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EFOMM 2027

Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante

Processo Seletivo 2026/2027 · Prova de Física (Q21-40) — resolução comentada Método TEF. (Prova Amarela)

Q21
Eletromagnetismo — Capacitores

Um capacitor de placas paralelas e área $A_0$, inicialmente sem dielétrico entre suas placas, é reprojetado para operar com um material de constante dielétrica relativa $k$. Sabendo que a capacitância, distância entre as placas e geometria do novo capacitor permanecem inalteradas, marque a opção que corresponde à razão $\dfrac{(A_f - A_0)}{A_0}$, em que $A_f$ é a área do capacitor redesenhado.

A)$1/k$
B)$(1 - 1/k)$
C)$(k-1)$
D)$(1 - 1/k^2)$
E)$\dfrac{k-1}{k+1}$

Gabarito Preliminar

B
Resolução

A capacitância de um capacitor de placas paralelas no vácuo é dada por $C_0 = \frac{\varepsilon_0 A_0}{d}$. Com a inserção de um material de constante dielétrica $k$, a nova capacitância passa a ser $C_f = \frac{k \varepsilon_0 A_f}{d}$.

O enunciado afirma que a capacitância permanece inalterada ($C_f = C_0$). Portanto, podemos igualar as duas equações:

$\frac{k \varepsilon_0 A_f}{d} = \frac{\varepsilon_0 A_0}{d} \implies k A_f = A_0 \implies A_f = \frac{A_0}{k}$

O problema pede o cálculo da razão $\frac{A_f - A_0}{A_0}$. Substituindo $A_f$ na expressão, temos:

$\frac{\frac{A_0}{k} - A_0}{A_0} = \frac{1}{k} - 1 = -\left(1 - \frac{1}{k}\right)$

Considerando o módulo dessa variação (já que a área diminui e as alternativas apresentam valores positivos para a proporção dessa redução), a razão correspondente é $1 - \frac{1}{k}$.

Alternativa correta: B

Q22
Ondulatória — Interferência

Um casco de navio é projetado com uma saliência em sua extremidade, denominada bulbo, cuja função é produzir ondas que devem interferir destrutivamente com as ondas geradas pelo restante do casco do navio durante seu movimento. Com isso, a força de arrasto devido à formação de ondas é minimizada. Considere um modelo simplificado em que se assume que o bulbo e o casco são duas fontes de ondas planas unidimensionais, com distância $d$ entre si.

Sabe-se que as ondas geradas pelo navio possuem comprimento de onda dado por $\lambda = \dfrac{V^2}{g}$, onde $V$ é o módulo da velocidade da embarcação e $g=10\,m/s^2$ é a aceleração da gravidade. Para uma embarcação em que $d=5\,m$, determine a menor velocidade da embarcação, em $m/s$, para que o arrasto seja o menor possível.

A)5,0
B)7,1
C)10,0
D)14,1
E)20,0

Gabarito Preliminar

C
Resolução

Para que ocorra interferência totalmente destrutiva entre duas fontes em fase, a diferença de caminho percorrida pelas ondas ($\Delta x$) deve ser igual a um múltiplo ímpar de meio comprimento de onda: $\Delta x = n \frac{\lambda}{2}$, onde $n = 1, 3, 5, \dots$

A menor velocidade da embarcação ($V$) exige, pela fórmula $\lambda = V^2/g$, o menor comprimento de onda ($\lambda$) possível. Geometricamente, o casco e o bulbo formam um padrão principal de anulação para a onda primária que se dá com o primeiro modo de interferência destrutiva, ou seja, $n = 1$.

Sendo a distância entre as fontes $\Delta x = d = 5\text{ m}$, temos:

$d = \frac{\lambda}{2} \implies 5 = \frac{\lambda}{2} \implies \lambda = 10\text{ m}$.

Substituindo o valor de $\lambda$ na equação da velocidade fornecida no enunciado:

$10 = \frac{V^2}{10} \implies V^2 = 100 \implies V = 10\text{ m/s}$.

Alternativa correta: C

Q23
Termodinâmica — Ciclos

Um grupo de alunos deve avaliar características de dois ciclos termodinâmicos aos quais um mol de gás ideal foi submetido. O ciclo 1 é composto por duas transformações isotérmicas com temperaturas $T_Q$ e $T_F$ e por duas transformações isovolumétricas com volumes $V_{min}$ e $V_{max}$. O ciclo 2 é composto por duas isotermas com as mesmas temperaturas do ciclo anterior e por duas adiabáticas. Os volumes mínimo e máximo que o gás alcança durante o ciclo 2 coincidem com os volumes $V_{min}$ e $V_{max}$ do ciclo 1.

Dado que as quantidades totais de calor trocadas pelo gás nos ciclos 1 e 2 são $Q_1$ e $Q_2$, e que suas eficiências termodinâmicas correspondentes são $\eta_1$ e $\eta_2$, é correto afirmar que:

A)$Q_1 > Q_2 \text{ e } \eta_1 < \eta_2$
B)$Q_1 > Q_2 \text{ e } \eta_1 > \eta_2$
C)$Q_1 = Q_2 \text{ e } \eta_1 < \eta_2$
D)$Q_1 < Q_2 \text{ e } \eta_1 < \eta_2$
E)$Q_1 < Q_2 \text{ e } \eta_1 > \eta_2$

Gabarito Preliminar

A
Resolução

O Ciclo 1 descreve o chamado Ciclo de Stirling (sem regenerador), formado por duas isotérmicas e duas isocóricas. O Ciclo 2 é o Ciclo de Carnot, formado por duas isotérmicas e duas adiabáticas.

Pelo Teorema de Carnot, nenhuma máquina térmica operando entre duas temperaturas $T_Q$ e $T_F$ pode ter uma eficiência maior que a do Ciclo de Carnot. Logo, a eficiência do Ciclo 2 é maior que a do Ciclo 1: $\eta_1 < \eta_2$.

Em um diagrama Pressão-Volume (P-V), as curvas adiabáticas são sempre mais íngremes que as curvas isotérmicas. Como os dois ciclos operam entre as mesmas temperaturas e possuem os mesmos volumes extremos $V_{min}$ e $V_{max}$, as linhas isocóricas (verticais) do Ciclo 1 englobam uma área maior do que as linhas adiabáticas (curvas) do Ciclo 2. Portanto, o trabalho total realizado pelo Ciclo 1 é maior que o do Ciclo 2 ($W_1 > W_2$).

