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EN 2024

Marinha do Brasil

CPAEN 2023/2024 · 2º Dia, caderno amarelo · Prova de Física (Q01-22) — resolução comentada Método TEF.

Q1
Dinâmica — Movimento Retilíneo com Atrito e Força Aplicada

Analise a figura abaixo.

Caixa de comprimento L sendo arrastada em um espaço confinado D por uma força T

A figura mostra uma caixa de comprimento L, sendo arrastada em um espaço confinado de largura D por meio de um cabo, na horizontal, cuja tensão tem módulo igual a T. A caixa possui massa m e o coeficiente de atrito cinético entre a caixa e o solo é igual a $\mu_c$. Assinale a alternativa que corresponde ao intervalo de tempo $\Delta t$ que o cabo deve atuar (contado a partir do instante em que, partindo do repouso, adquire velocidade $v>0$) para que ela percorra a distância $\Delta S = D - L$ sem colidir com os limites do espaço confinado, de modo que a caixa encerre o deslocamento $\Delta S$ com velocidade nula, evitando danos ao conteúdo do seu interior. Desconsidere a resistência do ar.

A)$\dfrac{2(D-L)m}{T-mg\mu_c}$
B)$\left(\dfrac{2(D-L)m}{T-mg\mu_c}\right)^{1/2}$
C)$\dfrac{2(D-L)m^2 g\mu_c}{T(T-mg\mu_c)}$
D)$m^2\left(\dfrac{2(D-L)g\mu_c}{T(T-mg\mu_c)}\right)^2$
E)$m\left(\dfrac{2(D-L)g\mu_c}{T(T-mg\mu_c)}\right)^{1/2}$

Gabarito oficial CPAEN/2023

E
Resolução

A viagem divide-se em duas etapas: acelerada (com cabo) e desacelerada (apenas atrito até parar).

1ª Etapa (Aceleração $a_1$): $F_{res1} = T - \mu_c mg = m a_1 \Rightarrow a_1 = \dfrac{T - \mu_c mg}{m}$.
A velocidade atingida após tempo $\Delta t$ é $v = a_1 \Delta t$, e o deslocamento é $\Delta s_1 = \dfrac{v^2}{2a_1}$.

2ª Etapa (Desaceleração $a_2$): $F_{res2} = -\mu_c mg = m a_2 \Rightarrow |a_2| = \mu_c g$.
O deslocamento até parar é $\Delta s_2 = \dfrac{v^2}{2|a_2|} = \dfrac{v^2}{2\mu_c g}$.

O deslocamento total é $\Delta S = D - L = \Delta s_1 + \Delta s_2 = \dfrac{v^2}{2}\left(\dfrac{1}{a_1} + \dfrac{1}{|a_2|}\right) = \dfrac{(a_1 \Delta t)^2}{2}\left(\dfrac{a_1 + |a_2|}{a_1 |a_2|}\right) = \dfrac{\Delta t^2}{2} \cdot a_1 \cdot \dfrac{a_1 + |a_2|}{|a_2|}$.

Note que $a_1 + |a_2| = \dfrac{T - \mu_c mg}{m} + \mu_c g = \dfrac{T}{m}$.
Substituindo: $\Delta S = \dfrac{\Delta t^2}{2} \left(\dfrac{T - \mu_c mg}{m}\right) \dfrac{T/m}{\mu_c g} = \dfrac{\Delta t^2}{2} \cdot \dfrac{T(T - \mu_c mg)}{m^2 \mu_c g}$.

Isolando $\Delta t$: $\Delta t^2 = \dfrac{2(D-L)m^2 \mu_c g}{T(T - \mu_c mg)} \Rightarrow \Delta t = m\left(\dfrac{2(D-L)g\mu_c}{T(T - mg\mu_c)}\right)^{1/2}$.

Q2
Estática de Corpos Extensos — Equilíbrio de Torque em Andaime

Examine a figura abaixo.

Andaime homogêneo sobre dois cavaletes com pedreiro e dois baldes em suas extremidades

Um pedreiro de peso $P = 1,0\times 10^3$ N está fazendo reparos em um muro. Ele utiliza como andaime uma tábua de massa m e comprimento L (massa uniformemente distribuída) apoiada simetricamente sobre dois cavaletes idênticos. Para que ele tenha mais espaço para se deslocar sobre a tábua, decide colocar um balde contendo água (de massa total $m_1$) em uma das extremidades da tábua e um outro balde contendo argamassa (de massa total $m_2$) na outra extremidade, conforme indicado na figura acima. Sendo as seções retas dos baldes (vistos de cima) quadradas, de lado a, considere que as massas de água e de argamassa estão uniformemente distribuídas nos baldes e que o centro de gravidade do homem está sobre a sua mediana vertical, e assinale a opção que apresenta a distância mínima d, em metros, que o pedreiro deve manter do balde contendo argamassa para que a tábua esteja em equilíbrio.

Dados: $g = 10\,m/s^2$; $L = 4,5$ m; $a = 0,5$ m; $m_1 = 3,0$ kg; $m_2 = 49$ kg e $m_T = 6,0$ kg.

A)$3,0\times 10^{-2}$
B)$5,0\times 10^{-2}$
C)$3,0\times 10^{-1}$
D)$1,4\times 10^{-1}$
E)$1,9\times 10^{-1}$

Gabarito oficial CPAEN/2023

C
Resolução

A massa do pedreiro é $M = P/g = 1000/10 = 100$ kg. Na iminência de tombar para a direita (ao se aproximar do balde 2), a força de reação no cavalete esquerdo anula-se ($N_{esq} = 0$).

Adotando o pivô no cavalete direito (localizado a 0,75 m da extremidade direita da tábua):
• Balde 2 ($m_2 = 49$ kg): ocupa de $x = 0,25$ m a $x = 0,75$ m em relação ao cavalete. Seu centro de massa está a $0,50$ m à direita do pivô.
• Tábua ($m_T = 6,0$ kg): seu centro de massa está no centro da tábua (a 1,50 m à esquerda do pivô).
• Balde 1 ($m_1 = 3,0$ kg): seu centro de massa está na extremidade esquerda, a 3,50 m à esquerda do pivô.
• Pedreiro ($M = 100$ kg): estará a uma distância $x_p$ do pivô.

