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EN 2008 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Marinha do Brasil

PSAEN/2008 · Prova Amarela · Física (Q21–40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Mecânica — Cinemática — Velocidade relativa

Em um certo cruzamento de uma rodovia, no instante $t_0=0$, um veículo A possui velocidade de $4{,}0\hat\imath\ (\text{m/s})$ e outro veículo B velocidade de $6{,}0\hat\j\ (\text{m/s})$. A partir de então, o veículo A recebe, durante $2{,}8\ \text{s}$, uma aceleração de $3{,}0\ \text{m/s}^2$, no sentido positivo do eixo dos Y, e o veículo B recebe, durante $2{,}5\ \text{s}$, uma aceleração de $2{,}0\ \text{m/s}^2$, no sentido negativo do eixo dos X. O módulo da velocidade do veículo A em relação ao veículo B, em m/s, no instante $t=1{,}0\ \text{s}$, é

A)$1{,}5\sqrt3$
B)$2{,}0\sqrt5$
C)$3{,}0\sqrt3$
D)$3{,}0\sqrt5$
E)$5{,}0\sqrt5$

Resposta

D
Resolução

No instante pedido, ambas as acelerações ainda atuam. Para A: $\vec v_A=4\hat\imath+3\hat\j$. Para B: $\vec v_B=-2\hat\imath+6\hat\j$, em $\text{m/s}$.

A velocidade relativa de A em relação a B é $\vec v_{A/B}=\vec v_A-\vec v_B=6\hat\imath-3\hat\j$.

Seu módulo é $v_{A/B}=\sqrt{6^2+(-3)^2}=\sqrt{45}=3\sqrt5\ \text{m/s}$.

Cuidado, armadilha! A velocidade relativa é a diferença entre vetores, não a diferença entre seus módulos.

Alternativa correta: D

Q22
Mecânica — Trabalho e potência — Esteira transportadora

Pacotes são transportados de um nível para outro através de uma esteira que se move com velocidade constante de módulo igual a $0{,}80\ \text{m/s}$. Verifica-se que a esteira se move $1{,}5\ \text{m}$ para cima, com um ângulo de $12°$ com a horizontal, em seguida move-se $2{,}5\ \text{m}$ horizontalmente e finalmente $1{,}0\ \text{m}$ para baixo fazendo um ângulo de $8{,}0°$ com a horizontal. Considere: $|\vec g|=10{,}0\ \text{m/s}^2$. A massa de um pacote vale $3{,}0\ \text{kg}$, sendo transportado pela esteira sem escorregar. As potências da força exercida pela esteira sobre cada pacote, quando em movimento para cima, na inclinação de $12°$, e na horizontal, são, respectivamente, em watt.Dados: $\cos78°=0{,}21$; $\cos72°=0{,}31$; $\cos80°=0{,}17$.

A)5,04 e zero
B)7,00 e zero
C)−5,04 e 7,00
D)7,44 e 5,04
E)7,00 e 5,04

Resposta

A
Resolução

Na subida com velocidade constante, a componente tangencial da força da esteira compensa a componente do peso: $F_t=mg\operatorname{sen}12°$.

A potência da força da esteira é $P=F_tv=mgv\operatorname{sen}12°$. Como $\operatorname{sen}12°=\cos78°=0{,}21$, resulta $P=3\cdot10\cdot0{,}80\cdot0{,}21=5{,}04\ \text{W}$.

No trecho horizontal com velocidade constante, a força tangencial resultante é nula; a força normal é perpendicular ao deslocamento e tem potência zero. Logo, $P_h=0$.

Cuidado, armadilha! A força normal pode ser diferente de zero, mas sua potência é nula por ser perpendicular à velocidade.

Alternativa correta: A

Q23
Mecânica — Energia mecânica — Mola e atrito

Um bloco de massa igual a $2{,}00\ \text{kg}$ é solto de uma altura $H=3{,}00\ \text{m}$ em relação a uma mola ideal de constante elástica igual a $40{,}0\ \text{N/m}$. Considere a força de atrito cinético entre as superfícies em contato constante e de módulo igual a $5{,}00\ \text{N}$. Desprezando a força de atrito estático quando em repouso, isto é, desprezando as perdas de energia nas várias situações de repouso, a distância total percorrida pelo bloco até parar, em metros, é

Figura 1: mecânica — energia mecânica — mola e atrito, prova Escola Naval 2008, questão 23
A)10,0
B)12,0
C)12,5
D)12,8
E)13,0

Resposta

E
Resolução

Ao fim das oscilações, desprezando a ação de atrito estático no repouso final como prescreve o enunciado, o bloco permanece no equilíbrio da mola: $kx=mg$, então $x=2\cdot10/40=0{,}50\ \text{m}$.

