TEF-AUDIT: EN 2019 | AUDITADO | 2026-10-09 | ESCOPO: Física 21-40 Prova Escola Naval 2019 — Física com Gabarito e Resolução
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EN 2019 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Marinha do Brasil

CPAEN/2018 · 1º Dia, Prova Amarela · Física (Q21–Q40) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e molas em equilíbrio
Figura original da questão 21 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

A figura mostra um objeto flutuando na água contida em um vaso sustentado por duas molas idênticas, de constante elástica desconhecida. Em uma situação de equilíbrio, em que esse vaso de massa desprezível contém somente a água, as molas ficam comprimidas de $x$. Quando o objeto, cujo volume é $1/30$ do volume de água, é inserido no vaso, as molas passam a ficar comprimidas de $x'$. Sabendo que, no equilíbrio, $60\%$ do volume do objeto fica submerso, qual a razão $x'/x$?

A)1,06
B)1,05
C)1,04
D)1,03
E)1,02

Resposta

E
Resolução

O peso total sustentado pelas molas aumenta quando o objeto flutuante é colocado no vaso. Para relacionar as compressões, basta comparar a força total inicial e final: como as molas são lineares e paralelas, a compressão é proporcional à carga suportada.

Chamando $V$ o volume inicial da água, seu peso é $P_a=\rho_a Vg$. Para o objeto flutuante, o princípio de Arquimedes exige que seu peso seja igual ao empuxo: $P_o=\rho_a g V_{sub}$. Como $V_o=V/30$ e $V_{sub}=0{,}60V_o$, resulta $P_o=0{,}60\rho_a gV/30=0{,}02P_a$.

Inicialmente, $2kx=P_a$; depois da inserção, $2kx'=P_a+P_o=1{,}02P_a$. Dividindo as duas equações, $x'/x=1{,}02$. Portanto, a resposta é $1{,}02$.

Cuidado, armadilha! O peso do objeto flutuante é determinado pelo volume submerso, não pelo volume total. A constante das molas cancela na razão.

Alternativa correta: E

Q22
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Espira atravessando fronteira magnética
Figura original da questão 22 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

A figura mostra uma espira retangular de lados $a=40\ \text{cm}$ e $b=20\ \text{cm}$ no instante $t=0$. Considere que a espira se move com velocidade $v=5{,}0\ \text{cm/s}$ para a esquerda, perpendicularmente a uma região de campo magnético uniforme de indução $B=2{,}0\ \text{T}$. Sabendo que a espira tem resistência de $20\ \Omega$, qual é a intensidade, em ampère, da corrente elétrica na espira em $t=3{,}0\ \text{s}$?

A)$1{,}0\cdot10^{-3}$
B)$2{,}0\cdot10^{-3}$
C)$3{,}0\cdot10^{-3}$
D)$1{,}0\cdot10^{-2}$
E)$2{,}0\cdot10^{-2}$

Resposta

A
Resolução

A espira está entrando na região de campo. Enquanto sua área imersa cresce, o fluxo magnético varia e surge uma força eletromotriz induzida. A rapidez de variação de área de um retângulo que cruza a fronteira é o produto $bv$.

Transformando as unidades, $b=0{,}20\ \text{m}$ e $v=0{,}050\ \text{m/s}$. A força eletromotriz tem módulo $\mathcal E=Bbv=2{,}0\cdot0{,}20\cdot0{,}050=0{,}020\ \text{V}$.

Pela lei de Ohm, $i=\mathcal E/R=0{,}020/20=0{,}0010\ \text{A}=1{,}0\cdot10^{-3}\ \text{A}$. Em três segundos, a espira avançou $15\ \text{cm}$, menos que seus $40\ \text{cm}$ de comprimento: ela ainda está entrando, como pressupõe o cálculo.

Cuidado, armadilha! Não multiplique a expressão novamente pelo tempo. Enquanto o movimento mantém $B$, $b$ e $v$ constantes, a corrente induzida tem módulo constante durante a entrada.

