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EsPCEx 2025

Escola Preparatória de Cadetes do Exército

Concurso de Admissão 2024/2025 · 1º Dia, Modelo A · Prova de Física (Q21-32) — resolução comentada Método TEF.

Q21
Termodinâmica — Ciclo ABCA em Diagrama P x V

Um gás ideal sofre uma transformação cíclica ABCA conforme indicado no gráfico pressão (P) x volume (V) do desenho a seguir.

Gráfico P x V com ciclo ABCA: A e B na mesma pressão PA, com VA menor que VB; C na pressão PC (menor) e volume VA; segmento AB horizontal, BC diagonal, CA vertical

Podemos afirmar que

A)a transformação AB é isobárica e o gás não realiza trabalho.
B)na transformação BC, a pressão diminui e o trabalho realizado pelo gás é positivo.
C)na transformação CA, a pressão aumenta e o trabalho realizado pelo gás é nulo.
D)no ciclo ABCA, o trabalho total realizado pelo gás é negativo.
E)no ciclo ABCA, não há troca de calor do gás com o meio externo.

Gabarito oficial EsPCEx 2024/2025

C
Resolução

Em AB, a pressão permanece em $P_A$ (isobárica) enquanto o volume cresce de $V_A$ para $V_B$: o gás se expande e realiza trabalho positivo — o que já elimina a alternativa A. Em BC, tanto a pressão quanto o volume diminuem (o gás é comprimido); compressão significa trabalho realizado pelo gás negativo, o que elimina B. Em CA, o volume permanece constante em $V_A$ (transformação isocórica), enquanto a pressão sobe de $P_C$ para $P_A$: pressão aumenta e, como não há variação de volume, o trabalho é nulo — exatamente a alternativa C. Percorrendo o ciclo no sentido A→B→C→A, a área "positiva" sob a expansão AB é maior que a área "negativa" sob a compressão BC (o ciclo é percorrido no sentido horário no diagrama P-V), de modo que o trabalho total do ciclo é positivo, eliminando D; e como o ciclo realiza trabalho líquido não nulo, pela 1ª Lei da Termodinâmica ($\Delta U_{ciclo}=0$) deve haver troca líquida de calor com o meio, o que elimina E.

Q22
Hidrostática — Paradoxo Hidrostático

Ao nível do mar, três recipientes $R_1$, $R_2$ e $R_3$ abertos, de formatos diferentes mas com a mesma altura, foram totalmente preenchidos com o mesmo líquido. Sabendo que as áreas da base de $R_2$ e $R_3$ são iguais entre si e menores do que a área da base de $R_1$, e que a área do topo de $R_2$ e $R_1$ são iguais entre si e menores do que a área do topo de $R_3$, podemos afirmar que

A)$R_1$ é o recipiente com a maior pressão na base.
B)$R_3$ é o recipiente com a maior pressão no topo.
C)$R_2$ tem a pressão em sua base maior do que a pressão na base de $R_1$.
D)a pressão no topo dos recipientes depende da altura da coluna do líquido.
E)a pressão na base dos recipientes independe da área dos topos.

Gabarito oficial EsPCEx 2024/2025

E
Resolução

Este é o clássico "paradoxo hidrostático": pela equação fundamental da hidrostática, $p=p_0+\rho g h$, a pressão em qualquer ponto de um líquido em repouso depende apenas da profundidade h (e da densidade do líquido), nunca da forma do recipiente nem da área da base ou do topo. Todos os três recipientes têm a mesma altura e o mesmo líquido; logo, a pressão na base é idêntica nos três — o que já elimina A (nenhum tem pressão de base maior que os outros) e C (não pode ser maior, é igual). No topo, todos estão abertos à atmosfera, então a pressão no topo é sempre a pressão atmosférica em qualquer um deles, independentemente da área — o que elimina B e D. Resta a alternativa E, que é exatamente o enunciado do paradoxo: a pressão na base não depende da área da base nem do topo, apenas da altura da coluna líquida.

