TEF-AUDIT: EN 2020 | AUDITADO | 2026-10-09 | ESCOPO: Física 01-20 Prova Escola Naval 2020 — Física com Gabarito e Resolução
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EN 2020 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Marinha do Brasil

CPAEN/2019 · 2º Dia, Prova Amarela · Física (Q01–Q20) — resolução comentada Método TEF.

Q01
Mecânica — Cinemática vetorial — Interceptação em coordenadas tridimensionais
Figura original da questão 01 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Uma aeronave de patrulha $A$ segue, com velocidade escalar constante $V_A$, rumo ao ponto $P$ para interceptar outra aeronave $B$, que mantém altitude e velocidade escalar constantes. Inicialmente, $B$ encontra-se $1{,}00\ \text{km}$ ao norte (sentido positivo do eixo $x$) e $2{,}00\ \text{km}$ acima de $A$. Sabendo que $B$ percorre $5{,}00\ \text{km}$ em $30{,}0\ \text{s}$ antes de ser interceptada em $P$, qual é a diferença $V_A-V_B$, em $\text{km/h}$?

A)450
B)300
C)150
D)120
E)90,0

Resposta

D
Resolução

As duas aeronaves chegam ao ponto de encontro $P$ no mesmo instante. Logo, ambas percorrem seus trajetos em $30\ \text{s}$, embora as distâncias sejam diferentes. A chave é usar as dimensões do gráfico tridimensional para determinar a distância de $A$ a $P$.

A aeronave $B$ percorre $5{,}0\ \text{km}$, então $V_B=5/(30/3600)=600\ \text{km/h}$. Pela geometria espacial indicada na figura, o segmento retilíneo percorrido por $A$ até $P$ vale $6{,}0\ \text{km}$. Assim, $V_A=6/(30/3600)=720\ \text{km/h}$.

A diferença solicitada é $V_A-V_B=720-600=120\ \text{km/h}$. Os valores são consistentes com o fato de $A$ percorrer uma distância maior no mesmo tempo.

Cuidado, armadilha! Não use diretamente o deslocamento de $B$ para a aeronave $A$. O trajeto de cada uma é um segmento distinto da geometria tridimensional.

Alternativa correta: D

Q02
Mecânica — Dinâmica — Movimento circular e conservação da energia
Figura original da questão 02 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Um pequeno bloco de massa $m$, inicialmente em repouso em $A$, desliza sem atrito pela trajetória semicircular $ADB$ de raio $r$. Sendo $g$ a aceleração da gravidade, qual é o módulo da força exercida pela superfície sobre o bloco ao passar por $C$, em função do ângulo $\alpha$ indicado na figura?

A)$mg\operatorname{sen}\alpha/2$
B)$mg\cos\alpha/2$
C)$mg\cos\alpha$
D)$2mg\operatorname{sen}\alpha$
E)$3mg\operatorname{sen}\alpha$

Resposta

E
Resolução

Do ponto $A$ ao ponto $C$, o bloco perde altura e ganha energia cinética. Pelo desenho, a queda vertical é $h=r\operatorname{sen}\alpha$, pois $\alpha$ mede o ângulo entre o raio até $C$ e a horizontal.

Sem atrito e com velocidade inicial nula, $mgh=mv^2/2$. Logo, $v_C^2=2gr\operatorname{sen}\alpha$. Na direção radial voltada para o centro $O$, a normal aponta para o centro, enquanto a componente do peso nesse eixo aponta para fora com módulo $mg\operatorname{sen}\alpha$.

Aplicando a segunda lei na direção radial, $N-mg\operatorname{sen}\alpha=mv_C^2/r=2mg\operatorname{sen}\alpha$. Portanto, $N=3mg\operatorname{sen}\alpha$.

Cuidado, armadilha! A normal não é simplesmente igual ao peso ou à componente radial do peso. Ela também deve fornecer a força centrípeta necessária.

Alternativa correta: E

Q03
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Lei de Lenz e aproximação ímã–bobina
Figura original da questão 03 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Cada uma das figuras mostra uma bobina de $200$ espiras e um ímã cujos polos estão alinhados com o eixo central da bobina. Analise as situações e assinale a opção correta para o sentido da corrente elétrica induzida (setas $A$ e $B$ indicadas nas figuras).

A)Se na figura 1 o ímã se aproximar da bobina, surgirá corrente induzida com sentido B.
B)Se na figura 2 o ímã se afastar da bobina, surgirá corrente induzida com sentido B.
C)Se na figura 1 o ímã se aproximar ou se afastar, a corrente induzida terá sempre sentido B.
D)Se na figura 2 a bobina se aproximar do ímã, surgirá corrente induzida com sentido B.
E)O movimento do ímã não induz corrente; só uma fonte de energia elétrica pode fazê-lo.

