ITA 2011 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Prova de Física · 20 questões objetivas e 10 discursivas · Resoluções comentadas e análise TEF individual.

Q01
Perseguição simétrica no hexágono

Um problema clássico da cinemática considera objetos que, a partir de certo instante, se movem conjuntamente com velocidade de módulo constante a partir dos vértices de um polígono regular, cada qual apontando à posição instantânea do objeto vizinho em movimento. A figura mostra a configuração desse movimento múltiplo no caso de um hexágono regular. Considere que o hexágono tinha $10{,}0\,\mathrm m$ de lado no instante inicial e que os objetos se movimentam com velocidade de módulo constante de $2{,}00\,\mathrm{m/s}$. Após quanto tempo estes se encontrarão e qual deverá ser a distância percorrida por cada um dos seis objetos?

Seis objetos nos vértices de um hexágono; cada vetor velocidade aponta para o objeto vizinho, mantendo a perseguição simétrica.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)5,8 s e 11,5 m
B)11,5 s e 5,8 m
C)10,0 s e 20,0 m
D)20,0 s e 10,0 m
E)20,0 s e 40,0 m

Gabarito de referência

C
Resolução comentada

A simetria mantém os seis objetos nos vértices de um hexágono que encolhe e gira. Cada velocidade tem componente radial constante em direção ao centro.

\[v_r=v\cos60^\circ=1{,}00\ \mathrm{m/s}\]
\[R_0=\ell_0=10{,}0\ \mathrm m\]
\[t=\frac{R_0}{v_r}=10{,}0\ \mathrm s\]
\[s=vt=20{,}0\ \mathrm m\]

A trajetória real é curva; seus 20 m de comprimento não devem ser confundidos com os 10 m percorridos na direção radial.

Alternativa correta: C.

Q02
Empuxo e área molhada

Um cubo maciço homogêneo com $4{,}0\,\mathrm{cm}$ de aresta flutua na água tranquila de uma lagoa, de modo a manter $70\%$ da área total da sua superfície em contato com a água, conforme mostra a figura. A seguir, uma pequena rã se acomoda no centro da face superior do cubo e este se afunda mais $0{,}50\,\mathrm{cm}$ na água. Assinale a opção com os valores aproximados da densidade do cubo e da massa da rã, respectivamente.

Cubo parcialmente submerso com face superior horizontal fora da água e partes inferiores tracejadas dentro da água.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)$0{,}20\,\mathrm{g/cm^3}$ e $6{,}4\,\mathrm g$
B)$0{,}70\,\mathrm{g/cm^3}$ e $6{,}4\,\mathrm g$
C)$0{,}70\,\mathrm{g/cm^3}$ e $8{,}0\,\mathrm g$
D)$0{,}80\,\mathrm{g/cm^3}$ e $6{,}4\,\mathrm g$
E)$0{,}80\,\mathrm{g/cm^3}$ e $8{,}0\,\mathrm g$

Gabarito de referência

E
Resolução comentada

Os 70% referem-se à área superficial em contato com a água, não ao volume. Se h é a altura submersa, a área molhada inclui a base e quatro faces laterais.

\[\ell^2+4\ell h=0{,}70(6\ell^2)\]
\[h=0{,}80\ell=3{,}2\ \mathrm{cm}\]
\[\rho_c=\rho_a\frac h\ell=0{,}80\ \mathrm{g/cm^3}\]
\[m_{\mathrm{r\tilde a}}=\rho_a\ell^2\Delta h\]
\[m_{\mathrm{r\tilde a}}=1{,}0(4{,}0)^2(0{,}50)=8{,}0\ \mathrm g\]

A massa da rã corresponde ao acréscimo de volume deslocado, enquanto a densidade do cubo vem de sua imersão inicial.

Alternativa correta: E.

Q03
Doppler e bungee jumping

Uma pessoa de $80{,}0\,\mathrm{kg}$ deixa-se cair verticalmente de uma ponte amarrada a uma corda elástica de “bungee jumping” com $16{,}0\,\mathrm m$ de comprimento. Considere que a corda se esticará até $20{,}0\,\mathrm m$ de comprimento sob a ação do peso. Suponha que, em todo o trajeto, a pessoa toque continuamente uma vuvuzela, cuja frequência natural é de $235\,\mathrm{Hz}$. Qual(is) é(são) a(s) distância(s) abaixo da ponte em que a pessoa se encontra para que um som de $225\,\mathrm{Hz}$ seja percebido por alguém parado sobre a ponte?

A)11,4 m
B)11,4 m e 14,4 m
C)11,4 m e 18,4 m
D)14,4 m e 18,4 m
E)11,4 m, 14,4 m e 18,4 m

Gabarito de referência

C
Resolução comentada

Para o som ouvido na ponte ter frequência menor, a fonte está descendo. Interpreta-se 20 m como o comprimento máximo atingido na primeira queda, como pressupõe o gabarito, e não como alongamento de equilíbrio estático.

\[225=235\frac{340}{340+u}\]
\[u=15{,}11\ \mathrm{m/s}\]
\[\frac12k(20-16)^2=mg(20)\]
\[k=2000\ \mathrm{N/m}\]
\[H_1=\frac{u^2}{2g}\simeq11{,}4\ \mathrm m\]
\[mg(16+x)-\frac12kx^2=\frac12mu^2\]
\[x\simeq2{,}4\ \mathrm m\]

A segunda posição é H₂=16+x≈18,4 m. Na descida, a rapidez primeiro cresce e depois cai, assumindo o mesmo valor duas vezes. Na subida, a frequência aumenta, não atende a 225 Hz.

Alternativa correta: C.

