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EN 2027 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Marinha do Brasil

CPAEN/2026 · 2º Dia, Prova Rosa · Física (Q19–40) — resolução comentada Método TEF.

Q19
Termologia — Termodinâmica — Ciclos e máquinas térmicas
Máquinas térmicas e ciclos

Examine a figura abaixo.

Diagrama de pressão por volume do ciclo termodinâmico ABC

No diagrama PV acima estão representados três estados termodinâmicos, A, B e C, pelos quais a substância de trabalho de uma certa máquina térmica M passa, ciclicamente. As transformações ocorrem na seguinte ordem, conforme indicado na figura: expansão isotérmica AB, a uma temperatura $T_A=5{,}0\cdot10^2\text{ K}$; resfriamento isovolumétrico BC, a um volume $V_B$, até atingir a temperatura $T_C=4{,}0\cdot10^2\text{ K}$; e a compressão adiabática CA, reduzindo o volume do gás até o volume $V_A$. A substância de trabalho da máquina são n mols de um gás diatômico e, durante os processos, o número de mols é mantido constante. A área da região cinza abaixo da curva do processo AB pode ser calculada por meio da expressão $500\cdot n\cdot R\cdot\ln(5/4)/(\gamma-1)$, onde $\gamma$ é o coeficiente de Poisson e R é a constante dos gases ideais. Seja $\eta_M$ o rendimento da máquina M e $\eta_{máx}$ o máximo rendimento que poderia ser obtido por uma máquina térmica operando entre $T_A$ e $T_C$. Assinale a opção que apresenta o valor correto da razão $\eta_M/\eta_{máx}$.

Dados: $1/(5\cdot\ln(5/4))\approx0{,}90$.

A) 0,1
B) 0,2
C) 0,5
D) 0,9
E) 1,0

Resposta

C
Resolução

O rendimento é a fração do calor recebido que se transforma em trabalho líquido durante um ciclo. Para calculá-lo, vamos identificar em quais etapas há recebimento e rejeição de calor, usando $\eta=1-|Q_{cedido}|/Q_{recebido}$.

Em AB, a expansão é isotérmica a 500 K. Para o gás ideal, a energia interna não varia nessa etapa; pela primeira lei, o calor recebido é igual ao trabalho. A área fornecida no enunciado permite escrever \[Q_{AB}=W_{AB}=\frac{500nR\ln(5/4)}{\gamma-1}.\]

Em BC, o volume é constante e a temperatura cai de 500 K para 400 K. Não há trabalho, então \[Q_{BC}=nC_V(400-500).\] Usando $C_V=R/(\gamma-1)$, \[Q_{BC}=-\frac{100nR}{\gamma-1}.\] Em CA, a compressão é adiabática, portanto $Q_{CA}=0$.

Assim, \[\eta_M=1-\frac{100}{500\ln(5/4)}=1-\frac1{5\ln(5/4)}\approx0{,}10.\] O rendimento máximo entre 500 K e 400 K é o de Carnot: \[\eta_{\max}=1-\frac{400}{500}=0{,}20.\] A razão pedida é \[\boxed{\frac{\eta_M}{\eta_{\max}}=\frac{0{,}10}{0{,}20}=0{,}5}.\]

Cuidado, armadilha! A razão 0,5 não é o rendimento da máquina: seu rendimento é aproximadamente 10%. Também não confunda a área sob AB com o trabalho líquido do ciclo, que é a área interna ao ciclo.

Alternativa correta: C

Q20
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Barra condutora em trilhos
Indução eletromagnética

Examine a figura abaixo.

Barra condutora móvel sobre trilhos em um campo magnético

Uma barra condutora, de comprimento $L=0{,}10\text{ m}$ e resistência elétrica $R=4{,}0\ \Omega$, pode deslizar sem atrito sobre dois trilhos condutores paralelos na horizontal. Os trilhos são ligados entre si por uma tira condutora fixa em uma de suas extremidades, de tal forma que, os trilhos, a tira e a barra formam uma espira retangular contida no plano xy. No instante $t=0$, a barra encontra-se na posição $x=0{,}20\text{ m}$ e passa a se mover paralelamente ao eixo x, no sentido positivo, com velocidade v, mantendo contato elétrico ideal com os trilhos. A resistência dos trilhos e da tira é desprezível, assim como os efeitos de autoindutância do circuito. Todo o sistema está imerso em um campo magnético uniforme, porém variável no tempo, dado por $\vec B(t)=-(2{,}0t)\hat k\ [T]$, onde $\hat k$ aponta no sentido positivo do eixo z (para fora do plano xy). Sabendo-se que, no instante $t=2{,}0\text{ s}$, a intensidade da corrente elétrica induzida na espira é $0{,}050\text{ A}$, assinale a opção que apresenta o módulo da velocidade v da barra, em m/s?

A) 0,10
B) 0,15
C) 0,20
D) 0,25
E) 0,30

Resposta

C
Resolução

O fluxo magnético varia por dois motivos: o campo aumenta com o tempo e a barra se move, alterando a área da espira. Precisamos incluir as duas contribuições na lei de Faraday.

Adotando a velocidade constante $v$ considerada no problema, a posição da barra é $x=0{,}20+vt$. A área da espira é $A=Lx$. Com a normal orientada para fora da página, o campo tem componente $B_z=-2t$, então \[\Phi(t)=-2tL(0{,}20+vt).\]

Derivando o produto em relação ao tempo, \[\mathcal E=-\frac{d\Phi}{dt}=2L(0{,}20+2vt).\] O termo com $v$ aparece duas vezes porque há variação simultânea do campo e da área. Em $t=2\,\text{s}$, com $L=0{,}10\,\text{m}$, \[|\mathcal E|=0{,}04+0{,}8v.\]

A corrente e a resistência fornecem a força eletromotriz naquele instante: \[|\mathcal E|=IR=0{,}050\cdot4{,}0=0{,}20\,\text{V}.\] Portanto, \[0{,}04+0{,}8v=0{,}20\quad\Rightarrow\quad\boxed{v=0{,}20\,\text{m/s}}.\]

Cuidado, armadilha! Usar apenas $BLv$ consideraria somente o movimento da barra e ignoraria que o campo também muda. Para área e campo variáveis, comece pelo fluxo completo $BA$ antes de derivar.

Alternativa correta: C

Q21
Eletricidade — Eletrodinâmica — Máxima transferência de potência
Máxima transferência de potência

Examine a figura abaixo.

Figura original da questão 21 da prova CPAEN/2026

Um técnico analisa um circuito elétrico composto por uma fonte de força eletromotriz (fem) constante $\varepsilon$, que possui uma resistência interna $R_0$, ligada em série a um resistor externo variável R. A potência elétrica dissipada no resistor R é medida para diferentes valores de R, mantendo-se a fem da fonte constante. O gráfico abaixo mostra a potência P dissipada em R em função do valor da resistência R.

Sabe-se que, em um circuito desse tipo, a potência dissipada no resistor externo é máxima quando $R=R_0$.

Com base nas informações do gráfico, qual é a diferença de potencial (queda de tensão) no resistor R, em volts, quando a potência dissipada nele é máxima?

A) 0,25
B) 0,50
C) 1,0
D) 2,0
E) 4,0

Resposta

B
Resolução

A questão pede a tensão no resistor externo no ponto de máxima potência. O gráfico já fornece duas informações suficientes nesse ponto: a potência máxima é 0,025 W e ocorre quando o resistor vale 10 Ω.

Para um resistor ôhmico, $P=Ui$ e $U=Ri$. Eliminando a corrente, obtemos \[P=\frac{U^2}{R}\quad\Rightarrow\quad U=\sqrt{PR}.\] Usando os valores lidos no pico do gráfico, \[U=\sqrt{0{,}025\cdot10}=\sqrt{0{,}25}=0{,}50\,\text{V}.\]

Podemos conferir com a condição de máxima transferência informada: $R=R_0=10\,\Omega$. Nesse ponto, as resistências externa e interna são iguais e, por estarem em série, recebem quedas de tensão iguais. A tensão no resistor externo é metade da força eletromotriz da fonte; portanto, a fonte teria fem de 1,0 V.

