Um prisma decompõe luz branca incidente em luz monocromática dentro do espectro visível. Este fato ocorre devido ao fenômeno denominado
O índice de refração de um material transparente, como o vidro do prisma, depende do comprimento de onda da luz que o atravessa (fenômeno chamado dispersão cromática): cada cor (comprimento de onda) da luz branca sofre um desvio angular diferente ao refratar-se nas faces do prisma, pois a velocidade de propagação da luz dentro do material varia ligeiramente com a frequência.
Como o violeta refrata-se mais que o vermelho (maior índice de refração para menores comprimentos de onda), o feixe de luz branca, ao atravessar o prisma, se decompõe em um leque de cores — o espectro visível — devido a essa refração dependente do comprimento de onda — alternativa C.
O trem bala Maglev opera entre Tóquio e Osaka, podendo atingir a notável marca de 500 km/h. Considerando a situação em que ele parte do repouso de uma estação A para uma estação B, numa trajetória retilínea, com aceleração escalar constante de 10 m/s², fazendo o referido percurso com uma velocidade média de 216 km/h, é correto dizer que a distância, em metros, entre as estações é igual a
A velocidade média é $216\text{ km/h}=60\text{ m/s}$. Como o trem parte do repouso ($v_0=0$) e mantém aceleração constante durante todo o percurso retilíneo entre A e B, o movimento é uniformemente acelerado, e a velocidade média de um MUV a partir do repouso é a média aritmética entre a velocidade inicial e a final: $v_{méd}=\dfrac{v_0+v_f}{2}=\dfrac{v_f}{2}$.
Logo, $v_f=2\times v_{méd}=2\times60=120\text{ m/s}$.
O tempo de percurso é obtido de $v_f=v_0+at\Rightarrow t=\dfrac{v_f}{a}=\dfrac{120}{10}=12\text{ s}$.
A distância percorrida é $d=v_{méd}\times t=60\times12=720\text{ m}$ — alternativa D.
No dia 11 de maio de 2021, foi realizado o último teste do Telescópio Espacial Webb, cujo lançamento está marcado para o dia 31 de outubro deste ano. Este instrumento exercerá uma atividade complementar à do telescópio Hubble. Permitirá uma maior captação de fótons, uma vez que apresenta um espelho segmentado com área cerca de 7,3 vezes maior que a do Hubble e formará imagens na região do espectro do infravermelho entre os comprimentos de onda de 0,7 µm e 28 µm. Considere quatro galáxias hipotéticas muito distantes identificadas como G1, G2, G3 e G4, cujas emissões atingem o Webb, nas frequências apresentadas no quadro abaixo.
G1: 3,6 · 10¹⁴ Hz G2: 5,6 · 10¹⁴ Hz G3: 6,4 · 10¹⁴ Hz G4: 7,2 · 10¹⁴ Hz
Admitindo-se que as radiações emitidas pelas referidas galáxias se propaguem com velocidade de $3\cdot10^8$ m/s, é correto concluir que a galáxia que poderá ser vista pelo Telescópio Espacial Webb é a
Usando $v=\lambda f\Rightarrow f=v/\lambda$, convertemos os limites do intervalo de comprimento de onda detectável ($0{,}7\ \mu\text{m}$ a $28\ \mu\text{m}$) para frequência:
$f_{máx}=\dfrac{3\times10^8}{0{,}7\times10^{-6}}\approx4{,}29\times10^{14}\text{ Hz}$ (correspondente a $\lambda=0{,}7\ \mu\text{m}$)
$f_{mín}=\dfrac{3\times10^8}{28\times10^{-6}}\approx1{,}07\times10^{13}\text{ Hz}$ (correspondente a $\lambda=28\ \mu\text{m}$)
Assim, o Webb detecta frequências entre aproximadamente $0{,}107\times10^{14}$ Hz e $4{,}29\times10^{14}$ Hz. Comparando com as frequências das galáxias: $G1=3{,}6\times10^{14}$ Hz está dentro desse intervalo; já $G2=5{,}6$, $G3=6{,}4$ e $G4=7{,}2$ (todos $\times10^{14}$ Hz) estão acima do limite máximo detectável, correspondendo a comprimentos de onda menores que $0{,}7\ \mu\text{m}$ (fora da faixa infravermelha do instrumento).
