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EN 2014 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Marinha do Brasil

CPAEN/2013 · Prova Amarela · Física (Q21–40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Termologia — Gases ideais — Equilíbrio de pressão

Conforme mostra a figura abaixo, dois recipientes, A e B, termicamente isolados, de volumes iguais, estão ligados por um tubo delgado que pode conduzir gases, mas não transfere calor. Inicialmente, os recipientes são ocupados por uma amostra de um certo gás ideal na temperatura $T_0$ e na pressão $P_0$. Considere que a temperatura no recipiente A é triplicada, enquanto a do recipiente B se mantém constante. A razão entre a pressão final nos dois recipientes e a pressão inicial, $P/P_0$, é

Figura da questão 21 — prova Escola Naval 2014
A)3/2
B)2/3
C)1
D)1/2
E)1/3

Resposta

A
Resolução

O tubo permite a redistribuição das moléculas até os recipientes atingirem a mesma pressão $P$. Como o conjunto não perde matéria, o número total de mols se conserva.

Se cada recipiente tem volume $V$, inicialmente o total é $n_i=2P_0V/(RT_0)$. No estado final, $T_A=3T_0$ e $T_B=T_0$, de modo que $n_f=PV/(3RT_0)+PV/(RT_0)=4PV/(3RT_0)$.

Igualando $n_i=n_f$, resulta $2P_0=4P/3$, logo $P/P_0=3/2$.

Cuidado, armadilha! Não é correto aplicar $P/T=\text{constante}$ a um único recipiente: o tubo permite a passagem de gás, e o número de mols em cada lado muda.

Alternativa correta: A

Q22
Termologia — Termodinâmica — Entropia

Analise as afirmativas abaixo referentes à entropia.

I – Num dia úmido, o vapor de água se condensa sobre uma superfície fria. Na condensação, a entropia da água diminui.

II – Num processo adiabático reversível, a entropia do sistema se mantém constante.

III – A entropia de um sistema nunca pode diminuir.

IV – A entropia do universo nunca pode diminuir.

Assinale a opção que contém apenas as afirmativas corretas.

A)I e II
B)II e III
C)III e IV
D)I, II e III
E)I, II e IV

Resposta

E
Resolução

I é verdadeira: na condensação, o vapor passa a um estado mais organizado; o sistema água pode perder entropia ao transferir calor para uma superfície fria.

II é verdadeira: uma transformação adiabática reversível é isentrópica, ou seja, apresenta variação de entropia nula.

III é falsa: a entropia de um sistema pode diminuir desde que sua vizinhança tenha aumento compensatório. IV é verdadeira: pela segunda lei, a entropia total do universo não diminui.

São verdadeiras I, II e IV.

Cuidado, armadilha! Não confunda a entropia de um sistema com a entropia total do universo.

Alternativa correta: E

Q23
Termologia — Termodinâmica — Máquinas térmicas

Uma máquina térmica, funcionando entre as temperaturas de $300\ \text{K}$ e $600\ \text{K}$, fornece uma potência útil, $P_u$, a partir de uma potência recebida, $P_r$. O rendimento dessa máquina corresponde a $4/5$ do rendimento máximo previsto pela máquina de Carnot. Sabendo que a potência recebida é de $1200\ \text{W}$, a potência útil, em watt, é

A)300
B)480
C)500
D)600
E)960

Resposta

B
Resolução

O rendimento máximo de Carnot é $\eta_C=1-T_f/T_q=1-300/600=0{,}50$.

O rendimento efetivo é quatro quintos desse limite: $\eta=(4/5)\cdot0{,}50=0{,}40$.

Pela definição $\eta=P_u/P_r$, temos $P_u=0{,}40\cdot1200=480\ \text{W}$.

Cuidado, armadilha! O valor de 50% representa o limite ideal de Carnot, não o rendimento efetivo desta máquina.

Alternativa correta: B

Q24
Termologia — Termodinâmica — Primeira lei

Considere que $0{,}40\ \text{gramas}$ de água vaporize isobaricamente à pressão atmosférica. Sabendo que, nesse processo, o volume ocupado pela água varia de $1{,}0\ \text{litro}$, pode-se afirmar que a variação da energia interna do sistema, em kJ, vale.

Dados: calor latente de vaporização da água $=2{,}3\cdot10^6\ \text{J/kg}$; conversão: $1{,}0\ \text{atm}=1{,}0\cdot10^5\ \text{Pa}$.

