Nas questões de Física, quando necessário, utilize:
aceleração da gravidade: $g = 10\,m/s^2$
$\pi = 3$ (quando indicado no enunciado)
Q1
Eletrostática — Empuxo e Força Elétrica em Dielétrico
Examine as figuras abaixo.
Nas figuras acima, um sistema formado por duas esferas de mesma massa, mesmo raio e mesma carga estão penduradas em fios não condutores, de mesmo comprimento L, na situação de equilíbrio. Na figura 1, o sistema encontra-se imerso, com os fios tracionados, em um meio dielétrico líquido de constante K e densidade $\rho_0$. Na figura 2, o sistema encontra-se imerso no meio ar. É conhecida a relação entre a intensidade da força elétrica no meio líquido ($F_L$) e a intensidade da força elétrica no meio ar ($F_{AR}$): $F_L=F_{AR}/K$. Para que os ângulos $\theta_1$ e $\theta_2$ entre os fios sejam iguais nos dois meios, a densidade do material de que são feitas as esferas deve ser dada por:
A)$\left(1-\dfrac{1}{K}\right)\rho_0$
B)$\left(\dfrac{K}{K-1}\right)\rho_0$
C)$K\rho_0$
D)$\left(\dfrac{1}{K-1}\right)\rho_0$
E)$(K-1)\rho_0$
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B
Resolução
No ar, o equilíbrio horizontal de cada esfera dá $\tan\theta_2=F_{AR}/(mg)$. No líquido, o empuxo reduz o peso aparente para $mg-\rho_0Vg=mg(1-\rho_0/\rho)$, em que $\rho$ é a densidade da esfera (pois $V=m/\rho$); logo $\tan\theta_1=\dfrac{F_{AR}/K}{mg(1-\rho_0/\rho)}$. Impondo $\theta_1=\theta_2$: $\dfrac{1}{K(1-\rho_0/\rho)}=1 \Rightarrow 1-\dfrac{\rho_0}{\rho}=\dfrac{1}{K} \Rightarrow \rho=\dfrac{K}{K-1}\rho_0$.
Q2
Hidrostática e Energia — Bolinha Submersa que Salta da Água
Examine as figuras abaixo.
A figura 1 mostra uma pequena bola de densidade $\rho_b$, mantida submersa, em um tanque, por um fio preso ao fundo. O tanque contém água, cuja densidade é $\rho_a$, e a bolinha tem o seu centro a uma profundidade d da superfície da água. Cortando o fio, observa-se que a bolinha sobe, salta para fora da água e seu centro alcança uma altura máxima, $h_{max}$, acima da superfície da água. A figura 2 mostra um gráfico de $h_{max}$ em função da profundidade d. Sabendo que não há perda de energia mecânica e que a força de arrasto que a água exerce sobre a bolinha é desprezível, calcule a razão $\rho_a/\rho_b$ e assinale a opção correta.
A)1/2
B)3/2
C)2
D)5/2
E)3
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C
Resolução
Submersa, a força resultante sobre a bolinha é $V g(\rho_a-\rho_b)$ (empuxo menos peso). Da profundidade d até a superfície, o trabalho dessa força vira energia cinética: $\tfrac12\rho_bVv^2=Vg(\rho_a-\rho_b)d$. Fora da água, só a gravidade atua: $v^2=2gh_{max}$. Combinando, $h_{max}=d\left(\dfrac{\rho_a}{\rho_b}-1\right)$ — uma reta por a origem com inclinação $\rho_a/\rho_b-1$. Como o gráfico mostra inclinação $\tan45°=1$, então $\rho_a/\rho_b-1=1 \Rightarrow \rho_a/\rho_b=2$.
Q3
Gravitação — Velocidade Relativa entre Satélites (Kepler)
Observe a figura abaixo.
A figura acima mostra as órbitas, $O_1$ e $O_2$, de dois satélites, respectivamente $S_1$ e $S_2$. Considere que os satélites estão orbitando um planeta de massa M, no mesmo sentido, em círculos coplanares. Seus períodos de revolução são, respectivamente, $T_1=T$ e $T_2=8T$. Sabendo que o raio da órbita $O_1$ é R, calcule o módulo da velocidade de $S_1$ em relação a $S_2$ em um instante de menor separação entre os satélites e assinale a opção correta.
A)$\dfrac{1}{4}\dfrac{\pi R}{T}$
B)$\dfrac{1}{2}\dfrac{\pi R}{T}$
C)$\dfrac{\pi R}{T}$
D)$\dfrac{3}{2}\dfrac{\pi R}{T}$
E)$2\dfrac{\pi R}{T}$
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C
Resolução
Pela 3ª Lei de Kepler, $\dfrac{r_2^3}{T_2^2}=\dfrac{R^3}{T^2} \Rightarrow r_2=R\cdot8^{2/3}=4R$. As velocidades tangenciais são $v_1=\dfrac{2\pi R}{T}$ e $v_2=\dfrac{2\pi(4R)}{8T}=\dfrac{\pi R}{T}$. No instante de menor separação, os satélites estão alinhados com o centro e suas velocidades são paralelas (mesmo sentido de rotação): a velocidade relativa é $v_1-v_2=\dfrac{2\pi R}{T}-\dfrac{\pi R}{T}=\dfrac{\pi R}{T}$.
