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UFMG 2009 | 1ª Etapa

Vestibular UFMG 2009 · 1ª Etapa · Caderno 1 · Questões 09 a 16 — resolução comentada Método TEF.

Q09
Cinemática — Velocidade Relativa

Numa corrida, Rubens Barrichelo segue atrás de Felipe Massa, em um trecho da pista reto e plano. Inicialmente, os dois carros movem-se com velocidade constante, de mesmos módulo, direção e sentido.

No instante $t_1$, Felipe aumenta a velocidade de seu carro com aceleração constante; e, no instante $t_2$, Barrichelo também aumenta a velocidade do seu carro com a mesma aceleração.

Considerando essas informações, assinale a alternativa cujo gráfico melhor descreve o módulo da velocidade relativa entre os dois veículos, em função do tempo.

Alternativa A: zero até t1, rampa linear crescente de t1 a t2, depois patamar constante
A
Alternativa B: zero até t1, rampa crescente até t2, seguida de leve crescimento contínuo
B
Alternativa C: zero até t1, salto abrupto em t1, patamar até t2, depois crescimento
C
Alternativa D: pulso retangular apenas entre t1 e t2, zero antes e depois
D

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

A
Resolução

Antes de $t_1$, os dois carros têm velocidades iguais (mesmo módulo, direção e sentido): a velocidade relativa é nula.

Entre $t_1$ e $t_2$, apenas o carro de Felipe acelera (aceleração constante $a$), enquanto Barrichelo mantém velocidade constante. A diferença de velocidades cresce linearmente: $v_{\text{rel}}(t)=a(t-t_1)$ — uma rampa reta.

A partir de $t_2$, Barrichelo também passa a acelerar com a mesma aceleração $a$: os dois carros continuam ganhando velocidade no mesmo ritmo, então a diferença entre eles para de crescer e permanece constante — um patamar horizontal.

Esse comportamento (zero, depois rampa linear entre $t_1$ e $t_2$, depois patamar constante) corresponde à alternativa A.

Q10
Máquinas Simples — Roldanas

Observe estes quatro sistemas de roldanas, em que objetos de mesma massa são mantidos suspensos, em equilíbrio, por uma força aplicada na extremidade da corda:

Quatro sistemas de roldanas: F1 e F2 são roldanas fixas (com cordas em direções diferentes); F3 é roldana móvel com cordas verticais; F4 é roldana móvel com cordas em V, inclinadas

Sejam $F_1$, $F_2$, $F_3$ e $F_4$ as forças que atuam numa das extremidades das cordas em cada um desses sistemas, como representado na figura.

Observe que, em dois desses sistemas, a roldana é fixa e, nos outros dois, ela é móvel.

Considere que, em cada um desses sistemas, a roldana pode girar livremente ao redor do seu eixo; que a corda é inextensível; e que a massa da roldana e a da corda são desprezíveis.

Considerando-se essas informações, em relação aos módulos dessas quatro forças, é CORRETO afirmar que

A)$F_1=F_2$ e $F_3=F_4$.
B)$F_1
C)$F_1=F_2$ e $F_3
D)$F_1

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

C
Resolução

$F_1$ e $F_2$ atuam em roldanas fixas: uma roldana fixa apenas redireciona a corda, sem ganho mecânico — para qualquer direção em que se puxe, a tensão necessária para sustentar o bloco em equilíbrio é sempre igual ao peso $mg$. Logo $F_1=F_2=mg$.

$F_3$ atua em uma roldana móvel com as duas seções de corda verticais: nesse arranjo ideal, o peso é sustentado por duas seções de corda igualmente verticais, cada uma com tensão $F_3=mg/2$.

$F_4$ também atua em uma roldana móvel, mas com as duas seções de corda inclinadas, abertas em V. Como só a componente vertical de cada tensão sustenta o peso ($2F_4\cos\theta=mg$, com $\theta$ o ângulo em relação à vertical), e $\cos\theta<1$ quando as cordas não são verticais, é preciso uma tensão $F_4>mg/2$ para compensar — maior que $F_3$.

Logo $F_1=F_2$ e $F_3alternativa C.

Q11
Hidrostática — Empuxo

Um estudante enche dois balões idênticos — K e L —, usando, respectivamente, gás hélio (He) e gás hidrogênio ($H_2$).

Em seguida, com um barbante, ele prende cada um desses balões a um dinamômetro, como mostrado nesta figura:

Balão K com hélio e balão L com hidrogênio, mesmo tamanho, cada um preso por um barbante a um dinamômetro

Os dois balões têm o mesmo volume e ambos estão à mesma temperatura.

Sabe-se que, nessas condições, o gás hélio é mais denso que o gás hidrogênio.

Sejam $E_K$ e $E_L$ os módulos do empuxo da atmosfera sobre, respectivamente, os balões K e L.

