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UNICAMP 2026 | 1ª Fase

Vestibular 2026 · Prova de Conhecimentos Gerais, questões de Física (Q08–14) — resolução comentada Método TEF.

Q01
Termologia — Mecanismos de Transferência de Calor

A uniformidade da temperatura em um ambiente refrigerado depende, além do bom funcionamento do aparelho de ar condicionado, de uma instalação adequada, visando a uma transferência de calor eficiente. Isso pode ser verificado pelo instalador utilizando um termômetro de infravermelho para inspecionar diferentes áreas do recinto. Analise as afirmativas 1, 2, 3 e 4 sobre os mecanismos de transferência de calor: condução, convecção e radiação.

1) A transferência de calor por condução térmica pode ocorrer tanto no vácuo quanto em um meio material.

2) A taxa de condução de calor em uma barra não depende da diferença entre as temperaturas de suas extremidades.

3) A convecção consiste no transporte de energia térmica de uma região para outra por meio do deslocamento de uma massa de fluido.

4) A transferência de calor por radiação térmica pode ocorrer tanto no vácuo quanto em um meio material.

As afirmativas corretas são:

A)1 e 2.
B)1 e 4.
C)2 e 3.
D)3 e 4.

Gabarito oficial UNICAMP — 2026 — 1ª Fase (Q08)

D
Resolução

1 — Falsa: a condução térmica exige contato entre partículas de um meio material (sólido, líquido ou gás) que transferem energia por colisões e vibrações — não existe condução no vácuo, onde não há partículas para colidir.

2 — Falsa: pela lei de Fourier da condução, a taxa de transferência de calor é diretamente proporcional à diferença de temperatura entre as extremidades da barra ($\Phi = kA\,\Delta T/L$) — quanto maior o $\Delta T$, maior a taxa.

3 — Verdadeira: é exatamente a definição de convecção — o transporte de energia térmica ocorre pelo deslocamento macroscópico de um fluido (líquido ou gás) mais aquecido (e menos denso) para outra região.

4 — Verdadeira: a radiação térmica se propaga por ondas eletromagnéticas, que não precisam de meio material — é assim que a energia do Sol atravessa o vácuo até a Terra.

Afirmativas corretas: 3 e 4 — alternativa D.

Q02
Eletricidade — Corrente Elétrica e Carga

Texto para as questões 2, 3 e 4 (originais 9, 10 e 11): As baterias são fundamentais no mundo moderno, sendo a fonte de energia portátil que alimenta dispositivos como celulares e laptops, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia renovável. Duas grandezas que caracterizam uma bateria são a sua capacidade de carga elétrica, expressa em miliampère-hora (mAh), e a energia que ela armazena, usualmente dada em watts-hora (Wh).

Uma bateria inicialmente carregada fornece uma corrente constante de $i = 4\,000\,\text{mA}$ durante o tempo $\Delta t = 1$ hora, ficando descarregada no final desse processo. A carga elétrica $Q$, que circula por essa bateria nesse intervalo de tempo, é

A)$4\,\text{C}$.
B)$4\,000\,\text{C}$.
C)$14\,400\,\text{C}$.
D)$14\,400\,000\,\text{C}$.

Gabarito oficial UNICAMP — 2026 — 1ª Fase (Q09)

C
Resolução

A carga elétrica que circula é $Q = i\cdot\Delta t$. Convertendo as unidades para o SI: $i=4\,000\,\text{mA}=4\,\text{A}$ e $\Delta t = 1\,\text{h} = 3\,600\,\text{s}$.

$Q = 4\times3\,600 = 14\,400\,\text{C}$ — alternativa C.

Q03
Eletricidade — Resistência Interna e Circuito Série

De forma simplificada, o comportamento de uma bateria pode ser modelado com uma fonte ideal de diferença de potencial elétrico $U_b$ em série com um resistor de resistência $R_b$. Dessa maneira, o dispositivo que é alimentado pela bateria pode, muitas vezes, ser representado por um resistor de resistência $R$.

Circuito com bateria de fem Ub=3,6V e resistência interna Rb=1,2Ω em série com resistor externo R=6,0Ω; um voltímetro está ligado em paralelo com R

Na situação exemplificada na figura, com $U_b = 3{,}6\,\text{V}$, $R_b = 1{,}2\,\Omega$ e $R = 6{,}0\,\Omega$, a diferença de potencial registrada pelo voltímetro é

A)$0{,}6\,\text{V}$.
B)$3{,}0\,\text{V}$.
C)$3{,}6\,\text{V}$.
D)$4{,}3\,\text{V}$.