Q4
Dinâmica — Aceleração do Centro de Massa (Bloco-Cunha)
Examine a figura abaixo.
A figura acima mostra uma cunha de massa M e ângulo de base $\theta=30°$ apoiada em repouso sobre uma superfície horizontal. Considere que, sobre a superfície inclinada da cunha, considerada sem atrito, um pequeno bloco de massa $m=M/9$ desliza para baixo enquanto a cunha permanece em repouso. Sendo g a aceleração da gravidade, calcule o módulo da componente vertical da aceleração do centro de massa do sistema bloco cunha e assinale a opção correta.
A)$\dfrac{1}{40}g$
B)$\dfrac{1}{20}g$
C)$\dfrac{1}{18}g$
D)$\dfrac{9}{4}g$
E)$\dfrac{5}{2}g$
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A
Resolução
No plano sem atrito, o bloco desce com aceleração $a=g\,\text{sen}\,\theta=g/2$ ao longo da rampa; sua componente vertical vale $a_y=a\,\text{sen}\,\theta=g\,\text{sen}^2\theta=g/4$. Como a cunha permanece em repouso, a aceleração vertical do centro de massa do sistema é $a_{cm}=\dfrac{m\,a_y}{m+M}$. Com $m=M/9$: $a_{cm}=\dfrac{(M/9)(g/4)}{M/9+M}=\dfrac{Mg/36}{10M/9}=\dfrac{g}{40}$.
Q5
Eletromagnetismo — Indução Mútua Solenoide-Bobina
Examine as figuras abaixo.
A figura 1 ilustra um solenoide ideal S, longo, e uma bobina C, ambos em corte. O solenoide possui $1{,}00\times10^4$ espiras por metro, diâmetro $D=4{,}00$ cm e conduz uma corrente elétrica I que varia com o tempo da forma indicada na figura 2. A bobina C é coaxial com o solenoide, possui $1{,}00\times10^2$ espiras e diâmetro $d=6{,}00$ cm. Calcule o valor absoluto da força eletromotriz induzida na bobina, em volts, enquanto a corrente no solenoide estiver variando e assinale a opção correta.
Dados: Permeabilidade magnética do meio no interior do solenoide: $4\pi\times10^{-7}\,\text{T}\cdot\text{m/A}$; e considere $\pi=3$.
A)$16{,}2\times10^{-4}$
B)$14{,}4\times10^{-4}$
C)$10{,}8\times10^{-4}$
D)$7{,}20\times10^{-4}$
E)$3{,}60\times10^{-4}$
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D
Resolução
Como o solenoide é longo, seu campo externo é desprezível: só a área do próprio solenoide (não a da bobina, maior) é atravessada por fluxo não nulo. $\dfrac{dI}{dt}=\dfrac{1}{2}=0{,}5\,A/s$, logo $\dfrac{dB}{dt}=\mu_0n_1\dfrac{dI}{dt}=4\pi\times10^{-7}\times10^4\times0{,}5=2\pi\times10^{-3}\approx6{,}0\times10^{-3}\,T/s$ (com $\pi=3$). A área do solenoide é $A_S=\pi(D/2)^2=3\times(0{,}02)^2=1{,}2\times10^{-3}\,m^2$. A f.e.m. induzida na bobina: $\varepsilon=N_2A_S\dfrac{dB}{dt}=100\times1{,}2\times10^{-3}\times6{,}0\times10^{-3}=7{,}20\times10^{-4}\,V$.
Q6
Cinemática — Velocidade Mínima em Trajetória Parametrizada
Considere uma partícula se movimentando em um plano xy. Sabendo que as coordenadas cartesianas da partícula são $x=t^2$ e $y=(t-1)^2$, com x e y medidos em metros e t em segundos, em que instante, em segundos, a velocidade da partícula é mínima?
Dois blocos 1 e 2 estão inicialmente em repouso sobre uma superfície horizontal sem atrito. O bloco 1, de massa $m_1$, está preso a uma mola ideal (de massa desprezível e constante elástica k), e é mantido na posição em que a mola encontra-se deformada em $\Delta x_1=A$. Na figura, essa deformação está indicada tomando como referência a posição do centro de massa do bloco 1 em relação ao ponto de equilíbrio do sistema massa-mola ($x_0=0$). O bloco 2, de massa $m_2$, está à esquerda do bloco 1. Ao ser liberado, o bloco 1 colide com o bloco 2 (colisão frontal), em um instante tal que a deformação da mola é $\Delta x_2=A/2$, que na figura está novamente indicada tomando como referência a posição do centro de massa do bloco 1. Imediatamente após o choque, ambos os blocos possuem a mesma velocidade para a esquerda, porém não ficam grudados um no outro: o bloco 1, por estar preso à mola, realizará um MHS de amplitude A'. Assinale a opção que apresenta a razão A'/A.
Dados: $m_1=1{,}0$ kg; e $m_2=2{,}0$ kg.