A)−1,0
B)−0,92
C)0,82
D)0,92
E)1,0

Resposta

C
Resolução

O calor recebido na vaporização é $Q=mL=(0{,}40\cdot10^{-3})(2{,}3\cdot10^6)=920\ \text{J}$.

A expansão a pressão constante realiza trabalho $W=P\Delta V=10^5\cdot10^{-3}=100\ \text{J}$.

Pela primeira lei, $\Delta U=Q-W=920-100=820\ \text{J}=0{,}82\ \text{kJ}$.

Cuidado, armadilha! A primeira lei usa o trabalho com sinal positivo quando é realizado pelo gás em expansão; esse trabalho deve ser subtraído do calor recebido.

Alternativa correta: C

Q25
Termologia — Gases ideais — Energia interna

Considere um gás monoatômico ideal no interior de um cilindro dotado de um êmbolo, de massa desprezível, que pode deslizar livremente. Quando submetido a uma certa expansão isobárica, o volume do gás aumenta de $2{,}00\cdot10^{-3}\ \text{m}^3$ para $8{,}00\cdot10^{-3}\ \text{m}^3$. Sabendo-se que, durante o processo de expansão, a energia interna do gás sofre uma variação de $0{,}360\ \text{kJ}$, pode-se afirmar que o valor da pressão, em kPa, é de

A)4,00
B)10,0
C)12,0
D)40,0
E)120

Resposta

D
Resolução

Para um gás ideal monoatômico, $U=(3/2)nRT=(3/2)PV$. Em processo isobárico, portanto, $\Delta U=(3/2)P\Delta V$.

O aumento de volume é $\Delta V=(8{,}00-2{,}00)10^{-3}=6{,}00\cdot10^{-3}\ \text{m}^3$, e $\Delta U=360\ \text{J}$.

Assim, $P=2\Delta U/(3\Delta V)=720/(0{,}018)=4{,}0\cdot10^4\ \text{Pa}=40{,}0\ \text{kPa}$.

Cuidado, armadilha! Não use $\Delta U=P\Delta V$: para gás monoatômico ideal, a energia interna contém o fator $3/2$.

Alternativa correta: D

Q26
Mecânica — Quantidade de movimento — Fragmentação

Uma granada, que estava inicialmente com velocidade nula, explode, partindo-se em três pedaços. O primeiro pedaço, de massa $M_1=0{,}20\ \text{kg}$, é projetado com uma velocidade de módulo igual a $10\ \text{m/s}$. O segundo pedaço, de massa $M_2=0{,}10\ \text{kg}$, é projetado em uma direção perpendicular à direção do primeiro pedaço, com uma velocidade de módulo igual a $15\ \text{m/s}$. Sabendo-se que o módulo da velocidade do terceiro pedaço é igual a $5{,}0\ \text{m/s}$, a massa da granada, em kg, vale

A)0,30
B)0,60
C)0,80
D)1,0
E)1,2

Resposta

C
Resolução

Como a granada estava em repouso, o momento linear total inicial era nulo. A soma vetorial dos momentos dos três fragmentos também deve ser zero.

Os momentos dos dois primeiros são perpendiculares: $p_1=0{,}20\cdot10=2{,}0\ \text{kg m/s}$ e $p_2=0{,}10\cdot15=1{,}5\ \text{kg m/s}$. O módulo da resultante é $\sqrt{2^2+1{,}5^2}=2{,}5\ \text{kg m/s}$.

O terceiro momento tem esse mesmo módulo, com sentido oposto. Logo, $m_3=2{,}5/5{,}0=0{,}50\ \text{kg}$. A massa inicial é $M=0{,}20+0{,}10+0{,}50=0{,}80\ \text{kg}$.

Cuidado, armadilha! Os momentos dos primeiros fragmentos são ortogonais e devem ser somados vetorialmente, não somados como escalares.

Alternativa correta: C

Q27
Mecânica — Dinâmica — Tração no pêndulo

Um pêndulo, composto de um fio ideal de comprimento $L=2{,}00\ \text{m}$ e uma massa $M=20{,}0\ \text{kg}$, executa um movimento vertical de tal forma que a massa $M$ atinge uma altura máxima de $0{,}400\ \text{m}$ em relação ao seu nível mais baixo. A força máxima, em newtons, que agirá no fio durante o movimento será.