A corrente seria $i=0{,}50/10=0{,}050\,\text{A}$. Substituindo em $P=Ui$, recuperamos 0,025 W, conferindo a leitura e a conta.

Cuidado, armadilha! A tensão pedida é a queda no resistor externo, não a força eletromotriz total. Também leia corretamente a escala do eixo de potência antes de calcular a raiz quadrada.

Alternativa correta: B

Q22
Termologia — Dilatação Térmica — Dilatação linear de anéis
Dilatação térmica linear

Examine a figura abaixo.

Anéis 1 e 2 encaixados perpendicularmente

A figura acima representa dois anéis finos, 1 (linha contínua) e 2 (linha pontilhada), que estão inicialmente às temperaturas $T_{i,1}$ e $T_{i,2}$, respectivamente $(T_{i,2}>T_{i,1})$. Nesta temperatura, os anéis estão encaixados um no outro, perpendicularmente de maneira que o centro do anel 1 $(C_1)$ está abaixo do centro do anel 2 $(C_2)$, conforme indicado na figura. Os anéis trocam calor entre si e com o meio externo de maneira que, ao atingirem o equilíbrio térmico, os centros dos dois anéis coincidem, ou seja, os raios dos dois anéis são praticamente iguais. Dado que a razão entre os coeficientes de dilatação linear do anel 2 $(\alpha_2)$ e do anel 1 $(\alpha_1)$ é $\alpha_2/\alpha_1=0{,}8$, calcule a diferença $T_{i,2}-T_{i,1}$, em termos de $\alpha_1$, e assinale a opção correta.

A) $4/\alpha_1$
B) $1/\alpha_1$
C) $9/(2\alpha_1)$
D) $1/(4\alpha_1)$
E) $1/(2\alpha_1)$

Resposta

D
Resolução

A geometria inicial mostra que o anel 2 tem raio $R$ e o anel 1, $0{,}8R$. Ao atingirem uma temperatura comum $T_f$, os raios se igualam. A troca de calor com o ambiente impede determinar $T_f$ por um balanço térmico simples, mas não precisamos encontrá-la: ela será eliminada pela relação dos coeficientes de dilatação.

Aplicando a dilatação linear aos raios, \[R_{f,2}=R[1+\alpha_2(T_f-T_{i,2})],\] \[R_{f,1}=0{,}8R[1+\alpha_1(T_f-T_{i,1})].\] No equilíbrio geométrico, essas expressões são iguais.

Substituindo $\alpha_2=0{,}8\alpha_1$ e cancelando $R$, \[1+0{,}8\alpha_1(T_f-T_{i,2})=0{,}8+0{,}8\alpha_1(T_f-T_{i,1}).\] Os termos com $T_f$ se cancelam. Reorganizando, \[0{,}2=0{,}8\alpha_1(T_{i,2}-T_{i,1}).\] Portanto, \[\boxed{T_{i,2}-T_{i,1}=\frac1{4\alpha_1}}.\]

O resultado é positivo, coerente com $T_{i,2}>T_{i,1}$. Sua unidade também está correta: o inverso de um coeficiente de dilatação, medido em K⁻¹, fornece um intervalo de temperatura.

Cuidado, armadilha! Não imponha temperaturas finais diferentes: equilíbrio térmico significa temperatura comum. O cancelamento ocorre porque a razão dos coeficientes coincide com a razão inicial entre os raios, dentro do modelo linear adotado.

Alternativa correta: D

Q23
Termologia — Calorimetria — Equilíbrio térmico em calorímetro
Calorimetria

Examine a figura abaixo.

Temperaturas das substâncias A e B até o equilíbrio térmico

Duas substâncias, A (líquida) e B (sólida), foram inseridas dentro de um calorímetro termicamente isolado do meio externo, de modo que, enquanto não atingem o equilíbrio térmico, todo calor cedido pela substância mais quente é absorvido pela substância mais fria a uma mesma taxa (suposta constante). A figura acima mostra o comportamento da temperatura das substâncias A (linha contínua) e B (linha tracejada), em função do tempo, até atingirem o equilíbrio térmico (as duas linhas se encontram e a temperatura do sistema passa a ser representada por uma linha contínua constante). No instante $t_0=0$, as temperaturas iniciais das substâncias A e B são, respectivamente, $T_{i,A}$ e $T_{i,B}$, $T_{eq}$ é a temperatura de equilíbrio térmico do sistema, que é alcançada no instante $t_2$. Sendo $C_A$ e $C_B$ as capacidades térmicas das substâncias A e B, respectivamente, analise as sentenças a seguir e assinale a opção que corresponde à razão $(t_2-t_1)/t_2$.

A) $C_B(T_{i,A}-T_{i,B})/(C_A T_{eq})$
B) $C_B|T_{eq}-T_{i,A}|/[C_A(T_{eq}-T_{i,B})]$
C) $C_A T_{eq}/[C_B(T_{eq}-T_{i,B})]$
D) $C_B T_{eq}/[C_A|T_{eq}-T_{i,A}|]$
E) $C_B(T_{eq}-T_{i,B})/[C_A|T_{eq}-T_{i,A}|]$

Resposta

E
Resolução

A taxa de transferência de calor é constante. Chamando seu módulo de $P$, a energia trocada durante um intervalo $\Delta t$ é $Q=P\Delta t$. A estratégia é relacionar os tempos do gráfico às parcelas de calor sensível de A e B.

A curva contínua mostra A resfriando durante todo o intervalo $t_2$. O módulo do calor cedido é \[Q_A=C_A(T_{i,A}-T_{eq})=C_A|T_{eq}-T_{i,A}|=Pt_2.\]

A curva tracejada mostra B em temperatura constante até $t_1$, mesmo recebendo calor. Esse patamar corresponde à mudança de fase. Depois, B aquece até $T_{eq}$, e o calor sensível dessa etapa é \[Q_{B,s}=C_B(T_{eq}-T_{i,B})=P(t_2-t_1).\] Dividindo as equações, a taxa $P$ cancela: \[\boxed{\frac{t_2-t_1}{t_2}=\frac{C_B(T_{eq}-T_{i,B})}{C_A|T_{eq}-T_{i,A}|}}.\]

Cuidado, armadilha! No patamar inicial, B recebe calor sem variar sua temperatura. A capacidade térmica $C_B$ relaciona o calor sensível à variação de temperatura apenas no trecho inclinado, de $t_1$ a $t_2$.

Alternativa correta: E

Q24
Mecânica — Dinâmica — Referencial acelerado em elevador
Movimento relativo em elevador

Uma cabine de elevador, de massa M, desloca-se verticalmente sob a ação de uma força externa constante F, aplicada para cima. Preso ao teto da cabine por um fio ideal e inextensível encontra-se um pequeno corpo de massa m. Inicialmente, esse corpo permanece em repouso em relação ao elevador, a uma altura H acima do piso da cabine. Em determinado instante, o fio se rompe abruptamente, liberando o corpo. Desprezando a resistência do ar, assinale a opção que apresenta corretamente o tempo necessário para que o corpo de massa m colida com o piso da cabine após o rompimento do fio.

A) $\sqrt{2H/g}$
B) $\sqrt{2HM/(F-Mg)}$
C) $\sqrt{2H/(g+F/M)}$
D) $\sqrt{2H/(g-F/M)}$
E) $\sqrt{2HM/F}$

Resposta

E
Resolução

Depois que o fio se rompe, o corpo e a cabine passam a ter acelerações diferentes. O corpo fica em queda livre, mas o piso do elevador também continua se movendo. Por isso, devemos calcular a aproximação do corpo em relação ao piso, não a queda em relação ao solo.

Tomando para cima como sentido positivo, o corpo tem aceleração $a_m=-g$. A cabine, agora sem sustentar o corpo pelo fio, obedece a \[F-Mg=Ma_c\quad\Rightarrow\quad a_c=\frac FM-g.\]

A aceleração relativa do corpo em relação à cabine é \[a_{rel}=a_m-a_c=-g-\left(\frac FM-g\right)=-\frac FM.\] Seu módulo é $F/M$ e o sentido é para o piso. No instante do rompimento, corpo e cabine têm a mesma velocidade, portanto a velocidade relativa inicial é zero.

