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UEA 2013 | Vestibular — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular UEA 2012 / Acesso 2013 · 001 • CONHECIMENTOS GERAIS • VERSÃO 1 (Q61–Q72) e 004 • CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS • VERSÃO 1 (Q13–Q24).

Q61
Mecânica — Cinemática — Velocidade Relativa

Instrução para as questões 61 e 62.

Em dezembro de 2009 o navio Crystal Symphony esteve em Parintins, um dos principais destinos de navios no Amazonas. Com 55 000 toneladas e 250 metros de comprimento, ele é um dos mais espaçosos a navegar, e também um dos poucos a ostentar seis estrelas.

Navio de cruzeiro Crystal Symphony ao fundo e uma embarcação menor em primeiro plano, navegando em sentido contrário.

Na figura, o Crystal Symphony aparece ao fundo e, em primeiro plano, um navio de 30 metros de comprimento navega em sentido contrário, numa trajetória retilínea paralela à dele.

Sabendo que os módulos das velocidades do Crystal Symphony e do navio menor são constantes e valem, respectivamente, 2 m/s e 5 m/s, o intervalo de tempo, em segundos, para que eles se cruzem é igual a

(A)30.
(B)20.
(C)40.
(D)35.
(E)25.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(C)
Resolução comentada

Velocidade relativa: tomando o navio menor como referencial, o Crystal Symphony se aproxima com $v_{rel}=2+5=7\text{ m/s}$ (sentidos opostos).

O cruzamento começa quando as proas se alinham e termina quando as popas se alinham: a distância relativa percorrida é a soma dos comprimentos, $250+30=280\text{ m}$.

$\Delta t=\dfrac{280}{7}=40\text{ s}$. Resposta: (C)

Q62
Mecânica — Hidrostática — Empuxo

Considerando a densidade da água do rio Amazonas igual a $10^3\text{ kg/m}^3$ e $g=10\text{ m/s}^2$, é correto afirmar que, quando o Crystal Symphony está em equilíbrio nas águas desse rio, sua parte submersa desloca um volume de água, em m³, igual a

(A)$5{,}5\times10^4$.
(B)$5{,}5\times10^2$.
(C)$5{,}5\times10^1$.
(D)$5{,}5\times10^5$.
(E)$5{,}5\times10^3$.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(A)
Resolução comentada

Flutuação: em equilíbrio, o empuxo equilibra o peso: $\rho_{água}V_{sub}\,g=m\,g$.

$m=55\,000\text{ t}=5{,}5\times10^7\text{ kg}$, logo $V_{sub}=\dfrac{5{,}5\times10^7}{10^3}=5{,}5\times10^4\text{ m}^3$.

Resposta: (A)

Q63
Mecânica — Cinemática — Transmissão de Movimento Circular

O trator mostrado na figura move-se em linha reta, com velocidade constante e sem escorregar sobre uma superfície plana e horizontal.

Trator em movimento, com diâmetros das rodas traseira e dianteira indicados como 1,6 m e 1,0 m.

Considerando as medidas mostradas e sabendo que as rodas dianteiras do trator dão uma volta completa em 1,25 segundo, é correto afirmar que a frequência de rotação, em hertz, das rodas traseiras do trator é igual a

(A)0,4.
(B)0,7.
(C)0,3.
(D)0,5.
(E)0,6.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(D)
Resolução comentada

Rolamento sem escorregar: o ponto de cada roda em contato com o solo tem velocidade nula, então a velocidade do trator é $v=\omega R=2\pi fR$ para as duas rodas. Assim, $f_dR_d=f_tR_t$.

Roda dianteira: $f_d=\dfrac{1}{1{,}25}=0{,}8\text{ Hz}$, diâmetro 1,0 m. Roda traseira: diâmetro 1,6 m.

$f_t=f_d\dfrac{D_d}{D_t}=0{,}8\cdot\dfrac{1{,}0}{1{,}6}=0{,}5\text{ Hz}$.

A roda maior gira com frequência menor. Resposta: (D)

Q64
Mecânica — Dinâmica — Força Centrípeta

Um carro pode fazer uma curva plana e horizontal segundo os dois traçados mostrados na figura, vistos de cima. Os dois traçados são arcos de circunferência, sendo que no traçado 2 o raio de curvatura da curva é quatro vezes maior do que pelo traçado 1.

Dois traçados possíveis para um carro realizar uma curva plana e horizontal, identificados como traçado 1 e traçado 2.