Alternativa correta: A

Q23
Ondulatória — Ondas estacionárias — Tração de corda a partir de gráfico
Figura original da questão 23 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Em uma série de experiências, foi medido, para três valores do comprimento $L$, o período de oscilação correspondente a meio comprimento de onda estacionária entre as extremidades fixas de uma corda com densidade linear de massa $0{,}60\ \text{kg/m}$. Os resultados, representados no gráfico linear da figura, indicam que a tensão na corda, em newtons, em todas as experiências realizadas, foi igual a:

A)60
B)45
C)30
D)20
E)15

Resposta

A
Resolução

O segmento de corda contém meio comprimento de onda entre dois nós consecutivos. Assim, $L=\lambda/2$, e a velocidade de propagação é $v=\lambda/T=2L/T$. O gráfico permite ler diretamente a razão $L/T$.

Para o ponto mais à direita, $L=5{,}0\ \text{m}$ e $T=1{,}0\ \text{s}$. Logo, $v=2\cdot5{,}0/1{,}0=10\ \text{m/s}$. O ponto $L=2{,}5\ \text{m}$, $T=0{,}5\ \text{s}$ confirma a mesma velocidade.

A velocidade em uma corda ideal sob tração $F$ e densidade linear $\mu$ satisfaz $v^2=F/\mu$. Portanto, $F=\mu v^2=0{,}60\cdot10^2=60\ \text{N}$.

Cuidado, armadilha! O segmento de comprimento $L$ representa apenas $\lambda/2$, não uma onda completa. Esquecer o fator 2 altera a tração por um fator 4.

Alternativa correta: A

Q24
Mecânica — Quantidade de movimento — Impulso e força centrípeta

Analise as afirmativas sobre impulso e quantidade de movimento.

I — Se uma partícula está submetida a uma força resultante constante, a direção de sua quantidade de movimento pode mudar.
II — Para uma partícula que descreve uma circunferência com rapidez constante $v$, o módulo da taxa de variação de sua quantidade de movimento é proporcional a $v^2$.
III — A área sob o gráfico do módulo da força resultante em função da posição $x$ permite obter o módulo do impulso.
IV — Se $\vec J$ representa o impulso de determinada força, então $\Delta\vec J/\Delta t$ representa a variação da força.

Assinale a opção correta.

A)Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
B)Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
C)Apenas as afirmativas III e IV são verdadeiras.
D)Apenas as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
E)Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.

Resposta

A
Resolução

A quantidade de movimento é vetorial, $\vec p=m\vec v$. A força resultante determina a alteração desse vetor. Mesmo quando a força tem direção constante, a soma da velocidade inicial com sua contribuição pode fazer a direção de $\vec p$ variar: a afirmação I é verdadeira.

Em movimento circular uniforme, a aceleração centrípeta tem módulo $a_c=v^2/r$. Portanto, o módulo da taxa de variação da quantidade de movimento é o módulo da força resultante: $|\Delta\vec p/\Delta t|=mv^2/r$. A II é verdadeira.

A área em gráfico força × posição mede trabalho, não impulso. Para impulso, usa-se a área em gráfico força × tempo; logo a III é falsa. A razão $\Delta\vec J/\Delta t$ tem dimensão de força média, não de variação da força; a IV também é falsa. Somente I e II são verdadeiras.

Cuidado, armadilha! Identifique o eixo horizontal dos gráficos: força × deslocamento está associada a trabalho; força × tempo está associada a impulso.

Alternativa correta: A

Q25
Mecânica — Movimento circular — Pêndulo cônico com tração especificada
Figura original da questão 25 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

A figura mostra um pêndulo cônico: um objeto de massa $m$ está preso à extremidade inferior de um fio de comprimento $L$ e massa desprezível e descreve uma circunferência horizontal de raio $R$ com rapidez constante. Sendo $g$ a aceleração da gravidade e sabendo que a tração $T$ no fio é quatro vezes o peso $P$ do objeto, qual é o período do movimento?

A)$\sqrt{\dfrac{\pi^2L}{8g}}$
B)$\sqrt{\dfrac{\pi^2L}{4g}}$
C)$\sqrt{\dfrac{\pi^2L}{2g}}$
D)$\sqrt{\dfrac{\pi^2L}{g}}$
E)$\dfrac{2\pi^2L}{g}$

Resposta

D
Resolução

Decompondo a tração, sua componente vertical equilibra o peso: $T\cos\theta=mg$. A componente horizontal fornece a força centrípeta: $T\sin\theta=m\omega^2R$, em que $\omega$ é a frequência angular do movimento.

A geometria do cone dá $R=L\sin\theta$. Substituindo na equação radial, $T\sin\theta=m\omega^2L\sin\theta$. Para uma órbita não degenerada, resulta $\omega^2=T/(mL)$. Com $T=4mg$, temos $\omega^2=4g/L$.