Para fechar a separação inicial $H$, \[H=\frac12\frac FMt^2\quad\Rightarrow\quad\boxed{t=\sqrt{\frac{2HM}{F}}}.\] A gravidade cancela porque acelera ambos os corpos da mesma forma; a aproximação relativa decorre da força adicional aplicada à cabine.

Cuidado, armadilha! A fórmula $\sqrt{2H/g}$ pressuporia um piso sem aceleração vertical. Se $F=0$, corpo e cabine ficam em queda livre juntos e não se aproximam neste modelo, coerentemente com o limite da expressão.

Alternativa correta: E

Q25
Mecânica — Estática — Mola e atrito estático
Oscilações e atrito estático

Examine a figura abaixo.

Sistema de mola e blocos nas configurações relaxada e alongada Gráfico da energia potencial elástica em função da deformação da mola

A figura 1 representa um sistema composto por duas massas $(m_1=1{,}0\text{ kg}$ e $m_2=2{,}0\text{ kg})$ e uma mola ideal de constante k e comprimento natural $L_0$, em dois instantes diferentes: com a mola relaxada (figura 1.a)) e com a mola alongada em uma distância d (figura 1.b)). Uma das extremidades da mola está presa em uma parede fixa, e a outra extremidade está fixa na massa $m_1$, que está sobre a massa $m_2$. O bloco $m_2$, por sua vez, está apoiado sobre uma superfície horizontal sem atrito. Entre as superfícies de $m_1$ e $m_2$ existe atrito. Sendo $d_{max}$ a deformação da mola correspondente à iminência do deslizamento do bloco 1 sobre o bloco 2, para $d\leq d_{max}$, os dois blocos oscilam juntos, com a mesma aceleração. A figura 2 apresenta um gráfico da energia potencial elástica do sistema em função da deformação da mola ($d>0$ corresponde ao alongamento e $d<0$, à compressão da mola) em uma oscilação em que não há deslizamento entre os blocos. Os coeficientes de atrito estático e cinético entre as superfícies dos dois blocos são iguais a 0,40 e 0,30, respectivamente. Considere $g=10\text{ m/s}^2$ e, com base nas informações que foram prestadas, coloque (V) para verdadeiro e (F) para falso nas afirmativas abaixo e assinale a opção correta.

( ) O valor máximo da deformação, para que os dois blocos oscilem juntos, é de 80 cm.

( ) O valor máximo da deformação, para que os dois blocos oscilem juntos, é de 20 cm.

( ) Para $d<d_{max}$, o período do movimento é $0{,}4\pi\sqrt5$.

A) (V)(F)(V)
B) (F)(F)(F)
C) (F)(F)(V)
D) (F)(V)(F)
E) (F)(V)(V)

Resposta

B
Resolução

O gráfico da mola permite descobrir sua constante antes de analisar o atrito. Para $d=0{,}10\,\text{m}$, a energia potencial é 0,10 J. Como $U=kd^2/2$, \[k=\frac{2U}{d^2}=\frac{0{,}20}{0{,}01}=20\,\text{N/m}.\]

Sem deslizamento, os blocos se movem juntos como uma massa de 3 kg. A força externa horizontal sobre o conjunto é a força da mola, então o módulo da aceleração é \[a=\frac{k|d|}{m_1+m_2}.\] A mola está ligada ao bloco superior $m_1$; o bloco inferior $m_2$ recebe sua força horizontal por atrito. Assim, $f=m_2a$.

O máximo atrito estático entre os blocos é $\mu_sm_1g=0{,}40\cdot1\cdot10=4\,\text{N}$. No limite, \[\frac{m_2kd_{max}}{m_1+m_2}=4\quad\Rightarrow\quad d_{max}=\frac{4\cdot3}{2\cdot20}=0{,}30\,\text{m}.\] Portanto, nem 80 cm nem 20 cm representam esse limite.

O período do conjunto é \[T=2\pi\sqrt{\frac{m_1+m_2}{k}}=2\pi\sqrt{\frac3{20}}=\pi\sqrt{\frac35},\] diferente de $0{,}4\pi\sqrt5$. As três afirmações são falsas.

Cuidado, armadilha! Identifique qual bloco é puxado diretamente pela mola. A força de atrito necessária para acelerar o bloco inferior é $m_2a$, enquanto a normal entre os blocos vale $m_1g$.

Alternativa correta: B

Q26
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Campo magnético de correntes
Campo magnético de correntes

Examine a figura abaixo.

Fio condutor formando duas espiras concêntricas de raios r e R

A figura acima apresenta um único fio condutor longo percorrido por uma corrente elétrica constante I. Em uma região do circuito, o fio retilíneo é moldado formando duas espiras circulares coplanares e concêntricas, de raios r e R $(0<r<R)$, ambas centradas no ponto O. As espiras são conectadas por trechos radiais do próprio fio. Após contornar as espiras, o fio condutor volta a seguir retilíneo na mesma direção do trecho retilíneo inicial, passando tangencialmente à espira de raio R, conforme indicado na figura. Um sensor magnético é colocado no ponto O, centro comum das espiras, com o objetivo de medir a intensidade do campo magnético resultante nesse ponto. Deseja-se analisar qualitativamente como esse campo depende do raio r da espira interna. Sabendo-se que os trechos radiais não contribuem para o campo magnético no ponto O e considerando o fio idealmente fino, analise as afirmativas a seguir sobre o campo magnético resultante no ponto O.

I- Existe um único valor de r, no intervalo $0<r<R$, para o qual o campo magnético no ponto O é nulo.

II- Para valores suficientemente pequenos de r, o campo magnético no ponto O é dominado pela contribuição da espira interna.

III- A contribuição do trecho retilíneo do fio que passa tangencialmente à espira de raio R para o campo magnético no ponto O depende do valor de r, uma vez que todo o arranjo é constituído por um único fio percorrido pela mesma corrente elétrica.

IV- Como as duas espiras são concêntricas e percorridas pela mesma corrente, suas contribuições para o campo magnético no ponto O possuem necessariamente o mesmo sentido.

Assinale a opção correta.

A) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
B) Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
C) Apenas as afirmativas II e IV são verdadeiras.
D) Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
E) Apenas as afirmativas III e IV são verdadeiras.

Resposta

A
Resolução

O campo no centro é a soma vetorial das contribuições das espiras e do trecho retilíneo. Para uma espira circular, $B=\mu_0I/(2a)$, em que $a$ é o raio; para o fio retilíneo longo a distância $R$, $B_{fio}=\mu_0I/(2\pi R)$. Os trechos radiais não contribuem porque seus elementos de corrente são paralelos à direção até O.

As setas da figura oficial mostram as duas espiras percorridas em sentidos opostos. Pela regra da mão direita, o campo da espira interna se opõe à soma dos campos da espira externa e do trecho reto. O cancelamento exige \[\frac{\mu_0I}{2r}=\frac{\mu_0I}{2R}+\frac{\mu_0I}{2\pi R}\quad\Rightarrow\quad r=\frac{\pi R}{\pi+1}.\] Esse valor é único e fica entre 0 e $R$. Quando $r$ diminui muito, o termo $1/r$ domina, confirmando também a segunda afirmação.

O campo do fio tangente depende da corrente fixada e da distância $R$, não do raio interno. Além disso, concentricidade e igualdade de corrente não determinam, sozinhas, o sentido dos campos: é preciso usar a regra da mão direita em cada espira.

Cuidado, armadilha! Não conclua o sentido do campo apenas pelo fato de as espiras pertencerem a um único fio. Siga o percurso da corrente e confira as setas antes de somar ou subtrair os módulos.

Alternativa correta: A

Q27
Mecânica — Quantidade de Movimento — Centro de massa
Centro de massa

Examine a figura abaixo.

