Acervo ENEM · Método TEF

ENEM · 2012 · 1ª Aplicação · Regular — Questões de Física comentadas

1º dia · Caderno 1 Azul · 17 questões de Física e interdisciplinares · Gabarito oficial e resoluções comentadas.

Seleção de questões de Física e interdisciplinares cuja resolução usa conceitos físicos. Gabarito oficial e resolução comentada. Numeração do Caderno 1 Azul.

Q47
Hidrostática — Pressão — Pneus de trator

Um dos problemas ambientais vivenciados pela agricultura hoje em dia é a compactação do solo, devida ao intenso tráfego de máquinas cada vez mais pesadas, reduzindo a produtividade das culturas.

Uma das formas de prevenir o problema de compactação do solo é substituir os pneus dos tratores por pneus mais

A)

largos, reduzindo a pressão sobre o solo.

B)

estreitos, reduzindo a pressão sobre o solo.

C)

largos, aumentando a pressão sobre o solo.

D)

estreitos, aumentando a pressão sobre o solo.

E)

altos, reduzindo a pressão sobre o solo.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

A
Resolução comentada

A pressão exercida sobre o solo é a razão entre a força normal, que equilibra o peso do trator, e a área de contato dos pneus: $p=\dfrac{F}{A}$.

Com o mesmo peso, aumentar a área de contato diminui a pressão. Pneus mais largos distribuem o peso por uma área maior e compactam menos o solo. Pneus estreitos concentram a força e aumentam a pressão. A altura do pneu não altera a área de apoio.

Q50
Energia — Conversão de energia — Carrinho de corda

Os carrinhos de brinquedo podem ser de vários tipos. Dentre eles, há os movidos a corda, em que uma mola em seu interior é comprimida quando a criança puxa o carrinho para trás. Ao ser solto, o carrinho entra em movimento enquanto a mola volta à sua forma inicial.

O processo de conversão de energia que ocorre no carrinho descrito também é verificado em

A)

um dínamo.

B)

um freio de automóvel.

C)

um motor a combustão.

D)

uma usina hidroelétrica.

E)

uma atiradeira (estilingue).

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

E
Resolução comentada

No carrinho, a mola comprimida armazena energia potencial elástica. Ao se distender, ela converte essa energia em energia cinética do carrinho.

Um dínamo converte energia cinética em elétrica. O freio converte energia cinética em térmica. O motor a combustão converte energia química em térmica e depois em mecânica. A usina hidroelétrica converte energia potencial gravitacional da água em cinética e depois em elétrica. A atiradeira armazena energia elástica na borracha esticada e a converte em energia cinética da pedra, a mesma transformação do carrinho.

Q54
Ondulatória — Equação fundamental da ondulatória — Ondas na piscina

Em um dia de chuva muito forte, constatou-se uma goteira sobre o centro de uma piscina coberta, formando um padrão de ondas circulares. Nessa situação, observou-se que caíam duas gotas a cada segundo. A distância entre duas cristas consecutivas era de 25 cm e cada uma delas se aproximava da borda da piscina com velocidade de 1,0 m/s. Após algum tempo a chuva diminuiu e a goteira passou a cair uma vez por segundo.

Com a diminuição da chuva, a distância entre as cristas e a velocidade de propagação da onda se tornaram, respectivamente,

A)

maior que 25 cm e maior que 1,0 m/s.

B)

maior que 25 cm e igual a 1,0 m/s.

C)

menor que 25 cm e menor que 1,0 m/s.

D)

menor que 25 cm e igual a 1,0 m/s.

E)

igual a 25 cm e igual a 1,0 m/s.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

B
Resolução comentada

A velocidade de propagação de uma onda depende do meio e não da fonte. Como as ondas continuam na água da mesma piscina, a velocidade permanece igual a 1,0 m/s.