Resposta

D
Resolução

A corrente induzida aparece quando o fluxo magnético atravessando a bobina varia. Seu sentido é determinado pela lei de Lenz: o campo criado pela bobina deve se opor à variação de fluxo responsável pela indução, e não necessariamente ao campo magnético do ímã.

Na figura 2, o polo mais próximo da bobina é o polo sul. Aproximar a bobina desse polo aumenta o fluxo associado ao ímã. A bobina reage formando, na face voltada ao ímã, a polaridade necessária para repelir a aproximação, conforme a regra da mão direita.

Seguindo o sentido das setas do desenho para essa polaridade, a corrente percorre a bobina no sentido indicado por $B$. Assim, a situação descrita na alternativa D é a correta.

Cuidado, armadilha! Aproximação e afastamento produzem variações opostas do fluxo; por isso, não podem gerar sempre corrente no mesmo sentido.

Alternativa correta: D

Q04
Termologia — Calorimetria — Resfriamento e solidificação da água

Uma esfera homogênea de raio $R$ e densidade $2{,}7\ \text{g/cm}^3$, com calor específico $0{,}2\ \text{cal/(g}\cdot{}^\circ\text{C)}$, encontra-se a $-100^\circ\text{C}$. A esfera é colocada em reservatório termicamente isolado, de capacidade térmica desprezível, que contém $0{,}1\ \text{L}$ de água a $0^\circ\text{C}$. Qual o raio mínimo $R$, em centímetros, para que toda a água congele? Dados: densidade da água $1{,}0\ \text{g/cm}^3$ e calor latente de fusão $80\ \text{cal/g}$.

A)8,4
B)6,2
C)4,7
D)3,3
E)1,5

Resposta

D
Resolução

Para congelar toda a água a $0^\circ\text{C}$, ela precisa ceder seu calor latente de solidificação. O volume de água é $0{,}1\ \text{L}=100\ \text{cm}^3$, correspondendo a massa de $100\ \text{g}$. O calor liberado é $Q=100\cdot80=8000\ \text{cal}$.

A esfera fria pode absorver calor ao aquecer de $-100^\circ\text{C}$ até $0^\circ\text{C}$. Para sua massa $M$ em gramas, $Q_{abs}=Mc\Delta T=M\cdot0{,}2\cdot100=20M$. No limite mínimo, $20M=8000$, portanto $M=400\ \text{g}$.

A densidade da esfera fornece o volume: $V=M/\rho=400/2{,}7\approx148{,}15\ \text{cm}^3$. Usando $V=4\pi R^3/3$, obtemos $R^3=3(148{,}15)/(4\pi)\approx35{,}4$ e $R\approx3{,}3\ \text{cm}$.

Cuidado, armadilha! A água está inicialmente a $0^\circ\text{C}$; não há calor sensível para retirar antes da solidificação. No raio mínimo, a esfera chega justamente a $0^\circ\text{C}$.

Alternativa correta: D

Q05
Eletricidade — Eletrostática — Velocidade orbital e velocidade de escape elétrica

Uma esfera isolante de raio $R$, com carga $Q$ uniformemente distribuída sobre a superfície, permanece fixa. A uma distância $R$ da superfície, uma partícula de carga $-q$ e massa $m$ executa movimento circular uniforme ao redor do centro da esfera, sob ação exclusiva da interação elétrica. Sendo $k_0$ a constante eletrostática, qual deve ser o acréscimo de velocidade imposto à partícula para que escape da atração elétrica?

A)$0{,}9\sqrt{\dfrac{k_0Qq}{mR}}$
B)$0{,}7\sqrt{\dfrac{k_0Qq}{mR}}$
C)$0{,}5\sqrt{\dfrac{k_0Qq}{mR}}$
D)$0{,}3\sqrt{\dfrac{k_0Qq}{mR}}$
E)$0{,}1\sqrt{\dfrac{k_0Qq}{mR}}$

Resposta

ANULADA
Resolução

A partícula está a uma distância $R$ da superfície, logo seu raio orbital medido desde o centro é $r=2R$. Pela simetria da carga esférica, a força fora da esfera tem o mesmo módulo que teria uma carga pontual central.

Para órbita circular, $mv_c^2/r=k_0Qq/r^2$, então $v_c=\sqrt{k_0Qq/(2mR)}$. A velocidade de escape, obtida ao impor energia mecânica final nula no infinito, satisfaz $mv_e^2/2=k_0Qq/r$, de modo que $v_e=\sqrt{2}\ v_c$.

