ITA 2027 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Vestibular 2027 · 1ª fase (27/09/2026) · Prova de Física (Q13-24) — resolução comentada Método TEF. Gabarito TEF preliminar: o gabarito oficial do ITA será divulgado em 06/10/2026.

Q13
Física Moderna — Física de Partículas — Análise dimensional

As interações fundamentais da natureza podem ser interpretadas como sendo mediadas pela troca de partículas. A interação eletromagnética, por exemplo, é mediada pelo fóton, a interação fraca pelos bósons $W^\pm$ e $Z^0$ e a interação forte por glúons. Dentro do núcleo, prótons e nêutrons interagem via interação forte que, de forma efetiva para esse tipo de sistema, é modelada pela troca de mésons. O píon (ou méson $\pi$) é uma partícula que foi experimentalmente identificada em 1947 por um grupo de pesquisadores do qual fazia parte o brasileiro César Lattes. Seja $m$ a massa de um certo méson cujo alcance característico da interação é $r$. Se essa massa está relacionada apenas com a constante de Planck reduzida $\hbar=h/(2\pi)$, com a velocidade da luz $c$ e com $r$, determine a expressão para $m$ dimensionalmente compatível com essas grandezas.

A)$\dfrac{\hbar}{cr}$.
B)$\dfrac{\hbar c}{r}$.
C)$\dfrac{\hbar}{cr^2}$.
D)$\dfrac{\hbar c}{r^2}$.
E)$\dfrac{\hbar}{c^2r}$.

Gabarito Preliminar

A
Resolução

A questão informa que a massa depende apenas de três grandezas: a constante de Planck reduzida, a velocidade da luz e o alcance da interação. Como se pede uma expressão dimensionalmente compatível, podemos descobrir as potências necessárias sem usar um modelo detalhado da interação nuclear.

Escreva a massa como produto de potências das grandezas fornecidas, com K adimensional:

\[m=K\hbar^ac^br^d\]

Use as dimensões de cada grandeza:

\[[\hbar]=ML^2T^{-1}\]
\[[c]=LT^{-1}\]
\[[r]=L\]

A igualdade dimensional exige:

\[M=M^aL^{2a+b+d}T^{-a-b}\]

Compare os expoentes da massa:

\[a=1\]

Depois, os do tempo:

\[-a-b=0\]
\[b=-1\]

Por fim, os do comprimento:

\[2a+b+d=0\]
\[d=-1\]

Essa combinação fornece:

\[\boxed{m\propto\frac{\hbar}{cr}}\]

Podemos conferir diretamente pelas unidades: $\hbar$ tem unidade kg·m²/s, enquanto $cr$ tem unidade m²/s. A divisão deixa apenas quilogramas. A proporcionalidade também mostra que um alcance menor está associado a uma escala de massa maior nesse modelo.

Cuidado, armadilha! A análise dimensional não determina uma constante numérica adimensional. Ela seleciona a combinação correta de grandezas, mas não permite concluir, sozinha, se existe algum fator numérico multiplicando a expressão.

Alternativa correta: A

Q14
Mecânica — Estática — Equilíbrio com atrito

Duas esferas homogêneas, em contato entre si, repousam sobre um piso, e a maior também está em contato com um degrau, conforme ilustra a figura ao lado. A esfera menor tem massa $m$ e raio $R$, enquanto a maior tem raio $2R$ e está fixa. O coeficiente de atrito estático entre as esferas e entre a esfera menor e o piso é $\mu=\sqrt2/8$. Uma força $\vec F$, de intensidade aumentada gradativamente, é aplicada horizontalmente na esfera menor a uma altura $3R/2$. Assinale a alternativa que corresponde à máxima intensidade da força $\vec F$ em que a esfera menor ainda permaneça em repouso.

Duas esferas em contato sobre o piso; a maior está encostada em um degrau e uma força horizontal atua na esfera menor
A)$\dfrac{2\sqrt2}{5}mg$.
B)$4\sqrt2mg$.
C)$\dfrac{\sqrt{18}}{19}mg$.
D)$\dfrac{10\sqrt2}{19}mg$.
E)$\dfrac{5\sqrt2}{9}mg$.

Gabarito Preliminar

D
Resolução

A esfera menor está sujeita ao peso, à força aplicada, à normal e ao atrito do piso, além da normal e do atrito no contato com a esfera maior. Como a força atua acima do centro, também precisamos impor equilíbrio de torques; apenas somar forças não basta.

Os centros estão separados por $3R$ e têm diferença de altura $R$. Se $\theta$ é o ângulo da linha dos centros com a horizontal, \[\sin\theta=\frac13,\qquad\cos\theta=\frac{2\sqrt2}{3}.\] A força aplicada tende a produzir rotação horária. Os atritos que se opõem a essa tendência apontam para a direita no piso e para cima e à esquerda no contato entre as esferas.

