Nas questões de Física, quando necessário, utilize:
aceleração da gravidade: $g = 10\,m/s^2$
Q01
Trabalho e Energia — Forças Conservativas e Não Conservativas
Em uma aula de física, o professor desafia os alunos a pensarem sobre as propriedades dos sistemas físicos conservativos e não conservativos. Ele propõe a análise de situações onde são aplicadas forças conservativas, como a gravidade ou a força elástica em uma mola, e compara com casos onde forças não conservativas, como o atrito ou a resistência do ar, estão presentes. Com base nessa discussão, ele fez as seguintes afirmações:
I. Em um sistema isolado onde apenas forças conservativas estão atuando, a energia mecânica total se conserva. II. O trabalho realizado por uma força não conservativa depende da trajetória seguida pelo objeto. III. Um sistema conservativo pode ser descrito por uma função de ponto, ou energia potencial, e o trabalho realizado sobre um objeto, ao se mover entre dois pontos, é independente do caminho percorrido entre esses pontos.
Está correto o que o professor afirma em
A)I e II apenas.
B)I e III apenas.
C)II e III apenas.
D)I, II e III.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
D
Resolução
I é verdadeira: é a própria definição de conservação de energia mecânica na ausência de forças dissipativas.
II é verdadeira: é característica das forças não conservativas (como o atrito) que seu trabalho dependa do caminho percorrido, não apenas dos pontos inicial e final.
III é verdadeira: essa é exatamente a definição formal de força conservativa — existência de uma função energia potencial e independência do trabalho em relação à trajetória.
As três afirmações estão corretas — alternativa D.
Q02
Teoria Cinética dos Gases
Em um experimento de laboratório, é utilizado um recipiente fechado que contém um gás ideal a uma temperatura constante T. Esse recipiente tem um volume fixo V e contém N moléculas de gás, cada uma com massa m. Sabendo que a pressão exercida pelo gás sobre as paredes do recipiente é P e considerando a teoria cinética dos gases ideais, é correto afirmar que
A)a pressão P exercida pelo gás é diretamente proporcional à raiz quadrada da temperatura T e inversamente proporcional à raiz quadrada do número de moléculas N.
B)a energia cinética total do gás é proporcional ao produto do número de moléculas N pela temperatura T, e independente da massa m de cada molécula.
C)a pressão P exercida pelo gás é diretamente proporcional ao número de moléculas N, à temperatura T, e inversamente proporcional ao volume V.
D)a velocidade média das moléculas desse gás é proporcional à raiz quadrada da temperatura T e inversamente proporcional à raiz quadrada da massa m de cada molécula.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
C
Resolução
Alternativa correta: C. A equação de estado dos gases ideais, $PV=NkT$, dá diretamente $P=\dfrac{NkT}{V}$ — proporcional a N e a T, e inversamente proporcional a V. Essa relação vale para qualquer gás ideal, monoatômico ou não.
A está errada: a dependência correta é linear em T e em N (não com raiz quadrada, nem inversa).
B descreve corretamente a energia cinética translacional ($\tfrac32NkT$), mas chamar isso de "energia cinética total do gás" pressupõe implicitamente um gás monoatômico (sem graus de liberdade rotacionais/vibracionais) — uma hipótese não dada no enunciado, o que torna C a opção mais segura e universalmente válida.
D está errada por uma sutileza clássica: a velocidade média (vetorial) das moléculas de um gás em equilíbrio é nula, pois o movimento é isotrópico (aleatório em todas as direções) — quem tem a dependência $\sqrt{T/m}$ é a velocidade escalar média (ou rms), não a velocidade média propriamente dita.
Q03
Eletromagnetismo — Força Magnética sobre Carga em Movimento
Um estudante de física está realizando um experimento para investigar as propriedades do campo magnético. Durante o experimento, ele observa uma partícula carregada, com uma carga Q, movendo-se em uma região do espaço que contém um campo magnético uniforme B. Ao analisar o movimento da partícula, o estudante faz as seguintes afirmações sobre o campo magnético e suas propriedades:
I. O campo magnético é um campo vetorial que exerce força sobre a carga elétrica Q em movimento, mas não realiza trabalho sobre ela. II. Embora a força magnética possa alterar a direção da velocidade da partícula carregada, ela não pode fazer com que a partícula ganhe ou perca energia cinética. III. O campo magnético, sendo conservativo, permite que a energia mecânica de uma partícula carregada seja conservada ao longo da trajetória.