Igualando os torques em relação ao pivô direito:
$m_2 \cdot (0,50) + M \cdot x_p - m_T \cdot (1,50) - m_1 \cdot (3,50) = 0$
$49(0,50) + 100 x_p - 6,0(1,50) - 3,0(3,50) = 0$
$24,5 + 100 x_p - 9,0 - 10,5 = 0 \Rightarrow 5,0 + 100 x_p = 0 \Rightarrow x_p = -0,05$ m (ou seja, 0,05 m à esquerda do cavalete direito).

Como a borda interna do balde 2 fica a 0,25 m à direita do cavalete, a distância mínima $d$ do pedreiro ao balde é: $d = 0,25 - (-0,05) = 0,30\text{ m} = 3,0\times 10^{-1}\text{ m}$.

Q3
Dinâmica — Pêndulo Cônico e Equilíbrio de Forças

Examine a figura abaixo.

Bloco M pendurado por fio que passa por tubo e prende esfera m em movimento circular

A figura acima apresenta um bloco de massa M, pendendo verticalmente de uma corda ideal, que, por sua vez, passa por um pequeno tubo fixo e está presa na outra extremidade a uma pequena esfera de massa m se movendo em uma trajetória circular horizontal com velocidade constante. Sendo g a aceleração da gravidade e L o comprimento da corda entre a esfera e a extremidade superior do tubo, que expressão permite calcular o período do movimento circular da esfera para que o bloco permaneça em repouso em relação ao tubo fixo?

A)$2\pi\sqrt{\dfrac{mg}{ML}}$
B)$2\pi\sqrt{\dfrac{2mL}{Mg}}$
C)$2\pi\sqrt{\dfrac{2Mg}{mL}}$
D)$2\pi\sqrt{\dfrac{mL}{Mg}}$
E)$2\pi\sqrt{\dfrac{ML}{mg}}$

Gabarito oficial CPAEN/2023

D
Resolução

Para o bloco M estar em equilíbrio vertical, a tração no fio deve ser $T = Mg$.

Para a esfera m realizando movimento circular horizontal de raio $r = L\,\text{sen}\,\theta$ (sendo $\theta$ o ângulo entre o fio e a vertical):
• Na vertical: $T\cos\theta = mg \Rightarrow Mg\cos\theta = mg \Rightarrow \cos\theta = \dfrac{m}{M}$.
• Na horizontal (resultante centrípeta): $T\,\text{sen}\,\theta = m \omega^2 r = m \omega^2 (L\,\text{sen}\,\theta) \Rightarrow T = m \omega^2 L$.

Igualando as trações: $Mg = m \omega^2 L \Rightarrow \omega = \sqrt{\dfrac{Mg}{mL}}$.
O período de rotação é $P = \dfrac{2\pi}{\omega} = 2\pi\sqrt{\dfrac{mL}{Mg}}$.

Q4
Ondulatória — Ondas de Gravidade em Águas Rasas

Ondas de gravidade são ondas oceânicas que são formadas devido à gravidade. A velocidade de propagação dessas ondas depende da profundidade h, obedecendo a relação $v = \sqrt{gh}$, em que g é a aceleração da gravidade, igual a $10\,m/s^2$. Em particular, tais ondas são classificadas como ondas rasas se a medida de meio comprimento de onda é maior que a profundidade local. Suponha que um navio esteja atracado num porto (parado em relação ao solo) numa região em que a profundidade é de 20 m. É correto afirmar que ele é atingido por ondas rasas quando o intervalo de tempo decorrido entre a chegada de duas cristas consecutivas no casco desse navio é:

A)menor que $0,2\sqrt{2}$ segundos.
B)menor que $\sqrt{2}$ segundos.
C)menor que $2\sqrt{2}$ segundos.
D)maior que $2\sqrt{2}$ segundos.
E)maior que $0,2\sqrt{2}$ segundos.

Gabarito oficial CPAEN/2023

D
Resolução

A velocidade da onda em profundidade $h = 20$ m é: $v = \sqrt{gh} = \sqrt{10 \times 20} = \sqrt{200} = 10\sqrt{2}$ m/s.

A condição para onda rasa é $\dfrac{\lambda}{2} > h \Rightarrow \lambda > 2h \Rightarrow \lambda > 40$ m.

O intervalo entre duas cristas consecutivas é o período $T = \dfrac{\lambda}{v}$.
Substituindo a condição: $T > \dfrac{40}{10\sqrt{2}} = \dfrac{4}{\sqrt{2}} = 2\sqrt{2}$ s.

Q5
Termologia — Escalas Termométricas e Variação de Resistência

Um termistor é um dispositivo eletrônico, em estado sólido, cuja principal característica é a rápida variação da resistência elétrica com a temperatura. A resistência R pode ser descrita na forma $R = R_0 e^{B/T}$, sendo $R_0$ e B constantes características do termistor em questão, em Ohms e Kelvin, respectivamente, e T a temperatura do dispositivo. Suponha que um laboratório de física possui apenas termômetros na escala Réaumur, expressa em °R. A uma temperatura de $48^\circ R$ a resistência do termistor é $R_1\,\Omega$, e, a uma temperatura de $80^\circ R$, a resistência do termistor é $R_2\,\Omega$. Assim, assinale a opção que apresenta a variação $\Delta R = R_2 - R_1$ para essa variação de temperatura, expressa em termos de $R_0$ e B.

Dados: temperatura de fusão do gelo $= 0^\circ R$; e temperatura de ebulição da água $= 80^\circ R$.

A)$R_0(e^{B/373} - e^{B/333})$
B)$R_0(e^{B/353} - e^{B/321})$
C)$R_0(e^{B/80} - e^{B/48})$
D)$R_0 e^{B/32}$
E)$R_0 e^{B/40}$

Gabarito oficial CPAEN/2023

A
Resolução

Relacionando a escala Réaumur com a escala Celsius: $0^\circ R = 0^\circ C$ e $80^\circ R = 100^\circ C$. A conversão é $T(^\circ C) = \dfrac{100}{80} T(^\circ R) = 1,25 T(^\circ R)$.