Pela leitura dos dinamômetros, o estudante verifica, então, que os módulos da tensão nos fios dos balões K e L são, respectivamente, $T_K$ e $T_L$.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)$T_K>T_L$ e $E_K=E_L$.
B)$T_K
C)$T_K
D)$T_K>T_L$ e $E_K\ne E_L$.

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

B
Resolução

O empuxo do ar depende apenas do volume de ar deslocado e da densidade do ar ($E=\rho_{\text{ar}}Vg$) — não depende do gás que está dentro do balão. Como os dois balões têm o mesmo volume e estão no mesmo ambiente, $E_K=E_L$.

A tensão no fio, por equilíbrio, é $T=E-P_{\text{gás}}-P_{\text{balão}}$. Como o hélio é mais denso que o hidrogênio (dado do enunciado), o balão K carrega um gás mais pesado, 'consumindo' mais do empuxo disponível — sobra menos força para tracionar o fio.

Logo $T_Kalternativa B.

Q12
Calorimetria — Calor Específico e Calor Latente

Num Laboratório de Física, faz-se uma experiência com dois objetos de materiais diferentes — R e S —, mas de mesma massa, ambos, inicialmente, no estado sólido e à temperatura ambiente.

Em seguida, os dois objetos são aquecidos e, então, mede-se a temperatura de cada um deles em função da quantidade de calor que lhes é fornecida.

Os resultados obtidos nessa medição estão representados neste gráfico:

Gráfico temperatura por calor fornecido: a curva S (pontilhada) sobe rápido e tem um patamar de fusão longo; a curva R (contínua) sobe devagar, com um patamar de fusão curto, e depois cresce fortemente

Sejam $L_R$ e $L_S$ o calor latente de fusão dos materiais R e S, respectivamente, e $c_R$ e $c_S$ o calor específico dos materiais, no estado sólido, também respectivamente.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)$c_R
B)$c_RL_S$.
C)$c_R>c_S$ e $L_R
D)$c_R>c_S$ e $L_R>L_S$.

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

C
Resolução

Enquanto o material ainda é sólido, $\Delta T=\dfrac{Q}{mc}$: quanto mais íngreme a reta inicial (mais temperatura por unidade de calor), menor é o calor específico. No gráfico, a curva pontilhada (S) sobe mais rapidamente no início que a curva contínua (R) — logo $c_Sc_S$.

O patamar horizontal de cada curva representa a fusão (temperatura constante recebendo calor $Q=mL$): quanto mais largo o patamar (maior intervalo de calor fornecido), maior o calor latente. O patamar de S é visivelmente mais longo que o de R, logo $L_S>L_R$, ou seja, $L_R

Portanto $c_R>c_S$ e $L_Ralternativa C.

Q13
Ondulatória — Refração de Ondas

Numa aula no Laboratório de Física, o professor faz, para seus alunos, a experiência que se descreve a seguir.

Inicialmente, ele enche de água um recipiente retangular, em que há duas regiões — I e II —, de profundidades diferentes.

Esse recipiente, visto de cima, está representado nesta figura:

Recipiente visto de cima, com a régua geradora de ondas à esquerda; região I com cristas de onda mais espaçadas; região II, à direita, com cristas mais próximas entre si

No lado esquerdo da região I, o professor coloca uma régua a oscilar verticalmente, com freqüência constante, de modo a produzir um trem de ondas.

As ondas atravessam a região I e propagam-se pela região II, até atingirem o lado direito do recipiente.

Na figura, as linhas representam as cristas de onda dessas ondas.

Dois dos alunos que assistem ao experimento fazem, então, estas observações:

• Bernardo: “A freqüência das ondas na região I é menor que na região II.”

• Rodrigo: “A velocidade das ondas na região I é maior que na região II.”

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)apenas a observação do Bernardo está certa.
B)apenas a observação do Rodrigo está certa.
C)ambas as observações estão certas.
D)nenhuma das duas observações está certa.

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

B
Resolução

A frequência de uma onda é determinada pela fonte (a régua oscilando) e não muda ao cruzar a fronteira entre os dois meios — é o comprimento de onda e a velocidade que se alteram. Logo a afirmação de Bernardo, de que a frequência muda entre as regiões, está errada.

Pela figura, as cristas estão mais espaçadas na região I (maior $\lambda_I$) e mais próximas na região II (menor $\lambda_{II}$). Como $v=f\lambda$ e $f$ é a mesma nas duas regiões, $\lambda_I>\lambda_{II}$ implica $v_I>v_{II}$ — exatamente o que Rodrigo afirma.

Apenas a observação de Rodrigo está certa — alternativa B.