Estão corretas as afirmações contidas em
A)I e II apenas.
B)I e III apenas.
C)II e III apenas.
D)I, II e III.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
A
Resolução
I é verdadeira: a força magnética $\vec F=q\vec v\times\vec B$ é sempre perpendicular à velocidade, logo nunca realiza trabalho.
II é verdadeira: consequência direta de I — sem trabalho, a energia cinética da partícula não se altera (só a direção da velocidade muda).
III é falsa: apesar de não realizar trabalho, a força magnética não é conservativa no sentido formal (não deriva de uma função energia potencial, pois depende da velocidade, não apenas da posição) — o termo tecnicamente correto seria dizer que ela não realiza trabalho, não que é "conservativa".
Corretas: I e II apenas — alternativa A.
Q04
Termodinâmica — Entropia e Equilíbrio Térmico
Considere um sistema isolado que consiste em um bloco de cobre de 1 kg inicialmente a 100°C e um bloco de alumínio de 1 kg inicialmente a 20°C. Os blocos são colocados em contato dentro de um recipiente termicamente isolado e são deixados para atingir o equilíbrio térmico. Sabendo que o calor específico do cobre é de 0,3 J/g°C e do alumínio é de 0,9 J/g°C, pode-se afirmar corretamente que a variação da entropia
A)do cobre é negativa e o processo é irreversível porque há geração de entropia devido ao fluxo de calor espontâneo entre os blocos.
B)do sistema é zero e o processo é reversível porque o sistema é isolado.
C)do alumínio é negativa e o processo é reversível porque a energia é limitada de forma controlada dentro do sistema isolado.
D)do sistema é positiva e o processo é reversível porque, embora haja fluxo de calor espontâneo, o sistema isolado não permite transferência de energia para o ambiente.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
A
Resolução
O cobre, mais quente, cede calor e sua temperatura cai — como cede calor perdendo temperatura, sua entropia diminui ($\Delta S_{Cu}<0$). O alumínio recebe calor e esquenta, logo sua entropia aumenta ($\Delta S_{Al}>0$).
Como o fluxo de calor é espontâneo entre corpos a temperaturas diferentes, o processo é irreversível, e a entropia total do sistema isolado aumenta ($\Delta S_{sistema}=\Delta S_{Cu}+\Delta S_{Al}>0$), consistente com a 2ª Lei da Termodinâmica.
A alternativa A afirma corretamente que $\Delta S_{Cu}<0$ e que o processo é irreversível — alternativa A.
Q05
Óptica — Espelho Esférico Convexo
Considere um espelho esférico convexo utilizado em um ponto de observação estratégico para melhorar a visibilidade em uma curva fechada de uma estrada. Um carro se aproxima dessa curva e é observado através do espelho e, à medida que o carro se afasta do espelho, sua imagem
A)se torna real e maior.
B)permanece virtual e direita, mas aumenta de tamanho.
C)permanece virtual e direita, mas diminui de tamanho.
D)se torna invertida e diminui de tamanho.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
C
Resolução
Um espelho convexo produz, para qualquer posição do objeto (a qualquer distância), sempre uma imagem virtual, direita (não invertida) e reduzida. À medida que o objeto se afasta do espelho, a imagem — já reduzida — torna-se ainda menor, aproximando-se do tamanho de um ponto no plano focal.
Isso corresponde exatamente a: permanece virtual e direita, mas diminui de tamanho — alternativa C.
Q06
Óptica Ondulatória — Difração em Fenda Única
Durante um experimento de laboratório, um estudante de física avançada utiliza um feixe de laser que passa por uma fenda única para estudar o padrão de difração resultante. A largura da fenda é denotada como $a$ e o comprimento de onda do laser utilizado é $\lambda$. O padrão de difração é observado em uma tela posicionada a uma distância L da fenda. O estudante nota que o padrão de difração possui máximos e mínimos bem definidos, o que o leva a concluir que os mínimos de difração
A)ocorrem em valores de x na tela dados por $x=L\,m\lambda/a$, onde m é um número inteiro que não inclui o zero.