A)$\sqrt{3}/3$
B)$\sqrt{6}$
C)$\sqrt{6}/6$
D)$\sqrt{2}/6$
E)1
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A
Resolução
Energia até a colisão (só o bloco 1 se move): $\tfrac12kA^2=\tfrac12k(A/2)^2+\tfrac12m_1v_1^2 \Rightarrow v_1=\dfrac{A}{2}\sqrt{3k/m_1}$. No choque, momento se conserva com velocidade comum: $m_1v_1=(m_1+m_2)v' \Rightarrow v'=v_1/3$ (pois $m_1+m_2=3m_1$). Logo após, o bloco 2 segue livre com $v'$ e o bloco 1, ainda preso à mola em $\Delta x_2=A/2$ com velocidade $v'$, inicia um novo MHS: $\tfrac12kA'^2=\tfrac12k(A/2)^2+\tfrac12m_1v'^2$. Substituindo $v'^2=v_1^2/9=\dfrac{kA^2}{12m_1}$: $\tfrac12kA'^2=\dfrac{kA^2}{8}+\dfrac{kA^2}{24}=\dfrac{kA^2}{6} \Rightarrow A'^2=\dfrac{A^2}{3} \Rightarrow \dfrac{A'}{A}=\dfrac{\sqrt3}{3}$.
Q8
Dinâmica — Curva Compensada no Limite de Derrapagem
Examine a figura abaixo.
A figura acima ilustra a parte traseira de um carro ao fazer uma curva inclinada de um ângulo $\theta$. As curvas em rodovias costumam ser compensadas (inclinadas) para evitar que os carros derrapem. Quando a estrada está seca, a força de atrito entre os pneus e o piso é suficiente para evitar derrapagens, mesmo sem compensação. Quando a pista está molhada, porém, a força de atrito diminui muito e a compensação se torna essencial. Um engenheiro civil é solicitado a projetar a seção curva de uma rodovia, com um ângulo de inclinação $\theta$, que ficará sujeita às seguintes condições de uso: estando a pista molhada, a força de atrito estática entre a pista e os pneus deve ser tal que um carro, em repouso, estará na iminência de deslizar para dentro da curva e um carro se movendo com uma certa velocidade v estará na iminência de derrapar para fora da curva. Nessas condições, sendo g a aceleração da gravidade, assinale a opção que apresenta o raio de curvatura da curva.
A)$\dfrac{v^2}{g}\cot g\,\theta$
B)$\dfrac{v^2}{2g}\cot g\,\theta$
C)$\dfrac{v^2}{g}\text{tg}\,\theta$
D)$\dfrac{v^2}{g}\cot g\,2\theta$
E)$\dfrac{v^2}{2g}\cot g\,2\theta$
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D
Resolução
Com o carro em repouso na iminência de escorregar para dentro (para baixo da rampa), o problema se reduz à estática de um bloco em um plano inclinado: $\mu_s=\text{tg}\,\theta$. Para o carro em movimento na iminência de derrapar para fora, vale a condição de velocidade máxima em curva compensada com atrito: $v^2=rg\dfrac{\text{tg}\,\theta+\mu_s}{1-\mu_s\,\text{tg}\,\theta}$. Substituindo $\mu_s=\text{tg}\,\theta$: $v^2=rg\dfrac{2\,\text{tg}\,\theta}{1-\text{tg}^2\theta}=rg\,\text{tg}(2\theta)$ (identidade do arco duplo). Logo $r=\dfrac{v^2}{g}\cot g(2\theta)$.
Q9
Eletrostática — Energia Potencial em Campo Uniforme
Examine a figura abaixo.
Na figura acima, A e B representam dois planos equipotenciais de um campo elétrico E, uniforme, de intensidade 4,0 V/m e paralelo ao eixo x. Em B, o potencial elétrico vale 60 V. Adotando o eixo x da figura, o gráfico para a energia potencial, $E_P$, em função de x, para uma carga $q=-3{,}0.10^{-6}$C colocada na região desse campo, é representado por:
A)
B)
C)
D)
E)
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E
Resolução
Como o campo é uniforme ao longo de x, o potencial é linear: $V(x)=V(0)-Ex$. Com $V(5{,}0)=60\,V$: $V(0)-4{,}0\times5{,}0=60 \Rightarrow V(0)=80\,V$, logo $V(x)=80-4x$ (SI). A energia potencial é $U(x)=qV(x)=(-3{,}0\times10^{-6})(80-4x)=-2{,}4\times10^{-4}+1{,}2\times10^{-5}x$ J. Em unidades de $10^{-5}$J: $U(x)=-24+1{,}2x$. Em x=0, $U=-24\times10^{-5}$J; a reta cruza zero em $x=24/1{,}2=20$ m — exatamente o padrão da alternativa E.
Q10
Hidrodinâmica — Equação de Bernoulli e Vazão
Analise a figura abaixo.
A figura acima mostra uma esquematização de uma tubulação hidráulica horizontal por onde escoa água doce, em regime permanente, do segmento à esquerda, com uma seção reta $A_1$ para o segmento à direita, com uma seção reta $A_2$. Sabendo que a diferença de pressão $\Delta p=p_2-p_1$, entre os pontos 1 e 2, em função de $A_1$, é dada pela expressão $\Delta p=18\times10^3A_1^{-2}-30\times10^4$ onde $\Delta p$ é medida em N/m² e $A_1$ é medido em m², calcule a vazão, em m³/s, e assinale a opção correta.
