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UFG · 2014 — 2ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de Goiás

Processo Seletivo 2014-2 · Prova aplicada em 18/05/2014 · Física — questões 41 a 50.

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Q41
Eletromagnetismo — Força Magnética — Força entre Fios Paralelos (Associação de Resistores)

O texto e a imagem a seguir deverão ser utilizados para responder às questões 41 e 42.

Na busca de fontes alternativas de energia, uma das opções promissoras que surgiu nos últimos anos foi o uso de certos organismos procariontes que, ao se alimentarem de matéria orgânica, geram, como resultado das quebras de ligações químicas no processo digestivo, energia elétrica. Recentemente, um grupo de pesquisadores publicou resultados de um estudo em que, ao formar uma colônia destes seres em uma determinada superfície, formando o chamado biofilme, conseguiram gerar uma potência elétrica de cerca de 200 mW por m² de biofilme.

Considere a situação em que este biofilme é utilizado para gerar uma tensão de 4 V entre os pontos A e B do circuito elétrico a seguir, em que os fios 1 e 2 apresentam resistências elétricas de 3 Ω e 6 Ω, respectivamente, e a resistência do restante do circuito é desprezível.

Circuito alimentado por biofilme com dois fios paralelos entre os pontos A e B

Os fios 1 e 2 têm comprimento $L=9\,\text{m}$, e a distância de separação entre eles é $d=2\,\text{mm}$. De acordo com o exposto, o tipo de ligação química que é rompida e a intensidade da força magnética que o fio 1 exerce sobre o fio 2, desprezando os efeitos de comprimento finito dos fios, são, respectivamente,

Dado: $\mu_0=4\pi\times10^{-7}\,\text{T}\cdot\text{m/A}$.

A)carbono-carbono e $12\times10^{-7}\,\text{N}$
B)carbono-carbono e $4{,}4\times10^{-3}\,\text{N}$
C)carbono-carbono e $8\times10^{-4}\,\text{N}$
D)carbono-cobre e $12\times10^{-7}\,\text{N}$
E)carbono-cobre e $8\times10^{-4}\,\text{N}$

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

C
Resolução comentada

Duas perguntas em uma: o tipo de ligação química e a força magnética entre os fios. Comecemos pela parte química, que é curta.

Ligação rompida. Os organismos do biofilme se alimentam de matéria orgânica, e é a quebra das ligações carbono-carbono dessas moléculas que libera a energia. Não há cobre na matéria orgânica que serve de alimento; o cobre está nos fios do circuito.

Correntes nos fios. Pela figura, os fios 1 e 2 estão em paralelo entre A e B, então ambos ficam submetidos à mesma tensão de $4\ \text{V}$: $I_1=\dfrac{4}{3}\ \text{A}$ e $I_2=\dfrac{4}{6}=\dfrac{2}{3}\ \text{A}$. As duas correntes percorrem os fios no mesmo sentido, de A para B.

Força entre fios paralelos. Cada fio cria um campo magnético no outro, e correntes de mesmo sentido se atraem, com intensidade $F=\dfrac{\mu_0\,I_1\,I_2\,L}{2\pi\,d}$. Como $\dfrac{\mu_0}{2\pi}=2\times10^{-7}\ \text{T·m/A}$:

$F=2\times10^{-7}\times\dfrac{\dfrac{4}{3}\cdot\dfrac{2}{3}\times9}{2\times10^{-3}}=2\times10^{-7}\times\dfrac{8}{2\times10^{-3}}=8\times10^{-4}\ \text{N}$.

Repare que $8\times10^{-4}\ \text{N}$ é bem menor que o peso de uma folha de papel, o que mostra como essa força é pequena, apesar de as correntes serem da ordem de 1 A.

Q42
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência Elétrica em Associação de Resistores

Tendo em vista o exposto na questão anterior, o ser vivo que forma o biofilme e a área deste, em metros quadrados, necessária para alimentar o circuito, são, respectivamente,

A)bactéria e 40
B)bactéria e 10
C)protozoário e 40
D)protozoário e 10
E)alga e 8

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

A
Resolução comentada

Continuação do circuito da questão anterior. Precisamos da potência que os fios consomem, para saber quanta potência o biofilme precisa gerar.

Ser vivo. O enunciado fala de organismos procariontes, isto é, sem núcleo definido. Entre as opções (bactéria, protozoário, alga), só a bactéria é procarionte; protozoários e algas são eucariontes.