Gabarito oficial UNICAMP — 2026 — 1ª Fase (Q10)

B
Resolução

O voltímetro está ligado em paralelo com o resistor externo $R$, medindo a própria tensão sobre ele — que é a tensão terminal da bateria (a fem $U_b$ menos a queda de tensão sobre a resistência interna $R_b$).

Como $R_b$ e $R$ estão em série, a corrente do circuito é $i=\dfrac{U_b}{R_b+R}=\dfrac{3{,}6}{1{,}2+6{,}0}=\dfrac{3{,}6}{7{,}2}=0{,}5\,\text{A}$.

A tensão sobre $R$ (lida pelo voltímetro) é $V_R = i\cdot R = 0{,}5\times6{,}0=3{,}0\,\text{V}$ — alternativa B.

Q04
Energia — Conservação de Energia (Elétrica e Potencial Gravitacional)

Outra bateria totalmente carregada armazena uma energia $E_b = 15\,\text{Wh}$. Devemos elevar uma massa $m = 45\,\text{kg}$ até a altura $y$, em relação ao solo, para que a variação da energia potencial gravitacional $E_p$ desse sistema mecânico seja igual à energia armazenada nessa bateria. A altura $y$ deve ser

Dado: $g = 10\,m/s^2$.

A)$0{,}03\,\text{m}$.
B)$3\,\text{m}$.
C)$120\,\text{m}$.
D)$1\,200\,\text{m}$.

Gabarito oficial UNICAMP — 2026 — 1ª Fase (Q11)

C
Resolução

Primeiro convertemos a energia da bateria para o SI (Joules): $E_b = 15\,\text{Wh} = 15\times3\,600\,\text{s} = 54\,000\,\text{J}$ (lembrando que $1\,\text{Wh}=1\,\text{W}\times3\,600\,\text{s}=3\,600\,\text{J}$).

Igualando à variação de energia potencial gravitacional: $E_b = mgy \Rightarrow y=\dfrac{E_b}{mg}=\dfrac{54\,000}{45\times10}=\dfrac{54\,000}{450}=120\,\text{m}$ — alternativa C.

Q05
Óptica — Lentes Delgadas (Efeito Lupa)

O Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, em Campinas (SP), possui equipamentos avançados de manufatura 3D, incluindo uma impressora capaz de produzir uma miniatura do Cristo Redentor com pouco mais de 100 μm. Menor que um grão de areia, a peça só é visível com microscópio óptico, baseado em arranjo de um conjunto de lentes. Se uma lente delgada, de distância focal $f$, é usada para investigar um objeto de altura $o$, de forma que a imagem seja direita com altura $i$ maior que a do objeto ($i > o$), é correto afirmar que

A)a lente é convergente e a distância entre objeto e lente é menor que a distância focal.
B)a lente é divergente e a distância entre objeto e lente é menor que a distância focal.
C)a lente é convergente e a distância entre objeto e lente é maior que a distância focal.
D)a lente é divergente e a distância entre objeto e lente é maior que a distância focal.

Gabarito oficial UNICAMP — 2026 — 1ª Fase (Q12)

A
Resolução

Uma lente divergente nunca forma imagem real, e sua imagem virtual é sempre direita e reduzida ($i

Uma lente convergente forma imagem direita e ampliada ($i>o$) exatamente quando o objeto está posicionado entre o foco e o centro óptico da lente, ou seja, quando a distância objeto–lente é menor que a distância focal — é o princípio de funcionamento da lupa (e do próprio microscópio óptico mencionado no enunciado). Se o objeto estivesse além do foco, a imagem formada seria real e invertida.

Portanto: lente convergente, com o objeto a uma distância menor que $f$ — alternativa A.

Q06
Cinemática — Gráfico Posição × Tempo em Movimento Composto

Texto para as questões 6 e 7 (originais 13 e 14): Recentemente, grandes cidades iniciaram a implantação de faixas exclusivas para motocicletas como, por exemplo, a faixa azul na cidade de São Paulo. Um motociclista adentra, em $t=0$, um percurso retilíneo de uma faixa azul com velocidade constante $v_0=36\,\text{km/h}$ e mantém essa velocidade até o tempo $t=30\,\text{s}$ (trecho I). Em seguida, continua o percurso com desaceleração constante ($a<0$) até parar completamente diante de um semáforo em $t=50\,\text{s}$ (trecho II). Após mais 30 s, ele retoma o movimento e mantém uma aceleração constante e positiva $a=0{,}8\,m/s^2$ desde $t=80\,\text{s}$ até $t=95\,\text{s}$ (trecho III). Posteriormente, o motociclista segue com velocidade constante até $t=120\,\text{s}$ (trecho IV).

