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UECE 19.2 | 2ª Fase

Prova de Física da 2ª Fase do Vestibular UECE 2019.2, com gabarito oficial CEV.

Q01
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere dois pares de polias. Em cada par, as polias giram mecanicamente acopladas uma à outra. Em cada conjunto de duas polias acopladas, uma tem diâmetro 20 cm e a outra 50 cm. O par identificado pela letra C tem cada polia girando em eixos independentes e as polias são acopladas por uma correia (C) que não desliza. Nesse conjunto, as velocidades angulares das polias são $\omega_{20}^{C}$ e $\omega_{50}^{C}$. O par identificado pela letra E gira em um mesmo eixo (E) que não desliza em relação às polias. Nesse outro conjunto, as velocidades angulares das polias são $\omega_{20}^{E}$ e $\omega_{50}^{E}$. Os índices 20 e 50 indicam os diâmetros das polias. Assim, é correto afirmar que

A)$\dfrac{\omega_{50}^{C}}{\omega_{20}^{C}}=\dfrac{2}{5}$ e $\dfrac{\omega_{50}^{E}}{\omega_{20}^{E}}=1$.
B)$\dfrac{\omega_{50}^{C}}{\omega_{20}^{C}}=1$ e $\dfrac{\omega_{50}^{E}}{\omega_{20}^{E}}=\dfrac{5}{2}$.
C)$\dfrac{\omega_{50}^{C}}{\omega_{20}^{C}}=\dfrac{5}{2}$ e $\dfrac{\omega_{50}^{E}}{\omega_{20}^{E}}=1$.
D)$\dfrac{\omega_{50}^{C}}{\omega_{20}^{C}}=1$ e $\dfrac{\omega_{50}^{E}}{\omega_{20}^{E}}=\dfrac{2}{5}$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

A
Resolução

No conjunto C, as duas polias giram em eixos independentes, unidas por uma correia inextensível que não desliza: a velocidade linear (tangencial) da correia é a mesma nas bordas das duas polias, ou seja, $\omega_{20}^{C}\,r_{20}=\omega_{50}^{C}\,r_{50}$, onde $r_{20}=10\text{ cm}$ e $r_{50}=25\text{ cm}$ são os raios. Logo, $\dfrac{\omega_{50}^{C}}{\omega_{20}^{C}}=\dfrac{r_{20}}{r_{50}}=\dfrac{10}{25}=\dfrac{2}{5}$.

No conjunto E, as duas polias compartilham o mesmo eixo rígido, girando solidariamente: qualquer ponto do eixo tem a mesma velocidade angular, então $\omega_{20}^{E}=\omega_{50}^{E}$, ou seja, $\dfrac{\omega_{50}^{E}}{\omega_{20}^{E}}=1$.

Portanto, $\dfrac{\omega_{50}^{C}}{\omega_{20}^{C}}=\dfrac{2}{5}$ e $\dfrac{\omega_{50}^{E}}{\omega_{20}^{E}}=1$ — alternativa A.

Q02
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um carrossel que gira com velocidade angular tal que cada cavalo percorre duas voltas completas em $4\pi/3$ segundos. Assim, a velocidade angular do carrossel, em radianos/s, é

A)$4/3$.
B)$4\pi/3$.
C)$2\pi/3$.
D)3.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

D
Resolução

Cada cavalo percorre duas voltas completas, ou seja, um deslocamento angular $\Delta\theta=2\times2\pi=4\pi\text{ rad}$, no intervalo de tempo $\Delta t=4\pi/3\text{ s}$.

A velocidade angular é $\omega=\dfrac{\Delta\theta}{\Delta t}=\dfrac{4\pi}{4\pi/3}=4\pi\times\dfrac{3}{4\pi}=3\text{ rad/s}$ — alternativa D.

Q03
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um carro que se desloque em linha reta de modo que um de seus pneus execute um movimento circular uniforme em relação ao seu eixo. Suponha que o pneu não desliza em relação ao solo. Considere as porções do pneu que estão em contato com a estrada. No exato instante desse contato, a velocidade relativa dessas porções em relação ao solo é

A)proporcional à velocidade angular do pneu.
B)igual à velocidade do centro da roda.
C)zero.
D)proporcional à velocidade linear do carro.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

C
Resolução

A condição de "não deslizar" (rolamento puro) significa, por definição, que o ponto do pneu instantaneamente em contato com o solo tem velocidade nula em relação ao solo naquele instante — caso contrário, haveria escorregamento entre pneu e pista.