Sendo $V_1$ e $V_2$ as velocidades de um mesmo carro nos traçados 1 e 2, respectivamente, a condição para que as resultantes centrípetas sobre ele nos dois traçados sejam iguais em módulo, é

(A)$V_1=2V_2$.
(B)$V_2=2V_1$.
(C)$V_2=V_1$.
(D)$V_2=4V_1$.
(E)$V_1=4V_2$.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(B)
Resolução comentada

Resultante centrípeta: $F_{cp}=\dfrac{mV^2}{R}$. Com $R_2=4R_1$:

$\dfrac{mV_1^2}{R_1}=\dfrac{mV_2^2}{4R_1}\Rightarrow V_2^2=4V_1^2\Rightarrow V_2=2V_1$.

Resposta: (B)

Q65
Mecânica — Trabalho e Energia — Teorema da Energia Cinética

Uma pessoa precisa empurrar uma caixa de 100 kg em linha reta sobre uma superfície plana e horizontal, a partir do repouso. Para isso, exerce sobre ela uma força horizontal, constante e de módulo 120 N ao longo de 10 m. A partir de então, para de exercer a força e espera a caixa parar devido ao atrito entre ela e o solo.

Sabendo que durante todo o movimento da caixa atua sobre ela uma força de atrito de módulo constante e igual a 100 N, a distância, em metros, entre o ponto de onde a caixa partiu do repouso e o ponto onde a caixa parou é igual a

(A)14.
(B)15.
(C)12.
(D)13.
(E)11.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(C)
Resolução comentada

Teorema da energia cinética do repouso ao repouso: $\tau_{total}=\Delta E_c=0$.

A força de 120 N atua em 10 m; o atrito de 100 N atua em toda a distância $d$:

$120\cdot10-100\cdot d=0\Rightarrow d=12\text{ m}$.

Ou seja, a caixa anda mais 2 m depois de solta. A massa de 100 kg é dispensável. Resposta: (C)

Q66
Mecânica — Gravitação — Leis de Kepler

Em dezembro de 2011, astrônomos anunciaram ter encontrado dois planetas de tamanho muito próximo ao da Terra em órbita ao redor de Kepler-20, uma estrela similar ao Sol. Um deles, Kepler 20-f, demora aproximadamente 18 dias terrestres para dar uma volta completa em torno de sua estrela. O outro, Kepler 20-e, demora 6 dias terrestres para fazer o mesmo.

Comparação visual entre Kepler 20-e, Vênus, Terra e Kepler 20-f.

Sendo $R_f$ o raio médio da órbita de Kepler 20-f em torno de sua estrela e $R_e$ o raio médio da órbita de Kepler 20-e, a razão $R_e/R_f$ é igual a

(A)$\dfrac{1}{3}$.
(B)$\dfrac{1}{\sqrt3}$.
(C)$\dfrac{1}{\sqrt[3]{3}}$.
(D)$\dfrac{1}{9}$.
(E)$\dfrac{1}{\sqrt[3]{9}}$.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(E)
Resolução comentada

3ª lei de Kepler: para planetas que orbitam a mesma estrela, $\dfrac{T^2}{R^3}$ é constante.

$\left(\dfrac{R_e}{R_f}\right)^3=\left(\dfrac{T_e}{T_f}\right)^2=\left(\dfrac{6}{18}\right)^2=\dfrac19\Rightarrow\dfrac{R_e}{R_f}=\dfrac{1}{\sqrt[3]{9}}$.

Resposta: (E)

Q67
Termologia — Termodinâmica — Ciclo de Carnot

Em 1824 o engenheiro francês Nicolas Léonard Sadi Carnot demonstrou que se uma máquina térmica, operando entre duas temperaturas constantes $T_1$ e $T_2$ (com $T_1>T_2$), trabalhasse em ciclos segundo o gráfico mostrado, apresentaria o maior rendimento possível para essas temperaturas. Esse ciclo passou a se chamar Ciclo de Carnot e essa máquina, máquina ideal ou máquina de Carnot.

Diagrama pressão versus volume do ciclo de Carnot, com os pontos A, B, C e D e as isotermas T1 e T2.