Convertendo para Kelvin ($T(K) = T(^\circ C) + 273$):
• Para $48^\circ R$: $T_1(^\circ C) = 1,25 \times 48 = 60^\circ C \Rightarrow T_1(K) = 60 + 273 = 333$ K.
• Para $80^\circ R$: $T_2(^\circ C) = 1,25 \times 80 = 100^\circ C \Rightarrow T_2(K) = 100 + 273 = 373$ K.

Substituindo nas resistências: $R_1 = R_0 e^{B/333}$ e $R_2 = R_0 e^{B/373}$.
A variação $\Delta R = R_2 - R_1 = R_0 (e^{B/373} - e^{B/333})$.

Q6
Termologia — Condução Térmica e Custo de Refrigeração

O custo com a refrigeração de um ambiente é aproximadamente proporcional à taxa com que o calor é absorvido pelo ambiente dividida pelo coeficiente de desempenho (CD) do ar-condicionado. Uma sala de aula possui ar-condicionado e apenas uma das quatro paredes da sala, que possui área A, espessura L e condutividade térmica k, recebe sol diretamente. Em um dia típico de calor, a temperatura do lado externo dessa parede é de $38^\circ C$. Em um instante inicial ($t_1$), a temperatura do ar dentro da sala de aula está em $18^\circ C$. Em seguida, 25 alunos entram na sala emitindo calor, cada um, a uma taxa de 100W. Após um certo tempo, no instante $t_2$, o ar do ambiente atinge novamente o equilíbrio térmico a $18^\circ C$. Desprezando as trocas de calor do ambiente interno da sala com o piso, com o teto e com as outras três paredes e considerando que entre os instantes $t_1$ e $t_2$ a temperatura externa se manteve constante e que nenhum aluno entrou ou saiu da sala, é correto afirmar que o custo com a refrigeração no instante $t_2$ será:

Dados: $CD = 3,0$; $k = 0,1$ W/m·K; $A = 50\,m^2$; e $L = 20$ cm.

A)5 vezes maior do que no instante $t_1$.
B)6 vezes maior do que no instante $t_1$.
C)25 vezes maior do que no instante $t_1$.
D)100 vezes maior do que no instante $t_1$.
E)igual ao do instante $t_1$.

Gabarito oficial CPAEN/2023

B
Resolução

A taxa de condução de calor pela parede é dada pela Lei de Fourier: $\dot{Q}_{parede} = \dfrac{k A \Delta T}{L} = \dfrac{0,1 \times 50 \times (38 - 18)}{0,20} = \dfrac{5 \times 20}{0,20} = 500$ W.

No instante $t_1$, essa é a única fonte de calor na sala, logo $\dot{Q}_1 = 500$ W.

No instante $t_2$, adicionam-se 25 alunos emitindo $100$ W cada: $\dot{Q}_{alunos} = 25 \times 100 = 2500$ W.
A taxa total de calor a ser removida passa a ser $\dot{Q}_2 = 500 + 2500 = 3000$ W.

Como o coeficiente de desempenho CD permanece constante, a razão entre os custos é $\dfrac{\dot{Q}_2}{\dot{Q}_1} = \dfrac{3000}{500} = 6$. O custo será 6 vezes maior.

Q7
Eletromagnetismo — Força de Lorentz (Campos E e B Cruzados)

Examine as figuras abaixo.

Elétron movendo-se no eixo y sob campo elétrico E no eixo x e gráfico da força resultante F_Rx versus velocidade v

A Figura 1 apresenta um elétron, num certo instante $t_1$, se movendo no sentido positivo do eixo y, penetrando com velocidade v em uma região onde existem um vetor campo elétrico $\vec{E}$ paralelo ao eixo x, e um vetor campo magnético $\vec{B}$, perpendicular ao plano xy, não representado na Figura. A Figura 2 apresenta a componente x do vetor força resultante, $\vec{F}$, sobre o elétron em função da velocidade v do elétron no instante $t_1$. Sabendo que ambos os campos são uniformes e constantes, usando o sistema de eixos coordenados da Figura 1, calcule o módulo e o sentido do vetor $\vec{B}$, ao longo do eixo z, e assinale a opção correta.

Dado: carga do elétron $= -1,6\cdot 10^{-19}$ C.

A)0,50 mT; sentido positivo
B)0,50 mT; sentido negativo
C)5,0 mT; sentido positivo
D)5,0 mT; sentido negativo
E)50 mT; sentido negativo

Gabarito oficial CPAEN/2023

E
Resolução

A força de Lorentz na componente x é dada por: $F_{R,x} = q E_x + q(\vec{v}\times\vec{B})_x$.
Com $\vec{v} = v\hat{j}$ e $\vec{B} = B_z\hat{k}$, o produto vetorial resulta em $\vec{v}\times\vec{B} = v B_z \hat{i}$.
Logo: $F_{R,x} = q E_x + q B_z v$.

Pelo gráfico $F_{R,x}(v)$:
• Para $v = 0$: $F_{R,x} = -4,8\times 10^{-19}$ N.
• A inclinação da reta é $\dfrac{\Delta F_{R,x}}{\Delta v} = \dfrac{0 - (-4,8\times 10^{-19})}{60 - 0} = 8,0\times 10^{-21}$ N/(m/s).

Como o coeficiente angular é $q B_z$:
$(-1,6\times 10^{-19}) B_z = 8,0\times 10^{-21} \Rightarrow B_z = -0,05\text{ T} = -50\text{ mT}$.

Portanto, o módulo de $\vec{B}$ é 50 mT e o seu sentido é **negativo** (ao longo do eixo -z).

Q8
Termodinâmica — Análise de Ciclo Termodinâmico Diatômico

Um gás ideal diatômico, funcionando como substância de trabalho de uma máquina térmica, passa ciclicamente por três processos termodinâmicos. São eles:
1) processo AB: compressão isobárica, sendo realizado um trabalho de 100J sobre o gás para reduzir o seu volume;
2) processo BC: absorção de calor a volume constante; e
3) processo CA: expansão isotérmica, sendo realizado um trabalho de 300J pelo gás.
Considere que o número de mols do gás permanece constante e igual a n em todos os processos termodinâmicos, que R é a constante universal dos gases ideais e que $C_v$ e $C_p$ são os calores específicos molares a volume e pressão constantes, respectivamente. Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmativas abaixo e assinale a opção que apresenta a sequência correta.