Se o acréscimo for tangencial à velocidade orbital, o mínimo é $\Delta v=v_e-v_c=(\sqrt2-1)\sqrt{k_0Qq/(2mR)}\approx0{,}293\sqrt{k_0Qq/(mR)}$, próximo do coeficiente $0{,}3$ da alternativa D. Entretanto, esta questão consta como ANULADA no gabarito definitivo da banca; o resultado anterior é uma análise do modelo físico, não um gabarito oficial válido.

Cuidado, armadilha! A velocidade de escape não é igual ao acréscimo necessário, pois a partícula já possui velocidade orbital. A questão foi oficialmente anulada; não apresente a alternativa D como gabarito vigente.

Questão anulada oficialmente; veja a análise físico-matemática.

Q06
Mecânica — Hidrostática — Empuxo em corpo compressível

Uma esfera de superfície impermeável possui volume inversamente proporcional à pressão hidrostática local: $V(p)=k/p$, com $k=10^5\ \text{N}\cdot\text{m}$ e $p$ em pascals. Mergulhada no mar, a esfera atinge equilíbrio numa região onde a densidade da água é $1{,}05\ \text{g/cm}^3$ e a pressão hidrostática é $52{,}5\ \text{MPa}$. Qual a massa da esfera, em quilogramas?

A)2,00
B)1,05
C)0,85
D)0,53
E)0,25

Resposta

A
Resolução

Como a esfera permanece em equilíbrio imersa, o empuxo equilibra o peso. Pelo princípio de Arquimedes, $mg=\rho_{agua}gV$, ou $m=\rho_{agua}V$. É necessário primeiro determinar o volume na pressão indicada.

Substituindo em $V=k/p$, com $p=52{,}5\cdot10^6\ \text{Pa}$, temos $V=10^5/(52{,}5\cdot10^6)=1/525\ \text{m}^3\approx0{,}001905\ \text{m}^3$. A densidade $1{,}05\ \text{g/cm}^3$ equivale a $1050\ \text{kg/m}^3$.

Logo, $m=1050\cdot(1/525)=2{,}00\ \text{kg}$. O valor já utiliza o volume comprimido na profundidade de equilíbrio, não o volume que a esfera teria na superfície.

Cuidado, armadilha! Pressão em MPa e densidade em g/cm³ precisam ser convertidas antes de calcular a massa em quilogramas.

Alternativa correta: A

Q07
Ondulatória — Acústica — Amplitude de onda esférica e distância

Uma fonte sonora puntiforme emite ondas harmônicas e esféricas em um meio homogêneo e isotrópico. A distâncias $d_1$ e $d_2$ da fonte, as amplitudes da onda são $a_1$ e $a_2$, respectivamente. Sabendo que $a_2=3a_1$, qual é a razão $d_1/d_2$?

A)$1/9$
B)$1/3$
C)1
D)3
E)9

Resposta

D
Resolução

Uma fonte puntiforme isotrópica distribui sua energia por superfícies esféricas de área proporcional a $r^2$. Por conservação da potência emitida, a intensidade acústica cai na proporção $1/r^2$.

Como a intensidade é proporcional ao quadrado da amplitude da onda, a amplitude decai como $a\propto1/r$. Assim, $a_1/a_2=d_2/d_1$.

O enunciado diz $a_2=3a_1$, portanto $a_2/a_1=3=d_1/d_2$. A segunda posição está três vezes mais próxima da fonte que a primeira.

Cuidado, armadilha! Amplitude varia como $1/r$, mas intensidade varia como $1/r^2$. Usar a relação de intensidade diretamente na razão de amplitudes leva a 9, em vez de 3.

Alternativa correta: D

Q08
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência de motor em circuito com pane
Figura original da questão 08 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Um drone quadcóptero sofre avaria que anula a corrente elétrica de um de seus quatro motores idênticos. Medições no circuito de alimentação, mostrado na figura, indicam que, em relação aos valores antes da pane ($V_0$ e $I$), a diferença de potencial $V'_0$ é $20\%$ maior, enquanto a corrente $I'$ em duas das quatro baterias, de fem $\varepsilon$ e resistência interna $r$, é $40\%$ menor. Nessas condições, de quanto variou, percentualmente, a potência elétrica fornecida ao motor entre os terminais $a$ e $b$?

A)−36%
B)−12%
C)+12%
D)+36%
E)+44%

Resposta

E
Resolução

Os motores são idênticos e representados no modelo elétrico por elementos de mesma resistência efetiva. Para o motor situado entre $a$ e $b$, queremos comparar a potência antes e depois da pane. A tensão em seus terminais aumenta $20\%$, ou seja, $V'_0=1{,}20V_0$.

