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UFMG 2006 | 1ª Etapa

Vestibular UFMG 2006 · 1ª Etapa · Caderno 1 · Questões 46 a 60 — resolução comentada Método TEF.

Q46
Cinemática — Lançamento Oblíquo

Clarissa chuta, em sequência, três bolas – P, Q e R –, cujas trajetórias estão representadas nesta figura:

Três trajetórias parabólicas: Q é a mais alta (maior altura máxima); P e R têm a mesma altura máxima, com P de menor alcance e R de maior alcance

Sejam $t_P$, $t_Q$ e $t_R$ os tempos gastos, respectivamente, pelas bolas P, Q e R, desde o momento do chute até o instante em que atingem o solo.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)$t_Q>t_P=t_R$
B)$t_R>t_Q=t_P$
C)$t_Q>t_R>t_P$
D)$t_R>t_Q>t_P$

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

A
Resolução

O tempo total de voo de um projétil lançado e recebido na mesma altura depende exclusivamente da altura máxima atingida: $T=2\sqrt{\dfrac{2h_{\text{máx}}}{g}}$ — quanto maior a altura alcançada, maior o tempo no ar, independentemente do alcance horizontal.

Pela figura, a bola Q atinge uma altura máxima claramente maior que as outras duas. Já as bolas P e R atingem a mesma altura máxima — a bola R apenas percorre uma distância horizontal maior, sem subir mais alto que P.

Como o tempo de voo depende só da altura máxima, $t_Q>t_P=t_R$ — alternativa A.

Q47
Estática — Força e Pressão

José aperta uma tachinha entre os dedos, como mostrado nesta figura:

Mão de José segurando uma tachinha entre o polegar (na cabeça) e o indicador (na ponta)

A cabeça da tachinha está apoiada no polegar e a ponta, no indicador.

Sejam $F_i$ o módulo da força e $p_i$ a pressão que a tachinha faz sobre o dedo indicador de José. Sobre o polegar, essas grandezas são, respectivamente, $F_p$ e $p_p$.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)$F_i>F_p$ e $p_i=p_p$.
B)$F_i=F_p$ e $p_i=p_p$.
C)$F_i>F_p$ e $p_i>p_p$.
D)$F_i=F_p$ e $p_i>p_p$.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

D
Resolução

A tachinha está em equilíbrio, comprimida entre dois dedos: pela 3ª Lei de Newton (e pelo equilíbrio de um corpo rígido sob duas forças opostas), a força que o polegar faz sobre ela deve ter o mesmo módulo da força que o indicador faz — e portanto $F_i=F_p$.

A pressão, porém, é $p=F/A$: a ponta da tachinha tem uma área de contato muito pequena (praticamente um ponto) com o indicador, enquanto a cabeça tem uma área bem maior de contato com o polegar. Com a mesma força distribuída sobre uma área muito menor, a pressão sobre o indicador é muito maior.

Logo $F_i=F_p$ e $p_i>p_p$ — alternativa D.

Q48
Trabalho e Potência — Plano Inclinado

Marcos e Valério puxam, cada um, uma mala de mesma massa até uma altura $h$, com velocidade constante, como representado nestas figuras:

Marcos puxa a mala verticalmente até a altura h; Valério arrasta a mala sobre uma rampa inclinada até a mesma altura h

Marcos puxa sua mala verticalmente, enquanto Valério arrasta a sua sobre uma rampa. Ambos gastam o mesmo tempo nessa operação.

Despreze as massas das cordas e qualquer tipo de atrito.

Sejam $P_M$ e $P_V$ as potências e $T_M$ e $T_V$ os trabalhos realizados por, respectivamente, Marcos e Valério.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)$T_M=T_V$ e $P_M=P_V$.
B)$T_M>T_V$ e $P_M>P_V$.
C)$T_M=T_V$ e $P_M>P_V$.
D)$T_M>T_V$ e $P_M=P_V$.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

A
Resolução

Sem atrito, o trabalho necessário para elevar um corpo de massa $m$ até uma altura $h$ depende apenas da variação de energia potencial gravitacional, $T=mgh$ — não importa se o caminho é vertical (Marcos) ou por uma rampa mais longa, porém sem atrito (Valério). Logo $T_M=T_V$.