Na posição final, o bloco está $H+x=3{,}50\ \text{m}$ abaixo da posição inicial. A diminuição da energia gravitacional é $mg(H+x)=2\cdot10\cdot3{,}5=70\ \text{J}$. A mola armazena $E_{el}=kx^2/2=5\ \text{J}$.

Os restantes $70-5=65\ \text{J}$ foram dissipados pelo atrito, cujo trabalho em módulo é $f\ s$. Portanto, $5s=65$ e a distância total é $s=13{,}0\ \text{m}$.

Cuidado, armadilha! A distância total não é apenas $mgH/f$: a posição final fica abaixo da posição natural da mola e há energia elástica remanescente.

Alternativa correta: E

Q24
Eletricidade — Eletrodinâmica — Efeito Joule

Um aquecedor, de resistência elétrica desconhecida, aquece $1{,}00\ \text{kg}$ de água de $75{,}0\ °\text{C}$ até $85{,}0\ °\text{C}$, em $21{,}0\ \text{s}$, quando uma corrente de $10{,}0\ \text{A}$ passa por ele. Se o ligarmos no circuito elétrico abaixo, a potência dissipada nele, em watt, é.Dado: $c_{\text{água}}=4{,}20\cdot10^3\ \text{J/(kg·K)}$.

Figura 1: eletricidade — eletrodinâmica — efeito joule, prova Escola Naval 2008, questão 24
A)6,20
B)7,00
C)7,20
D)8,00
E)8,20

Resposta

C
Resolução

A água recebe $Q=mc\Delta T=1\cdot4200\cdot10=42000\ \text{J}$. Em $21\ \text{s}$, a potência do aquecedor é $P=Q/t=2000\ \text{W}$.

Com corrente de $10\ \text{A}$, vale $P=Ri^2$, de modo que $R=2000/10^2=20\ \Omega$.

No novo circuito, aquecedor e resistor de $10\ \Omega$ estão em paralelo com a fonte ideal de $12\ \text{V}$. Portanto, a potência no aquecedor é $P=U^2/R=12^2/20=7{,}20\ \text{W}$.

Cuidado, armadilha! Os 10 A são da etapa calorimétrica, e não a corrente que atravessa o aquecedor no circuito de 12 V.

Alternativa correta: C

Q25
Ondulatória — Acústica — Efeito Doppler

Uma pessoa está parada na beira de uma rodovia quando percebe que a frequência do som emitido pela buzina de um veículo varia de $360\ \text{Hz}$ para $300\ \text{Hz}$, à medida que o veículo passa por ele. Considerando o ar parado (sem vento), os movimentos na mesma reta e a velocidade do som no ar de módulo igual a $330\ \text{m/s}$, o módulo da velocidade do veículo, em km/h, é

A)100
B)108
C)110
D)112
E)115

Resposta

B
Resolução

Para observador em repouso e fonte em movimento, antes da passagem: $360=f_0\ 330/(330-v)$. Depois da passagem: $300=f_0\ 330/(330+v)$.

Ao dividir as duas igualdades, $360/300=(330+v)/(330-v)$; daí $6(330-v)=5(330+v)$ e $v=30\ \text{m/s}$.

Convertendo para quilômetros por hora: $v=30\cdot3{,}6=108\ \text{km/h}$.

Cuidado, armadilha! Use velocidades relativas à propagação no ar: as frequências são diferentes por aproximação e afastamento da fonte.

Alternativa correta: B

Q26
Mecânica — Impulso e colisões — Restituição

Uma esfera de madeira, de massa igual a $4{,}00\ \text{kg}$, é solta de uma altura igual a $1{,}80\ \text{m}$ de um piso horizontal (massa infinita). No choque, o piso exerce uma força média de módulo igual a $12{,}0\cdot10^3\ \text{N}$, atuando no intervalo de tempo de $3{,}00\ \text{ms}$. Desprezando-se a resistência do ar, o coeficiente de restituição do choque vale.Dado: $|\vec g|=10{,}0\ \text{m/s}^2$.