Qual é o gráfico que representa a posição $s(t)$ do motociclista em função do tempo $t$?

Alternativa A: gráfico s(t) com trecho I linear subindo a 300m em 30s, trecho II curvando suavemente até o patamar de 400m em 50s, trecho III plano de 50s a 80s, trecho III curvando suavemente para cima até 490m em 95s, e trecho IV subindo até 800m em 120s

Alternativa A

Alternativa B: gráfico s(t) com um pequeno solavanco (subida e descida) na transição do trecho I para o II, e patamar em torno de 460m

Alternativa B

Alternativa C: gráfico s(t) semelhante à alternativa A, mas com um pico e leve recuo na transição do trecho III para o IV, por volta de 90-95s

Alternativa C

Alternativa D: gráfico s(t) com a posição subindo e depois caindo até zero por volta de 50s, o que indicaria o motociclista voltando ao ponto de partida

Alternativa D

Gabarito oficial UNICAMP — 2026 — 1ª Fase (Q13)

A
Resolução

Convertendo $v_0=36\,\text{km/h}=10\,\text{m/s}$ e construindo a posição trecho a trecho:

Trecho I (0 a 30 s, MRU a $10\,\text{m/s}$): reta com inclinação constante; $s(30)=10\times30=300\,\text{m}$.

Trecho II (30 a 50 s, desaceleração até parar): distância percorrida $=\bar v\cdot\Delta t=\dfrac{10+0}{2}\times20=100\,\text{m}$, curva com inclinação decrescendo suavemente até zero; $s(50)=300+100=400\,\text{m}$.

Trecho — parado (50 a 80 s): o motociclista permanece parado por 30 s; o gráfico deve ficar perfeitamente horizontal em $s=400\,\text{m}$ nesse intervalo.

Trecho III (80 a 95 s, $a=0{,}8\,m/s^2$ a partir do repouso): $\Delta s=\tfrac12at^2=\tfrac12\times0{,}8\times15^2=90\,\text{m}$, com curva de inclinação crescendo suavemente a partir de zero; $s(95)=400+90=490\,\text{m}$. A velocidade final desse trecho é $v=at=0{,}8\times15=12\,\text{m/s}$.

Trecho IV (95 a 120 s, MRU a $12\,\text{m/s}$): reta com a mesma inclinação da velocidade final do trecho III (sem quebra abrupta); $s(120)=490+12\times25=790\,\text{m}\approx800\,\text{m}$.

Esse comportamento — patamar exatamente plano entre 50 e 80 s, sem solavancos, sem recuos e sem inclinação descontínua nas transições — corresponde exatamente ao gráfico da alternativa A. As demais alternativas apresentam inconsistências: B tem um patamar em altura errada com um solavanco espúrio, C mostra um pico e recuo entre os trechos III e IV que não tem respaldo físico (a velocidade não pode oscilar sem uma força correspondente descrita no enunciado), e D mostra a posição voltando a zero por volta de 50 s, o que exigiria o motociclista se deslocar no sentido contrário — inconsistente com a "desaceleração até parar" descrita.

Q07
Dinâmica — Segunda Lei de Newton

A massa do conjunto motociclista + motocicleta é dada por $m=180\,\text{kg}$. Para o trecho entre os tempos $t=30\,\text{s}$ e $t=50\,\text{s}$, em que o movimento tem desaceleração constante, é correto afirmar que o módulo da força resultante que age nesse conjunto é igual a

A)$36\,\text{N}$.
B)$90\,\text{N}$.
C)$324\,\text{N}$.
D)$1\,800\,\text{N}$.

Gabarito oficial UNICAMP — 2026 — 1ª Fase (Q14)

B
Resolução

No trecho II (30 s a 50 s), a velocidade varia de $v_0=10\,\text{m/s}$ até $v=0$, em $\Delta t=20\,\text{s}$. A aceleração (módulo) é $|a|=\dfrac{|\Delta v|}{\Delta t}=\dfrac{10}{20}=0{,}5\,m/s^2$.

Pela segunda lei de Newton: $F=m\cdot|a|=180\times0{,}5=90\,\text{N}$ — alternativa B.

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