Q14
Eletrodinâmica — Associação de Resistores

Observe este circuito, constituído de três resistores de mesma resistência $R$; um amperímetro A; uma bateria $\varepsilon$; e um interruptor S:

Circuito com bateria e amperímetro em série; à direita, um ramo com dois resistores R em série e, em paralelo com ele, outro ramo com o interruptor S e um resistor R

Considere que a resistência interna da bateria e a do amperímetro são desprezíveis e que os resistores são ôhmicos.

Com o interruptor S inicialmente desligado, observa-se que o amperímetro indica uma corrente elétrica $I$.

Com base nessas informações, é CORRETO afirmar que, quando o interruptor S é ligado, o amperímetro passa a indicar uma corrente elétrica

A)$\dfrac{2I}{3}$.
B)$\dfrac{I}{2}$.
C)$2I$.
D)$3I$.

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

D
Resolução

Com S desligado, o ramo que contém o interruptor fica aberto: toda a corrente passa apenas pelo ramo com os dois resistores $R$ em série, de resistência total $2R$. Assim, $I=\dfrac{\varepsilon}{2R}$, ou seja, $\varepsilon=2RI$.

Com S ligado, os dois ramos passam a conduzir em paralelo: o ramo com S tem resistência $R$; o outro ramo, $2R$. A resistência equivalente é $R_{eq}=\dfrac{R\cdot 2R}{R+2R}=\dfrac{2R}{3}$.

A nova corrente total é $I'=\dfrac{\varepsilon}{R_{eq}}=\dfrac{2RI}{2R/3}=3I$ — alternativa D.

Q15
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética

Sabe-se que uma corrente elétrica pode ser induzida em uma espira colocada próxima a um cabo de transmissão de corrente elétrica alternada — ou seja, uma corrente que varia com o tempo.

Considere que uma espira retangular é colocada próxima a um fio reto e longo de duas maneiras diferentes, como representado nestas figuras:

Situação I: fio perpendicular ao plano da espira, representado por um ponto fora do quadrado da espira. Situação II: fio longo e reto, no mesmo plano da espira, paralelo a um dos seus lados

Na situação representada em I, o fio está perpendicular ao plano da espira e, na situação representada em II, o fio está paralelo a um dos lados da espira.

Nos dois casos, há uma corrente alternada no fio.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que uma corrente elétrica induzida na espira

A)ocorre apenas na situação I.
B)ocorre apenas na situação II.
C)ocorre nas duas situações.
D)não ocorre em qualquer das duas situações.

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

B
Resolução

Na situação I, o fio é perpendicular ao plano da espira (a espira e o fio estão desenhados no mesmo plano da página, com o fio atravessando essa página como um ponto). O campo magnético criado por esse fio forma círculos concêntricos que ficam contidos no próprio plano da página — ou seja, sempre paralelos ao plano da espira, nunca perpendiculares a ele. Como o fluxo magnético depende da componente de $\vec B$ perpendicular à espira, esse fluxo é sempre nulo, e nenhuma variação de corrente no fio consegue induzir corrente na espira.

Na situação II, o fio está no mesmo plano da espira, paralelo a um de seus lados: o campo que ele cria atravessa a espira perpendicularmente ao seu plano (entrando ou saindo da página). Como a corrente no fio é alternada, esse campo — e o fluxo através da espira — varia no tempo, induzindo corrente pela Lei de Faraday.

A indução ocorre apenas na situação II — alternativa B.

Q16
Física Moderna — Fótons e Potência de Laser

Um estudante de Física adquiriu duas fontes de luz laser com as seguintes especificações para a luz emitida:

Fonte IFonte II
potência$0{,}005\text{ W}$$0{,}030\text{ W}$
comprimento de onda$632\text{ nm}$$632\text{ nm}$

Sabe-se que a fonte I emite $N_I$ fótons por segundo, cada um com energia $E_I$; e que a fonte II emite $N_{II}$ fótons por segundo, cada um com energia $E_{II}$.

Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que

A)$N_I
B)$N_I
C)$N_I=N_{II}$ e $E_I
D)$N_I=N_{II}$ e $E_I=E_{II}$.

Resolução Método TEF — UFMG 2009, 1ª Etapa, Caderno 1

A
Resolução

A energia de cada fóton é $E=\dfrac{hc}{\lambda}$, que depende apenas do comprimento de onda. Como as duas fontes emitem no mesmo $\lambda=632\text{ nm}$, cada fóton das duas fontes carrega exatamente a mesma energia: $E_I=E_{II}$.

O número de fótons emitidos por segundo é $N=\dfrac{\text{Potência}}{E_{\text{fóton}}}$. Como a potência da fonte II ($0{,}030\text{ W}$) é seis vezes maior que a da fonte I ($0{,}005\text{ W}$), e a energia de cada fóton é a mesma nas duas fontes, a fonte II emite seis vezes mais fótons por segundo: $N_I

Logo $N_Ialternativa A.

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