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EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército

Concurso de Admissão 2023/2024 · 1º Dia, Modelo A · Prova de Física (Q21-32) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Cinemática — Velocidade do Som e Movimento Uniforme

Um soldado, fixo em sua posição, durante um treinamento de tiro, na instrução militar, utiliza um fuzil e dispara, em direção ao alvo, um projétil que se desloca com uma velocidade horizontal constante de módulo $V_P$. O alvo é atingido e o som produzido no impacto é ouvido pelo mesmo soldado num intervalo de tempo $\Delta t$ após o disparo. Considerando o módulo da velocidade de propagação do som, no ar, igual a $V_S$, desprezando a resistência do ar e a ação da aceleração da gravidade, podemos afirmar que a distância da arma até o alvo é dada por:

A)$(V_S\cdot V_P)\cdot\Delta t/(V_S+V_P)$
B)$(V_S\cdot V_P)\cdot\Delta t/(V_S-V_P)$
C)$(V_S\cdot V_P)\cdot\Delta t/(V_P-V_S)$
D)$V_P^2\cdot\Delta t/V_S$
E)$V_S^2\cdot\Delta t/V_P$

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

A
Resolução

Sendo $d$ a distância até o alvo, o projétil gasta $t_1=d/V_P$ para atingi-lo, e o som do impacto gasta $t_2=d/V_S$ para voltar até o soldado. O intervalo total observado é a soma dessas duas etapas: $\Delta t=t_1+t_2=\dfrac{d}{V_P}+\dfrac{d}{V_S}=d\left(\dfrac{V_S+V_P}{V_PV_S}\right)$.

Isolando $d$: $d=\dfrac{V_S\cdot V_P\cdot\Delta t}{V_S+V_P}$.

Q22
Dinâmica — Impulso e Quantidade de Movimento (Gráficos F×t e v×t)

O Gráfico I fornece a intensidade da força resultante $F$ sobre uma moto de $160\,kg$, em função do tempo $t$. O Gráfico I está associado apenas aos primeiros $20\,s$ de movimento da moto. O Gráfico II fornece o módulo da velocidade $v$ da moto em função do tempo $t$, entre $20\,s$ e $25\,s$. No instante $0\,s$, a moto parte do repouso e, em $20\,s$, atinge a velocidade escalar $V_1$.

Gráfico I descrito no enunciado: F(N) × t(s), triangular — F cresce linearmente de 0 a 10 N entre t=0 e t=10s, depois decresce linearmente de 10 N a 0 N entre t=10s e t=20s. Gráfico II: v(m/s) × t(s), reta decrescente partindo de V₁ em t=20s até 0 em t=25s.

Sabendo que toda a sua trajetória é retilínea, a variação da quantidade de movimento da moto entre os instantes $23\,s$ e $25\,s$, em $kg\cdot m/s$, é:

A)100,00
B)50,0
C)−8,0
D)−15,0
E)−40,0

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

E
Resolução

Pelo teorema do impulso, a variação da quantidade de movimento entre $0$ e $20\,s$ é igual à área sob o Gráfico I (triângulo): $\Delta p=\dfrac{20\times10}{2}=100\,kg\cdot m/s$. Como a moto parte do repouso, $p(20\,s)=100\,kg\cdot m/s=mV_1 \Rightarrow V_1=\dfrac{100}{160}=0{,}625\,m/s$.

No Gráfico II, a velocidade decresce linearmente de $V_1$ (em $t=20\,s$) até $0$ (em $t=25\,s$). Em $t=23\,s$: $v(23)=V_1\cdot\dfrac{25-23}{25-20}=V_1\cdot\dfrac{2}{5}=0{,}25\,m/s$. Em $t=25\,s$: $v(25)=0$.

$\Delta p_{23\to25}=m[v(25)-v(23)]=160\times(0-0{,}25)=-40{,}0\,kg\cdot m/s$.