A frequência da onda é a da fonte, ou seja, a taxa de queda das gotas. Ela diminui de 2 Hz para 1 Hz. Pela equação fundamental da ondulatória, $v=\lambda f$, com $v$ constante, $\lambda=\dfrac{v}{f}$ aumenta quando $f$ diminui. Assim, a distância entre as cristas fica maior do que antes.

Q55
Mecânica — Estática — Dobradiças da porta

O mecanismo que permite articular uma porta (de um móvel ou de acesso) é a dobradiça. Normalmente, são necessárias duas ou mais dobradiças para que a porta seja fixada no móvel ou no portal, permanecendo em equilíbrio e podendo ser articulada com facilidade.

No plano, o diagrama vetorial das forças que as dobradiças exercem na porta está representado em

A)Alternativa A: Mecânica — Estática — Dobradiças da porta
B)Alternativa B: Mecânica — Estática — Dobradiças da porta
C)Alternativa C: Mecânica — Estática — Dobradiças da porta
D)Alternativa D: Mecânica — Estática — Dobradiças da porta
E)Alternativa E: Mecânica — Estática — Dobradiças da porta

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

D
Resolução comentada

A porta está em equilíbrio. A soma das forças sobre ela é nula: o peso, vertical para baixo e aplicado no centro de massa, é equilibrado pela soma das componentes verticais das forças das duas dobradiças, que apontam para cima.

A soma dos torques também é nula. Em relação à dobradiça de baixo, o peso, aplicado à direita da linha das dobradiças, tende a girar a porta de modo que seu topo se afaste do portal. A dobradiça de cima precisa então puxar a porta para o portal, com componente horizontal para a esquerda, e a de baixo a empurra para a direita, com componente horizontal oposta. As duas componentes horizontais formam um binário que anula o torque do peso. Resultam forças inclinadas: para cima e para a esquerda na dobradiça superior, para cima e para a direita na inferior.

Q60
Mecânica — Gráficos do MU e do MUV — Metrô entre estações

Para melhorar a mobilidade urbana na rede metroviária é necessário minimizar o tempo entre estações. Para isso a administração do metrô de uma grande cidade adotou o seguinte procedimento entre duas estações: a locomotiva parte do repouso com aceleração constante por um terço do tempo de percurso, mantém a velocidade constante por outro terço e reduz sua velocidade com desaceleração constante no trecho final, até parar.

Qual é o gráfico de posição (eixo vertical) em função do tempo (eixo horizontal) que representa o movimento desse trem?

A)Alternativa A: Mecânica — Gráficos do MU e do MUV — Metrô entre estações
B)Alternativa B: Mecânica — Gráficos do MU e do MUV — Metrô entre estações
C)Alternativa C: Mecânica — Gráficos do MU e do MUV — Metrô entre estações
D)Alternativa D: Mecânica — Gráficos do MU e do MUV — Metrô entre estações
E)Alternativa E: Mecânica — Gráficos do MU e do MUV — Metrô entre estações

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

C
Resolução comentada

No gráfico de posição em função do tempo, a inclinação da curva é a velocidade. Em cada terço do percurso:

No primeiro terço, a aceleração é constante e parte do repouso: a velocidade cresce de zero. A curva é um arco de parábola com concavidade para cima, que começa horizontal. No terço intermediário, a velocidade é constante: um segmento de reta, com a inclinação que a curva tinha no fim do primeiro trecho. No último terço, a desaceleração leva a velocidade a zero: um arco de parábola com concavidade para baixo, cuja inclinação diminui até se anular. Como o trem para ao chegar, a posição não decresce nem volta a crescer.

Q61
Energia — Potência e eficiência — Eficiência de lâmpadas

A eficiência das lâmpadas pode ser comparada utilizando a razão, considerada linear, entre a quantidade de luz produzida e o consumo. A quantidade de luz é medida pelo fluxo luminoso, cuja unidade é o lúmen (lm). O consumo está relacionado à potência elétrica da lâmpada que é medida em watt (W). Por exemplo, uma lâmpada incandescente de 40 W emite cerca de 600 lm, enquanto uma lâmpada fluorescente de 40 W emite cerca de 3 000 lm.

