta U=mc_v\Delta T$ em qualquer processo, inclusive o isobárico; o $c_p$ aparece no calor trocado, e não na energia interna: \[Q_{3\text{-}4}=mc_p(T_4-T_3),\qquad \Delta U_{3\text{-}4}=mc_v(T_4-T_3)\] Afirmativa IV: verdadeira. Em 4-5 o volume aumenta (expansão) e em 1-2 o volume diminui (compressão).

São verdadeiras apenas II e IV. Para fechar com segurança: como $c_p\gt c_v$, o calor no isobárico é maior que a variação de energia interna, e a diferença é o trabalho de expansão, o que confirma que III não pode estar certa.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é confundir adiabática com isotérmica. Numa adiabática não há calor, mas a temperatura muda, porque o trabalho altera a energia interna; numa isoterma, a temperatura não muda e há calor. Quem lê o diagrama apressado pode pensar que os trechos curvos 1-2 e 4-5 são isotermas e cair na fórmula de Carnot. Outra fonte de erro é usar $c_p$ para calcular $\Delta U$ só porque o processo é isobárico. Antes de julgar, escreva ao lado de cada trecho o tipo de processo e o que ele diz sobre calor, trabalho e energia interna.

Alternativa correta: D

Q29
Eletromagnetismo — Força Magnética — Motor Elétrico e Rendimento

Em uma praça de máquinas de um navio mercante, uma bateria de tensão constante igual a 120 V alimenta o circuito responsável pelo acionamento de uma bomba centrífuga acoplada a um motor elétrico. O motor elétrico é representado por uma resistência $R_m=5\,\Omega$. É necessário que o eixo do motor gire a uma rotação angular ω para acionar a bomba. O motor tem rendimento de 80% e fornece uma potência mecânica relacionada ao torque τ e à rotação angular ω dada por $P_m=\tau\omega$. Sabendo que o torque exigido é constante e igual a $2{,}0\,N\cdot m$, determine a rotação angular ω do eixo do motor em rad/s.

A)1440
B)1324
C)1267
D)1198
E)1152

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

Uma bateria de 120 V alimenta um motor elétrico representado por uma resistência de $5\,\Omega$. O motor tem rendimento de 80% e o torque exigido no eixo é constante, de $2{,}0\text{ N}\cdot\text{m}$. Pede-se a velocidade angular do eixo. O que importa é separar a potência que a bateria entrega da potência mecânica útil que chega ao eixo.

A potência elétrica consumida pelo circuito é calculada a partir da tensão e da resistência dadas. Só uma fração dela, o rendimento, vira potência mecânica útil. E a potência mecânica de um eixo que gira é o torque vezes a velocidade angular. A cadeia é: potência elétrica, depois potência útil, depois velocidade angular.

A potência fornecida ao motor é \[P_{el}=\dfrac{U^2}{R_m}=\dfrac{120^2}{5}=2880\text{ W}\] Com rendimento de 80%, a potência mecânica útil é \[P_m=0{,}8\cdot2880=2304\text{ W}\] Como $P_m=\tau\omega$, \[\omega=\dfrac{P_m}{\tau}=\dfrac{2304}{2{,}0}=1152\text{ rad/s}\]

Resulta $\omega=1152\text{ rad/s}$. Teste de sanidade de unidades: watt dividido por newton-metro dá radiano por segundo, que é a unidade pedida. Em rotações, $1152\text{ rad/s}$ correspondem a cerca de 11 mil rpm, um valor alto, mas coerente com uma bomba acionada por motor pequeno e com torque baixo.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tratar a potência elétrica total como se fosse a potência útil, igualando $P=Vi$ a $\tau\omega$. Assim você obtém $\omega=2880/2=1440\text{ rad/s}$, que é justamente a alternativa A, colocada ali para pegar quem esquece o rendimento. O rendimento diz quanto da potência que entra vira trabalho no eixo; a parte restante é perdida. Sempre que aparecer rendimento, pergunte-se: a potência que estou usando é a de entrada ou a de saída? A relação com o torque só vale para a de saída.

Alternativa correta: E

Q30
Mecânica — Estática — Atrito em Plano Inclinado (Intervalo de Equilíbrio)

O coeficiente de atrito estático entre o bloco de massa $m_A$ e a superfície do plano inclinado é $\sqrt3/4$. Para qual intervalo de valores da razão $m_B/m_A$ o sistema fica em equilíbrio?

Bloco mA sobre plano inclinado de 30°, ligado por corda e roldana a massa mB suspensa
A)$\left(0,\dfrac34\right]$
B)$\left[\dfrac{\sqrt3}{4},\dfrac34\right]$
C)$\left[\dfrac18,\dfrac38\right]$
D)$\left[\dfrac18,\dfrac{\sqrt3}{8}\right]$
E)$\left[\dfrac18,\dfrac78\right]$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

O bloco A está num plano inclinado de $30^\circ$ com atrito estático de coeficiente $\sqrt3/4$, ligado por corda e roldana a um bloco B suspenso. Pede-se o intervalo da razão $m_B/m_A$ em que o sistema permanece em repouso. Repare que se pede um intervalo, e não um valor: o atrito estático pode apontar para cima ou para baixo do plano, e cada sentido define uma extremidade do intervalo.

O bloco A é puxado pela corda com a tração $m_Bg$, para cima do plano, e pela componente do peso, para baixo. Se a tração for pequena, A tende a descer e o atrito age para cima. Se a tração for grande, A tende a subir e o atrito age para baixo. Os dois extremos correspondem ao atrito estático máximo, $\mu N$. Entre eles, o atrito se ajusta e o sistema fica em equilíbrio.