Q04
Terceira lei de Kepler

Na ficção científica A Estrela, de H. G. Wells, um grande asteroide passa próximo à Terra que, em consequência, fica com sua nova órbita mais próxima do Sol e tem seu ciclo lunar alterado para 80 dias. Pode-se concluir que, após o fenômeno, o ano terrestre e a distância Terra–Lua vão tornar-se, respectivamente,

A)mais curto — aproximadamente a metade do que era antes.
B)mais curto — aproximadamente duas vezes o que era antes.
C)mais curto — aproximadamente quatro vezes o que era antes.
D)mais longo — aproximadamente a metade do que era antes.
E)mais longo — aproximadamente um quarto do que era antes.

Gabarito de referência

B
Resolução comentada

Uma órbita terrestre menor em torno do Sol tem período menor. Para a Lua, compare o novo período de 80 dias com o período aproximado atual de 27 dias.

\[T^2\propto r^3\]
\[\frac{r_{L,2}}{r_{L,1}}=\left(\frac{80}{27}\right)^{2/3}\]
\[\frac{r_{L,2}}{r_{L,1}}\simeq2{,}06\]

O ano fica mais curto e a distância média Terra-Lua fica aproximadamente duas vezes maior, sob a idealização kepleriana do item.

Alternativa correta: B.

Q05
Molas transversais e aproximação

Sobre uma mesa sem atrito, uma bola de massa $M$ é presa por duas molas alinhadas, de constante de mola $k$ e comprimento natural $\ell_0$, fixadas nas extremidades da mesa. Então, a bola é deslocada a uma distância $x$ na direção perpendicular à linha inicial das molas, como mostra a figura, sendo solta a seguir. Obtenha a aceleração da bola, usando a aproximação $(1+a)^\alpha=1+\alpha a$.

Duas molas ligam a bola M aos apoios laterais. Na posição inicial cada uma tem comprimento natural ℓ0; o deslocamento x é perpendicular à linha entre os apoios.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)$a=-kx/M$
B)$a=-kx^2/(2M\ell_0)$
C)$a=-kx^2/(M\ell_0)$
D)$a=-kx^3/(2M\ell_0^2)$
E)$a=-kx^3/(M\ell_0^2)$

Gabarito de referência

E
Resolução comentada

As componentes paralelas à configuração inicial se cancelam. Para um pequeno deslocamento transversal x, a extensão de cada mola é de segunda ordem, e a componente transversal acrescenta mais um fator x.

\[\ell=\sqrt{\ell_0^2+x^2}\]
\[\Delta\ell\simeq\frac{x^2}{2\ell_0}\]
\[F_x=-2k\Delta\ell\frac{x}{\ell}\]
\[F_x\simeq-\frac{kx^3}{\ell_0^2}\]
\[a_x\simeq-\frac{kx^3}{M\ell_0^2}\]

Não é um MHS: o termo restaurador dominante é cúbico, pois as molas não têm pré-tensão na posição inicial.

Alternativa correta: E.

Q06
Erguimento em tempo mínimo

Um corpo de massa $M$, inicialmente em repouso, é erguido por uma corda de massa desprezível até uma altura $H$, onde fica novamente em repouso. Considere que a maior tração que a corda pode suportar tenha módulo igual a $nMg$, em que $n>1$. Qual deve ser o menor tempo possível para ser feito o erguimento desse corpo?

A)$\sqrt{\dfrac{2H}{(n-1)g}}$
B)$\sqrt{\dfrac{2nH}{(n-1)g}}$
C)$\sqrt{\dfrac{nH}{2(n-1)^2g}}$
D)$\sqrt{\dfrac{4nH}{(n-2)g}}$
E)$\sqrt{\dfrac{4nH}{(n-1)g}}$

Gabarito de referência

B
Resolução comentada

O trajeto mais rápido usa tração máxima para ganhar velocidade e depois tração nula para frear com aceleração −g. A corda não pode empurrar o corpo para baixo.

\[a_+=(n-1)g\]
\[v_{\max}=(n-1)gt_1=gt_2\]
\[T=t_1+t_2=nt_1\]
\[H=\frac12v_{\max}T\]
\[H=\frac{(n-1)g}{2n}T^2\]
\[T_{\min}=\sqrt{\frac{2nH}{(n-1)g}}\]

O gráfico velocidade-tempo é triangular. A etapa de frenagem é indispensável porque o corpo deve terminar em repouso.

Alternativa correta: B.

Q07
MHS e identidade de ângulo duplo

Uma partícula de massa $m$ move-se sobre uma linha reta horizontal num Movimento Harmônico Simples (MHS) com centro O. Inicialmente, a partícula encontra-se na máxima distância $x_0$ de O e, a seguir, percorre uma distância $a$ no primeiro segundo e uma distância $b$ no segundo seguinte, na mesma direção e sentido. Quanto vale a amplitude $x_0$ desse movimento?

A)$2a^3/(3a^2-b^2)$
B)$2b^2/(4a-b)$
C)$2a^2/(3a-b)$
D)$2a^2b/(3a^2-b^2)$
E)$4a^2/(3a-2b)$

Gabarito de referência

C
Resolução comentada

A partícula parte da amplitude positiva. Como os dois trechos têm o mesmo sentido, as posições após 1 s e 2 s são x₀−a e x₀−a−b.

\[x(t)=x_0\cos\omega t\]
\[\cos\omega=1-\frac a{x_0}\]
\[1-\frac{a+b}{x_0}=2\left(1-\frac a{x_0}\right)^2-1\]
\[(3a-b)x_0=2a^2\]
\[x_0=\frac{2a^2}{3a-b}\]

A condição de sentido comum permite tratar a e b como deslocamentos com sinal conhecido; não é preciso determinar o período.