No Ciclo de Carnot um gás ideal sofre quatro transformações reversíveis: duas isotérmicas (AB e CD) e duas adiabáticas (BC e DA). A respeito da máquina e do Ciclo de Carnot, é correto afirmar que

(A)na transformação BC a máquina cede calor ao meio externo.
(B)na transformação CD o gás sofre uma compressão e é aquecido.
(C)o trabalho total realizado em cada ciclo é nulo.
(D)o gás só troca calor com o meio externo nas transformações AB e CD.
(E)na expansão AB o meio externo realiza trabalho sobre o gás.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(D)
Resolução comentada

Etapas do ciclo: AB e CD são isotérmicas ($\Delta U=0$, logo $Q=\tau$); BC e DA são adiabáticas ($Q=0$).

(A) Falsa: BC é adiabática, não há troca de calor. (B) Falsa: CD é compressão isotérmica, a temperatura se mantém $T_2$ (o gás cede calor). (C) Falsa: o trabalho do ciclo é a área interna do ciclo, positiva; nulo é $\Delta U$ no ciclo. (E) Falsa: na expansão AB é o gás que realiza trabalho sobre o meio.

(D) Verdadeira: o gás só troca calor nas isotérmicas — recebe da fonte quente em AB e cede à fonte fria em CD. Resposta: (D)

Q68
Óptica — Reflexão e Espelhos — Espelhos Esféricos

A figura mostra dois espelhos colocados em um cruzamento com a finalidade de aumentar a segurança no local para motoristas e pedestres.

Fotografia de dois espelhos convexos de segurança instalados em um cruzamento.

As imagens das árvores mostradas nos espelhos da figura são direitas e menores do que as próprias árvores. Esses espelhos são

(A)côncavos e as imagens reais.
(B)convexos e as imagens virtuais.
(C)côncavos e as imagens virtuais.
(D)convexos e as imagens reais.
(E)planos e as imagens virtuais.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(B)
Resolução comentada

Espelho convexo: para qualquer objeto real, forma imagem virtual, direita e menor, e amplia o campo visual — por isso é usado em cruzamentos, garagens e lojas.

O côncavo só dá imagem direita quando o objeto está entre o foco e o espelho, e aí ela é maior; o plano dá imagem do mesmo tamanho. Imagem direita de objeto real nunca é real em espelho.

Resposta: (B)

Q69
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Refração de Ondas

Como não dispunham de muito barbante, para montar seu telefone de latinhas, duas crianças precisaram emendar dois fios diferentes, sendo o fio 2 mais denso que o fio 1. Nessa brincadeira, durante a conversa, os fios devem ser mantidos esticados.

Telefone de latinhas com dois fios, identificados como fio 1 e fio 2, unidos por uma emenda.

Antes de começarem a conversar, quando os fios estavam esticados, uma delas provocou uma perturbação no fio 1, produzindo um pulso transversal que se propagou por ele com velocidade $V_1$. Considerando que quando o pulso refratou para o fio 2, se propagou por ele com velocidade $V_2$ e que $V_1=1{,}5\cdot V_2$, a razão $\lambda_1/\lambda_2$ entre os comprimentos de onda dos pulsos nos fios 1 e 2 é igual a

(A)2,0.
(B)3,5.
(C)1,5.
(D)2,5.
(E)3,0.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(C)
Resolução comentada

Refração: ao passar de um meio para outro, a onda mantém a frequência (imposta pela fonte); mudam a velocidade e o comprimento de onda.

$v=\lambda f\Rightarrow\dfrac{\lambda_1}{\lambda_2}=\dfrac{V_1}{V_2}=1{,}5$.

Resposta: (C)

Q70
Eletricidade — Eletrostática — Poder das Pontas

Segundo levantamento do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Amazonas é o estado brasileiro com maior incidência de raios, com uma média anual de 11 milhões de descargas elétricas. Para evitar ser atingido por um deles em dias de tempestade, é recomendado afastar-se de árvores e postes de iluminação. Praias, piscinas e locais onde o ser humano seja o objeto mais alto em relação ao chão também devem ser evitados. Se não for possível encontrar um abrigo, o mais aconselhável é ficar agachado no chão, com as mãos na nuca e os pés juntos.

Fotografia de uma descarga atmosférica entre uma nuvem e o solo.