Dado: massa específica da água = $1{,}0\times10^3$ kg/m³.
A)6,0
B)7,5
C)9,5
D)12
E)25
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A
Resolução
Por Bernoulli (tubo horizontal): $\Delta p=p_2-p_1=\tfrac12\rho(v_1^2-v_2^2)$. Com a continuidade $v_1=Q/A_1$, $v_2=Q/A_2$: $\Delta p=\dfrac{\rho Q^2}{2}\cdot\dfrac{1}{A_1^2}-\dfrac{\rho Q^2}{2A_2^2}$. Comparando o coeficiente de $A_1^{-2}$ com o valor dado: $\dfrac{\rho Q^2}{2}=18\times10^3 \Rightarrow Q^2=\dfrac{36\times10^3}{1{,}0\times10^3}=36 \Rightarrow Q=6{,}0\,m^3/s$.
Q11
Ondulatória — Função de Onda a partir de Fotografias
Analise a figura abaixo.
A figura acima representa a fotografia de uma onda que se propaga em uma corda em dois instantes distintos: $t_0=0{,}0$ s (linha contínua) e $t_1=5{,}0$ s (linha pontilhada). Sabendo que $t_1-t_0$ é menor que o período das oscilações, assinale a opção que apresenta a função de onda senoidal (em unidades do SI) que melhor descreve a propagação dessa onda.
Da fotografia, a amplitude é 0,2 m (elimina C e D) e o comprimento de onda é $\lambda=2$ m, dando $k=2\pi/\lambda=\pi$ rad/m (compatível com A, B e E). Comparando as duas curvas, o padrão desloca-se para a esquerda de $\lambda/4=0{,}5$ m entre $t_0$ e $t_1$; como $t_1-t_0\lt T$, isso corresponde a $\omega\Delta t=\pi/2$, ou seja, $\omega=0{,}1\pi$ rad/s — consistente com A, B e E. Uma onda do tipo $\text{sen}(kx+\omega t)$ desloca-se no sentido de x decrescente (para a esquerda) à medida que t cresce, o que combina com o deslocamento observado; já a opção B ($-\omega t$) descreveria deslocamento para a direita. A opção E adiciona uma fase constante de $0{,}5\pi$ que deslocaria o valor de $y(0,0)$ para fora do que a curva contínua mostra na origem. Resta a alternativa A.
Q12
Termologia — Tensão Térmica em Barra Impedida de Dilatar
Uma barra fina de alumínio, de massa $m=0{,}10$ kg, foi apoiada na posição horizontal entre duas paredes verticais. Em um dia de inverno, na condição de equilíbrio térmico com a temperatura ambiente (aproximadamente 15°C), a barra possui comprimento L e fica no limite de deslizar verticalmente pelas paredes. Em um dia típico de verão, na condição de equilíbrio térmico (aproximadamente 35°C), é possível notar que a barra está mais rígida, devido ao aumento da força F exercida pelas paredes nas extremidades da barra, cuja área da seção reta é igual a A. Em engenharia, a razão F/A é denominada "tensão", e é calculada por meio da expressão $F/A=Y(\Delta L/L)$, onde Y é o módulo de Young do material (em unidades de Pa). Assinale a opção que apresenta o valor mais próximo da razão F/A, exercida pelas paredes sobre as extremidades da barra de alumínio que é responsável, exclusivamente, pelo impedimento da dilatação da barra.
Dados: $Y_{Al}=7{,}0\times10^{10}$ Pa; $\alpha_{Al}$=coeficiente de dilatação linear do Alumínio=$2{,}4\times10^{-5}\,°C^{-1}$; e considere desprezível a variação da área da seção reta da barra para essa variação de temperatura.
A)$3{,}4\times10^4$
B)$5{,}9\times10^5$
C)$3{,}4\times10^6$
D)$3{,}4\times10^7$
E)$5{,}9\times10^7$
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D
Resolução
A dilatação livre corresponderia a $\Delta L/L=\alpha\Delta T$; impedi-la gera tensão térmica $F/A=Y\alpha\Delta T$. Com $\Delta T=35-15=20°C$: $F/A=7{,}0\times10^{10}\times2{,}4\times10^{-5}\times20=3{,}4\times10^7$ Pa.
Q13
Cinemática Relativa — Energia Cinética em Referencial Móvel
Em um instante $t_0=0$s, Joaquim lança, da janela do seu apartamento, uma maçã (de massa m) com velocidade inicial $\vec v_{0,MJ}=0{,}300\,m/s\,\hat i+0{,}500\,m/s\,\hat j$, no referencial de Joaquim, que está em repouso em relação ao solo. Neste mesmo instante, Beatriz passa de carro, com uma velocidade constante $\vec v_{BJ}=3{,}30\,m/s\,\hat i$, em relação ao referencial de Joaquim, e observa o movimento da maçã enquanto se desloca. Assinale a opção que melhor descreve o esboço do gráfico da energia cinética da maçã, no referencial da Beatriz.