A)0,30
B)0,40
C)0,45
D)0,50
E)0,60

Resposta

D
Resolução

Imediatamente antes do choque, $v_i=\sqrt{2gh}=\sqrt{2\cdot10\cdot1{,}8}=6\ \text{m/s}$, dirigida para baixo.

O impulso exercido pelo piso é $J=F_m\Delta t=12{,}0\cdot10^3\cdot3{,}0\cdot10^{-3}=36\ \text{N·s}$. Desprezando o pequeno impulso da gravidade durante o contato, $36=m(v_f+6)$, com $v_f$ para cima.

Logo $36=4(v_f+6)$, $v_f=3\ \text{m/s}$ e $e=v_f/v_i=3/6=0{,}50$.

Cuidado, armadilha! A força média dada é de 12 mil newtons; não confunda milissegundos com segundos.

Alternativa correta: D

Q27
Eletromagnetismo — Força magnética — Movimento circular

Uma partícula de massa $m$ e carga elétrica positiva $q$ é lançada, no instante $t_0=0$, perpendicularmente no interior de um campo magnético uniforme $\vec B$, percorrendo uma trajetória curvilínea de raio $R$. O módulo da componente em Y do vetor velocidade da partícula, no instante $t$ igual a três oitavos do período, vale

Figura 1: eletromagnetismo — força magnética — movimento circular, prova Escola Naval 2008, questão 27
A)$\dfrac{qBR\sqrt2}{2m}$
B)$\dfrac{qBR}{m}$
C)$\dfrac{qmB\sqrt3}{R}$
D)$\dfrac{BRm}{2q}$
E)$\dfrac{2qBR}{3m}$

Resposta

A
Resolução

Como a força magnética é centrípeta, $qvB=mv^2/R$. Portanto, o módulo constante da velocidade é $v=qBR/m$.

Em $3/8$ do período, o raio e a direção da velocidade giram $\varphi=(3/8)\cdot360°=135°$ relativamente à orientação inicial do movimento.

Assim, o módulo da componente vertical é $|v_y|=v|\operatorname{sen}135°|=v\sqrt2/2=qBR\sqrt2/(2m)$.

Cuidado, armadilha! O campo magnético modifica a direção da velocidade, mas não seu módulo; três oitavos do período correspondem a 135°.

Alternativa correta: A

Q28
Mecânica — Gravitação — Velocidade de escape

Em uma certa galáxia, planetas orbitam em torno de uma estrela, de massa $M$, de maneira semelhante à do nosso sistema solar. Nesta galáxia, um planeta A possui massa $m_A=m$ e outro planeta B, massa $m_B=3m$. Se o módulo da velocidade de escape do planeta B é igual a duas vezes o módulo da velocidade de escape do planeta A, a razão entre os raios dos planetas $(R_A/R_B)$ é igual a

A)4
B)2
C)$2/3$
D)$3/4$
E)$4/3$

Resposta

E
Resolução

A velocidade de escape da superfície de um planeta de massa $m$ e raio $R$ obedece a $v_e^2=2Gm/R$.

Como $v_B=2v_A$, temos $4=v_B^2/v_A^2=(m_B/R_B)/(m_A/R_A)$.

Substituindo $m_B=3m_A$, resulta $4=3R_A/R_B$ e $R_A/R_B=4/3$.

Cuidado, armadilha! A velocidade de escape depende da massa e do raio do próprio planeta, e não da estrela que ele orbita.

Alternativa correta: E

Q29
Eletricidade — Circuitos elétricos — Potência e chave

No circuito elétrico abaixo, considere a resistência elétrica de cada fonte (gerador) desprezível e o capacitor completamente carregado.Para que a potência elétrica total dissipada no circuito, com a chave S na posição (1), seja igual à potência elétrica total dissipada no circuito, com a chave S na posição (2), a voltagem $V$, em volt, entre as placas do gerador, deve ser, aproximadamente, igual a

Figura 1: eletricidade — circuitos elétricos — potência e chave, prova Escola Naval 2008, questão 29
A)12,2
B)12,8
C)13,0
D)13,5
E)14,5

Resposta

A
Resolução

Em corrente contínua estacionária, o capacitor completamente carregado se comporta como circuito aberto: seu ramo de $20\ \Omega$ não conduz.

