EFOMM 2027 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2026/2027 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF. (Prova Amarela)

Q21
Eletricidade — Eletrostática — Capacitor com dielétrico

Um capacitor de placas paralelas e área $A_0$, inicialmente sem dielétrico entre suas placas, é reprojetado para operar com um material de constante dielétrica relativa $k$. Sabendo que a capacitância, distância entre as placas e geometria do novo capacitor permanecem inalteradas, marque a opção que corresponde à razão $\dfrac{(A_f - A_0)}{A_0}$, em que $A_f$ é a área do capacitor redesenhado.

A)$1/k$
B)$(1 - 1/k)$
C)$(k-1)$
D)$(1 - 1/k^2)$
E)$\dfrac{k-1}{k+1}$

Gabarito Preliminar

B
Resolução

Um capacitor de placas paralelas, de área $A_0$, é reprojetado com um dielétrico de constante $k$, mantendo capacitância, distância entre placas e geometria. Pede-se a variação relativa da área. Repare que a área é o único parâmetro livre.

O dielétrico multiplica a capacitância por $k$ para uma mesma geometria. Para a capacitância continuar igual, a área tem de encolher. A ideia central é esta: basta escrever a capacitância antes e depois e igualar.

Sem e com dielétrico: $$C_0=\dfrac{\varepsilon_0 A_0}{d}\qquad C_f=\dfrac{k\,\varepsilon_0 A_f}{d}$$ Impondo $C_f=C_0$, resta $kA_f=A_0$, isto é, $A_f=A_0/k$. Então $$\dfrac{A_f-A_0}{A_0}=\dfrac{1}{k}-1=-\left(1-\dfrac{1}{k}\right)$$

O sinal negativo indica que a área diminui, e as alternativas trazem o módulo, $1-\dfrac{1}{k}$. Vale um teste de bom senso: com $k=1$ a variação é nula, como deve ser, e para $k$ muito grande a área cai quase a zero.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é trocar $k$ por $1/k$ e concluir que a área cresce, como se o dielétrico reduzisse a capacitância. Ele aumenta. Antes de calcular, decida em que sentido a área deve variar e use isso para conferir o sinal. Outro deslize é marcar $1/k$, a razão entre áreas, esquecendo que a pergunta é a variação sobre $A_0$.

Alternativa correta: B

Q22
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Interferência

Um casco de navio é projetado com uma saliência em sua extremidade, denominada bulbo, cuja função é produzir ondas que devem interferir destrutivamente com as ondas geradas pelo restante do casco do navio durante seu movimento. Com isso, a força de arrasto devido à formação de ondas é minimizada. Considere um modelo simplificado em que se assume que o bulbo e o casco são duas fontes de ondas planas unidimensionais, com distância $d$ entre si.

Sabe-se que as ondas geradas pelo navio possuem comprimento de onda dado por $\lambda = \dfrac{V^2}{g}$, onde $V$ é o módulo da velocidade da embarcação e $g=10\,m/s^2$ é a aceleração da gravidade. Para uma embarcação em que $d=5\,m$, determine a menor velocidade da embarcação, em $m/s$, para que o arrasto seja o menor possível.

A)5,0
B)7,1
C)10,0
D)14,1
E)20,0

Gabarito Preliminar

C
Resolução

O bulbo e o casco são duas fontes de ondas planas separadas por $d=5\text{ m}$, e queremos que as ondas se anulem para reduzir o arrasto. O comprimento de onda depende da velocidade por $\lambda=V^2/g$, com $g=10\text{ m/s}^2$. O dado que manda é $d$; o resto é a ponte entre $\lambda$ e $V$. Repare no termo "menor velocidade": ele pede cuidado, e vamos ver por quê.

Para duas fontes em fase, a anulação acontece quando a diferença de caminho é um número ímpar de meios comprimentos de onda, $\Delta x=(2n+1)\lambda/2$. Aqui a diferença de caminho é a própria distância $d$. Isso gera uma família de comprimentos de onda, $\lambda=2d/(2n+1)$, e portanto uma família de velocidades. O caso de referência, o primeiro modo de anulação, é $n=0$, isto é, $d=\lambda/2$. Testando as alternativas contra essa família, só a velocidade de $10\text{ m/s}$ aparece entre as opções. As demais correspondem a $d=\lambda$, $d=2\lambda$ ou $d=\lambda/4$, que não anulam fontes em fase.

Condição de anulação no modo de referência: $$d=\dfrac{\lambda}{2}\;\Rightarrow\;\lambda=2d=10\text{ m}$$ Levando à relação do enunciado: $$V^2=\lambda g=10\cdot 10=100\;\Rightarrow\;V=10\text{ m/s}$$ Para comparar, o modo seguinte ($n=1$) daria $\lambda=10/3\text{ m}$ e $V\approx 5{,}8\text{ m/s}$, valor que não consta entre as opções.

Obtemos $V=10\text{ m/s}$. Podemos conferir o resultado: $V^2/g$ tem dimensão de comprimento, e $10\text{ m/s}$ (36 km/h) é plausível para uma embarcação. Note que, com $V=10\text{ m/s}$, vale exatamente $d=\lambda/2$, a condição limpa de interferência destrutiva.

Cuidado, armadilha! Dois erros rondam esta questão. O primeiro é trabalhar com diferença de fase e se perder em $\pi$ e $2\pi$; aqui o caminho é direto, use a diferença de caminho $\Delta x=\lambda/2,\,3\lambda/2,\dots$. O segundo é a palavra "menor": não a leia como "o menor $\lambda$ imaginável", porque isso leva a $n$ cada vez maior e a velocidades tão pequenas quanto se queira. Na prova, quando o enunciado for ambíguo assim, monte a condição de anulação, calcule os valores possíveis e confronte com as alternativas: só uma delas costuma satisfazer a condição.

Alternativa correta: C

Q23
Termologia — Termodinâmica — Ciclos

Um grupo de alunos deve avaliar características de dois ciclos termodinâmicos aos quais um mol de gás ideal foi submetido. O ciclo 1 é composto por duas transformações isotérmicas com temperaturas $T_Q$ e $T_F$ e por duas transformações isovolumétricas com volumes $V_{min}$ e $V_{max}$. O ciclo 2 é composto por duas isotermas com as mesmas temperaturas do ciclo anterior e por duas adiabáticas. Os volumes mínimo e máximo que o gás alcança durante o ciclo 2 coincidem com os volumes $V_{min}$ e $V_{max}$ do ciclo 1.

Dado que as quantidades totais de calor trocadas pelo gás nos ciclos 1 e 2 são $Q_1$ e $Q_2$, e que suas eficiências termodinâmicas correspondentes são $\eta_1$ e $\eta_2$, é correto afirmar que:

A)$Q_1 > Q_2 \text{ e } \eta_1 < \eta_2$
B)$Q_1 > Q_2 \text{ e } \eta_1 > \eta_2$
C)$Q_1 = Q_2 \text{ e } \eta_1 \lt \eta_2$
D)$Q_1 < Q_2 \text{ e } \eta_1 < \eta_2$
E)$Q_1 < Q_2 \text{ e } \eta_1 > \eta_2$

Gabarito Preliminar

A
Resolução

São dois ciclos com um mol de gás ideal, ambos entre as isotermas $T_Q$ e $T_F$ e ambos com volumes extremos $V_{min}$ e $V_{max}$. O ciclo 1 fecha com isocóricas, o ciclo 2 com adiabáticas. O enunciado pede a comparação do calor total trocado e das eficiências. Repare que as temperaturas coincidem, e isso tenta o aluno a concluir que as eficiências são iguais.

O ciclo 2 é um ciclo de Carnot, o de maior eficiência possível entre duas temperaturas dadas. Portanto o ciclo 1, que opera entre as mesmas temperaturas, não pode superá-lo: $\eta_1\lt\eta_2$. Quanto ao calor total trocado num ciclo, a energia interna não varia, então o calor líquido é igual ao trabalho, que é a área do ciclo no diagrama $P\times V$. Precisamos comparar áreas. A ideia central: no ciclo 1 as isotermas percorrem todo o intervalo de $V_{min}$ a $V_{max}$; no ciclo 2 as adiabáticas fazem com que as isotermas cubram um intervalo de volumes menor, dentro desse.

Para um mol, o trabalho em cada isoterma é $RT\ln(V_f/V_i)$. No ciclo 1, o trabalho líquido é $$W_1=R\,(T_Q-T_F)\ln\dfrac{V_{max}}{V_{min}}$$ As isocóricas não realizam trabalho. No ciclo 2, a mesma razão de volumes aparece nas duas isotermas, mas ela é menor que $V_{max}/V_{min}$, pois as adiabáticas encurtam a excursão de volume de cada isoterma: $$W_2=R\,(T_Q-T_F)\ln\dfrac{V_b}{V_a}\quad\text{com}\quad\dfrac{V_b}{V_a}\lt\dfrac{V_{max}}{V_{min}}$$ Logo $W_1>W_2$ e, como $Q=W$ em ciclo completo, $Q_1>Q_2$.