Dado: $|\vec g|=10{,}0\ \text{m/s}^2$.

A)280
B)140
C)120
D)80,0
E)60,0

Resposta

A
Resolução

A tração máxima ocorre na posição mais baixa, onde a velocidade é máxima e é necessária aceleração centrípeta para cima.

Por conservação de energia, $Mgh=Mv^2/2$, então $v^2=2gh=2\cdot10\cdot0{,}400=8{,}0\ \text{m}^2/\text{s}^2$.

Na posição inferior, $T-Mg=Mv^2/L$, portanto $T=20\cdot10+20\cdot8/2=280\ \text{N}$.

Cuidado, armadilha! Na parte mais baixa, a tração precisa equilibrar o peso e ainda fornecer força centrípeta.

Alternativa correta: A

Q28
Mecânica — Cinemática — Lançamento oblíquo e gráficos

Os gráficos abaixo foram obtidos da trajetória de um projétil, sendo $y$ a distância vertical e $x$ a distância horizontal percorrida pelo projétil. A componente vertical da velocidade, em m/s, do projétil no instante inicial vale:

Dado: $|\vec g|=10\ \text{m/s}^2$.

Figura da questão 28 — prova Escola Naval 2014
A)zero
B)5,0
C)10
D)17
E)29

Resposta

E
Resolução

Do gráfico $x\times t$, vemos que, em $4\ \text{s}$, o projétil percorre $20\ \text{m}$ horizontalmente. Portanto, a componente horizontal constante é $v_x=20/4=5\ \text{m/s}$.

O outro gráfico mostra $y=20\ \text{m}$ quando $x=4\ \text{m}$. Esse ponto ocorre em $t=x/v_x=4/5=0{,}8\ \text{s}$.

No eixo vertical, $y=v_{0y}t-gt^2/2$. Logo, $20=0{,}8v_{0y}-5(0{,}8)^2$, que fornece $v_{0y}=(20+3{,}2)/0{,}8=29\ \text{m/s}$.

Cuidado, armadilha! Os valores $x=4\ \text{m}$ e $t=4\ \text{s}$ pertencem a gráficos diferentes. O instante correspondente a $x=4\ \text{m}$ é $0{,}8\ \text{s}$.

Alternativa correta: E

Q29
Mecânica — Dinâmica — Cunha acelerada e atrito

Considere uma força horizontal $F$ aplicada sobre a cunha 1, de massa $m_1=8{,}50\ \text{kg}$, conforme mostra a figura abaixo. Não há atrito entre a cunha e o chão, e o coeficiente de atrito estático entre a cunha e o bloco 2, de massa $m_2=8{,}50\ \text{kg}$, vale $0{,}200$. O maior valor de $F$, em newtons, que pode ser aplicado à cunha, sem que o bloco comece a subir a rampa é.

Dados: $|\vec g|=10{,}0\ \text{m/s}^2$; $\operatorname{sen}\theta=0{,}600$; $\cos\theta=0{,}800$.

Figura da questão 29 — prova Escola Naval 2014
A)85,0
B)145
C)170
D)190
E)340

Resposta

D
Resolução

Enquanto o bloco não desliza sobre a cunha, ambos aceleram juntos com $a=F/(m_1+m_2)=F/17$. No referencial da cunha há uma força de inércia $m_2a$ para a esquerda, que tende a fazer o bloco subir a rampa.

Na iminência de subir, o atrito estático aponta para baixo ao longo do plano. A normal vale $N=m_2(g\cos\theta+a\operatorname{sen}\theta)$. O equilíbrio tangencial dá $m_2a\cos\theta=m_2g\operatorname{sen}\theta+\mu_e N$.

Assim, $a(\cos\theta-\mu_e\operatorname{sen}\theta)=g(\operatorname{sen}\theta+\mu_e\cos\theta)$. Substituindo os dados, $a(0{,}8-0{,}12)=10(0{,}6+0{,}16)$, de modo que $a=7{,}6/0{,}68\approx11{,}176\ \text{m/s}^2$ e $F=17a\approx190\ \text{N}$.

Cuidado, armadilha! O atrito se opõe à tendência de movimento relativo. No limite superior de $F$, o bloco tende a subir a rampa e o atrito age para baixo.

