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UESB 2013.1 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Vestibular 2013.1 · Prova de Física (Q1-20), 3º dia, resolução comentada Método TEF, com gabarito não oficial.

Q1
Mecânica — Cinemática — Encontro de Móveis

Um trem sai da estação de uma cidade, em percurso retilíneo, com velocidade constante de $20{,}0\text{ m/s}$. Depois de sua partida, um segundo trem parte da estação com velocidade constante de $25{,}0\text{ m/s}$.

O tempo necessário, em minutos, para o segundo trem alcançar o primeiro, a $180{,}0\text{ km}$ da cidade, é de

01)$10$
02)$30$
03)$50$
04)$120$
05)$150$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

04
Resolução comentada

O encontro ocorre a $180\text{ km}=1{,}8\cdot10^{5}\text{ m}$ da cidade. O tempo que o segundo trem gasta para chegar a esse ponto, contado a partir da sua própria partida, é

$$t_2=\dfrac{1{,}8\cdot10^{5}}{25}=7\,200\text{ s}=120\text{ min}$$

O primeiro trem, que saiu antes, gasta $\dfrac{1{,}8\cdot10^{5}}{20}=9\,000\text{ s}=150\text{ min}$ para percorrer a mesma distância; $150\text{ min}$ é o tempo contado desde a partida do primeiro trem, e não o do segundo. A pergunta é pelo tempo do segundo trem.

Observação: o enunciado não diz explicitamente de que instante se conta o tempo; a leitura adotada (tempo de percurso do segundo trem) é a mais natural, por ser a que o enunciado pede para o “segundo trem alcançar o primeiro”.

Q2
Mecânica — Cinemática — Movimento em Etapas (MUV e MU)

Um trem de metrô parte do repouso, em uma estação, e acelera durante $10\text{ s}$, até atingir a velocidade de $72\text{ km/h}$, mantendo-a constante durante $40\text{ s}$. Em seguida, freia, produzindo uma aceleração de $-1{,}0\text{ m/s}^2$ até parar na estação seguinte.

A distância percorrida entre as duas estações corresponde a

01)$500$
02)$700$
03)$800$
04)$900$
05)$1100$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

05
Resolução comentada

Convertendo, $72\text{ km/h}=20\text{ m/s}$. O movimento tem três etapas, e a distância total é a soma das três.

• Aceleração: MUV de $0$ a $20\text{ m/s}$ em $10\text{ s}$, com $d_1=\dfrac{0+20}{2}\cdot10=100\text{ m}$.

• Velocidade constante: $d_2=20\cdot40=800\text{ m}$.

• Frenagem: o tempo é $t=\dfrac{20}{1{,}0}=20\text{ s}$ e $d_3=\dfrac{20+0}{2}\cdot20=200\text{ m}$.

Somando, $d=100+800+200=1100\text{ m}$. Esse resultado também pode ser lido como a área do gráfico $v\times t$ (um trapézio de bases $70\text{ s}$ e $40\text{ s}$ e altura $20\text{ m/s}$).

Q3
Mecânica — Energia — Trabalho por Gráfico e Teorema da Energia Cinética
Gráfico da força F (N) em função do deslocamento d (m): vale 2 N de 0 a 5 m, cresce linearmente até 5 N em 7 m e decresce linearmente até zero em 10 m

O gráfico mostra o comportamento de uma força em função do deslocamento. Essa força é aplicada em um corpo de massa igual a $1000$ gramas, na mesma direção e sentido de seu deslocamento. O corpo estava inicialmente em movimento retilíneo uniforme, com velocidade $4\sqrt2\text{ m/s}$.