Combinando os dois resultados, $Q_1>Q_2$ e $\eta_1\lt\eta_2$. Só para conferir: o ciclo 1 rende mais trabalho, mas gasta ainda mais calor nas isocóricas, e por isso sua eficiência fica abaixo da de Carnot. Ter mais trabalho não significa ter mais eficiência.

Cuidado, armadilha! Muita gente vê as mesmas temperaturas $T_Q$ e $T_F$ e conclui que as eficiências são iguais. Isso só vale para ciclos reversíveis com trocas de calor apenas nas isotermas, como o de Carnot. Nas isocóricas o gás troca calor em temperaturas intermediárias, o que degrada a eficiência. Antes de comparar rendimentos, pergunte em quais etapas o calor entra e sai.

Alternativa correta: A

Q24
Mecânica — Trabalho e Energia — Conservação de Energia

Um objeto de massa $m$ repousa em equilíbrio sobre uma mola ideal vertical de constante elástica $k$. O objeto não está fixado à mola. A partir da posição de equilíbrio, o bloco é comprimido verticalmente para baixo por uma distância $d$ e, em seguida, liberado.

Assinale a option que representa a distância total percorrida verticalmente pelo objeto desde quando é liberado até o instante em que ele perde o contato com a mola.

A)$d$
B)$\dfrac{mg}{k}$
C)$d + \dfrac{mg}{k}$
D)$d - \dfrac{mg}{k}$
E)$2d + \dfrac{mg}{k}$

Gabarito Preliminar

C
Resolução

Um objeto apenas apoiado em uma mola vertical, sem estar preso a ela, é empurrado para baixo por uma distância $d$ a partir do equilíbrio e depois solto. A pergunta é quanto ele percorre até perder o contato com a mola. O ponto delicado é descobrir onde essa perda de contato acontece, pois a distância percorrida depende disso.

Enquanto o objeto está em contato, a mola o empurra para cima com uma força normal. A separação ocorre quando essa força se anula, e uma mola ideal, de massa desprezível, só deixa de empurrar quando chega ao comprimento natural. Note que o objeto não perde o contato no ponto de equilíbrio, onde ainda há compressão, nem depois de passar do comprimento natural: nesse ponto exato a mola solta o corpo, que segue subindo apenas sob a ação da gravidade.

No equilíbrio, a mola está comprimida de $x_0$ tal que a força elástica compensa o peso: $$kx_0=mg\;\Rightarrow\;x_0=\dfrac{mg}{k}$$ O objeto parte de uma posição $d$ abaixo do equilíbrio, e o comprimento natural fica $x_0$ acima do equilíbrio. Somando os dois trechos, o deslocamento vertical até a separação é $$\Delta y=d+x_0=d+\dfrac{mg}{k}$$

O resultado é $d+mg/k$. Uma checagem rápida: as duas parcelas têm dimensão de comprimento, e se a mola fosse muito dura, com $mg/k\to 0$, o objeto sairia praticamente no ponto de equilíbrio, e a distância seria só $d$, como esperado. Note ainda que a separação só acontece se $d\gt mg/k$, pois o MHS precisa ter amplitude suficiente para levar a mola até o comprimento natural.

Cuidado, armadilha! O erro típico é supor que o objeto se solta no comprimento natural contando a partir do ponto onde foi liberado, esquecendo que a compressão de equilíbrio $mg/k$ já existia antes de você empurrar. Outro engano é achar que a separação ocorre no equilíbrio. Desenhe três marcas na vertical, a posição de liberação, o equilíbrio e o comprimento natural, e some as distâncias entre elas.

Alternativa correta: C

Q25
Mecânica — Dinâmica — Impulso e Colisões

Uma barra uniforme de massa 1kg está articulada em uma de suas extremidades, podendo girar livremente em um plano vertical. Uma pessoa dispara bolinhas de borracha de massa 0,04kg verticalmente para cima, que colidem elasticamente com o centro de massa da barra à velocidade de $10\,m/s$. Embora a barra realize pequenas oscilações devido aos impactos das bolinhas, a amplitude destas pode ser considerada desprezível. Por isso, assuma que a barra está em equilíbrio na posição exibida na figura.

Barra articulada em plano vertical colidindo com bolinhas

Nessas condições, o número de bolinhas disparadas por segundo necessário para manter o equilíbrio da barra é:

A)3,5
B)5,5
C)7,5
D)10,5
E)12,5

Gabarito Preliminar

E
Resolução

Uma barra uniforme de massa 1 kg, articulada em uma extremidade, é mantida em equilíbrio por bolinhas de borracha de 0,04 kg que a atingem no centro, com velocidade de 10 m/s, em colisão elástica. Queremos o número de bolinhas por segundo que mantém a barra parada. O ângulo da figura e o comprimento da barra parecem importantes, mas veremos que se cancelam. As oscilações são desprezíveis, então a barra é tratada como imóvel.

A barra está presa a uma articulação, que fornece forças de reação desconhecidas. Por isso a quantidade de movimento linear não é a ferramenta certa, e o que vale é o equilíbrio de torques em relação ao eixo da articulação. Temos o torque do peso, aplicado no centro de massa, e o torque médio das bolinhas, aplicado no mesmo ponto. Se ambos são verticais e atuam no mesmo ponto, têm o mesmo braço de alavanca, e a condição se reduz a uma igualdade de forças médias verticais.

Como a colisão é elástica contra uma barra praticamente parada, a bolinha volta com velocidade $-v$, e o impulso que ela transmite à barra é $$I=m v-m(-v)=2mv=2\cdot 0{,}04\cdot 10=0{,}8\text{ N}\cdot\text{s}$$ Com $n$ bolinhas por segundo, a força média sobre a barra vale $F=0{,}8\,n$. Igualando os torques em relação à articulação, o braço $b$ é comum aos dois lados: $$F\,b=Mg\,b\;\Rightarrow\;0{,}8\,n=1\cdot 10\;\Rightarrow\;n=12{,}5\text{ bolinhas/s}$$

Encontramos $n=12{,}5$ bolinhas por segundo. Para fechar com segurança: cada bolinha transmite 0,8 N·s e o peso da barra é 10 N, então precisamos de pouco mais de uma dúzia de impactos por segundo para repor a cada segundo o impulso do peso, e a ordem de grandeza confere.

Cuidado, armadilha! A tentação é aplicar conservação da quantidade de movimento linear no sistema bolinha mais barra, esquecendo que a articulação exerce impulso externo. A grandeza que dialoga com a articulação é o momento angular, ou o torque, em relação ao eixo. Outro erro é usar apenas $mv$ por bolinha, esquecendo que a colisão elástica inverte a velocidade e dobra o impulso. Conte sempre a variação total de momento da bolinha.

Alternativa correta: E

Q26
Mecânica — Cinemática — Cinemática Vetorial

Uma partícula se move no plano xy e, em um instante t qualquer, suas coordenadas são $(x,y) = (2\text{sen}(3\pi t), 2\cos(3\pi t))$, com todas as grandezas no sistema internacional de unidades. Marque a opção que corresponde ao módulo do vetor velocidade média, em $m/s$, da partícula no intervalo $[t_0, t_f] = [1/9\,s, 11/18\,s]$.

A)$\sqrt{2}/2$
B)$\sqrt{2}$
C)$2\sqrt{2}$
D)$3\sqrt{2}$
E)$4\sqrt{2}$

Gabarito Preliminar

E
Resolução

A partícula descreve uma circunferência de raio 2 m no plano $xy$, com posição dada por $(2\,\text{sen}\,3\pi t,\;2\cos 3\pi t)$. O intervalo vai de $t_0=1/9\text{ s}$ até $t_f=11/18\text{ s}$, e o que se pede é o módulo da velocidade média vetorial. Repare que o trajeto percorrido, que é curvo e longo, é distração: só importam as posições inicial e final e o tempo decorrido.

A velocidade média vetorial é o vetor deslocamento dividido pelo intervalo de tempo, $\vec v_m=\Delta\vec r/\Delta t$. Ela não depende do caminho, e é por isso que ela é menor que a velocidade escalar média num movimento circular. Vamos por partes: calculamos as duas posições, subtraímos, tomamos o módulo e dividimos por $\Delta t$.