Como o período é $\mathcal T=2\pi/\omega$, segue $\mathcal T=2\pi\sqrt{L/(4g)}=\pi\sqrt{L/g}=\sqrt{\pi^2L/g}$. A unidade é segundo, como deve ser.

Cuidado, armadilha! O raio $R$ já está ligado ao comprimento $L$ pela geometria. Substituir $R=L$ diretamente, sem considerar $\sin\theta$, não é válido.

Alternativa correta: D

Q26
Termologia — Termodinâmica — Rendimento em ciclo triangular PV
Figura original da questão 26 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

O diagrama $PV$ representa um ciclo reversível realizado por $2$ mols de gás ideal monoatômico, passando pelos estados $A$, $B$ e $C$. As temperaturas estão relacionadas por $T_C=3T_B=9T_A$. Qual a eficiência do ciclo?

A)$1/3$
B)$1/5$
C)$1/6$
D)$1/7$
E)$1/9$

Resposta

E
Resolução

A máquina percorre $A\to B\to C\to A$ em sentido horário, produzindo trabalho líquido positivo. Os estados têm coordenadas $A=(V,p)$, $B=(V,3p)$ e $C=(3V,3p)$. O trabalho líquido é a área triangular interna ao ciclo.

A base mede $2V$ e a altura $2p$; por isso, $W_{liq}=(2V)(2p)/2=2pV$. Na etapa $AB$ (volume constante), o calor recebido é a variação de energia interna: $Q_{AB}=\tfrac32(3pV-pV)=3pV$.

Na expansão isobárica $BC$, a energia interna aumenta em $\Delta U_{BC}=\tfrac32(9pV-3pV)=9pV$ e o trabalho é $W_{BC}=3p(3V-V)=6pV$. Assim, $Q_{BC}=9pV+6pV=15pV$. Todo o calor recebido é $Q_{in}=3pV+15pV=18pV$. O rendimento é $\eta=W_{liq}/Q_{in}=2/18=1/9$.

Cuidado, armadilha! O calor recebido não é a área interna do ciclo. Essa área representa o trabalho líquido; o calor absorvido deve ser somado apenas nas etapas em que $Q>0$.

Alternativa correta: E

Q27
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistência equivalente e capacitor em CC
Figura original da questão 27 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Diferenças de potencial de $30\ \text{V}$ já representam, para alguns indivíduos, risco de fibrilação induzida, mesmo com baixa corrente. Suponha que uma força eletromotriz aplicada entre as mãos de um ser humano seja simplificadamente equivalente ao circuito mostrado, com a tensão $V_0$ no capacitor (coração) determinando o risco. Se a força eletromotriz é $30\ \text{V}$, qual é a potência, em watts, dissipada no corpo humano?

A)0,9
B)0,6
C)0,5
D)0,3
E)0,2

Resposta

A
Resolução

O circuito tem um ramo resistivo de $1\ \text{k}\Omega$ diretamente entre os terminais da fonte e outro com resistor de $10\ \text{k}\Omega$ em série com o capacitor. Em regime permanente de corrente contínua, o capacitor completamente carregado não conduz corrente.

Logo, a corrente que atravessa o resistor de $10\ \text{k}\Omega$ é nula. Toda a corrente fornecida pela fonte passa pelo resistor de $1\ \text{k}\Omega$, com $U=30\ \text{V}$. Seu módulo é $i=U/R=30/1000=0{,}030\ \text{A}$.

A potência efetivamente dissipada é $P=Ui=30\cdot0{,}030=0{,}90\ \text{W}$, ou $P=U^2/R=900/1000=0{,}90\ \text{W}$. O capacitor pode armazenar energia, mas idealmente não dissipa potência em regime estacionário.

Cuidado, armadilha! Não some os dois resistores em série: o ramo do capacitor está aberto depois do carregamento. A capacitância não altera a potência em corrente contínua estacionária.

Alternativa correta: A

Q28
Termologia — Gases ideais — Bolha ascendendo sob pressão hidrostática
Figura original da questão 28 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Uma bolha de hélio sofre deslocamento vertical na água, do ponto $A$ até o ponto $B$, separados por $10\ \text{m}$. Sabendo que a razão entre os volumes é $V_B/V_A$, que vale o dobro da razão entre as temperaturas absolutas $T_B/T_A$, qual é a pressão, em pascal, no ponto $B$? Dados: densidade da água $10^3\ \text{kg/m}^3$ e $g=10\ \text{m/s}^2$.