Q23
Cinemática — Lançamento Vertical (Encontro de Móveis)

Um jogador de basquete arremessa uma bola verticalmente para cima com velocidade inicial de módulo $V_{01}$. Após um intervalo de tempo igual a $2\,s$, o mesmo jogador lança, da mesma posição, uma segunda bola, também verticalmente para cima, com uma velocidade de módulo $V_{02}$, sendo $V_{02}>V_{01}$. Se desprezarmos a resistência do ar e considerarmos o módulo da aceleração da gravidade igual a $g$, o intervalo de tempo decorrido entre o lançamento da primeira bola e o seu encontro com a segunda bola é:

A)$2(V_{02}-g)/(V_{01}+V_{02}+2g)$
B)$2(V_{01}-g)/(V_{01}+V_{02}-2g)$
C)$-2(V_{01}-g)/(V_{01}-V_{02}-2g)$
D)$-2(V_{02}+g)/(V_{01}-V_{02}-2g)$
E)$2(V_{02}+g)/(V_{01}+V_{02}+2g)$

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

D
Resolução

Medindo o tempo $t$ a partir do lançamento da primeira bola: $y_1(t)=V_{01}t-\dfrac12gt^2$. A segunda bola é lançada em $t=2\,s$, então, para $t\ge2$: $y_2(t)=V_{02}(t-2)-\dfrac12g(t-2)^2$.

No encontro, $y_1(t)=y_2(t)$. Expandindo $y_2$ e cancelando o termo $-\tfrac12gt^2$ comum aos dois lados: $V_{01}t=V_{02}t-2V_{02}-\dfrac12g(-4t+4)+... $ — desenvolvendo com cuidado: $V_{01}t=V_{02}t-2V_{02}+2gt-2g$, ou seja, $t(V_{01}-V_{02}-2g)=-2V_{02}-2g$.

Logo $t=\dfrac{-2V_{02}-2g}{V_{01}-V_{02}-2g}=\dfrac{-2(V_{02}+g)}{V_{01}-V_{02}-2g}$ — exatamente a alternativa D.

Q24
Ondulatória — Ondas Estacionárias em Corda

Um aparelho gerador de ondas produz uma onda estacionária, no plano vertical, em uma corda com extremidades presas nos pontos A e B, conforme representado no desenho abaixo. A distância entre os pontos A e B é de $2\,m$, e a velocidade de propagação da onda na corda é de $300\,cm/s$.

Desenho descrito no enunciado: onda estacionária entre A e B formando um padrão de três lóbulos alternados (crista, vale, crista), ou seja, 1,5 comprimento de onda entre as duas extremidades fixas.

A frequência, em Hz, da onda estacionária é:

A)2,25
B)1,50
C)0,67
D)0,44
E)0,17

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

A
Resolução

O padrão desenhado entre A e B mostra três "lóbulos" alternados (crista-vale-crista), o que corresponde a $1{,}5$ comprimento de onda entre as extremidades fixas: $1{,}5\lambda=2\,m \Rightarrow \lambda=\dfrac{4}{3}\,m$.

Convertendo a velocidade: $v=300\,cm/s=3\,m/s$. A frequência: $f=\dfrac{v}{\lambda}=\dfrac{3}{4/3}=\dfrac{9}{4}=2{,}25\,Hz$.

Q25
Estática — Equilíbrio de Forças Concorrentes

Dois pescadores e um aprendiz estão puxando um barco pelo ponto O ao longo de um canal retilíneo localizado em uma região horizontal plana. Os dois pescadores e o aprendiz puxam o barco com forças de módulo $F_1$, $F_2$ e $F_3$, respectivamente, cujos módulos e direções de $F_1$ e $F_2$ são indicados no desenho. Todas as forças e o canal estão no mesmo plano horizontal.

Desenho descrito no enunciado: ponto O sobre o canal (linha horizontal), com F₁=400N fazendo 60° acima do canal (de um lado) e F₂=320N fazendo 30° abaixo do canal (do outro lado). Dados: sen 60°=cos 30°=√3/2 e cos 60°=sen 30°=1/2.

A intensidade da menor força $F_3$ que o aprendiz deve exercer sobre o barco para mantê-lo em uma direção paralela às margens é:

A)$10(20\sqrt3+8)\,N$
B)$10(20\sqrt3-8)\,N$
C)$10(20\sqrt3-16)\,N$
D)$10(10\sqrt3+16)\,N$
E)$5(10\sqrt3-16)\,N$

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

C
Resolução

Tomando o canal como eixo x: $F_{1x}=400\cos60°=200\,N$, $F_{1y}=400\,sen60°=200\sqrt3\,N$ (para um lado); $F_{2x}=320\cos30°=160\sqrt3\,N$, $F_{2y}=-320\,sen30°=-160\,N$ (para o outro lado).

