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ENEM · 2019 · 2ª Aplicação · Reaplicação/PPL — Questões de Física comentadas

2º dia · Caderno 7 Azul · 11 questões de Física · Gabarito oficial e resoluções comentadas.

Numeração do Caderno 7 Azul. A seleção inclui questões de Física e questões interdisciplinares cuja resolução usa conceitos físicos. Aplicação de reaplicação/PPL.

Q91
Mecânica — Atrito — Curling

O curling é um dos esportes de inverno mais antigos e tradicionais. No jogo, dois times com quatro pessoas têm de deslizar pedras de granito sobre uma área marcada de gelo e tentar colocá-las o mais próximo possível do centro. A pista de curling é feita para ser o mais nivelada possível, para não interferir no decorrer do jogo. Após o lançamento, membros da equipe varrem (com vassouras especiais) o gelo imediatamente à frente da pedra, porém sem tocá-la. Isso é fundamental para o decorrer da partida, pois influi diretamente na distância percorrida e na direção do movimento da pedra. Em um lançamento retilíneo, sem a interferência dos varredores, verifica-se que o módulo da desaceleração da pedra é superior se comparado à desaceleração da mesma pedra lançada com a ação dos varredores.

Mecânica — Atrito — Curling: figura do caderno original

Disponível em: http://cbdg.org.br. Acesso em: 29 mar. 2016 (adaptado).

A menor desaceleração da pedra de granito ocorre porque a ação dos varredores diminui o módulo da

A)

força motriz sobre a pedra.

B)

força de atrito cinético sobre a pedra.

C)

força peso paralela ao movimento da pedra.

D)

força de arrasto do ar que atua sobre a pedra.

E)

força de reação normal que a superfície exerce sobre a pedra.

Gabarito oficial — ENEM 2019 — 2ª Aplicação · Reaplicação/PPL — Caderno 7 Azul

B
Resolução comentada

Depois do lançamento, a pedra desliza e sofre uma força de atrito cinético contrária ao movimento. A ação dos varredores modifica a superfície do gelo e reduz esse atrito.

Pela segunda lei de Newton, menor força resistente implica menor desaceleração. Os varredores não tocam a pedra para impulsioná-la. Alternativa B.

Q100
Energia — Rendimento — Concentração solar

Uma das formas de se obter energia elétrica é usar uma lente convergente circular para concentrar os raios de sol em um único ponto, aquecendo um dispositivo localizado nesse ponto a uma temperatura elevada. Com a transformação da energia luminosa em energia térmica, pode ser criado vapor-d’água que moverá uma turbina e gerará energia elétrica. Para projetar um sistema de geração de energia elétrica, a fim de alimentar um chuveiro elétrico de 2 000 W de potência, sabe-se que, neste local, a energia recebida do Sol é $1000\text{ W/m}^2$. Esse sistema apresenta taxa de eficiência de conversão em energia elétrica de 50% da energia solar incidente. Considere $\sqrt\pi=1{,}8$.

Qual deve ser, em metro, o raio da lente para que esse sistema satisfaça aos requisitos do projeto?

A)

0,28

B)

0,32

C)

0,40

D)

0,80

E)

1,11

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E
Resolução comentada

A potência elétrica produzida é $P=\eta\,J\,A$, com eficiência $\eta=0{,}50$, irradiância $J=1000\text{ W/m}^2$ e área circular $A=\pi r^2$.

Para obter $2000\text{ W}$, a área necessária é $A=2000/(0{,}50\cdot1000)=4\text{ m}^2$.

Assim, $r=\sqrt{4/\pi}=2/\sqrt\pi$. Usando a aproximação fornecida, $\sqrt\pi=1{,}8$, resulta $r\approx1{,}11\text{ m}$. Alternativa E.

Q102
Termologia — Convecção — Reservatório de água

Em uma residência com aquecimento central, um reservatório é alimentado com água fria, que é aquecida na base do reservatório e, a seguir, distribuída para as torneiras. De modo a obter a melhor eficiência de aquecimento com menor consumo energético, foram feitos alguns testes com diferentes configurações, modificando-se as posições de entrada de água fria e de saída de água quente no reservatório, conforme a figura. Em todos os testes, as vazões de entrada e saída foram mantidas iguais e constantes.