Para uma resistência $R_M$ que não muda, a potência elétrica recebida é $P=V_0^2/R_M$. Depois da pane, $P'=(V'_0)^2/R_M=(1{,}20)^2V_0^2/R_M=1{,}44P$.

Logo, $\Delta P/P=(P'-P)/P=1{,}44-1=0{,}44=44\%$. A variação é positiva e corresponde à alternativa E.

Cuidado, armadilha! A corrente de algumas baterias não é necessariamente a corrente do motor entre $a$ e $b$. Não combine automaticamente a redução de $I' $ com a tensão $V'_0$ do motor.

Alternativa correta: E

Q09
Mecânica — Hidrostática — Reação do empuxo em balança
Figura original da questão 09 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Uma balança de dois pratos, inicialmente equilibrada por um peso $P$ contra um recipiente cheio de água, de densidade $\rho_a$, recebe depois um cubo de aresta $a$ e densidade $\rho_c$ que é mergulhado inteiramente na água, suspenso por um fio externo e sem tocar o fundo do recipiente. Que massa deve ser adicionada ao outro prato para restabelecer o equilíbrio?

A)$\rho_ca^3$
B)$\dfrac{\rho_c-\rho_a}{2}a^3$
C)$\rho_aa^3$
D)$(\rho_c+\rho_a)a^3$
E)$(\rho_c-\rho_a)a^3$

Resposta

C
Resolução

O cubo não está apoiado no fundo, e seu peso é sustentado pelo fio externo. Por isso, o recipiente não recebe o peso inteiro do cubo. O que a água recebe é a reação à força de empuxo que exerce sobre o corpo.

Como o cubo de aresta $a$ está inteiramente submerso, desloca volume $V=a^3$. O empuxo é $E=\rho_a ga^3$. Pela terceira lei de Newton, o cubo exerce força vertical para baixo de mesmo módulo sobre a água, aumentando a carga no prato.

Para equilibrar novamente a balança, adiciona-se ao outro prato uma massa $m_{ad}$ cujo peso iguala essa força: $m_{ad}g=\rho_a ga^3$. Portanto, $m_{ad}=\rho_aa^3$.

Cuidado, armadilha! Como o fio está preso fora do prato, a densidade do cubo não determina o acréscimo de carga da balança. A grandeza decisiva é o empuxo do líquido.

Alternativa correta: C

Q10
Mecânica — Dinâmica — Máquina de Atwood com atrito no orifício
Figura original da questão 10 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Dois blocos $A$ e $B$, de massas $m$ e $3m$, estão ligados por uma corda ideal passando por uma polia sem atrito e por um orifício $O$. O orifício aplica à corda uma força de atrito constante $F$. Sabendo que o sistema acelera com módulo $g/3$, determine o módulo de $F$.

A)$mg/3$
B)$2mg/3$
C)$mg/2$
D)$mg$
E)$2mg$

Resposta

B
Resolução

O bloco de massa $3m$ desce e o de massa $m$ sobe. A diferença entre os pesos é a força motriz, mas parte dessa força é compensada pelo atrito que atua na passagem da corda pelo orifício.

Considerando os dois blocos como um único sistema, as forças internas de tração se cancelam. Na direção do movimento, a segunda lei fornece $(3m-m)g-F=(3m+m)a$.

Substituindo $a=g/3$, resulta $2mg-F=4m(g/3)$. Portanto, $F=2mg-4mg/3=2mg/3$. O resultado é positivo e menor que a diferença dos pesos, como esperado.

Cuidado, armadilha! O atrito na passagem da corda não deve ser contado duas vezes. Ao considerar os blocos conjuntamente, use somente a força dissipativa resultante $F$.

Alternativa correta: B

Q11
Mecânica — Estática — Equilíbrio em plano inclinado com duas polias
Figura original da questão 11 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

A figura representa um plano inclinado de ângulo $\theta$ com duas polias ideais fixas. O trecho de fio 1 é horizontal e o trecho de fio 2 é paralelo ao plano. Os fios são ideais e não há atrito. Sabendo que os blocos $A$ e $B$ têm o mesmo peso $P$, qual deve ser o peso do bloco $C$ para que o sistema permaneça em equilíbrio?