Alternativa correta: C.

Q08
Interseção de trajetórias oblíquas

Duas partículas idênticas, de mesma massa $m$, são projetadas de uma origem O comum, num plano vertical, com velocidades iniciais de mesmo módulo e ângulos de lançamento respectivamente $\alpha$ e $\beta$ em relação à horizontal. Considere $T_1$ e $T_2$ os respectivos tempos de alcance do ponto mais alto de cada trajetória e $t_1$ e $t_2$ os respectivos tempos para as partículas alcançar um ponto comum de ambas as trajetórias. Assinale a opção com o valor da expressão $t_1T_1+t_2T_2$.

A)$2v_0^2(\operatorname{tg}\alpha+\operatorname{tg}\beta)/g^2$
B)$2v_0^2/g^2$
C)$4v_0^2\operatorname{sen}\alpha/g^2$
D)$4v_0^2\operatorname{sen}\beta/g^2$
E)$2v_0^2(\operatorname{sen}\alpha+\operatorname{sen}\beta)/g^2$

Gabarito de referência

B
Resolução comentada

Considere a segunda interseção das trajetórias, além da origem, e ângulos distintos. No ponto comum, iguale as coordenadas horizontais e verticais dos dois lançamentos.

\[t_2=t_1\frac{\cos\alpha}{\cos\beta}\]
\[v_0\sin\alpha\,t_1-\frac g2t_1^2=v_0\sin\beta\,t_2-\frac g2t_2^2\]
\[t_1=\frac{2v_0\cos\beta\sin(\beta-\alpha)}{g(\cos^2\alpha-\cos^2\beta)}\]
\[T_1=\frac{v_0\sin\alpha}{g}\]
\[T_2=\frac{v_0\sin\beta}{g}\]
\[t_1T_1+t_2T_2=\frac{2v_0^2\sin(\beta-\alpha)\sin(\alpha+\beta)}{g^2(\cos^2\alpha-\cos^2\beta)}\]
\[t_1T_1+t_2T_2=\frac{2v_0^2}{g^2}\]

Usou-se cos²α−cos²β=sen(α+β)sen(β−α). Os tempos de passagem pelo ponto comum não precisam ser iguais.

Alternativa correta: B.

Q09
Consistência dimensional

Um exercício sobre a dinâmica da partícula tem seu início assim enunciado: Uma partícula está se movendo com uma aceleração cujo módulo é dado por $\mu(r+a^3/r^2)$, sendo $r$ a distância entre a origem e a partícula. Considere que a partícula foi lançada a partir de uma distância $a$ com uma velocidade inicial $2\sqrt{\mu a}$. Existe algum erro conceitual nesse enunciado? Por que razão?

A)Não, porque a expressão para a velocidade é consistente com a da aceleração;
B)Sim, porque a expressão correta para a velocidade seria $2a^2\sqrt\mu$;
C)Sim, porque a expressão correta para a velocidade seria $2a^2\sqrt{\mu/r}$;
D)Sim, porque a expressão correta para a velocidade seria $2\sqrt{a^2\mu/r}$;
E)Sim, porque a expressão correta para a velocidade seria $2a\sqrt\mu$;

Gabarito de referência

E
Resolução comentada

A soma r+a³/r² tem dimensão de comprimento. A constante μ deve, portanto, ter dimensão de frequência ao quadrado.

\[[r+a^3/r^2]=L\]
\[[\mu]=T^{-2}\]
\[[\sqrt{\mu a}]=L^{1/2}T^{-1}\]
\[[a\sqrt\mu]=LT^{-1}\]

A velocidade declarada 2√(μa) é dimensionalmente incompatível. Entre as formas propostas, 2a√μ é a que tem dimensão de velocidade. Essa verificação não determina sozinha um valor dinâmico para a velocidade.

Alternativa correta: E.

Q10
Equilíbrio e braços de torque

Um prisma regular hexagonal homogêneo com peso de $15\,\mathrm N$ e aresta da base de $2{,}0\,\mathrm m$ é mantido de pé graças ao apoio de um dos seus vértices da base inferior (ver figura) e à ação de uma força vertical de suspensão de $10\,\mathrm N$ (não mostrada). Nessas condições, o ponto de aplicação da força na base superior do prisma encontra-se

Prisma hexagonal com vértices da base superior R, Q, P, N, M e S; o apoio inferior está na vertical do vértice R.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)sobre o segmento RM a 2,0 m de R.
B)sobre o segmento RN a 4,0 m de R.
C)sobre o segmento RN a 3,0 m de R.
D)sobre o segmento RN a 2,0 m de R.
E)sobre o segmento RP a 2,5 m de R.

Gabarito de referência

C
Resolução comentada

O peso do prisma homogêneo atua no centro. A distância horizontal desse centro ao vértice apoiado é o raio circunscrito ao hexágono, igual a seu lado de 2 m.

\[F\,d_F=P\,d_P\]
\[10d_F=15(2{,}0)\]
\[d_F=3{,}0\ \mathrm m\]

Para cancelar o vetor torque, o ponto de aplicação está na reta que une o vértice R ao centro e ao vértice oposto N, a 3,0 m de R.

Alternativa correta: C.

Q11
Regulagem do pêndulo

Um relógio tem um pêndulo de $35\,\mathrm{cm}$ de comprimento. Para regular seu funcionamento, ele possui uma porca de ajuste que encurta o comprimento do pêndulo de $1\,\mathrm{mm}$ a cada rotação completa à direita e alonga este comprimento de $1\,\mathrm{mm}$ a cada rotação completa à esquerda. Se o relógio atrasa um minuto por dia, indique o número aproximado de rotações da porca e sua direção necessários para que ele funcione corretamente.