Partículas A e B ligadas por uma mola com suas velocidades iniciais

Duas partículas A e B de massas iguais a $4\text{ kg}$ movem-se sobre um plano horizontal sem atrito, conforme indicado na figura. No instante $t=0$, a partícula A encontra-se na posição $(0{,}3)\text{ m}$ e possui velocidade $\vec V_A=1\hat i\text{ m/s}$, enquanto a partícula B encontra-se na posição $(4{,}0)\text{ m}$ e possui velocidade $\vec V_B=3\hat j\text{ m/s}$. Considere que as partículas estão ligadas por uma mola ideal, sem massa, de constante elástica $k=2\times10^{-3}\text{ N/m}$, que se encontra inicialmente relaxada. Desprezando-se forças dissipativas, a equação da trajetória $y(x)$ descrita pelo centro de massa do sistema, com y e x em metros, pode ser dada por:

A) $y(x)=3x-9/2$
B) $y(x)=3x^2-9/2+10^{-3}\sin(x)$
C) $y(x)=x^2+3x-9/2$
D) $y(x)=3x-9/2+10^{-3}\sin(x)$
E) $y(x)=x^2-9/2$

Resposta

A
Resolução

Embora a mola possa alterar o movimento de cada partícula, suas forças são internas ao sistema formado pelas duas massas. No plano horizontal não há força externa resultante. Portanto, o centro de massa se move em linha reta com velocidade constante.

Como as massas são iguais, a posição inicial do centro de massa é a média das posições: \[x_0=\frac{0+4}{2}=2\,\text{m},\qquad y_0=\frac{3+0}{2}=\frac32\,\text{m}.\] O mesmo vale para a velocidade: \[\vec v_{CM}=\frac{\vec v_A+\vec v_B}{2}=\frac12\hat i+\frac32\hat j\,\text{m/s}.\]

As equações horárias são, assim, \[x=2+\frac t2,\qquad y=\frac32+\frac{3t}{2}.\] Da primeira, $t=2(x-2)$. Substituindo na segunda, \[y=\frac32+3(x-2)\quad\Rightarrow\quad\boxed{y=3x-\frac92}.\]

A reta passa pela posição inicial $(2,1{,}5)$ e tem inclinação $v_y/v_x=3$, confirmando o resultado. A constante elástica não aparece porque influencia o movimento relativo das massas, e não a trajetória do centro de massa sem força externa.

Cuidado, armadilha! A mola não precisa permanecer relaxada para que o centro de massa tenha velocidade constante. A condição relevante é a ausência de força externa resultante, não a ausência de forças internas.

Alternativa correta: A

Q28
Mecânica — Hidrodinâmica — Equação de Bernoulli no sifão
Equação de Bernoulli e sifão

Examine a figura abaixo.

Sifão ABC com as alturas a, H e h

Um sifão é um tubo em forma de U invertido que permite transferir um líquido de um reservatório para um ponto mais baixo, mesmo passando por uma região acima do nível do líquido, desde que o tubo esteja completamente cheio e o escoamento seja contínuo. Na figura, o tubo ABC comporta-se como um sifão ideal para escoar água de um grande reservatório aberto à atmosfera. O ponto mais elevado do tubo, B, encontra-se a uma distância $a=1{,}5\text{ m}$ acima da superfície livre da água, que, por sua vez, está a uma altura $H=3{,}0\text{ m}$ acima do solo. A extremidade de saída do tubo, C, localiza-se a uma altura h acima do solo, com $h<H$. O tubo pode colapsar se, em algum ponto, a pressão externa exceder a pressão interna em $25{,}0\text{ kPa}$. Despreze efeitos viscosos e considere o escoamento em regime permanente. Qual é o valor mínimo de h para que não haja o colapso do sifão?

Dados: $\rho_{água}=1000\text{ kg/m}^3$; e $g=10\text{ m/s}^2$.

A) 0,9 m
B) 1,5 m
C) 1,9 m
D) 2,0 m
E) 2,5 m

Resposta

D
Resolução

O ponto mais alto do sifão é o de menor pressão interna no modelo de tubo de seção constante. Quanto menor a altura da saída, maior é a velocidade do escoamento e maior pode ser a diferença entre a pressão atmosférica externa e a pressão nesse ponto.

Entre a superfície livre do grande reservatório e a saída C, ambas à pressão atmosférica, Bernoulli fornece \[\frac{v^2}{2g}=H-h.\] A velocidade na superfície do reservatório é desprezível em comparação à velocidade dentro do tubo.

Aplicando Bernoulli da superfície livre ao ponto B, situado $a$ acima dela, \[p_{atm}-p_B=\rho ga+\frac12\rho v^2.\] Substituindo a relação anterior, \[p_{atm}-p_B=\rho g(a+H-h).\] Para não ultrapassar o limite de 25.000 Pa, \[1.000\cdot10(1{,}5+3{,}0-h)\le25.000.\]

Logo, $4{,}5-h\le2{,}5$, ou seja, \[\boxed{h\ge2{,}0\,\text{m}}.\] A menor altura permitida é 2,0 m. Nesse limite, a coluna geométrica acima da superfície e a parcela devida à velocidade somam uma diferença de pressão equivalente a 2,5 m de água.

Cuidado, armadilha! Não considere apenas a altura $a$ acima do reservatório. O escoamento também reduz a pressão em B, e sua velocidade depende da altura da saída.

Alternativa correta: D

Q29
Mecânica — Estática — Equilíbrio de corpo extenso
Equilíbrio de corpo extenso

Examine a figura abaixo.

Barra inclinada apoiada na estaca E e sustentando o bloco de massa M Linhas 1, 2 e 3 para representar a direção da força na articulação A

A figura 1 representa esquematicamente uma barra B, de comprimento L e massa desprezível, que está apoiada sobre uma estaca E, vertical. Em uma das extremidades da barra, há um fio ideal (inextensível e de massa desprezível) que sustenta um bloco de massa M e, na outra extremidade, há uma articulação A, fixa no solo. O sistema barra e bloco está em equilíbrio. A figura 2 apresenta, em pontilhado, a barra, a estaca, o fio e o bloco; em destaque está a articulação (preto). As linhas tracejadas (numeradas de 1 a 3) representam diferentes direções no plano que contém a barra e a estaca. Seja F o vetor força que a articulação faz sobre a barra, que pode ser decomposto em componentes nas direções x $(F_{(x)})$ e y $(F_{(y)})$, segundo o sistema de eixos representado na figura 2. Qual das linhas (1, 2 ou 3) melhor representa (qualitativamente) a linha de ação de F, bem como o sentido da componente $F_{(y)}$ (positivo ou negativo de y).

Dados: $M=2{,}0\text{ kg}$ e $g=10\text{ m/s}^2$.

A) Linha 3; $F_{(y)}$ está no sentido positivo de y.
B) Linha 3; $F_{(y)}$ está no sentido negativo de y.
C) Linha 2; $F_{(y)}$ está no sentido positivo de y.
D) Linha 1; $F_{(y)}$ está no sentido positivo de y.
E) Linha 1; $F_{(y)}$ está no sentido negativo de y.

Resposta

E
Resolução

A barra recebe três forças: a tração vertical para baixo na extremidade B, a reação de contato da estaca e a força da articulação em A. Como o bloco está em repouso, a tração vale $Mg=20\,\text{N}$. Vamos usar o equilíbrio de torques para relacionar a reação da estaca à geometria.

Na idealização de contato normal à barra, chamemos de $\theta$ sua inclinação com a horizontal e de $N$ a reação da estaca. O ponto de apoio está a $L/4$ de A. Tomando momentos em A, \[N\frac L4=MgL\cos\theta\quad\Rightarrow\quad N=4Mg\cos\theta.\]

A reação aponta para cima e para a esquerda, com componentes $N_x=-N\sin\theta$ e $N_y=N\cos\theta$. Para equilibrar as forças, a articulação deve exercer \[F_x=N\sin\theta>0,\qquad F_y=Mg-N\cos\theta=Mg(1-4\cos^2\theta).\] Para a inclinação mostrada, menor que 60°, temos $F_y<0$.

Portanto, a força da articulação aponta para a direita e para baixo. Entre as direções desenhadas, isso corresponde qualitativamente à linha 1, com componente vertical no sentido negativo de y.

Cuidado, armadilha! Uma articulação pode exercer força em qualquer direção do plano; sua reação não precisa ser vertical nem paralela à barra. O sentido deve resultar do equilíbrio, levando em conta onde a estaca toca a barra.