No limite de repouso considerado, as forças de atrito atingem os valores:

\[f_p=\mu N_p\]
\[f=\mu N\]
\[\mu=\frac{\sqrt2}{8}\]

Equilibre as componentes verticais:

\[N_p+f\cos\theta=mg+N\sin\theta\]
\[N_p=mg+\frac N6\]

Equilibre as componentes horizontais:

\[F+f_p=N\cos\theta+f\sin\theta\]
\[F=\frac{33\sqrt2}{48}N-\frac{\sqrt2}{8}mg\]

Tomando torques em relação ao centro da esfera menor, as normais e o peso não contribuem. O braço de $F$ é $R/2$, enquanto cada atrito tem braço $R$: \[F\frac R2=(f_p+f)R\quad\Rightarrow\quad F=\frac{\sqrt2}{4}\left(mg+\frac{7N}{6}\right).\] Igualando as expressões de $F$, \[\frac{19}{48}N=\frac38mg\quad\Rightarrow\quad N=\frac{18}{19}mg.\]

Finalmente, \[\boxed{F_{\max}=\frac{\sqrt2}{4}\left(1+\frac76\frac{18}{19}\right)mg=\frac{10\sqrt2}{19}mg}.\] As normais obtidas são positivas, compatíveis com a manutenção dos dois contatos.

Cuidado, armadilha! A altura de aplicação é medida a partir do piso. Em relação ao centro, o braço é $3R/2-R=R/2$. Também não imponha $N_p=mg$: o contato com a esfera maior possui componentes verticais.

Alternativa correta: D

Q15
Mecânica — Cinemática — Lançamento horizontal e oblíquo

Em um treino de beisebol, uma bola é lançada por um arremessador com uma velocidade horizontal de $36\text{ km/h}$, a uma altura de $175\text{ cm}$ do solo. Após percorrer uma distância horizontal de $5\text{ m}$, ela é atingida pelo rebatedor e passa a ter, instantaneamente, uma velocidade de $45\text{ km/h}$, formando um ângulo de $30^\circ$ com a horizontal. Ela realiza sua trajetória até ser pega em movimento descendente por um defensor a uma altura de $175\text{ cm}$ acima do solo.

Assinale a alternativa que apresenta os gráficos cinemáticos de posição $(y)$ e velocidade vertical $(v_y)$ da bola, conforme a descrição acima.

A)
Alternativa A: gráficos de posição vertical e velocidade vertical em função do tempo
B)
Alternativa B: gráficos de posição vertical e velocidade vertical em função do tempo
C)
Alternativa C: gráficos de posição vertical e velocidade vertical em função do tempo
D)
Alternativa D: gráficos de posição vertical e velocidade vertical em função do tempo
E)
Alternativa E: gráficos de posição vertical e velocidade vertical em função do tempo

Gabarito Preliminar

E
Resolução

A trajetória deve ser dividida em dois trechos separados pela rebatida. A posição da bola é contínua no impacto, mas a velocidade pode mudar abruptamente devido ao impulso do taco. Entre os impactos, a aceleração vertical é $-g$.

Converta a rapidez horizontal para unidades do SI:

\[36\ \mathrm{km/h}=10\ \mathrm{m/s}\]

Para percorrer cinco metros na horizontal, a bola leva:

\[t_1=0{,}50\ \mathrm s\]

Com a aceleração da gravidade de dez metros por segundo ao quadrado, calcule a altura e a velocidade vertical antes do choque:

\[y(t_1)=1{,}75-5(0{,}50)^2\]
\[y(t_1)=0{,}50\ \mathrm m\]
\[v_y(t_1^-)=-5\ \mathrm{m/s}\]

Depois da rebatida, a rapidez é $45\,\text{km/h}=12{,}5\,\text{m/s}$ e sua componente vertical passa a \[v_y(t_1^+)=12{,}5\sin30^\circ=6{,}25\,\text{m/s}.\] Com $\tau$ medido desde a rebatida, \[y=0{,}50+6{,}25\tau-5\tau^2,\qquad v_y=6{,}25-10\tau.\]

A altura máxima do segundo trecho ocorre em:

\[\tau=0{,}625\ \mathrm s\]

Essa altura é aproximadamente 2,45 m. Para a captura a 1,75 m, resolva:

\[5\tau^2-6{,}25\tau+1{,}25=0\]

As raízes são 0,25 s e 1,0 s. Como a captura ocorre na descida, use a segunda raiz e acrescente o tempo do primeiro trecho:

\[t_{final}=1{,}50\ \mathrm s\]
\[v_{y,final}=-3{,}75\ \mathrm{m/s}\]

O gráfico correto tem duas parábolas de concavidade para baixo unidas na mesma posição, uma mudança brusca de inclinação em 0,50 s e, no gráfico da velocidade, um salto de −5 para +6,25 m/s nesse instante.

Cuidado, armadilha! A bola passa pela altura de captura duas vezes após a rebatida. Escolha a raiz correspondente à descida. A posição não sofre um salto no impacto; quem salta é a velocidade.