Esses procedimentos são baseados no poder das pontas, que consiste no fato de

(A)cargas elétricas tenderem a acumular-se em regiões planas, facilitando descargas elétricas sobre regiões pontiagudas.
(B)nas regiões planas a diferença de potencial entre a Terra e as nuvens ser nula, criando um corredor que leva a descarga para as regiões pontiagudas.
(C)a densidade de cargas elétricas ser menor nas proximidades de regiões pontiagudas, atraindo os raios para essas regiões.
(D)a diferença de potencial entre as nuvens e as regiões pontiagudas atingir valores muito baixos, dando origem a descargas elétricas violentas para compensar tal fato.
(E)o campo elétrico gerado ao redor de regiões pontiagudas ser mais intenso do que o gerado em regiões planas, atraindo os raios.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(E)
Resolução comentada

Poder das pontas: num condutor eletrizado, as cargas se concentram nas regiões de menor raio de curvatura (pontas). Ali a densidade superficial de carga é maior e, portanto, o campo elétrico é mais intenso.

Esse campo intenso ioniza o ar próximo e facilita a descarga, por isso objetos altos e pontiagudos (árvores, postes, uma pessoa em pé num descampado) são alvos preferenciais dos raios — e ficar agachado reduz o risco.

(C) inverte a relação: a densidade de carga é maior, e não menor, nas pontas. Resposta: (E)

Q71
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de Resistores

Dois resistores ôhmicos $R_1$ e $R_2$ podem ser ligados em série ou em paralelo. Quando ligados em série, apresentam resistência equivalente de 16 Ω e quando ligados em paralelo apresentam resistência equivalente de 3 Ω. Dessa forma, a associação indicada na figura apresenta dois possíveis valores de resistência equivalente entre os pontos A e B.

Circuito com R1 e R2 em paralelo, associado em série a outro resistor R1 entre os pontos A e B.

Esses valores, em ohms, são

(A)7 e 15.
(B)6 e 14.
(C)5 e 18.
(D)4 e 12.
(E)3 e 9.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(A)
Resolução comentada

Achar $R_1$ e $R_2$: em série, $R_1+R_2=16\ \Omega$; em paralelo, $\dfrac{R_1R_2}{R_1+R_2}=3\Rightarrow R_1R_2=48$. Os números de soma 16 e produto 48 são 4 e 12.

Circuito da figura: $R_1\parallel R_2$ em série com outro $R_1$: $R_{AB}=3+R_1$ (o paralelo vale sempre $3\ \Omega$).

Se $R_1=4\ \Omega$: $R_{AB}=7\ \Omega$. Se $R_1=12\ \Omega$: $R_{AB}=15\ \Omega$.

A alternativa (D) traz os valores dos próprios resistores, não os da associação. Resposta: (A)

Q72
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Lei de Lenz

A figura mostra dois solenoides enrolados em um tubo cilíndrico. Ao solenoide 1 está ligado um gerador ideal de força eletromotriz constante $\varepsilon$ e um reostato. A resistência do reostato varia deslizando-se o cursor para esquerda ou para direita, alterando seu comprimento. Ao solenoide 2 está ligado um resistor de resistência constante, R.

Dois solenoides enrolados no mesmo núcleo, com gerador, reostato, cursor e resistor R.

Sobre esse circuito, é correto afirmar que, se

(A)movermos o cursor do reostato para direita, o resistor R será percorrido por uma corrente elétrica induzida no sentido da direita.
(B)mantivermos o cursor do reostato parado, o resistor R será percorrido por uma corrente elétrica induzida no sentido da direita.
(C)movermos o cursor do reostato para direita ou esquerda, o resistor R não será percorrido por corrente elétrica induzida.
(D)mantivermos o cursor do reostato parado, o resistor R será percorrido por uma corrente elétrica induzida no sentido da esquerda.
(E)movermos o cursor do reostato para esquerda, o resistor R será percorrido por uma corrente elétrica induzida no sentido da direita.

Gabarito — UEA 2013 · CG (resolução Método TEF)

(A)
Resolução comentada

Faraday: só há corrente induzida em R se o fluxo magnético no solenoide 2 variar, isto é, se a corrente no solenoide 1 variar. Com o cursor parado, a corrente é constante e não há indução — (B) e (D) caem; e movendo o cursor sempre há indução — (C) cai.

Circuito 1: a corrente sai do polo positivo (placa maior, em cima), entra pela ponta esquerda do solenoide 1, sai pela direita e volta pelo reostato até o cursor. Só o trecho do reostato entre o cursor e a ponta direita está em uso; mover o cursor para a direita diminui a resistência e aumenta a corrente.

