O choque elétrico caracteriza-se pela passagem da corrente elétrica através do corpo (animal ou humano), podendo apresentar vários efeitos, conforme a região atravessada pela referida corrente. O quadro, a seguir, indica a intensidade da corrente e o respectivo efeito causado no organismo:
1 a 10 mA: "formigamento"
10 a 20 mA: sensações dolorosas
20 a 100 mA: dificuldades respiratórias
100 a 200 mA: fibrilação cardíaca
Acima de 200 mA: graves queimaduras e parada cardíaca
Uma pessoa com a pele seca apresenta uma resistência de 100.000 Ω. Com o corpo molhado, essa resistência diminui para cerca de 1.000 Ω. Considerando que uma pessoa, ao sair do banheiro, molhada, sofra um choque em uma tomada de 220 V, é correto afirmar que ela estará submetida ao efeito correspondente a
Com o corpo molhado, a resistência entre os pontos de contato é $R=1\,000\ \Omega$. Aplicando a Lei de Ohm para a tensão da tomada, $V=220\text{ V}$, a corrente que atravessa o corpo é:
$i=\dfrac{V}{R}=\dfrac{220}{1\,000}=0{,}22\text{ A}=220\text{ mA}$
Consultando o quadro, uma corrente de $220\text{ mA}$ está acima de $200\text{ mA}$, faixa associada a graves queimaduras e parada cardíaca — alternativa B.
A panela de pressão é um utensílio muito utilizado no intuito de diminuir o tempo de cozimento dos alimentos, pois o aumento da pressão interna permite a elevação do ponto de ebulição da água, mantendo-a em estado líquido a temperaturas maiores. A pressão atmosférica varia com a altitude e exerce influência sobre o ponto de ebulição da água. De modo simplificado e dentro de certos limites, o ponto de ebulição pode ser representado por uma função crescente da pressão. Considerando sua finalidade, como descrita no início deste enunciado, a panela de pressão proporcionaria um cozimento mais eficiente, se comparado ao uso de panela comum,
Em uma panela comum (aberta), a água ferve à temperatura correspondente à pressão atmosférica local — que é o fator limitante do cozimento. Como o ponto de ebulição é função crescente da pressão, quanto menor a pressão atmosférica, menor a temperatura de ebulição da água em uma panela aberta, e mais lento (menos eficiente) é o cozimento nessas condições.
No alto de uma montanha, a pressão atmosférica é menor que ao nível do mar, de modo que a água ferve a uma temperatura mais baixa em uma panela comum, tornando o cozimento muito mais demorado. A panela de pressão eleva a pressão interna muito além da atmosférica local (por meio de sua válvula selada), elevando o ponto de ebulição de forma praticamente independente da altitude. Assim, é justamente no alto da montanha — onde a panela comum é mais prejudicada pela baixa pressão atmosférica — que o ganho relativo de eficiência proporcionado pela panela de pressão é maior — alternativa C.
Os carros mais modernos dispõem de câmeras integradas, cuja função é auxiliar o motorista em manobras. No entanto, o espelho continua sendo um recurso de grande utilidade. Nos veículos de grande porte, os retrovisores costumam possuir, além do espelho plano, um espelho convexo. Este espelho curvo tem como característica
O espelho convexo é um espelho esférico com a superfície refletora voltada para fora (divergente). Para qualquer objeto real posicionado à sua frente, os raios refletidos divergem, de modo que o prolongamento desses raios (não os raios reais) é que se encontra atrás do espelho, formando sempre uma imagem virtual, direita (não invertida) e reduzida em relação ao objeto — é exatamente por reduzir a imagem e ampliar o campo de visão que ele é útil como retrovisor.
Logo, a característica correta é: para objetos reais, o espelho convexo sempre forma imagens virtuais — alternativa B. As demais estão erradas: a imagem é sempre menor (não maior, opção A), nunca real para objeto real (opção C), e o espelho convexo é divergente, não convergindo os raios refletidos para um foco real (opção D).
Uma lupa é um instrumento óptico bastante usual para facilitar a visualização de objetos pequenos. Considere que um usuário utiliza uma lupa bem próxima ao seu olho para ver um ponto de um objeto. Este ponto observado está no eixo principal da lente da lupa. Para maior conforto visual, deseja-se que os raios de luz oriundos desse ponto cheguem ao olho paralelos ao eixo principal. Para isso, a lente deve ser
A lupa é uma lente convergente que forma, para objetos posicionados entre o foco e a lente, uma imagem virtual, direita e ampliada — é assim que ela funciona como lente de aumento. Somente uma lente convergente é capaz de fazer com que raios originários de um ponto do eixo principal, situado exatamente no foco objeto, emirjam da lente paralelos entre si (é a propriedade recíproca da definição de foco: todo raio que parte do foco de uma lente convergente sai paralelo ao eixo principal após a refração).