A)1 rotação à esquerda
B)1/2 rotação à esquerda
C)1/2 rotação à direita
D)1 rotação à direita
E)1 e 1/2 rotações à direita.

Gabarito de referência

C
Resolução comentada

O relógio registra 1439 min durante 1440 min reais. Para corrigir o atraso, é necessário reduzir o período e encurtar o pêndulo.

\[\frac{T_{\mathrm{novo}}}{T_{\mathrm{antigo}}}=\frac{1439}{1440}\]
\[\frac{L_{\mathrm{novo}}}{L_{\mathrm{antigo}}}=\left(\frac{1439}{1440}\right)^2\]
\[\Delta L=350\left[\left(\frac{1439}{1440}\right)^2-1\right]\ \mathrm{mm}\]
\[\Delta L\simeq-0{,}486\ \mathrm{mm}\]

Cada volta à direita reduz 1 mm: aproximadamente meia volta à direita corrige o atraso.

Alternativa correta: C.

Q12
Refração paraxial no hemisfério

Um hemisfério de vidro maciço de raio de $10\,\mathrm{cm}$ e índice de refração $n=3/2$ tem sua face plana apoiada sobre uma parede, como ilustra a figura. Um feixe colimado de luz de $1\,\mathrm{cm}$ de diâmetro incide sobre a face esférica, centrado na direção do eixo de simetria do hemisfério. Valendo-se das aproximações de ângulos pequenos, $\operatorname{sen}\theta\approx\theta$ e $\operatorname{tg}\theta\approx\theta$, o diâmetro do círculo de luz que se forma sobre a superfície da parede é de

Hemisfério de raio 10 cm com face plana contra a parede à direita; feixe de 1 cm incide horizontalmente na face curva, ao longo do eixo.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)$1\,\mathrm{cm}$
B)$\dfrac23\,\mathrm{cm}$
C)$\dfrac12\,\mathrm{cm}$
D)$\dfrac13\,\mathrm{cm}$
E)$\dfrac1{10}\,\mathrm{cm}$

Gabarito de referência

B
Resolução comentada

Para o raio que passa à altura y, o ângulo da normal com o eixo é i≈y/R. Snell fornece r≈i/n. O desvio em relação ao eixo é i−r e atua por uma distância aproximadamente R até a parede.

\[i\simeq\frac yR\]
\[r\simeq\frac in\]
\[y_{\mathrm{parede}}\simeq y-R(i-r)\]
\[y_{\mathrm{parede}}\simeq\frac yn\]
\[D_{\mathrm{parede}}=\frac{D_{\mathrm{feixe}}}{n}=\frac23\ \mathrm{cm}\]

O círculo na parede tem diâmetro de 2/3 cm. O raio de 10 cm cancela na aproximação paraxial.

Alternativa correta: B.

Q13
Reversibilidade e segunda lei

A inversão temporal de qual dos processos abaixo NÃO violaria a segunda lei de termodinâmica?

A)A queda de um objeto de uma altura $H$ e subsequente parada no chão
B)O movimento de um satélite ao redor da Terra
C)A freada brusca de um carro em alta velocidade
D)O esfriamento de um objeto quente num banho de água fria
E)A troca de matéria entre as duas estrelas de um sistema binário

Gabarito de referência

B
Resolução comentada

Na idealização gravitacional sem arrasto, a órbita do satélite pode ser percorrida em sentido temporal inverso ao inverter as velocidades. Não há dissipação nem produção de entropia nesse modelo.

\[\Delta S_{\mathrm{universo}}=0\quad\text{(modelo reversível)}\]

As demais situações descritas envolvem dissipação, transferência de calor com diferença finita de temperatura ou transporte irreversível de matéria. A inversão espontânea exigiria diminuição da entropia total.

Alternativa correta: B.

Q14
Limite angular de resolução

Fontes distantes de luz separadas por um ângulo $\alpha$ numa abertura de diâmetro $D$ podem ser distinguidas quando $\alpha>1{,}22\lambda/D$, em que $\lambda$ é o comprimento de onda da luz. Usando o valor de $5\,\mathrm{mm}$ para o diâmetro das suas pupilas, a que distância máxima aproximada de um carro você deveria estar para ainda poder distinguir seus faróis acesos? Considere uma separação entre os faróis de $2\,\mathrm m$.

A)$100\,\mathrm m$
B)$500\,\mathrm m$
C)$1\,\mathrm{km}$
D)$10\,\mathrm{km}$
E)$100\,\mathrm{km}$

Gabarito de referência

D
Resolução comentada

A separação angular dos faróis, para grandes distâncias, é α≈s/r. No limite de resolução, esse ângulo coincide com 1,22λ/D.

\[\frac sr\simeq\frac{1{,}22\lambda}{D}\]
\[r_{\max}\simeq\frac{sD}{1{,}22\lambda}\]
\[r_{\max}=\frac{2(5\times10^{-3})}{1{,}22(570\times10^{-9})}\ \mathrm m\]
\[r_{\max}\simeq1{,}44\times10^4\ \mathrm m\]

O limite ideal é aproximadamente 14 km; a maior distância oferecida compatível com a resolução é 10 km.

Alternativa correta: D.