B)ocorrem em valores de x na tela dados por $x=L\,a/(m\lambda)$, onde m é um número inteiro positivo.
C)são determinados pela relação dada por $x=L\lambda/(ma)$, onde m é um número inteiro incluindo o zero.
D)ocorrem em valores de x na tela dados por $x=Lm\lambda/a$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
D
Resolução
A condição de mínimos de difração em fenda única é $a\,\text{sen}\,\theta=m\lambda$, com $m=\pm1,\pm2,\ldots$ (inteiro não nulo, já que $m=0$ corresponde ao máximo central, e não a um mínimo). Para ângulos pequenos, $\text{sen}\,\theta\approx x/L$, logo $x=\dfrac{Lm\lambda}{a}$ — alternativa D, que é a expressão padrão para a posição dos mínimos (com m inteiro não nulo, subentendido pela própria natureza física do fenômeno).
Q07
Eletrodinâmica — Velocidade de Deriva de Elétrons
Em um experimento de física que obedece às leis de Ohm, um fio de cobre, de 1 metro de comprimento, com seção transversal de área igual a $1\times10^{-4}\,\text{m}^2$ é submetido a uma diferença de potencial de 10V. Sabendo que a densidade de elétrons livres para o cobre é $8\times10^{28}$ elétrons/m³ e que a resistividade do cobre é $2\times10^{-8}\,\Omega\cdot\text{m}$, pode-se afirmar corretamente que a velocidade de deriva dos elétrons é, aproximadamente,
A)0,50 mm/s.
B)39 mm/s.
C)50 mm/s.
D)390 mm/s.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
B
Resolução
Campo elétrico no fio: $E=V/L=10/1=10\,\text{V/m}$.
Densidade de corrente: $J=E/\rho=10/(2\times10^{-8})=5\times10^8\,\text{A/m}^2$.
Velocidade de deriva: $v_d=\dfrac{J}{ne}=\dfrac{5\times10^8}{8\times10^{28}\times1{,}6\times10^{-19}}=\dfrac{5\times10^8}{1{,}28\times10^{10}}\approx0{,}0391\,\text{m/s}=39\,\text{mm/s}$ — alternativa B.
Q08
Hidrostática — Diferença de Pressão em Sólidos Submersos
Em um recipiente completamente preenchido por um líquido de densidade constante ρ, dois objetos sólidos de mesma massa M e constituídos do mesmo material estão totalmente submersos e em equilíbrio longe das bordas. O primeiro objeto é uma esfera com raio r, e o segundo é um cilindro com raio R e altura H. Assim, é correto afirmar que a razão entre as máximas diferenças de pressão suportada pelo cilindro em relação à esfera é
A)$H/r$.
B)$2H/r$.
C)$H/2r$.
D)$H/2R$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
C
Resolução
A máxima diferença de pressão hidrostática ao longo de um objeto submerso depende apenas da sua extensão vertical: $\Delta P=\rho g\,\Delta h$, onde $\Delta h$ é a altura (extensão vertical) do objeto — não depende da massa ou do raio horizontal.
Para a esfera, a extensão vertical (diâmetro) é $2r$; para o cilindro, é $H$. A razão pedida é $\dfrac{\Delta P_{cilindro}}{\Delta P_{esfera}}=\dfrac{\rho g H}{\rho g(2r)}=\dfrac{H}{2r}$ — alternativa C.
Q09
Oscilações — Pêndulo Simples e Velocidade Vetorial Média
Um pêndulo simples ideal, de comprimento L e período T, é deslocado formando um ângulo θ com a direção vertical em sua posição mais extrema. Após ser liberado, o pêndulo se desloca até a extremidade oposta. Assim, pode-se afirmar corretamente que a velocidade vetorial média do pêndulo ao deslocar-se de uma extremidade à outra de sua trajetória é
A)$\dfrac{4L\,\text{sen}\,\theta}{T}$.
B)$\dfrac{2L}{T}$.
C)$\dfrac{L}{T}$.