Isso ocorre porque a velocidade desse ponto é a soma vetorial da velocidade de translação do centro da roda ($v_{cm}$) com a velocidade tangencial de rotação nesse ponto ($-\omega r$, apontando em sentido oposto a $v_{cm}$ no ponto de contato, mais baixo da roda): para rolamento sem deslizamento, $v_{cm}=\omega r$, logo a soma resulta exatamente em zero nesse ponto específico.

Portanto, a velocidade relativa das porções do pneu em contato com a estrada, em relação ao solo, no instante do contato, é zero — alternativa C.

Q04
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Projetos de edifícios esbeltos e com alturas que podem chegar até 150 metros têm gerado um novo tipo de demanda para os centros de pesquisa e universidades que fazem ensaios aerodinâmicos. Nesses ensaios, uma versão em escala reduzida do edifício é construída e submetida a condições de vento controladas em um equipamento de laboratório chamado túnel de vento, tal como o túnel de vento que existe na UECE. Considere que, em um desses ensaios, uma dada superfície do prédio (edifício em escala reduzida) é submetida a uma pressão, pela ação do vento, de 0,1 N/m². Caso essa superfície tenha área de 100,0 cm², a força total devido ao vento nessa área é, em N, igual a

A)10.
B)$10^{-3}$.
C)1.
D)$10^{-2}$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

B
Resolução

Primeiro é preciso converter a área para o Sistema Internacional (metros quadrados), já que a pressão é dada em $\text{N/m}^2$: $100{,}0\text{ cm}^2=100{,}0\times(10^{-2}\text{ m})^2=100{,}0\times10^{-4}\text{ m}^2=10^{-2}\text{ m}^2$.

Pela definição de pressão, $P=F/A$, logo $F=P\cdot A=0{,}1\text{ N/m}^2\times10^{-2}\text{ m}^2=10^{-3}\text{ N}$ — alternativa B.

Q05
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

A UECE realiza sistematicamente monitoramento da qualidade do ar na entrada de um de seus campi. Um dos dados que se pode monitorar é a concentração de material particulado (MP) suspenso no ar. Esse material é uma mistura complexa de sólidos com diâmetro reduzido. Em geral, o MP é classificado de acordo com o diâmetro das partículas, devido à relação existente entre diâmetro e possibilidade de penetração no trato respiratório, podendo ser danoso à saúde. Supondo-se que, em uma dada medição, identificou-se que há uma concentração de $150\times10^{-6}\text{ g}$ de MP por cada $1\text{ m}^3$ de ar em uma grande avenida. Assumindo-se que a densidade dessas partículas (MP) é igual à densidade da água ($10^3\text{ kg/m}^3$), pode-se afirmar corretamente que o volume de material particulado presente em $1\text{ m}^3$ de ar é

A)$1{,}50\times10^{-3}\text{ L}$.
B)$1{,}50\times10^{-4}\text{ L}$.
C)$1{,}50\times10^{-3}\text{ mL}$.
D)$1{,}50\times10^{-4}\text{ mL}$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

D
Resolução

A densidade $10^3\text{ kg/m}^3$ da água (e, por hipótese, do material particulado) equivale, em unidades mais convenientes para essa massa pequena, a $1\text{ g/mL}$ (pois $10^3\text{ kg/m}^3=10^6\text{ g}/10^6\text{ mL}=1\text{ g/mL}$).

O volume ocupado pela massa de MP é $V=\dfrac{m}{\rho}=\dfrac{150\times10^{-6}\text{ g}}{1\text{ g/mL}}=150\times10^{-6}\text{ mL}=1{,}50\times10^{-4}\text{ mL}$ — alternativa D.