Considerando-se essa informação e após a análise do gráfico, conclui-se que o trabalho, em joule, realizado pela força, e a velocidade final, em m/s, desse corpo são, respectivamente, iguais a

01)$24{,}5$ e $9{,}0$
02)$24{,}5$ e $5{,}0$
03)$20{,}0$ e $9{,}0$
04)$20{,}0$ e $6{,}0$
05)$17{,}0$ e $17{,}0$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

01
Resolução comentada

O trabalho é numericamente igual à área sob o gráfico, que se divide em três partes:

• de $0$ a $5\text{ m}$ (retângulo): $2\cdot5=10\text{ J}$;

• de $5$ a $7\text{ m}$ (trapézio): $\dfrac{2+5}{2}\cdot2=7\text{ J}$;

• de $7$ a $10\text{ m}$ (triângulo): $\dfrac{3\cdot5}{2}=7{,}5\text{ J}$.

O trabalho total é $\tau=10+7+7{,}5=24{,}5\text{ J}$.

Pelo teorema da energia cinética, $\tau=\dfrac{mv^2}{2}-\dfrac{mv_0^2}{2}$. Com $m=1{,}0\text{ kg}$ e $v_0^2=(4\sqrt2)^2=32$: $24{,}5=\dfrac{v^2}{2}-16\Rightarrow v^2=81\Rightarrow v=9{,}0\text{ m/s}$.

Q4
Mecânica — Cinemática — Movimentos Perpendiculares e Distância entre Móveis

Duas estradas retas e planas se cortam perpendicularmente. Duas motocicletas, A e B, partem simultaneamente desse ponto de encontro, cada uma em uma estrada, deslocando-se com velocidades constantes, respectivamente iguais a $54\text{ km/h}$ e $72\text{ km/h}$.

O tempo necessário, em segundos, para que a distância entre as motocicletas seja de $250{,}0\text{ m}$ é de

01)$2{,}0$
02)$7{,}0$
03)$10{,}0$
04)$17{,}0$
05)$25{,}0$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

03
Resolução comentada

Em m/s, $v_A=\dfrac{54}{3{,}6}=15\text{ m/s}$ e $v_B=\dfrac{72}{3{,}6}=20\text{ m/s}$.

Como as trajetórias são perpendiculares, após um tempo $t$ as motos distam $d=\sqrt{(15t)^2+(20t)^2}=25\,t$ (note o terno pitagórico $15$–$20$–$25$).

Fazendo $d=250\text{ m}$: $t=\dfrac{250}{25}=10\text{ s}$.

Q5
Mecânica — Energia — Potência

Na construção de um estádio de futebol para a Copa do Mundo de 2014, foi usado um motor de potência $80\text{ cv}$. Utiliza-se esse motor na potência máxima para erguer um bloco de concreto armado de três toneladas até de $30{,}0\text{ m}$ de altura em relação ao solo.

Considerando-se a aceleração da gravidade local igual a $10{,}0\text{ m/s}^2$ e $1\text{ cv}=750\text{ W}$, o intervalo de tempo gasto, em segundo, pelo motor para erguer o bloco de cimento é de

01)$150{,}0$
02)$100{,}0$
03)$50{,}0$
04)$15{,}0$
05)$1{,}5$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

04
Resolução comentada

O trabalho do motor, para erguer o bloco com velocidade desprezível, é igual ao ganho de energia potencial: $\tau=mgh=3000\cdot10\cdot30=9{,}0\cdot10^{5}\text{ J}$.

A potência do motor é $P=80\cdot750=6{,}0\cdot10^{4}\text{ W}$.

$$\Delta t=\dfrac{\tau}{P}=\dfrac{9{,}0\cdot10^{5}}{6{,}0\cdot10^{4}}=15\text{ s}$$

Q6
Mecânica — Cinemática — Acoplamento de Polias
Duas polias de raios R1 (menor) e R2 (maior) acopladas por uma correia, com velocidades lineares v1 e v2 nos pontos P1 e P2 e frequências f1 e f2

Duas polias, de raios $R_1=10{,}0\text{ cm}$ e $R_2=30{,}0\text{ cm}$, estão acopladas por uma correia de transmissão inextensível, como mostra a figura.