Alternativa correta: E

Q16
Mecânica — Dinâmica — Referenciais em rotação

Em um parque de diversões, uma plataforma horizontal gira em torno de um eixo vertical fixo com velocidade angular constante $\omega$. Sobre a plataforma, a uma distância $R=2{,}0\text{ m}$ do eixo, encontra-se um pequeno bloco de massa $m$ em repouso em relação à plataforma. O coeficiente de atrito estático entre o bloco e a plataforma é $\mu_e=0{,}40$. Um pêndulo simples, de comprimento $\ell=1{,}0\text{ m}$, está pendurado em um suporte fixo à plataforma, também a uma distância $R$ do eixo e permanece em equilíbrio em relação à plataforma.

Plataforma giratória com bloco a dois metros do eixo e pêndulo preso à borda

Considerando $g=10\text{ m/s}^2$ e que $\omega$ é aumentada lentamente a partir do repouso, analise as seguintes afirmativas:

I. O bloco começa a deslizar quando $\omega=\sqrt2\text{ rad/s}$.

II. No referencial da plataforma, o pêndulo está em equilíbrio sob a ação do peso, da tração e da força centrífuga, fazendo um ângulo $\alpha$ com a vertical tal que $\tan\alpha=\omega^2R/g$.

III. No referencial do solo, a resultante entre a tração e o peso é não nula, dirigida horizontalmente para o eixo de rotação, fornecendo a força centrípeta da massa pendular.

IV. Quando $\omega=1{,}0\text{ rad/s}$, o bloco ainda está em repouso em relação à plataforma, e o ângulo do pêndulo com a vertical é tal que $\tan\alpha=0{,}2$.

Estão corretas apenas as afirmativas

A)I e II.
B)I e III.
C)II e III.
D)I, II e III.
E)I, II, III e IV.

Gabarito Preliminar

B
Resolução

O bloco e a massa pendular não giram, em geral, no mesmo raio. O bloco permanece a $R$ do eixo, mas o pêndulo se inclina para fora e afasta sua massa do eixo. Essa diferença é decisiva para avaliar as afirmações.

I — Verdadeira. O atrito fornece a resultante centrípeta do bloco. No limite de aderência, \[m\omega^2R=\mu_emg\quad\Rightarrow\quad\omega=\sqrt{\frac{\mu_eg}{R}}=\sqrt{\frac{0{,}40\cdot10}{2}}=\sqrt2\,\text{rad/s}.\]

II — Falsa. O raio da trajetória da massa pendular inclui o deslocamento horizontal do fio:

\[r=R+\ell\sin\alpha\]

No referencial inercial, decomponha a tração:

\[T\cos\alpha=mg\]
\[T\sin\alpha=m\omega^2r\]

Divida as equações para eliminar a tração:

\[\tan\alpha=\frac{\omega^2(R+\ell\sin\alpha)}g\]

A expressão contém o raio total da trajetória, e não apenas R. No referencial girante, a mesma relação surge ao acrescentar a força centrífuga.

III — Verdadeira. No referencial do solo, a soma de peso e tração é horizontal, dirigida ao eixo, e fornece a aceleração centrípeta. Não se acrescenta uma força centrífuga nesse referencial.

IV — Falsa. Para $\omega=1\,\text{rad/s}$, o bloco ainda adere à plataforma, mas \[\tan\alpha=0{,}2+0{,}1\sin\alpha>0{,}2.\] A afirmação reúne uma condição correta para o bloco e uma relação angular incorreta. Permanecem verdadeiras I e III.

Cuidado, armadilha! O raio do movimento circular é a distância da massa ao eixo, não a distância do suporte. O comprimento de 1 m do pêndulo não pode ser desprezado sem autorização do enunciado.

Alternativa correta: B

Q17
Mecânica — Gravitação — Energia potencial gravitacional

Na missão Artemis II, a espaçonave Orion realiza uma trajetória de ida à Lua. Em um modelo simplificado, após uma manobra de injeção translunar, a nave parte de uma órbita baixa em torno da Terra com velocidade $v_0$, dirigida exatamente ao longo da reta Terra–Lua. A distância entre os centros da Terra e da Lua é igual a $D$, e a massa da Lua é aproximadamente $81$ vezes menor que a massa $M$ da Terra. Assuma o raio da Terra dado por $R$ e despreze tanto efeitos devido ao movimento da Terra e da Lua, bem como a altura orbital da nave antes da injeção translunar. Assinale a alternativa que corresponde ao valor de velocidade $v_0$ acima da qual a nave consegue chegar à Lua.

A)$\sqrt{2GM\left[\left(\dfrac1R-\dfrac{10}{9D}\right)+\dfrac1{81}\left(\dfrac1{D+R}+\dfrac{10}{D}\right)\right]}$.
B)$\sqrt{2GM\left[\left(\dfrac1R+\dfrac{10}{9D}\right)+\dfrac1{81}\left(\dfrac1{D-R}-\dfrac{10}{D}\right)\right]}$.
C)$\sqrt{2GM\left[\left(\dfrac1R-\dfrac{10}{9D}\right)+\dfrac1{81}\left(\dfrac1{D-R}-\dfrac{10}{D}\right)\right]}$.
D)$\sqrt{2GM\left[\left(\dfrac1R-\dfrac{10}{9D}\right)-\dfrac1{81}\left(\dfrac1{D-R}-\dfrac{10}{D}\right)\right]}$.
E)$\sqrt{2GM\left[\left(\dfrac1R+\dfrac{10}{9D}\right)-\dfrac1{81}\left(\dfrac1{D+R}-\dfrac{10}{D}\right)\right]}$.