Com a chave em (1), os resistores de $6\ \Omega$ e $3\ \Omega$ ficam em paralelo, equivalendo a $2\ \Omega$. Com o resistor de $4\ \Omega$ em série, a potência total é $P_1=V^2/(4+2)=V^2/6$.

Na posição (2), a parte esquerda fica com $4+6=10\ \Omega$, dissipando $V^2/10$. Na ponte à direita, $6/4=3/2$: a ponte está equilibrada e não há corrente no resistor de $15\ \Omega$. O equivalente vale $(6+3)\parallel(4+2)=9\parallel6=3{,}6\ \Omega$.

No circuito direito, os resistores de $3{,}6\ \Omega$, $3{,}0\ \Omega$ e $3{,}4\ \Omega$ ficam em série, totalizando $10\ \Omega$, e dissipam $10^2/10=10\ \text{W}$. Igualando $V^2/6=V^2/10+10$, obtemos $V^2=150$ e $V\approx12{,}2\ \text{V}$.

Cuidado, armadilha! O ramo do capacitor está aberto em regime permanente, e o resistor de 15 Ω é inativo por equilíbrio da ponte; ignorar um desses pontos altera a resposta.

Alternativa correta: A

Q30
Termologia — Termodinâmica — Ciclo e Carnot

O diagrama abaixo mostra um ciclo reversível realizado por $1{,}0$ mol de um gás ideal monoatômico. Uma máquina de Carnot operando entre as mesmas temperaturas mais baixa e mais alta, que ocorrem no ciclo, tem eficiência (rendimento), em porcentagem, de.Considere: $R=8{,}0\ \text{J/(mol·K)}$.

Figura 1: termologia — termodinâmica — ciclo e carnot, prova Escola Naval 2008, questão 30
A)70
B)75
C)84
D)87
E)90

Resposta

C
Resolução

Para gás ideal com número de mols fixo, $T=pV/(nR)$: a temperatura é proporcional ao produto $pV$.

Entre os vértices do diagrama, o menor produto é $p_{\min}V_{\min}=2\cdot2=4$ (nas unidades do gráfico) e o maior é $p_{\max}V_{\max}=5\cdot5=25$. Assim, $T_{\min}/T_{\max}=4/25$.

O rendimento de Carnot vale $\eta=1-T_{\min}/T_{\max}=1-4/25=21/25=0{,}84$, ou $84\%$.

Cuidado, armadilha! O rendimento pedido é de uma máquina de Carnot entre os extremos de temperatura, não o rendimento do próprio ciclo desenhado.

Alternativa correta: C

Q31
Termologia — Entropia — Aquecimento de projétil

Um projétil de chumbo, de massa igual a $10{,}0\ \text{g}$, está na temperatura de $27{,}0\ °\text{C}$ e se desloca horizontalmente com velocidade de $400\ \text{m/s}$ quando se choca com um bloco de massa $5{,}00\ \text{kg}$, inicialmente em repouso sobre uma superfície horizontal. Os coeficientes de atrito entre o bloco e a superfície horizontal valem $0{,}300$ e $0{,}200$. O projétil penetra no bloco e o conjunto passa a se mover com uma velocidade de $2{,}00\ \text{m/s}$. Admitindo-se que a energia cinética perdida pelo projétil seja transformada em calor e que $40\%$ deste calor foi absorvido pelo próprio projétil, a variação de entropia (em $\text{J/K}$) do projétil é, aproximadamente, igual a.Dados: calor específico do chumbo sólido $=1{,}30\cdot10^2\ \text{J/(kg·°C)}$; calor latente de fusão $=2{,}50\cdot10^4\ \text{J/kg}$; temperatura de fusão $=327\ °\text{C}$; $0\ °\text{C}=273\ \text{K}$; $\ln10=2{,}30$; $\ln3{,}62=1{,}29$; $\ln1{,}81=0{,}59$.