Alternativa correta: E

Q30
Mecânica — Estática — Empuxo e torque
Empuxo e torque

Examine a figura abaixo.

Barra apoiada em O com mola e cilindro parcialmente submerso

Uma barra rígida, de peso desprezível e comprimento L, está em equilíbrio na posição horizontal apoiada em um ponto O. Na extremidade direita da barra, está pendurado um cilindro maciço de massa m e densidade $\rho_c$, imerso em um líquido de densidade $\rho$ de tal modo que apenas metade do volume do cilindro permanece submerso. Na extremidade esquerda da barra, encontra-se presa uma mola ideal, de constante elástica k, fixada ao solo. As distâncias do ponto O às extremidades esquerda e direita da barra são, respectivamente, $L/3$ e $2L/3$. Sendo g a aceleração da gravidade e sabendo que $\rho_c=8\rho$, a deformação x da mola é dada por:

A) $mg/k$
B) $13mg/(9k)$
C) $15mg/(8k)$
D) $13mg/(5k)$
E) $3mg/k$

Resposta

C
Resolução

A barra não sustenta todo o peso do cilindro: o líquido fornece parte da força para cima por meio do empuxo. Primeiro calculamos a tração que o cilindro transmite à barra; depois usamos o equilíbrio dos torques para determinar a força da mola.

O volume total do cilindro é $V=m/\rho_c=m/(8\rho)$. Apenas metade está submersa, portanto o volume deslocado é $V/2$. Pelo princípio de Arquimedes, \[E=\rho g\frac V2=\rho g\frac{m}{16\rho}=\frac{mg}{16}.\]

No equilíbrio do cilindro, tração e empuxo somam o peso: \[T+E=mg\quad\Rightarrow\quad T=\frac{15mg}{16}.\] A barra recebe essa tração para baixo na extremidade direita. A mola, alongada e presa ao solo, puxa a extremidade esquerda para baixo, produzindo torque em sentido oposto.

Tomando momentos em O, \[kx\frac L3=T\frac{2L}{3}\quad\Rightarrow\quad kx=2T=\frac{15mg}{8}.\] Assim, \[\boxed{x=\frac{15mg}{8k}}.\]

Cuidado, armadilha! O empuxo usa o volume submerso, não o volume total do cilindro. E a força da mola não é igual à tração: seu braço é metade do braço do cilindro, exigindo força duas vezes maior.

Alternativa correta: C

Q31
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Experimento de Young
Interferência de Young

Examine a figura abaixo.

Montagem do experimento de Young com fendas e anteparo Gráfico da distância y3 em função da distância L

Em um laboratório de Física, um professor reproduz o experimento de Young. A montagem experimental está apresentada esquematicamente na figura 1: uma caixa escura que contém uma lâmpada monocromática e três fendas $(F_1,F_2\text{ e }F_3)$, onde ocorrem difração, e um anteparo onde será observada a interferência (a lâmpada e $F_3$ não estão exibidas na figura). Na borda da caixa, estão as fendas $F_1$ e $F_2$, que estão afastadas uma da outra a uma distância d (ajustável). A distância das fendas $F_1$ e $F_2$ ao anteparo é L, que é a própria distância da borda da caixa ao anteparo. O professor demonstrou experimentalmente como a distância entre as franjas claras no anteparo (nomeadas de A, B, C, D..., como indicado na figura 1) depende da distância d entre as fendas $F_1$ e $F_2$ e da distância L. Ao final da aula, ele obteve a expressão geral que permite calcular a distância entre as franjas claras e propôs um desafio: descobrir o comprimento de onda do feixe de luz monocromático que foi utilizado no experimento. Ele apresentou, como referência, o gráfico da figura 2, que mostra a distância $y_3$ (distância entre a franja central A e a 3ª franja clara adjacente a ela, como definido na figura 1) em função da distância L. Assinale a opção que corresponde ao comprimento de onda desse feixe de luz monocromático, em metros.

Dados: $d\ll L$; no gráfico da figura 2, observe que a escala da distância L está expressa em múltiplos da distância d.

A) $1{,}2\times10^{-2}$
B) $6{,}0\times10^{-3}$
C) $3{,}0\times10^{-7}$
D) $6{,}0\times10^{-7}$
E) $1{,}2\times10^{-6}$

Resposta

D
Resolução

No experimento de Young, as franjas claras aparecem quando a diferença de caminho é um múltiplo inteiro do comprimento de onda. Para pequenos ângulos, a posição da franja clara de ordem $m$ é \[y_m=\frac{m\lambda L}{d}.\] A questão usa a terceira franja após a central, portanto $m=3$.

Com comprimento de onda e separação das fendas fixos, $y_3$ varia linearmente com $L$: \[\Delta y_3=\frac{3\lambda}{d}\Delta L.\] O gráfico informa um aumento vertical de $9{,}0\times10^{-4}\,\text{m}$ e um aumento horizontal de $0{,}5\times1.000d=500d$.

Substituindo essas variações, \[9{,}0\times10^{-4}=\frac{3\lambda}{d}(500d)=1.500\lambda.\] Portanto, \[\boxed{\lambda=6{,}0\times10^{-7}\,\text{m}}.\] A distância $d$ cancela porque a escala horizontal já foi fornecida em seus múltiplos.

Esse comprimento equivale a 600 nm, compatível com uma luz visível usada em um experimento de interferência. Aumentar a distância até o anteparo amplia o espaçamento observado entre as franjas.

Cuidado, armadilha! A franja central é a de ordem zero. Além disso, os 0,5 do eixo horizontal não representam 0,5 m: é indispensável aplicar o fator $1.000d$ indicado na escala.

Alternativa correta: D

Q32
Mecânica — Cinemática — Rolamento sem deslizamento
Rolamento sem deslizamento

Examine a figura abaixo.

Discos tangentes A e B e gráfico da velocidade do ponto P

A figura 1 representa dois discos finos A e B, cujos centros $(C_A\text{ e }C_B,\text{ respectivamente})$ são fixos no plano da página. As bordas estão em contato e os discos estão inicialmente em repouso. Cada disco possui uma seta desenhada a partir dos seus centros até a borda, e a configuração inicial do sistema é tal que as setas apontam em sentidos opostos, conforme indicado na figura 1. No instante $t=0{,}0$ o disco A é acionado por um motor, que o faz girar com aceleração angular constante, no sentido anti-horário. Devido ao contato do disco A com o disco B, o disco B também inicia um movimento de rotação, devido ao atrito entre as superfícies. A figura 2 apresenta um gráfico da velocidade linear de um ponto (P) $(v_P)$ pertencente à borda do cilindro A em função do tempo. Considerando que não há deslizamento entre as duas superfícies, assinale a opção que corresponde à configuração do sistema no instante $t=3\pi\text{ s}$.

Dados: $R_A=\sqrt3\pi$; e $R_B=R_A/2$.

A)
Alternativa A: seta de A para baixo e seta de B para a direita
B)
Alternativa B da questão 32
C)
Alternativa C da questão 32
D)
Alternativa D da questão 32
E)
Alternativa E da questão 32

Resposta

A
Resolução

Sem deslizamento no contato, as bordas dos dois discos têm velocidades tangenciais de mesmo módulo. Como os raios são diferentes, suas velocidades angulares são diferentes, e os sentidos de rotação são opostos.

Pela leitura das escalas adotada no gráfico, a inclinação da reta fornece $a_t=\tan30^\circ=1/\sqrt3\,\text{m/s}^2$. Como A parte do repouso, em $t=3\pi\,\text{s}$, \[v_P=a_tt=\sqrt3\pi\,\text{m/s}.\] Dividindo pelo raio $R_A=\sqrt3\pi\,\text{m}$, obtemos $\omega_A=1\,\text{rad/s}$.

A aceleração angular é constante, então o deslocamento de A pode ser calculado pela velocidade angular média: \[\Delta\theta_A=\frac{0+1}{2}\cdot3\pi=\frac{3\pi}{2}.\] Isso corresponde a 270° no sentido anti-horário. A seta de A, inicialmente para a direita, termina apontando para baixo.