Gabarito Preliminar

C
Resolução

No modelo da questão, Terra e Lua permanecem fixas e a nave segue a reta que une seus centros. A velocidade inicial precisa fornecer energia suficiente para ultrapassar o máximo da energia potencial ao longo desse caminho. Depois desse ponto, a atração lunar passa a dominar.

Se $x$ é a distância ao centro da Terra, o potencial por unidade de massa é \[u(x)=-\frac{GM}{x}-\frac{GM}{81(D-x)}.\] Seu máximo está onde as forças se equilibram: \[\frac{GM}{x^2}=\frac{GM}{81(D-x)^2}\quad\Rightarrow\quad x=\frac{9D}{10}.\] Nesse ponto, a distância à Lua é $D/10$ e \[u_{max}=-\frac{10GM}{9D}-\frac{10GM}{81D}.\]

Na partida, a nave está a $R$ da Terra e a $D-R$ da Lua. No limiar energético, \[\frac{v_{lim}^2}{2}-\frac{GM}{R}-\frac{GM}{81(D-R)}=u_{max}.\] Isolando a rapidez, \[\boxed{v_{lim}=\sqrt{2GM\left[\left(\frac1R-\frac{10}{9D}\right)+\frac1{81}\left(\frac1{D-R}-\frac{10}{D}\right)\right]}}.\]

Uma velocidade estritamente maior que esse limiar permite atravessar a barreira com velocidade não nula. Exatamente no limiar, a aproximação ao ponto de equilíbrio é um caso limite; por isso, o enunciado pergunta pelo valor acima do qual a nave consegue prosseguir.

Cuidado, armadilha! A distância inicial à Lua é $D-R$, não $D+R$. Além disso, não use a velocidade de escape da Terra isolada: o potencial lunar participa do balanço de energia.

Alternativa correta: C

Q18
Mecânica — Dinâmica — Equilíbrio em referencial girante

Um aro circular fino, de raio $R$ e massa desprezível, gira em torno do seu eixo vertical com uma velocidade angular constante $\Omega$. Uma pequena miçanga, de massa $m$ e dimensões desprezíveis, está inserida no aro, podendo deslizar sem atrito ao longo de sua circunferência, como pode ser visto na figura abaixo. A aceleração da gravidade local é constante e vale $g$. Assinale a alternativa que apresenta o maior intervalo de velocidade angular $\Omega$ em que há sempre equilíbrio estável da miçanga em um ângulo $\theta_0>0^\circ$, quando considerado um observador que gira junto com o aro.

Aro circular vertical girando em torno do diâmetro vertical, com uma miçanga em posição angular theta zero
A)$\Omega\in]\sqrt{g/R},+\infty[$.
B)$\Omega\in]\sqrt{2g/R},+\infty[$.
C)$\Omega\in]0,\sqrt{g/R}[$.
D)$\Omega\in]0,\sqrt{2g/R}[$.
E)$\Omega\in]0,+\infty[$.

Gabarito Preliminar

A
Resolução

No referencial que gira com o aro, a miçanga em equilíbrio sofre peso, reação normal e força centrífuga. A distância da miçanga ao eixo é $r=R\sin\theta$, portanto a força centrífuga tem módulo $m\Omega^2R\sin\theta$.

Na direção tangente ao aro, a normal não contribui. O equilíbrio exige \[m\Omega^2R\sin\theta\cos\theta=mg\sin\theta.\] Além da posição inferior $\theta=0$, uma solução inclinada satisfaz \[\cos\theta_0=\frac{g}{\Omega^2R}.\] Para que $\theta_0$ seja estritamente positivo, precisamos de $g/(\Omega^2R)<1$, isto é, $\Omega>\sqrt{g/R}$.

A existência da solução não basta: precisamos verificar sua estabilidade. A energia potencial efetiva é \[U(\theta)=-mgR\cos\theta-\frac12m\Omega^2R^2\sin^2\theta.\] Sua segunda derivada no ponto de equilíbrio inclinado é \[U''(\theta_0)=m\Omega^2R^2\sin^2\theta_0>0.\] Portanto, essa posição é um mínimo de energia efetiva e o equilíbrio é estável.

O maior intervalo pedido é \[\boxed{\Omega\in\left(\sqrt{\frac gR},+\infty\right)}.\] No valor de fronteira, a solução se reduz a $\theta_0=0$, que foi excluída pelo enunciado.

Cuidado, armadilha! Não basta encontrar um ângulo que anule a força tangencial: é necessário verificar estabilidade e respeitar a exigência de ângulo maior que zero. O raio da rotação é $R\sin\theta$, não $R$.

