A origem do vazamento de petróleo que atinge o litoral do Nordeste brasileiro, desde setembro de 2019, é desconhecida, mas seus efeitos já são devastadores. São mais de 138 pontos com registros de óleo em 61 cidades de nove Estados diferentes. Técnicos tentam identificar a origem e os responsáveis pelo despejo de petróleo cru no mar.
Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese>. Acesso: out. 2019. Adaptado.
Uma propriedade física que pode ser utilizada para identificar o tipo de petróleo é a sua resistividade elétrica. Para este fim, um recipiente cilíndrico, de massa e espessura desprezíveis, com $40\text{ cm}^2$ de área da base e $5\text{ cm}$ de altura, foi totalmente preenchido com uma amostra de petróleo. As bases deste cilindro, feitas de material condutor, foram conectadas a uma fonte de tensão, contínua e ideal, de $V_0=500\text{ V}$, usando fios ideais, conforme a figura. Após 8 horas, o calor dissipado pela resistência oferecida pelo petróleo foi capaz de derreter $0{,}5\text{ g}$ de gelo nas condições normais de temperatura e pressão, CNTP.

Considerando que o calor latente do gelo nas CNTP é de $80\text{ cal/g}$, e $1\text{ caloria}=4\text{ Joules}$, determine a resistividade da amostra de petróleo, em $\Omega\text{ m}$.
Calor necessário para derreter o gelo: $Q=mL=0{,}5\cdot80=40\text{ cal}=160\text{ J}$.
Essa energia foi dissipada em $\Delta t=8\text{ h}=8\cdot3600=28\,800\text{ s}$, logo a potência média é
$P=\dfrac{\Delta E}{\Delta t}=\dfrac{160}{28\,800}=\dfrac{1}{180}\text{ W}$.
Como $P=\dfrac{V_0^2}{R}$:
$R=\dfrac{V_0^2}{P}=500^2\cdot180=4{,}5\cdot10^{7}\ \Omega$.
Pela segunda lei de Ohm, $R=\rho\dfrac LA$, com $A=40\text{ cm}^2=4{,}0\cdot10^{-3}\text{ m}^2$ e $L=5\text{ cm}=5{,}0\cdot10^{-2}\text{ m}$:
$\rho=\dfrac{RA}{L}=\dfrac{4{,}5\cdot10^{7}\cdot4{,}0\cdot10^{-3}}{5{,}0\cdot10^{-2}}=3{,}6\cdot10^{6}\ \Omega\text{ m}$.