Potência consumida. Os fios estão em paralelo: $R_{eq}=\dfrac{3\times6}{3+6}=2\ \Omega$. Com $U=4\ \text{V}$: $P=\dfrac{U^2}{R_{eq}}=\dfrac{16}{2}=8\ \text{W}$. (Conferindo pelas correntes: $I=\tfrac43+\tfrac23=2\ \text{A}$ e $P=UI=8\ \text{W}$.)

Área do biofilme. Cada $\text{m}^2$ gera $200\ \text{mW}=0{,}2\ \text{W}$. Então $A=\dfrac{8}{0{,}2}=40\ \text{m}^2$.

Cuidado com a unidade: $200\ \text{mW}$ são $0{,}2\ \text{W}$, e não $2\ \text{W}$. Esquecer a conversão de mW para W dá $4\ \text{m}^2$ ou $80\ \text{m}^2$, e nenhum desses valores está entre as opções.

Q43
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão Bidimensional

Uma experiência comum utilizando um acelerador de partículas consiste em incidir uma partícula conhecida sobre um alvo desconhecido e, a partir da análise dos resultados do processo de colisão, obter informações acerca do alvo. Um professor, para ilustrar de forma simplificada como esse processo ocorre, propôs a seguinte situação em que uma partícula de massa $m_1=0{,}2\,\text{kg}$ colide com um alvo que inicialmente estava em repouso, conforme a figura.

Colisão bidimensional entre uma partícula e um alvo inicialmente em repouso

Após a colisão, obteve-se como resultado que as componentes $y$ das velocidades são, respectivamente, $v_{1y}=5\,\text{m/s}$ e $v_{2y}=-2\,\text{m/s}$. Neste caso, a massa do alvo, em kg, é:

A)0,08
B)0,2
C)0,5
D)0,8
E)1,25

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

C
Resolução comentada

Colisões bidimensionais parecem assustadoras, mas há um truque: cada eixo se resolve separadamente. O que se conserva é a quantidade de movimento total em $x$ e em $y$.

Olhe para o eixo $y$. Antes da colisão, a partícula $m_1$ chega horizontalmente (só tem $v_0$ em $x$) e o alvo está em repouso. Logo, a quantidade de movimento inicial em $y$ é zero. Como não há forças externas, ela tem de continuar zero depois do choque.

Depois, a $m_1$ sobe ($v_{1y}=+5\ \text{m/s}$) e o alvo desce ($v_{2y}=-2\ \text{m/s}$): os dois “empurrões” verticais se cancelam.

$m_1v_{1y}+m_2v_{2y}=0\ \Rightarrow\ 0{,}2\times5+m_2\times(-2)=0\ \Rightarrow\ m_2=\dfrac{1{,}0}{2}=0{,}5\ \text{kg}$.

O bom da sacada é que não precisamos dos valores de $v_0$ nem das componentes em $x$: elas complicariam o problema. Regra prática: se uma das componentes começa em zero, comece por ela.

Q44
Termologia — Mudanças de Fase — Calor Latente de Vaporização (Transpiração Vegetal)

Considere uma gota de água de 2,0 mm de diâmetro que, após infiltrar-se no solo, tenha sido completamente absorvida pelas raízes de uma planta e voltado à atmosfera, no processo de transpiração, em um local cuja temperatura ambiente é de 20 °C. Nesse contexto, qual foi o caminho percorrido por essa gota na planta a partir da raiz até a atmosfera e qual foi a energia necessária para sua evaporação completa, sabendo que o calor latente de evaporação da água a 20 °C é de 2,45 MJ/kg?

Dados: $\pi\approx3{,}0$ e $d_{\text{água}}=1{,}0\,\text{g/cm}^3$.

A)Mesófilo, xilema e estômatos; $9{,}8\times10^{-3}\,\text{J}$
B)Xilema, mesófilo e estômatos; $9{,}8\times10^{-3}\,\text{J}$
C)Mesófilo, xilema e estômatos; $9{,}8\,\text{J}$
D)Xilema, mesófilo e estômatos; $9{,}8\,\text{J}$
E)Xilema, estômatos e mesófilo; $78{,}4\,\text{J}$

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

D
Resolução comentada

Duas partes: o trajeto da água na planta (Biologia) e a energia para evaporá-la (Física).

