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EsPCEx · 2015

Escola Preparatória de Cadetes do Exército

Concurso de Admissão · prova aplicada em 30/08/2014 · Modelo A · Física Q21–Q32 · resoluções comentadas pelo Método TEF.

Q21
Óptica — reflexão total em fibras ópticas

Uma fibra óptica é um filamento flexível, transparente e cilíndrico, que possui uma estrutura simples composta por um núcleo de vidro, por onde a luz se propaga, e uma casca de vidro, ambos com índices de refração diferentes.

Um feixe de luz monocromático, que se propaga no interior do núcleo, sofre reflexão total na superfície de separação entre o núcleo e a casca segundo um ângulo de incidência $\alpha$, conforme representado no desenho abaixo (corte longitudinal da fibra).

Com relação à reflexão total mencionada acima, são feitas as afirmativas abaixo.

(I) O feixe luminoso propaga-se do meio menos refringente para o meio mais refringente.
(II) Para que ela ocorra, o ângulo de incidência $\alpha$ deve ser inferior ao ângulo limite da superfície de separação entre o núcleo e a casca.
(III) O ângulo limite da superfície de separação entre o núcleo e a casca depende do índice de refração do núcleo e da casca.
(IV) O feixe luminoso não sofre refração na superfície de separação entre o núcleo e a casca.

Dentre as afirmativas acima, as únicas corretas são:

Corte longitudinal de fibra óptica com reflexão total no núcleo
A)I e II
B)III e IV
C)II e III
D)I e IV
E)I e III

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

B
Resolução

A reflexão total só pode ocorrer quando a luz tenta passar do meio mais refringente para o menos refringente e o ângulo de incidência é maior que o ângulo limite. Assim, as afirmativas I e II são falsas.

O ângulo limite depende dos índices de refração dos dois meios, portanto III é correta. Na condição de reflexão total não há raio refratado propagante na casca, logo IV também é correta.

Alternativa B.

Q22
Hidrostática — vasos comunicantes

Pode-se observar, no desenho abaixo, um sistema de três vasos comunicantes cilíndricos F, G e H distintos, abertos e em repouso sobre um plano horizontal na superfície da Terra. Coloca-se um líquido homogêneo no interior dos vasos de modo que não haja transbordamento por nenhum deles.

Sendo $h_F$, $h_G$ e $h_H$ o nível das alturas do líquido em equilíbrio em relação à base nos respectivos vasos F, G e H, então, a relação entre as alturas em cada vaso que representa este sistema em equilíbrio estático é:

Três vasos comunicantes F, G e H com seções diferentes
A)$h_F=h_G=h_H$
B)$h_G>h_H>h_F$
C)$h_F=h_G>h_H$
D)$h_F
E)$h_F>h_H>h_G$

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

A
Resolução

Em vasos comunicantes abertos, contendo o mesmo líquido e submetidos à mesma pressão atmosférica, pontos situados numa mesma horizontal apresentam a mesma pressão. O equilíbrio hidrostático exige que as superfícies livres fiquem no mesmo nível, independentemente da forma ou da área de cada ramo.

Alternativa A.

Q23
Ondulatória — comprimento de onda e período

Uma das atrações mais frequentadas de um parque aquático é a “piscina de ondas”. O desenho abaixo representa o perfil de uma onda que se propaga na superfície da água da piscina em um dado instante.

Um rapaz observa, de fora da piscina, o movimento de seu amigo, que se encontra em uma boia sobre a água e nota que, durante a passagem da onda, a boia oscila para cima e para baixo e que, a cada 8 segundos, o amigo está sempre na posição mais elevada da onda.

O motor que impulsiona as águas da piscina gera ondas periódicas. Com base nessas informações, e desconsiderando as forças dissipativas na piscina de ondas, é possível concluir que a onda se propaga com uma velocidade de

Perfil de onda periódica com cristas em x igual a zero, quatro e oito metros
A)0,15 m/s
B)0,30 m/s
C)0,40 m/s
D)0,50 m/s
E)0,60 m/s

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

D
Resolução

Pelo gráfico, a distância entre duas cristas consecutivas é $\lambda=4{,}0\,\text{m}$. O amigo retorna à posição mais elevada a cada $8\,\text{s}$, logo o período da onda é $T=8\,\text{s}$.

A velocidade de propagação é $v=\lambda/T=4/8=0{,}50\,\text{m/s}$.

Alternativa D.