Alternativa correta: A

Q19
Termologia — Calorimetria — Radiação térmica e mudança de fase

Em 1775, o oficial de artilharia britânico Sir Robert Barker relatou um engenhoso processo de fabricação de gelo utilizado pelos sábios indianos. De acordo com seu relato, esse processo consistia em deixar ao relento, em noites frias, limpas e sem vento, finas camadas de água contidas em vasos abertos, porosos, de barro, colocados sobre palha seca. Ao fim da noite, o conteúdo dos vasos estava completamente congelado. Supondo que a camada de água tinha por volta de $1\text{ cm}$ e que não ocorreu sublimação, assinale a alternativa que corresponde à melhor estimativa do tempo de congelamento em horas a partir do instante em que a água atinge $0^\circ\text{C}$.

A)$1\text{ hora}$.
B)$2\text{ horas}$.
C)$3\text{ horas}$.
D)$4\text{ horas}$.
E)$5\text{ horas}$.

Gabarito Preliminar

C
Resolução

O intervalo começa quando a água já chegou a 0 °C. Portanto, a energia a retirar é o calor latente de solidificação, sem acrescentar uma etapa de resfriamento de água inicialmente quente. Para reproduzir a estimativa do problema, usamos o modelo simplificado de emissão térmica para um céu frio, com emissividade próxima de 1 e radiação recebida desprezível.

Podemos escolher uma área de 1 m², pois ela se cancelará na razão entre energia e potência. Com espessura de 1 cm, o volume é $0{,}01\,\text{m}^3$ e a massa de água é aproximadamente 10 kg. O calor a retirar é \[Q=mL_f=10\cdot334.000=3{,}34\times10^6\,\text{J}.\]

Pela lei de Stefan-Boltzmann, a potência emitida é $P=\sigma AT^4$. Usando $T=273\,\text{K}$ e $\sigma\approx5{,}7\times10^{-8}\,\text{W/(m}^2\text{K}^4)$, \[P\approx5{,}7\times10^{-8}(273)^4\approx3{,}2\times10^2\,\text{W}.\] Assim, \[t\approx\frac QP=\frac{3{,}34\times10^6}{3{,}2\times10^2}\approx1{,}04\times10^4\,\text{s}\approx2{,}9\,\text{h}.\]

A estimativa é, portanto, de cerca de 3 horas. Ela depende das simplificações: na situação real, radiação atmosférica recebida, evaporação, condução e convecção também influenciam o congelamento. Não se trata de um tempo universal para qualquer noite fria.

Cuidado, armadilha! A temperatura da lei de radiação deve estar em kelvin: 0 °C não significa emissão térmica nula. Use calor latente durante a mudança de fase, e não $mc\Delta T$.

Alternativa correta: C

Q20
Ondulatória — Acústica — Refração do som

Uma explosão controlada ocorre no solo a $30\text{ m}$ de um prédio de altura $H=40\text{ m}$ sobre o qual se encontra um engenheiro que mede o intervalo de tempo $\Delta t$ desde a detecção da luz da explosão até a detecção sonora, usando um aparato especial que ele mesmo desenvolveu. Considere $c_0$ a velocidade do som a $T_0=273{,}15\text{ K}$, $T_1$ a temperatura do ar desde o solo até a altura $h$ e $T_2$ a temperatura do ar desde essa mesma altura até o topo do prédio. Ambas temperaturas são expressas em Kelvin e $T_2>T_1>T_0$.

Explosão no solo a trinta metros de um prédio de quarenta metros, com interface térmica na altura h

Assinale a alternativa que corresponde à fórmula que fornece a altura de inversão térmica $h$. Use a aproximação $\sin(\theta+\Delta\theta)\approx\sin(\theta)$ para $\Delta\theta\ll\theta$.

A)$\sqrt{\dfrac{T_1T_2}{T_0}}\left(1{,}25c_0\Delta t-H\sqrt{\dfrac{T_0}{T_2}}\right)\left(\dfrac{1}{\sqrt{T_2}-\sqrt{T_1}}\right)$.
B)$\sqrt{\dfrac{T_1T_2}{T_0}}\left(1{,}25c_0\Delta t-H\sqrt{\dfrac{T_0}{T_2}}\right)\left(\dfrac{1}{\sqrt{T_2}+\sqrt{T_1}}\right)$.
C)$\sqrt{\dfrac{T_1T_2}{T_0}}\left(0{,}8c_0\Delta t-H\sqrt{\dfrac{T_0}{T_2}}\right)\left(\dfrac{1}{\sqrt{T_2}+\sqrt{T_1}}\right)$.
D)$\sqrt{\dfrac{T_1T_2}{T_0}}\left(0{,}8c_0\Delta t-H\sqrt{\dfrac{T_0}{T_2}}\right)\left(\dfrac{1}{\sqrt{T_2}-\sqrt{T_1}}\right)$.
E)$\sqrt{\dfrac{T_1T_2}{T_0}}\left(1{,}25c_0\Delta t+H\sqrt{\dfrac{T_0}{T_2}}\right)\left(\dfrac{1}{\sqrt{T_2}-\sqrt{T_1}}\right)$.