Disponível em: http://tecnologia.terra.com.br. Acesso em: 29 fev. 2012 (adaptado).

A eficiência de uma lâmpada incandescente de 40 W é

A)

maior que a de uma lâmpada fluorescente de 8 W, que produz menor quantidade de luz.

B)

maior que a de uma lâmpada fluorescente de 40 W, que produz menor quantidade de luz.

C)

menor que a de uma lâmpada fluorescente de 8 W, que produz a mesma quantidade de luz.

D)

menor que a de uma lâmpada fluorescente de 40 W, pois consome maior quantidade de energia.

E)

igual a de uma lâmpada fluorescente de 40 W, que consome a mesma quantidade de energia.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

C
Resolução comentada

A eficiência é a razão entre o fluxo luminoso e a potência. A incandescente de 40 W tem $\dfrac{600\text{ lm}}{40\text{ W}}=15\text{ lm/W}$. A fluorescente tem $\dfrac{3\,000\text{ lm}}{40\text{ W}}=75\text{ lm/W}$. A eficiência da incandescente é menor.

Como a razão é linear, a fluorescente de 8 W tem a mesma eficiência de 75 lm/W e emite $75\cdot8=600\text{ lm}$. Ela produz a mesma quantidade de luz que a incandescente de 40 W, com um quinto do consumo.

Q64
Óptica — Refração da luz — Pesca com lança

Alguns povos indígenas ainda preservam suas tradições realizando a pesca com lanças, demonstrando uma notável habilidade. Para fisgar um peixe em um lago com águas tranquilas o índio deve mirar abaixo da posição em que enxerga o peixe.

Ele deve proceder dessa forma porque os raios de luz

A)

refletidos pelo peixe não descrevem uma trajetória retilínea no interior da água.

B)

emitidos pelos olhos do índio desviam sua trajetória quando passam do ar para a água.

C)

espalhados pelo peixe são refletidos pela superfície da água.

D)

emitidos pelos olhos do índio são espalhados pela superfície da água.

E)

refletidos pelo peixe desviam sua trajetória quando passam da água para o ar.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

E
Resolução comentada

Vemos o peixe pela luz que ele espalha em direção ao olho do observador. Ao passar da água para o ar, esses raios sofrem refração: como o índice de refração da água é maior que o do ar, eles se afastam da normal.

O olho extrapola os raios que recebe em linha reta e vê o peixe em uma posição aparente mais próxima da superfície do que a real. Por isso o índio deve mirar abaixo do ponto em que enxerga o peixe. Os olhos não emitem luz, e a luz que o peixe espalha segue em linha reta em cada meio.

Q67
Hidrostática — Teorema de Stevin — Pressão na ducha

O manual que acompanha uma ducha higiênica informa que a pressão mínima da água para o seu funcionamento apropriado é de 20 kPa. A figura mostra a instalação hidráulica com a caixa d’água e o cano ao qual deve ser conectada a ducha.

Caixa d’água ligada por um cano a um ponto próximo ao piso; as alturas h1 a h5 são indicadas por setas verticais

O valor da pressão da água na ducha está associado à altura

A)

h1.

B)

h2.

C)

h3.

D)

h4.

E)

h5.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

C
Resolução comentada

Pelo teorema de Stevin, a pressão da água no ponto em que a ducha é conectada é $p=p_0+\rho\,g\,h$. Em termos da pressão manométrica, $p=\rho\,g\,h$, em que $h$ é a diferença de nível entre a superfície livre da água na caixa e esse ponto.

A pressão depende apenas dessa diferença de altura e não do comprimento do cano nem da forma da tubulação. A altura que vai da superfície da água, no topo, até o nível em que a ducha é conectada é a indicada por h3. As alturas h4 e h5 chegam ao nível do piso, abaixo da ducha. As alturas h1 e h2 partem de níveis abaixo da superfície livre.