Q23
Cinemática — Movimento Acelerado para Evitar Colisão

Dois carros, $C_1$ e $C_2$, descrevem, inicialmente, movimentos retilíneos uniformes com velocidades de módulo, respectivamente, iguais a $v_1=15\,m/s$ e $v_2=20\,m/s$ ao longo de estradas diferentes que se cruzam. Eles deslocam-se no sentido do cruzamento das estradas, no ponto O, conforme indicado no desenho a seguir. Quando $C_1$ está a uma distância D do ponto O, o seu motorista percebe que ocorrerá uma colisão com $C_2$ exatamente em O. Imediatamente, para evitar a colisão, o motorista passa a imprimir uma aceleração constante de módulo $\alpha$ no carro $C_1$ de modo a alcançar o ponto O antes da chegada de $C_2$. Ele é bem sucedido e a distância entre os dois carros é de 20 m quando $C_2$ chega no ponto O.

C1 acima do ponto O deslocando-se para baixo com velocidade v1, a uma distância D de O; C2 à direita de O deslocando-se para a esquerda com velocidade v2, em direção a O

No instante que o motorista de $C_1$ começou a acionar o acelerador, a distância entre os dois carros era de:

A)$30\sqrt{10/\alpha}$
B)$50\sqrt{10/\alpha}$
C)$70\sqrt{10/\alpha}$
D)$35\sqrt{20/\alpha}$
E)$70\sqrt{20/\alpha}$

Gabarito oficial EsPCEx 2024/2025

B
Resolução

Seja $t_0=D/v_1=D/15$ o instante em que, no MRU original (sem aceleração), $C_1$ chegaria a O — que é também o instante em que $C_2$ chega a O (já que a colisão em O estava prevista para ocorrer exatamente nesse instante, com $C_2$ percorrendo a mesma distância D no mesmo tempo, pois $v_2 t_0 = D$ só coincidiria se as distâncias iniciais fossem proporcionais às velocidades — o que de fato é a condição da colisão prevista em O). Com a aceleração $\alpha$, $C_1$ passa a chegar a O antes de $t_0$; no instante $t_0$ (quando $C_2$ chega a O), $C_1$ já ultrapassou O, tendo percorrido $D+20$ metros ao longo de sua trajetória (pois a distância entre os carros é 20 m nesse instante, com $C_1$ à frente de O por essa mesma quantidade, do lado oposto a $C_2$). Pela equação horária: $D+20=v_1t_0+\tfrac12\alpha t_0^2=15\left(\dfrac{D}{15}\right)+\tfrac12\alpha\left(\dfrac{D}{15}\right)^2=D+\dfrac{\alpha D^2}{450}$. Logo $20=\dfrac{\alpha D^2}{450} \Rightarrow D^2=\dfrac{9000}{\alpha} \Rightarrow D=30\sqrt{10/\alpha}$. A distância inicial entre os carros (no instante em que o motorista começou a acelerar) é a distância entre $C_1$ (a D de O) e $C_2$ (a $v_2t_0=20D/15=4D/3$ de O) ao longo dos dois eixos perpendiculares: como formam um triângulo retângulo com catetos D e $4D/3$...

Refazendo de forma mais direta: nesse instante, $C_2$ está a $v_2 t_0=\dfrac{4D}{3}$ de O. A distância entre os carros é a hipotenusa dos catetos D (de $C_1$ a O) e $4D/3$ (de $C_2$ a O): $\sqrt{D^2+(4D/3)^2}=D\sqrt{1+16/9}=D\sqrt{25/9}=\dfrac{5D}{3}$. Substituindo $D=30\sqrt{10/\alpha}$: distância $=\dfrac{5}{3}\times30\sqrt{10/\alpha}=50\sqrt{10/\alpha}$.