Gabarito Preliminar

D
Resolução

O atraso entre ver o clarão e ouvir a explosão é praticamente o tempo de viagem do som, pois o tempo da luz é desprezível nessa escala. O som atravessa duas camadas de ar com temperaturas diferentes; em um gás ideal, sua velocidade é proporcional à raiz quadrada da temperatura absoluta.

Logo, \[c_1=c_0\sqrt{\frac{T_1}{T_0}},\qquad c_2=c_0\sqrt{\frac{T_2}{T_0}}.\] Com a aproximação angular autorizada, tratamos a trajetória como praticamente retilínea. Ela percorre 30 m na horizontal e $H=40\,\text{m}$ na vertical, totalizando 50 m. O cosseno do ângulo com a vertical é $40/50=0{,}8$.

Na camada inferior, a espessura vertical é $h$ e o caminho é $h/0{,}8$. Na superior, o caminho é $(H-h)/0{,}8$. Somando os tempos, \[\Delta t=\frac1{0{,}8}\left(\frac h{c_1}+\frac{H-h}{c_2}\right).\] Reorganizando, \[h=\frac{0{,}8\Delta t-H/c_2}{1/c_1-1/c_2}.\]

Substituindo as velocidades, obtemos \[\boxed{h=\sqrt{\frac{T_1T_2}{T_0}}\,\frac{0{,}8c_0\Delta t-H\sqrt{T_0/T_2}}{\sqrt{T_2}-\sqrt{T_1}}}.\] Como $T_2>T_1$, o denominador é positivo. Para uma altura física entre 0 e $H$, o atraso deve ficar entre os tempos de um percurso inteiramente na camada mais quente e inteiramente na mais fria.

Cuidado, armadilha! As espessuras verticais não são os comprimentos dos trechos inclinados. O fator 0,8 surge da geometria, e o denominador é uma diferença de velocidades inversas, não uma soma.

Alternativa correta: D

Q21
Óptica — Refração — Índice de refração negativo

Considere uma placa plana e paralela, imersa no ar, de espessura $d$, constituída por um material incomum, denominado de metamaterial ideal, cuja permissividade e permeabilidade relativas valem $\varepsilon_r=\mu_r=-1$. Um ponto luminoso $S$ está situado sobre o eixo principal, a uma distância $3d/4$ da face esquerda da placa. Sabe-se que, nas condições do problema, não ocorre reflexão nas interfaces ar–material.

Assinale a alternativa que representa corretamente os trajetos de três raios emitidos por $S$: um raio axial e dois raios oblíquos simétricos.

A)
Alternativa A para os trajetos dos raios no metamaterial
B)
Alternativa B para os trajetos dos raios no metamaterial
C)
Alternativa C para os trajetos dos raios no metamaterial
D)
Alternativa D para os trajetos dos raios no metamaterial
E)
Alternativa E para os trajetos dos raios no metamaterial

Gabarito Preliminar

B
Resolução

O produto $\varepsilon_r\mu_r$ vale 1, mas isso determina apenas $n^2$. Nas condições do metamaterial ideal indicado, com permissividade e permeabilidade negativas, usa-se o ramo de índice negativo, $n=-1$. O enunciado também especifica ausência de reflexão, de modo que podemos acompanhar os raios transmitidos.

Pela lei de Snell com índice negativo, a inclinação do raio muda de sinal ao entrar no material, mantendo o mesmo módulo do ângulo porque $|n|=1$. O raio axial continua no eixo. Um raio oblíquo que chega à primeira face à altura $(3d/4)\tan\theta$ passa a se aproximar do eixo dentro da placa.

Para vencer essa altura com inclinação de módulo $\tan\theta$, ele percorre horizontalmente $3d/4$. Portanto, os raios oblíquos se cruzam dentro da placa, a $3d/4$ da face esquerda. Restam $d/4$ até a face direita, trecho em que eles voltam a se afastar do eixo, agora em lados trocados.

Ao sair para o ar, a inclinação muda de sinal novamente. A altura de módulo $(d/4)\tan\theta$ é eliminada após avançar mais $d/4$, formando um segundo cruzamento a essa distância da face direita. O desenho procurado tem esses dois cruzamentos, além do raio axial sem desvio.

Cuidado, armadilha! Extrair apenas a raiz positiva de $n^2=1$ apagaria a refração negativa. Também não basta identificar dois cruzamentos: suas posições devem ser $3d/4$ dentro da placa e $d/4$ após a saída.

Alternativa correta: B

Q22
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Interferômetro de Fabry–Perot

Um interferômetro de Fabry–Perot é constituído por dois espelhos paralelos semitransparentes, com refletividade constante $R$, separados por uma distância variável $d$, entre os quais a luz sofre múltiplas reflexões. A luz transmitida pelo sistema resulta da superposição de várias contribuições sucessivas. O comportamento do interferômetro em incidência normal foi analisado em dois experimentos (I) e (II). No experimento (I), considerado como referência, a cavidade está preenchida por ar e é iluminada por luz monocromática de comprimento de onda no vácuo $\lambda$. O gráfico mostra a transmissão em função de $d/\lambda$.