Uma lente divergente jamais produz feixe de raios paralelos a partir de uma fonte pontual real, pois seus raios refratados sempre divergem. Logo, a lente deve ser convergente, com o ponto do objeto exatamente sobre o foco — alternativa A.
O litoral nordeste do Brasil foi recentemente poluído por petróleo. Atente para as seguintes hipóteses sobre a origem do poluente: (i) derramamento de petróleo na superfície da água, oriundo de vazamento em navio petroleiro; (ii) o material ter-se originado de vazamento em oleoduto submarino. Considerando essas hipóteses, é correto afirmar que
O fato de um material flutuar em um fluido é determinado pelo Princípio de Arquimedes: um corpo (ou porção de líquido imiscível) flutua na superfície de outro fluido se, e somente se, sua densidade for menor que a densidade do fluido em que está imerso — isso é uma propriedade física intrínseca ao poluente e ao meio, e não depende de como (ou de onde) o material chegou até a água.
Assim, tanto no derramamento superficial (hipótese i) quanto no vazamento submarino (hipótese ii), o petróleo — cuja densidade é, de fato, menor que a da água do mar — subiria até a superfície e flutuaria, ainda que no caso (ii) ele precise primeiro ascender pela coluna d'água. A origem do vazamento (superfície ou fundo) não altera esse critério, que depende exclusivamente da comparação de densidades — alternativa A.
Dois blocos de materiais diferentes (ferro e concreto) e de mesma massa foram utilizados como amostras de um teste experimental. Os mesmos foram aquecidos, a partir da temperatura ambiente, por fontes térmicas idênticas, que transmitiram a mesma quantidade de calor aos blocos. Desconsiderando eventuais mudanças de estado, observou-se que o bloco de ferro sofreu maior variação de temperatura. Com relação às propriedades térmicas dos materiais em pauta, tal fenômeno é explicado pelo fato de o bloco de ferro apresentar
A equação fundamental da calorimetria relaciona calor, massa, calor específico e variação de temperatura: $Q=mc\Delta T\Rightarrow\Delta T=\dfrac{Q}{mc}$.
Como os dois blocos têm a mesma massa $m$ e receberam a mesma quantidade de calor $Q$, o valor de $\Delta T$ é inversamente proporcional ao calor específico $c$ de cada material. Como o bloco de ferro sofreu maior variação de temperatura ($\Delta T_{ferro}>\Delta T_{concreto}$), conclui-se que $c_{ferro}
Construções civis chamadas de barragens foram temas bastante explorados nos noticiários dos últimos meses. De modo simplificado, trata-se de uma parede vertical que serve para impedir a passagem ou saída de um fluido de uma dada região. Tem-se como exemplos os açudes ou as barragens de contenção de resíduos lamacentos de mineração. Considerando a face da parede de uma barragem que esteja submetida à pressão hidrostática do fluido que ela represa, é correto afirmar que essa pressão
A pressão hidrostática exercida por um fluido em repouso, a uma profundidade $h$ abaixo da superfície livre, é dada pela Lei de Stevin: $p=p_0+\rho g h$, onde $p_0$ é a pressão na superfície (geralmente a atmosférica), $\rho$ é a densidade do fluido, $g$ é a aceleração da gravidade e $h$ é a profundidade.
Dessa expressão, fica claro que a pressão hidrostática é diretamente proporcional à profundidade $h$ (para um mesmo fluido) — ou seja, quanto mais fundo o ponto na parede da barragem, maior a pressão que o fluido exerce sobre ela. Isso descarta as opções A e D (que afirmam independência da profundidade) e a B (que afirma independência da densidade, quando na verdade $p$ depende sim de $\rho$) — alternativa C.
Considere um navio petroleiro parado em alto mar. Desprezando os movimentos de ondas e forças de arrasto do vento, caso o navio esteja em equilíbrio estático, é correto afirmar que é
Um corpo em equilíbrio estático, por definição, está em repouso e permanece em repouso — logo, pela primeira Lei de Newton, a força resultante que atua sobre ele deve ser nula.
Desprezando ondas e arrasto do vento, as únicas forças relevantes atuando sobre o navio flutuando em alto mar são o peso $\vec{P}$ (vertical, para baixo) e o empuxo $\vec{E}$ exercido pela água (vertical, para cima). Para que o navio permaneça em equilíbrio estático, a soma vetorial dessas duas forças deve ser nula: $\vec{P}+\vec{E}=\vec{0}$, ou seja, $E=P$ em módulo, com sentidos opostos — alternativa A.