Q24
Óptica Geométrica — Espelhos Esféricos Gaussianos

Duas calotas esféricas idênticas são espelhadas em lados diferentes de modo a formarem o espelho convexo ($\alpha_1$), e o espelho côncavo ($\alpha_2$), ambos gaussianos. Eles são dispostos com seus respectivos eixos principais sobre a reta r, conforme representado no desenho a seguir. Entre os espelhos, no centro de curvatura de $\alpha_2$ e a 2,0 mm do vértice de $\alpha_1$, é colocado um ponto luminoso O sobre a reta r.

Dois espelhos esféricos com concavidades voltadas uma para a outra sobre a reta r: alpha1 convexo à esquerda e alpha2 côncavo à direita, ponto O entre eles

Sabendo que a distância focal de $\alpha_1$ é 1,0 mm, a distância entre a primeira imagem do ponto luminoso formada por $\alpha_1$ e a primeira imagem do ponto luminoso formada por $\alpha_2$ é de, aproximadamente:

A)0,7 mm
B)1,4 mm
C)2,0 mm
D)2,5 mm
E)2,7 mm

Gabarito oficial EsPCEx 2024/2025

E
Resolução

Como as calotas são idênticas, os dois espelhos têm o mesmo raio de curvatura em módulo, logo a mesma distância focal em módulo: $|f_1|=|f_2|=1{,}0$ mm (convenção de sinal: $f_1=-1{,}0$ mm para o espelho convexo e $f_2=+1{,}0$ mm para o côncavo). Para $\alpha_1$ (convexo), o objeto está a $p_1=2{,}0$ mm; pela equação de Gauss, $\dfrac{1}{f_1}=\dfrac{1}{p_1}+\dfrac{1}{p_1'} \Rightarrow \dfrac{1}{-1}=\dfrac{1}{2}+\dfrac{1}{p_1'} \Rightarrow p_1'=-\dfrac{2}{3}$ mm (imagem virtual, atrás do espelho). Para $\alpha_2$ (côncavo), o objeto está exatamente no centro de curvatura ($p_2=R_2=2f_2=2{,}0$ mm); nesse caso a imagem se forma no próprio centro de curvatura, ou seja, $p_2'=2{,}0$ mm (verificação: $\dfrac{1}{1}=\dfrac{1}{2}+\dfrac{1}{p_2'}\Rightarrow p_2'=2$). A distância entre as duas imagens, medida a partir do ponto O (que é comum às duas referências de posição, pois ambas as distâncias focais são medidas a partir de seus respectivos vértices, com O fixo entre eles), é $|p_2'-p_1'|=\left|2-\left(-\dfrac23\right)\right|=\dfrac{8}{3}\approx2{,}7$ mm.

Q25
Estática — Equilíbrio de Hastes com Molas

O desenho a seguir representa um sistema em equilíbrio estático composto por duas hastes finas sem massa, $h_1$ e $h_2$, fios verticais e duas molas iguais, $M_1$ e $M_2$, com constante elástica igual a k, todos ideais. O bloco A tem peso P e está preso à haste $h_1$ horizontal. A haste $h_2$ forma um ângulo $\theta$ com a direção horizontal e, em suas extremidades, estão presas as molas $M_1$ e $M_2$, distendidas e fixas ao solo. Os pontos das barras em que estão presos os fios e as distâncias envolvidas estão indicadas no desenho.

Haste h1 horizontal pendurada no teto por um único ponto (2L de um lado, 5L do outro), com o bloco A pendurado na extremidade esquerda de h1 e um fio vertical de comprimento L na extremidade direita descendo até a haste h2, inclinada de um ângulo theta, com a mola M1 na extremidade esquerda (a 3L do ponto de fixação do fio) e a mola M2 na extremidade direita (mesmo ponto de fixação do fio), ambas as molas presas ao solo

Podemos afirmar que $\theta$ será:

A)$\text{arcsen}\left(0{,}01\dfrac{P}{kL}\right)$
B)$\text{arccos}\left(0{,}02\dfrac{kL}{P}\right)$
C)$\text{arcsen}\left(0{,}02\dfrac{kL}{P}\right)$
D)$\text{arcsen}\left(0{,}05\dfrac{P}{kL}\right)$
E)$\text{arccos}\left(0{,}05\dfrac{P}{kL}\right)$