Q24
Hidrostática e elasticidade — empuxo e lei de Hooke

No interior de um recipiente vazio, é colocado um cubo de material homogêneo de aresta igual a 0,40 m e massa $M=40\,\text{kg}$. O cubo está preso a uma mola ideal, de massa desprezível, fixada no teto de modo que ele fique suspenso no interior do recipiente, conforme representado no desenho abaixo. A mola está presa ao cubo no centro de uma de suas faces e o peso do cubo provoca uma deformação de 5 cm na mola.

Em seguida, coloca-se água no recipiente até que o cubo fique em equilíbrio com metade de seu volume submerso. Sabendo que a densidade da água é de $1000\,\text{kg/m}^3$, a deformação da mola nesta nova situação é de

Dado: intensidade da aceleração da gravidade $g=10\,\text{m/s}^2$.

Cubo suspenso por mola antes e depois da adição de água no recipiente
A)3,0 cm
B)2,5 cm
C)2,0 cm
D)1,5 cm
E)1,0 cm

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

E
Resolução

Sem água, o equilíbrio fornece $kx_0=Mg$. Com $M=40\,\text{kg}$ e $x_0=0{,}05\,\text{m}$, resulta $k=400/0{,}05=8{,}0\times10^3\,\text{N/m}$.

O volume do cubo é $V=(0{,}40)^3=0{,}064\,\text{m}^3$. Como metade está submersa, $V_{sub}=0{,}032\,\text{m}^3$ e o empuxo vale $E=\rho gV_{sub}=1000\cdot10\cdot0{,}032=320\,\text{N}$.

No novo equilíbrio, $kx+E=Mg$, então $kx=400-320=80\,\text{N}$. Logo, $x=80/8000=0{,}010\,\text{m}=1{,}0\,\text{cm}$.

Alternativa E.

Q25
Magnetismo — força sobre espira em campo uniforme

Em uma espira condutora triangular equilátera, rígida e homogênea, com lado medindo 18 cm e massa igual a 4,0 g, circula uma corrente elétrica $i$ de 6,0 A, no sentido anti-horário. A espira está presa ao teto por duas cordas isolantes, ideais e de comprimentos iguais, de modo que todo conjunto fique em equilíbrio, num plano vertical. Na mesma região, existe um campo magnético uniforme de intensidade $B=0{,}05\,\text{T}$ que atravessa perpendicularmente o plano da espira, conforme indicado no desenho abaixo.

Considerando a intensidade da aceleração da gravidade $g=10\,\text{m/s}^2$, a intensidade da força de tração em cada corda é de

Dados: $\cos60^\circ=0{,}50$ e $\operatorname{sen}60^\circ=0{,}87$.

Espira triangular com corrente em campo magnético uniforme perpendicular ao plano
A)0,01 N
B)0,02 N
C)0,03 N
D)0,04 N
E)0,05 N

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

B
Resolução

Em uma espira fechada inteiramente imersa em um campo magnético uniforme, a resultante das forças magnéticas é nula. Além disso, o momento magnético da espira é colinear ao campo mostrado, de modo que também não há torque magnético resultante.

As duas cordas sustentam apenas o peso da espira: $2T=mg=0{,}004\cdot10=0{,}040\,\text{N}$. Assim, $T=0{,}020\,\text{N}$.

Alternativa B.

Q26
Estática — barra articulada e associação de polias

O desenho abaixo representa um sistema composto por cordas e polias ideais de mesmo diâmetro. O sistema sustenta um bloco com peso de intensidade $P$ e uma barra rígida AB de material homogêneo de comprimento $L$. A barra AB tem peso desprezível e está fixada a uma parede por meio de uma articulação em A. Em um ponto X da barra é aplicada uma força de intensidade $F$ e na sua extremidade B está presa uma corda do sistema polias-cordas.

Desprezando as forças de atrito, o valor da distância AX para que a força $F$ mantenha a barra AB em equilíbrio na posição horizontal é

Barra articulada ligada a sistema em cascata com três polias móveis
A)$\dfrac{P\cdot L}{8F}$
B)$\dfrac{P\cdot L}{6F}$
C)$\dfrac{P\cdot L}{4F}$
D)$\dfrac{P\cdot L}{3F}$
E)$\dfrac{P\cdot L}{2F}$

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

A
Resolução

Chamando de $T$ a tração da corda presa em B, a primeira polia móvel é sustentada por $2T$. Na cascata, cada estágio dobra a força transmitida: a tração que sustenta a segunda etapa é $2T$ e a da terceira é $4T$.

A polia móvel inferior sustenta o peso $P$, portanto $P=2\cdot4T=8T$. Assim, $T=P/8$.

Tomando momentos em relação à articulação A, $F\cdot AX=T\cdot L$. Logo, $AX=\dfrac{PL}{8F}$.

Alternativa A.