A)$1\cdot10^3$
B)$2\cdot10^4$
C)$1\cdot10^4$
D)$2\cdot10^5$
E)$1\cdot10^5$

Resposta

E
Resolução

Enquanto a bolha sobe, pressão, volume e temperatura variam. Para uma quantidade fixa de gás ideal, $PV/T$ permanece constante. Comparando $A$ e $B$, $P_AV_A/T_A=P_BV_B/T_B$.

A informação $V_B/V_A=2(T_B/T_A)$ implica $P_A/P_B=(V_B/V_A)(T_A/T_B)=2$. Portanto, $P_A=2P_B$.

Os pontos têm diferença vertical de $10\ \text{m}$. Pela hidrostática, $P_A-P_B=\rho gh=10^3\cdot10\cdot10=10^5\ \text{Pa}$. Substituindo $2P_B-P_B=10^5$, obtém-se $P_B=1\cdot10^5\ \text{Pa}$.

Cuidado, armadilha! É incorreto supor temperaturas iguais: o próprio enunciado informa a relação de volumes e temperaturas, permitindo eliminá-las sem essa hipótese.

Alternativa correta: E

Q29
Eletricidade — Eletrostática — Campo externo de distribuição esférica
Figura original da questão 29 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Uma casca esférica de raio interno $a$ e raio externo $4a$, em metros, está carregada com densidade volumétrica uniforme $\rho=2/a^3\ \text{C/m}^3$. No centro geométrico há uma carga pontual $q=-379\ \text{C}$. Considerando o sistema isolado no vácuo, qual é o módulo, a direção e o sentido do campo elétrico nos pontos a distância $5a$ do centro? Dados: $a$ inteiro positivo, $k_0$ constante eletrostática e $\pi=3$.

A)$5k_0/a^2$, radial para dentro.
B)$5k_0/a^2$, radial para fora.
C)$25k_0/a^2$, tangencial no sentido anti-horário.
D)$25k_0/a^2$, radial para fora.
E)$25k_0/a^2$, tangencial no sentido horário.

Resposta

B
Resolução

Fora de uma distribuição esfericamente simétrica, seu campo é igual ao de toda a carga concentrada no centro. Primeiro calculamos a carga da casca e somamos a carga pontual negativa. O ponto de observação está a $5a$, fora do raio externo $4a$.

O volume da casca é $V_c=\tfrac{4\pi}{3}[(4a)^3-a^3]=\tfrac{4\pi}{3}(63a^3)$. Com $\pi=3$, isso fornece $V_c=252a^3$. Assim, $Q_c=\rho V_c=(2/a^3)(252a^3)=504\ \text{C}$. A carga total é $Q_{tot}=504-379=125\ \text{C}$.

A distância é $r=5a$. Logo, $E=k_0|Q_{tot}|/r^2=k_0\cdot125/(25a^2)=5k_0/a^2$. Por ser positiva a carga total, o campo é radial para fora.

Cuidado, armadilha! A carga central negativa não determina sozinha o sentido do campo externo. Some todas as cargas antes de aplicar a simetria esférica.

Alternativa correta: B

Q30
Eletricidade — Eletrostática — Trabalho externo entre equipotenciais
Figura original da questão 30 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Uma partícula de carga $-q=-3{,}0\ \text{C}$ percorre $6{,}0\ \text{m}$ do ponto $A$ (em repouso, potencial $6\ \text{V}$) ao ponto $B$ (novamente em repouso, potencial $100\ \text{V}$), conforme as equipotenciais. Sobre ela atuam apenas a força elétrica conservativa e uma força externa $\vec F_{ext}$. Qual o trabalho da força externa, em quilojoules, no deslocamento de $A$ até $B$?

A)−0,28
B)+0,28
C)−0,56
D)+0,56
E)−0,85

Resposta

A
Resolução

A partícula começa e termina em repouso; portanto, sua variação de energia cinética é nula. Pelo teorema trabalho–energia, a soma do trabalho da força elétrica com o trabalho externo deve ser zero: $W_e+W_{ext}=0$.