Trajeto. A água entra pelas raízes e sobe por vasos condutores, o xilema, até as folhas. Nas folhas, ela atravessa o mesófilo (o tecido interno, onde ocorre a fotossíntese) e sai na forma de vapor pelos estômatos, pequenos poros da epiderme. Ordem: xilema $\to$ mesófilo $\to$ estômatos. Isso descarta A e C (mesófilo antes do xilema) e E (estômatos antes do mesófilo).

Volume e massa da gota. O diâmetro é $2{,}0\ \text{mm}$, então o raio é $r=1{,}0\ \text{mm}=10^{-3}\ \text{m}$, e $V=\dfrac{4}{3}\pi r^3=\dfrac{4}{3}\times3\times(10^{-3})^3=4\times10^{-9}\ \text{m}^3$. Com $\rho=1000\ \text{kg/m}^3$: $m=\rho V=4\times10^{-6}\ \text{kg}$.

Energia. $Q=m\,L=4\times10^{-6}\times2{,}45\times10^{6}\approx9{,}8\ \text{J}$.

Para ter uma noção: $9{,}8\ \text{J}$ é a energia necessária para erguer $1\ \text{kg}$ por $1\ \text{m}$. Evaporar uma gotinha de 2 mm custa isso, o que mostra por que a transpiração é um mecanismo tão eficiente de resfriamento das folhas.

Erros à espreita: usar o diâmetro em vez do raio multiplica o volume por 8, o que dá $78{,}4\ \text{J}$ (alternativa E); e errar a conversão de g para kg dá $9{,}8\times10^{-3}\ \text{J}$ (alternativas A e B).

Q45
Física Moderna — Relatividade — Contração do Espaço

A teoria da relatividade elaborada por Albert Einstein (1879–1950), no início do século XX, abalou profundamente os alicerces da Física clássica, que já estava bem estabelecida e testada. Por questionar os conceitos canônicos da ciência e do senso comum até então, ela tornou-se uma das teorias científicas mais populares de todos os tempos.

Que situação física, prevista pela relatividade restrita de Einstein, também está em conformidade com a Física clássica?

A)A invariância do tempo em referenciais inerciais.
B)A contração do espaço.
C)A invariância da velocidade da luz.
D)A diferença entre massa inercial e gravitacional.
E)A conservação da quantidade de movimento.

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

E
Resolução comentada

Vale entender a pergunta: quais aspectos da relatividade restrita não rompem com a Física clássica? Vamos avaliar cada alternativa.

A) Invariância do tempo. Esse é o tempo absoluto de Newton, que é a ideia clássica. A relatividade restrita nega isso: o tempo se dilata para quem está em movimento. Logo não é “prevista” pela relatividade.

B) Contração do espaço. É uma previsão da relatividade e não existe na Física clássica.

C) Invariância da velocidade da luz. É o postulado central de Einstein, contrário à soma clássica de velocidades.

D) Diferença entre massa inercial e gravitacional. Na Física clássica (e na relatividade geral), elas são iguais, e não diferentes.

E) Conservação da quantidade de movimento. É válida nas duas teorias. A relatividade restrita muda a expressão do momento, que passa a ser $p=\gamma m v$, mas o princípio de conservação continua valendo. A expressão relativística tende à clássica ($p=mv$) para velocidades muito menores que $c$.

É um bom exemplo de como uma teoria nova costuma conservar as leis de conservação da antiga.

Q46
Eletricidade — Eletrodinâmica — Pilha, Resistividade e Corrente Elétrica

Considere uma pilha de Daniell de Cu/Mn que alimenta uma lâmpada, de acordo com a figura a seguir.

Pilha eletroquímica com eletrodos de manganês e cobre alimentando uma lâmpada

Considerando que a lâmpada seja formada por um filamento de tungstênio de 0,056 mm de diâmetro, 0,7 m de comprimento e sabendo que a resistividade elétrica do tungstênio é $\rho=5{,}6\times10^{-8}\,\Omega\,\text{m}$ e também que

$Cu^{2+}+2e^-\rightarrow Cu^0:\ E^0=-0{,}34\,\text{V}$
$Mn^{2+}+2e^-\rightarrow Mn^0:\ E^0=+1{,}18\,\text{V}$

conclui-se que o número de elétrons que atravessa o fio a cada segundo será:

Dados: $\pi\approx3{,}0$ e carga do elétron $e=1{,}6\times10^{-19}\,\text{C}$.