Gabarito oficial EsPCEx 2024/2025

D
Resolução

A haste $h_1$ está pendurada no teto por um único ponto, a 2L do bloco A (peso P) e a 5L do fio que desce até $h_2$. Fazendo equilíbrio de torques em $h_1$ em torno desse ponto de suspensão: $P\cdot2L=T\cdot5L \Rightarrow T=\dfrac{2P}{5}$, onde T é a tração no fio vertical que liga $h_1$ a $h_2$. Esse resultado é sólido e não depende da geometria de $h_2$.

Na haste $h_2$, o fio (tração T) e a mola $M_2$ se prendem na mesma extremidade, a 3L da extremidade onde está $M_1$ (onde também se mede o ângulo $\theta$). Fazendo o equilíbrio de forças verticais e de torques em $h_2$, chega-se, após a análise geométrica do sistema (o ponto de fixação do fio funciona como referência fixa no espaço, já que está ligado por um fio inextensível a $h_1$, que por sua vez está fixa ao teto), à relação $sen\,\theta=0{,}05\dfrac{P}{kL}$, ou seja, alternativa D.

Nota de transparência: esta é, de longe, a questão mais trabalhosa da prova. A etapa da haste $h_1$ (tração $T=2P/5$) é uma dedução direta e sem ambiguidade. Já a etapa da haste $h_2$ exige reconstruir, a partir do desenho, a distância entre o ponto de fixação do fio e a extremidade onde a mola $M_2$ está presa — uma medida que não está redigida por extenso no enunciado que tivemos em mãos, e que o desenho (explicitamente "fora de escala") não permite medir com precisão de pixel. Conferimos cuidadosamente que a alternativa D bate com o gabarito oficial da banca, e a forma da resposta ($sen\,\theta$ proporcional a $P/(kL)$, com T aparecendo implicitamente através do coeficiente 0,05) é totalmente consistente com o método de equilíbrio de forças e torques descrito acima. Se você tiver a prova impressa em mãos e conseguir confirmar a distância exata entre esses dois pontos em $h_2$, essa é precisamente a peça que fecha a dedução com todos os passos explícitos.

Q26
Eletrostática — Campo Elétrico Uniforme e Equilíbrio de Cargas

Em uma região plana do espaço há um campo elétrico uniforme $\vec{E}$. A região foi mapeada com os eixos cartesianos xy. Duas cargas puntiformes $Q_1$ e $Q_2$ estão fixadas nesse plano e uma terceira carga $Q_3$ é abandonada em um ponto do plano de modo que fique em repouso sob a ação exclusiva das forças elétricas. As respectivas coordenadas das cargas estão representadas no desenho abaixo.

Eixos cartesianos xy: Q1 no ponto (x2, y1), Q2 no ponto (x2, y3) diretamente acima de Q1, e Q3 no ponto (x3, y3) à mesma altura de Q2, formando um triângulo retângulo com ângulo reto em Q2

Podemos afirmar que $\vec{E}$ forma com o sentido positivo do eixo x um ângulo $\theta$ que satisfaz a seguinte condição:

Dados: Todas as cargas e $\vec{E}$ são coplanares ao plano xy. $Q_1=Q_2=-Q_3$; $y_3-y_1=x_3-x_2$; $Q_3>0$; $sen(45°)=cos(45°)=\sqrt2/2$.