Alternativa correta: D

Q30
Mecânica — Cinemática — Lançamento e movimento acelerado

Conforme mostra a figura abaixo, em um jogo de futebol, no instante em que o jogador situado no ponto A faz um lançamento, o jogador situado no ponto B, que inicialmente estava parado, começa a correr com aceleração constante igual a $3{,}00\ \text{m/s}^2$, deslocando-se até o ponto C. Esse jogador chega em C no instante em que a bola toca o chão no ponto D. Todo o movimento se processa em um plano vertical, e a distância inicial entre A e B vale $25{,}0\ \text{m}$. Sabendo-se que a velocidade inicial da bola tem módulo igual a $20{,}0\ \text{m/s}$, e faz um ângulo de $45°$ com a horizontal, o valor da distância, $d$, entre os pontos C e D, em metros, é.

Dado: $|\vec g|=10{,}0\ \text{m/s}^2$.

Figura da questão 30 — prova Escola Naval 2014
A)1,00
B)3,00
C)5,00
D)12,0
E)15,0

Resposta

B
Resolução

Como a bola sai e retorna ao mesmo nível, seu tempo de voo é $t=2v_0\operatorname{sen}45°/g=2\sqrt2\ \text{s}$ e, portanto, $t^2=8\ \text{s}^2$.

O alcance horizontal da bola é $A=v_0^2\operatorname{sen}90°/g=400/10=40\ \text{m}$. O jogador que partiu de B percorre $BC=at^2/2=3\cdot8/2=12\ \text{m}$.

Como $AB=25\ \text{m}$, a posição de C em relação a A é $25+12=37\ \text{m}$. Logo, $CD=40-37=3\ \text{m}$.

Cuidado, armadilha! O deslocamento do segundo jogador começa em B; não é correto comparar seu percurso diretamente com o alcance medido a partir de A.

Alternativa correta: B

Q31
Mecânica — Cinemática — Gráfico velocidade–tempo

Um garoto atira uma pequena pedra verticalmente para cima, no instante $t=0$. Qual dos gráficos abaixo pode representar a relação velocidade $\times$ tempo?

A)
Gráfico da alternativa A da questão 31
B)
Gráfico da alternativa B da questão 31
C)
Gráfico da alternativa C da questão 31
D)
Gráfico da alternativa D da questão 31
E)
Gráfico da alternativa E da questão 31

Resposta

C
Resolução

Na ausência de resistência do ar, a aceleração vertical permanece constante e igual a $-g$ durante toda a subida e toda a descida.

Portanto, $v(t)=v_0-gt$: o gráfico deve ser uma reta decrescente, iniciando com velocidade positiva, cruzando $v=0$ no ponto mais alto e tornando-se negativa depois.

Entre as figuras apresentadas, apenas a alternativa C representa essa dependência linear.

Cuidado, armadilha! A velocidade é zero somente no ponto mais alto; a aceleração não se anula nesse instante.

Alternativa correta: C

Q32
Mecânica — Oscilações — Mola vertical

A figura abaixo mostra uma mola ideal de constante elástica $k=200\ \text{N/m}$, inicialmente em repouso, sustentando uma esfera de massa $M=2{,}00\ \text{kg}$ na posição A. Em seguida, a esfera é deslocada de $15{,}0\ \text{cm}$ para baixo até a posição B, onde, no instante $t=0$, é liberada do repouso, passando a oscilar livremente. Desprezando a resistência do ar, pode-se afirmar que, no intervalo de tempo $0\leq t\leq2\pi/30\ \text{s}$, o deslocamento da esfera, em cm, é de

Figura da questão 32 — prova Escola Naval 2014
A)3,75
B)7,50
C)9,00
D)15,0
E)22,5

Resposta

E
Resolução

A posição A é a posição de equilíbrio da mola com a esfera; o deslocamento inicial B está $15\ \text{cm}$ abaixo dessa posição. A frequência angular das oscilações é $\omega=\sqrt{k/M}=\sqrt{200/2}=10\ \text{rad/s}$.

Adotando o eixo vertical positivo para baixo com origem em A, $x(t)=0{,}15\cos(10t)$, em metros, pois a esfera parte da elongação máxima com velocidade nula.

No instante $t=2\pi/30\ \text{s}$, a fase é $\omega t=2\pi/3$ e a elongação é $x(t)=0{,}15\cos(2\pi/3)=-0{,}075\ \text{m}$. Assim, o deslocamento em relação à posição inicial é $|x(t)-x(0)|=|-7{,}5-15|=22{,}5\ \text{cm}$.