A componente do peso ao longo do plano é $m_Ag\,\text{sen}\,30^\circ=\tfrac12m_Ag$. O atrito máximo é \[f_{max}=\mu\,m_Ag\cos30^\circ=\dfrac{\sqrt3}{4}\cdot\dfrac{\sqrt3}{2}\,m_Ag=\dfrac38\,m_Ag\] Limite inferior (A quase descendo, atrito para cima): \[m_Bg=\dfrac12m_Ag-\dfrac38m_Ag \implies \dfrac{m_B}{m_A}=\dfrac18\] Limite superior (A quase subindo, atrito para baixo): \[m_Bg=\dfrac12m_Ag+\dfrac38m_Ag \implies \dfrac{m_B}{m_A}=\dfrac78\]

O intervalo é $\left[\tfrac18,\tfrac78\right]$. Vale um teste de bom senso: sem atrito haveria um único valor de equilíbrio, $m_B/m_A=1/2$, e o intervalo obtido é simétrico em torno dele, com metade de largura igual a $f_{max}/(m_Ag)=3/8$. Os extremos são fechados porque, no limite, o atrito estático ainda consegue segurar.

Cuidado, armadilha! O erro típico é considerar só um sentido de tendência ao movimento e, com isso, achar apenas uma das extremidades (ou pior, um valor único). Como o atrito estático se opõe à tendência de movimento, e essa tendência muda conforme $m_B$ cresce, é preciso fazer duas contas, uma com o atrito para cada lado. Outro deslize é usar $\mu\,m_Ag$ como atrito máximo, esquecendo o $\cos30^\circ$ da normal em plano inclinado. Sempre desenhe as forças nos dois casos e só então escreva as equações.

Alternativa correta: E

Q31
Mecânica — Hidrostática — Flutuação de Sólido Composto

Um cubo maciço é fixado no ponto A da esfera maciça de raio r da figura. Ambos possuem distribuição homogênea de massa. O sistema flutua em equilíbrio em um fluido de densidade $\rho_1$, ficando exposto à atmosfera apenas o volume da calota esférica determinada pelo ângulo $\alpha=C\hat{B}D=120^\circ$.

Esfera com cubo fixado no polo A; calota esférica delimitada pelos pontos C e D com ângulo alfa no centro B

Em seguida, o conjunto é rotacionado de 180° em torno do eixo y e é colocado em equilíbrio em outro fluido de densidade $\rho_2$, situação na qual o cubo e a mesma calota esférica de ângulo α ficam, agora, submersos.

Marque a opção que corresponde à razão $\rho_2/\rho_1$, sabendo que a razão entre o volume do cubo e o volume da esfera é 1/8, e que o volume do setor esférico BCAD é $\tfrac43\pi r^3\,\text{sen}^2(\alpha/4)$.

A)1/3
B)1
C)3
D)9
E)27

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

C
Resolução

Um cubo é fixado no ponto A de uma esfera maciça de raio r, e o conjunto é homogêneo. No primeiro fluido, de densidade $\rho_1$, fica exposta apenas a calota de ângulo $\alpha=120^\circ$, junto com o cubo preso em A, acima do líquido. Depois de girar 180°, no fluido $\rho_2$, o cubo e a mesma calota ficam submersos. A razão entre os volumes do cubo e da esfera é 1/8. Pede-se $\rho_2/\rho_1$.

O peso do conjunto é o mesmo nas duas situações, e em cada uma há equilíbrio entre peso e empuxo. O empuxo é a densidade do fluido vezes g vezes o volume submerso. Igualando os dois empuxos, a razão das densidades é o inverso da razão dos volumes submersos. O trabalho todo se reduz, então, a calcular esses dois volumes com a fórmula do setor esférico que o enunciado dá.

Para $\alpha=120^\circ$, o setor esférico vale $V_{set}=\tfrac43\pi r^3\,\text{sen}^2 30^\circ=\tfrac13\pi r^3$. Dele descontamos o cone de raio $r\,\text{sen}60^\circ$ e altura $r\cos60^\circ$, cujo volume é $\tfrac18\pi r^3$, para ficar só com a calota: \[V_{cal}=\dfrac13\pi r^3-\dfrac18\pi r^3=\dfrac{5}{24}\pi r^3\] A esfera vale $\tfrac{32}{24}\pi r^3$ e o cubo, um oitavo disso, $\tfrac{4}{24}\pi r^3$. Na primeira situação, está submersa a esfera menos a calota, e na segunda, o cubo mais a calota: \[V_1=\dfrac{32-5}{24}\pi r^3=\dfrac{27}{24}\pi r^3,\qquad V_2=\dfrac{4+5}{24}\pi r^3=\dfrac{9}{24}\pi r^3\] \[\rho_1V_1=\rho_2V_2 \implies \dfrac{\rho_2}{\rho_1}=\dfrac{27}{9}=3\]

A razão é 3. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o volume submerso caiu para um terço do original, e para o empuxo se manter igual, o segundo fluido precisa ser três vezes mais denso. O sentido está certo, pois menos volume submerso exige fluido mais denso.

Cuidado, armadilha! Aqui o erro é esquecer de decidir quais partes estão dentro do líquido em cada posição, e com isso incluir o cubo onde não deve ou esquecer a calota na segunda situação. Note que, quando o conjunto gira, a parte submersa muda de forma, e o centro de empuxo muda de lugar junto com ela. Para esta questão, que só pede a razão das densidades, o centro de empuxo não entra na conta, mas ele é decisivo se a pergunta fosse sobre estabilidade da flutuação. Faça sempre uma lista do que está submerso em cada caso, com o volume de cada peça, antes de igualar peso e empuxo.