Q71
Energia — Fontes de energia — Matriz energética

Suponha que você seja um consultor e foi contratado para assessorar a implantação de uma matriz energética em um pequeno país com as seguintes características: região plana, chuvosa e com ventos constantes, dispondo de poucos recursos hídricos e sem reservatórios de combustíveis fósseis.

De acordo com as características desse país, a matriz energética de menor impacto e risco ambientais é a baseada na energia

A)

dos biocombustíveis, pois tem menor impacto ambiental e maior disponibilidade.

B)

solar, pelo seu baixo custo e pelas características do país favoráveis à sua implantação.

C)

nuclear, por ter menor risco ambiental e ser adequada a locais com menor extensão territorial.

D)

hidráulica, devido ao relevo, à extensão territorial do país e aos recursos naturais disponíveis.

E)

eólica, pelas características do país e por não gerar gases do efeito estufa nem resíduos de operação.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

E
Resolução comentada

O país tem poucos recursos hídricos e relevo plano, o que inviabiliza a energia hidráulica, que depende de desnível e de grande volume de água. A região é chuvosa, o que reduz a incidência solar e prejudica a geração solar. Em escala nuclear, há o risco e o problema dos rejeitos radioativos.

Os ventos constantes são o recurso mais favorável: a energia cinética do vento move as pás das turbinas e é convertida em energia elétrica. O processo não emite gases do efeito estufa nem gera resíduos na operação. Os biocombustíveis exigem grandes áreas de cultivo e emitem gases na queima.

Q72
Mecânica — Velocidade média — Tempo de entrega

Uma empresa de transportes precisa efetuar a entrega de uma encomenda o mais breve possível. Para tanto, a equipe de logística analisa o trajeto desde a empresa até o local da entrega. Ela verifica que o trajeto apresenta dois trechos de distâncias diferentes e velocidades máximas permitidas diferentes. No primeiro trecho, a velocidade máxima permitida é de 80 km/h e a distância a ser percorrida é de 80 km. No segundo trecho, cujo comprimento vale 60 km, a velocidade máxima permitida é 120 km/h.

Supondo que as condições de trânsito sejam favoráveis para que o veículo da empresa ande continuamente na velocidade máxima permitida, qual será o tempo necessário, em horas, para a realização da entrega?

A)

0,7

B)

1,4

C)

1,5

D)

2,0

E)

3,0

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

C
Resolução comentada

Em cada trecho a velocidade é constante, então $\Delta t=\dfrac{\Delta s}{v}$.

Primeiro trecho: $\Delta t_1=\dfrac{80}{80}=1{,}0\text{ h}$. Segundo trecho: $\Delta t_2=\dfrac{60}{120}=0{,}5\text{ h}$. O tempo total é $\Delta t=1{,}0+0{,}5=1{,}5\text{ h}$.

Q73
Eletricidade — Circuitos elétricos — Interruptores paralelos

Para ligar ou desligar uma mesma lâmpada a partir de dois interruptores, conectam-se os interruptores para que a mudança de posição de um deles faça ligar ou desligar a lâmpada, não importando qual a posição do outro. Esta ligação é conhecida como interruptores paralelos. Este interruptor é uma chave de duas posições constituída por um polo e dois terminais, conforme mostrado nas figuras de um mesmo interruptor. Na Posição I a chave conecta o polo ao terminal superior, e na Posição II a chave o conecta ao terminal inferior.

Interruptor de duas posições: na Posição I o polo está ligado ao terminal superior; na Posição II, ao terminal inferior

O circuito que cumpre a finalidade de funcionamento descrita no texto é:

A)Alternativa A: Eletricidade — Circuitos elétricos — Interruptores paralelos
B)Alternativa B: Eletricidade — Circuitos elétricos — Interruptores paralelos
C)Alternativa C: Eletricidade — Circuitos elétricos — Interruptores paralelos
D)Alternativa D: Eletricidade — Circuitos elétricos — Interruptores paralelos
E)Alternativa E: Eletricidade — Circuitos elétricos — Interruptores paralelos

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

E
Resolução comentada

Para que a lâmpada acenda ou apague com a mudança de posição de qualquer um dos interruptores, o circuito precisa ter dois caminhos possíveis entre os polos, um por cima e outro por baixo, e cada chave deve escolher qual deles usar.