O trabalho da força elétrica depende apenas da diferença de potencial: $W_e=q_{part}(V_A-V_B)$. Com $q_{part}=-3{,}0\ \text{C}$, $V_A=6\ \text{V}$ e $V_B=100\ \text{V}$, $W_e=(-3)(6-100)=282\ \text{J}$.

Assim, $W_{ext}=-282\ \text{J}=-0{,}282\ \text{kJ}\approx-0{,}28\ \text{kJ}$. O deslocamento de $6\ \text{m}$ não entra no cálculo porque o campo conservativo já está descrito pelas equipotenciais.

Cuidado, armadilha! Uma carga negativa tem força elétrica no sentido oposto ao campo. Verifique primeiro o sinal da carga e da diferença de potencial para acertar o sinal do trabalho.

Alternativa correta: A

Q31
Ondulatória — Acústica — Doppler com observador em afastamento
Figura original da questão 31 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Um tubo de $1{,}0\ \text{m}$ de comprimento está aberto nas duas extremidades e em repouso. Seu terceiro harmônico é produzido e parte do som é captada pelo detector $D$, que se afasta em linha reta. Qual é a razão $v_D/v_s$ entre a velocidade do detector e a velocidade do som para que a frequência captada seja igual à frequência fundamental do tubo?

A)$1/3$
B)$1/2$
C)$3/5$
D)$3/4$
E)$2/3$

Resposta

E
Resolução

Em tubo aberto nas duas extremidades, as frequências de ressonância são múltiplas inteiras da fundamental. O terceiro harmônico tem frequência $f_3=3f_1$. A fonte sonora é o tubo, que permanece parado; somente o detector se afasta.

Para observador que se afasta de fonte parada, o efeito Doppler fornece $f_{obs}=f_{emitida}(v_s-v_D)/v_s$. Como o enunciado exige $f_{obs}=f_1$, substituímos $f_1=3f_1(1-v_D/v_s)$.

Dividindo ambos os lados por $3f_1$, temos $1/3=1-v_D/v_s$, logo $v_D/v_s=2/3$. O resultado menor que 1 é coerente com detector subsônico e redução da frequência observada.

Cuidado, armadilha! Não confunda movimento da fonte com movimento do observador. O sinal que reduz a frequência é o afastamento do detector.

Alternativa correta: E

Q32
Mecânica — Cinemática — Gráficos de velocidade e aceleração variável
Figura original da questão 32 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Uma partícula executa movimento ao longo de trajetória retilínea, representado pelos gráficos de velocidade × tempo e aceleração × tempo. Todas as unidades estão no Sistema Internacional. Identifique a classificação do movimento e as funções de posição, velocidade e aceleração correspondentes.

A)retrógrado / acelerado / $s(t)=2t^2-24t$ / $v(t)=4t^2-24$ / $a(t)=8t$
B)progressivo / desacelerado / $s(t)=2t^3-24t$ / $v(t)=5t^2-24$ / $a(t)=10t$
C)retrógrado / desacelerado / $s(t)=2t^3-24t$ / $v(t)=6t^2-24$ / $a(t)=12t$
D)progressivo / acelerado / $s(t)=2t^3-24t$ / $v(t)=6t^2-24$ / $a(t)=12t$
E)retrógrado / acelerado / $s(t)=2t^2-24t$ / $v(t)=6t^2-24$ / $a(t)=8t$

Resposta

C
Resolução

No trecho mostrado, a velocidade é negativa; a partícula se move no sentido retrógrado. Já a aceleração é positiva e cresce com o tempo. Como velocidade e aceleração têm sinais opostos, o módulo da velocidade diminui: o movimento é desacelerado.

O gráfico de aceleração é uma reta que passa por pontos compatíveis com $a(0{,}5)=6$ e $a(2)=24$, em unidades SI. A expressão compatível é $a(t)=12t$. O gráfico de velocidade começa em $-24\ \text{m/s}$ e se curva progressivamente para cima. A relação algébrica compatível com a aceleração é $v(t)=6t^2-24$.

A função horária de posição que corresponde a essa velocidade é $s(t)=2t^3-24t$, com origem escolhida como no item. Conferindo por variações algébricas entre instantes, o termo cúbico produz o termo quadrático na velocidade e, sucessivamente, a aceleração linear. Portanto, a descrição completa é a da alternativa C.

Cuidado, armadilha! Velocidade negativa não significa movimento acelerado. Para saber se a rapidez aumenta ou diminui, compare os sinais de velocidade e aceleração.