A)$P(\operatorname{sen}\theta+\cos\theta)$
B)$P(\operatorname{sen}\theta-\cos\theta)$
C)$2P\operatorname{sen}\theta$
D)$2P\cos\theta$
E)$\dfrac P2(\operatorname{sen}\theta+\cos\theta)$

Resposta

A
Resolução

Os blocos pendurados $B$ e $C$ estão em equilíbrio, logo as tensões nos respectivos fios são iguais aos seus pesos: $T_1=P$ e $T_2=P_C$. Para o bloco $A$, devemos projetar as forças na direção paralela ao plano inclinado.

A componente do peso de $A$ para baixo da rampa tem módulo $P\operatorname{sen}\theta$. O fio 1 puxa horizontalmente para a esquerda; sua componente paralela ao plano e dirigida para baixo da rampa vale $T_1\cos\theta=P\cos\theta$.

O fio 2 puxa para cima da rampa com força $T_2=P_C$. Equilibrando a direção tangencial, $P_C=P\operatorname{sen}\theta+P\cos\theta=P(\operatorname{sen}\theta+\cos\theta)$.

Cuidado, armadilha! A tração horizontal não tem componente $P\operatorname{sen}\theta$ ao longo da rampa: seu componente tangencial é $P\cos\theta$.

Alternativa correta: A

Q12
Ondulatória — Acústica — Doppler de fonte sonora em afastamento

Uma fonte sonora emite som de frequência $f$ e move-se em relação a um observador fixo. O observador percebe frequência $f/2$. Complete corretamente: a fonte se ________ do observador com ________.

A)aproxima / o dobro da velocidade do som
B)aproxima / metade da velocidade do som
C)afasta / metade da velocidade do som
D)aproxima / velocidade igual à velocidade do som
E)afasta / velocidade igual à velocidade do som

Resposta

E
Resolução

A frequência observada é menor que a emitida. Para fonte sonora móvel e observador parado, essa redução caracteriza fonte em afastamento: as frentes de onda chegam com maior intervalo de tempo entre si.

A fórmula de Doppler nesse caso é $f_{obs}=f\ v_s/(v_s+v_f)$, em que $v_s$ é a velocidade do som e $v_f$ a velocidade da fonte que se afasta. Substituindo $f_{obs}=f/2$, obtemos $1/2=v_s/(v_s+v_f)$.

Multiplicando em cruz, $v_s+v_f=2v_s$, logo $v_f=v_s$. Portanto, a fonte se afasta do observador com velocidade igual à do som.

Cuidado, armadilha! A expressão para fonte que se aproxima tem sinal oposto no denominador. Esse movimento elevaria a frequência, não a reduziria à metade.

Alternativa correta: E

Q13
Eletricidade — Eletrostática — Contato de esferas e equilíbrio eletrostático
Figura original da questão 13 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Duas pequenas esferas condutoras idênticas, cada uma de massa $m$, inicialmente neutras, estão suspensas por fios ideais e mantidas separadas. Uma das esferas é eletrizada com carga $-q$ e o sistema é liberado. Após curto intervalo, as esferas atingem repouso separadas por distância $x$, formando ângulo $\theta$ com a vertical. Sendo $k$ a constante elétrica e $g$ a gravidade local, qual é $\tan\theta$ na posição final?

A)$\dfrac{k}{mg}\left(\dfrac{2q}{x}\right)^2$
B)$\dfrac{k}{mg}\left(\dfrac{q}{2x}\right)^2$
C)$\dfrac{k}{mg}\left(\dfrac{q}{x}\right)^2$
D)$\dfrac{2k}{mg}\left(\dfrac{2q}{x}\right)^2$
E)$\dfrac{k}{2mg}\left(\dfrac{q}{x}\right)^2$

Resposta

B
Resolução

As esferas são condutoras e idênticas. Ao serem liberadas, a atração inicial entre a carregada e a neutra promove contato; a carga total $-q$ passa a ser dividida igualmente. Assim, após o contato, cada esfera possui carga $-q/2$ e as duas passam a se repelir.

A repulsão elétrica a distância $x$ tem módulo $F_e=k|q_1q_2|/x^2=k(q/2)^2/x^2=kq^2/(4x^2)$. Em cada pêndulo, o equilíbrio vertical exige $T\cos\theta=mg$; no sentido horizontal, $T\operatorname{sen}\theta=F_e$.

Dividindo as equações, $\tan\theta=F_e/(mg)=\dfrac{k}{mg}\left(\dfrac{q}{2x}\right)^2$. A expressão corresponde à alternativa B.

Cuidado, armadilha! A carga inicial não permanece concentrada em uma única esfera depois do contato. O produto das cargas finais traz o fator $1/4$.