Cuidado, armadilha! O enunciado pede deslocamento entre dois instantes, não distância percorrida nem elongação em relação ao equilíbrio.

Alternativa correta: E

Q33
Ondulatória — Acústica — Efeito Doppler

Uma fonte sonora, emitindo um ruído de frequência $f=450\ \text{Hz}$, move-se em um círculo de raio igual a $50{,}0\ \text{cm}$, com uma velocidade angular de $20{,}0\ \text{rad/s}$. Considere o módulo da velocidade do som igual a $340\ \text{m/s}$ em relação ao ar parado. A razão entre a menor e a maior frequência $(f_{menor}/f_{maior})$ percebida por um ouvinte posicionado a uma grande distância e, em repouso, em relação ao centro do círculo, é

A)33/35
B)35/33
C)1
D)9/7
E)15/11

Resposta

A
Resolução

A rapidez da fonte é $v_f=\omega r=20\cdot0{,}50=10\ \text{m/s}$. Como o observador está distante, há instantes em que a componente radial dessa rapidez é aproximadamente $+10\ \text{m/s}$ (aproximação) ou $-10\ \text{m/s}$ (afastamento).

Para uma fonte móvel e observador parado, a frequência máxima é $f_{max}=fv/(v-v_f)$ e a mínima é $f_{min}=fv/(v+v_f)$.

A razão é $f_{min}/f_{max}=(v-v_f)/(v+v_f)=(340-10)/(340+10)=330/350=33/35$.

Cuidado, armadilha! O movimento é circular, mas a frequência percebida depende da componente da velocidade da fonte na linha de visada.

Alternativa correta: A

Q34
Óptica — Refração — Reflexão total

A figura abaixo mostra um prisma triangular ACB no fundo de um aquário, contendo água, imersos no ar. O prisma e o aquário são feitos do mesmo material. Considere que um raio luminoso penetra na água de modo que o raio refratado incida perpendicularmente à face AB do prisma. Para que o raio incidente na face CB seja totalmente refletido, o valor mínimo do índice de refração do prisma deve ser.

Dados: $n_{ar}=1{,}00$; $\operatorname{sen}\theta_A=0{,}600$ e $\operatorname{sen}\theta_B=0{,}800$.

Figura da questão 34 — prova Escola Naval 2014
A)1,10
B)1,15
C)1,20
D)1,25
E)1,30

Resposta

D
Resolução

O raio atravessa a face AB perpendicularmente, sem desvio nessa superfície. Pelo triângulo, a face AB forma um ângulo $\theta_B$ com a horizontal CB; por isso, o ângulo de incidência interno na face CB, medido com a normal, é $i=\theta_B$.

Na interface prisma–ar, o ângulo crítico obedece a $\operatorname{sen}i_c=n_{ar}/n_{prisma}$. Para haver reflexão total, $i\geq i_c$.

O menor índice corresponde ao limite $i=i_c$: $n_{prisma}=n_{ar}/\operatorname{sen}\theta_B=1/0{,}800=1{,}25$.

Cuidado, armadilha! O ângulo de incidência na face CB deve ser medido a partir da normal, não a partir da superfície horizontal.

Alternativa correta: D

Q35
Ondulatória — Interferência — Duas fontes em fase

Analise a figura a seguir.

Figura da questão 35 — prova Escola Naval 2014

Considere duas fontes sonoras puntiformes, $F_1$ e $F_2$, que estão separadas por uma pequena distância $d$, conforme mostra a figura acima. As fontes estão inicialmente em fase e produzem ondas de comprimento de onda $\lambda$. As ondas provenientes das fontes $F_1$ e $F_2$ percorrem, respectivamente, os caminhos $L_1$ e $L_2$ até o ponto afastado $P$, onde há superposição das ondas. Sabendo que $\Delta L=|L_1-L_2|$ é a diferença de caminho entre as fontes e o ponto $P$, o gráfico que pode representar a variação da intensidade da onda resultante das duas fontes, $I$, em função da diferença de caminho $\Delta L$ é

A)
Gráfico da alternativa A da questão 35
B)
Gráfico da alternativa B da questão 35
C)
Gráfico da alternativa C da questão 35
D)
Gráfico da alternativa D da questão 35
E)
Gráfico da alternativa E da questão 35

Resposta

C
Resolução

Para duas fontes em fase, o máximo de interferência acontece quando a diferença de caminho é $\Delta L=n\lambda/2$ com $n$ par, isto é, $0,\lambda,2\lambda,\ldots$.