Sabendo-se que a polia $R_1$ gira com frequência de 600 rotações por minuto, a ordem de grandeza do tempo necessário para a polia maior dar uma volta completa, em segundo, é igual a

01)$10^{-4}$
02)$10^{-3}$
03)$10^{-1}$
04)$10^{2}$
05)$10^{3}$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

03
Resolução comentada

Como a correia é inextensível e não escorrega, os pontos das bordas das duas polias têm a mesma velocidade linear: $v_1=v_2\Rightarrow2\pi f_1R_1=2\pi f_2R_2$.

Com $f_1=600\text{ rpm}=10\text{ Hz}$: $f_2=f_1\dfrac{R_1}{R_2}=10\cdot\dfrac{10}{30}=\dfrac{10}{3}\text{ Hz}$.

O período da polia maior é $T_2=\dfrac1{f_2}=0{,}30\text{ s}=3{,}0\cdot10^{-1}\text{ s}$. Como $3{,}0<\sqrt{10}\approx3{,}16$, a ordem de grandeza é $10^{-1}\text{ s}$.

Q7
Mecânica — Dinâmica — Plano Inclinado com Atrito
Operário puxando, por uma corda que passa por uma polia no alto de um plano inclinado de 30°, um caixote de peso P = 50,0 kgf apoiado no plano

No dispositivo mostrado na figura, um operário, em uma construção, tenta mover um caixote sobre um plano inclinado. Considere que o caixote pode subir ou descer com velocidade constante, que o coeficiente de atrito entre o caixote e o plano é de $\mu=0{,}10$, $1\text{ kgf}=10\text{ N}$, $\cos30^\circ=0{,}68$ e $\text{sen}\,30^\circ=0{,}50$.

A força, em newton, que o operário deve exercer para movimentar o bloco é, aproximadamente, igual a

01)$250$ descendo.
02)$293$ descendo.
03)$207$ subindo.
04)$280$ subindo.
05)$293$ subindo.

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

05
Resolução comentada

O peso é $P=50\text{ kgf}=500\text{ N}$. Como a corda é paralela ao plano, e o caixote se move com velocidade constante, a resultante é nula. Componentes do peso: $P_t=P\,\text{sen}\,30^\circ=250\text{ N}$ (ao longo do plano) e $N=P\cos30^\circ$ (normal).

Com $\cos30^\circ=\dfrac{\sqrt3}{2}\approx0{,}87$, a normal vale $N\approx433\text{ N}$ e o atrito cinético, $f=\mu N\approx43\text{ N}$.

• Subindo: o atrito se opõe ao movimento, descendo o plano, então $F=P_t+f=250+43\approx293\text{ N}$.

• Descendo: o atrito agora aponta para cima, e $F=P_t-f\approx207\text{ N}$ (a força do operário só retém o caixote).

Observação (erro no enunciado): a prova informa $\cos30^\circ=0{,}68$, o que é um erro de impressão (o valor correto é $0{,}87$, e provavelmente os algarismos foram trocados de $0{,}86$ para $0{,}68$). A página mantém o texto como na prova. Usando literalmente $0{,}68$, obtém-se $N=340\text{ N}$, $f=34\text{ N}$ e $F\approx284\text{ N}$ subindo, valor que se aproxima da opção 04 ($280$). Adotei a leitura com o cosseno correto porque é a única que reproduz os valores $293$ e $207$ que aparecem nas opções.

Q8
Mecânica — Hidrostática — Gráfico p × h e Empuxo
Gráfico da pressão p (N/m²) em função da profundidade h (m): reta que vai de aproximadamente 0,5·10^5 em h = 0 até 3,0·10^5 em h = 10 m, passando por 1,0·10^5 em h = 2 m, 2,0·10^5 em h = 6 m

A figura representa o gráfico $p\times h$ (pressão $\times$ profundidade) para um líquido contido em um reservatório aberto. Uma esfera, cujo volume é de $200{,}0\text{ cm}^3$, feita de um material cuja densidade é de $0{,}8\text{ g/cm}^3$, é totalmente mergulhada no reservatório e abandonada a seguir.