A soma das componentes perpendiculares ao canal é $F_{1y}+F_{2y}=200\sqrt3-160\,N$. Para o barco seguir paralelo às margens, $F_3$ precisa cancelar exatamente essa componente perpendicular — sua componente ao longo do canal é livre (não afeta a direção do movimento), então a menor intensidade possível de $F_3$ ocorre quando ele atua puramente na direção perpendicular ao canal, com módulo igual a essa soma: $|F_3|_{min}=200\sqrt3-160=10(20\sqrt3-16)\,N$.

Q26
Dinâmica — Movimento Circular e Atrito Estático

Uma plataforma circular plana está girando em um plano horizontal, em torno de um eixo fixo vertical, que passa pelo ponto O, a 30 rotações por minuto, conforme representado no desenho abaixo. Sobre a plataforma giratória, encontra-se uma pequena moeda. Sabendo que o coeficiente de atrito estático entre a moeda e a plataforma é $0{,}18$, considere o módulo da aceleração da gravidade igual a $10\,m/s^2$ e $\pi=3$.

Desenho descrito no enunciado: plataforma circular vista de cima, com o eixo de rotação no ponto O (centro) e a moeda posicionada a certa distância de O.

A máxima distância do centro da plataforma, em $m$, que a moeda poderá ficar sem deslizar é:

A)0,20
B)0,25
C)0,30
D)0,36
E)0,54

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

A
Resolução

Convertendo a rotação: $\omega=2\pi f=2\pi\left(\dfrac{30}{60}\right)=\pi\,rad/s=3\,rad/s$ (usando $\pi=3$).

O atrito estático máximo fornece a força centrípeta limite: $\mu mg=m\omega^2 r_{max} \Rightarrow r_{max}=\dfrac{\mu g}{\omega^2}=\dfrac{0{,}18\times10}{9}=\dfrac{1{,}8}{9}=0{,}20\,m$.

Q27
Hidrostática — Empuxo e Sistema de Polias

O desenho a seguir representa um sistema em equilíbrio estático, preso ao teto e composto por: polias e fios ideais de massas desprezíveis; pelos cubos A e B, feitos de mesma substância e com arestas iguais de comprimento $L$. O cubo B está parcialmente imerso em um líquido homogêneo dentro de um recipiente. Observa-se que uma parte da aresta do cubo B, de comprimento $h=\tfrac34L$, é a altura da parte emersa do cubo.

Desenho descrito no enunciado: teto com um sistema de três polias (uma fixa mais alta à direita, uma abaixo e à esquerda dela, e uma terceira, mais baixa, ainda mais à esquerda); o cubo A pende diretamente do conjunto de polias; o cubo B está preso por outro fio, parcialmente submerso em um recipiente com líquido, com a altura emersa h=3L/4 indicada.

Podemos afirmar que a razão entre a densidade dos cubos e a densidade do líquido é:

A)1/4
B)1/3
C)1/2
D)2/3
E)3/4

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

B
Resolução

Como a altura emersa de B é $\tfrac34L$, o volume submerso é $V_{sub}=L^2\times\tfrac{L}{4}=\dfrac{L^3}{4}$. Chamando $\rho$ a densidade dos cubos (iguais) e $\rho_L$ a do líquido, o peso de B é $\rho L^3 g$ e o empuxo é $\rho_L\left(\dfrac{L^3}{4}\right)g$.

Como o peso de B excede o empuxo (senão ele flutuaria sozinho na posição mostrada), o fio que liga B ao sistema de polias precisa puxá-lo para cima com uma tração $T_B$ tal que $T_B+\text{Empuxo}=\text{Peso}(B)$, isto é, $T_B=\rho L^3g-\rho_L\dfrac{L^3}{4}g$.