Termologia — Convecção — Reservatório de água: figura do caderno original

A configuração mais eficiente para a instalação dos pontos de entrada e saída de água no reservatório é, respectivamente, nas posições

A)

1 e 4.

B)

1 e 6.

C)

2 e 5.

D)

3 e 4.

E)

3 e 5.

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D
Resolução comentada

Ao ser aquecida, a água se expande, torna-se menos densa e sobe. A água mais fria permanece nas regiões inferiores, estabelecendo circulação por convecção.

Para aproveitar essa circulação, a água fria deve entrar pelo ponto inferior 3 e a água quente deve sair pelo ponto superior 4. Alternativa D.

Q103
Termologia — Estados físicos — Quatro elementos

Antes da geração do céu, teremos que rever a natureza do fogo, do ar, da água e da terra.

Primeiro, em relação àquilo a que chamamos água, quando congela, parece-nos estar a olhar para algo que se tornou pedra ou terra, mas quando derrete e se dispersa, esta torna-se bafo e ar; o ar, quando é queimado, torna-se fogo; e, inversamente, o fogo, quando se contrai e se extingue, regressa à forma do ar; o ar, novamente concentrado e contraído, torna-se nuvem e nevoeiro, mas, a partir destes estados, se for ainda mais comprimido, torna-se água corrente, e de água torna-se novamente terra e pedras; e deste modo, como nos parece, dão geração uns aos outros de forma cíclica.

PlATÃO, Timeu (c. 360 a.C.).

Buscando compreender a diversidade de formas e substâncias que vemos no mundo, diversas culturas da Antiguidade elaboraram a noção de “quatro elementos” fundamentais, que seriam terra, água, ar e fogo. Essa visão de mundo prevaleceu até o início da Era Moderna, quando foi suplantada diante das descobertas da química e da física.

PlATÃO. Timeu-Crítias. Coimbra: CECh, 2011.

Do ponto de vista da ciência moderna, a descrição dos “quatro elementos” feita por Platão corresponde ao conceito de

A)

partícula elementar.

B)

força fundamental.

C)

elemento químico.

D)

fase da matéria.

E)

lei da natureza.

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D
Resolução comentada

O texto descreve mudanças nas formas assumidas pela matéria: água líquida, material solidificado e vapor. Na linguagem da ciência moderna, esses exemplos remetem a fases ou estados físicos da matéria.

Os quatro elementos da tradição antiga não correspondem aos elementos químicos atuais, nem às forças fundamentais. A alternativa correta é D.

Q106
Mecânica — Grandezas e unidades — Lei de Hubble

Astrônomos medem a velocidade de afastamento de galáxias distantes pela detecção da luz emitida por esses sistemas. A Lei de Hubble afirma que a velocidade de afastamento de uma galáxia (em km/s) é proporcional à sua distância até a Terra, medida em megaparsec (Mpc). Nessa lei, a constante de proporcionalidade é a constante de Hubble ($H_0$) e seu valor mais aceito é de $72\,\frac{\text{km/s}}{\text{Mpc}}$. O parsec (pc) é uma unidade de distância utilizada em astronomia que vale aproximadamente $3\times10^{16}\text{ m}$. Observações astronômicas determinaram que a velocidade de afastamento de uma determinada galáxia é de 1440 km/s.

Utilizando a Lei de Hubble, pode-se concluir que a distância até essa galáxia, medida em km, é igual a:

A)$20\times10^0$
B)$20\times10^6$
C)$6\times10^{20}$
D)$6\times10^{23}$
E)$6\times10^{26}$

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C
Resolução comentada

A Lei de Hubble é $v=H_0d$. Logo, $d=1440/72=20\text{ Mpc}=20\times10^6\text{ pc}$.

Como $1\text{ pc}\approx3\times10^{16}\text{ m}=3\times10^{13}\text{ km}$, temos $d=20\times10^6\cdot3\times10^{13}=6\times10^{20}\text{ km}$.

Alternativa C. A conversão final para quilômetro é essencial; deixar a distância em metro produziria o distrator $6\times10^{23}$.