Q06
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Um pêndulo simples oscila harmonicamente com frequência $f_T$ na superfície da Terra. Caso esse mesmo pêndulo seja posto para oscilar também harmonicamente na superfície lunar, onde a gravidade é aproximadamente $1/6$ do valor na Terra, sua frequência de oscilação será $f_L$. A razão entre a frequência de oscilação na Lua e na Terra é

A)$\dfrac{1}{\sqrt6}$.
B)$\sqrt6$.
C)6.
D)$\dfrac{1}{6}$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

A
Resolução

A frequência de um pêndulo simples é $f=\dfrac{1}{2\pi}\sqrt{\dfrac{g}{L}}$, com $L$ (comprimento do pêndulo) fixo, o mesmo pêndulo sendo usado nos dois locais.

Logo, $\dfrac{f_L}{f_T}=\sqrt{\dfrac{g_L}{g_T}}=\sqrt{\dfrac{1}{6}}=\dfrac{1}{\sqrt6}$ — alternativa A.

Q07
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Um dos modelos para representar a dinâmica vertical de automóveis é conhecido como "quarto de carro". Nesse modelo, há as seguintes aproximações: a elasticidade do pneu é representada por uma mola vertical (mola P) com uma das extremidades em contato com o solo; o pneu é representado por uma massa presa a essa mola na outra extremidade; a carroceria é aproximada por uma massa verticalmente acima do pneu e conectada a este por uma segunda mola (mola S) que representa a suspensão do carro. Para simplificar ainda mais, adotaremos um modelo de carro sem amortecedor. Com o carro parado em uma via horizontal, nessa aproximação, as molas P e S permanecem

A)com seus comprimentos oscilando em fase uma com a outra.
B)comprimidas.
C)distendidas.
D)com seus comprimentos oscilando fora de fase uma com a outra.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

B
Resolução

Com o carro parado (situação estática, sem oscilação — o que já descarta as alternativas A e D, que descrevem um regime dinâmico), cada mola precisa sustentar, na vertical, o peso de tudo o que está acima dela.

A mola P (pneu), presa entre o solo e a massa do pneu, sustenta o peso do conjunto pneu + carroceria; a mola S (suspensão), entre o pneu e a carroceria, sustenta o peso da carroceria. Em ambos os casos, a força que cada mola exerce para cima deve equilibrar um peso que a empurra para baixo, o que só ocorre com a mola comprimida (reagindo ao empuxo comprimindo-se e empurrando de volta), não distendida.

Logo, com o carro parado, as duas molas permanecem comprimidas — alternativa B.

Q08
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um pêndulo composto por uma corda flexível e inextensível presa ao teto e com uma massa presa à outra extremidade. Suponha que a massa se desloca em um plano vertical. Uma das condições para que o movimento desse pêndulo seja aproximado por um movimento harmônico simples é que

A)a amplitude angular das oscilações seja entre $\pi/4$ e $\pi/2$.
B)a amplitude angular das oscilações seja muito menor que o comprimento da corda.
C)a velocidade angular seja máxima no ponto mais baixo da trajetória.
D)a velocidade angular seja mínima no ponto mais baixo da trajetória.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

B
Resolução

O pêndulo simples só executa exatamente um MHS na aproximação de pequenas oscilações, quando $\text{sen}\,\theta\approx\theta$ (em radianos) — condição válida apenas para amplitudes pequenas frente ao comprimento $L$ do pêndulo, de modo que o deslocamento (arco percorrido) seja muito menor que o próprio comprimento da corda. É essa comparação de escalas — amplitude do movimento muito menor que a dimensão característica do sistema ($L$) — que caracteriza o regime de pequenas oscilações usado nos vestibulares para justificar a aproximação harmônica, e é a alternativa B que expressa essa ideia.

A alternativa A propõe uma amplitude grande (entre $45°$ e $90°$), justamente o oposto de uma pequena oscilação, o que invalida a aproximação de MHS. As alternativas C e D descrevem corretamente que a velocidade (linear ou angular) é máxima no ponto mais baixo da trajetória (o que de fato ocorre em qualquer pêndulo oscilante, MHS ou não) e mínima nos extremos — mas isso é consequência do movimento pendular em geral, não uma condição que precisa ser imposta para caracterizar o MHS; portanto, não respondem ao que é pedido (uma condição para que o movimento seja aproximadamente harmônico).