Alternativa correta: C

Q32
Ondulatória — MHS — Sistema de Molas Simétrico

Quatro partículas de massa m estão em repouso nos vértices de um quadrado de lado L e são conectadas por molas de constante elástica k e de comprimento natural L.

Quatro partículas nos vértices de um quadrado, conectadas por molas ao longo dos quatro lados

As partículas são simultaneamente arremessadas em direção ao centro do quadrado com a mesma velocidade. Supondo que as partículas não colidam entre si, quanto valerá a frequência angular de oscilação do sistema?

A)$2\sqrt{k/m}$
B)$4\sqrt{k/m}$
C)$\sqrt{2k/m}$
D)$\sqrt{k/2m}$
E)$\tfrac12\sqrt{2k/m}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

C
Resolução

Quatro partículas iguais, de massa m, ficam nos vértices de um quadrado de lado L e são ligadas por molas de constante k e comprimento natural L ao longo dos lados. Elas são lançadas juntas em direção ao centro com a mesma velocidade. Pede-se a frequência angular da oscilação. Como a situação é simétrica, o quadrado permanece um quadrado, só muda de tamanho.

A simetria reduz o problema a uma partícula só, que se move ao longo da diagonal, para dentro e para fora. Basta escrever a força resultante sobre ela em função do deslocamento $x$ na diagonal. Se a força for proporcional a $-x$, é um MHS, e a frequência sai da comparação com $m\ddot{x}=-Kx$. O cuidado é fazer a geometria certa: a mola está ao longo do lado, e o deslocamento é ao longo da diagonal.

Cada partícula anda $x$ em direção ao centro. A projeção desse deslocamento sobre a direção de um lado é $x/\sqrt2$, e as duas extremidades da mola se aproximam, então cada mola é comprimida de \[\Delta\ell=2\cdot\dfrac{x}{\sqrt2}=\sqrt2\,x\] Cada mola exerce força de módulo $k\sqrt2\,x$, e cada partícula é presa a duas molas, perpendiculares entre si e a $45^\circ$ da diagonal. A resultante na direção da diagonal é \[F=\sqrt2\,(k\sqrt2\,x)=2kx \implies m\ddot{x}=-2kx\] \[\omega^2=\dfrac{2k}{m} \implies \omega=\sqrt{\dfrac{2k}{m}}\]

A frequência angular é $\sqrt{2k/m}$. Só para conferir: para $k\to0$ não há força restauradora e $\omega\to0$, como deve ser, e a constante efetiva $2k$ é maior que a de uma mola isolada, o que faz sentido, já que duas molas puxam a mesma partícula.

Cuidado, armadilha! O erro típico é errar a contribuição das molas: usar a compressão como sendo $x$ (em vez de $\sqrt2\,x$), ou esquecer que cada partícula está ligada a duas molas, ou somar as duas forças como se fossem colineares, sem projetar na diagonal. Cada um desses erros muda o fator numérico e leva a outra alternativa, como $2\sqrt{k/m}$ ou $\sqrt{k/2m}$. Para evitar, desenhe uma partícula, marque as duas molas e o deslocamento, e projete tudo na mesma direção antes de escrever a equação de movimento.

Alternativa correta: C

Q33
Mecânica — Gravitação — Sistema Binário (Centro de Massa)

Duas estrelas de massas $M_1$ e $M_2$ se movem apenas devido à atração gravitacional mútua, e descrevem órbitas circulares em torno do centro de massa do sistema. A distância entre elas vale D. Se G é a constante da gravitação universal, o módulo da quantidade de movimento de cada estrela para um observador no referencial do centro de massa vale:

A)$\sqrt{\dfrac{G(M_1+M_2)^3}{D}}$
B)$\sqrt{\dfrac{G}{D(M_1+M_2)}}\,M_1M_2$
C)$\sqrt{\dfrac{GM_1M_2(M_1+M_2)}{D}}$
D)$\sqrt{\dfrac{GM_1M_2}{D(M_1+M_2)}\left(M_1^2+M_2^2\right)}$
E)$\sqrt{\dfrac{GM_1M_2}{D}\left(\dfrac{M_1^2}{M_2}+\dfrac{M_2^2}{M_1}\right)}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

Duas estrelas, de massas $M_1$ e $M_2$, giram em órbitas circulares em torno do centro de massa, separadas por uma distância D e presas apenas à atração mútua. Pede-se o módulo da quantidade de movimento de cada uma, no referencial do centro de massa. Repare que se quer o momento linear, $M\cdot v$, e não a velocidade nem a energia.

As duas estrelas giram com a mesma velocidade angular, porque estão sempre alinhadas com o centro de massa. Cada uma percorre uma circunferência de raio diferente, e a soma dos raios é D. A gravidade fornece a força centrípeta de cada uma. Achando $\omega$ e o raio, obtemos $v=\omega r$ e, daí, o momento. Como o momento total no referencial do centro de massa é nulo, as duas estrelas têm momentos de mesmo módulo.