D)$\dfrac{L\,\text{sen}\,\theta}{T}$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
A
Resolução
As duas extremidades do movimento estão à mesma altura (simétricas em relação à vertical), separadas horizontalmente por uma distância $\Delta x=2L\,\text{sen}\,\theta$ (cada extremidade está a $L\,\text{sen}\,\theta$ do ponto mais baixo, para lados opostos). Como não há deslocamento vertical líquido entre as duas extremidades, o deslocamento total tem módulo $2L\,\text{sen}\,\theta$.
O tempo para ir de uma extremidade a outra é meio período, $T/2$. A velocidade vetorial média é $\dfrac{|\Delta \vec{x}|}{\Delta t}=\dfrac{2L\,\text{sen}\,\theta}{T/2}=\dfrac{4L\,\text{sen}\,\theta}{T}$ — alternativa A.
Q10
Ordem de Grandeza — Estimativa de Lotação
Em uma partida de futebol, um estádio é preenchido completamente por espectadores. A área de assentos disponíveis no estádio é de aproximadamente 20.000 m². Sabendo que, em média, é necessário um espaço de 0,5 m² por pessoa para sentar confortavelmente, é correto afirmar que a ordem de grandeza do número de pessoas que o estádio pode acomodar é
A)$10^1$.
B)$10^5$.
C)$10^7$.
D)$10^3$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
B
Resolução
Número de pessoas: $N=\dfrac{20\,000}{0{,}5}=40\,000=4\times10^4$.
Pela convenção usual de ordem de grandeza, arredonda-se para a potência de 10 mais próxima em escala logarítmica: como $\log_{10}(4\times10^4)\approx4{,}6$, o valor arredonda para $10^5$ (mais próximo de 5 que de 4) — alternativa B.
Q11
Eletrostática — Capacitores Carregados em Paralelo
Um técnico em eletrônica tem a sua disposição uma fonte de bancada regulável e capacitores, inicialmente descarregados, de capacitâncias $C_1$ e $C_2$. Os capacitores de capacitâncias $C_1$ e $C_2$ são carregados, de forma individual, fazendo uso da fonte de bancada ajustada com as diferenças de potencial X e Y respectivamente. Os capacitores, agora carregados e desconectados da fonte, são ligados em paralelo através de seus terminais. Nessa nova configuração, a diferença de potencial comum entre seus terminais passa a ser Z. Sendo assim, a razão entre $C_1/C_2$, expressa em termos de X, Y e Z, é dada por
A)$(Y-Z)/(Z-X)$.
B)$Y/(Z-X)$.
C)$(Z-Y)/X$.
D)$(X+Y)/Z$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
A
Resolução
Cargas antes de conectar: $Q_1=C_1X$, $Q_2=C_2Y$. Ao ligar em paralelo (mesma polaridade), a carga total se conserva e se redistribui até a tensão comum Z: $C_1X+C_2Y=(C_1+C_2)Z$.
Isolando: $C_1X-C_1Z=C_2Z-C_2Y \Rightarrow C_1(X-Z)=C_2(Z-Y) \Rightarrow \dfrac{C_1}{C_2}=\dfrac{Z-Y}{X-Z}=\dfrac{Y-Z}{Z-X}$ — alternativa A.
Q12
Impulso e Colisões — Coeficiente de Restituição
De modo a verificar a dureza em amostras de aço, isto é, a resistência que um material oferece a deformação localizada, utiliza-se, em testes práticos, um bloco de aço e esferas feitas em aço duro (carbeto de tungstênio). Abandonada, na vertical, de uma determinada altura acima do bloco de prova, a esfera irá quicar inúmeras vezes até atingir o repouso. A altura atingida pela esfera, após a colisão, irá variar de acordo a dureza da esfera utilizada, da textura e planicidade da amostra em estudo. Considere, para o teste descrito, que o momento linear da esfera imediatamente anterior à primeira colisão com a amostra é P e que o coeficiente de restituição da amostra é E. Diante do exposto e desconsiderando quaisquer efeitos indesejáveis, o momento linear total transferido pela esfera ao bloco de prova metálico até que ela atinja o repouso é
A)$P(1+E)$.
B)$P/(1+E)$.
C)$P(1+E)/(1-E)$.