Isso pode ser verificado também calculando o trabalho pela força ao longo do caminho: no plano inclinado, a força necessária é menor ($mg\sin\theta$), mas o caminho percorrido é proporcionalmente maior ($h/\sin\theta$) — o produto força × distância dá o mesmo $mgh$.

Como o trabalho realizado é igual nos dois casos e o tempo gasto também é o mesmo (dado do enunciado), a potência $P=T/t$ também é igual: $P_M=P_V$ — alternativa A.

Q49
Gravitação — Aceleração Orbital

O movimento de translação da Terra deve-se, principalmente, à interação gravitacional entre esse planeta e o Sol.

Com base nessas informações, é CORRETO afirmar que o módulo da aceleração da Terra em sua órbita em torno do Sol é proporcional

A)à distância entre a Terra e o Sol.
B)à massa da Terra.
C)ao produto da massa da Terra pela massa do Sol.
D)à massa do Sol.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

D
Resolução

A força gravitacional do Sol sobre a Terra é $F=\dfrac{GM_{\text{Sol}}M_{\text{Terra}}}{r^2}$, e pela 2ª Lei de Newton, a aceleração da Terra é $a=F/M_{\text{Terra}}$.

Substituindo: $a=\dfrac{GM_{\text{Sol}}M_{\text{Terra}}}{r^2\,M_{\text{Terra}}}=\dfrac{GM_{\text{Sol}}}{r^2}$ — a massa da própria Terra é cancelada, não aparecendo na expressão final da aceleração (é por isso que todos os corpos, independente da massa, têm a mesma aceleração gravitacional a uma dada distância).

A aceleração da Terra é proporcional apenas à massa do Sol (e inversamente proporcional a $r^2$, não a $r$ diretamente) — alternativa D.

Q50
Termodinâmica — Gás Ideal a Volume Constante

Regina estaciona seu carro, movido a gás natural, ao Sol.

Considere que o gás no reservatório do carro se comporta como um gás ideal.

Assinale a alternativa cujo gráfico melhor representa a pressão em função da temperatura do gás na situação descrita.

Alternativa A: curva côncava para cima, crescimento acelerado
A
Alternativa B: reta horizontal constante
B
Alternativa C: curva côncava para baixo, crescimento que desacelera e satura
C
Alternativa D: reta inclinada, crescimento linear
D

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

D
Resolução

O reservatório de gás do carro é um recipiente rígido e fechado: seu volume não muda enquanto o carro esquenta ao Sol — é um processo isocórico (volume constante).

Pela Lei Geral dos Gases Ideais, $\dfrac{pV}{T}=\text{constante}$. Mantendo $V$ constante, $p=\left(\dfrac{nR}{V}\right)T$ — a pressão é diretamente proporcional à temperatura absoluta, uma relação linear (reta).

O gráfico correto é uma reta inclinada e crescente, não uma curva que acelera, satura ou uma reta horizontal — alternativa D.

Q51
Termologia — Dilatação Térmica

João, chefe de uma oficina mecânica, precisa encaixar um eixo de aço em um anel de latão, como mostrado nesta figura:

Eixo de aço cilíndrico ao lado de um anel de latão com um orifício central

À temperatura ambiente, o diâmetro do eixo é maior que o do orifício do anel.

Sabe-se que o coeficiente de dilatação térmica do latão é maior que o do aço.

Diante disso, são sugeridos a João alguns procedimentos, descritos nas alternativas abaixo, para encaixar o eixo no anel.

Assinale a alternativa que apresenta um procedimento que NÃO permite esse encaixe.

A)Resfriar apenas o eixo.
B)Aquecer apenas o anel.
C)Resfriar o eixo e o anel.
D)Aquecer o eixo e o anel.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

C
Resolução

Resfriar apenas o eixo (A) o contrai, reduzindo seu diâmetro — funciona, se resfriado o bastante. Aquecer apenas o anel (B) expande seu orifício — também funciona. Aquecer os dois (D) expande ambos, mas como o latão tem coeficiente de dilatação maior que o aço, o orifício do anel cresce proporcionalmente mais do que o eixo, podendo alcançar o encaixe se aquecidos o suficiente.