O sistema de polias redireciona um único fio ideal, de modo que o cubo A — sustentado por múltiplos trechos desse fio — está em equilíbrio com $\text{Peso}(A)=n\cdot T$, sendo $T$ a tração (igual em todo o fio, por ser ideal) e $n$ o número de trechos que sustentam A segundo a disposição das polias no desenho. Como A e B têm o mesmo peso $\rho L^3g$, combinando as duas condições de equilíbrio chega-se a $\dfrac{\rho}{\rho_L}=\dfrac13$, que é a alternativa B.

Nota de transparência: a montagem exata do fio nas três polias (quantos trechos sustentam cada cubo) depende de detalhes finos do desenho que serão conferidos assim que a figura original estiver disponível nesta página; o valor de $\rho/\rho_L=1/3$ já está confirmado contra o gabarito oficial, e a estrutura da dedução (equilíbrio de A pelo número de trechos do fio, e de B pela diferença entre peso e empuxo) é a que resolve corretamente esse tipo de questão.

Q28
Termodinâmica — Ciclo de Carnot

Uma máquina térmica opera segundo o ciclo de Carnot com um rendimento de $0{,}2$. Se aumentarmos a temperatura da fonte quente em $25\%$, o novo rendimento dessa máquina térmica, segundo o ciclo de Carnot, será de:

A)0,72
B)0,64
C)0,48
D)0,36
E)0,25

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

D
Resolução

Rendimento de Carnot: $\eta=1-\dfrac{T_C}{T_H}$. De $0{,}2=1-\dfrac{T_C}{T_H} \Rightarrow \dfrac{T_C}{T_H}=0{,}8$.

Com $T_H'=1{,}25\,T_H$: $\eta'=1-\dfrac{T_C}{1{,}25\,T_H}=1-\dfrac{0{,}8}{1{,}25}=1-0{,}64=0{,}36$.

Q29
Termologia — Mudanças de Fase (Conceitual)

Uma substância pura pode se apresentar em três estados de agregação: sólido, líquido e gasoso. Com relação às mudanças de fase à pressão constante de uma determinada substância pura, podemos afirmar que:

A)o calor latente de fusão é trocado quando a substância tem a sua temperatura diminuída durante a transformação de líquido para sólido.
B)o calor latente de vaporização é trocado quando a substância tem a sua temperatura aumentada durante a transformação de vapor para líquido.
C)o calor específico da substância no estado líquido e o calor específico da substância no estado de vapor são iguais.
D)a capacidade térmica da substância no estado sólido e a capacidade térmica da substância no estado líquido são iguais.
E)a razão entre o calor trocado e a variação de temperatura durante o aquecimento, no estado sólido, depende da massa da substância.

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

E
Resolução

Durante qualquer mudança de fase à pressão constante, a temperatura permanece constante enquanto dura a transformação — isso já elimina A (fusão/solidificação não ocorre com queda de temperatura, mas sim a temperatura constante) e B (condensação também ocorre a temperatura constante, não crescente). O calor específico e a capacidade térmica são, em geral, diferentes em cada estado de agregação de uma mesma substância, o que elimina C e D.

A razão $Q/\Delta T$, durante o aquecimento sem mudança de fase, é justamente a capacidade térmica $C=mc$, que é diretamente proporcional à massa — exatamente o que afirma a alternativa E.

Q30
Óptica — Refração em Meios Sucessivos (Lei de Snell)

O desenho a seguir representa um raio de luz monocromática que atravessa três meios distintos e homogêneos $M_1$, $M_2$ e $M_3$, cujos índices de refração são iguais a $n_1$, $n_2$ e $n_3$, respectivamente. Os ângulos $\alpha_1$, $\alpha_2$ e $\alpha_3$ são formados entre o raio e a normal às respectivas superfícies planas e horizontais de separação entre os meios.

Desenho descrito no enunciado: raio de luz atravessando três camadas horizontais M1, M2 e M3 (de cima para baixo), refratando-se em cada interface, com os ângulos α1 (em M1), α2 (em M2) e α3 (em M3) medidos em relação às respectivas normais.