Portanto, apenas a galáxia G1 pode ser vista pelo Telescópio Espacial Webb — alternativa B.
Um pêndulo simples de comprimento L e massa m está preso a um suporte fixo e é posto para oscilar livremente em um local onde a aceleração da gravidade é constante e igual a g. Abandonando-se o pêndulo com o fio a partir de uma posição horizontal, a tração no fio quando a massa passar pelo ponto mais baixo da trajetória será igual a
Partindo da posição horizontal (fio na horizontal) em repouso, a massa cai uma altura igual ao próprio comprimento do fio, $h=L$, até atingir o ponto mais baixo da trajetória.
Pela conservação da energia mecânica (desprezando o atrito com o ar): $mgh=\dfrac12mv^2\Rightarrow v^2=2gh=2gL$.
No ponto mais baixo, a resultante centrípeta é fornecida pela diferença entre a tração $T$ (para cima, em direção ao centro) e o peso $mg$ (para baixo): $T-mg=\dfrac{mv^2}{L}=\dfrac{m(2gL)}{L}=2mg$.
Logo, $T=mg+2mg=3mg$ — alternativa A.
Além da elevação do nível dos oceanos, o derretimento do gelo no Ártico tem como consequência a liberação de gás metano preso no gelo. Lançado na atmosfera, este gás potencializa o efeito estufa e favorece o aquecimento global. Imagine que uma bolha de 10 cm³ deste gás se forme no fundo de um lago onde a temperatura é –23 °C e a pressão é de 5 atm. Considerando o metano como um gás ideal, é correto dizer que o volume da bolha, em cm³, quando ela estiver ligeiramente abaixo da superfície onde a temperatura for de –13 °C e a pressão de 1 atm será igual a
Convertendo as temperaturas para Kelvin: $T_1=-23+273=250\text{ K}$ e $T_2=-13+273=260\text{ K}$.
Aplicando a equação geral dos gases ideais entre o estado inicial (fundo do lago) e o final (próximo à superfície), com quantidade de gás constante: $\dfrac{P_1V_1}{T_1}=\dfrac{P_2V_2}{T_2}$.
Isolando $V_2$: $V_2=V_1\cdot\dfrac{P_1}{P_2}\cdot\dfrac{T_2}{T_1}=10\times\dfrac{5}{1}\times\dfrac{260}{250}=10\times5\times1{,}04=52\text{ cm}^3$.
Portanto, o volume final da bolha é $52\text{ cm}^3$ — alternativa C.
O LED (light emitter diode ou diodo emissor de luz) é um componente eletrônico semicondutor muito utilizado em equipamentos. O LED funciona a partir da passagem de uma corrente elétrica oriunda de uma tensão aplicada aos seus terminais. Para tanto, essa tensão e, consequentemente a intensidade de corrente, devem ser limitadas para que o componente não seja danificado. Tal controle pode ser realizado pela presença de resistores no circuito elétrico. Suponha que a corrente máxima suportada pelo LED seja de 20 mA quando submetido a uma tensão máxima de 4 V. Assim, o valor mínimo da resistência de um resistor ligado em série com o LED para que esse não seja danificado quando o circuito for alimentado por uma fonte de 12 V é igual a
No limite de operação segura, a corrente no circuito série (fonte–resistor–LED) é a máxima suportada pelo LED, $I=20\text{ mA}=0{,}02\text{ A}$, e a tensão sobre o LED é a máxima que ele suporta, $V_{LED}=4\text{ V}$.
