Clarissa chuta, em sequência, três bolas – P, Q e R –, cujas trajetórias estão representadas nesta figura:

Sejam $t_P$, $t_Q$ e $t_R$ os tempos gastos, respectivamente, pelas bolas P, Q e R, desde o momento do chute até o instante em que atingem o solo.
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que
O tempo total de voo de um projétil lançado e recebido na mesma altura depende exclusivamente da altura máxima atingida: $T=2\sqrt{\dfrac{2h_{\text{máx}}}{g}}$ — quanto maior a altura alcançada, maior o tempo no ar, independentemente do alcance horizontal.
Pela figura, a bola Q atinge uma altura máxima claramente maior que as outras duas. Já as bolas P e R atingem a mesma altura máxima — a bola R apenas percorre uma distância horizontal maior, sem subir mais alto que P.
Como o tempo de voo depende só da altura máxima, $t_Q>t_P=t_R$.
José aperta uma tachinha entre os dedos, como mostrado nesta figura:

A cabeça da tachinha está apoiada no polegar e a ponta, no indicador.
Sejam $F_i$ o módulo da força e $p_i$ a pressão que a tachinha faz sobre o dedo indicador de José. Sobre o polegar, essas grandezas são, respectivamente, $F_p$ e $p_p$.
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que
A tachinha está em equilíbrio, comprimida entre dois dedos: pela 3ª Lei de Newton (e pelo equilíbrio de um corpo rígido sob duas forças opostas), a força que o polegar faz sobre ela deve ter o mesmo módulo da força que o indicador faz — e portanto $F_i=F_p$.
A pressão, porém, é $p=F/A$: a ponta da tachinha tem uma área de contato muito pequena (praticamente um ponto) com o indicador, enquanto a cabeça tem uma área bem maior de contato com o polegar. Com a mesma força distribuída sobre uma área muito menor, a pressão sobre o indicador é muito maior.
Logo $F_i=F_p$ e $p_i>p_p$.
Marcos e Valério puxam, cada um, uma mala de mesma massa até uma altura $h$, com velocidade constante, como representado nestas figuras:

Marcos puxa sua mala verticalmente, enquanto Valério arrasta a sua sobre uma rampa. Ambos gastam o mesmo tempo nessa operação.
Despreze as massas das cordas e qualquer tipo de atrito.
Sejam $P_M$ e $P_V$ as potências e $T_M$ e $T_V$ os trabalhos realizados por, respectivamente, Marcos e Valério.
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que
Sem atrito, o trabalho necessário para elevar um corpo de massa $m$ até uma altura $h$ depende apenas da variação de energia potencial gravitacional, $T=mgh$ — não importa se o caminho é vertical (Marcos) ou por uma rampa mais longa, porém sem atrito (Valério). Logo $T_M=T_V$.
Isso pode ser verificado também calculando o trabalho pela força ao longo do caminho: no plano inclinado, a força necessária é menor ($mg\sin\theta$), mas o caminho percorrido é proporcionalmente maior ($h/\sin\theta$) — o produto força × distância dá o mesmo $mgh$.
Como o trabalho realizado é igual nos dois casos e o tempo gasto também é o mesmo (dado do enunciado), a potência $P=T/t$ também é igual: $P_M=P_V$.
O movimento de translação da Terra deve-se, principalmente, à interação gravitacional entre esse planeta e o Sol.
Com base nessas informações, é CORRETO afirmar que o módulo da aceleração da Terra em sua órbita em torno do Sol é proporcional
A força gravitacional do Sol sobre a Terra é $F=\dfrac{GM_{\text{Sol}}M_{\text{Terra}}}{r^2}$, e pela 2ª Lei de Newton, a aceleração da Terra é $a=F/M_{\text{Terra}}$.
Substituindo: $a=\dfrac{GM_{\text{Sol}}M_{\text{Terra}}}{r^2\,M_{\text{Terra}}}=\dfrac{GM_{\text{Sol}}}{r^2}$ — a massa da própria Terra é cancelada, não aparecendo na expressão final da aceleração (é por isso que todos os corpos, independente da massa, têm a mesma aceleração gravitacional a uma dada distância).
A aceleração da Terra é proporcional apenas à massa do Sol (e inversamente proporcional a $r^2$, não a $r$ diretamente).
Regina estaciona seu carro, movido a gás natural, ao Sol.
Considere que o gás no reservatório do carro se comporta como um gás ideal.
Assinale a alternativa cujo gráfico melhor representa a pressão em função da temperatura do gás na situação descrita.