Pela definição de centro de massa, $M_1r_1=M_2r_2$ e $r_1+r_2=D$, então \[r_1=\dfrac{M_2}{M_1+M_2}\,D\] Para a estrela 1, a força gravitacional é a resultante centrípeta: \[\dfrac{GM_1M_2}{D^2}=M_1\omega^2r_1=M_1\omega^2\dfrac{M_2D}{M_1+M_2} \implies \omega^2=\dfrac{G(M_1+M_2)}{D^3}\] \[p=M_1\omega r_1=M_1\sqrt{\dfrac{G(M_1+M_2)}{D^3}}\cdot\dfrac{M_2D}{M_1+M_2}=M_1M_2\sqrt{\dfrac{G}{D(M_1+M_2)}}\]

O resultado é $p=M_1M_2\sqrt{\dfrac{G}{D(M_1+M_2)}}$. Uma checagem rápida: a expressão é simétrica em $M_1$ e $M_2$, como deve ser, já que as duas estrelas têm o mesmo módulo de momento. Se $M_2\gg M_1$, a estrela pesada fica quase parada e $p\approx M_1\sqrt{GM_2/D}$, que é a velocidade orbital circular de $M_1$ em torno de $M_2$ multiplicada por $M_1$.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar D como raio da órbita de uma das estrelas, escrevendo a força centrípeta como $M_1v^2/D$. Isso só vale se a outra estrela estiver parada, o que não é o caso. O raio da órbita de cada estrela é a distância dela ao centro de massa, e não a distância entre as duas. Note que a distância D entra na lei da gravitação, mas o raio circular entra na força centrípeta. Separar esses dois papéis é o coração da questão.

Alternativa correta: B

Q34
Termologia — Calorimetria — Calorimetria com Volume Composto

Uma banheira contém água fria e um brinquedo esférico de raio r, ambos à temperatura $T_f$. Uma mãe cuidadosa que prepara o banho de seu filho deseja ajustar a temperatura da água para um valor desejado $T_d$. Para fazê-lo, acrescenta água quente à temperatura $T_q$ à banheira. Os calores específicos e as densidades da água e do brinquedo são, respectivamente, $c_A$ e $c_B$, e $\rho_A$ e $\rho_B$.

Banheira formada por um paralelepípedo de dimensões L, h, D com uma extremidade em semicilindro de altura h e diâmetro D; brinquedo esférico no interior

Determine o volume $V_q$ da água quente que deve ser acrescentada ao sistema de modo que, após atingido equilíbrio térmico, a banheira esteja completamente cheia. Desconsidere perdas de energia via calor para o ambiente e suponha que a capacidade térmica da banheira é desprezível. A banheira é formada por dois sólidos: (i) um paralelepípedo de dimensões L, h e D; e (ii) um semicilindro de altura h e diâmetro D, conforme mostrado na figura.

A)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{32\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right]$
B)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(4L+\pi D)}{16\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right]$
C)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{32\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}\right]$
D)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(4L+\pi D)}{16\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}\right]$
E)$\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{16\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}\right]$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

Uma banheira, formada por um paralelepípedo de dimensões L, h, D mais um semicilindro de altura h e diâmetro D, contém água fria e um brinquedo esférico de raio r, todos a $T_f$. Adiciona-se água quente a $T_q$ até a banheira ficar completamente cheia, com temperatura final $T_d$. Pede-se o volume $V_q$ de água quente. Os dados importantes são os volumes envolvidos, e a capacidade térmica da banheira é desprezada.

Usamos o equilíbrio térmico, sem perdas: o calor cedido pela água quente é recebido pela água fria e pelo brinquedo. O ponto sutil está no volume de água fria. Como a banheira termina cheia e o brinquedo ocupa espaço, a água fria inicial é o volume da banheira menos o brinquedo menos a água quente que será adicionada.

O volume da banheira é o do paralelepípedo mais o do semicilindro: \[V_{ban}=LhD+\dfrac12\pi\left(\dfrac D2\right)^2h=\dfrac{hD(8L+\pi D)}{8}\] O brinquedo tem $V_B=\tfrac43\pi r^3$ e a água fria inicial é $V_f=V_{ban}-V_B-V_q$. O balanço de calor fica \[\rho_Ac_AV_q(T_q-T_d)=\left(\rho_Ac_AV_f+\rho_Bc_BV_B\right)(T_d-T_f)\] Substituindo $V_f$ e agrupando os termos com $V_q$ (note que $T_q-T_d+T_d-T_f=T_q-T_f$): \[V_q=\dfrac{T_d-T_f}{T_q-T_f}\left[V_{ban}+V_B\left(\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right)\right]\] Colocando $V_B=\tfrac43\pi r^3$ em evidência, $V_{ban}/V_B=\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{32\pi r^3}$, o que fornece a expressão da alternativa.

O resultado é \[V_q=\dfrac{4\pi r^3(T_d-T_f)}{3(T_q-T_f)}\left[\dfrac{3hD(8L+\pi D)}{32\pi r^3}+\dfrac{\rho_Bc_B}{\rho_Ac_A}-1\right]\] essa configuração. Para fechar com segurança: sem brinquedo ($r\to0$ no termo em evidência), sobra $V_q=V_{ban}\dfrac{T_d-T_f}{T_q-T_f}$, a proporção clássica de mistura. Se $T_d=T_f$, não se adiciona água quente, e $V_q=0$. Ambos os limites conferem.

Cuidado, armadilha! O erro típico é ignorar o volume do brinquedo na mistura, tomando a água fria como o volume total da banheira menos a água quente. O brinquedo ocupa lugar da água, e além disso absorve calor, com sua própria capacidade térmica por unidade de volume. Por isso aparece o termo $\rho_Bc_B/\rho_Ac_A$ e, junto dele, o $-1$, que corrige o volume deslocado. Se sua resposta ficou sem o $-1$, você contou a água fria como se o brinquedo não a tivesse deslocado.

Alternativa correta: A

Q35
Ondulatória — Acústica — Fontes Circulares

Duas fontes sonoras pontuais se movem em trajetórias circulares concêntricas de raios $R_1$ e $R_2$, com $R_2>R_1$, e emitem ondas com potência constante e de mesma frequência. Suas velocidades angulares constantes valem $\omega_1$ e $\omega_2$, com $\omega_2=1{,}01\,\omega_1$. Um observador no centro das circunferências percebe:

A)um som de volume oscilante com frequência de batimentos proporcional a $\dfrac{\omega_1+\omega_2}{2}$.
B)um som de volume oscilante com frequência de batimentos proporcional a $\dfrac{|\omega_1-\omega_2|}{2}$.
C)um som de volume oscilante, cuja frequência depende da relação entre $R_1,R_2,\omega_1$ e $\omega_2$.
D)um som com intensidade sonora constante e frequência igual à das fontes.
E)um som com intensidade sonora constante e frequência que pode ser maior ou menor do que a frequência das fontes.