Como a fonte fornece $12\text{ V}$ e o circuito é série, a soma das quedas de tensão deve ser igual à tensão da fonte: $V_{fonte}=V_{LED}+V_R\Rightarrow V_R=12-4=8\text{ V}$.
Pela Lei de Ohm, o valor mínimo de resistência que garante que a corrente não ultrapasse $20\text{ mA}$ é $R=\dfrac{V_R}{I}=\dfrac{8}{0{,}02}=400\ \Omega$ — alternativa A.
Um turista situado entre duas colinas resolve utilizar seus conhecimentos de acústica para estimar a distância entre elas. Ao emitir um grito ele percebe dois ecos, o primeiro recebido em 1,5 s e o segundo em 2,5 s. Sabendo que a velocidade do som no ar é 340 m/s, o valor que fornece a distância entre as colinas, considerando que o turista e as colinas estejam alinhados, é
Como o turista está alinhado entre as duas colinas, o som do grito viaja em sentidos opostos, reflete em cada colina e retorna. O primeiro eco, mais rápido, vem da colina mais próxima; o segundo, da colina mais distante.
Distância à colina mais próxima: o som percorre ida e volta em $1{,}5\text{ s}$, logo $d_1=\dfrac{v\,t_1}{2}=\dfrac{340\times1{,}5}{2}=255\text{ m}$.
Distância à colina mais distante: o som percorre ida e volta em $2{,}5\text{ s}$, logo $d_2=\dfrac{v\,t_2}{2}=\dfrac{340\times2{,}5}{2}=425\text{ m}$.
A distância entre as duas colinas é a soma das distâncias do turista a cada uma delas (já que ele está entre elas, alinhado): $d=d_1+d_2=255+425=680\text{ m}$ — alternativa C.
O sangue movendo-se através dos vasos pode ser considerado um fluido real. Dependendo de fatores como velocidade e temperatura, por exemplo, tal fluido poderá apresentar um deslocamento turbulento. Essa análise da turbulência é feita a partir do número de Reynolds, $Re$, escrito por $Re=\dfrac{\bar v D\rho}{\eta}$, onde $\bar v$ é a velocidade média do fluido, $D$ o diâmetro do tubo, $\rho$ a densidade do fluido e $\eta$ a viscosidade deste. Sabendo que $Re$ se trata de uma grandeza adimensional, a dimensão de $\eta$ no Sistema Internacional de Unidades – SI – é escrita por
Como $Re$ é adimensional, $[\eta]=[\bar v][D][\rho]$, ou seja, a dimensão de $\eta$ deve ser exatamente igual à do produto $\bar vD\rho$ (para que, ao dividir, tudo se cancele e reste um número puro).
Em unidades SI: $[\bar v]=\text{m/s}$, $[D]=\text{m}$, $[\rho]=\text{kg/m}^3$.
$[\bar v][D][\rho]=\dfrac{\text{m}}{\text{s}}\times\text{m}\times\dfrac{\text{kg}}{\text{m}^3}=\dfrac{\text{kg}\cdot\text{m}^2}{\text{s}\cdot\text{m}^3}=\dfrac{\text{kg}}{\text{m}\cdot\text{s}}$.
Logo, a dimensão de $\eta$ (viscosidade) no SI é $\text{kg}/(\text{m}\cdot\text{s})$ — alternativa A.
Um objeto de massa 20 kg desloca-se em linha reta com velocidade de 30 m/s ao longo de uma superfície horizontal sem atrito. A partir de certo momento, esse corpo sofre uma redução de velocidade devido à ação de uma força de atrito com o solo, cujo trabalho resistente foi 5000 J. A seguir, o objeto passa novamente para uma região sem atrito. Após a passagem pela região de atrito, a velocidade, em m/s, com que o objeto passará a se deslocar será igual a
Pelo teorema trabalho-energia cinética, o trabalho resultante sobre o objeto é igual à variação de sua energia cinética: $W=\Delta E_c=E_{c,f}-E_{c,i}$.