A

B

C

D
O reservatório de gás do carro é um recipiente rígido e fechado: seu volume não muda enquanto o carro esquenta ao Sol — é um processo isocórico (volume constante).
Pela Lei Geral dos Gases Ideais, $\dfrac{pV}{T}=\text{constante}$. Mantendo $V$ constante, $p=\left(\dfrac{nR}{V}\right)T$ — a pressão é diretamente proporcional à temperatura absoluta, uma relação linear (reta).
O gráfico correto é uma reta inclinada e crescente, não uma curva que acelera, satura ou uma reta horizontal.
João, chefe de uma oficina mecânica, precisa encaixar um eixo de aço em um anel de latão, como mostrado nesta figura:

À temperatura ambiente, o diâmetro do eixo é maior que o do orifício do anel.
Sabe-se que o coeficiente de dilatação térmica do latão é maior que o do aço.
Diante disso, são sugeridos a João alguns procedimentos, descritos nas alternativas abaixo, para encaixar o eixo no anel.
Assinale a alternativa que apresenta um procedimento que NÃO permite esse encaixe.
Resfriar apenas o eixo (A) o contrai, reduzindo seu diâmetro — funciona, se resfriado o bastante. Aquecer apenas o anel (B) expande seu orifício — também funciona. Aquecer os dois (D) expande ambos, mas como o latão tem coeficiente de dilatação maior que o aço, o orifício do anel cresce proporcionalmente mais do que o eixo, podendo alcançar o encaixe se aquecidos o suficiente.
Já resfriar os dois ao mesmo tempo (C) contrai tanto o eixo quanto o anel — mas, como o latão se contrai proporcionalmente mais que o aço ao esfriar, o orifício do anel encolhe mais do que o eixo encolhe, na mesma direção que piora (e nunca resolve) a interferência inicial: a diferença entre os diâmetros nunca se inverte por mais que se resfrie.
O procedimento que NÃO permite o encaixe é resfriar o eixo e o anel juntos.
Rafael e Joana observam que, após atravessar um aquário cheio de água, um feixe de luz do Sol se decompõe em várias cores, que são vistas num anteparo que intercepta o feixe.
Tentando explicar esse fenômeno, cada um deles faz uma afirmativa:
• Rafael: “Isso acontece porque, ao atravessar o aquário, a frequência da luz é alterada.”
• Joana: “Isso acontece porque, na água, a velocidade da luz depende da frequência.”
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que
A frequência da luz é determinada pela fonte (o Sol) e permanece constante ao passar de um meio para outro — é o comprimento de onda e a velocidade de propagação que mudam. A afirmativa de Rafael, de que a frequência é alterada, está errada.
O fenômeno de decomposição da luz branca em cores (dispersão) ocorre justamente porque, num meio como a água, o índice de refração — e, portanto, a velocidade de propagação $v=c/n$ — depende da frequência (ou cor) da luz: cada cor se refrata com um ângulo levemente diferente, separando o feixe branco em suas cores componentes.
Apenas a afirmativa de Joana está certa.
Uma vela está sobre uma mesa, na frente de um espelho plano, inclinado, como representado nesta figura:

Assinale a alternativa cujo diagrama representa CORRETAMENTE a formação da imagem do objeto, nessa situação.

A

B

C

D
Para localizar a imagem formada por um espelho plano em qualquer inclinação, o método correto é traçar um raio saindo do objeto (a chama da vela), refleti-lo no espelho respeitando a lei da reflexão (ângulo de incidência = ângulo de reflexão, medidos a partir da normal ao espelho, e não da horizontal), e prolongar esse raio refletido para trás do espelho: a imagem virtual está onde os raios prolongados parecem se cruzar.
Assumir que a imagem aparece 'na mesma altura, direto do outro lado' (como se o espelho fosse vertical) ou 'embaixo da mesa' (como se fosse horizontal) ignora a inclinação real do espelho — esses são erros comuns quando não se aplica a lei da reflexão à superfície como ela realmente está orientada.
O diagrama correto é o que constrói a imagem a partir do traçado do raio refletido, respeitando o ângulo de reflexão no espelho inclinado.
Enquanto brinca, Gabriela produz uma onda transversal em uma corda esticada. Em certo instante, parte dessa corda tem a forma mostrada nesta figura:

A direção de propagação da onda na corda também está indicada na figura.
Assinale a alternativa em que estão representados CORRETAMENTE a direção e o sentido do deslocamento do ponto P da corda, no instante mostrado.