A interferência destrutiva ocorre quando $n$ é ímpar, em $\Delta L=\lambda/2,3\lambda/2,\ldots$. Com fontes equivalentes, os mínimos podem chegar a intensidade nula.

O gráfico da alternativa C apresenta máximos em $0,\lambda,2\lambda$ e mínimos nulos em $\lambda/2,3\lambda/2$.

Cuidado, armadilha! A diferença de caminho nula produz interferência construtiva para fontes em fase. O gráfico deve começar em um máximo, não em um mínimo.

Alternativa correta: C

Q36
Ondulatória — Ondas estacionárias — Fase e nós

Para uma certa onda estacionária transversal em uma corda longa ao longo do eixo $x$, existe um antinó localizado em $x=0$ seguido de um nó em $x=0{,}10\ \text{m}$. A figura abaixo mostra o gráfico do deslocamento transversal, $y$, em função do tempo, da partícula da corda localizada em $x=0$. Das opções a seguir, qual fornece uma função $y(x)$, em metros, para a onda estacionária no instante $0{,}50\ \text{s}$?

Figura da questão 36 — prova Escola Naval 2014
A)$-0{,}04\cos(\pi x)$
B)$+0{,}04\cos(\pi x)$
C)$-0{,}04\cos(2\pi x)$
D)$+0{,}04\cos(5\pi x)$
E)$-0{,}04\cos(5\pi x)$

Resposta

E
Resolução

O primeiro nó a partir de um antinó está a um quarto de comprimento de onda. Como ele está em $x=0{,}10\ \text{m}$, $\lambda/4=0{,}10$, logo $\lambda=0{,}40\ \text{m}$ e $k=2\pi/\lambda=5\pi\ \text{rad/m}$.

Um antinó em $x=0$ corresponde ao fator espacial $\cos(kx)$. Pelo gráfico temporal, no instante $t=0{,}50\ \text{s}$, o deslocamento em $x=0$ é o mínimo, $-0{,}04\ \text{m}$.

Portanto, nesse instante a configuração espacial é $y(x)=-0{,}04\cos(5\pi x)$, em metros.

Cuidado, armadilha! A distância entre um antinó e o nó consecutivo vale $\lambda/4$, e não $\lambda/2$.

Alternativa correta: E

Q37
Eletromagnetismo — Indução — Lei de Faraday e gráficos

Analise a figura a seguir.

Figura da questão 37 — prova Escola Naval 2014

O gráfico da figura acima registra a variação do fluxo magnético, $\Phi$, através de uma bobina ao longo de $5$ segundos. Das opções a seguir, qual oferece o gráfico da f.e.m. induzida, $\varepsilon$, em função do tempo?

A)
Gráfico da alternativa A da questão 37
B)
Gráfico da alternativa B da questão 37
C)
Gráfico da alternativa C da questão 37
D)
Gráfico da alternativa D da questão 37
E)
Gráfico da alternativa E da questão 37

Resposta

B
Resolução

Pela lei de Faraday, $\varepsilon=-N\Delta\Phi/\Delta t$ em cada trecho de fluxo que varia linearmente. Assim, basta analisar o sinal e o módulo da inclinação do gráfico.

Entre $0$ e $1\ \text{s}$, o fluxo aumenta: a f.e.m. é negativa. Entre $1$ e $2\ \text{s}$, o fluxo é constante: f.e.m. nula. Entre $2$ e $4\ \text{s}$, o fluxo diminui com inclinação constante: f.e.m. positiva.

Entre $4$ e $5\ \text{s}$, o fluxo volta a aumentar: f.e.m. negativa. A sequência negativa, zero, positiva e negativa corresponde à alternativa B.

Cuidado, armadilha! O sinal da f.e.m. é o oposto da inclinação do fluxo magnético; o valor do próprio fluxo não determina a f.e.m.