Energia cinética inicial: $E_{c,i}=\dfrac12mv_0^2=\dfrac12\times20\times30^2=\dfrac12\times20\times900=9000\text{ J}$.
O trabalho resistente do atrito é negativo: $W=-5000\text{ J}$. Logo, $E_{c,f}=E_{c,i}+W=9000-5000=4000\text{ J}$.
A velocidade final é obtida de $E_{c,f}=\dfrac12mv_f^2\Rightarrow v_f=\sqrt{\dfrac{2E_{c,f}}{m}}=\sqrt{\dfrac{2\times4000}{20}}=\sqrt{400}=20\text{ m/s}$ — alternativa B.
A lâmpada do Farol do Mucuripe, considerado o maior das Américas, realiza um movimento circular e uniforme dando uma volta completa a cada 10 s. Durante a noite, esse farol pode ser visto do mar a uma distância de 80 km. Considerando o facho giratório emitido pelo farol, a velocidade aproximada de um ponto que circula a essa distância de 80 km, com a mesma frequência do farol, adotando-se π ≅ 3, é
Um ponto que "acompanha" o facho giratório a uma distância $r=80\text{ km}$ do farol descreve, no mesmo intervalo de tempo do farol, uma circunferência de raio $r$, completando uma volta a cada período $T=10\text{ s}$.
A velocidade linear desse ponto é $v=\dfrac{2\pi r}{T}=\dfrac{2\times3\times80}{10}=\dfrac{480}{10}=48\text{ km/s}$ — alternativa D.
Um bloco em forma de paralelepípedo encontra-se sobre uma superfície plana de gelo abaixo de 0 ºC. Para arrastar o referido objeto, um trabalhador percebeu que essa tarefa poderia ser mais fácil se colocasse a face de menor área do objeto em contato com o gelo. A referida situação deve-se
Ao colocar a menor face em contato com o gelo, mantendo o mesmo peso do bloco, a área de contato diminui, o que aumenta a pressão exercida sobre o gelo naquela região ($P=F/A$, com $A$ menor).
A água é uma das poucas substâncias em que a fase sólida (gelo) é menos densa que a líquida — por isso o gelo flutua. Consequência do diagrama de fases da água: a curva de fusão tem inclinação negativa, de modo que um aumento de pressão diminui a temperatura de fusão do gelo (o gelo derrete mais facilmente sob maior pressão, mesmo sem mudança de temperatura ambiente).
Assim, ao aumentar a pressão de contato (usando a face menor), reduz-se localmente a temperatura de fusão do gelo, favorecendo o derretimento de uma finíssima camada na interface bloco-gelo, o que reduz o atrito e facilita o arraste do objeto — alternativa A.
Uma missão tripulada a Marte foi, por muito tempo, assunto de ficção científica. Com os avanços tecnológicos obtidos durante os séculos XX e XXI, a possibilidade de estabelecer colônia nesse planeta tem se mostrado promissora, pelo menos em um futuro próximo. Entre os diversos efeitos físicos e psicológicos a que uma missão tripulada estaria sujeita, pode-se destacar o que seria gerado pela permanência em um ambiente de baixa gravidade. Considerando que a massa da Terra é dez vezes maior do que a massa de Marte, que o raio da Terra corresponde ao dobro do raio de Marte e que os dois planetas apresentam densidade uniforme, assinale a opção que apresenta corretamente a razão entre as acelerações da gravidade da Terra e de Marte.
A aceleração da gravidade na superfície de um planeta é $g=\dfrac{GM}{R^2}$.
Assim, $\dfrac{g_{Terra}}{g_{Marte}}=\dfrac{M_{Terra}/R_{Terra}^2}{M_{Marte}/R_{Marte}^2}=\dfrac{M_{Terra}}{M_{Marte}}\times\left(\dfrac{R_{Marte}}{R_{Terra}}\right)^2$.