Dados: $g=10{,}0\,m/s^2$; e $m=40{,}0$ g.
A)
B)
C)
D)
E)
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C
Resolução
No referencial de Joaquim (inercial), a maçã tem $v_x=0{,}300$ (constante) e $v_y=0{,}500-10t$. No referencial de Beatriz, subtrai-se apenas a componente horizontal: $v_x'=0{,}300-3{,}30=-3{,}00$ m/s (constante) e $v_y'=0{,}500-10t$ (igual, pois Beatriz não se move na vertical). Logo $E_c'(t)=\tfrac12m[(v_x')^2+(v_y')^2]=0{,}02[9{,}00+(0{,}5-10t)^2]$. Em $t=0$: $E_c'=0{,}02\times9{,}25=0{,}185\,J=18{,}5\times10^{-2}\,J$. Como $(0{,}5-10t)^2$ primeiro diminui (mínimo em $t=0{,}05$s) e depois cresce, o gráfico parte de 18,5, cai levemente e volta a subir — o perfil da alternativa C.
Q14
Eletromagnetismo — Espectrômetro de Massa
Examine a figura abaixo.
A figura acima ilustra o princípio de funcionamento de um espectrômetro de massa, um instrumento utilizado para medir a massa dos íons ou para separar íons de massas diferentes. No esquema da figura, os íons são acelerados pela diferença de potencial V entre os pontos S e A e, em seguida, entram em uma região com um campo magnético uniforme B, perpendicular ao plano da folha, que cobre um setor de 60°, com centro em O, e, na sequência, são defletidos em direção a um detector em C. Sabendo que D é a distância entre os pontos A e C, que tem O como ponto médio, calcule a razão entre a carga q e a massa m (q/m) dos íons e assinale a opção correta.
A)$\dfrac{8V}{B^2D^2}$
B)$\dfrac{12V}{B^2D^2}$
C)$\dfrac{16V}{B^2D^2}$
D)$\dfrac{24V}{B^2D^2}$
E)$\dfrac{32V}{B^2D^2}$
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E
Resolução
Na aceleração, $qV=\tfrac12mv^2 \Rightarrow v^2=\dfrac{2qV}{m}$. No campo magnético, o íon percorre um arco de raio $r=\dfrac{mv}{qB}$. A geometria do setor de 60° com O como ponto médio de AC determina $r=D/4$. Substituindo $v=\dfrac{qBr}{m}=\dfrac{qBD}{4m}$ na relação de energia: $\left(\dfrac{qBD}{4m}\right)^2=\dfrac{2qV}{m} \Rightarrow \dfrac{q^2B^2D^2}{16m^2}=\dfrac{2qV}{m} \Rightarrow \dfrac{q}{m}=\dfrac{32V}{B^2D^2}$.
Q15
MHS — Energia Cinética de Bloco-Mola em Plano Inclinado
Analise as figuras abaixo.
As figuras acima representam um bloco massa m que está preso a uma mola ideal de comprimento natural L e constante elástica k. Em equilíbrio, a lateral direita do bloco está a uma distância $x_1$ da parede. Sob a ação de uma força externa F, o bloco é deslocado, ao longo do plano, para uma nova posição, tal que a sua lateral direita está a uma distância $x_2$ da parede. Ao ser liberado dessa posição, o bloco executa um movimento harmônico simples (MHS). Assinale a opção que apresenta a energia cinética do bloco, em joules, na posição em que a lateral direita do bloco está a uma distância $x_3$ da parede.
Na posição de equilíbrio $x_1$, a mola equilibra a componente do peso ao longo do plano: $k(x_1-L)=mg\,\text{sen}\,\theta=2\times10\times0{,}5=10\,N \Rightarrow x_1-L=0{,}02$ m. Deslocando o bloco até $x_2=x_1+0{,}05$ e soltando-o, o MHS tem amplitude $A=|x_2-x_1|=0{,}05$ m em torno de $x_1$. A posição $x_3=L$ corresponde a um afastamento do equilíbrio $\xi_3=x_3-x_1=-0{,}02$ m. Pela conservação de energia do MHS: $\tfrac12kA^2=\tfrac12k\xi_3^2+E_c \Rightarrow E_c=\tfrac12(500)(0{,}05^2-0{,}02^2)=\tfrac12(500)(0{,}0021)=0{,}525\,J=52{,}5\times10^{-2}\,J$.
Q16
Termodinâmica — Rendimento de Ciclo (Motor a Combustão)
Analise o diagrama PV abaixo.
O diagrama acima representa as transformações termodinâmicas sofridas pela mistura gasolina-ar em um motor de combustão interna (usado em automóveis), são detalhadas a seguir: 1) processo AB: compressão adiabática; 2) processo BC: aquecimento isovolumétrico; 3) processo CD: expansão adiabática; e 4) processo DA: resfriamento isovolumétrico. Com base nessas informações e considerando que $Q_{BC}$ e $Q_{DA}$ são, respectivamente, os módulos dos calores trocados entre o gás e o meio externo nos processos BC e DA, assinale a opção que apresenta a expressão correta para o cálculo do rendimento do ciclo.