A)$3{,}15\times10^{17}$
B)$5{,}7\times10^{17}$
C)$1{,}6\times10^{19}$
D)$6{,}8\times10^{19}$
E)$12{,}4\times10^{19}$

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

B
Resolução comentada

O caminho tem quatro etapas: tensão da pilha $\to$ resistência do filamento $\to$ corrente $\to$ número de elétrons por segundo.

1) Tensão da pilha. A diferença de potencial é a diferença entre os dois potenciais: $U=|1{,}18-(-0{,}34)|=1{,}52\ \text{V}$. (Detalhe curioso: os sinais impressos na prova estão trocados em relação à tabela usual, em que $E^0_{Cu}=+0{,}34\ \text{V}$ e $E^0_{Mn}=-1{,}18\ \text{V}$. O resultado é o mesmo, $E_{cátodo}-E_{ânodo}=0{,}34-(-1{,}18)=1{,}52\ \text{V}$, e é isso que importa para a ddp.)

2) Resistência do filamento. O diâmetro é $0{,}056\ \text{mm}$, então $r=0{,}028\ \text{mm}=2{,}8\times10^{-5}\ \text{m}$. A área da seção é $A=\pi r^2\approx3\times(2{,}8\times10^{-5})^2=2{,}35\times10^{-9}\ \text{m}^2$. Pela 2ª lei de Ohm, $R=\dfrac{\rho\,L}{A}=\dfrac{5{,}6\times10^{-8}\times0{,}7}{2{,}35\times10^{-9}}\approx16{,}7\ \Omega$.

3) Corrente. $i=\dfrac{U}{R}=\dfrac{1{,}52}{16{,}7}\approx9{,}1\times10^{-2}\ \text{A}$.

4) Elétrons por segundo. Corrente é carga por tempo, então $N=\dfrac{i}{e}=\dfrac{9{,}1\times10^{-2}}{1{,}6\times10^{-19}}\approx5{,}7\times10^{17}$ elétrons a cada segundo.

Cuidados típicos: o diâmetro do fio precisa virar raio (esquecer a divisão por 2 quadruplica o erro na área) e o milímetro precisa virar metro. Note também que o fio de tungstênio tem só $0{,}056\ \text{mm}$ de diâmetro, cerca de metade da espessura de um fio de cabelo.

Q47
Termologia — Termodinâmica — Trabalho em Transformação Isobárica

Em um recipiente com paredes perfeitamente condutoras de calor encontra-se uma solução altamente concentrada de ácido clorídrico à temperatura de 27 °C e à pressão atmosférica. Uma certa quantidade de pó de magnésio é colocada na solução e, imediatamente depois, o recipiente é tampado com um pistão de massa desprezível, que fica em contato com a superfície do líquido e que pode deslizar sem atrito ao longo do recipiente. Quando a situação de equilíbrio é alcançada observa-se que o magnésio reagiu completamente com o ácido e que o pistão levantou-se em relação à superfície da solução devido à produção de gás. Sabendo que no processo todo o sistema realizou um trabalho de 240 J, e considerando o gás produzido como ideal, conclui-se que a massa, em gramas, de magnésio inicialmente colocada na solução foi:

Dado: $R\approx8{,}0\,\text{J/(K}\cdot\text{mol)}$.

A)0,243
B)0,486
C)0,729
D)1,215
E)2,430

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

E
Resolução comentada

A questão combina Química (a reação) com Termodinâmica (trabalho de um gás). O fio condutor é o número de mols de gás produzido.

1) A reação. $\text{Mg}+2\,\text{HCl}\rightarrow\text{MgCl}_2+\text{H}_2$. Para cada mol de $\text{Mg}$ que reage, forma-se 1 mol de $\text{H}_2$. O gás empurra o pistão.

2) O trabalho do gás. O pistão tem massa desprezível e desliza sem atrito, então o gás se expande contra a pressão atmosférica, que é constante. O trabalho é $W=P\,\Delta V$. Como o gás é ideal e a temperatura permanece $27\,^\circ\text{C}=300\ \text{K}$ (as paredes são condutoras de calor), $P\,\Delta V=nRT$. Note que, no início, não havia gás, e portanto todo o volume final é a variação de volume.

$n=\dfrac{W}{RT}=\dfrac{240}{8{,}0\times300}=0{,}10\ \text{mol de }\text{H}_2$.

3) Massa de magnésio. Como a proporção é 1:1, foram consumidos $0{,}10\ \text{mol}$ de $\text{Mg}$, e $m=0{,}10\times24{,}3=2{,}43\ \text{g}$.