D)$P(1+1/E)$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
C
Resolução
A cada impacto, a velocidade de rebote é $e$ vezes a velocidade de impacto (coeficiente de restituição), e como a esfera sobe e desce livremente entre impactos, a velocidade do próximo impacto é igual à velocidade de saída do impacto anterior. Assim, as velocidades de impacto sucessivas formam uma progressão geométrica: $v_0, Ev_0, E^2v_0,\ldots$
Em cada colisão, o impulso transferido ao bloco tem módulo $m v_n(1+E)$ (a esfera chega com $-v_n$ e sai com $+Ev_n$, mudança de momento $m v_n(1+E)$). Somando a série geométrica infinita:
$I_{total}=m(1+E)\sum_{n=0}^{\infty}E^n v_0=m(1+E)v_0\cdot\dfrac{1}{1-E}=\dfrac{P(1+E)}{1-E}$ (usando $P=mv_0$) — alternativa C.
Q13
Termodinâmica — Ciclo de Carnot e Variação Percentual de Rendimento
Uma máquina térmica ideal, operando em ciclo de Carnot entre duas fontes térmicas, tem seu rendimento estimado em 40%. No entanto, quando a fonte quente desta máquina sofre uma mudança no valor de sua temperatura, mantida a temperatura da fonte fria, o rendimento da máquina térmica nestas condições sofre um aumento de 5% em seu valor original. Nessas circunstâncias, o aumento percentual sofrido na temperatura da fonte quente é de aproximadamente
Situação final: rendimento sobe para $\eta_2=45\%$ (aumento de 5 pontos percentuais sobre os 40% originais). $\eta_2=1-\dfrac{T_c}{T_{h2}}=0{,}45 \Rightarrow \dfrac{T_c}{T_{h2}}=0{,}55$.
Como $T_c$ é a mesma nas duas situações: $T_c=0{,}60\,T_{h1}=0{,}55\,T_{h2} \Rightarrow \dfrac{T_{h2}}{T_{h1}}=\dfrac{0{,}60}{0{,}55}\approx1{,}0909$.
Aumento percentual: $\left(\dfrac{T_{h2}}{T_{h1}}-1\right)\times100\%\approx9{,}1\%\approx9\%$ — alternativa B.
Q14
Ondulatória — Corda Suspensa e Velocidade de Pulso
Uma corda, de comprimento L e distribuição linear de massa uniforme, encontra-se fixa ao teto através de uma de suas extremidades por meio de um suporte rígido. Um pulso transverso, de pequena amplitude quando comparado ao comprimento da corda, é gerado em sua extremidade inferior livre propagando-se ao longo da corda em direção ao teto. Adotando como g, o módulo da aceleração da gravidade local, o quadrado da velocidade do pulso quando este atinge o ponto médio da corda é dado por
A)$gL/2$.
B)$2gL$.
C)$gL$.
D)$g/L$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
A
Resolução
Numa corda pendurada pelo próprio peso, a tensão a uma altura $y$ (medida a partir da extremidade livre inferior) é igual ao peso da porção de corda abaixo desse ponto: $T(y)=\mu g y$, onde $\mu$ é a densidade linear.
A velocidade do pulso nessa posição é $v(y)=\sqrt{T(y)/\mu}=\sqrt{gy}$. No ponto médio da corda, $y=L/2$, logo $v^2=g\cdot\dfrac{L}{2}=\dfrac{gL}{2}$ — alternativa A.
Q15
Hidrostática — Empuxo com Dilatação Térmica
No laboratório de Física experimental da Universidade Estadual do Ceará, um estudante realiza experimentos com um bloco padrão de massa M e volume V e uma mola ideal de constante elástica K. Em um primeiro experimento, o estudante prende o bloco M à mola e a mola ao teto do laboratório por meio de um suporte. Nessa configuração, o comprimento final da mola é X. Em um segundo experimento, o sistema massa mola montado, como descrito no primeiro experimento, permanece em equilíbrio com o bloco de massa M totalmente imerso em um fluido de densidade D. Sabendo que no segundo experimento a mola apresenta um comprimento final Y e que a aceleração da gravidade vale g, a densidade do fluido D é dada por
A)$KX^2/(YVg)$.