Para um ciclo completo, a variação da energia interna é nula ($\Delta U = 0$). Pela Primeira Lei da Termodinâmica, o calor líquido trocado é igual ao trabalho líquido realizado ($Q = W$). Como $W_1 > W_2$, concluímos que o calor líquido trocado no primeiro ciclo é maior: $Q_1 > Q_2$.

Alternativa correta: A

Q24
Mecânica — Conservação de Energia

Um objeto de massa $m$ repousa em equilíbrio sobre uma mola ideal vertical de constante elástica $k$. O objeto não está fixado à mola. A partir da posição de equilíbrio, o bloco é comprimido verticalmente para baixo por uma distância $d$ e, em seguida, liberado.

Assinale a option que representa a distância total percorrida verticalmente pelo objeto desde quando é liberado até o instante em que ele perde o contato com a mola.

A)$d$
B)$\dfrac{mg}{k}$
C)$d + \dfrac{mg}{k}$
D)$d - \dfrac{mg}{k}$
E)$2d + \dfrac{mg}{k}$

Gabarito Preliminar

C
Resolução

Na posição de equilíbrio inicial, a força elástica equilibra o peso do objeto. A mola está comprimida por uma deformação $x_0$ dada por: $k x_0 = mg \implies x_0 = \frac{mg}{k}$.

O objeto é empurrado uma distância $d$ adicional para baixo. Como ele não está preso à mola, ao ser solto, ele realizará um Movimento Harmônico Simples (MHS) até o ponto onde a mola atinge seu comprimento natural. A partir desse ponto (onde a mola não exerce mais força para cima), a força normal zera e o objeto perde contato com a mola.

A distância total percorrida pelo objeto para cima, desde o ponto em que foi liberado até o momento da perda de contato, é a soma da compressão adicional ($d$) com a compressão de equilíbrio ($x_0$).

Distância = $d + x_0 = d + \frac{mg}{k}$.

Alternativa correta: C

Q25
Dinâmica — Impulso e Colisões

Uma barra uniforme de massa 1kg está articulada em uma de suas extremidades, podendo girar livremente em um plano vertical. Uma pessoa dispara bolinhas de borracha de massa 0,04kg verticalmente para cima, que colidem elasticamente com o centro de massa da barra à velocidade de $10\,m/s$. Embora a barra realize pequenas oscilações devido aos impactos das bolinhas, a amplitude destas pode ser considerada desprezível. Por isso, assuma que a barra está em equilíbrio na posição exibida na figura.

Barra articulada em plano vertical colidindo com bolinhas

Nessas condições, o número de bolinhas disparadas por segundo necessário para manter o equilíbrio da barra é:

A)3,5
B)5,5
C)7,5
D)10,5
E)12,5

Gabarito Preliminar

E
Resolução

A barra se mantém em equilíbrio quando a soma dos torques em relação à articulação é nula. O torque causado pelo peso da barra ($M = 1\text{ kg}$), aplicado em seu centro de massa ($L/2$), é:

$\tau_P = M \cdot g \cdot \frac{L}{2} \cdot \text{sen}(30^\circ)$

Para equilibrar esse torque, os impactos sucessivos das bolinhas exercem uma força média vertical para cima. Cada bolinha de massa $m = 0,04\text{ kg}$ atinge a barra com velocidade $v = 10\text{ m/s}$ e sofre colisão elástica, retornando com velocidade $-v$. A variação da quantidade de movimento (impulso) por bolinha é:

$\Delta p = m(v) - m(-v) = 2mv = 2 \cdot 0,04 \cdot 10 = 0,8\text{ N}\cdot\text{s}$

Se são disparadas $n$ bolinhas por segundo, a força média aplicada na barra é dada pelo Teorema do Impulso ($F = \frac{\Delta p}{\Delta t}$):

$F = n \cdot \Delta p = n \cdot 0,8$

Essa força atua verticalmente no centro de massa da barra. Seu torque em relação à articulação é:

$\tau_F = F \cdot \frac{L}{2} \cdot \text{sen}(30^\circ)$

Igualando os torques ($\tau_P = \tau_F$), percebemos que o braço da alavanca ($\frac{L}{2} \text{sen}30^\circ$) é idêntico e pode ser simplificado:

$M \cdot g = F \implies 1 \cdot 10 = n \cdot 0,8 \implies 10 = 0,8n \implies n = 12,5$.

São necessárias 12,5 bolinhas por segundo para manter o equilíbrio.

Alternativa correta: E

Q26
Cinemática Vetorial

Uma partícula se move no plano xy e, em um instante t qualquer, suas coordenadas são $(x,y) = (2\text{sen}(3\pi t), 2\cos(3\pi t))$, com todas as grandezas no sistema internacional de unidades. Marque a opção que corresponde ao módulo do vetor velocidade média, em $m/s$, da partícula no intervalo $[t_0, t_f] = [1/9\,s, 11/18\,s]$.

A)$\sqrt{2}/2$
B)$\sqrt{2}$
C)$2\sqrt{2}$
D)$3\sqrt{2}$
E)$4\sqrt{2}$

Gabarito Preliminar

E
Resolução

O vetor posição em função do tempo é $\vec{r}(t) = (2\text{sen}(3\pi t), 2\cos(3\pi t))$. Calcularemos a posição da partícula nos instantes inicial e final.

Para o instante inicial $t_0 = 1/9\text{ s}$:

$\vec{r}_0 = \left(2\text{sen}\left(3\pi \cdot \frac{1}{9}\right), 2\cos\left(3\pi \cdot \frac{1}{9}\right)\right) = \left(2\text{sen}\frac{\pi}{3}, 2\cos\frac{\pi}{3}\right) = (\sqrt{3}, 1)\text{ m}$.

Para o instante final $t_f = 11/18\text{ s}$:

$\vec{r}_f = \left(2\text{sen}\left(3\pi \cdot \frac{11}{18}\right), 2\cos\left(3\pi \cdot \frac{11}{18}\right)\right) = \left(2\text{sen}\frac{11\pi}{6}, 2\cos\frac{11\pi}{6}\right) = (-1, \sqrt{3})\text{ m}$.

O vetor deslocamento é dado por $\Delta\vec{r} = \vec{r}_f - \vec{r}_0 = (-1 - \sqrt{3}, \sqrt{3} - 1)\text{ m}$.

O módulo do vetor deslocamento é:

$|\Delta\vec{r}| = \sqrt{(-1 - \sqrt{3})^2 + (\sqrt{3} - 1)^2}$

$|\Delta\vec{r}| = \sqrt{(1 + 2\sqrt{3} + 3) + (3 - 2\sqrt{3} + 1)} = \sqrt{8} = 2\sqrt{2}\text{ m}$.