A)$\theta=\text{arctg}\left[\dfrac{2\sqrt5+1}{5}\right]$
B)$\theta=\text{arctg}\left[\dfrac{5\sqrt2-1}{5}\right]$
C)$\theta=\text{arctg}\left[\dfrac{2\sqrt2-1}{7}\right]$
D)$\theta=\text{arctg}\left[\dfrac{3\sqrt5+1}{2}\right]$
E)$\theta=\text{arctg}\left[\dfrac{2\sqrt3-1}{10}\right]$

Gabarito oficial EsPCEx 2024/2025

C
Resolução

Pelas coordenadas, $Q_1$ e $Q_2$ compartilham a mesma abscissa $x_2$ (Q1 abaixo de Q2), enquanto $Q_2$ e $Q_3$ compartilham a mesma ordenada $y_3$ (Q3 à direita de Q2): as três cargas formam um triângulo retângulo com o ângulo reto em $Q_2$. Chamando de $a$ o valor comum $y_3-y_1=x_3-x_2$ (catetos iguais), a distância $Q_2Q_3=a$ e a distância $Q_1Q_3=a\sqrt2$ (hipotenusa), com $Q_1$ na direção $225°$ em relação a $Q_3$ e $Q_2$ na direção $180°$ (eixo -x) em relação a $Q_3$.

Como $Q_1=Q_2=-Q_3$ e $Q_3>0$, as cargas $Q_1$ e $Q_2$ são negativas: a força que cada uma exerce sobre $Q_3$ é atrativa (aponta de $Q_3$ em direção a elas). Chamando $q=|Q_3|$: a força de $Q_1$ sobre $Q_3$ tem módulo $\dfrac{kq^2}{2a^2}$ na direção $225°$; a força de $Q_2$ sobre $Q_3$ tem módulo $\dfrac{kq^2}{a^2}$ na direção $180°$. Somando as componentes: $F_x=-\dfrac{kq^2}{2a^2}\cdot\dfrac{\sqrt2}{2}-\dfrac{kq^2}{a^2}$ e $F_y=-\dfrac{kq^2}{2a^2}\cdot\dfrac{\sqrt2}{2}$.

Para $Q_3$ ficar em repouso, a força elétrica exercida pelo campo externo, $Q_3\vec{E}$, deve cancelar exatamente essa soma: $\vec E=-(\vec F_1+\vec F_2)/q$, o que dá $E_x=\dfrac{kq}{a^2}\left(1+\dfrac{1}{2\sqrt2}\right)$ e $E_y=\dfrac{kq}{a^2}\cdot\dfrac1{2\sqrt2}$ (ambas positivas). Logo $tg\,\theta=\dfrac{E_y}{E_x}=\dfrac{1}{1+2\sqrt2}$. Racionalizando (multiplicando por $\dfrac{2\sqrt2-1}{2\sqrt2-1}$): $tg\,\theta=\dfrac{2\sqrt2-1}{(2\sqrt2)^2-1}=\dfrac{2\sqrt2-1}{7}$ — exatamente a alternativa C.

Q27
Eletromagnetismo — Indução em Circuito com Duas Barras Móveis

O desenho a seguir representa um retângulo formado por duas hastes paralelas, condutoras, sendo uma ideal e a outra com resistência R constante e, ainda, dois fios condutores, paralelos e ideais. Os fios, de comprimento L, deslocam-se com as extremidades sobre as hastes com velocidades constantes, paralelas às hastes e respectivamente iguais a $\vec{v_1}$ e $\vec{v_2}$. Na região do retângulo há um campo magnético uniforme $\vec{B}$, perpendicular ao plano da folha desta prova e saindo dela.

Duas hastes horizontais paralelas conectadas por dois fios verticais móveis: o fio esquerdo se move com velocidade v1 para a esquerda, o fio direito com velocidade v2 para a direita, campo B saindo do plano, resistor R na haste inferior entre os fios

Podemos afirmar que, no instante em que o desenho é representado, a intensidade da corrente elétrica circulando no retângulo é de:

A)$\dfrac{BL}{R}\left(|\vec{v_1}-\vec{v_2}|\right)$
B)$\dfrac{BL}{R}\left(|2\vec{v_2}-\vec{v_1}|\right)$
C)$\dfrac{BL}{R}\left(|\vec{v_1}+\vec{v_2}|\right)$
D)$\dfrac{BL}{2R}\left(|\vec{v_1}-\vec{v_2}|\right)$
E)$\dfrac{BL}{2R}\left(|2\vec{v_1}+\vec{v_2}|\right)$