A)0,500
B)0,740
C)0,767
D)0,800
E)0,830

Resposta

C
Resolução

A energia cinética do projétil antes do choque é $K_i=0{,}010\cdot400^2/2=800\ \text{J}$. Depois, movendo-se com o bloco a $2\ \text{m/s}$, sua parcela é $K_f=0{,}010\cdot2^2/2=0{,}02\ \text{J}$. Assim, cerca de $800\ \text{J}$ são perdidos pelo projétil.

O projétil absorve $40\%$ desse valor: $Q\approx320\ \text{J}$. Sua capacidade térmica vale $mc=0{,}010\cdot130=1{,}3\ \text{J/K}$; o aquecimento é $\Delta T\approx320/1{,}3\approx246\ \text{K}$. Logo, $T_i=300\ \text{K}$ e $T_f\approx546\ \text{K}$; como $T_f<600\ \text{K}$, não há fusão.

Para aquecimento de um sólido com capacidade térmica aproximadamente constante, $\Delta S=mc\ln(T_f/T_i)=1{,}3\ln(546/300)\approx1{,}3\ln1{,}81\approx1{,}3\cdot0{,}59\approx0{,}767\ \text{J/K}$.

Cuidado, armadilha! A variação de entropia não é $Q/T_i$. Além disso, as massas e velocidades informadas não conservam o momento de um choque isolado; a resposta oficial aplica a hipótese calorimétrica prescrita no próprio enunciado.

Alternativa correta: C

Q32
Mecânica — Lançamentos — Energia e tempo de voo

Duas pedras A e B, de mesma massa, são lançadas simultaneamente, da mesma altura $H$ do solo, com velocidades iguais de módulo $V$. A pedra A foi lançada formando um ângulo de $10°$ abaixo da horizontal e a pedra B foi lançada formando um ângulo de $60°$ acima da horizontal. Despreze a resistência do ar e considere a aceleração da gravidade constante. Podemos afirmar corretamente que, ao atingir o solo:

A)o módulo da quantidade de movimento linear da pedra A é menor do que o da pedra B e ambas atingem o solo no mesmo instante.
B)o módulo da quantidade de movimento linear da pedra B é igual ao da pedra A e as pedras chegam ao solo em instantes diferentes.
C)a energia cinética da pedra A é menor do que a da pedra B e as pedras chegam ao solo em instantes diferentes.
D)a energia cinética da pedra A é igual à da pedra B e ambas atingem o solo no mesmo instante.
E)a energia cinética da pedra A tem o mesmo valor numérico do módulo da quantidade de movimento linear da pedra B e as pedras chegam ao solo em instantes diferentes.

Resposta

B
Resolução

Sem resistência do ar, a energia mecânica é conservada. Como as pedras partem da mesma altura com igual massa e velocidade, chegam ao solo com a mesma energia cinética e com o mesmo módulo de velocidade.

Os módulos das quantidades de movimento também são iguais: $p_A=mv_A=mv_B=p_B$.

Entretanto, A já parte com componente vertical descendente, enquanto B sobe inicialmente antes de descer. Portanto, B leva mais tempo para atingir o solo.

Cuidado, armadilha! Mesma velocidade final em módulo não significa mesmo tempo de voo: a direção inicial altera a duração da trajetória.

Alternativa correta: B

Q33
Eletricidade — Eletrostática — Energia e capacitância

No sistema de cargas pontuais abaixo, no vácuo, temos: $q=1{,}0\ \mu\text{C}$ e $d=1{,}0\ \text{mm}$. Se o trabalho realizado para deslocar as cargas, desde o infinito até a configuração mostrada, for igual à energia eletrostática de um capacitor plano, cuja d.d.p. entre as placas é de $3{,}0\cdot10^2\ \text{V}$, a capacitância do capacitor, em milifarad, é.Dado: $1/(4\pi\varepsilon_0)=K_0=9{,}0\cdot10^9\ \text{N·m}^2/\text{C}^2$.

Figura 1: eletricidade — eletrostática — energia e capacitância, prova Escola Naval 2008, questão 33
A)1,2
B)1,4
C)1,8
D)2,0
E)2,3

Resposta

A
Resolução

O trabalho para montar a configuração é sua energia potencial eletrostática, soma das energias dos três pares: $U=k_0[(q\cdot2q)/d+(2q\cdot3q)/(2d)+(q\cdot3q)/(3d)]$.