O intervalo de tempo do movimento é $\Delta t = \frac{11}{18} - \frac{1}{9} = \frac{11}{18} - \frac{2}{18} = \frac{9}{18} = 0,5\text{ s}$.

A velocidade vetorial média é calculada por: $v_m = \frac{|\Delta\vec{r}|}{\Delta t} = \frac{2\sqrt{2}}{0,5} = 4\sqrt{2}\text{ m/s}$.

Alternativa correta: E

Q27
Termodinâmica — Calorimetria

Vapor de água considerado gás ideal contido no interior de um conjunto cilindro pistão é submetido a um processo de compressão isotérmica com $T=300K$. Inicialmente, a pressão e o volume no interior do cilindro são $P_0=100kPa$ e $V_0=1,3845m^3$ e, ao final do processo, o volume do gás é reduzido pela metade. Considere $\ln(2)=0,7$, e que todo o calor liberado no processo é utilizado para aquecer 0,9230kg de água contida em um balde inicialmente à temperatura ambiente.

Calcule a variação de temperatura da água do balde se o calor específico da água é $c=4,2kJ/(kgK)$.

Dado: O trabalho exercido pelo vapor de água (considerado gás ideal) em um processo isotérmico que parte de um estado à pressão $P_0$ e volume $V_0$ e atinge volume final $V_f$ é $W = P_0 V_0 \ln(V_f / V_0)$.

A)$6,25^\circ\text{C}$
B)$12,5^\circ\text{C}$
C)$25^\circ\text{C}$
D)$50^\circ\text{C}$
E)$100^\circ\text{C}$

Gabarito Preliminar

C
Resolução

O trabalho realizado pelo gás em uma compressão isotérmica é dado pela fórmula fornecida: $W = P_0 V_0 \ln(V_f/V_0)$. Sabendo que o volume reduz pela metade, a razão $V_f/V_0 = 0,5$.

$W = 100\times10^3 \times 1,3845 \times \ln(0,5) = 138450 \times (-0,7) = -96915\text{ J}$.

Como o processo é isotérmico, a variação da energia interna do gás é nula ($\Delta U = 0$). Pela Primeira Lei da Termodinâmica, o calor trocado é igual ao trabalho: $Q = W$. O sinal negativo indica que o gás liberou $96915\text{ J}$ de calor.

Esse calor liberado é integralmente absorvido pela água no balde. Utilizando a equação do calor sensível $Q = mc\Delta T$, onde o calor específico da água é $c = 4,2\text{ kJ/(kg K)} = 4200\text{ J/(kg K)}$:

$96915 = 0,9230 \times 4200 \times \Delta T \implies 96915 = 3876,6 \times \Delta T \implies \Delta T = \frac{96915}{3876,6} = 25^\circ\text{C}$.

Lembrando que uma variação de temperatura de 25 K corresponde a uma variação de $25^\circ\text{C}$.

Alternativa correta: C

Q28
Cinemática — Movimento Relativo

Um trem que se move segundo um movimento retilíneo uniformemente variado, e um carro que se move em movimento retilíneo uniforme estão em rota de colisão. Utilizando um sistema de coordenadas cartesianas e os vetores unitários cartesianos $\hat{i}$ e $\hat{j}$, verifica-se que, no instante inicial, o trem, que anda sobre o eixo $x$, localiza-se na origem e possui velocidade $\vec{v}_{T_0} = 1\hat{i}\,m/s$. Neste mesmo instante, a velocidade relativa do carro em relação ao trem é $\vec{v}_{rel} = \sqrt{3}\hat{j}\,m/s$, e o carro está no ponto de coordenadas $(x_{C_0}, y_{C_0}) = (+1, -\sqrt{3})\,m$.

Determine o módulo da máxima aceleração que o trem pode ter de modo que o carro não colida com o trem, atravessando a linha antes deste.

A)$5\,m/s^2$
B)$1,0\,m/s^2$
C)$\sqrt{3}\,m/s^2$
D)$2\,m/s^2$
E)$3\,m/s^2$

Gabarito Preliminar

D
Resolução

A velocidade absoluta do carro pode ser encontrada pela soma vetorial: $\vec{v}_C = \vec{v}_{T_0} + \vec{v}_{rel}$. Logo, a velocidade do carro é $\vec{v}_C = 1\hat{i} + \sqrt{3}\hat{j}\text{ m/s}$.

Podemos montar as equações horárias de posição para cada veículo:

Trem (no eixo x, com MUV): $x_T(t) = 1t + \frac{a}{2}t^2$ e $y_T(t) = 0$.

Carro (movimento 2D, com MU): $x_C(t) = 1 + 1t$ e $y_C(t) = -\sqrt{3} + \sqrt{3}t$.

A possível colisão (ou o momento de travessia) ocorre quando o carro cruza o trilho do trem. Isso acontece quando a coordenada y do carro atinge o eixo x, ou seja, $y_C(t) = 0$:

$-\sqrt{3} + \sqrt{3}t = 0 \implies t = 1\text{ s}$.

Para evitar a colisão e garantir que o carro atravesse a linha antes do trem passar, a posição x do carro no instante $t = 1\text{ s}$ deve ser maior do que a posição x do trem nesse mesmo instante.

Posição do carro em $t=1$: $x_C(1) = 1 + 1(1) = 2\text{ m}$.

Posição do trem em $t=1$: $x_T(1) = 1(1) + \frac{a}{2}(1)^2 = 1 + \frac{a}{2}$.

Impondo a condição $x_T(1) < x_C(1)$:

$1 + \frac{a}{2} < 2 \implies \frac{a}{2} < 1 \implies a < 2\text{ m/s}^2$.

O módulo da aceleração máxima que o trem pode ter é de $2\text{ m/s}^2$.

Alternativa correta: D

Q29
Hidrostática / Gases

Um experimento foi realizado para se determinar a densidade $\rho_L$ de um determinado líquido. Para atingir este objetivo, o líquido, à temperatura e pressão ambientes, foi despejado acima de um pistão de modo que todo o espaço na porção superior do cilindro ficou completamente preenchido, conforme mostra a figura.

Líquido acima de pistão com gás ideal abaixo

O pistão de área de seção transversal $A=0,004m^2$, altura e massa desprezíveis separa o líquido de um gás ideal contido no interior do cilindro.