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

D
Resolução

Duas fontes sonoras pontuais, de mesma frequência e potência constante, giram em circunferências concêntricas de raios $R_1\lt R_2$, com $\omega_2=1{,}01\,\omega_1$. O observador está no centro. Pede-se o que ele percebe. Os números de $\omega$ e a diferença entre os raios são distrações tentadoras, feitas para lembrar batimento e efeito Doppler.

Duas perguntas resolvem tudo. Primeira: há efeito Doppler? O efeito depende da componente da velocidade da fonte ao longo da linha que a liga ao observador. Segunda: a intensidade varia no tempo? Ela depende da potência e da distância. Se as duas respostas forem negativas, não há nem mudança de frequência nem oscilação de volume.

Aqui a discussão é conceitual, então vamos analisar cada ponto. A velocidade de cada fonte é tangente à circunferência, e a linha fonte-observador é radial; as duas direções são perpendiculares, então a componente radial da velocidade é nula e a frequência ouvida é a própria frequência emitida, sem Doppler. A distância de cada fonte ao centro é constante e igual ao seu raio, e com potência constante, a intensidade recebida de cada uma é fixa: \[I_i=\dfrac{P_i}{4\pi R_i^2}=\text{constante}\] Sem variação de frequência entre as fontes, não há batimento; e sem variação de distância, não há oscilação de intensidade. As duas fontes emitem a mesma frequência, então o efeito combinado é um som contínuo de intensidade constante.

O observador percebe um som de intensidade constante e frequência igual à das fontes. Vale um teste de bom senso: se uma das fontes se afastasse ou se aproximasse do centro, aí sim haveria Doppler, e as alternativas A, B, C e E deixariam de ser absurdas. O movimento circular em torno do observador é o caso especial em que nada disso acontece.

Cuidado, armadilha! O erro típico é confundir batimento com Doppler. Batimento exige frequências diferentes chegando ao ouvido; Doppler exige velocidade relativa na direção da linha de visada. Como $\omega_2$ é ligeiramente maior que $\omega_1$, muita gente conclui que há um batimento de frequência proporcional à diferença de velocidades angulares, mas a velocidade angular, por si só, não muda a frequência ouvida no centro. Antes de calcular, pergunte: em que direção a fonte está se movendo em relação à linha que a liga a mim?

Alternativa correta: D

Q36
Mecânica — Cinemática — Movimento em Três Trechos (Remo)

A análise cinemática de barcos em uma competição a remo pode ser realizada tratando-os como partículas que partem do repouso e se deslocam sobre a água em linha reta. Sabe-se que os alunos da EFOMM utilizam a estratégia de acelerar uniformemente o barco até atingir 54 km/h nos 10 s iniciais da competição; em seguida, manter a velocidade constante até atingir 3/4 da distância total do trajeto, instante em que passam a acelerar uniformemente até o final do trajeto, atingindo a velocidade final de 72 km/h. Sabendo que a velocidade média do barco é de 15 m/s, marque a opção que corresponde à distância total percorrida pelo barco.

A)2100 m
B)2200 m
C)2300 m
D)2400 m
E)2500 m

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

A
Resolução

Um barco parte do repouso e acelera uniformemente até 54 km/h em 10 s. Depois mantém a velocidade constante até completar 3/4 do trajeto e, no último quarto, acelera uniformemente até 72 km/h. A velocidade média em toda a prova é 15 m/s. Pede-se a distância total. Repare que o dado da velocidade média é a chave: ele liga a distância ao tempo total.

Divide-se a prova em três trechos, calcula-se o tempo de cada um em função da distância total S e soma-se. Depois, usamos que o tempo total é $S$ dividido pela velocidade média. Em movimento uniformemente variado, a velocidade média do trecho é a média aritmética das velocidades inicial e final, o que dispensa a aceleração.

Primeiro, as unidades: $54\text{ km/h}=15\text{ m/s}$ e $72\text{ km/h}=20\text{ m/s}$. No trecho 1, $d_1=\tfrac{0+15}{2}\cdot10=75\text{ m}$. No trecho 2, o barco anda $\tfrac{3S}{4}-75$ a 15 m/s: \[t_2=\dfrac{3S/4-75}{15}=\dfrac{S}{20}-5\] No trecho 3, o barco percorre $S/4$ com velocidade média $\tfrac{15+20}{2}=17{,}5\text{ m/s}$: \[t_3=\dfrac{S/4}{17{,}5}=\dfrac{S}{70}\] O tempo total é $T=10+\dfrac{S}{20}-5+\dfrac{S}{70}=5+\dfrac{9S}{140}$. Impondo $T=S/15$: \[\dfrac{S}{15}=5+\dfrac{9S}{140} \implies S\left(\dfrac{1}{15}-\dfrac{9}{140}\right)=5 \implies S=2100\text{ m}\]

A distância total é 2100 m. Olhe o resultado com desconfiança saudável: o tempo total vale $2100/15=140\text{ s}$. Com $T=5+9\cdot2100/140=140\text{ s}$, a conta fecha. A velocidade média de 15 m/s também é plausível, já que a maior parte da prova é feita justamente a 15 m/s.