Os três termos são $2+3+1=6$ vezes $k_0q^2/d$. Com $q=10^{-6}\ \text{C}$ e $d=10^{-3}\ \text{m}$, $U=6\cdot9\cdot10^9\cdot10^{-12}/10^{-3}=54\ \text{J}$.

Para o capacitor, $U=CU_e^2/2$. Com $U_e=300\ \text{V}$, temos $C=2\cdot54/300^2=1{,}2\cdot10^{-3}\ \text{F}=1{,}2\ \text{mF}$.

Cuidado, armadilha! O trabalho de montagem envolve todos os três pares, contados uma vez cada; não confunda a carga de cada esfera com a tensão do capacitor.

Alternativa correta: A

Q34
Mecânica — Dinâmica circular — Atrito em trajetória

Uma pequena esfera (partícula) de massa $M$ desliza, a partir do repouso (posição A), por uma trajetória (no plano vertical), passando pela posição B, da circunferência de raio $R$, com velocidade de módulo $V$, como indica a figura abaixo.Sabe-se que o coeficiente de atrito cinético entre a partícula e a trajetória vale $\mu_c$. O módulo da força de atrito que atua na esfera, no instante em que passa pela posição B, é igual a

Figura 1: mecânica — dinâmica circular — atrito em trajetória, prova Escola Naval 2008, questão 34
A)$\mu_cMg$
B)$\mu_cMg\operatorname{sen}\theta$
C)$\mu_cMg\cos\theta$
D)$\dfrac{\mu_cM(V^2+Rg\cos\theta)}{R}$
E)$\dfrac{\mu_cV^2g\operatorname{sen}\theta}{R}$

Resposta

D
Resolução

O atrito cinético tem módulo $f=\mu_cN$, em que $N$ é a força normal no ponto B da trajetória.

Pela figura, $\theta$ é medido a partir do raio vertical para baixo. Escolhendo o sentido para o centro da circunferência, a componente radial do peso vale $-Mg\cos\theta$.

A equação radial é $N-Mg\cos\theta=MV^2/R$, de onde $N=M(V^2/R+g\cos\theta)$ e $f=\mu_cM(V^2+Rg\cos\theta)/R$.

Cuidado, armadilha! A normal não é simplesmente $Mg$: no movimento circular deve também fornecer a aceleração centrípeta.

Alternativa correta: D

Q35
Mecânica — Pêndulo e lançamento — Ruptura do fio

Uma pequena esfera de massa $M$, presa a um fio ideal, é solta com o fio na posição horizontal, descrevendo a trajetória abaixo.Na posição onde a tração no fio é máxima, o fio se rompe e a esfera é lançada, atingindo o solo. O módulo da tração máxima é igual a três vezes o módulo do peso da esfera. Despreze a resistência do ar e considere $|\vec g|=10{,}0\ \text{m/s}^2$. A distância horizontal (em metros), desde a vertical de saída da esfera até a sua chegada ao solo, é

Figura 1: mecânica — pêndulo e lançamento — ruptura do fio, prova Escola Naval 2008, questão 35
A)1,5
B)1,8
C)2,0
D)2,3
E)2,5

Resposta

C e E
Resolução

O desenho indica um triângulo retângulo de catetos $0{,}30\ \text{m}$ e $0{,}40\ \text{m}$, de modo que o fio tem comprimento $L=0{,}50\ \text{m}$. Para um pêndulo solto com o fio horizontal, a tração máxima acontece na passagem pela posição mais baixa.

Por conservação de energia, no ponto mais baixo $v^2=2gL=10\ \text{m}^2/\text{s}^2$, e a tração é $T=Mg+Mv^2/L=3Mg$, confirmando a condição dada.

A altura do ponto inferior em relação ao solo é $2{,}1-(0{,}5-0{,}4)=2{,}0\ \text{m}$. Com lançamento horizontal, $t=\sqrt{2h/g}=\sqrt{0{,}4}\ \text{s}$ e $x=vt=\sqrt{10}\sqrt{0{,}4}=2{,}0\ \text{m}$ (alternativa C).