Já resfriar os dois ao mesmo tempo (C) contrai tanto o eixo quanto o anel — mas, como o latão se contrai proporcionalmente mais que o aço ao esfriar, o orifício do anel encolhe mais do que o eixo encolhe, na mesma direção que piora (e nunca resolve) a interferência inicial: a diferença entre os diâmetros nunca se inverte por mais que se resfrie.

O procedimento que NÃO permite o encaixe é resfriar o eixo e o anel juntos — alternativa C.

Q52
Óptica — Dispersão da Luz

Rafael e Joana observam que, após atravessar um aquário cheio de água, um feixe de luz do Sol se decompõe em várias cores, que são vistas num anteparo que intercepta o feixe.

Tentando explicar esse fenômeno, cada um deles faz uma afirmativa:

• Rafael: “Isso acontece porque, ao atravessar o aquário, a frequência da luz é alterada.”

• Joana: “Isso acontece porque, na água, a velocidade da luz depende da frequência.”

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)ambas as afirmativas estão certas.
B)apenas a afirmativa de Rafael está certa.
C)ambas as afirmativas estão erradas.
D)apenas a afirmativa de Joana está certa.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

D
Resolução

A frequência da luz é determinada pela fonte (o Sol) e permanece constante ao passar de um meio para outro — é o comprimento de onda e a velocidade de propagação que mudam. A afirmativa de Rafael, de que a frequência é alterada, está errada.

O fenômeno de decomposição da luz branca em cores (dispersão) ocorre justamente porque, num meio como a água, o índice de refração — e, portanto, a velocidade de propagação $v=c/n$ — depende da frequência (ou cor) da luz: cada cor se refrata com um ângulo levemente diferente, separando o feixe branco em suas cores componentes.

Apenas a afirmativa de Joana está certa — alternativa D.

Q53
Óptica — Espelho Plano Inclinado

Uma vela está sobre uma mesa, na frente de um espelho plano, inclinado, como representado nesta figura:

Vela sobre uma mesa, à frente de um espelho plano apoiado de forma inclinada sobre a mesma mesa

Assinale a alternativa cujo diagrama representa CORRETAMENTE a formação da imagem do objeto, nessa situação.

Alternativa A: imagem na mesma altura da vela, refletida como em espelho vertical
A
Alternativa B: imagem projetada abaixo da mesa, como em espelho horizontal
B
Alternativa C: imagem posicionada acima, na vertical
C
Alternativa D: imagem obtida por traçado correto do raio refletido no espelho inclinado, respeitando o ângulo de reflexão, aparecendo na altura da mesa à esquerda
D

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

D
Resolução

Para localizar a imagem formada por um espelho plano em qualquer inclinação, o método correto é traçar um raio saindo do objeto (a chama da vela), refleti-lo no espelho respeitando a lei da reflexão (ângulo de incidência = ângulo de reflexão, medidos a partir da normal ao espelho, e não da horizontal), e prolongar esse raio refletido para trás do espelho: a imagem virtual está onde os raios prolongados parecem se cruzar.

Assumir que a imagem aparece 'na mesma altura, direto do outro lado' (como se o espelho fosse vertical) ou 'embaixo da mesa' (como se fosse horizontal) ignora a inclinação real do espelho — esses são erros comuns quando não se aplica a lei da reflexão à superfície como ela realmente está orientada.

O diagrama correto é o que constrói a imagem a partir do traçado do raio refletido, respeitando o ângulo de reflexão no espelho inclinado — alternativa D.

Q54
Ondulatória — Onda Transversal em Corda

Enquanto brinca, Gabriela produz uma onda transversal em uma corda esticada. Em certo instante, parte dessa corda tem a forma mostrada nesta figura:

Onda transversal numa corda, com uma crista à esquerda do ponto P e um vale à direita; a onda se propaga para a direita

A direção de propagação da onda na corda também está indicada na figura.