Inicialmente, o conjunto está em equilíbrio. Ao ser lentamente aquecido, o gás se expande fazendo com que parte do líquido na parte superior seja despejada pela borda do cilindro.

Assuma a gravidade com módulo $g=10m/s^2$, e que, em um instante qualquer, a pressão atuando na parte superior do pistão é igual à soma da pressão atmosférica com a pressão hidrostática do líquido. Determine a densidade do líquido, em $kg/m^3$, sabendo que, após o experimento, verificou-se que o volume do gás aumentou em $0,01m^3$ enquanto a pressão do gás diminuiu em $50kPa$.

A)125
B)250
C)500
D)1000
E)2000

Gabarito Preliminar

E
Resolução

A pressão inicial sobre o gás é exercida pela pressão atmosférica somada à coluna inicial de líquido de altura $H$. A equação para a pressão inicial é: $P_1 = P_{atm} + \rho_L g H$.

Durante o aquecimento, o gás expande. O aumento de volume do gás ($\Delta V = 0,01\text{ m}^3$) desloca o pistão para cima. A distância $d$ que o pistão sobe é calculada por: $d = \frac{\Delta V}{A} = \frac{0,01}{0,004} = 2,5\text{ m}$.

Como o cilindro estava inicialmente cheio até a borda, a subida do pistão provoca o transbordamento do líquido. A nova altura da coluna de líquido suportada pelo pistão passa a ser $H' = H - 2,5\text{ m}$.

A nova pressão sobre o gás é $P_2 = P_{atm} + \rho_L g (H - 2,5)$. A diferença de pressão no gás é a diferença nas pressões hidrostáticas:

$\Delta P = P_2 - P_1 = - \rho_L g (2,5)$.

O enunciado informa que a pressão diminuiu em $50\text{ kPa}$, logo $\Delta P = -50000\text{ Pa}$. Substituindo esse valor na equação:

$-50000 = -\rho_L \times 10 \times 2,5 \implies 50000 = 25\rho_L \implies \rho_L = 2000\text{ kg/m}^3$.

Alternativa correta: E

Q30
Dinâmica Curvilínea / Energia

Um objeto de massa $m$ preso por uma corda inextensível de comprimento $L$ pivotada no ponto A é solto do repouso de uma determinada altura e, ao passar pelo ponto $P_1$, possui velocidade de módulo $v_1$. O objeto continua sua trajetória circular e, ao passar pelo ponto $P_2$, possui velocidade de módulo $v_2$, conforme mostrado abaixo.

Objeto preso por corda realizando trajetória circular de P1 a P2

A força de tração que a corda exerce sobre o objeto tem módulo T. O ângulo $\theta$ formado entre o fio e a vertical vale $\theta_1 = O\hat{A}P_1 = \pi/3\,\text{rad}$; em um instante $t_1$, e $\theta_2 = O\hat{A}P_2 = \pi/4\,\text{rad}$ em um instante $t_2$. A gravidade tem módulo g.

Analise as afirmativas e marque a opção correta.

I. A tração possui valor $T = mg\cos\theta$, sendo constante durante toda a trajetória.

II. Supondo que não haja forças dissipativas, então $v_2 = \sqrt{gL(\sqrt{2}-1) + v_1^2}$.

III. O trabalho da força de tração durante o deslocamento da partícula desde a posição $P_1$ até a posição $P_2$ é igual à variação da energia cinética, isto é, $\frac{m}{2}(v_2^2 - v_1^2)$.

IV. A aceleração tangencial da partícula vale $a_t = g\,\text{sen}\,\theta$.

A)Apenas a afirmativa IV é verdadeira.
B)Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
C)Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
D)Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras.
E)Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

Gabarito Preliminar

D
Resolução

Vamos analisar cada afirmativa:

I - Falsa. A tração em um pêndulo varia de acordo com a posição e a velocidade. A equação da dinâmica na direção radial é $T - mg\cos\theta = \frac{mv^2}{L}$. Como $\theta$ e $v$ mudam ao longo da trajetória, a tração $T$ não é constante.

II - Verdadeira. Pela conservação da energia mecânica entre os ângulos $\theta_1 = 60^\circ$ e $\theta_2 = 45^\circ$, calculamos a variação de altura $\Delta h = L\cos(45^\circ) - L\cos(60^\circ) = L\left(\frac{\sqrt{2}}{2} - \frac{1}{2}\right)$. Relacionando as energias: $E_{c2} = E_{c1} + m g \Delta h \implies v_2^2 = v_1^2 + 2gL\left(\frac{\sqrt{2}-1}{2}\right) = v_1^2 + gL(\sqrt{2}-1)$.

III - Falsa. Como a força de tração atua sempre na direção radial (perpendicular à velocidade instantânea da partícula), ela não realiza trabalho. A variação da energia cinética decorre unicamente do trabalho realizado pela força peso.

IV - Verdadeira. A componente tangencial da força resultante que atua na partícula é apenas a componente tangencial do peso, $P_t = mg\text{sen}\theta$. Pela Segunda Lei de Newton, $ma_t = mg\text{sen}\theta \implies a_t = g\text{sen}\theta$.

Alternativa correta: D

Q31
Estática / Centro de Massa

Após um carregamento inicial, uma embarcação apresenta massa total $M_0=3200\,\text{ton}$. Seu centro de massa possui coordenadas $X_{G0}=55\,m$ e $Z_{G0}=4,5\,m$, de acordo com o sistema de coordenadas mostrado na figura abaixo.

Embarcação com compartimentos A, B e C e o referencial cartesiano

Para melhorar a estabilidade da embarcação, são adicionadas 800 ton de água em 3 compartimentos denominados A, B e C. Considere que toda água adicionada preenche completamente cada compartimento, cujos vetores posição são $\vec{r}_A=(30\hat{i} + 1\hat{k})\,m$, $\vec{r}_B=(90\hat{i} + 1\hat{k})\,m$ e $\vec{r}_C=(75\hat{i} + 3\hat{k})\,m$. Após a adição de água, o centro de massa da embarcação passa a se situar em $X_{Gf}=60\,m$ e $Z_{Gf}=4\,m$.

Marque a opção que corresponde às massas aproximadas $m_A$, $m_B$ e $m_C$ adicionadas, respectivamente, nos compartimentos A, B e C, considerando que todos os valores das respostas estão expressos em toneladas.