O polo do primeiro interruptor fica ligado à fonte. Os terminais superiores dos dois interruptores são ligados entre si, assim como os inferiores. O polo do segundo interruptor segue para a lâmpada, e ela é ligada ao outro fio da fonte. Se as duas chaves estão no mesmo lado, superior ou inferior, a corrente passa por esse caminho e a lâmpada acende. Se estão em lados opostos, o caminho se interrompe e ela apaga. Trocar a posição de qualquer uma das chaves inverte o estado da lâmpada. Nos demais circuitos, a ligação entre os terminais ou a posição da lâmpada não produz esse comportamento para as quatro combinações de posições das chaves.

Q74
Gravitação — Movimento aparente dos planetas — Trajetória de Marte

A característica que permite identificar um planeta no céu é o seu movimento relativo às estrelas fixas. Se observarmos a posição de um planeta por vários dias, verificaremos que sua posição em relação às estrelas fixas se modifica regularmente. A figura destaca o movimento de Marte observado em intervalos de 10 dias, registrado da Terra.

Mapa do céu com a trajetória de Marte em laço, observada a cada 10 dias, entre as coordenadas 155° e 130°

Projecto Física. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1980 (adaptado).

Qual a causa da forma da trajetória do planeta Marte registrada na figura?

A)

A maior velocidade orbital da Terra faz com que, em certas épocas, ela ultrapasse Marte.

B)

A presença de outras estrelas faz com que sua trajetória seja desviada por meio da atração gravitacional.

C)

A órbita de Marte, em torno do Sol, possui uma forma elíptica mais acentuada que a dos demais planetas.

D)

A atração gravitacional entre a Terra e Marte faz com que este planeta apresente uma órbita irregular em torno do Sol.

E)

A proximidade de Marte com Júpiter, em algumas épocas do ano, faz com que a atração gravitacional de Júpiter interfira em seu movimento.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

A
Resolução comentada

O laço é um efeito de perspectiva. Observamos Marte da Terra, que também está em movimento. A Terra, mais próxima do Sol, tem velocidade orbital maior e um período menor que o de Marte.

Em certa época do ano a Terra alcança e ultrapassa Marte em sua órbita. Nesse intervalo, a direção da linha de visada para Marte, em relação às estrelas fixas, inverte o sentido por um tempo, e depois volta ao sentido original. A órbita real de Marte ao redor do Sol é uma elipse pouco excêntrica, sem laços, e as forças de outros astros sobre ele são pequenas.

Q77
Hidrostática — Empuxo — Balança do supermercado

Um consumidor desconfia que a balança do supermercado não está aferindo corretamente a massa dos produtos. Ao chegar a casa resolve conferir se a balança estava descalibrada. Para isso, utiliza um recipiente provido de escala volumétrica, contendo 1,0 litro d’água. Ele coloca uma porção dos legumes que comprou dentro do recipiente e observa que a água atinge a marca de 1,5 litro e também que a porção não ficara totalmente submersa, com $\tfrac{1}{3}$ de seu volume fora d’água. Para concluir o teste, o consumidor, com ajuda da internet, verifica que a densidade dos legumes, em questão, é a metade da densidade da água, onde, $\rho_{\text{água}}=1\text{ g/cm}^3$. No supermercado a balança registrou a massa da porção de legumes igual a 0,500 kg (meio quilograma).

Considerando que o método adotado tenha boa precisão, o consumidor concluiu que a balança estava descalibrada e deveria ter registrado a massa da porção de legumes igual a

A)

0,073 kg.

B)

0,167 kg.

C)

0,250 kg.

D)

0,375 kg.

