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UFAM PSC 2026 | 3ª Etapa — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal do Amazonas

Processo Seletivo Contínuo — PSC 2026 · 3ª Etapa · Prova de Conhecimentos Gerais · Prova de Física (Q43-48) — resolução comentada Método TEF.

Q43
Ondulatória — Ondas Eletromagnéticas — Natureza e Propriedades

Considere as afirmativas a seguir sobre a geração e propriedades das ondas eletromagnéticas:

I. Elétrons em movimento vibratório podem fazer surgir ondas de rádio e ondas de luz.
II. Ondas de rádio e ondas de luz são ondas eletromagnéticas.
III. Ondas de luz são ondas eletromagnéticas e ondas de rádio são mecânicas.
IV. Apenas as ondas eletromagnéticas podem se propagar no vácuo.

Após sua análise, marque a alternativa CORRETA:

(A)Todas as afirmativas são verdadeiras.
(B)Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
(C)Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.
(D)Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
(E)Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.

Gabarito Método TEF — PSC 2026 (3ª Etapa) · conferir com o oficial COMPEC/UFAM

E
Resolução comentada

Afirmativa I — VERDADEIRA. Ondas eletromagnéticas são geradas por cargas elétricas aceleradas. Elétrons que vibram em uma antena emitem ondas de rádio, e elétrons que vibram nos átomos emitem luz.

Afirmativa II — VERDADEIRA. As ondas de rádio e as ondas de luz fazem parte do espectro eletromagnético; só diferem na frequência e no comprimento de onda.

Afirmativa III — FALSA. As ondas de rádio também são eletromagnéticas, e não mecânicas. Elas também se propagam no vácuo; não se deve confundi-las com o som que sai de um aparelho de rádio, esse sim uma onda mecânica.

Afirmativa IV — VERDADEIRA. As ondas mecânicas (como o som) precisam de um meio material para se propagar. Só as ondas eletromagnéticas se propagam no vácuo.

São verdadeiras I, II e IV.

Q44
Óptica — Lentes — Equação dos Fabricantes de Lentes

Uma lente esférica delgada, construída de um material com índice de refração $n$ está imersa no ar ($n_{ar} = 1{,}0$). A lente tem distância focal $f$ e suas superfícies esféricas têm raios de curvatura R1 e R2. Esses parâmetros obedecem a uma relação, conhecida como “equação dos fabricantes”, expressa por:

\[\frac{1}{f} = (n - 1)\left[\frac{1}{R_1} + \frac{1}{R_2}\right].\]

Uma lente biconvexa é fabricada com raios de curvatura iguais (R1 = R2 = R), distância focal $f_o$ e índice de refração $n = 1{,}8$ como mostrado na Figura 1 desta questão. Essa lente é partida dando origem a duas lentes plano-convexas iguais de distância focal $f$ conforme indicado na Figura 2:

Figura 1: lente biconvexa de distância focal f0. Figura 2: a mesma lente partida ao meio em duas lentes plano-convexas iguais, cada uma de distância focal f

Dessa forma, podemos verificar que a relação entre as distâncias focais $f$ de cada uma das novas lentes em relação a $f_o$ é:

(A)$f = f_o$.
(B)$f = 2f_o$.
(C)$f = \dfrac{3}{2}f_o$
(D)$f = \dfrac{1}{2}f_o$
(E)$f = 5f_o$

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B
Resolução comentada

Aplicamos a equação dos fabricantes a cada lente. O índice $n = 1{,}8$ aparece como o mesmo fator $(n - 1) = 0{,}8$ nas duas e vai se cancelar.

Lente biconvexa original ($R_1 = R_2 = R$):

\[\frac{1}{f_o} = (n - 1)\left[\frac{1}{R} + \frac{1}{R}\right] = \frac{2\,(n - 1)}{R}\]

Cada lente plano-convexa. Uma das faces mantém o raio $R$ e a outra é plana, isto é, tem $R = \infty$ e $\dfrac{1}{R} = 0$:

\[\frac{1}{f} = (n - 1)\left[\frac{1}{R} + 0\right] = \frac{n - 1}{R}\]

Comparando:

\[\frac{1}{f_o} = 2\cdot\frac{n - 1}{R} = \frac{2}{f} \implies f = 2f_o\]

Partida ao meio, cada lente plano-convexa converge menos e tem o dobro da distância focal da lente original.