Como $R_B=R_A/2$, \[\Delta\theta_B=-\frac{R_A}{R_B}\Delta\theta_A=-3\pi.\] São 540° no sentido horário. A seta de B, inicialmente para a esquerda, termina apontando para a direita. Essa é a configuração final procurada.

Cuidado, armadilha! A igualdade no contato é entre velocidades lineares, não angulares. O disco menor gira duas vezes mais. Em um gráfico físico, a leitura de uma inclinação geométrica também pressupõe as escalas dos eixos adotadas pela questão.

Alternativa correta: A

Q33
Eletricidade — Eletrostática — Força elétrica e movimento circular
Força elétrica e movimento circular

Duas partículas puntiformes A e B, de mesma massa M, possuem cargas elétricas $q_A=+q$ e $q_B=-2q$, respectivamente, onde $q>0$. Elas estão isoladas no espaço livre (vácuo), interagindo exclusivamente pela força elétrica (constante eletrostática k) e descrevendo um movimento circular uniforme em torno do centro de massa comum, mantendo entre si uma distância fixa. Adotando energia potencial elétrica nula quando as partículas estão infinitamente afastadas e desprezando quaisquer outras forças ou efeitos relativísticos, qual a energia mecânica total desse sistema, em função do período de revolução T?

A) $-2\pi^2Mk^2q^2/T^2$
B) $-(\pi^2Mk^2q^4/T^2)^{1/3}$
C) $-2\pi^2Mkq^2/T^2$
D) $-(4\pi^2Mk^2q^4/T^2)^{1/3}$
E) $-\pi^2Mk^2q^4/T^2$

Resposta

B
Resolução

Como as massas são iguais, o centro de massa fica no ponto médio entre as partículas. Se a separação é $r$, cada uma descreve uma circunferência de raio $r/2$. As cargas opostas se atraem, e essa força elétrica fornece a resultante centrípeta.

O módulo da força é $F=2kq^2/r^2$. Com $\omega=2\pi/T$, \[M\omega^2\frac r2=\frac{2kq^2}{r^2}\quad\Rightarrow\quad M\omega^2r^3=4kq^2.\] Substituindo $\omega$, \[r^3=\frac{kq^2T^2}{\pi^2M}.\]

A energia cinética total é a soma das duas partículas: \[K=2\cdot\frac12M\left(\omega\frac r2\right)^2=\frac{M\omega^2r^2}{4}=\frac{kq^2}{r}.\] A energia potencial do par é \[U=\frac{k(+q)(-2q)}r=-\frac{2kq^2}{r}.\] Logo, $E=K+U=-kq^2/r$.

Eliminando a distância com a relação obtida, \[\boxed{E=-\left(\frac{\pi^2Mk^2q^4}{T^2}\right)^{1/3}}.\] O sinal negativo é coerente com um sistema ligado, cuja energia potencial foi definida como zero para separação infinita.

Cuidado, armadilha! O raio de cada trajetória é $r/2$, mas a distância usada na lei de Coulomb é $r$. A energia potencial do par entra uma única vez, enquanto as energias cinéticas das duas partículas devem ser somadas.

Alternativa correta: B

Q34
Termologia — Termodinâmica — Processos isobárico e isovolumétrico
Processos isobárico e isovolumétrico

Examine a figura abaixo.

Calor absorvido em função da temperatura nos processos A e B

O gráfico acima representa, simultaneamente, o calor absorvido por n mols de um gás ideal em função da temperatura, durante um aquecimento em dois processos termodinâmicos distintos: A (linha contínua) e B (linha tracejada). Em ambos os processos, n mols do mesmo gás estão inicialmente no estado 1, a uma temperatura $T_1$. Por meio do processo A, o gás é aquecido e levado do estado 1 a um estado final 2, a uma nova temperatura $T_2$. Diferentemente, por meio do processo B, o gás é aquecido e levado do estado 1 a um estado final 3, a uma temperatura $T_3=T_2$. Embora as temperaturas $T_3$ e $T_2$ sejam iguais, o que diferencia os estados 2 e 3 são os valores das outras variáveis de estado: pressão e volume ocupado pelo gás. Sabendo-se que um dos processos é isobárico e o outro é isovolumétrico, e que o número de mols do gás é mantido constante durante os dois processos, assinale a opção correta.

Dado: R = constante dos gases ideais.

A) A pressão do gás no estado 2 é maior que a pressão no estado 3.
B) Em ambos os processos todo calor absorvido é integralmente convertido em aumento de energia térmica (interna).
C) No processo B, a variação da energia interna do gás é igual a $3nR(T_2-T_1)/2$, independentemente de o gás ser monoatômico, diatômico ou poliatômico.
D) No processo A, o trabalho realizado pelo gás é positivo igual a $nR(T_2-T_1)$, independentemente de o gás ser monoatômico, diatômico ou poliatômico.
E) A energia interna do gás no estado 2 é maior que a energia interna no estado 3.

Resposta

D
Resolução

A inclinação do gráfico de calor absorvido por temperatura é a capacidade térmica do processo: $Q=nC\Delta T$. Para o mesmo gás ideal, $C_P>C_V$, pois no aquecimento a pressão constante parte do calor recebido é usada para realizar trabalho de expansão.

Assim, a reta A, mais inclinada, representa o processo isobárico, e B representa o isovolumétrico. Em A, a pressão permanece constante enquanto a temperatura aumenta; o gás se expande e realiza trabalho positivo.

Pela equação de estado nos estados inicial e final do processo A, \[PV_1=nRT_1,\qquad PV_2=nRT_2.\] Subtraindo as equações, \[P(V_2-V_1)=nR(T_2-T_1).\] Como $W_A=P\Delta V$, \[\boxed{W_A=nR(T_2-T_1)>0}.\]

Essa relação não depende de o gás ser monoatômico, diatômico ou poliatômico. Já a expressão da energia interna depende dos graus de liberdade considerados. Como os dois processos terminam à mesma temperatura e envolvem a mesma quantidade do mesmo gás ideal, a energia interna final é igual, embora pressão e volume sejam diferentes.

Cuidado, armadilha! Calor não é função apenas dos estados inicial e final: depende do processo. A energia interna do gás ideal depende da temperatura, mas o calor recebido também pode fornecer trabalho.

Alternativa correta: D

Q35
Eletricidade — Eletrostática — Capacitor com placa metálica
Capacitor com placa metálica

Examine a figura abaixo.

Capacitor com placa metálica entre regiões de espessuras d1 e d2

A figura acima representa um capacitor de placas paralelas, de área A, ligado a uma bateria ideal que mantém uma diferença de potencial V constante entre suas placas. Entre as placas do capacitor é inserida uma placa metálica neutra, paralela às placas externas e sem tocá-las. A espessura dessa placa metálica é menor que a distância entre as placas do capacitor. Considere também que a seção reta da placa metálica paralela às placas externas possui a mesma área A das placas do capacitor e que os efeitos de borda podem ser desprezados. Após o estabelecimento do equilíbrio eletrostático, a posição da placa metálica é tal que as espessuras das duas regiões de ar entre as placas externas e a placa metálica sejam $d_1$ e $d_2$, conforme indica a figura. Sabendo que $V_1$ e $V_2$ são os módulos das diferenças de potencial entre a placa metálica e cada uma das placas externas, correspondentes às regiões de espessura $d_1$ e $d_2$, respectivamente, assinale a opção correta.

A) $V_1=V_2$, independente de $d_1$ e $d_2$.
B) $V_1>V_2$ quando $d_1>d_2$.
C) $V_1<V_2$ quando $d_1>d_2$.
D) $V_1+V_2$ depende da posição da placa metálica.
E) $V_1=V_2=0$, pois o campo elétrico é nulo no interior da placa metálica.

Resposta

B
Resolução

Ao inserir a placa metálica, as cargas livres do metal se redistribuem até que o campo elétrico em seu interior seja nulo. Isso faz do metal uma região equipotencial, mas não elimina o campo nas duas camadas de ar.