Alternativa correta: C

Q33
Eletricidade — Instrumentos elétricos — Amperímetro com resistor shunt
Figura original da questão 33 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Para que um galvanômetro ideal $G$, de resistência nula e corrente máxima $I_{Gm}$, seja utilizado como amperímetro de maior faixa de medição, utilizam-se resistências $R_S$ (shunt em paralelo com $G$) e $R_G$ (em série com $G$), conforme a figura. Quando o instrumento mede $I=50{,}5\ \text{A}$, o galvanômetro atinge a deflexão máxima, indicando $I_G=I_{Gm}=500\ \text{mA}$. Qual a razão $R_G/R_S$?

A)15,0
B)30,0
C)75,0
D)100
E)150

Resposta

D
Resolução

No circuito, os dois ramos compartilham os mesmos terminais: um contém o resistor shunt $R_S$, e o outro contém $R_G$ em série com o galvanômetro ideal. A corrente total se divide entre os dois ramos.

O galvanômetro transporta $I_G=0{,}500\ \text{A}$, enquanto a corrente no shunt é $I_S=I-I_G=50{,}5-0{,}5=50{,}0\ \text{A}$. Como o galvanômetro é ideal, a resistência de seu ramo é apenas $R_G$.

A diferença de potencial nos ramos é igual: $I_GR_G=I_SR_S$. Portanto, $R_G/R_S=I_S/I_G=50{,}0/0{,}500=100$. O valor maior em série protege o galvanômetro, ao passo que o shunt desvia quase toda a corrente.

Cuidado, armadilha! A razão das resistências é inversa à razão das correntes em ramos paralelos. Use $I_S=I-I_G$, não a corrente total diretamente.

Alternativa correta: D

Q34
Eletricidade — Eletrodinâmica — Carga por área do gráfico corrente-tempo
Figura original da questão 34 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Uma descarga atmosférica transfere cargas positivas da nuvem para o solo conforme o gráfico da corrente elétrica (em quiloampères) em função do tempo (em microssegundos). A descarga dura $60\ \mu\text{s}$ e atinge corrente máxima $32\ \text{kA}$. Qual é a carga total transferida, em coulombs?

A)1,9
B)1,4
C)0,96
D)0,26
E)0,13

Resposta

C
Resolução

Corrente elétrica é taxa de transporte de carga. Assim, a carga transferida é a área delimitada pelo gráfico $i\times t$. O desenho forma um triângulo, de base $60\ \mu\text{s}$ e altura $32\ \text{kA}$.

A área triangular corresponde a $Q=(1/2)\cdot(60\cdot10^{-6}\ \text{s})\cdot(32\cdot10^3\ \text{A})$. O fator numérico é $60\cdot32/2=960$, e o fator de potência é $10^{-3}$.

Portanto, $Q=0{,}960\ \text{C}$. Embora a subida até a corrente máxima dure apenas $8\ \mu\text{s}$, a área total continua triangular e usa a base completa de $60\ \mu\text{s}$.

Cuidado, armadilha! A corrente máxima não permanece constante durante a descarga. Multiplicar $32\ \text{kA}$ por $60\ \mu\text{s}$ calcula a área retangular e duplica o resultado.

Alternativa correta: C

Q35
Mecânica — Estática — Tombamento e equilíbrio de torques
Figura original da questão 35 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

A figura mostra a seção reta longitudinal de uma caçamba rígida com troncos de madeira, apoiada em plano inclinado de ângulo $\theta$ por dois pés separados por $D=3{,}0\ \text{m}$. O centro de massa fica a $h=1{,}0\ \text{m}$ do plano, equidistante dos contatos $A$ e $B$. O equilíbrio é mantido com calços. Desprezando o atrito, na iminência de tombamento ($N_B=0$), qual é $\tan\theta$?

A)2,0
B)1,5
C)$\sqrt3$
D)$\sqrt3/3$
E)0,50

Resposta

B
Resolução

No limite do tombamento, a reação no apoio $B$ se anula, e o contato $A$ passa a funcionar como eixo de rotação iminente. A condição de equilíbrio de rotação exige que a linha de ação do peso passe pelo apoio $A$; em forma equivalente, o torque líquido em torno de $A$ é zero.