Alternativa correta: B

Q14
Óptica — Óptica geométrica — Reflexão total em fibra de múltiplas camadas
Figura original da questão 14 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Um raio luminoso parte do ponto $O$, no eixo central de uma fibra óptica cilíndrica de raio $R$, constituída por duas camadas concêntricas. Os índices são $n_0$ (camada interna), $n_1=1{,}4$ (camada intermediária) e $n_2=1{,}0$ (ar externo). Para que o raio possa sofrer reflexão interna total na interface com o ar, qual par entre ângulo inicial $\theta_0$ (conforme a figura) e índice $n_0$ é possível?

A)$30^\circ$ e $1{,}3$
B)$30^\circ$ e $2{,}0$
C)$45^\circ$ e $1{,}7$
D)$60^\circ$ e $1{,}5$
E)$60^\circ$ e $1{,}7$

Resposta

B
Resolução

A reflexão total só ocorre quando a onda incide na interface de um meio de maior índice para outro de menor índice e seu ângulo de incidência supera (ou, no limite crítico, iguala) o ângulo crítico. Para a interface $n_1\to n_2$, a condição-limite é $\operatorname{sen}\theta_c=n_2/n_1=1/1{,}4$.

O ângulo representado na figura é definido em relação às normais das interfaces da fibra; é necessário analisar a trajetória nas duas camadas, preservando a refração nas interfaces. Pela lei de Snell, a grandeza $n\operatorname{sen}\theta$ permanece relacionada em cada passagem plana, respeitando a normal local.

Com interfaces aproximadamente paralelas, Snell fornece $n_0\operatorname{sen}\theta_0=n_1\operatorname{sen}\theta_1$. Para que a passagem de $n_1$ para o ar fique no limite de reflexão total, exige-se $n_1\operatorname{sen}\theta_1\ge n_2=1$. Entre os menores ângulos oferecidos ($30^\circ$), o par com $n_0=1{,}3$ dá $1{,}3\cdot0{,}5=0{,}65$, insuficiente, enquanto o par com $n_0=2{,}0$ dá $2{,}0\cdot0{,}5=1$, a condição crítica-limite. Assim, o menor ângulo proposto compatível com a condição-limite é $30^\circ$ com $n_0=2{,}0$ (B). O critério estrito de reflexão total exige incidência superior ao limite crítico.

Cuidado, armadilha! A lei de Snell deve usar ângulos em relação à normal de cada superfície. A orientação da normal muda conforme a interface do desenho.

Alternativa correta: B

Q15
Termologia — Termodinâmica — Compressão isotérmica de gás ideal
Figura original da questão 15 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Um mol de gás ideal monoatômico, no estado inicial $(P_A,V_A,T_A)$, deve ter pressão dobrada e volume reduzido à metade, atingindo o estado $B$. O processo 1 é isotérmico e o gás cede ao ambiente calor $Q_1$; no processo 2, a curva $AB$ é retilínea e o calor cedido é $Q_2=Q_1/0{,}92$. Sendo $R$ a constante dos gases ideais, $RT_A=U_0$ e $W_1$ o trabalho realizado sobre o gás no processo 1, quanto vale $W_1/U_0$?

A)0,90
B)0,75
C)0,69
D)0,50
E)0,32

Resposta

C
Resolução

No estado $B$, a pressão dobra e o volume cai à metade, de modo que o produto $PV$ fica igual. Para um mol de gás ideal, $PV=RT$; portanto, a temperatura final é a mesma do estado inicial. O processo 1 é isotérmico, como informado.

O trabalho sobre o gás em compressão isotérmica reversível é $W_1=nRT_A\ln(V_A/V_B)$. Como $n=1$ e $V_B=V_A/2$, resulta $W_1=RT_A\ln2$.

O denominador é $U_0=RT_A$, logo $W_1/U_0=\ln2\approx0{,}693\approx0{,}69$. O dado adicional sobre o processo retilíneo não é necessário para a razão pedida.

Cuidado, armadilha! O trabalho é realizado sobre o gás e, na compressão, tem módulo positivo. Não use o calor do processo 2 para responder ao processo 1.

Alternativa correta: C

Q16
Mecânica — Gravitação — Gravidade superficial e escalas planetárias

A aceleração da gravidade ao nível do mar na Terra vale aproximadamente $9{,}8\ \text{m/s}^2$. Na superfície de Plutão, cuja massa é $0{,}20\%$ da massa da Terra e cujo raio é $80\%$ menor que o da Terra, qual é a aceleração da gravidade, em $\text{m/s}^2$?

A)0,98
B)0,61
C)0,49
D)0,28
E)0,12

Resposta

C
Resolução

A intensidade da gravidade na superfície de um planeta esférico é proporcional à sua massa e inversamente proporcional ao quadrado do raio: $g=GM/R^2$. Para comparar planetas, basta formar uma razão.