Alternativa correta: B

Q38
Eletromagnetismo — Campo magnético — Espiras concêntricas

Na figura abaixo, $e_1$ e $e_2$ são duas espiras circulares, concêntricas e coplanares de raios $r_1=8{,}0\ \text{m}$ e $r_2=2{,}0\ \text{m}$, respectivamente. A espira $e_2$ é percorrida por uma corrente $i_2=4{,}0\ \text{A}$, no sentido anti-horário. Para que o vetor campo magnético resultante no centro das espiras seja nulo, a espira $e_1$ deve ser percorrida, no sentido horário, por uma corrente $i_1$, cujo valor, em amperes, é de

Figura da questão 38 — prova Escola Naval 2014
A)4,0
B)8,0
C)12
D)16
E)20

Resposta

D
Resolução

O módulo do campo magnético no centro de uma espira circular de raio $r$ percorrida por corrente $i$ é $B=\mu_0i/(2r)$.

Os sentidos de corrente são opostos, logo as contribuições magnéticas no centro também se opõem. Para o cancelamento, seus módulos devem ser iguais: $i_1/r_1=i_2/r_2$.

Portanto, $i_1=i_2(r_1/r_2)=4\cdot(8/2)=16\ \text{A}$.

Cuidado, armadilha! A espira de maior raio precisa de corrente maior para gerar o mesmo campo central.

Alternativa correta: D

Q39
Eletricidade — Eletrodinâmica — Capacitor e gerador real

O circuito esquemático apresentado na figura abaixo mostra uma bateria de f.e.m. e resistência interna, entre as extremidades de um resistor que está ligado em paralelo a um capacitor de capacitância $C$ completamente carregado. Sabendo que a carga armazenada no capacitor é de $40\ \mu\text{C}$, os valores da capacitância $C$, em $\mu\text{F}$, e da energia potencial elétrica armazenada no capacitor, em mJ, são, respectivamente:

Figura da questão 39 — prova Escola Naval 2014
A)0,50 e 1,6
B)0,50 e 2,0
C)0,40 e 2,0
D)0,20 e 3,2
E)0,20 e 1,6

Resposta

A
Resolução

Como o capacitor está completamente carregado, não passa corrente por seu ramo no regime estacionário. A fonte tem f.e.m. $0{,}10\ \text{kV}=100\ \text{V}$ e resistência interna $2{,}0\ \Omega$, em série efetiva com o resistor de $8{,}0\ \Omega$.

A corrente é $i=100/(2+8)=10\ \text{A}$ e a tensão nos terminais do resistor — e do capacitor em paralelo — é $U=8i=80\ \text{V}$.

Com carga $Q=40\ \mu\text{C}$, $C=Q/U=40/80=0{,}50\ \mu\text{F}$. A energia armazenada vale $E=QU/2=(40\cdot10^{-6}\cdot80)/2=1{,}6\cdot10^{-3}\ \text{J}=1{,}6\ \text{mJ}$.

Cuidado, armadilha! O capacitor fica submetido à tensão terminal de 80 V, não aos 100 V da força eletromotriz, pois há queda na resistência interna.

Alternativa correta: A

Q40
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores

Considere que dois resistores, de resistências $R_1$ e $R_2$, quando ligados em paralelo e submetidos a uma d.d.p. de $150\ \text{V}$ durante $600\ \text{min}$, geram $225\ \text{kW h}$ de energia. Associando esses resistores em série e submetendo-os a uma d.d.p. de $400\ \text{V}$, a energia gerada, durante o mesmo intervalo de tempo, passa a ser de $400\ \text{kW h}$. Sobre os valores das resistências $R_1$ e $R_2$, em $\Omega$, pode-se afirmar que são, respectivamente:

A)1,00 e 1,00
B)2,00 e 2,00
C)2,00 e 3,00
D)3,00 e 4,00
E)4,00 e 4,00

Resposta

B
Resolução

O tempo de $600\ \text{min}$ equivale a $10\ \text{h}$. Em paralelo, a potência é $225/10=22{,}5\ \text{kW}$, de modo que $R_p=U^2/P=150^2/22500=1\ \Omega$.

Na associação em série, a potência é $400/10=40\ \text{kW}$, e $R_s=400^2/40000=4\ \Omega$. Assim, $R_1+R_2=4$ e $R_1R_2/(R_1+R_2)=1$, ou seja, $R_1R_2=4$.

A soma 4 e o produto 4 implicam $R_1=R_2=2\ \Omega$.

Cuidado, armadilha! Transforme a energia em potência dividindo pelo tempo; a tensão e as associações mudam entre as duas situações.

Alternativa correta: B

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