Logo, a condição correta é que a amplitude angular seja muito menor que o comprimento da corda — alternativa B.

Q09
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Em função da diferença de massa entre a Terra e a Lua, a gravidade aqui é cerca de seis vezes a encontrada na Lua. Desconsidere quaisquer forças de atrito. Um objeto lançado da superfície da Terra com uma dada velocidade inicial $v_T$ atinge determinada altura. O mesmo objeto deve ser lançado a uma outra velocidade $v_L$ caso seja lançado do solo lunar e atinja a mesma altura. A razão entre a velocidade de lançamento na Terra e a de lançamento na Lua, para que essa condição seja atingida é, aproximadamente,

A)6.
B)10.
C)$\sqrt{10}$.
D)$\sqrt6$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

D
Resolução

Sem atrito (e desprezando a variação de $g$ com a altura), a conservação de energia mecânica no lançamento vertical fornece a altura máxima $h=\dfrac{v_0^2}{2g}$.

Para atingir a mesma altura $h$ na Terra e na Lua: $\dfrac{v_T^2}{2g_T}=\dfrac{v_L^2}{2g_L}\ \Rightarrow\ \dfrac{v_T^2}{v_L^2}=\dfrac{g_T}{g_L}=6$.

Logo, $\dfrac{v_T}{v_L}=\sqrt6$ — alternativa D.

Q10
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere duas rampas de acesso, uma curta (C) e outra longa (L), que ligam o primeiro andar ao térreo de um prédio. A diferença de altura entre o primeiro andar e o térreo, independente da rampa usada, é a mesma. A rampa C tem menor extensão que a rampa L. Assim, a rampa L, por ter maior extensão, tem menor inclinação, o que a torna mais confortável na subida. Caso um móvel seja arrastado do primeiro andar para o térreo, o trabalho realizado pela força de atrito entre o móvel e o piso, em módulo,

A)é maior, caso seja usada a rampa menos inclinada.
B)é maior, caso seja usada a rampa mais inclinada.
C)não depende da inclinação da rampa; depende apenas da diferença de altura entre o primeiro andar e o térreo.
D)é nula, pois a força de atrito não realiza trabalho.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

A
Resolução

Na rampa de inclinação $\theta$, a força normal vale $N=mg\cos\theta$ e a força de atrito cinético vale $f=\mu N=\mu mg\cos\theta$. O comprimento da rampa, em função da altura fixa $h$ a ser vencida, é $d=h/\text{sen}\,\theta$.

O trabalho (em módulo) da força de atrito ao longo de toda a rampa é $|W_{atrito}|=f\cdot d=\mu mg\cos\theta\cdot\dfrac{h}{\text{sen}\,\theta}=\dfrac{\mu mgh}{\tan\theta}$.

Como $\tan\theta$ diminui quando $\theta$ diminui (rampa mais suave, menos inclinada), o denominador $\tan\theta$ fica menor, e o trabalho do atrito $|W_{atrito}|=\mu mgh/\tan\theta$ fica maior. Ou seja, quanto menos inclinada (mais longa) a rampa, maior o trabalho realizado pelo atrito, pois o percurso é mais longo (compensando a menor componente normal por trecho).

Logo, o trabalho da força de atrito é maior na rampa menos inclinada (a rampa L, mais longa e confortável) — alternativa A.

Q11
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere duas massas iguais penduradas por uma corda flexível e inextensível que passa por uma polia presa ao teto. Desconsiderando-se todos os atritos, de modo que as massas possam subir ou descer livremente, e considerando, nesse arranjo, a situação em que uma das massas está subindo com velocidade constante, é correto afirmar que o módulo da soma vetorial dos momentos lineares das massas é

A)o dobro do módulo do momento linear de uma das massas.
B)o triplo do módulo do momento linear de uma das massas.
C)zero.
D)igual ao módulo do momento linear de uma das massas.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

C
Resolução

Pela inextensibilidade da corda que passa pela polia, as duas massas se movem com a mesma velocidade escalar $v$ (impostas pelo mesmo comprimento de corda), mas em sentidos opostos: enquanto uma sobe (velocidade vertical $+v$), a outra desce com a mesma rapidez (velocidade vertical $-v$).