E)

0,750 kg.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

D
Resolução comentada

O volume de água deslocado é a parte submersa da porção: $V_{\text{sub}}=1{,}5-1{,}0=0{,}5\text{ L}=500\text{ cm}^3$. Como $\tfrac{1}{3}$ do volume está fora, a parte submersa corresponde a $\tfrac{2}{3}$ do volume total: $\tfrac{2}{3}V=500\text{ cm}^3$, portanto $V=750\text{ cm}^3$.

A densidade dos legumes é $\rho=0{,}5\text{ g/cm}^3$. A massa verdadeira é $m=\rho\,V=0{,}5\cdot750=375\text{ g}=0{,}375\text{ kg}$.

Observação: se a porção flutuasse em equilíbrio, o empuxo exigiria $\rho_{\text{água}}V_{\text{sub}}=\rho\,V$, relação que os dados do enunciado não satisfazem exatamente. O gabarito oficial segue a leitura direta, de volume total obtido pela parte submersa e massa dada pela densidade.

Q78
Mecânica — Atrito — Freios ABS

Os freios ABS são uma importante medida de segurança no trânsito, os quais funcionam para impedir o travamento das rodas do carro quando o sistema de freios é acionado, liberando as rodas quando estão no limiar do deslizamento. Quando as rodas travam, a força de frenagem é governada pelo atrito cinético.

As representações esquemáticas da força de atrito $f_{at}$ entre os pneus e a pista, em função da pressão $p$ aplicada no pedal de freio, para carros sem ABS e com ABS, respectivamente, são:

A)Alternativa A: Mecânica — Atrito — Freios ABS
B)Alternativa B: Mecânica — Atrito — Freios ABS
C)Alternativa C: Mecânica — Atrito — Freios ABS
D)Alternativa D: Mecânica — Atrito — Freios ABS
E)Alternativa E: Mecânica — Atrito — Freios ABS

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

A
Resolução comentada

Enquanto a roda gira sem deslizar sobre a pista, o ponto do pneu em contato com o solo está em repouso em relação à pista e a força é de atrito estático. Ela cresce com a pressão aplicada no pedal, até o valor máximo $f_{\text{máx}}=\mu_e\,N$.

Sem ABS, quando a pressão ultrapassa esse limite, a roda trava e desliza. A força passa a ser de atrito cinético, $f_c=\mu_c\,N$, com $\mu_c<\mu_e$, e fica constante, qualquer que seja o aumento da pressão. O gráfico tem uma subida linear, uma queda brusca e um patamar horizontal mais baixo.

Com ABS, o sistema libera a roda no limiar do deslizamento, e a força volta a subir. O ciclo se repete: a força de atrito sobe até perto do limite estático, cai quando o freio é aliviado e sobe de novo, em forma de dentes de serra.

Q83
Termologia — Segunda lei da Termodinâmica — Rendimento de motores

Aumentar a eficiência na queima de combustível dos motores a combustão e reduzir suas emissões de poluentes é a meta de qualquer fabricante de motores. É também o foco de uma pesquisa brasileira que envolve experimentos com plasma, o quarto estado da matéria e que está presente no processo de ignição. A interação da faísca emitida pela vela de ignição com as moléculas de combustível gera o plasma que provoca a explosão liberadora de energia que, por sua vez, faz o motor funcionar.

Disponível em: www.inovacaotecnologica.com.br. Acesso em: 22 jul. 2010 (adaptado).

No entanto, a busca da eficiência referenciada no texto apresenta como fator limitante

A)

o tipo de combustível, fóssil, que utilizam. Sendo um insumo não renovável, em algum momento estará esgotado.

B)

um dos princípios da termodinâmica, segundo o qual o rendimento de uma máquina térmica nunca atinge o ideal.

C)

o funcionamento cíclico de todos os motores. A repetição contínua dos movimentos exige que parte da energia seja transferida ao próximo ciclo.

D)

as forças de atrito inevitável entre as peças. Tais forças provocam desgastes contínuos que com o tempo levam qualquer material à fadiga e ruptura.