( ) O calor total absorvido pelo gás, ao final de um ciclo, é de 400J.

( ) A troca de calor entre o gás e o meio externo no processo CA é diferente de zero.

( ) O calor absorvido no processo AB é igual a $n C_p(T_B - T_A)$, em que $T_B$ e $T_A$ são as temperaturas nos estados B e A, respectivamente.

( ) O calor absorvido no processo BC é igual a $n R(T_C - T_B)$ em que $T_C$ e $T_B$ são as temperaturas nos estados C e B, respectivamente.

A)(V)(V)(V)(F)
B)(F)(F)(F)(F)
C)(F)(V)(F)(F)
D)(F)(V)(F)(V)
E)(V)(F)(F)(V)

Gabarito oficial CPAEN/2023

C
Resolução

Analisando cada afirmação:
1ª (F): O trabalho líquido do ciclo é $W_{liq} = -100 + 0 + 300 = 200$ J. Como $\Delta U_{ciclo} = 0$, o calor *líquido* é $Q_{liq} = 200$ J (e não o calor total absorvido, que seria maior).
2ª (V): No processo isotérmico CA, $\Delta U_{CA} = 0$, logo $Q_{CA} = W_{CA} = 300$ J $\neq 0$.
3ª (F): No processo AB ocorre compressão com resfriamento ($T_B < T_A$), de modo que o calor é *libertado/rejeitado*, não absorvido.
4ª (F): No processo isocórico BC, o calor absorvido é dado por $Q_{BC} = n C_v(T_C - T_B)$. Como o gás é diatômico, $C_v = \dfrac{5}{2}R \neq R$, tornando a fórmula incorreta.

Sequência correta: (F)(V)(F)(F).

Q9
MHS — Associação de Molas e Aceleração Máxima

Um oscilador harmônico simples formado por sistema massa-mola, apoiado sobre uma superfície horizontal sem atrito, tem sua amplitude de oscilação limitada a A, devido à máxima compressão possível em uma mola (situação em que a mola fica com comprimento $L_{min}$, ou seja, sem espaço entre os seus enrolamentos). Dada esta limitação, a aceleração de um bloco de massa m acoplado a uma mola uma constante elástica $k_1$ possui valor máximo igual a $a_{max}$. Entretanto, deseja-se aumentar esse valor da aceleração máxima do mesmo bloco. Uma das possibilidades é acoplar, em paralelo com a primeira, uma outra mola de constante elástica igual a $k_2$ e que mantenha a mesma amplitude de oscilação A. Numa situação hipotética que se deseja, no mínimo, quintuplicar o valor de $a_{max}$ a razão $k_2/k_1$ deverá ser, no mínimo igual a:

A)3
B)4
C)5
D)24
E)25

Gabarito oficial CPAEN/2023

B
Resolução

A aceleração máxima no MHS é $a_{max1} = \dfrac{k_1 A}{m}$.

Ao associar a mola $k_2$ em paralelo, a constante equivalente passa a ser $k_{eq} = k_1 + k_2$.
A nova aceleração máxima é $a_{max2} = \dfrac{(k_1 + k_2) A}{m} = a_{max1} \left(1 + \dfrac{k_2}{k_1}\right)$.

Para quintuplicar a aceleração máxima ($a_{max2} \geq 5 a_{max1}$):
$1 + \dfrac{k_2}{k_1} \geq 5 \Rightarrow \dfrac{k_2}{k_1} \ge 4$. O valor mínimo é 4.

Q10
Eletromagnetismo — Campo Magnético Resultante (Fio + Espira)

Examine a figura abaixo.

Espira de raio R percorrida por corrente I2 e fio retilíneo perpendicular com corrente I1 no seu contorno

Na figura acima, estão representados um fio retilíneo muito longo, perpendicular ao plano do papel, percorrido por uma corrente $I_1$ e uma espira circular de raio R no plano do papel percorrida pela corrente $I_2$. Os sentidos das correntes estão indicados na figura acima, ou seja, $I_1$ é dirigida para dentro do papel e $I_2$ está no sentido anti-horário. As duas correntes criam um vetor campo magnético resultante $B_R$ no centro C da espira. Calcule o valor da razão $I_1/I_2$ para que o módulo de $B_R$ em C seja o dobro do módulo do vetor campo magnético criado pela corrente $I_2$ em C, e assinale a opção correta.

A)$\sqrt{3}\pi$
B)$\pi$
C)$\dfrac{1}{2\pi}$
D)$\dfrac{\pi}{2}$
E)$\dfrac{1}{\pi}$

Gabarito oficial CPAEN/2023

A
Resolução

• O campo da espira no centro C aponta saindo do papel ($\odot$): $B_2 = \dfrac{\mu_0 I_2}{2R}$.
• O fio $I_1$ está no plano inferior da espira, a uma distância R de C. Aplicando a regra da mão direita para o fio entrando no papel ($\otimes$), o campo $B_1$ em C é **horizontal no plano da folha** (apontando para a esquerda).

Como $\vec{B}_1$ e $\vec{B}_2$ são ortogonais entre si ($\vec{B}_1 \perp \vec{B}_2$):
$B_R = \sqrt{B_1^2 + B_2^2}$.

O problema exige que $B_R = 2 B_2$:
$\sqrt{B_1^2 + B_2^2} = 2 B_2 \Rightarrow B_1^2 + B_2^2 = 4 B_2^2 \Rightarrow B_1 = \sqrt{3} B_2$.

Substituindo os campos em função das correntes ($B_1 = \dfrac{\mu_0 I_1}{2\pi R}$):
$\dfrac{\mu_0 I_1}{2\pi R} = \sqrt{3} \dfrac{\mu_0 I_2}{2R} \Rightarrow \dfrac{I_1}{\pi} = \sqrt{3} I_2 \Rightarrow \dfrac{I_1}{I_2} = \sqrt{3}\pi$.