Q27
Dinâmica — atrito e quantidade de movimento

Em um parque aquático, um menino encontra-se sentado sobre uma prancha e desce uma rampa plana inclinada que termina em uma piscina no ponto B, conforme figura abaixo. O conjunto menino-prancha possui massa de 60 kg, e parte do repouso do ponto A da rampa. O coeficiente de atrito cinético entre a prancha e a rampa vale 0,25 e $\beta$ é o ângulo entre a horizontal e o plano da rampa.

Desprezando a resistência do ar, a variação da quantidade de movimento do conjunto menino-prancha entre os pontos A e B é de

Dados: intensidade da aceleração da gravidade $g=10\,\text{m/s}^2$; considere o conjunto menino-prancha uma partícula; $\cos\beta=0{,}8$ e $\operatorname{sen}\beta=0{,}6$.

Menino em prancha descendo rampa inclinada até a piscina
A)$40\sqrt3\,\text{N·s}$
B)$60\sqrt3\,\text{N·s}$
C)$70\sqrt3\,\text{N·s}$
D)$180\sqrt3\,\text{N·s}$
E)$240\sqrt3\,\text{N·s}$

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

E
Resolução

A projeção horizontal da rampa é $4{,}80\,\text{m}$. Como $\cos\beta=0{,}8$, seu comprimento é $s=4{,}80/0{,}8=6{,}0\,\text{m}$.

A aceleração ao longo do plano é $a=g(\operatorname{sen}\beta-\mu\cos\beta)=10(0{,}6-0{,}25\cdot0{,}8)=4{,}0\,\text{m/s}^2$.

Partindo do repouso, $v^2=2as=2\cdot4\cdot6=48$, então $v=4\sqrt3\,\text{m/s}$. Como $p_A=0$, $\Delta p=mv=60\cdot4\sqrt3=240\sqrt3\,\text{N·s}$.

Alternativa E.

Q28
Estática — escada e atrito

Um trabalhador da construção civil de massa 70 kg sobe uma escada de material homogêneo de 5 m de comprimento e massa de 10 kg, para consertar o telhado de uma residência. Uma das extremidades da escada está apoiada na parede vertical sem atrito no ponto B, e a outra extremidade está apoiada sobre um piso horizontal no ponto A, que dista 4 m da parede, conforme desenho abaixo.

Para que o trabalhador fique parado na extremidade da escada que está apoiada no ponto B da parede, de modo que a escada não deslize e permaneça em equilíbrio estático na iminência do movimento, o coeficiente de atrito estático entre o piso e a escada deverá ser de

Dado: intensidade da aceleração da gravidade $g=10\,\text{m/s}^2$.

Escada apoiada em parede sem atrito com trabalhador na extremidade superior
A)0,30
B)0,60
C)0,80
D)1,00
E)1,25

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

E
Resolução

A escada forma um triângulo $3$-$4$-$5$, portanto o ponto B está a $3\,\text{m}$ do piso. A reação da parede em B é horizontal. A reação normal do piso vale $N_A=(70+10)g=800\,\text{N}$.

Tomando momentos em relação a A, o peso do trabalhador atua a $4\,\text{m}$ horizontalmente de A e o peso da escada, em seu centro, a $2\,\text{m}$:

$N_B\cdot3=700\cdot4+100\cdot2=3000$, de onde $N_B=1000\,\text{N}$.

No equilíbrio horizontal, o atrito no piso tem módulo $f=1000\,\text{N}$. Na iminência do deslizamento, $f=\mu_sN_A$, então $\mu_s=1000/800=1{,}25$.

Alternativa E.

Q29
Movimento harmônico simples — pêndulo simples

Uma criança de massa 25 kg brinca em um balanço cuja haste rígida não deformável e de massa desprezível, presa ao teto, tem 1,60 m de comprimento. Ela executa um movimento harmônico simples que atinge uma altura máxima de 80 cm em relação ao solo, conforme representado no desenho abaixo, de forma que o sistema criança mais balanço passa a ser considerado como um pêndulo simples com centro de massa na extremidade P da haste.

Pode-se afirmar, com relação à situação exposta, que

Dados: intensidade da aceleração da gravidade $g=10\,\text{m/s}^2$; considere o ângulo de abertura não superior a $10^\circ$.

Criança em balanço modelado como pêndulo simples de comprimento 1,60 m
A)a amplitude do movimento é 80 cm.
B)a frequência de oscilação do movimento é 1,25 Hz.
C)o intervalo de tempo para executar uma oscilação completa é de $0{,}8\pi\,\text{s}$.
D)a frequência de oscilação depende da altura atingida pela criança.
E)o período do movimento depende da massa da criança.