A componente do peso perpendicular ao plano é $mg\cos\theta$, com braço horizontal ao longo da base $D/2$. A componente paralela ao plano é $mg\sin\theta$, com braço $h$ medido perpendicularmente à rampa. Os torques se equilibram quando $mg\cos\theta\ (D/2)=mg\sin\theta\ h$.

Cancelando $mg$ e reorganizando, $\tan\theta=D/(2h)=3{,}0/(2\cdot1{,}0)=1{,}5$. Assim, a alternativa correta é B.

Cuidado, armadilha! Na iminência do tombamento, não mantenha duas reações normais diferentes de zero. O segundo apoio perde contato, e o cálculo deve ser feito sobre o primeiro.

Alternativa correta: B

Q36
Mecânica — Oscilações — Velocidade máxima de pêndulo simples
Figura original da questão 36 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Um pêndulo oscila em movimento harmônico simples e tem posição angular $\theta(t)=(\pi/30)\operatorname{sen}(\omega t)$, em radianos. Sabendo que o comprimento é $L=2{,}5\ \text{m}$, $g=10\ \text{m/s}^2$ e a massa é $2{,}0\ \text{kg}$, qual é a velocidade linear, em m/s, ao passar pelo ponto mais baixo da trajetória? Considere $\pi=3$.

A)0,30
B)0,50
C)0,60
D)0,80
E)1,0

Resposta

B
Resolução

Na aproximação de pequenas oscilações, a coordenada angular é harmônica, com amplitude $\theta_{max}=\pi/30\ \text{rad}$. Ao passar pelo ponto inferior, o módulo da velocidade é máximo, porque ali a energia potencial gravitacional é mínima.

A frequência angular de um pêndulo simples é $\omega=\sqrt{g/L}=\sqrt{10/2{,}5}=2\ \text{rad/s}$. A amplitude linear do arco, para ângulos pequenos, é $A=L\theta_{max}=2{,}5\cdot\pi/30$.

No MHS, $v_{max}=\omega A=2\cdot2{,}5\cdot(3/30)=0{,}50\ \text{m/s}$. Observe que a massa não aparece na expressão final: para oscilações pequenas, o movimento ideal do pêndulo independe de $m$.

Cuidado, armadilha! A amplitude fornecida é angular. Antes de multiplicar por $\omega$, converta-a na amplitude linear $A=L\theta_{max}$.

Alternativa correta: B

Q37
Mecânica — Trabalho e energia — Potência do atrito e calor de fusão

Um bloco de gelo de $80{,}0\ \text{kg}$ desliza com velocidade constante $v$ sobre um plano inclinado de $30^\circ$. Em consequência do atrito, $20{,}0\ \text{g}$ de gelo derretem por minuto. Se o calor latente de fusão é $336\ \text{J/g}$, qual a velocidade do bloco em centímetros por segundo? Adote $g=10\ \text{m/s}^2$.

A)4,20
B)16,8
C)20,4
D)28,0
E)32,0

Resposta

D
Resolução

Como a rapidez na rampa é constante, a resultante paralela ao plano é nula. Portanto, o atrito cinético equilibra a componente do peso: $F_{at}=mg\operatorname{sen}30^\circ=80\cdot10\cdot(1/2)=400\ \text{N}$.

O calor gerado pelo atrito em um minuto é usado na fusão de $20\ \text{g}$ de gelo. Seu valor é $Q=m_f L_f=20\cdot336=6720\ \text{J}$. A potência média de aquecimento é $P=Q/\Delta t=6720/60=112\ \text{W}$.

A potência dissipada por força de atrito de módulo constante é $P=F_{at}v$. Daí, $v=112/400=0{,}28\ \text{m/s}=28{,}0\ \text{cm/s}$.

Cuidado, armadilha! A quantidade de gelo derretido é massa transformada por minuto, não por segundo. Converta o intervalo de tempo antes de obter a potência.

Alternativa correta: D

Q38
Mecânica — Gravitação — Energia gravitacional de três partículas
Figura original da questão 38 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Três partículas de massa $m$ ocupam os vértices de um triângulo equilátero inscrito em circunferência de raio $R$. A energia potencial gravitacional inicial do sistema é $U_0$, com referência nula no infinito. Se o raio é reduzido à metade mantendo-se a forma, qual a razão $\Delta U/U_0$?