Com $M_{Terra}=10\,M_{Marte}$ e $R_{Terra}=2\,R_{Marte}$: $\dfrac{g_{Terra}}{g_{Marte}}=10\times\left(\dfrac{1}{2}\right)^2=10\times\dfrac14=\dfrac{10}{4}=\dfrac52$ — alternativa B.
O combate à Covid-19 na região Amazônica exige uma logística complexa por parte das autoridades. Muitas pessoas residem em comunidades ribeirinhas, fazendo com que as vacinas só cheguem a esses locais de barco. Um destes barcos gasta 8 horas para subir e 4 horas para descer um mesmo trecho do rio Amazonas. Suponha que o barco seja capaz de manter uma velocidade constante, em módulo, em relação à água. Em virtude de uma falha mecânica, o barco fica à deriva com os motores desligados, descendo novamente todo o trecho do rio. Dessa forma, o tempo gasto, em horas, para o barco perfazer o mesmo percurso sob ação exclusiva da correnteza é igual a
Sejam $v_b$ a velocidade do barco em relação à água e $v_c$ a velocidade da correnteza, e $d$ a distância percorrida no trecho.
Subindo (contra a correnteza): $d=(v_b-v_c)\times8$. Descendo (a favor da correnteza): $d=(v_b+v_c)\times4$.
Igualando: $8(v_b-v_c)=4(v_b+v_c)\Rightarrow2(v_b-v_c)=v_b+v_c\Rightarrow2v_b-2v_c=v_b+v_c\Rightarrow v_b=3v_c$.
Substituindo em $d=(v_b+v_c)\times4=(3v_c+v_c)\times4=16v_c$.
À deriva (apenas com a correnteza, $v=v_c$), o tempo para percorrer o mesmo trecho é $t=\dfrac{d}{v_c}=\dfrac{16v_c}{v_c}=16\text{ h}$ — alternativa B.
Ao montar um aparato ótico, um estudante fez uso de uma lente delgada convergente de distância focal de 24 cm e uma tela de projeções. Ao posicionar um objeto puntiforme a uma distância de 100 cm da tela, deslocando a lente entre o objeto e essa tela, constatou a formação de uma imagem nítida sobre ela para duas posições da lente, o que o levou a concluir que o módulo da distância, em cm, entre essas duas posições é igual a
Este é o clássico método de Bessel (ou "método das duas posições") para determinar a distância focal de uma lente convergente: mantendo fixas as posições do objeto e da tela, separadas por uma distância total $D$, existem duas posições da lente entre elas que produzem imagem nítida na tela, desde que $D>4f$.
A separação $d$ entre essas duas posições da lente relaciona-se com $D$ e $f$ pela fórmula: $d=\sqrt{D(D-4f)}$.
Substituindo $D=100\text{ cm}$ e $f=24\text{ cm}$: $d=\sqrt{100\times(100-4\times24)}=\sqrt{100\times(100-96)}=\sqrt{100\times4}=\sqrt{400}=20\text{ cm}$ — alternativa D.
Uma maneira de simular o efeito do impacto de um projétil sobre o tecido muscular humano é através do uso de um dispositivo conhecido como gelatina balística que, por sua capacidade de simular a densidade e a viscosidade dos tecidos humanos, é bastante utilizado pela polícia forense em investigações criminais. Imagine que um bloco de 10 kg dessa gelatina, que repousa sobre uma superfície horizontal, é atingido por um projétil de 20 g que viaja a 500 m/s. Este projétil emerge da gelatina com uma velocidade de 100 m/s fazendo com que a mesma se desloque 0,10 m sobre a superfície horizontal até parar. Adotando-se g=10 m/s², é correto afirmar que o coeficiente de atrito entre o bloco e a superfície é
Etapa 1 — Colisão (conservação da quantidade de movimento): durante a curtíssima passagem do projétil pela gelatina, o sistema projétil+bloco está isolado horizontalmente (o atrito externo atua num intervalo de tempo desprezível comparado ao da colisão).