A

B

C

D
Numa onda transversal numa corda, cada ponto se move apenas verticalmente (perpendicular à direção de propagação, que é horizontal) — isso já elimina as alternativas A e C, que mostram componentes horizontais de deslocamento.
Para saber se P sobe ou desce, usa-se a regra prática: como a onda se propaga para a direita, o formato da corda um instante depois será o mesmo formato de agora, só que deslocado para a direita — ou seja, cada ponto assume, em breve, a altura que está atualmente um pouco à sua esquerda.
Imediatamente à esquerda de P está a crista (parte de cima da onda, valores positivos de $y$), o que significa que P está prestes a subir — seu deslocamento nesse instante é para cima.
Aninha ligou três lâmpadas idênticas à rede elétrica de sua casa, como mostrado nesta figura:

Seja $V_P$ a diferença de potencial e $i_P$ a corrente na lâmpada P. Na lâmpada Q, essas grandezas são, respectivamente, $V_Q$ e $i_Q$.
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que
A lâmpada P está sozinha em seu ramo, ligado diretamente aos 127V da rede: ela recebe a tensão completa, $V_P=127\text{ V}$, e conduz uma corrente $i_P=127/R$.
As duas lâmpadas Q estão em série uma com a outra, e esse conjunto também está ligado aos mesmos 127V da rede — mas, como estão em série, essa tensão se divide igualmente entre as duas: cada lâmpada Q recebe apenas $V_Q=63{,}5\text{ V}$. A corrente nesse ramo (a mesma em ambas as lâmpadas Q, por estarem em série) é $i_Q=127/(2R)=i_P/2$, menor que a de P.
Logo $V_P>V_Q$ e $i_P>i_Q$.
Duas pequenas esferas isolantes – I e II –, eletricamente carregadas com cargas de sinais contrários, estão fixas nas posições representadas nesta figura:

A carga da esfera I é positiva e seu módulo é maior que o da esfera II.
Guilherme posiciona uma carga pontual positiva, de peso desprezível, ao longo da linha que une essas duas esferas, de forma que ela fique em equilíbrio.
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que o ponto que melhor representa a posição de equilíbrio da carga pontual, na situação descrita, é o
Entre as duas esferas (pontos Q e R), a força de repulsão da esfera I (positiva, empurra a carga de teste na direção de II) e a força de atração da esfera II (negativa, puxa a carga de teste também na direção de II) apontam para o mesmo lado — nunca se cancelam nessa região, então não há equilíbrio entre as esferas.
Além da esfera I (região à esquerda de I, perto de P), a repulsão de I e a atração de II também apontam em sentidos opostos, mas como I é a carga mais forte, sua repulsão domina em qualquer ponto dessa região e nunca é equilibrada pela atração da esfera mais fraca — não há solução ali.
Além da esfera II (região à direita de II, perto de S), a repulsão de I (mais forte, mas mais distante) pode ser exatamente equilibrada pela atração de II (mais fraca, porém mais próxima) — como II é a carga de menor módulo, o ponto de equilíbrio sempre se localiza do lado de fora da carga mais fraca. A posição de equilíbrio é o ponto S.
Em um experimento, André monta um circuito em que dois fios retilíneos – K e L –, paralelos, são percorridos por correntes elétricas constantes e de sentidos opostos.
Inicialmente, as correntes nos fios são iguais, como mostrado na Figura I.
Em seguida, André dobra o valor da corrente no fio L, como representado na Figura II.

Sejam $F_K$ e $F_L$, respectivamente, os módulos das forças magnéticas nos fios K e L.
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que
Dois fios paralelos percorridos por corrente sempre exercem força magnética um sobre o outro (correntes de sentidos opostos se repelem) — como há corrente em ambos os fios nas duas figuras, a força nunca é nula, o que já elimina as alternativas que afirmam $F_K=F_L=0$.
A força que o fio K exerce sobre o fio L e a força que o fio L exerce sobre o fio K formam sempre um par ação-reação (3ª Lei de Newton aplicada à interação magnética entre os fios) — e um par ação-reação tem sempre módulos iguais, não importa se as correntes em cada fio são iguais ou diferentes.
Por isso, tanto na Figura I ($i$ e $i$) quanto na Figura II ($i$ e $2i$), vale $F_K=F_L\ne0$ — dobrar a corrente em L não torna a força sobre L diferente da força sobre K, apenas aumenta a intensidade de ambas igualmente. .
Rafael utiliza duas bobinas, uma pilha, um interruptor e um amperímetro para fazer a montagem mostrada nesta figura:

Ele liga uma das bobinas em série com a pilha e com o interruptor, inicialmente, desligado. A outra bobina, ele a conecta ao amperímetro e a coloca próximo à primeira.
Em seguida, Rafael liga o interruptor no instante $t_1$ e desliga-o no instante $t_2$.
Assinale a alternativa cujo gráfico melhor representa a corrente no amperímetro em função do tempo, na situação descrita.