A)$1/2$
B)$\sqrt3/2$
C)1
D)$\sqrt3$
E)2

Resposta

C
Resolução

A energia potencial gravitacional de um par de massas iguais separado por $L$ é $-Gm^2/L$. Como há três pares distintos no triângulo equilátero, a energia total inicial é $U_0=-3Gm^2/L$, com $L$ proporcional ao raio $R$ da circunferência circunscrita.

Ao reduzir o raio para $R/2$, todos os comprimentos do triângulo também ficam reduzidos à metade, inclusive a distância entre cada par: $L_f=L/2$. Cada energia potencial de par passa a valer o dobro da inicial, logo $U_f=2U_0$.

A variação é $\Delta U=U_f-U_0=2U_0-U_0=U_0$. Assim, $\Delta U/U_0=1$. Como $U_0<0$, a variação também é negativa: o sistema fica gravitacionalmente mais ligado.

Cuidado, armadilha! Não confunda a razão $U_f/U_0=2$ com a razão pedida $\Delta U/U_0=1$.

Alternativa correta: C

Q39
Mecânica — Dinâmica — Aceleração relativa em elevador

Uma cabine de elevador de massa $M$ é puxada para cima por um cabo quando, de seu teto, desprende-se um pequeno parafuso. O módulo da aceleração relativa do parafuso em relação à cabine é $4g/5$. Qual é a razão $T/P$ entre a tração no cabo e o peso da cabine?

A)$1/2$
B)$2/3$
C)$3/4$
D)$4/5$
E)1

Resposta

D
Resolução

O parafuso, após se soltar, move-se em queda livre, sob aceleração $-g$ (positivo para cima). Já a cabine está submetida à tração $T$ para cima e ao peso $Mg$ para baixo. Sua aceleração obedece a $Ma_c=T-Mg$.

A aceleração relativa do parafuso em relação à cabine é $a_{rel}=a_p-a_c=-g-(T/M-g)=-T/M$. O módulo dessa aceleração é, portanto, $|a_{rel}|=T/M$.

O enunciado fornece $T/M=4g/5$, isto é, $T=4Mg/5$. Como o peso da cabine é $P=Mg$, a razão $T/P=4/5$.

Cuidado, armadilha! A aceleração relativa não é simplesmente a gravidade $g$, pois a cabine também acelera. Subtraia as duas acelerações com sinais consistentes.

Alternativa correta: D

Q40
Ondulatória — Fenômenos ondulatórios — Difração em abertura circular
Figura original da questão 40 do CPAEN/2018, prova amarela, Física

Duas ondas planas, uma de luz visível e outra de som audível, têm comprimentos de onda $\lambda_L=10^{-4}\ \text{cm}$ e $\lambda_s=1{,}7\ \text{cm}$, respectivamente. Ambas incidem perpendicularmente sobre um anteparo plano opaco à luz e bom absorvedor acústico, atravessando um orifício circular de diâmetro $d$. O que se pode afirmar sobre a propagação do outro lado do anteparo?

A)Apenas o som é detectado se $d\ll1{,}7\ \text{cm}$, devido à difração.
B)Apenas a luz é detectada se $d\ll1{,}7\ \text{cm}$, devido à refração.
C)As duas ondas se propagam aproximadamente em linha reta se $d\gg1{,}7\ \text{cm}$.
D)As duas ondas se propagam aproximadamente como frentes esféricas se $d\gg1{,}7\ \text{cm}$.
E)Nenhuma das duas ondas pode apresentar frente plana.

Resposta

C
Resolução

A difração torna-se pronunciada quando a dimensão da abertura é comparável ao comprimento de onda. Quando a abertura é muito maior que $\lambda$, a região central do feixe preserva aproximadamente a propagação retilínea prevista pela óptica geométrica.

A onda sonora tem comprimento de onda muito maior: $\lambda_s=1{,}7\ \text{cm}$, enquanto $\lambda_L=10^{-4}\ \text{cm}$. Se $d\gg1{,}7\ \text{cm}$, necessariamente $d$ também é muito maior que o comprimento de onda da luz. Portanto, para as duas ondas a difração é pequena.

Nessas condições, ambas atravessam a abertura e propagam-se aproximadamente de modo retilíneo na região de observação. A conclusão é a alternativa C.

Cuidado, armadilha! Uma abertura pequena em relação ao som pode ainda ser enorme em relação à luz. Para comparar difração de ondas diferentes, use a razão $d/\lambda$ de cada uma.

Alternativa correta: C

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