Desprezando-se as forças de atrito e considerando-se $g=10{,}0\text{ m/s}^2$, a força resultante, em newton, a que a esfera fica submetida é

01)$1{,}6$
02)$2{,}5$
03)$3{,}4$
04)$5{,}0$
05)$6{,}6$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

03
Resolução comentada

No líquido, $p=p_0+\rho g h$, então a inclinação do gráfico fornece $\rho g$. Entre $h=2\text{ m}$ ($1{,}0\cdot10^5$) e $h=10\text{ m}$ ($3{,}0\cdot10^5$):

$$\rho g=\dfrac{3{,}0\cdot10^5-1{,}0\cdot10^5}{10-2}=2{,}5\cdot10^{4}\text{ N/m}^3\;\Rightarrow\;\rho=2\,500\text{ kg/m}^3$$

A esfera tem $V=200\text{ cm}^3=2{,}0\cdot10^{-4}\text{ m}^3$ e densidade $800\text{ kg/m}^3$, logo sua massa é $0{,}16\text{ kg}$ e seu peso, $P=1{,}6\text{ N}$.

O empuxo, com a esfera totalmente imersa, é $E=\rho\,V\,g=2500\cdot2{,}0\cdot10^{-4}\cdot10=5{,}0\text{ N}$.

Como $E>P$, a esfera sobe, e a resultante, vertical e para cima, vale $R=E-P=5{,}0-1{,}6=3{,}4\text{ N}$.

Q9
Mecânica — Hidrostática — Pressão Hidrostática e Pressão Total

Um submarino encontra-se a uma profundidade de $100{,}0\text{ m}$ do nível do mar. Considere a massa específica da água do mar igual $1{,}0\text{ g/cm}^3$ e a aceleração da gravidade igual $10{,}0\text{ m/s}^2$. Para que a tripulação sobreviva, um descompressor mantém o seu interior a uma pressão constante igual à pressão atmosférica ao nível do mar.

Com base nessas informações, analise as afirmativas e marque com V as verdadeiras e com F, as falsas.

( ) A pressão hidrostática no ponto onde se encontra o submarino é de $10{,}0\text{ atm}$.
( ) A pressão externa total sobre o submarino é de $11{,}0\text{ atm}$
( ) A pressão interna total é de $11{,}0\text{ atm}$.

A alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é a

01)F V V
02)F V F
03)V F F
04)V V F
05)V V V

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

04
Resolução comentada

• 1ª afirmativa: $p_{hid}=\rho g h=1000\cdot10\cdot100=1{,}0\cdot10^{6}\text{ Pa}$. Como $1\text{ atm}\approx1{,}0\cdot10^5\text{ Pa}$, são $10\text{ atm}$: V.

• 2ª afirmativa: a pressão externa total é a atmosférica mais a hidrostática, $1+10=11\text{ atm}$: V.

• 3ª afirmativa: o descompressor mantém o interior a $1\text{ atm}$ (a pressão ao nível do mar), e não a $11\text{ atm}$: F.

Q10
Mecânica — Hidrostática — Princípios de Pascal, Stevin e Arquimedes

Com base nos conhecimentos de Hidrostática, é correto afirmar:

01)O princípio de Arquimedes torna possível a aplicação de injeções.
02)O princípio físico utilizado no estudo da flutuação dos corpos é o Princípio de Stevin.
03)O princípio de Pascal torna possível montar um dispositivo multiplicador do trabalho.
04)Se um corpo parcialmente imerso em um fluido está em equilíbrio hidrostático, o empuxo sobre ele é nulo.
05)O peso aparente de qualquer corpo imerso em um fluido é igual ao seu peso fora do fluido subtraído do seu empuxo.

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

05
Resolução comentada

• 01) A aplicação de injeções (a pressão exercida no êmbolo se transmite ao líquido) relaciona-se à pressão nos fluidos, e não ao princípio de Arquimedes, que trata do empuxo.