Em $t_0$, o argumento vale $3\pi/9=\pi/3$ e em $t_f$ vale $33\pi/18=11\pi/6$. Assim $$\vec r_0=(\sqrt3,\;1)\text{ m}\qquad\vec r_f=(-1,\;\sqrt3)\text{ m}$$ O deslocamento é $\Delta\vec r=(-1-\sqrt3,\;\sqrt3-1)$ e seu módulo é $$|\Delta\vec r|=\sqrt{(1+2\sqrt3+3)+(3-2\sqrt3+1)}=\sqrt8=2\sqrt2\text{ m}$$ O intervalo de tempo é $\Delta t=\dfrac{11}{18}-\dfrac{2}{18}=\dfrac12\text{ s}$, logo $$|\vec v_m|=\dfrac{2\sqrt2}{1/2}=4\sqrt2\text{ m/s}$$

O módulo é $4\sqrt2\text{ m/s}$. Conferindo pela geometria: o ângulo varrido é $3\pi\cdot 0{,}5=3\pi/2$, e a corda correspondente vale $2R\,\text{sen}(3\pi/4)=4\cdot\frac{\sqrt2}{2}=2\sqrt2\text{ m}$, o mesmo valor. Já a velocidade escalar da partícula é $6\pi\approx 18{,}8\text{ m/s}$, muito maior que $5{,}7\text{ m/s}$, como esperado para um trecho curvo.

Cuidado, armadilha! O erro mais comum é confundir velocidade média vetorial com velocidade escalar média, isto é, usar o comprimento do arco em vez da corda. Se você dividir o arco pelo tempo, chegará a $6\pi$, que não está entre as opções. Outro deslize é errar o quadrante ao calcular seno e cosseno de $11\pi/6$. Faça o círculo trigonométrico e confira os sinais antes de subtrair os vetores.

Alternativa correta: E

Q27
Termologia — Termodinâmica — Calorimetria

Vapor de água considerado gás ideal contido no interior de um conjunto cilindro pistão é submetido a um processo de compressão isotérmica com $T=300K$. Inicialmente, a pressão e o volume no interior do cilindro são $P_0=100kPa$ e $V_0=1{,}3845m^3$ e, ao final do processo, o volume do gás é reduzido pela metade. Considere $\ln(2)=0{,}7$, e que todo o calor liberado no processo é utilizado para aquecer 0,9230kg de água contida em um balde inicialmente à temperatura ambiente.

Calcule a variação de temperatura da água do balde se o calor específico da água é $c=4{,}2kJ/(kgK)$.

Dado: O trabalho exercido pelo vapor de água (considerado gás ideal) em um processo isotérmico que parte de um estado à pressão $P_0$ e volume $V_0$ e atinge volume final $V_f$ é $W = P_0 V_0 \ln(V_f / V_0)$.

A)$6{,}25^\circ\text{C}$
B)$12{,}5^\circ\text{C}$
C)$25^\circ\text{C}$
D)$50^\circ\text{C}$
E)$100^\circ\text{C}$

Gabarito Preliminar

C
Resolução

Vapor de água tratado como gás ideal sofre compressão isotérmica a 300 K, com volume inicial de $1{,}3845\text{ m}^3$ e pressão de 100 kPa, e o volume final é a metade do inicial. Todo o calor que o gás libera é absorvido por 0,9230 kg de água, e pergunta-se quanto a água esquenta. O enunciado já entrega a fórmula do trabalho e o valor de $\ln 2$, então a questão é de encadeamento de ideias, não de dedução.

Numa isoterma de gás ideal a energia interna não muda, então pela primeira lei o calor trocado é igual ao trabalho. Como o gás é comprimido, o trabalho é negativo e o calor sai do gás; esse calor vai para a água, aquecendo-a segundo $Q=mc\,\Delta T$. Note que a lei dos gases ideais já está embutida na fórmula do trabalho fornecida, e o modelo pede que tratemos o vapor como ideal do início ao fim.

Com $V_f/V_0=1/2$ e $\ln(1/2)=-\ln 2=-0{,}7$: $$W=P_0V_0\ln\dfrac{V_f}{V_0}=10^5\cdot 1{,}3845\cdot(-0{,}7)\approx-96\,915\text{ J}$$ Portanto o gás cede $Q\approx 96\,915\text{ J}$. Para a água, com $c=4200\text{ J/(kg K)}$: $$Q=mc\,\Delta T\;\Rightarrow\;\Delta T=\dfrac{96\,915}{0{,}9230\cdot 4200}=\dfrac{96\,915}{3876{,}6}=25\text{ K}$$

Uma variação de 25 K equivale a $25^\circ\text{C}$, porque a diferença de temperatura é a mesma nas duas escalas. Vale um teste de bom senso: cerca de 97 kJ para menos de 1 kg de água, que pede uns 4 kJ por grau, dá algo em torno de 25 graus, e a ordem de grandeza confere.

Cuidado, armadilha! Na vida real o vapor comprimido isotermicamente pode condensar ao atingir a pressão de saturação, e aí o modelo de gás ideal deixa de valer. Na prova, porém, o enunciado manda tratar o vapor como gás ideal, e você deve seguir o modelo sem complicar. O deslize mais frequente de conta é esquecer o sinal do logaritmo e concluir que o gás recebe calor, ou usar quilojoules com o calor específico em joules. Converta tudo para joules antes de dividir.

Alternativa correta: C

Q28
Mecânica — Cinemática — Movimento Relativo

Um trem que se move segundo um movimento retilíneo uniformemente variado, e um carro que se move em movimento retilíneo uniforme estão em rota de colisão. Utilizando um sistema de coordenadas cartesianas e os vetores unitários cartesianos $\hat{i}$ e $\hat{j}$, verifica-se que, no instante inicial, o trem, que anda sobre o eixo $x$, localiza-se na origem e possui velocidade $\vec{v}_{T_0} = 1\hat{i}\,m/s$. Neste mesmo instante, a velocidade relativa do carro em relação ao trem é $\vec{v}_{rel} = \sqrt{3}\hat{j}\,m/s$, e o carro está no ponto de coordenadas $(x_{C_0}, y_{C_0}) = (+1, -\sqrt{3})\,m$.

Determine o módulo da máxima aceleração que o trem pode ter de modo que o carro não colida com o trem, atravessando a linha antes deste.

A)$5\,m/s^2$
B)$1{,}0\,m/s^2$
C)$\sqrt{3}\,m/s^2$
D)$2\,m/s^2$
E)$3\,m/s^2$

Gabarito Preliminar

D
Resolução

Um trem em movimento uniformemente variado sobre o eixo $x$ e um carro em movimento uniforme estão em rota de colisão. Sabemos a velocidade do trem e a velocidade do carro em relação ao trem no instante inicial, além da posição do carro. O que se quer é a maior aceleração do trem para que o carro atravesse a linha antes de ele passar. O dado escondido é que o carro tem velocidade constante em relação ao solo, e não em relação ao trem.

Como o trem acelera, o referencial dele não é inercial, então é mais seguro trabalhar no referencial do solo. A velocidade do carro no solo é a soma da velocidade do trem com a velocidade relativa, calculada no instante inicial, e permanece constante. Repare no ponto-chave: o carro cruza o eixo $x$ num instante bem definido, e nesse instante ele deve estar à frente do trem.

A velocidade do carro no solo é $\vec v_C=(1,\;\sqrt3)\text{ m/s}$. Ele cruza o eixo $x$ quando $y_C=0$: $$-\sqrt3+\sqrt3\,t=0\;\Rightarrow\;t=1\text{ s}$$ Nesse instante, as posições no eixo $x$ são $$x_C(1)=1+1\cdot1=2\text{ m}\qquad x_T(1)=1\cdot 1+\dfrac a2\cdot1^2=1+\dfrac a2$$ Para o carro passar antes do trem, exigimos $x_T(1)\lt x_C(1)$: $$1+\dfrac a2\lt 2\;\Rightarrow\;a\lt 2\text{ m/s}^2$$

O limite é $a=2\text{ m/s}^2$. Podemos conferir o resultado: com aceleração nula o trem estaria em $x=1\text{ m}$ quando o carro passa por $x=2\text{ m}$, de modo que o carro passa folgado; com $a=2\text{ m/s}^2$ os dois chegam juntos ao ponto $x=2\text{ m}$ e ocorre o choque no limite, o que caracteriza o valor máximo.

Cuidado, armadilha! O erro típico é tratar o trem como se estivesse em velocidade constante, esquecendo o termo $\frac a2 t^2$, e concluir que não há aceleração limite. Outro é somar velocidades relativas depois do instante inicial: a velocidade relativa dada vale só em $t=0$, porque o trem muda de velocidade. Fixe a velocidade do carro no solo logo no início e escreva as equações horárias de cada veículo separadamente.

Alternativa correta: D

Q29
Mecânica — Hidrostática — Gases

Um experimento foi realizado para se determinar a densidade $\rho_L$ de um determinado líquido. Para atingir este objetivo, o líquido, à temperatura e pressão ambientes, foi despejado acima de um pistão de modo que todo o espaço na porção superior do cilindro ficou completamente preenchido, conforme mostra a figura.