Como as massas são iguais ($m$), os momentos lineares individuais têm mesmo módulo $p=mv$, mas direções (verticais) opostas: $\vec p_1=+mv\,\hat{j}$ e $\vec p_2=-mv\,\hat{j}$.

A soma vetorial é $\vec p_1+\vec p_2=mv\,\hat j-mv\,\hat j=\vec 0$ — alternativa C.

Q12
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um carrinho sobre trilhos em uma trajetória circular, como em um brinquedo de parque de diversões. Por questões de segurança, foi necessário duplicar o raio da trajetória sem que haja mudança na velocidade linear do carrinho. Para isso, a velocidade angular do móvel deve

A)dobrar de valor.
B)ser reduzida à metade.
C)manter-se constante.
D)quadruplicar.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

B
Resolução

No movimento circular, a velocidade linear (tangencial) relaciona-se com a velocidade angular e o raio por $v=\omega r$, ou seja, $\omega=v/r$.

Mantendo $v$ constante e duplicando o raio ($r'=2r$), a nova velocidade angular é $\omega'=\dfrac{v}{r'}=\dfrac{v}{2r}=\dfrac{\omega}{2}$.

Logo, a velocidade angular deve ser reduzida à metade — alternativa B.

Q13
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere quatro hastes metálicas com coeficiente de dilatação térmica $\alpha$ e soldadas entre si de modo a formar um quadrado de área $A$. Suponha que, em resposta a uma variação de temperatura $\Delta T$, as hastes dilatem linearmente e a área sofra um incremento dado por $\Delta A=Ak\Delta T$. Nessas condições, o coeficiente $k$ pode ser dado por

A)$2\alpha+\alpha^2\Delta T$.
B)$2\alpha\Delta T$.
C)$\alpha\Delta T$.
D)$\alpha$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

A
Resolução

Se o lado inicial do quadrado é $L$ (área $A=L^2$), a dilatação linear de cada haste dá o novo lado $L'=L(1+\alpha\Delta T)$. A nova área é $A'=L'^2=L^2(1+\alpha\Delta T)^2=A\left(1+2\alpha\Delta T+\alpha^2\Delta T^2\right)$.

O incremento de área é $\Delta A=A'-A=A\left(2\alpha\Delta T+\alpha^2\Delta T^2\right)=A\,\Delta T\left(2\alpha+\alpha^2\Delta T\right)$.

Comparando com $\Delta A=Ak\Delta T$, conclui-se que $k=2\alpha+\alpha^2\Delta T$ — alternativa A (a expressão exata, sem desprezar o termo quadrático em $\Delta T$, tipicamente pequeno mas presente na dedução completa).

Q14
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um gás confinado em um recipiente cilíndrico, de paredes fixas, exceto pela tampa, que é composta por um êmbolo móvel que exerce uma pressão constante ($P$) sobre o gás. Caso o gás se expanda e seu volume sofra um incremento $\Delta V$, em função de deslocamento do êmbolo, o trabalho realizado pelo gás é

A)$P/\Delta V$.
B)$\Delta V/P$.
C)$P\Delta V$.
D)$-P\Delta V$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

C
Resolução

Para um gás sob pressão constante $P$ que se expande empurrando um êmbolo, o trabalho realizado pelo próprio gás sobre a vizinhança (o êmbolo) é definido como $W=\displaystyle\int P\,dV$, que para pressão constante se reduz a $W=P\Delta V$.

Como o gás se expande ($\Delta V>0$) e é o próprio gás que empurra o êmbolo (realiza trabalho positivo sobre o meio externo), o trabalho realizado pelo gás é positivo e vale $P\Delta V$ — alternativa C. (O sinal negativo, $-P\Delta V$, alternativa D, corresponderia ao trabalho realizado sobre o gás pela vizinhança, não o trabalho realizado pelo gás.)