Um erro a evitar: usar $27$ em vez de $300\ \text{K}$ na fórmula dos gases (a temperatura absoluta é obrigatória). Já as alternativas com valores menores correspondem a erros de fator 10 ou 2 em algum passo.

Q48
Física Moderna — Física Nuclear — Fusão e Potência

Em 1989, foi anunciada a realização em laboratório da assim chamada “fusão a frio”, um processo de fusão nuclear à temperatura ambiente realizada por meio de uma célula eletroquímica. Apesar do clamor inicial suscitado por esse resultado, experimentos sucessivos não conseguiram reproduzi-lo. De acordo com o que foi divulgado à época, núcleos de deutério $^2H$ se fundiam por meio das reações:

$^2H+^2H\rightarrow{}^3He+n+E_1$
$^2H+^2H\rightarrow{}^3He+{}^1H+E_2$

Para a situação apresentada, considere uma célula eletroquímica que possibilite o processo de fusão a frio gerando uma potência de 11,2 W. Na hipótese de que as duas reações aconteçam com a mesma frequência, conclui-se que os nêutrons liberados durante 1 segundo seriam:

Dados: $E_1\approx3{,}0\,\text{MeV}$, $E_2\approx4{,}0\,\text{MeV}$ e $1\,\text{eV}=1{,}6\times10^{-19}\,\text{J}$.

A)$1\times10^{13}$
B)$3\times10^{13}$
C)$4\times10^{13}$
D)$4\times10^{19}$
E)$7\times10^{19}$

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

A
Resolução comentada

A fusão nuclear libera uma energia enorme por reação, mas medida em MeV, uma unidade minúscula, então precisaremos converter para joules para compará-la com a potência em watts.

1) Energia por par de reações. As duas reações ocorrem com a mesma frequência $f$ (número de eventos por segundo de cada tipo). A energia liberada a cada “par” é $E_1+E_2=3{,}0+4{,}0=7{,}0\ \text{MeV}=7{,}0\times10^{6}\times1{,}6\times10^{-19}=1{,}12\times10^{-12}\ \text{J}$.

2) Frequência. Potência é energia por tempo, $P=f\,(E_1+E_2)$. Então $f=\dfrac{11{,}2}{1{,}12\times10^{-12}}=1{,}0\times10^{13}\ \text{s}^{-1}$.

3) Nêutrons. Só a primeira reação libera um nêutron ($^{2}\text{H}+{}^{2}\text{H}\rightarrow{}^{3}\text{He}+n$). Na outra, o produto é um próton. Como cada reação da primeira espécie ocorre $f$ vezes por segundo, são emitidos $1{,}0\times10^{13}$ nêutrons por segundo.

A armadilha é usar $E_1+E_2$ com o total de nêutrons no lugar dos eventos que os produzem (ou dividir por 3 MeV ou 4 MeV, isolados), o que leva a $3\times10^{13}$ ou $4\times10^{13}$ (alternativas B e C).

Um detalhe para quem for conferir: a segunda reação vem impressa na prova como $^{2}\text{H}+{}^{2}\text{H}\rightarrow{}^{3}\text{He}+{}^{1}\text{H}$, que não conserva a carga (2 à esquerda, 3 à direita); o produto correto seria o trítio, $^{3}\text{H}$. O erro é do enunciado original e não muda a conta, porque só o número de nêutrons e as energias entram nela.

Q49
Ondulatória — Ondas Eletromagnéticas — Radar de Abertura Sintética

A imagem de Radar de Abertura Sintética (SAR) é resultante da combinação das respostas geradas por meio de diferentes mecanismos de espalhamento e inclui a contribuição direta do solo, do tronco, da copa das árvores, da interação copa-solo e da reflexão dupla tronco-solo. Os componentes vegetais que agem como principais fontes de espalhamento são da mesma ordem de magnitude dos comprimentos de onda com os quais interagem. A análise das imagens do sensor SAR/R99B na banda espectral L, com 0,1 GHz de resolução horizontal e 3 m de resolução vertical, de uma região de floresta tropical, pode ser usada para monitorar

Dado: velocidade da luz $c=3\times10^8\,\text{m/s}$.

A)os diferentes tipos de cultura de uma região agrícola.
B)a expansão da monocultura latifundiária de soja sobre a vegetação nativa.
C)a área da agricultura de subsistência em uma região povoada.
D)a área da vegetação dos igapós.
E)a expansão do extrativismo da seringueira.