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

C
Resolução

Para pequenas oscilações, o período de um pêndulo simples é $T=2\pi\sqrt{L/g}$ e independe da massa e, na aproximação de pequenos ângulos, da amplitude.

Com $L=1{,}60\,\text{m}$ e $g=10\,\text{m/s}^2$, $T=2\pi\sqrt{1{,}60/10}=2\pi\sqrt{0{,}16}=0{,}8\pi\,\text{s}$.

Alternativa C.

Q30
Eletrodinâmica — associação de resistores e instrumentos ideais

Em um circuito elétrico, representado no desenho abaixo, o valor da força eletromotriz (fem) do gerador ideal é $E=1{,}5\,\text{V}$, e os valores das resistências dos resistores ôhmicos são $R_1=R_4=0{,}3\,\Omega$, $R_2=R_3=0{,}6\,\Omega$ e $R_5=0{,}15\,\Omega$.

As leituras no voltímetro V e no amperímetro A, ambos ideais, são, respectivamente,

Circuito em ponte com resistores R1 a R5, voltímetro central e amperímetro ideal
A)0,375 V e 2,50 A
B)0,750 V e 1,00 A
C)0,375 V e 1,25 A
D)0,750 V e 1,25 A
E)0,750 V e 2,50 A

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

A
Resolução

O voltímetro ideal não conduz corrente. Os ramos superior e inferior têm, cada um, resistência $0{,}3+0{,}6=0{,}9\,\Omega$. Em paralelo, equivalem a $0{,}45\,\Omega$.

Com $R_5=0{,}15\,\Omega$ em série, $R_{eq}=0{,}60\,\Omega$. A corrente indicada pelo amperímetro é $I=1{,}5/0{,}60=2{,}50\,\text{A}$.

Nos dois ramos paralelos a corrente se divide igualmente: $1{,}25\,\text{A}$ em cada. A queda em $R_1$ é $1{,}25\cdot0{,}3=0{,}375\,\text{V}$ e em $R_3$ é $1{,}25\cdot0{,}6=0{,}750\,\text{V}$. A diferença de potencial entre os pontos médios é $0{,}750-0{,}375=0{,}375\,\text{V}$.

Alternativa A.

Q31
Dinâmica — peso aparente em elevador

Uma pessoa de massa igual a 80 kg está dentro de um elevador sobre uma balança calibrada que indica o peso em newtons, conforme desenho abaixo. Quando o elevador está acelerado para cima com uma aceleração constante de intensidade $a=2{,}0\,\text{m/s}^2$, a pessoa observa que a balança indica o valor de

Dado: intensidade da aceleração da gravidade $g=10\,\text{m/s}^2$.

Pessoa sobre balança em elevador acelerado para cima
A)160 N
B)640 N
C)800 N
D)960 N
E)1600 N

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

D
Resolução

A leitura da balança é a força normal $N$. Tomando o sentido para cima como positivo, $N-mg=ma$.

Assim, $N=m(g+a)=80(10+2)=960\,\text{N}$.

Alternativa D.

Q32
Termodinâmica — primeira lei em ciclo

Em uma fábrica, uma máquina térmica realiza, com um gás ideal, o ciclo FGHIF no sentido horário, conforme o desenho abaixo. As transformações FG e HI são isobáricas, GH é isotérmica e IF é adiabática. Considere que, na transformação FG, 200 kJ de calor tenham sido fornecidos ao gás e que na transformação HI ele tenha perdido 220 kJ de calor para o meio externo.

A variação de energia interna sofrida pelo gás na transformação adiabática IF é

Diagrama pressão por volume do ciclo FGHIF, com FG e HI isobáricas
A)−40 kJ
B)−20 kJ
C)15 kJ
D)25 kJ
E)30 kJ

Gabarito TEF — EsPCEx 2015

C
Resolução

Em FG, o trabalho realizado pelo gás é $W_{FG}=P\Delta V=2{,}0\times10^5(0{,}50-0{,}15)=70\,\text{kJ}$. Pela primeira lei, $\Delta U_{FG}=Q-W=200-70=130\,\text{kJ}$.

GH é isotérmica para gás ideal, logo $\Delta U_{GH}=0$.

Em HI, $W_{HI}=1{,}0\times10^5(0{,}25-1{,}0)=-75\,\text{kJ}$ e $Q_{HI}=-220\,\text{kJ}$. Assim, $\Delta U_{HI}=Q-W=-220-(-75)=-145\,\text{kJ}$.

Em um ciclo completo, a variação total da energia interna é nula. Substituindo os trechos já calculados, $130+0-145+\Delta U_{IF}=0$, resultando $\Delta U_{IF}=15\,\text{kJ}$.

Alternativa C.

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