Líquido acima de pistão com gás ideal abaixo

O pistão de área de seção transversal $A=0{,}004m^2$, altura e massa desprezíveis separa o líquido de um gás ideal contido no interior do cilindro.

Inicialmente, o conjunto está em equilíbrio. Ao ser lentamente aquecido, o gás se expande fazendo com que parte do líquido na parte superior seja despejada pela borda do cilindro.

Assuma a gravidade com módulo $g=10m/s^2$, e que, em um instante qualquer, a pressão atuando na parte superior do pistão é igual à soma da pressão atmosférica com a pressão hidrostática do líquido. Determine a densidade do líquido, em $kg/m^3$, sabendo que, após o experimento, verificou-se que o volume do gás aumentou em $0{,}01m^3$ enquanto a pressão do gás diminuiu em $50kPa$.

A)125
B)250
C)500
D)1000
E)2000

Gabarito Preliminar

E
Resolução

Um líquido enche por completo a parte superior de um cilindro, apoiado sobre um pistão de massa e altura desprezíveis, com gás ideal embaixo. Ao aquecer o gás, o pistão sobe e parte do líquido transborda. Sabemos que a área é $0{,}004\text{ m}^2$, que o volume do gás aumentou $0{,}01\text{ m}^3$ e que a pressão do gás caiu $50\text{ kPa}$. Queremos a densidade do líquido. O valor da pressão atmosférica não foi dado, e isso já é uma pista.

Como o pistão não tem massa, a pressão do gás é igual à pressão sobre ele, que é a atmosférica mais a hidrostática da coluna de líquido. Quando o pistão sobe, o líquido em excesso escapa pela borda e a coluna encurta, então a pressão do gás cai por causa da coluna perdida. Vamos por partes: primeiro quanto o pistão sobe, depois quanto a pressão cai por metro de coluna perdido. A pressão atmosférica aparece nas duas situações e se cancela na diferença.

A subida do pistão é o aumento de volume dividido pela área: $$\Delta h=\dfrac{\Delta V}{A}=\dfrac{0{,}01}{0{,}004}=2{,}5\text{ m}$$ A pressão do gás antes e depois é $P_1=P_{atm}+\rho gH$ e $P_2=P_{atm}+\rho g(H-\Delta h)$, e a diferença é $$\Delta P=P_2-P_1=-\rho\, g\,\Delta h$$ Com $\Delta P=-50\,000\text{ Pa}$: $$\rho=\dfrac{50\,000}{10\cdot 2{,}5}=2000\text{ kg/m}^3$$

A densidade é $2000\text{ kg/m}^3$. Só para conferir: o líquido é duas vezes mais denso que a água, o que é plausível (há líquidos assim), e a unidade de $\rho$ sai correta, pois $\text{Pa}/(\text{m/s}^2\cdot\text{m})=\text{kg/m}^3$.

Cuidado, armadilha! Alguns alunos travam por não terem a pressão atmosférica e tentam estimá-la em 100 kPa, ou, pior, a incluem em uma só das pressões, e o resultado sai errado. O truque é escrever as duas pressões e subtrair: $P_{atm}$ desaparece. O outro erro é esquecer de converter o aumento de volume em altura, o que exige dividir por $A$. Lembre também de que a coluna que sobrou é a que importa, e não a que saiu.

Alternativa correta: E

Q30
Mecânica — Trabalho e Energia — Energia

Um objeto de massa $m$ preso por uma corda inextensível de comprimento $L$ pivotada no ponto A é solto do repouso de uma determinada altura e, ao passar pelo ponto $P_1$, possui velocidade de módulo $v_1$. O objeto continua sua trajetória circular e, ao passar pelo ponto $P_2$, possui velocidade de módulo $v_2$, conforme mostrado abaixo.

Objeto preso por corda realizando trajetória circular de P1 a P2

A força de tração que a corda exerce sobre o objeto tem módulo T. O ângulo $\theta$ formado entre o fio e a vertical vale $\theta_1 = O\hat{A}P_1 = \pi/3\,\text{rad}$; em um instante $t_1$, e $\theta_2 = O\hat{A}P_2 = \pi/4\,\text{rad}$ em um instante $t_2$. A gravidade tem módulo g.

Analise as afirmativas e marque a opção correta.

I. A tração possui valor $T = mg\cos\theta$, sendo constante durante toda a trajetória.

II. Supondo que não haja forças dissipativas, então $v_2 = \sqrt{gL(\sqrt{2}-1) + v_1^2}$.

III. O trabalho da força de tração durante o deslocamento da partícula desde a posição $P_1$ até a posição $P_2$ é igual à variação da energia cinética, isto é, $\frac{m}{2}(v_2^2 - v_1^2)$.

IV. A aceleração tangencial da partícula vale $a_t = g\,\text{sen}\,\theta$.

A)Apenas a afirmativa IV é verdadeira.
B)Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
C)Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
D)Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras.
E)Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

Gabarito Preliminar

D
Resolução

Um objeto preso a uma corda inextensível de comprimento $L$ é solto do repouso e percorre um arco de circunferência, passando por $P_1$ com velocidade $v_1$, na posição $\theta_1=\pi/3$, e por $P_2$ com velocidade $v_2$, na posição $\theta_2=\pi/4$, medidos em relação à vertical. Devemos avaliar quatro afirmativas sobre tração, energia, trabalho e aceleração tangencial. Sem forças dissipativas, a energia mecânica é conservada.

Vamos analisar afirmativa por afirmativa. Duas ideias resolvem tudo: a tração é sempre perpendicular à velocidade, logo não realiza trabalho, e a única força com componente ao longo da trajetória é o peso. A conservação da energia liga as velocidades em $P_1$ e $P_2$ pela variação de altura entre os pontos.

Afirmativa I: falsa, pois na direção radial $T-mg\cos\theta=mv^2/L$, e como $v$ e $\theta$ variam, $T$ também varia. Afirmativa II: verdadeira; com a altura medida a partir do ponto de suspensão, a descida de $P_1$ a $P_2$ é $\Delta h=L(\cos45^\circ-\cos60^\circ)$, então $$v_2^2=v_1^2+2gL\left(\dfrac{\sqrt2}{2}-\dfrac12\right)=v_1^2+gL(\sqrt2-1)$$ Afirmativa III: falsa, porque a tração não realiza trabalho, e a variação de energia cinética vem do peso. Afirmativa IV: verdadeira, já que a componente tangencial da resultante é $mg\,\text{sen}\,\theta$, e portanto $a_t=g\,\text{sen}\,\theta$.

Só II e IV são verdadeiras. Conferindo a afirmação II: como $\theta_2\lt\theta_1$, o objeto está mais baixo em $P_2$, então $v_2\gt v_1$, e o termo $\sqrt2-1\gt0$ confirma esse aumento. Para IV, no ponto mais baixo, $\theta=0$, a aceleração tangencial é nula, como deve ser.

Cuidado, armadilha! O erro típico é atribuir trabalho à tração e igualar a variação de energia cinética a esse trabalho, como faz a afirmativa III. A tração aponta para o pivô e o deslocamento é tangente à trajetória, portanto o produto escalar é zero em todo instante. Quem realiza trabalho é o peso. Sempre que uma força for perpendicular à velocidade, descarte-a da conta de energia.

Alternativa correta: D

Q31
Mecânica — Estática — Centro de Massa

Após um carregamento inicial, uma embarcação apresenta massa total $M_0=3200\,\text{ton}$. Seu centro de massa possui coordenadas $X_{G0}=55\,m$ e $Z_{G0}=4{,}5\,m$, de acordo com o sistema de coordenadas mostrado na figura abaixo.

Embarcação com compartimentos A, B e C e o referencial cartesiano

Para melhorar a estabilidade da embarcação, são adicionadas 800 ton de água em 3 compartimentos denominados A, B e C. Considere que toda água adicionada preenche completamente cada compartimento, cujos vetores posição são $\vec{r}_A=(30\hat{i} + 1\hat{k})\,m$, $\vec{r}_B=(90\hat{i} + 1\hat{k})\,m$ e $\vec{r}_C=(75\hat{i} + 3\hat{k})\,m$. Após a adição de água, o centro de massa da embarcação passa a se situar em $X_{Gf}=60\,m$ e $Z_{Gf}=4\,m$.

Marque a opção que corresponde às massas aproximadas $m_A$, $m_B$ e $m_C$ adicionadas, respectivamente, nos compartimentos A, B e C, considerando que todos os valores das respostas estão expressos em toneladas.