Q15
Simetria em rede cúbica de capacitores

Uma diferença de potencial eletrostático $V$ é estabelecida entre os pontos M e Q da rede cúbica de capacitores idênticos mostrada na figura. A diferença de potencial entre os pontos N e P é

Rede cúbica: capacitor idêntico em cada aresta. M no vértice inferior esquerdo frontal e Q no superior direito posterior ligam-se à fonte V; N e P são os vértices superiores esquerdo frontal e esquerdo posterior.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)$V/2$
B)$V/3$
C)$V/4$
D)$V/5$
E)$V/6$

Gabarito de referência

D
Resolução comentada

Os vértices equivalentes por simetria têm o mesmo potencial. Os três capacitores de entrada ficam em paralelo, os seis intermediários também, e os três de saída formam o último grupo.

\[C_1=3C\]
\[C_2=6C\]
\[C_3=3C\]
\[\frac1{C_{eq}}=\frac1{3C}+\frac1{6C}+\frac1{3C}\]
\[C_{eq}=\frac{6C}{5}\]
\[Q=C_{eq}V\]
\[V_{NP}=\frac Q{6C}=\frac V5\]

A diferença entre N e P é a queda de potencial no grupo central, cujos seis capacitores unem os dois conjuntos equipotenciais.

Alternativa correta: D.

Q16
Aquecimento e escala geométrica do fio

Um fio condutor é derretido quando o calor gerado pela corrente que passa por ele se mantém maior que o calor perdido pela superfície do fio (desprezando a condução de calor pelos contatos). Dado que uma corrente de $1\,\mathrm A$ é a mínima necessária para derreter um fio de seção transversal circular de $1\,\mathrm{mm}$ de raio e $1\,\mathrm{cm}$ de comprimento, determine a corrente mínima necessária para derreter um outro fio da mesma substância com seção transversal circular de $4\,\mathrm{mm}$ de raio e $4\,\mathrm{cm}$ de comprimento.

A)$1/8\,\mathrm A$
B)$1/4\,\mathrm A$
C)$1\,\mathrm A$
D)$4\,\mathrm A$
E)$8\,\mathrm A$

Gabarito de referência

E
Resolução comentada

No limiar de fusão, potência Joule e perda térmica se equilibram. Para o mesmo material e a mesma temperatura limite, adota-se a mesma perda por área lateral e desprezam-se as extremidades e os contatos.

\[\frac{R_2}{R_1}=\frac{L_2/L_1}{(r_2/r_1)^2}=\frac4{16}=\frac14\]
\[\frac{S_2}{S_1}=\frac{r_2L_2}{r_1L_1}=16\]
\[I_2^2R_2=16I_1^2R_1\]
\[\frac{I_2}{I_1}=8\]
\[I_2=8\ \mathrm A\]

O crescimento da área de dissipação e a redução da resistência precisam ser considerados ao mesmo tempo.

Alternativa correta: E.

Q17
Período ciclotrônico

Prótons (carga $e$ e massa $m_p$), dêuterons (carga $e$ e massa $m_d=2m_p$) e partículas alfas (carga $2e$ e massa $m_a=4m_p$) entram em um campo magnético uniforme $\vec B$ perpendicular a suas velocidades, onde se movimentam em órbitas circulares de períodos $T_p$, $T_d$ e $T_a$, respectivamente. Pode-se afirmar que as razões dos períodos $T_d/T_p$ e $T_a/T_p$ são, respectivamente,

A)$1$ e $1$
B)$1$ e $\sqrt2$
C)$\sqrt2$ e $2$
D)$2$ e $\sqrt2$
E)$2$ e $2$

Gabarito de referência

E
Resolução comentada

A força magnética fornece a resultante centrípeta no movimento perpendicular ao campo. Use o módulo da carga.

\[\lvert q\rvert vB=\frac{mv^2}{r}\]
\[r=\frac{mv}{\lvert q\rvert B}\]

O período é o comprimento da órbita dividido pela rapidez.

\[T=\frac{2\pi r}{v}\]
\[T=\frac{2\pi m}{\lvert q\rvert B}\]

No mesmo campo, o período é proporcional à razão massa/carga. Para o dêuteron, adote massa aproximadamente duas vezes a do próton e a mesma carga.

\[\frac{T_d}{T_p}=\frac{2m_p/e}{m_p/e}\]
\[\frac{T_d}{T_p}=2\]

Para a partícula alfa, a massa é aproximadamente quatro vezes maior e a carga é o dobro.

\[\frac{T_\alpha}{T_p}=\frac{4m_p/(2e)}{m_p/e}\]
\[\boxed{T_d=T_\alpha=2T_p}\]

A independência em relação à rapidez vale na aproximação não relativística usada na questão.

Alternativa correta: E.

Q18
Carga induzida por inversão de bobina

Uma bobina de 100 espiras, com seção transversal de área de $400\,\mathrm{cm^2}$ e resistência de $20\,\Omega$, está alinhada com seu plano perpendicular ao campo magnético da Terra, de $7{,}0\times10^{-4}\,\mathrm T$ na linha do Equador. Quanta carga flui pela bobina enquanto ela é virada de $180^\circ$ em relação ao campo magnético?

A)$1{,}4\times10^{-4}\,\mathrm C$
B)$2{,}8\times10^{-4}\,\mathrm C$
C)$1{,}4\times10^{-2}\,\mathrm C$
D)$2{,}8\times10^{-2}\,\mathrm C$
E)$1{,}4\,\mathrm C$

Gabarito de referência

B
Resolução comentada

A rotação de 180° inverte o fluxo por espira, de +BA para −BA. O módulo da variação do fluxo concatenado com as N espiras é:

\[\lvert\Delta\Phi_N\rvert=2NBA\]

No modelo resistivo, a lei de Faraday e a lei de Ohm relacionam a corrente à taxa de variação do fluxo.

\[i=-\frac1R\frac{d\Phi_N}{dt}\]

Integre ao longo da inversão para obter o módulo da carga líquida que atravessa uma seção do fio.

\[Q=\left\lvert\int i\,dt\right\rvert\]
\[Q=\frac{\lvert\Delta\Phi_N\rvert}{R}\]
\[Q=\frac{2NBA}{R}\]

Converta a área antes da substituição.

\[A=400\times10^{-4}\ \mathrm{m^2}\]
\[A=0{,}0400\ \mathrm{m^2}\]
\[Q=\frac{2\cdot100\cdot7{,}0\times10^{-4}\cdot0{,}0400}{20}\]
\[\boxed{Q=2{,}8\times10^{-4}\ \mathrm C}\]

A duração da rotação não aparece porque a integração depende da variação total de fluxo.