Assinale a alternativa em que estão representados CORRETAMENTE a direção e o sentido do deslocamento do ponto P da corda, no instante mostrado.

Alternativa A: seta horizontal no ponto P, apontando no sentido de propagação
A
Alternativa B: seta vertical no ponto P, apontando para cima
B
Alternativa C: seta diagonal no ponto P, apontando para cima e para a direita
C
Alternativa D: seta vertical no ponto P, apontando para baixo
D

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

B
Resolução

Numa onda transversal numa corda, cada ponto se move apenas verticalmente (perpendicular à direção de propagação, que é horizontal) — isso já elimina as alternativas A e C, que mostram componentes horizontais de deslocamento.

Para saber se P sobe ou desce, usa-se a regra prática: como a onda se propaga para a direita, o formato da corda um instante depois será o mesmo formato de agora, só que deslocado para a direita — ou seja, cada ponto assume, em breve, a altura que está atualmente um pouco à sua esquerda.

Imediatamente à esquerda de P está a crista (parte de cima da onda, valores positivos de $y$), o que significa que P está prestes a subir — seu deslocamento nesse instante é para cimaalternativa B.

Q55
Eletrodinâmica — Lâmpadas na Rede Elétrica

Aninha ligou três lâmpadas idênticas à rede elétrica de sua casa, como mostrado nesta figura:

Rede de 127V com dois ramos em paralelo: um com a lâmpada P sozinha, outro com duas lâmpadas Q em série

Seja $V_P$ a diferença de potencial e $i_P$ a corrente na lâmpada P. Na lâmpada Q, essas grandezas são, respectivamente, $V_Q$ e $i_Q$.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)$V_Pi_Q$.
B)$V_P>V_Q$ e $i_P>i_Q$.
C)$V_P
D)$V_P>V_Q$ e $i_P=i_Q$.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

B
Resolução

A lâmpada P está sozinha em seu ramo, ligado diretamente aos 127V da rede: ela recebe a tensão completa, $V_P=127\text{ V}$, e conduz uma corrente $i_P=127/R$.

As duas lâmpadas Q estão em série uma com a outra, e esse conjunto também está ligado aos mesmos 127V da rede — mas, como estão em série, essa tensão se divide igualmente entre as duas: cada lâmpada Q recebe apenas $V_Q=63{,}5\text{ V}$. A corrente nesse ramo (a mesma em ambas as lâmpadas Q, por estarem em série) é $i_Q=127/(2R)=i_P/2$, menor que a de P.

Logo $V_P>V_Q$ e $i_P>i_Q$ — alternativa B.

Q56
Eletrostática — Equilíbrio de Cargas

Duas pequenas esferas isolantes – I e II –, eletricamente carregadas com cargas de sinais contrários, estão fixas nas posições representadas nesta figura:

Esfera I positiva à esquerda e esfera II negativa à direita, com os pontos P, Q, R e S marcados ao longo da linha que as une: P antes de I, Q e R entre as esferas, S depois de II

A carga da esfera I é positiva e seu módulo é maior que o da esfera II.

Guilherme posiciona uma carga pontual positiva, de peso desprezível, ao longo da linha que une essas duas esferas, de forma que ela fique em equilíbrio.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que o ponto que melhor representa a posição de equilíbrio da carga pontual, na situação descrita, é o

A)R.
B)P.
C)S.
D)Q.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

C
Resolução

Entre as duas esferas (pontos Q e R), a força de repulsão da esfera I (positiva, empurra a carga de teste na direção de II) e a força de atração da esfera II (negativa, puxa a carga de teste também na direção de II) apontam para o mesmo lado — nunca se cancelam nessa região, então não há equilíbrio entre as esferas.

Além da esfera I (região à esquerda de I, perto de P), a repulsão de I e a atração de II também apontam em sentidos opostos, mas como I é a carga mais forte, sua repulsão domina em qualquer ponto dessa região e nunca é equilibrada pela atração da esfera mais fraca — não há solução ali.