Cuidado, armadilha! O erro típico é misturar unidades, como usar 54 km/h em uma conta que tem metros e segundos, e obter números absurdos. Converta tudo para m/s antes de começar. Outro deslize é esquecer que os primeiros 75 m do trecho 1 fazem parte dos 3/4 do trajeto: o trecho de velocidade constante termina quando a distância acumulada chega a $3S/4$, e não $3S/4$ depois do trecho 1. Por fim, não tire a média das três velocidades para achar a velocidade média da prova; ela é distância total sobre tempo total.

Alternativa correta: A

Q37
Mecânica — Estática — Chave de Roda como Torniquete

Uma aluna da EFOMM utiliza uma chave de roda de massa desprezível, composta por duas barras cilíndricas entrecruzadas, e uma corda ideal para criar uma alavanca e puxar um carro quebrado. A corda é amarrada na árvore, passa pela parte inferior da barra horizontal, é enrolada algumas vezes entre as duas barras, sai pela parte superior da barra horizontal, e é presa ao carro. A chave é girada com velocidade angular constante de 3 rad/s e vai sendo enrolada na porção da corda que vai para a árvore, ao mesmo tempo em que puxa a outra porção da corda, que também se enrola sobre ela, e reboca o carro. O diâmetro das barras vale 2 cm, a distância entre o centro da barra horizontal e a extremidade superior da barra vertical vale 50 cm e não há deslizamento entre a corda e a chave de roda.

Visão geral: corda amarrada em uma árvore, passando pela chave de roda em formato de cruz, até o carro quebrado

No instante representado, exibindo uma vista lateral da chave de roda, a força que gira a barra é paralela à corda, vai em direção à árvore e está sendo aplicada na extremidade superior da barra vertical. A corda está na horizontal.

Vista lateral esquemática da chave de roda: barra vertical com força aplicada no topo, barra horizontal com a corda entrando à esquerda (árvore) e saindo à direita (carro)

Como a massa da barra é desprezível, a soma das forças e dos torques que agem sobre ela é nula. Se a tensão na porção da corda que se prende à árvore vale 2940 N, a potência que a força externa transmite para o carro vale:

A)88,2 W
B)91,8 W
C)180,0 W
D)176,4 W
E)183,6 W

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

E
Resolução

Uma chave de roda de massa desprezível, feita de duas barras cruzadas, enrola uma corda presa à árvore e ao carro. Ela gira a 3 rad/s. As barras têm 2 cm de diâmetro, a força externa é aplicada a 50 cm do centro, e a tensão do lado da árvore é 2940 N. Pede-se a potência que a força externa transmite ao carro. Os dados que pesam são as tensões e a velocidade com que a corda do lado do carro é recolhida.

A chave tem massa desprezível e gira com $\omega$ constante, então a resultante de forças e a resultante de torques sobre ela são nulas. Isso dá duas equações para as três incógnitas $T_2$, $F$ e a tensão dada $T_1$. A potência transmitida ao carro é a tensão do lado dele vezes a velocidade do carro. A alavanca do braço de 50 cm contra o raio de 1 cm é o que multiplica a força.

Com $r=0{,}01\text{ m}$ e $R=0{,}50\text{ m}$, o equilíbrio de forças na horizontal dá $T_2=T_1+F$, e o de torques em relação ao centro dá $FR=r(T_1+T_2)$. Substituindo $F=T_2-T_1$: \[R(T_2-T_1)=r(T_1+T_2) \implies T_2=T_1\,\dfrac{R+r}{R-r}=2940\cdot\dfrac{0{,}51}{0{,}49}=3060\text{ N}\] Sem deslizamento, o lado da árvore faz o centro da chave avançar com velocidade $\omega r$. O lado do carro é recolhido com mais $\omega r$ em relação à chave, então o carro anda \[v_{carro}=2\omega r=2\cdot3\cdot0{,}01=0{,}06\text{ m/s}\] \[P=T_2\,v_{carro}=3060\cdot0{,}06=183{,}6\text{ W}\]

A potência é 183,6 W. Teste de sanidade pela energia: a força externa vale $F=T_2-T_1=120\text{ N}$. O ponto onde ela age se move com $\omega R=1{,}5\text{ m/s}$ em relação ao centro da chave, mais $0{,}03\text{ m/s}$ do avanço do próprio centro, totalizando $1{,}53\text{ m/s}$. A potência de entrada é $120\cdot1{,}53=183{,}6\text{ W}$, igual à que chega ao carro, como manda a conservação da energia para uma chave sem massa e sem atrito.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar o torque sem considerar a razão entre os braços, ou seja, tratar as duas tensões como iguais, ou calcular $T_2$ só com $FR=rT_2$. Repare que a chave é puxada pelas duas cordas, e ambas geram torque no mesmo sentido, por isso aparece a soma $T_1+T_2$. Outro cuidado é a velocidade do carro: ela não é $\omega r$, e sim o dobro, porque o centro da chave anda e a corda ainda é recolhida em relação a ele. Se você usar $\omega r$, chega a 91,8 W, a alternativa B.

Alternativa correta: E

Q38
Mecânica — Cinemática — Efeito Estroboscópico (Roda de Carro)

Um observador parado em um ponto de ônibus vê um veículo se movimentar em um sentido na via, porém tem a sensação de que sua roda gira em sentido contrário ao do movimento. Este fenômeno deve-se ao fato de que a visão humana atualiza a imagem captada em intervalos de tempo discretos de aproximadamente 1/20 s em vez de perceber um movimento contínuo ao longo do tempo. O observador, ao voltar sua atenção a um ponto da superfície externa do pneu, o percebe em uma nova posição angular após um intervalo de tempo de 1/20 s, como se houvesse realizado um deslocamento de π/9 rad no sentido contrário ao real. O raio do pneu externo é de 18 cm e o veículo está em movimento retilíneo uniforme dentro do limite de velocidade $v_{máx}=108\,\text{km/h}$ da via. Utilize π=3 e marque a opção que corresponde à velocidade do veículo.