Como a placa metálica é neutra, as cargas induzidas em suas faces têm módulos iguais e sinais opostos. Desprezando efeitos de borda, os campos nas duas regiões de ar têm o mesmo módulo $E$. As quedas de potencial em campos uniformes são, então, \[V_1=Ed_1,\qquad V_2=Ed_2.\]

A bateria mantém a diferença de potencial total fixa, e não há queda no interior do metal. Logo, \[V=V_1+V_2=E(d_1+d_2).\] Daí podemos escrever explicitamente \[V_1=V\frac{d_1}{d_1+d_2},\qquad V_2=V\frac{d_2}{d_1+d_2}.\]

Se $d_1>d_2$, a primeira região de ar apresenta maior queda de potencial: $V_1>V_2$. As quedas só são iguais quando as duas espessuras de ar são iguais. Mudar a posição da placa redistribui as quedas, mas sua soma permanece igual à tensão da bateria.

Cuidado, armadilha! Campo nulo dentro do metal não significa tensão nula entre o metal e cada placa externa. Essas diferenças de potencial se estabelecem nas regiões de ar.

Alternativa correta: B

Q36
Ondulatória — Acústica — Batimentos
Batimentos

Examine a figura abaixo.

Ouvinte no ponto O entre duas fontes sonoras

A figura acima representa esquematicamente um ponto O, onde se encontra um ouvinte, que está entre duas fontes sonoras fixas (Fonte 1 e Fonte 2). As distâncias do ponto O para cada fonte são $d_1$ e $d_2$ (em metros), conforme indicado na figura. As fontes estão ajustadas para emitir ondas sonoras de frequências $f_1$ e $f_2$ respectivamente, e são ligadas simultaneamente no instante $t_0=0$ (após serem ligadas, as frequências $f_1$ e $f_2$ são mantidas constantes). Despreze qualquer dissipação da energia e considere que as amplitudes das ondas sonoras emitidas são iguais, permanecendo aproximadamente constantes. Considere também que a velocidade de propagação das duas ondas é $340\text{ m/s}$ em qualquer direção. Com base nessas informações, e para instantes maiores que $(d_1+d_2)/340\text{ s}$, assinale a opção correta.

Dado: o comprimento de onda das ondas sonoras é menor que $d_1+d_2$.

A) Se $f_1=f_2$, nenhum som é percebido, independentemente da posição do ponto O entre as duas fontes.
B) Se $f_1=f_2$, há percepção de som em algumas posições do ponto O entre as fontes, cuja frequência é o dobro de $f_1$.
C) Se $f_1=f_2+40\text{ Hz}$, são percebidos batimentos, e a frequência do som percebido é $f_2+20\text{ Hz}$, independentemente da posição do ponto O entre as duas fontes.
D) Se $f_1=f_2+40\text{ Hz}$, são percebidos batimentos cuja frequência dos batimentos é $f_2+20\text{ Hz}$, mas em apenas algumas posições do ponto O.
E) Se $f_1=f_2+40\text{ Hz}$, são percebidos batimentos cuja frequência dos batimentos é $20\text{ Hz}$, mas em apenas algumas posições do ponto O.

Resposta

C
Resolução

A superposição de duas oscilações de frequências próximas pode ser escrita como uma oscilação rápida cuja amplitude varia no tempo. Pela identidade da soma de cossenos, a frequência da oscilação rápida é a média das frequências, enquanto a frequência dos batimentos de intensidade é sua diferença em módulo.

Com $f_1=f_2+40\,\text{Hz}$, a frequência média é \[f_m=\frac{f_1+f_2}{2}=\frac{2f_2+40}{2}=f_2+20\,\text{Hz}.\] Já a frequência dos batimentos é \[f_b=|f_1-f_2|=40\,\text{Hz}.\]

As distâncias até o ouvinte introduzem atrasos de propagação e, portanto, mudanças de fase. Depois que as duas ondas chegam, essas fases deslocam os instantes dos máximos e mínimos, mas não alteram as frequências média e de batimento. No modelo de amplitudes iguais e constantes, a conclusão sobre essas frequências independe da posição do ouvinte.

Se as frequências fossem iguais, a interferência poderia reforçar ou cancelar o som conforme a diferença de fase e de caminho. Ela não produziria automaticamente silêncio em toda posição nem duplicaria a frequência. A descrição de uma frequência média percebida usa o modelo usual de duas frequências próximas; a percepção auditiva detalhada depende também da faixa sonora.

Cuidado, armadilha! Não confunda a frequência do som com a dos batimentos. O fator $1/2$ aparece na expressão trigonométrica da envoltória, mas máximos de intensidade ocorrem duas vezes por ciclo dessa envoltória com sinal.

Alternativa correta: C

Q37
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Harmônicos em cordas
Harmônicos em cordas

Examine a figura abaixo.

Variação de pressão das ondas R, A, B e C em função do tempo

As cordas de um violão, ao serem tangidas, vibram simultaneamente no modo fundamental (com uma frequência $f_0$) e nos harmônicos superiores (de frequências $f_n=n\cdot f_0$, com $n=2{,}3...$). Isso resulta na propagação de ondas sonoras complexas, que são o resultado da superposição das ondas sonoras que possuem a mesma frequência da oscilação das ondas na corda do violão. A frequência da onda resultante, $f_R$, é a mesma frequência de oscilação do modo fundamental $(f_R=f_0)$. Uma certa corda de violão (cuja distância L entre os dois pontos fixos é igual a 60 cm) é tangida, e a figura acima representa a variação de pressão do ar em função do tempo provocada pela onda sonora que foi gerada. A linha R (contínua e de menor espessura) representa a variação da pressão provocada pela onda resultante e as linhas A (contínua mais grossa), B (pontilhada) e C (tracejada) representam os principais harmônicos que compõem essa onda sonora. Sabe-se que dentre as linhas A, B e C, uma delas representa o harmônico fundamental de frequência $f_0$. Com base nessas informações, assinale a opção correta.

A) A onda resultante R é formada pela superposição do harmônico fundamental, do 4º $(n=4)$ e do 6º harmônico $(n=6)$.
B) O harmônico fundamental é representado pela linha C (tracejada).
C) A frequência $f_0$ é igual a $1/t'$.
D) A razão das frequências das ondas B e C é $2/5$.
E) Sendo $\mu$ a densidade linear da corda e T a tensão, a razão $T/\mu$ é igual a $(0{,}60/t')^2$.

Resposta

E
Resolução

Para identificar o fundamental, procuramos entre as componentes a de maior período, isto é, a que completa menos oscilações no mesmo intervalo. No gráfico, essa é a curva A. Ela começa em um máximo e volta ao mesmo máximo em $2t'$, portanto \[T_0=2t',\qquad f_0=\frac1{2t'}.\]

Uma corda fixa nas duas extremidades tem nós nos apoios. No modo fundamental, cabe meio comprimento de onda no comprimento $L$ da corda: \[\lambda_0=2L.\] Como a velocidade de propagação na corda é $v=\sqrt{T/\mu}$, \[f_0=\frac{v}{2L}=\frac1{2L}\sqrt{\frac T\mu}.\]

Substituindo a frequência lida no gráfico, \[\sqrt{\frac T\mu}=2L\cdot\frac1{2t'}=\frac L{t'}.\] Para $L=0{,}60\,\text{m}$, \[\boxed{\frac T\mu}=\left(\frac{0{,}60}{t'}\right)^2.\]

As demais componentes completam mais ciclos no mesmo tempo e correspondem a harmônicos superiores. A superposição altera a forma da onda sonora resultante, mas, nas condições apresentadas, mantém o período fundamental de $2t'$.

Cuidado, armadilha! Do máximo ao mínimo decorre meio período, não um período inteiro. Não use também a velocidade do som no ar na expressão $\sqrt{T/\mu}$: ela descreve a propagação transversal na corda.

Alternativa correta: E

Q38
Mecânica — Trabalho e Energia — Trabalho de uma força
Trabalho de uma componente de força

Examine a figura abaixo.