• 02) A flutuação dos corpos é explicada pelo princípio de Arquimedes (empuxo). O de Stevin trata da variação da pressão com a profundidade.

• 03) O princípio de Pascal permite multiplicar força (prensa hidráulica), mas o trabalho não se multiplica: pela conservação da energia, a força maior atua em deslocamento proporcionalmente menor.

• 04) No equilíbrio de um corpo parcialmente imerso, o empuxo é igual ao peso, e não nulo.

• 05) O peso aparente é o peso real menos o empuxo, $P_{ap}=P-E$, que é a força indicada, por exemplo, por um dinamômetro com o corpo mergulhado.

Q11
Mecânica — Gravitação — Leis de Kepler e Lei de Newton

Analise as afirmativas referentes ao estudo da gravitação universal.

I. A velocidade de translação de um planeta em torno do Sol é variável.
II. As marés oceânicas são causadas pelas atrações gravitacionais do Sol e da Lua.
III. Do periélio ao afélio, o movimento de um planeta é acelerado.
IV. Dois pontos materiais atraem-se com forças cujas intensidades são inversamente proporcionais às suas massas.

A alternativa em que todas essas afirmativas estão corretas é a

01)I e II
02)I e III
03)II e IV
04)I, II e III
05)I, III e IV

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

01
Resolução comentada

• I) Correta. Pela 2ª lei de Kepler (lei das áreas), a velocidade varia ao longo da órbita elíptica, sendo maior no periélio e menor no afélio.

• II) Correta. As marés resultam da diferença de atração gravitacional ao longo da Terra, principalmente da Lua e, em menor grau, do Sol.

• III) Incorreta. Do periélio (mais próximo do Sol) ao afélio (mais distante) o planeta perde velocidade: o movimento é retardado.

• IV) Incorreta. Pela lei de Newton, $F=G\dfrac{m_1m_2}{d^2}$: a força é diretamente proporcional ao produto das massas.

Q12
Mecânica — Gravitação — Satélite em Órbita Circular

Considere que um satélite de massa $m=5{,}0\text{ kg}$ seja colocado em órbita circular ao redor da Terra, a uma altitude $h=650{,}0\text{ km}$.

Sendo o raio da Terra igual a $6.350{,}0\text{ km}$ e sua massa igual a $5{,}98\cdot10^{24}\text{ kg}$, o módulo da quantidade de movimento, em kg·m/s, do satélite é, aproximadamente, igual a

01)$2{,}8\cdot10^{11}$
02)$3{,}8\cdot10^{4}$
03)$5{,}6\cdot10^{11}$
04)$7{,}6\cdot10^{3}$
05)$8{,}0\cdot10^{4}$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

02
Resolução comentada

O raio da órbita é medido a partir do centro da Terra: $r=6350+650=7000\text{ km}=7{,}0\cdot10^{6}\text{ m}$.

Numa órbita circular, a gravidade faz o papel de resultante centrípeta, $\dfrac{GMm}{r^2}=\dfrac{mv^2}{r}$, o que dá $v=\sqrt{\dfrac{GM}{r}}$. Usando $G\approx6{,}67\cdot10^{-11}\text{ N·m}^2/\text{kg}^2$ (valor que o enunciado não informa, mas que é o valor padrão):

$$v=\sqrt{\dfrac{6{,}67\cdot10^{-11}\cdot5{,}98\cdot10^{24}}{7{,}0\cdot10^{6}}}\approx7{,}6\cdot10^{3}\text{ m/s}$$

A quantidade de movimento é $Q=mv=5{,}0\cdot7{,}6\cdot10^{3}\approx3{,}8\cdot10^{4}\text{ kg·m/s}$. A opção $7{,}6\cdot10^{3}$ é a própria velocidade, sem multiplicar pela massa.

Q13
Termologia — Termometria — Escalas Termométricas

A temperatura mais baixa de todos os tempos foi observada na estação russa de Vostok, na Antártica: $89{,}2^\circ\text{C}$ negativos. No Brasil, a maior temperatura registrada oficialmente foi de $44{,}7^\circ\text{C}$, em Bom Jesus, no Piauí.