Q45
Física Moderna — Quântica — Dualidade Onda-Partícula

No excerto abaixo, Richard Feynman, Prêmio Nobel de Física de 1965, ilustra os conhecimentos sobre a luz no início do século XX.

“Naquela época, a luz era uma onda nas segundas, quartas e sextas-feiras, e um conjunto de partículas nas terças, quintas e sábados. Sobrava o domingo para refletir sobre a questão!”

Fonte: QED - The Strange Theory of Light and Matter. Princeton University Press, 1985.

Considerando o comportamento dual da luz e a breve passagem de Feynman citada acima, analise as seguintes afirmações:

I. As “partículas” que Feynman menciona são os fótons.
II. A grandeza característica da onda que permite calcular a energia dessas “partículas” é sua frequência $f$, através da relação $E = h\,f$.
III. Uma experiência que destaca o comportamento ondulatório da luz é o efeito fotoelétrico.
IV. O caráter corpuscular da luz é evidenciado por experiências de interferência e de difração.

Assinale a alternativa CORRETA:

(A)Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
(B)Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
(C)Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.
(D)Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.
(E)Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.

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D
Resolução comentada

Afirmativa I — VERDADEIRA. As “partículas” de luz a que Feynman se refere são os fótons, os quanta de radiação eletromagnética.

Afirmativa II — VERDADEIRA. A energia de um fóton é proporcional à frequência da onda associada: $E = h\,f$, com $h$ a constante de Planck.

Afirmativa III — FALSA. O efeito fotoelétrico é a evidência clássica do comportamento corpuscular da luz (fótons que arrancam elétrons), não do ondulatório.

Afirmativa IV — FALSA. Interferência e difração são fenômenos ondulatórios; elas evidenciam o caráter de onda, e não o corpuscular.

Somente I e II são verdadeiras.

Q46
Termologia — Calorimetria — Calor Específico

O gráfico abaixo é uma representação esquemática do calor absorvido por unidade de massa ($Q/m$) em função da variação de temperatura $\Delta T$ para três substâncias: o ar ($c = 1{,}0\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$), o álcool ($c = 2{,}5\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$) e a água ($c = 4{,}2\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$). Os processos de absorção de calor acontecem sob pressão constante e o valor de $c$ informado acima refere-se ao calor específico de cada substância.

Gráfico de Q/m (kJ/kg) por variação de temperatura (graus Celsius, de 0 a 10) com três retas saindo da origem: Substância A (linha preta contínua, a de menor inclinação, chega perto de 10 kJ/kg em 10 graus), Substância B (linha preta tracejada, intermediária, chega perto de 25 kJ/kg) e Substância C (linha cinza contínua, a de maior inclinação, chega perto de 45 kJ/kg)

Dessa forma, é CORRETO afirmar que as linhas do gráfico identificadas como as substâncias A (linha preta contínua), B (linha preta tracejada) e C (linha cinza contínua) representam, respectivamente:

(A)ao ar, a água e o álcool.
(B)o ar, o álcool e a água.
(C)a água, o ar e o álcool.
(D)a água, o álcool e o ar.
(E)o álcool, a água e o ar.

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B
Resolução comentada

Para uma massa $m$ e uma variação de temperatura $\Delta T$, o calor sensível é $Q = m\,c\,\Delta T$. Dividindo pela massa:

\[\frac{Q}{m} = c\,\Delta T\]

Logo, no gráfico de $Q/m$ por $\Delta T$, cada reta passa pela origem e o coeficiente angular é o calor específico $c$. Quanto maior a inclinação, maior o calor específico.

Lendo o gráfico para $\Delta T = 10^\circ\text{C}$:

• Substância A (preta contínua): $Q/m \approx 10\text{ kJ/kg}$, logo $c \approx 1{,}0\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$ — o ar;
• Substância B (preta tracejada): $Q/m \approx 25\text{ kJ/kg}$, logo $c \approx 2{,}5\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$ — o álcool;
• Substância C (cinza contínua): $Q/m \approx 45\text{ kJ/kg}$, logo $c \approx 4{,}5\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$, o maior — a água ($4{,}2\text{ kJ/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$).

Portanto, A, B e C representam, respectivamente, o ar, o álcool e a água.