A)$m_A=33,3$, $m_B=366,7$ e $m_C=400$
B)$m_A=366,7$, $m_B=33,3$ e $m_C=400$
C)$m_A=33,3$, $m_B=366,7$ e $m_C=0$
D)$m_A=200$, $m_B=100$ e $m_C=400$
E)$m_A=100$, $m_B=200$ e $m_C=400$

Gabarito Preliminar

A
Resolução

A soma das massas adicionadas é igual a 800 toneladas: $m_A + m_B + m_C = 800$. A massa total final da embarcação passa a ser $M_f = 3200 + 800 = 4000\text{ ton}$.

Podemos equacionar as posições do centro de massa pelas médias ponderadas nos dois eixos.

No eixo vertical (Z):

$4 = \frac{3200 \times 4,5 + m_A(1) + m_B(1) + m_C(3)}{4000} \implies 16000 = 14400 + m_A + m_B + 3m_C$.

Substituindo $m_A + m_B = 800 - m_C$ na equação acima:

$(800 - m_C) + 3m_C = 1600 \implies 2m_C = 800 \implies m_C = 400\text{ ton}$.

No eixo horizontal (X):

$60 = \frac{3200 \times 55 + 30m_A + 90m_B + 75(400)}{4000} \implies 240000 = 176000 + 30m_A + 90m_B + 30000$.

$30m_A + 90m_B = 34000 \implies 3m_A + 9m_B = 3400$.

Como sabemos que $m_A + m_B = 800 - 400 = 400\text{ ton}$, temos $m_A = 400 - m_B$. Substituindo:

$3(400 - m_B) + 9m_B = 3400 \implies 1200 - 3m_B + 9m_B = 3400 \implies 6m_B = 2200 \implies m_B \approx 366,7\text{ ton}$.

Por fim, determinamos a massa restante: $m_A = 400 - 366,7 = 33,3\text{ ton}$.

Alternativa correta: A

Q32
Ondulatória

Um observador tirou duas fotos de uma onda senoidal com perfil dado por $y=y(x,t)$, com todas as variáveis medidas em unidades do sistema internacional de unidades, que se propaga em uma corda no sentido positivo do eixo x. A primeira foto corresponde ao instante $t=0$ (linha cheia), e a segunda, a $t=\pi/2$ (linha tracejada), as quais estão superpostas na figura abaixo.

Onda em dois instantes de tempo t=0 e t=pi/2

Os pontos mostrados possuem coordenadas $A=(0,-2)\,m$, $B=(4,2)\,m$ e $C=(6,0)\,m$. Sabendo que a configuração tracejada corresponde à primeira vez que a onda assume essa forma após o instante inicial e que o número de onda é $k=\pi/8\,\text{rad/m}$, marque a opção que contém, respectivamente, a amplitude e a velocidade da onda.

A)$\sqrt{2}\,\text{m e }\pi\,\text{m/s}$
B)$\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{\pi}{8}\,\text{m/s}$
C)$2\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{\pi}{8}\,\text{m/s}$
D)$2\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{8}{\pi}\,\text{m/s}$
E)$4\sqrt{2}\,\text{m e }\dfrac{8}{\pi}\,\text{m/s}$

Gabarito Preliminar

D
Resolução

A equação geral da onda propagando-se para a direita é $y(x,t) = A_m\cos(kx - \omega t + \phi_0)$. O número de onda é dado como $k = \pi/8\text{ rad/m}$.

Substituindo os pontos fornecidos no instante inicial ($t=0$):

Para o ponto $C(6,0)$: $y(6,0) = A_m\cos\left(\frac{6\pi}{8} + \phi_0\right) = 0$.

Para o ponto $A(0,-2)$: $y(0,0) = A_m\cos(\phi_0) = -2$.

Para o ponto $B(4,2)$: $y(4,0) = A_m\cos\left(\frac{4\pi}{8} + \phi_0\right) = A_m\cos\left(\frac{\pi}{2} + \phi_0\right) = -A_m\text{sen}(\phi_0) = 2$.

Dividindo as equações dos pontos B e A, obtemos: $\tan(\phi_0) = \frac{-2}{-2} = 1$. A amplitude é $A_m = \sqrt{(-2)^2 + (-2)^2} = \sqrt{8} = 2\sqrt{2}\text{ m}$.

A linha tracejada em $t = \pi/2$ mostra exatamente o deslocamento em que a forma de onda é idêntica ao que seria a reflexão lateral inicial. Por ser a primeira vez que isso ocorre, esse deslocamento de fase corresponde a 1/4 do período ($T/4$).

$t = T/4 = \pi/2 \implies T = 2\pi\text{ s}$.

A velocidade de propagação é calculada pela relação $v = \frac{\lambda}{T}$ ou $v = \frac{\omega}{k}$. Sendo $\omega = \frac{2\pi}{T} = \frac{2\pi}{2\pi} = 1\text{ rad/s}$:

$v = \frac{1}{\pi/8} = \frac{8}{\pi}\text{ m/s}$.

Alternativa correta: D

Q33
Eletrostática / Potencial Elétrico

Um pesquisador distribuiu 2027 partículas de carga $Q$ em posições fixas ao longo de uma espiral. Cada carga foi colocada em um ponto, e o n-ésimo ponto possui, no sistema internacional de unidades, coordenadas $P_n = (x_n, y_n) = 2^{\theta_n}(\cos\theta_n, \text{sen}\theta_n)$ com $\theta_n = n/2$ e $n$ variando de 1 a 2027. Em seguida, procedeu-se à medição do potencial $V_0$ gerado na origem do sistema de coordenadas. A figura abaixo ilustra algumas cargas, a origem e os eixos horizontal e vertical.

Partículas distribuídas ao longo de uma espiral partindo da origem

Se $k$ é a constante de Coulomb, então a razão $\dfrac{V_0}{kQ}$, em unidade $m^{-1}$, pertence ao intervalo de números reais:

A)[2,3)
B)[3,4)
C)[4,5)
D)[5,6)
E)[6,7)

Gabarito Preliminar

A
Resolução

O potencial elétrico resultante na origem é dado pela soma algébrica dos potenciais de cada carga individual: $V_0 = \sum_{n=1}^{2027} \frac{kQ}{r_n}$.

A distância de cada carga à origem é definida pelas coordenadas dadas: $r_n = 2^{\theta_n} = 2^{n/2} = (\sqrt{2})^n$. Substituindo na soma, temos:

$V_0 = kQ \sum_{n=1}^{2027} \left(\frac{1}{\sqrt{2}}\right)^n$.

