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UFC 1998 · 2ª Etapa — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal do Ceará

Vestibular 1998 · 2ª Etapa · Física (Q01-Q08)

Q01
Óptica e Ondulatória — Óptica geométrica — Espelho plano e campo visual

A figura mostra uma sala quadrada, ABCD, de 12 m de lado, com uma parede de 6 m de comprimento, indo do ponto M (ponto médio de AB) até o ponto O (centro geométrico da sala). Um espelho plano deve ser colocado na parede DC, de modo que uma pessoa situada em P (ponto médio de AM), possa ver o máximo possível do trecho de parede MB. Determine a largura mínima do espelho, não importando sua altura.

Sala quadrada ABCD vista de cima, em quadriculado de 2 m; a parede vai de M, no meio de AB, até o centro O; P está no meio de AM

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

Largura mínima do espelho: $Q'B'=2{,}5\ \text{m}$

Resolução

A pessoa em $P$ vê, pelo espelho em $DC$, o que um observador na imagem $P'$ veria. A imagem $P'$ fica atrás de $DC$, à mesma distância de $DC$ que $P$ (12 m). O campo visual máximo no trecho $MB$ vai de $Q$ até $B$, e $Q$ é o ponto onde o raio que passa pela ponta $O$ da parede encontra $AB$. Isso define, em $DC$, a largura mínima $Q'B'$ do espelho.

Construção: imagem P' acima da sala, a projeção P'' sobre DC, os pontos Q' e B' sobre DC e os raios de P' passando por O e por B

Com o quadriculado de 2 m, $P$ está a 3 m de $A$ e $P'$ a 24 m de $AB$ (12 m de $P$ até $DC$ e mais 12 m). Por semelhança de triângulos retângulos, obtemos

$$P''Q'=2\ \text{m},\qquad P''B'=4{,}5\ \text{m},$$

então a largura mínima do espelho é

$$Q'B'=P''B'-P''Q'=4{,}5-2=2{,}5\ \text{m}.$$

Q02
Mecânica — Sistemas de partículas — Velocidade do centro de massa

Um conjunto de três partículas, todas de igual massa $m$, está situado na origem de um sistema de coordenadas $xy$. Em dado instante, uma delas é atirada na direção $x$, com velocidade constante, $V_x=9$ m/s, outra é atirada na direção $y$, com velocidade constante, $V_y=12$ m/s, ficando a terceira em repouso na origem. Determine o módulo da velocidade do centro de massa do conjunto.

Eixos x e y: a partícula 1 se move ao longo de x com 9 m/s, a partícula 2 ao longo de y com 12 m/s e a partícula 3 fica na origem

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

$V_{CM}=5\ \text{m/s}$

Resolução

As componentes da velocidade do centro de massa são

$$V_x(CM)=\dfrac{m_1v_{1x}+m_2v_{2x}+m_3v_{3x}}{m_1+m_2+m_3},\qquad V_y(CM)=\dfrac{m_1v_{1y}+m_2v_{2y}+m_3v_{3y}}{m_1+m_2+m_3}.$$

Com massas iguais, $v_{1x}=9$ m/s, $v_{2y}=12$ m/s e as demais componentes nulas:

$$V_x(CM)=\dfrac{9m}{3m}=3\ \text{m/s},\qquad V_y(CM)=\dfrac{12m}{3m}=4\ \text{m/s}.$$

O módulo é

$$V(CM)=\sqrt{3^2+4^2}=5\ \text{m/s}.$$

Q03
Óptica e Ondulatória — Interferência — Interferência construtiva com espelhos

Na figura abaixo, A e B representam dois espelhos planos, e F é uma fonte luminosa que emite luz de comprimento de onda $\lambda$. Determine o maior valor de $\lambda$ que possibilita uma interferência construtiva dos raios luminosos, $R_1$ e $R_2$, no ponto O.