Q11
Eletrodinâmica — Carga em Circuito RC com Fontes

Examine a figura abaixo.

Circuito contendo capacitor C, duas fontes de ddp e chave S

A figura acima apresenta um circuito com um capacitor C, duas fontes ideais $\epsilon_1$ e $\epsilon_2$, dois resistores $R_1$ e $R_2$ e uma chave S. Considere que, inicialmente, a chave S permaneceu aberta por um longo tempo de forma que o capacitor adquiriu uma carga $q_0$. Se a chave S for fechada e assim permanecer também por um longo tempo, a variação percentual da carga no capacitor em relação à carga inicial $q_0$ é de:

Dados: $C = 20\,\mu F$; $\epsilon_1 = 4,0$ V; $\epsilon_2 = 5,0$ V; $R_1 = 0,30\,\Omega$ e $R_2 = 0,20\,\Omega$.

A)10%
B)8%
C)-8%
D)-10%
E)-12%

Gabarito oficial CPAEN/2023

C
Resolução

Chave S aberta: O ramo superior fica desligado. Não circula corrente em regime permanente. O capacitor $C$ fica sujeito à tensão total da fonte $\epsilon_2 = 5,0$ V.
Carga inicial: $q_0 = C \cdot \epsilon_2 = 20\,\mu F \times 5,0\text{ V} = 100\,\mu C$.

Chave S fechada: Forma-se uma malha externa conectando $\epsilon_1, R_1, \epsilon_2, R_2$.
A corrente na malha em regime permanente (sem corrente pelo ramo do capacitor) é:
$i = \dfrac{\epsilon_2 - \epsilon_1}{R_1 + R_2} = \dfrac{5,0 - 4,0}{0,30 + 0,20} = 2,0$ A.

A nova tensão sobre o capacitor C é a ddp no ramo inferior:
$V_C' = \epsilon_2 - i R_2 = 5,0 - (2,0 \times 0,20) = 4,6$ V.
Nova carga: $q_f = C \cdot V_C' = 20\,\mu F \times 4,6\text{ V} = 92\,\mu C$.

Variação percentual: $\dfrac{\Delta q}{q_0} = \dfrac{92 - 100}{100} = -8\%$.

Q12
Cinemática — Gráfico da Velocidade em Função da Altura

Considere uma pequena bola sendo lançada verticalmente para cima ao longo de um eixo y. Assinale a opção que apresenta o gráfico que pode representar a velocidade v da bola em função da altura y desde o instante do lançamento até o instante da máxima altura alcançada pela bola.

A)
Gráfico de v por y côncavo para cima
B)
Gráfico de v por y retilíneo decrescente
C)
Gráfico de v por y retilíneo crescente
D)
Gráfico de v por y curvo decrescente côncavo para baixo
E)
Gráfico de v por y curvo crescente côncavo para cima

Gabarito oficial CPAEN/2023

D
Resolução

Pela Equação de Torricelli: $v^2 = v_0^2 - 2gy \Rightarrow v(y) = \sqrt{v_0^2 - 2gy}$.

• Em $y = 0$, $v = v_0 > 0$.
• Conforme y aumenta, $v$ diminui não linearmente (curva de raiz quadrada).
• Derivando $v$ em relação a y: $\dfrac{dv}{dy} = \dfrac{-g}{\sqrt{v_0^2 - 2gy}} = -\dfrac{g}{v}$.
Conforme $v \to 0$ (próximo da altura máxima), a taxa de variação tende a $-\infty$ (a inclinação fica infinitamente íngreme perto do eixo y).

Esse comportamento gráfico corresponde a uma curva decrescente com concavidade voltada para baixo, representada pela **alternativa D**.

Q13
Hidrodinâmica — Tubo de Venturi e Manômetro em U

Examine a figura abaixo.

Tubulação horizontal afunilada acoplada a manômetro em U com mercúrio

A figura acima apresenta uma esquematização de uma tubulação hidráulica horizontal pela qual escoa um líquido ideal em regime permanente. Os pontos 1 e 2 indicados, pertencentes a uma mesma reta horizontal, estão situados sobre os ramos de um tubo em forma de U contendo mercúrio, de massa específica $\mu_{Hg}$, em que se observa, no mercúrio, um desnível h. As áreas das seções retas $S_1$ e $S_2$ são, respectivamente, $A_1$ e $A_2$, tal que $A_1 = 3 A_2$. Sendo g a aceleração da gravidade e sabendo que a massa específica do líquido é $\mu_{Hg}/10$, qual é o módulo da velocidade do líquido no ponto 2?

A)$\dfrac{1}{3}\sqrt{gh}$
B)$\dfrac{2}{3}\sqrt{gh}$
C)$\sqrt{\dfrac{2gh}{3}}$
D)$3\sqrt{\dfrac{gh}{10}}$
E)$\dfrac{9}{2}\sqrt{gh}$

Gabarito oficial CPAEN/2023

E
Resolução

Pela Equação da Continuidade: $A_1 v_1 = A_2 v_2 \Rightarrow 3 A_2 v_1 = A_2 v_2 \Rightarrow v_1 = \dfrac{v_2}{3}$.

Pela Equação de Bernoulli na tubulação horizontal:
$p_1 - p_2 = \dfrac{1}{2}\rho (v_2^2 - v_1^2) = \dfrac{1}{2}\left(\dfrac{\mu_{Hg}}{10}\right)\left(v_2^2 - \dfrac{v_2^2}{9}\right) = \dfrac{4}{90}\mu_{Hg} v_2^2$.

Pela hidrostática do tubo em U:
$p_1 - p_2 = (\mu_{Hg} - \rho) g h = \left(\mu_{Hg} - \dfrac{\mu_{Hg}}{10}\right) g h = \dfrac{9}{10} \mu_{Hg} g h$.

Igualando as expressões de $p_1 - p_2$:
$\dfrac{4}{90}\mu_{Hg} v_2^2 = \dfrac{9}{10} \mu_{Hg} g h \Rightarrow \dfrac{4}{9} v_2^2 = 9 g h \Rightarrow v_2^2 = \dfrac{81}{4} g h \Rightarrow v_2 = \dfrac{9}{2}\sqrt{gh}$.