Essa soma corresponde à de uma Progressão Geométrica (PG) de razão $q = 1/\sqrt{2}$. Como 2027 é um número grande e a razão é menor que 1, podemos aproximar o resultado pela soma de uma PG infinita:

$\frac{V_0}{kQ} \approx \frac{a_1}{1 - q} = \frac{\frac{1}{\sqrt{2}}}{1 - \frac{1}{\sqrt{2}}} = \frac{1}{\sqrt{2} - 1}$.

Racionalizando a expressão, multiplicamos o numerador e o denominador por $(\sqrt{2} + 1)$:

$\frac{V_0}{kQ} = \sqrt{2} + 1 \approx 1,41 + 1 = 2,41\text{ m}^{-1}$.

O valor 2,41 pertence ao intervalo $[2, 3)$.

Alternativa correta: A

Q34
Eletrodinâmica / Circuitos

A chave S no circuito abaixo, em que todos os elementos são ideais, é deixada aberta por um longo tempo.

Circuito elétrico com chave S, bateria 36V, resistores de 3 ohm, 6 ohm, 2 ohm e capacitor de 10 uF

Imediatamente após ser fechada, são medidas a carga $Q_0$ armazenada no capacitor e a potência $P_0$ dissipada no resistor de $3\,\Omega$. Muito tempo após a chave ser fechada, são medidas a carga armazenada, denominada $Q_\infty$, e a potência dissipada $P_\infty$ nos mesmos elementos. O valor da razão $\dfrac{P_0 Q_0}{P_\infty Q_\infty}$ é:

A)0
B)1
C)3
D)12
E)27

Gabarito Preliminar

E*
Resolução

Para $t < 0$ (chave S aberta por longo tempo), o circuito atingiu o estado estacionário e o capacitor funciona como uma chave aberta. A corrente no circuito é nula. A tensão no capacitor é igual à tensão da fonte (36 V). Assim, a carga inicial é $Q_0 = 10\mu\text{F} \times 36\text{V} = 360\mu\text{C}$.

No instante $t = 0^+$ (imediatamente após fechar S), o capacitor não pode alterar sua tensão de forma instantânea e se comporta como uma fonte de 36 V. Chamando de $V_A$ o nó superior onde os ramos se encontram, aplicamos a Lei dos Nós:

$\frac{V_A - 36}{6} + \frac{V_A - 0}{3} + \frac{V_A - 36}{2} = 0 \implies V_A = 24\text{ V}$.

A potência inicial dissipada no resistor de $3\,\Omega$ será $P_0 = \frac{24^2}{3} = 192\text{ W}$.

Para $t \to \infty$ (muito tempo após fechar S), o capacitor volta a atuar como um circuito aberto. O circuito se resume a um divisor de tensão com os resistores em série de $6\,\Omega$ e $3\,\Omega$.

A tensão final no nó central é $V_\infty = 36 \times \frac{3}{6+3} = 12\text{ V}$. Como não há corrente no ramo de $2\,\Omega$, a tensão do capacitor é igual à do nó $V_A$. Logo, $Q_\infty = 10\mu\text{F} \times 12\text{V} = 120\mu\text{C}$.

A potência final dissipada no resistor de $3\,\Omega$ é $P_\infty = \frac{12^2}{3} = 48\text{ W}$.

Calculando a razão pedida: $\frac{P_0 Q_0}{P_\infty Q_\infty} = \frac{192 \times 360}{48 \times 120} = 4 \times 3 = 12$.

*Nota de transparência: A demonstração matemática irrefutável mostra que o gabarito correto deve ser a alternativa D (12). A opção E (27) consta no gabarito preliminar oficial, sendo um provável erro que será corrigido após a fase de recursos.

Resultado desenvolvido: D (12) — diverge do gabarito preliminar (E), provável erro a ser corrigido no gabarito definitivo após recursos.

Q35
Eletromagnetismo / Indução

Uma barra retilínea condutora com 1,6m de comprimento é transladada sem rotacionar em uma região com um campo magnético uniforme de intensidade 0,5mT.

Barra condutora com velocidade v=10 m/s inclinada a 30 graus no campo magnético entrando no plano

A barra tem inclinação de $30^\circ$ em relação ao vetor velocidade do seu centro de massa, cujo módulo é de 10m/s. O campo magnético é perpendicular ao plano que contém a barra e o vetor velocidade, apontando para dentro do plano, conforme mostrado na figura. A intensidade da força eletromotriz induzida entre as extremidades da barra vale:

A)2 mV
B)4 mV
C)8 mV
D)16 mV
E)40 mV

Gabarito Preliminar

B
Resolução

A força eletromotriz (f.e.m.) induzida em uma barra condutora móvel sob um campo magnético é dada por $\varepsilon = B L_{\perp} v$, onde $L_{\perp}$ é a componente do comprimento da barra perpendicular ao vetor velocidade.

A partir da geometria fornecida: $L_{\perp} = L \text{sen}(30^\circ) = 1,6 \times 0,5 = 0,8\text{ m}$.

Convertendo o campo para Tesla, $B = 0,5\text{ mT} = 0,5 \times 10^{-3}\text{ T}$. Aplicando os valores na fórmula:

$\varepsilon = (0,5 \times 10^{-3}) \times 0,8 \times 10 = 4 \times 10^{-3}\text{ V} = 4\text{ mV}$.

Alternativa correta: B

Q36
Hidrostática / MHS

Um cilindro circular reto e um cone circular reto possuem raios da base iguais e alturas iguais. Ambos são homogêneos e feitos do mesmo material, cuja densidade vale 64% da densidade da água. Os dois objetos flutuam em equilíbrio estável na água, com o cilindro na vertical e o cone com o seu vértice voltado para baixo.

Cilindro e cone flutuando na água

Após um deslocamento vertical muito pequeno a partir da posição de equilíbrio, ambos são liberados. Desprezando perdas de energia, é correto afirmar que:

A)O cone realiza um MHS, e o cilindro realiza uma oscilação com período menor que o do cone.
B)O cone realiza um MHS, e o cilindro realiza uma oscilação com período maior que o do cone.
C)O cilindro realiza um MHS, e o cone realiza uma oscilação com período menor que o do cilindro.
D)O cilindro realiza um MHS, e o cone realiza uma oscilação com período maior que o do cilindro.
E)O período de ambos é igual.

Gabarito Preliminar

C
Resolução

Um corpo flutuante submetido a um deslocamento vertical realiza um Movimento Harmônico Simples (MHS) apenas se a força de restituição for diretamente proporcional ao deslocamento. Isso ocorre quando a área da seção transversal na linha d'água é constante.