Fonte F emite o raio R1 direto para O e o raio R2 que reflete nos espelhos A (horizontal, embaixo) e B (vertical, à direita) antes de chegar a O; a é o comprimento do trecho FO

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

$\lambda_{max}=2a$

Resolução

A condição de interferência construtiva em O é $\Delta d=m\lambda$, com $m$ inteiro e $\Delta d$ a diferença entre os caminhos dos dois raios. Pela figura, $\Delta d=2a$, então

$$2a=m\lambda\ \Rightarrow\ \lambda=\dfrac{2a}{m}.$$

O maior valor de $\lambda$ ocorre para $m=1$:

$$\lambda=2a.$$

Nota: não é preciso considerar as mudanças de fase na reflexão. Cada uma é de $\pi$ rad, e as duas somam $2\pi$ rad, o que deixa $R_2$ em fase com $R_1$.

Q04
Eletricidade — Potência e energia elétrica — Resistores em série e em paralelo no fogareiro

Um fogareiro elétrico é constituído de três resistores elétricos, todos de mesma resistência, $R$, que podem ser convenientemente associados, em paralelo ou em série. Em ambos os casos, a energia elétrica do fogareiro é fornecida por uma bateria de resistência interna desprezível, e de força eletromotriz, $\varepsilon$. Se os resistores, associados em paralelo, são capazes de fazer ferver uma dada quantidade de água, em 7 minutos, determine o tempo necessário para fazer ferver essa mesma quantidade de água, caso os resistores sejam associados em série.

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

$\Delta t_s=63\ \text{min}$

Resolução

A potência dissipada é $P=\varepsilon^2/R_{eq}$.

Em paralelo, $R_p=R/3$, então

$$P_p=\dfrac{\varepsilon^2}{R/3}=\dfrac{3\varepsilon^2}{R}.$$

Em série, $R_s=3R$, então

$$P_s=\dfrac{\varepsilon^2}{3R}.$$

O calor para ferver a mesma quantidade de água é o mesmo nos dois casos, $Q_p=Q_s$, ou seja, $P_p\,\Delta t_p=P_s\,\Delta t_s$:

$$\dfrac{3\varepsilon^2}{R}\Delta t_p=\dfrac{\varepsilon^2}{3R}\Delta t_s\ \Rightarrow\ \Delta t_s=9\,\Delta t_p=9\times7=63\ \text{min}.$$

Q05
Termologia — Gases ideais — Troca de gás com mesma pressão e temperatura

Um recipiente fechado contém 8 kg de oxigênio molecular em estado de equilíbrio termodinâmico. Se o oxigênio for trocado por nitrogênio molecular, qual deverá ser a massa deste último para que a pressão e a temperatura de equilíbrio no interior do recipiente continuem as mesmas de antes da troca?

Nota: a massa molar do oxigênio molecular é 32 g/mol, a do nitrogênio molecular, 28 g/mol, e os dois gases são considerados ideais.

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

$m_N=7\ \text{kg}$

Resolução

Para cada gás, $pV=nRT$. Como $p$, $V$ e $T$ são os mesmos, o número de mols é igual: $n_O=n_N$. Com $n=m/M$:

$$\dfrac{m_O}{M_O}=\dfrac{m_N}{M_N}\ \Rightarrow\ m_N=\dfrac{M_N}{M_O}\,m_O=\dfrac{28}{32}\times8=7\ \text{kg}.$$

Q06
Termologia — Calorimetria — Bala de chumbo que funde na colisão

Uma bala de chumbo, deslocando-se com velocidade $v$, colide com uma placa de aço e pára. Se a colisão é totalmente inelástica, e a placa de aço permanece à temperatura inicial, calcule o valor mínimo da velocidade $v$ para que a bala seja totalmente liquefeita.

Considere os dados: - $T_0=30\ {}^\circ\text{C}$ é a temperatura da bala e da placa, imediatamente antes da colisão; - $T=330\ {}^\circ\text{C}$ é a temperatura de fusão do chumbo; - $C=120\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$ é o calor específico do chumbo; - $Q=28\,800\ \text{J/kg}$ é o calor de fusão do chumbo.