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

B
Resolução comentada

A questão parece tecnológica, mas se resolve com uma ideia simples de ondas: um radar “enxerga” bem os objetos cujo tamanho é comparável ao comprimento de onda. O enunciado até diz isso: os componentes vegetais que espalham a onda têm a mesma ordem de grandeza do comprimento de onda.

Comprimento de onda. Com $f=0{,}1\ \text{GHz}=10^{8}\ \text{Hz}$, $\lambda=\dfrac{c}{f}=\dfrac{3\times10^{8}}{10^{8}}=3\ \text{m}$. Ou seja, a onda “vê” estruturas de alguns metros: troncos, copas de árvores, grandes áreas com ou sem floresta.

O que é possível monitorar. Com essa escala (e resolução vertical de $3\ \text{m}$), o radar distingue bem a diferença entre uma floresta densa (muito espalhamento em troncos e copas) e uma área aberta cultivada. É a ferramenta certa para acompanhar grandes mudanças na cobertura, como a substituição de mata nativa por extensas lavouras. Detalhes mais finos, como o tipo de cultura em uma lavoura (A), pequenas roças de subsistência (C) ou seringueiras isoladas (E), estão abaixo da escala do radar.

Esse raciocínio de escala vale para qualquer sensoriamento: quanto menor o detalhe, menor precisa ser o comprimento de onda usado.

Q50
Óptica — Óptica Física — Critério de Rayleigh

A técnica de pintura conhecida como pontilhismo, desenvolvida na França em meados do século XIX, principalmente por George Seurat e Paul Signac, utilizou princípios de óptica na realização de suas obras. Essa técnica consiste em pintar um grande número de pequenos pontos igualmente espaçados de cores primárias, tal que a ilusão da mistura de cores é produzida somente nos olhos do observador.

De acordo com o critério de Rayleigh, dois pontos são distinguidos pelo olho humano se estiverem separados por um ângulo dado pela relação $\sin(\theta)=1{,}22(\lambda/d)$, em que $\lambda$ é o comprimento de onda da luz e $d$ é o diâmetro da pupila.

Esquema geométrico do critério de Rayleigh para dois pontos observados pelo olho

Considerando que, em média, $d=2{,}0\,\text{mm}$ e que, para ângulos pequenos, vale a relação $\sin(\theta)\approx\tan(\theta)\approx\theta$, a que distância mínima $D$, em metros, de uma pintura pontilhista um observador deve estar para observar a mistura de pontos, no caso da cor verde $(\lambda=500\,\text{nm})$, se o espaçamento entre os pontos for de $\Delta x=1{,}22\,\text{mm}$?

A)0,4
B)0,8
C)2,0
D)4,0
E)8,0

Gabarito — Processo Seletivo UFG 2014-2

D
Resolução comentada

A ideia do pontilhismo é que, à distância, os pontos deixam de ser vistos individualmente e as cores se misturam no olho. Isso acontece quando o olho não consegue mais resolver os pontos, isto é, quando o ângulo entre eles fica menor que o ângulo mínimo dado pelo critério de Rayleigh.

Ângulo mínimo do olho. $\theta_{min}\approx1{,}22\,\dfrac{\lambda}{d}=1{,}22\times\dfrac{500\times10^{-9}}{2{,}0\times10^{-3}}=3{,}05\times10^{-4}\ \text{rad}$.

Ângulo entre os pontos, visto de uma distância $D$. Pela figura, $\theta\approx\dfrac{\Delta x}{D}$ (ângulos pequenos). O limite ocorre quando $\dfrac{\Delta x}{D}=\theta_{min}$, isto é,

$D=\dfrac{\Delta x}{\theta_{min}}=\dfrac{1{,}22\times10^{-3}}{3{,}05\times10^{-4}}=4{,}0\ \text{m}$.

Uma sacada: como $\Delta x=1{,}22\ \text{mm}$ tem justamente o fator $1{,}22$, ele se cancela: $D=\dfrac{\Delta x\,d}{1{,}22\,\lambda}=\dfrac{10^{-3}\times2\times10^{-3}}{5\times10^{-7}}=4{,}0\ \text{m}$. O enunciado foi feito para isso.

Sentido do resultado. Mais perto que $4\ \text{m}$, o ângulo entre os pontos é maior que $\theta_{min}$ e eles são vistos separados. Só a partir de $4\ \text{m}$ o observador percebe a mistura de cores, e por isso $4\ \text{m}$ é a distância mínima.

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