Q15
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Em 20 de julho de 1969, passados 50 anos, o homem pôs os pés em solo lunar. A movimentação de naves espaciais como a Apolo 11, que fez o transporte rumo à lua, é feita pela expulsão de gases do foguete em uma direção e movimento da nave na direção oposta. Há uma lei de conservação envolvida nesse modo de deslocamento que é denominada lei de conservação

A)da energia potencial.
B)da energia elástica.
C)do momento de inércia.
D)do momento linear.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

D
Resolução

O sistema foguete + gases ejetados, na ausência de forças externas relevantes (ou considerando-as desprezíveis no intervalo curto da ejeção), tem momento linear total conservado, pois nenhuma força externa significativa atua sobre esse sistema isolado durante o processo de propulsão.

Inicialmente, o sistema (foguete + combustível) está em repouso relativo, com momento total nulo. Ao serem expelidos gases com grande momento em uma direção, o foguete adquire, por conservação do momento linear total (que deve continuar nulo, ou variar de acordo apenas com forças externas), um momento de mesmo módulo e sentido oposto — ou seja, o foguete é impulsionado na direção contrária à dos gases ejetados.

Esse é exatamente o princípio da propulsão a jato/foguete, fundamentado na lei de conservação do momento linear — alternativa D.

Q16
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um sistema de unidades hipotético em que $p$ seja a unidade de medida de momento linear e $m$ a unidade de medida de massa, e que ambas sejam unidades fundamentais. Nesse sistema, a unidade de medida de energia potencial seria

A)$p$.
B)$p^2/m$.
C)$m$.
D)$p/m$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

B
Resolução

O momento linear é $p=mv$, logo a velocidade se escreve $v=p/m$. A energia (cinética, e por extensão qualquer forma de energia mecânica, incluindo a potencial, já que ambas têm a mesma dimensão física) é $E=\dfrac12mv^2=\dfrac12m\left(\dfrac{p}{m}\right)^2=\dfrac{p^2}{2m}$.

Descartando o fator numérico $1/2$ (que não tem dimensão e não entra na análise de unidades), a unidade de energia, nesse sistema, é $p^2/m$ — alternativa B.

Q17
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

USB é a sigla para Universal Serial Bus. Esta sigla se tornou bastante conhecida com a popularização de telefones celulares. Trata-se de uma tecnologia para conexão de dispositivos como teclados, impressoras, carregadores de celular, dentre outros. Pode-se usar a porta USB de um computador também como uma fonte de energia para ligar componentes eletrônicos como, por exemplo, um resistor. O padrão USB 2.0 fornece 5 V de tensão e até 500 mA de corrente. O menor valor de uma resistência, em Ohms, que pode ser ligada de modo seguro em uma porta USB 2.0 é

A)0,01.
B)2500.
C)10.
D)100.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

C
Resolução

Pela lei de Ohm, $V=RI$, ou seja, para uma tensão fixa $V=5\text{ V}$ fornecida pela porta USB, a corrente que circula por um resistor de resistência $R$ é $I=V/R$: quanto menor a resistência, maior a corrente exigida.

Para não ultrapassar o limite de segurança de corrente $I_{max}=500\text{ mA}=0{,}5\text{ A}$, a resistência mínima segura é obtida igualando a corrente ao valor máximo permitido: $R_{min}=\dfrac{V}{I_{max}}=\dfrac{5\text{ V}}{0{,}5\text{ A}}=10\ \Omega$.

Qualquer resistência menor que $10\ \Omega$ exigiria uma corrente maior que $500\text{ mA}$, o que não é seguro — alternativa C.

Q18
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um espelho plano feito de vidro com índice de refração $n_V$ e assuma que o índice de refração do ar é $n_A$. Um raio de luz incide sobre o espelho e é refletido. O ângulo de incidência $\theta_I$ e o ângulo de reflexão $\theta_R$ estão sempre relacionados por

A)$n_V\,\text{sen}(\theta_R)=n_A\,\text{sen}(\theta_I)$.
B)$n_V\,\text{sen}(\theta_I)=n_A\,\text{sen}(\theta_R)$.
C)$\cos(\theta_R)=\text{sen}(\theta_I)$.
D)$\text{sen}(\theta_I)=\text{sen}(\theta_R)$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

D
Resolução

O enunciado trata de reflexão (o raio "incide sobre o espelho e é refletido"), não de refração — logo, a lei que governa a relação entre os ângulos é a lei da reflexão, não a lei de Snell (que relaciona ângulos de incidência e refração através de índices de refração de dois meios diferentes). Isso já descarta as alternativas A e B, que trazem indevidamente os índices $n_V$ e $n_A$ nessa relação de reflexão.