Q14
Gravitação — Velocidade de Escape em Sistema Quadruplo de Estrelas

Examine a figura abaixo.

Quatro estrelas de massa M nos vértices de um quadrado de lado L

Considere um sistema formado por quatro estrelas iguais, cada qual de massa M. Os centros dessas estrelas encontram-se nos vértices de um quadrado de lado L, conforme a figura acima, de tal forma que o sistema assim formado gira em torno do centro do quadrado com velocidade angular constante. Sendo G a constante gravitacional, se um meteorito de massa m passar pelo centro de massa do sistema, perpendicularmente ao plano da órbita, qual é a menor velocidade que o meteorito deve ter no centro de massa do sistema para poder escapar da atração gravitacional das estrelas?

A)$2^{2/7}\sqrt{\dfrac{GM}{L}}$
B)$2^{7/4}\sqrt{\dfrac{GM}{L}}$
C)$2\sqrt{\dfrac{2GM}{L}}$
D)$\sqrt{\dfrac{7GM}{2L}}$
E)$2\sqrt{\dfrac{GM}{4L}}$

Gabarito oficial CPAEN/2023

B
Resolução

A distância $r$ do centro de massa a cada uma das quatro estrelas no quadrado é meia diagonal: $r = \dfrac{L\sqrt{2}}{2} = \dfrac{L}{\sqrt{2}}$.

A energia potencial gravitacional do meteorito m no centro é:
$U_{inicial} = - 4 \cdot \dfrac{G M m}{r} = - 4 \dfrac{G M m}{L / \sqrt{2}} = - 4\sqrt{2}\dfrac{G M m}{L}$.

Para o meteorito escapar até o infinito ($E_{m,infinito} \geq 0$):
$\dfrac{1}{2} m v^2 + U_{inicial} = 0 \Rightarrow \dfrac{1}{2} m v^2 = 4\sqrt{2}\dfrac{G M m}{L} \Rightarrow v^2 = 8\sqrt{2}\dfrac{GM}{L} = 2^{7/2}\dfrac{GM}{L}$.

Extraindo a raiz quadrada: $v = \sqrt{2^{7/2}\dfrac{GM}{L}} = 2^{7/4}\sqrt{\dfrac{GM}{L}}$.

Q15
Óptica Física — Interferência no Experimento de Young

Examine a figura abaixo.

Experimento de fenda dupla com distâncias d1, d2, d3, d4 e d5 indicadas

A figura acima apresenta o experimento de Young, montado em um laboratório didático de física. As distâncias $d_1, d_2, d_3$ e $d_4$ são ajustáveis conforme o espaço disponível no laboratório, as fendas A, B e C são estreitas e o feixe de luz é monocromático, podendo emitir luz em diferentes frequências. Para facilitar a identificação das franjas claras pelos alunos durante as aulas, o professor marcou no anteparo as linhas correspondentes ao centro dessas franjas, que são obtidas quando a fonte emite luz de comprimento de onda $\lambda$ na condição em que $d_2$ (distância entre os centros das fendas B e C) é muito menor que $d_4$. Dessa forma, $d_5$ é a distância OP, entre o centro da franja clara central e a primeira franja clara adjacente a ela. O professor decide que o experimento será remontado em outro laboratório maior e, para isso, lista algumas possibilidades de alteração na montagem experimental. São elas:
I- Duplicar $d_1$ e $d_3$, mantendo inalteradas $d_2, d_4$ e $\lambda$.
II- Duplicar $d_2$ e $d_4$, mantendo inalteradas $d_1, d_3$ e $\lambda$.
III- Duplicar $d_1$ e reduzir $d_4$ pela metade, mantendo inalteradas $d_2, d_3$ e $\lambda$.
IV- Duplicar $d_2$ e reduzir $\lambda$ pela metade, mantendo inalteradas $d_1, d_3$ e $d_4$.
Dentre as possíveis alterações listadas acima, assinale a opção que apresenta aquelas que manterão a distância $d_5$ inalterada, permitindo aproveitar as marcas anteriores no anteparo.

A)I e II.
B)I e III.
C)I e IV.
D)II e III.
E)II e IV.

Gabarito oficial CPAEN/2023

A
Resolução

A distância $d_5$ entre a franja central e o primeiro máximo no padrão de interferência de Young é dada por: $d_5 = \dfrac{\lambda \cdot d_4}{d_2}$.

Analisando as propostas:
I (Correta): $d_5$ independe de $d_1$ e $d_3$. Alterar essas distâncias não modifica $d_5$.
II (Correta): Ao duplicar $d_2$ e $d_4$, a nova distância fica $d_5' = \dfrac{\lambda (2d_4)}{2d_2} = d_5$, mantendo-se inalterada.
III (Incorreta): Reduzir $d_4$ pela metade fará $d_5$ cair pela metade.
IV (Incorreta): Duplicar $d_2$ e reduzir $\lambda$ pela metade fará $d_5$ cair a um quarto do valor original.

Q16
Eletromagnetismo — Indução de Faraday em Espira com B Variável

Examine a figura abaixo.

Espira retangular a x b contendo gerador de fem imersa parcialmente em campo B

A figura acima apresenta uma espira condutora retangular, de lados $a = 2,0$ m e $b = 3,0$ m e resistência $R = 1,0\,\Omega$, conectada a uma fonte ideal com uma força eletromotriz dada por $\epsilon_{fonte} = 2,0$ V. Metade da espira encontra-se em uma região onde existe um campo magnético uniforme $\vec{B}$, perpendicular ao plano da espira, e dirigido para dentro do papel. O módulo do campo magnético é dado por $B(t) = 0,40 + 1,2 t$, com B em teslas e t em segundos. Em $t = 10$ s, qual é o valor da intensidade, em ampères, e o sentido da corrente elétrica na espira, respectivamente?

A)1,6; horário
B)1,6; anti-horário
C)2,0; horário
D)3,6; horário
E)3,6; anti-horário

Gabarito oficial CPAEN/2023

B
Resolução

A área da espira submersa no campo é $A = a \cdot \dfrac{b}{2} = 2,0 \times 1,5 = 3,0\,m^2$.