A variação entre a mais alta e a mais baixa temperatura registradas, na escala Fahrenheit, é, aproximadamente, igual a

01)$-129$
02)$-208$
03)$241$
04)$192$
05)$99$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

03
Resolução comentada

A variação em Celsius é $\Delta\theta_C=44{,}7-(-89{,}2)=133{,}9^\circ\text{C}$.

Para variações, vale $\dfrac{\Delta\theta_C}{5}=\dfrac{\Delta\theta_F}{9}$, isto é, a escala Fahrenheit tem $1{,}8$ grau para cada grau Celsius: $\Delta\theta_F=1{,}8\cdot133{,}9\approx241^\circ\text{F}$.

Observe que, para variações, não se soma $32$: essa constante só aparece na conversão de temperaturas.

Q14
Termologia — Propagação do Calor

Usando os conhecimentos sobre transmissão de calor, analise as afirmativas e marque com V as verdadeiras e com F, as falsas.

( ) O único processo de transmissão de calor que pode ocorrer no vácuo é a condução.
( ) O calor que é transmitido pela Terra se propaga pela atmosfera pelos processos da condução e da irradiação.
( ) A radiação infravermelha é mais energética que a radiação visível.

Considerando-se essas afirmativas, a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baio, é a

01)V V F
02)V F F
03)F F V
04)F V V
05)F V F

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

05
Resolução comentada

• 1ª afirmativa: a condução e a convecção exigem meio material; no vácuo só ocorre a irradiação (é assim que o calor do Sol chega à Terra). F.

• 2ª afirmativa: o calor da Terra se propaga na atmosfera por condução (junto ao solo), convecção (a principal) e irradiação (radiação infravermelha). A afirmativa cita dois dos processos que de fato ocorrem; ela não diz que são os únicos, e por isso é tomada como V.

• 3ª afirmativa: a energia do fóton é $E=hf$. O infravermelho tem frequência menor que a do visível, então é menos energético. F.

Observação: o texto da prova diz “de cima para baio” (erro de digitação), mantido na página. A 2ª afirmativa é a mais discutível, por omitir a convecção; o resultado segue a leitura de que ela é verdadeira.

Q15
Termologia — Termodinâmica — Primeira Lei e Gráfico p × V
Diagrama p × V: o gás vai do estado (V = 2·10^-3 m³, p = 1·10^5 N/m²) ao estado (V = 8·10^-3 m³, p = 3·10^5 N/m²) por uma reta

O diagrama mostra como varia a pressão de um mol de um gás, em função do volume por ele ocupado, ao passar por uma transformação.

Considerando-se a constante universal dos gases perfeitos $R=8{,}31\text{ J/mol·K}$, a quantidade de calor, em joule, transferida durante o processo é um valor próximo de

01)$1200$
02)$3300$
03)$4500$
04)$3000$
05)$5700$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

03
Resolução comentada

Pela Primeira Lei, $Q=\tau+\Delta U$.

• Trabalho: é a área sob o gráfico (um trapézio): $\tau=\dfrac{(1+3)\cdot10^5}{2}\cdot(8-2)\cdot10^{-3}=1200\text{ J}$.

• Variação de energia interna: para gás ideal monoatômico, $\Delta U=\dfrac32\,nR\,\Delta T=\dfrac32\,(p_2V_2-p_1V_1)=\dfrac32\,(2400-200)=3300\text{ J}$, já que $nR\,T=pV$ e não é preciso usar o valor de $R$.

$$Q=1200+3300=4500\text{ J}$$

Observação: o enunciado não informa a atomicidade do gás. A leitura como gás monoatômico é a única que leva a um valor presente nas opções; com gás diatômico ($\Delta U=\tfrac52\,\Delta(pV)$) obtém-se $6700\text{ J}$, que não consta.