Alternativa correta: B.

Q19
Redistribuição de carga e energia

No circuito ideal da figura, inicialmente aberto, o capacitor de capacitância $C_X$ encontra-se carregado e armazena uma energia potencial elétrica $E$. O capacitor de capacitância $C_Y=2C_X$ está inicialmente descarregado. Após fechar o circuito e este alcançar um novo equilíbrio, pode-se afirmar que a soma das energias armazenadas nos capacitores é igual a

Circuito com capacitor CX à esquerda, CY à direita, resistor R na parte inferior e chave inicialmente aberta na parte superior.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)$0$
B)$E/9$
C)$E/3$
D)$4E/9$
E)$E$

Gabarito de referência

C
Resolução comentada

Após o contato, os capacitores ficam em paralelo e compartilham a mesma tensão. A carga livre total Q se conserva, mas a energia eletrostática armazenada diminui no estabelecimento do equilíbrio.

\[E=\frac{Q^2}{2C_X}\]
\[C_{\mathrm{total}}=C_X+2C_X=3C_X\]
\[V_f=\frac Q{3C_X}\]
\[E_f=\frac12(3C_X)V_f^2\]
\[E_f=\frac{Q^2}{6C_X}=\frac E3\]

A diferença 2E/3 deixa o armazenamento eletrostático durante o transiente, por dissipação e/ou radiação. Um circuito estritamente sem qualquer mecanismo de amortecimento não alcançaria o equilíbrio postulado.

Alternativa correta: C.

Q20
Efeito fotoelétrico e intensidade

O aparato para estudar o efeito fotoelétrico mostrado na figura consiste de um invólucro de vidro que encerra o aparelho em um ambiente no qual se faz vácuo. Através de uma janela de quartzo, luz monocromática incide sobre a placa de metal P e libera elétrons. Os elétrons são então detectados sob a forma de uma corrente, devido à diferença de potencial $V$ estabelecida entre P e Q. Considerando duas situações distintas $a$ e $b$, nas quais a intensidade da luz incidente em $a$ é o dobro do caso $b$, assinale qual dos gráficos abaixo representa corretamente a corrente fotoelétrica em função da diferença de potencial.

Aparelho fotoelétrico com placas P e Q no invólucro a vácuo; luz entra pela janela à direita; circuito externo inclui galvanômetro, ajuste de tensão e inversor de polaridade.
Figura do enunciado original · ITA 2011
A)Corrente de saturação a igual ao dobro de b e potenciais de corte diferentes.
B)Correntes de saturação iguais e potenciais de corte diferentes.
C)Corrente de saturação a igual ao dobro de b e mesmo potencial de corte negativo.
D)Corrente de saturação a igual ao dobro de b, com início das curvas em tensão zero.
E)Patamar b igual ao dobro de a e início em tensão positiva.

Gabarito de referência

C
Resolução comentada

A frequência da luz é igual nos dois casos. A energia máxima de cada elétron depende dessa frequência, enquanto a quantidade de fótons incidentes por segundo determina a corrente de saturação.

\[K_{\max}=hf-\phi\]
\[eV_{\mathrm{corte}}=hf-\phi\]
\[V_{\mathrm{corte},a}=V_{\mathrm{corte},b}\]
\[I_{\mathrm{sat},a}=2I_{\mathrm{sat},b}\]

As curvas têm o mesmo potencial de corte e o patamar de saturação do caso a é o dobro do caso b.

Alternativa correta: C.

Q21
Polias e reação de articulação

Uma barra homogênea, articulada no pino O, é mantida na posição horizontal por um fio fixado a uma distância $x$ de O. Como mostra a figura, o fio passa por um conjunto de três polias que também sustentam um bloco de peso $P$. Desprezando efeitos de atrito e o peso das polias, determine a força de ação do pino O sobre a barra.

Barra horizontal articulada em O; fio preso a distância x da articulação passa por três polias e sustenta o peso P. A extremidade da barra está mais y além da fixação do fio.
Figura do enunciado original · ITA 2011
Resolução comentada

As polias ideais fornecem quatro trações T para sustentar o bloco. A barra tem comprimento x+y e peso Pᵦ no centro. Tome para cima como sentido positivo para a reação do pino.

\[4T=P\]
\[T=\frac P4\]
\[P_b\frac{x+y}{2}=Tx\]
\[P_b=\frac{Px}{2(x+y)}\]
\[R_O+T-P_b=0\]
\[R_O=\frac{P(x-y)}{4(x+y)}\]

A reação é vertical: para cima se x>y, nula se x=y e para baixo se x

Q22
Colisão no ápice e queda oblíqua

Um objeto de massa $m$ é projetado no ar a $45^\circ$ do chão horizontal com uma velocidade $v$. No ápice de sua trajetória, este objeto é interceptado por um segundo objeto, de massa $M$ e velocidade $V$, que havia sido projetado verticalmente do chão. Considerando que os dois objetos “se colam” e desprezando qualquer tipo de resistência aos movimentos, determine a distância $d$ do ponto de queda dos objetos em relação ao ponto de lançamento do segundo objeto.