A)$m_A=33{,}3$, $m_B=366{,}7$ e $m_C=400$
B)$m_A=366{,}7$, $m_B=33{,}3$ e $m_C=400$
C)$m_A=33{,}3$, $m_B=366{,}7$ e $m_C=0$
D)$m_A=200$, $m_B=100$ e $m_C=400$
E)$m_A=100$, $m_B=200$ e $m_C=400$

Gabarito Preliminar

A
Resolução

Uma embarcação de 3200 t, com centro de massa em $X=55\text{ m}$ e $Z=4{,}5\text{ m}$, recebe 800 t de água distribuídas em três compartimentos de posições conhecidas. Depois disso, o centro de massa passa para $X=60\text{ m}$ e $Z=4\text{ m}$. Pedem-se as três massas de água. Temos então três incógnitas e três equações disponíveis: a soma das massas e uma média ponderada para cada eixo.

O centro de massa de um sistema é a média das posições ponderada pelas massas, em cada coordenada. Vamos escrever essa média para $Z$ e para $X$, usando a massa final de 4000 t, e combinar com $m_A+m_B+m_C=800$. Note que as equações em $Z$ são especialmente simples, porque A e B têm a mesma altura, e isso permite isolar $m_C$ logo de saída.

Na coordenada vertical: $$4000\cdot4=3200\cdot4{,}5+m_A+m_B+3m_C\;\Rightarrow\;m_A+m_B+3m_C=1600$$ Com $m_A+m_B=800-m_C$, obtemos $800+2m_C=1600$, logo $m_C=400\text{ t}$ e $m_A+m_B=400\text{ t}$. Na coordenada horizontal: $$4000\cdot60=3200\cdot55+30m_A+90m_B+75\cdot400\;\Rightarrow\;3m_A+9m_B=3400$$ Substituindo $m_A=400-m_B$, resulta $1200+6m_B=3400$, então $$m_B\approx366{,}7\text{ t}\qquad m_A\approx33{,}3\text{ t}$$

Os valores $m_A=33{,}3$, $m_B=366{,}7$ e $m_C=400$ são as massas procuradas, em toneladas. Uma checagem rápida: as três massas somam 800 t, e o $X$ do centro de massa subiu de 55 para 60 m, coerente com a maior parte da água ter ido para B e C, que ficam a 90 m e 75 m, acima da média original.

Cuidado, armadilha! O erro típico é somar as massas sem ponderar pelas posições, ou distribuir os 800 t em partes iguais pelos compartimentos. A posição do centro de massa depende de onde a massa está, e não apenas de quanto há. Outra falha é usar 3200 t no denominador em vez de 4000 t depois do lastro. Sempre atualize a massa total antes de escrever a média ponderada.

Alternativa correta: A

Q32
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Equação da onda harmônica

Um observador tirou duas fotos de uma onda senoidal com perfil dado por $y=y(x,t)$, com todas as variáveis medidas em unidades do sistema internacional de unidades, que se propaga em uma corda no sentido positivo do eixo x. A primeira foto corresponde ao instante $t=0$ (linha cheia), e a segunda, a $t=\pi/2$ (linha tracejada), as quais estão superpostas na figura abaixo.

Onda em dois instantes de tempo t=0 e t=pi/2

Os pontos mostrados possuem coordenadas $A=(0,-2)\,m$, $B=(4,2)\,m$ e $C=(6,0)\,m$. Sabendo que a configuração tracejada corresponde à primeira vez que a onda assume essa forma após o instante inicial e que o número de onda é $k=\pi/8\,\text{rad/m}$, marque a opção que contém, respectivamente, a amplitude e a velocidade da onda.

A)$\sqrt{2}\,\text{m e }\pi\,\text{m/s}$
B)$\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{\pi}{8}\,\text{m/s}$
C)$2\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{\pi}{8}\,\text{m/s}$
D)$2\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{8}{\pi}\,\text{m/s}$
E)$4\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{8}{\pi}\,\text{m/s}$

Gabarito Preliminar

D
Resolução

A figura mostra o perfil da corda em dois instantes: $t=0$ (linha cheia, com os pontos A e B) e $t=\pi/2$ (linha tracejada, com o ponto C). Atenção a este detalhe: A e B pertencem à curva cheia, mas C pertence à curva tracejada. Os dados são $A=(0,-2)$, $B=(4,2)$, $C=(6,0)$ e $k=\pi/8\text{ rad/m}$. A onda anda para a direita e a tracejada é a primeira vez que o perfil chega àquela forma.

Com $k$ conhecido, o comprimento de onda é $\lambda=2\pi/k=16\text{ m}$. A curva cheia dá a amplitude e a fase; a tracejada dá quanto o perfil andou, e daí o período. Como a onda vai para $+x$, escrevemos $y=A\cos(kx-\omega t+\phi)$ e usamos a foto de $t=0$ para achar $A$ e $\phi$.

Em $t=0$, A e B dão: $$A\cos\phi=-2,\qquad A\cos\!\left(\dfrac{\pi}{2}+\phi\right)=-A\,\text{sen}\,\phi=2$$ Ou seja, $A\cos\phi=A\,\text{sen}\,\phi=-2$: $\tan\phi=1$ com seno e cosseno negativos, então $\phi=-3\pi/4$, e $$A=\sqrt{(-2)^2+2^2}=2\sqrt{2}\text{ m}$$ Conferindo com a figura, o pico da curva cheia fica em $x=6\text{ m}$, pois $k\cdot 6-3\pi/4=0$. A curva tracejada tem o pico em $x=10\text{ m}$, e C, em $x=6\text{ m}$, é um zero dela: $\cos(6\pi/8-\omega\pi/2-3\pi/4)=0$ pede $\omega\pi/2=\pi/2$. Assim, o perfil andou $4\text{ m}=\lambda/4$ em $\pi/2\text{ s}$, e $$\dfrac{T}{4}=\dfrac{\pi}{2}\;\Rightarrow\;T=2\pi\text{ s},\qquad \omega=1\text{ rad/s}$$ $$v=\dfrac{\omega}{k}=\dfrac{1}{\pi/8}=\dfrac{8}{\pi}\text{ m/s}$$

Amplitude $2\sqrt{2}\text{ m}$ e velocidade $8/\pi\text{ m/s}$. Para fechar com segurança: $v=\lambda/T=16/(2\pi)=8/\pi\approx 2{,}5\text{ m/s}$, coerente com um deslocamento de $4\text{ m}$ em $1{,}57\text{ s}$.

Cuidado, armadilha! O erro clássico é errar o sentido de propagação. Compare os dois perfis: o pico da curva cheia ($x=6$) está à esquerda do pico da tracejada ($x=10$), então o perfil andou para a direita, de acordo com o enunciado. Outro deslize é misturar os pontos: C só vale para $t=\pi/2$, não para $t=0$. E lembre que a tracejada é a primeira vez que a forma aparece, portanto o deslocamento é $\lambda/4$, e não $\lambda/4+n\lambda$.

Alternativa correta: D

Q33
Eletricidade — Eletrostática — Potencial Elétrico

Um pesquisador distribuiu 2027 partículas de carga $Q$ em posições fixas ao longo de uma espiral. Cada carga foi colocada em um ponto, e o n-ésimo ponto possui, no sistema internacional de unidades, coordenadas $P_n = (x_n, y_n) = 2^{\theta_n}(\cos\theta_n, \text{sen}\theta_n)$ com $\theta_n = n/2$ e $n$ variando de 1 a 2027. Em seguida, procedeu-se à medição do potencial $V_0$ gerado na origem do sistema de coordenadas. A figura abaixo ilustra algumas cargas, a origem e os eixos horizontal e vertical.

Partículas distribuídas ao longo de uma espiral partindo da origem

Se $k$ é a constante de Coulomb, então a razão $\dfrac{V_0}{kQ}$, em unidade $m^{-1}$, pertence ao intervalo de números reais:

A)[2,3)
B)[3,4)
C)[4,5)
D)[5,6)
E)[6,7)

Gabarito Preliminar

A
Resolução

São 2027 cargas iguais $Q$ dispostas numa espiral, com a n-ésima em $2^{\theta_n}(\cos\theta_n,\,\text{sen}\,\theta_n)$ e $\theta_n=n/2$. Pergunta-se em que intervalo está o valor de $V_0/(kQ)$, sendo $V_0$ o potencial na origem. Repare que o ângulo da espiral é distração: para o potencial só interessa a distância de cada carga à origem.

O potencial é escalar, então basta somar $kQ/r_n$ de todas as cargas, sem preocupação com direções. A distância de cada carga à origem é o módulo do vetor posição, que é $2^{\theta_n}$. A soma resultante é uma progressão geométrica, e aqui está a sacada: a razão é menor que 1, então mesmo com 2027 termos a soma é praticamente igual à da série infinita.