A

B

C

D
As duas bobinas não têm ligação elétrica direta — a única interação entre elas é por indução eletromagnética: a bobina do amperímetro só tem corrente induzida enquanto o fluxo magnético criado pela primeira bobina estiver variando.
Ao ligar o interruptor em $t_1$, a corrente na primeira bobina salta de zero a um valor constante em um instante muito curto — essa variação rápida do campo (e do fluxo) induz um pulso breve de corrente na segunda bobina. Entre $t_1$ e $t_2$, a corrente na primeira bobina permanece constante, o fluxo não varia, e a corrente induzida é nula.
Ao desligar o interruptor em $t_2$, a corrente cai bruscamente a zero, gerando novamente uma variação rápida de fluxo — mas agora na direção oposta à de $t_1$, induzindo um pulso de corrente de polaridade contrária ao primeiro. O gráfico correto mostra um pulso positivo em $t_1$, nada no meio, e um pulso negativo em $t_2$.
Em algumas moléculas, há uma assimetria na distribuição de cargas positivas e negativas, como representado, esquematicamente, nesta figura:

Considere que uma molécula desse tipo é colocada em uma região onde existem um campo elétrico $\vec E$ e um campo magnético $\vec B$, uniformes, constantes e mutuamente perpendiculares.
Nas alternativas abaixo, estão indicados as direções e os sentidos desses campos.
Assinale a alternativa em que está representada CORRETAMENTE a orientação de equilíbrio dessa molécula na presença dos dois campos.

A

B

C

D
A molécula é um dipolo elétrico estacionário (parado, sem velocidade líquida). A força magnética depende da velocidade da carga ($\vec F=q\vec v\times\vec B$): sem movimento, o campo magnético $\vec B$ não exerce nenhuma força ou torque líquido sobre ela — ele é irrelevante para a orientação de equilíbrio nesse caso, apesar de estar presente no enunciado.
Já o campo elétrico $\vec E$ exerce forças opostas sobre as duas extremidades do dipolo (empurra a carga positiva no sentido de $\vec E$ e a negativa no sentido contrário), gerando um torque que gira a molécula até seu eixo ficar paralelo a $\vec E$, com a extremidade positiva apontando no mesmo sentido do campo — essa é a orientação de menor energia potencial, e portanto de equilíbrio estável.
A alternativa correta mostra a molécula alinhada horizontalmente com $\vec E$, carga negativa do lado oposto ao campo e positiva no sentido do campo.
A luz emitida por uma lâmpada fluorescente é produzida por átomos de mercúrio excitados, que, ao perderem energia, emitem luz.
Alguns dos comprimentos de onda de luz visível emitida pelo mercúrio, nesse processo, estão mostrados nesta tabela:
| cor | comprimento de onda ($\times10^{-9}$ m) |
|---|---|
| amarela | 579,2 |
| verde | 546,2 |
| azul | 491,7 |
| violeta | 436,0 |
Considere que, nesse caso, a luz emitida se propaga no ar.
Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que, em comparação com os de luz violeta, os fótons de luz amarela têm
A energia de cada fóton é $E=\dfrac{hc}{\lambda}$: quanto maior o comprimento de onda, menor a energia. Como a luz amarela ($579{,}2$ nm) tem comprimento de onda maior que a violeta ($436{,}0$ nm), seus fótons têm menor energia.
Quanto à velocidade: tanto a luz amarela quanto a violeta se propagam no mesmo meio (o ar). No ar (como no vácuo, em boa aproximação), a velocidade da luz não depende do comprimento de onda — todas as cores viajam com a mesma velocidade $c\approx3\times10^8$ m/s (só em meios densos e dispersivos, como vidro ou água, a velocidade passa a depender da cor).
Logo, a luz amarela tem menor energia e a mesma velocidade que a violeta.