Q47
Física Moderna — Física Nuclear — Emissões Radioativas

O urânio 238 (${}^{238}_{92}U$ - número de massa A = 238 e número atômico Z = 92) é conhecido, entre outros aspectos, pela sua radioatividade natural. Ele inicia um processo de transformações nucleares, gerando uma série de elementos intermediários, todos radioativos, até resultar no chumbo 206 (${}^{206}_{82}Pb$) que encerra o processo por ser estável. Essas transformações acontecem emitindo partículas $\alpha$ (núcleos de hélio, ${}^{4}_{2}He$) e partículas $\beta$ (a carga da partícula $\beta$ é a carga de um elétron). Nos decaimentos em que há emissão de partículas $\alpha$, o número de massa A é modificado, mantendo o número atômico inalterado. Quando ocorre a emissão de partículas $\beta$, o número atômico Z é modificado, mas A permanece o mesmo. Assim, podemos afirmar que em todo o processo foram emitidas:

(A)24 partículas $\alpha$ e 10 partículas $\beta$.
(B)32 partículas $\alpha$ e 10 partículas $\beta$.
(C)8 partículas $\alpha$ e 6 partículas $\beta$.
(D)16 partículas $\alpha$ e 8 partículas $\beta$.
(E)4 partículas $\alpha$ e 8 partículas $\beta$.

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C
Resolução comentada

Cada partícula $\alpha$ (${}^{4}_{2}He$) reduz $A$ em 4 e $Z$ em 2. Cada partícula $\beta$ (elétron, $\beta^-$) não altera $A$ e aumenta $Z$ em 1.

Número de massa (só as partículas $\alpha$ o alteram):

\[238 - 4\,n_\alpha = 206 \implies 4\,n_\alpha = 32 \implies n_\alpha = 8\]

Número atômico (as $\alpha$ o reduzem e as $\beta$ o aumentam):

\[92 - 2\,n_\alpha + n_\beta = 82\]

\[92 - 2\times8 + n_\beta = 82 \implies 76 + n_\beta = 82 \implies n_\beta = 6\]

No processo todo, foram emitidas $8$ partículas $\alpha$ e $6$ partículas $\beta$.

Q48
Ondulatória — Ondas — Refração: Velocidade, Frequência e Comprimento de Onda

Um feixe laser de comprimento de onda $\lambda_o$, frequência $f_o$, que se propaga no ar com velocidade $c$, incide sobre uma superfície de um cristal de largura L. À medida que ele se propaga no cristal (direção $x$), o comprimento de onda da luz varia conforme indicado na figura abaixo.

Gráfico do comprimento de onda lambda em função da posição x. O feixe laser (seta vermelha) atravessa um cristal retangular de largura L. Fora do cristal, lambda vale lambda zero; dentro dele, lambda cai para um valor menor e volta a lambda zero na saída

A opção que melhor representa o comportamento da frequência $f$ e da velocidade $v$ do feixe de laser à medida que ele se propaga pelo cristal é:

(A)
Alternativa A: a frequência f é constante ao longo de x e a velocidade v diminui dentro do cristal (região de largura L) e volta ao valor inicial na saída
(B)
Alternativa B: a frequência f e a velocidade v diminuem dentro do cristal e voltam aos valores iniciais na saída
(C)
Alternativa C: a frequência f é constante e a velocidade v aumenta dentro do cristal
(D)
Alternativa D: a velocidade v é constante e a frequência f aumenta dentro do cristal
(E)
Alternativa E: a frequência f e a velocidade v são constantes ao longo de x

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A
Resolução comentada

Quando a luz passa do ar para o cristal e depois volta ao ar, o que a fonte determina é a frequência: ela não muda ao longo de todo o percurso, $f = f_o$. O que muda com o meio são a velocidade e o comprimento de onda, ligados por

\[v = \lambda\,f\]

No ar, $v = c = \lambda_o\,f_o$. Dentro do cristal, o comprimento de onda diminui ($\lambda \lt \lambda_o$, como mostra o gráfico). Como $f$ é constante, a velocidade diminui na mesma proporção:

\[v = \lambda\,f \lt \lambda_o\,f_o = c\]

Isso é coerente com o índice de refração do cristal, $n = c/v \gt 1$. Na saída do cristal, $\lambda$ volta a $\lambda_o$ e $v$ volta a $c$.

O gráfico correto, portanto, tem a frequência $f$ constante (reta horizontal) e a velocidade $v$ com o mesmo formato do gráfico de $\lambda$: um “vale” na região de largura $L$.

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