Lenz: os dois solenoides têm o mesmo sentido de enrolamento. Pela regra da mão direita, a corrente do solenoide 1 cria campo para a direita no tubo; se ela aumenta, o solenoide 2 cria campo para a esquerda, com corrente em sentido oposto ao do solenoide 1 — ou seja, percorrendo as espiras da ponta direita para a esquerda. Essa corrente sai pela ponta esquerda, desce e atravessa R da esquerda para a direita.

Movendo o cursor para a esquerda, a corrente diminui e o sentido em R se inverte (para a esquerda), o que elimina (E). Resposta: (A)

Q13
Física Geral — Grandezas e Unidades — Grandezas Escalares e Vetoriais

São exclusivamente grandezas vetoriais:

(A)força, aceleração, tempo e temperatura.
(B)deslocamento, velocidade, calor e potência.
(C)período, frequência, energia e força.
(D)campo elétrico, velocidade, aceleração e força.
(E)aceleração, campo magnético, energia e massa.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(D)
Resolução comentada

Grandeza vetorial é aquela que só fica completamente definida com módulo, direção e sentido; escalar precisa apenas de valor e unidade.

Tempo, temperatura, calor, potência, período, frequência, energia e massa são escalares — por isso (A), (B), (C) e (E) caem. Campo elétrico, velocidade, aceleração e força são todos vetoriais.

Resposta: (D)

Q14
Mecânica — Cinemática — Gráfico Velocidade × Tempo

Dois carros, A e B, estão lado a lado em uma estrada retilínea e têm, no instante $t=0$, velocidades escalares iguais a 20 m/s. O gráfico mostra suas velocidades, em função do tempo, em um intervalo de 15 s.

Gráfico de velocidade em função do tempo para os carros A e B, no intervalo de 0 a 15 s.

Ao final desses 15 s, é correto afirmar que

(A)o carro A estará 50 m atrás do B.
(B)o carro A estará 50 m à frente do B.
(C)os carros estarão novamente lado a lado.
(D)o carro A estará 25 m atrás do B.
(E)o carro A estará 25 m à frente do B.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(E)
Resolução comentada

No gráfico $v\times t$, a área sob a curva é o deslocamento. Os carros partem lado a lado, então basta comparar as áreas até $t=15\text{ s}$.

Carro A (velocidade constante): $\Delta s_A=20\cdot15=300\text{ m}$.

Carro B: de 0 a 5 s, trapézio $\dfrac{(20+10)}{2}\cdot5=75\text{ m}$; de 5 a 15 s, trapézio $\dfrac{(10+30)}{2}\cdot10=200\text{ m}$. Total: $\Delta s_B=275\text{ m}$.

$\Delta s_A-\Delta s_B=25\text{ m}$: A está 25 m à frente de B. Note que em $t=10\text{ s}$ as velocidades se igualam, mas é justamente aí que a distância entre eles é máxima (50 m), não nula. Resposta: (E)

Q15
Mecânica — Dinâmica — Pêndulo Cônico

O macaco-barrigudo é um primata encontrado na floresta amazônica, principalmente na parte inundada da floresta, ao norte dos rios Negro e Solimões. A figura mostra um desses macacos, com 10 kg, brincando pendurado em um cipó inextensível preso a um galho, descrevendo uma circunferência de centro C contida em um plano horizontal, em movimento uniforme. O cipó que o prende ao galho está inclinado de um ângulo θ em relação à vertical.

Macaco-barrigudo pendurado em um cipó, descrevendo movimento circular horizontal, com o ângulo θ indicado em relação à vertical.

Desprezando a resistência do ar, sabendo que $\sin\theta=0{,}6$ e $\cos\theta=0{,}8$ e adotando $g=10\text{ m/s}^2$, a intensidade da força de tração no cipó que prende o macaco ao galho tem módulo, em newton, igual a

(A)167.
(B)175.
(C)125.
(D)150.
(E)100.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(C)
Resolução comentada

Pêndulo cônico: o macaco descreve MCU num plano horizontal, logo não há aceleração vertical. A componente vertical da tração equilibra o peso, e a horizontal faz o papel de resultante centrípeta.

$T\cos\theta=mg\Rightarrow T=\dfrac{mg}{\cos\theta}=\dfrac{10\cdot10}{0{,}8}=125\text{ N}$.

Usar $\sin\theta$ daria $\approx167\text{ N}$, erro típico de projeção. Resposta: (C)

Q16
Mecânica — Dinâmica — Atrito Estático

Dois amigos, Caio e André, estão tentando arrastar juntos uma caixa de 400 kg, inicialmente em repouso sobre uma superfície plana e horizontal. O coeficiente de atrito estático entre a caixa e o solo vale 0,4. Caio puxa a caixa para a esquerda, com uma força horizontal constante de 500 N. Ao mesmo tempo, André empurra a caixa também para a esquerda, com uma força também horizontal.