Q16
Termologia — Termodinâmica — Ciclo de Carnot

Uma máquina térmica funciona segundo o ciclo de Carnot, a qual fornece ao ambiente, em cada ciclo, um trabalho igual a $800\text{ J}$. As temperaturas das fontes quente e fria são, respectivamente, $127^\circ\text{C}$ e $27^\circ\text{C}$.

Considerando-se $1$ caloria igual a $4{,}186\text{ J}$, o módulo da quantidade de calor rejeitada para a fonte fria, em calorias, é

01)$80$
02)$107$
03)$267$
04)$573$
05)$764$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

04
Resolução comentada

Em kelvin, $T_q=400\text{ K}$ e $T_f=300\text{ K}$, e o rendimento de Carnot é $\eta=1-\dfrac{300}{400}=0{,}25$.

Como $\eta=\dfrac{\tau}{Q_q}$, o calor recebido é $Q_q=\dfrac{800}{0{,}25}=3200\text{ J}$, e o rejeitado é $Q_f=Q_q-\tau=3200-800=2400\text{ J}$.

Em calorias, $Q_f=\dfrac{2400}{4{,}186}\approx573\text{ cal}$.

Q17
Termologia — Calorimetria — Aquecimento e Vaporização

Um aquecedor de imersão de $400\text{ W}$ é usado para aquecer $0{,}25\text{ dm}^3$ de água, inicialmente a $20^\circ\text{C}$.

Considerando-se o calor específico da água igual a $4{,}2\cdot10^{3}\text{ J/kg}^\circ\text{C}$, o calor de vaporização da água igual a $2{,}3\cdot10^{6}\text{ J/kg}$ e a massa específica da água igual $1{,}0\cdot10^{3}\text{ kg/m}^3$, o tempo necessário, em minutos, para que toda a água seja evaporada, tem um valor mais próximo de

01)$22$
02)$27$
03)$42$
04)$60$
05)$80$

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

02
Resolução comentada

$0{,}25\text{ dm}^3=0{,}25\text{ L}$, e a massa de água é $m=0{,}25\text{ kg}$.

• Aquecimento de $20^\circ\text{C}$ a $100^\circ\text{C}$: $Q_1=mc\,\Delta\theta=0{,}25\cdot4200\cdot80=8{,}4\cdot10^{4}\text{ J}$.

• Vaporização: $Q_2=mL=0{,}25\cdot2{,}3\cdot10^{6}=5{,}75\cdot10^{5}\text{ J}$.

O calor total é $Q=6{,}59\cdot10^{5}\text{ J}$ e o tempo, $t=\dfrac QP=\dfrac{6{,}59\cdot10^5}{400}\approx1\,650\text{ s}\approx27{,}5\text{ min}$, valor mais próximo de $27$ dentre as opções.

Q18
Óptica — Espelhos, Lentes e Defeitos da Visão

Com relação à Óptica e às anomalias da visão, é correto afirmar:

I. A superfície refletora de um farol de automóvel é um espelho côncavo.
II. Pessoas míopes possuem o globo ocular longo e, para corrigir esse defeito, elas devem usar lentes convergentes.
III. Um olho hipermetrope tem o ponto próximo a $50{,}0\text{ cm}$. Esse olho, para enxergar objetos a $25{,}0\text{ cm}$, deve utilizar lentes de contato de $2{,}0$ dioptrias.
IV. Uma aplicação de reflexão total da luz se dá nas fibras ópticas.

Nessas condições, a alternativa em que todas essas afirmativas estão corretas é a

01)I e II
02)II e III
03)II e IV
04)I, II e III
05)I, III e IV

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

05
Resolução comentada

• I) Correta. O farol coloca a lâmpada no foco de um espelho côncavo, que devolve a luz em feixe aproximadamente paralelo.

• II) Incorreta. A miopia corrige-se com lente divergente: o olho míope tem o globo longo e forma a imagem antes da retina.