Gráfico de transmissão do experimento I em função de d sobre lambda

No experimento (II), os espelhos permanecem os mesmos, mas a cavidade é totalmente preenchida por um líquido de índice de refração $n=3/2$, e a luz incidente passa a ter comprimento de onda no vácuo $\lambda'=3\lambda/4$. Despreze a absorção e a dispersão e assuma que a refletividade dos espelhos não se altera.

Assinale a alternativa que melhor representa a nova curva de transmissão do experimento (II) no mesmo intervalo do eixo horizontal.

A)
Alternativa A para a nova curva de transmissão do Fabry-Perot
B)
Alternativa B para a nova curva de transmissão do Fabry-Perot
C)
Alternativa C para a nova curva de transmissão do Fabry-Perot
D)
Alternativa D para a nova curva de transmissão do Fabry-Perot
E)
Alternativa E para a nova curva de transmissão do Fabry-Perot

Gabarito Preliminar

B
Resolução

A transmissão resulta da interferência entre os feixes que fazem diferentes números de viagens dentro da cavidade. Em incidência normal, os máximos ocorrem quando a diferença de caminho óptico de uma ida e volta corresponde a um número inteiro de comprimentos de onda no vácuo: \[2nd=m\lambda_{vac}.\]

Entre dois máximos consecutivos, $m$ aumenta de uma unidade. Assim, o espaçamento entre picos, medido em distância entre os espelhos, é \[\Delta d=\frac{\lambda_{vac}}{2n}.\] No experimento inicial, $n=1$ e o espaçamento é $\lambda/2$.

No segundo experimento, mudam o índice e o comprimento de onda da fonte: \[\Delta d=\frac{3\lambda/4}{2(3/2)}=\frac\lambda4.\] Como o eixo continua sendo $d/\lambda$, com o comprimento de referência original, os picos aparecem em 0; 0,25; 0,50; 0,75; e assim por diante. Há o dobro de picos no mesmo intervalo em comparação ao primeiro experimento.

No modelo sem absorção e com os mesmos espelhos, a transmissão nos máximos permanece unitária. A refletividade fixa mantém a forma dos picos em função da fase: a largura e o espaçamento, medidos no eixo $d/\lambda$, diminuem pelo mesmo fator.

Cuidado, armadilha! O eixo não foi trocado para $d/\lambda'$. Considere simultaneamente o novo índice e o novo comprimento de onda, sem deslocar a origem dos máximos nem reduzir sua altura sem uma perda de energia prevista.

Alternativa correta: B

Q23
Eletricidade — Eletrostática — Energia potencial elétrica: Conservação da energia

Duas pequenas esferas metálicas puntiformes idênticas, cada uma de massa $m$ e carga elétrica positiva $Q$, estão presas às extremidades de duas barras isolantes finas de mesmo comprimento $\ell$ e massas desprezíveis, fixadas em um mesmo ponto. As esferas podem mover-se em um mesmo plano vertical fixo. O sistema é colocado em uma região onde atua um campo elétrico uniforme vertical $\vec E=-E\hat y$, como mostra a figura.

Duas esferas positivas suspensas por barras simétricas em um campo elétrico vertical para baixo

Inicialmente, as esferas são mantidas em repouso em uma configuração simétrica tal que o ângulo entre os fios é $\beta$. Em seguida, elas são liberadas. Despreze a resistência do ar e assinale a alternativa que corresponde à expressão do campo elétrico $E$ para que, durante o movimento, o ângulo entre os fios atinja um valor mínimo igual a $2\alpha$.

A)$\dfrac{kQ}{4\ell^2}\dfrac{\dfrac1{\sin\alpha}-\dfrac1{\sin(\beta/2)}}{\cos\alpha-\cos(\beta/2)}-\dfrac{mg}{Q}$.
B)$\dfrac{kQ}{4\ell^2}\dfrac{\dfrac1{\sin\alpha}-\dfrac1{\sin(\beta/2)}}{\cos\alpha-\cos(\beta/2)}+\dfrac{mg}{Q}$.
C)$\dfrac{kQ}{4\ell^2}\dfrac{\dfrac1{\sin\alpha}-\dfrac1{\sin(\beta/2)}}{\cos(\beta/2)-\cos\alpha}-\dfrac{mg}{Q}$.
D)$\dfrac{kQ}{4\ell^2}\dfrac{\dfrac1{\sin\alpha}-\dfrac1{\sin(\beta/2)}}{\cos(\beta/2)-\cos\alpha}+\dfrac{mg}{Q}$.
E)$\dfrac{kQ}{4\ell^2}\dfrac{\dfrac1{\sin\alpha}+\dfrac1{\sin(\beta/2)}}{\cos(\beta/2)-\cos\alpha}+\dfrac{mg}{Q}$.