$m_{proj}\,v_{0}=m_{proj}\,v_{f}+M_{bloco}\,v_{bloco}$
$0{,}020\times500=0{,}020\times100+10\times v_{bloco}$
$10=2+10\,v_{bloco}\Rightarrow v_{bloco}=0{,}8\text{ m/s}$.
Etapa 2 — Desaceleração do bloco pelo atrito: após a colisão, o bloco desliza $d=0{,}10\text{ m}$ até parar, freado unicamente pelo atrito com a superfície. Usando Torricelli: $v_{bloco}^2=2\mu g\,d$.
$\mu=\dfrac{v_{bloco}^2}{2gd}=\dfrac{0{,}8^2}{2\times10\times0{,}10}=\dfrac{0{,}64}{2}=0{,}32$ — alternativa D.
Dois líquidos miscíveis têm, respectivamente, densidades de 0,6 g/cm³ e 0,9 g/cm³. Sabendo-se que os líquidos podem ser misturados de modo a formar uma mistura homogênea, é correto concluir que a densidade de uma mistura, em g/cm³, obtida a partir da junção de massas iguais dos líquidos é
Sejam $m$ a massa igual de cada um dos líquidos misturados. Os volumes individuais são $V_1=\dfrac{m}{\rho_1}=\dfrac{m}{0{,}6}$ e $V_2=\dfrac{m}{\rho_2}=\dfrac{m}{0{,}9}$.
A massa total da mistura é $2m$, e o volume total (assumindo aditividade de volumes na mistura) é $V=V_1+V_2=m\left(\dfrac{1}{0{,}6}+\dfrac{1}{0{,}9}\right)=m(1{,}6667+1{,}1111)=2{,}7778\,m$.
A densidade da mistura é $\rho_{mist}=\dfrac{2m}{2{,}7778\,m}=\dfrac{2}{2{,}7778}\approx0{,}72\text{ g/cm}^3$ — alternativa C.
Um fio cilíndrico de 2 m de comprimento e 2 mm de diâmetro, quando submetido a uma tensão constante, dissipa uma potência de 200 W. Considerando a resistividade invariante, é correto dizer que a potência dissipada, em watts, por um segundo fio de mesmo material, que apresenta mesmo comprimento e metade do diâmetro do primeiro, quando submetido ao dobro da voltagem é igual a
A resistência de um fio é $R=\rho\dfrac{L}{A}$, onde $A=\dfrac{\pi d^2}{4}$ é a área da seção transversal. Como o segundo fio tem metade do diâmetro do primeiro, sua área é $A_2=\dfrac{\pi(d/2)^2}{4}=\dfrac14A_1$, logo $R_2=\rho\dfrac{L}{A_2}=4\,\rho\dfrac{L}{A_1}=4R_1$ (resistência quadruplicada).
A potência dissipada em um resistor é $P=\dfrac{V^2}{R}$. Para o segundo fio, a tensão é dobrada ($V_2=2V_1$) e a resistência é quadruplicada ($R_2=4R_1$):
$P_2=\dfrac{V_2^2}{R_2}=\dfrac{(2V_1)^2}{4R_1}=\dfrac{4V_1^2}{4R_1}=\dfrac{V_1^2}{R_1}=P_1$.
Como $P_1=200\text{ W}$, conclui-se que $P_2=200\text{ W}$ também — os efeitos do dobro da tensão e do quádruplo da resistência se cancelam exatamente — alternativa B.