Q112
Óptica — Sombras — Calendário solar

Um estudante leu em um site da internet que os povos antigos determinavam a duração das estações do ano observando a variação do tamanho da sombra de uma haste vertical projetada no solo. Isso ocorria porque, se registrarmos o tamanho da menor sombra ao longo de um dia (ao meio-dia solar), esse valor varia ao longo do ano, o que permitiu aos antigos usar esse instrumento rudimentar como um calendário solar primitivo. O estudante também leu que, ao longo de um ano (sempre ao meio-dia solar): (I) a sombra é máxima no solstício de inverno; e (II) a sombra é mínima no solstício de verão.

O estudante, que morava em Macapá (na Linha do Equador), ficou intrigado com essas afirmações e resolveu verificar se elas eram verdadeiras em diferentes regiões do mundo. Contactou seus amigos virtuais em Salvador (Região Tropical) e Porto Alegre (Região Temperada) e pediu que eles registrassem o tamanho da menor sombra de uma haste vertical padronizada, ao longo do dia, durante um ano. Os resultados encontrados estão mostrados esquematicamente no gráfico (SV: Solstício de Verão; SI: Solstício de Inverno; E: Equinócio):

Óptica — Sombras — Calendário solar: figura do caderno original

Qual(is) cidade(s) indicada(s) no texto e no gráfico contradiz(em) a afirmação II?

A)

Salvador.

B)

Porto Alegre.

C)

Macapá e Salvador.

D)

Macapá e Porto Alegre.

E)

Porto Alegre e Salvador.

Gabarito oficial — ENEM 2019 — 2ª Aplicação · Reaplicação/PPL — Caderno 7 Azul

C
Resolução comentada

No gráfico, Macapá tem sombras mínimas nos equinócios, enquanto Salvador apresenta mínimos em duas datas diferentes do solstício de verão. Ambas estão na faixa tropical, onde o Sol pode passar pelo zênite ao longo do ano.

Em Porto Alegre, fora dessa faixa, o mínimo ocorre no solstício de verão. Portanto, Macapá e Salvador contradizem a afirmação II. Alternativa C.

Q120
Energia — Fontes renováveis — Biomassa

Em 2014, iniciou-se em São Paulo uma séria crise hídrica que também afetou o setor energético, agravada pelo aumento do uso de ar-condicionado e ventiladores. Com isso, intensifica-se a discussão sobre a matriz energética adotada nas diversas regiões do país. Sendo assim, há necessidade de se buscarem fontes alternativas de energia renovável que impliquem menores impactos ambientais.

Considerando essas informações, qual fonte poderia ser utilizada?

A)

Urânio enriquecido.

B)

Carvão mineral.

C)

Gás natural.

D)

Óleo diesel.

E)

Biomassa.

Gabarito oficial — ENEM 2019 — 2ª Aplicação · Reaplicação/PPL — Caderno 7 Azul

E
Resolução comentada

A biomassa provém de matéria orgânica que pode ser renovada em ciclos de produção. Entre as opções, é a fonte renovável.

Urânio, carvão mineral, gás natural e óleo diesel dependem de recursos finitos. A escolha da biomassa não significa ausência de impactos: seu desempenho ambiental depende do cultivo, do uso da terra e do processo de conversão. Alternativa E.

Q124
Ondulatória — Intensidade — Brilho do laser

Um professor percebeu que seu apontador a laser, de luz monocromática, estava com o brilho pouco intenso. Ele trocou as baterias do apontador e notou que a intensidade luminosa aumentou sem que a cor do laser se alterasse. Sabe-se que a luz é uma onda eletromagnética e apresenta propriedades como amplitude, comprimento de onda, fase, frequência e velocidade.

Dentre as propriedades de ondas citadas, aquela associada ao aumento do brilho do laser é o(a)

A)

amplitude.

B)

frequência.

C)

fase da onda.

D)

velocidade da onda.

E)

comprimento de onda.

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A
Resolução comentada

A intensidade de uma onda eletromagnética é proporcional ao quadrado de sua amplitude. Portanto, o aumento do brilho está associado ao aumento da amplitude.

A cor permaneceu a mesma, indicando que a frequência não mudou. Alternativa A.

Q129
Termologia — Energia dos combustíveis — Consumo de etanol

O etanol é um combustível renovável obtido da cana-de-açúcar e é menos poluente do que os combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel. O etanol tem densidade $0{,}8\text{ g/cm}^3$, massa molar $46\text{ g/mol}$ e calor de combustão aproximado de $-1300\text{ kJ/mol}$. Com o grande aumento da frota de veículos, tem sido incentivada a produção de carros bicombustíveis econômicos, que são capazes de render até 20 km/L em rodovias, para diminuir a emissão de poluentes atmosféricos.