Gabarito Preliminar

A
Resolução

A configuração permanece simétrica, então cada barra faz um ângulo $\theta$ com a vertical. A separação entre as cargas é $2\ell\sin\theta$ e a altura de cada esfera, tomando o ponto de suspensão como zero, é $-\ell\cos\theta$. Vamos comparar a energia nos dois extremos do movimento, onde as velocidades são nulas.

Como as cargas são positivas e o campo aponta para baixo, a força elétrica uniforme soma-se ao peso. A contribuição potencial dessas forças para as duas esferas é $-2(mg+QE)\ell\cos\theta$. A repulsão entre as cargas contribui uma única vez, com $kQ^2/(2\ell\sin\theta)$. Portanto, \[U(\theta)=-2(mg+QE)\ell\cos\theta+\frac{kQ^2}{2\ell\sin\theta}.\]

Na liberação, $\theta=\beta/2$; no ângulo mínimo, $\theta=\alpha$. Sem dissipação, \[2(mg+QE)\ell\left[\cos\alpha-\cos\frac\beta2\right]=\frac{kQ^2}{2\ell}\left[\frac1{\sin\alpha}-\frac1{\sin(\beta/2)}\right].\] Isolando o campo, \[\boxed{E=\frac{kQ}{4\ell^2}\frac{1/\sin\alpha-1/\sin(\beta/2)}{\cos\alpha-\cos(\beta/2)}-\frac{mg}{Q}}.\]

Para $0<\alpha<\beta/2$ na configuração considerada, a aproximação das esferas aumenta a energia potencial de repulsão. Essa energia vem da diminuição da energia potencial associada às forças verticais. O termo $-mg/Q$ expressa que a gravidade já contribui para essa aproximação.

Cuidado, armadilha! Some as energias gravitacional e do campo para as duas esferas, mas conte a energia de interação do par apenas uma vez. O ângulo de cada barra é metade do ângulo entre elas.

Alternativa correta: A

Q24
Física Moderna — Física Nuclear — Energia de ligação e fissão

Ao contrário do que se poderia imaginar, a massa de um nuclídeo não é simplesmente a soma das massas dos núcleons (prótons de massa $m_p$ ou nêutrons de massa $m_n$) que o constituem. Na realidade, a massa de um dado nuclídeo, $M_{\text{nuc}}$, é menor do que $M=Zm_p+Nm_n$ por uma quantidade $\Delta M=M-M_{\text{nuc}}$, em que $Z$ é o número de prótons, $N=A-Z$ é o número de nêutrons e $A$ é o número total de núcleons do sistema. Essa diferença é diretamente responsável por manter os núcleons ligados no núcleo, já que está relacionada com a energia de ligação, denotada por $B(A,Z)$. A energia de ligação por núcleon cresce rapidamente com o número de massa, atingindo os valores mais altos para o $^{56}\text{Fe}$ e o $^{62}\text{Ni}$ e, em seguida, diminui lentamente para os nuclídeos mais massivos, conforme ilustra, aproximadamente, a figura a seguir.

Gráfico da energia de ligação por núcleon B sobre A em função do número de massa A

Considere a fissão de um núcleo, de número de massa $A_0=180$, em dois outros, cujos números de massa são $A_1=A_0/2$ e $A_2=A_1$. Assinale a alternativa que corresponde ao valor mais próximo da energia associada à diminuição da massa do sistema durante a reação.

A)$2\text{ MeV}$.
B)$50\text{ MeV}$.
C)$110\text{ MeV}$.
D)$220\text{ MeV}$.
E)$1540\text{ MeV}$.

Gabarito Preliminar

C
Resolução

O gráfico apresenta energia de ligação por núcleon. Para calcular a energia liberada na fissão, precisamos obter a energia de ligação total antes e depois. Um aumento da ligação total corresponde a uma diminuição da massa de repouso do sistema, convertida em energia liberada.

O núcleo inicial tem 180 núcleons. Pela leitura aproximada do gráfico, sua energia de ligação por núcleon é próxima de 8,0 MeV, portanto \[B_i\approx180\cdot8{,}0=1.440\,\text{MeV}.\]

Após a fissão, existem dois núcleos de 90 núcleons. Para essa região, a leitura é aproximadamente 8,6 a 8,7 MeV por núcleon. Usando 8,7 MeV, a ligação total final é \[B_f\approx2\cdot90\cdot8{,}7=1.566\,\text{MeV}.\] A energia liberada é a diferença: \[Q=B_f-B_i\approx126\,\text{MeV}.\]

Como o gráfico permite apenas uma estimativa, o resultado fica da ordem de $1{,}1$ a $1{,}3\times10^2\,\text{MeV}$. Entre os valores apresentados, o mais próximo é 110 MeV. Não se deve confundir essa diferença com a energia de ligação total dos produtos, que é da ordem de 1.500 MeV.

Cuidado, armadilha! A diferença vertical no gráfico é por núcleon. Multiplique-a pelos 180 núcleons do sistema. O número total de núcleons permanece 180 depois da divisão em dois núcleos.

Alternativa correta: C

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