A lei da reflexão estabelece que o ângulo de incidência é sempre igual ao ângulo de reflexão, ambos medidos a partir da normal à superfície refletora: $\theta_I=\theta_R$, o que, aplicando a função seno (crescente no intervalo de ângulos físicos de $0$ a $90°$) a ambos os lados, é equivalente a $\text{sen}(\theta_I)=\text{sen}(\theta_R)$.

A alternativa C mistura seno e cosseno de forma incorreta, sem justificativa física. Logo, a relação correta é $\text{sen}(\theta_I)=\text{sen}(\theta_R)$ — alternativa D.

Q19
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um sistema massa mola cuja massa pode se deslocar horizontalmente sobre uma mesa também horizontal e com atrito. Assuma que a mola esteja inicialmente comprimida. No início da observação do sistema a massa está em repouso e passa a se deslocar sob a ação da mola. Imediatamente antes de se deslocar, a massa sofre ação da força de atrito estática até iniciar o movimento, depois passa a sofrer ação da força de atrito dinâmica até que a massa pare. Note que o sistema perde energia na forma de calor e que a força de atrito estática, na iminência do deslizamento, é maior que a dinâmica. Assim, é correto afirmar que, em módulo, o trabalho realizado pela força de atrito estático é

A)zero.
B)maior que o realizado pela força de atrito dinâmica.
C)menor que o realizado pela força de atrito dinâmica.
D)igual ao realizado pela força de atrito dinâmica.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

A
Resolução

O trabalho de qualquer força é definido como $W=\displaystyle\int \vec F\cdot d\vec s$, ou seja, depende diretamente do deslocamento sofrido pelo corpo enquanto a força atua.

Por definição, a força de atrito estático atua exatamente enquanto a massa permanece em repouso — "imediatamente antes de se deslocar", como o próprio enunciado descreve —, ou seja, durante toda a fase de atrito estático o deslocamento da massa é nulo ($d\vec s=\vec 0$). No instante em que a massa efetivamente começa a se mover, a força de atrito já deixou de ser estática e passou a ser dinâmica.

Como não há deslocamento associado à fase de atrito estático, o trabalho realizado por essa força é necessariamente zero, independentemente de seu módulo (que pode até ser maior que o da força de atrito dinâmica, mas isso é irrelevante para o cálculo do trabalho, já que $d=0$) — alternativa A.

Q20
Física · UECE 2019.2 · 2ª Fase

Considere um capacitor ideal, composto por um par de placas metálicas paralelas, bem próximas uma da outra, e carregadas eletricamente com cargas opostas. Na região entre as placas, distante das bordas, o vetor campo elétrico

A)tem direção tangente às placas.
B)tem direção normal às placas.
C)é nulo, pois as placas são condutoras.
D)é perpendicular ao vetor campo magnético gerado pela distribuição estática de cargas nas placas.

Gabarito oficial CEV/UECE 2019.2

B
Resolução

No capacitor de placas paralelas, cada placa é uma superfície plana uniformemente carregada. Longe das bordas (região em que os efeitos de borda podem ser desprezados), o campo elétrico gerado por cada placa, individualmente, é uniforme e perpendicular à própria superfície da placa.

Como as duas placas têm cargas de sinais opostos e estão paralelas entre si, os campos gerados por cada uma, na região entre elas, se somam construtivamente e mantêm-se sempre perpendiculares (normais) às placas — apontando da placa positiva para a negativa. Isso descarta a alternativa A (tangente estaria totalmente errada em direção) e a C (o campo entre as placas não é nulo; é nulo apenas no interior do material condutor de cada placa, mas não no espaço vazio entre elas, que é justamente a razão de existir de um capacitor).

A alternativa D introduz um campo magnético estático que, para cargas em repouso (distribuição estática, sem corrente), simplesmente não existe — não há campo magnético gerado por cargas estáticas, apenas por cargas em movimento (correntes).

Logo, o campo elétrico entre as placas tem direção normal (perpendicular) às placas — alternativa B.

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