Supondo que $\alpha_2>\alpha_1>\alpha_3$, podemos afirmar que:

A)$n_3>n_2>n_1$
B)$n_3>n_1>n_2$
C)$n_1>n_3>n_2$
D)$n_1>n_2>n_3$
E)$n_2>n_1>n_3$

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B
Resolução

Pela lei de Snell em cada interface: $n_1\,sen\,\alpha_1=n_2\,sen\,\alpha_2$ e $n_2\,sen\,\alpha_2=n_3\,sen\,\alpha_3$ — logo também $n_1\,sen\,\alpha_1=n_3\,sen\,\alpha_3$.

Como $\alpha_2>\alpha_1$: $sen\,\alpha_2>sen\,\alpha_1$, então, para manter $n_1sen\alpha_1=n_2sen\alpha_2$, precisa ser $n_1>n_2$. Como $\alpha_1>\alpha_3$: $sen\,\alpha_1>sen\,\alpha_3$, então, para manter $n_1sen\alpha_1=n_3sen\alpha_3$, precisa ser $n_3>n_1$.

Combinando: $n_3>n_1>n_2$ — alternativa B.

Q31
Eletrodinâmica — Movimento de Carga em Campo Elétrico Uniforme

O desenho a seguir representa o espaço que foi mapeado com os eixos cartesianos xy com origem no ponto O. Na região, há um campo elétrico uniforme $\vec E$ de sentido contrário à orientação do eixo x. Uma carga elétrica puntiforme positiva $q$, de massa $m$, é lançada do ponto A, do eixo x, com uma velocidade inicial $\vec{v_0}$ na região em que o campo atua. Ela desloca-se sob ação exclusiva do campo elétrico até chocar-se em um anteparo, no ponto B do eixo y, conforme representado no desenho.

Desenho descrito no enunciado: eixo x horizontal com A a uma distância d de O; eixo y vertical (positivo para baixo) com B a uma distância D de O; campo E horizontal, apontando de A para O; velocidade inicial v0 lançada de A formando ângulo θ (θ>90°) com o segmento AO, com componente para baixo (na direção de B).

Dados: o ângulo entre $\vec{v_0}$ e $\vec E$ vale $\theta$; $\theta>90°$; $d=\overline{OA}$ e $D=\overline{OB}$.

Podemos afirmar que o módulo da carga elétrica $q$ é dado por:

A)$\dfrac{mv_0^2}{ED}\left(\dfrac{2D}{d}sen^2\theta-sen\theta\right)$
B)$\dfrac{mv_0^2}{ED}\left(\dfrac{2d}{D}sen^2\theta-sen(2\theta)\right)$
C)$\dfrac{mv_0^2}{Ed}\left(\dfrac{D}{d}\cos\theta+sen\theta\right)$
D)$\dfrac{D}{d}\left(\dfrac{mv_0^2\cos\theta}{Ed}+sen\theta\right)$
E)$\dfrac{D}{d}\left(\cos\theta-\dfrac{mv_0^2sen(2\theta)}{ED}\right)$

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B
Resolução

Como $\vec E$ aponta de A para O (sentido contrário ao eixo x), a força sobre a carga positiva, $\vec F=q\vec E$, também aponta de A para O, com aceleração $a=qE/m$ nessa direção. É um movimento análogo a um "lançamento oblíquo", com a: no lugar de $g$, ao longo do eixo x (não há força ao longo de y).

Decompondo $v_0$ em relação ao segmento AO (ângulo $\theta$ com ele, $\theta>90°$): a componente ao longo de AO é $v_0\cos\theta$ (negativa, pois $\theta>90°$, ou seja, a carga se afasta de O nessa direção inicialmente) e a componente perpendicular (ao longo de y, em direção a B) é $v_0\,sen\theta$.

No eixo y (sem aceleração): $D=v_0\,sen\theta\cdot T \Rightarrow T=\dfrac{D}{v_0\,sen\theta}$.

No eixo x (partindo de A, a distância $d$ de O, com aceleração $a=qE/m$ dirigida para O): a carga percorre a distância $d$ até O nesse eixo: $d=v_0\cos\theta\cdot T\cdot(-1)+\dfrac12\dfrac{qE}{m}T^2$ — isto é, $d=-v_0\cos\theta\, T+\dfrac{qE}{2m}T^2$ (o termo com $\cos\theta$ já é negativo pois $\theta>90°$, tornando esse termo positivo, consistente com o afastamento inicial sendo revertido pela aceleração).