A distância da n-ésima carga é $r_n=2^{n/2}=(\sqrt2)^n$, e assim $$\dfrac{V_0}{kQ}=\sum_{n=1}^{2027}\left(\dfrac{1}{\sqrt2}\right)^n$$ Trata-se de uma PG de primeiro termo $1/\sqrt2$ e razão $q=1/\sqrt2$. A soma exata é $\dfrac{a_1(1-q^{2027})}{1-q}$, e como $q^{2027}$ é astronomicamente pequeno, podemos usar $$\dfrac{V_0}{kQ}\approx\dfrac{1/\sqrt2}{1-1/\sqrt2}=\dfrac{1}{\sqrt2-1}=\sqrt2+1\approx2{,}41\text{ m}^{-1}$$

O valor $2{,}41$ está em $[2,3)$. Vale um teste de bom senso: a primeira carga sozinha contribui com $0{,}71$, a segunda com $0{,}5$, a terceira com $0{,}35$, e assim por diante, com termos que caem pela metade a cada duas cargas; as cinco primeiras parcelas já somam cerca de 2, e a cauda restante completa o valor perto de 2,4.

Cuidado, armadilha! Quem tenta somar as 2027 parcelas uma a uma se perde, e quem enxerga vetores erra o problema, porque o potencial não tem direção. Identifique a PG logo que aparecer a potência de $2^{n/2}$. Tome cuidado também com o primeiro termo: como a soma começa em $n=1$, o primeiro termo é $1/\sqrt2$ e não 1, e esquecer isso leva a $1/(1-q)\approx3{,}41$, no intervalo errado.

Alternativa correta: A

Q34
Eletricidade — Eletrodinâmica — Circuitos

A chave S no circuito abaixo, em que todos os elementos são ideais, é deixada aberta por um longo tempo.

Circuito elétrico com chave S, bateria 36V, resistores de 3 ohm, 6 ohm, 2 ohm e capacitor de 10 uF

Imediatamente após ser fechada, são medidas a carga $Q_0$ armazenada no capacitor e a potência $P_0$ dissipada no resistor de $3\,\Omega$. Muito tempo após a chave ser fechada, são medidas a carga armazenada, denominada $Q_\infty$, e a potência dissipada $P_\infty$ nos mesmos elementos. O valor da razão $\dfrac{P_0 Q_0}{P_\infty Q_\infty}$ é:

A)0
B)1
C)3
D)12
E)27

Gabarito Preliminar

E*
Resolução

Pela figura, a bateria de $36\text{ V}$ está em série com o resistor de $6\,\Omega$; depois do nó, há dois ramos em paralelo: um com $3\,\Omega$ e a chave S, outro com o capacitor de $10\,\mu\text{F}$ em série com $2\,\Omega$. Com S aberta por muito tempo, o capacitor está carregado. Pedem-se $P_0$ e $Q_0$ logo após fechar S, e $P_\infty$ e $Q_\infty$ muito depois, sempre com $P$ no resistor de $3\,\Omega$.

Com S aberta, não passa corrente e o capacitor fica com os $36\text{ V}$ da bateria. Logo após fechar S, o capacitor mantém sua tensão, então se comporta como uma fonte de $36\text{ V}$ (atrás de $2\,\Omega$). Muito tempo depois, ele vira circuito aberto. Em cada instante, resolvemos o circuito resistivo resultante.

Instante inicial: $Q_0=CV=10\cdot 36=360\,\mu\text{C}$. Chamando de $V_A$ a tensão do nó em relação ao fio de retorno, a lei dos nós dá $$\dfrac{36-V_A}{6}+\dfrac{36-V_A}{2}=\dfrac{V_A}{3}\;\Rightarrow\;V_A=24\text{ V}$$ $$P_0=\dfrac{24^2}{3}=192\text{ W}$$ Regime final: sem corrente no ramo do capacitor, a bateria alimenta $6\,\Omega$ e $3\,\Omega$ em série, com $i=36/9=4\text{ A}$. Então $$V_3=12\text{ V},\quad P_\infty=\dfrac{12^2}{3}=48\text{ W},\quad Q_\infty=10\cdot 12=120\,\mu\text{C}$$ Montando a razão: $$\dfrac{P_0Q_0}{P_\infty Q_\infty}=\dfrac{192\cdot 360}{48\cdot 120}=4\cdot 3=12$$

A análise direta do circuito da figura leva a $12$. O gabarito preliminar informado indica $27$. Esse valor sai se tomarmos $P_0=432\text{ W}$, isto é, $36\text{ V}$ sobre o resistor de $3\,\Omega$ logo após fechar S, mantendo o restante da conta ($Q_0/Q_\infty=3$ e $P_\infty=48\text{ W}$): $\frac{432}{48}\cdot 3=27$. Podemos conferir o resultado: a razão das cargas ($3$) e a das potências ($192/48=4$) são plausíveis, pois a tensão sobre o $3\,\Omega$ cai de $24\text{ V}$ para $12\text{ V}$.

Cuidado, armadilha! Tratar o capacitor como circuito aberto logo após fechar S faz o aluno esquecer o ramo do capacitor no instante inicial, o que muda por completo $V_A$ e $P_0$. O capacitor descarregado seria um curto; carregado, ele é uma fonte de tensão constante por um instante. Outro deslize é usar os $36\text{ V}$ diretamente sobre o $3\,\Omega$ sem descontar a queda no $6\,\Omega$. Em questões assim, desenhe o circuito equivalente de $t=0^+$ e o de $t\to\infty$ separadamente e confira as unidades de cada termo.

Resultado desenvolvido: D (12) — diverge do gabarito preliminar (E), divergência que exige conferência com o gabarito definitivo.

Q35
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Indução

Uma barra retilínea condutora com 1,6m de comprimento é transladada sem rotacionar em uma região com um campo magnético uniforme de intensidade 0,5mT.

Barra condutora com velocidade v=10 m/s inclinada a 30 graus no campo magnético entrando no plano

A barra tem inclinação de $30^\circ$ em relação ao vetor velocidade do seu centro de massa, cujo módulo é de 10m/s. O campo magnético é perpendicular ao plano que contém a barra e o vetor velocidade, apontando para dentro do plano, conforme mostrado na figura. A intensidade da força eletromotriz induzida entre as extremidades da barra vale:

A)2 mV
B)4 mV
C)8 mV
D)16 mV
E)40 mV

Gabarito Preliminar

B
Resolução

Uma barra de 1,6 m se move a 10 m/s num campo de 0,5 mT, inclinada de $30^\circ$ em relação à velocidade, com o campo perpendicular ao plano. Pede-se a fem induzida. Repare que só importa a parte da barra perpendicular ao movimento.

A fem de movimento é $\varepsilon=B\,L_\perp\,v$, em que $L_\perp$ é a projeção da barra na direção perpendicular à velocidade, pois só ela varre fluxo novo.

Projetando o comprimento e passando o campo para tesla: $$L_\perp=1{,}6\,\text{sen}\,30^\circ=0{,}8\text{ m}\qquad B=0{,}5\cdot10^{-3}\text{ T}$$ $$\varepsilon=0{,}5\cdot10^{-3}\cdot0{,}8\cdot10=4\cdot10^{-3}\text{ V}$$

A fem é $4\text{ mV}$. Só para conferir: com a barra perpendicular à velocidade teríamos 8 mV, e como $\text{sen}\,30^\circ=0{,}5$, o valor cai à metade.

Cuidado, armadilha! O erro típico é usar o comprimento total sem projetar, o que dá 8 mV. Outro é esquecer de converter miliTesla para Tesla. Pergunte sempre qual parte da barra é perpendicular à velocidade.

Alternativa correta: B

Q36
Mecânica — Hidrostática — MHS

Um cilindro circular reto e um cone circular reto possuem raios da base iguais e alturas iguais. Ambos são homogêneos e feitos do mesmo material, cuja densidade vale 64% da densidade da água. Os dois objetos flutuam em equilíbrio estável na água, com o cilindro na vertical e o cone com o seu vértice voltado para baixo.

Cilindro e cone flutuando na água

Após um deslocamento vertical muito pequeno a partir da posição de equilíbrio, ambos são liberados. Desprezando perdas de energia, é correto afirmar que:

A)O cone realiza um MHS, e o cilindro realiza uma oscilação com período menor que o do cone.
B)O cone realiza um MHS, e o cilindro realiza uma oscilação com período maior que o do cone.
C)O cilindro realiza um MHS, e o cone realiza uma oscilação com período menor que o do cilindro.
D)O cilindro realiza um MHS, e o cone realiza uma oscilação com período maior que o do cilindro.
E)O período de ambos é igual.