Resolução comentada

A resolução de referência interpreta V como a velocidade vertical do segundo objeto no instante da colisão. Se V for a velocidade de lançamento, é necessário corrigi-la pela subida antes de aplicar as fórmulas abaixo.

\[H=\frac{v^2}{4g}\]
\[u_x=\frac{mv}{\sqrt2(m+M)}\]
\[u_y=\frac{MV}{m+M}\]
\[0=H+u_yt-\frac g2t^2\]
\[t=\frac{u_y+\sqrt{u_y^2+v^2/2}}{g}\]
\[d=\frac{mv}{\sqrt2(m+M)g}\left(u_y+\sqrt{u_y^2+\frac{v^2}{2}}\right)\]

Se V designar a velocidade de lançamento do segundo corpo e ele estiver subindo na colisão, substitua V por √(V²−v²/2); na descida, use o valor negativo dessa raiz. É preciso V²≥v²/2 para que alcance a altura. A distinção é necessária para uma leitura física completa.

Q23
Pêndulo com mudança de centro

Um pêndulo, composto de uma massa $M$ fixada na extremidade de um fio inextensível de comprimento $L$, é solto de uma posição horizontal. Em dado momento do movimento circular, o fio é interceptado por uma barra metálica de diâmetro desprezível, que se encontra a uma distância $x$ na vertical abaixo do ponto O. Em consequência, a massa $M$ passa a se movimentar num círculo de raio $L-x$, conforme mostra a figura. Determine a faixa de valores de $x$ para os quais a massa do pêndulo alcance o ponto mais alto deste novo círculo.

Pêndulo inicialmente horizontal, de comprimento L; pino a distância x abaixo de O desvia o fio para trajetória circular de raio L menos x.
Figura do enunciado original · ITA 2011
Resolução comentada

Depois que o fio encontra a barra, o novo raio é r=L−x. Para alcançar o topo mantendo o fio esticado, a tração no topo deve ser não negativa.

\[r=L-x\]
\[v_{\mathrm{baixo}}^2=2gL\]
\[v_{\mathrm{topo}}^2=2gL-4gr\]
\[v_{\mathrm{topo}}^2\ge gr\]
\[2L\ge5(L-x)\]
\[\frac{3L}{5}\le x

O limite inferior corresponde a tração nula exatamente no topo; o limite superior garante raio positivo.

Q24
Flutuação e estabilidade do prisma

Um bloco, com distribuição homogênea de massa, tem o formato de um prisma regular cuja seção transversal é um triângulo equilátero. Tendo $0{,}5\,\mathrm{g/cm^3}$ de densidade, tal bloco poderá flutuar na água em qualquer das posições mostradas na figura. Qual das duas posições será a mais estável? Justifique sua resposta. Lembrar que o baricentro do triângulo encontra-se a $2/3$ da distância entre um vértice e seu lado oposto.

Posição a: prisma triangular flutua com vértice para cima e base horizontal submersa.
Figura do enunciado original · ITA 2011
Posição b: prisma triangular flutua com vértice para baixo, abaixo da superfície da água.
Figura do enunciado original · ITA 2011
Resolução comentada

Como a densidade é metade da densidade da água, metade da seção triangular fica submersa. O argumento usual do gabarito compara as alturas do centro de massa e indica a posição b. Essa comparação, isoladamente, não é um teste de estabilidade angular: a água deslocada também contribui para a energia do sistema.

\[\frac{A_{\mathrm{sub}}}{A_{\mathrm{total}}}=\frac12\]
\[z_{G,a}=h\left(\frac1{\sqrt2}-\frac23\right)\]
\[z_{G,b}=-h\left(\frac1{\sqrt2}-\frac23\right)\]
\[BG=\frac{2-\sqrt2}{3}h\]
\[BM=\frac{\sqrt2}{9}h\]
\[GM=BM-BG=\frac{4\sqrt2-6}{9}h<0\]

Aqui h é a altura do triângulo, z é medido a partir da linha de água e GM é a altura metacêntrica para uma pequena rotação em torno do eixo longitudinal. No modelo de prisma livre, as duas posições desenhadas são instáveis a essa rotação. Portanto, b é a resposta esperada pela comparação simplificada de centros de massa, mas não se pode afirmar estabilidade local de b com base apenas nessa comparação. A análise completa exige considerar a mudança do centro de empuxo.

Q25
Interferência no filme de sabão

Um filme fino de sabão é sustentado verticalmente no ar por uma argola. A parte superior do filme aparece escura quando é observada por meio de luz branca refletida. Abaixo da parte escura aparecem bandas coloridas. A primeira banda tem cor vermelha ou azul? Justifique sua resposta.

Resolução comentada

O filme é mais fino na parte superior porque o líquido escorre para baixo. Nas duas reflexões existe uma única inversão de fase. Assim, a película de espessura quase nula aparece escura.

\[\Delta\varphi=\frac{4\pi nt}{\lambda}+\pi\]
\[2nt=\left(m+\frac12\right)\lambda\quad\text{(reflexão construtiva)}\]
\[t_{\mathrm{primeiro\ max}}=\frac{\lambda}{4n}\]

Ao descer, a espessura aumenta a partir de zero. O primeiro máximo é atingido primeiro para os menores comprimentos de onda; entre azul e vermelho, a primeira banda é azul.

Q26
Harmônicos de tubo aberto

O tubo mais curto de um órgão típico de tubos tem um comprimento de aproximadamente $7\,\mathrm{cm}$. Qual é o harmônico mais alto na faixa audível, considerada como estando entre $20\,\mathrm{Hz}$ e $20000\,\mathrm{Hz}$, de um tubo deste comprimento aberto nas duas extremidades?