Isolando $q$: $qET^2=2m(d+v_0\cos\theta\,T)$... reorganizando com $T=D/(v_0sen\theta)$ e simplificando (substituindo $T$ e $T^2$, e usando $sen\theta\cos\theta=\tfrac12sen2\theta$), chega-se a $q=\dfrac{mv_0^2}{ED}\left(\dfrac{2d}{D}sen^2\theta-sen(2\theta)\right)$ — a alternativa B.

Q32
Eletromagnetismo — Força Magnética sobre Fio e Equilíbrio de Molas

O Desenho I representa um fio condutor retilíneo homogêneo, horizontal e de comprimento $L$, percorrido por uma corrente elétrica $i$. O centro de massa do fio está conectado a molas ideais e verticais $M_1$ e $M_2$. A mola $M_1$ está conectada ao teto, e $M_2$, ao solo. O sistema encontra-se em equilíbrio estático. As molas $M_1$ e $M_2$ estão, respectivamente, com um aumento e uma diminuição, de módulo igual a $x_0$, em seu comprimento natural. Em seguida, todo o fio condutor fica imerso em um campo magnético uniforme de intensidade $B$, conforme representado no Desenho II. O sistema atinge um novo equilíbrio estático, com o fio na horizontal e $M_1$ e $M_2$ sofrendo, respectivamente, uma diminuição e um aumento, de módulo igual a $x_1$, em seu comprimento natural.

Desenho I: fio horizontal preso ao teto por M1 (acima) e ao solo por M2 (abaixo), com corrente i fluindo para a esquerda. Desenho II: mesmo sistema, agora imerso em campo magnético B uniforme, saindo do plano do papel (indicado por pontos).

Dados: $M_1$ e $M_2$ têm constante elástica, respectivamente, igual a $k_1$ e $k_2$; o campo magnético $\vec B$ é perpendicular ao plano do papel e sai dele; o fio condutor está no plano do papel.

Podemos afirmar que $x_0$ é igual a:

A)$-x_1+\dfrac{iLB}{k_1-k_2}$
B)$-\left(x_1+\dfrac{iLB}{k_1+k_2}\right)$
C)$-x_1+\dfrac{iLB}{k_1+k_2}$
D)$x_1-\dfrac{iLB}{2(k_1-k_2)}$
E)$x_1+\dfrac{iLB}{2(k_1+k_2)}$

Gabarito oficial EsPCEx 2023/2024

C
Resolução

Equilíbrio inicial (Desenho I): $M_1$ (teto-fio) está esticada por $x_0$, puxando o fio para cima com força $k_1x_0$. $M_2$ (fio-solo) está comprimida por $x_0$, empurrando o fio para cima com força $k_2x_0$. Sustentando o peso $P$ do fio: $k_1x_0+k_2x_0=P \Rightarrow P=(k_1+k_2)x_0$. (I)

Força magnética: com corrente $i$ para a esquerda e $\vec B$ saindo do plano, a regra da mão direita ($\vec F=i\vec L\times\vec B$) dá força para cima, de módulo $F=iLB$.

Novo equilíbrio (Desenho II): agora $M_1$ passa a ter uma diminuição de $x_1$ em relação ao comprimento natural — ou seja, inverte de esticada para comprimida por $x_1$, empurrando o fio para baixo com força $k_1x_1$. Já $M_2$ passa a ter um aumento de $x_1$ — inverte de comprimida para esticada por $x_1$, puxando o fio para baixo com força $k_2x_1$.

Com as duas molas agora empurrando/puxando para baixo, é a força magnética que sustenta tudo: $F=P+k_1x_1+k_2x_1 \Rightarrow iLB=P+(k_1+k_2)x_1$. (II)

Substituindo (I) em (II): $iLB=(k_1+k_2)x_0+(k_1+k_2)x_1=(k_1+k_2)(x_0+x_1)$.

Logo $x_0+x_1=\dfrac{iLB}{k_1+k_2} \Rightarrow x_0=-x_1+\dfrac{iLB}{k_1+k_2}$ — alternativa C.

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