A massa de Plutão corresponde a $0{,}20\%=0{,}002$ da massa terrestre. Seu raio é $80\%$ menor; logo, o raio restante é $20\%=0{,}20$ do terrestre. Assim, $g_P/g_T=0{,}002/(0{,}20)^2=0{,}002/0{,}040=0{,}050$.

Portanto, $g_P=0{,}050\cdot9{,}8=0{,}49\ \text{m/s}^2$.

Cuidado, armadilha! “80% menor” significa que sobra 20% do raio, não 80%. E o raio aparece ao quadrado na fórmula gravitacional.

Alternativa correta: C

Q17
Mecânica — Oscilações — Mola vertical e impulso inicial
Figura original da questão 17 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

O sistema massa–mola vertical mostrado parte do equilíbrio estático, com bloco de massa $m$ e mola de constante elástica $k$. Um projétil de massa desprezível atinge o bloco e nele se aloja, produzindo oscilação harmônica de frequência angular $\omega$. O ponto mais alto atingido coincide com a posição de comprimento natural da mola. Qual a velocidade $v'$ imediatamente após a colisão e qual a amplitude da oscilação?

A)$v'=g(2-m)\sqrt{m/k}$ e $A=g/\omega^2$
B)$v'=g(2-m)\sqrt{m/k}$ e $A=\omega^2g/k^2$
C)$v'=g\sqrt{m/k}(2-m)$ e $A=g/\omega^2$
D)$v'=g\sqrt{m/k}(2-m)$ e $A=\omega^2g/k^2$
E)$v'=g\sqrt{m/k}$ e $A=g/\omega^2$

Resposta

E
Resolução

No equilíbrio estático, o peso do bloco é compensado pela força elástica: $kx_e=mg$. Portanto, a deformação da mola em equilíbrio é $x_e=mg/k$. Como $\omega^2=k/m$, também escrevemos $x_e=g/\omega^2$.

Após a colisão, o sistema oscila em torno desse equilíbrio. O ponto mais alto coincide com o comprimento natural da mola, situado exatamente $x_e$ acima do equilíbrio. Assim, a amplitude do MHS é $A=x_e=g/\omega^2$.

O choque ocorre na posição de equilíbrio, onde a velocidade do MHS é máxima. Pela troca entre energia cinética máxima e energia potencial elástica associada à oscilação, $\tfrac12 mv'^2=\tfrac12kA^2$. Resulta $v'=\omega A=g/\omega=g\sqrt{m/k}$.

Cuidado, armadilha! A amplitude é medida a partir da nova posição de equilíbrio, não a partir do comprimento natural da mola. A massa do projétil é desprezível, então a frequência permanece $\sqrt{k/m}$.

Alternativa correta: E

Q18
Mecânica — Cinemática — Velocidade média no movimento circular uniforme
Figura original da questão 18 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Uma partícula $P$ move-se no plano $xy$ com velocidade escalar constante sobre uma circunferência de raio $r=5\ \text{m}$, completando uma volta a cada $20\ \text{s}$. Em $t=0$ ela passa pela origem do sistema. Qual o módulo da velocidade média, em m/s, entre os instantes $2{,}5\ \text{s}$ e $7{,}5\ \text{s}$?

A)$\dfrac{\sqrt2}{10}$
B)$\dfrac{\sqrt2}{5}$
C)$\dfrac{2\sqrt2}{5}$
D)$\dfrac{3\sqrt2}{5}$
E)$\sqrt2$

Resposta

E
Resolução

A velocidade média vetorial é deslocamento dividido pelo intervalo de tempo, e não distância percorrida dividida por tempo. Entre $t_1=2{,}5\ \text{s}$ e $t_2=7{,}5\ \text{s}$ transcorrem $5{,}0\ \text{s}$, um quarto do período de $20\ \text{s}$.

Durante um quarto de volta, o ângulo central entre as posições inicial e final do intervalo é $90^\circ$. O deslocamento é uma corda que liga dois pontos separados por um ângulo reto. Seu módulo é $\Delta r=\sqrt{r^2+r^2}=r\sqrt2=5\sqrt2\ \text{m}$.

Portanto, $|\vec v_m|=\Delta r/\Delta t=5\sqrt2/5=\sqrt2\ \text{m/s}$. Esse valor é menor que a rapidez instantânea $2\pi r/T$, como esperado para movimento curvilíneo.

Cuidado, armadilha! A velocidade média vetorial usa a corda entre os pontos, não o comprimento do arco percorrido.