B)$K(X^2+Y^2)/[(X-Y)Vg]$.
C)$KV(X+Y)/(2g)$.
D)$K(X-Y)/(Vg)$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
D
Resolução
Experimento 1 (no ar, sem empuxo relevante): a força elástica equilibra o peso: se $L_0$ é o comprimento natural da mola, $K(X-L_0)=Mg$.
Experimento 2 (bloco imerso no fluido, empuxo reduz a tração necessária): $K(Y-L_0)=Mg-DVg$.
Subtraindo as duas equações (eliminando $L_0$ e $M$): $K(X-Y)=DVg \Rightarrow D=\dfrac{K(X-Y)}{Vg}$ — alternativa D.
Q16
Eletrodinâmica — Resistores em Paralelo (Geometria)
Em uma instalação elétrica residencial, dois condutores X e Y, feitos do mesmo material homogêneo e com áreas de seção transversal constante, estão conectados em paralelo. Os comprimentos dos condutores X e Y estão numa razão de 4 para 3 ao passo que os raios das seções transversais de X e Y estão numa razão de 2 para 3. Se o circuito assim formado pelos condutores X e Y for atravessado por uma corrente elétrica, a razão entre as correntes que atravessam os condutores X e Y, respectivamente, estarão numa razão de
A)16 para 27.
B)1 para 3.
C)1 para 2.
D)8 para 9.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
B
Resolução
Resistência: $R=\rho L/A=\rho L/(\pi r^2)$. Com $L_X:L_Y=4:3$ e $r_X:r_Y=2:3$ (mesmo $\rho$):
$\dfrac{R_X}{R_Y}=\dfrac{L_X/r_X^2}{L_Y/r_Y^2}=\dfrac{4/4}{3/9}=\dfrac{1}{1/3}=3$, ou seja, $R_X=3R_Y$.
Em paralelo, ambos têm a mesma tensão V, logo $I=V/R$: $\dfrac{I_X}{I_Y}=\dfrac{R_Y}{R_X}=\dfrac{1}{3}$ — razão de 1 para 3 — alternativa B.
Q17
Oscilações — Colisão Perfeitamente Inelástica em MHS
Um bloco de massa M padrão, acoplado à extremidade de uma mola ideal, executa um movimento harmônico simples ao longo de uma superfície horizontal perfeitamente lisa. Além do mais, o bloco oscila em torno da posição de equilíbrio O com amplitude de oscilação A. Em um determinado instante, ao passar pela posição de equilíbrio em O, uma massa m adere ao bloco de massa M, alterando assim sua amplitude de oscilação para um novo valor A'. Considerando desprezíveis os efeitos resistivos do meio, a razão entre A'² e A² é dada por
A)$m/(M+m)$.
B)$M/(M+m)$.
C)$M/m$.
D)$(mM)/(M^2+m^2)$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
B
Resolução
Na posição de equilíbrio, a velocidade é máxima: $v_0=A\omega=A\sqrt{K/M}$.
A colisão (perfeitamente inelástica) conserva momento: $Mv_0=(M+m)v_1 \Rightarrow v_1=\dfrac{M}{M+m}v_0$.
Após a colisão, o novo sistema (massa $M+m$, mesma mola K) tem nova amplitude dada por conservação de energia: $\tfrac12(M+m)v_1^2=\tfrac12KA'^2$.
Substituindo $v_1$ e $v_0^2=KA^2/M$: $A'^2=\dfrac{(M+m)v_1^2}{K}=\dfrac{(M+m)}{K}\cdot\dfrac{M^2}{(M+m)^2}\cdot\dfrac{KA^2}{M}=\dfrac{MA^2}{M+m}$.
Logo $\dfrac{A'^2}{A^2}=\dfrac{M}{M+m}$ — alternativa B.