Além da esfera II (região à direita de II, perto de S), a repulsão de I (mais forte, mas mais distante) pode ser exatamente equilibrada pela atração de II (mais fraca, porém mais próxima) — como II é a carga de menor módulo, o ponto de equilíbrio sempre se localiza do lado de fora da carga mais fraca. A posição de equilíbrio é o ponto S — alternativa C.

Q57
Eletromagnetismo — Força entre Correntes

Em um experimento, André monta um circuito em que dois fios retilíneos – K e L –, paralelos, são percorridos por correntes elétricas constantes e de sentidos opostos.

Inicialmente, as correntes nos fios são iguais, como mostrado na Figura I.

Em seguida, André dobra o valor da corrente no fio L, como representado na Figura II.

Figura I: fios K e L com correntes iguais i, em sentidos opostos. Figura II: fio K com corrente i, fio L com corrente 2i, sentidos opostos

Sejam $F_K$ e $F_L$, respectivamente, os módulos das forças magnéticas nos fios K e L.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)na Figura I, $F_K=F_L=0$ e, na Figura II, $F_K\ne F_L$.
B)na Figura I, $F_K=F_L\ne0$ e, na Figura II, $F_K\ne F_L$.
C)na Figura I, $F_K=F_L=0$ e, na Figura II, $F_K=F_L\ne0$.
D)na Figura I, $F_K=F_L\ne0$ e, na Figura II, $F_K=F_L\ne0$.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

D
Resolução

Dois fios paralelos percorridos por corrente sempre exercem força magnética um sobre o outro (correntes de sentidos opostos se repelem) — como há corrente em ambos os fios nas duas figuras, a força nunca é nula, o que já elimina as alternativas que afirmam $F_K=F_L=0$.

A força que o fio K exerce sobre o fio L e a força que o fio L exerce sobre o fio K formam sempre um par ação-reação (3ª Lei de Newton aplicada à interação magnética entre os fios) — e um par ação-reação tem sempre módulos iguais, não importa se as correntes em cada fio são iguais ou diferentes.

Por isso, tanto na Figura I ($i$ e $i$) quanto na Figura II ($i$ e $2i$), vale $F_K=F_L\ne0$ — dobrar a corrente em L não torna a força sobre L diferente da força sobre K, apenas aumenta a intensidade de ambas igualmente. Alternativa D.

Q58
Eletromagnetismo — Indução Mútua

Rafael utiliza duas bobinas, uma pilha, um interruptor e um amperímetro para fazer a montagem mostrada nesta figura:

Bobina ligada à pilha e ao interruptor, próxima a uma segunda bobina ligada a um amperímetro, sem conexão elétrica direta entre as duas bobinas

Ele liga uma das bobinas em série com a pilha e com o interruptor, inicialmente, desligado. A outra bobina, ele a conecta ao amperímetro e a coloca próximo à primeira.

Em seguida, Rafael liga o interruptor no instante $t_1$ e desliga-o no instante $t_2$.

Assinale a alternativa cujo gráfico melhor representa a corrente no amperímetro em função do tempo, na situação descrita.

Alternativa A: dois pulsos positivos idênticos, em t1 e em t2
A
Alternativa B: pulso positivo em t1 e pulso negativo em t2, com corrente nula no intervalo entre eles
B
Alternativa C: um único pulso positivo em t1, nada acontece em t2
C
Alternativa D: corrente sobe em t1 e se mantém constante em patamar até cair em t2
D

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

B
Resolução

As duas bobinas não têm ligação elétrica direta — a única interação entre elas é por indução eletromagnética: a bobina do amperímetro só tem corrente induzida enquanto o fluxo magnético criado pela primeira bobina estiver variando.

Ao ligar o interruptor em $t_1$, a corrente na primeira bobina salta de zero a um valor constante em um instante muito curto — essa variação rápida do campo (e do fluxo) induz um pulso breve de corrente na segunda bobina. Entre $t_1$ e $t_2$, a corrente na primeira bobina permanece constante, o fluxo não varia, e a corrente induzida é nula.