A)14,64 km/h
B)25,24 km/h
C)54,00 km/h
D)73,44 km/h
E)92,50 km/h

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

D
Resolução

Uma roda de raio 18 cm parece girar ao contrário porque a visão atualiza a imagem a cada $1/20\text{ s}$. Nesse intervalo, um ponto do pneu parece ter girado $\pi/9$ no sentido oposto ao real. Usa-se $\pi=3$, e a velocidade do veículo não passa de 108 km/h. O importante é que a roda real pode ter dado voltas inteiras entre duas imagens, sem que a visão perceba.

O olho só percebe o ângulo residual, módulo uma volta completa. Se a imagem mostra o ponto recuado de $\pi/9$, a roda real girou um número inteiro de voltas, menos $\pi/9$. Assim, o deslocamento angular real é $2\pi n-\pi/9$, com n inteiro positivo. A velocidade linear do veículo vem de $v=\omega R$, porque o pneu rola sem deslizar. O limite de 108 km/h escolhe qual n serve.

A velocidade angular é o deslocamento dividido pelo intervalo, com $\pi=3$: \[\omega=\dfrac{2\pi n-\pi/9}{1/20}=20\left(6n-\dfrac13\right)=120n-\dfrac{20}{3}\text{ rad/s}\] Para $n=1$, $\omega=\dfrac{340}{3}\text{ rad/s}$, e \[v=\omega R=\dfrac{340}{3}\cdot0{,}18=20{,}4\text{ m/s}=20{,}4\cdot3{,}6=73{,}44\text{ km/h}\] Para $n=2$, $\omega=233{,}3\text{ rad/s}$ e $v\approx42\text{ m/s}\approx151\text{ km/h}$, acima do limite de 108 km/h. Logo, só $n=1$ é possível.

A velocidade é 73,44 km/h. Só para conferir: $73{,}44\text{ km/h}$ está abaixo de 108 km/h, e a roda dá cerca de $\omega/2\pi\approx19$ voltas por segundo, ou seja, uma volta a cada $0{,}05\text{ s}$, aproximadamente o intervalo de atualização de $1/20\text{ s}$. É por isso que a imagem parece quase parada, recuando só um pouco.

Cuidado, armadilha! O erro típico é ignorar que a roda avança fração de volta por intervalo e, na verdade, dá voltas completas, e então tomar o deslocamento aparente $\pi/9$ como se fosse o real. Nesse caso, a velocidade sairia baixíssima, em torno de 4 km/h, e nem apareceria nas alternativas. Outro erro é esquecer o sinal: como o giro aparente é contrário, subtrai-se $\pi/9$ da volta completa, em vez de somar. E o limite de 108 km/h é o que elimina as soluções com n maior, então não deixe de aplicá-lo.

Alternativa correta: D

Q39
Eletricidade — Eletrostática — Carga Subindo Rampa

Um condutor esférico de raio desprezível, carregado positivamente com carga Q, está fixado ao solo horizontal em um ponto O, sendo considerado uma carga puntiforme. Uma carga de prova $q>0$, de massa m, é inicialmente colocada em repouso no ponto A do solo, localizado a uma distância d do ponto O. A partir do ponto A, inicia-se uma rampa retilínea cujo menor ângulo com a horizontal vale θ. Seja B um ponto da rampa também situado à distância d de A. A carga q é liberada e sobe pela rampa sob a ação da força elétrica repulsiva proveniente de Q e da força gravitacional.

Desprezando qualquer tipo de atrito ou dissipação, determine o módulo da velocidade da carga q ao chegar ao ponto B em função dos dados do problema. Dados: constante eletrostática k, aceleração da gravidade g.

A)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1+\dfrac{1}{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$
B)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}\right)+2gd\,\text{sen}\,\theta}$
C)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1-\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$
D)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1+\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$
E)$v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1+\dfrac{1}{\sqrt{2(1+\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}$

Gabarito comentado Método TEF

D
Resolução

Uma carga fixa Q, praticamente pontual, está em O. Uma carga de prova q, de massa m, parte do repouso em A, a uma distância d de O, e sobe uma rampa que forma o menor ângulo $\theta$ com a horizontal. O ponto B fica na rampa, a uma distância d de A. Sem atrito, pede-se a velocidade em B. O importante é que a distância entre as cargas muda ao longo da rampa, e o enunciado dá dados suficientes para achá-la.

Só forças conservativas realizam trabalho: a elétrica e o peso. Então vale a conservação da energia mecânica, somando energia cinética, potencial gravitacional e potencial elétrica. Falta apenas a geometria: a distância OB. Ela sai do triângulo OAB, do qual conhecemos dois lados e o ângulo entre eles.