Caio e André tentando arrastar uma caixa sobre uma superfície horizontal.

Adotando $g=10\text{ m/s}^2$, a caixa só iniciará o escorregamento sobre o solo se André aplicar uma força, em N, de módulo maior do que

(A)1200.
(B)1900.
(C)1800.
(D)1100.
(E)1600.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(D)
Resolução comentada

Atrito estático máximo: com superfície horizontal, $N=mg=4000\text{ N}$ e $F_{at,max}=\mu_eN=0{,}4\cdot4000=1600\text{ N}$.

As duas forças apontam para a esquerda e se somam: $500+F_{André}\gt1600\Rightarrow F_{André}\gt1100\text{ N}$.

Resposta: (D)

Q17
Mecânica — Gravitação — Campo Gravitacional

Lançado em janeiro de 2006 e desativado em maio de 2011, o satélite ALOS (Satélite de Observação da Terra, em inglês) contribuiu, entre outras funções, para o monitoramento do desmatamento ilegal e predatório na floresta amazônica.

O ALOS orbitou a Terra em movimento circular e uniforme a uma altitude igual a $0{,}1\cdot R$, em que R é o raio da Terra, como mostra a figura.

Satélite ALOS orbitando a Terra a uma altitude igual a 0,1 vezes o raio terrestre R.

Sabendo que o campo gravitacional criado pela Terra em sua superfície tem módulo 10 m/s², nos pontos da órbita do satélite ele tem, em m/s², módulo aproximado de

(A)4,6.
(B)6,2.
(C)5,5.
(D)1,1.
(E)8,3.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(E)
Resolução comentada

Campo gravitacional: $g=\dfrac{GM}{r^2}$, com $r$ medido a partir do centro da Terra. Na órbita, $r=R+0{,}1R=1{,}1R$.

$\dfrac{g_{orb}}{g_0}=\left(\dfrac{R}{1{,}1R}\right)^2=\dfrac{1}{1{,}21}\Rightarrow g_{orb}=\dfrac{10}{1{,}21}\approx8{,}3\text{ m/s}^2$.

Resposta: (E)

Q18
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e Pressão Hidrostática

Um garoto dentro de um barco deixa cair uma bola maciça nas águas de um rio. A bola segue o caminho mostrado na figura, passando pelos pontos A, B e C, onde para debaixo de uma plataforma de pedra.

Bola submersa em um rio passando pelos pontos A, B e C, sendo B e C situados à mesma profundidade.

Considerando que as águas do rio tenham densidade constante, sendo $E_A$, $E_B$ e $E_C$ as intensidades do empuxo e $P_A$, $P_B$ e $P_C$ as pressões hidrostáticas exercidas pelas águas do rio na bola nos pontos A, B e C, respectivamente, é correto afirmar que

(A)$E_A=E_B=E_C$ e $P_A<P_B<P_C$.
(B)$E_A=E_B=E_C$ e $P_C<P_A<P_B$.
(C)$E_A=E_B=E_C$ e $P_A<P_B=P_C$.
(D)$E_A<E_B=E_C$ e $P_A<P_B=P_C$.
(E)$E_A>E_B=E_C$ e $P_A<P_B<P_C$.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(C)
Resolução comentada

Empuxo: $E=\rho_{água}V_{sub}\,g$. A bola maciça está totalmente submersa em A, B e C, com o mesmo volume e na mesma água: $E_A=E_B=E_C$. O empuxo não depende da profundidade.

Pressão hidrostática (Stevin): $p=\rho g h$ depende só da profundidade $h$. A está perto da superfície; B e C estão no mesmo nível, no fundo. Logo $P_A\lt P_B=P_C$.

A plataforma de pedra acima de C não muda nada: a pressão num líquido em equilíbrio é a mesma em todos os pontos de um mesmo nível. Resposta: (C)

Q19
Termologia — Calorimetria — Equilíbrio Térmico

Um calorímetro de capacidade térmica desprezível contém determinada massa de água a 20°C. Uma esfera metálica homogênea, de massa quatro vezes menor do que a massa de água no calorímetro, foi colocada dentro dele a uma temperatura de 440°C e, depois de atingido o equilíbrio térmico, a temperatura do sistema se estabilizou em 40°C.