Registro de gabarito:versão revisada do gabarito do PSAEN/2008C e E

Cuidado, armadilha! O gabarito revisado aceita duas alternativas (C e E). A análise aqui apresentada chega à alternativa C; não se deve apagar a dupla resposta oficial.

Alternativa correta: C e E

Q36
Eletromagnetismo — Força magnética — Trabalho

Uma partícula eletrizada de massa $m$ e carga elétrica $+q$ é lançada, com velocidade $\vec V=(v\cos\theta)\hat\imath+(v\operatorname{sen}\theta)\hat\j$, no interior de um campo magnético uniforme $\vec B=B_0\hat\imath$ ($B_0$ = constante). Despreze a ação da gravidade. O trabalho realizado pela força magnética, que atua sobre a partícula, em um intervalo de tempo $\Delta t$, é

A)$qv^2B_0(\operatorname{sen}\theta)(\cos\theta)\Delta t$
B)$qv^2B_0(\cos\theta)\Delta t$
C)$qvB_0\Delta t$
D)zero
E)$qvB_0^2(\cos\theta)\Delta t$

Resposta

D
Resolução

A força magnética sobre uma carga móvel é sempre perpendicular à velocidade instantânea: $\vec F_m=q\vec v\times\vec B$.

Sendo perpendicular ao deslocamento elementar em todo instante, ela pode curvar a trajetória, mas não alterar a energia cinética da partícula.

Assim, o trabalho total da força magnética é $W_m=0$, independentemente de $\theta$ e de $\Delta t$.

Cuidado, armadilha! Não atribua trabalho à força magnética só porque existe uma componente inicial de velocidade perpendicular ao campo.

Alternativa correta: D

Q37
Ondulatória — Ondas estacionárias — Corda tracionada

Em um experimento com ondas estacionárias, uma corda de $60{,}0\ \text{cm}$ de comprimento e massa igual a $30{,}0\ \text{g}$ tem um extremo preso a uma mola ideal vertical, que oscila em M.H.S. de acordo com a função $Y(t)=2{,}0\operatorname{sen}(60\pi t)$ ($t$ em segundos; $Y$ em milímetros). A corda passa por uma polia ideal e tem no outro extremo um bloco pendurado de massa $M$. Para que a onda estacionária na corda tenha quatro ventres, a massa $M$ do bloco, em kg, é igual a.Dado: $|\vec g|=10{,}0\ \text{m/s}^2$.

Figura 1: ondulatória — ondas estacionárias — corda tracionada, prova Escola Naval 2008, questão 37
A)0,350
B)0,405
C)0,500
D)0,520
E)0,550

Resposta

B
Resolução

Da oscilação $Y(t)=2{,}0\operatorname{sen}(60\pi t)$, a frequência é $f=60\pi/(2\pi)=30\ \text{Hz}$.

Quatro ventres na corda correspondem a quatro meios comprimentos de onda: $L=4\lambda/2$, então $\lambda=2L/4=0{,}30\ \text{m}$. A velocidade da onda é $v=f\lambda=30\cdot0{,}30=9\ \text{m/s}$.

A massa linear é $\mu=0{,}030/0{,}60=0{,}05\ \text{kg/m}$. Da relação $v^2=T/\mu$, resulta $T=\mu v^2=4{,}05\ \text{N}$. Com $T=Mg$, a massa vale $M=4{,}05/10=0{,}405\ \text{kg}$.

Cuidado, armadilha! A frequência é 30 Hz, não 60 Hz: o coeficiente de t é a frequência angular em rad/s.

Alternativa correta: B

Q38
Termologia — Termodinâmica — Expansão adiabática

Um certo gás ideal possui, no estado inicial A, pressão $p$, ocupando um volume $V$ e na temperatura $T$. Por meio de transformações quase-estáticas, sofre uma expansão isobárica até o estado intermediário B, onde a temperatura é $T_B=2T$ e, em seguida, uma outra expansão adiabática, atingindo o estado final C, onde o volume $V_C=3V$. Sabendo-se que o calor molar do gás a volume constante vale $(3/2)R$ ($R$ — constante de Clapeyron), a temperatura do estado final $T_C$ é

A)$2T\sqrt{\dfrac49}$
B)$2T\sqrt[3]{\dfrac49}$
C)$T\sqrt[3]{\dfrac23}$
D)$3T\sqrt{\dfrac94}$
E)$\dfrac{T\sqrt[3]{2}}{3}$

Resposta

B
Resolução

Na expansão isobárica, $V/T$ é constante. Como a temperatura dobra, o volume em B é $V_B=2V$.