A)$Q_{BC}/(Q_{BC}+Q_{DA})$
B)$Q_{DA}/(Q_{BC}-Q_{DA})$
C)$(Q_{BC}-Q_{DA})/Q_{DA}$
D)$(Q_{BC}-Q_{DA})/Q_{BC}$
E)$(Q_{BC}+Q_{DA})/Q_{BC}$
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D
Resolução
Nas etapas adiabáticas AB e CD não há troca de calor. O calor é absorvido em BC ($Q_{BC}$) e rejeitado em DA ($Q_{DA}$). O trabalho líquido do ciclo é $W=Q_{BC}-Q_{DA}$ (1ª Lei, $\Delta U_{ciclo}=0$), e o rendimento é a razão entre o que se aproveita e o que se paga: $\eta=\dfrac{W}{Q_{BC}}=\dfrac{Q_{BC}-Q_{DA}}{Q_{BC}}$.
Q17
Termologia — Condução de Calor em Série (Lei de Fourier)
Analise a figura abaixo.
A Lei de Fourier é uma lei da condução de calor através de um material de comprimento L cujas extremidades (de mesma área A) estão entre duas temperaturas distintas $(T_1\lt T_2)$. De acordo com a Lei de Fourier, o fluxo de calor por unidade de tempo $(\phi)$ é calculado por $\phi=\Delta T(kA)/L$, onde $\Delta T$ é a diferença de temperatura $(T_2-T_1)$, L é o comprimento do material e k é a sua condutibilidade térmica. O termo $L/(k\cdot A)$ representa, portanto, uma resistência térmica à passagem de calor. A Lei de Fourier é análoga à Lei de Ohm (em eletricidade), sendo $\Delta T$ correspondente a $\Delta V$ (diferença de potencial elétrico), $\phi$ correspondente a i (corrente elétrica) e $L/(k\cdot A)$ correspondente a R (resistência do resistor). Assim, se materiais de condutibilidades elétricas diferentes forem colocados em série, a resistência térmica equivalente pode ser calculada tal como a resistência elétrica equivalente para resistores associados em série. Na figura acima, dois condutores térmicos de condutibilidades diferentes ($k_1$ e $k_2$), de comprimentos diferentes ($L_1$ e $L_2$) estão lado a lado, cada um deles em contato com dois reservatórios térmicos diferentes. A área em contato com os reservatórios é a mesma nos dois condutores, de maneira que o fluxo de calor nos dois condutores ocorre através da mesma área A. Assinale a opção que apresenta o fluxo de calor por unidade de tempo, em watts, para a situação apresentada.
Dados: $k_1=0{,}10\,W/(m\cdot°C)$; $k_2=0{,}20\,W/(m\cdot°C)$; $L_1=0{,}10$ m; $L_2=0{,}040$ m; $A_1=A_2=3{,}0\,m^2$; $T_1=4{,}0°F$; e $T_2=40°F$.
A)$1{,}3\times10^3$
B)$7{,}0\times10^2$
C)$9{,}0\times10^1$
D)$6{,}7\times10^1$
E)$5{,}0\times10^1$
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E
Resolução
Pela figura, o calor atravessa primeiro um condutor e depois o outro (mesma área, mesmo fluxo nos dois) — associação em série: $R=\dfrac{L_1}{k_1A}+\dfrac{L_2}{k_2A}=\dfrac{0{,}10}{0{,}10\times3{,}0}+\dfrac{0{,}040}{0{,}20\times3{,}0}=0{,}333+0{,}067=0{,}40\,°C/W$. As temperaturas estão em Fahrenheit: como se trata de uma diferença, converte-se por $\Delta T_{°C}=\Delta T_{°F}\times5/9=(40-4)\times5/9=20°C$. Logo $\phi=\Delta T/R=20/0{,}40=50\,W=5{,}0\times10^1\,W$.
Q18
Estática — Equilíbrio de Barra Transportada por Duas Forças
Analise a figura abaixo.
A figura acima representa esquematicamente as forças que são aplicadas por dois homens ao transportar uma barra homogênea (de massa m e comprimento L) ao longo de uma escada inclinada (paralela a ela), fazendo um ângulo $\theta$ com a horizontal. Sendo $F_1$ e $F_2$ as forças exercidas pelos homens que estão, respectivamente, na parte mais alta e mais baixa da escada, e $\alpha$ e $\beta$ os ângulos formados por essas forças, respectivamente, com a vertical, coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas sentenças abaixo, referentes às condições de equilíbrio durante o transporte, e assinale a opção correta.
( ) Se $\alpha=\beta$ e $F_1=F_2$, a barra estará em equilíbrio rotacional em relação ao centro de massa da barra, qualquer que seja o valor de $\alpha$ e $F_1$.
( ) Se $F_1=F_2$, a barra estará em equilíbrio translacional em relação ao solo mesmo se os ângulos $\alpha$ e $\beta$ forem diferentes, quaisquer que sejam os valores de $\alpha$ e $\beta$.
( ) Se $\alpha=\beta=0$ e $F_1=F_2=mg/2$, a barra estará em equilíbrio rotacional em relação ao centro de massa da barra e estará em equilíbrio translacional em relação ao solo.