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A
Resolução

Cada fio móvel, deslocando-se em um campo $\vec B$ perpendicular ao plano, funciona como uma fonte de f.e.m. induzida (força motriz sobre as cargas, $\vec F=q\vec v\times\vec B$), de módulo $BLv$. Analisando o sentido da força sobre cargas positivas em cada fio (regra da mão direita, com B saindo do plano): o fio da esquerda, movendo-se para a esquerda, empurra as cargas positivas para cima dentro dele; o fio da direita, movendo-se para a direita, empurra as cargas positivas para baixo dentro dele. Ao percorrer o circuito, essas duas "pilhas" ficam com polaridades que se opõem uma à outra (uma tende a fazer a corrente circular no sentido horário, a outra no sentido anti-horário) — por isso suas f.e.m.'s se subtraem, e não se somam. A f.e.m. resultante é $\varepsilon=BL|v_1-v_2|$, e a corrente, pela Lei de Ohm no circuito (resistência total R, já que os fios e a outra haste são ideais): $i=\dfrac{BL}{R}|\vec{v_1}-\vec{v_2}|$.

Q28
Cinemática — Composição de Velocidades (Vento)

Um helicóptero voa com velocidade constante de módulo $V_1$, em relação ao solo, de uma posição A até outra posição B, horizontalmente na mesma direção e sentido do vento. Ao retornar, pelo mesmo trajeto, agora contra o vento, sua velocidade constante tem módulo $V_2$ em relação ao solo. O valor do módulo da velocidade do helicóptero $V_H$, que é o mesmo na ida e na volta, em relação à massa de ar, e o valor do módulo da velocidade constante do vento $V_V$, em relação ao solo, são respectivamente iguais a:

A)$V_H=\dfrac{(V_1+V_2)}{2}$ e $V_V=\dfrac{(V_1-V_2)}{2}$
B)$V_H=\dfrac{(V_1-V_2)}{2}$ e $V_V=\dfrac{(V_1+V_2)}{2}$
C)$V_H=\dfrac{(V_1+V_2)}{2}$ e $V_V=\dfrac{(V_1+V_2)}{2}$
D)$V_H=\dfrac{(V_1-V_2)}{2}$ e $V_V=\dfrac{(V_1-V_2)}{2}$
E)$V_H=\dfrac{-(V_1+V_2)}{2}$ e $V_V=\dfrac{-(V_1+V_2)}{2}$

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A
Resolução

Na ida, o helicóptero voa a favor do vento: sua velocidade em relação ao solo é a soma das velocidades (helicóptero em relação ao ar mais o próprio vento): $V_1=V_H+V_V$. Na volta, contra o vento, o vento subtrai da velocidade do helicóptero: $V_2=V_H-V_V$. Somando as duas equações: $V_1+V_2=2V_H \Rightarrow V_H=\dfrac{V_1+V_2}{2}$. Subtraindo: $V_1-V_2=2V_V \Rightarrow V_V=\dfrac{V_1-V_2}{2}$.

Q29
Dinâmica — Aceleração em Pêndulo de Grande Amplitude

O desenho a seguir representa um pêndulo simples, preso ao teto no ponto O, e que, desprezando as forças dissipativas, descreve um movimento periódico em um plano, com um ângulo de abertura grande, entre os pontos extremos I e V da sua trajetória.

Pêndulo preso no ponto O oscilando entre os pontos extremos I e V, passando pelas posições intermediárias II, III (ponto mais baixo) e IV

Dados: Considere $\vec{g}$ o vetor aceleração da gravidade.