SubstânciaCalor específico (cal/g·°C)
platina0,03
prata0,05
cobre0,09
ferro0,10
alumínio0,20
água1,00

Considerando o sistema termicamente isolado e os valores mostrados na tabela, pode-se afirmar corretamente que a esfera metálica é constituída de

(A)alumínio.
(B)prata.
(C)platina.
(D)cobre.
(E)ferro.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(A)
Resolução comentada

Sistema isolado: o calor cedido pela esfera é recebido pela água, $Q_{água}+Q_{esfera}=0$. Seja $m$ a massa de água; a esfera tem $m/4$.

$m\cdot1\cdot(40-20)=\dfrac{m}{4}\cdot c\cdot(440-40)\Rightarrow 20=100\,c\Rightarrow c=0{,}20\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}$.

Pela tabela, trata-se do alumínio. Resposta: (A)

Q20
Óptica — Reflexão e Espelhos — Espelhos Esféricos

A escultura Vírgula, do artista Po Wang Shu, exposta na Universidade de Tecnologia do Texas, é uma esfera de aço inoxidável, que reflete o movimento dos pedestres e a paisagem do local.

Escultura esférica refletora Vírgula, de Po Wang Shu, instalada na Universidade de Tecnologia do Texas.

Considere que, quando uma pessoa permanece parada a 2 m de distância da esfera, ela vê sua imagem com altura igual a um quinto da medida de sua altura real. Considerando válidas as condições de nitidez de Gauss, é correto afirmar que a escultura funciona como um espelho esférico cujo módulo da distância focal, em metros, é igual a

(A)0,8.
(B)0,5.
(C)0,6.
(D)0,2.
(E)1,0.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(B)
Resolução comentada

Espelho convexo: a face externa da esfera espelhada gera imagem virtual, direita e menor. Com o referencial de Gauss, $A=+\dfrac15$ e $p=2\text{ m}$.

$A=\dfrac{f}{f-p}\Rightarrow\dfrac15=\dfrac{f}{f-2}\Rightarrow f-2=5f\Rightarrow f=-0{,}5\text{ m}$.

Conferindo: $p'=-A\,p=-0{,}4\text{ m}$ e $\dfrac1f=\dfrac12-\dfrac1{0{,}4}=-2\Rightarrow f=-0{,}5\text{ m}$. O sinal negativo confirma o espelho convexo; o módulo pedido é 0,5 m. Resposta: (B)

Q21
Ondulatória — Conceitos Básicos — Velocidade de Propagação

Duas meninas brincam com uma corda. Enquanto a da esquerda faz uma de suas extremidades oscilar verticalmente para cima e para baixo, a da direita mantém a outra parada. A corda estava inicialmente esticada e em repouso e, para que atingisse a configuração mostrada na figura, foram necessários 1,25 s.

Duas meninas segurando uma corda com uma onda transversal; o trecho indicado mede 4 m.

Baseando-se nas informações e na figura, é correto afirmar que a velocidade de propagação das ondas na corda, em m/s, é igual a

(A)1,6.
(B)3,2.
(C)0,8.
(D)4,8.
(E)0,4.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(B)
Resolução comentada

Propagação: a corda estava em repouso; em 1,25 s a perturbação avançou do extremo da menina da esquerda até a frente de onda, a 4 m dela.

$v=\dfrac{\Delta s}{\Delta t}=\dfrac{4}{1{,}25}=3{,}2\text{ m/s}$.

Conferindo pela figura: há 3 cristas e 2 vales, ou seja, $2{,}5\lambda=4\text{ m}\Rightarrow\lambda=1{,}6\text{ m}$; foram geradas 2,5 oscilações em 1,25 s, então $T=0{,}5\text{ s}$ e $v=\lambda/T=3{,}2\text{ m/s}$. Tomar $\lambda=1{,}6$ como a velocidade leva ao distrator (A). Resposta: (B)

Q22
Eletricidade — Eletrostática — Campo Elétrico de Cargas Puntiformes

Duas cargas puntiformes de módulos iguais estão fixas nos pontos A e B. As linhas azuis orientadas representam linhas de força do campo eletrostático criado por elas na região.

Duas cargas nos pontos A e B, linhas de força do campo elétrico e pontos 1, 2 e 3 separados por distâncias d.