O cilindro posicionado na vertical possui uma área de seção constante, portanto a força de empuxo adicional é linear, e ele realiza rigorosamente um MHS.

O cone com o vértice para baixo não possui uma seção transversal constante, logo, para oscilações arbitrárias, o movimento não seria um MHS. Entretanto, para "deslocamentos verticais muito pequenos", ele realiza uma oscilação aproximável. A geometria do cone na linha d'água implica uma relação de área que reduz o período de oscilação quando comparado à inércia do cilindro equivalente. O período do cone é menor do que o período do cilindro.

Alternativa correta: C

Q37
Trabalho e Energia

Um bloco de massa 2kg preso em sua extremidade esquerda a uma mola de constante elástica $k$ é apoiado em um plano rugoso, conforme mostrado na figura.

Bloco preso à mola em um plano rugoso

O coeficiente de atrito cinético entre o plano e o bloco é $\mu_c = 0,4$. Considere um sistema de coordenadas com origem O situada no centro de massa do bloco quando a mola está em sua configuração relaxada (em seu comprimento natural) com o sentido positivo do eixo x apontando para a direita. O bloco é levado para a posição $x_0 = 0,32m$ e, em seguida, liberado a partir do repouso. Durante seu movimento de volta (para a esquerda), a energia mecânica é reduzida em virtude do atrito.

Sabe-se que a energia mecânica do sistema é reduzida de 0,64J desde o instante em que o bloco é solto até quando este atinge a velocidade máxima. Marque a opção que corresponde à constante $k$ da mola, em $N/m$.

A)25
B)50
C)100
D)150
E)200

Gabarito Preliminar

B*
Resolução

A força de atrito que age contra o movimento é constante: $F_{at} = \mu_c mg = 0,4 \cdot 2 \cdot 10 = 8\text{ N}$.

O bloco atinge sua velocidade máxima no ponto onde a aceleração é zero, ou seja, quando a força elástica se iguala à força de atrito: $F_{el} = F_{at} \implies k \cdot x = 8 \implies x = \frac{8}{k}$.

O bloco viaja da posição $x_0 = 0,32\text{ m}$ até a posição de velocidade máxima $x$. A distância percorrida é $d = 0,32 - \frac{8}{k}$.


Inconsistência do Enunciado:

O enunciado apresenta uma inconsistência conceitual. Pela redação literal, a redução da energia mecânica é igual ao trabalho dissipado pelo atrito ($|W_{at}| = |\Delta E_{mec}|$).

$F_{at} \cdot d = 0,64 \implies 8 \cdot \left(0,32 - \frac{8}{k}\right) = 0,64 \implies 0,32 - \frac{8}{k} = 0,08 \implies \frac{8}{k} = 0,24 \implies k \approx 33,33\text{ N/m}$.

Como podemos notar, esse valor é inexistente nas alternativas. O gabarito somente é recuperado se interpretarmos que os $0,64\text{ J}$ referem-se à energia cinética do bloco quando sua velocidade é máxima, e não à redução da energia mecânica. Neste caso, aplicando o Teorema da Energia Cinética ($W_{res} = \Delta E_c$):

$W_{elástica} + W_{atrito} = E_c$

$\left[\frac{k \cdot (0,32)^2}{2} - \frac{k \cdot \left(\frac{8}{k}\right)^2}{2}\right] - 8 \cdot \left(0,32 - \frac{8}{k}\right) = 0,64$

Resolvendo a equação em função de $k$, obtemos:

$0,0512k - \frac{32}{k} - 2,56 + \frac{64}{k} = 0,64 \implies 0,0512k^2 - 3,2k + 32 = 0$.

As raízes dessa equação quadrática são $k = 12,5\text{ N/m}$ e $k = 50\text{ N/m}$. Como apenas $50\text{ N/m}$ consta entre as alternativas, este é o gabarito esperado.

*Nota de transparência: O enunciado apresenta uma inconsistência conceitual entre a redação literal e o cálculo matemático necessário para alcançar a resposta esperada. O gabarito preliminar aponta a alternativa B, sendo a questão passível de recurso.

Alternativa correta: B

Q38
Cinemática / Conservação

Um objeto é preso na extremidade de uma corda inextensível de comprimento $L$ e massa desprezível fixada ao teto, sendo abandonado do repouso a partir de um pequeno ângulo $\theta_0$ com a vertical, conforme mostrado na figura.

Pêndulo sendo abandonado com carrinho se aproximando à distância d

No instante em que o objeto é solto, um carrinho de brinquedo, inicialmente a uma distância horizontal $d$ do ponto mais baixo da trajetória pendular, começa a se mover horizontalmente com velocidade constante em direção ao objeto. Assumindo o módulo da aceleração da gravidade $g$ e desprezando qualquer efeito dissipativo, determine o valor máximo do módulo da velocidade que o carrinho deve possuir para que este colida com o objeto exatamente no ponto mais baixo de sua trajetória.

A)$\dfrac{d}{\pi}\sqrt{g/L}$
B)$\dfrac{d}{2\pi}\sqrt{g/L}$
C)$\dfrac{d}{4\pi}\sqrt{g/L}$
D)$\dfrac{2d}{\pi}\sqrt{g/L}$
E)$\dfrac{4d}{\pi}\sqrt{g/L}$

Gabarito Preliminar

D
Resolução

Para um ângulo pequeno $\theta_0$, o pêndulo simples realiza um Movimento Harmônico Simples de período $T = 2\pi\sqrt{L/g}$.

O tempo necessário para que a massa pendular, abandonada do repouso em seu ponto de máxima amplitude, alcance o ponto mais baixo da trajetória corresponde a exatamente um quarto do seu período (T/4).

$\Delta t = \frac{T}{4} = \frac{2\pi\sqrt{L/g}}{4} = \frac{\pi}{2}\sqrt{L/g}$.

Para que a colisão ocorra simultaneamente neste local, o carrinho de brinquedo em movimento retilíneo uniforme deve percorrer a distância $d$ durante o mesmo intervalo de tempo $\Delta t$. A velocidade do carrinho será:

$v = \frac{d}{\Delta t} = \frac{d}{\frac{\pi}{2}\sqrt{L/g}} = \frac{2d}{\pi}\sqrt{\frac{g}{L}}$.