A taxa de variação do fluxo magnético nos dá a f.e.m. induzida:
$\epsilon_{ind} = \left|\dfrac{d\Phi}{dt}\right| = A \cdot \dfrac{dB}{dt} = 3,0 \times 1,2 = 3,6$ V.

Pela Lei de Lenz, como o campo para dentro ($\otimes$) está crescendo, a corrente induzida precisa gerar um campo para fora ($\odot$), o que estabelece um sentido **anti-horário**.

A f.e.m. do gerador propriamente dito ($\epsilon_{fonte} = 2,0$ V) tenta empurrar a corrente no sentido horário. Como $\epsilon_{ind} > \epsilon_{fonte}$, a f.e.m. líquida é em sentido anti-horário:
$\epsilon_{liq} = 3,6 - 2,0 = 1,6$ V.
Corrente elétrica: $i = \dfrac{\epsilon_{liq}}{R} = \dfrac{1,6}{1,0} = 1,6$ A (em sentido anti-horário).

Q17
Dinâmica e Potência — Elevador com Contrapeso

Sabe-se que os elevadores contam com sistemas de contrapesos, para que seja possível erguer cargas elevadas com motores menos potentes. Um estudante foi desafiado a construir um protótipo de elevador, contando com um motor de potência máxima igual a P, um conjunto de massas que totalizam um valor igual a M para compor o sistema de contrapesos, uma caixa de massa m para representar o elevador, além de fios e polias ideais. Sendo g a aceleração da gravidade, despreze a resistência do ar e assinale a opção que apresenta o limite de massa $m^*$ (tal que $m + m^* > M$) que poderá ser erguida pelo elevador a uma velocidade constante igual a v.

A)$M + \dfrac{P}{gv}$
B)$M - \dfrac{P}{gv}$
C)$\dfrac{P}{gv} - m$
D)$\dfrac{P}{gv} - (M - m)$
E)$\dfrac{P}{gv} + (M - m)$

Gabarito oficial CPAEN/2023

E
Resolução

A força resultante peso a ser vencida pelo motor ao subir o elevador carregado $(m + m^*)$ desacoplado do contrapeso $M$ é:
$F_{motor} = (m + m^*)g - Mg = (m + m^* - M)g$.

A potência necessária para erguer essa carga com velocidade constante v é:
$P = F_{motor} \cdot v = (m + m^* - M) g v$.

Isolando $m^*$:
$m + m^* - M = \dfrac{P}{gv} \Rightarrow m^* = \dfrac{P}{gv} + M - m = \dfrac{P}{gv} + (M - m)$.

Q18
Hidrostática — Flutuação de Cilindro com Cavidade

Examine a figura abaixo.

Cilindro maciço contendo cavidade interna concêntrica flutuando na água com H/2 submerso

A figura acima apresenta um cilindro sólido de raio R e altura H, flutuando em um recipiente contendo água, com metade do seu volume submerso. Considere que no interior do cilindro existe, concêntrica a ele, uma cavidade cilíndrica de raio r e altura h. Sabendo que a densidade do material de que é feito o cilindro é igual à densidade da água e que $H = 1,5 h$, calcule a razão r/R e assinale a opção correta.

A)1/3
B)1/2
C)$\sqrt{5}/3$
D)$\sqrt{3}/2$
E)$\sqrt{3}/2$

Gabarito oficial CPAEN/2023

E
Resolução

O volume real de material do cilindro é $V_{mat} = \pi R^2 H - \pi r^2 h$.
O peso do cilindro é $P = \rho_{mat} \cdot g \cdot V_{mat} = \rho_{agua} \cdot g (\pi R^2 H - \pi r^2 h)$.

O empuxo sobre o volume externo submerso (metade de $V_{ext}$) é:
$E = \rho_{agua} \cdot g \cdot \left(\dfrac{1}{2}\pi R^2 H\right)$.

Em equilíbrio de flutuação ($P = E$):
$\rho_{agua} g (\pi R^2 H - \pi r^2 h) = \rho_{agua} g \left(\dfrac{1}{2}\pi R^2 H\right) \Rightarrow \pi R^2 H - \pi r^2 h = \dfrac{1}{2}\pi R^2 H \Rightarrow \dfrac{1}{2} R^2 H = r^2 h$.

Substituindo $H = 1,5 h = \dfrac{3}{2}h$:
$\dfrac{1}{2} R^2 \left(\dfrac{3}{2}h\right) = r^2 h \Rightarrow \dfrac{3}{4} R^2 = r^2 \Rightarrow \dfrac{r^2}{R^2} = \dfrac{3}{4} \Rightarrow \dfrac{r}{R} = \dfrac{\sqrt{3}}{2}$.

Q19
Eletrostática — Trabalho Realizado por Agente Externo

Examine a figura abaixo.

Três cargas q1, q2 e q3 nos vértices de um triângulo retângulo L1 por L2

A figura acima apresenta três cargas pontuais ($q_1, q_2$ e $q_3$) no vácuo, mantidas fixas nos vértices de um triângulo retângulo de lados $L_1 = 30$ cm e $L_2 = 40$ cm. Sabendo-se que $q_1 = +20\,\mu C$, $q_2 = -40\,\mu C$ e $q_3 = +60\,\mu C$, calcule o trabalho, em joules, que um agente externo deve executar para trocar as posições de $q_2$ e $q_3$ e assinale a opção correta.

Dado: Constante eletrostática $k = 9,0\cdot 10^9\,\text{N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$.

A)24
B)4,8
C)2,4
D)-4,8
E)-24

Gabarito oficial CPAEN/2023

A
Resolução

A hipotenusa do triângulo é $d_{13} = \sqrt{30^2 + 40^2} = 50\text{ cm} = 0,5\text{ m}$.

O trabalho do agente externo é $W_{ext} = U_f - U_i$. Como o termo do par $(q_2, q_3)$ tem a mesma distância nos dois estados ($0,4$ m), ele se cancela na subtração.