A)(V)(F)(F)
B)(V)(V)(F)
C)(F)(V)(V)
D)(V)(V)(V)
E)(F)(F)(V)
Gabarito oficial CPAEN/2024
E
Resolução
3ª sentença (V): com $\alpha=\beta=0$, as duas forças são verticais e de igual módulo $mg/2$ aplicadas nas extremidades, simetricamente em relação ao centro da barra: a soma vertical equilibra o peso ($mg/2+mg/2=mg$, equilíbrio translacional) e os torques dessas duas forças iguais em braços iguais se cancelam em relação ao centro de massa (equilíbrio rotacional). 1ª sentença (F): generalizar esse resultado para qualquer $\alpha$ é indevido — quando as forças fazem ângulo com a vertical, seus braços de alavanca em relação ao centro de massa dependem de componentes horizontais e verticais de forma que a simetria de módulos e ângulos, por si só, não garante torque líquido nulo para um $\alpha$ qualquer. 2ª sentença (F): $F_1=F_2$ com ângulos diferentes, em geral, não anula a resultante horizontal nem garante que a soma vertical valha mg, logo o equilíbrio translacional não é garantido "quaisquer que sejam" os ângulos.
Q19
Eletrostática — Corrente Induzida por Capacitância Variável
Examine a figura abaixo.
A figura acima mostra dois capacitores de placas paralelas iguais, $C_1$ e $C_2$, com uma carga total Q distribuída entre eles e a mesma distância d entre as placas. Considere que, no instante $t=0$, a distância entre as placas do capacitor $C_1$ começa a aumentar uniformemente com velocidade v enquanto que, para o capacitor $C_2$, a distância começa a diminuir uniformemente com a mesma velocidade v. Desprezando a resistência dos fios, qual é a intensidade da corrente elétrica que se estabelece no circuito devido ao movimento das placas?
A)$\dfrac{Qv}{4d}$
B)$\dfrac{Qv}{2d}$
C)$\dfrac{Qv}{d}$
D)$\dfrac{2Qv}{d}$
E)$\dfrac{4Qv}{d}$
Gabarito oficial CPAEN/2024
B
Resolução
Como os capacitores compartilham os mesmos dois nós, estão em paralelo sob a mesma tensão V, com carga total conservada: $Q=Q_1+Q_2=(C_1+C_2)V$. Com $C_1(t)=\varepsilon_0A/(d+vt)$ e $C_2(t)=\varepsilon_0A/(d-vt)$: em $t=0$, $C_1=C_2=C_0=\varepsilon_0A/d$ e $\dfrac{d}{dt}(C_1+C_2)\big|_0=0$ (simetria). A carga em $C_1$ é $Q_1=\dfrac{C_1}{C_1+C_2}Q$; derivando e avaliando em $t=0$: $\dfrac{dQ_1}{dt}\bigg|_0=\dfrac{Q}{C_1+C_2}\dfrac{dC_1}{dt}\bigg|_0=\dfrac{Q}{2C_0}\times\left(-\dfrac{C_0v}{d}\right)=-\dfrac{Qv}{2d}$. A corrente que se estabelece no circuito, transferindo carga de um capacitor para o outro, tem módulo $i=\dfrac{Qv}{2d}$.
Q20
Ondulatória — Batimento por Efeito Doppler
Analise a figura abaixo.
Um receptor localizado em O capta ondas sonoras provenientes de duas ambulâncias A e B, que emitem um sinal sonoro de mesma frequência $1{,}0\times10^2$ Hz. As duas ambulâncias se deslocam em sentidos opostos, a uma velocidade $v_s/10$, onde $v_s$ é a velocidade do som no ar. Devido à superposição das ondas sonoras que chegam no receptor, a onda resultante possui batimentos com frequência $f_{bat}$. Assinale a opção que apresenta o valor mais próximo da frequência $f_{bat}$, em hertz.
A)$2{,}0\times10^0$
B)$2{,}0\times10^1$
C)$9{,}0\times10^1$
D)$1{,}1\times10^2$
E)$2{,}0\times10^2$
Gabarito oficial CPAEN/2024
B
Resolução
Uma ambulância se aproxima e a outra se afasta do receptor, ambas com fonte móvel e receptor parado: $f_{aprox}=f_0\dfrac{v_s}{v_s-v_s/10}=\dfrac{f_0}{0{,}9}\approx111{,}1$ Hz; $f_{afast}=f_0\dfrac{v_s}{v_s+v_s/10}=\dfrac{f_0}{1{,}1}\approx90{,}9$ Hz. O batimento é a diferença: $f_{bat}=111{,}1-90{,}9\approx20{,}2\,Hz\approx2{,}0\times10^1\,Hz$.
Q21
Termodinâmica — Energia Interna de Gás a Pressão Constante
Considere que um recipiente contendo n mols de um gás ideal diatômico, inicialmente a uma temperatura $T_i$, está na vertical e imerso em um reservatório térmico de temperatura T $(T>T_i)$ e pressão P (constante) com o qual troca calor. Na parte superior do recipiente, há um êmbolo móvel (de diâmetro d e massa desprezível) que pode deslizar sem atrito. Após atingir o equilíbrio térmico, um sensor detectou que o êmbolo subiu uma distância $\Delta y$ (com velocidade constante) em relação à sua posição inicial (quando o gás estava à temperatura $T_i$). Assinale a opção que apresenta o valor mais próximo da variação da energia interna do gás, em joules, durante o processo.