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

$v=360\ \text{m/s}$

Resolução

Como a placa permanece à temperatura inicial, toda a energia cinética da bala vira calor na própria bala: primeiro aquece o chumbo de $30\ {}^\circ\text{C}$ a $330\ {}^\circ\text{C}$ e depois o funde.

$$\dfrac12mv^2=mC\,\Delta T+mQ\ \Rightarrow\ v^2=2\,(C\,\Delta T+Q).$$

Com $\Delta T=330-30=300\ {}^\circ\text{C}$:

$$v^2=2\,[120\times300+28\,800]=2\,[36\,000+28\,800]=129\,600\ \Rightarrow\ v=360\ \text{m/s}.$$

Q07
Eletricidade — Eletrostática — Energia no modelo de Bohr

No modelo de Bohr do átomo de hidrogênio, o elétron (carga elétrica $q=-e$) se move numa órbita circular, de raio $R$, em torno do próton (carga elétrica $Q=e$). Para um valor $R$, qualquer, calcule a razão entre a energia cinética, $E_c$, do elétron, e a energia potencial elétrica $U$, do átomo.

Nota: despreze a força de atração gravitacional entre o elétron e o próton.

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

$\left|\dfrac{E_c}{U}\right|=\dfrac12$ (com o sinal, $E_c/U=-\dfrac12$)

Resolução

A força de Coulomb faz o papel de resultante centrípeta:

$$\dfrac{m v^2}{R}=\dfrac{e^2}{4\pi\varepsilon_0R^2}\ \Rightarrow\ mv^2=\dfrac{e^2}{4\pi\varepsilon_0R}.$$

A energia cinética é

$$E_c=\dfrac12mv^2=\dfrac12\cdot\dfrac{e^2}{4\pi\varepsilon_0R}=\dfrac{e^2}{8\pi\varepsilon_0R}.$$

A energia potencial elétrica do átomo tem módulo

$$|U|=\dfrac{e^2}{4\pi\varepsilon_0R},$$

portanto

$$\dfrac{E_c}{|U|}=\dfrac12.$$

Nota: a solução oficial escreve $U$ positivo e dá a razão $1/2$. Como as cargas são de sinais opostos, $U$ é negativo e a razão com sinal é $E_c/U=-1/2$. O resultado em módulo coincide com o oficial.

Q08
Mecânica — Estática — Tábua articulada com mola

Uma tábua de massa desprezível e comprimento $L=3{,}0$ m é articulada em uma de suas extremidades, por meio de uma dobradiça, D. Sua outra extremidade está presa (a uma altura $y=0{,}3$ m acima da dobradiça) a uma mola ideal, de constante elástica $k=600$ N/m, (fig. a). Um menino, de peso $P=300$ N, partindo da dobradiça, caminha uma distância $x$, sobre a tábua, até a mesma adquirir o equilíbrio, em posição horizontal (fig. b). Suponha que a mola, ao se distender, manteve-se vertical. Determine o valor de $x$.

Figura a: tábua inclinada, articulada em D e presa à mola k, com y a altura da extremidade presa. Figura b: tábua horizontal com o menino a uma distância x de D e a mola vertical na outra extremidade

Resposta — UFC 1998 · 2ª Etapa

$x=1{,}8\ \text{m}$

Resolução

Na tábua horizontal atuam o peso $P$ do menino, a força $F_D$ da dobradiça e a força $F_M=ky$ da mola, esta ao esticar $y=0{,}3$ m.

Tábua horizontal de comprimento L, com a força F_D da dobradiça em D, o peso P a uma distância x de D e a força F_M da mola na outra extremidade

O equilíbrio de forças, $F_D+F_M-P=0$, não basta, pois $F_D$ é desconhecida. Usamos o torque em relação à dobradiça, em que $F_D$ não produz torque:

$$P\,x-F_M\,L=0\ \Rightarrow\ x=\dfrac{F_M\,L}{P}=\dfrac{k\,y\,L}{P}=\dfrac{600\times0{,}3\times3}{300}=1{,}8\ \text{m}.$$

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