$W_{ext} = k q_1 \left[\left(\dfrac{q_3}{0,3} + \dfrac{q_2}{0,5}\right) - \left(\dfrac{q_2}{0,3} + \dfrac{q_3}{0,5}\right)\right] = k q_1 (q_3 - q_2) \left(\dfrac{1}{0,3} - \dfrac{1}{0,5}\right)$.

Substituindo os valores:
$q_3 - q_2 = 60\times 10^{-6} - (-40\times 10^{-6}) = 100\times 10^{-6}$ C.
$\dfrac{1}{0,3} - \dfrac{1}{0,5} = \dfrac{10}{3} - 2 = \dfrac{4}{3}\,\text{m}^{-1}$.

$W_{ext} = (9,0\times 10^9) \times (20\times 10^{-6}) \times (100\times 10^{-6}) \times \dfrac{4}{3} = 18 \times \dfrac{4}{3} = 24$ J.

Q20
Dinâmica — Conservação do Momento Linear (Caramujo em Cunha)

Examine a figura abaixo.

Caramujo m subindo plano inclinado de massa M que recua no piso sem atrito

A figura acima apresenta um esquema formado por um caramujo de massa m e uma cunha, de massa $M = 7m$ e ângulo de base $\theta$, sobre uma superfície horizontal sem atrito. Considere que, inicialmente, tanto a cunha quanto o caramujo estão em repouso em relação à superfície horizontal. Quando o caramujo começa a subir com velocidade u em relação ao plano inclinado da cunha, a cunha passa a se mover com velocidade v em relação à superfície horizontal. Sabendo que $u = 10 v$, qual é o ângulo $\theta$?

A)$\text{arcsen}(3/5)$
B)$\text{arcsen}(4/5)$
C)$\text{arccos}(3/5)$
D)$\text{arccos}(4/5)$
E)$\text{arccos}(1/2)$

Gabarito oficial CPAEN/2023

D
Resolução

Não há forças externas na horizontal. O momento linear horizontal total do sistema conserva-se e permanece nulo ($P_{x,total} = 0$).

Seja a velocidade da cunha $v_{cunha,x} = -v$.
A velocidade do caramujo em relação ao solo na horizontal é $v_{caramujo,x} = u \cos\theta - v$.

Igualando a quantidade de movimento horizontal a zero:
$m(u \cos\theta - v) + M(-v) = 0 \Rightarrow m u \cos\theta = (M + m) v$.

Substituindo $M = 7m$ e $u = 10 v$:
$m (10 v) \cos\theta = (7m + m) v \Rightarrow 10 \cos\theta = 8 \Rightarrow \cos\theta = \dfrac{4}{5}$.
Logo, $\theta = \text{arccos}(4/5)$.

Q21
Termodinâmica — Equação dos Gases Ideais em Pneu

A pressão manométrica de um pneu de automóvel é de 205 kPa antes de iniciar uma viagem em um local onde a pressão atmosférica é de 95 kPa e a temperatura é de $25^\circ C$ (considere que o ar no interior do pneu está em equilíbrio térmico com o meio externo). Ao término da viagem, a pressão manométrica verificada no mesmo pneu foi de 225 kPa, em uma cidade onde a pressão atmosférica é de 105 kPa. Admitindo que o comportamento do ar seja igual ao comportamento de um gás ideal e sabendo que o volume do pneu aumentou em 5%, assinale a opção que apresenta a melhor aproximação para a temperatura do ar do pneu medida após o término da viagem.

A)$29^\circ C$
B)$35^\circ C$
C)$44^\circ C$
D)$71^\circ C$
E)$85^\circ C$

Gabarito oficial CPAEN/2023

D
Resolução

Determinado as pressões absolutas iniciais e finais:
• $P_1 = P_{man1} + P_{atm1} = 205 + 95 = 300$ kPa.
• $P_2 = P_{man2} + P_{atm2} = 225 + 105 = 330$ kPa.
• $T_1 = 25^\circ C = 298$ K e $V_2 = 1,05 V_1$.

Aplicando a Lei dos Gases Ideais ($\dfrac{P_1 V_1}{T_1} = \dfrac{P_2 V_2}{T_2}$):
$\dfrac{300 \cdot V_1}{298} = \dfrac{330 \cdot 1,05 V_1}{T_2} \Rightarrow T_2 = 298 \times \dfrac{330 \times 1,05}{300} = 298 \times 1,155 = 344,2\text{ K}$.

Em Celsius: $T_2(^\circ C) = 344,2 - 273 \approx 71^\circ C$.

Q22
Acústica — Nível Sonoro e Distância de Onda Esférica

Os protetores auriculares são equipamentos de proteção individual (EPI) extremamente importantes em ambientes ou situações em que haverá exposição a elevados níveis sonoros, evitando assim desconforto (dor) ou perda de audição a longo prazo. Suponha que o som emitido durante um exercício de tiro em um navio se propague como uma onda esférica, e que o oficial de segurança está a uma distância $r_1$ (em linha reta) do canhão (fonte sonora). Desse modo, desconsiderando-se as perdas de energia durante a propagação da onda sonora, o uso de um protetor auricular capaz de reduzir em 36dB o nível sonoro terá efeito similar a se afastar quantas vezes do canhão, em termos de $r_1$?

A)$6,0 r_1$
B)$10^{1,8} r_1$
C)$10^{3,6} r_1$
D)$10^{18} r_1$
E)$10^{36} r_1$

Gabarito oficial CPAEN/2023

B
Resolução

A atenuação em decibéis é dada por: $\Delta\beta = 10\log_{10}\left(\dfrac{I_1}{I_2}\right) = 36$ dB.

Dividindo por 10: $\log_{10}\left(\dfrac{I_1}{I_2}\right) = 3,6 \Rightarrow \dfrac{I_1}{I_2} = 10^{3,6}$.

Para uma onda esférica, a intensidade varia com o inverso do quadrado da distância ($I \propto \dfrac{1}{r^2}$):
$\dfrac{I_1}{I_2} = \left(\dfrac{r_2}{r_1}\right)^2 = 10^{3,6}$.

Extraindo a raiz quadrada: $\dfrac{r_2}{r_1} = (10^{3,6})^{1/2} = 10^{1,8} \Rightarrow r_2 = 10^{1,8} r_1$.

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