Gabarito Preliminar

C
Resolução

Um cilindro e um cone, com mesmo raio de base e mesma altura, ambos com densidade igual a 64% da da água, flutuam em equilíbrio, o cilindro na vertical e o cone com o vértice para baixo. Depois de um pequeno deslocamento vertical, ambos são liberados. A pergunta compara o tipo de movimento e os períodos. O dado de 64% define quanto de cada corpo fica submerso.

Para um corpo flutuante, o empuxo extra ao deslocá-lo de $z$ vale $\rho_a g A\,z$, em que $A$ é a área da seção na linha d'água, e a frequência é $\omega^2=\rho_a gA/m$. No cilindro, $A$ é constante, e a força restauradora é exatamente proporcional ao deslocamento: MHS rigoroso. No cone com vértice para baixo, a seção varia com a profundidade, então a proporcionalidade só vale de forma aproximada, para deslocamentos muito pequenos. Vamos comparar as frequências pela razão entre área na linha d'água e massa.

Sendo $R$ o raio e $H$ a altura, para o cilindro a massa é $0{,}64\,\rho_a\pi R^2H$ e a área é $\pi R^2$, logo $$\omega_{cil}^2=\dfrac{g}{0{,}64\,H}\approx1{,}56\,\dfrac gH$$ Para o cone, a massa é um terço da do cilindro, e o volume submerso é 64% do volume total, o que dá uma altura submersa $s=0{,}64^{1/3}H\approx0{,}86\,H$. A seção na linha d'água tem área $\pi R^2(s/H)^2\approx0{,}74\,\pi R^2$, portanto $$\omega_{cone}^2=\dfrac{\rho_a g\,\pi R^2\cdot0{,}74}{0{,}64\,\rho_a\pi R^2H/3}\approx3{,}5\,\dfrac gH$$

Como $\omega_{cone}\gt\omega_{cil}$, o período do cone é menor, cerca de 0,67 do período do cilindro, e o cilindro é o que realiza MHS exato. Uma checagem rápida: o cone tem pouca massa para a área de seção que tem na água, então é natural que oscile mais depressa.

Cuidado, armadilha! O erro é supor que os dois corpos têm a mesma constante de restituição só porque têm a mesma base e a mesma altura. A rigidez efetiva depende da área na linha d'água, e a inércia depende da massa, que no cone é um terço da do cilindro. Compare sempre a razão área sobre massa, e não apenas a geometria externa dos dois corpos.

Alternativa correta: C

Q37
Mecânica — Trabalho e Energia — Energia elástica com atrito

Um bloco de massa 2kg preso em sua extremidade esquerda a uma mola de constante elástica $k$ é apoiado em um plano rugoso, conforme mostrado na figura.

Bloco preso à mola em um plano rugoso

O coeficiente de atrito cinético entre o plano e o bloco é $\mu_c = 0{,}4$. Considere um sistema de coordenadas com origem O situada no centro de massa do bloco quando a mola está em sua configuração relaxada (em seu comprimento natural) com o sentido positivo do eixo x apontando para a direita. O bloco é levado para a posição $x_0 = 0{,}32m$ e, em seguida, liberado a partir do repouso. Durante seu movimento de volta (para a esquerda), a energia mecânica é reduzida em virtude do atrito.

Sabe-se que a energia mecânica do sistema é reduzida de 0,64J desde o instante em que o bloco é solto até quando este atinge a velocidade máxima. Marque a opção que corresponde à constante $k$ da mola, em $N/m$.

A)25
B)50
C)100
D)150
E)200

Gabarito Preliminar

B*
Resolução

Pela figura, o bloco de $2\text{ kg}$ está preso à extremidade direita da mola, cuja outra ponta está fixa na parede à esquerda. Ele é esticado até $x_0=0{,}32\text{ m}$ e solto do repouso, com $\mu_c=0{,}4$. O dado quantitativo é $0{,}64\text{ J}$, associado ao trecho entre o instante da soltura e o ponto de velocidade máxima. Queremos $k$.

O atrito cinético é constante: $F_{at}=\mu_c mg=0{,}4\cdot 2\cdot 10=8\text{ N}$. A velocidade máxima ocorre onde a aceleração se anula, isto é, onde a força elástica iguala o atrito: $kx_m=8$, logo $x_m=8/k$. Como o bloco só se move se $kx_0>8$, temos de ter $k>25\text{ N/m}$. Use o teorema da energia cinética entre $x_0$ e $x_m$: o trabalho da mola e o do atrito determinam a energia cinética nesse ponto.

Trabalho elástico e trabalho do atrito no trecho $x_0\to x_m$: $$E_c=\dfrac{k x_0^2}{2}-\dfrac{k x_m^2}{2}-F_{at}\,(x_0-x_m)$$ Com $E_c=0{,}64\text{ J}$, $x_m=8/k$ e $x_0=0{,}32$: $$0{,}0512\,k-\dfrac{32}{k}-2{,}56+\dfrac{64}{k}=0{,}64\;\Rightarrow\;0{,}0512\,k^2-3{,}2\,k+32=0$$ As raízes são $k=12{,}5$ e $k=50\text{ N/m}$. A primeira é descartada pela condição $k>25$ (com ela, $kx_0=4\text{ N}\lt 8\text{ N}$ e o bloco nem sairia do lugar). Fica $k=50\text{ N/m}$, com $x_m=0{,}16\text{ m}$. Conferindo: $E_c=2{,}56-0{,}64-1{,}28=0{,}64\text{ J}$.

$k=50\text{ N/m}$, desde que o $0{,}64\text{ J}$ seja lido como a energia cinética no ponto de velocidade máxima. Se lermos ao pé da letra que $0{,}64\text{ J}$ é a energia mecânica dissipada, isto é, $8\,(0{,}32-8/k)=0{,}64$, obtemos $k\approx 33{,}3\text{ N/m}$, que não está entre as opções. Para fechar com segurança: com $k=50$, o atrito dissipa $8\cdot 0{,}16=1{,}28\text{ J}$ no trecho, e os $0{,}64\text{ J}$ correspondem à energia cinética.

Cuidado, armadilha! O erro típico é errar o trecho do atrito: usar o percurso total, ou só a metade dele, em vez de $x_0-x_m$ com $x_m=8/k$, que também depende de $k$. Outro é ficar com as duas raízes da equação do segundo grau sem checar a condição física de que o bloco precisa partir ($kx_0>F_{at}$). Na prova, quando a redação do enunciado não fechar com nenhuma alternativa, teste a leitura alternativa mais natural (aqui, energia cinética no ponto de velocidade máxima) e confira se a resposta obtida é fisicamente consistente.

Alternativa correta: B

Q38
Mecânica — Cinemática — Conservação

Um objeto é preso na extremidade de uma corda inextensível de comprimento $L$ e massa desprezível fixada ao teto, sendo abandonado do repouso a partir de um pequeno ângulo $\theta_0$ com a vertical, conforme mostrado na figura.

Pêndulo sendo abandonado com carrinho se aproximando à distância d

No instante em que o objeto é solto, um carrinho de brinquedo, inicialmente a uma distância horizontal $d$ do ponto mais baixo da trajetória pendular, começa a se mover horizontalmente com velocidade constante em direção ao objeto. Assumindo o módulo da aceleração da gravidade $g$ e desprezando qualquer efeito dissipativo, determine o valor máximo do módulo da velocidade que o carrinho deve possuir para que este colida com o objeto exatamente no ponto mais baixo de sua trajetória.

A)$\dfrac{d}{\pi}\sqrt{g/L}$
B)$\dfrac{d}{2\pi}\sqrt{g/L}$
C)$\dfrac{d}{4\pi}\sqrt{g/L}$
D)$\dfrac{2d}{\pi}\sqrt{g/L}$
E)$\dfrac{4d}{\pi}\sqrt{g/L}$

Gabarito Preliminar

D
Resolução

Um pêndulo é solto do repouso de um pequeno ângulo $\theta_0$. No mesmo instante, um carrinho parte de uma distância horizontal $d$ do ponto mais baixo, com velocidade constante, em direção ao pêndulo. Queremos o valor máximo da velocidade do carrinho para que ele atinja o objeto exatamente no ponto mais baixo. O ângulo $\theta_0$ não entra no resultado, porque é pequeno e o período não depende dele.

A colisão exige sincronia: o carrinho precisa chegar ao ponto mais baixo no mesmo instante em que o pêndulo passa por ali. Para pequenas amplitudes, o pêndulo tem período $T=2\pi\sqrt{L/g}$ e passa pelo ponto mais baixo em $T/4$, $3T/4$, $5T/4$ e assim por diante. Repare que o carrinho só tem uma velocidade constante, e $v=d/t$ fica menor quanto maior for o tempo. Logo, o valor máximo corresponde ao menor tempo, $t=T/4$.