E)

a temperatura em que eles trabalham. Para atingir o plasma, é necessária uma temperatura maior que a de fusão do aço com que se fazem os motores.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

B
Resolução comentada

Um motor a combustão é uma máquina térmica: retira calor $Q_q$ de uma fonte quente, converte parte em trabalho $\tau$ e rejeita o restante $Q_f$ para uma fonte fria. O rendimento é $\eta=\dfrac{\tau}{Q_q}=1-\dfrac{Q_f}{Q_q}$.

Pela segunda lei da Termodinâmica, nenhuma máquina térmica converte todo o calor recebido em trabalho: é sempre necessário rejeitar calor para a fonte fria, e o rendimento real é menor que o de um ciclo ideal e que 100%. Esse é o limite fundamental para o aumento da eficiência, independentemente do combustível, do desgaste ou da engenharia dos materiais.

Q84
Física Moderna — Radioatividade — Irradiação e contaminação

A falta de conhecimento em relação ao que vem a ser um material radioativo e quais os efeitos, consequências e usos da irradiação pode gerar o medo e a tomada de decisões equivocadas, como a apresentada no exemplo a seguir.

“Uma companhia aérea negou-se a transportar material médico por este portar um certificado de esterilização por irradiação.”

Física na Escola, v. 8, n. 2, 2007 (adaptado).

A decisão tomada pela companhia é equivocada, pois

A)

o material é incapaz de acumular radiação, não se tornando radioativo por ter sido irradiado.

B)

a utilização de uma embalagem é suficiente para bloquear a radiação emitida pelo material.

C)

a contaminação radioativa do material não se prolifera da mesma forma que as infecções por microrganismos.

D)

o material irradiado emite radiação de intensidade abaixo daquela que ofereceria risco à saúde.

E)

o intervalo de tempo após a esterilização é suficiente para que o material não emita mais radiação.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

A
Resolução comentada

Na esterilização por irradiação, o material médico é exposto a radiação ionizante, por exemplo raios gama, que destrói os microrganismos. A radiação apenas atravessa o material e é absorvida, sem alterar seus núcleos. Por isso, o material não se torna radioativo e não passa a emitir radiação.

Isso é diferente de contaminação radioativa, que ocorre quando o material entra em contato com substâncias radioativas, ou seja, com núcleos instáveis que continuam emitindo radiação. O objeto irradiado é seguro para ser manipulado e transportado, e as hipóteses de blindagem pela embalagem, intensidade baixa ou decaimento com o tempo não são necessárias para explicar isso.

Q88
Óptica — Espectro eletromagnético — Bronzeamento sob lâmpada

Nossa pele possui células que reagem à incidência de luz ultravioleta e produzem uma substância chamada melanina, responsável pela pigmentação da pele. Pensando em se bronzear, uma garota vestiu um biquíni, acendeu a luz de seu quarto e deitou-se exatamente abaixo da lâmpada incandescente. Após várias horas ela percebeu que não conseguiu resultado algum.

O bronzeamento não ocorreu porque a luz emitida pela lâmpada incandescente é de

A)

baixa intensidade.

B)

baixa frequência.

C)

um espectro contínuo.

D)

amplitude inadequada.

E)

curto comprimento de onda.

Gabarito oficial — ENEM 2012 — 1ª Aplicação — Caderno 1 Azul

B
Resolução comentada

A produção de melanina é estimulada pela radiação ultravioleta, que tem frequência alta e comprimento de onda curto. Cada fóton ultravioleta tem energia $E=h\,f$ suficiente para desencadear a reação nas células da pele.

A lâmpada incandescente emite principalmente luz visível e infravermelho, radiações de frequência menor que a do ultravioleta, e cada fóton emitido tem energia insuficiente para esse efeito. Aumentar o tempo de exposição ou a intensidade não resolve, pois o que falta é a frequência adequada. Um espectro contínuo não é impedimento, e a amplitude não está ligada ao tipo de fóton.

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