Alternativa correta: D

Q39
Eletromagnetismo / Força Magnética

Duas partículas $P_1$ e $P_2$ idênticas possuindo carga elétrica positiva de intensidade $q$ e massa $m$ realizam movimento circular uniforme de raio $r$ no plano xy no sentido anti-horário. Em um dado instante, ambas possuem velocidade de intensidade $v$ em sentidos opostos, conforme mostrado na figura.

Duas partículas descrevendo trajetória circular no referencial xyz

Este movimento das partículas é obtido pois, além de estarem sujeitas à força elétrica de natureza repulsiva, sofrem força magnética devido ao campo magnético $\vec{B} = -B_0\hat{k}$ (no sentido negativo do eixo z) em que estão imersas. Os pesos das partículas podem ser desconsiderados em relação às demais forças. Sabe-se que a intensidade do campo magnético é $B_0 = \sqrt{\frac{mk}{r^3}}$ e que $k$ representa a constante de Coulomb. Marque a opção que corresponde a $v$, módulo da velocidade destas partículas.

A)$\dfrac{q}{2}\sqrt{\dfrac{k}{mr}}$
B)$2q\sqrt{\dfrac{k}{mr}}$
C)$\dfrac{q}{2}\sqrt[3]{\dfrac{k}{mr}}$
D)$2q\sqrt[3]{\dfrac{k}{mr}}$
E)$2q\left(\dfrac{k}{mr}\right)^{\frac{2}{3}}$

Gabarito Preliminar

A
Resolução

No movimento circular, a força resultante deve atuar como força centrípeta. A força magnética aponta para o centro (regra da mão direita), e a força elétrica repulsiva atua no sentido oposto (afastando-se do centro). A distância entre as cargas é o diâmetro da circunferência, $2r$.

A força resultante centrípeta é: $F_{mag} - F_{el} = F_{cp}$.

$qvB_0 - \frac{kq^2}{(2r)^2} = \frac{mv^2}{r} \implies qvB_0 - \frac{kq^2}{4r^2} = \frac{mv^2}{r}$.

Substituindo o valor do campo magnético dado $B_0 = \sqrt{\frac{mk}{r^3}}$, obtemos:

$qv\sqrt{\frac{mk}{r^3}} - \frac{kq^2}{4r^2} = \frac{mv^2}{r}$.

Analisando as opções fornecidas para $v$, podemos testar a alternativa A ($v = \frac{q}{2}\sqrt{\frac{k}{mr}}$):

O termo da energia cinética / força centrípeta (lado direito): $\frac{m}{r} \left(\frac{q}{2}\sqrt{\frac{k}{mr}}\right)^2 = \frac{m}{r} \frac{q^2 k}{4mr} = \frac{kq^2}{4r^2}$.

O termo da força magnética subtraído (lado esquerdo): $q \left(\frac{q}{2}\sqrt{\frac{k}{mr}}\right) \sqrt{\frac{mk}{r^3}} - \frac{kq^2}{4r^2} = \frac{q^2 k}{2r^2} - \frac{kq^2}{4r^2} = \frac{kq^2}{4r^2}$.

Como os dois lados da igualdade coincidem com essa velocidade, a alternativa é validada e consistente.

Alternativa correta: A

Q40
Ondulatória / Termodinâmica

Sobre um motor, repousa um tubo cilíndrico vertical de tamanho $L=7,5m$ fechado no topo e na base. O tubo contém um gás monoatômico ideal A com massa molar $M=100g/mol$ à temperatura de 300K. A vibração do motor é transmitida para o tubo, gerando uma onda sonora estacionária em seu terceiro harmônico no gás A.

Tubo cilíndrico vibrando sobre motor

Dentro do motor, 1mol de outro gás monoatômico ideal B passa pelo ciclo termodinâmico ilustrado abaixo, composto por duas adiabáticas e duas isocóricas. O gás A no tubo oscila na mesma frequência com que o gás B executa o ciclo termodinâmico.

Gráfico do ciclo termodinâmico PV

Os estados 1 e 3 possuem temperaturas $T_1=100K$ e $T_3=800K$ e seus volumes atendem à relação $\frac{V_1}{V_3}=8$. Calcule a potência entregue pelo ciclo, considerando a constante universal dos gases ideais $R=8J/(mol\,K)$.

A)96kW
B)144kW
C)288kW
D)312kW
E)624kW

Gabarito Preliminar

B
Resolução

Para o tubo de comprimento $L=7,5\text{ m}$ fechado nas duas extremidades, o comprimento de onda do terceiro harmônico ($n=3$) é $\lambda = \frac{2L}{3} = \frac{2(7,5)}{3} = 5\text{ m}$.

A velocidade do som no gás monoatômico A ($M = 0,1\text{ kg/mol}$, $\gamma = 5/3$) é:

$v_s = \sqrt{\frac{\gamma RT}{M}} = \sqrt{\frac{(5/3)(8)(300)}{0,1}} = \sqrt{40000} = 200\text{ m/s}$.

A frequência da onda estacionária, que é a mesma frequência de operação do motor, é $f = \frac{v_s}{\lambda} = \frac{200}{5} = 40\text{ Hz}$.

Agora avaliamos o ciclo termodinâmico (Ciclo de Otto) do gás B, monoatômico ($C_v = \frac{3}{2}R$, $\gamma - 1 = \frac{2}{3}$). As temperaturas atingidas nos estados 2 e 4 (após as compressões/expansões adiabáticas) são calculadas por $TV^{\gamma-1} = \text{constante}$:

$T_2 = T_1 \left(\frac{V_1}{V_2}\right)^{2/3} = 100 \times 8^{2/3} = 100 \times 4 = 400\text{ K}$.

$T_4 = T_3 \left(\frac{V_3}{V_4}\right)^{2/3} = 800 \times \left(\frac{1}{8}\right)^{2/3} = 800 \times \frac{1}{4} = 200\text{ K}$.

O calor absorvido ocorre no processo isocórico 2-3: $Q_{in} = n C_v (T_3 - T_2) = 1 \times \frac{3(8)}{2} \times (800 - 400) = 12 \times 400 = 4800\text{ J}$.

O calor rejeitado ocorre no processo isocórico 4-1: $Q_{out} = n C_v (T_4 - T_1) = 1 \times 12 \times (200 - 100) = 1200\text{ J}$.

O trabalho líquido gerado por ciclo é $W = Q_{in} - Q_{out} = 4800 - 1200 = 3600\text{ J}$.

Como o motor realiza $f = 40$ ciclos por segundo (40 Hz), a potência é $P = W \times f = 3600 \times 40 = 144000\text{ W} = 144\text{ kW}$.

Alternativa correta: B

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