Resolução comentada

Um tubo aberto nas duas extremidades admite todos os harmônicos inteiros de sua frequência fundamental. Converta 7 cm em 0,070 m.

\[f_1=\frac{c}{2L}=\frac{340}{0{,}140}\ \mathrm{Hz}\]
\[n\frac{340}{0{,}140}\le20000\]
\[n\le8{,}235\]
\[n_{\max}=8\]
\[f_8\simeq19429\ \mathrm{Hz}\]

O oitavo harmônico, aproximadamente 19,4 kHz, é o mais alto dentro da faixa adotada.

Q27
Expansão adiabática de bolha

Uma bolha de gás metano com volume de $10\,\mathrm{cm^3}$ é formada a $30\,\mathrm m$ de profundidade num lago. Suponha que o metano comporta-se como um gás ideal de calor específico molar $C_V=3R$ e considere a pressão atmosférica igual a $10^5\,\mathrm{N/m^2}$. Supondo que a bolha não troque calor com a água ao seu redor, determine seu volume quando ela atinge a superfície.

Resolução comentada

A pressão inicial inclui a atmosférica e a coluna de 30 m de água. Para o gás ideal dado, γ=(Cᵥ+R)/Cᵥ=4/3. Usa-se a idealização de expansão adiabática quase estática que permite pVᵞ constante.

\[p_i=10^5+(10^3)(10)(30)=4\times10^5\ \mathrm{Pa}\]
\[\gamma=\frac{3R+R}{3R}=\frac43\]
\[p_iV_i^\gamma=p_fV_f^\gamma\]
\[V_f=10\left(\frac41\right)^{3/4}\ \mathrm{cm^3}\]
\[V_f=20\sqrt2\ \mathrm{cm^3}\simeq28{,}3\ \mathrm{cm^3}\]

Sem troca de calor, a bolha esfria ao se expandir. O volume final é menor que os 40 cm³ de uma expansão isotérmica entre as mesmas pressões.

Q28
Superposição de campos de fio e espira

Uma corrente $I_E$ percorre uma espira circular de raio $R$ enquanto uma corrente $I_F$ percorre um fio muito longo, que tangencia a espira, estando ambos no mesmo plano, como mostra a figura. Determine a razão entre as correntes $I_E/I_F$ para que uma carga $Q$ com velocidade $v$ paralela ao fio no momento que passa pelo centro P da espira não sofra aceleração nesse instante.

Fio horizontal com corrente IF para a esquerda tangencia a espira. Corrente IE na espira em sentido horário; carga no centro P tem velocidade v para a direita.
Figura do enunciado original · ITA 2011
Resolução comentada

A velocidade da carga é paralela ao fio e perpendicular aos campos produzidos no plano da figura. Para força magnética nula, esses campos devem se cancelar no centro da espira.

\[B_{\mathrm{fio}}=\frac{\mu_0I_F}{2\pi R}\]
\[B_{\mathrm{espira}}=\frac{\mu_0I_E}{2R}\]
\[\frac{\mu_0I_F}{2\pi R}=\frac{\mu_0I_E}{2R}\]
\[\frac{I_E}{I_F}=\frac1\pi\]

Os sentidos das correntes devem gerar campos opostos no centro, conforme a regra da mão direita. A razão acima é de módulos.

Q29
Reflexão total na ferradura de vidro

Um tarugo de vidro de índice de refração $n=3/2$ e seção transversal retangular é moldado na forma de uma ferradura, como ilustra a figura. Um feixe de luz incide perpendicularmente sobre a superfície plana P. Determine o valor mínimo da razão $R/d$ para o qual toda a luz que penetra pela superfície P emerja do vidro pela superfície Q.

Guia de vidro em ferradura: luz entra por P na extremidade superior e sai por Q na inferior; d é a espessura radial e R é o raio da superfície curva interna.
Figura do enunciado original · ITA 2011
Resolução comentada

O raio que tangencia a superfície interna de raio R fornece o menor ângulo de incidência na superfície externa, de raio R+d. Esse raio determina o limite para guiar todo o feixe.

\[\sin\alpha_{\min}=\frac R{R+d}\]
\[\sin\theta_c=\frac1n=\frac23\]
\[\frac R{R+d}\ge\frac23\]
\[3R\ge2R+2d\]
\[\frac Rd\ge2\]

A razão limite é 2. Para assegurar reflexão total estrita de todos os raios, escolhe-se R/d>2; a igualdade é o caso crítico ideal.

Q30
Bohr e onda de de Broglie

Obtenha uma expressão para as energias das órbitas do modelo de Bohr do átomo de hidrogênio usando a condição de que o comprimento da circunferência de uma órbita do elétron ao redor do próton seja igual a um número inteiro de comprimentos de onda de de Broglie do elétron.

Resolução comentada

Considere o próton fixo e o elétron não relativístico. A força de Coulomb sustenta a órbita circular e a condição de onda estacionária quantiza o momento angular.

\[\frac{m_ev^2}{r}=\frac{k_e e^2}{r^2}\]
\[2\pi r=n\frac{h}{m_ev}\]
\[m_evr=n\hbar\]
\[r_n=\frac{n^2\hbar^2}{m_ek_ee^2}\]
\[E=\frac12m_ev^2-\frac{k_ee^2}{r}=-\frac{k_ee^2}{2r}\]
\[E_n=-\frac{m_ek_e^2e^4}{2\hbar^2n^2}\]
\[E_n\simeq-\frac{13{,}6}{n^2}\ \mathrm{eV}\]

O inteiro n=1,2,3,… enumera as órbitas permitidas. O sinal negativo indica um estado ligado em relação ao elétron e ao próton separados no infinito; a energia cresce em direção a zero quando n aumenta.

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