• III) Correta. A lente deve formar, a $50\text{ cm}$ (imagem virtual, $p\,'=-50\text{ cm}$), a imagem de um objeto a $p=25\text{ cm}$: $\dfrac1f=\dfrac1{25}-\dfrac1{50}=\dfrac1{50}\Rightarrow f=0{,}5\text{ m}$. A vergência é $V=\dfrac1f=+2{,}0\text{ di}$.

• IV) Correta. Nas fibras ópticas a luz se propaga por sucessivas reflexões totais no interior do núcleo.

Q19
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Força Magnética sobre Carga em Movimento
Região de campo magnético uniforme B entrando no plano da página (símbolos x), com uma partícula de carga negativa que se move para a direita com velocidade v

Considere uma partícula com carga negativa que se desloca em uma região de um campo magnético uniforme, com velocidade $\vec v$, como mostra a figura.

Nessas condições, a partícula descreverá uma trajetória

01)retilínea.
02)helicoidal.
03)parabólica.
04)circular, em sentido horário.
05)circular, em sentido anti-horário.

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

04
Resolução comentada

A velocidade é perpendicular ao campo (o campo entra no papel e a velocidade é horizontal), então a força magnética é perpendicular à velocidade e constante em módulo. Ela age como força centrípeta, e a trajetória é uma circunferência, de raio $R=\dfrac{mv}{|q|B}$.

Para o sentido: a regra da mão direita para $\vec v\times\vec B$, com $\vec v$ para a direita e $\vec B$ para dentro do papel, dá força para cima se a carga fosse positiva. Como a carga é negativa, a força é para baixo.

Movendo-se para a direita com a força apontando para baixo, o centro da circunferência está abaixo da partícula, e ela gira no sentido horário.

Q20
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Leis de Faraday e de Lenz
Espira circular perfeitamente condutora, ligada por fios a um resistor R, imersa em campo magnético uniforme B saindo do plano do papel

A figura representa um circuito constituído por uma espira circular perfeitamente condutora, um resistor, de resistência elétrica igual a $2{,}0\text{ m}\Omega$ e área igual a $1{,}0\cdot10^{-2}\text{ m}^2$, imerso em um campo magnético uniforme perpendicular ao plano da espira.

Sabe-se que, no instante $t_1=1\text{ s}$, o módulo do vetor indução magnética é $0{,}2\text{ T}$, e, no instante $t_2=3\text{ s}$, passa a ser $1{,}4\text{ T}$.

Desprezando-se a resistência elétrica dos fios de ligação, a intensidade da corrente elétrica induzida média e seu sentido no resistor, conclui-se que, durante o crescimento o módulo do vetor $\vec B$, é igual a

01)$4{,}0$ da direita para a esquerda.
02)$3{,}0$ da direita para a esquerda.
03)$2{,}0$ da direita para a esquerda.
04)$3{,}0$ da esquerda para a direita.
05)$2{,}0$ da esquerda para a direita.

Resposta resolvida — UESB 2013.1 (a prova não traz gabarito oficial)

02
Resolução comentada

• Intensidade: pela Lei de Faraday, $\varepsilon=\dfrac{\Delta\Phi}{\Delta t}=\dfrac{A\,\Delta B}{\Delta t}=\dfrac{1{,}0\cdot10^{-2}\cdot(1{,}4-0{,}2)}{3-1}=6{,}0\cdot10^{-3}\text{ V}$. A corrente média é $i=\dfrac{\varepsilon}{R}=\dfrac{6{,}0\cdot10^{-3}}{2{,}0\cdot10^{-3}}=3{,}0\text{ A}$ (a unidade é omitida nas opções).

• Sentido: o campo sai do papel e está aumentando, então o fluxo para fora cresce. Pela Lei de Lenz, a corrente induzida cria um campo que se opõe a essa variação, isto é, entrando no papel, o que requer corrente no sentido horário na espira.

Seguindo o circuito: na espira, no sentido horário, a corrente desce pelo lado direito, sai pelo fio da direita, passa pelo resistor indo para a esquerda e retorna pelo fio da esquerda. Logo, no resistor a corrente vai da direita para a esquerda.

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