O tempo do pêndulo até o ponto mais baixo pela primeira vez é $$t=\dfrac T4=\dfrac{\pi}{2}\sqrt{\dfrac Lg}$$ O carrinho percorre $d$ com velocidade constante nesse mesmo tempo: $$v=\dfrac dt=\dfrac{d}{\dfrac\pi2\sqrt{L/g}}=\dfrac{2d}{\pi}\sqrt{\dfrac gL}$$

A velocidade máxima é $\dfrac{2d}{\pi}\sqrt{g/L}$. Vale um teste de bom senso: a unidade de $\sqrt{g/L}$ é s$^{-1}$, e multiplicada por $d$ resulta em m/s. Se o pêndulo fosse mais longo, a velocidade necessária seria menor, pois ele levaria mais tempo, o que combina com o resultado.

Cuidado, armadilha! O aluno costuma ignorar o período do pêndulo e tratar a queda como se fosse uma queda livre, ou usar o período inteiro $T$ em vez de $T/4$. Como o pêndulo parte do repouso na extremidade, a primeira passagem pelo ponto mais baixo ocorre em um quarto de período. E como se pede a velocidade máxima, escolha o menor tempo possível, e não uma das passagens seguintes.

Alternativa correta: D

Q39
Eletromagnetismo — Força Magnética — Força Magnética

Duas partículas $P_1$ e $P_2$ idênticas possuindo carga elétrica positiva de intensidade $q$ e massa $m$ realizam movimento circular uniforme de raio $r$ no plano xy no sentido anti-horário. Em um dado instante, ambas possuem velocidade de intensidade $v$ em sentidos opostos, conforme mostrado na figura.

Duas partículas descrevendo trajetória circular no referencial xyz

Este movimento das partículas é obtido pois, além de estarem sujeitas à força elétrica de natureza repulsiva, sofrem força magnética devido ao campo magnético $\vec{B} = -B_0\hat{k}$ (no sentido negativo do eixo z) em que estão imersas. Os pesos das partículas podem ser desconsiderados em relação às demais forças. Sabe-se que a intensidade do campo magnético é $B_0 = \sqrt{\frac{mk}{r^3}}$ e que $k$ representa a constante de Coulomb. Marque a opção que corresponde a $v$, módulo da velocidade destas partículas.

A)$\dfrac{q}{2}\sqrt{\dfrac{k}{mr}}$
B)$2q\sqrt{\dfrac{k}{mr}}$
C)$\dfrac{q}{2}\sqrt[3]{\dfrac{k}{mr}}$
D)$2q\sqrt[3]{\dfrac{k}{mr}}$
E)$2q\left(\dfrac{k}{mr}\right)^{\frac{2}{3}}$

Gabarito Preliminar

A
Resolução

Duas partículas idênticas, de carga positiva $q$ e massa $m$, descrevem a mesma circunferência de raio $r$, em posições diametralmente opostas, sob ação da repulsão elétrica e da força magnética de um campo $B_0=\sqrt{mk/r^3}$. Pede-se a velocidade $v$. Repare que o campo já vem em função de $m$, $k$ e $r$, e o que resta é achar $v$ em função de $q$.

Em cada partícula, a resultante das forças radiais é a força centrípeta. A força magnética aponta para o centro, e a repulsão da outra partícula aponta para fora, pois a distância entre elas é o diâmetro $2r$. Vamos por partes: escrevemos a equação radial, substituímos $B_0$ e resolvemos para $v$, que aparece de forma quadrática.

A força centrípeta é a diferença entre a magnética e a elétrica: $$qvB_0-\dfrac{kq^2}{(2r)^2}=\dfrac{mv^2}{r}$$ Reorganizando como equação do segundo grau em $v$, com $B_0=\sqrt{mk/r^3}$: $$\dfrac mr\,v^2-q\sqrt{\dfrac{mk}{r^3}}\,v+\dfrac{kq^2}{4r^2}=0$$ O discriminante é $q^2\dfrac{mk}{r^3}-4\cdot\dfrac mr\cdot\dfrac{kq^2}{4r^2}=0$, então a raiz é dupla: $$v=\dfrac{q\sqrt{mk/r^3}}{2m/r}=\dfrac q2\sqrt{\dfrac{k}{mr}}$$

Obtemos $v=\dfrac q2\sqrt{\dfrac{k}{mr}}$. Podemos conferir o resultado: com esse $v$, a força magnética vale $kq^2/(2r^2)$, a elétrica vale $kq^2/(4r^2)$, e a diferença $kq^2/(4r^2)$ é igual a $mv^2/r$. O discriminante nulo mostra que só existe uma velocidade possível, o que explica a resposta única.

Cuidado, armadilha! Esquecer a força elétrica entre as partículas é o erro clássico: sem ela, $qvB_0=mv^2/r$ daria outra velocidade, e você marcaria a alternativa errada. Outros deslizes são usar a distância $r$ em vez de $2r$ na lei de Coulomb e inverter o sentido da força magnética. Desenhe as duas partículas no diâmetro e marque cada força antes de escrever a equação.

Alternativa correta: A

Q40
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Ondas estacionárias em tubo com gás

Sobre um motor, repousa um tubo cilíndrico vertical de tamanho $L=7{,}5m$ fechado no topo e na base. O tubo contém um gás monoatômico ideal A com massa molar $M=100g/mol$ à temperatura de 300K. A vibração do motor é transmitida para o tubo, gerando uma onda sonora estacionária em seu terceiro harmônico no gás A.

Tubo cilíndrico vibrando sobre motor

Dentro do motor, 1mol de outro gás monoatômico ideal B passa pelo ciclo termodinâmico ilustrado abaixo, composto por duas adiabáticas e duas isocóricas. O gás A no tubo oscila na mesma frequência com que o gás B executa o ciclo termodinâmico.

Gráfico do ciclo termodinâmico PV

Os estados 1 e 3 possuem temperaturas $T_1=100K$ e $T_3=800K$ e seus volumes atendem à relação $\frac{V_1}{V_3}=8$. Calcule a potência entregue pelo ciclo, considerando a constante universal dos gases ideais $R=8J/(mol\,K)$.

A)96kW
B)144kW
C)288kW
D)312kW
E)624kW

Gabarito Preliminar

B
Resolução

Há duas partes ligadas por uma frequência. Um tubo fechado nas duas pontas, de 7,5 m, contém um gás A e vibra no terceiro harmônico. Essa frequência é a mesma com que um mol de gás B percorre um ciclo formado por duas adiabáticas e duas isocóricas. Precisamos da potência do ciclo, que é o trabalho por ciclo vezes a frequência. Os dados de A servem só para achar a frequência.

Primeiro, comprimento de onda e velocidade do som no gás A dão a frequência. Depois, o ciclo de B é do tipo Otto, e o trabalho por ciclo é o calor absorvido menos o rejeitado, ambos nas isocóricas. Como o gás B é monoatômico, $C_v=\tfrac32R$ e $\gamma-1=\tfrac23$, o que permite obter as temperaturas dos outros dois estados pela relação adiabática.

Em tubo fechado nas duas pontas, o terceiro harmônico tem $\lambda=2L/3=5\text{ m}$. Com $M=0{,}1\text{ kg/mol}$ (atenção à conversão) e $\gamma=5/3$: $$v_s=\sqrt{\dfrac{\gamma RT}{M}}=\sqrt{\dfrac{(5/3)\cdot8\cdot300}{0{,}1}}=200\text{ m/s}\;\Rightarrow\;f=\dfrac{200}{5}=40\text{ Hz}$$ Para o gás B, pela relação $TV^{\gamma-1}=\text{cte}$ e com $V_1/V_3=8$, obtemos $T_2=100\cdot8^{2/3}=400\text{ K}$ e $T_4=800/4=200\text{ K}$. Assim $$Q_{in}=\tfrac32R\,(800-400)=4800\text{ J}\qquad Q_{out}=\tfrac32R\,(200-100)=1200\text{ J}$$ $$W=4800-1200=3600\text{ J}\qquad P=W\,f=3600\cdot40=144\,000\text{ W}$$

A potência é $144\text{ kW}$. Só para conferir: a eficiência do ciclo de Otto é $1-\dfrac{T_1}{T_2}=1-\dfrac{100}{400}=0{,}75$, e $0{,}75\cdot4800=3600\text{ J}$, o mesmo trabalho encontrado pela diferença dos calores.

Cuidado, armadilha! Usar a massa molar em g/mol dentro da fórmula da velocidade do som é o erro mais comum: com $M=100$ no lugar de $0{,}1$, a velocidade sai 31 vezes menor e a frequência, absurda. Converta para kg/mol antes de substituir. Outro cuidado é confundir as condições de contorno: no tubo fechado nas duas pontas, $\lambda=2L/n$, e não $4L/n$ como em tubo com uma ponta aberta.

Alternativa correta: B

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