Alternativa correta: E

Q19
Ondulatória — Ondas estacionárias — Densidade linear e segundo harmônico
Figura original da questão 19 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Uma corda de $1{,}0\ \text{m}$ está presa em suas extremidades a dois blocos de massa $m=20\ \text{kg}$ cada. Uma fonte sonora de frequência angular $60\pi\ \text{rad/s}$ está em ressonância com o trecho $AB$ da corda, de $50\ \text{cm}$, que vibra em seu segundo harmônico. Não há movimento dos blocos. Qual a massa da corda, em kg? Dado: $g=10\ \text{m/s}^2$.

A)1,6
B)1,3
C)0,9
D)0,4
E)0,1

Resposta

C
Resolução

Cada bloco suspenso permanece em equilíbrio e, portanto, traciona a corda com força de módulo $T=mg=20\cdot10=200\ \text{N}$. A frequência ordinária da fonte é $f=\omega/(2\pi)=60\pi/(2\pi)=30\ \text{Hz}$.

No segundo harmônico de uma corda com nós nas extremidades, $L_{AB}=2(\lambda/2)=\lambda$. Assim, $\lambda=0{,}50\ \text{m}$ e a velocidade de onda é $v=\lambda f=0{,}50\cdot30=15\ \text{m/s}$.

A velocidade transversal em corda ideal obedece a $v^2=T/\mu$, logo $\mu=T/v^2=200/225\approx0{,}889\ \text{kg/m}$. Como toda a corda mede $1{,}0\ \text{m}$, sua massa é $M=\mu L\approx0{,}9\ \text{kg}$.

Cuidado, armadilha! O trecho ressonante $AB$ mede apenas $0{,}50\ \text{m}$, mas a questão pede a massa da corda inteira, cujo comprimento é $1{,}0\ \text{m}$.

Alternativa correta: C

Q20
Mecânica — Dinâmica — Centro de massa sob forças externas constantes
Figura original da questão 20 do CPAEN/2019, prova amarela, Física

Três partículas, inicialmente em repouso, ocupam as posições cartesianas $\vec r_A=(0,2,3)\ \text{m}$, com $m_A=1{,}0\ \text{kg}$; $\vec r_B=(6,2,0)\ \text{m}$, com $m_B=2{,}0\ \text{kg}$; e $\vec r_C=(5,4,3)\ \text{m}$, com $m_C=3{,}0\ \text{kg}$. A partir de $t=0$ atuam forças constantes $\vec F_1=2\hat i+3\hat j$ em $A$, $\vec F_2=-3\hat j-\hat k$ em $B$ e $\vec F_3=\hat k$ em $C$, todas em newtons. Determine o vetor posição do centro de massa em $t=3\ \text{s}$.

A)$6\hat i+3\hat j+2\hat k$
B)$5\hat i+3\hat j+2\hat k$
C)$6\hat i+\hat j+2\hat k$
D)$5\hat i+2\hat j+\hat k$
E)$4\hat i+3\hat j+2\hat k$

Resposta

A
Resolução

O centro de massa responde à soma das forças externas como se toda a massa estivesse concentrada nele. A massa total é $M=1+2+3=6\ \text{kg}$. Inicialmente, o centro de massa está em $\vec r_{CM,0}=(\sum m_i\vec r_i)/M$.

Calculando cada componente, $x_0=(1\cdot0+2\cdot6+3\cdot5)/6=4{,}5\ \text{m}$; $y_0=(1\cdot2+2\cdot2+3\cdot4)/6=3{,}0\ \text{m}$; $z_0=(1\cdot3+2\cdot0+3\cdot3)/6=2{,}0\ \text{m}$.

A soma vetorial das forças é $\vec F_{ext}=(2\hat i+3\hat j)+(-3\hat j-\hat k)+\hat k=2\hat i\ \text{N}$. Logo, $\vec a_{CM}=\vec F_{ext}/M=(1/3)\hat i\ \text{m/s}^2$. Como o repouso inicial implica $\vec v_{CM,0}=0$, o deslocamento em $3\ \text{s}$ é $\Delta\vec r_{CM}=\tfrac12\vec a_{CM}t^2=(1/2)(1/3)(9)\hat i=1{,}5\hat i\ \text{m}$. Portanto, $\vec r_{CM}(3)=6\hat i+3\hat j+2\hat k\ \text{m}$.

Cuidado, armadilha! Some as forças vetorialmente antes de calcular a aceleração do centro de massa. A direção $x$ muda, enquanto as coordenadas $y$ e $z$ permanecem constantes.

Alternativa correta: A

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