Bloco descendo um plano inclinado entre os instantes t1 e t2

Um pequeno bloco de massa m, após ser liberado do repouso, desce um plano inclinado em $30^\circ$ em relação ao solo, e fixo a ele, conforme representado na figura acima. A posição do bloco é exibida em dois instantes diferentes: no instante $t_1$ (bloco representado com linhas contínuas) e no instante $t_2$ (bloco representado com linhas pontilhadas). Entre esses dois instantes, o bloco desce uma distância d (medida ao longo do plano), e uma distância h (em relação ao solo). Adotando o sistema de eixos indicado na figura, assinale a opção que apresenta o valor do trabalho realizado pela componente x da força normal do plano sobre o bloco, em joules, de $t_1$ até $t_2$.

Dados: $m=0{,}40\text{ kg}$; $h=20\text{ cm}$; $g=10\text{ m/s}^2$; e considere que não há atrito entre o bloco e a superfície do plano inclinado.

A) 0,0
B) $6{,}0\cdot10^{-1}$
C) $7{,}0\cdot10^{-1}$
D) $8{,}0\cdot10^{-1}$
E) $12\cdot10^{-1}$

Resposta

B
Resolução

A normal é perpendicular ao deslocamento ao longo do plano, portanto seu trabalho total é zero. A pergunta, porém, pede apenas o trabalho da componente horizontal da normal. Essa componente pode realizar trabalho positivo, compensado pelo trabalho negativo da componente vertical.

Como não há aceleração perpendicular à rampa, \[N=mg\cos30^\circ.\] Na orientação dos eixos desenhados, sua componente horizontal aponta para a direita e vale \[N_x=N\sin30^\circ=mg\cos30^\circ\sin30^\circ.\]

A descida vertical é $h=0{,}20\,\text{m}$. Pela geometria, \[d=\frac{h}{\sin30^\circ}=0{,}40\,\text{m},\qquad\Delta x=d\cos30^\circ.\] Como $N_x$ é constante e tem o mesmo sentido do deslocamento horizontal, \[W_x=N_x\Delta x=mgh\cos^230^\circ.\]

Substituindo os dados, \[W_x=0{,}40\cdot10\cdot0{,}20\cdot\frac34=0{,}60\,\text{J}.\] Para conferir, a componente vertical produz $W_y=-mgh\cos^230^\circ=-0{,}60\,\text{J}$. A soma é nula, como deve ser para a força normal completa.

Cuidado, armadilha! Uma afirmação válida para o trabalho do vetor completo não precisa valer para o trabalho de cada componente isolada. Leia cuidadosamente qual componente a questão solicita.

Alternativa correta: B

Q39
Mecânica — Gravitação — Teorema das cascas esféricas
Teorema das cascas e superposição

Examine a figura abaixo.

Esfera de raio R com cavidade de raio R sobre 2 e partícula m

No estudo da gravitação, o físico inglês Isaac Newton demonstrou o chamado teorema das cascas esféricas, que afirma que uma esfera homogênea exerce, sobre um corpo situado fora dela, a mesma força gravitacional que uma massa puntiforme colocada em seu centro. Se abrirmos uma cavidade esférica dentro de uma esfera maciça, parte da massa original é removida. Assim, o efeito gravitacional da esfera com cavidade sobre um corpo externo pode ser entendido, pelo princípio da superposição, como a soma do efeito de uma esfera maciça completa com o efeito de uma esfera de massa “negativa”, correspondente à massa retirada. A figura acima mostra uma esfera maciça homogênea de raio R e densidade volumétrica constante, na qual foi escavada uma cavidade esférica de raio R/2. A superfície da cavidade passa pelo centro O da esfera e é tangente à superfície externa no lado esquerdo, conforme ilustrado na figura. Considere M como sendo a massa da esfera completa (antes da cavidade). Uma partícula de massa $m=10M/23$ encontra-se fora da esfera, a uma distância $r=2R$ do centro O. Sendo G a constante gravitacional, o módulo da força gravitacional exercida pela esfera com cavidade sobre a partícula é dado por:

A) $\dfrac{1}{10}\dfrac{GM^2}{R^2}$
B) $\dfrac{1}{8}\dfrac{GM^2}{R^2}$
C) $\dfrac{1}{5}\dfrac{GM^2}{R^2}$
D) $\dfrac{5}{23}\dfrac{GM^2}{R^2}$
E) $\dfrac{10}{23}\dfrac{GM^2}{R^2}$

Resposta

A
Resolução

A esfera com cavidade não é esfericamente simétrica em torno de O. Portanto, não podemos colocar toda sua massa restante no centro e aplicar diretamente o teorema das cascas. A estratégia é subtrair, da atração da esfera completa, a atração que a massa retirada exerceria.

Como a densidade é uniforme, a massa é proporcional ao cubo do raio. A cavidade de raio $R/2$ corresponde à massa \[M_c=M\left(\frac12\right)^3=\frac M8.\] Seu centro está a $R/2$ à esquerda de O. A partícula está a $2R$ à direita de O, portanto sua distância ao centro da cavidade é $5R/2$.

As duas atrações que vamos subtrair são colineares. Assim, \[F=\frac{GMm}{(2R)^2}-\frac{G(M/8)m}{(5R/2)^2}=\frac{GMm}{R^2}\left(\frac14-\frac1{50}\right)=\frac{23}{100}\frac{GMm}{R^2}.\]

Com $m=10M/23$, \[\boxed{F=\frac1{10}\frac{GM^2}{R^2}}.\] O resultado é menor que a atração da esfera completa, coerentemente com a retirada de matéria do sistema.

Cuidado, armadilha! A massa retirada é $M/8$, não $M/2$. Além disso, sua distância à partícula deve ser medida a partir do centro da cavidade, que não coincide com O.

Alternativa correta: A

Q40
Mecânica — Cinemática — Velocidade relativa
Velocidade relativa

Examine a figura abaixo.

Barco e direção da bandeira a 45 graus do norte

A figura acima apresenta esquematicamente uma vista superior de um barco navegando em linha reta sobre um lago, deslocando-se para o leste (L), com velocidade constante de $10\text{ km/h}$ em relação à margem. Também em relação à margem, sopra na região um vento que, em relação ao sentido norte (N), faz um ângulo de $30^\circ$ para o oeste (O). No barco, uma bandeira presa ao mastro mostra a direção do vento em relação ao barco, que faz um ângulo de $45^\circ$ com o sentido norte (N), como indica a figura. Considere que todo o movimento ocorre em um plano horizontal e despreze efeitos tais como a turbulência do ar. Determine o valor da razão entre o módulo da velocidade do vento em relação ao barco, $v_{vb}$, e o módulo da velocidade do vento em relação à margem, $v_{vm}$, ou seja, $v_{vb}/v_{vm}$, e assinale a opção que apresenta a resposta correta.

A) $\sqrt2/2$
B) $\sqrt3/2$
C) 1
D) $\sqrt6/2$
E) $3/2$

Resposta

D
Resolução

A bandeira indica a velocidade do ar em relação ao barco. Para relacioná-la à velocidade medida na margem, precisamos subtrair vetores, e não apenas os módulos. Vamos adotar leste como x positivo e norte como y positivo.

Se o módulo do vento em relação à margem é $V$, sua direção de 30° para oeste a partir do norte fornece \[\vec v_{vm}=\left(-\frac V2,\frac{\sqrt3V}{2}\right).\] O barco se move para leste com $\vec v_{bm}=(10,0)\,\text{km/h}$.

A velocidade relativa é \[\vec v_{vb}=\vec v_{vm}-\vec v_{bm}=\left(-\frac V2-10,\frac{\sqrt3V}{2}\right).\] Como a bandeira indica 45° para oeste a partir do norte, os módulos das componentes são iguais: \[\frac V2+10=\frac{\sqrt3V}{2}.\]

Não precisamos calcular $V$ para obter a razão. Com duas componentes de mesmo módulo, \[v_{vb}=\sqrt2\cdot\frac{\sqrt3V}{2}=\frac{\sqrt6}{2}V,\] portanto \[\boxed{\frac{v_{vb}}{v_{vm}}=\frac{\sqrt6}{2}}.\] A razão é maior que 1 porque o movimento para leste aumenta a componente relativa do vento dirigida para oeste.

Cuidado, armadilha! O ângulo do vento foi dado em relação ao norte. A componente norte usa cosseno de 30°, e a oeste usa seno. Subtrair 10 diretamente do módulo do vento ignoraria suas direções.

Alternativa correta: D

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