O desenho que melhor representa o vetor aceleração resultante da massa do pêndulo ao longo da trajetória I, II, III, IV, V é:

Alternativa A: vetores aceleração tangenciais em I e V, vertical para cima em III, diagonais em II e IV

[A]

Alternativa B: sem vetor em I e V, vetores horizontais em II, III e IV apontando para a direita

[B]

Alternativa C: vetores em todos os pontos I a V apontando para fora e para baixo, divergindo do centro

[C]

Alternativa D: sem vetor em I e V, vetores horizontais em II, III e IV todos apontando para a direita

[D]

Alternativa E: vetores em todos os pontos I a V apontando ao longo do fio, em direção a O

[E]

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A
Resolução

A aceleração da massa do pêndulo é, a cada instante, a soma vetorial de uma componente tangencial (proveniente da componente do peso ao longo da trajetória, que sempre aponta "para o ponto mais baixo", acelerando ou freando o movimento) com uma componente centrípeta (voltada para o centro O, proporcional a $v^2/L$). Nos extremos I e V, a velocidade é nula, logo a componente centrípeta é nula e só resta a aceleração tangencial, apontando ao longo da trajetória em direção ao ponto mais baixo (III). No ponto mais baixo III, a velocidade é máxima (máxima componente centrípeta, apontando verticalmente para cima, em direção a O) e a componente tangencial é nula (o peso é radial nesse ponto, sem componente ao longo da trajetória) — logo a aceleração resultante em III aponta puramente para cima, em direção a O. Nos pontos intermediários II e IV, as duas componentes coexistem, resultando em vetores diagonais que combinam a direção "para cima" (centrípeta) com a direção "para o ponto mais baixo" (tangencial). Esse é exatamente o padrão da alternativa A: tangencial pura nos extremos, vertical pura (para cima) no ponto mais baixo, e diagonal nos pontos intermediários.

Q30
Termologia — Calorimetria com Perda de Calor ao Ambiente

Ao nível do mar, em um recipiente de capacidade térmica desprezível, misturamos 20 g de água líquida a 100°C com 80 g de água a 10°C. A mistura troca calor com o meio externo e atinge o equilíbrio térmico a uma temperatura de 20°C. Até atingir o equilíbrio térmico, a quantidade de calor que é trocada entre toda massa de água do recipiente e o meio externo é:

Dado: Considere o calor específico da água líquida igual a 1 cal/g°C

A)960 cal
B)900 cal
C)−450 cal
D)−800 cal
E)−820 cal

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D
Resolução

Se o recipiente fosse perfeitamente isolado (sem troca com o ambiente), a temperatura de equilíbrio seria dada por $20(100-T_{eq})=80(T_{eq}-10) \Rightarrow T_{eq}=28°C$. Como a temperatura final informada é 20°C — mais baixa que os 28°C do caso isolado — o sistema perdeu calor extra para o meio externo. Calculando o calor total absorvido pela água (soma das duas porções, usando a temperatura final real de 20°C): a porção quente perde $Q_1=20\times1\times(20-100)=-1600$ cal; a porção fria ganha $Q_2=80\times1\times(20-10)=800$ cal. O saldo é $Q=Q_1+Q_2=-1600+800=-800$ cal — esse valor negativo representa exatamente o calor que a água, como um todo, cedeu ao meio externo até atingir 20°C.

Q31
Eletrodinâmica — Circuito com Múltiplos Geradores

No circuito desenhado abaixo, estão representados geradores ideais e cada um com f.e.m E; cinco resistores ôhmicos de resistência R; um amperímetro e um voltímetro ideais.

Circuito com dois trilhos verticais (esquerdo e direito) ligados por quatro ramos horizontais: R+E, amperímetro+E+R, R+R (com voltímetro em paralelo com o segundo R), e R+E

As leituras no amperímetro e no voltímetro são, respectivamente, iguais a:

A)0 e $2E/5$
B)$E/21R$ e $E/7$
C)$3E/7R$ e $6E/7$
D)$3E/7R$ e $3E/21$
E)$9E/7R$ e $E/7$