Ao desligar o interruptor em $t_2$, a corrente cai bruscamente a zero, gerando novamente uma variação rápida de fluxo — mas agora na direção oposta à de $t_1$, induzindo um pulso de corrente de polaridade contrária ao primeiro. O gráfico correto mostra um pulso positivo em $t_1$, nada no meio, e um pulso negativo em $t_2$ — alternativa B.

Q59
Eletromagnetismo — Dipolo em Campos Cruzados

Em algumas moléculas, há uma assimetria na distribuição de cargas positivas e negativas, como representado, esquematicamente, nesta figura:

Molécula representada como uma elipse com carga positiva de um lado e negativa do outro (um dipolo elétrico)

Considere que uma molécula desse tipo é colocada em uma região onde existem um campo elétrico $\vec E$ e um campo magnético $\vec B$, uniformes, constantes e mutuamente perpendiculares.

Nas alternativas abaixo, estão indicados as direções e os sentidos desses campos.

Assinale a alternativa em que está representada CORRETAMENTE a orientação de equilíbrio dessa molécula na presença dos dois campos.

Alternativa A: molécula em diagonal, não alinhada com E nem com B
A
Alternativa B: molécula horizontal, alinhada com E, negativo à esquerda e positivo à direita (no sentido de E)
B
Alternativa C: molécula em diagonal, não alinhada com E nem com B
C
Alternativa D: molécula vertical, alinhada com B, positivo em cima
D

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

B
Resolução

A molécula é um dipolo elétrico estacionário (parado, sem velocidade líquida). A força magnética depende da velocidade da carga ($\vec F=q\vec v\times\vec B$): sem movimento, o campo magnético $\vec B$ não exerce nenhuma força ou torque líquido sobre ela — ele é irrelevante para a orientação de equilíbrio nesse caso, apesar de estar presente no enunciado.

Já o campo elétrico $\vec E$ exerce forças opostas sobre as duas extremidades do dipolo (empurra a carga positiva no sentido de $\vec E$ e a negativa no sentido contrário), gerando um torque que gira a molécula até seu eixo ficar paralelo a $\vec E$, com a extremidade positiva apontando no mesmo sentido do campo — essa é a orientação de menor energia potencial, e portanto de equilíbrio estável.

A alternativa correta mostra a molécula alinhada horizontalmente com $\vec E$, carga negativa do lado oposto ao campo e positiva no sentido do campo — alternativa B.

Q60
Física Moderna — Fótons e Comprimento de Onda

A luz emitida por uma lâmpada fluorescente é produzida por átomos de mercúrio excitados, que, ao perderem energia, emitem luz.

Alguns dos comprimentos de onda de luz visível emitida pelo mercúrio, nesse processo, estão mostrados nesta tabela:

corcomprimento de onda ($\times10^{-9}$ m)
amarela579,2
verde546,2
azul491,7
violeta436,0

Considere que, nesse caso, a luz emitida se propaga no ar.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que, em comparação com os de luz violeta, os fótons de luz amarela têm

A)menor energia e menor velocidade.
B)maior energia e maior velocidade.
C)menor energia e mesma velocidade.
D)maior energia e mesma velocidade.

Resolução Método TEF — UFMG 2006, 1ª Etapa, Caderno 1

C
Resolução

A energia de cada fóton é $E=\dfrac{hc}{\lambda}$: quanto maior o comprimento de onda, menor a energia. Como a luz amarela ($579{,}2$ nm) tem comprimento de onda maior que a violeta ($436{,}0$ nm), seus fótons têm menor energia.

Quanto à velocidade: tanto a luz amarela quanto a violeta se propagam no mesmo meio (o ar). No ar (como no vácuo, em boa aproximação), a velocidade da luz não depende do comprimento de onda — todas as cores viajam com a mesma velocidade $c\approx3\times10^8$ m/s (só em meios densos e dispersivos, como vidro ou água, a velocidade passa a depender da cor).

Logo, a luz amarela tem menor energia e a mesma velocidade que a violeta — alternativa C.

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