O gás tem $C_V=3R/2$ e $C_P=C_V+R=5R/2$, de modo que o coeficiente adiabático é $\gamma=C_P/C_V=5/3$.

Na expansão adiabática quase-estática, $TV^{\gamma-1}$ permanece constante. Logo $T_C=2T(V_B/V_C)^{2/3}=2T(2/3)^{2/3}=2T\sqrt[3]{4/9}$.

Cuidado, armadilha! O expoente da relação adiabática é $\gamma-1=2/3$, não $\gamma$; e o estado B já tem volume $2V$.

Alternativa correta: B

Q39
Eletromagnetismo — Indução — Corrente induzida

Uma espira retangular, de lados $10{,}0\ \text{cm}$ e $20{,}0\ \text{cm}$, possui $40$ voltas de fio condutor, estreitamente espaçados, e resistência elétrica de $5{,}00\ \Omega$. O vetor normal à área limitada pela espira forma um ângulo de $60°$ com as linhas de um campo magnético uniforme de módulo igual a $0{,}800\ \text{tesla}$. A partir do instante $t_0=0$, o módulo deste campo é reduzido uniformemente a zero e, em seguida, é aumentado uniformemente, porém em sentido oposto ao inicial, até atingir o módulo de $1{,}20\ \text{teslas}$, no instante $t=4{,}00\ \text{s}$. A intensidade média da corrente elétrica induzida na espira, neste intervalo de tempo, em miliamperes, é

A)20,0
B)25,0
C)30,0
D)35,0
E)40,0

Resposta

E
Resolução

A área de cada volta é $A=0{,}10\cdot0{,}20=0{,}020\ \text{m}^2$. O fluxo tem fator angular $\cos60°=1/2$.

Como o campo inverte o sentido, a variação total do componente normal é de módulo $|\Delta B|=0{,}800+1{,}20=2{,}00\ \text{T}$.

A fem média em módulo é $|\mathcal E|=N A|\Delta B|\cos60°/\Delta t=40\cdot0{,}020\cdot2\cdot(1/2)/4=0{,}20\ \text{V}$.

Logo $i_m=|\mathcal E|/R=0{,}20/5=0{,}040\ \text{A}=40{,}0\ \text{mA}$.

Cuidado, armadilha! O fluxo muda de sinal quando o campo inverte; o módulo da variação é 0,8 + 1,2 tesla, não 1,2 − 0,8.

Alternativa correta: E

Q40
Eletromagnetismo — Campo magnético — Força entre fios

Dois fios condutores (1) e (2), longos e paralelos, são percorridos por correntes elétricas constantes $I_1$ e $I_2=3I_1$, de sentidos contrários. A relação entre os módulos das forças magnéticas $|\vec F_{m(1)}|$ sobre o fio (1) e $|\vec F_{m(2)}|$ sobre o fio (2) é

A)$|\vec F_{m(2)}|=3|\vec F_{m(1)}|$
B)$|\vec F_{m(1)}|=3|\vec F_{m(2)}|$
C)$|\vec F_{m(1)}|=|\vec F_{m(2)}|$
D)$|\vec F_{m(2)}|=6|\vec F_{m(1)}|$
E)$|\vec F_{m(1)}|=6|\vec F_{m(2)}|$

Resposta

C
Resolução

A força magnética por comprimento entre fios paralelos separados de uma distância $d$ tem módulo proporcional ao produto $I_1I_2$: $F/\ell=\mu_0I_1I_2/(2\pi d)$.

Para cada fio, o produto das mesmas correntes aparece na expressão. Portanto, os dois módulos são iguais, ainda que $I_2=3I_1$.

Como os sentidos das correntes são contrários, a interação é repulsiva; as forças têm sentidos opostos e módulos iguais.

Cuidado, armadilha! Correntes diferentes não implicam forças de interação com módulos diferentes: as forças entre os fios formam um par ação–reação.

Alternativa correta: C

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