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E
Resolução

Os dois trilhos verticais são nós únicos (esquerdo L e direito D), ligados por quatro ramos em paralelo. O ramo com o voltímetro ideal não conduz corrente (resistência infinita), então o "R+R" central é simplesmente 2R em série, e a tensão no voltímetro é a queda no segundo desses resistores. Chamando $\Delta V=V_L-V_D$ e escrevendo a corrente de cada ramo (sentido L→D) em função de $\Delta V$ e das f.e.m.'s (todas iguais a E, com as polaridades indicadas no desenho): ramo 1 (R+E): $i_1=(\Delta V-E)/R$; ramo 2 (amperímetro+E+R): $i_2=(\Delta V+E)/R$; ramo 3 (R+R): $i_3=\Delta V/2R$; ramo 4 (R+E): $i_4=(\Delta V+E)/R$.

Pela Lei dos Nós em L, $i_1+i_2+i_3+i_4=0$. Substituindo e resolvendo: $7\Delta V+2E=0 \Rightarrow \Delta V=-2E/7$. Logo $i_2=(-2E/7+E)/R=9E/(7R)$ — a leitura do amperímetro — e $i_3=(-2E/7)/(2R)=-E/(7R)$, de modo que a tensão no voltímetro (módulo da queda no segundo resistor do ramo 3) é $|i_3|\cdot R=E/7$.

Q32
Estática — Barco Amarrado com Corda sob Correnteza

Em um rio, um barco está amarrado a uma estaca através de uma corda ideal com 5,0 m de comprimento, fixa nos pontos A e B de mesma altura. Um peso de 100 N é suspenso no meio dessa corda. O rio possui uma correnteza que exerce sobre o barco uma força de arrasto horizontal $\vec{F_c}$ de intensidade igual a 50 N, conforme indicado no desenho. A corda, a estaca e $\vec{F_c}$ são coplanares.

Estaca fixa à esquerda com ponto A no topo; corda descendo até um peso de 100N no meio e subindo até o ponto B, preso ao barco; força de arrasto Fc horizontal empurrando o barco para a direita

Considerando que todo o sistema encontra-se em equilíbrio estático, a intensidade da tração na corda e a distância do barco à estaca são, respectivamente, iguais a:

A)$100\sqrt2\,N$ e $2{,}5\sqrt2\,m$
B)$0{,}01\sqrt2\,N$ e $5\sqrt2\,m$
C)$0{,}01\sqrt2\,N$ e $2{,}5\sqrt2\,m$
D)$50\sqrt2\,N$ e $2{,}5\sqrt2\,m$
E)$100\sqrt2\,N$ e $5\sqrt2\,m$

Gabarito oficial EsPCEx 2024/2025

D
Resolução

Como A e B têm a mesma altura e os dois trechos da corda (de A até o peso, e do peso até B) somam 5,0 m com o peso pendurado exatamente no meio da corda (2,5 m cada trecho), a geometria é forçosamente simétrica: os dois trechos fazem o mesmo ângulo $\phi$ com a horizontal e têm a mesma tração T (isso decorre do equilíbrio horizontal no ponto onde o peso está pendurado — as componentes horizontais das duas trações só se cancelam se forem iguais em módulo, e sendo os comprimentos iguais, os ângulos também coincidem).

No ponto do peso, o equilíbrio vertical dá $2T\,sen\,\phi=100$. No ponto B (o barco), a tração T deve equilibrar horizontalmente a força de arrasto: $T\,cos\,\phi=F_c=50$. Dividindo as duas equações: $tg\,\phi=\dfrac{100}{2\times50}=1 \Rightarrow \phi=45°$. Substituindo de volta: $T\,cos\,45°=50 \Rightarrow T=\dfrac{50}{\sqrt2/2}=50\sqrt2\,N$.

Para a distância: com $\phi=45°$, cada trecho de 2,5 m tem projeção horizontal $2{,}5\,cos\,45°=2{,}5\dfrac{\sqrt2}{2}=1{,}25\sqrt2$ m. A distância total do barco à estaca é a soma das duas projeções horizontais (iguais, por simetria): $2\times1{,}25\sqrt2=2{,}5\sqrt2$ m.

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