O valor correspondente à energia consumida para que o motorista de um carro econômico, movido a álcool, percorra 400 km na condição de máximo rendimento é mais próximo de

A)

565 MJ.

B)

452 MJ.

C)

520 kJ.

D)

390 kJ.

E)

348 kJ.

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B
Resolução comentada

O volume consumido é $V=400/20=20\text{ L}=20000\text{ cm}^3$. Com densidade de $0{,}8\text{ g/cm}^3$, a massa de etanol é $m=16000\text{ g}$.

A quantidade de matéria é $n=m/M=16000/46\approx347{,}8\text{ mol}$. O módulo da energia liberada na combustão é $E=n\cdot1300\approx452174\text{ kJ}$.

Convertendo: $E\approx452\text{ MJ}$. Alternativa B. O sinal negativo do calor de combustão indica liberação de energia; a pergunta solicita seu valor consumido em módulo.

Q132
Mecânica — Inércia — Trajetória do foguete

Um foguete viaja pelo espaço sideral com os propulsores desligados. A velocidade inicial $\vec v$ tem módulo constante e direção perpendicular à ação dos propulsores, conforme indicado na figura. O piloto aciona os propulsores para alterar a direção do movimento quando o foguete passa pelo ponto A e os desliga quando o módulo de sua velocidade final é superior a $\sqrt2\,|\vec v|$, o que ocorre antes de passar pelo ponto B. Considere as interações desprezíveis.

Mecânica — Inércia — Trajetória do foguete: figura do caderno original

A representação gráfica da trajetória seguida pelo foguete, antes e depois de passar pelo ponto B, é:

A)Alternativa A: Reta inclinada de A a B e depois de B.
B)Alternativa B: Reta inclinada de A a B seguida de reta horizontal.
C)Alternativa C: Curva a partir de A seguida de reta inclinada, tangente à curva, passando por B.
D)Alternativa D: Curva a partir de A seguida de reta vertical passando por B.
E)Alternativa E: Curva de A a B que continua se curvando após B até ficar horizontal.

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C
Resolução comentada

Enquanto os propulsores funcionam, a força tem direção perpendicular à velocidade inicial: a componente horizontal permanece e surge uma componente vertical. A trajetória se curva para baixo.

Quando os propulsores são desligados, a força resultante é desprezível. Pela inércia, o foguete continua em linha reta na direção tangente à trajetória naquele instante, inclusive após passar por B.

Como $v_f>\sqrt2\,v$, a componente vertical final é maior que a horizontal inicial: $v_f^2=v^2+v_y^2>2v^2$. A reta final tem inclinação maior que $45^\circ$, como na alternativa C.

Q135
Astronomia — Eclipses — Planos orbitais

A figura mostra, de forma esquemática, uma representação comum em diversos livros e textos sobre eclipses. Apenas analisando essa figura, um estudante pode concluir que os eclipses podem ocorrer duas vezes a cada volta completa da Lua em torno da Terra. Apesar de a figura levar a essa percepção, algumas informações adicionais são necessárias para se concluir que nem o eclipse solar, nem o lunar ocorrem com tal periodicidade.

Astronomia — Eclipses — Planos orbitais: figura do caderno original

A periodicidade dos eclipses ser diferente da possível percepção do estudante ocorre em razão de

A)

eclipses noturnos serem imperceptíveis da Terra.

B)

planos das órbitas da Terra e da Lua serem diferentes.

C)

distância entre a Terra e a Lua variar ao longo da órbita.

D)

eclipses serem visíveis apenas em parte da superfície da Terra.

E)

o Sol ser uma fonte de luz extensa comparado ao tamanho da lua.

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B
Resolução comentada

A órbita da Lua ao redor da Terra é inclinada em relação ao plano da órbita terrestre ao redor do Sol. Assim, a Lua normalmente passa acima ou abaixo da direção necessária ao alinhamento exato.

Lua nova ou cheia, por si só, não garante eclipse. É necessário que a Lua esteja também próxima da interseção dos planos orbitais. A diferença entre esses planos explica a periodicidade: alternativa B.

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