Dados: $\Delta y=(5{,}0/\pi)$ cm; $d=10$ cm; e $P=1{,}0\times10^5$ Pa.
A)$1{,}9\times10^1$
B)$3{,}1\times10^1$
C)$4{,}4\times10^1$
D)$7{,}5\times10^1$
E)$1{,}3\times10^2$
Gabarito oficial CPAEN/2024
B
Resolução
A área do êmbolo é $A=\pi(d/2)^2=3\times(0{,}05)^2=7{,}5\times10^{-3}\,m^2$ (com $\pi=3$). O deslocamento é $\Delta y=(5{,}0/3)\,cm\approx1{,}667\times10^{-2}$ m. O trabalho do gás a pressão constante é $W=P\,A\,\Delta y=1{,}0\times10^5\times7{,}5\times10^{-3}\times1{,}667\times10^{-2}=12{,}5$ J. Para gás diatômico a pressão constante, $\Delta U=\dfrac{5}{2}nR\Delta T$ e $W=nR\Delta T$ (lei dos gases ideais a P constante), logo $\Delta U=\dfrac52W=\dfrac52\times12{,}5=31{,}25\,J\approx3{,}1\times10^1\,J$.
Q22
Óptica — Refração de Ondas Eletromagnéticas
Analise a figura abaixo.
A figura acima representa a refração (vista de cima) das frentes de ondas eletromagnéticas planas (linhas contínuas) ao se propagarem do meio 1 para o meio 2 (a interface entre os meios está representada pela linha tracejada). As direções de propagação das frentes de onda incidentes e refratadas estão indicadas pelos seus vetores velocidade $v_1$ e $v_2$, respectivamente. Os comprimentos da onda eletromagnética antes e depois da refração são, respectivamente, $\lambda_1$ e $\lambda_2$, conforme indicado na figura, cuja razão $\lambda_1/\lambda_2=\sqrt{2}/2$. Considerando que a frequência não é alterada pela refração, coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas sentenças abaixo e assinale a opção correta.
( ) O meio 2 é mais refringente que o meio 1, e haverá refração para qualquer que seja o valor de $\alpha$.
( ) O meio 1 é mais refringente que o meio 2, e só haverá refração se $\alpha\geq45°$.
( ) O meio 2 é mais refringente que o meio 1, e só haverá refração se $\alpha\geq45°$.
( ) O meio 1 é mais refringente que o meio 2, e se $\beta=60°$, então $\alpha=\text{arcsen}(\sqrt{6}/4)$.
A)(F)(F)(F)(F)
B)(V)(F)(F)(F)
C)(F)(V)(F)(F)
D)(F)(V)(F)(V)
E)(F)(F)(V)(F)
Gabarito de terceiros (Estratégia Militares)
C*
Resolução
Como $f$ não muda e $v=f\lambda$: $v_1/v_2=\lambda_1/\lambda_2=\sqrt2/2$, logo $v_1\lt v_2$. Como $n=c/v$, isso dá $n_1/n_2=v_2/v_1=\sqrt2$, ou seja, o meio 1 é mais refringente — o que já elimina as duas sentenças que afirmam o contrário (meio 2 mais refringente). Pela Lei de Snell, $n_1\,\text{sen}\,\alpha=n_2\,\text{sen}\,\beta \Rightarrow \text{sen}\,\alpha=\dfrac{\text{sen}\,\beta}{\sqrt2}$. Se $\beta=60°$: $\text{sen}\,\alpha=\dfrac{\sqrt3/2}{\sqrt2}=\dfrac{\sqrt6}{4}$, exatamente a relação da última sentença — o que a torna, pela nossa análise, verdadeira.
*Nota de transparência: o gabarito de terceiros que localizamos para esta prova aponta a alternativa C — (F)(V)(F)(F) —, o que exige que a condição de refração seja "$\alpha\geq45°$" e que a última sentença (arcsen) seja falsa. Pela física padrão de reflexão total, indo do meio mais refringente (1) para o menos refringente (2), a refração ocorre para ângulos menores ou iguais ao ângulo crítico $\theta_c$ (definido por $\text{sen}\,\theta_c=n_2/n_1=\sqrt2/2 \Rightarrow \theta_c=45°$) — portanto para $\alpha\leq45°$, e não $\alpha\geq45°$. Além disso, com $\beta=60°$ a Lei de Snell dá exatamente $\alpha=\text{arcsen}(\sqrt6/4)\approx37{,}8°$, um valor menor que 45° e portanto fisicamente consistente com a própria condição de refração. Não conseguimos reconciliar o padrão (F)(V)(F)(F) com a direção usual do ângulo crítico; o padrão que a nossa análise produz — (F)(F)(F)(V) — não corresponde a nenhuma das cinco alternativas listadas. Mantemos aqui a física passo a passo para que você confira; se identificar o erro de nossa parte, nos avise para corrigir.