Sendo $\vec E_1$, $\vec E_2$ e $\vec E_3$ os vetores campos elétricos resultantes, criados pelas duas cargas nos pontos 1, 2 e 3, respectivamente, e considerando as medidas mostradas na figura, é correto afirmar que

(A)$|\vec E_1|<|\vec E_3|$ e $|\vec E_2|=0$.
(B)$|\vec E_1|=|\vec E_3|$ e $|\vec E_2|=0$.
(C)$|\vec E_1|<|\vec E_2|<|\vec E_3|$.
(D)$|\vec E_1|=|\vec E_3|<|\vec E_2|$.
(E)$|\vec E_1|=|\vec E_3|>|\vec E_2|$.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(D)
Resolução comentada

Leitura das linhas: as linhas saem de A e chegam a B, então A é positiva e B negativa, com $|q_A|=|q_B|=q$ (dipolo elétrico).

Ponto 2 (a $d$ de cada carga): o campo de A aponta para longe de A (para a direita) e o de B aponta para B (também para a direita). Eles se somam: $E_2=\dfrac{kq}{d^2}+\dfrac{kq}{d^2}=\dfrac{2kq}{d^2}$.

Ponto 1 (a $d$ de A e $2d$ de B): os campos têm sentidos opostos, $E_1=\dfrac{kq}{d^2}-\dfrac{kq}{4d^2}=\dfrac{3kq}{4d^2}$. Por simetria, $E_3=E_1$.

Logo $|\vec E_1|=|\vec E_3|\lt|\vec E_2|$. O campo nulo no ponto médio só ocorreria com cargas de mesmo sinal. Resposta: (D)

Q23
Eletricidade — Eletrodinâmica — Carga e Corrente Elétrica

Existem no mercado diversos tipos de pilhas, tais como as pilhas AAA e AA, conhecidas como “palito” e “pequena”, respectivamente. Apesar de apresentarem a mesma força eletromotriz de 1,5 V, elas diferem na capacidade de armazenar carga elétrica. Essa capacidade determina por quanto tempo uma pilha pode funcionar, e pode ser expressa, por exemplo, na unidade miliampère-hora, mA·h. Assim, se uma pilha armazenar 1 mA·h e fornecer uma corrente de intensidade constante igual a 1 mA, funcionará durante uma hora.

Fotografia de pilhas do tipo AAA.

Considere que uma pilha palito, AAA, quando nova, armazena 800 mA·h de carga elétrica. Se essa carga for expressa em coulomb, unidade do Sistema Internacional, obteremos o valor

(A)1800.
(B)3600.
(C)4320.
(D)1440.
(E)2880.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(E)
Resolução comentada

Carga elétrica: $Q=i\,\Delta t$, e $1\text{ mA}\cdot\text{h}=10^{-3}\text{ A}\cdot3600\text{ s}=3{,}6\text{ C}$.

$Q=800\cdot3{,}6=2880\text{ C}$.

Resposta: (E)

Q24
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Força Magnética em Condutor

A espira retangular MNPQ está fixa, parcialmente imersa em um campo magnético uniforme de módulo B e em repouso em relação a ele, de modo que as linhas de indução do campo são perpendiculares ao plano que contém a espira, conforme mostra a figura. Um gerador ideal, de força eletromotriz constante, faz circular pela espira uma corrente elétrica de intensidade constante I.

Espira retangular MNPQ parcialmente imersa em campo magnético uniforme B perpendicular ao plano da espira.

A resultante das forças magnéticas aplicadas sobre a espira MNPQ tem módulo

(A)$2BIL$.
(B)$\sqrt2\,BIL$.
(C)$BIL$.
(D)$3BIL$.
(E)$\sqrt5\,BIL$.

Gabarito — UEA 2013 · CE (resolução Método TEF)

(C)
Resolução comentada

Força magnética em condutor retilíneo: $F=BIL\sin\theta$; como $\vec B$ é perpendicular ao plano da espira, $\sin\theta=1$ em todos os trechos.

Só sofrem força os trechos dentro do campo: o lado NP (comprimento $L$) e os pedaços dos lados MN e PQ que estão imersos (comprimento $L$ cada).

Nos trechos verticais, as correntes têm sentidos opostos (uma sobe, a outra desce), então as forças têm mesmo módulo $BIL$ e sentidos opostos: se anulam. Sobra apenas a força no lado NP, perpendicular a ele: $F_R=BIL$.

Somar os três módulos ($3BIL$) é o erro que a banca explora. Resposta: (C)

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