Q18
Gravitação — Altura Máxima em Lançamento Vertical
Spin Launch, ou catapulta espacial, é um projeto ambicioso, ainda em desenvolvimento, que pretende revolucionar o lançamento de satélites e foguetes. Com uma proposta de reduzir os custos operacionais com combustível e tempo, esse acelerador circular gigante, ou centrífuga, utiliza uma câmara de vácuo dotada de uma saída aberta de forma sincronizada por onde o satélite ou foguete é arremessado após ter atingido uma velocidade desejada. De forma a calibrar e testar o equipamento, utilizam-se inicialmente projéteis que, lançados da superfície da Terra, de raio R, e com uma velocidade de lançamento V, atingem uma altura h máxima acima da superfície. Tomando como g a aceleração da gravidade na superfície da Terra, desprezando os efeitos resistivos e supondo que a Spin Launch seja capaz de lançar o projétil em uma direção vertical, o valor de $V^2/2g$ é expresso por
A)$Rh/(R+h)$.
B)$h/R$.
C)$h/(R+h)$.
D)$R/(R+h)$.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
A
Resolução
Usando conservação de energia com a expressão exata da energia potencial gravitacional (não a aproximação de campo uniforme, já que h pode ser comparável a R), da superfície ($r=R$, $v=V$) até a altura máxima ($r=R+h$, $v=0$):
Como $g=GM/R^2$ (gravidade na superfície), $GM=gR^2$: $\dfrac{1}{2}V^2=\dfrac{gR^2h}{R(R+h)}=\dfrac{gRh}{R+h} \Rightarrow \dfrac{V^2}{2g}=\dfrac{Rh}{R+h}$ — alternativa A.
Q19
Ondulatória — Efeito Doppler-Fizeau
Um móvel se desloca, ao longo de uma estrada, com velocidade constante U emitindo um sinal sonoro de frequência F. Um estudante de Física situado próximo à estrada observando o tráfego percebe, na aproximação do móvel, que a frequência aparente do sinal emitido pela fonte é X. Contudo, à medida que o móvel se afastava, a frequência aparente percebida pelo estudante passou a ser Y. Utilizando seus conhecimentos de Efeito Doppler-Fizeau, o estudante foi capaz de obter uma relação matemática simples entre as frequências aparentes X e Y. Sabendo que a velocidade de propagação do som no ar é V, a expressão obtida pelo estudante era tal que $1/X+1/Y$ fornecia
$\dfrac{1}{X}=\dfrac{V-U}{FV}$, $\dfrac{1}{Y}=\dfrac{V+U}{FV}$. Somando: $\dfrac{1}{X}+\dfrac{1}{Y}=\dfrac{(V-U)+(V+U)}{FV}=\dfrac{2V}{FV}=\dfrac{2}{F}$ — alternativa D.
Q20
Cinemática — Lançamento Oblíquo com Colisão Frontal no Ápice
De um mesmo plano horizontal, mas a partir de pontos distintos A e B situados neste plano horizontal, são lançadas duas partículas idênticas. A primeira partícula é lançada obliquamente a partir de A rumo a B, com velocidade inicial de módulo X, que faz um ângulo de 45° com a horizontal. A segunda partícula, também lançada obliquamente, mas a partir de B rumo a A, tem velocidade inicial de módulo Y que faz um ângulo de 60° com a horizontal. Sabendo que o módulo da aceleração da gravidade local é g e que as partículas colidem frontalmente quando ambas atingem suas respectivas alturas máximas, é correto afirmar que a razão X²/Y² é dada por
A)3/2.
B)1/2.
C)1/3.
D)3/4.
Gabarito oficial CEV/UECE — UECE 24.2 — 2ª Fase
A
Resolução
No instante em que cada partícula atinge sua altura máxima, sua velocidade é puramente horizontal. Para que a colisão frontal ocorra exatamente nesse instante para ambas, os dois tempos de subida devem coincidir: $t_1=t_2$.
Tempo até a altura máxima: $t=\dfrac{v_0\,\text{sen}\,\theta}{g}$. Logo: $\dfrac{X\,\text{sen}\,45°}{g}=\dfrac{Y\,\text{sen}\,60°}{g} \Rightarrow \dfrac{X}{Y}=\dfrac{\text{sen}\,60°}{\text{sen}\,45°}=\dfrac{\sqrt3/2}{\sqrt2/2}=\sqrt{\dfrac{3}{2}}$.
Logo $\dfrac{X^2}{Y^2}=\dfrac{3}{2}$ — alternativa A.