Em A, tomando o solo como referência gravitacional, a energia é só elétrica, $E_A=\dfrac{kQq}{d}$. No triângulo OAB, $OA=AB=d$ e o ângulo em A vale $180^\circ-\theta$, então pela lei dos cossenos: \[OB^2=2d^2-2d^2\cos(180^\circ-\theta)=2d^2(1+\cos\theta) \implies OB=d\sqrt{2(1+\cos\theta)}\] A altura em B é $d\,\text{sen}\,\theta$. A conservação da energia dá \[\dfrac{kQq}{d}=\dfrac12mv^2+\dfrac{kQq}{d\sqrt{2(1+\cos\theta)}}+mgd\,\text{sen}\,\theta\] \[v=\sqrt{\dfrac{2kQq}{md}\left(1-\dfrac{1}{\sqrt{2(1+\cos\theta)}}\right)-2gd\,\text{sen}\,\theta}\]

A expressão coincide com a da essa configuração. Uma checagem rápida: como $\sqrt{2(1+\cos\theta)}\ge\sqrt2$ para ângulos pequenos e cresce até 2 quando $\theta\to0$, o termo entre parênteses fica entre 0 e $1-1/2$, positivo, o que indica que a energia elétrica cai da posição A para a B (a carga se afasta de Q). Além disso, para $\theta\to0$ a rampa é o próprio solo, $OB\to2d$, e a fórmula dá $v^2=\dfrac{kQq}{md}$, o resultado de uma repulsão de $d$ para $2d$. Confere.

Cuidado, armadilha! O erro típico é esquecer que a distância ao longo da rampa varia e tratar a energia potencial elétrica final como $kQq/d$ de novo, o que anularia o termo elétrico. Outro deslize é errar o ângulo do triângulo: o ângulo em A é $180^\circ-\theta$, e não $\theta$, e por isso na lei dos cossenos aparece $1+\cos\theta$ (e não $1-\cos\theta$). Essa troca de sinal leva direto às alternativas A, B e C. Desenhe o triângulo OAB, marque o ângulo em A com cuidado e só então aplique a lei dos cossenos.

Alternativa correta: D

Q40
Mecânica — Dinâmica — Barra Articulada Empurrando Bloco

Uma esfera de raio desprezível, considerada uma partícula, está grudada na extremidade de uma barra rígida e articulada, de comprimento L e de massa desprezível, que se encontra na posição vertical. Um bloco está encostado na partícula, e o sistema está inicialmente em repouso. A aceleração da gravidade vale g, e a força que a barra exerce sobre a partícula tem sempre a mesma direção da barra.

Barra articulada na vertical com partícula esférica no topo, encostada em um bloco retangular

O sistema é retirado do equilíbrio por um ínfimo deslocamento angular da partícula para a direita, que é, em seguida, solta para se mover sob ação da gravidade. O bloco passa a ser empurrado para a direita pela partícula, transladando sem girar. No instante em que o contato entre a partícula e o bloco é perdido, a barra faz um ângulo θ com a horizontal. A velocidade do bloco nesse momento vale:

A)$\sqrt{Lg\,\text{sen}\,\theta}$
B)$\sqrt{Lg\,\text{sen}^3\theta}$
C)$\sqrt{Lg\cos\theta}$
D)$\sqrt{Lg\cos(2\theta)}$
E)$\sqrt{Lg\,\text{sen}(2\theta)}$

Gabarito comentado Método TEF (prova sem gabarito oficial divulgado)

B
Resolução

Uma partícula está na ponta de uma barra rígida articulada, de comprimento L e massa desprezível, inicialmente vertical, encostada em um bloco. Um empurrão mínimo faz a partícula cair para a direita e empurrar o bloco, que translada sem girar. Pede-se a velocidade do bloco no instante em que o contato se perde, quando a barra faz o ângulo $\theta$ com a horizontal. Note que não se trata de qualquer instante, mas do instante em que a força normal entre partícula e bloco se anula.

Enquanto há contato, a partícula e o bloco têm a mesma coordenada horizontal. A única força horizontal sobre o bloco é a normal que a partícula exerce, e ela só empurra, nunca puxa. Quando a normal vai a zero, o bloco deixa de ser acelerado e passa a andar com velocidade constante, enquanto a partícula continua acelerando. Portanto, a condição de descolamento é a aceleração horizontal do bloco nula, com o contato ainda válido naquele instante.

Seja $\varphi=90^\circ-\theta$ o ângulo da barra com a vertical. A posição horizontal é $x=L\,\text{sen}\,\varphi$, então \[v=L\cos\varphi\,\dot\varphi,\qquad \ddot{x}=L\left(\cos\varphi\,\ddot\varphi-\text{sen}\,\varphi\,\dot\varphi^2\right)\] No descolamento, $\ddot{x}=0$, e portanto $\ddot\varphi=\tan\varphi\,\dot\varphi^2$. Sem a normal, a partícula só sente o peso e a força da barra, que é radial; na direção tangencial vale $\ddot\varphi=\dfrac gL\,\text{sen}\,\varphi$. Igualando as duas expressões: \[\dfrac gL\,\text{sen}\,\varphi=\tan\varphi\,\dot\varphi^2 \implies \dot\varphi^2=\dfrac gL\cos\varphi\] \[v^2=L^2\cos^2\varphi\,\dot\varphi^2=Lg\cos^3\varphi=Lg\,\text{sen}^3\theta\]

Então $v=\sqrt{Lg\,\text{sen}^3\theta}$, pois $\cos\varphi=\text{sen}\,\theta$. Para fechar com segurança: a unidade é a de velocidade, e como $\text{sen}^3\theta\le1$, a velocidade do bloco fica sempre abaixo de $\sqrt{Lg}$, o que é razoável, já que o bloco só recebe uma parte da energia que a partícula ganha ao descer.

Cuidado, armadilha! O erro típico é ignorar a condição de perda de contato e supor que o bloco acompanha a partícula até o fim, ou aplicar a conservação da energia como se toda a energia da partícula passasse para o bloco. Isso não acontece: depois do descolamento, o bloco fica com velocidade constante, e a partícula segue seu caminho. Também é comum esquecer que a normal só empurra: quando sua aceleração calculada fosse negativa, o contato já teria sido perdido. Sempre que houver contato unilateral, escreva primeiro a condição de normal nula e só depois use as demais equações.

Alternativa correta: B

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