A temperatura de conservação indicada pelos fabricantes de vacina é um fator fundamental para a manutenção da qualidade do produto. A vacina AstraZeneca, por exemplo, requer uma temperatura de conservação que esteja entre 2 ºC e 8 ºC. Um termômetro graduado na escala Fahrenheit foi utilizado para aferir a temperatura de doses dessa vacina acondicionadas em quatro caixas térmicas numeradas 1, 2, 3 e 4, medindo respectivamente os valores de 37,4 ºF, 44,6 ºF, 41 ºF e 51,8 ºF. Assinale a opção que corresponde à caixa cujas doses da vacina NÃO estão mantidas à temperatura adequada.
Convertendo cada temperatura com $C=\dfrac59(F-32)$:
Caixa 1: $C=\dfrac59(37{,}4-32)=\dfrac59\times5{,}4=3{,}0°\text{C}$ — dentro de 2–8 °C.
Caixa 2: $C=\dfrac59(44{,}6-32)=\dfrac59\times12{,}6=7{,}0°\text{C}$ — dentro de 2–8 °C.
Caixa 3: $C=\dfrac59(41-32)=\dfrac59\times9=5{,}0°\text{C}$ — dentro de 2–8 °C.
Caixa 4: $C=\dfrac59(51{,}8-32)=\dfrac59\times19{,}8=11{,}0°\text{C}$ — fora do intervalo de 2–8 °C (acima do limite).
Portanto, a caixa cujas doses não estão à temperatura adequada é a caixa 4 — alternativa A.
Um fio retilíneo é atravessado por uma corrente constante. Considerando a ocorrência em que um próton é lançado paralelamente ao fio e no mesmo sentido da corrente, no que diz respeito a sua trajetória, é correto dizer que esse próton
Um fio retilíneo percorrido por corrente $I$ gera, ao seu redor, um campo magnético $\vec B$ com linhas de campo circulares, concêntricas ao fio, cujo sentido é dado pela regra da mão direita (polegar no sentido da corrente, dedos indicando o sentido de $\vec B$).
Adotando o fio ao longo do eixo $z$ (corrente no sentido $+z$) e o próton inicialmente na posição $(x,0,0)$ com $x>0$, o campo magnético nesse ponto aponta no sentido $+y$ (tangente à circunferência, perpendicular ao raio). O próton se move paralelamente ao fio e no mesmo sentido da corrente, ou seja, $\vec v=v\hat z$.
A força magnética é $\vec F=q\vec v\times\vec B=q(v\hat z)\times(B\hat y)=qvB(\hat z\times\hat y)=-qvB\,\hat x$. Como $q>0$ (próton) e o próton está em $x>0$, a força aponta no sentido $-\hat x$, ou seja, em direção ao fio.
Esse resultado é consistente com o fato conhecido de que dois condutores paralelos percorridos por correntes de mesmo sentido se atraem: uma carga positiva movendo-se paralelamente e no mesmo sentido da corrente do fio sofre uma força atrativa, aproximando-se dele — alternativa C.
A qualidade do som percebida numa sala de concerto está relacionada à intensidade e à relação entre os sons que chegam aos ouvintes de forma direta e indireta, a partir da reflexão nas paredes. Um som pode ser considerado acusticamente agradável quando a diferença entre sua percepção direta e indireta possibilita uma sensação de continuidade. Esse fenômeno acústico é denominado de
Quando o som direto (que chega diretamente da fonte ao ouvinte) se soma às múltiplas reflexões sucessivas nas paredes, teto e piso da sala (som indireto), o ouvido percebe uma persistência do som mesmo após a fonte ter cessado de emitir — esse prolongamento perceptivo é chamado de reverberação.
Uma reverberação bem calibrada (nem excessiva, que causaria embaralhamento sonoro, nem insuficiente, que tornaria o som "seco") é o que confere a sensação de continuidade e riqueza acústica em salas de concerto bem projetadas — alternativa C. (Isso se distingue do eco, que é a percepção de reflexões discretas e separadas no tempo, perceptíveis como repetições distintas do som original.)